ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 23 – O CONFLITO FINAL

Sabemos, através da história bíblica, que Deus, em certas ocasiões, falou com Seus servos por meio de visões e sonhos. No dia de Pentecostes, Pedro citou o profeta Joel:

“E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, E SONHARÃO VOSSOS VELHOS.” (Atos 2:17.)

No dia 9 de julho de 1970, o Senhor falou comigo num sonho. Oro para que ele seja uma bênção e uma inspiração para você, assim como tem sido para muitos outros que o têm ouvido.

O SONHO

No início do sonho, eu estava entrando num grande estádio superlotado de gente, e havia naquele ar expectativa e excitação sobre o que iria acontecer. Ia haver um jogo de beisebol, e eu era um dos jogadores, vestindo um uniforme branco e vermelho. O outro time estava vestido de preto e branco.

Quando entrei em campo, percebi que todos os meus companheiros do time estavam fora do campo, ainda envolvidos numa discussão calorosa com todos os membros do outro time. Não quis nada com a bagunça e entrei no campo, esperando a chegada dos outros. Entrou comigo no campo um membro do outro time. Eu queria começar logo o jogo. Pela posição do sol, sabia que restavam só duas horas de luz do dia. Devíamos começar o jogo o mais breve possível.

Finalmente, a discussão se findou e os times tomaram seus lugares. Nosso time ficou no campo enquanto o outro ia bater a bola. Lembrei-me de que ninguém me avisou sobre minha posição no time. O treinador me mandou tomar conta da terceira base.

Os jogadores do nosso time começaram a se encorajar uns aos outros. Fizemos todos os exercícios de preparação e estava na hora de começar mesmo.

O lançador da bola jogou a primeira e o batedor bateu-a bem alto por cima de minha cabeça, caindo fora do campo. O medo tomou meu coração. Pensei comigo que se todos naquela equipe fossem assim fortes, nossas chances contra eles eram poucas. Eu fiquei pulando consciente de que devia estar bem pronto para pegar qualquer bola que viesse em minha direção, especialmente quando viesse daquele batedor. Nesse momento, meu sonho terminou. Ao acordar, comecei a me lembrar do sonho e minha reação foi de desapontamento. Gosto muito de beisebol e queria saber como o jogo terminou.

A INTERPRETAÇÃO

O sentido de um sonho espiritual não pode ser manipulado — tem de ser interpretado. No dia seguinte, quando o Espírito Santo recordou o sonho para mim, Ele também começou a interpretá-lo. Peguei uma caneta e papel e o escrevi o mais rápido possível. Tudo ficou esclarecido em poucos minutos. Fui escrevendo sem interrupção, exatamente como o Espírito Santo revelava.

O campo de jogo representava o mundo inteiro, enquanto os espectadores representavam Hebreus 12:1: “Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas…”.

O Senhor me disse que a multidão era a grande nuvem de testemunhas. Eles eram todos os cristãos que já viveram e agora estavam olhando o mundo de suas posições celestiais. Todos os patriarcas e os santos do Antigo e do Novo Testamento estavam presentes. Lá estavam Abraão, Jacó, Isaque, Josué, Davi, Daniel, Jeremias, Isaías, Pedro, Tiago, João e todos os outros. Eles foram jogadores nos times das gerações anteriores, desde a criação do mundo.

Muitos tinham sido colocados no Rol de Honra, conforme está descrito no capítulo 11 de Hebreus. Eles estavam nos observando para ver nosso desempenho em nossa geração. Então, o Senhor falou para mim: “ISSO É A COPA MUNDIAL! ISSO É O CONFLITO FINAL ENTRE AS FORÇAS DO MAL E AS FORÇAS DA JUSTIÇA. ISSO É PARA DE- TERMINAR O CAMPEONATO MUNDIAL!”

Naquele momento entendi o sentido dos uniformes. O nosso era branco e vermelho – o vermelho representando o sangue de Jesus. Ele nos marca como sendo os que pertencem ao Senhor. O sangue fala de nosso poder em Jesus Cristo. “Eles, pois, o venceram por causa do sangue do Cordeiro…” (Apocalipse 12:11.) O branco fala da pureza. O Espírito Santo está enfatizando a purificação pessoal e a prática da justiça. Não é mais hora de se andar com um pé no mundo e o outro no Reino de Deus!

O outro time, com uniforme preto e branco, caracterizava Satanás e suas obras vis. Os oponentes foram claramente identificados como o diabo e suas hostes de espíritos demoníacos. Fiquei perplexo. O que significava tudo isso? Ao mesmo tempo em que a pergunta estava-se formando em minha mente, o Espírito Santo estava revelando a resposta. O preto e o branco representam uma mistura do mal com o bem. Satanás não chega até nós representando sempre todo o mal. Ele vem todo branquinho também. O preto e o branco do uniforme representavam a mistura. Hoje, mais do que nunca, há uma mistura do bem e do mal, da verdade e da mentira.

“Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios.” (1 Timóteo 4:1.)

Por que é que eu estava nessa batalha? O Senhor mostrou-me que minha presença nesse jogo era a de representante de muitos cristãos que estão entrando no campo de luta espiritual para levar a ofensiva contra as forças do inferno.

Perguntei-Lhe: “Mas, Senhor, por que todos os meus companheiros do time estão na linha lateral, argumentando com o outro time?” O Senhor explicou que essa era mais uma das táticas do inimigo; ele faz tudo para que o povo de Deus fique na linha lateral mesmo, fora da ação principal, e deixa-os lá completamente ocupados. Ele me mostrou que isso representa as divisões da cristandade denominacional.

O diabo tem os cristãos na linha lateral defendendo suas próprias doutrinas e tradições, sem perceber que eles foram enganados por Satanás. Está na hora de o povo de Deus ficar unido para realizar sua obra. Na realidade, é exatamente isso o que está acontecendo hoje como resultado do grande derramamento do Espírito Santo em todas as partes do mundo.

Minha preocupação era que a luz do dia estava se acabando, faltando somente mais duas horas. Certamente a noite vem, quando ninguém mais pode trabalhar. Estamos vivendo nas últimas horas da história humana. Temos de agir de maneira que cada minuto conte, e usá-lo ao máximo. Temos a necessidade de reconhecer que, como cristãos, nosso lugar é no campo onde venceremos Satanás e as suas hostes.

Finalmente, os times entraram em campo para jogar. Um só jogador não faz o time! A fase da vida espiritual na qual estamos nos movendo precisa de esforço unido do tipo representado por um time: união. O Senhor me fez lembrar que há nove jogadores num time de beisebol. O número nove sugere os nove dons do Espírito e os nove frutos do Espírito.

Os membros do time do Senhor nesse conflito final contra as forças satânicas estarão operando sob a direção do Espírito Santo. Os dons do Espírito – a palavra de sabedoria, a palavra de conhecimento, a fé, os dons de cura, a operação de milagres, a profecia, o discernimento dos espíritos, variedades de línguas e a interpretação das línguas (veja 1 Coríntios 12:8-10) – operarão no ministério.

O fruto do Espírito – amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio – estará em evidência. (Veja Gálatas 5:22, 23.) Louvado seja o Senhor! Ele está trazendo Seu time ao campo em nossos dias. É um time cheio do Espírito. Os dons do Espírito estão sendo restaurados à Igreja.

O fruto do Espírito está sendo notado entre o povo de Deus como nunca. As barreiras que nos têm separado e nos têm deixado na linha lateral por tanto tempo agora estão sendo derrubadas. As barreiras denominacionais estão-se desintegrando. As questões duvidosas de doutrinas estão sendo enterradas. Jesus é o Senhor! Estamos experimentando o fluxo do amor. Estamos pisando em terreno comum. Podemos prestar nosso louvor e ministrar juntos sob o poder do Espírito Santo.

Quando entrei em campo, fui acompanhado por um membro do time adversário. Na experiência real entrei no campo de lutar quando experimentei o batismo no Espírito Santo. Foi naquele momento que me tornei uma ameaça ao diabo. Depois dessa experiência, os dons do Espírito começaram a operar no meu ministério, e a maior parte do poder resultante foi dirigido ao diabo.

O batismo no Espírito Santo não pôs fim aos meus problemas – aliás, meus problemas aumentaram. Da noite para o dia, muitos de meus amigos se tornaram meus inimigos, rejeitando-me, acusando-me de orgulho e engano. O medo tomava conta do meu coração e queria saber o que iria acontecer comigo. Os poderes demoníacos tinham entrado em campo para me confrontar.

Neste ponto, eu estava no lado esquerdo do campo. Você sabe o que significa a expressão “estar no campo esquerdo”? Essa expressão, com suas raízes no jogo de beisebol, tem sido usada para descrever uma pessoa confusa, que não está a par do assunto. Eu sabia que estava na luta, no campo, mas não tinha a menor ideia do que iria fazer.

Isso descreve meu dilema logo após meu batismo no Espírito Santo. Não é essa a experiência de muitos dos cristãos? Eles estão no “campo esquerdo”. Eles nunca descobriram a vontade de Deus para sua vida. Eles estão andando ao léu, sem nenhuma direção. Eles não estão contribuindo para o time. A vaga a ser tomada por eles continua vazia.

Há uma falha entre os membros do time. Mas o treinador está lá para dirigi-los. Quem é o Treinador? É o Espírito Santo. E onde é que nos encontraremos com Ele? Essa foi uma parte do sonho que era muito estranha para mim. Geralmente, o treinador fica de lado, mas nesse caso ele ficava exatamente no meio do campo. Onde fica o Espírito Santo, senão no meio de nós? Ele está aí para nos dirigir enquanto nós olhamos para Ele. Ele me mostrou que meu lugar era na terceira base. A explicação já virá.

Os vários membros do time estavam achando sem demora suas posições. O jogo começou. Começamos a nos encorajar uns aos outros. Oh! que lindo retrato da Igreja atual!

“Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações, e tanto mais quanto vedes que o dia se aproxima.” (Hebreus 10:24, 25.)

Iniciamos nossos exercícios. O Senhor mostrou-me que o exercício físico dos jogadores representavam os exercícios espirituais – dobrar os joelhos em oração, erguer os braços em louvor, curvar as costas em adoração! Aleluia! Os participantes num campeonato mundial de luta sempre estarão na melhor condição física. Não deixe que seja dito de nós que “os filhos do mundo são mais hábeis na sua própria geração do que os filhos da luz” (Lucas 16:8b).

Se os jogadores em campo podem manter a disciplina necessária para ganhar a coroa terrestre, quanto mais deveria um cristão pagar para estar sempre pronto para entrar na maior de todas as lutas!

Agora, chegou a hora de começar a luta. Deus me mostrou que nosso time estava no campo defensivo. Ele disse que o povo d’Ele tinha estado nessa posição por bastante tempo. Estava na hora de tomar o controle e o diabo ficar no lado da defensiva. Uma boa defesa é importante, mas é o time ofensivo que ganha os pontos. Por meio da luta espiritual, a Igreja está tomando a ofensiva. Os principados e potestades da escuridão espiritual estão sendo atacados e vencidos. Uma vez Jesus disse:

“Se, porém, eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós.” (Lucas 11:20.)

Estamos no tempo de luta espiritual e de vitórias espirituais. Antes que o Reino de Deus possa tornar-se uma realidade em sua vida e na minha, as forças do inferno que nos assaltam têm de ser confrontadas e vencidas. Antes que a Igreja possa cumprir aquilo que o Senhor profetizou acerca de Sua Igreja vitoriosa (Mateus 16:18), ela deve tomar a ofensiva contra o diabo. A mensagem e a prática da luta espiritual estão sendo espalhadas rapidamente por toda a Igreja. Pela primeira vez estamos vendo as costas do diabo. É uma vista maravilhosa!

Agora é a vez da Igreja de tomar a ofensiva e dominar o diabo. Amém!

Lançada a primeira bola, o batedor da oposição bateu-a com muita força e lançou a bola bem alto e longe, mas ela caiu fora da linha. O Senhor disse: “Quero mostrar-lhe a obra do inimigo. É semelhante àquela bola. O inimigo de fato tem qualquer poder e o que ele faz, muitas vezes, é muito alto e impressionante, mas é sempre ‘fora do lugar'”.

O medo que se apoderou de mim é comum a muitos dos servos de Deus, hoje, ao verem tudo o que o diabo está fazendo nestes dias. Eles duvidam que haja uma chance de ganhar, de vencer. Eles começam a pensar que vão ser derrubados. Mas Deus não está levantando uma Igreja assim! Ele é o Senhor de uma Igreja militante. Ele tem esperado uma geração como a nossa para entrar em campo. Sob a liderança d’Ele, isso será feito. O inimigo será derrubado — vencido. Você faz parte do time? Você está no lado ofensivo contra o diabo?

Neste ponto do sonho percebi que eu precisava estar pronto. Devo estar em boas condições, tanto físicas quanto espirituais. Eu devo estar pronto para me mover em qualquer direção necessária e expulsar o oponente.

“Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e, sim, como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus.” (Efésios 5:15, 16.)

Tive a impressão de que o fim do sonho foi prematuro. Perguntei ao Senhor por que Ele não me deixou ver o fim do jogo. Ele me perguntou por que eu queria vê-lo até o fim. Expliquei-Lhe que queria saber o resultado. O Senhor, então, me disse uma das coisas mais lindas que já tinha ouvido: “Filho, você não precisa saber o resultado final. Você já sabe qual é. Minha Palavra lhe prometeu que você está no time vitorioso. Será como Eu disse. Não, você não precisa saber o resultado final, mas você tem de saber que O CONFLITO FINAL JÁ ESTÁ INICIADO.”

Sim, querido cristão, estamos no fim do século. O conflito final entre as forças de Satanás e o exército de Deus JÁ ESTÁ em ação. Vemos as evidências disso em todos os lados. É a chamada à luta. Não há mais tempo para demorar. A luta está iniciada! Você está envolvido nela?

O RESULTADO

A interpretação do sonho não tinha terminado. Recebi a revelação do que significavam as três bases no jogo de beisebol. A primeira base representava as relações sociais, a segunda base representava as relações comerciais, e a terceira base representava as relações eclesiásticas. Por isso, fiquei na terceira base. Era para eu expulsar Satanás quando ele tentasse atingir a terceira base – a Igreja.

O lugar do batedor significava relações da família. O Espírito Santo mostrou-me que tudo começou e terminou no lugar do batedor.

Quando os membros do time de Deus tomam o lugar do batedor, eles têm de começar em casa e consertar a vida do lar. Se eles não fizerem isso antes de tocar nas outras bases de relações sociais, comerciais e eclesiásticas, tudo será em vão.

Hoje Deus está enfatizando a vida no lar. Ele está arrumando nossa vida. Ele está restaurando o marido e o pai ao lugar de autoridade no lar. O lar está-se tornando o centro da vida espiritual. Essa é a ordem divina. Não podemos estar bem em nenhum outro relacionamento na vida até que nossa vida esteja bem em casa.

O time do diabo está lançando bolas velozes. O diabo tem de ser derrubado em primeiro lugar, no início de seu ataque contra nosso lar. Cada membro da família tem de assumir o encargo ordenado por Deus.

“As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor […] Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela […] Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo.” (Efésios 5:22, 25; 6:1)

A primeira prova de convivência cristã começa em casa. Se o amor, a alegria e a paz do Espírito Santo não saem de nossa vida nas relações com outros membros de nosso próprio lar, Satanás nos venceu. Quando se torna claro que Satanás já está com o rabo na brecha aberta em nosso lar e em nós, isso é uma chamada à luta espiritual. Vença ao diabo em sua própria vida e em sua família e você poderá levar a batalha até outras áreas da vida.

Em Sua parábola do argueiro e a trave (Mateus 7:3), Jesus nos mostrou que nós temos de pôr em ordem nossa própria vida antes que possamos ministrar aos outros. Temos de ter a certeza de que não hospedamos porcos em nossa própria sala.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

AS FACES DA MENTIRA

Pesquisador que mapeou o repertório de expressões faciais humanas revela as pistas deixadas pelos mentirosos

A expressão de um rosto muitas vezes dispensa palavras. Alegria ou tristeza, medo ou raiva decifrar expressões faciais é um dos exercícios mais corriqueiros do ser humano, tanto que quase sempre o fazemos sem perceber. A convivência social seria impensável sem essa habilidade. Há mais de quatro décadas o psicólogo americano Paul Ekman da Universidade da Califórnia de São Francisco, se ocupa do estudo da mímica facial humana. Aos 73 anos e aposentado há cerca de três, ele continua ajudando especialistas da CIA no combate ao terrorismo. Mas é bastante consciente dos limites de seus métodos. “Ofereço apenas uma ferramenta descritiva”.

Sob as fartas sobrancelhas seus olhos observam atentamente cada franzir de minha testa, cada movimento dos meus lábios. “O senhor pode ler pensamentos”, pergunto. “Não, posso no mínimo perceber como você está se sentindo, mas não o que está pensando”. E explica a diferença”: “O medo se manifesta sempre da mesma forma, não importa se você teme que suas mentiras sejam descobertas ou que não acreditem em suas verdades”.

Em situações como essa, pode ocorrer o que Ekman chama de equívoco de Otelo No drama de William Shakespeare. O protagonista interpreta o medo no semblante de Desdêmona como sinal de traição, e a mata baseado na percepção equivocada. Ekman quer ajudar a evitar enganos semelhantes por parte de agentes secretos. Prender um culpado é bom, mas é igualmente importante diminuir o número de pessoas postas sob suspeita injustamente”, ressalta.

Quando ele estudava psicologia na Universidade de Chicago, nos anos 50, a emoções eram consideradas uma área marginal da pesquisa científica. Muitos acadêmicos acreditavam que o mundo das emoções era pouco acessível ao conhecimento científico – ou, pelo menos não tão interessante quanto, por exemplo, os mecanismos da aprendizagem, do pensamento ou das motivações. Mas o jovem Ekman decidiu se concentrar, desde o início, nos enigmas da comunicação não-verbal. Queria entender por que algumas pessoas decifram facilmente os sentimentos de seu interlocutor enquanto outra caem em qualquer armadilha.

Na época considerava-se que o comportamento mímico humano era resultado de aprendizado cultural. Pesquisadores não pareciam interessados no repertório universal de expressão dos sentimentos, já postulado por Charles Darwin (1809-1882) no livro A expressão das emoções dos homens e dos animais, de 1872.

Ekman, porém, preferiu tomar direção contrária à do pensamento científico vigente e viajou para o Brasil com uma coleção de fotografias na bagagem. Eram retratos de americanos brancos expressando sete emoções: alegria, tristeza, ira, medo, surpresa, nojo e desprezo.  Moradores da região amazônica identificaram facilmente os sentimentos expressos pelos fotografados. Ekman repetiu a experiência em outras expedições: Chile, Argentina, Japão – onde quer que fosse, as pessoas manifestavam tristeza, ira ou alegria com as mesmas mímicas usadas pelas pessoas das fotos. Uma das possibilidades cogitadas pelo psicólogo era de os entrevistados terem se inspirado em expressões faciais apresentadas em filmes ou revistas.

 Para tirar a dúvida, ele foi a Papua Nova Guiné, em 1967, em busca de populações isoladas. E novamente comprovou que as sete emoções básicas selecionadas faziam parte de um repertório universal. Isso indicava que a linguagem facial tem origem biológica e independe de fatores culturais.

Os resultados suscitaram novas perguntas: de quantas expressões faciais o ser humano dispõe para comunicação: Que significa determinada expressão? É possível treinar a leitura de emoções? Ekman queria produziruma espécie de dicionário universal da mímica facial.

Em parceria com o pesquisador Wallace Friesen, Ekman levou seis anos para produzir o Sistema de codificação de ação facial, (facs, na sigla em inglês), publicado em 1978. Além de descrever e classificar cada expressão facial, o sistema permite combinações entre 43 grupos de músculos básicos da face, o que resulta em 10 mil possibilidades. Todas foram catalogadas com os nomes latinos dos músculos envolvidos e, em alguns casos, com a identificação da emoção correspondente, por exemplo Frontalis pars medialis;

1. Levantar a parte interna das sobrancelhas: tristeza. “Uma das limitações do sistema, entretanto, está no fato de algumas combinações musculares não terem significado.

Houve uma descoberta surpreendente depois que o próprio Ekman tentou simular, enquanto trabalhava no laboratório, expressões convincentes, de tristeza, mantendo-as pelo maior tempo possível. À noite, sentia­ se emocionalmente esgotado. Quando, ao contrário, procurava sorrir mais que o usual seu humor melhorava. “Foi uma iluminação”, lembra-se. No entanto, isso contradizia a ideia segundo a qual os sentimentos surgem na psique e o papel do corpo é simplesmente comunica-los.

TENSÃO MUSCULAR

Ekman e Friesen mostraram que a tensão de outros músculos da face não provoca apenas alterações na pressão arterial e no batimento cardíaco, mas pode desencadear emoções. Portanto, parece haver alguma relação entre a musculatura facial e os mecanismos cerebrais responsáveis pelos sentimentos.

Na década de 80, uma provocação comum dos psiquiatras aos pesquisadores da mímica era se e como eles poderiam detectar a mentira no rosto dos pacientes. Um dia Ekman lembrou-se de um vídeo antigo de uma paciente e percebeu uma oportunidade para usar o Facs na prática. Anos antes, ele filmara uma mulher, identificada como Mary, internada numa clínica psiquiátrica. Ela estava aparentemente recuperada de uma grave crise de depressão e havia pedido ao médico que a liberasse para passar o fim de sema na em casa. Felizmente seu desejo não foi atendido, mas Mary admitiu mais tarde que pretendia aproveitar a ocasião para suicidar-se.

Segundo sua hipótese, se a mímica facial de fato denunciasse os sentimentos, a intenção de Mary deveria ter sido revelada naquele vídeo. Ele o viu muitas vezes, até mesmo em câmera lenta, para não perder nenhum detalhe. De repente flagrou uma expressão de desespero escapar do rosto da paciente no meio de uma frase. Essas micro­ expressões, que muitas vezes não duram nem um quinto de segundo eram a chave procurada pelo pesquisador. O controle das próprias expressões faciais tem limite, mesmo quando a pessoa se esforça imensamente para disfarçá-las. Por um breve momento, verdadeiros sentimentos faíscam.

Ekman passou os anos seguintes ocupado com a produção de um programa de auto -aprendizado que ajudasse as pessoas a decifrar as expressões faciais, de acordo com o Facs.  E notou que quanto mais elas focalizavam a atenção nas micro – expressões, com mais eficácia desenvolviam a habilidade de ler esses sinais com rapidez, ainda que no início do aprendizado isso fosse possível só quando as imagens eram exibidas em câmera lenta.

O experimento chamou a atenção do psicólogo para um fenômeno intrigante, a maioria das pessoas tem dificuldade em desmascarar mentiras, e isso vale também para os pesquisadores da mímica facial. No entanto, alguns parecem ter um talento nato para interpretar intuitivamente as micro- expressões e, consequentemente, reconhecer mentirosos.

Alguns políticos certamente não se sentiriam à vontade se confrontados com quem não se deixa enganar por palavras. Em um dos debates da campanha presidencial americana de 1992, Ekman percebeu como Bill Clinton girava os olhos rapidamente, exibindo uma expressão marota, como se fosse o que os americanos chamam de bad boy. “Telefonei para um conhecido que fazia parte da equipe de Clinton e lhe disse que aquela cara não caía bem, conta. “Mas meu comentário não foi considerado. Suponho que ele queria mesmo se passar por um menino levado, que esconde travessuras sem grande importância. E funcionou. As pessoas pareciam gostar disso.”

É possível aprender a mentir convincentemente? “Com certeza. Basta pensar como um jogador de xadrez, controlar os sentimentos e sintonizar a mímica com a atenção do interlocutor, para que ela seja interpretada de forma adequada”, garante. Além disso, quanto mais o mentiroso acredita em sua própria história e se sai bem, mais difícil será perceber o embuste. “As mentiras menos convincentes são aquelas ditas pela primeira vez e as que têm um componente emocional”, afirma. Por isso Ekman aconselha que, durante um interrogatório, os investigadores de polícia façam perguntas inesperadas. Em vez de “Você esteve ontem à noite no supermercado X”, a melhor pergunta é “Onde costuma fazer compras”.

Embora seja possível treinar o reconhecimento das micro – expressões, ele adverte que nem sempre é possível considerá-las indícios significativos de mentira. Quando treina profissionais de segurança Ekman recomenda que se pergunte sempre o que o interrogado está sentindo. Isso diminui o risco de cometer o equívoco de Otelo. Não só mudanças na mímica facial, mas também detalhes da leitura corporal, gestos e variações na entonação da voz podem apontar deslizes. A prova indiscutível de que alguém está dizendo a verdade só seria possível mesmo se nosso nariz fosse como o de Pinóquio.

Por que é tão difícil reconhecer a mentira? Segundo Ekman, as pessoas gostam de acreditar no que lhes é contado. Quem quer ouvir que está sendo traído no casamento? Ou que os filhos usam drogas? Para aceitar uma coisa dessas é preciso enfrentar o problema. E é justamente isso que a maioria das pessoas quer evitar, diz. Devido a mecanismos de defesa contra o que nos incomoda e tememos confrontar, as evidências tendem a passar despercebidas. Do ponto de vista evolutivo, não seria vantajoso ser um perfeito detector de mentiras. Em grupos pequenos, esse tipo de revelação quase sempre acaba mal – um dos envolvidos, geralmente é expulso da comunidade ou se afasta por iniciativa própria

Ekman vê paralelos entre seu trabalho e o do Dalai Lama, com quem se encontrou algumas vezes. Na busca pela verdade, também ele quer ajudar as pessoas a entender melhor os próprios sentimentos e a dominar seus impulsos. Dessa forma, espera colaborar para conscientizá-las das próprias emoções, antes que elas sejam expressas de forma inadequada

Para entender o que as expressões revelam e a gravidade do que se tenta ocultar, o pesquisador confia na seguinte regra: Para decidir quando uma mentira é permitida, pergunto-me como meu interlocutor se sentiria se descobrisse que menti. Se ele interpreta como quebra de confiança ou tentativa de tirar vantagem, a mentira provavelmente é grave e talvez até prejudicial. Isso não vale, porém para convenções sociais e gentilezas. Afinal, depois de um jantar, você diria abertamente a seu anfitrião que a comida estava horrível?

COMO IDENTIFICAR DESLIZES SUTIS

O Sistema de codificação de ação facial (Facs), desenvolvido nos anos 70 por Paul Ekman e pelo pesquisador Wallace Friesen, é um método para descrever mímicas de conteúdo emocional. Além dos aspectos neurais das reações afetivas a um estimulo, todo sentimento envolve uma mímica. A contração de músculos faciais é definida pelo Facs por meio de minúsculas unidades de movimento. Assim, esticar o músculo da pálpebra direita (d) acompanha todo sorriso verdadeiro. Lábios e narinas contraídos (e), ao contrário, mostram nojo. Com mais oito movimentos – dos músculos da testa (a), das sobrancelhas (b), da região ao redor dos olhos (e), dos cantos da boca (f),dos cantos abaixo da boca (g), dos lábios (h), da área abaixo do lábio inferior (i) e do queixo (j) – o virtual Max, desenvolvido por Ipke Wachsmuth, da Universidade de Bielefeld, Alemanha, apresenta mímicas de sentimentos muito convincentes.

OUTROS OLHARES

AO ALCANCE DE TODOS

A evolução dos instrumentos a laser permite às pessoas com mais de 40 anos fazer a cirurgia para correção da miopia. Antes, ela era pouco recomendada

A miopia é companheira da infância ao início da maturidade. Começa com um par de óculos, eventualmente chega às lentes de contato. Ali pelos 40 anos de idade ou mais, depois de longa convivência com o problema, o cidadão toma coragem, decide, enfim, enfrentar o laser para viver sem acessórios e ouve do oftalmologista: “Já não vale a pena, porque em breve surgirá outro problema, o da vista cansada, e os óculos serão novamente necessários”.

Tal cenário mudou. Há uma novidade, oferecida há algum tempo e que, agora, virou regra: recomenda-se a operação mesmo à pessoa que já entrou na maturidade, porque o laser de alta precisão permite a correção simultânea — eis o pulo do gato — para quem vê mal de longe (a miopia) e de perto (a presbiopia, a tal vista cansada). Chamado de monovisão, o procedimento faz com que um defeito corrija o outro. Em linhas gerais, o cirurgião elimina a miopia de um olho e mantém um grau residual no outro.

“Por um interessante mecanismo cerebral, esse resíduo controlado de grau de miopia ameniza naturalmente a presbiopia e não interfere de forma significativa na visão de longe”, diz Marcony Santhiago, professor de oftalmologia na Universidade de São Paulo e na Universidade do Sul da Califórnia. O segredo tecnológico: antes, os aparelhos disparavam feixes na córnea. Agora, o contato é feito por pontos minúsculos, o que aumenta a precisão. Em cada dez pessoas submetidas à técnica, nove deixam de usar óculos. Independentemente de sexo, classe social ou nacionalidade, qualquer pessoa com mais de 45 anos sofre de vista cansada.

Ela é causada pelo envelhecimento do organismo. Com o passar dos anos, o cristalino — a estrutura que funciona como uma lente nos olhos, ajudando no foco das imagens — torna-­se mais enrijecido, o que deflagra a dificuldade de visão. É inexorável, e não há realmente muito que se possa fazer. A miopia, contudo, pode ser vista sob outro ângulo. É fruto, hoje em dia, do moderno cotidiano, em que os indivíduos estão permanentemente debruçados em telas de smartphone, computador e televisor. Uma a cada três pessoas é míope e tem, portanto, dificuldade para enxergar de longe. São 2,5 bilhões de mulheres e homens. Em 2050, estima-­se que metade da população mundial será obrigada a usar algum tipo de correção ocular, ou então terá passado por uma cirurgia. “Não seria exagero afirmar que existe uma epidemia de miopia”, diz a oftalmologista Andrea Zin, pesquisadora do Instituto Fernandes Figueira, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Evidentemente, o duplo ajuste cirúrgico é um alento, representa uma esperança — convém, contudo, não ter essa ficha à mão como boia de salvação. O melhor caminho, como sempre na medicina, é o da prevenção. Trata-se de evitar a exposição exagerada à luz artificial. Um estudo conduzido pelo King’s College London, no Reino Unido, comprovou a tese. Os pesquisadores entrevistaram 3 000 jovens. Os voluntários davam informações sobre sua profissão ou atividade principal e quanto tempo permaneciam ao ar livre. Aqueles que haviam ficado expostos por mais tempo ao sol, em especial os que se encaixavam na faixa etária dos 14 aos 19 anos, eram 25% menos propensos a desenvolver miopia. Conselho: desplugar-se, um pouquinho que seja.

GESTÃO E CARREIRA

POR QUE OS CHEFES TROGLODITAS ESTÁ EM EXTINÇÃO

O mundo corporativo é pragmático. Ele não aceita explicações, quer resultados. Entretanto, a maneira de conseguir resultados tem mudado de uma forma como não vimos ainda na história da humanidade.

Desde os primórdios, os resultados sempre foram conseguidos através da força e/ou da estratégia, como disse Darwin, o mais adaptado vence e sobrevive.

 Quando o homem deixou de ser nômade e se fixou na terra, a chamada Revolução Agrícola, ele aprendeu a importância de defender seu território e manter seu lugar de poder. Quando alguém ou algum grupo tinha mais força e/ou estratégia, o vencia e tomava seu lugar.

 Ao longo dos séculos, chefes, reis e imperadores se mantiveram no poder da mesma forma: através da força e/ou da estratégia. No passado, os países eram as grandes empresas e as invasões, sua forma de globalização como vimos com as grandes nações da antiguidade como a Assíria e a Babilônia, Egito e Roma.

 Um modelo muito equivalente aconteceu nos séculos 15 e 16, na era das grandes navegações com Portugal e Espanha dividindo o mundo com o Tratado de Tordesilhas e depois se tornando obsoletos com a emergência da França e da Inglaterra.

 No século 18 emerge a Primeira Revolução Industrial, baseada na tecnologia das máquinas a vapor, e a Inglaterra se torna uma nação-empresa hegemônica. Um ditado orgulhoso dizia que o sol nunca se põe sobre o império Britânico.

 Mais à frente, com a Segunda Revolução Industrial, baseada na eletricidade e a terceira, baseada no petróleo, em particular depois da II Guerra Mundial, os Estados Unidos tomam esse lugar hegemônico e dominam o mercado… Sempre da mesma forma: com força e/ou estratégia.

Esse modelo militar de conquista tem em seu DNA a mesma metodologia de gestão baseada no comando e controle, hierarquia clara e pressão sobre o mais fraco foram sistematizadas pelos pais da administração moderna, Taylor, Fayol e Max Weber. O comando e controle foi o pensamento único através dos séculos e qualquer um que falasse algo diferente, seria desclassificado como pessoa séria.

Mas isso muda na Quarta Revolução Industrial, inicialmente entendida como Digital, e agora definida como a Revolução da Convergência, uma vez que nasce da sinergia das tecnologias digitais, físicas e biológicas. Segundo Schwab, diretor do Fórum Econômico Mundial, o que caracteriza esse novo tempo é a velocidade, o alcance e o impacto nos sistemas. E isso se reflete também nas mudanças no poder e na forma de gerenciar pessoas.

 Embora a força e a estratégia ainda sejam necessárias em muitas batalhas corporativas, é a inteligência social que tem conseguido os resultados superiores. Em outras palavras, o modelo anterior ainda é necessário, mas não é suficiente para fazer frente aos novos desafios.

Novas lideranças com a capacidade de mobilização matricial e articulação com pares têm conseguido mais resultados, com menos custos e conflitos. A capacidade de conectar com diferentes grupos numa organização e conseguir uma distribuição melhor de recursos tem alavancado esses novos líderes rapidamente a patamares que, no passado, seriam impensáveis em tão pouco tempo.

 O mundo corporativo continua pragmático, só que a forma de conseguir resultados mudou. As novas gerações que cresceram ensinadas a questionar pais e professores, não sentem medo do chefe que grita ou ameaça. Às vezes sentem repulsas ou desprezo. Outras vezes vão para a internet em sites como o Glassdoor em que empregados falam sobre a experiência de trabalhar na sua empresa e denunciam o chefe, mas também a empresa que mantém um troglodita como seu representante. É como um TripAdvisor das empresas e cada vez mais as pessoas estão buscando entender como é a vida naquela empresa antes de fazer um processo seletivo.

Um novo tipo de líder está surgindo, só que ele não parece mais com uma Branca de Neve com um monte de anões à sua volta. Ele não tem aplausos compulsórios em palestras patéticas para sua equipe. Ele não ameaça com seu chicote quando o resultado não vem. Ao contrário, ele forma novos líderes, descobre talentos, impulsiona carreiras, ouve sua equipe na busca de soluções para situações complexas e, essencialmente, é uma pessoa admirável. Ele tem uma rede de apoio e sua equipe o respeita pelo seu caráter e sua competência, nessa ordem. Vi lideres assim como ilhas de excelência em empresas tóxicas, e vi ao contrário, líderes tóxicos em empresas maravilhosas.

Nas empresas e nas escolas de negócios, muitos ainda não entenderam isso. O jogo mudou e é preciso mudar a estratégia. Falamos de inovações tecnológicas para colocar a indústria no patamar 4.0, mas ainda aceitamos gestores 1.0, que usam a força quando faltam argumentos ou estratégia.

Um novo contingente de pessoas, com uma forma diferente de ver o trabalho e a vida demanda um novo tipo de treinamento. Não funciona mais colocar um grande grupo na sala para passar conteúdo em aulinhas previsíveis. Conteúdo já está nas plataformas. O que eles precisam é experiências, exemplos, mentorias e mudanças estruturais no contexto do trabalho. E nem sempre isso custa muito. Na verdade, pode trazer grandes economias.

Um exemplo recente que presenciei do impacto das mudanças estruturais, aconteceu numa empresa que tinha uma imagem de ser uma empresa digital, mas o presidente e os diversos vice-presidentes tinham um andar exclusivo que era fechado por uma grande porta de vidro onde os funcionários não tinham acesso. Um novo CEO assumiu e a primeira coisa que fez foi mandar retirar a porta de vidro e acabar com a sala dos VPs, colocando todo mundo em open space, sem salas fixas. Isso causou um choque enorme nos VPs, mas mandou uma mensagem clara para todos: a torre de marfim acabou! Imagine como a empresa viu isso? Alegria e esperança… Nenhuma palestra motivacional teria esse efeito sobre aqueles colaboradores. Nenhum treinamento alcançaria o resultado que aquela ação simples teve. Com essa inovação na gestão, o CEO catalisou a energia criativa da empresa e conseguiu levar a empresa a um novo patamar de competitividade. Sem discursos, sem promessas, mas com ações simbólicas e concretas.

Mais do que ajustar as pessoas à empresa, o novo paradigma desafia a empresa a se ajustar às pessoas.

Empatia é a nova força, inspiração a nova estratégia. Adeus chicote: já vai tarde!

ROBERTO AYLMER é médico, Ph.D. pela Rennes School of Business, França, professor internacional da Fundação Dom Cabral e consultor em gestão estratégica de pessoas