A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SE ARREPENDIMENTO MATASSE…

Muitas vezes, o arrependimento de ter tomado certas atitudes provoca problemas de saúde física e mental e pode funcionar como um gatilho para a depressão. A curto prazo, os fracassos são mais dolorosos quando é causado por ações que não trouxeram os efeitos que esperávamos. Mas ao longo da vida as oportunidades perdidas costumam ser mais dolorosas

Quem não se arrepende de nada nesta vida? Perdemos a conta das vezes que experienciamos chances perdidas, julgamentos errados, atos impulsivos, palavras ditas (ou caladas) inibições inexplicáveis… Um estudo sobre a expressão cotidiana das emoções mostrou que os sentimentos de arrependimento (“Se eu soubesse…”, “Eu não deveria…”) estão entre os temas mais frequentes nas preocupações diárias. Pesquisa desenvolvida nas universidades de Illinois e Northwestern, nos Estados Unidos, coordenada pelo psicólogo social Neal Roese, com 400 pessoas, revelou que, num primeiro momento, prevalece o pesar em relação ao que acreditamos ter feito de maneira errada e não das chances perdidas. Ao longo do tempo, no entanto, as possibilidades que não aproveitamos tendem a ser as que mais incomodam.

Segundo Roese, homens apresentaram mais arrependimentos ligados à vida acadêmica ou profissional, como não ter feito determinado curso, por exemplo, do que as mulheres. Já elas mulheres lamentavam mais decisões tomadas nos relacionamentos amorosos ou na vida familiar. De forma geral, porém, os arrependimentos que envolvem questões afetivas são os mais frequentes.

Mas, afinal, esse pesar tem alguma utilidade? A pergunta começa a encontrar respostas na ciência. Do ponto de vista da psicologia, o sentimento associa-se a aspectos emocionais (tristeza, às vezes raiva, vergonha ou preocupação) e cognitivos (avaliações de que não agimos como deveríamos). O arrependimento é ligado tanto à ação quanto à ausência dela e se distingue do remorso, que é o arrependimento por ações que prejudicam alguém.

AGIR OU NÃO AGIR?

Psicólogos evolucionistas acreditam que a função do arrependimento seja nos permitir aprender com nossos fracassos e nos incitar a ser mais prudentes no futuro, sem que nos lancemos de novo em uma ação incerta. Para entender melhor, podemos imaginar a seguinte situação: João ia viajar às 17h30, mas quis terminar um trabalho e decidiu pegar ônibus das 19h30, que terminou por se envolver em um grave capotamento, junto com outros veículos. Embora não tenha falecido, como outros passageiros, além do grande trauma, o rapaz ficou bastante ferido. A situação inspira ainda mais pesar por ele ter feito a mudança do que se tivesse previsto desde o início viajar às 19h30. Ele pensa: “Se não tivesse mudado de ideia não teria passado por esse terrível acidente”. De fato, nossos arrependimentos são estreitamente ligados a nossos atos: quanto mais dependente da fatalidade ou de circunstâncias exteriores um acontecimento parece, menos nos arrependemos dele.

Outra situação avaliada por psicólogos sociais: Paulo e Pedro têm ações nas empresas A e B. No ano passado, Paulo, que havia muito tempo investira em ações da A, decidiu passar a investir tudo na B. Mas no último momento acabou não mudando e, por isso, perdeu R$ 2 mil, pois a empresa A teve prejuízos. Já Pedro tinha ações da B, e teve a péssima ideia de transferir tudo para A. Desse modo, ele também perdeu R$ 2 mil. Do ponto de vista estritamente financeiro, ambos tiveram a mesma desventura. Entretanto, quando questionadas sobre qual dos dois deveria sentir mais arrependimento, 92% das pessoas ouvidas estimaram que Pedro provavelmente tinha arrependimentos mais pungentes: sua má inspiração ditou-lhe um comportamento nefasto. Teria sido melhor se nada tivesse feito. Já o arrependimento de Paulo, vítima da própria inação, parece menos penoso às pessoas convidadas a se identificar com os personagens dessa história.

UM CASO DE MIOPIA

Diversos estudos indicam que, em geral, de forma imediata tendemos a nos arrepender mais pelo que fizemos do que pelo que não fizemos. A curto prazo, nossos fracassos são mais dolorosos quando provêm de ações que não trouxeram os resultados pretendidos (como no caso de Pedro, que vendeu suas ações da empresa B no momento errado) que quando resultam de inações (como Paulo, que pensou em comprar ações B, mas não o fez). Simples assim? Não mesmo, essa é só uma parte da história.

Em um artigo de 2006 (que ainda é uma importante referência sobre o assunto) publicado no Journal of Consumer Research, os pesquisadores Ran Kivetz e Anat Keinan afirmam que temos a tendência de condenar as decisões que só enxergam o prazer imediato sem levar em conta as consequências futuras. Outro ponto é que essa condenação é efêmera: a longo prazo (depois de um ano, aproximadamente), considerando a decisão que nos pareceu sábia, o que prevalece é o arrependimento por ter perdido uma ocasião e agido segundo nosso impulso ou desejo.

Kivetz e Keinan recorrem a uma “metáfora óptica”: nossos impulsos são míopes, conseguem ver apenas a satisfação imediata, mas cultivamos a ideia de que é correto agir como hipermetropes, deixando de fazer o que queremos, e focando nas consequências. De imediato podemos até ficar satisfeitos com nosso autocontrole, mas com o passar do tempo lamentamos não termos agido como gostaríamos. Segundo os pesquisadores, o que acontece é que, a longo prazo, os atos passados são integrados numa visão mais ampla e, nesse conjunto, muitas vezes acabamos por lamentar as experiências não vividas.

O EFEITO ZEIGARNIK

O arrependimento que sentimos por não fazer algo parece ser mais memorável que aquele que carregamos por resultado de uma ação. Esse fenômeno é conhecido em psicologia social desde 1935 como efeito Zeigarnik (nome de sua descobridora, a psicóloga soviética Bluma Zeigarnik) e recebeu numerosas confirmações experimentais. Numa pesquisa realizada na década de 80, na França, voluntários foram questionados sobre quais eram seus três maiores arrependimentos por ação e os três maiores por inação. Três semanas depois, os pesquisadores telefonaram para cada um deles para saber se eles se lembravam das respostas dadas. A maioria (64%) lembrava-se mais dos arrependimentos por inação.

O SOFRIMENTO DO PRESENTE

Os dicionários de francês definem regret como “um estado de consciência penoso, ligado ao passado, pelo desaparecimento de momentos agradáveis”. Lamentamos não só escolhas, mas também aquilo que não depende de nossa vontade: o fim da infância, das férias, de um amor. Em seu Tratado das paixões da alma, Descartes o descreveu como um pesar, uma “espécie de tristeza” daquilo que se passou bem. Esse tipo de sentimento, que se assemelha à nostalgia, pode às vezes, e paradoxalmente, causar certo prazer, pois é associado à evocação de momentos agradáveis. Victor Hugo, por exemplo, definia nostalgia e melancolia como “a felicidade de ser triste”.

OUTROS OLHARES

O CHIQUE É BRECHÓ

Comprar roupas e diversificados itens já usados se tornou sinônimo de estilo e sofisticação. O consumo de peças de segunda mão vai superar o fast fashion

Foi-se o tempo que brechó era sinônimo de pó, pulgas, peças antiquadas e, principalmente, preços baixos. Esses espaços foram transformados em verdadeiros relicários com itens já usados e antigos que resistem ao tempo porque têm qualidade e estilo. A moda segue uma mudança de atitude: hoje ser fashion é muito mais que copiar os modelitos das passarelas. Reutilizar os trajes se tornou cool, graças à tecnologia que permitiu a criação de sites e aplicativos de vendas, e à consciência ambiental, que levou os consumidores a se preocuparem com o seu impacto no planeta.Uma pesquisa realizada pelo e-commerce ThredUp 2019 comprovou essa tendência: até 2028, o mercado de roupas usadas nos EUA valerá US$ 64 bilhões, mais que o mercado de fast fashion, que ficará com US$ 44 bilhões. “Passamos por um momento de ressignificar o novo. O mundo está buscando mais autenticidade e sustentabilidade”, diz André Carvalhal, especialista e consultor de moda e comunicação.

PASSATEMPO

As irmãs e sócias Daniela Carvalho, de 32 anos, e Gabriela, de 28, do brechó de luxo online Peguei Bode, percebem que muita coisa mudou desde a sua fundação, há oito anos. O site de consignação conecta compradores com vendedores de roupas, sapatos e itens de grifes consagradas, com preços que vão de R$ 200 a R$ 20 mil. “Quando começamos, muita gente não queria vender, diziam que não precisavam do dinheiro. Hoje todo mundo quer, mesmo para doar o valor para instituições. Virou um hobby”, diz Gabriela.

O carro-chefe da empresa Troca de Luxo, que também vende acessórios, joias e relógios, são as bolsas. A sócia-fundadora Juliana Lucki, de 38 anos, conta que no início do negócio, em 2012, sofreu preconceito por vender peças de segunda mão. “Em um evento num clube da alta sociedade, uma senhora pegou uma bolsa que estava à venda. Quando falei que era usada, ela largou com repulsa. Hoje é o contrário, as pessoas querem tê-las”, diz Juliana, que comemora o crescimento de 200% nas vendas.Foi ali que a designer de joias Flavia Pivatelli, de 36 anos, conseguiu encontrar uma bolsa de edição limitada da Chanel que não está mais disponível nas lojas. Além de comprar, ela gosta de desapegar, afinal, armário lotado não está com nada. “Quando entra uma peça, sai duas”, afirma. “Também troco muita coisa com minhas irmãs. Por que não renovar?” Engana-se quem pensa que apenas os últimos lançamentos são capazes de proporcionar estilo. Chique agora é frequentar brechós

GESTÃO E CARREIRA

O NOVO TEMPO DA EDUCAÇÃO BILÍNGUE

Redes de ensino de idiomas como CNA, Influx, Yazigi, Wise Up e Wizard já encaram a tecnologia como aliada no aprendizado de uma segunda língua. Saiba o que ainda vem por aí

A tecnologia virou o cerne de todos os negócios. Não seria diferente com a educação. Na escola do futuro, será cada vez mais comum notar inovações como inteligência artificial e realidade aumentada. Um estudo realizado recentemente pela Pearson, dona das redes de franquias de ensino de idiomas Wizard, Yazigi e Skill, mostra que 83% dos brasileiros consideram que dispositivos inteligentes e aplicativos serão usados para auxiliar alunos num futuro próximo. Além disso, 77% dos entrevistados acreditam que a inteligência artificial tem um impacto positivo para a educação. “A tecnologia de idiomas no aprendizado já é uma realidade”, diz Piero Franceschi, vice-presidente de franquias da Pearson no Brasil.

A empresa acaba de investir R$ 2 milhões para desenvolver, em parceria com a startup Explore Aprendizagem Criativa, um projeto after school para a bandeira Yazigi. Voltado a crianças e adolescentes entre seis e 14 anos, o programa pretende estimular competências como empatia, autonomia, criatividade e o pensamento crítico dos alunos. “Segundo a nossa pesquisa, 48% dos pais entendem que as escolas básicas não preparam seus filhos para o que eles encontram nesse mundo complexo e volátil em que vivemos”, diz Franceschi.

A modalidade contará com uma carga horária de oito horas semanais, dividida em dois dias da semana, com aulas bilíngues. Durante esse período, as crianças terão atividades de tecnologia, com montagem e programação de robôs; artes, incluindo a encenação de peças autorais; e atividades físicas que estimulem o desenvolvimento da criatividade e autonomia. A Pearson pretende implantar o projeto em ao menos 50 das 290 unidades da rede Yazigi no País em 2020. Em três anos, toda a rede deverá estar adaptada.

Também há novidades para Wizard, principal bandeira do grupo, com 1.280 pontos físicos. A rede desenvolveu um novo programa educacional chamado Future 7, que aborda disciplinas de inteligência emocional, educação financeira, mentalidade digital e pensamento lógico. A estratégia é atender as necessidades do público adulto para o mercado de trabalho. “Sentimos que as universidades não oferecem soft skills, ligados a comportamento e comunicação, e os alunos sentem muita falta disso. Por isso, mudamos a forma como pensamos o nosso negócio para atender melhor esse cliente”, diz Fransceschi. “O programa que já está disponível em 600 escolas, mas a ideia é levá-lo para a rede inteira.”

Na rede CNA, a tecnologia vai muito além do ensino: é utilizada até na gestão das franquias. “Hoje, a comunicação entre franqueador e franqueado é totalmente on-line, tanto através de sistemas de gestão como por meio de portal”, afirma Décio Pecin, CEO do CNA. “Isso proporciona uma relação menos atritosa para que o franqueado possa cuidar do que é essencial para ele: a gestão da escola e dos alunos”. Em seus livros didáticos, a empresa também trabalha com QR Code para conectar os alunos até a página da plataforma CNA Net, onde eles podem acessar jogos, ilustrações e textos complementares às atividades trabalhadas no material didático.

“Os jogos são uma parte utilizada, principalmente pelos alunos teen”, afirma Pecin. “Também estamos trabalhando com realidade aumentada nos nossos livros, o que proporciona sensações inovadoras”. Hoje com 585 escolas, a rede pretende chegar à milésima unidade em 2025. O CNA também desenvolveu recentemente um curso de aprendizagem 100% virtual. “São aulas ministradas por professores de verdade, em salas de verdade. Para isso, nós lançamos um portal do aluno extremamente renovado, que parece uma rede social e que entra no ar em janeiro de 2020”, diz o executivo.

Diante de tempos de crescimento econômico inócuo, o setor de educação segue ganhando espaço. No terceiro trimestre deste ano, o mercado de ensino movimentou R$ 3,2 bilhões, 5% a mais em relação a igual período do ano anterior. Segundo André Friedheim, presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF), as franquias de educação souberam se reinventar, desenvolvendo soluções que integram os canais físico e virtual. “A tecnologia que eles usam é aplicada em várias etapas do processo, incluindo aplicativos, EAD e realidade virtual”, diz. Ainda assim, aprender um segundo idioma continua a ser um desafio. Dados do instituto cultural British Council mostram que apenas 5% da população brasileira sabe se comunicar em inglês, e que apenas 1% o faz isso com fluência. “Como a quantidade de pessoas que domina outra língua ainda é muito pequena, o potencial de crescimento desse mercado é vasto”, afirma Friedheim, da ABF.

GASTRONOMIA

A rede de franquias paranaense Influx investiu R$ 500 mil para desenvolver sua plataforma Seven, um ambiente personalizável onde os alunos podem optar por aprender temas de maior interesse pessoal. Estão disponíveis ferramentas ligadas ao ensino de inglês com base no estudo de áreas como gastronomia, música e arte. “Ele tem um conceito de gamification. Conforme o aluno vai avançando, é como se ele escalasse uma montanha”, compara Leonardo Paixão, CFO e cofundador da Influx. “Os alunos aprendem inglês e espanhol de uma forma lúdica e dentro de um tema sobre o qual têm interesse. Então, o aprendizado fica mais fácil e dinâmico”. A rede passa por um momento de expansão avançada e deve terminar o ano com 170 unidades implantadas – hoje, são 155, sendo três operações próprias. A projeção de faturamento total para a rede este ano é de R$ 350 milhões, alta de 20% em relação a 2018.

Mesmo diante de assédio de concorrentes, a empresa se mantém firme. Segundo Paixão, há pouco tempo, os empresários Carlos Martins Wizard e Flavio Augusto fizeram, por meio do BTG Pactual, uma proposta de compra da empresa. Para Augusto, CEO e controlador da Wiser Educação, que comprou em 2017 a rede de escolas Number One, a consolidação do mercado será liderada por sua empresa. “Não temos hoje ninguém, além de nós, comprando. Vamos buscar consolidar e escolher as melhores operações para trazer para a nossa holding”, diz Augusto. Na Wise Up, principal bandeira da Wiser Educação, a tecnologia está sendo implementada para a parte de gestão da empresa. Prova disso é que 50% dos atendimentos aos mais de 120 mil alunos da rede são realizados por meio de robôs atualmente. Esses são os sinais de uma tendência inexorável para o mercado de ensino de idiomas no Brasil.

ALIMENTO DIÁRIO

QUANDO O CÉU INVADE A TERRA

CAPÍTULO 11 – O ALTO CUSTO DO POUCO PODER

Ganhe para o Cordeiro que foi morto a recompensa pelo sofrimento Dele. (Os Moravianos)

O avivamento é o ambiente em que o poder de Cristo tem a maior possibilidade de se manifestar. Esse poder toca em todas as partes da vida humana, penetrando com muita força na sociedade com centelhas de uma revolução. Esta glória tem um custo, e não é para ser desprezado. Não obstante, uma Igreja sem poder tem um custo bem maior em termos de sofrimento humano e perda de almas. Durante um avivamento, o inferno é saqueado e o céu é povoado. Sem avivamento, o inferno é povoado – e ponto final.

Vou procurar esclarecer sobre a necessidade de sinais e maravilhas em nosso esforço por ver as nossas cidades transformadas e a glória de Deus encher toda a terra. Sem o que se segue, o mundo sofre, Deus é entristecido, e somos os mais miseráveis dos homens:

1. SINAIS E MARAVILHAS REVELAM A NATUREZA DE DEUS…

Um primeiro propósito da ocorrência de milagres é revelar a natureza de Deus. A ausência de milagres opera como um ladrão, roubando uma preciosa revelação que está ao alcance de todo homem, mulher ou criança. Nossa dívida para com a humanidade é dar aos homens respostas para o que é impossível, e possibilitar-lhes um encontro pessoal com Deus. E esse encontro tem de incluir um grande poder.

Temos de ser testemunhas de Deus. Testemunhar é representar alguém. Isso realmente significa re-apresentar… Jesus. Portanto, reapresentá-Lo sem poder é uma grande falha. É impossível dar um testemunho adequado de Deus, sem demonstrar o Seu poder sobrenatural. O sobrenatural está no Seu domínio, como algo natural

para Ele. Jesus foi uma expressão, ou representação, exata da natureza do Pai.208 A forma como Ele representou o Pai deve ser um modelo para nós, e através desse modelo vamos aprendendo a como re-apresentar o Senhor.

A esfera sobrenatural de Deus tem sempre um propósito. Ele não vem sobre as pessoas com poder para se exibir ou para trazer entretenimento. Demonstrações de poder, em sua natureza, têm em vista a redenção. Até mesmo os cataclismos do Antigo Testamento tinham o propósito de levar as pessoas ao arrependimento.

A cura não é nunca uma ação unidimensional. O milagre, além de alterar a condição física de uma pessoa, também lança fagulhas de uma revolução lá no fundo do coração humano. Esses dois atos revelam a natureza de Deus, que nunca deverá ser distorcida por um Cristianismo sem poder.

2. SINAIS E MARAVILHAS EXPÕEM O PECADO E LEVAM AS PESSOAS A TOMAREM UMA DECISÃO…

Quando Simão Pedro viu aquela maravilhosa pesca, ele caiu aos pés de Jesus, dizendo:

“Senhor, retira-Te de mim, porque sou pecador.”

Pedro havia estado pescando toda a noite, sem sucesso algum. Jesus lhe disse que lançasse a rede do outro lado do barco, o que sem dúvida ele já tinha feito inúmeras vezes. Quando ele assim fez, diante da ordem dada pelo Mestre, a pesca foi tão grande que por pouco o barco não afundou. Pedro pediu ajuda de outros barcos. Sua reação a esse milagre foi: “sou pecador”.

Quem lhe disse que ele era pecador? Não há registro algum de sermões, repreensões, ou qualquer outro ato naquele barco naquele dia – houve apenas uma grande pesca. Assim, como ele chegou à convicção do pecado? A resposta está no milagre que aconteceu. O poder expõe o pecado. Ele faz um traço na areia e força as pessoas a tomarem uma decisão.

Demonstrações de poder não são uma garantia de que as pessoas vão se arrepender. Basta que olhemos para Moisés que veremos que às vezes o poder milagroso somente faz com que nossos faraós se tornem mais resolutos a nos destruir, quando veem o poder. Sem atos de poder, os fariseus teriam se esquecido da Igreja que havia nascido do sangue de Jesus derramado na cruz. O poder acirrou o zelo da oposição aos primeiros cristãos. Temos que ter a mente muito clara quanto a isto: que o poder muitas vezes faz com que as pessoas decidam se são a favor, ou contra. O poder não permite ficar em cima do muro.

Ministérios de ação social para os necessitados são totalmente essenciais na pregação do evangelho. Eles constituem um dos modos pelos quais o amor de Deus pode e deve ser visto. Contudo não são completos sem uma demonstração de poder. Por quê? A realidade é a seguinte: o mundo geralmente vai aplaudir esses esforços de ação social por saberem que nós deveríamos realizar tais ações. Temos que perceber esta lamentável verdade: é comum as pessoas reconhecerem os atos beneméritos da Igreja e ainda assim não serem levadas ao arrependimento. Mas o poder de Deus força essa decisão, pois lhe é inerente a habilidade de humilhar as pessoas.

Jesus disse: “Se Eu não tivesse feito entre eles tais obras, quais nenhum outro fez, pecado não teriam.”

Será que Jesus estava dizendo que o pecado não existia no coração dos judeus antes dos milagres serem por Ele realizados? Disso eu duvido muito. Ele estava explicando o princípio revelado através do arrependimento de Pedro. O poder de Deus traz à luz o pecado e faz com que as pessoas tomem uma decisão. Quando não há poder, não estão sendo usadas as armas que estavam no arsenal de Jesus, quando ele ministrava aos perdidos. Qual o resultado de não haver poder? A maioria permanece perdida. O poder força as pessoas a ficarem conscientes de Deus num nível pessoal, e isso, por sua natureza, desperta a necessidade de uma resposta.

3. SINAIS E MARAVILHAS PRODUZEM CORAGEM

“Os filhos de Efraim, embora armados de arco, bateram em retirada no dia do combate. Não guardaram a aliança de Deus, não quiseram andar na sua lei; esqueceram-se das suas obras e das maravilhas que lhes mostrara.” (Salmo 78:9-11)

Uma coisa que era totalmente arraigada à cultura judaica tinha se moldado pelo mandamento de manterem os testemunhos do Senhor. A própria família era conduzida pela progressiva revelação de Deus contida em Seus mandamentos e testemunhos. Os judeus, ao se deitarem para dormir à noite, quando se levantassem pela manhã, quando caminhassem juntos, sempre tinham que falar sobre a Lei de Deus e sobre o que Deus havia feito no passado. Toda hora era uma hora perfeita para falarem das maravilhosas obras de Deus.

Para assegurar que eles não se esqueceriam disso, eles tiveram que construir monumentos que os fizessem lembrar da invasão de Deus na vida deles. Por exemplo: tiveram que empilhar pedras para marcarem o lugar em que Israel cruzou o rio Jordão. Desse modo, quando seus filhos lhes perguntassem: “Oi, pai, por que aquele monte de pedras ali?” – Então eles lhes responderiam contando a história de como Deus operou no meio deles.

O testemunho de Deus faz com que se queira mais das ações de Deus. A expectativa cresce quando as pessoas estão conscientes da Sua natureza sobrenatural e da Sua aliança. Quando a expectativa cresce, os milagres também aumentam. Quando os milagres aumentam, os testemunhos são em maior número. Dá para ver que há um ciclo aí? O simples ato de compartilhar um testemunho sobre Deus pode incitar as pessoas até que desejem e vejam Deus operar no seu dia-a-dia.

O reverso é também verdadeiro. Onde os testemunhos diminuem, a expectativa de milagres também decresce. E, neste caso, eles acontecem ainda menos vezes. Como se pode ver, essa é uma espiral para baixo que é possível acontecer. Esquecer o que Deus tem feito – retirando o testemunho de nossos lábios, por fim faz com que nos tomemos temerosos no dia da batalha. A história dos filhos de Efraim é trágica porque eles estavam totalmente equipados para vencer. Faltava-lhes somente a coragem. Sua coragem proviria de se lembrarem de quem Deus tinha sido para com eles.

4. O SOBRENATURAL É A CHAVE PARA AS CIDADES PECAMINOSAS DO MUNDO…

“Passou, então, Jesus a increpar as cidades nas quais ele operara numerosos milagres, pelo fato de não se terem arrependido:

Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido com pano de saco e cinza. E, contudo, vos digo: no Dia do Juízo, haverá menos rigor para Tiro e Sidom do que para vós outras. Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje. Digo-vos, porém, que menos rigor haverá, no Dia do Juízo, para com a terra de Sodoma do que para contigo.” (Mateus 11:20-24)

Esta passagem das Escrituras faz uma distinção entre cidades religiosas e cidades que são conhecidas pelo pecado. A cidade religiosa tinha uma consciência entorpecida que não lhe permitia ver a sua necessidade de Deus, enquanto que a cidade pecaminosa era consciente de que lhes faltava alguma coisa. A religião chega a ser mais cruel do que o pecado.

As duas primeiras cidades às quais Jesus se refere aqui viram mais sinais e maravilhas do que todas as demais cidades juntas. Os milagres que nelas Jesus realizou eram tão numerosos que o apóstolo João disse que, para registrá-los, seriam necessários todos os livros do mundo. Isso nos dá uma nova visão da reprimenda que Jesus fez a essas cidades de duro coração.

Jesus não pôde fazer o que Ele poderia ter feito em Nazaré por causa da incredulidade dos que lá viviam. Mas em Corazim e Betsaida Seus milagres parecem ter sido sem limites, o que nos dá a entender que essas cidades tinham uma medida de fé. Sua severa repreensão não parece ter sido resultante de eles não apreciarem os milagres que fez. Certamente eles apreciaram. O problema deles é que eles acrescentaram o que viram ao que eles já estavam fazendo, em vez de fazer de Jesus o ponto central de sua vida. É isso o que a religião faz. Como disse Jesus, eles deixaram de se arrepender e de mudar o seu modo de pensar (alterando assim sua própria perspectiva na vida).

Muitos têm prazer diante do mover de Deus, mas na verdade não se arrependem (não mudam sua perspectiva de vida, e deixam de fazer com que as ações de Jesus se tornem o seu foco principal e o seu principal desejo). A revelação que eles receberam através dos milagres aumentou a responsabilidade deles, exigindo uma mudança. Mas esta não aconteceu.

A unção em Cafarnaum foi tão grande que algumas traduções dizem que a exaltação dessa cidade a levaria até o céu. Será que Jesus estava dizendo que a atmosfera de milagres em seu meio era tão grande que fez com que a cidade se tornasse o local mais parecido com o céu, sobre a terra? Se foi isso, então Cafarnaum tornou-se, por um breve período, o exemplo da frase “assim na terra como no céu”. Eles deram condições para a grande obra que Jesus fez ali, mas nunca ajustaram a sua vida nem tiveram o propósito de buscar isso como sua maior prioridade.

Há ainda uma outra mensagem nesta história. Tiro, Sidom e Sodoma teriam se arrependido se tivessem presenciado o mesmo derramar do poder de Deus! Você ouviu isso? Eles teriam se arrependido! Esta é uma promessa profética para o dia de hoje. Milagres nas ruas de “cidades pecaminosas” do mundo farão com que elas se arrependam! Esse é o segredo que nos dá acesso ao coração dessas grandes cidades! Cidades deste mundo tais como San Francisco, Amsterdã, Nova Orleans e Rio de Janeiro se arrependerão… se houver um exército de santos, cheios do Espírito Santo, que ande pelas ruas, cuidando dos que estão arrasados, levando aos problemas de impossível solução o poder de Deus. As pessoas dessas cidades se arrependerão! Esta é a promessa. Elas simplesmente estão à espera daqueles que têm a mensagem da vinda do Reino.

A falta de poder cancela esta possibilidade e, em seu lugar, vem o juízo de Deus.

5. OS MILAGRES REVELAM A GLÓRIA DE DEUS…

“Com este, deu Jesus princípio a Seus sinais em Caná da Galileia; manifestou a Sua glória, e os Seus discípulos creram Nele.” (João 2:11)

Jesus foi a um casamento em que o vinho a certa altura acabou. Até aquele momento Ele não havia realizado nenhuma das maravilhas pelas quais Ele depois ficou conhecido. Maria sabia quem o seu filho era, e o que seria possível. Assim, naquela hora de necessidade, a mãe de Jesus voltou-se para Ele e lhe disse: “Eles não têm mais vinho”. Jesus lhe respondeu: “Mulher, que tenho Eu contigo? Ainda não é chegada a Minha hora.” Maria, entretanto, agiu de um modo impressionante: ela virou-se para os servos e lhes disse que fizessem “tudo o que Ele vos disser”. Sua fé deu oportunidade a Deus para mostrar a Sua prodigalidade! Em seguida Jesus fez o milagre de transformar água em vinho.

Bem, o que realmente aconteceu? É importante lembrarmo-nos de que Jesus somente fazia o que Ele via o Pai fazer, e que Ele somente dizia o que ouvia Seu Pai dizer. Quando Maria inicialmente relatou a Jesus sobre a necessidade que havia de vinho, podemos afirmar com segurança que Jesus notou que o Pai não tinha o propósito de fazer quaisquer milagres naquele casamento. Além disso, Jesus sabia que ainda não era a Sua hora, a hora de revelar-se como um operador de milagres. Foi isso que lhe fez dar aquela resposta: “Mulher, que tenho Eu contigo? Ainda não é chegada a Minha hora.” Maria, entretanto, respondeu com fé e fez com que os servos se preparassem para fazer tudo o que Ele lhes dissesse.

Jesus olhou de novo para o Pai, para ver o que Pai estava fazendo, e viu que o Pai estava transformando água em vinho. Então Jesus seguiu o que o Pai o dirigiu a fazer e fez o milagre. A fé que Maria tinha tocou no coração do Pai, que assim alterou a hora escolhida para revelar Jesus como operador de milagres. A fé faz o céu mover-se, para que o céu mova a terra.

De acordo com João 2:11, esta demonstração do poder de Deus liberou a Sua glória naquele local. Sinais e maravilhas fazem isso. Eles liberam a glória de Deus às nossas cidades. A necessidade – seja ela uma enfermidade, ou pobreza, ou opressão, seja o que for – representa o efeito das obras das trevas. O milagre faz com que as trevas se dissipem, sendo substituídas pela luz, pela glória. Quando não há milagres, também está ausente a glória de Deus, a manifestação da presença de Jesus.

A glória sendo liberada, ela desaloja os poderes das trevas e coloca no lugar o verdadeiro domínio da presença de Deus. A casa é limpa e varrida e fica cheia do mobiliário do céu.216 Quando os poderes das trevas são retirados, eles devem ser substituídos pelo que é justo e reto, ou então o inimigo tem direito legal para voltar, fazendo o último estado da pessoa muito pior do que o primeiro. Milagres fazem essas duas coisas: removem o domínio do inferno e ao mesmo tempo estabelecem o domínio da presença de Deus. Como a glória de Deus cobrirá a terra? Creio que, pelo menos em parte, será através de um povo que andará em poder, dando testemunho de Jesus às nações do mundo. Haverá uma geração que compreenderá isso e invadirá o sistema do mundo com este vivo testemunho de quem Jesus é!

6. OS SINAIS FAZEM COM QUE DEUS SEJA GLORIFICADO…

“Vendo isto, as multidões, possuídas de temor, glorificaram a Deus, que dera tal autoridade aos homens.” (Mateus 9:8)

Em quase todas as reuniões que dirijo, quer seja no culto de uma igreja tradicional, seja numa conferência, ou mesmo numa reunião de diretores ou do pessoal de uma organização, falo sobre o poder de Deus que opera milagres. Quando estou falando longe de casa, muitas vezes faço isso para suscitar fé e ajudar meus ouvintes a fazer com que o seu coração se volte para Deus. Quando termino, faço-lhes a seguinte pergunta: “Quantos de vocês louvaram e glorificaram a Deus quando compartilhei esses testemunhos?”

Quase todas as mãos são erguidas. Então faço-os lembrar de algo muito importante: “Se não tivesse ocorrido o poder de Deus, e não houvesse os correspondentes testemunhos, Deus não teria recebido essa glória. Sem o poder, roubamos de Deus a glória que Ele merece!”

7. OS SINAIS, POR SI MESMOS, GLORIFICAM O SENHOR!

“Bendizei ao SENHOR, vós, todas as Suas obras, em todos os lugares do Seu domínio. Bendize, ó minha alma, ao SENHOR.” (Salmo 103:22)

“Todas as Tuas obras Te renderão graças, SENHOR; e os Teus santos Te bendirão.” (Salmo 145:10)

Não apenas os milagres de fato atiçam o coração dos homens para que eles dêem glória a Deus, mas também os milagres, por si mesmos, O glorificam. Não sei ao certo como isso funciona, mas de algum modo um ato de Deus tem vida em si mesmo e tem a condição para realmente glorificar a Deus, sem a participação do homem. A ausência de milagres rouba de Deus a glória que lhe é devida pela vida liberada com Suas próprias palavras.

8. MILAGRES SÃO UMA FORÇA QUE UNE AS GERAÇÕES…

“Uma geração louvará a outra geração as Tuas obras e anunciará os teus poderosos feitos.” (Salmo 145:4)

“Não o encobriremos a seus filhos; contaremos à vindoura geração os louvores do Senhor, e o Seu poder, e as maravilhas que fez.

Ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e instituiu uma lei em Israel, e ordenou a nossos pais que os transmitissem a seus filhos, a fim de que a nova geração os conhecesse, filhos que ainda hão de nascer se levantassem e por sua vez os referissem aos seus descendentes;  para que pusessem em Deus a sua confiança…” (Salmo 78:4-8)

Israel tinha que construir monumentos em memória dos feitos de Deus. Por quê? Para que em todo o tempo houvesse algo que os fizesse lembrar, em todas as suas gerações, de quem Deus é, e da Sua aliança com o Seu povo.

Esse testemunho era um registro dos atos poderosos de Deus em meio ao seu povo e, ao mesmo tempo, era um convite para que as pessoas o conhecessem daquele modo. Era para uma geração dar o testemunho de Deus à geração seguinte. O que normalmente se conclui, dos versículos acima, é que a geração mais velha falaria do testemunho de Deus à mais nova. Mas é igualmente verdade que a geração mais jovem teria uma experiência com Deus, e a mais velha pôde beneficiá-la. Os encontros com o Deus todo-poderoso tomam-se um fator unificador, que une as gerações!

9. SINAIS E MARAVILHAS AFIRMAM QUEM JESUS É…

“Se não faço as obras de Meu Pai, não me acrediteis; mas, se faço, e não me credes, crede nas obras; para que possais saber e compreender que o Pai (está em mim, e eu estou no Pai.” (João 19:37-38)

Já que os judeus tinham que lutar contra a dificuldade que sentiam em crer que Jesus era o Messias, Ele simplesmente lhes disse que olhassem para os milagres e neles cressem. Por quê? Um sinal sempre nos dá a direção para algum lugar. Jesus não tinha receio algum quanto ao destino a que os Seus sinais os levariam. De algum modo, o simples passo inicial de acreditarem no que estavam vendo por fim os capacitaria a crer no próprio Jesus. Foi o que aconteceu no caso de Nicodemos. Cada milagre testificava a identidade de Jesus, quem Ele era. Sem os milagres, não pode haver nunca uma plena revelação de Jesus.

10. OS MILAGRES AJUDAM AS PESSOAS A OUVIR A VOZ DE DEUS…

“As multidões atendiam, unânimes, às coisas que Filipe dizia, ouvindo­ as e vendo os sinais que ele operava.” (Atos 8:6)

Filipe era o mensageiro de Deus para a cidade de Samaria. Lá as pessoas puderam entender que suas palavras vinham de Deus por causa dos milagres que ele fazia. Atos de poder contribuem para que as pessoas sintonizem o seu coração ao que é de Deus. Fazem com que elas se libertem da análise racional que conclui que este mundo é a realidade final. Tal mudança de perspectiva é essencial para que haja a mais importante resposta do homem para Deus. Em essência, é para que aconteça o que a palavra arrependimento significa. Os milagres fornecem a graça para o arrependimento.

O desespero que os milagres causam é em parte responsável por esse fenômeno. À medida que os nossos interesses deixam de contemplar somente o que é natural, dirigimos a nossa atenção a Ele. Essa mudança no coração abre os olhos e os ouvidos do coração. Disso resulta que passamos a ver o que já estava bem à nossa frente o tempo todo, e ouvimos o que Deus vinha dizendo em toda a nossa vida.

Os milagres causam uma mudança nas prioridades. São uma importante contribuição para que possamos ouvir de forma mais clara a voz de Deus. Sem eles ficamos mais propensos a sermos dirigidos pela nossa própria mente, chamando isso de espiritualidade.

11. OS MILAGRES CONTRIBUEM PARA QUE AS PESSOAS OBEDEÇAM A DEUS…

“Não me atrevo a falar de nada, exceto daquilo que Cristo realizou por meu intermédio em palavra e em ação, a fim de levar os gentios a obedecerem a Deus, pelo poder de sinais e maravilhas e por meio do poder do Espírito de Deus.

Assim, desde Jerusalém e arredores, até o Ilírico, proclamei plenamente o evangelho de Cristo.” (Romanos 15:18-19 – NVI)

Aqui o apóstolo Paulo demonstra como foi que os gentios foram levados à obediência através do poder do Espírito de Deus, expresso por sinais e maravilhas. Foi isso que ele considerou como proclamar plenamente o evangelho. A mensagem não seria completa sem uma demonstração do poder de Deus. É o modo de Deus dizer “amém” à palavra que Ele mesmo declarou! A Bíblia é repleta de histórias de heróis que tiveram a coragem de obedecer a Deus nas mais difíceis circunstâncias tendo um encontro pessoal com o miraculoso. Nada faz palpitar mais o coração do que conhecer Deus. Ele é ilimitado em poder. Ele é por nós e não contra nós, e é suficientemente grande para suprir a nossa pequenez. Por outro lado, o que acontece com uma geração que foi criada para grandes realizações – mas que viveu em lares em que há pouca, ou nenhuma evidência das coisas em que cremos – é que ela acaba desiludindo-se.

12. OS MILAGRES RATIFICAM A IDENTIDADE DO FILHO DE DEUS E DA SUA IGREJA…

“Este, de noite, foi ter com Jesus e Lhe disse: Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que Tu fazes, se Deus não estiver com Ele.” (João 3:2)

A promessa “Eu serei contigo” foi feita muitas vezes por todas as Escrituras. Ela sempre foi dirigida a alguém que seria levado a enfrentar problemas cuja solução seria impossível – eram situações para as quais seria necessário um milagre. Além da presença de Deus ser confortante, além de desfrutar de Sua doce companhia, que me leva a ter um relacionamento íntimo com Ele, Sua presença é uma provisão do céu que tem o propósito de me levar a um estado de grande coragem na realização de sinais e maravilhas. Os judeus tinham o entendimento de que a realização de milagres atestava que Deus estava com a pessoa. Pois, como disse Nicodemos, “ninguém pode fazer estes sinais que Tu fazes, se Deus não estiver com Ele”. Na Grande Comissão de Mateus 28:18-20, encontramos a frase “Eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.” A presença de Jesus nos dá certeza de que Ele quer nos usar com milagres. O Seu mover na vida de todos os crentes é um ato profético que declara o Seu propósito sobrenatural para o Seu povo.

COMO OBTEMOS O PODER?

As pessoas que tinham recebido o maior treinamento de todos os tempos sobre como atuar na esfera sobrenatural, os discípulos de Jesus, receberam Dele a ordem para “que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai”. O evangelho de Lucas registra isso com as palavras: “Permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder.” Embora eles tivessem estado com Jesus, embora tivessem experimentado o Seu poder quando ministraram pessoalmente, eles teriam que esperar o dynamis – o poder para realizar milagres.

É como se eles tivessem operado debaixo da unção do Senhor. Haveria de chegar a hora em que eles teriam a sua própria unção, e isso aconteceria através de um encontro com Deus. O batismo de fogo lhes daria um encontro permanente com o Senhor, o que os capacitaria a manterem-se no centro da vontade de Deus, mesmo quando a perseguição chegasse.

O batismo do Espírito Santo é uma imersão no dynamis do céu. O falar em línguas é um maravilhoso dom dado através desse batismo. Eu oro em línguas constantemente, e sou grato por este dom de Deus. Mas pensar que falar em línguas seja o único propósito desta tremenda e santa invasão em nós, isso é uma posição simplista demais. Seria o mesmo que dizer que, quando Israel atravessou ‘o rio Jordão, isso foi o mesmo que possuir a Terra Prometida. Sim, eles estavam nela, eles podiam vê-la, mas eles ainda não a possuíam! A travessia do rio lhes deu um acesso legal à posse daquela terra. Este maravilhoso batismo do Espírito nos possibilitou este acesso. Mas ficar às margens do rio, dizendo que “toda a terra é minha”, isso é tolice, na melhor das hipóteses. Essa falta de visão tem feito com que muitos parem de buscar o sobrenatural, assim que receberam uma linguagem espiritual. Foram ensinados de que agora estão cheios do Espírito Santo. Mas um copo somente está totalmente cheio quando o líquido transborda. A plenitude do Espírito somente pode ser medida pelo transbordamento.

A condição de estar cheio do Espírito deve fazer muito mais por mim do que dar-me uma linguagem espiritual. Se isso fosse tudo, eu não teria razão em minha colocação. É um glorioso dom de Deus. Mas seus propósitos nos levam a muito mais, a uma parceria com Deus na qual nos tornamos colaboradores com Cristo. O poder veio para nos constituir em testemunhas. Quando nas Escrituras o Espírito de Deus veio sobre as pessoas, toda a natureza dobrou-se diante delas. O poder se manifestava, e as coisas impossíveis deram lugar à plena expressão da presença de Deus.

LENDO OS SINAIS

Muitos têm medo dos sinais e maravilhas por causa da possibilidade de engano. Assim, para precaverem-se de qualquer oportunidade de serem enganados, tais pessoas trocam tudo o que evidencia o poder por tradições religiosas, atividades cristãs, ou até mesmo pelo estudo bíblico. E ficam satisfeitas com o conhecimento. Quando isso acontece, porém, quem é que é enganado?

Os sinais têm um propósito. Não são um fim em si mesmos. Eles apontam para uma realidade maior. Quando saímos de um edifício, não saímos pela placa que indica a saída. Quando temos que extinguir um incêndio, não o apagamos com o indicador da localização dos extintores. O sinal é real, mas ele aponta para uma realidade maior do que si.

Há sinais ao longo de uma estrada que são para confirmar que estamos na estrada certa. Sem esses sinais não teremos como saber se estamos onde queremos estar. Os sinais podem não ser necessários quando vamos por uma estrada conhecida. Mas tenho total necessidade deles quando estou indo por onde nunca passei antes.

Assim acontece neste presente mover de Deus. Já fomos até onde pudemos, com a compreensão que atualmente temos das Escrituras. Chegou a hora de nos valermos dos sinais. Eles esclarecem as Escrituras, enquanto apontam para Jesus, o Filho de Deus. E também, aos que se apropriaram de um autêntico evangelho, eles confirmam que tais pessoas estão no caminho certo.

Nenhum de nós compreendia o plano da salvação antes de sermos salvos. Foi o milagre – uma experiência – que nos deu esta compreensão. Assim é com os sinais. Eles nos apontam para uma pessoa. Nessa hora a experiência nos ajudará a abrir aquelas porções das Escrituras cujo entendimento estava fechado para nós.

Ninguém, em pleno juízo, pode declarar compreender tudo o que está contido na Bíblia para nós no dia de hoje. Mas quando se diz que há muito mais que está para nos ser revelado, isso faz com que muitos tenham medo. Supere isso, para que você não o deixe escapar!

COMO RELACIONARMO-NOS COM O MUNDO

O próximo capítulo mostra-nos que obrigações estamos realmente devendo ao mundo, e como saldá-las.