A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SOMOS CEGOS PARA A DIFERENÇA

Com frequência, temos grande dificuldade para reconhecer pessoas com cor de pele e traços étnicos diversos dos nossos; muitos chegam mesmo a não apreender situações que parecem não combinar com modelos preestabelecidos

Nos últimos anos, vários estudos mostraram que temos menor habilidade para distinguir rostos de pessoas de origem diferente da nossa. Pesquisas elaram, porém, que alguns indivíduos são completamente cegos nesse quesito. Cognitivamente, seu cérebro registra a variedade de características, mas não reconhece nas pessoas algo que pode ter importantes implicações – por exemplo, no testemunho de situações envolvendo suspeitos de outra etnia.

A capacidade de identificar membros da própria etnia varia de forma considerável: alguns podem perceber desconhecidos sem esforço algum, enquanto outros, em situações extremas, não conseguem nem mesmo reconhecer o rosto de amigos ou de gente da família – uma condição rara, conhecida como prosopagnosia.

Para entender melhor essa dinâmica, o doutor em psicologia Lulu Wan e seus colegas da Universidade Nacional Australiana decidiram quantificar essa habilidade. Os pesquisadores solicitaram a 268 voluntários caucasianos, todos nascidos e criados na Austrália, que memorizassem uma série de seis rostos asiáticos. Durante o experimento, também foram apresentadas fotos de rostos de indivíduos brancos a um grupo de 176 asiáticos que haviam crescido na Ásia, mas tinham se mudado para a Oceania para estudar. Na sequência, cada participante deveria visualizar um conjunto de três rostos e apontar para algum que tivesse visto na tarefa anterior. O teste foi repetido 72 vezes.

Os cientistas observaram que 26 caucasianos e 10 asiáticos (8% da população do estudo) se saíram tão mal no teste que sua percepção poderia ser considerada “comprometida”, segundo critérios clínicos. “Já sabíamos que temos dificuldade de reconhecer feições de outros grupos étnicos, mas o experimento mostra a dimensão do problema”, diz o professor de psicologia da Universidade de Victoria Jim Tanaka, na Columbia Britânica, que não participou da pesquisa. “Os resultados revelam que pode não haver valor legal nenhum no testemunho ocular, em situações que envolvam justiça”, afirma a psicóloga Elinor McKone, professora de psicologia da Universidade Nacional Australiana e coautora do estudo. Ela observa que, apesar dessas evidências, o sistema jurídico de nenhum país leva em conta as diferenças individuais do reconhecimento de face de pessoas de outras culturas.

Para McKone, a frequência da exposição a indivíduos de outras origens pode influenciar a capacidade de reconhecer as diferenças, segundo os resultados publicados na edição de janeiro do Journal of Experimental Psychology: General. Entre os 106 participantes asiáticos nascidos e criados na Austrália, apenas 3% eram “cegos” para os rostos caucasianos. Esse número subiu para quase 6% entre os nascidos e criados na Ásia.

O psicólogo Daniel Levin, que tem se dedicado com afinco à pesquisa de mecanismos de reconhecimento de rostos por brancos, negros e asiáticos, na Universidade Estadual Kent, em Ohio, discorda do ponto de vista de McKone. Ele acredita que o déficit não aparece porque as pessoas tendem a ter mais contato com gente da própria etnia: se trata, em sua opinião, de uma questão cultural. Ao olhar o rosto de alguém de outra raça, nosso cérebro busca automaticamente informações para classificá-la racialmente – e não que permita individualizá-la.

O efeito se estende a outras culturas. Um artigo publicado em 2001 no Psychology, Public Policy and Law, trata de um estudo no qual cientistas convidaram algumas pessoas negras (que passeavam por shoppings sul-africanos) para participar de um experimento. Os autores observaram que os voluntários que tinham contato com outros grupos étnicos com pouca frequência reconheciam o semblante de pessoas de outras ascendências com mais dificuldade.

JOGO DOS SETE ERROS

OUTROS OLHARES

VELOCIDADE MÁXIMA

Documento vazado pela Nasa revela que gigante da tecnologia criou uma máquina que realiza, em 3 minutos, cálculos que levariam 10.000 anos para ser feitos

“Máquinas similares às hoje existentes serão construídas a custos mais baixos, mas com velocidades mais rápidas de processamento.” Assim, em um artigo de 1965, o empreendedor americano Gordon Moore, cofundador da Intel e hoje com 90 anos de idade, apresentou sua célebre ideia. Pela “Lei de Moore”, a cada cerca de dois anos o desempenho dos chips de computador dobra, sem que aumentem os custos de fabricação. A máxima, irretocável, à exceção de pequenos detalhes de percurso, funcionou tal qual intuíra Moore — e as máquinas evoluíram no ritmo imaginado por ele. É uma regra que pode estar com os dias contados. Vive-se, hoje, uma revolução tecnológica afeita a deixar no passado o raciocínio da duplicação de capacidade de cálculos à base de silício: é a computação quântica. Ela poderá nos levar a distâncias inimagináveis: tarefas que o computador mais poderoso do planeta demoraria 10.000 anos para completar seriam feitas em pouco mais de três minutos (veja o quadro abaixo).

A computação quântica era uma construção que, até o início desta década, não passava de teoria impressa em estudos universitários. Nos últimos anos, começou a ser testada na prática, com sucesso apenas parcial, até conseguir tração que, finalmente, parece se encaminhar para uma nova história. Um documento da Google, vazado recentemente, mostra que a empresa, que nasceu como um motor de buscas para depois invadir outras searas, pode estar muito próximo de romper de vez com o paradigma imposto pela Lei de Moore ao criar o primeiro computador quântico funcional da história.

A revelação foi resultado de uma distração. Algum funcionário da Nasa, também envolvido com o projeto, acidentalmente publicou, em 20 de setembro, no site da agência espacial americana, um estudo que mostra o feito da Google, realizado por meio de uma máquina, ainda sob sigilo, nomeada como Sycamore. O arquivo, programado para ser divulgado oficialmente neste mês, permaneceu poucos segundos no ar — mas foi o bastante para ser flagrado pelo jornal inglês Finan­cial Times. O supercomputador cumpriu um feito inédito: estabilizou os chamados qubits (versões quânticas dos tradicionais bits) por tempo suficiente para que fossem realizadas operações pela inteligência artificial.

Exige-se, aqui, uma breve pausa para explicar a computação quântica. Em um PC regular, os chips operam por meio de bits, unidades binárias responsáveis por formar a linguagem dos soft­wa­res. Esses bits regem os cálculos sempre como se desempenhassem um de dois papéis, dentro da ideia da língua das máquinas: ou são “zero” ou são “1”. No caso do qubit dá-se um comportamento simultâneo, com o “zero” e o “1” ao mesmo tempo. Grosso modo, seria como se um ser humano pudesse, ao mesmíssimo tempo, de modo correto e com perfeita dicção, falar duas palavras. Na prática, representa a possibilidade de um salto gigantesco na velocidade dos computadores.

O computador secreto da Google foi pioneiro ao efetivar essa ambição. O avanço ainda se restringe a âmbitos estritamente técnicos, sem utilidade cotidiana. Já é, porém, apelidado de “o Santo Graal da computação”. Isso porque o feito, se comprovado, atingiu o que se conhece como “supremacia quântica”. A nomenclatura indica aquele momento da civilização em que os computadores seriam tão (ou mais) competentes quanto os seres humanos. O cientista da computação americano Scott Aaronson, professor da disciplina de informação quântica na Universidade do Texas em Austin (EUA), diz, em entrevista: “Isso não causará mudança imediata na vida das pessoas. Mas só por enquanto, pois se trata do início de um caminho que levará a transformações radicais em diversas áreas, culminando certamente no desenvolvimento de inovações que devem abranger de novos remédios à criação de materiais artificiais com atributos que hoje se restringem à imaginação”. Vale lembrar que o computador que usamos hoje também começou com um passo singelo, em 1843, quando a matemática inglesa Ada Lovelace (1815-1852) publicou um diagrama numérico que veio a ser considerado o primeiro algoritmo computacional. Foi esse trabalho, então estritamente técnico, que permitiu, quase dois séculos depois, a existência de notebooks, smartphones, tablets, robôs etc.

GESTÃO E CARREIRA

PARA NÃO PERDER O GÁS

As recentes conclusões em torno do aquecimento global forçam os produtores de celebrados champanhes (e também dos vinhos) a estudar a ciência de seus produtos

Toda boa garrafa de espumante é como uma aula magna de ciências. As versões produzidas na trilha do “método tradicional”, consagrado pelos exemplares da região de Champagne, na França, passam por dois processos de fermentação. O primeiro, como em qualquer produto à base de uvas, transforma o açúcar natural da fruta em álcool. O segundo acontece depois da rolha posta: as leveduras continuam a reagir, inexoravelmente, mas todo o gás carbônico gerado fica retido, atalho para conceder à bebida preferida das celebrações sua característica frisante, um carinho ao palato.

A metáfora das lições científicas deixou de ser figura de linguagem. As novas conclusões em torno do aquecimento global têm deixado os principais produtores do mundo em polvorosa – e agora, mais do que nunca, intimamente ligados aos aspectos bioquímicos de seu ofício. Os franceses, sobretudo, transformaram em obsessão a permanente busca por soluções que atenuem os severos estragos ao solo, em virtude de temperaturas e chuvas irregulares. O terroir, abrigo das videiras mais celebradas, é agora um laboratório de pesquisas. Tudo em nome da boa gastronomia.

Em 2019, registrou-se a temperatura mais alta da história da região de Champagne: 42,9 graus. O acompanhamento histórico aponta a elevação média de 1,1 grau desde 1990. A mudança pode parecer sutil, mas tem provocado impacto direto na qualidade dos espumantes. “Percebemos que as cores e os aromas estavam bem menos avançados do que em um ano normal, de temperaturas mais amenas”, afirma o francês Vincent Chaperon, chef de cave da Dom Pérignon. O calor em excesso faz com que as uvas amadureçam antes do esperado. Além de levarem a um aumento indesejado em sua gradação alcoólica – quanto mais madura, mais açúcar a uva produz e mais alcoólica se torna -, as alterações podem modificar para sempre as propriedades que fazem os vinhos de Champagne mundialmente famosos. “É como mudar a voz de um cantor de quem você gosta”, compara Manoel Beato, chef sommelier do restaurante Fasano, de São Paulo. Atento a esse tipo de reviravolta, um dos membros do comitê multidisciplinar que controla a qualidade dos espumantes da região francesa, o CIVC, órgão mais influente que as prefeituras, disse no mês passado que, caso a temperatura média suba mais 1 grau, o champanhe como o conhecemos “deixará de existir”, dramaticamente.

Se as consequências das mudanças climáticas travam a boca dos produtores mais tradicionais, elas acabaram por beneficiar regiões do mundo onde nunca se sonhou produzir vinhos de qualidade. A Inglaterra, por exemplo, antes considerada uma terra inóspita – o frio em excesso impede o ciclo apropriado de maturação das uvas -, tem registrado condições meteorológicas mais amenas. Tanto que a área dedicada à plantação de uvas para a produção de espumantes triplicou de tamanho desde 2010. A vinícola Nyetimber, em West Sussex, no sul da ilha, foi além e investiu em plantações do mesmo tipo de uva usado pelos produtores de Champagne.

Um gaulês irredutível prefere a morte a transferir um de seus patrimônios mais valiosos para o outro lado do Canal da Mancha. Non! Por essa razão há tanto nervosismo e agitação na França. Desde 2016, o CIVC investe em um programa chamado Inovação Varietal, que busca o cruzamento ideal entre as tradicionais uvas utilizadas na preparação do champanhe (geralmente chardonnay, pínot noir e pinot meunier) e outros tipos, sabidamente mais resistentes ao calor e a pragas decorrentes do caos climático.

A medida é controversa: há quem assegure que a criação de híbridos entre uvas tipicamente francesas e plantas de outras regiões provocará mudanças no sabor e no aroma da bebida. Mas esse é um caminho sem volta. Não se adaptar significa, na prática, correr o risco de ver sua produtividade cair drasticamente, um atalho para a morte. “A Europa tem experimentado uma onda de calor que desafia a viticultura do continente, atingindo a tipicidade dos vinhos, algo fundamental para os produtores da região”, diz Mauro Zanus, engenheiro-agrônomo e pesquisador em enologia da Embrapa Uva e Vinho, uma unidade descentralizada de pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.

Até agora o Brasil não colheu os frutos das mudanças climáticas. Tampouco teve prejuízos. “O aquecimento global ainda não nos afetou”, afirma Daniel Dalla Valle, enólogo da Casa Valduga, uma das principais produtoras de vinho na cidade de Bento Gonçalves, no interior do Rio Grande do Sul, e de onde saem espumantes premiados internacionalmente. “Há trinta anos, a viticultura brasileira era primária. Nosso avanço se deu pela mudança no estilo de produção, agora mais qualitativa”, diz. Mesmo em regiões de calor extremo, como os estados do Nordeste, o país já é capaz de produzir diferentes tipos de vinho e espumante. Existem vinícolas especializadas em brancos, tintos e borbulhantes adaptados ao clima quente de Pernambuco e da Bahia. “A indústria brasileira já tem tecnologia para fazer vinhos e espumantes de qualidade e de forma constante. Se houver uma situação de mudança climática acentuada, pode-se dizer que estaremos em uma posição à frente dos demais produtores do mundo”, afirma Mauro Zanus. A pesquisa científica terá, portanto, papel fundamental na manutenção da qualidade da bebida. Em tempos tão interessantes, até o prazer exige conhecimento.

ALIMENTO DIÁRIO

QUANDO O CÉU INVADE A TERRA

CAPÍTULO 10 – FALTA DE PODER: ALGO DESNECESSÁRIO E DESEQUILIBRADO

Não me impressiono com a vida de ninguém, a menos que a pessoa tenha integridade. Mas não fico satisfeito com a sua vida, até que tal pessoa se torne perigosa.184 Tanto quanto eu possa, não permitirei que as pessoas ao meu redor possam ir embora sendo apenas gente boa!

Muitos crentes estabeleceram como o primeiro alvo de sua vida ser um cidadão bem respeitado em sua comunidade. Um bom carácter capacita-nos a darmos a nossa firme contribuição à sociedade, mas a maior parte das características reconhecidas como pertencentes ao estilo de vida cristão podem estar em pessoas que nem mesmo conheçam Deus. Todo crente deve ser muito respeitado, e ter ainda MAIS ALGUMA COISA. É esse “mais alguma coisa” que geralmente está nos faltando.

Conquanto o bom carácter tenha de estar no coração do nosso ministério, o poder é o que revoluciona o mundo ao nosso redor. Até que a Igreja retorne ao modelo de Jesus para os verdadeiros revolucionários, continuaremos a ser reconhecidos pelo mundo simplesmente como gente boa – e o mundo continuará a ser vencido pelas enfermidades e pelos tormentos, a caminho do inferno.

Alguns cristãos realmente consideram que é mais nobre optar por um bom carácter do que pelo poder. Mas isso não é uma dicotomia; não temos que separar as duas opções; seria uma escolha irresponsável e ilegal. Juntas, elas nos levam à verdadeira questão: à obediência.

Certa vez, enquanto eu ensinava a um grupo de estudantes sobre a importância dos sinais e maravilhas no ministério do evangelho, um rapaz disse com voz bem alta: “Vou procurar fazer sinais e maravilhas quando tiver consciência de que tenho mais do carácter de Cristo em mim.” Por melhor que isso possa parecer, esse pensamento provém de uma postura mental religiosa, e não de um coração totalmente entregue ao evangelho de Jesus Cristo. Em resposta ao comentário daquele aluno, abri a Bíblia no evangelho de Mateus e li o comissionamento que o Senhor nos deu: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado.” Em seguida perguntei­ lhe: “Quem lhe deu o direito de determinar quando você estará em condições de obedecer a ordem que Ele lhe deu?”

IMPRESSIONANDO A DEUS

Será que alguém pensa que Deus Se impressiona conosco quando Lhe dizemos: “Vou obedecer-Lhe quando aprimorar o meu carácter?” O carácter é moldado através da obediência. Jesus deu ordem a seus discípulos para irem e, indo, ensinassem tudo que tinham aprendido. E parte do que tinham aprendido era um treinamento específico para viver e operar no sobrenatural. Jesus lhes ordenou: “Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demônios.” E, a partir daí, eles ficaram responsáveis por ensinar esta ordem de Jesus como fazendo parte do estilo de vida de cada pessoa que se tornasse seguidora do Senhor. Desse modo, o padrão de Jesus permaneceria sendo o padrão, a norma para todos os que invocam o nome do Senhor para salvação.

Muitos consideram-se indignos de serem usados por Deus para a realização de milagres, e assim nunca buscam o sobrenatural. Não chega a ser irônico haver cristãos que desobedecem a Deus, não procurando com zelo os dons espirituais – não impõem mãos sobre os enfermos nem oram pela libertação dos endemoninhados – por acharem que precisam aprimorar o seu carácter? Pois, para aprimorá-lo, a primeira coisa a fazer é obedecer! Mas Jesus não fez nenhuma restrição com respeito ao carácter, em todas comissões que deu a Seus discípulos.

Será que a razão para haver tão poucos milagres atualmente não é precisamente porque muitos, antes de nós, pensaram que teriam que se tornar melhores cristãos para que Deus pudesse usá-los? Sim! Essa mentira nos tem mantido em permanente imaturidade, porque ela nos impede de termos aquele choque de poderes que nos transforma. O resultado disso é que temos pessoas convertidas treinadas e mais treinadas até o ponto de não terem mais vida, visão, ou ingenuidade. Esta nova geração de convertidos tem de ser tratada de um modo diferente. Temos de ajudá-los dando-lhes a identidade de pessoas que vão transformar o mundo; temos de lhes fornecer um modelo de carácter, paixão e poder, abrindo-lhes oportunidades para poderem servir.

Mário Murillo fala a respeito disso do seguinte modo: “Quando ele pega a Bíblia, seu enfoque não é na cura emocional nem na auto­ estima. Ele lhe perguntará onde é que está o gatilho, e como disparar a arma. Quando ele lê a Palavra, o seu desejo é usá-la na tomada do seu bairro para Deus!”

A UNÇÃO, UMA CHAVE PARA O CRESCIMENTO PESSOAL

Um carácter cristão nunca poderá ser totalmente desenvolvido se a pessoa não servir a Deus com unção. Um ministério ungido nos faz entrar em contacto com o poder que é necessário para se ter uma transformação pessoal.

Tanto o Antigo como o Novo Testamento estão cheios de exemplos maravilhosos de pessoas que receberam poder para realizar obras sobrenaturais. Um importante princípio acha-se na história do rei Saul. Deus lhe disse que o Espírito do Senhor viria sobre ele e que o transformaria num outro homem. A unção transforma o vaso pelo qual ela flui. Duas frases importantes seguem esta promessa dada a Saul:

1. “Deus lhe mudou o coração.”

2. “O Espírito de Deus Se apossou de Saul, e ele profetizou no meio deles.

Saul teve a oportunidade de tornar-se tudo o que Israel precisava que ele fosse (um rei.com um novo coração); e de aprender a fazer tudo o que ele precisava fazer (ouvir a voz de Deus e declarar as palavras Dele – profetizar).

Tenho um amigo muito querido que tinha uma enorme falha de carácter que, por algum tempo, trouxe um enfraquecimento a ele e à sua família. No entanto, durante aquele tempo, ele continuou tendo uma forte unção profética. Ele não foi a primeira pessoa a pensar que o sucesso de seu ministério era um sinal de que Deus aprovava a sua vida particular. Muitos têm sido vítimas desse erro por muito tempo. Quando o confrontei quanto a esse seu pecado secreto, ele chorou com um profundo pesar.

Devido ao seu posto de influência na igreja, senti claramente a responsabilidade de colocá-lo sob disciplina. Nenhuma organização é mais forte do que a sua competência para disciplinar seus membros, quer seja uma empresa, o governo, uma igreja ou uma família. Parte das restrições para ele foi mantê-lo sem dar palavras proféticas por algum tempo. Ele admitiu que esse procedimento era necessário.

Depois de vários meses sob essa restrição, fui ficando cada vez mais intrigado quanto ao que foi dito a Saul, relacionando-o com o meu amigo. Vi então que se eu não lhe permitisse ministrar (sob unção), eu estaria afastando-o precisamente daquilo que selaria e estabeleceria a sua vitória. Quando o liberei para profetizar novamente, havia uma nova pureza e um novo poder em sua voz. Foi o seu encontro pessoal com a unção no ministério que o transformou num outro homem.

EXISTEM CONTRAFAÇÕES

Uma nota falsa de cem dólares não tira o valor de uma nota verdadeira. De igual modo, uma contrafação, um abuso, ou um dom abandonado não invalidam a nossa necessidade do poder do Espírito Santo para vivermos como Jesus viveu.

As moedas de um centavo não são falsificadas porque o seu valor não vale o esforço a ser despendido. Do mesmo modo, o diabo somente trabalha para copiar ou distorcer tudo o que, na vida cristã, tem os maiores efeitos em potencial. Quando vejo pessoas que buscaram grandes coisas em Deus, mas que não tiveram sucesso, sinto-me sempre motivado a descobrir em que ponto elas erraram. Sinto que terei um tesouro se descobrir isso, e estou pronto a pesquisar com total desprendimento. Os abusos de uma pessoa nunca justificam a negligência de uma outra.

Muitos dos que se sentem perturbados por casos de abuso de poder, e pelos seus efeitos que maculam a Igreja, quase nunca se aborrecem diante da ausência de sinais e maravilhas. Os olhos dos que criticam rapidamente se voltam para aqueles que tentaram, mas não conseguiram, ignorando as inumeráveis multidões que confessam a salvação em Jesus, mas que nunca buscaram os dons, como nos é ordenado fazer. Mas os olhos de Jesus rapidamente olham para ver se há fé na terra – “quando eu voltar, acharei, porventura, fé na terra?” Para cada charlatão há mil bons cidadãos que pouco ou nada realizam para o Reino.

O PROPÓSITO DO PODER

Muitos acreditam que o poder de Deus existe apenas para que possamos vencer o pecado. Tal entendimento está um pouco aquém do propósito divino de que nos tornemos testemunhas de um outro mundo.

Não parece estranho que toda a nossa vida cristã se concentre em vencermos o que já foi vencido? O pecado e a sua natureza já foram arrancados pela raiz. São muitos os que clamam a Deus para terem mais poder para viverem em vitória. Mas o que mais Ele poderá fazer por nós? Se a sua morte não foi suficiente, o que está faltando? Esta batalha já foi lutada e vencida! Será que o processo de à toda hora serem levantadas questões já resolvidas pelo sangue de Jesus não é o que de fato tem dado vida a essas questões?

São muitos os que na Igreja estão acampados do lado errado da Cruz. O apóstolo Paulo abordou esse ponto ao dizer: “Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor.

A palavra “considerai-vos” diz respeito à necessidade que temos

de mudar a nossa mente. Não preciso de poder para vencer algo em relação ao qual estou morto. Preciso, porém, de poder para ter ousadia para realizar o que é miraculoso e o que é impossível.

Parte do nosso problema é o seguinte: estamos acostumados a fazer para Deus somente o que não é impossível. Mesmo que Deus não se apresente e assim ficarmos sem a sua ajuda, ainda poderemos ser bem sucedidos. Tem de haver um aspecto na vida cristã que seja impossível sem a intervenção divina. Isso nos mantém a um passo da vitória e nos põe em contato com o nosso verdadeiro chamado.

Não erre, o carácter é uma questão de grande importância diante de Deus. Mas a forma como Ele o trata é diferente da nossa. A retidão e o carácter de Deus não é algo construído em nós mediante nossos próprios esforços. Para tanto temos que deixar ‘de lutar e aprender a nos entregarmos totalmente à Sua vontade.

REVESTIDOS DE PODER

Para se tomarem testemunhas de Jesus, os discípulos tinham uma necessidade de poder tão grande que eles teriam que permanecer em Jerusalém até que o recebessem. Esta palavra poder (dynamis) tem a ver com a esfera sobrenatural. No grego ela provém de dynamai, que significa ser capaz. Pense um pouco sobre isto: temos de nos revestir da capacidade de Deus!

Os onze discípulos remanescentes eram, então, as pessoas que tiveram o maior treinamento em s4i-ais e maravilhas de toda a história da humanidade. Ninguém havia visto ou realizado mais do que eles, exceto Jesus. Mas foram aqueles onze homens que tiveram que permanecer na cidade até que fossem revestidos do poder do alto.Quando eles o receberam, eles tiveram plena convicção de o terem recebido. Esse poder veio de um encontro com Deus.

Algumas pessoas, tendo medo de errar, têm dito que não se deve buscar uma experiência com Deus. Afinal, muita gente enganada veio daqueles que baseavam suas crenças em experiências em conflito com as Escrituras. Quando nos colocamos sob a direção de tais situações, o medo torna-se o nosso mestre. Mas por que essas mesmas pessoas não têm medo de pertencer a grupos doutrinariamente estáveis, mas que são desprovidos de poder? É o engano menos perigoso do que aquele que abusa do poder? Será que você vai enterrar os seus talentos e dizer ao Mestre, quando ele voltar, que você estava com medo de errar? O poder e o carácter acham-se tão alinhados nas Escrituras que você não pode ser fraco em um sem solapar o outro.

NOSSO RELACIONAMENTO COM O ESPÍRITO SANTO

Há cerca de vinte e cinco anos, ouvi alguém mencionar que, se soubéssemos o que significam as ordens “não entristeçais” e “não extingais” o Espírito Santo, então saberíamos qual é o segredo para sermos cheios do Espírito. Embora essa afirmativa seja por demais simples, a pessoa que disse isso bateu de leve em duas importantes verdades que tratam diretamente da armadilha “carácter versus poder”.

A ordem “Não entristeçais o Espírito Santo” explica como o nosso pecado afeta a Deus. O pecado lhe causa tristeza. Esta ordem é centrada no carácter. O pecado é definido de duas maneiras: fazer coisas erradas, e deixar de fazer coisas certas: “Aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando.” Afastar-se do carácter de Cristo em qualquer desses dois modos entristece o Espírito Santo.

Também dentro deste tema, temos a ordem: “Não extingais o Espírito”. Esta ordem diz respeito à nossa necessidade de seguirmos a liderança do Espírito. Extinguir significa “desfazer o fluxo” de alguma coisa. Como o Espírito Santo está pronto para trazer salvação, cura e libertação, temos de fluir com Ele. Deixar de fazer isso impede os esforços do Espírito para nos levar à esfera do sobrenatural.

Para que Ele tenha liberdade de se mover em nossa vida, constantemente nos envolveremos com situações impossíveis. A dimensão sobrenatural é a Sua dimensão natural. Quanto mais importante o Espírito Santo tornar-se para nós, mais estas questões terão a primazia em nosso coração.

BUSQUE UM ENCONTRO

Temos que crer num Deus que é suficientemente grande para manter-nos em segurança em nossa busca por receber mais e mais Dele. Na prática, para muitos cristãos o diabo é maior do que o seu Deus. Como pode um ser criado, decaído, ser comparado com o infinito e glorioso Deus? A questão é em quem pomos a nossa confiança. Se eu colocar toda a minha atenção na necessidade de ser protegido do engano, estarei sempre predominantemente preocupado com o poder do diabo. Se o meu coração estiver completamente voltado para Aquele que” é poderoso para me guardar de tropeços” – isto é, que me ajudará a não cair em pecado, a não ser enganado – então somente Ele vai me influenciar. A minha vida reflete o que eu vejo com o meu coração.

Assim, como andarmos no poder de Deus? Em primeiro lugar, temos que buscar o Senhor. Uma vida de poder é uma vida que permanece em Cristo (ficando sempre ligada na sua fonte de poder). O ardente desejo de viver com manifestações de poder tem que estar ao lado da nossa paixão por Ele. Mas, perceba isto: nosso anseio por Ele em parte tem de ser visto em nossa ardente busca dos dons espirituais. É isso que Ele nos manda fazer!

Empenhando-me nesse sentido, tenho de desejar ardentemente encontros e mais encontros com Deus, que mudem a minha vida. Tenho de clamar por esses encontros de dia e de noite – e ser bastante especifico em meu clamor. Tenho que me dispor a viajar para obter o que desejo. Deverei ir para onde o mover de Deus for maior, mesmo que em outra cidade que não onde moro. Se Ele estiver usando alguém, mais do que a mim, terei que, com humildade, ir até essa pessoa e pedir-lhe que ore por mim com imposição de mãos.

Alguns podem questionar: “Por que Deus não pode tocar em mim

onde eu estou?” Ele pode. Mas geralmente Ele atua de maneira a enfatizar a nossa necessidade uns dos outros, em vez de contribuir para aumentar a nossa independência. Os que são sábios sempre estão dispostos a viajar.

MINHA HISTÓRIA: GLORIOSA, MAS NADA AGRADÁVEL

Em minha busca pessoal para aumentar o poder e a unção em meu ministério, tenho ido a muitas cidades, inclusive Toronto. Deus tem usado minhas experiências em tais lugares preparando-me para a realização de encontros que transformem vidas em nossa localidade.

Certa vez, no meio da noite, Deus respondeu à oração em que eu Lhe pedia mais e mais Dele em minha vida. Mas sua resposta veio de um modo que eu não esperava. Passei de um sono profundo para um momento em que fiquei totalmente desperto. Um poder inexplicável começou a pulsar pelo meu corpo, corno se fosse o efeito de urna eletrocução. Era corno se eu estivesse ligado a urna tornada com milhares de volts, e urna corrente elétrica estivesse fluindo através do meu corpo. Meus braços e pernas corno que explodiam, de forma silenciosa, corno se alguma coisa estivesse sendo liberada através de minhas mãos e pés. Quanto mais eu tentava parar com aquilo, mas forte ficava.

Logo descobri que eu não estava enfrentando urna luta que teria que vencer. Não ouvi voz alguma, não tive nenhuma visão. Era simplesmente a mais forte experiência da minha vida. Era puro poder… era Deus. Ele veio em resposta à oração que eu vinha fazendo havia já meses: “Deus, preciso ter mais de Ti a qualquer custo!”

Aquela noite, antes de eu ir para a cama, havia sido gloriosa. Tinha sido um culto com um bom amigo e profeta, Dick Joyce. Foi em 1995. No fim da reunião, orei por urna pessoa, do meu relacionamento, que vinha tendo dificuldade em experimentar a presença de Deus. Disse-lhe que sentia que Deus iria surpreendê-lo com um encontro que poderia ocorrer durante do dia, ou até mesmo às 3 horas da madrugada. Quando o poder caiu sobre mim naquela noite, olhei para o relógio. Eram precisamente 3 horas! Eu sabia que eu tinha sido tratado por Deus.

Por meses eu vinha pedindo a Deus que me desse mais de Si. Eu não tinha certeza quanto ao modo correto de orar por isso, nem mesmo compreendia a doutrina que há por trás da minha petição. Tudo o que eu sabia era que eu estava com “fome” de Deus. Esse tinha sido o meu constante clamor, dia e noite.

Aquele divino momento foi glorioso, mas não agradável. A princípio me senti perturbado, corno se eu fosse o único que sabia que eu estava naquela situação. Enquanto estava ali deitado, tive a visão de estar diante da minha congregação, pregando a Palavra, corno gosto muito de fazer. Mas eu me via com os braços e as pernas agitando-se corno se eu tivesse um sério problema de ordem física. A cena então mudou. Agora eu estava caminhando pela rua principal da nossa cidade, passando em frente do meu restaurante preferido, mas com os meus pés e mãos se movendo sem controle.

Eu não conhecia ninguém que acreditasse que isso tinha vindo de Deus. Lembrei-me de Jacó e seu encontro com o anjo do Senhor. Ele ficou manco pelo resto da sua vida. Lembrei-me também de Maria, a mãe de Jesus. Ela teve uma experiência com Deus que nem mesmo seu noivo acreditou, a não ser depois, quando um anjo de Deus o fez mudar o pensamento. Em decorrência disso, ela deu à luz o menino Jesus … e correu o risco de carregar, por toda a vida, o estigma de ser a mãe de um filho “ilegítimo”.

Tudo estava se tornando claro para mim; a graça de Deus às vezes parece ser diferente na perspectiva da terra, em relação à perspectiva do céu. Meu pedido para ter mais de Deus teve um preço.

Lágrimas começaram a molhar a fronha do meu travesseiro, à medida que me lembrava das orações dos meses precedentes, contrastando-as com as cenas que acabavam de passar pela minha mente. Importante para mim foi a percepção de que Deus queria fazer uma troca: sua crescente presença no lugar da minha dignidade. É difícil explicar como se pode saber qual foi o propósito de um encontro tal como aquele pelo qual passei. Tudo o que posso dizer é que simplesmente a gente sabe. Sabe-se qual é o propósito de Deus de forma tão clara que qualquer outra realidade desaparece, à medida que o Senhor põe o Seu dedo naquele ponto que para Ele tem importância.

Em meio às lágrimas cheguei a um ponto sem retorno. Com muita alegria entreguei-me totalmente, clamando: “Mais, Deus! Mais! Preciso mais de Ti a qualquer custo! Mesmo que eu perca a respeitabilidade, mas tenha a Ti em troca, com alegria aceito isso. Simplesmente me dê mais de Ti! As ondas de poder não pararam. Elas continuaram por toda a noite, enquanto eu chorava e orava. Mais, Senhor, mais, dá-me mais de Ti! Tudo terminou às 6:38 da manhã, quando saí da cama completamente restaurado. Essa experiência continuou nas duas noites seguintes, iniciando-se logo depois de me deitar.

INDO CONTRA A MARÉ

Ter paixão pela Bíblia é uma misteriosa combinação de humildade, anseio pelo sobrenatural e fé. Tenho que prosseguir para alcançar mais, porque fui alcançado. Nada de letargia em mim! E se a vida cristã das pessoas ao meu redor normalmente está aquém do padrão bíblico, tenho que ir contra a maré. Se os enfermos não estão sendo curados, não vou procurar uma explicação racional para agradar os que estão à minha volta, mesmo sem nada receberem. Em vez disso, prosseguirei em busca da cura, até que ela ocorra ou que a pessoa passe para estar com o Senhor.203 Não vou baixar o padrão da Bíblia até o meu nível de experiência.

Jesus curou todos os que foram até Ele. Aceitar algo diferente como sendo o normal é baixar a Bíblia ao nosso nível de experiência, e é negar a natureza Daquele que não muda.

Quanto ao ministério de poder, o que eu receber de Deus tenho que passar adiante. Você somente fica com aquilo que você passa adiante. Se você quer ver os doentes sendo curados, procure os enfermos e ofereça­ se para orar por eles. Embora não seja eu quem cure, tenho pleno controle da minha vontade para servir aos que estão em necessidade. Se ministro para os necessitados, dou ao Senhor uma oportunidade para mostrar o seu grande amor pelas pessoas. O ministério de sinais e maravilhas não irá a parte alguma se tivermos medo do fracasso. Como expressou Randy Clark, “Preciso me dispor até ao fracasso, para ser bem-sucedido.”

BUSQUE TER FRUTOS

Jesus disse que temos de receber o Reino como uma criança. A vida de poder é natural no coração de uma criança. Ela tem uma insaciável vontade de aprender. Seja tal como uma criança e leia as obras daqueles que têm tido sucesso no ministério de cura. Fique longe dos livros e fitas dos que dizem que tais coisas não devem, ou não podem, ser feitas. Se o autor não anda em poder, não lhe dê atenção, não importando o quão versado ele possa ser num outro campo. Aquele que ministra proficientemente no campo das finanças segundo a Bíblia não é necessariamente proficiente em sinais e maravilhas. Respeite o lugar de tal pessoa na obra de Deus, conforme sua área de ação e chamado, mas nunca perca seu precioso tempo lendo a baboseira daqueles que não fazem o que ensinam. Já tivemos o suficiente de teorias de cristãos acadêmicos. Temos de aprender com aqueles que simplesmente fazem o que ensinam!

Um dia recebi de alguém um livro em meu gabinete que criticava o avivamento de Toronto, iniciado em janeiro de 1994. Recusei-me a lê­ lo e joguei o livro no lixo. Talvez você diga: “Você é preconceituoso!” Você tem razão. Sou responsável por proteger o que Deus me deu. Ninguém mais tem essa incumbência. Queimando em minha alma há um pouco daquela chama original do dia de Pentecostes. Ela tem passado de geração a geração. Esse fogo queima no fundo do meu coração, e por causa dele nunca mais serei como era antes. Minha paixão por Jesus está sempre crescendo. E os sinais e maravilhas que Ele prometeu estão acontecendo como uma parte normal da vida.

Para mim, dar atenção às críticas feitas contra esse avivamento seria o mesmo que ficar ouvindo alguém querendo provar que eu deveria ter me casado com uma outra mulher. Antes de mais nada, eu amo minha esposa e não tenho interesse por nenhuma outra mulher. Em segundo lugar, recuso-me a acolher pensamentos de quem quer que seja que deseje minar o meu amor por ela. Somente aqueles que contribuírem para o meu compromisso com ela é que receberão a minha atenção. Qualquer coisa menos do que isso seria tolice de minha parte.

Os que criticam esse avivamento estão inconscientemente tentando separar-me do meu primeiro amor. Não lhes darei lugar. Tenho muitos amigos em condições de ler os livros desses críticos sem que sejam afetados negativamente. Eu os respeito por sua capacidade de colocar a mão na lama sem contaminar o seu coração. Eu não me atrevo a fazer isso. Não é o meu dom. Saiba como você funciona melhor, e assim proceda!

Embora eu não tenha tempo para críticas, dou boas-vindas com prazer às “feridas feitas pelo amigo”. As correções que são feitas através de bons relacionamentos nos afastam do engano.

E SE NADA ACONTECE?

Se ensinamos, pregamos ou testemunhamos e nada acontece, temos que parar para ver o que está errado – de joelhos. Não dê desculpas para a falta de poder. Por décadas a Igreja tem errado, criando doutrinas para justificar sua falta de poder, em vez de clamar a Deus até que Ele mude a situação. A mentira em que a Igreja acreditou deu margem a que surgisse todo um cabedal de teologias que têm contaminado o Corpo de Cristo com o medo do Espírito Santo. É o engano que vem com a pretensão de se permanecer livre do engano. A Palavra tem que ser divulgada com poder. O poder é a especialidade do Espírito. Uma Palavra sem poder é a letra, e não o Espírito. Todos nós sabemos que: “a letra mata, mas o Espírito vivifica”. As vidas têm de ser mudadas através de nosso ministério da Palavra. Tenha em mente que a conversão é o maior e o mais precioso de todos os milagres.

“Pois Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar o evangelho, não porém com palavras de sabedoria humana, para que a cruz de Cristo não seja esvaziada.” Se o evangelho está sem poder, isso é causado pela sabedoria humana.

A ORAÇÃO: UMA PORTA ABERTA PARA O PODER

Sempre que tenho dedicado algum tempo para buscar a Deus com o fim de ter poder que venha confirmar a Sua mensagem, Ele responde com um aumento, um aumento de milagres.

Aprendi de Randy Clark algo muito útil nesse sentido. Quando ele observa que certas enfermidades não estão sendo curadas em suas reuniões, ele clama a Deus mencionando-as especificamente em sua oração. Ele observou que estavam acontecendo bem poucos milagres relacionados com o cérebro, como por exemplo a cura da dislexia. Depois de clamar por milagres no cérebro das pessoas, ele presenciou uma ruptura naquela situação. Tenho seguido essa sua direção, e nunca vi Deus deixar de responder. Quando requeremos alguma coisa a Deus de forma bem específica, isso é uma coisa boa, pois pode-se constatar a resposta. Algumas de nossas orações são genéricas demais. Deus as responderia, mas nós nunca teríamos tido ciência disso.

Depois de aprender este princípio, a partir do exemplo dado por Randy, comecei a orar por enfermidades do cérebro. Um desses milagres aconteceu numa mulher chamada Cindy. Disseram-lhe que um terço do seu cérebro não funcionava. Em consequência, ela tinha vinte e três anomalias mentais. Ela ficou totalmente alheia à memorização, aos números e a mapas. Num de nossos cultos das sextas-feiras à noite, Cindy veio à fila dos que queriam receber a bênção do Senhor. Quando chegou a sua vez, ela caiu sob o peso da glória de Deus. Durante o tempo em que ficou deitada, vencida pelo poder do Espírito, ela teve uma visão em que Jesus lhe perguntou se ela queria ser curada por Ele. Ela, é claro, disse que sim. Ao Seu comando, então, ela levantou-se rapidamente e correu para pegar a sua Bíblia. Pela primeira vez em sua vida tudo ficou como devia estar. Quando ela deu testemunho do milagre, algumas semanas depois, ela citou vários versículos que ela tinha memorizado em tão pouco tempo.

PAGUE-ME AGORA, OU PAGUE-ME DEPOIS

Ouvimos muito sobre o custo da unção. Sem dúvida, andar com Deus em poder terá um custo para todos os que se dedicarem a cumprir isso em sua vida. Mas a ausência de poder é ainda mais custosa. No próximo capítulo vamos descobrir de que modo a eternidade é afetada pela condição de falta de poder.