A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A GENTILEZA DAS ESCOLHAS POSSÍVEIS

Características psicológicas e traços de personalidade influem na forma como lidamos com nossas opções; para pessoas que costumam agir com maior facilidade, os arrependimentos geralmente têm menor importância que um fracasso

O interesse das pesquisas sobre arrependimento não é somente teórico. Elas permitem compreender que esses sentimentos representam uma atividade mental importante e inevitável no ser humano, às vezes útil, mas cujos efeitos podem ser prejudiciais para alguns. Assim, as pessoas que sofrem de fobias graves, como as sociais (timidez patológica, que leva a evitar inúmeras situações) ou a agorafobia (medo excessivo de frequentar lugares públicos, o que limita a autonomia e o deslocamento), devem renunciar, devido a seu distúrbio, a muitas atividades. Elas sofrem de arrependimentos múltiplos que muitas vezes dão origem a um estado depressivo. Todavia, os sofrimentos ocasionados por arrependimentos não se relacionam apenas às pessoas com problemas psiquiátricos. Cada um está sujeito a tais sofrimentos em graus variáveis, mas certos traços de personalidade os favorecem.

Diversos estudos expuseram os fatores que agravam ou aliviam os arrependimentos, assim como as atitudes que nos permitem enfrentá-los melhor. Determinados perfis de personalidade parecem mais expostos aos riscos de um arrependimento excessivo que outros. Pessoas que têm o hábito de cultivar uma visão positiva da existência têm menos arrependimentos, mesmo em relação a acontecimentos desfavoráveis. Numa experiência, os pesquisadores narraram aos voluntários a seguinte cena: “Enquanto você espera sua vez na fila do banco, aparece um assaltante que, durante a fuga, dá vários tiros e um deles atinge o seu braço. Você teve sorte ou azar?”. Diferenças de opinião muito claras aparecem: alguns lamentam a má sorte (“Precisava acertar justo em mim?” “Se eu tivesse chegado dez minutos mais tarde não teria acontecido nada…”) e outros comemoram a sorte, sem pesar. (“Que sorte, eu poderia ter morrido!”) Pode-se tirar daí que, diante dos acontecimentos, é fundamental imaginar tudo que poderia ter acontecido, e não somente o que poderia ter sido melhor!

Outros trabalhos mostraram como pessoas perfeccionistas, que buscam sempre atingir o melhor resultado e fazer as melhores escolhas possíveis, são geralmente menos satisfeitas, pois estão mais expostas ao arrependi- mento que aquelas que se contentam com uma “escolha possível. “Aqueles que melhor lidam com as ambiguidades e eventuais frustrações, em geral, são os que aprendem, no cotidiano, a renunciar ao ideal e a apreciar resultados modestos”, afirma o psiquiatra francês Christophe André, pesquisador do Hospital Sainte-Anne e professor da Universidade Paris X. “Essa atitude privilegia a busca pelo equilíbrio e pela melhor relação entre custo e benefício.”

Para muitas pessoas que têm vontade de agir, mas frequentemente desistem com medo do fracasso, ou para aquelas que tendem a transferir tudo para o dia seguinte, o hábito de se sujeitar a situações desagradáveis, ou pior, de renunciar a agir, é fator de frustração e arrependimento. Esta atitude é problemática, já que, mais de uma vez, foi demonstra- do que a falta de ação tende a prender a pessoa num círculo vicioso. Assim, se você não reagiu rápido o bastante ou se perdeu uma primeira oportunidade de agir e tirar proveito disso (como a liquidação com 50% de desconto numa loja que você adora), quando se apresentar uma segunda ocasião, também favorável, em- bora menos que a primeira, há grande probabilidade de você renunciar novamente, para não ter arrependimentos do tipo: “Deveria ter aproveitado a primeira chance”.

CADA UM DE UM JEITO

Em O seminário, livro 7 – A ética da psicanálise (Zahar, 1988), escrito entre 1959-60, o psicanalista francês Jacques Lacan afirma que a mais intensa e dolorosa das culpas não é evocada por uma transgressão, mas sim por termos deixado de lado aquilo que realmente desejávamos. Ou seja: aquilo que mais lamentamos são as oportunidades perdidas. Ora, uma vez que os arrependimentos ligados à inação parecem infinitos, e que a inação leva a mais inação, outra ponderação útil poderia ser: na dúvida, aja. Mas essa conclusão não deveria ser levada ao pé da letra. Ao contrário, deve ser adaptada e personalizada.

Para pessoas que agem com facilidade, os arrependimentos têm menor importância em um fracasso ligado à ação que em um insucesso ligado à inação. Com pessoas indecisas dá-se o contrário: o arrependimento por um fracasso ligado à ação é mais doloroso. Decididamente, parece difícil não se arrepender de nada. Além do mais, talvez isso nem seja desejável.

Entre dezenas de pesquisas realizadas sobre “os maiores arrependimentos da vida” até hoje, a maioria constatou que é impossível não se arrepender de absolutamente nada, pois cada escolha se faz em detrimento de outra. Escolher uma opção é, implicitamente, eliminar outra.Em vez de visar o domínio total das es- colhas ideais (o que é impossível) ou evitá-las totalmente (o que é ineficaz), parece melhor aprender a lidar de maneira gentil (e inteligente) com os arrependimentos. Como todas as emoções, esses sentimentos têm papel importante na capacidade de adaptação ao meio e no equilíbrio psíquico. Eles nos ensinam a fazer um balanço de nossos atos e a tirar deles lições para o futuro. “Para libertar-se do medo do fracasso e do arrependimento antecipado, o mais eficiente não é renunciar à ação, mas aumentar a tolerância com as derrotas”, diz o psiquiatra francês Christophe André. “E, sobre- tudo, aprender a enxergar os ensinamentos que elas trazem, para transformar as situações de arrependi- mento em oportunidades de aprendizado”, afirma. Ele lembra de um humano faz de suas experiências: “O arrependimento que sentem os homens por causa do mau emprego ditado: “Se perder, pelo menos não perca a lição”. E ressalta: “Tentemos contradizer La Bruyère, que, em seu Caractères, constatou com certo pessimismo o mau uso que o ser que deram ao tempo que viveram nem sempre os leva a aproveitar melhor o tempo que lhes resta”.

OUTROS OLHARES

NA TRILHA DE JESUS

Mosaico recém-descoberto no Mar da Galileia traz novas pistas sobre o verdadeiro local onde teria ocorrido o milagre da multiplicação dos pães e peixes

Um grupo de arqueólogos acaba de fazer uma descoberta surpreendente na região do Mar da Galileia. Resgatou um mosaico colorido, que joga nova luz sobre um dos episódios mais conhecidos do Novo Testamento: o milagre da multiplicação dos pães e peixes. Constituído de formas geométricas e representações de pássaros, peixes e frutas, ele traz imagens simbólicas que representam esse momento. Enterrado por 1.500 anos, foi recuperado em condições excepcionais em um sítio arqueológico no alto de uma colina, em Israel.

O mosaico estava nas ruínas da chamada “Igreja Queimada”, que foi construída na virada do século V para o VI. O templo teve uma duração relativamente breve. Foi destruído no início do século VII, durante a conquista do Império Sassânida (império persa pré-islâmico). Ficava localizado na cidade de Hippos, que também foi destruída por um terremoto no ano de 749. As ruínas do complexo foram parcialmente expostas há dez anos, e a igreja foi escavada apenas em julho passado. E daí veio a surpresa.

BOM ESTADO SURPREENDEU

O arqueólogo Michael Eisenberg, da Universidade de Haifa, corresponsável pelas escavações, disse que o bom estado do mosaico surpreendeu. “É o mais bem preservado de todas as igrejas de Hippos. Isso não aconteceu devido à qualidade, mas por causa da forma como o telhado da igreja ruiu. Com o fogo, ele caiu e cobriu toda a área com 49 cm de cinzas”, disse. O colapso criou uma camada natural de proteção. “Como a igreja nunca foi reconstruída desde o século VII, encontramos o mosaico praticamente intacto. Em geral, algumas paredes desabam e parcialmente, deixando o piso exposto às intempéries.” Os objetos encontrados, como cerâmica, datam do século V.

Para o pesquisador, a descoberta dá pistas sobre a localização do episódio bíblico, que aparece no Novo Testamento, nos Evangelhos de Mateus, Marcos, João e Lucas. A tradição atribui o milagre à região de Tabgha, no noroeste do Mar da Galileia (que é na verdade um lago de água doce com 19 km de largura). É nesse local que se localiza a Igreja da Multiplicação dos Pães e Peixes, onde ficavam duas igrejas antigas. Mas as escavações feitas nas últimas semanas, em Hippos, ao leste do Mar da Galileia, podem indicar um novo cenário.

Segundo a Bíblia, Jesus usou cinco pães e dois peixes para alimentar 5 mil homens. Depois disso, caminhou sobre as águas até atingir o noroeste do Mar da Galileia, onde se localiza Tabgha. Como o milagre precede a caminhada, o seu local, então, poderia ser em Hippos. Para reforçar essa interpretação, o mosaico recém-revelado é mais fiel à descrição dos Evangelhos. Diferentemente do que ocorre em outro mosaico na Igreja da Multiplicação, ele mostra dois peixes e cinco pães que teriam sido usados para alimentar a multidão. Além disso, inclui a representação de 12 cestas, assim como descreve a Bíblia. Supõe-se que a localização da igreja, assim como os símbolos que ela carregava, representem o conhecimento acumulado dos habitantes da região no início da era cristã.

Essas são hipóteses levantadas — ainda que com cautela — pelo arqueólogo. Ele afirma que sua equipe não encontrou outros indícios do milagre ou acerca de outros episódios descritos na Bíblia. Mas isso não importa. Além de desvendar a exuberância de uma peça milenar, quase intacta, esses pesquisadores estão na verdade enriquecendo um episódio importante que atribuiu divindade a Jesus entre os primeiros cristãos.

GESTÃO E CARREIRA

SONO HYPE

A indústria do bem-estar chega à era pós-fitness e alimentação saudável: a hora de dormir

Somente a economia comportamental parece explicar as contradições humanas. A pesquisa Philips Global Sleep ouviu 15 mil pessoas acima de 18 anos em 13 países e mostra que 67% consideram uma noite bem dormida o elemento mais importante para a saúde e o bem-estar. O índice varia de 52% (franceses) a 84% (alemães). Na média, a resposta supera alternativas como Praticar Exercícios (59%), Segurança Financeira (56%) e Boa Alimentação (49%). O que à primeira vista mostra-se boa notícia pode causar pesadelo nos pesquisadores, já que paradoxalmente somente 29% dos entrevistados afirmam que se sentem culpados por não manter bons hábitos de sono, índice muito abaixo dos que se penitenciam por não se exercitar (49%) ou se alimentar de maneira saudável (42%). Em resumo, é como se as pessoas dissessem “sim, o sono é muito importante” e, ao mesmo tempo, “mas eu não ligo”.

Esse tipo de contradição abriu espaço para um novo front no segmento Wellness: a tecnologia do sono. Ele é uma espécie de versão 4.0 dessa indústria, precedido pelas ondas Fitness (a geração 1.0 do Wellness), Medicina Alternativa e Meditação (2.0) e Alimentação Saudável (3.0). “A excelência do sono é a próxima fronteira”, diz Carlos Eduardo Niro Garcia, country manager no Brasil da marca alemã Emma — cuja assinatura é The Sleep Company —, que prepara seu desembarque no País. A empresa trará sua linha de colchões, que serão vendidos apenas por e-commerce. A opção única pela venda digital não preocupa Garcia. “Hoje, no Brasil, apenas 7% dos itens vendidos são por meio do comércio eletrônico, enquanto na Europa chega a 20%, mas esperamos um share de 5% a 10% desse mercado em cinco anos.” A opção pelo e-commerce não descarta futuras parcerias com varejistas e mesmo lojas físicas próprias.

Outro fator que anima a marca alemã é o volume. “O Brasil é o terceiro maior mercado, atrás dos Estados Unidos e da China”, afirma Garcia. Por aqui, há unidades vendidas entre R$ 100 e R$ 40 mil. Os da Emma custarão entre R$ 2,6 mil (solteiro) e R$ 6 mil (king). Os produtos do portfólio brasileiro seguem diretamente do desenvolvimento na Alemanha, onde a marca nasceu, em 2013, como loja on-line de colchões, camas e roupas de cama. Dois anos depois, no fim de 2015, o time de P&D desenvolveu o modelo de colchão Emma. “Esse segmento começa a se tornar altamente tecnológico, com produtos que podem monitorar a qualidade de seu sono, entender seu sono e oferecer soluções para seu sono”, diz o country manager. Pense num smartwatch. É a mesma coisa, só que vestindo sua cama.

STARTUP

Algumas adaptações foram necessárias para o mercado brasileiro. Pesquisas moldaram o corpo médio do brasileiro e a preferência na hora de dormir — “modelos um pouco mais firmes, mais estruturados do que na Europa”. As três camadas de espuma, de acordo com o executivo, “assentam a pessoa no colchão respeitando a silhueta do corpo”. Um desafio será fazer a venda de um produto que tradicionalmente acontece em lojas físicas migrar para o mundo digital. Aquela tradicional deitadinha que o consumidor brasileiro costuma fazer ao escolher colchão será eliminada no universo da venda on-line. Garcia sabe disso, mas aposta no prazo de 100 dias que a marca dará para a devolução da mercadoria e 10 anos de garantia. “Nosso negocio é ser startup”, afirma. “É um jeito novo de fazer algo que já existia.”

Na prática, a Emma acredita que o discurso de venda de artigos de cama, a começar pelo colchão, abandone qualidades estritamente financeiras (a questão preço) e migre rapidamente para os benefícios relacionados ao bem-estar. “Sem uma boa noite de sono você não permite se regenerar, o que significa não conseguir memorizar uma nova informação ou aprendizado”, diz. “Há um movimento mundial para resgatar o bom sono.” Parte da aposta da marca pelo Brasil tem a ver com as projeções promissoras para o segmento Wellness em todo o mundo. Entre 2015 e 2017, o setor saiu de US$ 3,7 trilhões para US$ 4,2 trilhões, crescimento médio anual de 6,4%, de acordo com a pesquisa Global Wellness Economy Monitor 2018. Isso já representa 5,3% da produção econômica de todo o planeta. Números que certamente não tiram o sono da empresa alemã.

ALIMENTO DIÁRIO

QUANDO O CÉU INVADE A TERRA

CAPÍTULO 4 – A FÉ ANCORADA NO INVISÍVEL – PARTE I

“A fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem.” (Hebreus 11:1)

A fé é o espelho do coração que reflete as realidades de um mundo invisível a realidade do Reino de Deus.

Através da oração de fé temos condições de trazer a realidade do Seu mundo para este mundo.

Esta é a função da fé.

A fé está ancorada na esfera invisível. Ela vive a partir do invisível para o visível. A fé põe em prática o que ela discerne. As Escrituras contrastam a vida de fé com as limitações da visão natural. A fé provê olhos para o coração.

Jesus espera que as pessoas vejam com os olhos do coração. Certa vez Ele chamou de hipócritas um grupo de líderes religiosos porque eles discerniam as condições do clima, mas não discerniam os tempos. É óbvio por que Jesus preferia que as pessoas reconhecessem os tempos (o clima e as estações espirituais) muito mais do que as condições climáticas naturais, mas não é muito claro por que Ele os considerou hipócritas por não discernirem os tempos.

Muitos de nós já pensamos que a capacidade para ver a esfera espiritual é a aplicação de um dom especial que a pessoa tenha e não o uso de um dom que todos têm em potencial, mas que normalmente não é utilizado. Chamo sua atenção para o fato de que Jesus cobrou esta responsabilidade até mesmo dos fariseus e saduceus. O próprio fato de que eles, dentre todos os homens, deveriam saber discernir os tempos espirituais é uma evidência de que todos receberam esta capacidade. Eles tinham se tornado cegos ao Domínio de Deus por causa do seu coração corrompido, e foram julgados por não exercerem esse dom que eles tinham em potencial.

Nós nascemos de novo pela graça, mediante a fé. A experiência do novo nascimento capacita-nos a ver com o coração.” Um coração que não vê é um coração duro. A fé não tem por finalidade apenas fazer-nos entrar na família de Deus. Antes, ela é a própria natureza da vida nesta família. A fé vê. Ela põe o Reino de Deus em foco. Todos os recursos do Pai, todos os Seus benefícios acham-se acessíveis por meio da fé.

Para encorajar-nos a ver, Jesus deu uma instrução específica: “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus …” Paulo nos ensinou: “Mantenham o pensamento nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas.”  Ele ainda afirmou: ” …porque as (coisas) que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas”. A Bíblia nos instrui a voltar a nossa atenção em direção ao invisível. Esse tema é repetido muitas vezes nas Escrituras para excitar-nos- nós que estamos presos à lógica desta cultura ocidental. Aqui jaz o segredo para atingirmos a esfera sobrenatural, que desejamos ser restaurada na Igreja. Jesus nos disse que Ele somente fazia o que Ele via Seu Pai fazer. Entender isso é vital para aqueles que querem mais. O poder das ações de Jesus – por exemplo, quando ele colocou lama nos olhos de um cego – tem sua raiz na Sua capacidade de ver.

A ADORAÇÃO E A ESCOLA DA FÉ

Deus tem se dedicado muito em nos ensinar a ver. Para tornar isso possível, Ele nos deu o Espírito Santo como nosso tutor. O currículo desse programa de ensino é bastante variado. Uma das matérias que Ele nos dá, e para a qual todos nós somos qualificados, é sobre o maior de todos os privilégios cristãos: a adoração. Aprender a ver não é o propósito da nossa adoração, mas é um maravilhoso subproduto.

Aqueles que O adoram em espírito e em verdade, tal como é mencionado em João 4:23-24, aprendem a obedecer à liderança do Espírito Santo. Sua esfera de ação é chamada de reino de Deus. O trono de Deus, que se estabelece com os atos de adoração do Seu povo, é o centro desse Reino. É no ambiente gerado pela adoração que aprendemos aquilo que vai além do que o nosso intelecto consegue captar, e a maior de todas essas lições é o valor da Sua presença. Davi de tal forma foi tocado por isso que todos os seus demais atos perdem em importância quando comparados com a entrega do seu coração a Deus. Sabemos que ele aprendeu a ver a esfera de Deus porque ele fez afirmações tais como: “O SENHOR, tenho-O sempre à minha presença; estando Ele à minha direita, não serei abalado.” A presença de Deus influenciava a sua visão. Constantemente ele procurava reconhecer a presença de Deus. Ele via Deus diariamente, não com os olhos naturais, mas com os olhos da fé. Essa inestimável revelação foi dada a um adorador.

O privilégio da adoração é um bom começo para aqueles não acostumados a entrar em áreas tais como esta, que se acham nas Escrituras. É neste maravilhoso ministério que aprendemos a prestar atenção a este dom dado por Deus: a capacidade de ver com o coração. À medida em que aprendemos a adorar com um coração puro, nossos olhos continuamente se abrirão. E podemos saber que veremos o que Ele quer que vejamos.

VENDO O INVISÍVEL

A esfera invisível é superior à natural. Arealidade do mundo invisível domina o mundo natural em que vivemos – tanto de maneira positiva, como negativa. Devido ao fato de que o invisível é superior ao natural, a fé é ancorada no invisível.

A fé vive dentro da vontade revelada de Deus. Quando tenho conceitos errados sobre quem Ele é e sobre como Ele é, minha fé fica restringida por esses conceitos errados. Por exemplo, se acredito que Deus permite a doença com a finalidade de construir um carácter, não vou orar com confiança na maioria das vezes em que uma cura é necessária. Mas, se creio que a doença é para o corpo o que o pecado é para a alma, então enfermidade alguma vai intimidar-me. Afé tem uma liberdade muito maior para desenvolver-se quando verdadeiramente vemos que o coração de Deus é bom.

Esses conceitos errados acerca de Deus afetam também aqueles que precisam ter fé para receber um milagre em sua vida. Uma mulher que precisava de um milagre certa vez me disse que ela sentia que Deus havia permitido a sua enfermidade para um certo propósito. Eu lhe disse então que, se eu tratasse meus filhos desse modo, seria preso por abuso de crianças. Ela concordou e por fim permitiu que eu orasse por ela. Depois que a verdade entrou no coração dela, sua cura veio alguns minutos depois.

Adescrença está ancorada no que é visível ou racional, à parte de Deus. Ela honra a esfera natural como sendo superior à invisível. O apóstolo Paulo afirma que o que se pode ver é temporal, e o que não se vê é eterno. Adescrença é a fé no que é inferior.

A esfera natural é a âncora da descrença. Mas essa esfera não deve ser considerada má. Mais propriamente, aquele que é humilde de coração reconhece a mão de Deus através do que se vê. Deus criou todas as coisas para que elas O revelem – quer rios e árvores, ou anjos e O céu. A esfera natural dá testemunho da grandeza de Deus para aqueles que têm olhos para ver e ouvidos para ouvir.

REALISTA / MATERIALISTA

A grande maioria das pessoas que conheci, que são cheias de descrenças, dizem-se realistas. Esta é uma honesta avaliação, mas não é uma avaliação da qual se deva orgulhar. Os realistas desse tipo creem mais no que é visível do que no que eles não podem ver. Colocando de outro modo, eles acreditam que o mundo material reina sobre o mundo espiritual.

O materialismo, pelo que se ensina, é a acumulação de bens materiais. Embora isso esteja incluído, é muito mais do que isso. Pode-se não ter propriedade alguma, e assim mesmo ser materialista. Pode-se não desejar nada, e ao mesmo tempo ser materialista, porque o materialismo é crer que o natural é a realidade superior.

Somos uma sociedade dominada pela sensualidade, com uma cultura formada pelo que é captado pelos sentidos. Somos treinados a crer apenas no que vemos. A fé real não é viver negando a esfera natural. Se o médico lhe diz que você tem um tumor, é tolice fazer de conta que você não o tem. Isso não é fé. Entretanto, a fé fundamenta-se numa realidade que é superior à do tumor. Posso reconhecer a existência de um tumor e, ao mesmo tempo, ter fé na provisão das pisaduras de Jesus para a minha cura. Minha cura já aconteceu, espiritualmente, há cerca de 2.000 anos. Ela é um produto do reino dos céus – uma realidade superior. Não há tumores no céu, e a fé traz aquela realidade para a nossa realidade neste mundo.

Será que satanás gostaria de afligir o céu com tumores? É claro que sim. Mas lá ele não tem domínio algum. Ele domina apenas aqui, quando e onde os homens entram em acordo com ele.

VIVENDO EM CONTRADIÇÃO

Tendo medo de parecer estar vivendo em contradição é o que mantém muita gente afastada da fé. Por que para você o que os outros dizem é tão importante que você não se dispõe a arriscar tudo para crer em Deus? O medo do homem é fortemente associado com a descrença. Em contrapartida, o temor a Deus e a fé têm uma estreita relação entre si.

As pessoas de fé são também realistas. Elas apenas se fundamentam numa realidade superior.

A descrença na verdade é ter fé em algo que não Deus. Ele é zeloso em relação ao nosso coração. Quem não deposita a sua confiança em Deus em primeiro lugar entristece o Espírito Santo.

A FÉ NÃO ESTÁ NA CABEÇA

A fé nasce pelo Espírito no coração do ser humano. A fé não é algo intelectual nem anti-intelectual. Ela é superior ao intelecto. A Bíblia não diz: “o homem crê com a mente”! Mas através da fé o homem fica em condições de entrar em acordo com a mente de Deus.

Quando submetemos as coisas de Deus à mente humana, o que resulta é descrença e religião. Quando submetemos a mente humana às coisas de Deus, acabamos ficando com fé e com uma mente renovada. A mente comporta-se como um excelente servo, mas como um terrível senhor.

Muita da oposição ao avivamento provém de cristãos que são guiados pela alma. O apóstolo Paulo os chama de crentes carnais. Eles não aprenderam ainda a serem dirigidos pelo Espírito. Tudo o que não faz sentido para a sua mente racional é automaticamente admitido como estando em conflito com as Escrituras. Esse modo de pensar é aceito em toda parte pela Igreja na cultura ocidental, o que explica por que tão frequentemente o nosso Deus parece ser tal como nós somos.

A maior parte dos alvos da igreja moderna pode ser atingida sem Deus. Tudo o de que precisamos são: pessoas, dinheiro e um objetivo em comum. A determinação pode realizar grandes coisas. Mas o sucesso não é necessariamente um sinal de que o alvo era de Deus. São poucas coisas na vida da igreja que nos asseguram que estamos sendo dirigidos e revestidos de poder pelo Espírito Santo. Voltarmo-nos para o ministério de Jesus é a única forma segura de cumprirmos esse objetivo.

FÉ A PARTIR DE UM RELACIONAMENTO

O Espírito Santo vive em meu espírito. Este é o lugar de comunhão com Deus. À medida que aprendemos a receber algo de nosso espírito, aprendemos a ser dirigidos pelo Espírito.

“Pela fé, entendemos …” A fé é o fundamento para todo verdadeiro intelectualismo. Quando aprendemos a aprender desse modo, abrimo-nos completamente para crescer em verdadeira fé, porque a fé não requer compreensão para funcionar.

Estou certo de que a maioria de meus leitores já teve esta experiência – você estava lendo a Bíblia, e um determinado versículo salta a seus olhos. Há urna grande excitação em relação ao mesmo, que parece conferir-lhe muita vida e encorajamento. Contudo, inicialmente você não sabe corno ensinar ou explicar esse versículo, se a sua vida dependesse dele. O que aconteceu foi o seguinte: o seu espírito recebeu o poder que gera a vida da palavra pela ação do Espírito Santo. Quando aprendemos a receber do nosso espírito, a nossa mente fica na condição se sujeitar ao Espírito Santo. Através do processo de revelação e experiência, a nossa mente vai tendo entendimento. Isso é aprendizagem bíblica – o espírito tendo preponderância sobre a mente.

A FÉ É CERTEZA E EVIDÊNCIA

“Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem.” A fé é o espelho do coração que reflete as realidades do mundo de Deus para o nosso. É a certeza em relação à esfera invisível.

Este maravilhoso dom recebido de Deus é a manifestação terrena inicial do que existe no Reino de Deus. É um testemunho de urna esfera invisível que se chama Reino de Deus. Através da oração ficamos em condições de trazer aquela realidade para a nossa realidade – é assim que a fé funciona.

Se eu me dirigir a urna pizzaria que fornece pizzas para viagem, ao fazer o meu pedido eles me dão um recibo e urna cartela com um número. Fico então esperando a pizza, com a cartela numerada em minhas mãos. Se alguém se aproximar de mim e me disser que eles não vão me dar nenhuma pizza, eu apenas aponto para o número que tenho em mãos e lhe digo: “Quando a pizza 52 estiver pronta, ela é minha!” Esse número é a certeza da pizza, pela qual estou esperando. Se o sujeito me disser que o meu número não tem valor, então eu aponto para o meu recibo. Ele verifica o valor e o número. Quando a minha pizza estiver pronta, o rapaz da pizzaria perguntará quem é que tem o número 52. Como é que o produto do céu sabe para quem se dirigir? Ele olha para o comprovante da certeza – o número. Se houver qualquer dúvida sobre a validade do meu número, o meu recibo, que está contido na Bíblia, verifica o meu direito com respeito ao número e à pizza.

O céu não vai agir simplesmente por causa das necessidades dos homens. Não é porque Deus não se importa. Foi por causa da sua grande compaixão que Ele enviou Jesus. Quando Deus atua para atender uma necessidade humana, raramente ele soluciona o problema de um modo direto; em vez de assim proceder, Ele tem princípios do Reino que, quando aceitos, corrigem o problema.

Se Deus agisse somente em função das necessidades humanas, então certos países, como a Índia e o Haiti, tomar-se-iam os países mais ricos do mundo. Não é assim que funciona. O céu age mediante a fé. A fé é o dinheiro do céu.

UM SUMÁRIO DA FÉ

A seguir acha-se um sumário dos efeitos da fé encontrados em Hebreus 11:2-30:

Pela fé – os antigos obtiveram bom testemunho, ­ entendemos,

              – Enoque foi trasladado, tendo agradado a Deus,

              – Noé tornou-se herdeiro,

              – Abraão obedeceu, e peregrinou na terra da promessa,

               – Sara recebeu poder para ser mãe, pois teve por fiel aquele que lhe havia feito a promessa.

Pela fé – Abraão acolheu as promessas,

              – Isaque abençoou seu filho,

              – José fez uma profecia sobre o que aconteceria após a sua morte.

Pela fé – Os pais de Moisés o preservaram, vendo que a criança era formosa,

              – Moisés recusou-se alinhar-se com todo o sistema egípcio e preferiu ser maltratado junto com o povo de Deus.

Pela fé – Ruíram as muralhas de Jericó,

              – Raabe não pereceu.

Pela fé – Subjugaram reinos,

               Praticaram a justiça,

                Obtiveram promessas,

                Fecharam a boca de leões,

                Extinguiram a violência do fogo,

                Escaparam ao fio da espada,

                Da fraqueza tiraram força,

                Fizeram-se poderosos em guerra,

                Puseram em fuga exércitos.