A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

QUANDO A VIRTUDE DESVIRTUA

Reafirmação do bom caráter moral do ser humano (nas redes sociais e fora delas) é a mais nova virose contemporânea

Quando a virtude desvirtua

Greta Thunberg tem sido elogiada por chefes de Estado, foi recebida pelo papa e discursou na abertura da Cúpula de Ação Climática da Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro. São distinções raras, se não inéditas, para uma adolescente de 16 anos. A jovem sueca tornou-se um símbolo global e, como todo símbolo, evoca reações diversas e contraditórias: para os admiradores, a face limpa e as tranças que conferem um ar de inocência pueril à líder das greves estudantis pelo clima representam a pureza de um movimento internacional que deseja salvar o planeta; para os críticos, o ricto que contorceu o rosto de Thunberg nos momentos mais passionais do discurso na ONU – “Tudo que vocês fazem é falar em dinheiro e no conto da carochinha do crescimento econômico eterno. Como vocês se atrevem? (…) A mudança está chegando, quer vocês queiram, quer não” – é a expressão radical de um catastrofismo cego. A personalidade de Thunberg e suas fragilidades – em especial, o fato de ela ser portadora da síndrome de Asperger – são arrastadas para a disputa. Fatalmente, levantou-se a acusação de que ela seria uma jovem mimada praticando a “sinalização de virtude”. Em anos recentes, essa expressão pejorativa – “virtue signaling”, em inglês – tornou-se corrente na guerra cultural entre a esquerda e a direita americanas. Designa uma forma de exibicionismo público: aqueles que alardeiam sua adesão a uma causa, mas não se comprometem efetivamente com ela, estariam apenas dando sinais de sua própria virtude, sem que isso lhes custasse qualquer esforço ou dispêndio. A dedicação integral que Thunberg demonstra ao ambientalismo a princípio descartaria a possibilidade de que ela esteja apenas propagandeando os próprios méritos. Mas a admiração quase sagrada e, de outro lado, a repulsa visceral que sua figura inspira indicam a presença dessa virose contemporânea. Greta Thunberg, como qualquer um de nós que já tenha feito declarações políticas exaltadas no Twitter, está imersa no que o psicólogo americano Geoffrey Miller chamou, em um livro recente, de “cultura da sinalização de virtude”.

Não é só Greta Thunberg: qualquer tema ou figura controversas convidam à sinalização de virtude. Quando consideramos que apenas nosso ponto de vista está “do lado certo da história”, o simples fato de anunciá­lo se torna uma afirmação de nosso bom caráter moral. As queimadas na Amazônia e o aborto, a liberação das armas e os protestos no Chile, o Brexit e a reforma da Previdência: quantos posts em redes sociais sobre esses temas você, leitor, já encontrou (ou escreveu) que incluíssem informação sólida e argumentação ponderada – e não apenas adesão passional ou rejeição rápida?

A sinalização de virtude, porém, não foi criada pela polarização política ou pela pulverização informativa das redes sociais. Nos ensaios reunidos em Virtue signaling, Miller ensina que a espécie humana desde sempre se dedicou a sinalizar virtude. E isso não é tão ruim assim.

Professor do departamento de psicologia da Universidade do Novo México, Miller segue a linha teórica conhecida como “psicologia evolutiva”, que busca entender o comportamento humano a partir da biologia darwinista. Suas pesquisas centram-se na seleção sexual, um mecanismo da evolução proposto por Charles Darwin na obra posterior ao seminal. A evolução das espécies. Sob os imperativos draconianos da seleção natural, os seres vivos devem se adaptar às pressões cambiantes do ambiente – ou morrerão sem propagar seus genes para futuras gerações. Mas os animais também precisam adaptar-se para atrair parceiros sexuais – ou, mais uma vez, morrerão sem deixar herança genética. Danças de acasalamento e o canto dos pássaros estão entre os produtos mais vistosos da seleção natural, e o ser humano de ambos os gêneros também segue certos rituais de sedução. Miller argumenta que a seleção sexual teve parte importante na evolução da moral humana – e, por extensão, da sinalização de virtude.

Na fase do flerte, parceiros avaliam-se mutuamente, selecionando valores como honestidade, generosidade, altruísmo. E até a ideologia política tem seu papel nos ritos da seleção sexual. Em um dos ensaios mais provocativos de Virtue signaling, Miller recorda uma greve estudantil contra o apartheid na Universidade Columbia, em Nova York, onde ele estudava em 1985. Os manifestantes exigiam que a universidade se desfizesse de todos os investimentos em empresas que apoiavam o governo da África do Sul – medida que exerceria uma pressão pouco significativa sobre o regime racista. Miller recorda que muitos participantes acharam parceiros sexuais durante as manifestações. Surgiram daí até algumas relações estáveis, que duraram mais do que o interesse dos estudantes pela África do Sul. A exibição mútua de boas intenções político ­ ideológicas propiciou condições ideais para a seleção sexual. A participação no protesto teria, portanto, uma função análoga à cauda multicolorida do pavão, um apêndice sem função outra que dar sinais de vigor e saúde genética para a fêmea da espécie.

O autor admite que considerar expressões ideológicas como estratégias para levar parceiros para a cama pode “trivializar todo o discurso político”, mas acredita que essa perspectiva também confere uma visão mais acurada da irracionalidade que move as paixões políticas. Nessa perspectiva, qualquer profissão de fé em uma causa ou partido seria uma sinalização de virtude – com o fim último de seduzir o objeto do desejo que por acaso compartilha das mesmas crenças (também há, claro, ganhos sociais: professar as ideias mais aceitas em determinado grupo traz prestígio). Não haveria nada de errado, porém, em ostentar bons sentimentos para, inconscientemente, perseguir a satisfação erótica ou o sucesso social. Sempre fizemos isso, diz Miller. A expressão “virtue signaling” só teria se popularizado na conversa sobre política a partir da campanha presidencial americana de 2016, da qual Donald Trump saiu vencedor. Mas desde tempos perdidos na memória da espécie humana já gostávamos de propagar nossos valores morais, nossas concepções éticas, nossas crenças religiosas. A generosidade é quase sempre ostensiva: o voluntário que limpa o óleo nas praias do Nordeste e o profissional do Médico sem Fronteiras que administra vacinas em áreas conflagradas do Congo gostam de ser reconhecidos pelo que fazem, e é bom que seja assim, pois seus exemplos incentivam mais pessoas a doarem tempo e dinheiro para as causas que julgam importantes.

Há sinais de virtude que custam tempo, esforço, dinheiro. E há a camiseta com slogan, o adesivo do candidato político no vidro do carro, o post no Facebook. Cara ou barata, a sinalização de virtude responde pelo melhor e pelo pior do ser humano, diz Miller: combinada a uma mentalidade aberta e tolerante, à curiosidade científica e à racionalidade, a sinalização de virtude já nos deu o abolicionismo, o sufragismo, os movimentos pela liberdade de expressão. Quando carece desses atributos, a sinalização de virtude gera monstros como “o Reino de Terror de Robespierre, o Holodomor de Stálio, o Holocausto de Hitler, a Revolução Cultural de Mao e o Twitter”.

Equiparar o Twitter aos maiores genocídios do século XX, deve ser óbvio, é uma blague de Miller. O autor, aliás, é bem ativo na rede social – e já teve problemas por lá, quando fez uma piada desastrada sobre obesidade. Mas é claro que a sinalização de virtude só ganhou conotações pejorativas porque, graças às redes sociais, nunca foi tão fácil e barato emitir sinais de nossa elevada moralidade: menos de um minuto no celular, e você já demonstra a todos os seus amigos que está indignado com o novo governo, cujas reformas roubam os direitos do trabalhador, ou com a hipocrisia dos “vermelhos” que passaram anos envolvidos em esquemas de corrupção bilionária e hoje reclamam de triviais rachadinhas. Miller, porém, não chega a discutir as novas oportunidades que a comunicação virtual oferece à informação duvidosa e à opinião inconsequente. Não é a única lacuna de seu novo livro: coletânea de ensaios cuja relação com o tema anunciado no título nem sempre é direta, Virtue signaling acaba não entregando tudo que seu instigante prefácio promete – e não explica exatamente o que é a tal “cultura da sinalização de virtude” em que vivemos hoje.

Um bom ponto de partida para entender o alcance dessa cultura pode ser “A horrenda ascensão da sinalização de virtude”, breve ensaio que o jornalista britânico James Bartholomew publicou na revista The Spectator, em 2015 – esse texto, aliás, tem sido creditado como o pioneiro na popularização do termo “sinalização da virtude”. Bartholomew comenta sobretudo casos de sinalização na política britânica, mas abre o ensaio com um exemplo da publicidade: os anúncios da rede americana Whole Foods, que vende comida orgânica, apregoam uma nova “consciência” abraçada pela empresa – uma consciência que “defende o que é bom”. É uma tendência clara da publicidade contemporânea, que já não se contenta em afirmar que o produto anunciado é melhor que os concorrentes: o suco em caixa afirma que é “do bem”, a rede de lanchonetes garante que seu hambúrguer toma o mundo melhor e inúmeras empresas vangloriam-se de suas práticas “sustentáveis” e “inclusivas”.

O artigo é especialmente acurado ao notar que a virtude pode ser sinalizada até por declarações de ódio ou repulsa. Dizer “eu detesto SUVs” é uma forma de se mostrar preocupado com o meio ambiente. Figuras políticas divisivas servem bem a esse jogo: declarações de ódio a Bolsonaro ou Lula garantem acolhida fácil à esquerda ou à direita. O ódio, no entanto, não é um sentimento dos mais virtuosos. Em sua modalidade contemporânea, a sinalização de virtude tem, a rigor, pouco a ver com virtude.

A bondade de um indivíduo, lamenta Bartholomew, não se prova mais com gestos simples como ajudar um idoso a atravessar a rua ou doar dinheiro para caridade. “Ninguém precisa mais fazer coisa alguma. A virtude vem de meras palavras ou até de crenças cultivadas em silêncio”, diz o jornalista. Este é o cerne da cultura de sinalização de virtude: a retórica auto celebratória conta mais que a ação altruísta.

O filósofo australiano Peter Singer, conhecido por sua defesa dos direitos dos animais, certa vez propôs que a doação de sangue seria um exemplo de gesto altruísta inteiramente desinteressado: em geral, o doador não é pago e nem terá tratamento privilegiado na eventualidade de um dia precisar de uma transfusão. O biólogo Richard Alexander contestou a ideia generosa de Singer: o doador é pago não em dinheiro, mas em reconhecimento social. “Quem entre nós não tem certa reverência pela pessoa que nos diz casualmente que acabou de doar sangue?”, pergunta Alexander. A sinalização de virtude – nesse caso, virtude real, exercida em um ato efetivo – vem na forma do esparadrapo no braço, atestando para vizinhos e colegas de trabalho que a doação foi realizada naquele mesmo dia. Pode-se dizer que a vazia sinalização de virtude hoje praticada nas redes sociais consiste em aumentar o esparadrapo até que, de tão grande e chamativo, ele torne dispensável a doação de sangue Mas qual seria o problema de fazer alarde em torno de causas pelas quais nada se fez se a causa é justa? Quando a virtude certa é sinalizada, no fim das contas algum bem não pode sair daí? Talvez. Mas há custos para a vida política, que abandona a discussão de ideias para se centrar sobre a exaltação – ou o achincalhe – de personalidades públicas. E há custo talvez maiores para a vida social, para a mais básica civilidade cotidiana: se uma opinião ligeira expressa no Twitter ou até uma hashtag – #Lulalivre, #BolsonaroMito – valem por uma afirmação de virtude, então opiniões memes divergentes só poderão ser o Mal encarnado. Abre-se a porta para a intolerância, o sectarismo, a ignorância, a propagação da mentira, que tomam tóxico o debate público.

Na guerra de vaidades dos sinalizadores da virtude, os problemas cada vez mais complexos que nos afetam são reduzidos a expressões de narcisismo exacerbado. É assim com aquecimento global. Em sua fala na ONU Greta Thunberg até citou números do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) órgão internacional que monitora a temperatura do planeta. Ninguém deu atenção a esses dados: estavam todos comovidos com o drama da estudante sueca cujos sonhos se perderam porque os gananciosos líderes mundiais não querem ouvir sua mensagem virtuosa.

Quando a virtude desvirtua. 2

OUTROS OLHARES

OS SONS DO PASSADO

Levantamento de mercado mostra que, pela primeira vez desde 1986, os vinis vão superar os CDs – ambos ainda resistem apenas pelo fervor de alguns apaixonados

Os sons do passado

exatos 38 anos, celebrava-se o estrondoso lançamento: “O mercado de discos não recebia uma novidade tão grande desde que a Columbia Records anunciou, em 1948, o long-play de 30 centímetros de diâmetro e cinquenta minutos de gravação. Em conjunto, a Philips holandesa e a Sony japonesa lançam agora o disco compacto, de apenas 12 centímetros de diâmetro e que, nessa superfície exígua, contêm, em sua única face gravada, sessenta minutos de som”. A notícia ecoava o primeiro grande sucesso mundial em CD, o álbum The Visitors, da banda sueca Abba, levado às lojas em novembro de 1981 – embora algumas pequenas gravadoras de música clássica tivessem testado a plataforma algum tempo antes. No Brasil, o CD inaugural foi uma antologia gravada por Nara Leão e Roberto Menescal, Garota de Ipanema, em 1986.

Em setembro, um relatório da associação americana de gravadoras – a RIAA, na sigla em inglês – revelou o impensável: ainda neste ano a venda de vinis deve superar a de CDs nos Estados Unidos, algo que não acontecia desde 1986. O disco compacto terá vivido quatro décadas – pouca coisa menos que o LP de vinil, que começou a minguar já cinquentão, a despeito de, ressalve-se, ainda respirar, firme e forte, com o típico chiado analógico, em nichos. Para o guitarrista Jack White, o mais notório defensor da permanência das bolachas, há um novo tempo atrás da porta. “Na próxima década, teremos a coexistência do streaming com o vinil – o streaming no carro e na cozinha, o vinil na sala de estar e no quarto de dormir”, diz ele, aparentemente esquecido do apogeu dos fones de ouvidos plugados aos smartphones, com ou sem fio.

Mas, afinal de contas, quem ainda ouve LPs e, logo mais, quem ainda ouvirá CDs, para além do prazer tátil de pôr as mãos em produtos vintage? Os nostálgicos do vinil costumam dizer que as nuances das músicas, como eventuais acordes dissonantes, são suprimidas nas produções digitais, que dominam 80% do mercado – daí o apego ao passado. “Mas o revival está mais relacionado à busca pela autenticidade, ao interesse por todo o processo de criação deum LP, que vai da gravação ao encarte”, diz o pesquisador Marco Resende Rapeli, mestre em ciências sociais aplicadas da ESPM. O prazer, para alguns, é literalmente físico. “Tem gente que até aproxima o nariz do LP e exulta: “Que cheiro de disco antigo”, afirma Caio Figueiroa, que trabalha na Sonzera, uma das lojas dedicadas aos LPs da Galeria Nova Barão, recanto clássico da cultura paulistana dedicado à indústria fonográfica dos velhos tempos.

O CD, embora seja mais jovem, também atrai colecionadores, e uma categoria em especial: os amantes de música clássica. Um levantamento feito ao Reino Unido pela Royal Philharmonic Orchestra mostra que 39% dos compradores das peças de Bach, Brahms, Mozart, Beethoven e cia. querem o produto físico, devidamente catalogado e exposto nas prateleiras – uma minoria vai de streaming. Essa turma reticente, apaixonada pelos compactos, também defende a qualidade do som em comparação com a das versões mais modernas, mas trata-se de uma diferença que um ouvido comum não identifica.

 Tudo somado, o ocaso do CD, agora novamente ultrapassado pelo vinil, faz parte do inexorável progresso da indústria da música, uma revolução que começou na tecnologia MP3, ganhou força com o iPod de Steve Jobs e provocou o nascimento de serviços práticos e incontornáveis como o Spotify. E certamente outras inovações surgirão no horizonte. Mas, para os fiéis amantes de vinis e CDs, toda essa modernidade ainda não superou a qualidade e o prazer dos sons do passado.

Os sons do passado. 2

GESTÃO E CARREIRA

PARE DE PROCRASTINAR

O que é necessário fazer para sua vida deslanchar? É essa pergunta que Christian Barbosa, especialista em gestão do tempo e produtividade, busca responder em seu novo livro, Por Que as Pessoas Não Fazem o Que Deveriam Fazer? Na obra, recém-lançada, ele se debruça sobre o tema da procrastinação e apresenta ferramentas para que as pessoas organizem as ideias e vençam a dicotomia “quem se quer ser”, versus “o que se quer ter”. Leia, a seguir, trecho Inédito no qual o autor ensina a otimizar nossos pensamentos.

Pare de procrastinar

TRECHO DO LIVRO

 

1.  ESCREVA SUAS IDEIAS

Imagine que você está com um grupo de amigos, em carros e motos, descendo uma serra que desconhece. De repente surge uma neblina bastante densa que dificulta muito a visibilidade. Nesse momento você não consegue ver seus amigos, seu senso de localização fica comprometido, seu nível de estresse aumenta em função do risco imposto pela condição da estrada, seus amigos aparecem e desaparecem no meio da neblina. Eu moro em Santos, no litoral de São Paulo. Em alguns períodos do ano, quando desço a serra de São Paulo para Santos, é essa situação que encontro. Essas condições climáticas são muito comuns nessa região e o risco de acidente aumenta consideravelmente, pois é impossível, por mais que você conheça a estrada, ter segurança e visibilidade. O que a concessionária da rodovia costuma fazer nessas condições é fechar o pedágio até juntar uma certa quantidade de veículos e fazê-los descer em comboio, com a polícia rodoviária na frente a uma velocidade média de 50 quilômetros por hora. Com isso, o efeito da neblina é minimizado, você começa a ver os carros, que agora estão próximos, em quantidade e a uma velocidade constante.

Parece que nem existe neblina, o que faz com que muitos motoristas reclamem do que consideram um excesso de precaução. A neblina na serra e a sua mente cheia de ideias são muito parecidas. Enquanto estão na cabeça, as ideias se encontram de certa forma envolvidas por uma “névoa”, elas podem escapar rapidamente da sua visão, e você pode nunca mais encontrá-las. Sem que possam ser vistas com clareza de detalhes, elas acabam se perdendo.

A forma de começar a limpar a neblina é tirar as ideias da cabeça e colocá-las em outro lugar. Assim como recomendo que você organize suas tarefas a fim de gerenciar seu tempo, é necessário tirar as ideias da cabeça se quiser filtrá-las e executá-las.

Tirar ideias da cabeça significa escrevê-las (ou gravar em áudio, se preferir) para que possamos passar para outras etapas da seleção. Pode parecer simples, mas, quando perguntei às pessoas do teste se tinham o costume de escrever ideias, apenas 38% disseram que faziam isso com regularidade.

Escrever também estimula o cérebro (existem diversos estudos publicados sobre isso). Um deles define inclusive que as crianças precisam do movimento da escrita para desenvolvimento cerebral pois, sem isso, teríamos algumas deficiência em nossa fase adulta.

Virgínia Berninger, psicóloga da Universidade de Wisconsin, testou estudantes e descobriu que, ao fazer redações escritas a mão, eles geravam mais ideias do que quando faziam usando o computador. Em outra pesquisa, Berninger mostra que a sequência de movimentos dos dedos, necessária para escrever, ativa regiões do cérebro envolvidos com pensamento, linguagem e memória de curta duração. O mesmo efeito acontece se você escrever com uma caneta em um tablet.

Eu, particularmente, considero o resultado da pesquisa bastante concludente. Quando estou travado de ideias, gosto de escrever a mão ou no tablet. Quando já tenho a ideia e preciso apenas tirá-la da cabeça para destrinchá-la melhor eu gosto de usar um software de mapas mentais – um tipo de apresentação de ideias em forma de neurônio, desenvolvido por Buzan, que facilita a geração, a classificação, a estruturação e a visualização de ideias, desde as simples até textos bem complexos em um único gráfico.

Nessa primeira etapa do processo de seleção de ideias, o objetivo é escrever todas as ideias que rondam a cabeça. Não se preocupe se são viáveis nem se são muito importantes para você. Também não ligue para o que os outros vão pensar. Apenas escreva tudo o que lhe vai na cabeça (.,)

 

2. AGRUPE SUAS IDEIAS EM EQUILÍBRIO E RESULTADO

Antes de selecionar suas ideias é necessário verificar se você tem clareza do que realmente necessita neste momento da sua vida. Sem saber o que precisa, tudo vai servir, você ficará sem foco e mais e mais ideias vão brotar em sua cabeça (.,)

Agrupar ideias permite identificar essa deficiência e o ajuda a reforçar aquelas de que realmente necessita e a não ficar na mesma para sempre. Existem milhares de exemplos de ideias em cada uma dessas áreas. Vou citar alguns, para reforçar o que foi discutido anteriormente:

IDEIAS DE EQUILÍBRIO: tempo para a família; melhorar a saúde; descobrir meus hobbies; achar o verdadeiro amor; descobrir minha missão pessoal; emagrecer; reduzir o estresse; desenvolver meu lado espiritual; melhorar minha capacidade de feedback; viver intensamente; melhorar meu relacionamento com fulano; sair do sedentarismo; parar de fumar; aceitar minha autoimagem; adquirir mais cultura; aproveitar o que já tenho; aprimorar minha capacidade de dizer não a algo que não me agrade etc.

IDEIAS DE RESULTADO: falar inglês fluente; MBA em gestão empresarial desenvolver carreira de consultoria; fazer dinheiro na minha profissão; comprar casa própria; viajar para Disney; obter cargo de diretor; criar meu próprio negócio; aprender a investir meu dinheiro; correr a maratona São Paulo; ganhar o prêmio profissional do ano; escrever um livro etc.

Claro que são apenas exemplos, não ideias, que você precisa usar. Dificilmente alguém além de você é capaz de entender suas mais profundas necessidades e, quando tentam, você pode até aceitar, mas, se não for algo que queira, a ideia vai ser bloqueada na fase de procrastinação. Repare que essas ideias são bem vagas, portanto, este não é o momento de julgá-la, apenas de agrupá-las. (.,)

 

3.DEFINA O QUE É PRIORITÁRIO

Agora que já ternos as ideias e sabemos a que grupo pertencem, é o momento de ver quais delas vamos levar adiante. Se o problema de ter ideias é o excesso, a solução é ter poucas ideias, mas ideias que realmente nos ajudem a obter aquilo de que precisamos (equilíbrio e resultado). (..)

Priorizar é a chave para você filtrar suas ideias para saber o que precisa ser feito e o que deve se posto de lado no momento ou mesmo apagado de vez da sua vida. Quem tenta fazer tudo não faz nada, só gasta energia, tempo e perde a oportunidades. (.,)

O primeiro passo para priorizar é definir as variáveis que servirão para avaliar todas as ideias. Você pode criar suas próprias variáveis, critérios (desde que sejam poucos), mas sugiro como início estes três:

NECESSIDADE: esta, sem dúvida, é a variável mais importante. Se você não precisa, para que investir tempo e energia? Entendendo a relação entre resultado e equilíbrio, aquilo em que você pensou é realmente o que você mais precisa? A ideia é extremamente necessária para sua vida. Conseguirá viver sem essa ideia feliz?

VIABILIDADE: eu adoraria fazer uma campanha nacional para mudar os dispositivos do código penal brasileiro, que considero um dos maiores problemas do país, mas infelizmente não é uma ideia viável neste momento da minha vida. No mínimo seria um esforço hercúleo que poderia comprometer outras prioridades. Sua ideia é viável? Você é capaz de executa-la ou ela é apenas um sonho distante?

PAIXÃO: ideias não podem ser apenas racionais, precisamos do nosso cérebro emocional para apoiar a persistência no caminho. Você está apaixonado a ponto de querer se dedicar à sua ideia? Sem paixão nada acontece; se você não vai se apaixonar pela sua ideia, para que insistir em algo que vai se dissolver em pouco tempo? Essas variáveis precisam ter peso, uma nota que permita classificar nossas ideias. Eu sugiro um peso maior para necessidade, algo como uma nota 3, depois para viabilidade (nota 2) e, em seguida, para paixão (nota 1). Fique à vontade para montar sua própria escala. Se não tiver uma, experimente esta que testamos e veja se funciona. (.,)

 

4. FILTRE DE FORMA RACIONAL E EMOCIONAL

Com as ideias escritas, classificadas na variável da matriz que indica o que você mais precisa no momento e já com o devido peso atribuído ao momento final de seleção. Para dar seguimento, selecione as cinco ideias (caso não tenha cinco ideias não há problema, melhor ainda) que tiveram maior pontuação na fase anterior(…).

Se você chegou até aqui é porque conseguiu limitar seu número de opções, de informação e tem alguns critérios que podem ajudá-lo a decidir. O que fizemos até agora foi preparar o terreno para ajudar seu cérebro a decidir melhor o que deve ser feito. Nós filtramos suas ideias e deixamos apenas aquelas mais coerentes com o seu propósito de conseguir mais resultados e equilíbrio na vida.

Se as ideias selecionadas ainda não são totalmente satisfatórias para você, sugiro que espere alguns dias ou até algumas semanas e repita todo o processo a fim de verificar se as ideias se confirmam ou são alteradas. Dê tempo ao tempo: às vezes, você precisa esperar um pouco para que as ideias assentem na sua cabeça.

O processo de escolha do nosso cérebro é extremamente complexo, tem muitas áreas envolvidas, não permite ter uma fórmula única de tomada de decisões. Agora é o momento de pensar racionalmente e também emocionalmente; é o momento do feeling, pois na escuridão da incerteza humana é que na maioria das vezes, lá no fundo, sabemos o que vai dar certo.

Pare de procrastinar. 2

ALIMENTO DIÁRIO

QUANDO O CÉU INVADE A TERRA

Quando o Céu invade a Terra

CAPÍTULO 14 – GUERREANDO PARA INVADIR!

O verdadeiro cristão é um guerreiro do rei. Somente ele tem enorme prazer em entrar na batalha com toda a sua alma, fazendo com que toda situação se torne cativa do Senhor Jesus Cristo.

 

“Por muito tempo a Igreja tem atuado na defensiva, na batalha pelas almas. Quando ouvimos falar sobre o que uma determinada seita, ou um outro ramo das trevas, está planejando fazer, reagimos criando estratégias para confrontar os planos do inimigo. Criamos comissões; líderes discutem; e os pastores pregam contra o que possa estar o diabo fazendo, ou que esteja próximo de o fazer.

Talvez você se surpreenda com o que vou dizer: não dou a mínima importância para o que o diabo possa estar planejando fazer. A Grande Comissão coloca-me na ofensiva. Eu estou com a bola. E se eu a levar para a frente, sabendo jogar, os planos dele não terão importância.

Num jogo de futebol, vence o time que se preocupa com o seu jogo, e não se intimida com o adversário. O técnico do adversário, muitas vezes, faz declarações antes da partida, procurando criar um clima de superioridade e levar o seu oponente a jogar na defesa. E, por causa disso, preocupando-se com o adversário, o time ameaçado acaba não fazendo o seu jogo, mas sim o jogo do time contrário, e acaba sofrendo uma derrota.

Por mais tolo que seja esse tipo de comportamento, esta é a condição de uma grande parte da Igreja nos dias atuais. Satanás revela seus planos para nos colocar na defensiva. Ele ruge, procura impor-se, e nós agimos como se estivéssemos sob o seu controle. Paremos com essa tolice, e deixemos de ficar louvando o diabo com discussões intermináveis sobre o que há de errado no mundo por causa dele. Nós temos o nosso jogo, e estamos com a bola.

O potencial da presente geração, que é maior do que o das anteriores, não tem nada a ver com a nossa própria piedade, mas tem tudo a ver como plano mestre de nosso Senhor de nos colocar neste ponto da história. Temos que nos tornar o pior pesadelo do diabo.

 

POR QUE O DIABO DEIXA VAZAR OS SEUS SEGREDOS

Creio honestamente que satanás permite que suas estratégias se tornem conhecidas de modo que venhamos a reagir a elas. Ele adora ficar no controle. E, sempre que nós não estamos no controle, ele fica. E, quando reagimos, nossas reações são decorrentes do medo.

Não temos que ficar aguentando a situação até a volta de Jesus! Somos um corpo de pessoas vencedoras, corpo esse que foi comprado por sangue, foi cheio do Espírito, e foi comissionado pelo próprio Deus, de forma que tudo o que Ele falou no passado viesse a acontecer. Quando planejamos segundo os planos de satanás, automaticamente ficamos com uma postura mental errada. E nossas atitudes incorretas podem tornar­ se verdadeiras fortalezas em nosso pensamento, provocando assim uma investida legal do inferno contra nós. Desse modo, nossos temores acabam se tornando profecias que por si mesmas se cumprem.

 

SEGREDOS BÍBLICOS ACERCA DA GUERRA

A guerra espiritual é inevitável, e ignorá-la não fará com que ela não aconteça. Portanto, temos de aprender a batalhar com uma autoridade sobrenatural! Os seguintes princípios são verdades muitas vezes esquecidas:

 

  1. “Tendo Faraó deixado ir o povo, Deus não o levou pelo caminho da terra dos filisteus, posto que mais perto, pois disse: Para que, porventura, o povo não se arrependa, vendo a guerra, e torne ao Egito.” (Êxodo 13:17)

Deus tem plena convicção sobre até que ponto poderemos atuar na presente situação. Ele nos faz desviar de qualquer batalha que possa nos fazer dar meia volta e abandonar o nosso chamado. E assim concluímos que Ele nos encaminha apenas para as batalhas em que podemos derrotar o inimigo.

O lugar de maior segurança nesta guerra acha-se na obediência.

Quando estamos no centro da vontade de Deus, enfrentamos apenas aquelas situações em que estejamos em condições de vencer. Mas, por estarem afastados da Sua vontade, muitos cristãos caem, tendo que enfrentar uma excessiva pressão, por eles mesmos engendrada. É na Sua vontade que se encontra o lugar mais seguro para se ficar.

 

  1. “Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários.”(Salmo 23:5}

Deus de modo algum Se intimida com as táticas do inimigo. De fato Ele quer ter comunhão conosco bem diante dos olhos do diabo. É na intimidade com Deus que temos a nossa postura mais forte. Nunca permita que nada o faça sair dela. Muitos são os que se tornam “intensivos batalhadores” para o seu próprio bem. Tal intensidade frequentemente exibe a força humana, não a graça. Quando optamos por essa condição de ser “intensivos batalhadores”, isso nos afasta da alegria e da intimidade com Deus. É uma indicação de que nos desviamos do nosso primeiro amor. No caso de Paulo, a intimidade que ele tinha com Deus fez com que ele dissesse, lá daquela prisão infestada de demônios em que se encontrava: “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai­ vos!”

 

  1. “…e que em nada estais intimidados pelos adversários. Pois o que é para eles prova evidente de perdição é, para vós outros, de salvação, e isto da parte de Deus.” (Filipenses 1:28}

Quando rejeitamos o medo, o inimigo é que fica aterrorizado. Um coração confiante é um sinal seguro da destruição final dele e da nossa vitória no dia de hoje! Não tenha medo, nunca! Volte-se para as promessas de Deus, passe tempo com pessoas de fé, e que cada um encoraje o outro com os testemunhos do Senhor. Louve a Deus por quem Ele é, até que o medo não mais bata à sua porta. Isto não é uma opção, pois na verdade o medo convida o inimigo a vir para matar, roubar e destruir.

 

  1. “Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.” (Tiago 4:7)

 A submissão a Deus é a chave para o sucesso pessoal. Nossa principal batalha na guerra espiritual não é contra o diabo. É contra a carne. Sujeitando-nos ao Senhor é o que coloca os recursos de Deus à nossa disposição para uma permanente vitória, para executarmos o que Jesus já conquistou para nós no Calvário.

 

  1. “…e as portas do inferno não prevalecerão contra ela (a Igreja).” (Mateus 16:18)

Eu não fui deixado no planeta terra para ficar escondido, esperando a volta de Jesus. Aqui estou como um representante militar do céu. A Igreja está no ataque. É por isso que as portas do inferno – o lugar do poderio e do domínio dos demônios – NÃO PREVALECERÃO contra a Igreja.

 

  1. “Deus fez sobremodo fecundo o Seu povo e o tornou mais forte do que os seus opressores. Mudou-lhes o coração para que odiassem o Seu povo e usassem de astúcia para com os Seus servos.” (Salmo 105:24-25)

Primeiramente Deus nos fortalece, mas também instiga o ódio do diabo contra nós. Por quê? Não é porque Ele queira criar problemas para a Sua Igreja. É porque Ele gosta de ver o diabo derrotado por aqueles que foram feitos à Sua imagem, por aqueles que, por sua livre escolha, têm com Ele um relacionamento de amor. Deus nos delegou a Sua autoridade. É um grande prazer para o Senhor quando exercemos o triunfo de Jesus sobre os demônios, quando nos dispomos a “executar contra eles a sentença escrita, e que será honra para todos os santos.” (Salmo 149:9)

 

  1. ” …exultem os que habitam nas rochas e clamem do cimo dos montes; deem honra ao SENHOR e anunciem a Sua glória nas terras do mar. O SENHOR sairá como valente, despertará o Seu zelo como homem de guerra; clamará, lançará forte grito de guerra e mostrará Sua força contra os Seus inimigos.” (Isaías 42: 12-13)

O nosso culto a Deus é um dos maiores privilégios da nossa vida. O louvor honra a Deus. Mas também nos edifica e destrói os poderes do inferno! É algo estupendo pensar que posso louvar ao Senhor, ter a Sua paz enchendo a minha alma, e ouvi-Lo dizer que sou um homem poderoso e de valor. Tudo o que fiz foi adorá-Lo. Ele destruiu os poderes do inferno para me favorecer e me deu os “gols” da vitória.

Tudo isso, porém, não é tudo. É apenas o necessário para fazer com que a nossa perspectiva se volte para a guerra espiritual, para que ela não mais contemple o que é religioso e carnal, mas para firmá-la na visão do Reino. Arrependa-se, mude o seu modo de pensar, e você verá quão “próximo” de você o Reino de Deus de fato está.

Nascemos numa guerra. Não há tréguas, não há períodos de férias, e nenhuma folga. O lugar mais seguro é estarmos no centro da vontade de Deus, onde estamos em profunda intimidade com Ele. Neste lugar Ele somente permite que enfrentemos as batalhas que estamos plenamente capacitados a vencer.

Não somente este lugar é o mais seguro, é também o lugar de maior regozijo para o crente. Fora da intimidade com Deus provavelmente estaríamos desperdiçando a oportunidade de participarmos do acontecimento mais grandioso na terra. Mas esse é o assunto de nosso próximo capítulo.