A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CHOCOLATE AMARGO CONTRA ALZHEIMER

Uma substância chamada epicatequina, presente no cacau, parece proteger o cérebro de lesões em casos de acidente vascular cerebral e de doenças neurodegenerativas associadas à demência

Para alegria de quem é adepto dos prazeres do chocolate a neurociência tem oferecido boas notícias. Pesquisas realizadas nos últimos anos mostraram que o alimento ajuda a combater o estresse e a depressão. Agora, um estudo mais recente indica que a guloseima pode proteger o cérebro também contra lesões causadas por derrame. Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, descobriram que uma substância presente apenas no chocolate amargo (não na versão tradicional ou branca) estimula um tipo de atividade celular que resguarda os neurônios dos danos causados por acidente vascular cerebral (AVC).

No estudo realizado em camundongos e publicado no Journal of Cerebral Blood Flow and Metabolism, 90 minutos depois de administrarem uma pequena dose de epicatequina – nutriente encontrado no cacau –, os cientistas induziram um derrame isquêmico por meio da interrupção da irrigação sanguínea no cérebro dos animais. O resultado foi um número significativamente menor de lesões do tecido cerebral em comparação às dos roedores que passaram pelo mesmo procedimento, mas sem ter recebido a dose do composto.

O interesse científico pela epicatequina surgiu com pesquisas feitas entre os índios kuna, que vivem em ilhas na costa do Panamá. A incidência de acidentes vasculares nessa população é muito baixa, o que é atribuído ao alto consumo de uma bebida escura e amarga feita à base de cacau. Posteriormente, estudos in vitro mostraram que a epicatequina não protege diretamente as células contra lesões, mas seus metabólitos parecem ativar vias bioquímicas que fazem com que as células aumentem suas próprias defesas.

O que tem surpreendido os pesquisadores é o fato de esse efeito ocorrer em resposta a doses muito baixas da substância. Os autores alertam, porém, que os dados obtidos até agora não autorizam o consumo exagerado de chocolate amargo, que, aliás, é rico em gordura saturada. Segundo eles, as evidências abrem boas perspectivas para o desenvolvimento de uma nova droga potencialmente útil para combater doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e outros tipos de demência.

OUTROS OLHARES

REVOLUÇÃO NA CIRURGIA CARDÍACA

Médico brasileiro Diego Gaia cria solução inédita unindo o stent e a válvula transcateter e torna intervenções mais seguras

Se fizesse uma cirurgia cardíaca convencional, dona Sebastiana Mendleta de Colmán, 65 anos, teria 40% de possibilidade de morrer. Diante do alto risco, ela procurou uma equipe médica que tratasse, por cateterismo, seus problemas no coração. Deu certo. O avanço científico alcançado, realizado sob o regulamento experimental, aconteceu no hospital de Assunção, no Paraguai. Depois de seis meses de planejamento e mais de seis horas e trinta minutos de cirurgia, a idosa voltou a ter um coração batendo em frequência normal. A descoberta da solução que salvou Sebastiana coube ao médico Diego Gaia, cirurgião e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que teve a ideia de unir duas tecnologias existentes, criando um novo material e um inédito procedimento cirúrgico, que altera, de maneira revolucionária, a clássica cirurgia.

Os dois materiais que deram origem à inovadora prótese cardíaca, unindo o stent e a válvula transcateter, permitiram algo essencial: a paciente não precisou ter o peito aberto para ser salva. “Foi a primeira vez no mundo que pode ser feito um procedimento como esse, por cateterismo. Para concertar a válvula e a aorta, que é o vaso que saí do coração levando o sangue para os outros órgãos do corpo, tínhamos de abrir o tórax e parar o coração, para poder fazer essa correção e a substituição”, explica Gaia. O fato de não precisar abrir o peito do doente como numa cirurgia Bentall, a convencional, permite benefícios durante e depois da operação. “Expor o coração, conectar esse órgão a uma maquina que faz a circulação do sangue, enquanto a gente opera, significa uma cirurgia longa, com um corte grande, com tempo de recuperação demorado. Existem aspectos técnicos que até impedem que alguns pacientes possam ser operados”.

O novo método, procedimento batizado de Endobentall, consiste em introduzir, pela artéria femoral, um cateter que viaja pelo corpo até chegar dentro do coração. Depois, o médico implanta a válvula acoplada a um stent, permitindo a resolução de dois males que levam ao óbito. Esses pacientes têm dois problemas concomitantes, uma válvula que não abre, ou seja, uma resistência à saída do sangue do coração, e uma dilatação da aorta, que pode se romper. O doente pode vir a morrer por causa desse rompimento. Esses problemas são relativamente frequentes na população, por isso, o impacto altamente positivo dessa cirurgia. A nova ferramenta tecnológica cardíaca é composta de duas partes: uma armação flexível de fio de nitinol, uma liga de titânio envolta em poliéster e que, por isso, pode ser colocada dentro da cânula. Já a parte móvel da prótese, que é a válvula, foi constituída de pericárdio bovino, que é a membrana que envolve o coração do boi. Esse material é retirado do animal e passa por um tratamento fabril que permite sua utilização em humanos.

SOLUÇÃO ORIGINAL

O minucioso planejamento para concepção de produto final envolveu o trabalho de engenheiros da empresa Braile Biomédica, da cidade paulista de São José do Rio Preto. O protótipo foi desenhado especificamente para a paciente. Os testes foram feitos tendo como base o coração de Sebastiana copiado e impresso em 3D. Considerando o impacto histórico, os seis meses, tempo que levou desde a ideia até a prótese pronta, pode ser considerado curto. Um material cirúrgico adequado ao órgão do paciente diminui sensivelmente o risco de complicações.

O critério usado nesse caso, para que Sebastiana tivesse acesso ao tratamento, é o chamado compassivo, quando o doente não tem alternativa, já que não pode passar por procedimentos conhecidos. Dessa forma, as agências regulatórias e o paciente concordam em usar um tipo de procedimento incipiente, experimental. A Braile Biomédica doou a prótese. E a originalidade da solução de Gaia ganhou o mundo. Esse ano o procedimento foi premiado num congresso de cardiologia realizado em Paris e está selecionado para ser apresentado como melhor trabalho do ano numa conferência em Londres, em novembro. A partir de agora a nova técnica poderá beneficiar milhares de pessoas com complicações cardíacas e reduzir sensivelmente os índices de mortalidade nas cirurgias.

GESTÃO E CARREIRA

A UNIVERSIDADE DA DISRUPÇÃO

A Singularity University, escola de inovação do Vale do Silício, terá campus em São Paulo com uma questão-chave: Até os pessimistas vão se render ao otimismo com o futuro que os seus professores ensinam?

Já foi dito que, mais do que um lugar, o Vale do Silício é um estado mental, uma forma de abordar os negócios e as inovações. A criatividade que permeia as startups e invenções que tornaram a região da Califórnia famosa no mundo todo tem relação com as empresas fundadas lá, como Google, Apple, HP, Facebook, Intel, Netflix e Tesla. Mas talvez elas nem existiriam se não fosse pela forte cultura educacional da região, ilustrada pela tradicional Universidade Stanford, de 134 anos.

A grande novidade de ensino da última década, no entanto, responde pelo nome de Singularity University e tem uma história muito mais recente. Localizada dentro do Parque de Pesquisas da Nasa, em Santa Clara (próxima da Stanford e da sede do Google), ela surgiu em 2009 da cabeça de dois visionários nova-iorquinos. São eles o engenheiro, médico e físico Peter Diamandis, conhecido por criar o prêmio de exploração espacial da Fundação X Prize, e o diretor de engenharia do Google, inventor e futurista Ray Kurzweil, que causou polêmica mundial em 2002, quando revelou que o seu objetivo era não morrer e que imaginava que isso seria possível.

A abordagem vanguardista da nova instituição conquistou pessoas de negócios de todo o mundo. Mas, para os brasileiros, virou um verdadeiro frenesi. A empreendedores e principais executivos do País, parece que não existe nada melhor para entrar no estado de espírito que representa o Vale do Silício do que cursar a Singularity. Um exemplo é o da Dasa, grupo de laboratórios diagnósticos dono do Delboni Auriemo e do Lavoisier. Dez executivos, incluindo o CEO e sócio, Pedro Bueno, e dois conselheiros, Alexandre de Barros e Romeu Domingues, cursaram por quatro dias o programa de Medicina Exponencial, na Singularity, num investimento feito pela empresa há três anos. “Depois do curso, demos uma acelerada no processo de inovação na empresa, e avançamos na implementação de Inteligência Artificial e na pesquisa de usos de 3D, realidade aumentada e robótica”, afirma Domingues, presidente do conselho de administração da Dasa.

Em 10 anos, mais de 1 mil brasileiros se dirigiram à Califórnia para realizar seus cursos, como o Programa de Soluções Globais (rebatizado no ano passado como Programa de Startups Globais) e o Programa Executivo, que podem custar US$ 20 mil, por seis semanas de aulas presenciais. Thomas Kriese, vice-presidente da Singularity, diz que fora dos Estados Unidos, o Brasil tem a maior representação de alunos. “Os brasileiros participavam do curso e depois convenciam os amigos”, afirma. “Chegou ao ponto de precisarmos limitar o número de brasileiros por classe. Eles gostavam do conteúdo, mas sentiam que estavam no Brasil e que o curso deveria ser algo mais multicultural.”

PARCERIA COM HSM

A partir de 2020, isso não será mais uma preocupação. A Singularity está chegando ao Brasil. Mais especificamente a São Paulo, com expectativas de ter a primeira turma no início do próximo ano. Em parceria com a HSM, do grupo Ânima Educação, ela finaliza a escolha de um local para o campus. “Se não chegarmos a 16 mil alunos brasileiros, sentirei que fracassei no meu plano de trazer o programa ao País”, afirma Kriese. “Tornando o conteúdo disponível em português e no Brasil, podemos chegar não só ao topo executivo das empresas, mas também atingir os empreendedores e a gerência média de grandes organizações.”

Na sexta-feira 4, deve ser finalizada a certificação do corpo docente brasileiro, que deve incluir 15 nomes dentre mais de 100 pessoas avaliadas, segundo Guilherme Soárez, vice-presidente de crescimento e educação continuada da Ânima Educação. Esse processo foi realizado em três fases, com visitas à sede da Singularity, aulas on-line sobre a sua história, treinamentos de apresentação em público e análise de projetos e de palestras dos candidatos. “Buscamos pessoas que realizaram algo. Não basta ter aprendido por um vídeo na internet e contar a história dos outros”, afirma Soárez. “Pode ser um executivo, um empreendedor ou um pesquisador de ponta. Mas é necessário ter também muito boas habilidades de comunicação, capacidade de passar mensagens de forma inspiracional e de levar as pessoas da plateia à ação.”

A unidade fará parte de um ecossistema global de estudos e ensino, que inclui também os campi da Singularity em Copenhague, Amsterdã, Johannesburgo, Lisboa, Milão, Toronto e Sidney. Os professores e alunos brasileiros deverão ajudar na troca de conhecimentos entre países. O campus em São Paulo deve ter entre 3 mil e 5 mil metros quadrados, e deve abrigar também outros parceiros. Escolas de programação, de design thinking e de mindfulness estão sendo procuradas para se estabelecer no local. Também foram convidadas empresas e fundos de investimentos, além de startups, para apoiar algumas das áreas de estudos da unidade brasileira.

Foram identificadas oito áreas de foco para a unidade nacional. Metade delas tratará de grandes dificuldades do país em comparação com o mundo desenvolvido: saúde, educação, segurança pública e infraestrutura. “Se usarmos um pensamento linear e analógico, levaremos até 2070 para resolvermos esses problemas”, diz Soárez. “E, sem superarmos essas dificuldades, não teremos nenhuma chance no mercado global.” As quatro disciplinas restantes são oportunidades de liderança global para o Brasil, incluindo agricultura, energia, meio ambiente e serviços financeiros.

Essa abordagem otimista quanto ao futuro faz parte do DNA da escola e ajuda a explicar o interesse dos brasileiros por ela. Afinal, uma das coisas mais em falta no País tem sido exatamente isso. Kriese cita uma estatística do Boston Consulting Group que descobriu que 72% dos brasileiros deixariam o País se tivessem essa possibilidade. “É um grande problema, porque as pessoas que querem sair não são aquelas que estão sofrendo. São as que têm mais capacidade de ter sucesso em outros lugares”, afirma o executivo. “Então, buscamos mostrar ideias para incentivá-las a acreditar num futuro melhor aqui no Brasil.”

O otimismo da Singularity está baseado no fato de que, mesmo com todas as más notícias pelo mundo, as macrotendências mostram que menos pessoas estão abaixo da linha da pobreza e passam fome do que no passado. “O medo das pessoas falharem e das repercussões externas de tentarem algo novo é o que faz elas ficarem presas ao status quo, ou a desejarem voltar a um tempo em que as mudanças não eram tão rápidas”, afirma Kriese. “Mas acredito que as pessoas se esquecem de como o mundo era duro no passado.”

Para a Singularity, o futuro será de abundância. A energia será gratuita, com os avanços na captação de energia solar. Metade das doenças do mundo desaparecerá, por estarem ligadas ao consumo de água não potável. E o transporte será cada vez mais inteligente. “As empresas precisam pensar em como vão operar neste mundo de abundância”, diz Kriese. “Tudo isso está a nosso alcance.” Agora, para os brasileiros, o alcance será ainda mais facilitado, com a chegada da escola ao País.

ALIMENTO DIÁRIO

QUANDO O CÉU INVADE A TERRA

CAPÍTULO 6 – O REINO E O ESPÍRITO

“Em verdade vos digo: entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista; mas o menor no reino dos céus é maior do que ele.” (Mateus 11:11)

João Batista foi o maior de todos que estavam sob o Antigo Testamento. Mas o que é menor nesta era atual nasceu para suplantá-lo, mediante o relacionamento com o Espírito Santo.

Os membros da nossa igreja e os alunos da Escola Bíblica Bethel de Ministério Sobrenatural estão entre os que recebem este privilégio. Um dos alunos, Jason, estava fazendo o seu pedido numa lanchonete de atendimento rápido. Não satisfeito de compartilhar Cristo apenas para aqueles que estavam do outro lado do balcão de atendimento, ele começou a falar, depois de passar pelo caixa, a três homens que estavam num carro, no guichê do atendimento a carros! Assim que recebeu o seu lanche, Jason percebeu que aqueles homens tinham estacionado o carro para comerem. Ele voltou a conversar com eles e viu que um deles, no assento traseiro, tinha uma perna quebrada. Então ele entrou no carro junto deles e convidou o Espírito Santo a vir; e Ele veio.

Aquele homem começou a praguejar. Ele não tinha entendimento algum acerca do fogo santo que estava sobre a sua perna. Todos saíram então do carro e aquele com a perna quebrada tirou o cinto e começou a bater com ele na sua perna. Ele estava totalmente curado! Os três foram de tal modo tocados pela bondade de Deus que abriram o porta-malas do carro, que estava cheio de drogas ilegais. Jogaram então tudo sobre o pavimento, e ficaram dançando em cima da droga, destruindo-a completamente! Jason levou os três para a nossa Alabaster House nossa casa de oração, que fica aberta 24 horas por dia – e os levou a Cristo. A bondade de Deus os levou ao arrependimento. Isto é o normal da vida cristã.

O Espírito Santo é o agente do céu que torna possível encontros assim. Não apenas isso, Ele faz com que tais encontros sejam a norma na vida daqueles que a querem.

O NOVO PADRÃO

Jesus estabeleceu um padrão quando afirmou que João Batista foi o maior de todos os profetas do Antigo Testamento. João não fez nenhum milagre, pelo que sabemos. Seu ministério foi glorioso e necessário, mas foi diferente em relação aos ministérios proféticos que normalmente usamos numa comparação, como os de Elias ou Daniel. Contudo Aquele que tudo sabe disse que João foi o maior dentre todos os profetas. Há uma verdade contida nesta passagem que nos ajuda a ver o nosso potencial, a partir da perspectiva celestial. É uma verdade tão maravilhosa que o inferno inteiro tem como prioridade tentar impedir-nos de entender a sua simplicidade.

Tendo isso em mente, uma palavra ainda mais surpreendente vem em seguida: o menor no reino de Deus é maior do que ele, João Batista. Jesus não disse que aqueles que estão no céu é que são maiores do que ele. Não havia razão para dizer isso. Ele estava falando sobre um tipo de vida que em breve se tornaria possível a todo crente. João profetizou sobre a vinda de Cristo, e foi até o ponto de confessar que ele mesmo dela tinha necessidade.

“Aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.” (Mateus 3:11)

“Dirigiu-se Jesus da Galileia para o Jordão, a fim de que João O batizasse. Ele, porém, O dissuadia, dizendo: eu é que preciso ser batizado por Ti…” (Mateus 3:13-14)

João confessou a sua necessidade pessoal de receber o batismo de Jesus. Nenhum dos profetas do Antigo Testamento, nem mesmo João, tinha o que estava prestes a ser oferecido ao menor de todos os santos: o batismo no Espírito Santo, que se tornou o objetivo de Deus para a humanidade.

O batismo no Espírito Santo possibilita-nos ter um estilo de vida ao qual nem mesmo João Batista teve acesso. Através do exemplo que nos deu, Jesus aguçou o nosso apetite para que provemos este estilo de vida. E também nos prometeu que uma vida assim é viável.

UM OBJETIVO FINAL

Há uma diferença entre objetivos imediatos e objetivos finais. O sucesso num objetivo imediato nos possibilita alcançar um objetivo final. Mas o insucesso no imediato nos impede de alcançar o nosso objetivo final.

Os jogadores de boliche sabem que isto é uma verdade. Cada uma das pistas tem dez garrafas lá na outra extremidade, e algumas marcas sobre a própria pista. Um bom jogador de boliche sabe como a bola pega efeito ao ser lançada. Ele primeiro mira sobre a marca que há na pista como um alvo inicial. Mas ele não recebe pontos por atingi-lo. Os pontos somente são obtidos quando o objetivo final é alcançado: derrubar as garrafas lá no fim da pista.

De igual modo, a salvação não era o objetivo final da vinda de Cristo. Era o objetivo imediato, a marca sobre a pista. Se a redenção não fosse realizada, não haveria esperança alguma para o objetivo final, que é encher todo aquele que é nascido de novo com o Espírito Santo. O desejo de Deus é que o crente transborde Dele mesmo, é que sejamos “cheios de toda a plenitude de Deus”. A plenitude do Espírito que resulta de sermos batizados com Ele é algo que não tem com o que se comparar, de tudo o que o homem anteriormente tenha experimentado. Por isso, o maior dos profetas do Antigo Testamento teve que confessar: “Eu é que preciso ser batizado por Ti” – como se ele estivesse dizendo “Preciso do Teu batismo, o mesmo que me foi dado a anunciar!”

O batismo no Espírito Santo possibilita-nos ter um estilo de vida ao qual nem mesmo João teve acesso., Considere o seguinte: se pudéssemos viajar pelo espaço sideral, saindo deste planeta em qualquer direção, à velocidade da luz – 300.000 quilômetros por segundo – durante bilhões de anos, mesmo assim não chegaríamos ao fim do universo, que sabemos ser infinito. Agora, tudo isso acha-se nas mãos de Deus. E é este Deus que quer nos encher com a sua plenitude. Isso tem que fazer uma diferença!

UMA FIGURA DO ANTIGO TESTAMENTO

Israel deixou o Egito quando o sangue de um cordeiro foi derramado e aplicado nos umbrais de cada uma de suas casas. Do mesmo modo, fomos libertos do pecado quando o sangue de Jesus foi aplicado em nossa vida. Os israelitas logo chegaram ao Mar Vermelho. A passagem deles em meio àquela massa de água foi interpretada como sendo o batismo de Moisés. Semelhantemente, passamos pelas águas do batismo depois da nossa conversão. Quando os judeus finalmente entraram na terra prometida, eles atravessaram um rio: um outro batismo. Este segundo batismo não representava a libertação do pecado.

Isso foi representado quando eles saíram do Egito. Este novo batismo os levaria a um novo modo de vida. Por exemplo, eles fizeram guerras antes de atravessarem o rio, e as venceram. Mas depois que passaram pelo rio Jordão, suas guerras seriam travadas de modo diferente. Agora eles poderiam andar em torno de uma cidade em silêncio por alguns dias e, por fim, ao fazerem um clamor com gritos veriam os muros ruir. Posteriormente os israelitas tiveram a experiência do desafio que foi enviarem primeiro um coro, antes da batalha. E também um dia Deus propositadamente dispensou mais de trinta mil soldados, mandando-os voltar para casa, para que Ele pudesse lutar a guerra com apenas trezentos tocadores de trombeta portando tochas de fogo.

O Senhor faz da Terra Prometida uma realidade, e nós pagamos o preço para nela viver. Ele nos dará o Seu batismo de fogo se Lhe dermos algo que valha a pena ser queimado.

O batismo no Espírito Santo é o cumprimento na figura do Antigo Testamento referente à entrada na Terra Prometida. Suponhamos que os filhos de Israel tivessem decidido atravessar o Jordão, mas se satisfizessem em permanecer às margens daquele rio. Eles teriam, antes de mais nada, perdido o objetivo daquela travessia. Havia nações para destruir e cidades para tomar posse. A satisfação fora dos propósitos de Deus significaria para eles que teriam que aprender a conviver com seus inimigos. É exatamente isso que acontece quando o crente é batizado no Espírito Santo mas nunca vai além de falar em línguas. Quando nos satisfazemos fora do propósito final de Deus, que é estabelecer o seu domínio, aprendemos a tolerar o inimigo em alguma área da nossa vida. Por mais glorioso que o dom de línguas seja, ele é apenas uma porta de entrada para uma vida de poder. Esse poder nos foi dado para despojarmos as fortalezas do inferno e delas tomarmos posse, para a glória de Deus.

O REINO VEM COM PODER

“Dos que aqui se encontram, alguns há que, de maneira nenhuma, passarão pela morte até que vejam ter chegado com poder o reino de Deus.” (Marcos 9:1)

Cada vez que isto é mencionado nos evangelhos, logo em seguida ocorre a descrição do que aconteceu no Monte da Transfiguração. Há quem tenha a opinião de que tudo o que aconteceu com Jesus naquele monte significava que o Reino tinha vindo com poder. Entretanto, se isso fosse verdade, por que então Jesus teve que enfatizar que alguns dos que ali estavam não morreriam antes de verem a vinda do Reino com poder? Jesus estava referindo-se a um evento muito maior. Ele falava da promessa do Pai, do evento que no futuro iria nos revestir com o poder do alto: o batismo no Espírito Santo.

Por alguma razão eu sempre pensei no batismo no Espírito Santo como sendo um evento que ocorre uma vez só: tendo recebido minha linguagem espiritual para orar, isso seria tudo. A Bíblia ensina de modo diferente. Em Atos 2 encontramos 120 pessoas sendo batizadas no Espírito Santo no cenáculo. Entretanto, em Atos 4, vemos algumas daquelas pessoas sendo enchidas novamente com o Espírito Santo. Alguns têm colocado isso assim: um só batismo, mas muitas vezes somos enchidos. Por quê? Porque há vazamento.

Na última década, um fogo de avivamento foi trazido por Rodney Howard Browne, em Toronto e em Pensacola. Muitos viajaram, vindos de toda parte deste mundo, para verem aquele diferente derramar de águas. Foram levados por uma instintiva fome que os fazia querer mais. Em alguns locais as pessoas formam uma fila, esperando receber a oração. Em outros, aglomeram-se na frente da plataforma, esperando que alguém seja usado por Deus para impor mãos sobre elas e abençoá­las. Os críticos chamaram essa atividade de “Clube do Me Abençoa”. Pessoalmente, devido à minha paixão pela bênção de Deus, tenho pouco problema com aqueles que voltam vez após vez para receberem a bênção. Eu preciso da bênção de Deus. O problema não está em receber mais e mais das Suas bênçãos. O problema está em deixar de compartilhar essas bênçãos aos outros, depois de as termos recebido.

O tempo gasto em receber a oração tem se tornado uma ferramenta que Deus usa para encher o Seu povo com mais de Si mesmo. Essa prática tem se tornado um método para essa maravilhosa hora em que se transmite a bênção de Deus.

O REINO, A ESFERA ESPIRITUAL

“Se, porém, Eu expulso demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós.” (Mateus 12:28)

Observe a frase: “pelo Espírito de Deus o reino.” O Espírito Santo inclui em Si o Reino. Conquanto não sejam a mesma coisa, eles são inseparáveis. O Espírito Santo reforça a liderança de Jesus, demarca o Seu território com liberdade. O domínio do Rei torna-se evidente através da Sua obra.

A segunda parte do versículo acima revela a natureza do ministério. Um ministério ungido provoca o choque entre dois mundos: o mundo das trevas com o mundo da luz. Esta passagem mostra-nos a natureza da libertação. Quando o Reino de Deus vem sobre uma pessoa, os poderes das trevas são forçados a sair.

Quando uma luz é acesa, as trevas não podem resistir. Não há o que discutir. Não fica escuro por alguns minutos, até que a luz finalmente vença. Pelo contrário, a luz é superior às trevas de tal forma que o seu triunfo é imediato.

O Espírito Santo não tem feridas de guerra. Não tem marcas de mordidas causadas pela esfera demoníaca, lutando para ter preeminência. Jesus é o Senhor, e ponto final. Aqueles que aprendem a operar com o Espírito Santo na verdade fazem com que a realidade do Seu mundo (o Seu domínio) entre em choque com os poderes das trevas que podem atingir uma pessoa ou uma situação. Quanto maior a manifestação da Sua presença, mais rápida é a Sua vitória.

O VALOR DA PRESENÇA DO ESPÍRITO

Bem mais do que qualquer outra coisa, é o próprio Espírito Santo o maior dom que recebemos. Aqueles que descobrem o valor da Sua presença entram em esferas de intimidade com Deus nunca antes consideradas possíveis. A partir desse relacionamento vital surge um ministério de poder que anteriormente era apenas um sonho. O que é incompreensível torna-se possível porque Ele está conosco.

Eu serei contigo é a promessa feita por Deus a cada um de Seus servos. Moisés ouviu isto quando enfrentou o desafio de libertar Israel do Egito. Josué recebeu esta promessa quando liderou a entrada de Israel na Terra Prometida. Quando Gideão recebeu o chamado de Deus para ser libertador de Israel, Deus selou Sua palavra com a mesma promessa. No Novo Testamento, esta promessa veio para todos os crentes através da Grande Comissão. Ela torna-se vital quando Deus nos pede para fazer algo que humanamente é impossível. É importante vermos isso. É a presença de Deus que estabelece a ponte entre nós e o que é impossível. Costumo dizer ao meu pessoal: “Ele está em mim para o meu bem, mas Ele está sobre mim para o bem de vocês.” Sua presença torna tudo possível! Deus não precisa fazer experiências para realizar algo sobrenatural. Ele é sobrenatural. Ele teria que fazê-las para não o ser. Se Ele é convidado para uma situação, não devemos esperar nada menos que uma invasão sobrenatural.

SUA PRESENÇA EM NOSSA SOMBRA

Parte do privilégio que há no ministério é aprender a liberar o Espírito Santo onde estivermos. Quando eu pastoreava em Weaverville, Califórnia, os escritórios da nossa igreja ficavam no centro da cidade, num local em frente a um bar e à direita de um outro. Essa região central é o centro comercial para todo o município, o lugar perfeito para os escritórios de uma igreja!

Não é bom que os cristãos procurem fazer negócios apenas com outros cristãos. Somos sal e luz. E brilhamos mais em lugares escuros! Gosto muito de negócios e dos homens de negócios, e tenho um genuíno interesse por seu sucesso. Antes de entrar numa loja, geralmente oro para que o Espírito Santo seja liberado por meu intermédio. Se estou precisando de alguma coisa que se acha de um lado da loja, entro pelo lado oposto para poder caminhar pela loja toda. Muitas oportunidades para ministrar surgiram à medida que eu ia aprendendo a liberar a presença de Deus nos locais comerciais.

No tempo da Igreja primitiva, as pessoas colocavam os enfermos pelas ruas, esperando que a sombra de Pedro se projetasse sobre eles e assim fossem curados. Não obstante, não era a sombra de Pedro que operava a cura. Não há substância alguma numa sombra. Não era a presença de Pedro que importava, e sim a do Espírito sobre ele. Era a presença do Espírito Santo que fazia os milagres acontecerem. A unção é uma expressão da pessoa do Espírito. Ele é tangível. Houve ocasiões, no ministério de Jesus, que todo aquele que tocasse na roupa Dele era curado e liberto. A unção é uma realidade. É a real presença do Espírito Santo, e Ele pode ser liberado ao nosso derredor.

RESSURREIÇÃO NA ÁFRICA

O pastor Surprise é um líder apostólico que trabalha com Rolland e Heidi Baker do Ministério Iris, m Moçambique. Nos dias de uma campanha evangelística, da qual ele era o pregador, uma menina de 9 anos morreu, o que ameaçava levar a um fim a série de conferências, pois toda a cidade tinha sido afetada por um grande pesar. No dia seguinte em que a menina morreu, sua família recebeu a visita do pastor Surprise. Ao chegar lá, o corpo dela ainda jazia, inerte, na cabana onde ela tinha morrido na noite anterior. Enquanto ele orava pela família, por acaso ele pôs sua mão sobre a mão da menina. Ele não estava orando para que ela ressuscitasse, mas depois de alguns minutos ela fechou a mão. Ela ressuscitou cerca de 12 horas depois da sua morte porque uma pessoa estava ali, cheia do Espírito Santo. O pastor transbordava o poder da ressurreição de Jesus, poder que o enchia enquanto ele se esforçava para consolar a família enlutada! Uma garrafa não está totalmente cheia antes de transbordar. Assim se dá com o Espírito Santo. A plenitude é medida pelo transbordamento. Quando nos fechamos, numa postura introspectiva, restringimos o fluir do Espírito Santo. Tornamo-nos tal como o Mar Morto: a água flui para ele, mas nada flui dele, e não há vida em águas estagnadas. O Espírito Santo é liberado através da fé e da compaixão. Fé e compaixão jamais são centradas em si mesmas.

SEGUINDO O SEU LÍDER PARA FORA DOS LIMITES

A história geral nos dá uma lição de um grande líder militar. Alexandre, o Grande, liderou seus exércitos de vitória em vitória, e o seu desejo por conquistas cada vez maiores finalmente o levou aos pés do Himalaia. Ele queria ir para o outro lado daquelas montanhas desafiadoras. Entretanto ninguém sabia o que os esperaria do outro lado. Seus oficiais diretos perturbaram-se com essa nova visão do seu líder. Por quê? Eles tinham ido até os limites do mapa, e não havia mapa algum para aquele novo território, do outro lado, do qual Alexandre agora queria tomar posse. Aqueles oficiais tiveram que tomar uma decisão: estariam dispostos a obedecer o seu líder, indo além dos limites do mapa conhecido, ou se satisfariam em ficar dentro desses limites? Eles decidiram obedecer Alexandre.

Obedecer a direção do Espírito Santo pode colocar-nos neste mesmo dilema. Conquanto Ele nunca contradiz a Sua Palavra, o Espírito Se põe muito à vontade para contradizer o nosso entendimento dela. Aqueles que se sentem seguros em virtude de sua abordagem intelectual das Escrituras desfrutam de um falso senso de segurança.

Nenhum de nós tem um pleno entendimento das Escrituras, mas todos temos o Espírito Santo. Ele é o nosso denominador comum, que sempre nos conduzirá à verdade. Mas, para obedecer a Ele, precisamos estar dispostos a sair dos nossos limites – temos que ir além do que conhecemos. Para fazermos isso com sucesso, temos que reconhecer a Sua presença, acima de tudo.

Há uma grande diferença entre o modo de ministrar de Jesus e o modo usual de como se ministra nos dias de hoje. O Senhor era completamente dependente do que o Pai estava fazendo e dizendo. Ele demonstrou claramente esse seu estilo de vida logo depois de ter sido batizado pelo Espírito Santo. Ele seguiu a liderança do Espírito, mesmo quando parecia ser um procedimento irracional, o que com frequência acontecia.

A Igreja tem, com muita frequência, vivido segundo uma abordagem intelectual das Escrituras, não levando em conta a direção do Espírito Santo. Temos programas e instituições que de modo algum requerem o Espírito de Deus para sobreviverem. Com efeito, muitos dos assim chamados ministérios não têm uma proteção que lhes assegure que o Espírito está presente. Quando o nosso ponto central não é a presença de Deus, acabamos fazendo o melhor que podemos para Deus. Nossas intenções podem ser nobres, mas são desprovidas de poder, em seus efeitos.

Quando Jason começou a compartilhar o evangelho pelo guichê de atendimento naquela lanchonete, suas ações tinham ido além dos limites. Contudo elas produziram fruto para o Rei.

COMPAIXÃO E LIBERAÇÃO DA PRESENÇA DO ESPÍRITO SANTO

Jesus muitas vezes curou depois de ser profundamente tocado pela compaixão. Com frequência tenho consciência da liderança do Espírito Santo por reconhecer Sua afeição por alguém. Ser levado a alguém pela compaixão geralmente quer dizer que haverá algum efeito do ministério sobrenatural para tal pessoa – quer através de uma palavra de encorajamento, quer através de um milagre de cura ou libertação. Amar as pessoas está na agenda de Cristo, e o fato de renunciar a minha própria agenda me dá condições para fazer-me disponível para a Dele. O Espírito Santo é o agente invasor do céu. No próximo capítulo veremos por que a Sua presença aterroriza os poderes do inferno.