A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ESTRELAS NO CÉREBRO PARA DIMINUIR O ESTRESSE

Células neurais denominadas astrócitos participam do processo metabólico de controle químico-sensorial envolvido na inspiração e expiração; essas estruturas detectam alterações nos níveis de dióxido de carbono e de acidez no sangue e no cérebro

Técnicas como ioga, que ajudam a observar a própria respiração, são cada vez mais consideradas um caminho eficaz para relaxar e diminuir o estresse. Mas, para que esse processo funcione, é preciso que haja consciência do processo de inspiração e expiração. Segundo artigo publicado na Science, por um grupo de cientistas do Reino Unido e dos Estados Unidos, as células conhecidas como astrócitos têm um papel central na regulação da respiração.

Descritas há mais de 150 anos, as células gliais (ou da glia), constituintes do tecido nervoso juntamente com os neurônios, foram consideradas até há pouco tempo células de suporte do cérebro, passivas e à margem do seu funcionamento. Os astrócitos, o mais abundante tipo glial, têm contribuído para o entendimento do funcionamento cerebral. Encontradas no cérebro e na medula espinhal, essas estruturas celulares recebem esse nome por terem formato de “astros celestes”, como estrelas. Recentemente, os neurocientistas supunham que essas células neurais fossem “passivas” e tivessem papel secundário na fisiologia cerebral, mas Alexander Gourine, da University College London, e colegas encontraram evidências de que têm, na verdade, uma ação multitarefa. Ou seja, são protagonistas no controle químico-sensorial envolvido na respiração.

Os autores do estudo descobriram que os astrócitos são capazes de detectar alterações nos níveis de dióxido de carbono e de acidez no sangue e no cérebro. É justamente essa capacidade que permite que as células possam ativar redes neuronais envolvidas na respiração localizada, regulando a entrada e a saída do ar, de acordo com a atividade orgânica e o metabolismo. Os astrócitos liberam trifosfato de adenosina (ATP), nucleotídeo responsável pelo armazenamento de energia em suas ligações químicas. O ATP assume a função de mensageiro químico e estimula centros respiratórios para que uma quantidade a mais de dióxido de carbono seja removida do sangue e eliminada pela expiração.

Pesquisadores acreditam que os resultados do estudo podem ajudar a entender melhor os mecanismos responsáveis por problemas respiratórios como asma, enfisema e até a sensação de fôlego curto causada pelo estresse ou por doenças cardiovasculares. “O estudo indica que os astrócitos controlam funções vitais e podem realmente ser considerados estrelas do cérebro”, disse Gourine. Na prática, a ciência comprova, mais uma vez, que o simples gesto de prestar atenção à própria respiração pode ser uma forma bastante eficaz de lidar com o estresse.

IOGA COMBATE A DEPRESSÃO

Todo praticante de ioga costuma ser capaz de reconhecer os efeitos da prática. Nos últimos anos tem sido a vez da ciência de comprovar que, de fato, o conjunto de técnicas milenares surgidas na Índia há mais de 3 mil anos, promove os mesmos efeitos que as drogas usadas no tratamento de grande parte dos distúrbios de ansiedade. Vários trabalhos têm mostrado resultados bastante interessantes. Pesquisadores da faculdade de medicina da Universidade de Boston e do Hospital McLean, por exemplo, descobriram recentemente que a ioga é capaz de aumentar os níveis do ácido gama- aminobutírico, mais conhecido como GABA (do inglês Gamma-AminoButyric Acid), um neurotransmissor inibitório, fundamental para a regulação da atividade cerebral. Publicados no Journal of Alternative Complementary Medicine, os resultados do estudo sugerem que a prática regular de ioga pode ser considerada um tratamento eficiente para distúrbios da ansiedade e condições associadas a baixos níveis de GABA, como a depressão

OUTROS OLHARES

A AMEAÇA DAS ÁGUAS

Estudo aponta que em 80 anos o mar subirá em nível alarmante e regiões costeiras ficarão submersas caso as emissões de gases de efeito estufa não sejam contidas

Pela primeira vez em sua história, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU) elaborou um relatório que analisou, separadamente, a situação dos oceanos no cenário de mudanças climáticas. O resultado do trabalho que durou aproximadamente três anos e contou com mais de 100 especialistas de 30 países é alarmante: na última década o nível do mar cresceu três vezes mais rápido que o esperado e, caso nada mude em relação à quantidade de gases de efeito estufa emitidos na atmosfera, até 2.100 o nível do oceano aumentará um metro. Isso significa que cidades costeiras desapareceriam completamente e milhões de pessoas teriam de ser removidas dessas regiões. O estudo foi encomendado por países com extensas áreas litorâneas que vão ser mais diretamente impactados pelas mudanças climáticas. “O Brasil é muito vunerável porque possui grandes áreas de costa. Os prejuízos socioeconômicos podem ser enormes por causa dos efeitos do clima na economia pesqueira e em infraestruturas próximas ao mar”, diz Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e membro do IPCC. “Precisamos urgentemente de planos de longo prazo, com ações coordenadas entre governos e ministérios”, diz ele.

DERRETIMENTO

O relatório compilou dados de pesquisas científicas recentes que analisaram o impacto do aquecimento global no nível e na temperatura dos oceanos, no derretimento de calotas polares e de áreas de gelo sobre montanhas. O permafrost, por exemplo, solo permanentemente congelado feito de terra, gelo e rocha, está se dissolvendo mais aceleradamente e, nesse ritmo, vai liberar na atmosfera mais de 1,5 mil gigatoneladas de gases de efeito estufa, o que corresponde praticamente ao dobro do carbono já existente. Outro dado constatado pelo relatório é o aumento da temperatura dos oceanos, o que causa uma forte redução no nível do oxigênio nas águas. O aquecimento médio está na ordem de 1° C, mas em algumas regiões, como no oceano Atlântico tropical, chega a 1,2° C. “Pode acontecer uma extinção em massa da vida nos oceanos. Além disso, esse fenômeno intensifica a frequência e a intensidade de furacões, que se alimentam do calor do oceano”, diz Paulo Artaxo.

Em algumas regiões, o degelo está levando as autoridades a acenderem o sinal amarelo e adotarem medidas para se prevenirem de catástrofes humanitárias. É o caso da geleira Planpincieux, localizada no lado italiano da montanha Mont Blanc, a mais alta da Europa. Na terça-feira 24, o prefeito da cidade vizinha de Courmayeur, Stefano Miserocchi, alertou em um comunicado que um trecho com quase 250 mil m3 de gelo está em risco de desabamento. Por isso, estradas foram fechadas e moradores foram retirados de suas aldeias. No domingo 22, foi a Suíça que realizou um ato simbólico para chamar a atenção sobre os efeitos do aquecimento global: uma cerimônia lamentando a morte da geleira Pizol, uma das mais pesquisadas no mundo. A 2.700 metros de altitude, cerca de 250 manifestantes se reuniram para se despedirem. Enfim o mundo começa a entender a gravidade do aquecimento global. Já que evitá-lo não é mais possível, que não seja tarde demais para ao menos amenizar os seus efeitos.

GESTÃO E CARREIRA

BONITO É NÃO JOGAR FORA

Como o comportamento de consumo dos jovens está mudando o negócio das redes de fast-fashion

Em 24 abril de 2013, um prédio de oito andares desabou em Dança – capital de Bangladesh. A tragédia deixou mais de 1.000 mortos e 2.500 feridos – e provocou o maior terremoto na indústria da moda na última década. No edifício, havia fábricas que produziam para algumas das maiores marcas e lojas do mundo, da Gucci à Prada, da Bennetton à Primark. O acidente chamou a atenção para as condições precárias em que eram confeccionadas muitas das roupas vendidas nas ruas e nos shoppings das capitais globais a milhares de quilômetros dali e deu início a uma mudança no modo de consumir que reverbera até hoje.

Nenhum segmento foi tão afetado quanto o fast-fashion – a fórmula mágica de “produz-consome-descarta-repete -, abastecido por roupas descartáveis produzidas por mão de obra barata e vendidas a preços baixos. No final do mês passado, o pedido de recuperação judicial da Forever 21, uma das gigantes desse mercado, mostrou o tamanho do desafio. A marca buscou a proteção da justiça para renegociar dívidas com credores que podem chegar a US$ 10 bilhões e deverá fechar ao menos 350 de suas lojas pelo mundo.

A derrocada da empresa não se resume às dificuldades do fast-fashion. Para especialistas, a situação da Forever 21 é resultado de uma sucessão de erros. A companhia demorou a entrar no varejo on-line, que avançou fortemente desde 2010. Os jovens, seu público-alvo, compram cada vez mais pela internet, o que gerou uma queda no movimento das lojas físicas e em shoppings e uma feroz concorrência com marcas digitais, segundo um relatório da consultoria internacional Euromonitor.

Por trás do colapso, porém, há o desafio que ameaça toda a indústria da moda: a mudança de comportamento do consumidor. Cada vez mais conectado e informado, ele está ávido por experiência personalizada e defende a sustentabilidade – ambiental, social e econômica.

“As gerações millennium e Z têm outra narrativa, são muito engajadas, atentas a isso. Deixam de comprar de marcas das quais discordam da conduta. O mercado está no corpo social. Não dá para separar. A empresa percebe a agenda social e faz ajustes de conduta para criar engajamento”, explicou Lilyan Berlim, pesquisadora do reLAB – Laboratório de Pesquisa em Práticas Sustentáveis da ESPM. Ela relembrou que o fast – fashion se fortaleceu nos anos 1980 e 1990, quando a produção se deslocou para países pobres, onde não havia monitoramento das condições de trabalho nas fábricas, e avaliou que a tragédia de Bangladesh foi um divisor de águas.

De lá para cá, gigantes da moda mergulharam numa análise criteriosa de sua cadeia de fornecedores, com o intuito de coibir práticas como o uso de mão de obra infantil ou análoga à escravidão em suas produções. Foi na esteira do acidente que nasceu o Fashion Revolution, iniciativa global disposta a transformar a forma como se produz e se consome moda em práticas mais sustentáveis e éticas e que tem um braço no Brasil. O movimento publica anualmente o Índice de transparência na moda. O ranking de 2019 lista 200 companhias, trazendo três grandes no topo: Adidas, Reebok e Patagonia, todas de artigos esportivos. Bateram 64% dos 250 pontos totais. Ou seja, mesmo quem está na ponta ainda tem muito a ajustar.

Exceto no caso de aparelhos celulares, considerados “vitais”, os mais jovens já não veem tanto sentido no verbo “possuir”. Preferem alugar, dividir, trocar – daí a exigência por itens de maior qualidade e durabilidade. Entendem que serviços baseados em compartilhamento oferecem melhor preço, acesso mais conveniente e diversas novas escolhas, aponta uma pesquisa da consultoria PwC.

Na moda, a onda que arrebanha pequenos negócios já começa a arrastar o grande varejo. Redes multinacionais trabalham para fisgar esse consumidor mais leal a propósitos que a marcas. De metas de redução de emissão de carbono, passando pelo desenvolvimento de insumos que causem menor impacto ao meio ambiente, a serviços de assinatura mensal para alugar roupas de grife, o vestuário costura sua transformação para manter o negócio girando. “O consumidor está mudando. É cada vez mais exigente em sua decisão de compra. Quer produtos sustentáveis, mas também que a indústria trabalhe para gerar menos impacto. Quer transparência sobre práticas e ética. As empresas que estão nascendo agora já vêm com a obrigação de ser verdes ou não se mantém, E, para ficar, quem já está no jogo tem de se transformar”, explicou Margareth Utimura, da consultoria Nielsen Brasil.

Dados de mercado indicam que o grupo identificado pela Nielsen como o do consumidor que pensa verde já é relevante no Brasil. São pessoas que mudam hábitos por causa do meio ambiente e que afirmam não comprar produtos de empresas que fazem testes em animais ou associadas a trabalho escravo. Isso pesa na decisão de compra. “Elas já representam 7,7 milhões de lares no Brasil e 18,2% do faturamento do segmento de higiene e beleza. Ainda haverá muito crescimento”, aposta Utimura.

No fim de 2013, a ONG Repórter Brasil, especializada em conteúdo sobre questões trabalhistas, lançou o aplicativo Moda Livre. A ferramenta, que monitora as ações das principais empresas para combater o trabalho escravo, já supera os 100 mil downloads. Traz uma lista com mais de 120 marcas, com um perfil de cada uma e as ações adotadas, além do histórico de denúncias. Nesse último ponto, a direção da ONG apontou que haverá mudanças. “Vamos mexer no histórico de denúncias, queixa antiga do setor, que argumentava que seu perfil era eternamente penalizado por algo que aconteceu lá atrás, mesmo depois de adotar processos corretivos”, explicou Carlos Juliano Barros, um dos coordenadores do Moda Livre.

A Renner, por exemplo, gigante varejista gaúcha que já atua no Uruguai e está chegando à Argentina, tem classificação amarela no Moda Brasil – entre verde, amarela e vermelha. Pesa uma denúncia de 2014 contra a companhia, que terminou adotando rígidos processos de auditoria da cadeia de fornecedores, todos certificados e auditados regularmente, e avança com compromissos sustentáveis. “Anunciamos uma série de metas a cumprir até 2021. Uma é ter os fornecedores com certificação socioambiental. Outra é ter 80% de produtos de menor impacto ambiental. No passado, chegamos perto de 20%, disse Eduardo Ferlauto, gerente de Sustentabilidade da companhia.

Cresce também a chamada logística reversa, para recolher tanto roupas usadas quanto embalagens de frascos e perfumes nas lojas Renner. É uma trilha percorrida também pela C&A, que se prepara para abrir capital em bolsa no Brasil. O programa de recolhimento de roupas da C&A, chamado de Re-Ciclo, já recolheu mais de 30 mil peças desde novembro de 2017, com pontos de coleta em lojas da varejista. Perto de 70% das roupas estavam em boas condições e foram encaminhadas à revenda, e a receita é encaminhada a projetos de educação para famílias de baixa renda.

Episódios negativos podem, ao mesmo tempo, causar dano à marca e forçar transformações. Exemplo disso foi o anúncio feito pela grife de luxo Burberry, em setembro do ano passado, de que deixaria de incinerar mercadorias não vendidas e de usar pele de animais. A decisão veio meses depois de um relatório financeiro mostrar que, em 2017, a companhia havia queimado o equivalente a 28,6 milhões de libras em roupas, perfumes e acessórios não comercializados. A justificativa para isso? Evitar que as mercadorias fossem roubadas ou vendidas por um preço baixo demais.

O estoque excedente na indústria da moda – em média, 30% nas coleções – se tornou polêmico. Não só ele, mas a produção crescente e descartável de vestuário, uma bomba-relógio para o meio ambiente.

A cada segundo, em todo o mundo, o equivalente a um caminhão de lixo lotado de roupas é descartado num aterro ou incinerado, diz uma pesquisa do fim de 2017 da Fundação Ellen MacArthur, que reúne grandes conglomerados de setores estratégicos para promover a economia circular. Isso representa uma perda de US$ 500 bilhões por ano com vestuário praticamente não usado e dificilmente reciclável. Se nada for feito, alerta o relatório, a indústria têxtil, sozinha, vai engolir 25% da meta de emissão de carbono global até 2050.

Mesmo líderes mundiais do varejo de moda estão se ajustando. H&M e Zara anunciaram metas de uso de insumos sustentáveis em suas roupas e de menor impacto ambiental na produção e na operação. A H&M se tornou, recentemente, controladora da Sellpy, plataforma digital para venda de roupas usadas, da qual é sócia desde 2015. Mas isso não significa derrocada no varejo físico. Ainda que a H&M tenha fechado 140 lojas em 2018, neste ano vai abrir mais de uma centena. No terceiro trimestre, registrou seu primeiro lucro antes de impostos em mais de quatro anos. A Zara vai na mesma direção. Segundo analistas, a ideia é aliar as práticas mais sustentáveis à troca de pontos de venda menos rentáveis por outros que garantam mais resultado, sem deixar de lado a estratégia digital.

Para fugir desse destino cinzento, é preciso desenvolver roupas desenhadas para durar mais, ser usada mais vezes, além de poderem ser facilmente alugadas, revendidas ou recicladas. E, claro, produzidas com tecidos e insumos que não liberem toxinas poluentes. Os novos caminhos e os novos negócios se confundem. Patagonia e Levi’s, por exemplo, fecharam uma parceria com a Yerdle, plataforma americana que permite a revenda de roupas de grandes marcas, dando crédito ao usuário para trocar por outras mercadorias, novas ou usadas. Também serve para distribuir as mercadorias que não foram vendidas, em vez de descartar ou incinerar o estoque excedente.

Esses novos negócios avançam, a exemplo de plataformas como as estrangeiras Rent the Runway e Vestiaire Colletive, ambas de assinatura mensal para compartilhamento de roupas. O grupo americano URBN, dono da Urban Ourfitters e da Anthropologie, montou um serviço de assinatura mensal. Nesse caso, cada membro pode escolher até oito peças, recebidas em casa em até dois dias. Depois, devolve pelo correio, sem precisar se preocupar nem em lavar os itens. A empresa montou um centro de distribuição específico para a operação, que conta com serviço de lavagem a seco, já que sustentabilidade é central. A assinatura custa US& 80 mais taxas e permite usar roupas que juntas custariam até US$ 800, em média, diz a empresa. Se o cliente gostar muito de uma peça, poderá compra-la, claro.

ALIMENTO DIÁRIO

QUANDO O CÉU INVADE A TERRA

CAPÍTULO 2 – A RESTAURAÇÃO DA COMISSÃO

“Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio Dele entre vós…” (Atos 2:22)

Jesus não podia curar os enfermos. Também não podia libertar os que estavam atormentados por demônios, nem podia ressuscitar os mortos. Crer o contrário é ignorar o que Ele disse sobre Si mesmo e, o que é mais importante, não perceber qual foi o propósito da restrição que Ele impôs a Si mesmo, ou seja, viver como homem.

Jesus Cristo disse a Seu próprio respeito: “o Filho nada pode fazer”.4 No grego esta palavra nada tem um significado peculiar – ela significa NADA mesmo, tal como em português. Ele não era capacitado para fazer coisas sobrenaturais, absolutamente! Conquanto Ele seja cem por cento Deus, Ele decidiu viver com as mesmas limitações que o homem tem, urna vez remido. Jesus deixou isso bem claro repetidas vezes. Ele tornou-se o modelo para todos aqueles que aceitassem o convite para invadir o impossível em Seu nome. Ele realizou milagres, maravilhas, e sinais na condição de um homem em perfeito relacionamento com Deus, não como Deus. Se ele realizasse milagres por ser Deus, então tais feitos seriam inacessíveis para nós. Mas se Ele os realizou na condição de homem, seguir o Seu estilo de vida é uma responsabilidade nossa. Quando recobramos o sentido desta simples verdade, tudo se altera – e surge de novo a possibilidade de uma completa restauração do ministério de Jesus em Sua Igreja.

Em que Ele se distinguia, em Sua condição humana?

1. Ele não tinha pecado algum que o separasse do Pai.

2. Ele era totalmente dependente do poder do Espírito Santo, operando através Dele.

Quais as características da nossa condição humana?

1. Somos pecadores lavados pelo sangue de Jesus. Através do Seu sacrifício, Jesus venceu o poder e o efeito do pecado sobre todos os que creem. Agora nada nos separa do Pai. Permanece apenas um ponto em questão:

2. Em que grau de dependência do Espírito Santo queremos viver?

A COMISSÃO ORIGINAL

A espinha dorsal da autoridade e do poder do Reino acha-se na comissão. Se descobrirmos qual é a comissão e o propósito de Deus para a humanidade, isso nos ajudará a fortalecer a nossa determinação para termos uma significativa mudança na história da nossa vida. E para descobrir esta verdade temos que voltar para o começo de tudo.

O homem foi criado à imagem de Deus e colocado na mais sublime expressão de beleza e paz: no Jardim do Éden. Do lado de fora daquele jardim a história era outra. Não havia a ordem e a bênção que se achavam no interior do jardim e havia uma grande carência: lá não havia o toque daquele que tinha sido comissionado por Deus: Adão.

Sim, Adão e Eva foram colocados no jardim com uma missão. Deus disse: “Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a.”‘ A intenção de Deus era que, tendo eles mais filhos, que também viveriam sob a direção de Deus, eles estariam ampliando os limites do Seu jardim (do seu governo) por simplesmente prestarem a sua devoção a Ele. Quanto maior o número de pessoas num correto relacionamento com Deus, maior o impacto da liderança delas. Esse processo deveria continuar até que toda a terra estivesse debaixo do glorioso governo de Deus através do homem.

Contudo, em Génesis capítulo 1 descobrimos que o universo não é perfeito. Satanás havia se rebelado e tinha sido expulso do céu, e com ele uma parte dos anjos caídos passaram a dominar a terra. É óbvio por que o restante do planeta precisava ser subjugado: porque se achava sob a influência das trevas.6 Deus poderia ter destruído o diabo e suas hostes com uma palavra mas, em vez disso, optou por derrotar as trevas através da Sua autoridade delegada – através daqueles que tinham sido criados em Sua imagem e que amavam a Deus por sua livre escolha.

UM ROMANCE

Nós, que somos filhos de Adão, recebemos do Soberano Deus o encargo de exercer domínio sobre o planeta terra. “Os céus são os céus do SENHOR, mas a terra, deu-a Ele aos filhos dos homens. “Essa honra, a mais elevada de todas, foi escolhida porque o amor sempre escolhe o melhor. Este é o início do romance da nossa criação: criados em Sua imagem, para que houvesse intimidade, para que o domínio se expressasse através do amor. É a partir dessa revelação que podemos aprender a andar como embaixadores de Deus, e assim vencer o “príncipe deste mundo”. O cenário estava montado para que todas as trevas viessem a cair à medida que o homem exercesse sua piedosa influência sobre a criação. Mas, em vez de isso acontecer, foi o homem que caiu.

Satanás não entrou no Jardim do Éden com violência e tomou posse de Adão e Eva. Ele não podia fazer isso! Por quê? Porque ele não exercia o domínio sobre a terra. Quem tem o domínio tem o poder. E como ao homem tinham sido dadas as chaves do domínio sobre o planeta, o diabo teria que obter do homem essa autoridade. A sugestão de comer do fruto proibido foi simplesmente uma tentativa do diabo para ver se Adão e Eva iriam concordar com ele, em oposição a Deus. Isso lhe daria o poder. E foi por concordarem com ele que o diabo passou a ter o poder para roubar, matar e destruir. É importante percebermos que até hoje satanás recebe poder quando o homem entra em acordo com ele.

A autoridade do ser humano para dominar foi perdida quando Adão comeu do fruto proibido. O apóstolo Paulo disse: “Desse mesmo a quem obedeceis sois servos”.8 Por aquele único ato a humanidade tornou­ se serva, ou melhor, escrava do Maligno, que passou a ter o direito de posse sobre ela. Tudo o que Adão possuía, inclusive o título da sua posição sobre o planeta e a correspondente condição de dominador, tomou-se o espólio que satanás tomou. Imediatamente Deus pôs em ação o seu plano de redenção predeterminado: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.”‘ Jesus viria para recuperar tudo o que se havia perdido.

NÃO HOUVE ATALHOS PARA A SUA VITÓRIA

O plano de Deus para dar ao homem de volta o domínio sobre a terra nunca foi interrompido. Jesus veio para sofrer a penalidade que o homem merecia em decorrência do pecado e assim recuperar o que estava perdido. Lucas 19:10 diz que Jesus veio “buscar e salvar o perdido.” Nã apenas estava a humanidade perdida para o pecado, o seu domínio sobre O planeta também estava perdido. Jesus veio para retomar essa duas perdas.

Satanás fez o que pôde para acabar com o plano de Deus ao fim dos quarenta dias do jejum de Jesus. O diabo sabia que não era digno d receber a adoração de Jesus, mas também sabia que Jesus tinha vindo para retomar a autoridade que o homem havia perdido. Satanás disse lhe: “Dar-Te-ei a Ti todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero. Portanto, se Tu me adorares, tudo será Teu. “Observe a frase: “porque a mim me foi entregue”. Satanás não pôde roubá-la. Ela lhe foi cedida quando Adão abandonou o domínio de Deus

Era como se satanás estivesse dizendo a Jesus: “Eu sei por que Tu vieste. Tu sabes o que eu quero. Adore-me e eu lhe darei de volta a chaves.” Com efeito, satanás ofereceu a Jesus um atalho para o se objetivo que era retomar as chaves de autoridade que o homem perder por causa do pecado. Jesus disse “não” a esse atalho e recusou-se a dar lhe qualquer honra. (Foi este mesmo desejo de ser adorado que fez com que satanás caísse do céu no princípio.) Jesus não se desviou do caminho que tinha que percorrer, pois Ele tinha vindo para morrer.

O Pai queria que satanás fosse derrotado pelo homem, por alguém feito à Sua imagem. Jesus, que derramaria o Seu sangue para redimir humanidade, esvaziou-se a Si mesmo de Seus direitos como Deus e tomou sobre Si as limitações do homem. Satanás foi derrotado por um homem – o Filho do Homem, que tinha um relacionamento perfeito com Deus Assim sendo, quando alguém recebe a obra de salvação que Cristo realizou na cruz, tal pessoa é inserida nessa vitória. Jesus derrotou diabo com a Sua vida sem pecado, venceu-o em Sua morte ao pagar com o Seu sangue o preço de nossos pecados; e venceu também, quando ressuscitou triunfante, trazendo Consigo as chaves da morte e do inferno

NASCEMOS PARA REINAR

Ao redimir o homem, Jesus reaveu o que o homem havia perdido Do trono do triunfo Ele declarou: “Toda a autoridade Me foi dada no céu na terra. Ide, portanto…”Em outras palavras: Eu readquiri todas as coisas Agora fazei uso delas e recuperai a vossa condição humana. Nesta passagem Jesus cumpre a promessa que ele fizera aos discípulos, ao dizer: “Dar-te ei as chaves do reino dos céus” O plano original nunca foi interrompido; ele foi consumado de uma vez por todas na ressurreição e ascensão de Jesus. Foi para que nós sejamos agora completamente restaurados no plano de Deus, reinando como seres humanos feitos à Sua imagem. E, deste modo, estaremos aprendendo a fazer cumprir a vitória obtida no Calvário: “E o Deus da paz, em breve, esmagará debaixo dos vossos pés a satanás.”

Nascemos para reinar – reinar sobre a criação e sobre as trevas – para saquear o inferno e estabelecer o reino de Jesus aonde quer que formos através da pregação do evangelho do Reino. Reino significa domínio. O propósito original de Deus foi que o homem reinasse sobre a criação. Agora que o pecado entrou no mundo, a criação foi contaminada pelas trevas, isto é, pela enfermidade, pela doença, pelos espíritos opressores, pela pobreza, pelas calamidades naturais, pela influência demoníaca, etc. O nosso reinado ainda é sobre a criação, mas agora nosso alvo principal é expor e desfazer as obras do diabo. Temos que dar aquilo que recebemos, para que tal propósito seja por fim alcançado. Se verdadeiramente eu receber poder de um encontro com o Deus de poder, estarei capacitado para dá-lo. A invasão de Deus em situações impossíveis ocorre através daqueles que receberam poder do alto e que aprenderam a liberá-lo nas circunstâncias da vida.

A CHAVE DE DAVI

O evangelho da salvação é para tocar o homem por inteiro: o espírito, a alma e o corpo. John G. Lake designou isso como sendo uma Salvação Triúna. Um estudo da palavra mal confirma o alcance almejado com a redenção feita por Cristo. Esta palavra ocorre em Mateus 6:13: “Livra-nos do mal”. A palavra mal representa todo o curso do pecado sobre o homem. Poneros, a palavra grega para mal, vem da palavra panos, que significa dor. E esta vem da raiz penes, que significa pobre. Observe: mal – pecado, dor – enfermidade; pobre – pobreza. Jesus destruiu o poder do pecado, da doença e da pobreza através da Sua obra redentora na cruz. Na comissão dada a Adão e Eva para dominarem sobre a terra eles estavam sem enfermidades, sem pobreza e sem pecado. Agora que fomos restaurados ao propósito original de Deus, será que deveríamos contentar-nos com menos? Afinal de contas, agora estamos debaixo da “melhor aliança”, como ela é chamada!

A nós nos foram dadas as chaves do Reino, estando nelas a autoridade para pisar sobre todo o poder do inimigo. Há uma única aplicação deste princípio, encontrada na frase chave de Davi, mencionada no Apocalipse e também em Isaías. O Dicionário Bíblico de Unger afirma: “O poder das chaves consistia não apenas na supervisão das câmaras do rei, mas também em decidir quem deveria, ou não, ser recebido para o serviço do Rei.” Tudo o que o Pai tem é nosso por meio de Cristo. Todo o Seu tesouro e Suas câmaras reais acham-se à nossa disposição, para que possamos cumprir a Sua comissão. O que mais nos faz pensar nesta ilustração, porém, está em controlar quem entra para ver o Rei. Não é isso o que fazemos com o evangelho? Quando o declaramos, damos oportunidade às pessoas para virem até o Rei e assim serem salvas. Quando silenciamos, a nossa opção foi manter afastados da vida eterna aqueles que poderiam ter ouvido. É algo para se pensar, de fato!

Foram chaves muito caras, pelas quais Ele pagou. E são chaves custosas para nós usarmos. Mas é bem maior o custo de enterrá-las e não obter um aumento no número daqueles para quem o Rei vem. Esse preço vai ser sentido por toda a eternidade.

UMA REVOLUÇÃO NA IDENTIDADE

Agora é a hora para acontecer uma revolução em nossa visão. Quando os profetas nos dizem “sua visão é pequena demais”, muitos de nós pensamos que o antídoto para isso é aumentarmos os números da nossa expectativa. Por exemplo, se a nossa expectativa é de alcançarmos dez novos convertidos, então mudamos para cem. Se estivermos orando por cidades, vamos então orar por nações. Desse modo não estamos entendendo corretamente a questão. O aumento de números não é necessariamente um sinal de se ter uma visão mais ampla, segundo a perspectiva de Deus. A visão começa com identidade e propósito. Através de uma revolução em nossa identidade, podemos pensar com um propósito divino. Tal mudança tem início com uma revelação de Deus.

Uma trágica consequência de se ter uma identidade enfraquecida é que ela passa a afetar a nossa abordagem das Escrituras. Muitos, se não a maioria, dos teólogos cometem o erro de tomar todo o bom material contido nos profetas e o varrem, pondo-o debaixo do tapete chamado Milênio. Não é meu desejo debater este assunto agora. Mas quero falar da nossa propensão de adiar aquelas coisas que requerem coragem, fé e ação, deixando-as para uma outra hora. A ideia errada que temos é: se é algo bom, não deve ser para agora.

Uma base para essa teologia é que a situação da Igreja estará sempre piorando, cada vez mais; portanto, as coisas trágicas que acontecem na Igreja são apenas mais um sinal de que estes são os últimos dias. Num sentido pervertido, a fraqueza da Igreja para muitas pessoas confirma que estão no caminho certo. A situação do mundo e da Igreja, cada vez piorando mais e mais, torna-se para elas um sinal de que está tudo bem. Tenho muitos problemas com esse tipo de pensamento, mas um deles vou mencionar agora: é que pensar desse modo não requer fé alguma!

Estamos tão entrincheirados na descrença que qualquer posição contrária a essa cosmovisão é tida como sendo do diabo. Assim acontece com a ideia de um impacto predominante ser causado pela Igreja, antes de Jesus voltar. É quase como se quiséssemos defender o direito de sermos em número pequeno, e atuarmos de qualquer jeito. Aceitar um sistema de crenças que não requer fé alguma é perigoso. É contrário à natureza de Deus e a tudo o que as Escrituras declaram. Como é do plano do Senhor fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, de acordo com Efésios 3:20, suas promessas, pela sua própria natureza, desafiam o nosso intelecto e as nossas expectativas. “(Jerusalém) não pensava no seu fim; por isso, caiu de modo espantoso”. A consequência de esquecermos as promessas do Senhor é algo que não dá para suportarmos.

Normalmente estamos muito mais convencidos da nossa indignidade do que da dignidade do Senhor. A nossa incapacidade é alvo de uma atenção muito maior do que a que damos à capacidade do Senhor. Mas o mesmo Ser Eterno – que chamou o temeroso Gideão de homem valente; e a Pedro, com sua personalidade tão instável, de rocha, ou pedra – esse mesmo Ser eterno chamou-nos de Corpo do Seu Filho amado sobre a terra. Isso sem dúvida significa alguma coisa.

No próximo capítulo veremos como usar um dom para manifestar o Reino de Deus, fazendo com que o céu toque na terra.