A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A DIFICULDADE DE SER SUPERDOTADO

Por trás de uma criança que vai mal na escola, é desinteressada e voltada para si mesma, pode haver uma inteligência privilegiada. Psiquiatras e psicólogos começam a compreender como essa superioridade na infância pode se tornar uma desvantagem

Julien quase não se envolve nas aulas, não faz lições e mostra pouco interesse por outras crianças. Ele assiste a distância a brincadeira dos colegas e jamais participa diretamente. Em casa, é considerado um menino “bom para nada”. Diante disso, a diretora da escola aconselha seus pais a consultar um pedopsiquiatra. No ambiente tranquilo do consultório, o médico conquista sua confiança e propõe-lhe problemas dissociados de qualquer conotação escolar. Nesses testes de inteligência, o menino obtém resultados excepcionais. Julien é superdotado, com quociente intelectual (Ql) próximo de 150, quando as outras crianças têm em torno de 100. Surge assim a questão, quantas crianças que fracassam na escola são superdotadas? É este paradoxo que abordaremos.

A diferença entre crianças precoces e superdotadas é simples: falamos em criança precoce quando seu QI é superior a 130 e em superdotada quando excede 145. Às vezes uma nuance é introduzida: a criança superdotada possui um dom que nem sempre é fácil de ser percebido, acompanhado de um comportamento extrovertido ou introvertido, ao passo que a precoce é identificada mais facilmente: ela fala mais cedo que a maioria, tem vocabulário rico, sintaxe correta, gosta de ler, é curiosa e tem sede de aprender.

As bases biológicas dessas inteligências são mal conhecidas, algumas características fisiológicas parecem presentes. Na Universidade de Lille, na França, Jean Claude Gaubar mostrou que o sono das crianças precoces comporta fases de sono paradoxal (o momento em que ocorrem os sonhos) mais longas. As fases de sono paradoxal são longas nos bebês de 9 a 10 meses, diminuindo nas crianças. Além disso, os movimentos dos olhos (nas fases de sono paradoxal) são quase duas vezes mais frequentes nos superdotados, uma característica de adultos. Essas particularidades refletiriam uma capacidade de organizar, durante essas fases do sono, as informações acumuladas durante a vigília.

No cotidiano, as crianças precoces ou superdotadas se distinguem por uma série de detalhes que, para qualquer um que já esteve com elas, dificilmente passam desapercebidos. Em primeiro lugar, desde o nascimento, os bebês são despertos, atentos e emotivos. Desde cedo eles fitam intensamente seus pais, manifestando uma atenção contínua. Quando crescem, os superdotados desenvolvem uma grande sensibilidade, informando-se de tudo o que ocorre ao seu redor. São atentos, empáticos (permeáveis aos sentimentos do outro, sentindo a alegria e a tristeza com mais intensidade) e lúcidos: desde os 2 ou 3 anos analisam e participam das conversas dos adultos, falando sobre temas da atualidade, por exemplo. Aos 6, uma criança superdotada pode compreender conceitos difíceis: enquanto uma criança “normal” define palavras como tampa, oceano ou perigo, a superdotada conhece o sentido de polêmica, insinuar ou apago. Seu senso de humor também costuma ser bastante vivo, sem contara elevada capacidade de adaptação: quando em outro país, contam rapidamente na moeda local, habituam-se às características da língua e se localizam facilmente nos lugares públicos.

Uma criança precoce ou superdotada costuma ler muito e gosta de aprimorar incessantemente um desenho que começou. Sua concentração é excepcional. Algumas tem um desenvolvimento motor avançado, aprendem a andar muito cedo, sabem coordenar os movimentos e desenham bem. Suas referências espaciais e temporais são aguçadas. A memória, a criatividade e a imaginação são muito desenvolvidas, assim como a flexibilidade do pensamento. Essas crianças se sentem atraídas por adultos ou crianças mais velhas. Tendem ainda a formular várias questões sobre o sentido da vida ou do Universo.

O DOM QUE UM FARDO

Essas descrições sugerem que as crianças superdotadas não experimentam nenhuma dificuldade. Entretanto, muitas vezes elas se encontram em situações em que são consideradas medíocres e pouco sociáveis, com desempenhos apenas passáveis. Quando adultas, podem se refugiar no mutismo ou na marginalidade. Tudo isso está relacionado a mecanismos psicológicos que iremos analisar.

Uma das características predominantes das crianças superdotadas é a lucidez, que se manifesta na facilidade com que compreendem, desde cedo, conceitos dos adultos. Voltadas para a abstração, são fascinadas pela ideia da morte. Diante de qualquer situação, percebem imediatamente os riscos, as possibilidades de fracasso ou de derrota. Essa consciência pode paralisá-las. Em vez de enfrentar um exame escolar, por exemplo, respondendo às questões umas após as outras, uma criança superdotada ou precoce analisa a todo instante os riscos ligados a uma resposta errada. É claro que muitos superdotados dominam essa angústia e obtêm resultados brilhantes. Entretanto, basta um pequeno grão de areia na engrenagem para que a criança se feche perigosamente em si mesma.

Retomemos ao caso de Julien. O medo de se sair mal era sem dúvida a razão de seus resultados ruins na escola. Com medo de ser avaliado por outras crianças, ele se distanciava. Suas verdadeiras capacidades intelectuais só se revelaram quando ficou à vontade com o psiquiatra e soube que os testes a que seria submetido não teriam nenhuma consequência. A obsessão do fracasso é geralmente a causa dos transtornos manifestados às vezes por crianças superdotadas. O problema é agravado em duas situações frequentes: a dislexia e os problemas motores.

Como ocorre em relação às outras crianças, de 8% a l0% das superdotadas são disléxicas, isto é, têm problemas para aprender a ler e escrever. Essas dificuldades, quando não detectadas, são prejudiciais a todas as crianças, mas nas superdotadas as consequências são desproporcionais. Para diagnosticar um caso de dislexia, utilizamos o chamado teste de inversão. A criança é apresentada a pares de signos (letras, formas geométricas, objetos) idênticos, diferentes ou invertidos. Geralmente no maternal, dispõe os objetos, classificando-os segundo as categorias, idêntico, diferente ou invertido. Se confunde as categorias é provavelmente disléxica, pois não tem a noção correta da orientação das letras, dos grupos de palavras ou dos sons.

Aos 5 ou 6 anos, a criança superdotada constata que compreende tudo, mas não tira boas notas. Ela sofre de um conflito entre sua lucidez (ela sabe o que se espera dela) e as notas baixas que recebe, não compreende por que não tem um bom desempenho. Assim, com uma imagem depreciada de si mesma, ela pode se fechar e perder interesse pelo que lhe é ensinado. Nessas crianças, vários sinais de sofrimento psicológico chamam a atenção: resultados escolares medíocres, ansiedade, depressão ou agravamento da dislexia. Além disso, a percepção que têm da justiça torna insuportável para elas as punições que consideram desmerecidas. Em consequência, fecham-se ainda mais na solidão.

O segundo fator que agrava o temor do fracasso é o surgimento de problemas motores ou de orientação espacial, que se manifesta por vezes desde os 3 anos. As crianças superdotadas podem, como quaisquer outras, experimentar atrasos no desenvolvimento da orientação espacial. Como são mais lúcidas, surge um conflito. Se o teste de QI não for analisado com discernimento, os resultados poderão ocultar a causa dos problemas. Assim, uma criança superdotada, mas que apresenta problemas de orientação espacial obterá excelentes resultados nas provas verbais e desastrosos nos testes de orientação em um labirinto. O resultado do teste, que leva em conta as duas notas, será medíocre, e ela será considerada de nível médio e tratada como tal, o que reforçará seu sentimento de injustiça.

Esses exemplos mostram que, numa criança superdotada, a distância entre a sua expectativa e o resultado obtido é capaz de levar a um impasse do qual ela dificilmente sairá. Isso explica o grande número de crianças muito inteligentes que fracassam na escola. Como isso ocorre?

A melhor forma de impedir esses fracassos consiste em diagnosticar a precocidade o mais cedo possível, tratando das dificuldades desde os primeiros sintomas. Um tratamento ortofônico para corrigir uma dislexia manifestada no final do maternal leva de 6 a 18 meses para surtir efeitos.

Para avaliar o atraso no desenvolvimento da orientação espacial comparamos os resultados obtidos nas provas de performance dos testes de QI (percepção do espaço, quebra­ cabeças e imagens complementares, identificação de códigos) e nas provas verbais. Se a distância entre o resultado da prova verbal e o do teste de performance geral for inferior a 10 pontos, será preciso observar melhor o desenvolvimento da criança para descobrir qualquer evolução desfavorável. Se a distância se situar entre 10 e 20 pontos, aconselha-se um acompanhamento psicomotor. Se for superior a 20 pontos, uma terapia familiar.

Na terapia familiar, os pais são atendidos junto com a criança, e a história da família é evocada. O objetivo é “dissolver” as inibições da criança, procurando o que lhe suscita o temor do fracasso. Nas que sofrem de problemas motores de orientação espacial, constatamos que receiam executar gestos cotidianos, como, por exemplo, amarrar os sapatos. Elas sabem que, se tentarem, se atrapalharão e serão alvo das chacotas dos colegas. Ao indagar os pais sobre essas questões simples, o psicoterapeuta constata que eles, muitas vezes, acentuam a falta de autonomia dos filhos ao tentarem ajudá-los. O psicoterapeuta deve ensinar a criança a reconquistar sua autonomia fazendo-a compreender a importância disso e aceitar a ideia do fracasso. Paralelamente, ela deve ser acompanhada por um especialista em psicomotricidade, que corrigirá seus movimentos e a ensinará a distinguir o lado direito do esquerdo. O terapeuta construirá referências espaciais por meio de desenhos e jogos.

ARMADILHAS DA PRECOCIDADE

As crianças superdotadas ou precoces correm um sério risco de desenvolver uma falsa personalidade ou, na linguagem dos psiquiatras, um falso eu. Qual a origem do risco? Quando depende excessivamente dos pais, a criança realiza esforços desmedidos para não provocá-lo novamente. O psicoterapeuta e os pais deverão propor-lhe uma série de atividades, para que escolha sem constrangimentos e sem que os pais expressem opiniões. Mas será preciso evitar que mude frequentemente de atividade, algo que poderia desestabilizá-la.

Essas armadilhas não significam, entretanto, que crianças superdotadas sejam eternas vítimas de sua inteligência superior. Muitas delas experimentam um desenvolvimento motor e psicológico harmonioso. Podem ajudar os outros no plano afetivo, técnico, artístico, esportivo ou cientifico. O principal risco é que, desde a pré-escola, elas se entendem nas aulas. A solução de um problema matemático pode parecer-lhes tão evidente que elas se recusarão a fornecer a demonstração. É aconselhável, no período do maternal, passar a criança para uma classe mais adiantada. Mas talvez seja melhor alimentar as capacidades lúdicas da criança, suas aspirações culturais ou esportivas, estimulando-a a manter oculta das suas faculdades intelectuais, geralmente mais vivas. Um diagnóstico sistemático do estado psicológico das crianças deveria ser feito antes dos 6 anos, no primeiro trimestre do maternal e durante o primeiro e segundo anos do 1º grau. Infelizmente, os pais dessas crianças recusam­ se a submetê-las a tais testes, temendo que sejam vistas como diferentes das outras. Esses testes, contudo, são indispensáveis para dar todas as oportunidades às crianças dotadas de um dom de dois gumes.

OUTROS OLHARES

LIMPEZA COM AS PRÓPRIAS MÃOS

A demora e inabilidade do governo federal para tomar decisões fazem com que a população tenha apenas uma alternativa para limpar o óleo que impregnou as praias do Nordeste: fazer o trabalho por si mesma

Desaparelhado e sem interesse para combater as manchas de óleo que se acumulam há 50 dias no litoral nordestino, o governo federal não deixou alternativa para a população a não ser cuidar do trabalho de descontaminação com as próprias mãos. No Cabo de Santo Agostinho, litoral sul de Pernambuco, por exemplo, a limpeza das praias passou a ser feita, sem qualquer coordenação, pelos próprios moradores, algo desaconselhável por apresentar sérios riscos à saúde. Em outros pontos do litoral acontece o mesmo. O problema ocorre porque em abril deste ano o presidente Jair Bolsonaro deu fim a dois comitês que integravam o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Água (PNC), que deveria ficar responsável pelos esforços de despoluição. Sem um plano de ação, restou a ação de voluntários apoiados pelas prefeituras locais. Na semana passada, com grande atraso, o presidente em exercício, Hamilton Mourão, destacou mais de quatro mil homens do Exército para ajudarem na limpeza.

A situação das praias exige pressa. Além das consequências ambientais imensuráveis causadas pelo óleo, cuja origem ainda não foi esclarecida, há também um forte impacto social na região, que ainda está sendo contabilizado. Muita gente precisa do mar para seu sustento. Há pescadores e comerciantes que vivem das praias, tanto para abastecer restaurantes locais como para dar conta do contingente de turistas que as visita. Um relatório preliminar da Bahia Pesca, órgão que fomenta a atividade no estado, prevê problemas sociais graves nas comunidades de pescadores. “A mariscagem será diretamente afetada nesses locais, visto que, com a presença de óleo, a recomendação é evitar a pesca e a comércio desses organismos”, informa. A Secretaria de Turismo da Bahia informou que “a exposição deste desastre não é boa para nenhum estado do Nordeste” e que já recolheu mais de 230 toneladas do produto nas praias. No total, o governo contabiliza mais de mil toneladas removidas. Teme-se que a região perca muitos visitantes no próximo verão.

POUCAS RESPOSTAS

Ainda não há explicações para o acúmulo de sujeira nas praias. O Ministério Público Federal notificou o governo federal para que o PNC fosse colocado em ação imediatamente. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ativou o plano apenas em 11 de outubro, mais de 40 dias após o primeiro registro de mancha. Na terça 22, Salles visitou a região afetada. “É o momento de trabalhar, recolher o óleo e dar o destino necessário. Lá na frente iremos aprofundar as causas desse acidente”, disse. Ele estava acompanhado de membros do Exército, que se tornou uma espécie de “pau para toda obra” que o governo emprega em situações de emergência.

A chegada das forças militares para cuidar da limpeza gerou estranheza. Em algumas praias, os soldados tentaram impedir que os cidadãos participassem da descontaminação, talvez como uma medida protocolar apenas, mas que deixou a impressão de que “queriam aparecer”. Na noite do dia 23, Salles se contradisse quanto à intenção de descobrir as causas do acidente. Ele afirmou que fez uma solicitação formal para a Organização dos Estados Americanos (OEA) para que a Venezuela se “manifeste oficialmente” sobre o ocorrido. A estatal PDVSA já negou envolvimento com o desastre. Parece que a preocupação é encontrar culpados e não dar soluções. E, enquanto isso, quem suja as mãos é o povo nordestino.

O PECADO ECOLÓGICO

Deus criou o mundo e deixou os seres humanos com a responsabilidade de protegê-lo

O Sínodo da Amazônia, encontro de bispos que acontece no Vaticano para discutir a situação ambiental, social e a ação da Igreja na região da floresta, deve formular uma questão preocupante para os católicos que destroem a natureza: o pecado ecológico. O tema ganhou força nos debates internos e está relacionado com a teologia da criação, em especial com a ideia de que Deus criou o mundo e deixou os seres humanos com a responsabilidade de protegê-lo. Um relatório divulgado pelo Sínodo afirma que “foi prenunciada uma conversão ecológica que faça perceber a gravidade do pecado contra o meio ambiente como um pecado contra Deus, contra o próximo e as futuras gerações”. O documento final do encontro dos bispos foi apresentado para votação sexta-feira 25.

GESTÃO E CARREIRA

BURNOUT BUSCA PELA ALTA PERFORMANCE PROFISSIONAL PODE FAZER VOCÊ QUEIMAR

A Síndrome de Burnout foi incluída na nova Classificação Internacional de Doenças (CID-11) pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A decisão da OMS ocorreu durante a assembleia mundial da organização deste ano, em Genebra, na Suíça, porém a inclusão oficialmente começa a valer em 2022. De acordo com dados divulgados pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho, a partir de estudos da Associação Internacional de Manejo do Estresse (Isma), no Brasil 72% das pessoas sofrem com estresse no trabalho e entre eles 32% têm burnout, também chamada de Síndrome do Esgotamento Profissional. Ela foi assim denominada pelo psicanalista alemão Herbert J. Freudenberger no início dos anos 1970. Burnout é definida como resultante do estresse crônico no local de trabalho e é caracterizada por três dimensões:

Sentimentos de exaustão ou esgotamento de energia;

Aumento do distanciamento mental do próprio trabalho, ou sentimentos de negativismo ou cinismo relacionados ao próprio trabalho;

Redução da eficácia profissional.

Os sintomas são variados, porém sempre envolvem nervosismo, sofrimentos psicológicos e problemas físicos. Existem estágios da síndrome que podem, ou não, ocorrer conjuntamente e eles são identificados por 12 características:

1. Necessidade de aprovação;

2. Excesso de trabalho;

3. Deixar as necessidades pessoais de lado;

4. Transferir os conflitos, ignorando seus problemas ou se sentindo ameaçado, nervoso ou em pânico;

5. Distorção de valores: somente o trabalho importa;

6. Negar que problemas estão surgindo;

7. Distanciar-se da vida social e procura formas rápidas de aliviar o estresse;

8. Mudanças comportamentais;

9. Perda de personalidade;

10. Vazio interior e, para superar isso, começa a dar atenção a atividades ou mesmo vícios que podem prejudicar a si mesmo;

11. Depressão;

12. Síndrome de Burnout com colapso mental e físico, que precisa ser acompanhado por um especialista.

O tratamento pode contemplar três esferas:

TERAPIA

Não há uma linha especifica, o importante é tratar as emoções e traçar estratégias para a melhoria da saúde mental e física. Exercícios de relaxamento são ótimos para controlar os sintomas.

REMÉDIOS

Remédios somente se forem necessários e sempre com acompanhamento médico.

NOVOS HÁBITOS

Procure um profissional para auxiliar a repensar seus hábitos e construir novos, mais saudáveis.

Igualmente importante será desenvolver a Resiliência. A capacidade de se recuperar ou se adaptar às mudanças pode ser desenvolvida e estimulada para aumentar a tolerância ao estresse.

Entenda que o desejo continuo por alta performance, em ser sempre o melhor, a competitividade exacerbada, a constante preocupação em demonstrar alto grau de desempenho, tudo isso pode estar escondendo algo mais profundo, como uma baixa autoestima ou fuga de sua vida pessoal. Reflita sobre e procure ajuda de um profissional capacitado para lidar com transtornos emocionais.

É importante saber que a síndrome de burnout não tratada pode resultar em estado de depressão profunda.

TIRLEY ALFONSO – é Personal & Professional Coaching pela Sociedade Brasileira de Coaching, com cursos de especialização e pós-graduação em psicologia, neurolinguística e terapia emocional

ALIMENTO DIÁRIO

QUANDO O CÉU INVADE A TERRA

CAPÍTULO 17 – O AVIVAMENTO PRESENTE

O que Deus planejou para a Igreja, para a hora presente, é muito mais do que possamos imaginar e orar. Temos de ter a ajuda do Espírito Santo para aprendermos acerca destes mistérios da Igreja e do Reino de Deus. Sem Ele não temos uma percepção adequada até mesmo para saber o que pedir em oração

Entender o que está por acontecer é importante, mas isso não nos capacita a planejar e estabelecer uma estratégia de um modo bastante eficiente. Pelo contrário, é importante compreender as promessas e os propósitos de Deus para a Igreja para que fiquemos desapontados com a nossa situação, para que tenhamos um enorme anseio para que as coisas mudem. E a intercessão que sai de um desejo insaciável moverá o coração de Deus mais do que qualquer outra coisa.

O Avivamento não é para desfalecer o coração. Ele traz medo a quem se conforma com a situação presente por causa dos riscos que o Avivamento requer. Aquele que é temeroso normalmente trabalha contra o mover de Deus – às vezes para a sua própria morte – mesmo pen- sando que está servindo ao Senhor. O engano que é propagado é que as mudanças trazidas pelo Avivamento são contrárias à fé dos que nos antecederam. Em consequência, definha-se a capacidade divina de criar, que fica limitada à difícil tarefa de preservação do que se tem. Os que têm medo tornam-se como que administradores de museus, em vez de construtores do Reino de Deus.

Há, porém, os que estão prontos para assumir quaisquer riscos. A fé dos que os precederam é considerada um valioso fundamento sobre o qual se deve construir. Eles têm um vislumbre do que poderá acontecer e não se satisfarão com nada menos. Mudanças não são ameaças, mas sim uma aventura. As revelações aumentam, as ideias multiplicam- se, e o esforço nesse sentido tem seu início.

“Certamente, o SENHOR Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o Seu segredo aos Seus servos, os profetas.” As ações de Deus na terra começam com uma revelação aos homens. O profeta ouve e declara o que ouviu. Os que têm ouvidos para ouvir respondem e são capacitados para a mudança.

Para que entendamos quem somos e quem devemos nos tornar, temos de ver a Jesus como Ele é. Temos que ver a diferença que há entre o Jesus que caminhava pelas ruas curando os enfermos e ressuscitando os mortos, e o Jesus que hoje reina sobre tudo. Por mais gloriosa que a Sua vida tenha sido na terra, isso foi no tempo antes da Cruz. O Cristianismo é a vida no tempo depois da ressurreição, depois da Cruz.

Esta mudança de enfoque virá nestes últimos dias. E tem de ocorrer para que nos tornemos conforme o propósito de Cristo para nós.

A religião (que é uma “formalidade sem poder”) cada vez mais será desprezada no coração daqueles que verdadeiramente pertencem ao Senhor. A revelação cria um forte desejo por Ele. O Espírito não vem desprovido de adereços. Não há um Espírito Santo de “classe econômica”. Ele vem completamente equipado. Ele está cheio de recursos, cheio de poder e cheio de glória. E Ele quer ser visto em nós tal como Ele é.

UM CONCEITO MAIOR

O poder de uma só palavra da boca do Senhor pode criar uma galáxia. Suas promessas para a Igreja ultrapassam toda compreensão. Muitos as consideram como sendo a promessa de Deus para o milênio ou para o Céu. Dizem que, ao se enfatizar o plano de Deus para hoje, em vez de para a eternidade, isso é algo que desonra o fato de Jesus ter ido preparar-nos lugar. Nossa predisposição para com uma Igreja fraca nos tem cegado às verdades da Palavra de Deus a nosso respeito.

Este problema tem sua raiz em nossa descrença, não em nosso desejo ardente pelo Céu. Jesus ensinou-nos a viver, ao declarar: “O Reino de Deus está próximo!” E uma realidade presente, que influi no dia de hoje.

Falta-nos muita compreensão de quem somos porque temos pouca revelação de quem Ele é. Sabemos bastante acerca da Sua vida na terra. Os Evangelhos estão repletos de informações sobre como Ele era, sobre como vivia, e sobre o que fez. Mas tudo isso não é um modelo para a Igreja. O que Ele é hoje, glorificado, sentado à direita do Pai, esse é o modelo para nós, o modelo que temos de buscar!

Considere a afirmação inicial deste capítulo: O que Deus planejou para a Igreja, para a hora presente, é muito mais do que possamos imaginar e orar. Estas palavras fazem com que alguns tenham o receio de que a Igreja saia do equilíbrio. Muitos dizem que temos que ter cuidado com res- peito à ênfase que damos sobre o que devemos nos tomar aqui e agora. Por quê? Para uma grande maioria tal cuidado resulta do medo de serem desapontados. Esse medo tem justificado a descrença, Mas o que de pior poderia nos acontecer por simplesmente buscarmos o que estaria reservado para a eternidade? Deus poderia dizer: “Não!” Cometemos, do lado de cá da eternidade, um grande erro ao pensarmos que podemos dizer o que está reservado para nós no Céu.

Devido ao fato de muitos terem medo dos excessos, a mediocridade é assumida como sendo uma postura equilibrada. Esse medo faz da complacência uma virtude. E é o medo dos excessos que possibilita que os resistentes às mudanças pareçam ter uma postura nobre. Excessos nunca foram a causa do término de um Avivamento. William De Arteaga afirma: “O Grande Avivamento não se extinguiu por causa de seus extremismos. Extinguiu-se por causa da reprovação feita por seus oponentes.” Diz ele ainda que “Divisões ocorrem sempre que o intelecto é entronizado como medida de espiritualidade, e não porque os dons espirituais são exercidos, como muitos acusam.” Não dou a mínima atenção às advertências quanto a possíveis excessos, quando partem daqueles que estão satisfeitos com a falta do poder de Deus.

Esta presente geração é uma geração de pessoas que assumem riscos. E nem todos os riscos assumidos serão considerados como fé real. Alguns virão à luz como atos de tolice e de presunção. Mas mesmo assim tais riscos têm de ser assumidos. De que outro modo aprenderíamos, a não ser com nossos próprios erros? Dê espaço em sua vida para os que assumem riscos. Eles o inspirarão ao que de mais grandioso acha-se disponível no serviço a um Grande Deus.

Os pescadores locais de dura cerviz dizem: “Se você não enrosca o cordame de pesca de vez em quando na vegetação das margens do rio, é porque você não está pescando em profundidade adequada.” Conquanto eu não queira dar honra alguma à presunção e ao erro, o que realmente desejo é aplaudir a postura de um grande entusiasmo e de agir com grande esforço, que muitos têm. Nossa obsessão pela perfeição é que tem causado algumas de nossas maiores falhas. Quando eu ia ensinar meus filhos a andarem de bicicleta, eu os levava para um parque gramado, em que havia bastante grama. Por quê? Porque eu não queria que eles se machucassem quando caíssem. Não era se eles caíssem.

O apego à perfeição tem dado lugar a um espírito de religiosidade. Aqueles que se recusam a dar um passo a mais para serem usados por Deus tornam-se os que criticam aqueles que se dispõem a isso. Aqueles que se arriscam, que são os que fazem palpitar o coração de Deus, tornam-se o alvo dos que nunca erram, uma vez que normalmente se retraem.

COMO A IGREJA EM BREVE SERÁ GLORIOSA…

O que se segue é uma lista parcial do que está mencionado nas Escrituras sobre o que ainda está por cumprir-se na Igreja. Jesus quer que nos tornemos maduros antes da Sua volta. Cada uma destas passagens nos dá um vislumbre profético da vontade de Deus para conosco no dia de hoje.

SABEDORIA DE DEUS “…para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais, segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus.” (Efésios 3:10-11)

A sabedoria tem que ser evidenciada por nós AGORA! Está bem claro que Deus pretende dar uma lição à esfera espiritual, com respeito à Sua sabedoria, através de nós.

Salomão foi o homem mais sábio que já existiu, além de Jesus, que é a Sabedoria personificada. A rainha de Sabá fez-lhe uma visita para conhecer de perto a sabedoria de Salomão. “Vendo, pois, a rainha de Sabá a sabedoria de Salomão e a casa que edificara, e a comida da sua mesa, o lugar dos seus oficiais, o serviço dos seus criados, e os trajes deles, seus copeiros, e os seus trajes, e o holocausto que oferecia na Casa do SENHOR, ficou como fora de si.” Ela reconheceu que a sabedoria dele era muito maior do que jamais havia imaginado. A extensão da sabedoria de Salomão foi identificada por três atributos: excelência, criatividade e integridade. Quando ela viu tudo isso com os próprios olhos, ela ficou fora de si!

A sabedoria de Deus será novamente vista pelo Seu povo. A Igreja, que atualmente tem sido desprezada ou, na melhor das hipóteses, ignorada, será novamente reverenciada e admirada. Ela novamente será exaltada na terra. Examinemos os três elementos da sabedoria de Salomão:

Excelência é o alto padrão para o que fazemos pelo fato de sermos quem somos. Deus é um Deus de abundância, mas não é esbanjador.

Um coração excelente diante de Deus pode parecer ser esbanjador para os de fora. Por exemplo: em Mateus 26:8 vemos Maria derramando em Jesus um unguento que custava o equivalente ao salário de um ano de trabalho. Os discípulos acharam que teria sido de muito mais valia se o unguento fosse vendido e o dinheiro dado aos pobres. Em 2 Samuel 6:14-16,23, o rei Davi humilhou-se perante o povo ao tirar suas vestes reais e dançar descontroladamente diante de Deus. Sua esposa, Mical, o desprezou por isso. Em consequência de seu desprezo ela não teve filhos até o dia da sua morte, seja por ter ficado estéril, seja por não manter relações com o seu marido, Davi. Foi uma trágica perda por causa do orgulho. Nas duas situações acima, os outros consideraram que as extravagantes ações desses adoradores eram um desperdício. Deus é bom. A excelência vem de se ter a visão a partir da perspectiva de Deus.

Ao buscarmos a excelência, tudo fazemos para glorificar a Deus, com todas as nossas forças. Um coração de excelência não dá espaço ao espírito de pobreza, que afeta muito do que fazemos.

Criatividade não se vê apenas na restauração das artes, mas é o que caracteriza o povo de Deus ao descobrir meios novos e melhores de fazer as coisas. É uma vergonha para a Igreja restringir-se à rotina do que é previsível, chamando a isso de tradição. Temos de revelar quem o nosso Pai é, fazendo isso através da criatividade.

A igreja erra muitas vezes por evitar a criatividade, em vista de que esta requer mudanças. A resistência à mudança é uma resistência à natureza de Deus. Por estarem soprando os ventos de mudança, é fácil distinguir aqueles que se acham satisfeitos dos que estão ávidos por coisas novas. Toda mudança traz à luz os segredos do coração. Esta Unção também produzirá novas invenções, descobertas na medicina e nas ciências, e novas ideias com respeito aos negócios e à educação. Novos sons musicais surgirão da Igreja, bem como outras formas de arte. A lista disso tudo é inumerável. O Céu é o limite. Disponha-se e crie!

Integridade é a expressão do carácter de Deus vista em nós. E este carácter é a santidade Dele. A santidade é a essência da natureza divina. Não é algo definido em função do que Ele faz, ou não faz. E o que Ele é. O mesmo se dá conosco. Somos santos porque a natureza de Deus está em nós. Ela começa com um coração separado para Deus, e manifesta-se através da natureza de Cristo que é vista em nós. Se mantivermos as mãos sujas da religião afastadas da bela expressão da santidade de Deus, as pessoas serão atraídas à Igreja, tal como eram atraídas a Jesus. A religião não é apenas algo maçante; ela é cruel. Ela sufoca todas as boas coisas. Já a verdadeira santidade é agradável e boa. A rainha de Sabá ficou de boca aberta diante da sabedoria de Salomão. Está na hora da sabedoria da Igreja fazer com que o mundo fique pasmado.

IGREJA GLORIOSA “…para a apresentar a Si mesmo igreja gloriosa.” (Efésios 5:27)

A intenção original de Deus para com a humanidade é vista na passagem: “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.” Éramos para viver na glória de Deus. Este foi o Seu objetivo, ao criar o homem. Mas o nosso pecado fez com que esse alvo não fosse alcançado.

A glória de Deus é a manifestação da presença de Jesus. Imagine o seguinte: as pessoas estando permanentemente conscientes da Presença de Deus, não em teoria, mas tendo a real presença Dele em sua vida!

Seremos uma Igreja na qual Jesus será visto em Sua glória! É a presença do Espírito Santo e a Unção que dominarão a vida do cristão. A Igreja brilhará com uma forte luz. “A glória desta última casa será maior do que a da primeira.”

NOIVA SEM MANCHA E SEM RUGAS “Para a apresentar a Si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível.” (Efésios 5:27)

Imagine em sua mente uma jovem, preparada para o casamento. Ela cuidou de si mesma, com uma alimentação correta e fazendo os exercícios necessários. Ela é inteligente e encontra-se bem emocionalmente, sentindo-se confiante e bem à vontade. Ao olhar para ela, você não teria como saber se alguma vez ela fez algo de errado. Em seu semblante não há evidências de culpa nem de vergonha. Ela conhece a graça e a exala em todo o tempo. De acordo com Apocalipse 19:7, ela já se aprontou. É isso que o romance faz. Como Larry Randolph escreveu, “é uma perversão querer que o noivo vista a noiva para o casamento.” A Igreja é que tem que se aprontar. Tudo o que é necessário para o casamento está disponível. A Igreja tem agora que fazer uso disso tudo.

Esta é uma descrição da Noiva de Cristo. Quando vemos quão grande Deus é, não temos dúvida de que ele terá sucesso em fazer com que isso ocorra. Paulo afirmou à igreja de Corinto que ele não queria ir de novo estar com eles até que a obediência deles fosse total. Assim é o coração de Deus para com a Igreja. Desse modo Jesus, Aquele que é Perfeito, voltará para aquela que não tem manchas, assim que constatar que a nossa obediência é total.

UNIDADE DA FÉ “Até que todos cheguemos à unidade da fé. (Efésios 4:13)

Isso que se chama “unidade da fé” é a fé que atua pelo amor, conforme Gálatas 5:6 menciona. O amor e a fé são as duas virtudes básicas da vida cristã.

A fé provém da Palavra de Deus, especificamente de uma Palavra nova que é falada. A fé é o que agrada a Deus. Ela é uma vigorosa confiança Nele como Abba, Pai. Ele apenas é a fonte de tal fé. Ela vem em decorrência do Senhor falar ao Seu povo. Unidade de fé significa ou- virmos a Sua voz juntos, demonstrando grandes proezas. É um estilo de vida, não apenas um conceito, como em ter unidade em nossas ideias sobre a fé. As proezas do Avivamento presente e do próximo serão maiores que todos os feitos da Igreja em toda a sua história. Mais de um bilhão de almas serão salvas. Estádios ficarão repletos de gente durante 24 horas por dia, durante vários dias, com milagres ocorrendo em quantidade inumerável: curas, conversões, ressurreições de mortos e libertações sem limite. Sem um pregador especial, sem um grande obreiro de milagres, apenas a Igreja sendo o que Deus a chamou para ser. E tudo será o resultado da unidade da fé.

CONHECIMENTO DA REVELAÇÃO DO FILHO “Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao CONHECIMENTO DO FILHO DE DEUS.” (Efésios 4:13)

O apóstolo João uma vez inclinou sua cabeça no peito de Jesus. Ele era chamado de o discípulo amado por Jesus. Lá pelo fim de sua vida, quando se achava na ilha de Patmos, ele viu de novo Jesus. Agora Jesus tinha uma aparência totalmente diferente de quando estava naquela ceia. Seu cabelo era branco como a alva lã, Seus olhos eram como chama de fogo, e seus pés eram como bronze polido. Deus considerou que esta revelação precisava estar num livro. E esse livro é o Apocalipse, que é a Revelação de Jesus Cristo. Toda a Igreja receberá uma nova revelação de Jesus Cristo, principalmente através desse livro. O que foi tão misterioso será compreendido. E esta revelação lançará a Igreja num processo de transformação sem igual a qualquer experiência anterior. Por quê? Porque quanto mais o virmos, mais nos tornaremos iguais a Ele!

Se a revelação de Jesus Cristo é o ponto central do livro de Apocalipse, temos então que admitir que, consequentemente, a nossa adoração a Ele tem de ser a nossa principal resposta. O aumento que está por acontecer na revelação, cada vez maior, de Jesus, estará em novas dimensões de adoração, em experiências com todos diante do trono de Deus.

UM HOMEM PERFEITO “Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, A HOMEM PERFEITO.” (Efésios 4:13)

Um atleta das olimpíadas jamais chegará a competir apenas por ter talento. Para isso é necessária a poderosa combinação de duas coisas: ter talento e dispor-se a desenvolver esse talento ao máximo possível por meio de uma severa disciplina. O versículo acima expressa uma figura da Igreja em seu processo de se tornar um homem perfeito. Está no singular, o que significa que todos nós temos que atuar como se fôssemos um. Todos os membros do Corpo de Cristo atuarão em perfeita coordenação e harmonia, completando cada um a função e os dons dos demais, agindo de acordo com as diretrizes dadas pela cabeça. Não se trata de uma promessa que se cumprirá na eternidade. Embora eu não creia que se refira a uma perfeição humana, creio que é uma maturidade em sua função, onde não há lugar para ciúmes, e que se desenvolverá à medida que a Presença de Deus tornar-se mais expressiva. Temos que aceitar que isto é possível porque foi o que Ele nos disse.

CHEIOS DE TODA A PLENITUDE DE DEUS “E conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais CHEIOS DE TODA A PLENITUDE DE DEUS.” (Efésios 3:19 – RC, SBTB)

Imagine uma casa com muitos quartos. Essa casa representa a nossa vida. Cada um dos quartos que permitimos que o amor de Deus toque fica cheio da Sua plenitude. Isso é uma ilustração do versículo acima. A Igreja conhecerá o amor de Deus por experiência. Isso vai além da nossa capacidade de compreender. Esse relacionamento íntimo de amor com Deus fará com que recebamos tudo que ele quis liberar, desde o princípio do tempo.

“Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo.” (Efésios 4:13 NVI)

O amor de Deus sendo sentido, e havendo a consequente plenitude do Espírito, é o que é necessário para nos levar à medida da estatura completa de Cristo: Jesus será visto tal como Ele é pela Igreja, assim como o Pai foi visto por Jesus.

DONS DO ESPÍRITO PLENAMENTE EXPRESSOS “E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do Meu Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos terão sonhos; e também do Meu Espírito derramarei sobre os Meus servos e as Minhas servas naqueles dias, e profetizarão.” (Atos 2:17-18 RC)

Essa passagem, que foi citada por Pedro de Joel 2, nunca foi completamente cumprida. Ela teve um cumprimento inicial em Atos 2, mas o seu alcance superava em muito o que aquela geração tinha condições de cumprir. Em primeiro lugar, toda a carne não foi envolvida naquele Avivamento. Mas isso ainda vai acontecer. No mover de Deus que está próximo as barreiras sociais serão quebradas, e também as econômicas, sexuais e de idade. O derramamento do Espírito na última geração tocará todas as nações da terra, liberando os dons do Espírito em plena medida, sobre e através do povo de Deus.

Em 1 Coríntios, nos capítulos 12 e 14, temos um maravilhoso ensino sobre a operação dos dons espirituais. Mas é muito mais do que isso. É uma revelação de um corpo de crentes que vivem na esfera do Espírito – o que é essencial para o ministério dos últimos dias. Essas “manifestações do Espírito Santo” os levarão às ruas da sua localidade. É lá que eles alcançarão todo o seu potencial.

Esta geração cumprirá o clamor de Moisés para serem profetas todos os que pertencem ao povo de Deus. Teremos a Unção de Elias no preparo do retorno do Senhor, do mesmo modo como João Batista no passado teve a Unção de Elias e preparou as pessoas para a chegada de Jesus.

OBRAS MAIORES “Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em Mim fará também as obras que Eu faço, e outras maiores fará, porque Eu vou para junto do Pai.” (João 14:12)

A profecia de Jesus de que nós faríamos obras maiores do que as Dele tem estimulado a Igreja a procurar algum sentido abstrato a esta afirmação tão simples. Muitos teólogos querem honrar as obras de Jesus, dizendo que elas são inatingíveis; mas isso é religiosidade, gerada pela descrença. Ignorar o que Jesus prometeu, sob o disfarce de estar honrando a Sua obra na terra não é algo que agrade a Deus. A declaração de Jesus não é tão difícil assim de entender. “Maiores” significa exatamente isso: “maiores”. E as obras a que Ele se referiu são os Sinais e Maravilhas que realizou. Não será um desserviço a Ele que uma geração O obedeça, indo além do que ele realizou. Jesus demonstrou-nos o que pode fazer uma pessoa que tenha o Espírito sem medida, E o que milhões poderiam fazer? Esse foi o Seu ponto, e tornou-se uma profecia Sua.

Este versículo muitas vezes é explicado de um modo incorreto quando se diz que ele se refere à quantidade de obras, e não à sua qualidade. Como é evidente, milhões de pessoas por certo superariam em obras a quantidade limitada que Jesus realizou, por serem em número tão grande. Mas isso distorce a intenção da declaração de Jesus. A palavra maiores é MEIZON no grego. Ela é encontrada 45 vezes no Novo Testamento, sendo sempre empregada com o sentido comparativo de qualidade, e não de quantidade.

VENHA O TEU REINO “Venha o Teu reino; faça-se a Tua vontade, assim na terra como no Céu.” (Mateus 6:10)

Ele não é o Pai do tipo que nos dá uma ordem para que peçamos alguma coisa mas que, ao mesmo tempo, não está totalmente interessado em nos atender em nosso pedido. Ele nos instrui a fazermos esta oração porque está em Seu coração atendê-la totalmente. As orações mais seguras que podem ser feitas são aquelas que Ele nos diz para fazermos. Suas respostas serão além do que pedimos ou pensamos. E elas são conforme o Seu poder que opera em nós.

Jesus disse que voltaria depois que o Evangelho do Reino fosse pregado em todo o mundo – quando então viria o fim. O entendimento atual do que significa pregar o Evangelho do Reino é pregar uma mensagem que leve o maior número possível de pessoas a se converte- rem. Mas o que pregar o Evangelho do Reino significou para Jesus? Todas as vezes em que Ele pregou e agiu, milagres aconteceram. A mensagem era uma declaração do Seu senhorio e domínio sobre todas as coisas, acompanhada de demonstrações de poder, mostrando que o Seu mundo estava invadindo o nosso mundo através de Sinais e Maravilhas.

Considere o que a Sua promessa significa: haverá uma geração de crentes que pregarão como Ele pregou, e que farão o que ele fez, em todas as nações do mundo, antes da sua vinda! Esta é uma promessa e tanto!

A presente realidade do Reino se manifestará e se realizará na vida diária do crente. O mundo do Espírito invadirá o nosso mundo toda vez que um cristão orar com fé. O senhorio de Jesus será visível, e a generosidade do Seu governo será sentida por todos. Conquanto a plena expressão do Seu Reino possa ser reservada para a eternidade, jamais entrou na mente de nós, cristãos, o que Deus gostaria de fazer no tempo de agora. É hora de explorarmos esta possibilidade.

A IGREJA EXPLOSIVA

Não seria maravilhoso ter igrejas tão explosivas no sobrenatural que teríamos que descobrir maneiras de contê-las um pouco? Foi isso que Paulo teve que fazer com a igreja de Corinto. Suas instruções com respeito aos dons espirituais foram dadas a pessoas que os tinham em tamanha abundância que foi necessário pôr uma certa ordem nas coisas. “Tudo, porém, seja feito com decência e ordem”. Não podemos pôr em ordem o que não temos. Tudo tem que ser feito antes de se estabelecer uma estrutura para que tudo se tome mais eficiente. Ter ordem em lugar de poder é uma substituição muito pobre a se fazer. Mas quando se tem muito poder, é necessário ter uma boa ordem. Somente nessa situação é que a ordem dará uma contribuição ao exercício do poder pela Igreja.

AMANDO AS PESSOAS, NÃO AS IDEIAS QUE ELAS TÊM

Ao discutir o presente mover de Deus com um irmão que acredita que os dons já cessaram desde o primeiro século, ele me disse que eu estava em erro devido à minha busca de um Evangelho de poder. Disse-me ainda que todos os milagres tiveram fim com a morte do último dos doze apóstolos. Ele chegou ainda a afirmar que os milagres de cura, os testemunhos de famílias restauradas, o novo zelo pelas Escrituras e o desejo ardente de testemunhar o amor de Deus provavelmente seriam obras do diabo. Disse-lhe então que o diabo dele era grande demais, e que o Deus dele era muito pequeno.

Para sentir-se à vontade diante da situação atual, a Igreja tem criado doutrinas que pretendem justificar a sua fraqueza. Alguns chegaram até mesmo a fazer com que as deficiências parecessem ser pontos fortes. Essas são doutrinas de demônios! Por mais que eu honre e ame as pessoas que creem dessa forma, não sinto o mínimo desejo de honrar essas tolices sem sentido.

Estaremos entre os mais miseráveis se pensarmos que já alcançamos a plenitude do que Deus pretendeu para a Sua Igreja aqui na terra. Toda a história da Igreja constrói-se com revelações parciais. Tudo o que aconteceu na Igreja nos últimos 2.000 anos foi inferior ao que a Igreja primitiva teve, e que se perdeu. Cada mover de Deus tem sido seguido por um outro mover, apenas para restaurar o que foi perdido e esquecido. E nós ainda não chegamos ao padrão que ela tinha atingido, e muito menos o suplantamos. Entretanto, nem mesmo a Igreja primitiva cumpriu plenamente o plano divino para o povo de Deus. Este privilégio foi reservado para os derradeiros. E o nosso destino.

Por mais maravilhosas que sejam as nossas raízes, elas são insuficientes. O que foi bom para ontem não o é para hoje. Insistir que fiquemos com as coisas pelas quais nossos pais lutaram é insultá-los. Todos eles se arriscaram indo em busca de algo totalmente novo em Deus. Não é que tudo tenha que mudar para fluir em nós o que Deus esteja dizendo e fazendo. O fato é que presumimos serem corretas muitas coisas que presentemente estão ocorrendo. Isso nos impede de ver as revelações ainda contidas nas Escrituras. Na realidade, o que consideramos ser a vida cristã normal está muito aquém do que Deus está por fazer. Nossos odres têm de mudar. E bem pouco do que agora conhecemos como vida cristã é que permanecerá sem alterações dentro dos próximos dez anos.

ALCANÇANDO O MÁXIMO

Jamais entrou em nossa cabeça o que Deus tem preparado para nós no tempo em que estamos aqui na terra. O que Ele pretende é algo grandioso. Em vez de nos limitarmos pela nossa imaginação e pela nossa experiência, forcemo-nos a ter um desejo cada vez mais forte pelas coisas que ainda não vimos. À medida que buscarmos com total desprendimento Àquele que tudo faz com abundância, descobriremos que o nosso maior problema é a resistência que se encontra em nossa própria mente. Mas a fé é superior. E está na hora de fazer com que o Senhor não se preocupe mais quanto a se Ele encontrará, ou não, fé na terra.

O Reino está aqui, agora! Ore por ele, busque-o em primeiro lugar, e receba-o como uma criança. Ele está ao nosso alcance.

UMA LIÇÃO FINAL DADA POR UMA CRIANÇA

Numa recente reunião realizada na costa norte da Califórnia, adentramos no sobrenatural num nível fora do comum, especialmente por ter sido algo que ocorreu na América do Norte. Pessoas com surdez, cegueira, artrite e muitas outras enfermidades foram curadas através da graça salvadora de Deus. Houve de 40 a 50 curas naquela reunião com cerca de 200 participantes, quando Jesus mais uma vez demonstrou o Seu domínio sobre todas as coisas.

Um impressionante milagre aconteceu a um menino de três anos, que se chamava Chris, e que tinha os pés tortos. Ele tinha até ferimentos na parte superior de seus pés, por se esfregarem em suas tentativas de andar. Quando os irmãos foram liberados para orar pelos enfermos, vários da nossa equipe posicionaram-se em torno daquela criança. Deus imediatamente começou a tocar nele. Quando terminaram de orar, colocaram-no no chão, de pé. Pela primeira vez em sua vida seus pés se posicionaram direitinho sobre o piso! Ele arregalou os olhos, totalmente espantado com o que via em seus pés. Ele agachou- se e tocou nas feridas. Um de seus amiguinhos lhe disse: “Corra!”

De repente ele deu um pulo e correu num círculo, exclamando: “Eu posso correr!” Não é preciso nem dizer o quão grande foi a alegria de todos ali naquela noite.

Voltamos para casa e fomos ver o vídeo que tinha sido gravado na reunião. Vimos a gravação várias vezes. Ficamos tão entusiasmados com aquele milagre que levou um certo tempo para notarmos que Chris, naquela hora, estava tentando nos dizer alguma coisa. Minha es- posa, que na hora estava segurando a câmara, tinha lhe perguntado:

  • O que aconteceu com você? Olhando para a câmara, ele respondeu:
  • Jesus, grande! Jesus, grande!

Em nosso entusiasmo, inconscientemente mudamos de assunto e lhe perguntamos como estavam os seus pés. As pessoas que presenciaram o milagre nos deram os detalhes.

Mas quando vimos a gravação, ouvimos o testemunho do menino: “Jesus, grande! Jesus, grande!” De uma coisa estamos certos: de que ele teve um encontro com Jesus, que veio até ele e o curou.

CONCLUSÃO

Esta história, tal como todas as demais contidas neste livro, é sobre a bondade de Deus. É o testemunho de Jesus. O livro do Apocalipse revela este princípio: “O testemunho de Jesus é o espírito da profecia.” Um testemunho faz uma profecia sobre o que ainda é possível. Declara que um outro milagre agora é possível. Revela, a todos que queiram ver, a natureza de Deus e como é a Sua aliança conosco. O Senhor apenas espera por alguém que acrescente sua fé ao testemunho dado. Por não fazer discriminação de pessoas, Ele fará por você o que fez pelos outros. Por ser Ele o mesmo hoje, ontem e eternamente, o Seu desejo é fazer hoje o que Ele fez há tanto tempo.

Duas semanas depois do milagre que ocorreu em Chris, exibi para a nossa igreja o seu vídeo. Todos ficaram entusiasmados. No dia seguinte, dois de nossos jovens foram até um shopping center e viram uma senhora de certa idade que usava uma bengala. Quando eles perguntaram se poderiam orar por ela, a mulher não se mostrou interessada, até que ouviu a história de Chris. O testemunho dele foi uma profecia da bondade de Deus para ela, e ela desejou então ardentemente que orassem. Ao imporem mãos sobre ela, o tumor que havia no seu joelho desapareceu. Através de uma palavra de conhecimento, eles a informaram que Deus estava também curando as suas costas. Quando ela tocou nas costas, ela viu que o tumor – a respeito do qual ela não havia dito nada a eles – tinha desaparecido também!

Num outro domingo, ensinei sobre o poder do testemunho, e usei a história de Chris como ilustração. Havia uma família que nos visitava, vindo de Montana, e que tinha um problema semelhante. Sua filhinha tinha os pés virados para dentro num angulo de 45 graus, fazendo com que ela tropeçasse nos próprios pés quando corria. Quando sua mãe ouviu o testemunho de Jesus curando o menino de pés tortos, ela disse em seu coração: “Vou assumir isso para a minha filha!” Depois do culto ela foi buscar a filha em nossa sala de crianças e descobriu que os pés da menina estavam perfeitamente retos! O testemunho profetizou, a mãe acreditou, e sua filha foi curada. A invasão do Céu continua, e vai continuar, sem parar!

“Para que se aumente o Seu governo, e venha paz sem fim.” (Isaías 9:7)

“O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do Seu Cristo, e Ele reinará pelos séculos dos séculos.” (Apocalipse 11:15)