A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

TECNOLOGIA PARA SUPERAR MEMÓRIAS ASSUSTADORAS

Cientistas do Reino Unido, do Japão e dos Estados Unidos pesquisam formas de remover, inconscientemente, lembranças que causam medo usando algoritmos de inteligência artificial

Pesquisadores descobriram um novo jeito de remover medos específicos do cérebro de uma pessoa utilizando uma combinação de inteligência artificial e tecnologia de escaneamento cerebral. Essa técnica, publicada no periódico científico Nature Human Behaviour, pode levar a maneiras inovadoras de tratar pacientes com condições como estresse pós-traumático e fobias. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), doenças relacionadas ao medo afetam cerca de uma a cada 14 pessoas e exercem considerável pressão nos serviços de saúde mental. Atualmente, uma das abordagens utilizadas, com base na teoria cognitivo-comportamental, é submeter o paciente a alguma forma de terapia de aversão, na qual é levado a confrontar o medo por meio da exposição justa- mente ao que o assusta. A proposta é que ocorra uma dessensibilização, para que a pessoa “aprenda” que aquilo que teme não é danoso, afinal. No entanto, essa terapia é desagradável, pode trazer outros traumas e, por isso, muitos optam por não se submeter a ela. Agora, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, em parceria com neurocientistas do Japão e dos Estados Unidos, está estudando uma maneira de remover, inconscientemente, uma memória relacionada ao medo no cérebro.

A equipe desenvolveu um método para ler e identificar lembranças ligadas ao medo usando uma tecnologia chamada feedback neural decodificado. A técnica utilizou escaneamento cerebral para acompanhar a atividade no cérebro e identificar padrões complexos que parecessem uma memória assustadora específica. No experimento, uma memória de medo foi criada em 17 voluntários saudáveis por meio da administração de um breve choque elétrico quando eles viam certas imagens no computador. Quando o padrão era detecta- do, os pesquisadores sobrepunham a memória relacionada ao medo dando uma recompensa para os objetos do experimento.

“O modo como a informação é representada no cérebro é muito complicado, mas o uso de métodos de reconhecimento de imagem ligados à inteligência artificial (IA) nos permite identificar aspectos do conteúdo daquela informação”, diz o neurocientista Ben Seymour, do Departamento de Engenharia da Universidade de Cambridge, um dos autores do estudo. “Quando induzimos uma leve memória de medo no cérebro, fomos capazes de desenvolver um método rápido e preciso de lê-la usando algoritmos de inteligência artificial. Segundo o cientista, o desafio foi, então, achar uma maneira de reduzir a memória de medo, sem invocá-la conscientemente.

“Percebemos que, mesmo quando os voluntários estavam apenas descansando, podíamos ver breves momentos em que o padrão de atividade cerebral flutuante possuía características parciais de memórias de medo específicas, mesmo que os voluntários não estivessem conscientes disso. Como podíamos decodificar esses padrões cerebrais rapidamente, decidimos dar uma recompensa para os participantes – uma pequena quantia em dinheiro – toda vez que detectávamos essas características da memória.”

Os pesquisadores repetiram o procedimento por três dias. Foi dito aos participantes do experimento que a recompensa financeira que iriam receber dependia de sua atividade cerebral, mas eles não sabiam como isso aconteceria. Ao conectar continuamente padrões sutis de atividade cerebral a correntes elétricas, os cientistas esperavam superar a memória do medo. “As características da memória, que foi previamente sintonizada para prever o doloroso choque, foram reprogramadas para prever algo positivo”, explica a neurocientista Ai Koizumi, do Instituto Internacional de Pesquisas Avançadas de Telecomunicações, em Kyoto, e do Centro de Informação de Redes Neurais, em Osaka, que liderou a pesquisa.

O grupo testou o que acontecia quando eles mostravam para os voluntários fotos de coisas que eles antes associavam aos choques. “Num feito notável, não observamos mais a típica resposta de medo em que a pele sua. Nem identificamos um aumento da atividade na amígdala, o centro de medo do cérebro”, afirmou Koizumi. “Isso significa que fomos capazes de reduzir a memória do medo sem que os voluntários tivessem de experienciar o medo conscientemente.”

Ainda que a amostra avaliada no estudo inicial tenha sido relativamente pequena, a equipe está otimista e espera que as técnicas possam ser mais bem desenvolvidas em tratamento clínico para pacientes com fobias ou estresse pós-traumático. “Para aplicar isso aos pacientes, precisamos construir uma espécie de biblioteca de códigos de informação do cérebro para as várias coisas das quais as pessoas possam ter medo patológico, como, por exemplo, de baratas”, observa Seymour. “Consideramos a possibilidade de as pessoas terem sessões regulares de feedback neural decodificado para remover gradualmente a resposta de medo que essas memórias desencadeiam.”Alguns pesquisadores acreditam que um tratamento assim possa trazer benefícios enormes, em comparação com as abordagens tradicionais e medicamentosas. Os pacientes também poderiam evitar o estresse asso- ciado com terapias de exposição, e os efeitos colaterais que podem resultar das drogas. O problema é que ainda não se sabe ao certo que destino seria dado à emoção “descolada” da memória associada ao medo. Com base na literatura clínica, especialistas alertam para o risco de que a angústia persista e, na impossibilidade de oferecer significados para o desconforto emocional, surjam sintomas físicos e outros tipos de adoecimento psíquico. Talvez a psicoterapia associada ao feedback neural seja eficiente. Mas são necessários mais estudos nesse campo

OUTROS OLHARES

TODA NUDEZ SERÁ OCULTADA

Uma coleção de publicações pornográficas históricas se esconde no “inferno” do edifício à espera de divulgação

São folhetos de papel de baixa qualidade, que quase se desfazem nas mãos. Na capa, imagens libidinosas — mulheres nuas, cupidos em pleno voo, moças comportadas a um passo de perder a compostura — e promessas de contos ilustrados com “estimulantes gravuras do mundo natural”. À primeira vista, é difícil entender como esse material, datado do final do século XIX e início do XX, veio parar na seção de obras raras da Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro. Mas é mesmo lá que se encontram, abertos para consulta, títulos sugestivos como Consolo de viúvaUm marido em apurosChifres para todos e Prazeres de colegiais, para citar só alguns.

O conjunto de mais de 50 publicações antigas, produzidas no Brasil e originalmente comercializadas na redação do finado jornal satírico carioca Rio nu, faz parte do chamado “inferno” da Biblioteca Nacional, que reúne obras vistas como incômodas à época em que chegaram à instituição. Com medo de que fossem destruídas ou confiscadas, funcionários dificultaram sua catalogação e as esconderam em lugares onde não deveriam estar. Foi o caso desses folhetos pornográficos, que, embora hoje estejam a salvo, continuam ignorados por público, editoras e pesquisadores. Seu conteúdo, no entanto, não para de surpreender a chefe da divisão de obras raras da Biblioteca Nacional, Ana Virginia Pinheiro, que desde 2014 vem executando a recuperação dessas publicações. Na contramão de um Brasil onde casos de tentativa de censura se multiplicam, como a tentativa de recolher uma história em quadrinhos com beijo homossexual na última Bienal do Livro do Rio, no início de setembro, a pesquisadora luta para um maior reconhecimento dessa pouco analisada e editada produção erótica nacional.

“Esses folhetos chegaram aqui pelo próprio jornal, via lei do depósito legal na época, já que coleções particulares não guardavam isso”, disse Pinheiro. “Tenho certeza de que acabaram nas obras raras porque os funcionários queriam escondê-los. Talvez alguém procurasse por isso em obras gerais, jamais aqui nesta divisão. Mas, se elas foram escondidas para serem preservadas, agora merecem ser divulgadas, estudadas e compreendidas. Lembro-me de certa vez em que minha avó, ao ver uma publicação pornográfica numa banca de jornais, disse que isso não existia no tempo dela. Hoje sei que estava mentindo.”

A coleção do “inferno” é mais ampla e não se limita a esses folhetos de papel barato do século XIX. Na verdade, ela contém livros de todos os tipos, gêneros e épocas — alguns mais antigos, trazidos pela Família Real em 1808, e outros mais novos, perseguidos pela ditadura militar. Mas, se algumas das obras foram escondidas pelos motivos mais diversos — desde políticos, como o diário de viagens pela União Soviética de Jorge Amado, até religiosos, como uma edição do século XVII de A cidade de Deus, de Santo Agostinho, cujas notas foram censuradas pela Igreja —, esse subgrupo composto dos contos “naturais” incomoda por uma razão óbvia: sua franca obscenidade.

“Não existe limite moral nessas histórias. Às vezes o pesquisador tem até vergonha de dizer que está procurando”, afirmou Pinheiro. O primeiro paralelo que vem à mente são as publicações de Carlos Zéfiro, que introduziram muitos jovens à pornografia entre os anos 1950 e 1970. Basta ler as primeiras linhas, no entanto, para perceber que as narrativas fazem o velho Zéfiro soar quase como um carola.

Práticas como sexo grupal (Em plena orgia), homossexualidade (Laurinha e BibiO menino do Gouveia), incesto (Família) e até zoofilia (Variações do amor) são tratadas com a maior naturalidade, com descrições gráficas e uma certa dose de cinismo, alheio ao moralismo da época. Visualmente, as publicações também são ousadas. Trazem, em seu interior, fotos de sexo explícito, importadas da Europa. O conceito era simples: criar uma história original — e brasileiríssima — a partir de imagens produzidas para “estimular o sexo solitário”, como bem explica, de maneira técnica, uma descrição feita para uma exposição de 2017 da Biblioteca Nacional dedicada a esses livros.

Um dos volumes mais emblemáticos, segundo Pinheiro, é A pulga, escrito por um certo Lucio D’Amour. Nele, um militar aposentado contrata um homem negro para fazer a segurança da casa. Este, descrito com todos os estereótipos possíveis, logo atiça o desejo da jovem esposa do militar. Como o segurança não consegue entender suas segundas intenções, ela faz de conta que uma pulga entrou em seu ânus e o obriga a procurá-la.

“É um conto que mostra a mulher em um papel mais ativo”, observou Pinheiro. “E, de forma geral, a mulher nessa literatura não é só objeto sexual. Ela é a pessoa que demanda por sexo, ela é a pessoa que comanda toda a cena, escolhe o homem ou a mulher. Elas têm uma sexualidade exacerbada, assumida, e isso é muito surpreendente para a época.”

Outra surpresa, afirmou Pinheiro, é a qualidade do texto desses folhetos, inversamente proporcional ao material em que foi publicado. É sabido que escritores prestigiados trabalhavam como “ghostwriters” para publicações pornográficas, e provavelmente estão por trás também de alguns dos pseudônimos que assinam os folhetos, como Zé Teso, Manuel Brochado, Pepe Galhardo, Capadócio Maluco e Pat de Patagonia.

Os respeitáveis Olavo Bilac e Coelho Neto, por exemplo, teriam escrito anonimamente um nunca encontrado — e talvez nunca publicado — livreto obsceno. O fato só se tornou público nas memórias de Humberto de Campos, para quem os poetas supostamente confessaram a autoria de uma encomenda intitulada Almanaque do ânus. Autor de A escrava Isaura, Bernardo Guimarães é hoje reconhecido como o autor do famoso poema erótico “O elixir do pajé”, atribuído à época de seu lançamento a um sacristão e cuja edição fac-similar — fartamente ilustrada — também repousa no “inferno” da Biblioteca Nacional.

Apesar de sua qualidade literária e de sua importância histórica, esses textos quase não ganharam dissertações e teses da academia, segundo Pinheiro. As reedições são, até agora, raríssimas. A mais conhecida é O menino do Gouveia , lançada em 2017 pela editora O Sexo da Palavra. Considerado uma das primeiras representações homoeróticas da literatura nacional, o conto de 1914 traz a relação entre um prostituto menor de idade e um homem mais velho.

Pinheiro lembrou que já foi consultada algumas vezes sobre publicações mais ambiciosas, mas até agora nada foi adiante. A editora e bibliófila Aninha Franco, fundadora da República AF, contou que recentemente cogitou publicar um box com várias histórias da coleção, mas que desistiu por causa do “clima político” do Brasil atual.

“Há 500 anos que o Brasil é erótico, ele nunca deixou de ser”, disse Franco. “Mas, hoje, seria impossível conseguir um patrocínio para esse tipo de publicação. É uma pena, porque esse material é erotismo da melhor qualidade, e o Brasil precisa conhecer melhor o Brasil.”

Justamente por ver uma “tendência à censura” na atualidade, Pinheiro acredita que este é o momento de promover os folhetos. Por via das dúvidas, ela mantém as obras da mesma forma que seus antecessores do “inferno” deixaram: dispersas e mal catalogadas. Até hoje, por medo de que acabe sendo acusada de apologia à pornografia, a pesquisadora não conseguiu elaborar uma forma de publicar esses textos nos anais da Biblioteca Nacional.

“Eles estão aqui na biblioteca e podem ser vistos. Não são nenhum segredo”, disse ela. “Mas a humanidade repete a história, e não se pode facilitar.”

GESTÃO E CARREIRA

A ERA DA MODA DIGITAL

A inovação demorou, mas finalmente chegou aos pontos de venda. A disputa pelo bolso do consumidor vai ficar cada vez mais acirrada. Saiba o que empresas como Amaro, Iguatemi, JHSF e Riachuelo estão fazendo para revolucionar a forma como você se veste

marketplace — espécie de shopping virtual, que aloca ofertas de diversas empresas no mesmo portal — com mais de 80 grifes e cerca de 10 mil itens de moda logo de partida. “Não seremos uma Amazon, que oferece de tudo. A ideia do nosso marketplace é ajudar a resolver a vida das pessoas”, diz o CEO do Iguatemi. “Mas o grosso, assim como no nosso negócio físico, virá da categoria de moda.”

Após um período de testes de três meses, o portal entrará no ar no fim de outubro e terá marcas renomadas mundo afora como Dolce & Gabbana, GAP, Sephora e Tiffany. “Somos o primeiro marketplace em que a Tiffany apostou no mundo. Isso mostra a credibilidade que o Iguatemi construiu em seus 40 anos de história”, diz Jereissati Filho. Também haverá espaço para marcas exclusivas, que ainda não atuam no mercado brasileiro. Segundo o executivo, uma unidade de varejo do grupo fará o armazenamento do estoque dessas coleções. “Não será uma quantidade muito grande. Serão volumes pequenos, mas que garantirão essa diferenciação que o Iguatemi sempre teve no varejo físico.” O grande trunfo, na visão de Jereissati Filho, é poder vender o mesmo catálogo de seus shoppings em São Paulo para todo o País, haja vista que muitas pessoas peregrinam de tempos em tempos para comprar artigos de moda na capital paulista. “Nós temos muitos itens, por exemplo, da Zara que são vendidos apenas no Iguatemi São Paulo e no JK Iguatemi, porque são lojas que têm um tíquete médio mais alto. Com o marketplace, a Zara vai conseguir ofertar esses produtos em outras regiões”, afirma.

A plataforma, no entanto, será lançada primeiramente no Estado de São Paulo. A pretensão é replicar o modelo em todo o território nacional até o fim de 2020. Com 15 shopping centers, dois premium outlets e três torres comerciais, o Iguatemi movimentou R$ 13,7 bilhões em 2018 e obteve receita de R$ 721,5 milhões. Além do marketplace, também é previsto em alguns dos complexos, um estúdio de inovação e um lounge, onde o consumidor poderá fazer compra assistida ou retirar pedidos realizados pelo site. “A princípio, nós teremos no Iguatemi São Paulo, tanto estúdio quanto lounge, mas a ideia é que tenhamos também em outras unidades espalhadas pelo Brasil”, diz Jereissati Filho.

Em 2018, o shopping Cidade Jardim, do grupo JHSF, já havia lançado sua plataforma digital em moldes semelhantes. Chamado CJ Fashion, o portal tem 188 grifes de moda e já atendeu clientes de 160 municípios em um ano de operação. “Hoje, nosso movimento é seguido por boa parte do mercado. O cliente, quando procura um marketplace  ou e-commerce, quer agilidade e um serviço de excelência e nós, desde o primeiro dia de operação, entregamos pedidos para a capital de São Paulo no mesmo dia”, diz Thiago Alonso, CEO do grupo JHSF. O mercado que as empresas miram é o de alto poder aquisitivo. Segundo dados do instituto de pesquisas Iemi – Inteligência de Mercado, o varejo de vestuário voltado aos públicos A e B+ movimentou cerca de R$ 42,3 bilhões em 2018, crescimento de 2,4% em relação ao ano anterior.

A opção escolhida pela Riachuelo foi levar a inovação diretamente ao ponto de venda. Em um espaço de 2,3 mil m², a varejista abriu as portas, em 26 de setembro, de sua loja conceito, localizada no Morumbi Shopping, em São Paulo. A operação, onde outrora esteve instalada uma livraria Fnac, tem um sortimento de 12 mil itens, mas o que chama a atenção são espelhos interativos e iluminação ajustável nos provadores, uma área de customização de peças, Wi-Fi de alta velocidade e lockers para a retirada de produtos comprados pelo site. “A nossa principal inovação foi colocar o cliente no centro e fazer um ambiente de loja que seja complementar ao digital”, diz Elio Silva, diretor-executivo de marketing da Riachuelo. Marcelo Prado, diretor do instituto de pesquisas Iemi — Inteligência de Mercado, diz que a Riachuelo tem pegado tudo o que acontece fora do País e tenta transformar isso em experiência para o consumidor nas lojas. “Ela ganhou muita mídia com essa ação”, afirma Prado.

ESPELHO INTERATIVO

A empresa fez tornar realidade coisas que até então pareciam impossíveis, como ajustar as luzes do provador de acordo com o estilo da roupa ou, melhor ainda, poder trocar a tonalidade das peças que o consumidor veste. Tudo isso é possível graças a um espelho interativo disponível em algumas cabines dos provadores. Há ainda uma área de reformas de roupas, onde é possível programar ações que vão desde estamparia de camisetas até ajustes e consertos. “Também estamos prestes a lançar nova versão do nosso aplicativo, que vai trazer uma série de inovações, principalmente facilitando a integração com o canal de e-commerce”, afirma Silva.

“Muita tecnologia estará mais no ‘backoffice’ do trabalho do que no ‘front-end’ para o consumidor”, complementa, em relação aos investimentos que estão sendo aportados para a integração do estoque físico e on-line da rede. A ideia é ir além do ‘clique e retire’ e poder começar a entregar produtos a partir das lojas, método conhecido como ‘ship from store’. Para evitar as filas enormes na hora do pagamento, a loja conceito da Riachuelo tem 14 pontos em que o cliente pode pagar a compra porº meio do celular. “Um de nossos funcionários com o equipamento pode fazer a cobrança em qualquer lugar da loja, sem que a pessoa precise ir para o caixa”.

A precursora desse movimento, no entanto, é a Amaro. A empresa fundada em 2012, pelo suíço Dominique Olivier, que é também o CEO, surgiu como um e-commerce de roupas femininas. Em 2015, a companhia resolveu inaugurar o primeiro ponto físico para contato com o consumidor. “Hoje, o segmento de moda representa 5% das vendas pelo e-commerce. O restante acontece no mundo físico. Em cinco anos, essa parcela deve dobrar para 10%. A Amaro iniciou esse movimento para roubar um pouco dessas vendas que acontecem fisicamente”, diz Dominique Olivier. Hoje, são 14 guide shops espalhados por cinco capitais brasileiras. “Somos um exemplo das empresas que nasceram on-line e foram para o off-line”, afirma.

Engana-se, porém, quem pensa que a venda acontece no próprio ponto de venda. Até que não seria mentira dizer isso, mas nenhuma das clientes sai da loja com sacolas. Cada um dos pontos físicos da empresa tem apenas um item de cada tamanho e de cada cor. É como se fosse um grande mostruário. A pessoa experimenta e finaliza a compra por meio do aplicativo da Amaro na loja. Também há sensores que monitoram quanto tempo a cliente passa na frente de cada peça e quais são as zonas de maior fluxo dentro da loja. Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo, diz que a Amaro é uma prateleira infinita. “Você poder comprar coisas que não estão ali e receber em casa. É uma loja que também vira ponto de entrega para o e-commerce”, afirma Terra. “É uma mostra de que a melhor maneira de você começar uma relação com o consumidor ainda é o varejo físico”.

Outro exemplo de que os canais são complementares vem da consultoria americana McKinsey, que está abrindo uma loja de peças de vestuário no maior centro comercial dos Estados Unidos. A operação vai servir para testar tecnologias que os varejistas e seus consultores querem implementar nas lojas. Também é uma aposta conjunta para conter a forte concorrência da Amazon na região. Edmundo Lima, diretor executivo da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex), diz que “no fim de tudo, o objetivo sempre vai ser atrair o consumidor pra loja, por meio de uma experiência inovadora, em que o cliente terá contato com muitas experiências diferentes”. Parece que a jornada da experiência do consumidor nunca foi levada tão a sério. E isso é ótimo.

O PASSO ESPORTIVO DA AREZZO

A compra da operação da americana Vans no Brasil pela Arezzo & Co., que controla a marca homônima e também Schutz, Anacapri, Alexandre Birman, Fiever e Alme, é um forte indício do novo passo estratégico da companhia. Conhecida pelos calçados e bolsas para o público feminino e líder no segmento, há algum tempo a Arezzo vem diversificando seu portfólio para atender outros públicos. Segundo análise feita pela Credit Suisse, espera-se que o negócio venha a ampliar em 8,3% os ganhos da Arezzo.

A saída encontrada para ampliar os seus produtos foi por meio das marcas de tênis (Fiever e agora Vans) com criações que atendem ao universo feminino e masculino e, principalmente, aos mais jovens. A mudança no comportamento do público por itens mais confortáveis também faz parte dos novos caminhos. Os tênis já representam 20% das vendas da Arezzo. “A novidade poderá criar novo vetor de crescimento para a Arezzo no mercado doméstico, o que é especialmente importante, dadas as recentes indicações de desaceleração do crescimento em suas marcas mais maduras”, avaliou o Credit Suisse.

Essa é a primeira vez na história da companhia que a Arezzo comercializa um produto que não seja criação própria. “Esse é um passo decisivo para aprofundarmos nossa estratégia de transformação da companhia em uma plataforma de gestão de marcas”, disse o CEO Alexandre Birman. Com a Vans, serão sete marcas a partir de 2020 – totalizando mais de 630 franquias, 45 lojas próprias e 2,6 mil clientes multimarcas.

Foram investidos R$ 50 milhões na compra da operação da Vans. O contrato tem duração de cinco anos, com possibilidade de extensão de dois anos. A mudança de controle entra em vigor no primeiro dia de 2020. A Arezzo poderá expandir a marca no País por meio de aberturas de lojas próprias ou de franqueadas. A Vans era administrada pelo conglomerado americano de moda VF Corporation, dono também de 27 marcas como Timberland e The North Face, e cresceu no Brasil, principalmente, por meio de multimarcas. A Vans está presente em 84 países e tem valor de mercado de US$ 3 bilhões, apontada como uma das marcas preferidas da geração Z (nascidos entre 1990 e 2010), à frente até mesmo de marcas tradicionais como Nike e Adidas. No ano passado, as vendas da marca cresceram 24%.

ALIMENTO DIÁRIO

QUANDO O CÉU INVADE A TERRA

CAPÍTULO 4 – A FÉ ANCORADA NO INVISÍVEL – PARTE II

A FONTE DA FÉ

A fé vem por se ouvir…” Não está escrito que ela vem por se ter ouvido, no passado. É o coração atento, no tempo presente, que está pronto para ser o depósito celestial da fé.

Abraão ouviu Deus dizer-lhe que sacrificasse o seu filho Isaque. Quando ele pegou o cutelo para matar seu filho, o SENHOR falou novamente. Desta vez Deus disse a Abraão que a prova tinha chegado ao fim, e que ele tinha sido aprovado. Não era mais para sacrificar o filho. Tivesse ele apenas feito o que Deus tinha dito, ele o teria sacrificado. Ouvir no tempo presente é a chave para a fé.

O apóstolo Paulo foi impelido pela ordem dada pelo Senhor: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.” “Entretanto, quando ele estava prestes a pregar o evangelho na Ásia, Deus disse não. O que Deus tinha dito parecia estar em conflito com o que Deus estava dizendo.” Paulo então preparou-se para ir para a Bitínia. De novo, Deus disse não. Logo em seguida Paulo teve um sonho em que um homem o chamava da Macedônia. Ele entendeu como sendo a vontade de Deus, e para lá eles foram.

Embora possamos saber, pelas Escrituras, qual é a vontade de Deus, ainda precisamos do Espírito Santo para nos ajudar na interpretação, na aplicação, e no recebimento do poder para executar a Sua vontade.

O MEDO

O mandamento bíblico que é repetido mais vezes é: “Não temais”. Por quê? Porque o medo ataca a base do nosso relacionamento com Deus, a nossa fé. Medo é ter fé no diabo; é também descrença. Jesus sempre perguntava a seus discípulos, quando eles estavam com medo: “Porque vocês estão com tanto medo, homens de pequena fé?” – porque o medo é o mesmo que a falta de fé. Medo e fé não podem ocorrer ao mesmo tempo: o medo opera contra a fé, e vice-versa.

O diabo é também chamado de belzebu, que significa senhor das moscas. Ele e suas hostes são atraídos para o que está em decomposição. Há algum tempo tínhamos um freezer num prédio conjugado à nossa casa. Num domingo pela manhã, ao chegarmos em casa voltando da igreja, fomos atingidos por um forte cheiro que, infelizmente, é difícil de esquecer. Percebi num instante o que havia ocorrido. O nosso freezer tinha parado de funcionar. Eu pensava que o cheiro desagradável que já vínhamos sentindo por alguns dias era porque meus filhos tinham esquecido de levar todo o lixo para a lixeira. Mas era a carne, dentro do freezer, que não parava de apodrecer.

Do banco da frente de meu carro olhei para a janela daquele local, que ficava a uns 2 metros de distância. Ela estava preta, repleta de tantas moscas… a quantidade era tão grande que não dá nem para imaginar quantas eram, depois de todos esses anos que já se passaram. Lá dentro as moscas haviam encontrado um campo adequado para se reproduzirem num número incalculável. Não teve jeito: tive que pedir para os lixeiros levarem o freezer, com todo o seu conteúdo.

Amargura, ciúmes, inveja e ódio são situações que apodrecem o coração e atraem o diabo para vir e atuar. Sim, isso acontece até mesmo com cristãos. Lembre-se da advertência que Paulo deu à igreja em Éfeso: “Nem deis lugar ao diabo.” O medo é também uma podridão no coração. O medo atrai os demônios, da mesma forma que a amargura e o ódio. Como aquelas moscas sabiam onde o meu freezer estava? Foi pelo cheiro horrível daquela carne apodrecida. O medo gera um” cheiro” semelhante. Como acontece com a fé, o medo é algo atuante na esfera espiritual. Satanás não tem poder algum, exceto quando nós entramos em acordo com ele. O medo constitui uma resposta do nosso coração quando concordamos com as intimidadoras sugestões dele.

REAGIR OU RESPONDER

Por incrível que pareça, por temerem os excessos que outros cometeram em nome da fé, muitas pessoas ficaram com a incredulidade.

A reação a um erro geralmente produz um outro erro. Responder à verdade sempre prevalece sobre aqueles que reagem ao erro. Há pessoas cujo conjunto de crenças é montado exclusivamente em decorrência dos erros dos outros. Seus pensamentos é ensinos são as antíteses das crenças e pensamentos de outras pessoas. Assim, aqueles que se esforçam por alcançar estabilidade tomam-se fracos. A palavra estabilidade passou a ter O sentido de estar no centro do curso desta vida – onde não há ameaça alguma das pessoas ou do diabo, com um risco bem pequeno e, além disso, é o melhor modo de se manter a imagem intacta.

A Igreja adverte seus membros com respeito ao grande pecado da arrogância. Deus nos adverte quanto ao pecado da incredulidade. Foi isso que Jesus disse? “Quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, quem seja exorbitante e arrogante?” Não, Sua preocupação era se Ele iria encontrar fé na terra, e fé como Ele demonstrava ter. Se por um lado nós muitas vezes nos juntamos com as pessoas que pensam tal como nós, por outro, os que têm fé, ao passarem por nós, deixam resplandecer um caminho que ameaça toda a nossa zona de segurança. A fé ofende os que estão parados.

É difícil conviver com pessoas que têm uma fé grande. Sua maneira de pensar é “do outro mundo”. Meu pai, que era pastor, ficou sob o ministério de vários grandes homens e mulheres de Deus, lá pelo início do século vinte. Ele costumava dizer-me que nem todos gostavam de Smith Wigglesworth, cuja fé deixava as outras pessoas sentirem-se desconfortáveis. Só há duas alternativas: ou nos tornamos iguais às pessoas de fé ou nos afastamos delas. Para nós, o estilo de vida de tais pessoas ou é contagioso ou nos ofende, de algum modo. E não existe um meio-termo nessa situação. Smith é muito amado, hoje em dia, mas isso ocorre apenas porque ele já faleceu. Israel também amava seus profetas, depois de mortos.

A incredulidade tem algo surpreendente em si. Ela consegue atingir seus próprios propósitos, e não corre perigo algum, pois não assume riscos e quase sempre alcança o que pretende. Então, quando alguém recebe a resposta da sua incredulidade, o que diz é: “Eu não lhe disse?”

UMA REALIDADE SUPERIOR

Minha fé não é apenas uma fé permanente, em todo o tempo; ela é também atuante. É agressiva por natureza. É bem definida e tem um propósito. A fé apropria-se da realidade do Reino e, com força e violência, o faz entrar em choque com a esfera natural. Um reino inferior não tem como prevalecer.

Uma das coisas mais frequentes que as pessoas me dizem quando vou orar pela sua cura é: “Sei que Deus pode operar.” O diabo também sabe disso. Na melhor das hipóteses, essa é uma postura de quem tem esperança, mas não fé. A fé sabe que ele vai operar, pois, para quem tem fé, não há nada impossível. Não há impossibilidades quando há fé. E isso não tem exceções.

Sheri, por exemplo, veio à frente para receber uma oração no final de uma maravilhosa reunião, nas cercanias de Nashville, Tennessee. Ela tinha tido lupus durante 24 anos, sendo que nos últimos quatro anos ficou com uma hipertensão pulmonar. A coisa ficou em tal estado que ela acabou tendo que colocar um desvio de alumínio no seu coração. E uma bomba teve que ser colocada também, a qual lhe fornecia a medicação necessária para mantê-la viva. O médico lhe disse que, sem essa medicação, ela poderia viver apenas três minutos.

Quando ela subiu na plataforma, indo em minha direção, de fato senti que alguma coisa estava presente. Antes eu nunca tinha tido esse sentimento com tamanha intensidade. Era a fé. Na verdade eu me contive e fiquei observando-a por alguns momentos, percebendo que estava diante de algo totalmente novo para mim. Assim que orei por ela, ela caiu no chão sob o poder de Deus. Ao levantar-se, perguntei a ela como se sentia. Ela mencionou então que havia um forte calor em seu peito. (O calor muitas vezes aparece quando Deus faz um toque de cura.) Quando ela foi saindo, eu lhe disse: “Foi isso que a sua fé conseguiu!”

Isso aconteceu num sábado, à noite. Às 7 horas da manhã do dia seguinte o Senhor falou com ela, dizendo que ela não necessitava mais da medicação. Assim, ela interrompeu a medicação. Ela apareceu 14 horas depois, e deu testemunho do maravilhoso poder de cura de Deus.

Aquela peça de alumínio foi então retirada do seu corpo. Era algo de que ela não mais necessitava!

OUVIDOS PARA OUVIR

“De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.”  Observe que não está escrito que ela vem por se ter ouvido, no passado. A natureza intrínseca da fé implica num relacionamento com Deus, no tempo presente. A ênfase é em se ouvir – agora! Em Génesis Deus disse a Abraão que sacrificasse Isaque. Quando Abraão levantou o cutelo para matar seu filho, Deus falou novamente. Desta vez Ele lhe disse para não matar o filho, uma vez que Abraão havia passado pela prova de se dispor a fazer tudo por Deus. Foi muito bom o fato de Abraão relacionar-se sempre com Deus em cada momento presente de sua vida; ele não ficava apenas com o que Deus tinha dito, mas ele agia com base no que Deus estava dizendo!

RESPOSTAS PARA AS COISAS IMPOSSÍVEIS DA VIDA

O que este mundo precisa é que a Igreja volte a mostrar e a proclamar a mensagem do reino de Deus. As pessoas precisam de uma âncora que é maior do que qualquer coisa que tenham visto. O sistema deste mundo não tem respostas para os crescentes problemas da humanidade – cada solução é apenas temporária.

Dale veio até o meu gabinete para confessar pecados. Ele vivia a uma certa distância da minha cidade, mas pelo fato de ter ele nos enganado numa questão financeira, ele sentiu a necessidade de vir confessar pessoalmente. Depois de lhe ter liberado o meu perdão, e também o perdão de Deus, perguntei-lhe o que havia de errado com as suas costas. Ele tinha entrado em meu gabinete com dificuldade, e estava visivelmente com uma forte dor. Ele levantou então a camisa, mostrando­ me duas cicatrizes que iam de cima para baixo, uma de cada lado da espinha dorsal. Ele tinha quebrado os ossos das costas alguns anos atrás e, havia pouco tempo, sofrera um acidente de carro que agravou ainda mais o seu problema. Então ele me disse que o Senhor provavelmente teria prazer em curá-lo, mas que aquilo simplesmente foi da vontade de Deus. Disse-lhe então que ele não era assim tão importante. Tudo o que eu podia assinalar era a grandeza de Deus e a insignificante condição humana. Ele olhou para mim com um olhar espantado em seu rosto. Continuei então explicando-lhe que Deus era realmente grande, e que poderia fazer tudo o que quisesse. Embora Dale não tenha chegado a uma fé grande, de fato ele começou a duvidar da sua dúvida. Isso foi tudo o que era necessário. Impus então minhas mãos sobre as suas costas e convidei o Espírito Santo a vir e dar a dádiva da cura. Então dei uma ordem para que a cura acontecesse. Ele curvou-se, colocando as mãos estendidas sobre o chão, dizendo: “Eu não consigo Jazer isso!” Ele repetiu esse movimento várias vezes, e em cada uma delas e dizia: “Eu não consigo Jazer isso!” Ele saiu sem nenhuma dor, fazendo todos os movimentos, e com um coração repleto de louvor. Ele era alguém que mal conseguia andar, alguns momentos antes.

Fé não é ausência de dúvida; é a presença da crença. Acontece que nem sempre eu sinto ter uma grande fé. Mas posso sempre obedecer, impondo as mãos sobre alguém, e orar. Seria um erro meu examinar, toda vez, a minha fé. Raramente a encontro. O melhor é obedecer depressa. Depois que termino de orar, posso olhar para trás e constatar que a minha obediência veio da fé.

A BOMBA DE EFEITO MULTIPLICADOR

Quando o nível da fé compartilhado por todos aumenta, ocorre o que chamo de uma bomba de efeito multiplicador. É quando pessoas presentes, que conscientemente nem estejam procurando exercer fé, são atingidas pelo poder de Deus que opera milagres.

Francis é uma mulher que tinha um câncer no esôfago. Num domingo pela manhã, durante o culto, ela inclinou-se para o lado do seu marido e lhe disse: “Acabei de ser curada!” Ela sentiu o fogo de Deus tocar em suas mãos e concluiu que isso era devido ao toque curador de Deus. Quando ela foi ao médico, este comentou a sua experiência, respondendo a ela que “este tipo de câncer não vai embora”. Mas, depois de examiná-la, ele afirmou: “Não apenas você não tem mais câncer; você tem agora um novo esôfago!”

A fé, quando compartilhada por todos, é capaz de se mover no céu de um modo maravilhoso. O mundo de Deus manifesta-se em volta de todos nós.

Sharon tinha sofrido um acidente muitos anos atrás, no qual ela teve um tendão destruído que enfraqueceu a sua perna. Ela ficou com alguns movimentos restringidos e com uma insensibilidade parcial no pé. Numa de nossas reuniões de sábado à noite eu estava fazendo de púlpito um apelo para que as pessoas se acertassem com Deus. Ela começou a emitir sons estranhos de todo tipo. Eu interrompi o apelo e perguntei a ela o que tinha acontecido. Ela nos disse que um formigamento foi descendo por sua perna e que, em seguida, sentiu a restauração de todos os movimentos e a volta da sensibilidade no seu pé. Um milagre criado, tinha acontecido, sem que ninguém tivesse orado a respeito.

As pessoas, naquela reunião em particular, eram em número bem pequeno. Mas o poder não se acha no número de presentes. Acha-se, porém, no número de pessoas que estejam em concordância. Um poder exponencial é o que resulta da unidade de fé.

Em algumas reuniões é fácil confundir entusiasmo com fé. Num ambiente assim dou um certo destaque a testemunhos para animar o coração das pessoas a crer no impossível, para que assim Deus venha invadir, e o céu alcance a terra.

MAIS DO QUE EM ALTA VOZ

Assim como o medo é um elemento tangível no mundo espiritual, da mesma forma a fé é tangível nessa esfera. No mundo natural uma voz alta pode intimidar alguém. Mas os demônios sabem distinguir os que verdadeiramente são ousados e agressivos, devido à fé que têm, dos que simplesmente estejam querendo esconder o seu medo com um comportamento agressivo. Os cristãos com frequência fazem uso dessa tática na expulsão de demônios. Muitos de nós gritamos ameaças para eles, invocamos anjos para nos ajudarem, prometemos um julgamento mais severo para os demônios no Dia do Juízo, e nos valemos de outras tolices apenas para ver o que acontece e para nos acobertarmos de modo a esconder o nosso medo imaturo. A fé real é ancorada na esfera invisível e acha-se ligada à autoridade que há no nome do Senhor Jesus Cristo.

A autoridade para expulsar demônios acha-se na tranquilidade, que é o clima propício para que a fé cresça. Ela provém da paz de Deus. E será o Príncipe da Paz que em breve esmagará satanás debaixo de nossos pés! O que é tranquilo para nós é violento para os poderes do inferno. Esta é a natureza violenta da fé.

Não se trata de uma tentativa emocional para que sejamos autoconfiantes ou autodeterminados. Pelo contrário, é fazer mover o coração para uma posição de rendição, para um lugar de descanso. Um coração rendido é um coração de fé. E a fé precisa estar presente para agradar a Deus.”

VIOLÊNCIA E FÉ

“O Reino dos céus é tomado à força, e os que usam de força se apoderam dele”. (Mateus 11:12 – NVI)

Dois cegos, que ficavam à beira do caminho, invocaram Jesus. As pessoas lhes disseram que ficassem quietos. Mas isso apenas reforçou a disposição deles para gritarem mais. Ficaram mais desesperados e gritaram com voz mais forte ainda. Jesus então os chamou e os curou. E o Senhor atribuiu o milagre à fé que eles tinham.

Uma mulher, que vinha tendo uma hemorragia por doze anos, forçou sua passagem através da multidão que seguia Jesus. Quando ela chegou perto Dele, tocou nas vestes Dele, e foi imediatamente curada. O Senhor atribuiu a cura à fé que ela tinha.

São muitas as histórias semelhantes a estas, e todas têm o mesmo final: as pessoas eram curadas ou libertas por causa da sua fé. A fé pode, com tranquilidade, forçar uma situação; ou poderá clamar em alta voz, mas ela é sempre violenta no mundo espiritual. Ela apropria-se de uma realidade invisível e não a deixa escapar. Tomar o Reino através da fé é o ato de força que é necessário para se alcançar o que Deus tornou possível.

A FÉ PRODUZ PODER

Um automóvel pode ter uma potência de centenas de HP. Mas o carro não sairá do lugar até que a embreagem seja acionada, engatando a marcha que transmitirá a força existente do motor para as rodas. O mesmo se dá com a fé. Temos todo o poder do céu atrás de nós. Mas é a nossa fé que faz o engate entre o que se acha disponível e as circunstâncias ao nosso redor. A fé torna o que é invisível em algo real.Não é incorreto procurar crescer na fé. Não é errado procurar realizar sinais e milagres, cada vez mais. Isso faz parte dos direitos do crente. Mas saber como orar é a tarefa que temos à nossa frente. Essa foi a única coisa que os discípulos pediram ao Senhor que lhes ensinasse. E desse modo vamos examinar a Oração Modelo de Jesus, para que possamos perceber qual era a visão que Ele tinha sobre a oração e sobre a liberação do seu Domínio i5