OUTROS OLHARES

ENVELHECIMENTO SEM AMPARO

Aumento da expectativa de vida, em meio à precariedade dos serviços do governo, condena idosos à permanência indefinida no mercado de trabalho. Gastos adicionais com a saúde dos mais velhos serão de R$ 50 bilhões até 2027

A empregada doméstica gaúcha Tereza Beatriz Viega, de 77 anos, moradora da região central de São Paulo, é o típico caso de uma idosa brasileira desamparada. Ela poderia estar em casa, aproveitando sua pensão alimentícia e cuidando dos netos. Mas a realidade torna isso impossível. Ela não ganha o suficiente e precisa trabalhar duro. Para conseguir um posto de trabalho depois de dois anos sem emprego formal, Tereza circulou pelas ruas da cidade e no transporte público com um cartaz em suas mãos, com a inscrição “o trabalho fica, a esmola vai embora, por misericórdia me arrume um emprego. Obrigado”. Felizmente ela conseguiu o tão sonhado emprego. Seu pedido chegou aos ouvidos do gerente geral de recursos humanos do supermercado Extra, do grupo Pão Açúcar, Anderson Brugnera, que a contratou. “Ela nos surpreendeu com sua coragem e dedicação”, afirma Brugnera. Tereza, por sua vez, não reclama de sua situação e diz que pretende trabalhar até os 100 anos. “Você não pode imaginar quanta dignidade esse emprego me trouxe”, desabafa.

O que resta aos idosos hoje no Brasil é arrumar um emprego porque, se depender do Estado, eles ficarão numa situação de abandono. O aumento da expectativa de vida dos brasileiros, que cresce três meses ao ano, pressiona os cofres públicos, expõe a precariedade da previdência pública, aumenta a necessidade de uma previdência privada para aumentar a renda e acaba com o sonho da velhice tranquila. Os brasileiros com mais de 60 anos somam, atualmente, cerca de 30 milhões de pessoas, o equivalente a 15% da população. Desse total, pelo menos 350 mil idosos estão em busca de emprego e 41% dos ocupados, na informalidade. A situação de falta de trabalho ocorre por diversas causas. Uma delas é o preconceito de muitas empresas brasileiras com os trabalhadores idosos. Outra é a baixa escolaridade ocasionada pelo histórico de pobreza da maioria, que dificulta ou torna impossível uma reinserção no mercado de trabalho. Nesses casos, as pessoas acabam se virando como podem ou contam com a ajuda de familiares para sobreviver.

Desde 1940, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizou o primeiro censo demográfico no País, a expectativa de vida da população subiu de 45,5 anos, em média, para mais de 76. Houve um aumento de 30 anos na longevidade e nem a sociedade nem o poder público se prepararam para esse envelhecimento. “O processo de modernização da sociedade contribuiu para que as pessoas vivessem mais, mas o Estado não se preparou para acolher essa nova população idosa”, diz o geógrafo do IBGE Marcio Minamiguchi. “Ano após ano percebemos o aumento contínuo da longevidade”. Junta-se a isso, para aumentar a pressão sobre a Previdência Social, uma importante diminuição na taxa de fecundidade. “Desde 1970 notamos que houve uma diminuição do índice de fertilidade”, afirma o geógrafo. Há 50 anos, as mulheres brasileiras tinham mais de cinco filhos e hoje a média é de dois filhos. A tendência, já confirmada em números, é de que um em cada quatro brasileiros tenha mais de 65 anos, em 2060. Então, pela primeira vez, haverá mais idosos de que crianças no País.

GASTOS PÚBLICOS

Em 2018, segundo o IBGE, a parcela da população com mais de 65 anos era de 10,5%, mas esse percentual vem crescendo e alcançará 15% em 2034 e 25,5% em 2060. Diante desse quadro, haverá uma pressão permanente para a elevação dos gastos públicos, principalmente na área da saúde. Uma estimativa da Secretaria do Tesouro Nacional divulgada na semana passada indica que haverá necessidade de gastos adicionais de R$ 50,7 bilhões entre 2020 e 2027 para garantir serviços de saúde e medicamentos para a população que está envelhecendo. A maior parte dessas despesas estará concentrada em assistência farmacêutica e em atendimentos hospitalares e ambulatoriais, que envolvem casos de média e alta complexidade. Apesar da necessidade crescente de recursos, no ano passado o governo deixou de aplicar R$ 9 bilhões em saúde.

Além de necessário, já que o Estado não garante proteção suficiente aos idosos, o trabalho dos mais velhos é uma forma de conter o ônus demográfico que se verifica quando o crescimento da população em idade ativa acontece em ritmo inferior ao do aumento da população total. É exatamente o que vem sendo registrado desde 2018 no País. Há cada vez menos gente em idade ativa. E cada vez mais dependentes de aposentadorias e pensões, que vão exigir os gastos adicionais na saúde nos próximos anos. O ônus demográfico tende a se intensificar na medida em que cai progressivamente a taxa de natalidade e a população em idade ativa envelhece e deixa o mercado de trabalho. Indivíduos mais produtivos param de atuar e dão espaço para os teoricamente menos produtivos. Mas a máquina não pode parar. Uma atenuante para o ônus demográfico é a continuidade do trabalho dos idosos.

EMPREGOS PARA IDOSOS

Pensando na precariedade da situação dos mais velhos, a Secretaria de Envelhecimento Saudável, Qualidade de Vida e Eventos do Rio de Janeiro lançou o programa Empregabilidade, que oferece 250 vagas para o pessoal da terceira idade. “Induzimos as empresas a serem amigas da terceira idade”, diz Felipe Michel, secretário da pasta. O programa conta com a participação de quinze companhias de grande e médio porte e, segundo o secretário, em apenas um mês 700 pessoas foram empregadas. “Com o apoio da imprensa, das empresas e da sociedade, o nosso programa vai crescer”, afirma. Graças a essa iniciativa da secretaria, a auxiliar de enfermagem Enídia dos Santos, de 66 anos, moradora da Pavuna, na zona norte do Rio, conseguiu voltar ao mercado de trabalho, depois de dois anos desempregada. Ela não se aposentou porque não comprovou a contribuição para o INSS. “Vi o anuncio na televisão e corri para a Prefeitura. Quem contrata diz que, na minha idade, não temos mais saúde e disposição para o trabalho”, conta. “Tenho plenas condições de trabalhar e adoro minha profissão”. Empresas como o Pão de Açúcar, onde Tereza Viega foi empregada, também tem uma política de recursos humanos que destina uma parte de suas vagas para os mais velhos. Dos 30 mil funcionários da empresa, 10% têm mais de 50 anos.

No Brasil, infelizmente, quando alguém ultrapassa os 65 anos entra numa zona de risco de abandono e precariedade. A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera que uma nação é idosa quando o número de pessoas com essa idade ultrapassa 8% do total da população. O País atingiu essa condição há muito tempo e as condições como os brasileiros estão envelhecendo causam enorme preocupação. Segundo o médico José Mário Tupiná Machado, chefe do serviço de geriatria da Santa Casa de Curitiba, é muito difícil num país subdesenvolvido garantir uma velhice adequada para a população e há entraves socioeconômicos que impedem que a maioria das pessoas consiga envelhecer mantendo uma boa qualidade de vida, com acesso à renda e a cuidados essenciais. Pensar nos gargalos da administração pública e nas deficiências na implementação do Estatuto do Idoso e da Política Nacional do Idoso é algo desanimador, segundo Machado. A população de baixa renda tem pouco acesso a geriatras e dificuldade para ser atendida por médicos especialistas.

O Sistema Único de Saúde (SUS) que é o grande aparato de prestação de saúde em nível nacional sofre com problemas de gerenciamento e as pessoas demoram a receber atendimento. Acrescenta-se a isso questões referentes ao governo federal, que dificulta para boa parte dessa população o Beneficio de Prestação Continuada (BPC), que garante um salário mínimo para maiores de 65 anos que não conseguem manter-se e nem ser mantidos por suas famílias. Cerca de 20% das pessoas que conseguem receber o benefício precisam fazer isso pela via judicial. As despesas do governo com o BPC cresceram de R$ 6 bilhões em 2004 para R$ 53,8 bilhões em 2018, mostrando que há uma crescente demanda dos idosos em situação de penúria pelo benefício. Nos próximos anos, essas despesas devem crescer ainda mais. Enquanto aumenta a expectativa de vida, o risco da miséria absoluta ronda a população de idosos brasileiros.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 29 DE FEVEREIRO

A LEI DO SENHOR RESTAURA A ALMA

A lei do SENHOR é perfeita e restaura a alma… (Salmo 19.7a).

Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras de suas mãos. Vemos no esplendor do universo seu poder e na obra da criação sua majestade. Deus deixou suas digitais impressas na criação. A vastidão dos mundos estelares, as galáxias com seus múltiplos sóis e estrelas, tudo é prova da grandeza insondável do Criador. Se a natureza, porém, proclama uma mensagem aos olhos, a lei do Senhor anuncia uma mensagem aos ouvidos. Se a criação anuncia o poder de Deus, sua lei fala a respeito de sua graça. A lei do Senhor é fonte de consolo, porque é perfeita e restaura a alma. Os corações mais atribulados encontram na Palavra de Deus uma fonte de refrigério. Os que andam errantes veem nela uma luz a lhes clarear o caminho. Os que jazem nas sombras espessas da confusão mental recebem da Palavra verdadeira sabedoria. Por intermédio da Palavra encontramos vida, pois ela é espírito e vida. Encontramos libertação, pois Jesus disse: Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará (João 8.32). Por intermédio da Palavra somos sondados por Deus, pois, à medida que a lemos, ela nos investiga. Pela Palavra somos santificados, pois Jesus afirmou em sua oração: Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade (João 17.17). Dwight L. Moody disse com razão: “A Palavra afastará você do pecado, ou o pecado afastará você da Palavra”.

GESTÃO E CARREIRA

CHOPE PERFEITO COM AJUDA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Com sede em São Francisco, Pubinno planeja expandir operação pela Europa e alcançar valor de mercado acima de US$ 1 bilhão até 2023

A busca pela temperatura ideal e colarinho perfeito em uma tulipa de chope motivou o uso de inteligência artificial para controlar o fluxo entre o barril e a torneira.

E a startup que idealizou esta solução se tornou uma empresa com potencial para alcançar um valor de mercado acima de US$ 1 bilhão até 2023.

Esta é a expectativa dos sócios da Pubinno, que atualmente opera mais de 2 mil torneiras de chope na Espanha, no México, em Israel e no Chipre.

De acordo com a Bloomberg, a startup planeja expandir sua operação para Reino Unido e República Tcheca. Can Algul, cofundador da empresa, espera que sua valorização cresça para US$ 30 milhões na rodada de investimentos em andamento.

“Nós estamos conversando com investidores da Turquia, de Israel e dos EUA”, disse Algul à Bloomberg. “Nós queremos completar a rodada no fim do segundo trimestre”.

Fundada em Istambul, a Pubinno transferiu posteriormente sua sede para São Francisco, na Califórnia.

A solução tecnológica desenvolvida pela empresa consiste em projetar e produzir hardwares e softwares que são acoplados às torneiras de chope com objetivo de extrair a bebidas em condições ideais, além de reduzir o desperdício.

Os atuais investidores, que incluem o cofundador da Trivago, Rolf Schroemgens, e Nevzat Aydin, diretor executivo e fundador da Delivery Hero, são donos de 30% da companhia.

Apesar da sede nos Estados Unidos, os equipamentos da Pubinno são produzidos em um fábrica localizada na Turquia, sendo que cada unidade é composta por mais de 160 peças adquiridas de fornecedores de países como China e Suíça.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SEDUTORAS CALORIAS

Calorias – o valor energético dos alimentos ativa o sistema cerebral da recompensa tanto quanto o sabor, desencadeando o desejo por determinadas comidas; descobertas devem ajudar no combate a transtornos alimentares e obesidade

QUANDO COMER E QUANDO PARAR?

Se há algo que nos iguala é a fome. Mas que mecanismo biológico é esse que nos diz quando comer e quando parar? Há muito tempo se considera que, em grande parte, dois processos neurobiológicos influenciam a ingestão de comida: um, que controla a necessidade de comer, e outro, que rege o desejo por determinados alimentos. No cérebro, o hipotálamo regula o controle homeostático da dieta, recebendo, coordenando e reagindo aos indícios e sinais metabólicos enviados pelo sistema digestivo. Essa área cerebral integra as informações e nos “diz” quando precisamos comer para manter o peso corporal em um nível preestabelecido, como se fosse um termostato programado para avisar quando o ambiente atingisse uma temperatura específica.

No entanto, é evidente que os centros neurais superiores que -controlam o apetite também tenham influência sobre nossos hábitos alimentares. Um desses centros é o sistema de gratificação e recompensa da dopamina. É fácil identificar a ação desse sistema: por exemplo, quando temos vontade de uma taça de sorvete de chocolate depois do jantar, ou seja, de uma comida em um momento em que não estamos sentindo fome, mas sim porque a desejamos.

Em muitas situações, este anseio por certos pratos prevalece sobre a necessidade, levando-nos a consumir produtos saborosos, mesmo quando não precisamos suprir nosso organismo. De forma geral, nossa incapacidade de renunciar a esses alimentos que tanto nos recompensam derrota o controle homeostático, contribuindo para o surgimento da obesidade.

Sabemos que o hipotálamo regula a quantidade do que consumimos com base nos valores metabólicos (quando temos fome, procuramos alimentos com mais calorias); mas ainda falta entender se o sistema de recompensa da dopamina também é sensível ao valor energético da comida. Em outras palavras, o sistema de recompensa da dopamina se ocupa também das calorias, ou somente do gosto e do prazer, como durante muito tempo os cientistas acreditaram?

ESTUDOS TENTA ENTENDER “O PRAZER” NA INGESTÃO DE COMIDAS CALÓRICAS

Na Universidade Duke, o pesquisador brasileiro Ivan de Araujo e um grupo de colegas tentaram descobrir isso usando uma linhagem de ratos geneticamente modificados para que não tivessem um receptor específico, sem o qual não é possível sentir sabores doces. Os resultados do trabalho, publicados em um artigo no periódico científico Neuron, mostraram que qualquer mudança no comportamento de recompensa desses animais não poderia ser atribuída à percepção do sabor. Se os roedores preferissem as comidas doces, não seria por causa do gosto, mas porque esses alimentos têm mais calorias, o que traria satisfação independentemente da sensação despertada no paladar.

Na primeira fase de testes os pesquisadores demonstraram que os ratos geneticamente modificados eram insensíveis às doces propriedades de recompensa da sacarose (o açúcar de mesa) – e preferiam a água pura. Os animais sem a mutação, ao contrário, mostravam uma forte preferência pela água em que a sacarose tinha sido dissolvida.

Posteriormente, foi oferecido aos dois grupos de roedores tanto água pura quanto adoçada. A ideia era descobrir se os ratos geneticamente modificados podiam associar as soluções adoçadas à contribuição calórica – porque alimentos doces contêm mais calorias. O resultado foi que todos consumiram muito mais sacarose: embora não fossem capazes de sentir o sabor doce, os espécimes geneticamente modificados haviam aprendido a preferir a água adoçada. Isso indica que os animais sem os receptores para o doce conseguiram diferenciar as propriedades calóricas da sacarose sem sentir seu sabor – o que faz os cientistas supor que existe algo que, por sua própria natureza, é prazeroso na ingestão de comidas calóricas.

COM SACAROSE: em um estudo, mesmo os ratos geneticamente modificados para não sentir sabores mostraram preferência por água adoçada

Para tirar a prova, os testes foram repetidos usando-se um adoçante artificial, a sucralose, que tem sabor doce, mas não contém calorias. Os ratos normais continuaram preferindo o sabor doce e consumiram mais água com sucralose, mas os geneticamente modificados, não. Esses resultados já indicavam que a percepção do valor metabólico pode influenciar a ingestão de comida. Porém, ainda faltava saber se o sistema de recompensa da dopamina, do qual se conhece a ativação em resposta ao sabor doce, também estava envolvido no controle das calorias.

Araújo e seus colegas utilizaram uma técnica conhecida como microdiálise nos ratos geneticamente modificados e constataram que a contribuição calórica aumenta os níveis de dopamina em uma área específica do cérebro, o núcleo accumbens, independentemente do gosto que tenha o alimento. De fato, enquanto nos ratos normais tanto a sacarose como a sucralose provocavam o aumento da dopamina além dos níveis considerados padrão, nos modificados o aumento de dopamina surgia apenas com o açúcar “de verdade”, indicando assim que era a contribuição calórica (e não o sabor doce) que ativava o sistema de recompensa.

Embora isso prove que as calorias influenciam o sistema cerebral nos ratos geneticamente modificados qualquer que seja o sabor dos alimentos ingeridos, nos normais a sacarose não aumenta os níveis de dopamina mais que o adoçante artificial. Isso leva a pensar que as calorias não aumentam a sensação de recompensa mais que a presença do sabor. E há ainda um ponto a ser enfatizado: em todas as experiências conduzidas por Araújo estava previsto que os animais passassem um período de privação de comida e água. A ativação do sistema de recompensa da dopamina, por parte da contribuição calórica descrita na pesquisa, poderia ter sido alterada pelas condições de privação alimentar das cobaias.

ALÉM DA SATISFAÇÃO

Esse estudo traz à tona novas perguntas. Como o sistema de recompensa da dopamina reconhece a quantidade calórica? Existem açúcares (a frutose, por exemplo) que influenciam o sistema cerebral de maneira diferente? E o fenômeno se verifica também quando as calorias provêm de tipos variados de comida? São perguntas a responder, para que seja possível compreender as verdadeiras causas da obesidade. Entender a capacidade que determinados alimentos têm de estimular o sistema da recompensa nos ajudará a elaborar métodos eficazes para reduzir o desejo por comida uma vez que a necessidade tenha sido satisfeita.

A pesquisa acrescenta informações a estudos que indicam que processos metabólicos não são de domínio exclusivo do hipotálamo. Entre os sinais captados por essa área cerebral e os centros superiores neurais que determinam o desejo por comida existe uma relação muito mais complexa do que durante muito tempo se acreditou. Classificar a alimentação como prática hedonista ou homeostática pode ser não apenas redundante, mas levar a um caminho errado. Afinal, quando se trata de alimentação, necessidade e desejo não são assim tão separados.

POST Nº 3.000

O PODER DOS ALIMENTOS

Entenda como uma alimentação equilibrada é uma importante aliada para o equilíbrio emocional

Está cada vez mais comprovado que os alimentos que consumimos causam algum impacto em nosso organismo – e isso vale tanto para os efeitos positivos quanto para os negativos. E, como sabemos, uma alimentação equilibrada é importante em diversos aspectos de nosso bem-estar, principalmente para nossa saúde mental.

DO PRATO PARA O CORPO

”A alimentação para situações de transtorno psicológico tem uma grande importância, contribuindo com muitos benefícios para o organismo, pois o nutre com vitaminas, sais minerais e demais nutrientes que estão faltando para seu equilíbrio. Por isso, que tudo que você come se aplica também ao seu bom humor”, explica a nutricionista Andrea Marim.

E, assim como nos casos de dietas para emagrecimento, não existe segredo: uma alimentação balanceada pode fazer a diferença também para o seu humor. “Sabemos que dietas restritivas levam alterações de humor, como irritabilidade, alterações de humor e fadiga. Por outro lado, dietas equilibradas com aporte adequados de macronutrientes (carboidratos, proteínas e lipídios) e micronutrientes (vitaminas e minerais) auxiliam na formação de hormônios e neurotransmissores capazes de regular a atividade cerebral”, salienta a nutricionista Patrícia Cruz.

COLOQUE NO PRATO

Apresentamos algumas sugestões de alimentos ricos em substâncias e nutrientes essenciais para a saúde mental

Foto de página inteira

É BOM EVITAR!

• AÇÚCAR: de vez em quando, um doce melhora o ânimo de qualquer pessoa. O problema é quando a pessoa consome um alimento cheio de açúcar. Nesse caso, a glicose é liberada rapidamente na corrente sanguínea e absorvida pelas células do corpo para satisfazer suas necessidades energéticas. Isso ativa o pâncreas, que tende a liberar uma grande quantidade de insulina a fim de auxiliar na absorção desse açúcar. Dessa maneira, o nível de glicose no sangue sofre uma variação muito abrupta, que pode interferir no humor: inicialmente, a pessoa se sente eufórica com a ingestão de açúcar, mas pode sofrer uma rápida redução dos níveis no sangue, que leva à tontura e à dor de cabeça. Nesses casos, o indivíduo sente-se agitado e confuso porque o cérebro é privado do seu combustível maior.

• DIETAS MUITO RESTRITIVAS: “dietas ricas em gorduras e proteínas que isentam os carboidratos podem acentuar quadros de irritabilidade ou agressividade, por exemplo”, reforça Patrícia. Então, antes de partir para um cardápio diferente, consulte um especialista para saber se isso não vai afetar seu organismo de maneira negativa.

• ÁLCOOL: o álcool presente em várias bebidas é rapidamente absorvido pelo organismo, em um processo parecido com o açúcar. E, da mesma maneira, aumenta os sintomas de hipoglicemia após o consumo.

• CAFEÍNA: o consumo excessivo de bebidas à base de cafeína, como refrigerantes de cola, alguns tipos de chá e café, podem causar malefícios para o humor. “Um experimento concluiu que 480 gramas de cafeína, o equivalente a cinco xícaras de café expresso, em apenas 15 minutos foi o suficiente para desencadear crises em pacientes com pânico ou depressão associada ao pânico”, explica Andrea Marim. Isso porque a substância provoca uma descarga de hormônios do estresse, além de intensificar os sintomas de nervosismo e agitação.

SEM FOME, SEM ESTRESSE

A nutricionista Andrea Marim dá uma dica valiosa: não ficar de barriga vazia. “Ficar muito tempo sem comer reduz os níveis de glicose, o que pode afetar negativamente o humor. Assim, o correto é alimentar-se sempre, de três em três horas”.

OUTROS OLHARES

A LUTA CONTRA OS FRAUDADORES DE COTAS RACIAIS NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS

Só na UFRJ já foram 280 denúncias de possíveis crimes desde a implantação do sistema. Segundo a universidade, dos 186 já analisados, 96 foram considerados aptos a ocuparem as vagas reservadas para pretos, pardos e indígenas (PPI)

Loira, de cabelos lisos, com a pele branca e os olhos verdes, uma das estudantes aprovadas no curso de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) justificou sua entrada pelo sistema de cotas raciais dizendo “se considerar parda” e ser de uma família de negros.

Outros alunos brancos, já avançados no curso de Medicina da Unicamp, faziam até deboche e contavam piadas para colegas sobre o fato de terem passado no vestibular se valendo das cotas — cujo objetivo é reduzir a desigualdade racial.

Negros ainda são sub-representados nas universidades públicas brasileiras, compondo 50,3% dos alunos, apesar de corresponderem a 55,8% da população, segundo dados do IBGE em 2018.

Diversas universidades públicas estão recebendo e investigando denúncias sobre alunos que tentaram driblar o sistema.

Só na UFRJ já foram 280 denúncias de possíveis fraudes nas cotas raciais desde a implantação do sistema. Segundo a universidade, dos 186 já analisados, 96 foram considerados aptos a ocuparem as vagas reservadas para pretos, pardos e indígenas (PPI).

Na Universidade Estadual da Bahia, um aluno branco de cabelo ruivo entrou no curso de Medicina neste ano através das cotas — o que está sendo investigado.

A USP investiga 41 denúncias. A Unicamp desligou nove alunos e a Unesp expulsou 30 que tiveram as autodeclarações consideradas inválidas.

As denúncias são resultado de uma grande mobilização do movimento negro para identificar e combater fraudes nas cotas e evitar que haja abusos no direito, conquistado após anos de luta.

“A gente não queria estar discutindo isso, queria que existisse um bom senso e um respeito à lei. Mas, como não existe, temos que recorrer a métodos mais eficazes”, diz o advogado Lucas Módolo, que criou com colegas um grupo de combate à fraudes quando ainda era aluno de Direito da USP.

“Quantos alunos negros tiveram o direito de estudar tolhido por culpa desses fraudadores?”, questiona frei Davi, da ONG Educafro, que fez denúncias de fraudes em cotas para mais de 20 universidades.

As reclamações chegaram até a entidade de diversas formas. “A gente garante total tranquilidade e anonimato para quem faz”, diz Davi.

“Aconteceu muito de alunos da Educafro e outros alunos solidários, dentro de sala de aula, ouvirem comentários e deboches sobre pessoas fraudando as cotas”, conta.

Módolo explica que o Comitê Antifraude da USP, criado por alunos e com caráter extraoficial, não tem o objetivo de avaliar se alguém pode ou não ser considerado pardo.

“Somos um canal de recepção de denúncias que depois repassamos para as faculdades”, afirma. “Não temos como finalidade fazer essa avaliação, nem temos competência. O objetivo é pressionar para que essa avaliação aconteça.”

“Na USP nenhum fraudador foi expulso”, diz Módolo. “Por causa da inércia da universidade, as fraudes têm sido usadas como argumento por grupos revisionistas para defender que não existam cotas.”

“Ainda existe a necessidade de reconhecer que a desigualdade racial é um problema de racismo, não só um problema socioeconômico.”

Nas redes sociais, a hashtag #afroconveniência tem sua sido usada para denunciar a prática de brancos se dizerem afrodescendentes quando convém — para abusar de cotas, por exemplo —, mas usarem os privilégios de ser branco durante todo o resto do tempo. Diversos ativistas negros postaram fotos dizendo “Meu avô é branco, logo sou branco. Estranhou?” para reforçar essa ideia.

“O argumento do ‘tenho um avô pardo’ não faz sentido no Brasil, onde você é julgado e sofre preconceito pelo fenótipo”, diz à BBC News Gislaine Silva, que também faz parte do Comitê Antifraude da USP.

“Nós negros não vamos deixar que se use a universidade para beneficiar pessoas brancas desonestas”, diz Frei Davi.

COMBATE E PREVENÇÃO

A USP foi uma das últimas universidades públicas a implementar o sistema de cotas, em 2018. Para participar, é preciso se declarar preto, pardo ou indígena e optar pela opção de concorrer pelas cotas.

A universidade não faz análise das autodeclarações feitas no vestibular, e não existe um grupo específico só para analisar denúncias de fraude à cotas raciais. Elas são avaliadas pela Comissão de Acompanhamento da Política de Inclusão da USP, a mesma que avalia questões socioeconômicas.

O movimento negro defende que deveria existir um grupo para analisar as denúncias e que haja não apenas combate, mas prevenção às fraudes.

“A universidade já tinha que, desde o início, ter reconhecido a necessidade da prevenção na entrada, de avaliar as declarações após o vestibular”, diz Módolo.

Isso normalmente é feito através da chamada heteroidentificação, quando uma comissão avalia se a autodeclaração racial feita pela pessoa é autêntica.

Frei Davi defende que o processo seja sempre no ingresso, o que é muito menos traumático para a pessoa e muito mais simples de ser resolvido do que desligar um aluno que já faz o curso há anos. “Todas as universidades justas, éticas e responsáveis têm comitê preventivo”, afirma.

Além do desligamento de 30 pessoas, a Unesp implantou um comitê de heteroidentificação em 2017. A Unicamp também implantou um comitê de verificação no ingresso.

O pró-reitor de graduação da USP, Edmund Chada Baracat, diz que a questão é de extrema importância para a universidade, mas que o processo de avaliação das denúncias leva tempo e que é preciso “uma averiguação que seja respeitosa”.

“Esse processo é um processo muito delicado, porque lida com pessoas, portanto temos que ser muito sensatos na avaliação”, diz Baracat.

Ele afirma que, devido ao tamanho da universidade e ao grande número de ingressos, fazer uma avaliação das declarações no vestibular seria inviável.

“Esse ano foram pouco mais de 2 mil alunos pretos, pardos e indígenas. Se a gente chamar 2 mil estudantes, demorando 15 ou 20 minutos cada um, quanto tempo vai levar? Isso seria inviável”, afirma.

O Comitê Antifraude recebeu mais de 450 de vários cursos da USP e elaborou três dossiês: um para a faculdade de Direito, um para a de Medicina e um terceiro para os outros cursos.

Baracat diz que 41 denúncias “com indícios mínimos de materialidade” estão sendo avaliadas pela universidade. Também há dois processos administrativos em andamento contra estudantes que, segundo a sindicância feita pela USP, podem ter fraudado suas declarações.

O movimento negro criticou uma recomendação da USP de que fossem feitos boletins de ocorrência em casos de suspeitas de fraudes. “Apesar de muitas pessoas falarem que isso é um crime e pode ser resolvido no Ministério Público, a USP tem a competência para fazer isso por si própria e evitar uma judicialização difícil e custosa”, afirma Lucas Módolo.

Mas Baracat diz que os BOs não são uma exigência, mas uma das modalidades em que a universidade aceita denúncias. “Pode fazer uma denúncia sem ter um boletim, mas precisa ter indícios de que a denúncia é verdadeira. Ou seja, fotos, perfis da pessoa nas redes sociais, algum tipo de prova. Isso elimina o denuncismo irresponsável”, afirma.

A QUESTÃO DA MISCIGENAÇÃO

Além de analisar as denúncias de fraudes, a UFRJ implantou neste ano um comitê de 54 pessoas para fazer a heteroidentificação para todos os ingressantes pelo sistema de cotas no vestibular.

Foram cerca de 1,5 mil alunos ingressantes avaliados nas duas primeiras chamadas, em um processo que durou uma semana. Diversos não foram considerados aptos para ingressar pelas cotas — o número exato ainda não foi consolidado porque o processo acabou de terminar.

Mas afinal, como é feita essa avaliação e como lidar com as sutilezas de identificar a identidade racial de alguém em um país miscigenado como o Brasil?

“A miscigenação sempre foi usada no Brasil para alimentar o mito da democracia racial, ou seja, de que no Brasil haveria uma categoria homogênea de mestiços que seriam tratados de forma igual”, diz a especialista em História dos negros no Brasil Denise Góes, que coordena o comitê de avaliação de denúncias da UFRJ.

“Isso só serve para perpetuar a desigualdade em um país que não trata todos como iguais”, diz ela.

“Historicamente o racismo no Brasil é baseado no fenótipo, ou seja, nas características aparentes das pessoas, como cor de pele, traços e cabelo”, afirma Marcelo Pádula, que coordena o comitê de heteroidentificação da UFRJ.

“Quanto mais características que identificam uma pessoa como negra, mais chances de sofrer com o racismo. Quanto mais características brancas, maiores as chances de inclusão social.”

COMO É FEITA A IDENTIFICAÇÃO RACIAL

Denise Goés afirma que autodeclaração foi uma vitória no fortalecimento do movimento, porque muitas pessoas não conseguiam nem se ver como negras devido ao mito da democracia racial. “Por um lado, foi vitória da afirmação da identidade negra. Mas, do ponto de vista de política pública, ela não é suficiente.”

Por causa da forma como o racismo funciona no país, diz, a identificação para avaliar se alguém está apto para ocupar as vagas destinadas aos negros é feita com base no fenótipo, não com base em questões culturais ou ancestralidade.

Isso significa que ser filho ou neto de negros não é suficiente para garantir o acesso às cotas raciais se a pessoa é lida pela sociedade como branca, ou seja, se não sofre preconceito racial.

“As cotas são uma política de reparação para quem sofre racismo”, diz Pádula.

Na prática, a heteroidentificação na UFRJ é feita por uma comissão avaliadora, formada por alunos, docentes e funcionários que passaram por uma capacitação de 60 a 90 horas.

A capacitação inclui a história da constituição do racismo no Brasil, tem um contraponto com o racismo norte-americano (mais baseado em origem e questões culturais) e em outros países, e há exercícios práticos de heteroidentificação.

No total são 54 pessoas, mas cada ingressante é avaliado por uma subcomissão de 5 pessoas.

Cada ingressante comparece pessoalmente a uma entrevista, no qual os avaliadores observam se a pessoa tem fenótipos negros, ou seja, características físicas — cor de pele, cabelo, traços do rosto — que as identificam como negros.

“Não é só uma única característica, é o conjunto da percepção e integração de todos esses sinais”, explica Pádula.

Ter a pele mais escura nem sempre é suficiente. “Há uma série de pessoas que tem tons de pele não-brancos, como descendentes de árabes ou japoneses de okinawa, mas que não são vítimas do racismo”, diz Lucas Módolo.

Pádula afirma que a comissão não é um ‘tribunal racial’ para definir a identidade das pessoas, mas apenas uma avaliação sobre se ela está apta ou não para ter acesso às vagas de cotas.

Além disso, quem discorda do resultado tem a possibilidade de recorrer.

“A gente pega casos muito óbvios, que comprovam que não é uma questão de dúvida sobre a identidade de uma pessoa parda, mas de abuso mesmo. Não é à toa que, de longe, o curso com mais fraudes foi medicina, o mais difícil de entrar”, afirma Goés.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 28 DE FEVEREIRO

A FONTE DA FELICIDADE

Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente (Salmo 16.11).

A felicidade é um anseio legítimo. Nós a buscamos todos os dias da vida. No entanto, a felicidade não é um lugar aonde se vai, mas uma maneira como se caminha. Salomão procurou a felicidade na bebida, na riqueza, no sexo e na fama, mas descobriu que tudo era vaidade. A felicidade que ele procurou em todas essas fontes, encontrou-a em Deus. O verdadeiro propósito da vida é a felicidade, pois o fim último da vida é Deus. O propósito principal do homem é glorificar a Deus e nele se deleitar para sempre. Deus nos criou para a maior de todas as felicidades, a felicidade de amá-lo, fruí-lo e desfrutar de sua intimidade. É na presença de Deus que existe plenitude de alegria. É na sua destra que encontramos delícias perpétuas. Muitos buscam a felicidade no dinheiro; outros na fama e no prazer; e outros ainda no sucesso. Mas descobrem que no fim dessa linha só existe uma miragem, não a verdadeira felicidade. A felicidade verdadeira não está no ter, mas no ser. A fonte da felicidade não está nas coisas, mas em Deus;

Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente (Salmo 16.11).

A felicidade é um anseio legítimo. Nós a buscamos todos os dias da vida. No entanto, a felicidade não é um lugar aonde se vai, mas uma maneira como se caminha. Salomão procurou a felicidade na bebida, na riqueza, no sexo e na fama, mas descobriu que tudo era vaidade. A felicidade que ele procurou em todas essas fontes, encontrou-a em Deus. O verdadeiro propósito da vida é a felicidade, pois o fim último da vida é Deus. O propósito principal do homem é glorificar a Deus e nele se deleitar para sempre. Deus nos criou para a maior de todas as felicidades, a felicidade de amá-lo, fruí-lo e desfrutar de sua intimidade. É na presença de Deus que existe plenitude de alegria. É na sua destra que encontramos delícias perpétuas. Muitos buscam a felicidade no dinheiro; outros na fama e no prazer; e outros ainda no sucesso. Mas descobrem que no fim dessa linha só existe uma miragem, não a verdadeira felicidade. A felicidade verdadeira não está no ter, mas no ser. A fonte da felicidade não está nas coisas, mas em Deus; não está na terra, mas no céu. Os encantos deste mundo não podem nos fazer felizes, mas Deus pode, pois ele nos criou, nos formou, nos remiu, nos chamou pelo nome e dele somos. Quando nós o conhecemos e o amamos, então somos verdadeiramente felizes.

GESTÃO E CARREIRA

CONTRATAM-SE FUNCIONÁRIOS MOTIVADOS

Entenda como os novos conceitos de motivação influenciam as empresas e qual a importância para os funcionários

Nos últimos anos, tornou­ se constante ouvir que uma nova geração de profissionais está surgindo no mercado de trabalho e que outra está prestes a desaparecer. É comum vermos notícias de que os inovadores membros da geração Y (pessoas nascidas entre os anos de 1981 a 1997) vieram para revolucionar todos os conceitos mercadológicos que possuímos. Além disso, informações de que eles têm trazido propostas como novas ideias ao ambiente empresarial são constantes nas revistas especializadas no assunto. E um dos muitos novos princípios trazidos pelos millennials (outro dos nomes da geração Y) se refere ao entendimento sobre o que é motivação no trabalho. Essa nova geração de profissionais traz diferentes valores sobre o que realmente estimula o trabalhador. Tal alteração rebate conceitos antigos sobre questões motivacionais, como aumento de salários. “Cada pessoa se motiva de uma forma diferente e em diferentes momentos da vida. Por exemplo, um jovem solteiro e recém-formado provavelmente se motivará mais com desafios ou com um líder inspirador do que com dinheiro. Agora, para um profissional que acabou de ter um filho, talvez o fator financeiro seja importante neste momento ou a flexibilidade de horários”, conta a coach empresarial Leylah Macluf. A afirmação de Leylah demonstra que nem sempre questões como dinheiro são o suficiente para deixar um profissional engajado com suas funções na empresa. Uma pesquisa da Corporate Responsability Magazine demonstrou que os novos conceitos dos millennials já estão em prática no mercado, quando 81% dos entrevistados afirmaram que não aceitariam uma oferta de trabalho feita por uma empresa com má reputação, mesmo estando desempregados. Ou seja, a investigação mostrou que o fator financeiro fica de lado quando o assunto é motivação em se trabalhar em determinado lugar. Porém, o que de fato é ser motivado no trabalho e o que devemos fazer para alcançar esse status?

CONHECENDO A TAL MOTIVAÇÃO

De acordo com Daniela do Lago, especialista em comportamento no trabalho, as pessoas frequentemente confundem motivação com outros sentimentos, o que dificulta a compreensão sobre o que realmente significa essa palavra. “Elas acham motivação tem a ver com animação, e com estado de espírito, com energia, e não tem nada a ver”, explica. “Motivação significa: motivo para ação. Tem a ver com necessidade. Isso quer dizer que ela muda a cada momento. Quando se alcança uma necessidade, ela se altera e, em seguida, vem a próxima. Ela também é diferente para cada pessoa. E, se eu tenho um motivo, eu vou agir na direção desse objetivo”, completa a especialista. Daniela esclarece que essa confusão com estado de espírito é um dos erros mais comuns que empregadores e empregados cometem. “Tem dias que eu estou feliz, tem dias que eu estou chateado. E mesmo chateado, eu continuo na direção do meu motivo. Há várias pessoas alegres que são desmotivadas e pessoas tristes e motivadas. Mesmo estando chateadas, a pessoa segue em busca do objetivo.

ALÉM DE PAGAR AS CONTAS

Quando o funcionário está motivado na empresa em que trabalha, as melhoras para a companhia podem ser significativas. Não somente por questões de produtividade, mas também qualidade na produção. Um dos maiores erros para o funcionário se sentir de fora do ambiente de produção é ele não entender a importância da sua ação para o todo, ou mesmo não ter conhecimento sobre o motivo de realizar aquela atividade. “Quando você tem consciência da razão no seu trabalho, você emprega mais energia, analisa melhor as situações e, automaticamente, seus resultados serão melhores”, comenta Daniela. “Tudo começa com autoconhecimento. As pessoas precisam despertar para o que elas estão fazendo, para o motivo que as faz trabalhar. Sem responder que trabalham para ‘pagar as contas’. Ora, todos fazem isso! Mas não é somente por isso que você trabalha. Temos que entender nosso propósito, nossa atuação nisso tudo” opina a especialista.

COM OS MESMOS PRINCÍPIOS

Outro fator fundamental para que o funcionário se sinta adaptado à produção em que trabalha é conhecer os princípios que regem sua companhia. “A cultura da empresa é algo muito forte, ela é fator predominante para motivação. Molda o comportamento das pessoas, dos líderes e muda a maneira de se fazer negócios. Pessoas extraordinárias podem falhar em uma empresa e em outras, brilharem. Por isso, o conselho é: ‘busque empresas que você tenha alinhamento cultural e de crenças”‘, recomenda Leylah. “Uma companhia pode ser a empresa dos sonhos de uma pessoa e o pior pesadelo de outra – não existe uma cultura perfeita, existe uma cultura apropriada para cada estilo profissional”, complementa. “Todos nós escolhemos nosso trabalho. Se você tem essa consciência, o porquê de fazer o que faz, sua contribuição fica melhor. Assim, o indivíduo não se sente refém de um lugar, ele entende por que deve estar ali”, explica Daniela do Lago. “Se todo mundo deseja um bom ambiente, deve começar por si mesmo, com cada um fazendo sua autoanálise, de dentro para fora e não de fora para dentro”, indica.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ELES SÃO “FORTES”, ELAS SÃO “CHATAS”

Mulheres e poder – O homem que grita e dá um murro na mesa pode ser considerado grosseiro, mas também é visto como forte. Se uma mulher agir de forma semelhante, fala-se de descontrole, loucura e, não raro, surgem comentários maldosos sobre sua vida particular

Apesar dos avanços e das transformações sociais, é possível que muita gente ainda acredite que, para não terem problemas no âmbito profissional, as mulheres devessem aceitar os modelos que ainda imperam no imaginário masculino: aquela que deseja ser conquistada, a secretária que faz tudo sem nunca pedir nada em troca, a mãe que acolhe e apoia. Mas felizmente muitas já se sentem em condições de assumir o protagonismo, mostrando capacidade, exigindo seus direitos e competindo pelo que desejam. Essa atitude deixa muitos – e muitas – colegas desconfortáveis. Disso resulta uma equação simplista: mais poder para “elas”, menos para “eles”. Mesmo em cargos de chefia, muitas mulheres enfrentam a resistência velada, por exemplo, quando decisões tomadas em sua ausência, como se houvesse um nível sutil de acesso que não lhes é permitido.

A reação explícita a essa situações, entretanto, pode custar caro. Em geral, existe uma crença tácita: só quem tem taxa elevada de testosterona está autorizado a revelar a própria arrogância e a intervir de forma agressiva. O homem que grita e dá um murro na mesa pode ser considerado grosseiro, mas também é visto como forte. Se uma mulher agir de forma semelhante, fala-se de descontrole, loucura e, não raro, surgem comentários maldosos sobre sua vida pessoal. Quando uma mulher tem prestígio e é determinada, geralmente já é definida como intransigente – mesmo por aqueles que não convivem com ela. Possivelmente, prevalece um estereótipo difícil de superar: a competência feminina ameaça mais que a masculina – e isso vale tanto para homens quanto para outras mulheres. Além disso, neles a arrogância costuma ser perdoada, mas nelas não: ele é forte; ela é chata.

Recentemente uma pesquisa da Universidade de Michigan indicou que os estrógenos podem ter papel semelhante no organismo, independentemente do gênero. Um teste revela o aumento da produção de hormônios nas mulheres que têm um comportamento dominante nas situações de conflito. Outros estudos, entretanto, mostram que elas são menos propensas à dominação social e mais inclinadas a tomar atitudes que favoreçam o igualitarismo, enquanto eles tendem a favorecer as hierarquias. Além disso, estão mais propensos a valorizar o próprio trabalho, aceitando compensações e reconhecimentos, ainda que não merecidos.

Já as mulheres muitas vezes sentem que devem render ainda mais, como se as rondasse a culpa de ter feito “um pouco menos” – mesmo que na prática isso não se confirme. E as críticas mais mordazes, não raro, vêm de outras mulheres – o que é compreensível, pois pretendem que as outras também sejam perfeitas. Em geral, o processo se repete em casa, na relação entre mães e filhas. Resultado: espera-se de uma mulher na chefia mais compreensão e de uma subordinada, mais esforço. Talvez não seja por acaso que as mulheres se afirmem principalmente em alguns setores. Quando não estão ocupando posições importantes por motivos familiares, geralmente são as executivas de setores como jurídico, comunicação, finanças. Porém, é pouco provável que se tornem figuras carismáticas, que arrebatam as massas.

OUTROS OLHARES

DO QUE SOMOS FEITOS?

Revelações científicas mostram que resquícios de neandertais também estão presentes no genoma do homem africano

Descobertas científicas estão, quase sempre, ancoradas em duas chaves: de um lado, a solução de problemas que vão prolongar a vida humana. Do outro, a revelação de evidências que podem nos dizer de onde viemos e o que fomos. Ao vasculhar o passado, o presente se modifica e novas narrativas são incorporadas aos estudos antropológicos. É o caso, por exemplo, da pesquisa divulgada recentemente na revista norte-americana Cell, que contesta a informação disseminada nas últimas décadas de que europeus e asiáticos são os únicos povos com resquícios do DNA neandertal.

O estudo, de autoria do Instituto Max Planck, da Alemanha, também identificou traços genéticos de ascendência neandertal em populações modernas de toda a África. Esses genes foram descobertos pela primeira vez em 2010, em um trabalho realizado com fósseis antigos. A partir do DNA recuperado nesses ossos, os pesquisadores deduziram que os humanos modernos cruzaram com os neandertais cerca de 60.000 anos atrás, depois de deixar a África. “O legado do fluxo gênico com os neandertais provavelmente existe em todos os seres humanos modernos, dentro e fora da África.”, diz o antropólogo Michael Petraglia, do Instituto Max Planck, em entrevista à revista Science.

Para analisar e compilar os resultados sobre os vestígios de DNA neandertal em genomas africanos modernos, o biólogo Joshua Akey, da Universidade de Princeton, comparou o genoma de um neandertal da região russa de Altai, na Sibéria, com outros 2.504 genomas modernos, catalogados no 1.000 Genomes Project, que reúne genomas de todo o mundo. Os pesquisadores calcularam, então, a probabilidade de que cada trecho de DNA fosse herdado de um ancestral neandertal. O resultado chocou os cientistas. O estudo mostrou que o DNA de africanos modernos é composto de, aproximadamente, 0,3% de material neandertal. Isso equivale a cerca de 17 milhões de pares de bases. Estudos que analisaram populações europeias e asiáticas apontam presença entre 1% e 2% de DNA neandertal. “Isso foi completamente contrário às minhas expectativas. Demorou um pouco para nos convencer de que o que estamos descobrindo com essa nova abordagem era realmente verdade”, disse o Dr. Akey.

OUTRAS DESCOBERTAS

Apesar da reputação de serem brutos, pesquisas recentes sobre neandertais mostraram sinais de notável sofisticação mental e capacidade de socialização. Eles possuíam crânios mais achatados, com parte do rosto saltada para frente, ossos angulares na face e um nariz protuberante. Os dentes da frente eram largos e utilizados com frequência na preparação de comida e ferramentas. Seus corpos, fortes e musculosos, eram mais baixos e atarracados que os do homo sapiens. Os adultos chegavam a ter entre 1,50 e 1,75m de altura e pesavam de 64 a 82 kg. Os hábitos alimentares eram basicamente carnívoros, com base na caça de grandes mamíferos.

Os traços neandertais encontrados em populações africanas despertaram a curiosidade dos pesquisadores europeus. A hipótese? O encontro entre neandertais e homo sapiens ter ocorrido antes do que sabemos hoje. De acordo com a nova tese, somos mais complexos do que imaginamos. Atualmente, a teoria mais difundida é que os Homo sapiens surgiram na África e migraram para fora do continente em algum momento entre 80 e 60 mil anos atrás. O novo estudo, entretanto, sugere que essa movimentação pode ter ocorrido não uma única vez, mas em fases, que datam de até 200 mil anos atrás. Esse novo estudo também pode basear outras observações sobre o deslocamento dos neandertais pela Terra. No ano passado, uma equipe de cientistas encontrou um crânio humano moderno na Grécia que remonta a mais de 210.000 anos.

Nos últimos anos, David Reich, geneticista da Universidade de Harvard, e outros exploradores, descobriram evidências de que os povos antigos do Oriente voltaram para a África nos últimos milhares de anos e espalharam seu DNA para muitas populações africanas. Segundo Joshua Akey, essa migração de fato aconteceu, embora seu estudo sugira que ela possa ter ocorrido por um período muito mais longo e tenha introduzido muito mais DNA nas populações do continente do que revelado até agora. Uma nova pesquisa, desenvolvida na Universidade da Pensilvânia, sob coordenação da geneticista Sarah Tishkoff, tem buscado novos vestígios de DNA neandertal em africanos vivos para testar as hipóteses descobertas por Akey. Andamos para frente, para desvendar o passado.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 27 DE FEVEREIRO

O CONSOLO DO AMPARO DIVINO

Porque, se meu pai e minha mãe me desampararem, o SENHOR me acolherá (Salmo 27.10).

No plano humano, ninguém nos ama com amor mais acendrado do que pai e mãe. Aqueles que nos geraram e cuidam de nós nutrem um amor desinteressado e verdadeiro por nós. Nossos pais nos amam não apenas por causa das nossas virtudes, mas apesar dos nossos fracassos; não apenas por causa dos nossos méritos, mas apesar dos nossos deméritos. Todavia, até mesmo os pais podem fracassar no amor aos filhos. Muitos enjeitam seus filhos. Muitos deserdam seus filhos. Muitos pais matam seus filhos. Mesmo que você, porém, chegue a essa situação extrema, o salmista diz: … se meu pai e minha mãe me desampararem, o SENHOR me acolherá (Salmo 27.10b). O amor de Deus por você é eterno e perseverante. A causa do amor de Deus por você está n’ele mesmo. Ele jamais abre mão de ter você, de amá-lo e de conquistar o seu amor. Ele provou seu amor por você, entregando seu Filho Unigênito para morrer pelos seus pecados. Enviou o Espírito Santo para habitar em você, para que o regenerasse e o selasse como propriedade exclusiva dele. Por meio de Jesus, você pode ser filho de Deus, herdeiro do Senhor e cidadão do céu. Mesmo que nessa caminhada rumo à glória você cruze estradas juncadas de espinhos, Deus jamais o desamparará. Quando você se sentir fraco, ele o carregará no colo.

GESTÃO E CARREIRA

CARTEIRA VAZIA

Novas relações de trabalho facilitaram a contratação de mão de obra por menos de um salário mínimo e levaram parte da população economicamente ativa voltar a consumir apenas por necessidade.

Em 1987, em um discurso histórico, a então primeira ministra do Reino Unido, Margareth Thatcher, ao explicar o aumento dos lucros dos bancos no país, afirmou que os socialistas aceitam que os pobres sejam mais pobres, desde que os ricos fiquem menos ricos. As palavras, que sustentam defensores do liberalismo até hoje, mostram que em muitos países o fortalecimento da economia acontece se a base e o topo da pirâmide social crescerem. No Brasil a ascensão da classe média de 2002 a 2013 tinha essa premissa. Se por um lado os bancos e empresários nunca lucraram tanto, por outro o salário mínimo foi de US$ 108 para US$ 270 e 36 milhões de pessoas saíram da miséria. Mas, quando a crise chegou, o cinto apertou mais para os menos abastados e após a reforma trabalhista, em 2017, o resultado foi que 40% dos trabalhadores intermitentes receberam menos de um salário mínimo por mês, 38 milhões de brasileiros estão subempregados e mais de 1 milhão de mães aguardam a liberação do Bolsa Família.

Na prática, o enfraquecimento da base da pirâmide econômica afeta a capacidade de produzir riquezas em um país, colocando o consumo no nível da necessidade e tirando a espinha dorsal do capitalismo, que é gerar riqueza. Segundo pesquisa do Dieese, o trabalho intermitente – que permite ao contratante solicitar os empregados em horários ou dias específicos – empobreceu a mão de obra. “Muitos contratos ficaram engavetados, gerando pouco ou nenhum trabalho e renda”, diz diretor técnico do Dieese, Fausto Augusto Jr. Além disso, para cada três meses de trabalho intermitente dois são à espera de serviço. “Só 17% dos vínculos geraram remunerações equivalentes a dois salários mínimos ou mais (R$ 1.908), naquele mês.”

Outro problema do mercado de trabalho é o subemprego. Hoje 38 milhões de brasileiros gostariam, ou poderiam, trabalhar mais se houvesse oportunidade. “Mesmo depois de passada a recessão técnica entre 2015 e 2016, indicadores de emprego em renda seguem ruins, evidenciando a dificuldade dos brasileiros em recompor a renda”, diz Sérgio Castanhari, doutor em política econômica e professor da Universidade de Campinas (Unicamp). Na avaliação do acadêmico, o ciclo de avanço visto entre 2002 e 2013 não se repetirá pois o atual governo freou a transferência de renda “Antes havia forte estímulo ao crédito e programas de transferência de renda, dando à população mais pobre a oportunidade de comprar produtos de maior valor agregado”, diz ele, que classifica programas habitacionais e de financiamento estudantis como importantes. “Nunca um pedreiro recebeu tanto, mas nunca uma construtora vendeu tanto também.”

Mesmo depois de a recessão técnica acabar, o mar seguiu revolto para os mais pobres. A título de comparação, a renda domiciliar per capita dos 5% mais pobres caiu 3,8% na passagem de 2017 para 2018. Ao mesmo tempo, a renda da fatia mais rica (1% da população) subiu 8,2%. “Continuam no mercado de trabalho aqueles que ganham mais”, afirmou Maria Lucia Vieira, gerente da Pnad. Outro fator ressaltado por Castanhari, da Unicamp, é a fila de espera de 1 milhão de famílias pelo Bolsa Família. Ainda que o benefício esteja passando por uma série de atualizações, como sinalizou o ministério da Economia, essa renda é a única medida atual que ataca, diretamente, a desigualdade social. “Uma pesquisa da ONU [Organização das Nações Unidas] mostra que se dermos US$ 100 a uma pessoa rica, US$ 75 vão para o sistema financeiro. Quando a pessoa é pobre, US$ 95 vão para economia real.”

Com o emprego melhorando (ainda lentamente), outro fenômeno aconteceu: a massa de renda de todas as fontes cresceu de R$ 264,9 bilhões em 2017 para R$ 277,7 bilhões em 2018. Mas como a concentração de renda subiu, os 10% mais pobres somam 0,8% da massa de rendimentos, enquanto os 10% mais ricos têm 43,1% desse bolo. Assim, a fatia de 1% mais bem remunerada recebeu 33 vezes mais que os piores remunerados, na maior diferença salarial da série histórica – contrariando Margaret Thatcher: aqui, o rico ficou mais rico e o pobre mais pobre…

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O PREÇO DA DESCONFIANÇA

Suspeitar demais das intenções alheias prejudica a capacidade de ganhar dinheiro; em vez de nos proteger, descrença na honestidade alheia pode provocar prejuízos

A maior parte da população mundial vive hoje em cidades. Isso significa, entre outras coisas, que menos gente conhece seus vizinhos. Em algum momento parece inevitável nos perguntarmos se devemos nos aproximar de outras pessoas ou levantar a guarda e nos fecharmos para fugir de eventuais perigos.

Alguns pesquisadores acreditam que a falta de confiança pode não apenas prejudicar o convívio social (e nos privar de benefícios que isso traz para a saúde mental), mas também custar dinheiro.

Um número cada vez maior de estudos revela um dado intrigante: pessoas que confiam pouco em seus colegas ganham menos em transações financeiras.

Num estudo realizado há uma década em laboratório, e várias vezes replicado, os voluntários que subestimaram o número de parceiros que dariam retorno a seu investimento, em um jogo que seguia princípios da economia, investiram menos e acabaram com receita menor do que poderiam ter conseguido.

Um novo artigo publicado no Journal of Personality and Social Psychology estabelece algumas relações curiosas entre o mundo real do prejuízo financeiro e a descrença.

O cientista Daniel Ehlebracht, pesquisador da Universidade de Colônia, na Alemanha, constatou que as pessoas que reconheceram ter “visão cínica” da natureza humana tiveram renda menor (em milhares de dólares, após dois e nove anos), em comparação aos seus colegas mais otimistas.

Para obter dados mais confiáveis, os pesquisadores excluíram várias explicações sugeridas para a ligação entre desconfiança e renda, como traços de personalidade dos participantes, condições de saúde, educação, idade, gênero e situação profissional. Ehlebracht sugere que o cinismo aumenta o sentimento de suspeita, o que dificulta – e às vezes impede – a cooperação.

Se isso é verdade, essa característica não deve ser prejudicial em lugares em que um alto grau de suspeita é justificado. Examinando a situação em 41 países europeus, os pesquisadores constataram que em nações com os índices de criminalidade mais elevados e menos cooperação, o cinismo não se correlacionava com menor renda.

Então, conceder aos outros o benefício da dúvida pode não significar oferecer a possibilidade de ser enganado. Em vez disso, parece ser bastante compensador.

OUTROS OLHARES

VOLTA À TRADIÇÃO

Estudo mostra que a antiga cirurgia aberta para tratamento de câncer do colo do útero é mais eficaz do que a moderna videolaparoscopia e tem menor risco

Um estudo publicado recentemente pela revista científica New England Journal of Medicine chacoalhou a comunidade médica mundial e trouxe à tona discussões sobre qual o melhor método de cirurgia nos casos de câncer do colo do útero, um dos que mais atinge mulheres. Ao longo de dez anos, 33 centros médicos espalhados pelo mundo trabalharam intensamente avaliando quase 700 pacientes para saber qual era a melhor técnica de operação e chegaram à conclusão de que a mais antiga, a aberta, ainda era a melhor porque garantia êxito de 93% contra a recidiva da doença comparado aos 85% de efetividade da moderna videolaparoscopia.

O choque foi grande entre os médicos, que viam na cirurgia por aparelhos, menos invasiva, um grande avanço para pacientes. Afinal, a recuperação era mais rápida sem um grande corte na barriga. Por isso, a técnica evoluiu para outras intervenções abdominais desde a década de 90. Mas, no caso do câncer de útero, não foi o que o se viu na prática, conforme detectou o estudo, que contou com a participação da equipe do Hospital Albert Einstein.

Para surpresa geral, o grupo tratado por laparoscopia tinha um risco de 1,6 até 8,5 vezes maior de ter a doença de volta e, portanto, mais chance de morte. Isso porque, diferente da aberta, a manipulação por equipamentos pode elevar as chances de contato das células cancerígenas e contaminação abdominal.

BUSCA DE RESULTADO

Segundo o ginecologista do Einstein responsável pelo estudo no Brasil, Mariano Tamura, a medicina sempre busca melhorar procedimentos para que o paciente tenha recuperação rápida, menos sequelas e maior sobrevida. “Em países em desenvolvimento, como o Brasil, onde as pessoas não têm acesso à prevenção, a sobrevida é crucial”, diz.

O câncer de colo de útero afeta mulheres entre 40 a 45, sexual e economicamente ativas, tornando o cenário dramático. Em 99% dos casos há ocorrência de HPV e, geralmente, este câncer é mais agressivo. “Diferente do câncer de mama que atinge mulheres acima de 50, o de colo de útero tem uma etapa pré-maligna, o que ajuda nas chances de sobrevida”, diz ele.

Para o ginecologista do Hospital Sírio Libanês, Alexandre Pupo, o estudo mexeu com o mundo médico porque representa um refluxo da tecnologia. “Nas mudanças, deixamos de fazer coisas importantes, como isolamento da massa tumoral para que não haja contaminação de células cancerosas na cavidade abdominal. Mas medicina é baseada em estudos e comparações para oferecer o melhor aos pacientes e teremos de dar um passo atrás”, diz o especialista em oncologia ginecológica.
Mas para o Sistema Único de Saúde (SUS) pode representar uma economia, uma vez que os equipamentos são caros. “Como a cirurgia aberta requer menos recursos, os profissionais devem usar as técnicas tradicionais”, diz Tamura.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

26 DE FEVEREIRO

O DRAMA DAS DROGAS

… e não sirvamos o pecado como escravos (Romanos 6.6b).

A “cracolândia”, na cidade de São Paulo, o maior centro urbano da América do Sul, é um retrato repulsivo da catástrofe das drogas. Homens e mulheres, jovens e adolescentes, vivem perambulando nesse espaço, destruídos por esse vício maldito e mortal. A repressão da lei e a ação da polícia não conseguem debelar esse câncer social. No século da liberdade, nossa juventude está escravizada pelas drogas. Mais de 90% dos municípios brasileiros estão assolados pela influência avassaladora do crack. Já existem até marchas em defesa da liberação da maconha, porta de entrada para as outras drogas mais pesadas. Milhões de lares estão desesperados por verem seus filhos rendidos à escravidão do vício. São milhões de jovens que abortaram seus sonhos e jogaram sua vida no calabouço do vício. Esses jovens são o tormento dos pais.

Muitos deles acabam morrendo precocemente. Traficantes armados até os dentes controlam setores da cidade e espalham a morte por nossas ruas. Esquemas de corrupção, com interesses inconfessos, dão cobertura a essa estrutura de morte. Esses agentes do mal seduzem crianças e adolescentes nas portas das escolas e apanham muitos deles para sua rede mortífera. Precisamos ligar o sinal de alerta e mobilizar-nos para frear essa onda de morte. Família, Igreja e Estado precisam dar as mãos nessa cruzada em favor da família.

GESTÃO E CARREIRA

A MULHER POR TRÁS DO BMG

Entenda por que a diversidade passou a ser um dos focos da instituição financeira comandada pela executiva Ana Karina Bortoni.

Ela perdeu o pai ainda menina. Aprendeu com a mãe a nunca olhar para trás, preservando o otimismo e sempre buscando maneiras de agir de forma positiva. Hoje, os eninamentos maternos provaram ser decisivos para a executiva Ana Karina Bortoni Dias, tanto na gestão de sua vida pessoal quanto nos desafios diários que enfrenta no comando do banco BMG. Entre seus compromissos inadiáveis, está o de dedicar um tempo da agenda diária para si mesma. Quando não está desempenhando suas funções no mais alto posto do Banco BMG, Ana Karina aproveita suas horas livres para ir à academia, ao cinema com o marido e a filha e curtir a família. Você pode se perguntar onde ela encontra tempo para realizar todas essas atividades, mas essa é uma das qualidades da liderança feminina.

O estereótipo grey hair (grisalho, que indica um homem de meia idade) como o ideal para presidentes de grandes empresas sempre esteve presente numa sociedade machista. Mas existem mulheres que encararam os desafios, superaram os obstáculos e conseguiram construir uma carreira vitoriosa.

É o caso de Ana Karina. Hoje aos 47 anos, ela ocupa o cargo mais alto dentro da instituição financeira e sem perder a feminilidade. Membro do conselho de administração e CEO do BMG, a executiva acredita que suas habilidades combinam com a empresa que, por sua vez, abre espaço para que as mulheres progridam dentro da empresa. Prova disso é que dos dez conselheiros do banco, quatro são do sexo feminino. E mais: entre os três membros independentes, duas vagas são ocupadas por mulheres.

Ana Karina afirma que no BMG a diversidade vem sendo discutida em todos os aspectos. Segundo ela, existem algumas ações temáticas dentro da instituição cujo objetivo principal é diminuir o abismo entre homens e mulheres. Além disso, outras questões de diversidade, não apenas de gênero, também são tema de reflexões constantes. “Nós não estamos perfeitos, mas temos todos esses assuntos como preocupação central”, diz a executiva. “Por isso, achamos importante discutir esses temas na empresa”.

RESPEITO

Como grande parte das mulheres, Ana Karina já passou por situações constrangedoras no local de trabalho. “Minha carreira foi construída, majoritariamente, em espaços masculinos. Em diversas reuniões, eu era a única mulher na sala”, conta. “Mesmo num ambiente que valoriza e acredita no potencial da mulher, esse tipo de situação existe. É triste”, afirma ela, que nunca se deixou abater. Mestre em Química pela Universidade de Brasília, conduziu projetos no Centro Brasileiro de Serviços e Pesquisas em Proteína.

Em 2003, iniciou sua jornada na Mckinsey, empresa de consultoria organizacional americana. Sete anos depois, tornou-se sócia da companhia, após se especializar em projetos no segmento de finanças. Seguiu trabalhando duro, até ser nomeada, em março do ano passado, presidente do Conselho de Administração do BMG. No banco, Ana Karina é inspiração para os colaboradores e assume que a influência de um líder é uma de suas características no gerenciamento de equipes. “O líder tem dois papéis: inspirar pessoas e traçar o caminho da empresa. Mas não fará isso sozinho. Tem de haver uma equipe qualificada para ajudá-lo”, declara. “O líder tem de ser um mentor, uma espécie de coach. E também precisa contribuir para o desenvolvimento da sua equipe.”

Para Ana Karina, independentemente do cargo que ocupe, todo profissional deve saber o que é importante para si e tentar mudar sua rotina para conciliar vida pessoal e profissional. “Você não consegue abraçar o mundo, mas pode ser objetivo, escolher suas batalhas, focar nisso e fazer o que acredita”, afirma a executiva. Com essa convicção, ela chegou ao posto mais alto do Banco BMG. Uma mulher, mãe, filha e esposa que conquistou tudo o que sonhava — e se esforça para dar a mesma chance a outras mulheres.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

DETOX DIGITAL

Novos métodos de terapia ensinam as pessoas a se desconectarem da internet, ao mesmo tempo em que se submetem a uma profunda mudança de hábitos

O dia a dia nas grandes cidades brasileiras inevitavelmente acaba nos levando para uma hiperconexão. Durante uma parada no trânsito, ao aguardarmos por uma consulta médica, no transporte público então… Às vezes até passamos do ponto por ficar navegando na internet. Fica automática a ação de puxar o smartphone do bolso para saber de tudo um pouco: notícias de última hora, dar uma olhada no aplicativo com indicação de como chegar mais rápido, e claro, bisbilhotar a vida alheia e acessar o WhatsApp. Quando esse comportamento pode ser tornar um problema? No momento em que deixamos de fazer as coisas comuns de forma simples e prazerosa para estar conectados. Ou quando o comportamento se altera de tal forma que nos sentimos incomodados pelo fato de não estar com celular no bolso.

NECESSIDADE DE RUPTURA

A empresária Fernanda Ralton Semler, 42, dona do Botanique Hotal & SPA, passou por essa situação. “Cheguei ao ponto de não conseguir tomar banho com naturalidade, ficava pensando nas mensagens que estava recebendo”, conta. Nesse momento, em 2013, Semler já era mãe, e percebeu que havia a necessidade de uma ruptura e criou o spa e um serviço diferenciado, o detox digital. A desintoxicação eletrônica foi um reencontro com sua individualidade. Segundo ela, o detox digital está calcado na autenticidade e na profundidade de pesquisa em tudo que envolve a desintoxicação. O programa faz parte de um tratamento exclusivo, que inclui três diárias num pacote que passa de cinco mil reais, “o projeto é sucesso, se tornou o carro chefe do hotel”. Por conta da “abstinência” individual, ainda é difícil a adesão plena, 70% das pessoas que já se submeteram ao detox não conseguem fazer a terapia a contento e pedem o celular de volta. Entre os 30% restantes, que repetem a terapia sazonalmente e entendem o conceito, está Bruna Fioreti, 36, comunicadora, business coach e especialista em branding pessoal. Ela afirma que atividades de detox, individuais e em grupo, não deixam tempo nem para lembrar do celular. “A experiência off-line tirou necessidade até de segurar o aparelho”, diz.

A terapia propõe que, ao retomar as atividades, as pessoas levem a vida de outra forma, pois hiperconectividade está ligada a algo que a medicina chama de via de recompensa, em uma área do cérebro localizada na parte frontal conectada à dopamina, que dá sensação de bem-estar. Para o médico psiquiatra Marcelo Daudt Von der Heyde, da Escola de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, o longo período de conexão afeta principalmente jovens, podendo levar a alterações no córtex frontal. “Em um cérebro em maturação pode haver pouca estimulação de algumas áreas”. O professor diz que em média, a cada seis minutos nos conectamos à internet, o conjunto das perturbações provocadas pelos estímulos digitais tem relação direta com estresse. Isso é tão forte como a dependência de drogas e álcool. Podemos associar ao fenômeno de “membro fantasma”, quando a pessoa perde um braço ou uma perna e, mesmo assim, sente falta

OUTROS OLHARES

DENGUE: O MOSQUITO ESTÁ DE VOLTA

Chuvas intensas e a incompetência do poder público no combate à doença abrem caminho para retorno do Aedes Aegypti

O sofá na casa de Caroline Garcia, 21 anos, em Votuporanga, no interior de São Paulo, ficou até aquecido, tamanha a quantidade de horas que a estudante de Direito passou tentando encontrar a melhor posição para o seu corpo, minado pela febre alta, que já havia alcançado picos superiores a 39º C. Diagnosticada com dengue no início do mês, a tarde do dia 2 de fevereiro, quando soube que estava com a doença, foi marcante para a estudante, que passou a ter dores horríveis no corpo. Picada pelo mosquito Aedes aegypti durante uma viagem a Belo Horizonte, no final de janeiro, Caroline faz parte de uma estatística cada vez mais preocupante no Brasil.

CENÁRIO CRÍTICO

Enquanto o temor com a possível chegada do Coronavírus mobiliza a atenção de autoridades, algo que não se confirmou até o momento, os casos de dengue explodiram no Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde, são 94 mil casos somente este ano, o que representa um aumento de 71% em relação ao mesmo período do ano passado. Em 2019, foram registrados mais de 1,5 milhão de casos, com 782 mortes, o que representou uma alta de 488% em relação a 2018. “Alguns fatores justificam o aumento. Em primeiro lugar, não está sendo dada a atenção devida à dengue, em razão da preocupação mundial com a epidemia do novo vírus surgido na China. Não podemos nos descuidar do combate ao Aedes aegypti, ainda mais no verão, quando temos períodos chuvosos”, diz o infectologista Leonardo Weissmann, da Sociedade Brasileira de Infectologia.

A explosão dos casos de dengue, provocada pelas chuvas de verão, demonstra que as autoridades declaram-se incompetentes para resolver o problema, que vai do combate ao mosquito, à limpeza dos logradouros públicos, à vacinação em massa contra a doença. No Brasil, existem quatro tipos de dengue: os sorotipos 1, 2, 3 e 4. Uma das maiores preocupações de médicos e especialistas na endemia é a volta da circulação do sorotipo 2, que estava fora do radar há mais de uma década. “Como não temos imunidade para esse vírus e estamos em uma época favorável para a sua circulação, houve esse surto não combatido pela sociedade”, explica Rodrigo Said, coordenador-geral de Vigilância das Arboriroses do Ministério da Saúde.

Ainda segundo o Ministério, em boletim epidemiológico divulgado no último dia 19, 14 pessoas haviam morrido vítimas da dengue. Esse número, no entanto, pode ser ainda maior. A Secretaria de Saúde de Minas Gerais investiga ao menos dez mortes que podem ter sido causadas pela doença. O Paraná possui 17.500 mil casos confirmados e São Paulo tem mais 19 mil infectados. Se olharmos por região, teremos o seguinte mapa: Norte (5.286), Nordeste (4.899), Sudeste (41.142), Sul (25.588) e Centro-oeste (17.234). Em Votuporanga, cidade de Caroline, mais de 600 casos já foram constatados. “Só na minha turma da faculdade tem umas seis pessoas infectadas”, relata.

ATENÇÃO NA FOLIA

Diante do surto iminente, é preciso intensificar as medidas para diminuir os focos de proliferação do mosquito. O roteiro é conhecido, mas repeti-lo nunca é demais. Evitar acúmulo de água e tampar caixas d’água são algumas das tarefas primordiais. De acordo com Leonardo Weissmann, o poder público não pode arcar sozinho com o problema. A população também tem um dever a cumprir. “É claro que o governo precisa manter as ações de vigilância para combater o Aedes aegypti. Mas vale destacar que esta ação não é exclusiva das autoridades. É necessário que a população faça tudo o que estiver ao seu alcance para combater o mosquito continuamente, não apenas quando há o aumento no número de casos”, aponta. Para diminuir o avanço do mosquito, Rodrigo Said ressalta que governo antecipou campanhas de conscientização e tem visitado os estados para dialogar com gestores estaduais. Além disso, a pasta vai modificar o inseticida utilizado nos últimos anos. O novo produto entra em circulação a partir de março.

O Carnaval também está no radar das autoridades. A aglomeração de pessoas e, em consequência, do lixo, pode ser um fator a mais na batalha contra o aedes aegypti. Em Porto Rico, na região noroeste do Paraná, as festas já foram canceladas. A cidade tem 75 casos confirmados. “O que nós pedimos é que as pessoas tenham atenção com as garrafas plásticas e latinhas. Brinquem o Carnaval com segurança, mas o lixo produzido precisa ter destino correto, para que não haja nenhum acúmulo e os mosquitos se propaguem”, reforça Rodrigo Said. “Além do cuidado com os resíduos, usem e abusem do repelente”, conclui Weissmann.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE ORVALHO PARA A ALMA

DIA 25 DE FEVEREIRO

UMA FAMÍLIA SALVA DA TRAGÉDIA

Disse o SENHOR a Noé: Entra na arca, tu e toda a tua casa… (Genesis 7.1a).

Noé foi um homem justo no meio de uma geração perversa. As pessoas do seu tempo comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia em que o dilúvio veio e engoliu a todos. Noé creu em Deus quando as pessoas à sua volta simplesmente seguiam a vida sem levar Deus em conta. Não há nenhum mal em comer e beber, casar-se e dar-se em casamento, mas, quando fazemos essas coisas sem pensar em Deus, estamos em sério perigo. A geração de Noé só pensava nas coisas terrenas. Não fazia provisão para as coisas espirituais. Por isso, não ouviu a mensagem de Noé nem se preparou para o encontro com Deus. Noé, ao contrário dessa geração ímpia, levou toda a sua família para a arca. O dilúvio veio e como torrente arrastou a todos para a morte irremediável. A família de Noé estava segura e salva. Alguém já disse, com muita propriedade, que Noé foi o maior evangelista da história; pois, embora não tenha levado nenhum de seus contemporâneos para a arca, conseguiu levar toda a família. A sua família já entrou na arca da salvação? O dinheiro, o sucesso, a fama, os prazeres e os troféus conquistados na terra não podem salvar a família de grandes tragédias. A ciência, a riqueza e a religião não podem salvar a família desse dilúvio de tragédias. Jesus é o único porto seguro para a família. Só nele encontramos refúgio!

GESTÃO E CARREIRA

POR QUE ESTAMOS TÃO ANSIOSOS?

Os brasileiros são o povo com o maior índice de ansiedade do mundo. Descubra como combater esse problema que prejudica o raciocínio, a criatividade e a produtividade – e que, no limite, pode levar ao desenvolvimento de depressão e Burnout

O Brasil é o país mais ansioso do mundo. É o que diz o relatório mais recente da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre transtornos mentais, divulgado em 2017. São mais de 18 milhões de brasileiros convivendo com a ansiedade, o equivalente a 9,3% da população, sendo a maioria mulheres. No mundo, os ansiosos ultrapassam 264 milhões – um aumento de 15% na última década, em boa parte devido ao crescimento e ao envelhecimento da população, mas também às transformações no estilo de vida ao redor do planeta.

Estamos falando aqui do chamado transtorno de ansiedade generalizada, considerado o tipo mais comum de ansiedade. Outros distúrbios são síndrome do pânico, fobia social, estresse pós-traumático e transtorno obsessivo-compulsivo, para citar somente alguns. Cada um deles apresenta suas peculiaridades no que diz respeito a sintomas, tratamentos, prevalência na população e impacto no cotidiano.

Para começar, é importante saber que nem toda ansiedade é uma patologia. Sentir-se apreensivo, naquele “modo expectativa”, que define o estado ansioso antes de uma entrevista de emprego, de um primeiro encontro romântico ou de uma viagem muito desejada é normal e saudável. Essa sensação está prevista no funcionamento cerebral e pode-se dizer que tem efeito protetor: serve de estímulo para a pessoa se preparar. Depois de passado o acontecimento, volta-se ao equilíbrio. “O problema começa quando a resposta ansiosa é desnecessária ou desproporcional, em duração ou intensidade, ao contexto ou evento que está adiante”, diz o médico neurologista Leandro Teles, especialista pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e autor do livro O Cérebro Ansioso.

Ansiedade vira doença, portanto, quando o sujeito vive em estado de alerta permanente, como se algo ruim, importante ou perigoso estivesse prestes a acontecer o tempo todo. No trabalho e na vida, o ansioso tem a sensação de estar sempre devendo alguma coisa, correndo para chegar a algum lugar, para cumprir um prazo ou para bater uma meta. Essa expectativa (também chamada no jargão dos especialistas de “resposta de luta ou fuga”) aciona comandos cerebrais e a liberação de hormônios cortisol e adrenalina. Juntos, eles promovem uma porção de reações físicas (respiração ofegante, coração acelerado, tensão muscular), psíquicas (medo, irritação, vontade de chorar) e cognitivas (dificuldade de raciocínio e concentração), que constituem sintomas bem conhecidos pelos ansiosos (veja o quadro ”Atenção aos sinais”).

Os prejuízos não são apenas para o equilíbrio emocional e para o bem-estar. A descarga de mudanças no organismo desregula os hormônios, a imunidade e o metabolismo. A tensão constante eleva a probabilidade de desenvolver pressão alta, aumento do colesterol, obesidade, insônia, distúrbios alimentares (como anorexia e bulimia) e abuso de álcool, drogas, cigarro e remédios. Além disso, a ansiedade é considerada fator de risco para depressão e Burnout – somadas, as três doenças mentais afetam cerca de 700 milhões de pessoas no mundo, segundo dados da OMS. No limite, a ansiedade pode levar ao suicídio.

UM PROBLEMA, MUITAS CAUSAS

As demandas do mundo Vuca (volátil, incerto, complexo e ambíguo), a velocidade e o volume de informações a que estamos expostos o tempo inteiro, a hiperconexão e o mito da felicidade certamente colaboram para elevar os níveis de ansiedade em muitos lugares do mundo. Vivemos na expectativa da notícia nova, da resposta imediata, do próximo like.

Há que incluir nesse conjunto de fatores, ainda, os conflitos impostos pelo mundo do trabalho: relacionamentos difíceis, pressão por resultados, intolerância ao erro, cargas horárias excessivas, metas inalcançáveis e pouca autonomia. No Brasil, a crise econômica sem previsão para terminar, a radicalização na política, o desemprego que não recua e a realidade social cruel se somam à fórmula que faz de nós o povo mais ansioso do mundo. “Por causa da falta de vagas, dos salários baixos e do custo de vida alto, muita gente precisa acumular empregos e vive com medo de ser demitido, além de exausta. É uma sobrecarga enorme para a saúde mental”, diz Paulo Almeida, professor de liderança e gestão de pessoas na Fundação Dom Cabral.

É verdade que certas profissões são normalmente mais estressantes do que outras, como algumas ligadas às áreas de saúde e segurança. Mas existe também uma espécie de glamourização de comportamentos ansiosos em alguns meios profissionais, o que só contribui para agravar o problema. São pessoas que se gabam (ou, no mínimo, negligenciam os prejuízos) de trabalhar incansavelmente, de fazer mil coisas ao mesmo tempo ou de manter-se produtivas à base de litros de café ou de remédios. Só que isso não funciona no médio e no longo prazo porque esgota a mente, afetando o desempenho e as emoções. “Pense no cérebro como um músculo ou como o motor de um carro: se você o faz trabalhar o tempo todo em intensidade ou velocidade máxima, ele logo entra em colapso”, afirma Leandro Teles. “Para garantir boa performance cognitiva com longevidade, é preciso saber gerenciar o estresse e a ansiedade, e não recorrer a meios para evitá-los.”

IMPACTO NOS NEGÓCIOS

Transtornos mentais como ansiedade e depressão custam à economia global algo em torno de 1 trilhão de dólares por ano em queda de produtividade, de acordo com um levantamento da OMS. Esse prejuízo não se dá só por demissões e absenteísmo. “Cerca de dois terços das perdas vêm da queda no desempenho do funcionário quando está no trabalho, por falta de concentração e dificuldade para tomar decisões”, explica o psiquiatra Wagner Gattaz, presidente do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo e da Gattaz Health & Results, empresa que desenvolve programas de saúde mental para corporações.

Não é à toa que, no Fórum Econômico Mundial de 2019, o bem-estar psicológico foi incluído pela primeira vez no relatório que trata dos fatores de risco à economia global. Isso porque estimativas mostram que os gastos relacionados a doenças emocionais poderão chegar a 6 trilhões de dólares em todo o mundo até 2030 – mais do que a soma das despesas com diabetes, doenças respiratórias e câncer, segundo dados do Fórum. De acordo com o documento, o que vai determinar o crescimento de uma economia baseada no conhecimento, como a do século 21, é a capacidade das empresas ele desenvolver práticas e políticas que ajudem a construir ambientes de trabalho acolhedores e a manter profissionais mentalmente sadios. E equipes equilibradas são um bom negócio: cada dólar gasto em iniciativas de bem-estar mental gera às organizações 4 dólares de retorno em produtividade, segundo estudo da OMS.

QUEBRANDO O TABU

Dados da Secretaria da Previdência do Ministério da Fazenda mostram que a ansiedade é motivo de dois em cada dez afastamentos do emprego por doenças comportamentais (fica atrás apenas de depressão). De 2012 a 2016 houve aumento ele 17% na concessão de auxílio-doença por transtornos de ansiedade. Mas os especialistas acreditam que o número de trabalhadores ansiosos precisando de ajuda seja bem maior. E isso pode ocorrer tanto por subnotificação do empregador (que frequentemente comunica outras causas para a licença), quanto por omissão do empregado.

O estigma em torno das doenças emocionais, aliás, é considerado o principal obstáculo para que ansiedade, depressão e Burnout sejam tratados com seriedade no contexto do trabalho. “O preconceito começa no próprio paciente, que evita compartilhar o drama com colegas e com o chefe porque não quer demonstrar fragilidade e tem medo de ser mandado embora”, diz o psiquiatra Wagner.

Aí é que entra, mais uma vez, a ação das empresas. Uma das principais missões da área de recursos humanos deveria ser justamente a educação emocional de líderes e liderados para que eles consigam falar sobre questões de saúde mental com naturalidade e sem medo de se mostrarem vulneráveis. “Assim eles serão capazes de entender e lidar com o que sentem, ver as coisas como são, sem imaginar cenários que não existem, e negociar demandas e necessidades”, diz Edwiges Parra, psicóloga organizacional, coach executiva e fundadora da E Mind Mente Emocional. Falando em liderança, o modelo de gestão baseado em comando e controle é visto como um dos principais fatores ligados à ansiedade que nascem no trabalho. “O foco em resultado pressiona o funcionário e não dá margem para experimentar, errar, inovar”, diz Paulo, da Fundação Dom Cabral. Os próprios chefes precisam trabalhar autoconhecimento, ferramentas de inteligência emocional, comunicação, empatia e resiliência em nome de fomentar culturas organizacionais positivas. Para o professor, lideranças coletivas, que colocam a gestão da performance sob responsabilidade de todos e tiram o foco do indivíduo, colaboram muito para criar ambientes corporativos seguros psicologicamente.

COMO RETOMAR O EQUILÍBRIO

Ansiedade e outros transtornos psíquicos surgem de uma combinação entre causas genéticas, ambientais e do contexto individual. O primeiro passo para tratar esses problemas é reconhecer que a saúde emocional está pedindo socorro. Daí, é preciso buscar auxílio. “A psicoterapia pode ajudar a identificar comporta mentos-gatilho da ansiedade, a manejar crises e a mudar hábitos”, afirma a psicóloga Edwiges. “Pessoas com personalidade controladora, perfeccionistas, auto exigentes e inflexíveis são mais sensíveis a se tornarem ansiosas e podem trabalhar esses traços na terapia.”

Remédios só devem ser usados com recomendação médica – apenas o especialista pode avaliar a droga mais adequada, assim como a real necessidade de usá-la, a dosagem certa e o momento de interromper ou modificar o tratamento. Mesmo assim, manter na gaveta do trabalho um remedinho para aliviar a ansiedade em momentos críticos ou para aumentar o foco e conseguir trabalhar mais horas sem interrupção parece ter virado algo banal.

Ainda que calmantes e anfetaminas (as drogas mais usadas para esse fim) só possam ser vendidos com receita médica, muita gente burla as regras, pega emprestado do colega, compra de forma clandestina e, com isso, acaba se expondo a riscos para a saúde. “Tomar essas substâncias sem orientação pode gerar dependência e tolerância, que vai fazer com que a pessoa precise de doses cada vez maiores para conseguir o efeito desejado”, diz o psiquiatra Wagner. Além disso, como os medicamentos agem momentaneamente sobre o sintoma, sem tratar o que está causando a ansiedade, recorrer a eles é empurrar o problema com a barriga e permitir que ele escale, levando a prejuízos maiores. E muitas vezes os remédios nem sequer são necessários. Um estudo recente da Faculdade de Enfermagem da Universidade Colúmbia, nos Estados Unidos, concluiu que técnicas de relaxamento como mindfulness, ioga e hipnose usadas no tratamento de pessoas ansiosas podem substituir o uso de pílulas em alguns casos.

No fim, cuidar de si mesmo é a atitude mais importante. Criar momentos para nutrir a autoestima e relaxar é indispensável para retomar o equilíbrio mental. As atividades são variadas e cada um encontra a sua – pode ser ler um livro, fazer pequenas viagens, cozinhar, contemplar a natureza, praticar algum exercício ou simplesmente não fazer nada. O fundamental é achar algo que o ajude a se conectar consigo mesmo e que deixe claro que o trabalho é apenas uma das dimensões da vida. Nem sempre é fácil mexer na agenda, mas empregar esforços e desapegar de costumes nocivos faz parte de se autorresponsabilizar pelo próprio bem-estar. Que tal começar agora?

ATENÇÃO AOS SINAIS

Não existe exame de laboratório capaz de detectar um transtorno de ansiedade. É importante que paciente e médico estejam atentos e preparados para reconhecer os sintomas físicos, cognitivos e emocionais que indicam que há algo fugindo do controle. Mas não basta haver um ou outro indício isoladamente – é o conjunto de sinais, associado à duração e à intensidade deles (se estão presentes a maior parte do tempo e persistem há seis meses ou mais), que determina o diagnóstico preciso. É necessário também considerar o momento de vida do paciente. Mas o mais importante é avaliar o impacto negativo que a avalanche de alterações físicas e psicológicas causa na qualidade de vida da pessoa. “Não há doença psíquica se não houver prejuízo para o rendimento e para o bem-estar do indivíduo afetado e daqueles que o cercam”, avisa o neurologista Leandro Teles. Conheça alguns sintomas comuns da ansiedade.

ESTRESSE, ANSIEDADE E O AMBIENTE CORPORATIVO

O estresse é o principal alimento da ansiedade. Mal gerenciado, ele se acumula e deixa o sujeito em estado de alerta constante, exposto a todos os malefícios à saúde física e emocional. Não dá, portanto, para separá-los totalmente. Entenda como esses males se manifestam no local de trabalho.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A NEGAÇÃO DA VIDA NA NEGAÇÃO DA MORTE

A descrição das características psicológicas encontradas nos vícios e compulsões é importante, contando com a análise reichiana, na qual a dor é secundária, pois a ênfase fica no alívio e prazer, depois a culpa

No século XIX, diante do pouco interesse dos chineses pelos produtos europeus – e estes, por sua vez, compravam dezenas de toneladas de chá dos primeiros -, a Inglaterra passou a comercializar ópio ilegalmente. O ópio era trazido das colônias inglesas na Índia e embarcado em direção à China.

Seu consumo produziu uma verdadeira epidemia, quase levando o Império Chinês à falência, e resultou numa guerra quando a mesma China tentou proibir o uso do produto.

Merece destaque o interesse dos chineses pelo ópio, em contraste com outros produtos frutos da nascente revolução industrial. Os malefícios já eram conhecidos pelo fato de seu uso ter se tornado frequente por grande parte da população. Mesmo assim, prevaleceu a busca dos efeitos inebriantes do ópio – “por favor, minha amiga, transforme em sonhos meus pesadelos”.

Numa pesquisa recente do Levantamento Global de Drogas (Global Drug Survey – GDS), quase 10% dos entrevistados, usuários de maconha, admitiram ficar cerca de 12 horas por dia sob efeito da substância. Ou seja, praticamente o período em que estão acordados. Estarão acordados quando isso está se dando? É uma questão não meramente retórica.

O ângulo abordado é diferente da maneira habitual como a dependência das drogas é tratada, pelo viés da dependência química, que usualmente não se ocupa dos fatores (ligados ao desejo) que levam ao consumo. Não é de se estranhar igualmente que compulsões e vícios estejam listados no título, há um denominador comum presente. Resumidamente: numa desordem conhecida como transtorno de escoriação, as pessoas usam unhas, dentes, pinças etc. para arrancar alguma coisa da pele, como uma espinha ou pelo encravado. Podem passar horas nesse fazer, um fazer compulsivo, que a vontade não consegue deter, ficando às vezes com marcas por todo o corpo e retiradas da vida social. A descrição das características psicológicas frequentemente encontradas é importante, mas sublinho um elemento-chave com sentido especial na ótica reichiana: a dor é secundária, a ênfase fica no alívio e prazer, depois culpa.

Na cleptomania, o “roubar” é compulsivo. Não confundir com furto. Na primeira, o ato é determinado menos pelo objeto subtraído e mais pelo ato em si de subtrair, e isso independe da condição financeira da pessoa. O quadro psicológico também merece atenção, mas novamente o sublinhado é: pacientes relatam sentimentos de tensão que antecedem a realização, seguida posteriormente por sentimentos de satisfação e prazer. Após, vergonha e culpa.

A mesma experiência de tensão pré­ realização, seguida de satisfação. Depois, culpa.

”Algo” que pressiona por descarga e evoca prazer. Satisfação erótica. Num plano simbólico, mas físico, somático também. A culpa que se segue revela o conflito inconsciente envolvido e associado à obtenção de satisfação.

Nem toda experiência de prazer envolve “descarga” de excesso de excitação. Esse primeiro tipo é da ordem do econômico-energético e envolve o que seria chamando de satisfação pulsional num referencial freudiano. Mas há também aquele prazer decorrente da retirada da dor, do desprazer – como o alívio que sente o leão quando o escravo Androcles retira o espinho de sua pata-, ou a evitação dos mesmos, num plano psíquico. A retirada do espinho evoca prazer (pelo alívio), mas não satisfação pulsional.

DESPRAZER

O mecanismo psíquico da negação igualmente não traz satisfação pulsional, mas evita o desprazer. E que papel desempenha a negação no escopo do que examinamos? Veremos que tanto a satisfação erótica quanto a negação têm importância central nos vícios, compulsões e dependências. “Por favor, minha amiga, transforme em sonhos meus pesadelos”. Mas o que são esses pesadelos? Seria impossível descrever o sentido do que é feito numa abordagem reichiana sem primeiro comentar algo sobre a teoria, aquilo que fundamenta as ações e intervenções clínicas. As manifestações do inconsciente são visadas, e isso mesmo numa abordagem clínica em que a corporeidade é vista como constituinte do psiquismo. Há outra complicação: na Psicologia, há centenas de escolas, linhas de trabalho diferentes, baseadas em concepções diversas sobre o que constitui o cerne do psiquismo, da vida emocional. É o contrário do que se passa se procuro, por exemplo, um ortopedista. Posso procurar dezenas de profissionais diferentes que o ponto de partida será sempre o mesmo: os ossos, músculos, ligamentos etc.

Na Psicologia e na Psicanálise o quadro é completamente diferente. Por isso, a importância de uma apresentação inicial. A teoria reichiana inicia-se com a freudiana, mas diferencia-se desta ao englobar a corporeidade no tratamento das questões psíquicas e emocionais. Há o inconsciente e seus subterrâneos, quer dizer, processos mentais extremamente atuantes, mas invisíveis num primeiro momento. E para se chegar ao exame dos “vícios”, na ótica reichiana, será necessário primeiro apontar algumas características desses processos mentais. E, posteriormente, comentar como o ingresso da corporeidade se segue à redefinição de psiquismo como somatopsiquismo.

Um jeito simples de fazer isso é dizer que nossos principais atos, nossas escolhas na vida, nossas simpatias e antipatias têm por detrás a ação de “forças” que ativam a nossa mente nessa ou naquela direção. E, mais ainda, que essa ativação guarda relação com experiências de vida que foram emocionalmente importantes na infância. E “importantes na infância” quer dizer que nosso psiquismo é marcado não só pelo passado – essa definição é parcial, mas suficiente agora -, mas também pela existência ou não de satisfação erógena ligada a elas. Mas o passado é referência apenas. A desordem só se mantém porque há uma permanente atualização econômica, ou seja, as representações se mantêm ativas porque permanecem os investimentos energéticos nestas, no presente.

Pode-se dizer que todo adulto portador de uma neurose ou desordem específica está inconscientemente vivendo algo da sua infância que ficou “complicado”, “inacabado”, mal resolvido. Faz isso sem saber, faz indiretamente. Há fases de desenvolvimento na criança. Essas fases são períodos definidos de tempo, em que a observação permite relacionar as formas como ela, criança, lida com o mundo a sua volta, e a existência de processos internos de desenvolvimento desenrolando-se.

Esses processos são vistos como somatopsíquicos, quer dizer, envolvem zonas específicas do corpo ligadas a modos particulares de funcionamento mental. Para continuar nos exemplos que utilizamos, isso é como dizer que, para uma criança pequena, o mundo é percebido numa referência oral, ou seja, se é bom ou ruim de se colocar na boca. Existem outras fases além da oralidade, e esses períodos, ou fases de desenvolvimento, são entendidos como universais, ou seja, uma experiência necessária de todo ser humano, relativo à espécie.

O “bom ou ruim de se colocar na boca” pode existir como um registro definidor de um alcoolismo ou na “fome de conhecimento”. Um sujeito pode ser marcado pelas experiências da amamentação e depois, quando adulto, reproduzir a busca de satisfação de uma forma sublimada. Esse “registro” por sua vez, pode ter expressão numa boca com músculos endurecidos, cronicamente tensionados, lábios apertados, quando houve uma interrupção abrupta e antecipada da amamentação.

Então, encontramos vários fatores constituintes na descrição do psiquismo: o inconsciente, a relação entre o presente e o passado e o sexual como força atuante. O sexual é a busca no presente de uma satisfação de um impulso ou desejo com marcas do passado representadas no tipo de busca.

DISTÚRBIOS PROMOVIDOS

E os vícios, distúrbios, compulsões? Mencionei os processos inconscientes, há uma finalidade subterrânea buscada, mas a pessoa não sabe disso. Em cada alcoolismo, em cada compulsão, vício, é o que se passa. E não sabe por que outros processos inconscientes, as defesas, estão em ação. Agem no sentido de produzir “esquecimento” daquilo que inicialmente, na história de alguém, foi uma espécie de causa inicial, e essa produção de esquecimento tem uma segunda consequência: o contato com a realidade fica reduzido, alterado, e o contato que a pessoa tem com ela mesma também. Para a neurose e suas desordens existirem, é necessário existir um empobrecimento da consciência. De si mesmo e do mundo em volta.

Mais uma recapitulação dos fatores em jogo: inconsciente, relação passado ­ presente, o erógeno e agora o empobrecimento do contato com si mesmo e a vida. E como no cerne de toda desordem e neurose há um componente infantil, e um modo infantil – infantil do ponto de vista do amadurecimento-, essas desordens sempre revelam, como característica do funcionamento dessas personalidades, uma dificuldade no lidar com a realidade frustrante. Frustrante nos seus anseios e modos de buscar satisfação. O modo infantil definido inclui até a satisfação sexual, que é buscada de forma substituta, como no comer excessivo no lugar de uma relação com uma parceira ou parceiro. Infantil, portanto, é sinônimo de fixação em fases pré – genitais do desenvolvimento psicossexual.

O psiquismo não é apenas um “suco” do cérebro. O corpo, a corporeidade – em especial no fator econômico-energético – constituem igualmente os nossos processos emocionais. Uma pessoa “cabeça-dura” tem, literalmente, uma cervical rígida, não é somente um modo mental de ser. E a abordagem reichiana tem, além das ferramentas de abordagem verbal, na transferência (via a análise do caráter) a possibilidade de reconhecer a configuração corporal que é contraponto da expressão subjetiva da neurose e da desordem e atuar sobre isso. Toda personalidade tem uma configuração corporal, na forma de arranjos musculares, posturais etc. Uma pessoa muito tímida “encolhe-se’ não tem uma expressão corporal do tipo “peito aberto” ou “nariz erguido”.

PROCESSOS CORPORAIS

Trabalhar clinicamente a condição dos vícios, compulsões e desordens inclui de forma especial, portanto, não só romper o circuito onde predominam a busca disfarçada e infantilizada de satisfação de algo que não é atividade ou a concretude da substância ela mesma, mas também os processos corporais emocionalmente significativos envolvidos, ajudando a pessoa a lidar com a realidade da própria existência. Processos corporais mais bem definidos como psicorporais que envolvem, como dito no início, tanto a descarga da estase de energia que alimenta as fixações pré-genitais quanto a manutenção da função defesa do mecanismo de negação.

Se é patente em todos os casos o valor simbólico de um impulso à transgressão, de um ponto de vista psicodinâmico, não menos importante no entendimento dessas desordens é o elemento apresentado na ideia do “ser capaz de lidar com a realidade da própria existência”.

Ernest Becker, na obra The Denial of Death (A Negação da Morte), em síntese, afirma que todas as instituições sociais, atividades laborais, práticas espirituais etc. não passam de tentativas organizadas pela humanidade para distrair-se da inexorabilidade da ideia da morte. Todos se ocupariam para simplesmente evitar essa constatação e, segundo este, a miserabilidade essencial aterrorizante da nossa existência. Noção próxima à de Schopenhauer: “Todas as ordenações do ser humano são de modo a que o traço básico e trágico da vida sem sentido não seja vivido”. Aqui teríamos, eventualmente, a matriz de todo mecanismo inconsciente de negação, a autoconsciência da perspectiva da morte, segundo esse enfoque. Seria esse o pesadelo que se tentaria transformar em sonhos?

A expressão linguística “o mundo lá fora” reflete epistemologicamente, no caso das disciplinas que se ocupam de tentar descrever e definir a consciência e a autoconsciência, o alienamento da noção simples de que nós e nosso psiquismo somos parte do mesmo mundo que incluiu o “lá fora”: Como se fôssemos e estivéssemos fora na natureza.

Freud postulou que a tendência de toda matéria viva é voltar a ser inorgânica – princípio do nirvana – numa incorporação de uma perspectiva teleológica errônea, que tomou conta da teoria e da teoria da clínica. O vivo não busca um “estado de zero tensão’ e sim produz homeostase através da alternância da carga e descarga. Essa é uma síntese da postulação reichiana, que rege, com um princípio fundante, sua teoria da clínica, postulação justificada e argumentada na sua obra A Função do Orgasmo.

Casos clínicos apresentados permitem apreender como o “medo de cair” – presente no reflexo de Moro encontrado nos bebês humanos – é posteriormente sequestrado na neurose para apresentar-se como medo de morrer ou ficar louco – perder o controle -, cerne de toda defesa muscular e caracterológica, e surgir como medo das intensidades da vida na categorização reichiana angústia orgástica. A desordem, que através dos seus sintomas melhor evidencia isso é a desordem do pânico.

Os mecanismos de negação, nessa ótica, têm a função de evitar as intensidades emocionais e sensoriais do estar vivo – o que incluiu as intensidades da dor e do sofrimento, mas não se resumem a estas – e não impedir a consciência da finitude. Não é medo da morte, e sim medo da vida, através da onipresença da neurose.

OUTROS OLHARES

NO TOM CERTO

Cresce no universo da moda a chamada análise de coloração pessoal, estudo que define as cores das roupas e acessórios que combinam com a tez

O carnaval é território de todas as cores, o vale-tudo ecumênico em forma de arco-íris, costurado por tiaras de asas de borboleta roxas, saias de tule amarelas, maiôs com paetês vermelhos e botinhas verde-musgo. E, no entanto, mesmo nos dias de farra, convém ter um pouco mais de cuidado e sensatez – errar a tonalidade da roupa e do make-up significa, enfim, estragar o visual e ganhar ar envelhecido, nariz longo demais ou bochechas mais gordas. Não é crime de lesa-pátria, mas o zelo pela aparência é uma preocupação que, naturalmente, acompanha a história da moda e os avanços da indústria de cosméticos há décadas, e que, agora, na era das selfies, passa a ser tema de interesse de pesquisas e de personal stylists. A “análise de coloração pessoal”, eis o nome do recurso, nasceu na Europa, atravessou os Estados Unidos e desembarca com força no Brasil. Não há estatística que ajude a demonstrar o crescimento da tendência – mas ela é visível, virou assunto inescapável. Os cabeleireiros e maquiadores mais reputados se ancoram no princípio para fazer seu trabalho, um atalho para bons resultados.

As clientes que entram no badalado ateliê da consultora de estilo Mônica Boaventura, no bairro cool da Vila Madalena, em São Paulo, querem saber as tonalidades exatas que mais combinam com elas. Pagam até 450 reais para se submeterem ao delicado levantamento. A especialista observa a cor natural de cada detalhe do rosto e das mãos das mulheres: cabelos, sobrancelhas, cílios, olhos, lábios e até manchas na pele. Depois, aproxima dezenas de amostras com tons diferentes e identifica quais devem ser usados em brincos, colares, maquiagem e tintura de cabelo. A pesquisa é detalhada, e após 45 minutos brota um mapa das cores. A consulta é finalizada com a entrega de uma cartela com cerca de setenta colorações. Uma das escolas mais tradicionais na área, a Studio Immagine, também de São Paulo, já formou 4.500 consultoras em coloração. “Há uma regra geral: as cores em desarmonia chamam atenção para falhas como rugas ou tom de pele irregular, enquanto as cores em equilíbrio valorizam a beleza natural, fazendo com que a pessoa pareça saudável e com um rosto mais jovem, “diz Tathina Santos, que dá aulas de análise de cor a classes lotadas no Centro Universitário Belas Artes, em São Paulo. A bem da verdade, as quatro personagens que compõem a ilustração abaixo ficariam bem com qualquer cor – e soa quase ofensivo imaginar que esse ou aquele matiz lhes caísse mal, evidentemente que não. Mas também para elas vale dizer que, grosso modo, os tons dos acessórios devem seguir o perfil dos tons do rosto. Uma morena de cabelos escuros, pele clara e olhos azuis, por exemplo, tem naturalmente um visual cheio de contrastes e, portanto, deve usar cores opostas, como preto e branco. Aquelas com cabelos e pele dourados devem fazer o oposto, usando cores próximas, como laranja e marrom-claro.

Não se trata de futilidade, a beleza pela beleza – embora não haja mal nenhum no cuidado permanente com o que anda por aí, sobretudo no mundo dominado pelas redes sociais e pelas selfies. Mas, se é o caso de dar algum lustro ao método, convém lembrar que ele é filho de uma série de estudos do professor e artista plástico suíço Johannes Itten (1888 -1967), da influente escola de arte alemã Bauhaus. Itten notou que seus alunos respeitavam seleções de cores similares em seus trabalhos e usou as tonalidades para compreender melhor a personalidade de cada um deles – essa linha de raciocínio, aliás, é tema de pesquisa da arquiteta Fernanda Moceri, da USP, para quem cores e personalidades são indissociáveis. “É semelhante ao que ocorre em consultórios médicos”, diz ela. “Receitas prontas não funcionam, e absolutamente todas as características da pessoa devem ser levadas em conta.” Em 1980, a estilista americana Carole Jackson, hoje com 78 anos, glamourizou a ideia, associando as cores às estações do ano. Carole interessou ­se pelo sistema com base em sua experiência pessoal. Ela se sentia feia e sem vida no uniforme azul-claro do colégio da infância. Os mandamentos da estilista Carole se transformaram no best-seller Color Me Beautiful, ainda não traduzido para o português, manifesto da nova onda.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 24 DE FEVEREIRO

O HOMEM, A IMAGEM DE DEUS

Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou (Genesis 1.27).

Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. O pecado, porém, desfigurou essa imagem. O pecado atingiu todo o nosso ser: corpo e alma; razão, emoção e vontade. O pecado não destruiu por completo a imagem de Deus em nós, mas a deformou. Somos como uma poça de água turva. A lua com toda a sua beleza ainda está refletindo, mas não conseguimos ver essa imagem refletida; não porque a lua não esteja brilhando, mas porque a água está suja. O homem criado por Deus e caído em pecado é agora restaurado. Essa restauração, porém, não é autoproduzida. Não vem do próprio homem, vem de Deus. Deus mesmo tomou a iniciativa de restaurar sua imagem em nós. E como fez isso? Enviando seu Filho ao mundo! Ele é a imagem expressa de Deus. Nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade. Em Cristo, temos perdão, redenção e restauração. Por meio de Cristo, somos feitos filhos de Deus e herdeiros de Deus. A imagem de Deus criada, e deformada pelo pecado, é restaurada por Cristo. Pela operação da graça, nascemos de novo, nascemos de cima, nascemos do Espírito e somos coparticipantes da natureza divina. A glória e a honra perdidas na queda são agora restauradas na redenção!

GESTÃO E CARREIRA

LICENÇA PARA ESCOLHER

Uma pesquisa exclusiva realizada com 4.000 mulheres que são mães e trabalham em 13 grandes empresas no Brasil revela que oito em cada dez delas já pensaram em deixar o emprego após a maternidade

Aos 32 anos, quando começou a trabalhar na empresa de meios de pagamento Mastercard, a administradora Karla Facchini nem pensava em ter filhos. Cinco anos mais tarde, os planos mudaram – mas só no que diz respeito à maternidade. A ambição na carreira continuou a mesma. Em fevereiro de 2018, quando nasceu Davi, seu primeiro filho, ela ficou seis meses de licença-maternidade e um mês de férias. Nesse período, recebeu a notícia de uma almejada promoção. Ela deixou o cargo de gerente de desenvolvimento de negócios sênior para ocupar o de diretora comercial de um cliente global. “Trabalhei muito durante a gestação e sinalizei meu desejo de voltar e crescer”, afirma Karla. A convicção de seguir dentro do ambiente corporativo logo após a maternidade, porém, não representa a maioria. É o que aponta uma pesquisa realizada pela Mãe Corporate, consultoria que desenvolve estratégias para a equidade de gênero nas empresas, em parceria com a organização Movimento Mulher 360, que reúne 57grandes companhias que trocam experiências sobre o tema. Realizado com cerca de 4.000 funcionárias de 13 grandes empresas no Brasil, o levantamento divulgado com exclusividade mostra que 84% das entrevistadas já pensaram em deixar o emprego atual para cuidar dos filhos. Para 87% destas, a situação financeira é importante para a permanência. “As mulheres querem encontrar o equilíbrio entre carreira e família. Para 98% delas, suas empresas são acolhedoras na volta da licença-maternidade, mas não o suficiente para que elas não pensem em deixá-las”, diz Carmem Madrilis, sócia ­ fundadora da Mãe Corporate.

Para as mulheres que ficam, flexibilidade de horário, possibilidade de crescimento, estabilidade e reconhecimento são os principais fatores que determinam não apenas a permanência, mas também para que se sintam mais comprometidas no longo prazo. Para profissionais como Karla, isso fez toda a diferença. Quando voltou ao trabalho, após sete meses, seu filho já se alimentava bem nas refeições e estava adaptado à creche. Mesmo após a volta, ela afirma que se sente à vontade para ficar com o filho sempre que ele adoece. “Saber dessas políticas foi fundamental para a minha tranquilidade de conciliar carreira e maternidade”, afirma Karla. Com uma política de diversidade desde 2016, a Mastercard começou a adotar medidas como home office e licença – paternidade de 56 dias. “A medida global auxilia a equidade de gênero, uma vez que os homens passam mais tempo em casa com seus bebês. E, na empresa, eles compreendem melhor o período de ausência das mulheres”, diz Fabiana Cymrot, vice-presidente de recursos humanos da Mastercard.

Poucas empresas avançam além dos requisitos básicos da legislação para permitir uma conciliação mais harmoniosa entre trabalho e maternidade. Isso é verdade mesmo entre as empresas engajadas na promoção da diversidade. Das 57 associadas ao Movimento Mulher 360, dois terços adotam o conjunto completo de práticas de retenção pós-licença. A primeira delas é a licença-maternidade estendida, de seis meses, dois a mais do que exige a legislação trabalhista brasileira. Além disso, existem a licença- paternidade de 20 dias ou mais e o trabalho remoto. A mais sofisticada é a repetição da avaliação de desempenho realizada antes da licença. A prática vem da constatação de que com frequência as mulheres tinham avaliações piores na volta da licença-maternidade por causa do período de ausência. “A política permite à mãe optar por não ser avaliada e repetir sua avaliação anterior. Se houver algum bônus, este será pago proporcionalmente ao tempo trabalhado por ela”, afirma Margareth Goldenberg, diretora do Movimento Mulher 360.

O avanço dessas medidas – sobretudo a de licença estendida – costuma encontrar uma barreira. “Existe a ideia de que a mulher vai trazer custos para a empresa ao ficar muito mais tempo fora do trabalho do que o homem”, diz Regina Madalozzo, professora e pesquisadora da escola de negócios Insper. Uma pesquisa publicada em setembro por Regina e por Adriana Carvalho, gerente de projetos da ONU Mulheres, braço das Nações Unidas focado na promoção da equidade de gênero, revelou que as mulheres ficam, em média, apenas dois dias e meio a mais por ano afastadas das companhias do que ficam os homens. Também há o fato de que a ausência das mulheres por poucos meses dilui-se em carreiras que duram décadas. A pesquisa considera todos os empregados brasileiros, segundo o Relatório Anual das Informações Sociais de 2017. “Quando se considera a média, o custo da licença-maternidade é muito baixo para as empresas ao ponderar os benefícios de retenção de talentos”, afirma Regina. Qualquer semana a mais pode fazer a diferença quando o assunto é retenção. Quando o Google aumentou a licença de 12 semanas para 18, o percentual de mulheres que deixava a empresa após a licença-maternidade caiu pela metade. A consultoria Accenture dobrou a licença de oito semanas para 16, e a taxa de evasão de mulheres pós-licença caiu 40%.

Uma pesquisa da Universidade de Wilfrid Laurier, no Canadá, publicada recentemente pela Harvard Business Review, mostra que existe algo menos visível, mas muito impactante na carreira das mulheres: as profissionais tendem a ser vistas como menos comprometidas na volta da licença. Quanto mais longo o período, pior. A análise constatou que currículos de mulheres que afirmavam ter aderido à licença-maternidade por um ano inteiro, permitido em países como o Canadá, eram menos requisitados do que os de mulheres que afirmavam ter ficado fora por um período menor. A relações-públicas Carolina Moretti, de 39 anos, conta que sentiu diferença na relação com o chefe e com os colegas ao voltar da licença após o nascimento da filha em 2014. “Eu me sentia mal e excluída dos projetos mais importantes”, afirma. Sem perspectiva, um ano e meio depois ela pediu demissão. Neste ano ela voltou ao trabalho na empresa de eletroeletrônicos Bosch, como especialista em comunicação e marketing, onde ela se diz satisfeita com o espaço para desenvolver novos projetos e com a flexibilidade para tirar uma manhã, ocasionalmente, para assistir a uma apresentação da filha, hoje com 5 anos.

Retomar a carreira após uma pausa nem sempre é fácil. A psicóloga Vanessa Zani, de 38 anos, sentiu essa dificuldade. Depois de 20 anos de trabalho na área de recursos humanos, e respondendo diretamente para o presidente da grande empresa na qual trabalhava, ela engravidou. Após a licença-maternidade de quatro meses, Vanessa manteve-se mais um ano e meio na empresa. Nesse tempo, passou os últimos oito meses pensando em sair. “Não foi uma decisão fácil. Mas sabia da importância de estar com meu filho na primeira infância”, diz ela. De janeiro de 2017 a setembro de 2019, Vanessa se dedicou ao filho e, em paralelo, a projetos pontuais. Há dois meses, ela voltou ao mercado na posição de gerente de recrutamento na Pepsico. A porta de entrada foi o Ready to Return, programa global lançado nos Estados Unidos em 2017, e no Brasil em 2018, para profissionais que estão fora do mercado há pelo menos dois anos. Na iniciativa deste ano, cinco profissionais foram escolhidas. Globalmente, há a meta de que as mulheres sejam metade do quadro da companhia até 2025. Nos cargos de liderança, atualmente, elas são 43%.

O mercado costuma ser mais implacável com as mulheres de baixa escolaridade. Uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas, de 2016, revela que, 12 meses após o início da licença-maternidade, 48% das mulheres estão fora dos postos de trabalho – por decisão delas ou do empregador. O índice cai para 35% entre mulheres com ensino superior e sobe para 50% entre as que têm menos anos de estudo. Entre os empreendedores que iniciaram um negócio no ano passado no Brasil, 44% eram mulheres que o fizeram por necessidade. Os homens na mesma situação representavam 32% da amostra, segundo o Sebrae. “Algumas se veem sem opção”, diz Regina, do Insper. A boa notícia é que, mesmo lenta, há uma tendência de que mais empresas vejam vantagens e tomem iniciativas para tornar-se a escolha mais desejável para as mulheres.

MAIS MOTIVOS PARA FICAR

Um levantamento mostra que a relação da mulher com o trabalho pode ser conflituosa após a licença

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ANSEIOS MAIS PROFUNDOS

No conto de fadas Rapunzel, o desejo de ser amada com exclusividade faz a mulher mãe manter a filha aprisionada ao seu mundo

Nossos antepassados criavam histórias enquanto observavam a natureza e, com sua pouca consciência, projetavam nelas conteúdos que pertenciam a toda a humanidade. Assim, os antigos gregos personificavam acontecimentos geofísicos, como os raios, trovões e terremotos, na figura de Zeus, concebido como um deus poderoso que governava o Olimpo, lugar onde habitavam as divindades greco-latinas.

Ao analisarmos essas histórias, mitos ou contos de fadas, passamos a conhecer as conexões ocultas que nos levam a conduzir a vida por caminhos indesejáveis quando não estamos conscientes delas.

Essa análise é feita de forma semelhante ao modo como trabalhamos com os sonhos dos clientes em psicoterapia. Exploramos as imagens fazendo analogias até encontrarmos sentido para o sonhador e ajudá-lo nas decisões de acordo com o seu espírito. Ao fazermos dessa forma com os mitos e contos de fadas, compreenderemos o homem coletivo que vive em nossa alma e isso nos ajudará a nos reconectar com a natureza, um ato de religare, palavra latina que significa religação e deu origem à palavra “religião”.

Rapunzel é um conto de fadas que começa com uma mulher grávida tendo desejos de comer raponços – em alemão, rapunzel – plantados no quintal de uma bruxa. Para atender a esposa, o marido imprudentemente entra na propriedade alheia e rouba esses vegetais. Como o desejo nunca sacia, esse ato é repetido pelo homem até que, na terceira vez, ele é flagrado. No confronto com a bruxa, o futuro pai amedrontado lhe suplica ser perdoado e esta o atende mediante a promessa de ele lhe dar a filha logo ao nascer.

Tão logo nasce a criança, a bruxa aparece e a chama de Rapunzel, levando-a consigo. Ela torna-se uma bela garota de cabelos longos e dourados que lhe escorrem pelas costas. Ao fazer 12 anos, a menina é levada para a floresta e aprisionada no alto de uma torre, em um quarto sem portas e sem acesso por escadas, com apenas uma janela pela qual ela joga as tranças quando solicitada pela bruxa, que então sobe por ela até a filha. Essa foi a forma de tornar o mundo de Rapunzel restrito ao egoísmo dessa mãe que quer a garota para si e de alimentar seus desejos também.

Entenderemos aqui algumas dessas tramas ocultas do nosso psiquismo. Notamos um pai desistindo da filha e deixando a mãe viver só para essa criança. Ao se eximir do papel paterno, deixa a filha ser vítima da possessão materna. Essa condição criará pouca oportunidade de essa filha se abrir para o mundo e libertar-se do universo infantil. Tudo isso acontece devido a um pai que se enche de temores e não consegue confrontar o aspecto “bruxa” de sua esposa.

Uma menina de 12 anos tem o seu corpo em mudanças físicas para tornar­ se mulher e completar o ciclo. Rapunzel, em sua natureza, expressou o erotismo orientado para uma mãe que também fez o papel de pai, com o seu longo “falo”, que a aprisionou.

Cabelos saem da cabeça, assim como as ideias. Rapunzel e suas longas mechas tornam-se uma extensão que liga o corpo da mãe ao seu, tal qual o cordão umbilical que simbolicamente deixa a filha aprisionada até que o amadurecimento exija seu nascimento para a vida e essa ligação simbiótica seja interrompida.

Um dia, o canto melodioso de Rapunzel atraiu um príncipe que cavalgava no bosque. Extasiado pela voz, ele foi procurá-la até descobrir a forma como a bruxa conseguia subir na torre. O príncipe a imitou e teve acesso a Rapunzel subindo pelas tranças como fazia sua mãe bruxa. Ao vê-la, apaixonou-se por ela e não demorou a pedi-la em casamento.

O príncipe, como o pai de Rapunzel, também rouba o que pertence à bruxa, o afeto. O feminino, mesmo aprisionado a uma mãe dominadora e fálica, sentiu sua “alma” espelhada no príncipe. Este reencarnava tudo que nela faltava, como a natureza masculina ausente em sua infância. Chamamos “alma” ao aspecto interior de nossa relação com o mundo dos objetos psíquicos. Dessa forma, a voz e os cabelos serviram de ponte para esse encontro.

No entanto, tão logo encontrou a bruxa, Rapunzel traiu a si mesma revelando que o filho do rei era mais leve do que ela. A mãe, que a queria só para si, também a fez sentir o peso dessa relação ao compará-la com a leveza do príncipe. A bruxa revela: “Pensei que tivesse isolado você do mundo e, mesmo assim, você me enganou”. Enrolou os cabelos da garota e cortou as belas tranças, abandonando-a no deserto. Esperou o príncipe e o surpreendeu, derrubando-o da torre e deixando-o cego a perambular pelo mundo. Vagando certa vez, na aridez do deserto, ele escuta a voz que cantava uma linda canção e encontra Rapunzel. Nesse encontro, abraçam-se e suas lágrimas desfazem a cegueira do príncipe para que agora pudessem se enxergar um ao outro.

Rapunzel viveu a aridez do deserto de sua vida do mesmo modo como muitas mulheres que julgam ter perdido sua beleza e feminilidade por doença, idade ou acidente, até que encontram outros valores em seu íntimo e nascem para a vida, pois finalmente a mãe negativa de sua psique a libertou, cortando “o cordão umbilical” que a prendia na impossibilidade de amar. É nesse deserto que pessoas que se amam estão jogadas, perdidas, sem “enxergarem” um ao outro, envolvidas em suas crenças e idealizações de beleza até que possam encontrar-se e enfim experimentar um amor amadurecido e mais forte.

OUTROS OLHARES

DE COSTAS PARA O PRESENTE

Efeito colateral do avanço do conservadorismo, a ala tradicionalista da Igreja Católica atrai cada vez mais jovens no Brasil

O silêncio sepulcral é quebrado pelo canto gregoriano, entoado solenemente pelos mais de 200 fiéis que acompanham a celebração. Mulheres de saia abaixo dos joelhos cobrem a cabeça com um véu de renda, branco para as solteiras, preto para as casadas. Todos os rapazes usam calça comprida e camisa abotoada. À esquerda, um dos dez vitrais coloridos resume o ambiente: nele se veem uma imagem de São Paulo e a frase “Guardai-vos das novidades”. Assim é a missa de domingo na Capela São Pio X, em plena Vila Mariana, um bairro da Zona Sul de São Paulo. Depois de ficar décadas praticamente relegada à memória dos mais velhos, a missa tridentina (referência ao Concílio de Trento, em meados dos anos 1500, quando o ritual foi consagrado), aquela que é toda celebrada em latim, com o padre de costas para a congregação, está passando por uma ressurreição, atendendo à recente multiplicação do rebanho conservador.

Esse movimento, como outros que reforçam as diversas vertentes do conservadorismo no mundo, tem raízes no burburinho incessante de informações que cria e derruba certezas absolutas a cada segundo e exacerba os ânimos e as inquietações das pessoas. “Quando o futuro parece muito incerto, a volta ao passado tem o apelo de um porto seguro”, diz o cientista das religiões Vinícius Mérida, da PUC-­MG. Em 1990, havia no Brasil inteiro apenas treze paróquias que rezavam missas tridentinas. Hoje, são 133 listadas em um site especializado, fora as muitas que oferecem os dois ritos, o antigo e o atual, dependendo do horário. Recentemente, igrejas no Espírito Santo e em Alagoas começaram a oferecer a celebração em latim como opção, em um repertório misto que se repete em templos instalados em roteiros turísticos como a Igreja São José e o Outeiro da Glória, no Rio de Janeiro, e o Mosteiro de São Bento, em São Paulo — famoso justamente pelo coral gregoriano.

O credo que move os autoproclamados guardiões da doutrina — entre eles, surpreendentemente, uma vasta legião de jovens — é a urgência de evitar o que entendem como o iminente colapso da Igreja Católica. “Desde o Concílio Vaticano II a instituição está envolta na fumaça de Satanás”, acredita o maranhense Thadeu Nunes, de 20 anos, frequentador da missa tridentina de domingo na capela paulistana. O Vaticano II, iniciado pelo papa João XXIII e encerrado em 1969, por Paulo VI, aprovou diretrizes destinadas a modernizar a Igreja, como a chamada “missa nova”.

Desde o Concílio de Trento até exatos cinquenta anos atrás, a missa seguiu uma fórmula absolutamente rígida, sem nenhuma abertura para padres cantores e instrumentos musicais como guitarra e bateria no serviço religioso. O Concílio Vaticano II foi um divisor de águas no catolicismo e criou um racha entre religiosos favoráveis às mudanças (ou conformados com elas) e aqueles que as rechaçaram completamente. Além de mudar os ritos, o concílio flexibilizou o conceito de extra ecclesiam nulla salus — “fora da Igreja (católica, claro) não há salvação” —, aproximando o catolicismo de outras religiões e ganhando dos tradicionalistas acusações de “herético”, “judaizante”, “maçônico” e “comunista”. Os líderes do rebanho que viu na reforma uma afronta sem perdão à fé católica foram o arcebispo francês Marcel Lefebvre e o brasileiro Antônio de Castro Mayer, responsável pela diocese de Campos dos Goytacazes, no Rio. Os dois continuaram a rezar missas tridentinas, indiferentes à exigência de autorização especial de Roma para fazê-lo.

Mesmo excomungados, eles nunca deixaram de ter seguidores, que agora se multiplicam. Em São Paulo, o empresário Paulo Victor Santana, de 22 anos, milita na cartilha tradicionalista. Há duas semanas, compareceu a um encontro de jovens que comungam desse mesmo catecismo na Praça da Sé, no centro de São Paulo, trajando uma camiseta com a frase “Lefebvre tem razão”. Diz ele: “Quando conheci a tradição, tive receio de seguir as ideias de um bispo que chegou a ser excomungado. Hoje, com o paganismo à solta na Igreja e Pachamama no Vaticano, entendo que ele estava certo”. A imagem de Pachamama, deusa amazônica exposta em uma igreja na Itália, foi roubada e atirada no Rio Tibre por grupos ultraconservadores.

Em 2007, o papa Bento XVI, em um afago à linha tradicionalista, revogou a burocracia para a celebração do rito antigo, e ele começou a ser discretamente oferecido em paróquias de regiões mais conservadoras. Aí veio o papa Francisco, falando em dar comunhão a divorciados, respeitar os homossexuais e até — coisa que nunca se viu — permitir padres casados na Amazônia, e as hostes do tradicionalismo se inflaram com a adesão de católicos indignados com os ventos modernistas. “A Igreja não deve se adequar ao tempo. Sua missão é salvar almas. Cada vez que ela se abre a uma novidade, pessoas são condenadas ao inferno”, acredita piamente o estudante de jornalismo Darwin Schmidt, de 21 anos, que rejeita o nome de batismo, do pai da teoria da evolução, e prefere ser chamado de Domenico, em homenagem a São Domingos Sávio.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 23 DE FEVEREIRO

UM HOMEM RESTAURADO POR JESUS

Depois de terem comido, perguntou Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes outros? (João 21.15a).

Pedro desfrutou de especial comunhão com Jesus. Em três momentos especiais (transfiguração, ressurreição da filha de Jairo e a vigília no Getsêmani), Pedro fez parte, ao lado de Tiago e João, do grupo mais íntimo de Jesus. Porém, essa estreita relação não impediu Pedro de cair vergonhosamente e negar covardemente a Jesus por três vezes. Pedro chegou a praguejar, afirmando com todas as letras que não conhecia Jesus de Nazaré. O Senhor, então, olhou para Pedro que, arrependido, desatou a chorar. Enquanto Jesus era levado na calada da noite ao Sinédrio para ser julgado, Pedro com o rosto empapuçado de lágrimas saiu correndo pelo meio dos olivais, com a alma coberta de dor. Na manhã seguinte, Jesus foi colocado diante do pretório, julgado e condenado à morte. O Filho de Deus foi levado ao Gólgota e crucificado, mas Pedro nem sequer apareceu por lá. Sentia-se arrasado. Pensou em desistir de tudo. No terceiro dia, Jesus ressuscitou e mandou um recado a Pedro: queria encontrá-lo na Galileia. Pedro retornou à sua terra com o coração apreensivo. Jesus foi ao seu encontro e, longe de humilhá-lo, perguntou-lhe: Simão, filho de João, tu me amas? Pedro responde: Sim, Senhor, tu sabes que te amo (v. 16). Pedro é perdoado, restaurado e reconduzido ao ministério. Raiava um tempo novo em sua vida. Hoje, também, Jesus pode restaurar você. Volte-se para Cristo, arrependido, e encontre nele uma fonte de cura, alegria e liberdade.

GESTÃO E CARREIRA

COLABORATIVOS E EXIGENTES

As características da nova geração de profissionais que está mudando a cultura das empresas brasileiras

Quando falamos sobre gerações no mercado de trabalho, é importante notar que as marcas geracionais brasileiras são diferentes das europeias, americanas e canadenses. A nova geração no país começa a nascer em 1986 e traz consigo características dos Y e Z: foram socializados com a internet e vivenciaram, ainda na adolescência, as redes sociais.

Esses jovens iniciaram a trajetória profissional entre 2009 e 2010 e, naquela época, encontraram empresas totalmente despreparadas para recebê-los. A reação inicial das companhias foi de hostilidade. Apenas depois de algum tempo as empregadoras entenderam que necessitavam desesperadamente desse pessoal, pois o Brasil vivia um momento de grande oferta de vagas e falta de mão de obra.

Nesse mesmo período iniciamos nossa pesquisa As Melhores Empresas para Começar a Carreira, com o objetivo de compreender a relação desses jovens com o mercado de trabalho e de mapear as políticas e práticas das organizações para atraí-los e retê-los. Já são nove anos de análise e três pontos chamam a minha atenção:

*** Nossos respondentes têm de 18 a 26 anos de idade, e ainda não percebemos uma grande mudança geracional. Isso quer dizer que esses profissionais têm visão de mundo e valores semelhantes aos daqueles que ouvimos de 2009 a 2011. Temos indícios de que os que nasceram a partir de 2005 constituirão, estes, sim, uma nova geração. Mas eles só entrarão no mercado de trabalho no início de 2020;

*** Os mais novos dão importância à cooperação ainda mais os que já se conectaram com a inteligência artificial. Esse comportamento é natural para eles, ao passo que minha geração (dos Baby-Boomers) e a Geração X têm dificuldade para isso. Nós fomos educados para competir;

*** Em pesquisas qualitativas, percebemos uma relação de amor e ódio dos X com a nova geração. Amor por perceber que os mais jovens possuem coragem para tomar atitudes que eles nunca tomaram – e ódio exatamente pela mesma razão. Esse sentimento ambíguo estimula os mais velhos a refletir sobre o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, algo fundamental para os mais novos. Quando são perguntados sobre o que é trabalho, a maior parte desses funcionários diz que é fonte de satisfação e prazer.

Essa nova geração entrou no mercado em um momento de escassez de talentos, e as organizações foram pressionadas a se ajustar às suas exigências. Esse fato gerou, em algumas empresas analisadas por nós, mudanças culturais, revisão dos parâmetros de contratação e valorização das lideranças. Creio que no início dos anos 20 deste milênio poderemos avaliar o impacto dessa geração obstinada na transformação das organizações.

Desde já, no entanto, eu percebo esses jovens como artífices de um Brasil melhor para todos os cidadãos. Afinal, são pessoas mais predispostas à colaboração, menos tolerantes às inconsistências e à falta de coerência na gestão organizacional e mais exigentes quanto ao espaço para se posicionar nas questões que lhes dizem respeito.

JOEL DUTRA – É professor do departamento de administração da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo e especializado em gestão de pessoas

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

DIFERENTES DESDE O NASCIMENTO

Desde a mais tenra idade meninos e meninas comportam-se de forma diversa. Será tudo questão de educação? De jeito nenhum, atestam as mais recentes pesquisas

O pequeno Félix, de 4 anos, quer a pazinha com que Ana, da mesma idade, está brincando. Ele puxa, sacode, dá socos, empurra até que a menina cede e começa a chorar. A professora balança a cabeça – “Esses meninos”. Cenas como essa ocorrem às centenas todos os dias nos jardins de infância, e na maior parte das vezes são os homenzinhos que usam a força. Qual a razão disso? Por que pirralhos de quatro palmos de altura já apresentam esses comportamentos característicos de um papel “masculino”?

Nos últimos 30 ou 40 anos sociólogos, pedagogos e psicólogos colocaram quase sempre a culpa na socialização, isto é, na influência dos modelos que a criança encontra em seu ambiente. Segundo opinião amplamente aceita, pais e adultos em geral inculcam nos pequenos estereótipos usuais de conduta e com isso desde o princípio dirigem seu comportamento segundo os caminhos trilhados no passado.

Assim, o dominante comportamento agressivo dos meninos seria simplesmente produto da educação – uma antecipação das futuras exigências da vida militar ou da sobrevivência no selvagem mundo dos negócios, onde são justamente os homens que dão o tom.

Outros pesquisadores, porém, passaram a questionar essa ideia. O ambiente não é tudo, e talvez nem mesmo o fator principal. “Os homens são por natureza diferentes das mulheres”, afirma a psicóloga Doris Bischof-Kõhler, livre-docente da Universidade Ludwig-Maximilian, em Munique. “Várias diferenças comportamentais tipicamente ligadas ao sexo já se manifestam desde o nascimento.”

Essa conclusão, de fato, já era conhecida desde 1967, quando uma pesquisa conduzida por V. H. Moss demonstrou que os meninos, desde o primeiro ano de vida, são mais impulsivos, mais difíceis de apaziguar e tomados pelas emoções de modo mais rápido. Aos 6 meses de idade já fica evidente que impor a própria vontade é mais relevante para eles do que para as meninas, e são eles que mais frequentemente tomam os brinquedos de outras crianças. Com 1 ano, Ana e suas amiguinhas gostam de brincar com ursinhos e bonecas, enquanto Félix e seus amiguinhos preferem carrinhos e outras máquinas – qualquer coisa que faça algum tipo de movimento. Eles também se interessam mais por coisas proibidas, têm maior tendência a desobedecer a regras e a fazer coisas arriscadas e, a partir dos 3anos, gostam de lutar.

Sempre há exceções, mas as tendências são claramente distintas. As diferenças de comportamento entre os sexos são particularmente notáveis quando se trata de lidar com situações de conflito. Enquanto os meninos desde a idade pré-escolar rápido constroem hierarquias estáveis no grupo ao qual pertencem, tentando evitar os confrontos, o mesmo não ocorre com as meninas. Eles procuram se impor primeiro pela força física, com ameaças e postura autoconfiante. Com isso se tornam, por volta dos 3 ou 4 anos, verdadeiros experts em promover a própria imagem. Elas, ao contrário, raramente recorrem à força corporal, o que não significa, claro, renúncia total à agressividade. Seus métodos, porém, desde a idade pré­escolar são mais sutis: elas empregam, por exemplo, a ameaça de romper a amizade com outras meninas.

Essas diferenças surgidas desde cedo estão também no centro das discussões sobre como alcançar a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres. Sociedades como a nossa continuam um baluarte da dominação masculina. É preciso procurar com lupa cargos executivos ocupados por mulheres em grandes empresas. E, mais uma vez, o meio social é considerado a causa única das divergências de comportamento entre os gêneros. Assim, se moças e rapazes se comportam de modo diverso, é apenas porque foram tratados diferentemente desde o nascimento. Em consequência, as discussões sobre igualdade de oportunidades concentram-se sobretudo na questão de como impedir essa injusta influência do meio social. Nos últimos anos, contudo, pesquisadores têm questionado se o ambiente social é a única causa das especificidades de comportamento de cada sexo.

É fato que os pais tratam de forma diferente os filhos e as filhas – isso é bem conhecido e está documentado em muitos estudos científicos. Mas não se fala muito na razão essencial dessa distinção, a saber, que os pais reagem de modo diferente às solicitações feitas por seus rebentos do sexo masculino ou feminino, e isso logo após o nascimento. Os meninos, desde que abrem os olhos, demandam mais atenção, são mais exigentes e, para resumir, mais “difíceis”. As meninas, ao contrário, são em geral mais estáveis emocionalmente, mais tranquilas e procuram mais vezes o contato visual.

Em pouco tempo as crianças também desenvolvem preferências muito nítidas em relação a seus companheiros de folguedos. Com 2 anos as crianças – principalmente os meninos – preferem brincar com o progenitor do mesmo sexo. Os garotos acham mais atraentes as brincadeiras – muitas vezes pouco convencionais e surpreendentes – propostas pelo pai. A partir dessa idade, as crianças são atraídas cada vez mais pelos seus iguais (ou seja, meninos e meninas se separam), e a maioria só se relaciona com alguém do sexo oposto quando é expressamente recomendada a fazê-lo, caso não tenha escolha. Torna-se cada vez mais visível que as brincadeiras de crianças do mesmo sexo as interessam mais, e isso ocorre numa fase do desenvolvimento em que não são sequer capazes de dizer com segurança qual é seu sexo e qual é o outro.

Parece haver, portanto, um germe implantado nas crianças que as leva a buscar diferentes estímulos em seu ambiente de acordo com seu sexo. Mas isso contradiz a opinião mais popular, ainda hoje defendida por muitos pesquisadores, de que suas condutas sejam apenas fruto da aprendizagem e ­ resultado de uma longa socialização. As primeiras dúvidas sobre essa suposição surgiram exatamente de uma experiência feita em jardins-de-infância alternativos em 1968. Naquela época, alguns jovens casais decidiram romper definitivamente com os papéis sexuais tradicionais e as consequentes relações de dominação, proporcionando a seus filhos uma educação não repressiva e neutra quanto à divisão sexual. Acreditava-se então que, nessas circunstâncias, a ação de meninos e meninas logo se igualaria, ou nem mesmo chegaria a se diferenciar. Para isso os pais organizaram seus próprios jardins-de-infância, nos quais os conflitos deveriam ser resolvidos, na medida do possível, sem nenhuma agressão, priorizando a cooperação e a solidariedade. Procurava-se questionar especialmente o exercício dos papéis tradicionais de gênero e, portanto, não se permitia que bonecas fossem exclusivamente para meninas.

Os psicólogos Horst Nickel e Ulrich Schmdit-Denter, então ligados à Universidade de Düsseldorf, Alemanha, simpatizaram com a proposta de educação antiautoritária e quiseram documentar cientificamente em que medida os fins propostos teriam sido alcançados. Com esse objetivo, compararam o desenvolvimento de 400 crianças, de idades entre 3 e 5 anos, das quais uma parte frequentou jardins de infância tradicionais, e outra parte, as escolas alternativas. À primeira vista os resultados confirmaram as expectativas dos pesquisadores, os jogos e as brincadeiras nos jardins de infância alternativos mostraram-se, como se esperava, menos conflituosos. Mas a razão disso, como se verificou, era que as meninas envolvidas em conflito quase sempre davam o braço a torcer e não se defendiam.

Descobriu-se, por fim, que a diferença de comportamento entre os sexos nos jardins de infância alternativos era até mais acentuada – e correspondia melhor aos estereótipos usuais – que nas escolas tradicionais. Os meninos se revelaram mais agressivos, resolvendo frequentemente seus desentendimentos à força. As meninas, ao contrário, mostraram-se em geral retraídas e comportaram-se de forma mais angustiada e dependente que as de instituições convencionais. Só aos 5 anos de idade pareciam ter aprendido a valorizar-se.

Pesquisas subsequentes também falharam na tentativa de mostrar convincentemente que a socialização seja a causa dos comportamentos típicos de cada sexo. Segundo Doris Bischof Kõhler, “durante os primeiros anos de vida da criança, os pais não reforçam os comportamentos ligados aos papéis sexuais tanto quanto seria preciso para explicar só com isso as diferenças”. Isso vale especialmente para os casos de auto­ afirmação e agressividade, em que as diferenças de conduta vão muito além do que se poderia atribuir exclusivamente à influência de adultos.

Experiências semelhantes foram realizadas nos kibutzim israelenses durante o século XX. Um dos seus objetivos era dar a ambos os sexos tratamento equitativo, e liberar as mulheres do encargo da criação dos filhos. Assim, todas as atividades estavam igualmente abertas à participação de homens e mulheres, que inclusive se vestiam do mesmo modo, sendo malvisto o uso de roupas femininas e maquiagem. Em vez de crescerem em uma família tradicional, as crianças dos kibutzim viviam em casas com unitárias e eram cuidadas por pessoas contratadas especialmente para essa função. Com essa educação completamente unissex pretendia-se – assim como nos jardins de infância alternativos alemães – impedir o surgimento dos papéis sexuais preestabelecidos.

PREFERÊNCIAS COSTUMEIRAS

Entre 1956 e 1958, o antropólogo cultural americano Melford E. Spiro investigou mais detalhadamente os efeitos da educação em um kibutz, e surpreendeu-se ao observar que tanto meninos como meninas continuavam a desenvolver as preferências costumeiras para brinquedos “masculinos” ou “femininos”. O que lhe chamou mais a atenção foi que as meninas adoravam brincar de mamãe-e-bebê. O quadro era exatamente o mesmo que nas escolas alternativas alemãs: apesar de toda a doutrina pedagógica oficial, as crianças se comportavam segundo os estereótipos usuais de seu sexo.

Mas Spiro deu um passo a mais: 20 anos depois ele retomou suas anotações e foi visitar as crianças do kibutz, agora adultas. O que mais o interessava era saber o que havia acontecido com as meninas. Teriam elas se tornado mulheres completamente emancipadas, perseguindo os mesmos objetivos que os homens de sua geração e com a mesma tenacidade? Interessavam-se pelas mesmas carreiras e atividades profissionais que eles? Longe disso, o que o pesquisador descobriu foi uma espécie de contra revolução das mulheres criadas no kibutz, a maioria delas adotou conscientemente os papéis e as divisões de tarefas tradicionais. Em vez de insistirem na eliminação das restantes desigualdades e preconceitos, elas exigiam energicamente o direito de cuidar de seus filhos na própria casa, resistindo ao tão propagado ideal de igualdade absoluta.

Como quase todos os seus colegas, Spiro até então acreditava que os papéis sexuais fossem estabelecidos exclusivamente pelas práticas culturais, mas foi forçado a concluir que deveriam existir “fatores determinantes pré-culturais”, ou seja, fatores biológicos que determinavam intrinsecamente o comportamento feminino.

Se as distintas tendências comportamentais dos sexos não são de fato completamente definidas pela educação, mas vêm de berço, elas deveriam, segundo Doris Bischof-Kõhler, ter sentido e utilidade do ponto de vista biológico. Pois, na evolução, só têm chance de estabilizar aquelas disposições comportamentais que dão a seus portadores alguma vantagem no aspecto reprodutivo. Para a psicóloga de Munique, as diferenças sexuais de comportamento são biologicamente muito apropriadas, pois as estratégias reprodutivas de homens e mulheres são distintas.

A mãe, durante os nove meses de gravidez, investe muito mais energia, tempo e riscos em cada descendente do que o pai. Os biólogos falam, nesse caso, de um “investimento parental” essencialmente mais alto por parte das mulheres. A consequência imediata e mais importante é que as mulheres não podem ter tantos descendentes quanto os homens, ao passo que estes, ao contrário, após uma fecundação bem-sucedida, têm pelo menos em principio a possibilidade de olhar em volta e procurar de imediato outra parceira para transmitir seus genes.

Bischof-Kõhler resume assim essa diferença: “Enquanto um homem pode optar por uma estratégia reprodutiva do tipo ‘quanto mais, melhor’, para as mulheres o mais apropriado é a estratégia qualitativa. Para elas é necessário, além disso, investir tempo e dedicação também após o nascimento dos filhos, para dar-lhes o melhor ponto de partida na luta pela sobrevivência. Essa distinção nas estratégias reprodutivas reflete-se também em suas disposições comportamentais gerais, para as mulheres, uma inclinação para a solicitude e o cuidado é de primordial importância, em vista do elevado investimento parental em sua prole; para os homens, ao contrário, a atitude competitiva é particularmente adequada.

Em todas as culturas conhecidas são sobretudo as mulheres que assumem o cuidado das crianças. O que não surpreende: afinal, ao longo dos milhões de anos da história de nossa espécie, a sobrevivência dos recém-nascidos sempre dependeu exclusivamente da atenção e cuidado maternos. É difícil imaginar, portanto, que o ato de cuidar – manifesto quando Ana brinca de mamãe-e bebê, mas não nas corridas de carrinhos de Félix – tivesse de repente se tornado puro produto da educação. Numerosos estudos confirmam que a atividade de cuidado infantil traz para a maioria das mulheres uma profunda satisfação. Isso não é afetado pelo exercício de uma profissão, pois a maioria das mulheres que tem emprego planeja sua vida prevendo um período para criar os filhos.

Há naturalmente outras importantes atividades para o sustento da família que as mulheres costumavam desempenhar em todas as culturas, como a coleta de frutas e de outros suplementos alimentares e a confecção de roupas e utensílios. Hoje a técnica e a industrialização ocuparam esses clássicos domínios de atuação feminina, e com isso elas agora tentam justificadamente ingressar nas ocupações típicas “masculinas”, inevitavelmente competindo com o outro sexo. Que elas – para desgosto dos partidários da emancipação e igualdade de direitos – em geral levem a pior nessa disputa depende, mais uma vez, de tendências comportamentais inatas e, sobretudo, de particularidades das estratégias masculinas.

Essas estratégias também se desenvolveram no curso da evolução e relacionam-se ao investimento mais baixo do pai em sua prole. Se para os homens é biologicamente vantajoso espalhar ao máximo seus genes entre as mulheres, então é também essencial levar a melhor sobre seus concorrentes, já que as parceiras disponíveis para acasalamento são em número bem limitado, exatamente por causa do elevado investimento parental que delas se exige. É em meio a essa constante rivalidade que se desenvolvem, em última análise, as formas características de comportamento masculino que tanto trabalho dão hoje a sociólogos e promotores da igualdade.

Assim, o típico comportamento masculino de impor-se aos demais, manifestado claramente desde a idade pré-escolar, representa apenas o produto de uma história evolutiva em que os homens disputam incessantemente as parceiras sexuais disponíveis. Nessa competição o importante não é aniquilar um eventual rival, ele precisa apenas ser convencido a desistir do favor das fêmeas e submeter-se. Para não chegar a lutar realmente, correndo o risco de ferimentos, os homens se tornaram especialistas no cultivo da própria imagem, o que já é visível mesmo em meninos bem pequenos. Trata-se de impressionar o oponente, desencorajando-o, para que desista de suas pretensões. É a tática utilizada também por vários animais. Nos “duelos rituais” os machos procuram, durante o confronto, intimidar o rival por meio de posturas imponentes e ameaçadoras, evitando ao máximo ter de chegar a um embate para valer. Por isso muitos machos são dotados de apêndices puramente ornamentais para realçar sua aparência, como grandes jubas ou chifres.

Para quem deseja se impor por meio desses recursos, é importante acreditar ser mesmo o melhor candidato, pois a autoestima confere à postura uma forma adicional de convencimento. Com efeito, meninos e homens têm força e habilidades em mais alta conta que as mulheres – beirando muitas vezes a cega supervalorização. Numa pesquisa realizada nos Estados Unidos, durante vários anos, foi pedido a estudantes que fizessem uma previsão das notas que obteriam nos exames de final de semestre. Os meninos, ao contrário das meninas, regularmente previram notas mais altas do que as obtidas, e nenhum dos grupos aprendeu com a experiência a ser mais realista nos semestres subsequentes.

PRAZER NA COMPETIÇÃO

Para os hominídeos primitivos, porém, confiar em si mesmos não era suficiente: eles também precisavam estar muito motivados para disputar incessantemente as fêmeas. A longo prazo, só os que obtêm prazer na competição conseguem ser bem-sucedidos. E hoje isso se reflete não só na predileção dos meninos por brincadeiras de luta: vários estudos confirmam que os homens em geral sentem mais prazer em situações de competitividade valorizam mais as diferenças de status entre os membros do grupo, ao passo que as mulheres tendem a preferir a igualdade e procuram ficar longe da rivalidade.

A competição estimula a iniciativa, mas sua desvantagem é que nem toda disputa por fêmea será bem-sucedida. Aqueles com tendência a se desencorajar facilmente diante do fracasso tiveram pouca chance de chegar ao acasalamento e transmitir essa característica aos descendentes; ou seja, desistiram muito cedo. Mas os outros munidos de uma casca grossa, que continuavam tentando incansavelmente aproximar-se de uma fêmea, tiveram maior possibilidade de passar adiante seu material genético. O resultado foi o aparecimento de uma das mais marcantes características do comportamento competitivo masculino: a capacidade – verdadeiramente assombrosa do ponto de vista feminino – de resistir com obstinação ao insucesso.

Essa peculiaridade é facilmente observável em meninos que brincam tentando apoderar-se de uma bola. Eles se lançam todos ao mesmo tempo, incansável e fortemente motivados, ao objeto do desejo, embora a maioria deles não tenha de fato a menor chance de pôr as mãos nele. As meninas agem de maneira muito mais realista e só se empenham quando a ocasião lhes parece oferecer alguma chance de êxito. Quando, porém, as meninas jogam contra os meninos, essa diferença de comportamento – isto é, o seu próprio realismo – faz com que elas fiquem em desvantagem, e isso apesar de serem tão capazes de apanhar a bola quanto os meninos. Situação semelhante ocorre em relação a habilidades intelectuais, como documentou um estudo da psicóloga Carol Weisfeld, de Chicago, no início dos anos 80, sobre competições em que as crianças devem soletrar palavras. Se um grupo de meninas julgava que seus concorrentes eram mais fortes, os que se apresentavam para dar a resposta eram quase sempre os meninos. Com isso, mais uma vez, as meninas tiveram menos acertos, embora soubessem soletrar melhor.

A constante rivalidade dos machos explica também sua forte tendência a estabelecer hierarquias, pois, sem uma estrutura hierárquica desse tipo, a coesão do grupo ficaria ameaçada. Mas para isso é preciso que o indivíduo esteja naturalmente disposto a submeter-se a alguém mais forte. A hierarquia de dominação aparece entre os meninos já na idade pré-escolar, as relações de poder podem ser estabelecidas pela força, se necessário, mas prefere-se recorrer às posturas ameaçadoras e impositivas. Se alguém percebe não ter chances, subordina-se. Essas estruturas de grupo tipicamente masculinas permitem alcançar o consenso de forma relativamente rápida, e estabelecer cooperação com um antigo rival.

As mulheres, por sua vez, não se submetem de bom grado umas às outras e, por isso, muitas vezes até preferem um chefe homem, como revelaram várias sondagens. As chefes, segundo as entrevistadas, seriam “parciais” e “injustas”, ao passo que as mulheres em cargo de chefia reclamaram da falta de motivação e das exigências desmedidas de suas colaboradoras. Mulheres em grupos exclusivamente femininos têm, portanto, dificuldade em obedecer a uma hierarquia bem definida. Isso não ocorre porque uma chefe tenha menos autoridade pelo fato de ser mulher. Surpreendentemente, os homens aceitam com maior facilidade uma superior do sexo feminino. O que remete mais uma vez à inata disposição masculina de adaptar-se a uma ordem hierárquica estabelecida, que continua valendo também quando o superior é uma mulher.

No grupo feminino, ao contrário, predomina uma “hierarquia de prestígio”. Como as posições elevadas decorrem do reconhecimento pessoal, as mulheres do grupo esforçam-se para conquistar a admiração e a estima das demais. Mas isso torna a hierarquia do grupo instável e permanentemente vulnerável a novos conflitos, pois o reconhecimento não pode ser conquistado de forma definitiva, exigindo esforço contínuo para ser mantido. Isso significa também que a hierarquia do grupo não confere nenhum privilégio, por isso a mulher em posição de comando procura primeiramente, nos casos de conflito, convencer suas subordinadas da correção de seu ponto de vista, em geral por meio de longas discussões – o que não deixa de ser um procedimento mais agradável e civilizado do que aqueles característicos das hierarquias de dominação, muitas vezes sintetizados na fórmula “ordens não se discutem”. Essa última estratégia tem, sem dúvida, suas vantagens quando

é necessário chegar a decisões rápidas em situações de crise, por exemplo. Ao contrário, numa hierarquia feminina, as rodadas de discussões podem estender-se indefinidamente, sem que se chegue a um consenso. Nesses casos não resta à chefe outra alternativa senão emitir uma ordem explícita para descontentamento de suas colaboradoras.

Para Bischof-Kõhler,”uma diferença essencial entre os sexos consiste em que ambos, na verdade, empregam a hierarquia de prestígio, mas só os homens dispõem de uma segunda estrutura efetiva de poder, a hierarquia de dominação, à qual podem recorrer quando necessário”. É claro que essas duas formas de ordenação hierárquica têm vantagens e desvantagens, e a pesquisadora não pretende tecer um juízo de valor. A base da democracia está, sem dúvida, na hierarquia de prestígio, poisos políticos são eleitos em virtude de sua reputação. E quando chegam ao poder podem exercer ilimitadamente esse direito, mas só até a próxima eleição. Os problemas aparecem sobretudo quando homens e mulheres entram em competição direta. Nesse momento os dois sistemas – dominação e prestígio – não têm como se conciliar com os diferentes padrões de comportamento, e a herança filial genética dos homens coloca facilmente a mulher em posição desvantajosa. Quando se diz, portanto, que os homens “passam por cima” das mulheres, isso não tem a ver exclusivamente com o estilo de disputa mais duro dos homens ou sua maior competitividade. Para desestimular as mulheres e levá-las à desistência basta muitas vezes a simples confrontação com a autoestima mais elevada, resistência à derrota e descarada autopromoção dos homens.

Para ilustrar do quanto é capaz a mera resistência ao fracasso, Bischoí-Kõhler apresenta um experimento hipotético. Suponha que cinco homens e cinco mulheres – todos com capacidade equivalente – estejam concorrendo a um cargo executivo. Após uma mulher ter sido escolhida, uma das candidatas preteridas sente-se tão desestimulada que abandona definitivamente os planos relativos à sua carreira profissional. Os homens não se deixam abater tão facilmente. Na seleção seguinte um homem é escolhido, e mais uma vez uma mulher desiste para sempre, de tal modo que restam agora apenas duas mulheres na competição, contra quatro homens. Isso já permite concluir que mais homens que mulheres ocuparão os futuros cargos em disputa, e isso sem que os homens tenham jamais adotado um comportamento abertamente agressivo em relação às suas concorrentes.

É claro que esse é um exemplo fictício, e que muitos homens também desistem no decorrer das maratonas da concorrência. Mas não se tem dado a devida atenção ao importante papel que a menor resistência feminina ao fracasso desempenha no fato de que estejam sub-representadas nas posições profissionais de maior prestígio. Haveria, então, obstáculos biológicos intransponíveis no caminho da igualdade de oportunidades? Podemos aposentar todos os funcionários das agências promotoras de igualdade? Ou será afinal possível corrigir nossa herança filogenética por meio da educação?

O comportamento humano não é determinado de maneira inflexível pela natureza – muito podemos aprender. Mas nossa disposição natural tem um peso que os pesquisadores nas últimas décadas não consideraram com o necessário cuidado, como agora se percebe. Certos comportamentos são mais fáceis para os homens que outros, e certos objetivos dão às mulheres satisfação maior que outros. Seria em princípio possível agirmos contra essas inclinações naturais, mas nesse caso será necessário um grande esforço e dispêndio de energia. E, ao final, poderíamos não nos sentir tão contentes quanto o esperado, pois nosso mecanismo de gratificação interna não corresponde tão bem à situação criada.

Uma coisa, no entanto, está clara, o tão propalado tratamento igualitário como remédio para a discriminação contra as mulheres só funcionaria se meninos e meninas não fossem essencialmente diferentes. Na realidade eles são por natureza tão distintos que o tratamento igualitário se torna contraproducente. Como o exemplo das escolas alternativas alemãs demonstrou, a única coisa que se consegue é um acirramento das disposições características dos sexos.

Pelo mesmo motivo as classes mistas – isto é, a educação em conjunto de meninos e meninas – tampouco conduzem a uma equiparação dos interesses e das oportunidades. Ao contrário, vários estudos mostram que os estudantes em classes mistas adotam com maior vigor as preferências comumente ligadas ao seu sexo. Em comparação com as classes formadas por estudantes de mesmo sexo, é mais frequente os meninos escolherem as especialidades ligadas à matemática e às ciências da Natureza, e as meninas inclinam-se mais pelas áreas da linguagem e das artes. Por outro lado, nas escolas e universidades que mantêm classes separadas, as mulheres desenvolvem maior confiança em suas próprias capacidades, incluindo-se o desempenho no setor das ciências naturais, e depois aspiram a posições de direção com maior frequência que aquelas diplomadas em escolas mistas.

As mulheres devem se impor com maior firmeza na competição com os homens, e os homens devem empenhar-se mais no cuidado das crianças – essas exigências estão hoje muito difundidas e se tornaram quase lugar comum. Mas para que os indivíduos tenham sucesso nessas empreitadas eles devem estar bem conscientes de que impedimentos internos a essas atividades podem estar fundados em nosso substrato biológico, embora não de maneira alguma inflexível. Afinal, diz Bischof-Kõhler,’ aquilo que mais nos distingue como seres humanos é sermos capazes de superar nossas tendências e instintos naturais, e até mesmo extrair disso, em certas circunstâncias, grande satisfação”. Mas para tanto é preciso que homens e mulheres desenvolvam conscientemente aqueles aspectos negligenciados pela Mãe Natureza: no caso dos homens, principalmente o cuidado diário das crianças, e, quanto às mulheres, a resistência ao insucesso e a autoconfiança.        

OUTROS OLHARES

A CULTURA EM XEQUE

Como as atuais mudanças nas políticas artísticas do país estão mexendo com a vida dos profissionais que trabalham nesse setor

Nos últimos sete anos, Daniela Mazzilli, de 33 anos, trabalhou com formatação de projetos culturais para editais e leis de incentivo. Nesse período, ela ajudou a aprovar e levantar recursos para mais de 30 produções artísticas. A carreira como produtora cultural ia de vento em popa.

Até o início deste ano, quando dois e-mails mudaram os ventos. O primeiro chegou em janeiro, anunciando que o contrato para desenvolver uma série, iniciado ainda em 2018 havia sido cancelado. O segundo veio três meses depois e informava o cancelamento, por tempo indeterminado, de um importante edital de cinema. “Passamos meses preenchendo formulários e reunindo documentos. Dez dias antes de o processo ser encerrado, o governo anunciou a suspensão”, diz. “A sorte é que trabalhamos com quatro projetos ao mesmo tempo, em diferentes estágios, para haver equilíbrio no cronograma”, diz a gaúcha.

As interrupções abruptas, que pegaram Daniela de surpresa, são consequência da atual crise na Agência Nacional de Cinema (Ancine) – que regulamenta o setor audiovisual no país – e dão o tom do que acontece na área cultural neste momento. Em março, o Tribunal de Contas da União (TCU) questionou a metodologia da prestação de contas da Ancine e ameaçou congelar os recursos do Fundo Setorial do Audiovisual. Em resposta, o atual diretor-presidente, Christian de Castro, suspendeu tudo que estava em andamento, alegando “segurança jurídica”. Ao saber das paralisações de todos os projetos e editais, o TCU convocou o diretor e oito assessores da agência fomentadora para se explicarem. No final de maio, quando esta reportagem foi concluída, o imbróglio seguia, apesar de a Ancine ter anunciado que voltaria a operar normalmente.

Exagero ou não, a confusão tem levado alguns profissionais a comparar o cenário atual ao do governo Collor. Em 1990, no início de seu mandato, o então presidente extinguiu a Embrafilme e o Concine, dois órgãos importantes, causando um apagão no cinema nacional

Daniela e a companheira, Letícia Vieira, sua sócia na produtora Primeira Fila, que fica em Porto Alegre (RS), já estão se preparando para o pior. Como o pró-labore dos próximos meses deve ser menor, elas já reavaliam o orçamento pessoal, revendo custos fixos da casa, por exemplo. “Nossa sensação é que haverá uma onda de cortes. Temos planos até o final deste ano, depois disso não sei se iremos para outras áreas dentro do setor ou se venderemos sanduíche”, diz.

Assim como ela, muitos profissionais que trabalham com arte amargam com a incerteza. Segundo levantamento mais recente da organização sem fins lucrativos que promove o desenvolvimento da indústria do estado do Rio de Janeiro havia 64.863 pessoas empregadas diretamente pela cultura em 2017. Mas o número, de acordo com especialistas, é maior. Isso porque as produções culturais, em geral, são empregos sazonais. “Há uma carência de métricas para esse setor no Brasil. Infelizmente, existem poucos estudos e números que nos ajudem a argumentar a favor”, afirma Ana Paula Souza, doutora em sociologia da cultura pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Áreas como cinema, teatro, dança e artes plásticas começaram a acumular perdas maiores desde janeiro deste ano, quando o presidente Jair Bolsonaro (PSL) extinguiu o Ministério da Cultura e, no lugar, criou o da Cidadania, que concentra Cultura, Esporte e Desenvolvimento Social.

Para Miguel Jost, pesquisador de políticas públicas para a cultura na PUC-Rio, a manobra reduziu a importância da pauta na agenda nacional. Hoje, segundo ele, há uma paralisia nas estruturas responsáveis por fomentar a arte no país. Numa pasta tão ampla, é evidente que a cultura passou a ter menor relevância. Não há informações claras sobre quais são os planos do governo para o segmento. “E isso gera insegurança em toda cadeia produtiva, que envolve desde a costureira que produz os figurinos até os serviços de catering para alimentação de artistas e funcionários

Por duas semanas, procuramos insistentemente tanto o Ministério da Cidadania quanto a Secretaria Especial de Cultura. O intuito era saber quais são os objetivos da pasta para o mercado cultural em 2019. Ao todo, enviamos 20 e-mails e fizemos dezenas de ligações e o secretário especial da Cultura Henrique Medeiros Pires, chegou a agendar uma entrevista, mas depois a cancelou sem justificativa clara. Questionada, a pasta informou que o único autorizado a falar sobre as atividades do setor cultural é o ministro da Cidadania, Osmar Terra. Ele, no entanto, declinou o pedido de entrevista e informou, via assessoria, que falaria numa próxima oportunidade”.

LEI ROUANET NA BERLINDA

O principal movimento de Osmar Terra, até agora, foi reestruturar a Lei de Incentivo à Cultura, conhecida como Lei Rouanet. Criada em 1991, ela permite que empresas direcionem até 4% do imposto devido (6% para pessoas físicas) a projetos culturais. No final de abril, o governo anunciou que reduziria o teto de captação da lei. Se antes artistas e produtores conseguiam levantar até 60 milhões de reais para realizar shows, musicais e exposições, agora o limite é de 1 milhão. O valor que as empresas podem abater também encolheu: de 40 milhões para 10 milhões de reais.

Mexer na mola mestra da indústria cultural brasileira abalou as estruturas do segmento. Sozinha, a Lei Rouanet faz o setor movimentar cerca de 1 bilhão de reais em captação por ano. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou que, a cada 1 real investido por meio do mecanismo, pelo menos 1,59 retorna à sociedade em forma de empregos, contratações de serviços e impostos.

As novas medidas furam justificadas em um vídeo publicado pelo ministro Osmar Terra no Twitter em 22 de abril. “Os brasileiros estão cansados de ouvir falar nos abusos da Lei Rouanet. Vamos enfrentar concentração de recursos públicos, disse ele. E concluiu: “Com menos dinheiro, mas melhor distribuídos, teremos muito mais atividades culturais e artistas apoiados”.

A concentração dos recursos em grandes produtores do eixo Rio-São Paulo é, de fato, um problema apontado há anos por estudiosos do sistema. “A Lei de Incentivo à Cultura é um instrumento liberal de mercado. Logo, reproduz a estrutura financeira do país. Quem patrocina musical tem interesse em dialogar com esse tipo de público e não migrará de atividade”, diz Ana Paula, da Unicamp. Na visão dela, o teto de 1 milhão de reais não vai resolver essa assimetria. Se o governo quer apoiar produtores de outras regiões, tem de criar políticas que incentivem a descentralização dos recursos. Caso contrário, o dinheiro continuará nas mãos de poucos.

É por isso que, a princípio, acredita-se que a redução do valor de patrocínio não terá efeito prático para a maior parte dos artistas independentes. Pesquisadores da FGV analisaram todos os projetos financiados pela Lei Rouanet desde 1993 e concluíram que nem 19 deles teve aporte acima de 80.000 reais. Cerca de 90% das iniciativas captaram de 1.000 reais a 10.0000 reais, sendo que a maioria esmagadora dos proponentes não arrecadou nem 1 real. Em 2017, dos 54.000 projetos aprovados pelo extinto Minc, apenas 2.800 alavancaram recursos.

Quem concentra a atenção das companhias, no fundo, são os grandes espetáculos, como os musicais. É esse tipo de atividade que deve ser afetado pelo teto de 1 milhão de reais.

A questão é que esses eventos têm equipes consideráveis e movimentam toda uma gama de profissionais, de figurinistas a maquiadores, passando por músicos e técnicos de som e luz. “Só na cidade de São Paulo, no ano passado, o setor teatral gerou 80.000 empregos diretos. Os impactos são significativos”, diz Gabriel Paiva, presidente da Associação de Produtores Teatrais Independentes (APTl).

O ator, diretor e produtor Bruce Gomlevsky, de 44 anos, já sente a retração dos investimentos na área. Neste semestre, ele teve duas temporadas de peças canceladas: Memórias do Esquecimento, monólogo que dirigia e interpretava, e Um Tartufo, peça também dirigida por ele e inspirada no clássico de Moliere. Os espetáculos, que tratam, respectivamente, da ditadura militar e de conflitos religiosos, seriam sediados por um teatro público da capital carioca, mas o espaço cancelou-os de modo repentino.

Em 2018, Bruce já havia tirado 100.000 reais do próprio bolso para custear as mesmas apresentações. Com 25 anos de experiência nos palcos, diz que só os apaixonados conseguem enfrentar tantos altos e baixos. “Não tenho imóvel próprio e sustento dois filhos. Já me endividei, já paguei os débitos, já juntei e já perdi dinheiro. A vida do artista no Brasil é uma montanha-russa de emoções”. Ele afirma que só consegue pagar as contas porque se desdobra em diversas frentes. “Sou ator, diretor, produtor, compositor, captador de recursos, professor de teatro e tradutor”. Nos últimos quatro anos, Bruce atuou em quatro novelas e duas séries da TV Globo, emissora onde segue contratado para a série de terror Desalma, protagonizada por Claudia Abreu e cuja estreia está prevista para o segundo semestre.

EFEITO CASCATA

Além das mudanças na Lei Rouanet, há outros fatores inquietando os profissionais da cultura, como possibilidade de corte nos repasses ao grupo composto de Sesc, Sesi Senai entre outros.

Pouco antes de assumir o Ministério da Economia, em dezembro, Paulo Guedes disse que era preciso “meter a faca nos sistemas”. Em maio, Jair Bolsonaro deu o primeiro passo rumo à promessa e assinou um decreto que obriga essas entidades a detalhar gastos com salários e serviços prestados à sociedade. Além disso, grandes empresas públicas anunciram contenção em seus programas de marketing cultural. A Petrobras, por exemplo, cancelou o patrocínio de festivais. Outras estatais também reduziram seus investimentos. No final de maio, a Caixa Econômica Federal informou que não manteria o custeio da versão itinerante do Festival de Cinema de Vitória, o tradicional cinema na Praia. A instituição também encerrou a parceria com o consagrado cinema de rua Caixa Belas Arte na capital paulista. O espaço, que possui seis salas, só continuará com as portas abertas porque conseguiu patrocínio da iniciativa privada – cervejaria Petra, do Grupo Petrópolis, fechou contrato de cinco anos para manter o local.

Alegando a necessidade de “rever políticas internas”, os Correios, que já tinham derrubado pela metade o valor dos investimentos em cultura entre 2017 e 2018, não fizeram nenhum aporte na área em 2019. Para piorar, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pisou no freio. De janeiro a maio, o órgão aportou 25,8 milhões de reais no segmento – valor bem mais baixo que o dos últimos anos. Como comparação, no ano de 2018 o BNDES destinou 858 milhões para atividades artísticas.