A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

QUANDO O CÉREBRO VAI ÀS COMPRAS

Ao vermos numa vitrine ou na tela do celular algo que nos agrada muito, as regiões cerebrais responsáveis pelas ponderações com base na cognição são momentaneamente desativadas e as emoções assumem o controle

Você se lembra qual foi o último produto que comprou? É bastante provável que, embora justificada (“o preço está bom”, “eu mereço” etc.), a aquisição não tenha sido pautada pela lógica. O fato é que nossas compras costumam ser mais marcadas pela emoção do que pela racionalidade. Duvida? Pense no que desperta em você a imagem de um objeto (um sapato, um aparelho eletrônico ou até um carro, talvez) que chama sua atenção numa vitrine ou na tela do computador. Diante da visão do objeto desejado, é possível que seu coração acelere e seu cérebro comece imediatamente a buscar uma estratégia para conseguir obter aquilo que quer. Ou, quem sabe, mecanismos de repressão do desejo entrem em cena e você se convença de que é melhor esquecer essa ideia e, assim, evitar fazer dívidas.

Na tentativa de entender como nossa mente funciona quando se trata de lidar com dinheiro, economistas criaram um modelo fictício, denominado Homo economicus, para descrever um administrador eficiente, que não se deixa dominar pelos sentimentos. Psicólogos garantem, porém, que essa proposta pautada pelo objetivo de fazer boas escolhas, sem levar em conta nossa história de vida, o valor simbólico dos bens materiais e as representações psíquicas ligadas a eles, está fadada ao fracasso.

Os cientistas Michael Deppe, da Universidade de Münster, e Peter Kenning, da Universidade de Zeppelin, ambas na Alemanha, fizeram um experimento interessante. Enquanto 22 voluntários eram submetidos a uma tomografia, os pesquisadores apresentavam a eles vários objetos. A tarefa dos participantes era escolher um dos artigos. As mulheres precisavam decidir entre 15 tipos de café e os homens, optar entre 20 cervejas. De forma aleatória, a marca preferida dos voluntários sempre voltava a compor as duplas, o que facilitava a escolha.

Durante as decisões simples, a tomografia mostrou que a região do córtex pré-frontal dorsolateral (CPFDL) se reduzia e, em compensação, a do córtex pré-frontal ventromedial se mostrava mais intensa. Na prática, o resultado indica que o centro do controle racional do CPFDL é exigido quando o ato de escolher não provoca grandes emoções. Mas, se avistamos aquilo que mais nos agrada, as regiões cerebrais de controle cognitivo são desativadas e aliviadas – e aí, as emoções falam mais alto.

OUTROS OLHARES

AO PÉ DO OUVIDO

Os fones sem fio, puxados pelos AirPods, popularizaram-se em todo o mundo, criaram um mercado e inauguraram novíssimos hábitos

Tudo o que faz muito sucesso hoje em dia, inaugurando novos mercados, abrindo avenidas, é alvo do humor multiplicado em memes, da graça que apenas confirma o nascer de uma boa ideia, daquelas que cedo viram mania. Nada se perdoa. Foi assim com os fones sem fio da Apple, lançados em 2016. Uma das piadas diz o seguinte, imaginando o diálogo de um casal na cama: “Não vou tirar os AirPods durante o sexo, isso é inegociável”. A brincadeira é reveladora, ao mostrar que os pequenos aparelhinhos brancos já são quase como uma segunda pele, colados em quem os usa.

De início, houve também desconfiança, outro movimento clássico diante de pioneirismos. ”Um bom truque para nunca perder seus AirPods é amarrá-los com uma corda e prendê­ la   no smartphone”, escreveu o roteirista canadense Jonny Sun, titular da série de comédia BoJack Horseman, da Netflix, em post em seu perfil no Twitter, e que então fez ressoar um primeiro estranhamento diante da inovação. Ressalte-se que esse mesmo incômodo de primeira hora brotou em 2007, quando Steve Jobs, o gênio criativo da Apple, apresentou com estardalhaço o iPhone ao mundo. O resto é história.

Os AirPods se espalham. Somente no primeiro ano, foram vendidos 16 milhões de unidades do dispositivo, que se tornou o segundo produto da Apple com mais exemplares comercializados na estreia, atrás tão somente do iPad, de 2010. Em 2018, saíram dos estoques outros 28 milhões de pares, e as previsões são otimistas: 55 milhões em 2019 e, em 2020, 80 milhões. O êxito, é claro, atraiu a concorrência.

Na disputa pelo mercado surgiram nomes de peso para encarar a Apple. Na última semana de setembro, a Microsoft lançou o Surface e a Amazon, o Echo Buds. O primeiro, de cor branca e formato redondo, pode controlar a passagem de músicas e o volume por toque, tem integração por voz com os programas do pacote Office e será vendido a 249 dólares. O segundo, de cor preta e superfície abaulada, é capaz de acionar, sem depender do smartphone, o aparelho de assistência virtual Alexa – que começou a ser comercializado há duas semanas no Brasil -, e sairá por 130 dólares. Em fevereiro, o gigante sul-coreano Samsung, o principal concorrente da Apple na indústria de celulares, juntou-se à briga pelos, digamos assim, ouvidos dos clientes, com o Galaxy Buds. Todavia, a competição não será fácil: a marca da maçã mordida já domina 85¾ das vendas.

A onda do sem fio, meio escondido, meio à vista, gera novos hábitos. Nos Estados Unidos, pais onde 68% das empresas aboliram as separações com paredes, ou divisórias, nos escritórios, profissionais utilizam os fones para se isolar, criando ambientes menos ruidosos de trabalho. A contrapartida: segundo um recente estudo da Universidade Harvard, estima-se que as singelas traquitanas possam ter sido um dos elementos que levaram à diminuição em até 70% da interação entre colegas. O sociólogo Claude Fischer, da Universidade da Califórnia em Berkeley, chegou a avaliar, em entrevista ao site americano BuzzFeed: “Quando novas coisas surgem, sempre há um período de adequação às novas regras. Quem sabe em cinquenta anos todos vão ter um pequeno chip ao crânio. E, quem sabe, poderemos assistir à TV, em nossos olhos”. Soa um tanto distante, talvez seja mesmo – mas os AirPods, que nasceram debaixo de gracejos e acenos para uma manhã improvável, hoje já soam como brincos.

GESTÃO E CARREIRA

CAUSA URGENTE

Com os casos de violência contra a mulher aumentando no brasil, empresas entendem que as vítimas podem estar dentro de suas operações e se engajam no combate ao problema. Veja qual é o papel do RH nesse processo

Denise Neves dos Anjos era uma funcionária exemplar. Gerente de uma loja do Magazine Luiza na cidade de Campinas, no interior de São Paulo, não dava pistas de que vivia um drama pessoal fora dali. Vítima de violência doméstica, os colegas de trabalho só descobriram que ela era constantemente agredida quando o ciclo de agressão atingiu seu ápice: o feminicídio. Em 2017, aos 37 anos, a profissional foi brutalmente assassinada pelo marido. Situações assim não são isoladas no Brasil. De acordo com o 13° anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, lançado em agosto, há um registro de violência doméstica a cada 2 minutos no país. Só em 2018 foram 263.067 casos de lesão corporal dolosa, aumento de 0,8% em comparação ao ano anterior, e 1.206 assassinatos – alta de 4% no mesmo período. Em 88,8% das mortes, o autor do crime era o companheiro ou o ex-companheiro.

A morte da trabalhadora gerou um questionamento em Luiza Helena Trajano, presidente do conselho de administração do Magazine Luiza: “Por que ninguém da loja reparou que havia um problema ali?” Decidida a evitar que a situação se repetisse, a executiva criou há dois anos um programa de acolhimento para as funcionárias vítimas de violência.

Sua primeira medida foi disponibilizar um canal telefônico no qual as empregadas pudessem buscar ajuda psicológica e jurídica. Desde a inauguração da linha, 274 mulheres já foram atendidas. Em 15% dos casos, foi necessário transferi-las para outra unidade por motivos de segurança. E a busca pela ferramenta, segundo a companhia, tem crescido: em 2018 foram 108 atendimentos. Até setembro deste ano, já eram 109 registros (hoje, todos os novos empregados são apresentados oficialmente ao programa durante a integração).

Além da criação de um canal de apoio, outra atitude do Magazine Luiza foi treinar a liderança para identificar evidências de violência doméstica. “Orientamos os gestores a checar a baixa produtividade, observar se a mulher fica pelos cantos, se ela chora, se não quer fazer amizade”, diz Tarsila Mendonça, analista de integridade do Magazine Luiza e responsável pelo Canal da Mulher. Segundo ela, foi importante também esclarecer que a agressão não é só física, pode ser psicológica. Isso porque muitas vezes quem acessa a ferramenta não é a vítima – e sim um chefe ou colega que conseguiu identificar o problema.

Cristina Kerr, professora na Fundação Dom Cabral e CEO da CKZ Diversidade, consultoria de diversidade para empresas, ressalta que o principal desafio do RH nesse processo é conscientizar e sensibilizar a organização. “As pessoas costumam achar que elas não têm nada a ver com isso. Primeiro, é essencial desconstruir aquela crença, que aprendemos desde cedo, de que “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”, diz a especialista. Se o assunto for um tabu, dificilmente o canal de apoio será utilizado. “As empresas devem fazer campanhas, rodas de conversa e workshops sobre o tema, explicitando que apoiam a causa”, completa Cristina.

Esse papel “comunicador” do RH, de criar espaços de diálogo e de troca de informações, é funda­ mental para que os funcionários sintam que a preocupação é genuína e tenham coragem de agir.

Com 80% de mulheres em seu quadro, a Marisa abraçou a questão em março deste ano, depois de receber nove pedidos de socorro de funcionárias que estavam sendo ameaçadas ou agredidas pelos companheiros. Antes de iniciar um programa de combate à violência doméstica, a companhia procurou o Magazine Luiza. Depois de ouvir os conselhos da própria Luiza Helena Trajano, os executivos da varejista de moda conversaram também com os responsáveis pelo canal para entender qual seria a melhor maneira de estruturar a própria política. Depois disso, a Marisa ainda aplicou uma pesquisa sobre violência doméstica em todos os empregados para mapear o que pensavam a respeito.

O resultado do levantamento apontou que o conhecimento era alto entre o público feminino e o masculino: 98% das mulheres e 95% dos homens afirmaram que sabiam do que se tratava a violência doméstica. Ainda assim, a Marisa detectou que a maioria associava a questão exclusivamente à agressão física. Mas a lei diz que situações de abuso emocional, como desvalorização, xingamento e piadas machistas, também configuram violência.

A fim de informar seu público interno, a Marisa levou a promotora de Justiça Gabriela Manssur, do Ministério Público de São Paulo, (MPSP) ao escritório central para fazer uma palestra sobre o assunto. A companhia também produziu um vasto material informativo. “Elaboramos um calendário de comunicação para esclarecer o que é violência doméstica. Usamos nossa plataforma online de treinamentos, as TVs internas, os murais, a intranet e até reuniões conduzidas pela liderança para falar sobre o tema. Além disso, temos 20 embaixadores da causa que geram discussões e planos de ação”, diz Carolina Ferreira, gerente jurídica da Marisa.

Inspirada pelos resultados do Magazine Luiza, com quem fez benchmarking, a Marisa criou o próprio canal para as empregadas buscarem ajuda. Para isso, contratou consultorias especializadas para atendê-las e orientá-las. Todo o processo é sigiloso e, quando necessário, a equipe atende a vítima presencialmente. “Com as mulheres que estão em situação de violência ou na iminência de sofrer abuso, há um acompanhamento diário até que a situação seja resolvida. Caso a funcionária queira seguir com o pedido de medida protetiva, a Marisa aciona a Delegacia da Mulher ou delegacias comuns, a depender da região, indicando a ela o melhor direcionamento”, afirma Carolina. Já se a ligação é feita por um terceiro – como um gestor, por exemplo -, a assessoria especializada entra em contato com a empregada para compreender o caso com todo o cuidado.

O maior desafio do programa, pontua Carolina, é convencer as mulheres a usá-lo. “Elas se sentem envergonhadas e temem o julgamento. Como muitas têm medo de fazer uma denúncia formal, nossa missão é desmistificar a ideia de que o canal é uma ligação direta com a polícia”, afirma a executiva, que também é líder da comissão de Enfrentamento à Violência Doméstica Contra a Mulher da Marisa.

O grupo, formado por oito mulheres que atuam em diferentes áreas da varejista, como jurídica, RH, marketing e operações, se reúne uma vez por mês para discutir casos críticos e preparar materiais e ações sobre o assunto, além disso, responde diretamente ao presidente da companhia, Marcelo Pimentel. Além de ser positivo para as vítimas, o combate à violência é benéfico para o mundo corporativo, inclusive em aspectos menos óbvios, como atração e retenção de talentos. Pesquisas mostram que gerações como a Z – nascidos a partir dos anos 90 – são mais seletivas quando buscam um emprego. Fora autonomia e flexibilidade, elas querem alinhamento de valores e um propósito na carreira. “A empresa que foca os temas sociais ganha a confiança de consumidores e funcionários. Quem não quer trabalhar numa companhia engajada?”, diz Elizabeth Scheibmayr, líder do comitê de combate à violência da Rede Mulheres do Brasil. Presidida por Luiza Helena Trajano, a Rede Mulheres do Brasil busca despertar a sociedade civil para conquistar melhorias para o país. O grupo tem mais de 25.000 integrantes no Brasil e no exterior. “As empresas têm medo de perder dinheiro, mas uma funcionária que sofre violência doméstica falta, fica desconcentrada, adoece e pede demissão. Há uma perda de potencial humano. E isso afeta financeiramente a companhia.” Um estudo realizado em 2017 pela Universidade Federal do Ceará (UFC) em parceria com o Instituto Maria da Penha (IMP) no Nordeste, com 10.000 mulheres, mostrou que, naquele ano, as trabalhadoras que declararam sofrer violência por parte dos companheiros faltaram ao trabalho, em média, 18 dias no ano. Entre elas, 47% relataram perder de um a três dias; 22%, de quatro a sete dias; 20%, de oito a 29 dias; e 12%, 30 dias ou mais. O levantamento estimou que, só por causa do absentismo causado por violência doméstica, a perda para as companhias de capitais nordestinas é de cerca de 64,4 milhões de reais.

MOVIMENTO CRESCENTE

No fim de agosto, o Instituto Avon e a ONU Mulheres lançaram a Coalizão Empresarial pelo Combate à Violência Contra Mulheres e Meninas com o intuito de envolver líderes da iniciativa privada contra o problema. Mais de 100 CEOs se reuniram em São Paulo para assinar o compromisso voluntário, que prevê ações como a adesão aos princípios de empoderamento das mulheres, desenvolvimento de atividades de capacitação para o enfrentamento da violência doméstica, implementação de políticas contra o assédio sexual e promoção de campanhas internas contra a agressão feminina.

“Não imaginávamos que a adesão seria tão grande. Mas tocamos em um problema latente. Afinal, onde estão as vítimas de violência doméstica? Estão dentro das empresas. Se você tem uma organização que emprega mulheres e acredita que não há casos de violência, tome cuidado. Você pode não estar prestando a devida atenção”, diz Daniela Grelin, diretora executiva do Instituto Avon. Quando uma companhia toma consciência de que o problema também é dela, abre uma janela de oportunidade para essas mulheres. Pesquisa encomendada em fevereiro pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública ao Datafolha mostrou que 52% das vítimas não denunciaram o algoz. Um dos motivos é a dependência financeira do parceiro.

Pensando nisso, a promotora Gabriela Manssur idealizou o projeto Tem Saída. A iniciativa, que conta com o apoio do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) e da prefeitura de São Paulo, ajuda mulheres que estão sendo atacadas pelo marido a conseguir um emprego. Essas profissionais vão até os postos da Secretaria do Trabalho e do Empreendedorismo e são encaminhadas para vagas de uma das empresas parceiras.

Hoje, a iniciativa tem dez companhias participantes, entre elas Carrefour, Atento, Sodexo e Magazine Luiza. “Contratar essas mulheres demanda atenção por parte do RH. Na entrevista de emprego, o olhar deve ser mais cuidadoso. Não é recomendado questionar detalhes da vida íntima da candidata. O recrutador tem de considerar que ela está fragilizada e evitar perguntas que a façam voltar à situação de violência”, explica Sarnir Silva, gerente de gestão de pessoas do Magazine Luiza. Ele ressalta ainda que a chefia precisa estar preparada para algumas ausências dessa funcionária, tanto para ir a audiências quanto para solucionar eventuais questões pessoais.

Ao todo, 156 mulheres já foram recrutadas pelas companhias que integram o Tem Saída. “Mulheres que pensavam que nunca sairiam desse círculo vicioso es tão recebendo uma oportunidade. É gratificante receber o feedback delas e saber que as ajudamos a começar de novo”, diz Lilian Rauld, líder de diversidade e inclusão da Sodexo On-site Brasil, que recruta mulheres a partir do programa.

Uma das contratadas pela Sodexo On-site foi Mariana (nome fictício para preservar a identidade da vítima). Casada por 11 anos, ela foi submetida aos mais diversos níveis de violência. Conheceu o projeto Tem Saída por indicação de psicólogos quando fazia terapia no Fórum do Butantã, em São Paulo.

Antes de conseguir a vaga de assistente administrativa, a profissional trabalhava informalmente na clínica da sogra. “Quando me separei, eu tinha 31 anos e nenhum registro em carteira. Era um vazio enorme. Agora tenho autonomia e faço planos para voltar à faculdade de psicologia”, afirma.

OS TENTÁCULOS DA AGRESSÃO

Há cinco formas de violência doméstica contra o público feminino. São elas:

FÍSICA – Qualquer conduta que ofenda a integridade ou a saúde corporal da mulher.

PSICOLÓGICA – Atitudes que causem dano emocional e diminuição da autoestima, prejudiquem o pleno desenvolvimento e visem degradar ou controlar ações, comportamentos, crenças e decisões da mulher, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, violação de intimidade, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir.

SEXUAL – Quando o homem constrange a mulher a presenciar, manter ou participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força. Entram nesta categoria de violência ações que induzam a mulher a comercializar ou utilizar, de qualquer modo, sua sexualidade, que a impeçam de usar método contraceptivo ou que a forcem ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição.

PATRIMONIAL – Qualquer atitude que acabe em retenção, subtração, destruição parcial ou total de objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens e recursos econômicos.

MORAL – Qualquer ação que configure calúnia, difamação ou injúria.

ALIMENTO DIÁRIO

QUANDO O CÉU INVADE A TERRA

CAPÍTULO 12 – NOSSA DÍVIDA PARA COM O MUNDO: UM ENCONTRO COM DEUS

A unção do Espírito Santo é a Sua real presença sobre nós para o nosso ministério. O propósito da unção é tornar natural o que é sobrenatural.

Normalmente temos entendido que a promessa “Eu serei contigo”, feita pelo Deus da aliança, vem de encontro à necessidade humana de se ter coragem para enfrentar o que é impossível. Não há dúvida alguma quanto a que a presença de Deus é o que nos traz um grande conforto e paz. Mas a presença de Deus sempre foi prometida aos Seus escolhidos, para lhes dar a certeza da vitória diante de circunstâncias não favoráveis.

Ele é o grande tesouro da humanidade. E sempre o será. Foi essa revelação que possibilitou a obra revolucionária do apóstolo Paulo. Foi o que deu forças a um rei, que se chamava Davi, para arriscar a sua vida com o objetivo de transformar o sistema de sacrifício e adoração. Moisés precisou ter essa certeza, sendo aquele que foi enviado à presença de Faraó e seus magos que eram possuídos por demônios. Todos esses homens, que foram usados por Deus, precisaram ter uma incrível convicção para realizarem o seu chamado.

Josué teve que enfrentar a situação de ser o sucessor do grande Moisés, que foi com quem Deus falou face a face. E então teve que liderar Israel até aonde Moisés não pôde ir. A palavra de Deus para ele foi uma palavra de grande encorajamento e exortação. Ela termina com a suprema promessa: “Eu serei contigo”.

Gideão recebeu também uma tarefa impossível. Ele era o menor da sua família, que era a mais pobre da sua tribo, que era a menor tribo de Israel. Contudo Deus o escolheu para liderar os israelitas e levá-los à vitória contra os midianitas. Seu encontro com Deus é um dos mais interessantes, registrados nas Escrituras. Muitos que eram temerosos foram encorajados pela experiência de mudar de atitude pela qual Gideão passou. Deus o transformou a partir da promessa: “Eu estou contigo”. A Grande Comissão tem um conteúdo muito interessante para aqueles que se lembram de como eram os homens para quem Deus estava dando essa incumbência: eram homens gananciosos, orgulhosos, cheios de ira, egoístas. Contudo Jesus os chamou para transformar o mundo. Qual foi a única promessa que lhes fez antes de desaparecer de diante dos olhos deles? “Estou convosco todos os dias”, isto é, para todo o sempre.

Sabemos que esta promessa é dada a todo aquele que invoca o nome de Jesus para ser salvo. Mas por que uns têm um senso muito maior da presença de Deus em sua vida, em relação a outros? É por darem um grande valor à presença de Deus, o que não acontece com aqueles outros. Os que com prazer desfrutam da comunhão com o Espírito Santo durante todo o tempo são extremamente conscientes de como Ele se sente diante das palavras por eles proferidas, das atitudes por eles tomadas e das atividades por eles realizadas. A percepção de O estarem entristecendo lhes traz muita tristeza também. A paixão deles é dar a Ele a primazia em tudo. Essa paixão leva esses crentes a terem uma vida sobrenatural – com uma constante ação do Espírito operando através deles.

UNGIDO COM DEUS

A presença de Deus é para ser percebida na unção. Lembre-se que a unção é o estado de quem foi ungido – é Deus nos cobrindo, estando sobre nós com a Sua presença cheia de poder. Atos sobrenaturais acontecem quando andamos na unção!

Para uma grande maioria, a unção tem sido reservada pela Igreja para benefício da própria Igreja. Muitos não têm compreendido por que Deus nos cobre com Ele mesmo, e pensam que é por nossa causa, tão somente. Mas lembremo-nos de que, no Reino de Deus, somente conseguimos manter conosco o que damos aos outros. Esta maravilhosa presença de Deus é para ser levada ao mundo. Se não for, nossos frutos diminuirão. Será que Ele nos deixa? Não. Mas talvez a seguinte frase o ajude a entender melhor este ponto: o Espírito está em mim para me abençoar, mas Ele está sobre mim para que outras pessoas sejam abençoadas!

Todo ministério não apenas deve estar sob o poder do Espírito, mas deve ter também uma ação de ajuntar. Jesus disse: “Quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha.” Se o nosso ministério não ajuntar as pessoas, haverá divisões. Ou damos ao mundo o que nos foi dado por Deus, ou o que recebemos causará divisões. É a nossa postura perante o mundo que nos manterá no centro dos Seus propósitos.

A unção capacita-nos a levar o mundo a ter um encontro com Deus. Esse encontro é a nossa dívida para com mundo. Por causa disso, todo evangelista que se preze deve clamar a Deus para ter uma unção maior; e todo crente deve clamar com o mesmo objetivo. Quando somos ungidos com Deus, essa unção nos lava de tudo o que nos sujou por termos tido contacto com impurezas; e essa unção quebra todo jugo das trevas.

Normalmente entendemos a necessidade de termos unção para pregar a Palavra e para orar pelos enfermos. Esses são apenas dois modos pelos quais, com frequência, levamos as pessoas a ter um encontro com Deus. Além da unção nessas duas atividades, aquele que tem uma unção permanente em sua vida é que terá muito mais oportunidades no seu ministério.

Eu costumava frequentar um restaurante de comidas naturais em nossa cidade. Era uma casa do tipo que tinha uma música estranha e onde se vendiam muitos livros escritos por gurus e ainda manuais ocultistas. Fui fazer um negócio de Deus ali por causa de um compromisso que fiz de levar a luz de Deus aos locais de maiores trevas da cidade. Meu desejo foi o de que eles vissem o contraste que há entre o que eles pensam que é luz e o que realmente é Luz. Antes de entrar, eu sempre orava pedindo que a unção de Deus viesse sobre mim e fluísse através de mim. Eu percorria todo o restaurante, de um lado para o outro, orando silenciosamente no Espírito, pedindo que Deus enchesse aquela casa.

Certo dia o proprietário do estabelecimento dirigiu-se a mim e disse:

“Alguma coisa fica diferente quando o senhor entra aqui.” Naquele dia uma porta se abriu, uma porta que me deu muitas oportunidades para um futuro ministério. A unção que estava sobre mim capacitou-me para servir a Deus.

NÃO SUBESTIME ESTA FERRAMENTA

Jesus ia por um caminho apinhado de gente por todo lado querendo chegar o mais perto possível dele. Uma certa mulher conseguiu alcança ­lo e tocou nas vestes de Jesus. Ele parou e perguntou: “Quem foi que me tocou?” Os discípulos ficaram espantados com tal pergunta porque, para eles, a resposta era óbvia: “ninguém tocou!” Mas o Senhor continuou dizendo ter sentido que Dele saíra poder (dynamis). Ele estava ungido pelo Espírito Santo. O poder real do Espírito de Deus saiu de Jesus e fluiu para o corpo daquela mulher e a curou. Tal corno acontece com todo crente, a unção estava presente no corpo físico de Jesus. A fé demonstrada por aquela mulher reivindicou a unção que estava em Jesus. Ela foi curada porque a unção quebra o jugo.

Um versículo bastante popular aplicado no recebimento de ofertas é: “De graça recebestes, de graça dai”. Mas o contexto do mesmo é frequentemente esquecido. Jesus estava referindo-se ao ministério no sobrenatural. Veja a implicação disso: eu recebi alguma coisa que tenho que dar para as outras pessoas! O que foi que recebi? O Espírito Santo. Ele é a maior dádiva que se pode receber. E Ele habita em mim.

Quando ministramos em unção, na verdade compartilhamos aos outros a presença de Deus; nós a transferimos para eles. Jesus também ensinou os discípulos o que ele queria dizer com “dai”. Ele mencionou as coisas mais óbvias, tais como curar os enfermos, expulsar os demônios, etc. Mas Ele também incluiu um aspecto muitas vezes esquecido: “Ao entrardes na casa … venha sobre ela a vossa paz”. Há urna real transmissão da Sua presença nessas situações. É assim que levamos o perdido a ter um encontro com Deus. Aprendemos a reconhecer a presença do Espírito em nós, cooperar com a Sua paixão pelas pessoas, e convidá-las a receber a salvação.

Ele nos transformou em mordomos da presença de Deus. Isso não significa que podemos manipular e fazer uso da Sua presença para atender a nossos próprios propósitos religiosos. Somos levados a uma nova condição pelo Espírito Santo, tornando-nos assim colaboradores com Cristo. Nessa condição O convidamos a invadir as circunstâncias que surgem em nossa vida.

Como mordomos, obviamente as ações que mais fazemos são pregar e orar pelas necessidades específicas dos outros. Não subestimemos essa importante ferramenta. Ficando atento às oportunidades que surgem para servir, cada um de nós poderá dar ao Espírito Santo a oportunidade de fazer o que somente Ele pode fazer: milagres. Nem todas as pessoas por quem oro são curadas. Mas há muito mais pessoas que foram curadas do que haveria se eu não tivesse orado por ninguém!

Dê urna oportunidade a Deus para que Ele faça o que somente Ele pode fazer. Ele busca aqueles que estejam dispostos a serem ungidos com a Sua presença, e que permitam que ela atinja e abençoe outras pessoas. Recentemente, um ministro que nos visitava nos disse: “A diferença entre vocês e eu é: se oro por um morto e ele não ressuscita, eu oro de igual forma pelo próximo morto que me aparece. Eu não desisto.”

Jesus disse: “Se eu não realizo as obras do meu Pai, não creiam em mim.” As obras do Pai são os milagres. Até mesmo o Filho de Deus afirmou que eram os milagres que validavam o Seu ministério na terra. Nesse contexto Ele disse: “Aquele que crê em Mim fará também as obras que eu faço, e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai”. Atuar na realização de milagres é uma grande parte do plano de Deus para este mundo. E isso é feito através da Igreja.

Repito agora o que já disse anteriormente: “Como anseio pelo dia em que a Igreja dirá ao mundo, ‘Se não fizermos os milagres que Jesus fez, vocês não precisam crer em nós’.” A Bíblia diz que temos de desejar ardentemente os dons espirituais (buscá-los com grande empenho!). E diz também que os dons nos estabelecem, nos fortalecem. Que dons fazem isso? Todos eles.

RECEBENDO O CÉU EM NOSSO INTERIOR

Minha dívida para com o mundo é uma vida cheia do Espírito, pois o que lhe devo é um encontro com Deus. Sem a plenitude do Espírito Santo em meu interior e também sobre mim, não entrego a Deus um vaso em total submissão pelo qual Ele possa fluir.

A plenitude do Espírito foi o objetivo de Deus de começo a fim na lei e nos profetas. Seu alvo imediato foi a salvação, mas o seu último objetivo foi a plenitude do Espírito nos crentes, aqui neste mundo. Fazer com que o céu nos receba nem de perto é um desafio tão grandioso como fazer o céu ser recebido em nós. Isto se realiza por meio da plenitude do Espírito em nós.

A REVELAÇÃO DE JACÓ

Jacó, um dos patriarcas do Antigo Testamento, dormia a céu aberto quando teve um sonho que nos possibilitou ter uma das mais surpreendentes revelações jamais recebidas pelo homem. Ele viu o céu aberto, com uma escada que descia até a terra. Nessa escada havia anjos que subiam e desciam. Jacó estava amedrontado, e disse: “O SENHOR está neste lugar, e eu não sabia.” Esta declaração descreve bem o que temos testemunhado no avivamento pelo qual temos passado nos últimos anos: Deus está presente, embora muitos não percebam isso.

Tenho presenciado o toque de Deus em milhares de pessoas neste atual derramar do Espírito: conversões, curas, casamentos restaurados, vícios de drogas sendo quebrados e endemoninhados libertos. A lista de como as pessoas foram transformadas é imensa e a cada dia tem aumentado ainda mais – glória a Deus! Conquanto muitos tenham sido transformados, sempre há nas mesmas reuniões pessoas que mal podem esperar o término do culto para irem embora. Há os que reconhecem a presença de Deus e são para sempre transformados; mas há os que nunca tiveram o entendimento de que eles também poderiam ter sido abençoados.

JESUS, O TABERNÁCULO DE DEUS

O sonho de Jacó nos dá a primeira menção a respeito da casa de Deus nas Escrituras. Essa casa continha a Sua presença, uma porta para o céu, uma escada, e anjos que desciam e subiam do céu para a terra e da terra para o céu.

Jesus afirma a revelação de Jacó sobre a habitação de Deus no planeta terra, mas de uma forma totalmente inesperada. João 1:14 diz: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós”. A palavra habitou significa “tabernaculou”. Jesus é apresentado aqui como o Tabernáculo de Deus na terra. Mais adiante, neste mesmo capítulo, Jesus diz que os seus seguidores veriam “anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”. Detalhes da revelação de Génesis 28 sobre a habitação de Deus são vistos na pessoa de Jesus. Ele é uma ilustração da revelação de Jacó.

JESUS PASSOU O BASTÃO

Para que viéssemos a ser tudo que Deus quis que fôssemos, lembremo-nos de que a vida de Jesus foi o modelo do que o homem poderia ser se tivesse um relacionamento correto com o Pai. Pelo derramar do Seu sangue, Ele tornou possível que todo aquele que viesse a crer em seu Nome pudesse fazer o que Ele fez e se tornasse tal como Ele era. Isso quer dizer que todo verdadeiro crente teria acesso à dimensão da vida que Jesus viveu.

Jesus veio como a luz do mundo. Então Ele passou o bastão para nós, dizendo que somos a luz do mundo. Jesus veio na condição de quem operava milagres. Mas Ele disse que nós faríamos “obras maiores” do que as Suas. E ele veio ainda com uma palavra que, de todas, foi a mais surpreendente: “Agora o Espírito Santo está convosco, mas Ele estará em vós.”  Jesus, que demonstra para nós o que é possível para aqueles que estão com um relacionamento correto com Deus, agora nos diz que o Seu povo deve ser o tabernáculo de Deus no planeta terra. Paulo confirma essa revelação ao dizer: “Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” e “Estais sendo edificados para habitação de Deus no espírito”.

Qual foi a revelação inicial sobre a habitação de Deus entre nós? Ela contém a presença de Deus, uma porta para o céu e uma escada com anjos descendo e subindo por ela. Por que é importante entender isso? Essa revelação mostra os recursos que se acham à nossa disposição para realizarmos o plano do Mestre.

Frank DaMazio, da City Bible Church, em Portland, Oregon, nos dá um grande ensinamento com respeito a este princípio e a igreja local. Ele se refere a Igrejas Portais. Este princípio de sermos mordomos da esfera celestial, mais do que uma incumbência dada a um indivíduo, torna-se o privilégio de toda uma Igreja, em benefício de toda a sua cidade.

ANJOS COM UMA TAREFA

Os anjos são seres impressionantes. São cheios de glória e poderosos. Tanto assim que, quando aparecem nas Escrituras, muitas vezes as pessoas querem adorá-los. Conquanto seja uma tolice adorá-los, é igualmente uma tolice ignorá-los. Os anjos têm a tarefa de servir onde quer que nós estejamos servindo, em caso de necessidade do elemento sobrenatural.” Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para serviço a favor dos que hão de herdar a salvação?”

Creio que os anjos têm se sentido desprestigiados, porque vivemos um estilo de vida que não requer muito a participação deles. Eles têm a missão de nos assistir em realizações sobrenaturais. Se não somos pessoas que se dispõem a correr algum risco, então há pouco espaço para o sobrenatural. Um certo risco tem que ser assumido, quando buscamos uma solução para situações impossíveis. Quando a Igreja recupera o desejo de alcançar o impossível, os anjos passam a ter uma atividade mais intensa em seu meio.

À medida que o fogo do avivamento se intensifica, também crescem as atividades sobrenaturais entre nós. Se os anjos têm a missão de nos assistir em realizações sobrenaturais, então há necessidades de ordem sobrenatural. Um certo risco tem que ser assumido para que tenhamos solução para toda situação impossível. O evangelho de poder é a solução para a trágica condição da humanidade. John Wimber disse: “Fé soletra­se com as letras R-I-S-C-0.” Se realmente quisermos mais de Deus, teremos de mudar o nosso estilo de vida, para que a manifestação da Sua presença aumente sobre nós. Não se trata de um ato de nossa parte, com o objetivo de querer, de algum modo, manipular Deus. Não, mas é uma ousada tentativa de nossa parte de chegarmos até Ele com a Sua Palavra, de forma que, quando obedecemos radicalmente o encargo que Ele nos deu, Ele diz amém, liberando o miraculoso. Desafio você, leitor, a buscar a Deus com todo fervor! E, na sua busca, fique firme num estilo de vida sobrenatural, de forma a manter as hostes do céu ocupadas, anunciando o Rei e o Seu Reino!

NÃO DÊ ORDENS AOS ANJOS

Embora Deus tenha determinado que os anjos nos assistam no desempenho da nossa comissão, não me ponho numa posição de dar ordens aos anjos. Alguns acham que têm tal liberdade, mas creio que essa seria uma colocação um tanto estranha. Tenho razões para acreditar que eles são comissionados por Deus em resposta às nossas orações.

Daniel precisava de uma resposta de Deus. Ele orou por 21 dias. Um anjo finalmente apareceu com a resposta. Disse ele a Daniel: “Então, me disse: Não temas, Daniel, porque, desde o primeiro dia em que aplicaste o coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, foram ouvidas as tuas palavras; e, por causa das tuas palavras, é que eu vim. Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu por vinte e um dias; porém Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu obtive vitória sobre os reis da Pérsia.”  Quando Daniel orou, Deus respondeu enviando um anjo com a resposta. O anjo foi barrado. Daniel continuou a orar, o que dá a entender que suas orações contribuíram para que o arcanjo Miguel fosse liberado para lutar e dar condições para que o primeiro anjo pudesse entregar a mensagem.

Em muitas outras situações vemos anjos vindo em resposta às orações dos santos. Em todas as ocasiões eles foram enviados pelo Pai, para um determinado serviço. Creio que o melhor é orarmos bastante, e deixarmos que Deus dê ordens a Seus anjos.

ENTRANDO NA ZONA DO CREPÚSCULO

Viajo a muitas cidades que espiritualmente estão em densas trevas. Quando se entra numa delas, dá para sentir urna opressão. Levando em conta o que eu represento para urna cidade assim, seria um erro meu dar muita atenção às trevas. Não quero deixar-me impressionar nunca com as obras do diabo. Vou na condição de que eu sou urna habitação de Deus. Desse modo eu tenho em mim urna porta para o céu, com urna escada que provê a ação dos anjos, segundo as necessidades do momento. De um modo bem simples, posso dizer que sou um céu aberto! Isso não se aplica a apenas uns poucos crentes. Pelo contrário, essa revelação é sobre a habitação de Deus, e os princípios dessa habitação aplicam-se a todos os crentes.

Mas são poucos os que têm entendimento dessa bênção em potencial e a aplicam em sua vida. Tendo em mim um céu aberto, torno­ me um veículo nas mãos de Deus para liberar os recursos do céu para as calamidades que ocorrem entre os homens. Os anjos são comissionados para desempenhar a vontade de Deus. “Bendizei ao SENHOR, anjos seus, magnificas em poder, que cumpris as suas ordens, obedecendo à voz da sua palavra.” O SENHOR está muito mais ávido para invadir este mundo do que nós para recebermos essa invasão. E os anjos desempenham urna parte importante.

Eles respondem ao comando de Deus e fazem com que a vontade divina se cumpra. Mas a voz da Sua palavra é ouvida quando o Pai fala ao coração do Seu povo. Os anjos esperam qµe os filhos de Deus falem a palavra de Deus. Creio que os anjos tornam no trono do Senhor a fragrância da palavra proferida pelo povo de Deus. Eles sabem quando urna palavra veio do coração do Pai. E, então, reconhecem que essa palavra lhes dá urna tarefa a realizar.

Recentemente vi isso acontecer numa reunião na Alemanha. Antes do seu início, eu estava orando com alguns dos líderes que tinham patrocinado as reuniões. Enquanto orávamos, vi em espírito urna mulher sentada à minha direita que sofria de artrite em sua espinha dorsal. Foi urna rápida visão em minha mente, o que equivale a urna voz suave e breve – que facilmente se pode desconsiderar, da mesma forma corno ela facilmente vem até nós. Nessa visão eu a fiz levantar-se e declarei diante dela: “O Senhor Jesus a cura!”

Quando chegou a hora da reunião, perguntei se havia alguém com artrite na espinha. Urna mulher à minha direita acenou o braço. Fiz com que ela se levantasse e declarei para ela: “O Senhor Jesus a cura!” Então lhe perguntei em que parte do seu corpo ela sentia dor.

Ela, chorando, respondeu: “É impossível, mas a dor sumiu!” Os anjos fizeram com que se cumprisse uma palavra que tinha tido a sua origem no coração do Pai. Mas, naquele momento, eu fui a voz da Sua palavra.

DEUS, AQUELE QUE DELEGA

Quando Deus decidiu trazer o Messias através da virgem chamada Maria, Ele enviou um anjo para levar a mensagem. Quando o apóstolo Paulo estava prestes a passar por um naufrágio, um anjo do Senhor lhe disse o que ia acontecer. Em numerosas ocasiões por todas as Escrituras os anjos fizeram o que Deus facilmente poderia ter feito, Ele mesmo. Mas por que não agiu Ele pessoalmente? Pela mesma razão por que Ele não prega o evangelho. Ele decidiu dar à sua criação a satisfação do privilégio de servi-Lo em Seu Reino. Servir com um propósito confirma que há uma identificação com Ele. Uma piedosa autoestima deriva de se fazer “o que Lhe agrada”. E o verdadeiro culto é uma adoração superabundante.

DEUS NÃO SE PRENDE A PADRÕES FIXOS

O mundo de Deus tem invadido o nosso mundo com muita regularidade em salvações, curas e libertações. As manifestações que ocorrem durante essas ações variam muito. E são fascinantes, além de numerosas demais para serem catalogadas. Embora algumas não sejam entendidas com facilidade à primeira vista, sabemos que Deus sempre opera redimindo as pessoas.

Em muitas ocasiões o riso tem tomado conta do local, trazendo cura a corações quebrantados. Um pó de ouro às vezes vem sobre o rosto das pessoas, e também sobre suas mãos e roupas durante a adoração, ou num momento de ministração. Por vezes aparece óleo nas mãos do povo de Deus, especialmente em crianças. Um vento também pode soprar num salão que não tem janelas abertas, nem portas, nem aberturas. Em alguns locais, os crentes viram uma nuvem da presença de Deus sobre a cabeça das pessoas que estavam em adoração. Um dia sentimos a fragrância do céu encher o salão. Também aconteceu comigo a fragrância do céu encher o nosso carro quando Beni e eu estávamos adorando o Senhor numa viagem não muito longa. A fragrância permaneceu por cerca de 30 minutos, e era um aroma que podíamos sentir realmente, semelhante a grânulos de açúcar em minha língua. Já presenciei ainda pequenas pedras preciosas que subitamente apareceram nas mãos dos que estavam adorando a Deus. Desde 1998 temos visto plumas caindo do céu em nossas reuniões.

Na primeira vez que isso aconteceu, pensei que alguns pássaros haviam entrado nos dutos do nosso sistema de ar condicionado. Mas então elas começaram a cair também em outras salas da igreja que não eram ligadas à mesma canalização. Agora as plumas caem em quase todos os lugares por onde passamos: em aeroportos, casas de família, restaurantes, escritórios, etc.

Estou mencionando esse fenômeno porque ele parece ofender muitos dos que têm entrado de todo o coração neste mover de Deus. Jerrel Miller, editor de The Remnant, um jornal que tem o propósito de registrar os eventos relativos ao presente avivamento, foi atingido por um forte calor quando fez um artigo sobre esta manifestação fora do comum. Aqueles que criticaram o seu artigo participam deste avivamento. É fácil – uma vez que tenhamos feito alguns ajustes em nosso sistema de crenças sobre o que Deus pode fazer e faz – pensar que já fomos longe demais. “Nossas crenças agora passam a limitar o mover de Deus.” Esse tipo de erro está bem longe da verdade. Tal como as gerações anteriores a nós, tais pessoas estão, de uma maneira perigosa, perto de quererem regulamentar a obra de Deus, estabelecendo uma nova e revisada lista de manifestações que podem ser aceitas. Não mais apenas lágrimas durante ‘um cântico especial, ou um tempo de arrependimento no fim de um sermão mexendo com as emoções das pessoas.

A nossa nova lista inclui cair no espírito, tremores, risos, etc. O problema é que continua sendo uma lista. Mas Deus não se limita a listas. Ele tem que agir fora de qualquer limitação. Temos de aprender a reconhecer o Seu mover, reconhecendo a Sua presença. Nossas listas servem apenas para revelar o nosso entendimento e as nossas experiências de hoje. Embora eu não pretenda promover manifestações estranhas, nem ir atrás de novidades, recuso-me peremptoriamente a sentir-me perturbado pelo que Deus esteja fazendo. A lista que nos mantém livres de certos erros também nos mantém fora de muitas vitórias.

RECUSANDO-SE A SER PERTURBADO POR DEUS

As manifestações de Deus, conquanto ofensivas para a mente de muitos, são ilimitadas em seu número, e são simples indicadoras da Sua presença e do Seu propósito. Por que são elas necessárias? Porque Deus quer nos levar para além de onde estamos, e somente poderemos chegar lá seguindo sinais. Nosso entendimento atual das Escrituras somente nos pode levar ao ponto em que estamos.

Lembre-se: os sinais são realidades que apontam para uma realidade maior. Se o Senhor nos está dando sinais, quem somos nós para dizer que eles não são importantes? Muitos reagem a esta posição por acharem que há uma idolatria aos sinais. Embora esse raciocínio possa ter nobres intenções, é uma tolice pensar que posso desempenhar o plano de Deus para a minha vida e ao mesmo tempo ignorar Suas observações pessoais ao longo desse caminho. No mundo natural fazemos uso de sinais para nos facilitar encontrar uma cidade, um restaurante em particular, ou o local em que se acha uma empresa. É um modo prático para isso. Do mesmo modo, os sinais e maravilhas são coisas naturais no Reino de Deus. Constituem a maneira normal para nos fazer sair de onde estamos para chegarmos aonde precisamos chegar. Este é o seu propósito. Se os magos não tivessem seguido aquela estrela, eles teriam que se contentar com o que ouvissem de outras pessoas. Eu não quero isso para mim. Há uma diferença entre adorar os sinais e seguir os sinais; com relação a estas duas atitudes, a primeira é proibida, ao passo que a segunda é essencial para nós. Quando seguimos os sinais de Deus, alcançando níveis mais profundos em Deus, Seus sinais nos seguirão em maior medida, em benefício da humanidade.

CONHECENDO O DEUS DE PODER

Quando ensino sobre como buscar um evangelho de poder, por vezes aparece alguém que, quando eu termino a minha mensagem, afirma que de fato temos necessidade de mais poder, mas nos lembra que primeiro temos de procurar conhecer o Deus do poder. São por certo palavras verdadeiras. O poder nos dá bem pouco prazer se não houver um relacionamento íntimo com o Senhor. Mas esse comentário normalmente é o resultado de uma postura de religiosidade. Aquele que tem uma paixão pelo poder e pela glória de Deus quer intimidar os que não chegaram a tanto. Meu anseio pelo poder de Deus somente é ultrapassado pelo meu desejo de estar mais perto Dele. É a minha busca a Ele que tem me levado à paixão por um evangelho autêntico.

Algo aconteceu em mim que não me deixa aceitar um evangelho que não é confirmado com sinais e maravilhas. Será que é porque eu tive uma revelação quanto a milagres na terra? Não! É que eu descobri que não há uma satisfação duradoura na vida a não ser que haja expressões de fé.

VENDO DEUS COMO ELE É

O próximo capítulo nos traz uma surpreendente verdade quanto ao que significa ser como Jesus é.