A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

COM CARA DE JOELHO

Imagine como seria olhar para o rosto das pessoas e não conseguir distinguir os traços. Segundo estimativas, em algumas populações essa condição atinge duas a cada cem pessoas, em algum grau

A prosopagnosia é uma inabilidade perceptiva, uma acentuada “cegueira para feições”. Pessoas com o distúrbio podem ver o rosto dos outros quase sempre tão bem quanto qualquer um, mas não conseguem retê-los na memória ou reconhecê-los. Para eles, essa parte do corpo fica praticamente isenta de peculiaridades: é como se a face equivalesse ao joelho ou à panturrilha. Esse grau de dificuldade é variável e, em muitos casos, as pessoas sequer se dão conta de que têm um distúrbio – acreditam que as demais pessoas veem o mundo exatamente como elas, povoado de faces indistintas.

A palavra prosopagnosia resulta da junção do vocábulo grego prosopon (face) e agnosia (não reconhecimento). Foi cunhada pelo neurólogo alemão Joachim Bodamer, que iniciou seus estudos sobre o tema durante a Segunda Guerra, quando trabalhou no Sanatório Winnental, um hospital psiquiátrico perto de Stuttgart. Ele observou em dois soldados com lesões graves na cabeça uma acentuada inabilidade de reconhecimento facial. Eles olhavam o rosto dos companheiros, mas não eram capazes de coordenar a percepção com a capacidade de identificá-los.

Projeções realizadas pelo Instituto de Genética Humana da Universidade de Münster, na Alemanha, sugerem que aproximadamente 2% da população é afetada por essa inabilidade em algum grau. Em amostragem realizada com 689 estudantes, 17 apresentaram indícios do distúrbio. Em 14 dos indivíduos pesquisados foram descobertos sintomas de prosopagnosia tanto em parentes próximos quanto nos do círculo familiar ampliado.

“Sabemos hoje que se o pai ou a mãe apresenta essa inabilidade perceptiva, a probabilidade de ela aparecer também nos filhos será de 50%; o sinal característico é, portanto, hereditário dominante”, afirma o neurocientista Thomas Grüter, professor da Universidade de Münster. E uma vez que a prosopagnosia afeta igualmente homens e mulheres, evidencia-se que nela não tem participação nenhum cromossomo sexual, mas provavelmente um “autossomo”.

O especialista ressalta que a inabilidade congênita de reconhecer rostos não necessariamente tem a mesma base neuronal da prosopagnosia adquirida por lesão cerebral. “Até o momento só sabemos que ela parece responsável pelo distúrbio hereditário de uma única mutação genética; a exemplo de todos os primatas, os seres humanos têm pouca habilidade olfativa em comparação com outras espécies, o que em geral não nos permite reconhecer nossos semelhantes pelos odores, como fazem, por exemplo, os cães”, observa Grüter. Em vez disso, temos uma visão altamente aperfeiçoada para identificá-los.

OUTROS OLHARES

CIGARRO ELETRÔNICO MATA

Se antes era uma suspeita, agora é realidade. Sucessivos casos confirmados de mortes decorrentes do uso de vaporizadores de óleo ligam o alerta para quem tem o hábito de fumar com este tipo de aparelho — muito popular entre os jovens

O cigarro eletrônico já não é mais novidade. Apresentado como uma alternativa menos cancerígena ao consumo de nicotina, principalmente por não funcionar com a combustão de substâncias nocivas como o alcatrão, eles são de aspecto moderno, tem grande apelo juvenil, não deixam cheiro ruim e oferecem essências com sabores diversificados. Mas, como agora se sabe, eles também podem ser letais. O centro de controle de doenças dos EUA, onde os vapes — como também são conhecidos — são muito populares, já confirmou 530 casos de doenças respiratórias graves associadas ao hábito, além de onze mortes. Esta doença ainda não tem nome e sequer há um mapeamento completo de como ela se instala no corpo e provoca os sintomas. Num primeiro momento, existia a hipótese de que a misteriosa enfermidade estivesse ligada ao consumo de vapes com THC, principal substância psicoativa encontrada na maconha, e que fosse mais perigosa para jovens. A suspeita se deu por causa de um estudo da Universidade de Saúde de Utah, que identificou a doença em um homem de 21 anos que usava cigarros eletrônicos para fumar óleos de nicotina e de THC. Foi a primeira empreitada que conseguiu identificar parte do problema, encontrando células com grande quantidade de gordura dentro do pulmão do paciente. Até o momento, dois terços dos acometidos pela doença pulmonar estão na faixa dos 18 aos 34 anos

Com a confirmação de mais mortes, incluindo a de um homem de mais de 40 anos, a suspeita se dissipou, expandindo o alerta para todos que usam vapes, com todo tipo de essência ou sabor. Sean Callahan, professor assistente da Universidade de Saúde de Utah e um dos que assinou o estudo, diz que os resultados de pesquisas sobre o uso de cigarros eletrônicos é bem claro: “simplesmente é melhor não usar vapes por enquanto.” Ele afirma, do ponto de vista de sua experiência no setor de cuidados pulmonares na universidade, que há um percentual grande de usuários de óleos que não contém THC sendo identificados com a doença. O médico também avalia que o grande número de jovens afetados está relacionado com o fato dos e-cigars serem muito populares entre os mais novos. ”Nós médicos precisamos melhorar nossa capacidade de diagnóstico do problema, além dos que estão fora da divisão pulmonar, principalmente nas áreas de primeiros cuidados e de emergência”, diz.

JOVENS E VAPES

A preocupação com a letalidade do cigarro eletrônico está principalmente no crescimento do uso entre a população mais jovem. Enquanto o departamento de Saúde dos EUA aponta que apenas 5,8% dos colegiais do país fumam cigarros (número decrescente), a agência de alimentos e drogas mostra que em 2019, 27,5% dos estudantes dessa faixa etária experimentaram um vape ao menos uma vez no mês anterior à pesquisa. Os dispositivos são portáteis, existindo até capas para smartphones com alça para transportá-los juntos. É algo atraente e descolado. Há marcas desenvolvendo adesivos de estampas como “Supreme” ou “Marvel” para customizar o próprio cigarro eletrônico.

Muito da popularização do dispositivo tem a ver com a empresa por trás disso: a Juul, uma startup fundada por dois ex-alunos de Stanford, Jame Monsees e Adam Bowen, que controla mais da metade do mercado norte-americano de vapes. Embora ela tenha assumido uma postura de apresentar o produto como “uma alternativa para fumantes”, a marca é a preferida entre os adolescentes, principalmente para consumir os óleos de sabor, como mentolados e de manga. A empresa chegou a ter programa de representantes que visitavam escolas para informar os benefícios de trocar do cigarro convencional para o eletrônico, colocando os jovens em contato direto com o produto da marca – iniciativa já interrompida pela Juul. Ela já chegou a ser avaliada em US$ 38 bilhões e faturou aproximadamente US$ 1.2 bilhões no primeiro semestre de 2019. No último balanço divulgado pela empresa, em 2017, foram vendidos mais de 16 milhões de dispositivos.

A Juul deve acusar o golpe após a multiplicação dos casos de doenças ligadas ao cigarro eletrônico. O presidente dos EUA, Donald Trump, já se posicionou afirmando que “não podemos permitir que nossos jovens adoeçam”, indicando que alguma regulação ao acesso de tais produtos deve acontecer. Os estados de Nova York e de Michigan proibiram a comercialização de cigarros eletrônicos de sabor (que representam cerca de 80% do total consumido) e a rede de lojas de departamento Walmart, uma das maiores do mundo, afirmou que irá deixar de vendê-los. O caminho é bastante claro: o império da nicotina eletrônica construído pela Juul pode ruir, principalmente com a população adoecendo pelo consumo da substância. No Brasil, apesar dos cigarros eletrônicos serem proibidos por lei desde 2009, não é difícil encontrar alguém vaporizando nicotina pelas ruas. Um dispositivo desses pode ser comprado por meio de sites especiali

zados, bem como os diferentes tipos essências, ou até mesmo em perfis do Instagram. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária informa que desde 2017 já retirou da internet mais de 700 anúncios de dispositivos eletrônicos para fumar e que já realizou duas audiências públicas para debater o tema.

A SITUAÇÃO NO BRASIL

O Brasil é referência mundial no combate ao tabagismo. Na segunda 23, o País recebeu o prêmio da Força-Tarefa Interagências da ONU pela redução do percentual de fumantes de 15,6% em 2006 para 9% em 2018. Mesmo assim, mediante aos expressivos números do mercado, há a ameaça da legalização, apesar dela ainda não ser formalmente discutida, principalmente pelos incipientes dados no ambiente brasileiro. Uma pesquisa do Programa Nacional de Tabagismo do SUS revelou que 30% dos fumantes menores de 30 anos já experimentou o vape alguma vez, indicando a propensão também da sociedade brasileira em aderir ao hábito. Os jovens cresceram num Brasil em que fumar cigarro é mal visto. Há imagens repulsivas nos maços de cigarro e não se pode fumar em locais fechados. Os cigarros eletrônicos ainda não estão associados a tais imagens ruins, pelo contrário, são quase vistos como desejáveis. Se foram necessárias décadas para arruinar a imagem do cigarro, as mortes decorrentes do uso de vape podem fazer isso em muito menos tempo.

GESTÃO E CARREIRA

NEM VELHO, NEM IDOSO. CHAME DE OPORTUNIDADE

Empresas começam a despertar para o potencial de negócios por trás da geração acima de 50 anos, que já responde por quase metade do consumo do País, concentra 54 milhões de pessoas e movimenta R$ 1,8 trilhão por ano

Todo fim de mês, o empresário e executivo Fernando Parrillo, sócio e CEO da Prevent Senior, maior operadora de saúde especializada em clientes da terceira idade no País, se impressiona com os números da companhia. Não apenas com as cifras de faturamento e lucro, mas com a planilha que mostra o perfil dos 451 mil clientes. Em setembro, a empresa superou a marca de 250 pessoas com mais de um século de vida, além de 12 mil beneficiários na faixa etária entre 90 e 100 anos — grupo que, historicamente, é motivo de dor de cabeça para os planos de saúde e que gera os custos mais altos em procedimentos. “Temos uma visão distinta sobre o público de mais idade. Uma pessoa que chega aos 80 anos é saudável, e se busca um plano de saúde é porque quer viver mais e melhor. Queremos tê-la como cliente”, afirma Parrillo. “Temos de inverter o conceito. A medicina não deve ser uma ciência voltada só para a cura, mas de prevenção ao surgimento de enfermidades.”

Sob a ótica dos negócios, a equação de Parrillo também parece fazer sentido. A Prevent Senior mantém programas de incentivo para aumentar a frequência de consultas e exames, buscando diagnosticar problemas em seus estágios iniciais. Com isso, segundo ele, a companhia tem conseguido reduzir de 30% a 40% as despesas com a cobertura de procedimentos de alta complexidade — e, evidentemente, mais custosos. “Controlar o colesterol é barato. Colocar um stent (prótese para evitar a obstrução dos vasos sanguíneos) é caro. Por isso, aumentar a atenção à prevenção é o melhor a se fazer.”

A estratégia da Prevent Senior, a julgar pelos números, tem garantido a saúde financeira e a sustentabilidade dos negócios. Neste ano, a companhia vai faturar R$ 3,5 bilhões, alta de 17% na comparação com 2018. Mais: um plano de investimento de R$ 500 milhões em dois anos — 80% com recursos próprios e 20% com bancos e investidores – vai aumentar a capacidade de atendimento para 750 mil pessoas, alta de 66% em relação ao número atual, com a abertura de novas unidades em Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Santos e São Paulo, além do lançamento de uma operação nos Estados Unidos no ano que vem. “Se estamos conseguindo crescer e rentabilizar, oferecendo planos de saúde pela metade do preço da média da concorrência, é porque existem alternativas de modelos de operação para as empresas do setor”, afirma Parrillo. “A ideia é reduzir ainda mais os custos.”

Os estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) apontam que a população com mais de 50 anos no Brasil crescerá a um ritmo chinês nas próximas décadas, criando um imenso mercado consumidor, que já movimenta R$ 1,8 trilhão por ano e responde por 42% do consumo nacional. A participação de pessoas com mais de 50 anos na sociedade passará dos atuais 25% — com 54 milhões de cidadãos — para 31,1% daqui a dez anos, e 37,4% em 2040. Se hoje o contingente que compõe o chamado “silver economy” ou “grey power” (a força dos grisalhos) já é, comparativamente, maior do que a população da Espanha, o aumento criará novas oportunidades de negócios para as empresas. O economista Marcos Cavalcanti, da Fundação Getulio Vargas (FGV), diz que o fim do bônus demográfico (quando há mais pessoas na ativa do que aposentadas) não representa um ônus demográfico. “Significa que pessoas com mais experiência, patrimônio e capacidade de investimento serão mais representativos dentro da sociedade”, afirma.

Neste contexto de maior preocupação com a qualidade de vida da população na maturidade é que têm surgido empresas como o Residencial Santa Cruz, na zona Sul de São Paulo, um abrigo para pessoas idosas, com mensalidades de R$ 9,6 mil, para hospedagem individual, a R$ 18 mil, para suítes para casais. Segundo Priscila Kim, administradora do empreendimento, a demanda está crescendo mês a mês. Atualmente, com 75% dos 72 leitos ocupados, ela projeta alcançar 100% já em 2020. “Temos clientes de 70 a 101 anos, com as mais diversas necessidades. Um dos casais que vivem aqui, o marido sai para trabalhar todos os dias, enquanto a esposa, com Alzheimer, recebe todo o suporte necessário por nossa equipe com mais de 90 funcionários”, diz Priscila. O residencial recebeu investimento de R$ 32 milhões e, neste ano, vai contabilizar receita de R$ 5 milhões.

As oportunidades de negócios surgem também para quem não quer sair de casa — ou não pode pagar por serviços como o do Residencial Santa Cruz. A rede de franquias Home Angels nasceu com a proposta de oferecer serviço de cuidadores com foco em idosos. O sócio -fundador, Artur Hipólito, avalia que o mercado voltado ao público mais maduro tende a se diversificar. “As empresas das áreas de turismo, de saúde, de vestuário e de automóveis, entre muitos outros, estão começando a se atentar para esse grupo”, diz. “Grande parte do PIB per capita está nas mãos dos idosos. Meu pai tem 88 anos, é um consumidor ativo e até dirige.” Fundada em 2009, em Campinas, no interior paulista, a Home Angels mantém 105 unidades em todo o País, 15 mil clientes e faturamento de R$ 85 milhões neste ano. Cada unidade franqueada, segundo Hipólito, gera receita de R$ 90 mil por mês, oferecendo profissionais qualificados para cuidar de idosos, a um preço médio de R$ 15 por hora. “O tempo de permanência varia. Pode ser de 6 horas, 12 horas, 24 horas, esporadicamente ou diariamente. Tudo depende da necessidade.”

Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, empresa que tem realizado pesquisas específicas para esse segmento (veja os gráficos), ressalta que o grupo dos 50+ já é o maior mercado consumidor do Brasil e não vai parar de crescer. Se fosse um país, esses consumidores seriam a terceira maior economia da América Latina, atrás apenas do próprio Brasil e do México. “É natural que as empresas do ramo da saúde enxerguem primeiramente as oportunidades porque se trata de demanda até então não atendida. Mas a tendência é de que o rol de empresas e segmentos se diversifique para atender a terceira idade”, afirma Meirelles.

Para as empresas explorarem esse nicho será necessária, segundo ele, uma mudança drástica na cultura corporativa. “Nos últimos 20 anos sofremos com a ditadura dos millenials. Todas as empresas queriam desenvolver coisas para jovens. As expressões ‘velho’ e ‘idoso’ ficaram associadas a coisas antigas e defasadas. Isso terá de ser revisto”, diz Meirelles. Essa mudança de cultura deve ocorrer logo por razões que o próprio mercado explica. Ele compara a situação atual com a época em que a Classe C emergiu. Não havia nas companhias departamentos de marketing oriundos dessa classe emergente o que dificultava a criação de estratégias. “Tão logo aquele mercado foi compreendido, passou a ser explorado adequadamente. Se o mercado conseguiu se adequar à Classe C, também o fará com o público 50+. Ninguém rasga dinheiro. Haverá pressão por metas, vendas e resultados. Com isso, as mudanças virão.”]

Essa mudança já é uma realidade em empresas como a NotreDame Intermédica. De olho no mercado formado por pessoas com 50 anos ou mais, a companhia acaba de lançar um plano de saúde específico para essa faixa etária: o NotreLife 50+. Por enquanto, o produto está disponível apenas em Jundiaí e Sorocaba, no interior de São Paulo, onde a empresa já estruturou unidades de atendimento novas e exclusivas para os beneficiários. O plano marca uma guinada na estratégia de vendas da empresa, antes focada em produtos corporativos. A meta, agora, é seduzir idosos para os planos individuais, com mensalidades a partir de R$ 500. “A inversão da pirâmide etária abre um potencial enorme para se trabalhar com esse público, principalmente porque, quanto mais a idade avança, menor a possibilidade de ter um vínculo empregatício, o que inviabiliza obter um plano corporativo”, diz Irlau Machado Filho, presidente do grupo NotreDame Intermédica. “O público mais maduro irá dar sustentabilidade ao produto. Inclusive, vemos oportunidade também de ofertá-lo para os atuais beneficiários que vierem a se aposentar e não tenham mais o vínculo com as empresas.”

Na área da saúde e bem-estar, as academias também estão surfando com o envelhecimento da população. Algumas delas, como a Ecofit, já surgiram com foco nesse público. Outras, como Runner e Bio Ritmo, criaram programas específicos para o novo público. A vantagem em relação a empresas de outros segmentos é que as academias não precisam fazer investimentos extras, pois usam os mesmos equipamentos. De acordo com o fundador e diretor da Ecofit, Toni Gandra, a ideia era que o empreendimento pudesse atender todos os membros da família, do neto ao vovô. “Já inauguramos dentro desse conceito de aulas especiais para alunos de até 90 anos”, afirma Gandra. Atualmente, a Ecofit tem 4,5 mil alunos, sendo que 12% têm mais de 65 anos. “O objetivo é dobrar esse percentual em quatro anos.” Em 2021 e 2022, a empresa vai investir R$ 10 milhões para abrir duas unidades no mesmo conceito.

Da mesma forma que muitos buscam exercitar o corpo, existe quem busca exercitar o cérebro. É o que fazem os alunos com mais de 50 anos que se matricularam na escola Supera, especializada em estimular a criatividade, a concentração e o raciocínio lógico — ou seja, fazer uma verdadeira ginástica cerebral. Hoje, alunos com mais de 60 anos representam 48% dos matriculados na instituição, segundo o fundador e CEO, Antonio Carlos Guarini Perpétuo, dono da empresa. “O foco inicial eram os jovens, mas o plano de negócios previa a entrada de alunos de todas as faixas etárias, principalmente os mais maduros. O que eu não pude prever era o quão rápido isso iria acontecer. Então, desenvolvemos material específico para eles.”

Segundo Perpétuo, desde a fundação, a escola já formou mais de 150 mil alunos. Atualmente tem 35 mil estudantes matriculados em 400 unidades localizadas em todos os estados do País. Pessoas acima dos 40 anos representam 62% do total e a faixa etária acima dos 60 tem crescido, em média, 5% ao ano. O executivo não revela cifras, mas garante que a empresa está crescendo a um ritmo de 30% ao ano. “No caso dos idosos, não se trata apenas de prevenir doenças que atingem o cérebro, mas também manter a memória ativa, resgatar o convívio social e a autoestima, o que muda a vida em família.”

EMPREGO

No campo do mercado de trabalho, um dos temas mais sensíveis e desafiadores para a terceira idade, também há investimentos. O trio formado por Ismael Rocha, Mauricio Turra Ponte e Luiz Fernando Garcia criou o hub de empreendedorismo Nextt 49+, especializado em pessoas com mais de 49 anos. “A gente ensina a montar um plano de negócios, a investir e a desenvolver conceitos de produtividade”, diz o sócio -fundador Ismael Rocha. “O hub é voltado para auxiliar profissionais em transição de carreira, além de aposentados que desejam empreender.”

O segmento é um campo fértil a ser explorado. Das 2,6 milhões de empresas criadas no País no ano de 2018, 34,2% tiveram por trás pessoas acima dos 50 anos, de acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Mais do que isso, esse grupo representa cerca de 50% da renda bruta familiar e encontra poucos produtos e serviços desenvolvidos para seu perfil.

Para aqueles que preferem o modelo tradicional de emprego foi criada também a Maturi Jobs, agência de empregos digital especializada em profissionais com mais de 50 anos. Os interessados em vagas de emprego se cadastram gratuitamente e as empresas pagam de R$ 129 a R$ 899 por mês, conforme o plano, para ofertarem suas vagas. Segundo o CEO Mórris Litvak, a plataforma tem 100 mil pessoas e 900 empresas cadastradas de todas as partes do Brasil. Desde que o site começou a operar, há quatro anos, foram ofertadas 1,5 mil vagas de emprego e preenchidas 1,2 mil, segundo ele. “A taxa de contratação é muito boa. Só que isso representa apenas 1% da nossa base. Dá para progredir muito ainda.”A maior parte dos cadastrados na Maturi Jobs tem entre 50 e 60 anos. A média é de 58 anos, e apenas 30% estão aposentados. A base, segundo o executivo, é bem qualificada. Cerca de 70% têm curso superior. Além de fazer capacitação e ponte para recolocação de profissionais no mercado, a agência também prepara empresas para receber essas pessoas por meio de um trabalho de integração intergeracional e sensibilização de RH, líderes e gestores. Isso, por conta do preconceito etário que ainda prevalece dentro das corporações. “É perceptível o aumento do interesse. Empresas de todos os portes nos procuram, inclusive multinacionais de diversos segmentos. Eles entenderam o valor da experiência.”

ALIMENTO DIÁRIO

QUANDO O CÉU INVADE A TERRA

CAPÍTULO 5 – ORANDO PARA QUE O CÉU DESÇA – PARTE II

CRIADOS PARA A POSIÇÃO DE REINAR

Fornos criados para termos intimidade com o Senhor. Dessa intimidade provém a nossa comissão para reinar. Tenha em mente que Ele vê a forma de reinar de um modo diferente da maioria de nós. Nós reinamos através do serviço. Muitos têm cometido o erro de pensar que os cristãos têm de encabeçar todas as empresas, governos e departamentos. Por mais que isso pareça ser urna boa coisa, na verdade essa condição é um fruto do nosso verdadeiro objetivo. Sermos semelhantes a Cristo – isto é, termos excelência com humildade – é o nosso verdadeiro alvo. Toda promoção é dada pelo Senhor. Se passássemos mais tempo desenvolvendo o coração voltado para o Reino, teríamos mais pessoas ocupando postos chave de liderança.

Orar é a coisa mais simples que o crente pode fazer. De filho para Pai, daquele que ama para Aquele que ama, orar é conversar, e às vezes só falar. Orar é ao mesmo tempo urna das coisas mais complicadas para nós. Fórmulas (rezas) não funcionam no relacionamento deste Reino.

A honra que ternos por estarmos habilitados a orar vai além de toda compreensão. Somos representantes do Senhor aqui na terra – embaixadores do Seu mundo. Nossos clamores – todos eles – tocam o Seu coração.

ORAR, A COISA MAIS IMPORTANTE

Ter intimidade é o principal propósito da oração. E é por meio do relacionamento que Deus nos confia os segredos do Seu coração, para que os expressemos em oração. Foi o que ele fez com Simeão e com Ana, quando lhes despertou o coração para orarem – bem antes do nascimento do Messias que viria – pela sua vinda. A volta do Senhor também será precedida pela declaração da noiva, “O Espírito e a noiva dizem: Vem

Se todas essas coisas acontecerão inevitavelmente, qual é então o propósito da oração? Tudo indica que Deus impôs a Si mesmo uma restrição: somente atuar em tudo o que se refere ao homem em resposta a uma oração.

Deus decidiu operar através de nós. Somos a Sua autoridade delegada sobre o planeta terra, e a oração é o veículo que possibilita a Sua invasão. Aqueles que não oram dão condições para que as trevas continuem reinando. O maior empenho do inimigo em sua tarefa de enganar a Igreja é enganá-la quanto ao propósito e o efeito da oração.

REPRESENTANDO UM OUTRO MUNDO

“Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo.” Paulo disse estas palavras à igreja de Filipos, uma cidade romana na Macedônia. Ela possuía uma cultura romana e estava sob o governo e a proteção do Império Romano, embora não fossem romanos. Os filipenses entendiam muito bem a ordem dada por Paulo com respeito ao fato de serem cidadãos de um outro mundo. Paulo não falou sobre ir para o céu num certo dia, mas sim lhes disse para viverem no dia de hoje como cidadãos do céu; mais especificamente, de uma posição do céu para a terra.”

Temos o privilégio de representar o céu aqui na terra, de forma que podemos fazer com que o céu se manifeste a este mundo.

O ESTILO DE VIDA COMO EMBAIXADORES

Como embaixadores, vivemos em um mundo representando um outro mundo. Uma embaixada é o local central de onde o embaixador e os seus auxiliares exercem a sua função. Ela é considerada, de fato, uma extensão da nação que representa. Assim se dá com o crente, sendo embaixador. A Bíblia promete: “Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado.” Tal como os embaixadores de uma nação têm uma renda que é baseada no padrão de vida do seu país, não importando em que nação estrangeira estejam servindo, assim também os embaixadores do reino de Deus vivem de acordo com a economia do céu, embora ainda estejam na terra. Todos os recursos do nosso Rei acham-se à nossa disposição, para realizarmos a Sua vontade. Uma vida despreocupada foi o que Jesus ensinou, ao dizer: “Observai as aves do céu.

Na condição de embaixador, os militares do Reino que eu represento estão à minha disposição para me ajudarem a cumprir todas as ordens do Rei. Se, como representante da minha nação, minha vida estiver sob ameaça, todo o poder militar do governo do meu país estará pronto para fazer o que for necessário para proteger-me e libertar-me dessa ameaça. O mesmo se dá com os exércitos angelicais do céu. Eles são enviados para serviço a favor dos que hão de herdar a salvação.”

Ter a mentalidade de um embaixador foi algo que logo captei de Winkey Pratney. Quando ele entra num avião, ele se faz lembrar que, embora os outros possam estar representando a IBM ou a Xerox, ele está ali representando um outro mundo. Tenho seguido o seu exemplo e praticado o seu princípio por cerca de trinta anos. Isso tem me ajudado a manter uma clara perspectiva quanto ao propósito eterno de cada viagem que faço.

INTERCESSÃO OU UMA SESSÃO DE RECLAMAÇÕES

Uma das razões para não orarmos vem de observar certas pessoas que oram. Muitos dos que se consideram intercessores têm uma vida depressiva. Não quero minimizar o genuíno efeito da carga do Senhor que recai sobre nós quando estamos orando eficazmente. Ela é real e necessária. Mas um estilo de vida instável tem sido promovido por aqueles que se dizem intercessores, mas que não aprenderam a liberar nada em oração. A carga do Senhor é para nos levar a algum lugar! Isso eu aprendi por esforço próprio.

Ensinaram-me, desde jovem, sobre a importância da oração. Meu pastor de jovens, Chip Worthington, manteve-me na linha com seus ensinamentos e através dos muitos livros que ele me deu para ler.

Eu passava um bom tempo orando, e mantive essa prioridade em minha vida até o início da idade adulta. Mas o meu enfoque, ao orar, com frequência voltava-se para a minha própria espiritualidade; ou melhor, para a minha falta de espiritualidade. Eu me levantava cedo para orar e também orava até bem tarde, à noite. Deus honrou o sacrifício que eu fazia, mas as minhas vitórias pessoais não correspondiam às minhas horas bem elaboradas de oração. Em vez disso, minhas vitórias pareciam estar mais relacionadas com os meus atos de fé. Devido ao fato de que o meu enfoque ainda era a minha própria pessoa, foram poucas as vitórias que posso atribuir como respostas às minhas orações. Labutar em oração nem sempre é um indício da verdadeira intercessão. Muitas pessoas não conseguem nem mesmo distinguir a carga da sua própria incredulidade em relação à carga dada pelo Senhor. Agora eu oro até chegar a um lugar de fé para a situação que eu esteja enfrentando. Quando chego a este ponto, a minha perspectiva em relação ao problema fica totalmente diferente. Em vez de pedir a Deus para invadir em minhas circunstâncias, começo a comandar que as montanhas sejam removidas, em Seu nome. É a partir desta posição de fé (ou de descanso) que descubro o meu papel ao orar.

Ore até haja uma ruptura nas linhas inimigas. Então exerça a autoridade que lhe foi dada para executar a vontade de Deus sobre as circunstâncias em mira.

A PERFEITA TEMPESTADE

Jesus estava dormindo em meio a uma tempestade que ameaçava a vida dos discípulos.100 Diante do medo da morte, eles O acordaram. Então o Senhor exerceu autoridade e liberou a paz sobre aquela tempestade. Foi a paz que há no céu que lhe permitiu dormir. E foi essa mesma paz que subjugou a tempestade. Você somente terá autoridade sobre a tempestade durante a qual você tiver condições de dormir.

Se fico ansioso numa dada situação, então fica difícil para mim liberar a paz, porque somente posso dar aquilo que tenho. A autoridade funciona a partir da paz que há no céu.

Mesmo depois que os discípulos obtiveram resposta à sua oração, na forma de uma tempestade que se transformou em bonança, Jesus os questionou quanto à incredulidade deles. Para a maioria de nós, a resposta de uma oração é o que obtemos em virtude da nossa grande fé. Neste caso eles foram atendidos e seu pedido ao Senhor, mas Jesus lhes chamou de homens de pequena fé. O Senhor queria que eles exercessem a autoridade que Ele lhes havia dado para que eles mesmos acalmassem

o mar. Em vez disso, eles pediram ao Senhor para que Ele tomasse providência. Nós normalmente oramos, em vez de obedecermos, 11 situação de risco.

ALÉM DISSO…

Uma teologia correta não basta para nos capacitar a realizar toda obra que, há dois mil anos, Jesus nos deu para fazer. A Grande Comissão não foi ainda concluída, apesar de nossos vastos recursos financeiros e de pessoal. Para que possamos ver rupturas nas linhas inimigas semelhantes às que Jesus fazia, temos que nos apropriar daquilo que Jesus se apropriava: do Espírito Santo.

Este dom especial é o assunto do próximo capítulo. Nele veremos como a esfera do Espírito é a esfera do Reino de Deus.