A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

TÃO ÓBVIO QUE NINGUÉM ENXERGA

Você seria capaz de simplesmente não perceber um enorme gorila passando repetidamente diante de seus olhos? Cientistas garantem que sim, se sua atenção estiver voltada para outra coisa

Imagine que você faz parte de uma plateia que assiste a pessoas driblando e passando entre si uma bola de basquete. Sua tarefa é contar durante 60 segundos o número de vezes que cada jogador faz um passe. Você descobre que precisa se concentrar, porque a bola se movimenta muito rapidamente. Então, alguém com fantasia de gorila atravessa o lugar, caminha entre os jogadores, vira o rosto para os espectadores, bate no peito e vai embora. Surpreendentemente, de acordo com um estudo realizado pelos pesquisadores Daniel J. Simons, da Universidade de Illinois, e Christopher F. Chabris, da Universidade Harvard, 50% dos voluntários que participaram desse estudo não notaram o gorila. Muitos acreditam que nossos olhos funcionam como câmeras que produzem um registro impecável do mundo ao redor, mas essa pesquisa demonstra que são poucas as informações que realmente apreendemos em um relance.

O resultado desse experimento é o ponto culminante de uma série de estudos sobre atenção e visão iniciados há mais de três décadas por alguns pesquisadores como Ulric Neisser, da Universidade Cornell, Ronald A. Rensink, da Universidade da Colúmbia Britânica, Anne Treisman, da Universidade de Princeton, Harold Pashler, da Universidade da Califórnia, e Donald M. MacKay, da Universidade de Keele, na Inglaterra.

Os estudiosos se referem ao “efeito gorila” como uma “cegueira por desatenção” ou “cegueira para mudanças”. Nosso cérebro tenta, constantemente, construir narrativas significativas daquilo que vemos. As coisas que não se encaixam muito bem no roteiro ou têm pouca relevância são eliminadas da consciência.

OUTROS OLHARES

O APOCALIPSE DAS ABELHAS

A perda de colmeias, afetadas por pesticidas, põe em risco não só a apicultura como também a produção agrícola – o que pode significar a falta de alimentos

“Havia uma estranha quietude. Os pássaros – para onde tinham ido? (…) As macieiras estavam florescendo, mas não havia abelhas zumbindo ao redor das flores, portanto não havia polinização, e não haveria frutos”. A descrição é da bióloga americana Rachel Carson (1907-1964), em um trecho de Primavera Silenciosa, livro no qual ela descreveu os efeitos do uso descontrolado de pesticidas em lavouras. A obra, considerada uma espécie de certidão de nascimento do movimento ambientalista, foi publicada em 1962 – mas é de uma incômoda atualidade, em especial no que se refere aos insetos lá mencionados. O Brasil, infelizmente, contribui de modo alarmante para o agravamento do problema. Na segunda quinzena de setembro, um relatório do Ministério Público de Santa Catarina revelou, por análises laboratoriais, que a morte de 50 milhões de abelhas, em janeiro passado, foi causada pelo uso de agrotóxicos nas áreas próximas às apiculturas atingidas. Entre o Natal de 2018 e o início de fevereiro deste ano, ao menos 500 milhões daqueles insetos foram também envenenados da mesma maneira em três estados brasileiros: Rio Grande do Sul (o maior produtor de mel do país), Mato Grosso do Sul e São Paulo.

O problema é global. Nos Estados Unidos, apicultores costumam perder parte de suas colmeias no inverno, em consequência da queda nas temperaturas. Contudo, em anos recentes, os prejuízos têm sido cada vez maiores. Entre 2018 e 2019, a quantidade de abelhas produtoras de mel foi reduzida em 37% após a temporada de frio. Naquele país, o zunido de preocupação começou em 2006, com o fenômeno batizado de “distúrbio de colapso de colônias”. Subitamente, os insetos em questão começaram a sumir. Até hoje não foi possível cravar um motivo, porém especula-se que as causas estejam relacionadas às mudanças climáticas, à perda de hábitat (em decorrência de devastação ambiental) e, claro, ao uso abusivo de agrotóxicos.

Em todo o planeta existem 20.000 espécies de abelha (no Brasil, 3.000). Ao longo da última década, os Estados Unidos, assim como nações europeias, registraram perdas de 30% de suas colmeias, ano após ano. Para a humanidade, a principal – e essencial – função das abelhas é a polinização. Cerca de 90% das plantas com flores dependem dessa ação. As lavouras polinizadas por abelhas representam 35% da produção mundial de alimentos.

Quando um agricultor se vale de defensivos agrícolas, tais produtos afetam os insetos. Às vezes, a disseminação do pesticida é feita no período de floração, o que é proibido, pois nessa fase as abelhas agem sobre as flores. Há casos em que os fazendeiros pulverizam o veneno à beira da mata – algo também não permitido -, porque acreditam que as pragas vêm da floresta.

No Brasil, as primeiras mortes em massa de abelhas foram registradas ao mesmo período em que os Estados Unidos começaram a detectar o problema, entre 2005 e 2008. Por aqui a mortandade veio à tona junto com práticas até então inéditas adotadas por produtores de cana e da cultura de citros em São Paulo. “Quando a queimada foi proibida na produção de cana, os agricultores recorreram a pesticidas. No caso dos citros, uma nova doença fez com que se buscassem fortes venenos”, explica o biólogo Osmar Malaspina, pesquisador da Unesp e especialista em abelhas. “As espécies brasileiras são resistentes. Não temos mortes causadas pelo inverno ou por doenças. As abelhas daqui são vítimas de agrotóxicos”, garante ele. De acordo com o Greenpeace, desde o início deste ano o governo liberou o uso de 353 novos venenos. “A velocidade com que se está aprovando isso mostra que se trata de uma escolha política”, diz Marina Lacôrte, especialista em agricultura do Greenpeace.

Esse modelo de agricultura foi desenvolvido durante a Revolução Verde, a partir da década de 40. Em 1944, o agrônomo americano Norman Borlaug foi para o México com a missão de melhorar a produtividade agrícola. Ele criou outras espécies de trigo, em trabalho precursor de edição genética, que culminaria com o Nobel da Paz. No entanto, seu método logo adotaria os pesticidas. A iniciativa trouxe benefícios inegáveis: entre 1960 e 1990, houve um aumento de 13% na produtividade agrícola em países em desenvolvimento; e, sem a Revolução Verde, os alimentos seriam hoje, no mínimo, 35% mais caros. Todavia, deu-se um reverso recente. Entre 2016 e 2018, a fome no mundo aumentou 6,3% e, hoje, atinge 821 milhões de pessoas – em parte, por efeito da destruição do meio ambiente. Se o excesso no uso de agrotóxicos continuar, a consequência pode ser trágica: sem a polinização das abelhas, poderá faltar comida para um número ainda maior de pessoas.

GESTÃO E CARREIRA

DISPUTA AQUECIDA NAS SALAS DE AULA

Compra da Adtalem, dona da Ibmec, pela Yduqs, por R$ 1,9 bilhão, reforça o imenso potencial de negócios no mercado de ensino no Brasil

O processo de consolidação do mercado de ensino no Brasil está aquecido. Na segunda-feira 21, a mais recente demonstração dessa temperatura foi a compra das operações no País do grupo educacional americano Adtalem (dono do Ibmec) pela Yduqs (que controla a Estácio). O valor do negócio alcançou R$ 1,9 bilhão. Com a aquisição, a Yduqs recupera a segunda colocação no ranking de maiores instituições privadas no segmento de graduação do País — com 678 mil alunos e faturamento de R$ 4,5 bilhões —, à frente da Universidade Paulista (Unip). Fica atrás somente da Cogna (ex-Kroton), que segue na liderança, de acordo com dados da consultoria Hoper Educação.

A operação não precisará passar por assembleia de acionistas, mas ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo da Defesa da Concorrência (Cade), segundo a Yduqs. O pagamento será feito à vista na data de fechamento da transação, com recursos próprios e financiamento. Embora esse tenha sido a maior transação da história da Yduqs no mercado, a empresa vem tendo crescimento considerável nos últimos anos. Como era de se esperar as ações da empresa subiram com o anúncio dessa operação. O objetivo da Yduqs é fortalecer sua presença no Norte e Nordeste do País. Ao mesmo tempo, quer crescer também no interior de São Paulo. Isso fica claro com a compra no mês passado da UniToledo, de Araçatuba, pelo valor de R$ 102,5 milhões. “Em meados do ano, entendemos que, para crescer, precisamos trazer gente com experiência de qualidade no setor, de referência. Não há outra marca tão conceituada em administração quanto o Ibmec (Adtalem) ”, disse o presidente da companhia, Eduardo Parente, em entrevista ao jornal O Globo. “A negociação vai originar uma unidade de negócios premium sob o chapéu da Yduqs.”

Com metas ousadas, a empresa quer avançar na oferta de ensino a distância e também ampliar os cursos de medicina, que tem maior tíquete médio. Para Paulo Presse, especialista da Hoper, a operação vai além do crescimento em alunos, segmentos e regiões do País. “Ao adquirir marcas de referência, a Yduqs atua na manutenção de sua própria marca, ganhando atrativos para o negócio como um todo”, diz. “Está comprando duas grandes pontas de crescimento: no ensino a distância, que é o segmento de maior crescimento em matrículas, e no premium, o de maior tíquete médio.”

O primeiro lugar no disputado mercado nacional é ocupado pela Kroton que, no início de outubro, se tornou uma holding chamada Cogna Educação. O valor da empresa gira em torno de R$ 18,2 bilhões. O modelo de crescimento adotado nos últimos anos foi o de compra de mercado – a tônica no setor não está lastreada em crescimento orgânico. Porém, ao tentar adquirir a Estácio, em 2017, esbarrou no veto do Cade.

A mudança para Cogna embute nova estratégia do grupo, que passa a operar com quatro empresas distintas. A Kroton, que tem como principal mercado as faculdades – caso da Anhanguera. A Saber, que entrou para disputar licitações no Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), do Ministério da Educação, e atuar nos serviços de educação para o ensino básico. A futura Vasta, que focará a prestação de serviços de gestão para escolas e produção de material didático para alunos. E finalmente a Platos, para a prestação de serviços de gestão para o ensino superior.

PLANO POSITIVO

Nesse ambiente de fusões e aquisições aceleradas no setor de ensino, o grupo paranaense Positivo, com sede em Curitiba, incorporou seis novas aquisições em uma semana. Duas unidades educacionais do Grupo Expoente, com 1,6 mil alunos matriculados, foram arrematadas em um leilão por R$ 58,3 milhões. Uma escola no bairro Água Verde e outra no Boa Vista, na capital paranaense. O valor mínimo que estava sendo considerado era de R$ 35 milhões. Além das unidades do Expoente, o Grupo adquiriu duas escolas em Foz do Iguaçu (Colégio Semeador) e duas em Cascavel (escola bilíngue Passo Certo).

Segundo o presidente da Positivo Educacional, Lucas Guimarães, o foco das aquisições é regional, porém, a estratégia engloba diferentes regiões do país. “Neste momento, priorizamos escolas de alto padrão no Paraná. No entanto, olhamos ativamente para escolas em outras regiões e devemos fazer novas aquisições nos próximos 12 meses. Para isso, planejamos investir R$ 200 milhões”.

O fato é que esse mercado de ensino tem apresentado um horizonte promissor. Como especialistas acreditam que o pior momento da economia já passou, os negócios tendem a voltar neste ano e em 2020. Novas formas de financiamento estão surgindo e facilitando a permanência do aluno na escola. A oscilação parece não assustar os gigantes do setor que têm planos ousados de crescimento. Ao que tudo indica, a guerra pelas salas de aula vai continuar.

ALIMENTO DIÁRIO

QUANDO O CÉU INVADE A TERRA

CAPÍTULO 3 – ARREPENDA-SE E VEJA

Muitos cristãos arrependem-se o suficiente para serem perdoados, mas não o suficiente para verem o Reino.

Israel esperava que o seu Messias viesse como um Rei que governasse sobre todos os outros reis, o que Ele fez. Mas por não entenderem a grandeza do Seu Reino, isso dificultou-lhes aceitar a ideia de que Ele nasceria num a condição sem ostentação, sem toque de trombetas neste mundo, e que se tornaria Servo de todos.

Esperavam que Ele viesse para reinar com um cetro de ferro. Desse modo eles finalmente se vingariam de todos os que os tinham oprimido, em todas as eras. Também não tinham entendimento quase nenhum quanto ao fato de que a vingança Dele não seria dirigida tanto aos inimigos de Israel, mas que se voltava contra os inimigos do homem: contra o pecado, contra o diabo e suas obras, e contra as atitudes de justiça própria fomentadas pela religião.

Jesus, o Messias, veio cheio de surpresas. Somente os contritos de coração puderam suportar Suas constantes ações fora dos padrões normais, sem se ofenderem. Seu propósito foi revelado em sua principal mensagem: “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.” Bem, há uma coisa que os pegou totalmente de surpresa: Ele trouxe Consigo o Seu Mundo!

MAIS DO QUE LÁGRIMAS

Arrependimento significa muito mais do que chorar por causa do pecado, e até mesmo deixar de praticar esses pecados para seguir a Deus. Com efeito, deixar o pecado e voltar-se para Deus é mais o que resulta do arrependimento do que o próprio arrependimento em si. Arrependimento significa uma mudança no modo de pensar. E é somente pela mudança do nosso modo de pensar que poderemos descobrir o ponto principal do ministério de Jesus: o Reino.

Não se trata de uma ordem celestial para nós, para que tenhamos pensamentos positivos. Obedecer esse mandamento é possível apenas para aqueles que se rendem à graça de Deus. A mente renovada é o resultado de um coração rendido.

UMA MEIA-VOLTA

O arrependimento é muitas vezes definido como dar uma meia-volta. Implica em que eu estava indo numa direção na vida e que mudei para uma outra direção. As Escrituras ilustram isso da seguinte forma: “Arrependimento de obras mortas fé em Deus.” A fé é, então, tanto a recompensa como aquilo que possibilita o arrependimento.

Este mandamento tem sido pregado com muita ênfase nos últimos anos. A mensagem é extremamente necessária. O pecado oculto é o calcanhar de Aquiles da Igreja nesta hora. Isso nos tem afastado da pureza que produz ousadia e uma grande fé. Mas, por mais nobre que seja esse objetivo, a mensagem não tem produzido efeito. Deus quer fazer mais do que apenas tirar-nos do vermelho. Ele quer colocar-nos no preto! O arrependimento não estará completo se não tiver a visão do Reino de Deus.

COLABORADORES COM CRISTO

O ponto central do arrependimento é mudar o nosso modo de pensar, até que a presença do Reino de Deus preencha a nossa consciência. A tentativa do inimigo de fazer ancorar as nossas afeições nas coisas que são visíveis é facilmente resistida quando o nosso coração está consciente da presença do Mundo do Senhor. Tal percepção nos ajuda na tarefa de sermos colaboradores com Ele, destruindo as obras do diabo.

Se o Reino está aqui e agora, então temos que reconhecer que ele está na esfera invisível. Mas, pelo fato de estar próximo,26 isso nos mostra que ele está ao nosso alcance. Paulo disse que a esfera invisível é eterna, ao passo que a visível é apenas temporal.27 Jesus disse a Nicodemos que ele teria que nascer de novo para ver o Reino. 28 O que é invisível somente pode ser percebido através do arrependimento. É como se Ele dissesse: “Se você não mudar o modo como vê as coisas, você viverá toda a sua vida pensando que o que você vê na esfera natural é a realidade mais

importante. Sem mudar o seu modo de pensar, você nunca verá O mundo que está bem à sua frente. É o Meu Mundo – diz o Senhor – e ele satisfará todos os seus sonhos. E Eu o trouxe Comigo.” Tudo o que Ele fez em vida e em Seu ministério, Ele o fez tirando da realidade superior.

VIVENDO PELO QUE NÃO SE VÊ

“A glória de Deus é ocultar certas coisas; tentar descobri-las é a glória dos reis.” Algumas coisas somente são descobertas pelo desesperado. Essa atitude do Reino de tão grande valor  é o que marca o coração da verdadeira grandiosidade do Reino. O Deus que pôs ouro nas rochas trouxe o Seu Reino Consigo, mas o deixou invisível.

Paulo trata deste assunto em sua carta aos Colossenses. Nela ele nos informa que Deus escondeu a nossa vida abundante em Cristo. Onde está Ele? Ele está sentado à direita de Deus Pai, nos lugares celestiais. A nossa vida abundante está escondida na esfera do Reino. E somente a fé é que pode apropriar-se do que está escondido.

O DOMÍNIO DO REI

A palavra reino significa “o domínio de um rei”, e nela está embutida a ideia de autoridade e liderança. Jesus veio para oferecer os benefícios do Seu mundo a todos que se submeterem ao seu reinado.

A esfera do domínio de Deus, essa esfera de plena suficiência, é a esfera chamada Reino. Os benefícios do Seu reinado foram ilustrados por meio de Seus atos de perdão, libertação e cura.

A vida cristã está atrelada a esse objetivo, verbalizado na oração­ modelo de Jesus: “Venha o Teu reino; faça-se a Tua vontade, assim na terra como no céu.” O Seu domínio realiza-se quando o que acontece aqui é tal como no céu. (Este ponto vai ser tratado em maior profundidade no Capítulo 4.)

O MAIOR DE TODOS OS SERMÕES

Em Mateus, capítulo 4, primeiramente Jesus proclamou a mensagem do arrependimento. As pessoas vieram de toda parte, trazendo os enfermos, os atormentados e os deficientes físicos. Jesus curou a todos eles. Depois dos milagres ele proferiu o sermão mais famoso de todos os tempos: o Sermão do Monte. É importante lembrar que as pessoas que lá

estavam tinham visto apenas Jesus curar todo tipo de enfermidade e realizar poderosas libertações. Será que, em vez de estar dando ordens sobre o novo modo de pensar, Jesus estava realmente lhes esclarecendo como o coração deles tinha se transformado, momentos atrás?

“Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.” Como você descreveria um grupo de pessoas que num dia saíram da sua cidade, viajaram por grandes distâncias, deixando de lado todos os envolvimentos da vida, apenas para seguir Jesus até um lugar deserto? E ali Ele fez o que eles achavam que seria impossível. A fome do coração deles trouxe-lhes uma realidade que veio do coração de Deus que eles nem imaginavam que existisse. Será que a atitude deles pode ser encontrada nas bem-aventuranças? Creio que sim. Eu os chamo de “humildes de espírito”. E Jesus lhes deu a prometida manifestação do Reino, fazendo curas e libertações. Então, depois dos milagres, Ele prosseguiu com o sermão, pois era comum Jesus ensinar, e assim podia explicar o que acabara de fazer.

Naquela ocasião, a real presença do Espírito de Deus que estava em Jesus despertou uma fome por Deus nas pessoas. Essa fome causou uma mudança em suas atitudes, sem que lhes fosse pedido para que mudassem. Sua fome por Deus, mesmo antes que eles a pudessem reconhecer, havia criado neles uma nova perspectiva com a qual eles mesmos não estavam acostumados. Sem esforço algum para mudarem, mesmo assim eles mudaram. Como? É que o Reino vem quando o Espírito de Deus está presente. Foi a presença Dele que eles sentiram, e foi a presença Dele que eles ansiavam. Para eles não importava se Jesus estava fazendo milagres ou apenas um outro sermão; eles tão somente tinham que estar onde Ele estava. A fome traz a humildade. A fome por Deus produz a suprema humildade. E Jesus os exaltou em tempo oportuno com uma amostra do Seu domínio. O Sermão do Monte é um tratado do Reino. Nele Jesus revela as atitudes que contribuem para que os seus seguidores acessem o Seu mundo invisível. Como cidadãos do céu, essas atitudes são formadas em nós para que compreendamos tudo o que está disponível no Seu Reino. As bem­ aventuranças são na verdade as “lentes” com as quais o Reino pode ser visto. O arrependimento envolve apropriar-se da mente de Cristo revelada nesses versículos. Jesus poderia ter dito da seguinte forma: “É assim que se vê uma mente arrependida”.

Queira observar como são alegres os cidadãos do Mundo de Cristo, que ainda não estão no céu! Pois bem-aventurado significa feliz! A seguir acha-se uma paráfrase de Mateus 5:3-12:

3. Vocês são felizes sendo pobres em espírito, pois o reino’ dos céus é de vocês;

4. Vocês são felizes chorando, porque vocês serão consolados.

5. Vocês são felizes sendo mansos, pois vocês herdarão a terra;

6. Vocês são felizes se têm fome e sede de justiça, pois vocês terão fartura;

7. Vocês são felizes sendo misericordiosos, pois vocês obterão misericórdia;

8. Vocês são felizes sendo puros de coração, pois vocês verão a Deus;

9. Vocês são felizes sendo pacificadores, pois vocês serão chamados filhos de Deus;

10. Vocês são felizes sendo perseguidos por causa da justiça, pois o reino dos céus é de vocês;

11. Vocês são felizes sendo injuriados e perseguidos, sendo alvo de toda espécie de palavra maligna, falsa, contra vocês;

12. Alegrem-se e regozijem-se muito, pois grande é o galardão de vocês no céu, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vocês.

Examine o resultado que é prometido em cada nova atitude: receber o Reino, ser consolado, obter misericórdia, ver a Deus, etc, Por que é importante reconhecer isso? Porque muitos tomam os ensinos de Jesus como se fossem apenas uma outra forma de expressar a Lei, Para a maioria das pessoas, Ele apenas trouxe uma nova lista de regras, Mas a graça é diferente da Lei porque o favor concedido vem antes da obediência, Na graça, junto com os mandamentos do Senhor, vêm também a capacidade para cumpri-los – para todos os que ouvem as palavras do coração. A graça capacita o que ela manda fazer,

O DOMÍNIO REALIZADO

O mundo invisível influi no mundo visível, Se o povo de Deus não alcançar o Reino que está a seu alcance, a esfera das trevas está pronta para mostrar a sua habilidade para exercer a sua influência, A boa notícia é que “O Seu Reino (do SENHOR) domina sobre tudo,

Jesus ilustrou esta realidade em Mateus 12:28, dizendo: “Se, porém, eu expulso demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós.” Há duas coisas para serem observadas, que serão abordadas mais extensivamente em outra parte deste livro. A primeira é que Jesus operava apenas através do Espírito de Deus; e a segunda é que o reino de Deus vinha sobre a pessoa que era libertada. Jesus fez um choque entre os dois mundos: o mundo das trevas e o mundo da luz. As trevas nunca prevalecem sobre a luz! E, do mesmo modo, quando o domínio de Deus era liberado através de Jesus para alguém, este era liberto.

AGINDO COM BASE NA CONVICÇÃO

Este mesmo choque que há entre a luz e as trevas acontece quando o enfermo é curado. Walter tinha sofrido dois derrames no ano anterior, o que lhe fez perder a sensibilidade em toda a parte direita do seu corpo. Ele me mostrou uma enorme queimadura no braço, que aconteceu sem que ele soubesse que estava sendo queimado. Uma certeza (esta é uma das palavras usadas para revelar a fé) começou a arder em meu coração. Enquanto ele ainda falava, comecei a orar por ele com a minha mão sobre o seu ombro. Eu tinha que agir depressa. Eu tinha me tornado ciente de como o Reino é, e nele não há espaço para a insensibilidade. Eu não queria ter mais informações sobre quão grave era o problema dele. Minha oração foi mais ou menos assim:

“Pai, foi ideia Tua: o Senhor ordenou que orássemos para que as coisas se façam aqui tal como elas são no céu, e sei que no céu não há insensibilidade nenhuma; portanto, não deve haver aqui também. Assim eu comando, em nome de Jesus, que os terminais nervosos voltem a viver. Ordeno ainda a completa restauração da sensibilidade neste corpo.”

Assim que comecei a orar, ele me disse que sentiu a minha mão no seu ombro e que pôde até mesmo sentir o toque do tecido da minha camisa no seu braço direito. O mundo sobrenatural começou a entrar em choque com o mundo da insensibilidade. A insensibilidade perdeu a parada.

A fé é a chave para se descobrir a natureza superior da esfera invisível. Ela é o “dom de Deus” que permite essa descoberta.

No próximo capítulo vamos ver como a fé opera com o invisível e dá lugar para que o céu venha invadir a terra.