A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O ÓDIO E O NEVOEIRO

O estado depressivo serve para esconder sentimentos hostis, que na maior parte do tempo permanecem inconscientes

Os sinais aparentes da depressão incluem desânimo, falta de energia, cansaço, desinteresse pelas pessoas e atividades em geral. Nesse estado de ânimo, o sujeito tende a ficar passivo e inativo e, nos casos mais graves, prostrado. Pouco se percebe, no entanto, que subjacente a essas manifestações se encontra um profundo sentimento de ódio. É claro que, em diversos casos, observamos uma alternância entre estados depressivos e súbitas crises de mau humor, com explosões de raiva. Mas a relação entre depressão e ódio nem sempre é evidente. E o principal motivo disso é que o estado depressivo serve justamente para esconder o ódio, que permanece inconsciente durante a maior parte do tempo.

Diversos estudos psicanalíticos dedicaram-se a elucidar essa relação. Os primeiros trabalhos partiram da semelhança entre a depressão e outro quadro clínico, a neurose obsessiva. Até então, pesquisas sobre a histeria tinham demonstrado o papel central ocupado pela repressão da sexualidade na origem das neuroses. Com a extensão das investigações sobre a neurose obsessiva, foi possível perceber não só o lugar central dos conflitos relacionados à sexualidade, mas também dos impasses entre o amor e o ódio. Em um famoso estudo de caso (O homem dos ratos, de 1909), Freud demonstrou que a repressão incidia mais sobre os sentimentos hostis que sobre a sexualidade. O paciente nutria um profundo ódio Inconsciente por seu pai. O sentimento entrava em conflito com o amor que ele também tinha pela figura paterna e era experimentado no plano consciente. Essa contradição deu origem a um grande número de sintomas obsessivos.

Anos depois, percebeu-se uma dinâmica semelhante nos quadros de melancolia, forma grave de depressão. O estado, em geral, é desencadeado por perda marcante: morte de pessoa querida, desilusão amorosa ou projeto pessoal fracassado. São os chamados “objetos”. Sob a forma disfarçada e invertida de violentas autoacusações e autocensura, o sujeito expressa um intenso ódio pelo objeto que foi perdido: o melancólico se sente profundamente traído e abandonado e não consegue superar esses sentimentos. E para onde vai o ódio? Em vez de ser reprimido e deslocado para outros objetos – como no caso da neurose obsessiva – ele é “engolido” pelo sujeito e dirigido para uma parte de si mesmo que passa a cumprir o papel da pessoa odiada. A autodepreciação serve como álibi que disfarça o profundo ódio e rancor em relação ao outro. Nos quadros de ciclotimia, as fases melancólicas se alternam com as maníacas e é nestas – especialmente quando muito exacerbadas – que o ódio aparece sem disfarces: quem estiver na frente do sujeito impedindo seu caminho é atacado sem piedade.

Mesmo quando a depressão não atinge a gravidade de uma melancolia, o ódio também está subjacente, sem necessariamente ser “engolido” da mesma maneira.

A psicanálise compreendeu, ainda, que certa dose de depressão faz parte da vida dos homens, e chamou tal fenômeno de depressividade. Como entender isso? Ora, a coexistência entre amor e ódio faz parte de qualquer relacionamento, assim como da vida. Quando a intensidade do ódio aumenta por algum motivo – frustrações, desapontamentos ou situações desfavoráveis – o amor (pelo outro e por si mesmo) fica ameaçado, e faz-se necessário tomar alguma providência a fim de preservar o objeto. É hora de “fechar para balanço”. Segundo uma bela imagem proposta pelo psicanalista inglês Donald Winnicott {1896-1971), é como se durante esses estados o psiquismo fosse tomado por um intenso nevoeiro: todos os movimentos são praticamente interrompidos, até que possamos ver as coisas mais claramente. É o estado depressivo. Após um período de “digestão psíquica” da situação de conflito, atingimos um novo rearranjo interno das forças de amor e ódio; a névoa aos poucos começa a se dissipar e voltamos ao ritmo cotidiano. O processo, parcialmente inconsciente, integra o amadurecimento psíquico de todos nós. Após experiências depressivas, que se repetem diversas vezes ao longo da vida, saímos mais fortalecidos e confiantes, apesar da dor.

O problema é que, em alguns casos, paralisamos no meio do caminho e não vemos mais a luz no fim do túnel. Aí a depressividade se torna uma depressão instalada, e um fenômeno humano e universal ganha características patológicas. O “xis” da questão que diversas pesquisas tentam elucidar é: por que algumas pessoas, em determinados momentos, não conseguem ser bem-sucedidas em sua travessia? Bem, é nesses momentos que necessitamos da ajuda do outro.

OUTROS OLHARES

ERA SÓ FUMAÇA?

As abruptas oscilações no valor de ações do mercado da erva, especialmente a medicinal, são típicas de um negócio incipiente e sujeito a reviravoltas

A maconha tem dado um barato danado ao mercado financeiro. Desde 2015, quando empresas dos Estados Unidos e Canadá abriram negócios atrelados ao uso medicinal da cannabis, mas também ao consumo recreativo, as ações subiram e desceram (veja o quadro abaixo) ao sabor do vento alimentado pela briga política que envolve a liberação da droga e movimenta qualquer sociedade — mesmo nas franjas mais liberais da América do Norte. Tome-se como exemplo do susto, de expansão e queda, a farmacêutica canadense Tilray, listada na Nasdaq de Nova York. Entre julho e setembro de 2018, seus papéis valorizaram-se 500%, e a companhia teve o valor de mercado equiparado ao de gigantes tradicionais como a American Airlines. Passada a euforia, veio a depressão — no mesmo setembro de 2018, num intervalo de apenas três dias, houve encolhimento de 65%. Desde então, a Tilray vem descendo a ladeira. É o caso de perguntar: era então apenas fumaça? Ainda é cedo para certezas absolutas.

A volatilidade da cannabis, a acelerada esperança de bons negócios seguida de rapidíssima descrença, é parte do vaivém típico de novas oportunidades. O empresário canadense Brad Poulos, professor de finanças e empreendedorismo da Universidade de Ryerson (Canadá), arguto especialista no ramo, identificou no primeiro semestre de 2019 acelerada fuga de capitais das companhias de ervas. “Os acionistas ficaram decepcionados”, diz Poulos. Para Viviane Sedola, brasileira que criou uma plataforma digital, a Dr. Cannabis, voltada para o comércio da droga a serviço da saúde, “o investidor está interessado, mas a parte regulatória é incerta, o que o deixa receoso”.

Não é o fim do mundo, e a curva de ganhos pode empinar de novo, porque a legalização da maconha é fato ainda muito recente, em construção. Quando se medem os próximos passos, com base em estimativas, há entusiasmo. A primeira produtora de cannabis a abrir o capital, em julho de 2016, foi a canadense Canopy. É a empresa mais valiosa do setor, avaliada em 7,5 bilhões de dólares (veja o quadro abaixo). Até 2025, a indústria global colada ao canabidiol, a substância mais usada nos medicamentos, deve movimentar 166 bilhões de dólares ao ano. Além do Canadá e dos Estados Unidos, país em que há legislação diferente em cada estado, há claros indícios de autorização em outras plagas, inclusive no Brasil. Hoje, o plantio é proibido mesmo para uso medicinal, mas quem não consegue arcar com os milhares de reais necessários para a importação vem recorrendo à Justiça. Já houve pelo menos trinta casos em que famílias foram autorizadas a plantar maconha em casa. Estima-se que o mercado brasileiro de maconha medicinal possa alcançar 4,7 bilhões de reais ao ano, quando (e se) ele for legal.

GESTÃO E CARREIRA

UM BRINDE AO CAFEZINHO CORPORATIVO

A flexibilização do trabalho aumentou a necessidade de o escritório ser um lugar capaz de promover conexões. Mas, afinal, como fazer isso?

Democratização da tecnologia, hiperconectividade e chegada dos millennials ao mercado. Eis alguns dos pontos que alteraram as relações corporativas. Se por um lado as organizações têm grandes expectativas em relação aos seus funcionários, esses também estão mais exigentes. Flexibilidade na rotina, transparência nos processos e espaços menos hierarquizados são características em expansão. Um cafezinho no meio do expediente ganha ainda mais protagonismo no momento em que as relações humanas se tornam tão importantes. Abaixo, o novo papel do café em meio a três tendências consolidadas.

VALORIZAÇÃO DOS ESCRITÓRIOS

Em tempos de home office, a importância do espaço físico aumenta. “Relações humanas são essenciais. Por isso, os escritórios são mais aconchegantes para auxiliar em conexões mais autênticas”, analisa Mareia Bertolini, gerente de Recursos Humanos da Nespresso Brasil. Em uma pesquisa global conduzida pela marca, 82% dos funcionários administrativos consideram que as interações cara a cara são cruciais para criar boas relações. Ausência de baias, mesas não designadas e espaços de descanso são alguns destaques da nova arquitetura dos ambientes. Nela, não pode faltar o “cantinho do café”, um importante aliado à produtividade da empresa. Se bem pensada, a hora do cafezinho vai além da descontração e promove um elo de conexões significativas entre todos os colaboradores da empresa, promovendo um ambiente de confiança e facilitando as trocas de ideias e geração de insights.

QUALIDADE DE VIDA

De acordo com o LinkedIn, 78% das vagas divulgadas na rede social, nos últimos dois anos, mencionaram flexibilidade no trabalho. “O avanço da tecnologia vem permitindo o trabalho remoto – não apenas na condição de home office, mas conectando funcionários ao redor do mundo. Isso propicia um ambiente multicultural e mentes “mais abertas”, pontua Paulo Sardinha, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos. O grande desafio é garantir que, em meio a tantas flexibilizações, o ambiente de trabalho seja atrativo e o momento de interação seja produtivo.

MAIS TECNOLOGIA E MAIS HUMANIDADE

Tarefas técnicas automatizadas aumentam a importância do estímulo das relações humanas no trabalho. Um estudo do LinkedIn aponta que as habilidades comportamentais ganham espaço nas corporações. “A convivência baseada em respeito, ética e confiança irá evidenciar o quanto uma empresa está na vanguarda”, diz Paulo. Por isso, respeitar o gosto pessoal dos funcionários e oferecer ferramentas para que as pessoas se sintam bem se tornam medidas fundamentais.

É HORA DO CAFÉ!

A pausa para o consumo da bebida sempre fez parte da rotina dos brasileiros. No trabalho, o momento do café é tão importante quanto seus benefícios – afinal, a bebida auxilia na concentração e disposição. “O café conecta pessoas. Não à toa, a área designada a ele nas empresas ganhou relevância. Mais aconchegante e com oferta de produtos de qualidade, o espaço gera encontros e conversas significativas, de maneira autêntica”, conta Mareia Bertolini. Seja qual for seu estilo de trabalho e as tecnologias disponíveis, procure investir nas relações humanas e repense seu momento do cafezinho para que ele seja um momento produtivo e com ainda mais significado para sua empresa.

ALIMENTO DIÁRIO

QUANDO O CÉU INVADE A TERRA

CAPÍTULO 7 – A UNÇÃO E O ESPÍRITO DE ANTICRISTO

Cristo não é o sobrenome de Jesus. A palavra Cristo significa “Ungidoou “Messias”. É um título que faz alusão a uma experiência. Não seria suficiente se Jesus tivesse sido enviado do céu a terra com um título. Ele teve que receber a unção numa experiência para poder realizar o desejo do Pai.

A palavra unção vem de “ungir”, isto é, aplicar óleo. O Espírito Santo é o óleo de Deus que foi aplicado totalmente sobre Jesus durante o seu batismo nas águas. O nome Jesus Cristo implica em que Jesus é Aquele que foi ungido pelo Espírito Santo. Mas há um outro espírito que, em todas as eras, tem ficado na espreita para atacar a Igreja. Esse poder foi identificado pelo apóstolo João, quando disse: “Também, agora, muitos anticristos têm surgido.” A natureza do anticristo está contida nesse nome: anti: contra; Cristo: o Ungido.

Jesus em Sua vida neste mundo teve as limitações humanas. Ele deixou de lado a Sua divindade quando se dispôs a cumprir o encargo que Lhe fora dado pelo Pai: viver corno homem, sem pecado, e morrer em lugar da humanidade, pagando o preço do pecado. Isso seria fundamental em Seu plano para a redenção da humanidade. O sacrifício que poderia expiar o pecado tinha que ser de um cordeiro (inofensivo), e tinha que ser perfeito (sem pecado).

A unção recebida por Jesus, dada pelo Pai, foi o que O capacitou a viver além das limitações humanas. Pois ele tinha o propósito não apenas de redimir o homem, mas também de revelar o Pai. Para cumprir esses objetivos Ele teria que revelar o mundo espiritual, onde Deus habita, chamado céu. Para isso Ele teria que realizar atos sobrenaturais. A unção foi o que ligou Jesus, homem, ao Divino, possibilitando-o a destruir as obras do diabo. Seus atos milagrosos foram o ponto de partida do poder que os homens redimidos herdariam. O céu – a esfera do sobrenatural – tornar-se-ia o pão de cada dia da humanidade. A realidade do reino do céu no presente, e não apenas a futura, foi declarada por Jesus quando disse: “O Reino de Deus está próximo de vocês.” Isso significa que o céu não é apenas o nosso destino final, mas também uma realidade presente, que está próxima de nós, ao nosso alcance.

A UNÇÃO QUE É NECESSÁRIA

Para cumprir Sua missão, Jesus precisava do Espírito Santo; e sua missão, com todos os seus objetivos, era consumar a obra do Pai. Se o Filho de Deus se fez dependente da unção, isso deixa claro que nós também temos necessidade da presença do Espírito Santo sobre nós, para fazermos a obra para a qual Deus nos chamou. Vamos voltar a esse ponto, de um modo mais abrangente, num capítulo posterior. Por ora, é vital que compreendamos a necessidade de estarmos revestidos com o Espírito Santo para termos um ministério sobrenatural. No Antigo Testamento era a unção que qualificava o sacerdote para o seu ministério. Conforme o exemplo de Jesus, para o ministério no Novo Testamento também é necessária a unção do Espírito; a unção produz frutos sobrenaturais.

Foi a unção que deu condições para que Jesus fizesse somente o que Ele via o Pai fazer e dissesse somente o que Ele ouvia o Pai dizer. Era o Espírito Santo que revelava o Pai para Jesus.

Tendo em vista todo o sentido contido na palavra que é o nome do Senhor, isto é, na palavra “Jesus”, não seria de se esperar que deveria ser chamado de” Anti-Jesus” (em vez de” Anti-Cristo”) todo aquele que quisesse ir contra a sua obra de salvação? Até mesmo seitas religiosas reconhecem e respeitam Jesus, homem. No mínimo O consideram como mestre, ou como profeta, e possivelmente como “um” filho de Deus. Este terrível erro esclarece-nos por que a palavra anticristo foi usada para referir-se ao espírito de oposição. Os espíritos do inferno estão em guerra contra a unção, pois sem ela os homens não representam ameaça alguma para o seu império.

Jesus foi aplaudido por tudo o que fez em prol da humanidade. Sua humildade foi respeitada, mas foi a unção sobre Ele que Lhe permitiu agir na esfera sobrenatural. E foi precisamente a invasão sobrenatural do próprio Deus que foi alvo da rejeição dos líderes religiosos.

Esta unção é, na verdade, a pessoa do Espírito Santo atuando sobre uma pessoa para capacitá-la a realizar obras sobrenaturais. Tão honrado é o Espírito na Divindade que Jesus disse: “Se alguém proferir alguma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á isso perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será isso perdoado, nem neste mundo nem no porvir.”

MINISTÉRIO DE PODER

Foi o ministério no poder do Espírito Santo que fez com que as pessoas deixassem tudo para seguir Jesus. Eram atraídas pelo sobrenatural, tanto pelas palavras como pelos atos realizados. As palavras de Jesus entravam profundamente no coração dos homens, e suas obras revelavam o coração do Pai. A unção do Espírito Santo sempre transformava a vida dos humildes. Mas foi também o ministério no poder do Espírito Santo que atingiu os orgulhosos, o que resultou na crucificação de Jesus. O mesmo sol que derrete o gelo endurece o barro. Semelhantemente, a obra de Deus pode produzir dois efeitos diametralmente opostos, dependendo de como é o coração das pessoas. Deus é nosso Pai, e herdamos assim o seu código genético. Todo crente tem, registrado no seu DNA espiritual, o desejo de agir no sobrenatural. É um senso quanto ao nosso destino, que se acha predeterminado em nós. Essa paixão gerada por Deus desvanece-se totalmente quando há um ensino e um argumento em contrário, quando não é exercida, ou quando é enterrada como resultado de um desapontamento.

O espírito de anticristo está operando nos dias de hoje, procurando fazer com que os crentes rejeitem tudo o que tem a ver com a unção do Espírito Santo. Essa rejeição assume muitas e diferentes formas, mas basicamente se resume no seguinte: rejeitamos o que não podemos controlar. Esse espírito de anticristo tem trabalhado para reduzir o evangelho a uma mensagem meramente intelectual, em vez de propiciar um encontro sobrenatural com Deus. Tal mensagem somente tolera a menção de poder quando se trata.de um poder exercido apenas no passado. Por vezes chega a admitir que o poder hoje se destina às pessoas que se encontram em lugares bem distantes de nós. Mas esse espírito maligno não admite nunca que o poder de Deus acha-se disponível aqui e agora. O espírito de controle trabalha contra uma característica humana que está entre as preferidas por Deus: a fé. A confiança fica fora de base, quando é firmada na capacidade do raciocínio humano.

É o espírito de anticristo que tem permitido uma ação mais intensa por parte dos espíritos religiosos. Um espírito religioso é uma presença demoníaca que trabalha para que, em vez de sermos dirigidos pelo Espírito de Deus, sejamos guiados pelo nosso próprio intelecto. Ser dirigido pelo Espírito Santo é ter um encontro permanente com Deus. A religião transforma conceitos em ídolos, e elimina toda experiência pessoal. Ela opera para que louvemos as realizações do passado às custas de quaisquer atividades de Deus para o presente, em nossa vida. Esse espírito muitas vezes alimenta-se de reminiscências de avivamentos do passado. Sua tática preferida é solidificar ensinamentos aprendidos de movimentos anteriores do Espírito. Por exemplo, ele valoriza as lágrimas e despreza o riso. Isso soa como uma idolatria, não é?… Pode-se detectar a ação desse espírito de oposição em tudo o que toma o lugar de se depender do Espírito Santo e do Seu poder.

A REALIDADE ALÉM DA RAZÃO

Agir de acordo com a unção (de acordo com o Espírito Santo) é bastante semelhante ao que no deserto fazia o povo de Israel, que se movia guiado pela nuvem da presença de Deus. Os israelitas não tinham controle algum sobre o mover daquela nuvem pelo SENHOR. Ele liderava, e o povo o seguia. Por onde quer que Ele ia, atos sobrenaturais aconteciam. Mas, se eles se afastassem daquela nuvem, os milagres que os sustentavam não mais ocorreriam. Dá para você imaginar o que teria acontecido se os nossos teólogos que não são guiados pela fé estivessem lá? Eles teriam criado novas doutrinas explicando por que o ministério sobrenatural que os tinha tirado do Egito não se fazia mais necessário para levá-los à Terra Prometida. Afinal de contas, eles tinham agora as tábuas da lei. Então, como ocorre atualmente, a questão é de fato qual é a prioridade que damos à presença do Espírito. Quando dela não nos desviamos, o que é sobrenatural ocorre em profusão. Quando, porém, dela nos afastamos, temos que inventar novas doutrinas que justifiquem por que está tudo bem do jeito que está.

Em palavras do Novo Testamento, ser um povo que dá prioridade à presença do Espírito Santo significa desejar viver além da razão, além do que é racional; e isso não de uma maneira impulsiva ou insensata, uma vez que ações impulsivas ou insensatas são pobres imitações da verdadeira fé. A realidade que existe além da razão é o mundo da obediência a Deus. A obediência é a expressão da fé, e a fé é o nosso bilhete de ingresso para o domínio de Deus. Por estranho que pareça, quando priorizamos a Sua presença, isso faz com que nos tornemos tal como o vento, que é também da natureza do Espírito Santo. Sua natureza é de pleno poder e de plena retidão, mas para onde Ele vai não pode ficar sob controle. Ele é imprevisível.

Como líderes de igreja, isso que acabo de dizer nos atinge em nosso ponto mais fraco. Na maioria das igrejas, bem pouco do que fazemos é feito pela direção do Espírito Santo. Se Ele não se dispusesse a aparecer, as igrejas, em sua maioria, talvez nem sentissem a sua falta. Billy Graham tem o crédito da seguinte declaração: “Noventa e cinco por cento das atividades das igrejas de hoje continuariam se o Espírito Santo fosse retirado de nós. Na Igreja primitiva, noventa e cinco por cento de suas atividades teriam sido interrompidas se o Espírito tivesse sido retirado.” Concordo com isso plenamente. Nós planejamos o culto, e dizemos que estamos tendo zelo. Fazemos a nossa programação anual, e a chamamos de visão. Nunca vou esquecer o dia em que o Senhor me informou que o culto não era meu, e que eu não poderia fazer do jeito que eu quisesse. (Planejar é bíblico, mas a nossa diligência e a nossa visão não devem nunca chegar ao ponto de usurpar a autoridade do Espírito Santo. O Senhorio de Jesus é visto através da nossa disposição para seguir a direção do Espírito. Ele quer de volta a direção da Sua Igreja!) Mas como seguir o Espírito Santo, se não reconhecemos a Sua presença?

Quanto mais evidente a Sua presença, mais inauditas tornam-se as manifestações do nosso Deus. Embora sejam importantes as manifestações que presenciamos, é pelo próprio Deus que ansiamos.

ELE SABIA QUE NOS COLOCARIA NUMA SITUAÇÃO INCÔMODA

É difícil para a maioria de nós seguir a liderança do Espírito Santo, porque somos muito limitados em nossa experiência com Ele. Os crentes, em sua maioria, O conhecem apenas como Aquele que convence do pecado e que nos conforta quando estamos com muitos problemas. O que resulta disso é que não nos habituamos a reconhecer a real presença do Espírito Santo. Conhecemos apenas uma pequena lista de manifestações que ocorrem quando Ele está presente e que consideramos aceitáveis, como por exemplo lágrimas, ou eventualmente um senso de paz quando o nosso cântico preferido está sendo cantado. Mas são poucos os que O reconhecem, independentemente de qualquer manifestação. E, o que é pior, muitos deliberadamente O rejeitam porque ou Ele se apresenta de um modo que não lhes é familiar, ou porque Ele não vem como costumava vir no passado. (Veja a arrogância dos que automaticamente rejeitam o que não compreendem, ou por não o terem encontrado na Bíblia. Nessa postura está implícito o pensamento de que, se Deus não fez aquilo nem o mostrou primeiramente para eles, então Ele não teria como fazê-lo para ninguém mais.)

Embora possivelmente sejam poucos que o admitam, o pensamento predominante na Igreja dos dias de hoje tem sido: “Se me sinto confortável com alguma coisa, com certeza ela provém de Deus.” Essa postura deu margem ao surgimento de muitos cães de guarda, que se colocaram por si mesmos nessa condição, e que têm envenenado a Igreja com os seus temores. Em vez de terem fome de Deus, ficam tendo medo de serem enganados. Em que devemos acreditar mais: na possibilidade de sermos enganados ou na capacidade de Deus para proteger-nos? E por que será que Ele nos deu o Consolador?

Ele sabia que o seu modo de agir nos colocaria numa situação incômoda.

QUAL É O SEU CONCEITO DE “EQUILÍBRIO”?

Medo de ser enganado é o que tem aberto a porta para um amplo, mas trágico, posicionamento dentro da Igreja. Seu postulado é que, pelo fato de termos a Bíblia, ficaremos emocionalmente desequilibrados e em perigo de sermos enganados se buscarmos experiências pessoais com Deus que toquem em nossos sentimentos. Tais temores fazem com que os crentes fiquem polarizados – o medo separa e indispõe as pessoas, umas das outras. Este é o quadro que muitos pintam: de um lado temos as pessoas que são equilibradas, que estimam a Bíblia como a Palavra de Deus; e do outro acham-se pessoas desequilibradas, que vão atrás de experiências esotéricas e espirituais com Deus. Será que esta colocação é realmente bíblica? Jesus fez uma afirmação surpreendente com respeito àqueles que se firmam na dicotomia entre o estudo bíblico e a experiência: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim”.

Se o nosso estudo da Bíblia não nos leva a um relacionamento mais profundo (um encontro) com Deus, então o nosso estudo apenas reforça a nossa tendência para o orgulho espiritual. Ampliamos o nosso conhecimento da Bíblia para nos sentirmos bem em nossa posição perante Deus, e para nos equiparmos melhor para argumentar com aqueles que discordam de nós. Todo grupo que se propõe a defender uma doutrina está propenso a ser atingido por esta tentação e ficar sem ter um encontro com Deus. Considere todas as possíveis consequências deste pensamento: aqueles que, à primeira vista parecem estar sob controle podem, de fato, estar fora de controle – fora do controle de Deus! E muitos dos que são acusados de serem membros de um clube do tipo “Me Abençoa” podem dar um real testemunho do toque de Deus em sua vida, que a transformou completamente e para sempre. Eles se tornam biblicamente muito mais equilibrados.

Jesus não disse: “Minhas ovelhas conhecerão o meu livro”. É a sua voz que temos que conhecer. Por que distinguir essas duas coisas? Porque qualquer um pode conhecer a Bíblia como um livro – até mesmo o diabo conhece e cita as Escrituras. Mas somente aqueles cuja vida é dependente da pessoa do Espírito Santo é que vão reconhecer de fato a voz do Senhor. Com isso não quero dizer que a Bíblia tem pouca ou nenhuma importância. Muito pelo contrário! A Bíblia é a Palavra de Deus, e a Voz do Espírito sempre será confirmada por ela. Essa voz causa um impacto ao que está impresso. Temos de estudar diligentemente as Escrituras, lembrando que é por conhecer o Senhor que as maiores verdades da Palavra escrita serão compreendidas.

Na unção que atualmente está sendo derramada sobre a Igreja, Deus está tratando especificamente dessa necessidade. Estamos sendo saturados com a Sua presença para que aprendamos a ouvir a Sua voz. À medida que Ele nos esclarece acerca da sua Palavra, tornamo-nos mais dependentes Dele. As pessoas uma vez mais estão se voltando para o maior dom já recebido: o próprio Deus. Embora a unção muitas vezes seja considerada como um estado, ela é na verdade uma Pessoa, o Espírito Santo.

À medida que o Espírito nos acolhe de novo, ele reina sobre nós, Seu povo. Ele trabalha para restabelecer um parâmetro mais bíblico para a vida cristã. Essa assustadora mudança é para melhor. Podemos e devemos conhecer o Deus da Bíblia por experiência própria. O apóstolo Paulo expressou isso da seguinte forma: “Conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus”. Você sabe o que é que excede todo o entendimento? É conhecer o amor de Cristo. E Jesus prometeu: “Aquele que Me ama será amado por Meu Pai, e Eu também o amarei e Me manifestarei a ele.” 129 E observe o resultado, nas palavras de Paulo acima: “Para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus”. Que galardão!

O QUE PRETENDE O ESPÍRITO DE ANTICRISTO

O espírito de anticristo tem por objetivo, em relação à Igreja, que ela aceite Jesus, mas sem a unção do Espírito Santo. Sem esta unção, Jesus torna-se uma personagem religiosa fora de perigo que por certo não nos desafiará nem nos ofenderá. Paulo descreveu essa possibilidade de engano do seguinte modo: “tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder. Afaste-se desses também”.

Como é que as pessoas que amam a Deus podem se sentir ofendidas pela unção do Espírito Santo?

1. Ele se move como o vento – fora do nosso controle.

2. Seus pensamentos são bem diferentes dos nossos. A Escritura afirma que a nossa lógica e a Dele não apenas são diferentes, mas sim opostas entre si. Sejamos honestos: são dois mundos à parte, um do outro!

3. Ele se recusa a ficar impedido de agir pela limitação do nosso entendimento da Palavra.

Toda vez que seguimos a direção do Espírito Santo, afrontamos espírito de anticristo. Embora a tolice de alguns, que se dizem guiado pelo Espírito, tem dificultado que se leve a cabo essa empreitada, nós porém, temos plena certeza de que seremos bem sucedidos, s verdadeiramente este for o nosso ardente desejo. Nosso Deus jamais dar uma pedra a quem lhe pedir um pão.

A UNÇÃO DE MESTRE

Se o Espírito Santo é o poder que está por trás do dom de mestre como deve ser esse dom? Que tipo de modelo Jesus proveu para est ministério em particular?

No próximo capítulo vamos examinar o papel que o mestre tem, exercer e como se dá a sua parceria com o Espírito Santo.