A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A DOR DO SIM, O INCÔMODO DO NÃO

A compensação psicológica pode ofuscar as consequências negativas de nossos atos, nos impelindo à concentração nos aspectos positivos da situação; essa percepção pode ser bastante útil, desde que resulte de um trabalho psíquico de elaboração profundo e não de uma simples negação da realidade

Em um estudo realizado com 77 pessoas de diversos meios sociais na Universidade Paris X, na França, os voluntários responderam a um questionário sobre os principais pesares de sua vida. Das 213 situações listadas, apenas dez referiam-se a acontecimentos alheios ao controle da pessoa (ter sofrido paralisia infantil, por exemplo). Quanto aos que dependiam de uma decisão própria, 63% tinham a ver com uma ação não realizada e 37% referiam-se a atos realizados (como más escolhas amorosas, profissionais ou financeiras).

Como explicar essa aparente contradição? Pelo fato de o arrependimento evoluir com o passar do tempo: temos a tendência imediata de nos arrepender das coisas que fizemos (quando deram errado, claro!). E, a longo prazo, tendemos a nos lamentar mais de intenções não concretizadas.

Além disso, parece que o perfil emocional desses dois tipos de arrependimento é distinto: arrependimentos por ações, a curto prazo, são mais intensos que aqueles provocados por inação. No plano emocional, os primeiros são geralmente chamados de “quentes”, enquanto os últimos são os “melancólicos”. Um estudo com 79 voluntários, que avaliava a intensidade das emoções associadas ao maior arrependimento de cada um nessas duas categorias, mostrou claramente essa relação: arrependimentos por ação são mais associados a emoções intensas (cólera, vergonha, culpa, frustração etc.), e arrependimentos por inação são mais ligados a emoções discretas (sentir-se melancólico, saudoso, desenganado etc.). No primeiro caso, lamentamos uma realidade e no segundo, uma virtualidade.

Como e por que passamos da dor pelo que fizemos ao incômodo pelo que não fizemos? Muitas explicações são possíveis. Antes de tudo, diversos fenômenos atenuam o tormento dos arrependimentos ligados aos atos: estes, às vezes, são reparáveis (por exemplo, desculpar-se e reconciliar-se depois de uma briga). Além disso, um trabalho psíquico de compensação psicológica frequentemente ofusca as consequências negativas de nossos atos, notadamente impelindo-nos a nos concentrar nos aspectos positivos da situação e não nos lamentáveis (“Não me casei com uma pessoa legal, mas meus filhos são maravilhosos”). Para exprimir esse fato, os anglo-saxões têm um provérbio: Every cloud has a silver lining, ou seja, “Toda nuvem tem uma borda iluminada”.

Contrariamente, a inação é mais insidiosa, e alguns mecanismos tendem a amplificar a dor do arrependi- mento causada por ela. Assim, se as consequências de uma ação lamentável são identificáveis e limitadas, as de uma ação não realizada são infinitas. Podemos sem dificuldade imaginar múltiplas cenas decorrentes do que teria acontecido “se” tivéssemos sido mais obstinados, mais seguros, mais ambiciosos… E isso vai aumentando, pois com o tempo tendemos a superestimar nossa capacidade de agir favoravelmente, uma vez que as dificuldades ligadas a uma situação passada se distanciaram. Assim, como o contexto preciso foi esquecido, não conseguimos mais explicar a própria inação, que nos parece indesculpável: “Como não tomei a decisão que se impunha? Não posso me perdoar…”.

No caso dos arrependimentos por inação, o campo das possibilidades não realizadas cresce à medida que a vida passa. Desse modo, não espanta que o arrependimento pelo tempo que se esvai seja uma fonte importante de inspiração poética e literária. Grande parte da obra Em busca do tempo perdido é inspirada nesse tema; segundo seu autor, Marcel Proust, “só podemos nos arrepender daquilo de que nos lembramos”. Essa frase subentende a existência do recalque de muitas das lembranças desagradáveis.

OUTROS OLHARES

O SONHO VIROU PESADELO

Brasileiros que partiram para Portugal nos últimos anos relatam suas desilusões, dificuldades e dramas na busca frustrada por uma vida melhor na Europa

No seu mais recente disco, Bandeira da Fé, Martinho da Vila gravou uma música em homenagem aos novos imigrantes brasileiros em Portugal. Em Fado das Perguntas, o sambista conta a história de um sujeito que disfarça o sofrimento com as baixas temperaturas do inverno e com a solidão dentro de uma tasca. “Tudo bom, nada mal”, diz a letra. Na realidade de parte dos mais de 100.000 brasileiros que hoje vivem do outro lado do Atlântico, não está nada bom. Em vez de pastel de bacalhau, queijo da Serra ou amêijoas, o que essas pessoas andam experimentando no país-irmão é o gosto da desilusão. A gerente comercial Marina Lamar, de 28 anos, integra esse grupo. ”Mudamos para tentar melhorar de vida”, conta ela, que chegou a Lisboa em setembro de 2018, como marido, os filhos de 1 e 9 anos e grávida do terceiro. “Hoje vivemos pior que no Brasil.”

A família de Marina tinha uma rotina simples em Vitória, no Espírito Santo, mas conseguia viajar (“parcelando mil vezes no boleto”), ter carro, animais de estimação, vida social. A decisão de deixar o Brasil foi motivada pelo medo da violência e pelo desejo de proporcionar um ensino gratuito de qualidade aos filhos. Após um tempo vivendo na casa de amigos, o casal resolveu batalhar por um endereço só da família. Como o preço dos aluguéis na capital é muito alto (não se consegue nada por menos de 4.600 reais nos melhores bairros), os dois começaram a procurar lugares mais afastados. Depois de morarem em um quarto de hotel e em uma quitinete infestada de percevejos, conseguiram alugar um apartamento de dois quartos numa cidade a 20 quilômetros do bairro de Lisboa onde o marido trabalha como garçom. “Passados seis meses, a senhoria pediu o imóvel. Fiquei sem chão”, lembra Marina, que hoje mora de favor no apartamento de uma amiga, enquanto espera sair o passaporte do filho que nasceu em Portugal para retornar a Vitória. “Chegamos ao limite”, desabafa. Para cruzar o Atlântico de volta, Marina conta com a ajuda de parentes do casal que estão se cotizando para pagar as cinco passagens de avião.

A onda de desencanto representa a ressaca pós-inundação migratória. Depois do êxodo em direção a Miami a partir dos anos 90, Portugal virou o eldorado para muitos que buscam uma fuga de problemas como a violência e o desemprego. Em 2018, a comunidade de brasileiros no país europeu chegou ao número de 105.000, 23,4% superior ao total registrado em 2017. Novamente, o Brasil liderou o número de títulos de residência emitidos, 28.210, e representa o país natal de 21% dos imigrantes que vivem por lá. Para os mais endinheirados, o governo local oferece vantagens até mesmo para conseguir a nacionalidade, e o mercado imobiliário constrói condomínios sob medida, com casas a partir de 2 milhões de reais e adaptações como cômodos para empregadas, espaços que não existem nas residências das famílias portuguesas. Para quem não tem o mesmo colchão financeiro e arrisca tudo na mudança, há o grande perigo de trombar com a barreira da tímida economia portuguesa. O PIB, equivalente a 900 bilhões de reais, é menos que a metade da economia do Estado de São Paulo (2,2 trilhões) e deve crescer 1,9% em 2019, segundo estimativas oficiais. “Nem sempre o processo migratório é bem-sucedido, às vezes por falta de informação antes da viagem, expectativas não condizentes coma realidade ou dificuldades de integração,” afirma Luís Carrasquinho, responsável em Portugal pelo Programa de Apoio ao Retorno Voluntário e à Reintegração (ARVoRe).

A iniciativa não só banca a volta de expatriados sem condições de arcar com o custo das passagens como dá um incentivo financeiro para a reintegração no mercado de trabalho do país de origem. Desde 2007, o Brasil é a nacionalidade mais representativa no ARVoRe – e, nos últimos anos, o número de pedidos de ajuda de brasileiros vem aumentando. Em 2017 foram 335 solicitações e em 2018 elas chegaram a 616. Em 2019, até agosto, o ARVoRe já havia recebido 418 candidaturas.

A goiana Claudine Alves, de 40 anos, foi uma das pessoas que se beneficiaram do programa. Ela desembarcou em Lisboa em dezembro de 2017com os dois filhos, então com 7 e 16 anos, para encontrar o marido, que vinha de Londres. Claudine vendeu o carro e os móveis antes de sair do Brasil e levou as economias para ajudar no recomeço. Na chegada, o primeiro choque foi térmico. Dos 39 graus de Goiânia, eles foram para 4 graus. O marido, que havia conseguido emprego na construção civil, acabou sendo dispensado com a diminuição de obras no inverno. Enquanto o casal penava para encontrar trabalho, as economias trazidas do Brasil eram queimadas no aluguel e nas despesas da casa. Nas vésperas do Natal, os dois deram duro numa confeitaria fazendo bolo­rei, doce típico das festas de fim de ano portuguesas. Na hora do pagamento, tomaram um calote. “Uma brasileira que contratava os funcionários sabia que não tínhamos documentos e disse: ‘Não vou pagar nada, não. Se quiserem, reclamem na polícia’.” Nos meses seguintes, Claudine conseguiu bicos num café e numa empresa de limpeza. Mas o que ganhava era muito abaixo das despesas. “Em cinco meses, a gente se viu numa situação desesperadora, à beira do despejo, com a proprietária dizendo que ia arrombar a porta e nos expulsar. Era muita humilhação”, conta. A família acabou salva pelo ARVoRe. Um mês depois de se candidatar ao programa, estava voltando para casa.

Embora tenha uma taxa de desemprego baixa (6,7%) em comparação com a trágica realidade brasileira (12,5%), Portugal está longe de ser um oásis para quem procura trabalho – e os estrangeiros sofrem mais ainda com essa dificuldade. A relações­ públicas carioca Ana Duarte, de 43anos, chegou a Lisboa em 2016 e guarda no notebook os mais de 300 e-mails que enviou com seu currículo desde então. Apenas sete empresas retornaram, das quais só uma era em sua área de atuação – e ela não ficou com a vaga. “Quando terminar meu mestrado, vou tentar uma bolsa em outro país europeu”, conta. Na falta de encontrar um emprego qualificado, a administradora Nathalia de Lima, de 32 anos, investiu cerca de 50.000 reais para montar com o marido, engenheiro de produção, uma loja de frutos secos caramelizados e doces em uma das estações de metrô mais movimentadas da cidade do Porto. As vendas iam bem, porém não o suficiente para pagar o caro aluguel do imóvel. “Tentamos negociar o valor da locação, mas o administrador foi irredutível”, diz Nathalia, que atualmente tenta recuperar o investimento vendendo o estoque pela internet. No momento, há vagas sobrando para setores específicos, como o de tecnologia de informação. Portugal criou um visto especial para atrair talentos da área das mais diferentes partes do mundo. Neste ano, até julho, 284 brasileiros obtiveram o documento, de um total de 338 autorizações. Muitos que têm qualificação acabam trabalhando no país como motorista de Uber ou motoboy para sobreviver.

Em busca de urna saída, alguns brasileiros começaram a ganhar dinheiro oferecendo serviços à grande comunidade de conterrâneos expatriados, corno o de bufê de festa infantil caprichada, um negócio estranho às famílias portuguesas. O empresário paulista Marinho Ponci, de 52 anos, por sua vez, criou uma consultoria no Porto para brasileiros interessados em montar negócios por lá. Para quem pensa em empreender, ele dá duas dicas: paciência e reserva financeira de pelo menos dois anos. “O primeiro ano é terrível; no segundo, entende-se o mercado; e no terceiro o negócio pode deslanchar”, afirma. Para quem desembarca com urgência em ganhar a vida em euros, alerta o consultor, é grande o risco de o sonho português virar um pesadelo.

GESTÃO E CARREIRA

CARA DE UM, FOCINHO DO OUTRO

Nestes tempos em que crescem os hábitos saudáveis, os pets acompanham a onda, tornam-se até veganos e fazem florescer um novo mercado

, mas fazer o que se o bicho é espelho do dono? Uma verdade antropologicamente sólida: pessoas escolhem animais que se parece, fisicamente com elas como comprovam as pesquisas. “Antigamente o bicho de estimação ficava fora de casa, não participava da rotina dos donos. Agora ele é mais humanizado. O tratamento mudou e os hábitos de consumo, também”, diz Guilherme Martinez gerente comercial da feira PET South América, a maior da América Latina, que monitora o avanço do segmento natureba no planeta pet.

E que planeta. De acordo com o IBGE os lares do Brasil alojam 52 milhões de cães e 22 milhões de gatos alcançando o quarto lugar no ranking mundial de população de animais de estimação. Essa bicharada movimenta um mercado que cresce 40% ao ano em faturamento e prevê amealhar 21 bilhões de reais em 2019 atrás apenas dos Estados Unidos (pela primeira vez o Brasil passou a China nesse departamento). “Trata-se de um claro reflexo do estilo de vida dos donos”, confirma Martinez. A paulista Petra Shie, dona da marca Pet – Bamboo, uma das pioneiras, conta que teve o estalo para investir nesse nicho justamente em uma viagem com a irmã vegetariana. “Observando os hábitos dela, entendi que esse novo consumidor não compra produto, compra conceito”, explica Petra, que planeja abrir mais de 100 franquias em 2020.

O público-alvo varia de acordo com o grau de ortodoxia. Em um extremo desponta gente como a advogada Krystal Castor, 32 anos, que se apresenta como ativista do veganismo, o qual defende com garra (perdoe o trocadilho) na internet. “Não conseguiria viver de uma maneira e criar meus bichos de outra”, diz ela, dona de um border collie e de um gato anabel redpoint. Todo dia aparece uma boa-nova nessas antenadas prateleiras: muito acessório à base de fibra de arroz, caminhas de algodão 100% recicláveis e até cosméticos (veja o quadro abaixo). Tudo caríssimo, mas bichinhos com consciência ecológica pagam, sem reclamar.

Na alimentação, nada é mais como antes nos potinhos de bambu. Para os autênticos cães veganos, proteínas animais são coisa de um passado a ser enterrado. As novas misturas, que combinam vegetais e frutas, podem ser preparadas em casa, porém já se acham em profusão no mercado. Há dez anos na produção de rações, a BF Foods, de Porto Alegre, inaugurou em 2018 uma linha à base de proteína de soja. A inspiração baixou em uma viagem aos Estados Unidos, onde essa é uma opção comum nas pet shops. “Ao longo deste primeiro ano, vimos um crescimento de 30% nas vendas de alimento vegano”, calcula Claudio Maia, gerente de marketing da marca gaúcha. Mas, afinal, bicho pode deixar de comer carne? A Associação Veterinária Britânica (BVA), na sigla em inglês) estudou o assunto e concluiu que gatos têm de ter carne na dieta – os felinos são carnívoros obrigatórios e ela é imprescindível para seu desenvolvimento saudável. “Teoricamente, é possível criar cães com uma dieta vegetariana, mas os donos precisam se informar e acrescentar suplementos a ela, para prevenir doenças”, avisa Daniella dos Santos, vice-presidente da associação. Fica a pergunta que todo cachorro faria se pudesse falar: biscoitinho sabor bacon pode?

ESCOLHAS SUSTENTÁVEIS

ALIMENTAÇÃO VEGANA

No cardápio dos cães que comungam da cartilha “natureba”, as proteínas animais estão banidas. A ração para eles é à base de farinha de vegetais e frutas – banana, açaí, guaraná. A dieta inclui biscoitinhos, mas atenção: eles são assados, integrais e contém probióticos, que estão ali para cuidar da flora intestinal canina. Aos marinheiros de primeiro pet, dois avisos: 1) esse tipo de menu custa em média quatro vezes mais (a não ser que se ponha a mão na massa para prepara-lo em casa); e 2) não se aplica a gatos, carnívoros por natureza

COSMÉTICOS NATURAIS

Nada de sal nem corantes. O trio para o banho da bicharada – xampu, condicionador e sabonete – agora é hipoalergênico e biodegradável e ainda sem parabenos, química que soa como palavrão a ouvidos mais ortodoxos. Para finalizar, colônia de óleo de bambu

UTENSÍLIOS ECO-FRIENDLY

Saem de cena os potinhos para alimentação à base do famigerado plástico e entram acessórios feitos de fibras de arroz ou do queridinho bambu, que, como se sabe, absorve CO2. Os novos materiais encantam pela alta durabilidade, mas assustam pelo preço. O recipiente acima custa 300 reais (os não ecológicos começam em 15 reais)

AREIA DE MANDIOCA

Normalmente feita da substância química sílica, a areia para que o felino deposite urina e fezes ganhou versão composta da mistura do milho com a mandioca. Depois de usada, ela pode ser eliminada direto no vaso sanitário, sem passar pelo lixo. Novidade à vista: areia biodegradável à base de tofu.

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 22 – PROBLEMAS E PERGUNTAS

Existem certas coisas a respeito de demônios e do ministério de libertação a respeito das quais seria insensato falarmos dogmaticamente. Não há respostas para uma grande parte das perguntas. Existem divergências honestas nas opiniões entre as várias autoridades nesse campo. Em vez de ignorar essas questões por completo, vou mencionar e fazer meus comentários sobre várias delas, as quais, no meu modo de pensar, são as mais importantes.

1. NÓS SOMOS MENOS EFICAZES QUE JESUS, NÃO É?

Isso pode ser debatido, e com razão, pois a evidência do Novo Testamento é que Jesus libertou as pessoas dos espíritos demoníacos com maior autoridade e facilidade do que estamos vendo hoje. Não fujamos deste ministério por causa da falta de perfeição, esperando o dia em que possamos agir como Jesus. Esse caso é igual ao da pessoa que não sabia nadar e resolveu não entrar na água até que pudesse nadar como um campeão olímpico.

Para mim, existe hoje um erro muito sério nesse ministério. Quando os resultados não são imediatos, alguns, com toda certeza, declaram que tudo depende da fé. Em consequência disso, eles têm a prática de mandar embora todos os demônios e descansam na “fé” que eles saíram. Mas suposição não é fé. Quando a pessoa não é liberta em consequência dessa pseudo-fé, então, deveria admitir-se que alguma coisa está errada.

Alguns desses casos têm chamado minha atenção. E1es foram vítimas de ilusão e engano. Foram avisados que estavam libertos, mas nada mudou. Será que o ministro de libertação foi realmente honesto? Será que ele não se interessou por um trabalho bem feito? Será que ele estava procurando meio para encurtar a eficácia? Como é que podemos julgá-lo?

Um dia, um pastor amigo meu estava discutindo comigo essa espinhosa questão. Durante a conversa, o Espírito Santo falou ao meu coração dizendo que a Igreja iria entrar num período de maior poder com relação ao ministério de libertação. O Espírito Santo me revelou que ia me dar uma amostra prévia do que ia acontecer.

A esposa do outro pastor estava sentada na sala conosco e havia pedido libertação. Pelo Espírito Santo, fui dirigido a mandar embora de uma só vez os demônios que a perturbavam. Ninguém na sala mudou de lugar. Apontei o dedo àquela senhora, no outro lado da sala, e mandei os demônios saírem dela. Houve um minuto de silêncio e ela explodiu em tosses. Ao reconhecer que foi liberta, ela se levantou erguendo as mãos para louvar a Deus. Nisso, ela caiu no chão sob o poder da unção do Espírito Santo.

Não estou satisfeito com a unção de minha experiência ou com a que tenho notado, em geral, no ministério dos outros. Creio em Deus que virão dias melhores. As lutas espirituais que, no passado, levaram horas, agora levam minutos. Os demônios, sem dúvida, reconhecem nossa autoridade aumentada pela experiência e respondem mais rápido, com menos manifestações ou manifestações mais curtas.

Em alguns casos, os demônios nas pessoas que estavam na mesma sala onde estávamos ministrando gritaram, simplesmente por reconhecer que nós éramos perigosos e uma ameaça para eles. Parece que isso é um paralelo à experiência de Jesus quando Ele entrou na sinagoga e um espírito imundo presente num homem bradou. (Veja Marcos 1:23, 26.) Fiquemos abertos ao ensino do Espírito Santo. Sem dúvida, o problema é dos homens e não de Deus.

2. COMO UM CRISTÃO PODE TER DEMÔNIOS?

Como é possível para um espírito demoníaco habitar o mesmo corpo ao mesmo tempo que o Espírito Santo? Parece lógico presumir que é impossível, mas nem tudo que é lógico é verdade, e há lógica baseada numa posição falsa.

Neste livro, temos tomado a posição de que os crentes podem ser habitados por demônios. A explicação dessa possibilidade é principalmente baseada, tanto quanto eu possa determinar, num entendimento claro da diferença entre a alma e o espírito. A palavra do Novo Testamento para “espírito” é “pneuma”. Em contraposição ao natural, o espírito é aquela parte do ser humano que tem a capacidade de alcançar e perceber as coisas divinas.

“Ora, o homem natural não aceita as cousas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” (1 Coríntios 2:14.)

A palavra “alma’ é “psique”. Ela significa as emoções, o intelecto e a vontade. Paulo nos mostra que o corpo humano consiste de três partes.

“O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.” (1 Tessalonicenses 5:23).

A Bíblia ensina que antes da salvação um homem está morto em seus delitos e pecados. (Veja Efésios 2:1.) Tal homem não está morto fisicamente – o coração dele ainda está batendo. Ele está morto espiritualmente – ele não tem comunicação nenhuma com Deus, ele não tem nenhuma percepção dos mistérios divinos. O novo nascimento (salvação) conserta o estado do espírito de um homem. O espírito é estimulado pela vinda da presença divina. Jesus entra na vida humana trazendo Sua vida.

“E o testemunho é este, que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está no seu Filho. Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida.” (1 João 5:11, 12.)

Disso vemos que o Espírito divino passa a habitar no espírito humano na hora da salvação. Os espíritos demoníacos estão relegados à alma e ao corpo do cristão. Os demônios afligem as emoções, a mente, a vontade e o corpo físico, mas não o espírito do cristão.

A finalidade da libertação é tirar os demônios transgressores da alma e do corpo, a fim de que Jesus Cristo possa reinar também sobre estas áreas. Jesus fez provisões para o homem todo, mas uma parte da responsabilidade é do homem, conforme é demonstrado no seguinte trecho bíblico:

“…desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.” (Filipenses 2:12b, 13.)

Deus está fazendo uma obra “em você”, mas a salvação mencionada não está completa. Ela precisa ser “desenvolvida”. A palavra “salvação”, nesta passagem, é soteria. O sentido primário desta palavra é “libertação de molestação pelos inimigos”. A ideia está clara. Jesus libertou nosso ESPÍRITO do poder de Satanás; agora Jesus nos diz: “Desenvolvei a vossa salvação (libertação) da molestação dos inimigos até que a ALMA. e o CORPO sejam libertados”.

3. UM INCRÉDULO PODE SER LIBERTADO?

A resposta óbvia é “sim”. Os demônios têm de obedecer àqueles que os mandam embora em nome de Jesus. Nunca ministrei libertação a um descrente, mas não tenho dúvida nenhuma que os demônios responderiam e obedeceriam. Mas por duas razões duvido seriamente de tal libertação.

PRIMEIRA: Haveria pouca esperança na conservação de tal libertação. Eles voltariam logo em seguida, não é? A pessoa tem de resistir pessoalmente ao demônio e ela não tem base para fazê-lo, a menos que esteja submissa ao Senhor. O pecado abre a porta para a entrada dos demônios, e um pecador incrédulo, sem o arrependimento de seus pecados, torna-se vítima do diabo.

SEGUNDA. De acordo com as Escrituras Sagradas, a libertação de um incrédulo poderia contribuir para uma piora, em vez de uma melhora.

(Note-se em Mateus 12:43-45 que, quando um espírito maligno é expulso, ele fará tudo para voltar. Se nada de Deus é posto no lugar vazio, o espírito maligno pode voltar, trazendo outros demônios até piores junto com ele, de modo que “o último estado daquele homem torna-se pior do que o primeiro”.

Não vejo base nenhuma para ministrar libertação a um incrédulo a não ser por ordem do Senhor. Somente Deus sabe o futuro e se a pessoa vai aceitar Cristo como seu Salvador. Ainda mais, qual seria o motivo de um incrédulo em desejar libertação? Em sua incredulidade o motivo não deve ser o de glorificar a Deus. O motivo dele seria puramente egoísta:

O ministério de libertação não é uma brincadeira, nem um jogo. É somente para aqueles que levam Deus a sério. Ora, a questão não é um incrédulo PODER ficar liberto, mas se deve um incrédulo receber a ministração de libertação. Normalmente, o espírito tem de ser liberto primeiro, e isso acontece através do novo nascimento.

4. SENDO EXPULSOS, O QUE ACONTECE COM OS DEMÔNIOS?

A Bíblia não fala muito sobre esse assunto. Nossa referência principal é Mateus 12:43. Lemos:

“Quando o espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos procurando repouso, porém não encontra.” (Mateus 12:43.)

Nosso problema é saber até onde devíamos deixar a interpretação deste versículo ser literal. Uma vez que os demônios são seres espirituais, como seriam afetados por um lugar árido? Talvez as palavras sejam meras figuras. Assim, elas mostram os demônios andando e percorrendo um lugar fora da habitação humana. O demônio é inquieto e insatisfeito fora do corpo humano, pois a única maneira em que ele pode perpetuar seus desígnios maus é habitando e controlando uma vida humana.

Há um trecho muito interessante no livro de Jó, no Antigo Testamento, que descreve bem o “quadro” daqueles que percorrem lugares áridos. Já que o livro de Jó é sobre um homem sob o ataque de Satanás, a descrição tem mais sentido. Durante as libertações, tenho usado essa passagem contra os demônios, lembrando-lhes que eles vão para lugares áridos. Os demônios são atormentados ao ouvir a leitura dessa passagem. Parece que eles entendem melhor que nós o que o capítulo descreve. Examine o capítulo 30 do livro de Jó por completo, do qual destacamos aqui somente uns versículos:

“De míngua e fome se debilitaram; roem os lugares secos, desde muito em ruínas e desolados. Apanham malvas e folhas dos arbustos e se sustentam de raízes de zimbro. Do meio dos homens são expulsos; grita-se contra eles, como se grita atrás de um ladrão; habitam nos desfiladeiros sombrios, nas cavernas da terra e das rochas. Bramam entre os arbustos e se ajuntam debaixo dos espinheiros. São filhos de doidos, raça infame, e da terra são escorraçados.” (Jó 30:3-8.)

5. PODEMOS INDICAR PARA ONDE OS DEMÔNIOS TÊM DE IR?

Essa pergunta está relacionada com a anterior. Além de dizer-nos que os demônios expelidos “andam por lugares áridos”, não há sugestão nenhuma daquilo que acontece com eles. Não há registro nenhum de que Jesus ou seus discípulos impuseram qualquer julgamento aos demônios, mandando-os ao inferno, ao abismo ou para um lugar qualquer. Parece que os demônios bem entendem que seu julgamento final ainda vem no futuro. Eles indicaram isso ao falar através do gadareno endemoninhado.

“E eis que gritaram: Que temos nós contigo, ó Filho de Deus! Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?” (Mateus 8:29.)

As Escrituras não nos autorizam a atormentar os demônios antes do tempo. Esse tempo é estabelecido somente por Deus.

Podemos mandá-los a outro país ou localidade? O demônio que se identificou como “Legião” pediu para que Jesus não o mandasse para outro lugar.

“E rogou-lhe encarecidamente que os não mandasse para fora do país.” (Marcos 5:10.)

Pela leitura desse versículo, parece que os demônios podem ser mandados para outras partes do mundo; isso devia ser feito em todas as vezes ou apenas em certos casos? Houve casos em que fui dirigido pelo Espírito Santo a mandar que demônios fossem para um país específico. Nesses casos, ouvi deles protestos violentos.

Um demônio me implorava para não mandá-lo à África, queixando-se de que lá faz calor demais. Por uma razão ou outra, eles preferem ficar em certa localidade.

Por que os espíritos malignos no gadareno pediram entrada nos suínos, e por que Jesus o concedeu? Certamente Jesus não estava de acordo com os demônios. A razão d’Ele deveria estar baseada no bem-estar do pobre endemoninhado. É minha própria teoria que o homem teria sido bastante arranhado pela legião dos espíritos resistindo à ordem de Jesus. (Jesus nunca impediu que os demônios maltratassem a pessoa ao saírem.) Desde que os demônios tivessem um destino certo, eles não resistiriam. No entanto, os suínos logo foram destruídos, e mais uma vez os demônios ficaram sem “casa”.

Os demônios preferem habitar corpos humanos. A segunda preferência deles é habitar num animal. Não me alegro muito ao saber que se o demônio não pudesse habitar em mim, ele preferiria um porco! Os demônios podem habitar e realmente habitam em animais.

6. PODEMOS PROIBIR A VOLTA DOS DEMÔNIOS À PESSOA JÁ LIBERTADA?

Aprendemos que Jesus não permitiu a volta do demônio em uma ocasião. Foi no caso do rapaz possuído por um espírito mudo e surdo trazido a Jesus pelo pai.

”Vendo Jesus que a multidão concorria, repreendeu o espírito imundo, dizendo-lhe: Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: Sai deste jovem e nunca mais tornes a ele.” (Marcos 9:25.)

Parece que foi uma exceção. Como vimos em Mateus 12:43-45, um demônio tentará voltar e vai conseguir entrar, se a pessoa libertada não fizer nada para impedi-lo. No caso de crianças, os pais são responsáveis pela proteção espiritual dos filhos.

O pai, no caso citado, mostrava uma fraqueza em sua fé, dizendo: “Creio, ajuda-me na minha falta de fé.” Jesus estava fortalecendo a fé do pai quando foram interrompidos pela multidão. Pode ser que Jesus tenha agido soberanamente a favor de um filho que não tinha a proteção espiritual adequada do pai.

Nesse caso, um exemplo só é pouca evidência para servir de precedente. Se tivéssemos a autoridade de, em todos os casos, proibir a volta dos demônios, a libertação seria facilitada bastante, mas eliminaria o incentivo do indivíduo em conservar sua libertação, a qual faz parte do crescimento espiritual do crente. Sem dúvida nenhuma, o Senhor nos revelará Sua intenção em qualquer situação em que Seu propósito for o de limitar a atividade demoníaca, negando-lhe acesso à pessoa.

Deus é capaz e bem pode limitar o poder de Satanás contra alguém. Satanás precisou pedir licença a Deus antes que pudesse maltratar Jó.

“Disse o Senhor a Satanás: Eis que ele está em teu poder; mas poupa-lhe a vida.” (Jó 2:6)

Se Deus, por meio da palavra de conhecimento, mostrar que é proibido ao demônio habitar na pessoa de novo, podemos dizer ao demônio: “Na autoridade do Senhor Jesus Cristo, não entre mais nela”.

7. AS CASAS DEVERIAM SER PURIFICADAS DOS ESPÍRITOS IMUNDOS?

Devido ao fato de eu estar envolvido no ministério de libertação, tenho ouvido falar de estranhas atividades demoníacas em lares e objetos. Muitas vezes sou convidado para limpar lares de demônios. Livros e objetos relacionados com o reino satânico têm servido como ímãs na atração dos demônios. Atividades pecaminosas da parte dos moradores anteriores de uma habitação dão motivo para uma “limpeza”.

Muitas pessoas têm contado que ouvem vozes ou barulho estranho em sua casa. Tais manifestações chamam-se “poltergeist”, uma palavra alemã que significa “espíritos barulhentos”.

Uma vez, numa ministração com uma menina de 9 anos, sua mãe nos contou que a menina acordava todas as noites bem assustada. Eles não podiam saber o porquê. A ministração à menina não revelou nada de suspeito. Pedimos licença para revistar o quarto dela. Descobrimos três coisas que podiam atrair espíritos maus. Havia um livro sobre uma bruxa – tomado por empréstimo da escola pública. Havia um grande brinquedo na forma de um sapo e, sobre sua casa, havia um móbile composto de meia dúzia de corujinhas incandescentes.

A família deu fim a todas essas coisas. Em nome de Jesus mandamos embora imediatamente todos os demônios escondidos naquele quarto e clamamos pelo sangue de Jesus sobre a menina. Ela tem dormido sossegadamente desde aquele dia.

Onde estão as corujas e os sapos? Eles estão classificados entre as criaturas mencionadas em Deuteronômio 14:17-19. Eles são tipos de espíritos demoníacos. Esse ministério que Deus me deu tem-me levado a muitos lares, de modo que estou ciente de quantas dessas criaturas impuras estão sendo transformadas em objetos de arte e usados como enfeites.

Isso é verdade especialmente em relação a corujas e sapos. É mais do que coincidência que os dois são criaturas da escuridão. Eles saem à noite em busca de alimento. Os demônios também são criaturas da escuridão. Eles não podem operar na luz!

Em outro lar havia um menino de 12 anos que não podia dormir sossegado. Ele era muito nervoso e medroso. A casa estava repleta de objetos trazidos da África onde os pais haviam sido missionários. Entre outras coisas havia uma máscara de bruxa e fetiches usados pelos bruxos-médicos nos ritos pagãos. Às vezes o valor econômico e sentimental de tais objetos são mais importantes que o bem-estar da família. Ouça o que Deus falou ao povo d’Ele, Israel, a respeito dessas coisas.

“As imagens de escultura de seus deuses queimarás; a prata e o outro que estão sobre elas não cobiçarás, nem os tomarás para ti, para que te não enlaces neles; pois são abominação ao Senhor, teu Deus. Não meterás, pois, cousa abominável em tua casa, para que não sejas amaldiçoado, semelhante a ela; de todo, a detestarás e, de todo, a abominarás, pois é amaldiçoada.” (Deuteronômio 7:25, 26.)

Os espíritos malignos e imundos definitivamente são atraídos às casas pelos objetos e pela literatura que trata de religiões falsas, de seitas, do oculto, do espiritismo, etc. Todas essas coisas devem ser queimadas ou destruídas de qualquer maneira. Os lares e/ou prédios suspeitos de infestação demoníaca devem ser purificados pela autoridade do nome de Jesus. Aqueles que moram ou trabalham nesses lugares devem clamar pelo sangue de Jesus Cristo.

8. É NECESSÁRIO CHAMAR OS DEMÔNIOS PELO NOME ESPECÍFICO PARA EXPULSÁ-LOS?

Coisas interessantes surgem durante a ministração de libertação a respeito dos nomes ou das designações dos demônios. Às vezes, eles saem sem serem identificados. Tal tipo de libertação pode continuar por uma hora ou mais sem que chamemos espíritos específicos. Em outras situações, acontece que demônio nenhum sairá até que ele seja chamado por seu próprio nome.

Em certa ocasião, eu tinha mandado o espírito de rejeição sair. Mais tarde, o demônio de medo de rejeição foi discernido. Eu lhe perguntei: “Por que você ainda está aí? Por que não saiu como rejeição?”

Respondeu o demônio: “Porque você não me chamou pelo meu próprio nome. Não sou rejeição, mas eu sou medo de rejeição”.

Os demônios costumam responder à descrição daquilo que eles mesmos provocam. Por exemplo: “Você, demônio que está fazendo com que esta pessoa tenha pesadelos à noite”. A maioria dos demônios aceitará essa abordagem, em vez de um nome específico, e sairá.

Penso que a insistência em ser chamado pelo nome é uma maneira de prolongar a luta. Conheço casos em que os demônios resistiram a identificar-se, dizendo: “Mas este não é meu nome”. Nesses casos, eu geralmente digo: “Você tem de sair de qualquer maneira”, e eles saem.

O principal valor em saber o nome ou a classificação dos demônios é o de habilitar a pessoa liberta a saber o que foi realizado. Quando qualquer um deles tentar retornar, é importante reconhecê-lo.

Dessa maneira, a pessoa está de sobreaviso e pode tratar com aquela parte da carne e fechar a porta ou tampar a brecha contra a volta deles.

Alguns dos demônios são muito orgulhosos. Parece que eles ficam supersatisfeitos em ouvir falar seus nomes. Um deles falou ostensivamente: “Sou o único que resta”, assim se vangloriando em ser o último a ser expulso. Ele continuou dizendo: “Sou o orgulho. Todo orgulho vem de mim”.