A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

MUITO ALÉM DA TRISTEZA

Não raro, pacientes se referem aos sintomas depressivos recorrendo à metáfora de uma espessa camada de névoa que os envolve e potencializa as dores da existência. Compreensivelmente, muitos anseiam pelas fórmulas prontas para afastar a angústia, mas é a combinação de estratégias, alinhadas caso a caso, que mais parecem surtir efeito

Nas próximas duas décadas a depressão deverá afetar mais pessoas que o câncer ou as doenças cardíacas e se constituir como a maior causa de afastamentos do trabalho. Segundo estimativas preocupantes da Organização Mundial da Saúde (OMS), atualmente, algo em torno de 120 milhões sofrem com o problema em todo o planeta – 17 milhões só no Brasil. Algumas pesquisas estimam que entre 30% e 50% das pessoas já preencheram, em algum momento da vida, os critérios diagnósticos do transtorno depressivo maior. Outros estudos sugerem que uma em dez pessoas tem um episódio de depressão pelo menos uma vez na vida – em geral desencadeado por uma situação infeliz, por uma perda importante, pelo estresse constante ou, em alguns casos, por uma doença grave. Outras vezes, quando a causa não está em um agente externo, falamos em depressão endógena. De acordo com os neurobiólogos, o distúrbio seria consequência da falta de certos neurotransmissores (monoaminas) no cérebro: dopamina, noradrenalina e, principalmente, a serotonina, que são hormônios reguladores de emoções.

Sabemos atualmente que a depressão não traz apenas desconforto, mas pode ter repercussões ainda mais graves, como a diminuição de regiões específicas do cérebro. Um estudo realizado com tupaias (pequenos mamíferos herbívoros, semelhantes a esquilos), coordenado por Eberhard Fuchs, do Centro de Primatas de Gõttingen, Alemanha, foi o primeiro a apontar nessa direção. Ele mostrou que em animais “deprimidos” – sem iniciativa, passivos e que pouco se alimentavam – o hipocampo, que funciona como uma espécie de centro de controle dos processos de aprendizagem e memória, apresentava tamanho reduzido. Contudo, esse processo podia ser detido com o tratamento da depressão. Algo semelhante foi observado em seres humanos pela psiquiatra Yvette Sheline, da Universidade de Washington. Ela analisou o hipocampo de 38 mulheres com depressão crônica e descobriu que, assim como acontecia com os bichinhos estudados pelos alemães, os efeitos neuro anatômicos existiam e também podiam ser revertidos com tratamento adequado.

Mas algo chama a atenção tanto de leigos quanto de especialistas: por que os casos de depressão têm aumentado tanto? As estatísticas cresceram quando as pessoas passaram a desfrutar de comodidades que poupam tempo. Paradoxalmente, gerações anteriores, cuja vida se caracterizava por maiores esforços para a simples sobrevivência, eram mentalmente mais sadias, o que faz pensar que o excesso de facilidades, de alguma forma, nos torne mais vulneráveis à de pressão. Nossos ancestrais evoluíram em condições nas quais era necessário trabalho físico duro para prosperar, e esse empenho físico acionava áreas cerebrais, proporcionando sensações de bem-estar. A rede accumbens – estriado-cortical (sistema responsável pela conexão entre movimento, emoção e pensamento), chamada pela autora “circuito de recompensas impulsionadas pelo esforço”, está na base dos sintomas associados à de pressão, como perda de prazer, respostas motoras lentas e baixa concentração.

Quando a “economia doméstica” dos neurotransmissores sai dos eixos, anti­depressivos como fluoxetina e sertralina podem intervir de forma controlada e melhorar o humor. Com certeza os medicamentos trazem alívio, mas infelizmente não oferecem a cura mágica que gostaríamos de obter no balcão da farmácia. Antidepressivos atuais podem levar semanas para aliviar a depressão. Para certas pessoas nem chegam a funcionar e, se funcionam hoje, isso pode não acontecer amanhã. Agentes de ação mais rápida e com novos mecanismos são necessários, mas a fonte dessas drogas na grande indústria farmacêutica é limitada.

Talvez um dos avanços mais significativos dos últimos anos em relação à depressão seja que a percepção de que um único caminho pode não ser suficiente para toda e qualquer pessoa que apresente o quadro. Psicoterapias são fundamentais – e não apenas como tratamentos coadjuvantes, mas em muitos casos como principal estratégia terapêutica.

OUTROS OLHARES

SEU FUTURO EM UM CLIQUE

Como a internet atraiu novos fãs para a astrologia, ajudou o assunto a voltar a ter uma aura pop e fez a roda da fortuna girar para aplicativos especializados em previsões

“Mudanças trazidas pela rotação do planeta bytes criam novas oportunidades de relacionamento e abrem as portas para a prosperidade.” O guru que tivesse feito essa previsão sobre o futuro da astrologia em meados da década de 90 acertaria em cheio. As possibilidades geradas pela internet ajudaram o assunto a voltar a ter uma aura pop e a conquistar adeptos. Os velhos horóscopos se reinventaram na forma de modernos aplicativos para a massa de pessoas que vivem com um olho no smartphone e o outro nas estrelas, fenômeno que provocou um alinhamento jamais visto de investidores em torno do negócio.

Nos Estados Unidos, a roda da fortuna girou na direção de startups como a Co-Star, plataforma lançada em 2017 que já contabiliza mais de 5 milhões de downloads. Fundada pela escorpiana Banu Guler, a empresa usa dados da Nasa para identificar o posicionamento das estrelas e planetas no céu no momento em que o usuário nasceu e, assim, fazer o mapa astral dele. No começo de 2019, a companhia recebeu uma injeção de capital de 5 milhões de dólares, um recorde nesse mercado, feita por investidores do Vale do Silício. Outro app americano, o Sanctuary, conhecido como o Uber da astrologia, que conecta astrólogos a usuários, obteve 1,5 milhão de dólares da incubadora Five Four Ventures também neste ano.

O que vem impulsionando o negócio é o interesse dos millennials, como são chamados os nascidos entre as décadas de 80 e 90, os primeiros a viver em um mundo totalmente conectado. “Essa geração busca narrativas que não sejam apenas racionais para pensar o futuro”, acredita Rebeca de Moraes, fundadora e diretora da Trop, empresa especializada em estudo de tendências de mercado na América Latina. Esse tipo de audiência cria possibilidades quase infinitas para o lançamento de produtos e serviços aproveitando-se do renascimento do misticismo.

Em 2018, por exemplo, Maria Grazia Chiuri, diretora criativa do gigante francês Dior, desenvolveu estampas com figuras do tarô para lenços de seda, pulôveres e jaquetas bomber com patches. “Os jovens estão vivendo em um momento de crise da verdade. Quando não se pode acreditar na sociedade, procuramos respostas que ultrapassam a razão”, afirma o psicanalista Lucas Liedke, um dos criadores da plataforma Peoplestrology, lançada no Brasil em 2018. O serviço se propõe a investigar a relação da astrologia com temas da atualidade, em busca de novas tendências culturais e comportamentais.

Se os millennials formam o público­-­alvo, a internet é o universo perfeito para a propagação da Era de Aquário. Entre 2016 e 2017, de acordo com dados do Tubular Labs, ferramenta especializada em medir redes sociais, as buscas por vídeos de astrologia no YouTube aumentaram 67%. No Facebook, a procura pelo termo evoluiu 116% e, no Twitter, o assunto cresceu 300%. Profissionais mais antigas dessa área vêm investindo pesado do mundo digital, caso da americana Susan Miller, considerada a astróloga mais famosa do mundo desde a década de 90. Seu website astrologyzone.com acumula mais de 300 milhões de visualizações por ano. Embora tenha embarcado na onda digital, ela reserva críticas a seus concorrentes, como a Co-Star. “É preciso ficar atento às informações genéricas que circulam pela internet”, afirmou ela. No Brasil, começaram a proliferar nos últimos tempos perfis no Instagram, aplicativos e podcasts. Tem gente até fazendo mapa astral pelo WhatsApp. Um dos casos de sucesso é o da gaúcha Bruna Paludo, ou a Madama Br000na, como é conhecida nas redes sociais, onde possui mais de 170.000 seguidores. Outra figura de destaque é Paula Pires, que conta com mais de 40 milhões de visualizações no YouTube. No espaço, dá dicas variadas, incluindo de autoajuda. Ela e suas colegas passaram a ser enquadradas em uma nova categoria profissional: a de “astroinfluencers”. Essa ninguém conseguiria prever.

GESTÃO E CARREIRA

FINTECHS SEM FIM

Estudo da PwC aponta as dez tendências que irão dominar o setor financeiro a partir de 2020

Esqueça a definição de fintech usada até hoje ao meio-dia. Adote a nova: toda instituição financeira, independentemente do porte, dos ativos, do número de correntistas ou da história precisará se comportar como fintech. A partir de já. Isso significará uma brutal reconfiguração da cultura organizacional. Será como jogar no lixo métodos e processos que construíram gigantes e, no lugar, assumir a tecnologia como core. O “novo normal“. A conclusão faz parte do estudo Financial Services Technology 2020 and Beyond: Embracing Disruption, da PwC. “É o clássico momento de ‘oferta-por-tempo-limitado’: se você piscar, pode descobrir que sua concorrência já foi criada”, dizem os autores do projeto, conduzido por Julien Courbe, head de tecnologia de serviços financeiros da PwC americana. O relatório identifica dez tendências à frente da disrupção

CULTURA FINTECH

A invasão das fintechs, seja oferecendo soluções a instituições ou ao consumidor final, não ficará menor nem menos contundente. Elas simplesmente são ágeis e focadas numa determinada tecnologia inovadora ou em um novo processo. Por isso são disruptivas. É preciso criar cultura fintech para se aproveitar das soluções vindas de fintechs. Pense, por exemplo, no aparecimento de plataformas robóticas on-line de investimento ou gestão de patrimônio e no impacto que isso terá em instituições financeiras.

ECONOMIA COMPARTILHADA

Consumidores continuarão a precisar de serviços bancários. Mas pode ser que não precisem de bancos. Compartilhar carros (Uber, 99) e quartos pelo mundo (Airbnb) não parecia provável há uma década. “Nesse caso, a economia compartilhada se refere à propriedade descentralizada de ativos.”

BLOCKCHAIN

De acordo com o estudo da PwC, a mesma curiosidade (e desconfiança) provocada pela explosão da web nos anos 90 se vê agora em relação ao blockchain. Traduzindo: acredite, vai ser tão revolucionário quanto. Empresas que desenvolvem a tecnologia estão entre as maiores captadoras de recursos e capital.

NOVO MAINSTREAM

Independentemente do perfil de seu cliente, de millenial a grey power, ele assume o digital como padrão. Em anos recentes, isso significou para o setor bancário vir nascer concorrentes não tradicionais, desde vale-presente a pagamentos por sistemas operacionais móveis. Para a PwC, entre três e cinco anos as fronteiras da automação de transações financeiras deixarão de ser itens exóticos para se tornarem o modo ‘como-fazemos-as-coisas’.

DADOS DO CLIENTE

Sabe como o Google faz dinheiro? O Facebook? Então. Instituições financeiras farão cada vez mais suas margens a partir de dados do cliente do que exatamente da carteira do cliente.

ROBÔS E IA

Isso vai muito além de substituir o caixa do banco. A combinação de robótica e Inteligência Artificial avança de campos como mitigar riscos a reduzir custos. As máquinas estão ficando mais sofisticadas, que vão da cognição (capacidade de perceber, entender e planejar o mundo real) à interação (capacidade de atuar ao lado de humanos).

NUVEM

Será a regra entre as instituições financeiras soluções SaaS (softwatre as a solution) baseadas em nuvem.

SEGURANÇA CIBERNÉTICA

Basta olhar para um dado: entre os líderes de instituições financeiras 69% estão preocupados com ataques cibernéticos contra 61% dos executivos dos demais setores econômicos. O desafio virá de outra ponta: conciliar segurança com a conveniência do cliente. Transferir um balde de etapas de confirmação e acessos ao usuário pode afastá-lo de sua marca. Corrigindo: vai afastá-lo.

ÁSIA

Olhe, sinta, perceba, conheça a Ásia. Será de lá que virão as soluções. A nova classe média global está lá. Em 2009, 36% da classe média do planeta vivia na Europa e 28%, na Ásia. No ano que vem, a ordem vai virar: Ásia (54%) e Europa (22%). Ela e seus hábitos são os propulsores de toda inovação. “Essas tendências estarão diretamente ligadas à inovação orientada à tecnologia”, o que inclui o sistema financeiro. O recado é claro: bancos, tenham seu hub operacional-inspiracional asiático.

REGULADORES

Agências, órgãos governamentais e toda sorte de reguladores não estarão parados assistindo ao avanço tecnológico entre instituições financeiras. Eles igualmente estão coletando uma variedade sem precedentes de dados e utilizando ferramentas para aprender mais sobre as instituições e as pessoas físicas.

ALIMENTO DIÁRIO

QUANDO O CÉU INVADE A TERRA

CAPÍTULO 5 – ORANDO PARA QUE O CÉU DESÇA – PARTE I

“Se você quiser alguma coisa de Deus, você terá que orar ao céu. É onde tudo está. Se você vive na esfera terrestre e espera receber algo de Deus, saiba que você nada receberá.

“A Igreja tem sido negligente numa coisa: ela não tem orado com o poder de Deus que vem do céu.

O dia nacional americano, de quatro de julho, foi o evento mais significativo do ano para a nossa maravilhosa comunidade. A parada, o rodeio, e o “demolition derby” foram apenas algumas das atividades realizadas nesse dia e nos seguintes, com a duração de quase uma semana.

Outras festas populares têm também o seu espaço em nosso meio com suas cavalgadas, jogos e comidas especiais que são comuns nesses eventos. Houve um ano em que uma cartomante quis infiltrar-se na celebração. Ela montou a sua tenda ao lado das demais e expôs suas cartas de tarô, sua bola de cristal e toda a sua parafernália ocultista. O diabo a tinha enviado para conceder o dom da possessão demoníaca aos cidadãos da minha cidade. Então o pessoal da nossa igreja começou a orar.

Caminhando em torno da tenda daquela mulher, passei a declarar:

“Você não está no céu; não é para você estar aqui. Esta cidade é minha.

Você está aqui ilegalmente. Proíbo que você estabeleça raízes aqui! Deus declarou que onde quer que a sola dos meus pés pisar, esse terreno me é dado. E aplico em você a palavra de Deus que declara que eu tenho autoridade sobre você. Vá embora!”

Continuei a dar voltas em torno daquela tenda, tal como fez Israel em torno de Jericó. Mas nada ruiu no mundo físico.

Não falei nada a respeito dessas coisas àquela mulher. Nem mesmo foram proferidas essas palavras em voz alta, para não chamar a atenção dela. Ela não era minha inimiga, nem era ela o meu problema. Meu alvo de ataque era apenas o reino das trevas, que a capacitava com os seus poderes malignos.

No momento em que ela estava fazendo a sua feitiçaria num casal que se sentara à sua mesa, postei-me do outro lado da tenda, bem próximo do casal, que de nada suspeitava. Estendi então as mãos em direção a eles, enquanto amarrava o poder do inferno que tinha a intenção de destruí-los. Saí de lá assim que terminei aquele ato. (As mãos que são consagradas a Deus podem liberar o poder do céu numa determinada situação. No mundo espiritual a liberação ocorre na forma de relâmpagos.)

Embora a feira tenha permanecido em funcionamento por vários dias ainda, aquela mulher saiu da cidade na manhã seguinte. O poder que atuava através dela tinha sido quebrado. Ela não conseguiu permanecer. Era como se as vespas do livro de Êxodo a tivessem lançado para fora da cidade.”

JESUS NOS DEU O MODELO

A oração-modelo do Senhor nos dá a mais clara instrução sobre como trazer a realidade do Seu mundo para este. Os generais do avivamento nos têm falado já há séculos que “se orarmos, Ele virá!” A oração bíblica é sempre acompanhada por uma obediência radical. A oração com obediência será sempre respondida por Deus liberando a natureza do céu para as nossas debilitadas circunstâncias.

O modelo de Jesus revela quais são as duas verdadeiras prioridades da oração: a primeira é a intimidade com Deus, o que se expressa na adoração – santificado seja o teu nome; a segunda é trazer o Seu Reino à terra, estabelecendo o Seu domínio sobre as necessidades da humanidade – venha o teu Reino.

Enquanto nos preparamos para examinar esta oração, permita­ me destacar mais um pensamento que nos ajudará a compreender melhor o propósito que está por trás da oração. Como discípulos, somos tanto cidadãos como embaixadores de um outro mundo. A nossa tarefa é para ser feita aqui neste mundo, mas o nosso lar não está aqui. O nosso propósito é eterno. Os recursos necessários para completar a nossa tarefa são ilimitados. As únicas restrições são as que se acham em nossa mente.

Examinemos agora a oração de Mateus 6:9-13, começando com a primeira frase:

“Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome;”

O título Pai é um título de honra e um chamado para um relacionamento. Para sermos verdadeiros adoradores, tudo o que precisamos saber é o que Deus fez para tornar possível que O chamemos de “Pai nosso”. Santificado significa respeitado ou reverenciado. É também uma expressão de louvor. No livro de Apocalipse, que na verdade se chama Revelação de Jesus Cristo (não do anticristo!), fica claro que as principais atividades no céu são o louvor e a adoração. E o mesmo deve ser para o crente, aqui na terra. Quanto mais vivermos como cidadãos do céu, mais as atividades do céu ficarão patentes em nosso estilo de vida.

A adoração deve ser a nossa maior prioridade no ministério. Tudo o mais que fizermos será influenciado por quanto nos empenharmos em adorar o Senhor. Ele habita em nosso louvor. Nossa tradução expressa isso da seguinte maneira: “Tu és santo, entronizado entre os louvores de Israel”. E Deus responde literalmente com uma invasão do céu na terra através da adoração do crente.

Um de meus filhos é líder do louvor. Um dia ele levou um amigo, com um violão, até um shopping center para adorarem a Deus. Eles terminaram a adoração três horas depois de cantarem e dançarem diante do Senhor. Um homem, sem saber o que estava acontecendo, passou por aquele local em que eles tinham estado em adoração ao Senhor e parou, pôs a mão no bolso, e retirou drogas (entorpecentes), jogando-as no chão. Ninguém havia conversado com ele sobre o seu pecado. Como é que isso foi acontecer? O céu tocou na terra, e não há drogas no céu.

Vemos isso acontecendo com muita frequência quando as equipes do nosso ministério vão às ruas de San Francisco. Atuamos em ministérios de misericórdia, e também nos empenhamos publicamente em trazer o poder sobrenatural de Deus às vidas que estão arrasadas. Cura e libertação é a norma. Às vezes elas acontecem apenas por causa do ambiente de adoração.

Quando a presença de Deus se manifesta sobre pessoas que estão em adoração, até mesmo descrentes são levados a ter um encontro com Ele. Meu filho e minha filha têm ministrado em ruas bastante agitadas de San Francisco. As pessoas que passam por vezes manifestam demônios, e por outras irrompem em alegres gargalhadas, ao entrarem na presença do Senhor. Essas coisas não deveriam nos surpreender. Veja como Deus responde aos louvores do Seu povo, conforme está registrado em Isaías 42:13: “O Senhor sairá como valente, despertará o seu zelo como homem de guerra; clamará, lançará forte grito de guerra e mostrará sua força contra os seus inimigos.”

“Venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu.”

Este é o ponto principal para toda oração. Pois o que existe no céu é para ser liberado na terra. O cristão, através da oração, é que faz com que o céu se expresse aqui neste mundo. Quando o crente ora de acordo com vontade revelada de Deus, a fé se torna precisa e voltada para um só alvo. A fé apropria-se da realidade do céu. E uma fé permanente não a deixa escapar. Uma invasão assim faz com que as circunstâncias terrenas se alinhem com as celestiais. Os que criticam esta visão sarcasticamente dizem: “Se é assim, acho então que devemos orar para que tenhamos ruas de ouro.” Não! Mas as nossas ruas deveriam ter a mesma pureza e as mesmas bênçãos, tal como no céu. “O nosso gado dará suas crias; Não haverá gritos de aflição em nossas ruas.”  Tudo o que acontece aqui é para ser uma sombra do céu. Em contrapartida, toda revelação que Deus nos dá sobre o céu é para capacitar-nos a nos concentrarmos na oração.

Até que ponto Deus tem como propósito manifestar aqui na terra as realidades do céu? Por certo, ninguém sabe. Mas sabemos, pela história da Igreja, que é bem mais do que temos agora. E sabemos, através das Escrituras, que é bem mais do que a nossa mente possa ter imaginado.

Podemos ver a vontade de Deus na Sua presença reinando entre nós, pois “onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” . Sempre que o Espírito do Senhor esteja demonstrando o Senhorio de Jesus, o que resulta é liberdade. Ainda, um outro modo de expressar isso é: “quando o Rei dos reis manifesta o Seu domínio, o fruto desse domínio é LIBERDADE”. Essa é a esfera à qual nos referimos como O Reino de Deus. O Senhor, em resposta a nossos clamores, traz o Seu mundo para dentro do nosso.

Por outro lado, aquilo que não tem a liberdade de existir no céu tem de ser amarrado aqui. Mais uma vez, é através da oração que temos que exercer a autoridade que nos foi dada. “Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra TERÁ SIDO LIGADO nos céus; e o que desligares na terra TERÁ SIDO DESLIGADO nos céus.” Observe a expressão terá sido. A ideia que está nela é que podemos amarrar ou liberar aqui na terra aquilo que já estava amarrado ou liberado no céu. Novamente, o céu é o nosso modelo.

“O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.”

Será que há alguém passando fome no céu? É claro que não. Pedir o pão é uma aplicação prática de como o Domínio do Senhor deve ser visto aqui na terra – suprimentos em fartura. O abuso de algumas pessoas na área da prosperidade não nos dá o direito de abandonar as promessas de Deus em relação a prover com abundância a Seus filhos. Ele tem o maior prazer em fazer isso. Pelo fato de haver provisões completas e perfeitas no céu, tem de haver o mesmo aqui. O céu é o padrão para o mundo material do cristão – o suficiente para satisfazer aos desejos que vieram de Deus e suficientes para “toda boa obra”. A nossa base legal para recebermos as provisões de Deus provém do modelo celestial que nos foi dado em Cristo Jesus: “E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades.” 87 Segundo o quê? Sua riqueza. Onde? Em glória. Os recursos do Céu são para nós, aqui e agora.

“E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores.”

Há falta de perdão no céu? Não! O céu nos dá o modelo para os nossos relacionamentos aqui na terra. “Sede uns para os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou. Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados.” Esses versículos deixam bem claro que o nosso modelo é Jesus Cristo, Aquele que subiu à destra do Pai, Aquele cujo Reino procuramos. Mais uma vez esta oração descreve um modo prático de como orar para que a realidade do céu tenha efeito sobre o planeta terra.

“E não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal.”

Não há tentação nem pecado no céu. Nem há lá qualquer vestígio do pecado. Ficar longe do pecado é’ o que nos mostra, na prática, que estamos sendo dirigidos pelo nosso Rei. Esta frase da oração não significa que Deus quer nos tentar. Sabemos, de Tiago 1:13, que Deus a ninguém tenta a cometer pecado. Orar deste modo é importante porque nos faz encarar a necessidade que temos da graça; e ajuda-nos a alinhar o nosso coração com o céu, em total dependência de Deus. O Reino de Deus nos dá o modelo para as questões do coração. Esta parte da oração é na verdade um pedido para que Deus nos promova para uma posição acima do que o nosso carácter consegue dominar. Às vezes a nossa unção e os nossos dons, mas não o nosso carácter, estão prontos para terem uma responsabilidade maior. Quando essa promoção ocorre cedo demais, o impacto dos nossos dons nos coloca em destaque, numa situação que favorece a nossa queda.

A oração livra-nos do mal, como normalmente é traduzida, na verdade significa livra-nos do maligno. Um coração modelado de acordo com o céu tem muito sucesso na guerra espiritual. É por isso que está escrito: “Sujeitai-vos a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.”

Jesus pôde dizer, com respeito a satanás, que ele: “nada tem em Mim”. O crente deve ser totalmente liberto de toda opressão satânica e de tudo o que o diabo traz. É isso que se pede nesta oração.

“Pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém!”

O Reino de Deus pertence a Ele. E é por isso que somente Ele pode nos dar o Seu Reino. Quando declaramos esta verdade, passamos de uma simples declaração para um ato de louvor! Por toda parte nas Escrituras ouvimos declarações de louvor semelhantes a esta, contida no modelo de oração do Senhor, que declara que toda glória e todo o poder pertencem a Ele. Um dos ensinamentos mais importantes que recebi me foi dado por Derek Prince, há cerca de trinta anos. Era uma maravilhosa mensagem sobre o louvor. Nela ele sugeriu que, se tivéssemos apenas dez minutos para orar, deveríamos passar oito minutos louvando a Deus. É impressionante por quantas coisas podemos orar, nos dois minutos restantes. Essa palavra me ajudou a reforçar a prioridade da adoração que eu vinha aprendendo de meu pastor… meu pai.

Mais uma vez, esta oração tem dois objetivos: (1) Servir a Deus a partir de um relacionamento pessoal com Ele; e (2) trazer a realidade do Seu reinado (o Reino) à terra.

Um esboço do texto de Mateus 6:9-13 mostra-nos como acessar o Reino através da oração:

1. Louvor e adoração

2. Orar pelo céu na terra

Ação do céu sobre necessidades materiais

Ação do céu sobre os relacionamentos pessoais

Ação do céu sobre o nosso relacionamento com o mal

3. Louvor e adoração

“Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” (Mateus 6:33)

Por certo este versículo não está no modelo de oração que Jesus nos ensinou. Mas pertence ao contexto de toda a mensagem sobre do Reino proferida no Sermão do Monte. Nele o Senhor estabelece a prioridade para todos os valores e objetivos cristãos: Buscai primeiro o reino de Deus!

A compreensão deste ponto nos ajuda a compreender qual deve ser o alvo pretendido por toda oração, isto é, que o Senhorio de Jesus seja visto em todas as circunstâncias da vida. Quando o Reino de Deus confronta o pecado, o perdão é dado, e ocorre uma mudança na natureza que anteriormente somente sabia pecar. Quando a ação do seu reinado entra em choque com a enfermidade, a pessoa é curada. Quando atinge o endemoninhado, ele é liberto. A natureza da mensagem do Reino provê a salvação para o homem completo – espírito, alma e corpo. Este é o evangelho de Jesus Cristo.

Sempre me pareceu que a frase: “e todas estas coisas vos serão acrescentadas” queria dizer que, se as minhas prioridades estiverem certas, com certeza eu receberei conforme a minha necessidade. Depois de compreender melhor a oração-modelo, não estou tão certo quanto a isso ter sido o seu intento. Ele estava dizendo que, se buscarmos primeiro o Seu Reino, veremos o Seu reino vindo até nós para de tudo nos prover. E traz consigo a resposta de Deus às nossas necessidades materiais e relacionais, e à nossa luta contra o mal.

ESTABELECENDO UMA NOVA FRANQUIA

Suponhamos que eu tivesse um restaurante muito bem-sucedido e você quisesse comprar o direito do meu restaurante, você estaria investindo o seu dinheiro para poder usar o nome do restaurante e tudo o mais que lhe é pertinente: o cardápio, seu projeto, seu sistema gerencial e o treinamento adequado para os empregados. Você teria que cumprir os padrões preestabelecidos pelo restaurante que cedeu a franquia. A aparência do seu estabelecimento teria que ser a mesma, corno também seriam todo o mobiliário e os itens do cardápio. As diretrizes para a gestão do pessoal e o estilo de administração teriam que ser idênticos aos daquele. Ou seja, você teria que fazer tudo conforme as disposições do restaurante franqueador.

Quando oramos para que venha o Seu Reino, estamos pedindo ao Senhor que faça prevalecer as regras, a ordem e os benefícios do Seu mundo sobre este em que vivemos, até que este fique tendo a mesma aparência daquele. É isso o que acontece quando os enfermos são curados, ou quando os endemoninhados são postos em liberdade. O mundo do Senhor entra em choque com o mundo das trevas, e o Seu mundo sempre é vencedor. A nossa batalha é sempre urna batalha para ganhar domínio – um conflito entre dois reinos.