A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

RECEBER PRESENTES – UM PRAZER CEREBRAL

O anseio de receber é lentamente construído no cérebro graças à liberação dos “hormônios da expectativa”

No momento em que recebemos um presente que corresponde às nossas expectativas, sentimos uma onda de prazer. Essa sensação reside em conjuntos de neurônios especializados na percepção do prazer. Surgidos ao longo da evolução, eles cumprem uma função crucial: a manutenção da vida. Os sistemas cerebrais que mais influenciam o comportamento são os que nos levam a satisfazer as necessidades vitais (comer, beber, reproduzir-se e proteger-se). O prazer é o meio empregado pela evolução para que essas funções sejam asseguradas. Para favorecê-las, foi desenvolvido o sistema neuronal da recompensa. Esse circuito está no centro de nossas atividades.

Durante a evolução, o cérebro humano diferenciou­ se do de outros mamíferos, principalmente mediante o desenvolvimento do córtex, o que propiciou um aumento na complexidade das conexões nervosas. As estruturas mais antigas, onde estão as células nervosas do sistema de recompensa no animal, permaneceram inseridas no cérebro ancestral, chamado de reptiliano. Na década de 50, os fisiologistas ingleses James Olds e Peter Milner fizeram uma experiência sobre o circuito da recompensa: eles implantaram, em uma determinada região do cérebro de ratos, o núcleo accumbens, eletrodos ligados a uma alavanca que o rato podia acionar. Observaram que o animal apoiava-se, sem cessar, sobre a alavanca, estimulando essa região de seu cérebro, esquecendo até mesmo de comer e beber. Essas experiências foram feitas também em seres humanos que passavam por operações cirúrgicas.

No sistema hedônico, principalmente na área tegmental ventral e no núcleo accumbens, o principal mensageiro químico endógeno é a dopamina. É esta a substância liberada no cérebro dos ratos estimulados por um eletrodo. A maioria das drogas reforça a ação da dopamina. Constatou-se, por exemplo, que os ratos se auto administram drogas na área tegmental ventral ou no núcleo accumbens, quando um dispositivo lhes permite. Todas as drogas lícitas (álcool, tabaco) ou ilícitas (heroína, maconha, cocaína) causam um acréscimo na concentração de dopamina no núcleo accumbens, embora não diretamente proporcional à sensação de prazer. As substâncias psicoativas consumidas parecem ter uma propriedade comparável à dos sinais naturais de recompensa: elas aumentam a concentração de dopamina. Há, contudo, uma diferença notável: a modificação da atividade das células nervosas do circuito, sob a ação de recompensas naturais, dura apenas um ou dois segundos, enquanto as drogas exercem uma ação de várias dezenas de minutos. Isto foi demonstrado no animal e no homem, graças ao imageamento por ressonância magnética e à tomografia por emissão de pósitrons.

Uma injeção de morfina provoca no rato uma liberação de dopamina que dura alguns segundos e, no ser humano, a visualização de uma imagem agradável (doces ou cenas eróticas) tem os mesmos efeitos. A oferta de dopamina no núcleo accumbens produz o efeito hedônico. Além disso, após aprender, um animal pode se auto administrar, e de maneira repetitiva, a dopamina. Da mesma forma, parece que o prazer de receber um presente corresponde a uma disponibilidade de dopamina no núcleo accumbens.

Mas isso não é tudo. Há outro fator no prazer experimentado: a tensão que precede a recompensa. O neurologista Ray Dolan e seus colegas do Instituto de Neurologia da Universidade de Londres mostraram que o prazer associado ao alimento, por exemplo, só é acompanhado por uma liberação de dopamina se o consumo era esperado, o que corresponde à noção de desejo. Ressaltemos que a dopamina, hormônio do prazer por excelência, é liberada sob a influência de dois tipos de substâncias chamadas de neuropeptídeos, secretadas pelo cérebro. Um deles, os peptídeos opioides endógenos, ou encefalinas, fixam-se sobre receptores chamados opioides de tipo µ e ó, engendrando resistência à dor, depois prazer e euforia e, em caso de excesso, sedação: eles imitam a ação da morfina. Os outros aumentam o nível de vigilância, protegendo o animal contra os predadores; a colecistocinina é um desses tipos de substância.

Nos dois últimos anos, a importância do sistema opioide interno na dependência psíquica às drogas foi demonstrada graças a ratos desprovidos dos receptores de tipo µ: eles deixam de se auto administrar álcool ou cocaína. As encefalinas intervêm então no comportamento ligado à dependência e são provavelmente secretadas enquanto aguardam uma recompensa. Utilizando a técnica conhecida como microdiálise, nós medimos a concentração sináptica peptídeos no núcleo accumbens de ratos previamente condicionados à morfina.

O dispositivo experimental era constituído por duas áreas diferenciadas pela cor das paredes e pelo revestimento do chão. A primeira etapa foi a de aprendizagem ou condicionamento. A cada dois dias os animais tomavam uma injeção de morfina e eram depois colocados em uma das divisões; no dia seguinte, recebiam um placebo antes de trocar de área. Assim, o animal aprendia a associar um meio específico com os efeitos positivos da morfina. Após o período de condicionamento, os ratos eram recolocados (sem injeção da droga) em uma das divisões e depois na outra. Quando retornava ao meio associado à injeção de morfina, constatamos um aumento das encefalinas: o animal antecipava a recompensa. Ao ser colocado no compartimento associado à injeção de placebo, notamos uma diminuição das encefalinas.

NEUROBIOLOGIA DO PRAZER

À luz desses dados, seria possível falar em uma neurobiologia do prazer ligado aos presentes. Sem dúvida. As modulações bioquímicas observadas durante certas situações, por exemplo, no período de festas que anuncia a chegada de presentes, certamente influenciam nosso estado de espírito. Extrapolando esses dados, digamos que o prazer experimentado quando ganhamos um presente esteja ligado a uma ativação do sistema hedônico proporcionado por nossos neuromediadores de prazer (dopamina e encefalinas). Se, por infelicidade, o presente não chega, é possível que a atividade hedônica do circuito diminua, ocasionando uma baixa momentânea de encefalinas (como no animal colocado no compartimento em que recebeu o placebo). Essa reação desencadeia uma sensação de frustração, como a decepção da criança que não ganha um presente ou que recebe um presente diferente do esperado. A realidade, entretanto, não é assim tão simples, e o prazer está muitas vezes misturado à felicidade, que não pode ser reduzida a equilíbrios neuroquímicos. A felicidade é um estado complexo que necessita do prazer para se exprimir, mas também de sua representação, ou seja, depende da noção adquirida, após diversas experiências, do que seja um presente apropriado para se receber no Natal.

OUTROS OLHARES

MULHERES DO OURO

Como vivem as brasileiras que se prostituem nas áreas de exploração da Guiana Francesa

O dia estava nascendo e a tensão já era palpável no loteamento clandestino do “PK 6”, refúgio de garimpeiros brasileiros localizado na Estrada de Saint-Élie, a 6 quilômetros de Kourou, na costa da Guiana Francesa. As mochilas carregadas e as “quentinhas” de arroz e frango ainda mornas foram deixadas de lado. De tocaia e com os celulares na mão, os brasileiros acompanhavam em tempo real uma nova operação das forças de ordem na região. A expedição pela floresta teve de ser adiada, ao menos naquele momento.

No quintal de seu barraco, Rosana, de 48 anos, lamentou mais uma tentativa frustrada. Ao lado de suas vizinhas, um grupo de “mulheres do ouro”, lembrou histórias dos tempos áureos do garimpo na Guiana Francesa: “Verdadeiras cidades funcionavam às cegas no coração da floresta”, disse. Nascida em Santarém, no Pará, há 14 anos tornou-se “cozinheira” — termo usado para designar as mulheres que se ocupam da alimentação e de quem se espera satisfação sexual dos homens do garimpo. Rosana orgulha-se de ter acumulado 1,5 quilo de ouro, o equivalente a R$ 300 mil. Perdeu quase tudo em apreensões e desilusões.

Desde 2008, o governo francês tem endurecido o controle na região. Diariamente, cerca de 500 homens da Gendarmaria Nacional (polícia militar francesa), das Forças Armadas e das autoridades de fronteira são mobilizados no combate ao garimpo ilegal pela Operação Harpie. De acordo com o Office National des Forêts (ONF), órgão público de controle florestal, no ano passado, 765 áreas de exploração clandestinas, 215 poços e 51 galerias de extração foram destruídos, mas apenas 5 quilos de ouro foram apreendidos.

A força-tarefa dificulta, mas não desencoraja o fluxo de imigrantes que continuam a cruzar ilegalmente a fronteira na esperança de enriquecer com a extração do minério. A ONF estima em 10 mil o número de garimpeiros ilegais em atividade no território, mais de 90% deles brasileiros — que, seduzidos pelo pagamento em euro, assumem o risco de se sujeitar à lei estrangeira. Também são atraídos pelas garantias de educação e saúde dadas pelo Estado francês. Na Guiana, o Estado oferece ajuda financeira, escola e atendimento básico de saúde mesmo às famílias em situação irregular. Na região da floresta, o atendimento por ONGs e associações como a Cruz Vermelha e a local ADER, de combate à aids, é gratuito e não faz distinção entre a população nativa e os que não possuem nacionalidade francesa.

Contudo, dentro do garimpo, a vida é de quase escravidão, relatou Rosana: “A vida no garimpo é cruel. Quem entra nesse esquema já começa devendo e trabalha dia e noite para sobreviver”. Ela explicou que, do lucro total do que é extraído, 70% vai para o dono do maquinário e o restante é dividido entre os garimpeiros e a cozinheira do acampamento. “Só dá para comer”, garantiu ela, que chegou a ficar 13 anos seguidos sem deixar a floresta. “Muitas pessoas deram a vida pelo garimpo e acabaram com o corpo jogado no leito do rio, sem nada.” Ainda assim, Rosana se disse pronta para driblar novamente o controle de fronteira e voltar para a mata, “atrás da pepita que vai mudar o destino” de sua vida.

As adversidades da Amazônia da Guiana Francesa e o isolamento só fazem aumentar a dificuldade e a dívida dos que ali trabalham. O preço de um par de botas pode chegar a 30 gramas de ouro — o equivalente a quase R$ 6 mil. Uma garrafa de cachaça 51, que nos supermercados vale menos de R$ 10, no meio da floresta é comercializada por até 5 gramas do minério, aproximadamente R$ 1.000. Já um maço de cigarros vale 3 gramas — ou R$ 600.

A prostituição, também a preço de ouro, foi o que atraiu Marli ao meio da mata. Aos 12 anos de idade, ela deixou a cidade de Itaituba, no Pará, por uma aventura em Oiapoque, no Amapá, na fronteira com a Guiana Francesa. Atuou em bares da região até ser chamada para trabalhar como prostituta em uma zona de garimpo. “Um programa custa 4 gramas de ouro. Às vezes você pode fazer três seguidos na mesma noite. É um salário que jamais ganharia no Brasil”, contou. Deportada três vezes, Marli lembrou os riscos que enfrentou para voltar à floresta: “Só não fui presa porque estava grávida e eles não conseguiram encontrar a pedra que escondi na vagina”, contou. Ela se viu forçada a mudar de vida após tomar um tiro no pé — de um fuzil calibre 12 — ao se recusar a manter relações com um garimpeiro “apaixonado”. Com as marcas no corpo e hoje casada com um marceneiro, Marli, que vive num vilarejo próximo a uma zona de garimpo, teme não conseguir sustentar os seis filhos e ter de voltar para a vida de outrora.

A resiliência de mulheres como Marli chamou a atenção do subtenente da Legião Estrangeira Fernando V. (em razão de regras internas, ele não pode ter seu sobrenome revelado). A serviço da tropa militar há mais de 20 anos, o brasileiro atuou em missões de apreensão em Sophie, a 30 quilômetros da comuna de Saül. “A ordem é queimar tudo que se encontra na floresta para acabar com a atividade ilegal e resgatar as pessoas desse regime de dominação. Mas elas se recusam a deixar o local, dispostas a passar às vezes dias sem comer, na esperança de que os militares não achem as reservas escondidas na mata”, disse o subtenente. “A cada final de missão, assim que os helicópteros decolam, os acampamentos logo são reconstruídos e as atividades voltam ao normal. Um trabalho sem fim para os homens da Operação Harpie”, reconheceu. Em janeiro de 2019, um mapeamento aéreo da ONF identificou 132 áreas de garimpo — dez a mais que o estudo precedente, de outubro de 2018, trazia.

A amapaense Neide, de 40 anos, é uma das pessoas que não se sentem desmotivadas a recomeçar mesmo depois de os militares queimarem os garimpos ilegais. “Já perdi muita coisa, sofri violência, fui presa duas vezes, mas mesmo assim voltei. Tenho orgulho em dizer que é com o dinheiro de meu trabalho que pago a faculdade de meus dois filhos no Brasil. Um estuda medicina e o outro engenharia ambiental”, contou. “Casada” com dois homens do garimpo, Neide cuida do transporte de mantimentos e presta serviços sexuais aos parceiros em troca de ouro. “Existe muita rivalidade e ameaças nesse meio. A jornada é muito desgastante. Eles chegam a peneirar mais de 12 horas seguidas sem achar nada”, disse.

Desde 2003, mais de 29 mil hectares de floresta foram destruídos na Guiana Francesa em decorrência do garimpo, legal e ilegal, de acordo com o órgão ambiental local — o equivalente à área de Belo Horizonte, Minas Gerais. Desde 2009, mais de 20 autorizações para a exploração legal de minérios na floresta foram concedidas pelo governo francês, e 15 novos pedidos estão em curso, agora na gestão de Emmanuel Macron. O presidente francês, um dos principais críticos da política ambiental do governo Bolsonaro, tem sido criticado por organismos ambientais em seu país por fazer a defesa da Amazônia brasileira sem mencionar os problemas enfrentados pela Guiana Francesa.

A atividade clandestina, que usa mercúrio para formar amálgamas e assim identificar melhor os pequenos grãos de ouro, contaminou mais de 3.300 quilômetros de rios, provocando a asfixia de plantas e peixes e doenças. “É como deparar com um lixão no meio da mata”, disse o legionário Fernando. Em volta dos acampamentos, a quantidade de detritos acumulados contrasta com a pureza da selva virgem. Nas áreas de garimpo, verdadeiras crateras de lama contaminada por carburantes impedem a regeneração da floresta. É nesse ambiente de putrefação que as brasileiras da Guiana Francesa veem um futuro de ouro.

GESTÃO E CARREIRA

66% DOS LÍDERES ESTÃO PRESOS NO OPERACIONAL E SEM TEMPO PARA A ESTRATÉGIA

Pesquisa mostra, ainda, que 81% dos líderes ainda precisam se preocupar com prazos da sua equipe

Uma pesquisa realizada pela Conquer, escola de treinamento das core skillsmostrou que 66% dos líderes não conseguem se dedicar a traçar uma boa estratégia por estarem resolvendo problemas operacionais. Mais: 53% acreditam que a equipe e os projetos não caminham sem eles estarem por perto e 81% ainda precisam cobrar prazos e resultados.

Ou seja, muitos líderes ainda se enquadram no perfil do líder herói. “O perfil do herói ainda está presente em muitos líderes. E quem é esse líder? É aquele que tem respostas pra tudo, que tem controle de tudo e que salva a tudo e todos. O time liderado por esse perfil só executa aquilo que é passado, ou seja, é um perfil que não desenvolve pessoas, mas sim torna a equipe ainda mais dependente dele. Esse conceito está bem longe do líder exponencial, que é um conceito que precisa estar latente nos profissionais de hoje”, diz Hendel Favarin, cofundador da Conquer.

A pesquisa, que contou com a participação de mais de 1.700 líderes, teve também como objetivo entender quais são as principais dificuldades encontradas pelos líderes hoje em dia e, assim, identificar quais são as principais habilidades que devem ser desenvolvidas não só nas lideranças, mas, sobretudo nas equipes.

FEEDBACK E ENGAJAMENTO

Além de mostrar o quanto os líderes ainda precisam incentivar equipes mais autônomas para conseguir ter foco na parte estratégica, a pesquisa revelou que, em alguns pontos, já existe sim uma mudança positiva no dia a dia das empresas e no papel que os líderes vêm desenvolvendo.

Sobre feedback, por exemplo, 93% dos líderes reconhecem que há mudança de comportamento no time quando o processo é realizado e 82% acham fácil engajar suas equipes quando são propostas mudanças ou projetos difíceis.

Outro dado interessante diz respeito ao reconhecimento do trabalho realizado pela equipe liderada: 92% dos líderes admitem, nos últimos meses, terem reconhecido publicamente um funcionário por sua atitude ou resultado alcançado e 96% costumam reconhecer seus liderados e comemorar junto com a equipe resultados alcançados.

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 21 – A ESQUIZOFRENIA

esquizofrenia é um problema bastante comum. Algumas autoridades em doenças mentais calculam que haja pelo menos 50 milhões de esquizofrênicos somente nos Estados Unidos. Isso quer dizer uma em cada oito pessoas.

Os esquizofrênicos constituem a metade da população dos hospitais psiquiátricos. Naturalmente há uma variedade de graus de esquizofrenia. Alguns casos são graves, enquanto outros são bem leves. Muitos esquizofrênicos nunca foram tratados adequadamente.

A esquizofrenia é um problema difícil para os profissionais da saúde mental. Sua causa e sua cura têm sido revestidas de dúvidas. O distúrbio e a desintegração da personalidade conhecidos por esquizofrenia ou “dementia praecox” são encontrados com frequência pelo ministro de libertação. Julgo que um quarto dos que nos procuram para libertação possuem o padrão da esquizofrenia.

O Senhor bondosamente nos deu uma revelação especial do problema, e isso nos tem ajudado a lidar com esses casos com a maior eficácia. Como a revelação veio à minha esposa, pedi-lhe para completar este capítulo.

A REVELAÇÃO SOBRE ESQUIZOFRENIA (IDA MAE HAMMOND)

Estávamos trabalhando na libertação de uma pessoa que mostrava pouca melhora, mesmo depois de ministrarmos várias vezes. Essa pessoa desejava muito ficar liberta. Ela amava a Deus e cria de todo o coração que a libertação era a solução de seus problemas, e clamava a Deus, desesperada. Ela cooperava conosco, mas os resultados, em geral, eram desanimadores.

Vez após outra sentimos a vitória. Por uns dias sua personalidade mostrava sinais de estabilidade; de repente, tudo ficava em tumulto. Estávamos de volta ao ponto de partida.

Uma noite, acordei. E o Senhor estava falando comigo. Ele me disse: “Quero lhe dar uma revelação sobre o problema de Sara. O problema é esquizofrenia. Eu sabia muito pouco sobre o assunto. Havia tido um curso de psicologia geral na universidade e lembrei-me dos termos: maníaco-depressivo, esquizofrênico, paranoia, psicoses e neuroses. Lembrei-me de que esquizofrenia é, às vezes, designada como “dupla personalidade”.

O Senhor me deu esta definição: “Esquizofrenia é um distúrbio ou uma desintegração do desenvolvimento da personalidade. Você nunca mais a chamará Sara, mas ‘Sara Um’ e ‘Sara Dois’, pois ela tem mais de uma personalidade.

Eu ainda estava na cama quando o Senhor continuou a me dar a revelação. Ele me disse para juntar as mãos, entrelaçando os dedos bem firmemente, pois isso representava a natureza esquizofrênica. Cada mão representava uma das duas personalidades dentro do esquizofrênico, nenhuma delas representando a pessoa verdadeira. Minhas mãos estavam firmemente entrelaçadas.

Disse o Senhor: “Suas mãos representam o ninho dos espíritos demoníacos que formam a esquizofrenia. Quero que você saiba que é demoníaca. É um ninho de espíritos maus que entraram na vida dela quando era pequena. Vou lhe mostrar como se separam.”

Em seguida, o Senhor me disse para separar os dedos devagar, MUITO DEVAGAR. Enquanto meus dedos se desentrelaçavam, o Senhor me mostrou que esses espíritos demoníacos devem ser separados, expulsos e abjurados. O processo requer tempo. È um choque para a pessoa descobrir o quanto de sua personalidade não é verdadeiramente sua.

Ela pode ter medo de descobrir qual é a sua verdadeira personalidade. A pessoa precisa de tempo para se ajustar e para deixar a ligação com as personalidades falsas, dos demônios. Ela tem de se aborrecer da personalidade esquizofrênica e deixar de estar de acordo com ela. O Senhor fez-me lembrar de Amós 3:3: “Andarão dois juntos, se não houver entre eles acordo?”.

Um por um de meus dedos foram desligados, ilustrando o desligamento das personalidades demoníacas. (Mais tarde foi dado a cada dedo uma designação de demônio.) Os últimos dois dedos a serem separados foram os terceiros das mãos. O Senhor mostrou-me que estes representam o âmago do esquizofrênico – rejeição e rebelião. Quando estes estão finalmente separados, a pessoa pode considerar-se curada — libertada – e poderá saber qual é a sua verdadeira pessoa.

O demônio de controle é chamado de “Esquizofrenia” ou “Animo Dobre”. A Bíblia diz: “homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos” (Tiago 1:8). Essa é a definição de esquizofrênico segundo as Escrituras. Ou em outra tradução:

“[Pois sendo como ele é] um homem de ânimo dobre — hesitante, dúbio, irresoluto — [ele é] instável e inseguro sobre tudo (que ele pensa, sente, resolve)”.

A frase traduzida “ânimo dobre” vem de uma palavra grega composta cujo sentido literal é “alma dupla”.

Outra parte da revelação veio umas semanas mais tarde. O Senhor mandou-me desenhar minhas mãos numa folha de papel. Aos dedos, Ele deu os nomes de vários demônios e mostrou como cada demônio se aninha no esquizofrênico. O demônio em controle da esquizofrenia convida os outros para entrar para causar a distorção da personalidade. A esquizofrenia SEMPRE começa com “rejeição”. Em geral, ela começa logo no princípio da vida e às vezes enquanto a criança ainda está no ventre da mãe. Há muitas razões para a rejeição. Talvez a criança não fosse desejada ou não fosse do sexo desejado por um dos pais ou pelos dois. As condições no lar também influem. Há muitas “portas” que dão entrada à rejeição.

1. Impede alguém de oferecer e receber o amor – de DEUS e do HOMEM.

2. Casa a pessoa com o mundo para receber amor.

3. força alguém a contar tudo, procurando atenção, castigo e correção.

4.  Inclui afeição desordenada a animais.

5. Honestidade a qualquer custo. Procura de evidências para suspeita.

6. Impede a pessoa de olhar para si.

7. Desobediência e insubmissão.

8. Casa a pessoa a desejos egoístas.

9. Mental e espiritual.

SEDUTOR: tentar desviar, enganar

ILUSÃO:  um desvio da mente, crença falsa, erro fixo (ficar agarrado a uma ilusão).

EM PSIQUIATRIA: crença falsa a respeito da própria pessoa (comum em paranoia).

A esquizofrenia pode ser herdada demoniacamente. Note-se que eu disse “demoniacamente”. Com isso quero dizer que ela não está no sangue nem nos genes – está nos demônios. Em outras palavras, os demônios procuram propagar-se mesmo. É muito fácil para eles fazerem isso dentro de uma família. Por exemplo: vamos supor que a natureza esquizofrênica está na mãe.

Os demônios escolherão uma ou duas das crianças em que eles continuarão a habitar. A mãe esquizofrênica sente-se rejeitada. É ela a responsável, em grande parte, pela dispensação de amor na família. A ela compete tomar conta do nenê. A rejeição dentro dela cria problemas em suas relações com’ a criança. Então, a criança fica aberta para a rejeição, pela condição instável da mãe. Repito, esquizofrenia SEMPRE começa com rejeição.

Entretanto, alguém pode ter um espírito de rejeição sem ser um esquizofrênico. Em outras palavras, tudo está relacionado com a formação da personalidade. Você pode estar com um demônio de rejeição e, mesmo assim, conseguir formar sua própria personalidade e ser uma pessoa segura de si. Ao contrário, o esquizofrênico está sempre instável. “Quem sou eu?” A identidade da verdadeira personalidade está confusa ou perdida.

A rejeição (indicada na mão esquerda no desenho) é o demônio de controle numa das personalidades estabelecidas no esquizofrênico. A rejeição revela uma personalidade do tipo afastado. É um sentimento interior – é uma agonia – é uma fome de amor — é a insegurança — é a inferioridade — é a fantasia — é a irrealidade – tudo no interior – “Eu não faço parte disso.” Isso é uma das personalidades formadas pelos demônios.

A segunda personalidade formada pelos demônios é a “rebelião”. (Veja o dedo do meio na mão direita no desenho.)

Quando uma criança não recebe amor adequado, ela cresce sem a capacidade de sentir e participar dos relacionamentos de amor. A rebelião toma conta. Ela começa a lutar por amor ou a atacar aqueles que lhe negaram amor. A rebelião se manifesta em teimosia, vontade própria e egoísmo. Aqui está outra personalidade. Essa não é de afastamento.

É agressiva e expressa raiva, rancor, amargura, ódio e represália. O esquizofrênico está literalmente sob o domínio desses dois poderes opostos. Ele pode passar de um tipo de personalidade para outro, num abrir e fechar de olhos.

O Senhor mostrou-me que era para eu me referir à pessoa como Sara Um e Sara Dois – a Sara Um é a pessoa verdadeira e a Sara Dois é a personalidade esquizofrênica. Assim, de fato há três personalidades — a verdadeira, a rejeição e a rebelião. Num período de 30 minutos é possível que todas as três se manifestem. Naturalmente, isso traz muita confusão à própria pessoa e, mais ainda, aos outros ao redor dela.

A verdadeira pessoa não é nenhuma das “mãos”. A “Pessoa Verdadeira” é mostrada entre os braços, no fundo. Os demônios não permitiram o desenvolvimento da própria pessoa. O esquizofrênico não conhece sua própria pessoa. Ao ser libertado, a pessoa real deve ter Jesus.

A presença de Jesus naquela pessoa tem de ser desenvolvida, desenvolvendo a personalidade e fazendo aquilo que Ele quer que ela seja. Por isso, o tempo tomado na libertação de um esquizofrênico é mais prolongado que em outros — às vezes leva meses ou até um ano ou mais.

A libertação tem de progredir junto com o desenvolvimento da “pessoa verdadeira”. Não pode ser às pressas, pois não há nada para sustentá-la. Se todos os demônios num esquizofrênico fossem expulsos de uma vez, a pessoa se sentiria perdida. Identificação com a “pessoa verdadeira” leva tempo. Enquanto a natureza esquizofrênica está sendo derrubada, a personalidade verdadeira tem de crescer para tomar seu lugar.

Deixe-me ilustrar o que pode acontecer durante a libertação de um esquizofrênico. Talvez ele esteja aprendendo submissão à autoridade. Ele está encarando um teste. Há uma situação em que ele tem de se submeter e isso está fora de seu costume. O que ele fará? Voltará à rejeição? voltará para seu quarto? cobrirá o rosto? deixará de falar com alguém? ou voltará à rebelião? expressando raiva? tornando-se rebelde? mostrando teimosia? Ou ele deixará a natureza de Jesus aparecer? cooperando? entregando-se à autoridade? tornando-se submisso? A decisão é dele. Ele tem de discordar dos demônios e quebrar os padrões dos velhos hábitos. A “pessoa verdadeira” deve tornar-se bastante forte em Cristo para tomar a decisão certa.

No desenho, você verá uma espiral, em cima, entre as mãos. Isso representa um “furacão”. O esquizofrênico, geralmente, cria uma turbulência ao redor de si. Ele entornado pelo furor, e os outros têm de se relacionar com aquilo que está acontecendo. Note que há umas flechas também com espirais ou “furacões”. Se, por acaso, a pessoa com quem está tentando relacionar-se também é instável, ela traz seus tumultos aos do esquizofrênico, criando um furacão dentro do furacão. Outras flechas estão limpas. Estas representam as pessoas estáveis, que podem relacionar-se com o “furacão” de maneira estável. Tais pessoas podem se aproximar e enfrentar o furacão, sem ficarem feridas nem marcadas. Elas não são pegas pelo tumulto. O ministro de libertação deve ser capaz de entrar como uma flecha limpa. É nestas horas tumultuosas que se formam as raízes de amargura (veja a mão direita) e se aprofundam mais e mais.

Vamos ver o que os outros dedos da mão esquerda representam. O dedo anular representa a luxúria. O Senhor me mostrou que esse demônio casa a pessoa com o mundo em busca de amor. A luxúria tem suas raízes na rejeição. Se alguém não recebeu amor satisfatório por meio dos canais normas da vida, a natureza carnal começará a procurar esse tipo de amor – amor sensual — erótico.

Um demônio companheiro deste grupo é fantasia sexual, que pode fazer a pessoa imaginar-se como o maior amante do mundo ou da TV, ou levá-la a fantasiar experiências sexuais como um prelúdio aos atos de perversão real. O espírito de prostituição nas mulheres pode, a princípio, manifestar-se no modo de se vestir. Perversões sexuais representam ações extremas para superar a rejeição. As experiências sexuais nunca podem satisfazer a necessidade de amor genuíno. Elas são os substitutos do diabo para o verdadeiro amor e deixam a pessoa carregada de frustrações e culpas.

O dedo mínimo na mão esquerda é a “autoacusação”. Esse demônio faz a pessoa virar-se contra si mesma e destrói seu senso de valor pessoal. Na maioria dos casos, temos encontrado “autoacusação” ligada a uma “compulsão de confessar”. Por exemplo, se a pessoa cair em atos imorais, ela não descansa até ter confessado tudo.

Geralmente, a pessoa confessa a quem deveria demonstrar-lhe o máximo de amor. Ela é levada a agir dessa maneira numa tentativa de “chocar” os outros e forçá-los a dar-lhe atenção e, assim, encontra um substitutivo para o amor.

Agora notemos a mão direita no diagrama. O dedo médio leva a designação de “rebelião”. Como temos visto, a rebelião identifica uma das personalidades falsas montada pelos demônios. Esse grupo de demônios pode ser considerado espíritos compensadores para “rejeição’ rebelião é o oposto da rejeição. Um é expressivo e turbulento; o outro é receoso e inseguro.

O dedo anular da mão direita representa teimosia (vontade própria). Esse demônio “casa” a pessoa com desejos próprios. Isso abre o caminho à teima, ao egoísmo e à resistência ao ensino. De novo vemos a compensação para a rejeição. Desde que a pessoa foi rejeitada ou tem medo da rejeição, ela é levada a mimar-se e a esforçar-se. Assim, ela está tentando suprir as sensações de rejeição.

O dedo indicador é chamado acusação. Ele também é um demônio compensador. Ele desvia a atenção da rejeição. Ele procura eliminar uma concentração em si, chamando a atenção para os outros. O indicador esquerdo aponta para si – “Eu sou culpado -, enquanto o indicador direito aponta para os outros -“É você o culpado”. É o demônio de acusação que abre a porta para seus companheiros de julgamento.

O dedo mínimo da mão direita é autoengano. Seus colegas são ilusão, auto sedução e orgulho. Esses três espíritos de “ego” inflamam o orgulho. O orgulho é outra compensação para a rejeição. Quem se sente rejeitado quer se sentir importante. O espírito de ilusão vem dizendo: “Você é verdadeiramente IMPORTANTE!” Você é um gigante espiritual!” ou outro tipo de gigante. O ego abatido agora recebeu um empurrão. Mas é tudo demoníaco. Só gera mais frustrações e desapontamentos.

Num caso, o espírito de autoengano convenceu uma mocinha de 13 anos que ela tinha 19. Ela tomou outro nome para designar sua outra pessoa. Ela fez tudo para pensar, falar e agir como uma moça mais velha. Ela foi empurrada além de suas capacidades normais e de sua maturidade normal, e sua opressão aumentou.

Por revelação, o Senhor mostrou como os polegares representam a fase “PARANOIA” da esquizofrenia. Uma parte dela está representada no polegar esquerdo porque tem suas raízes na rejeição. Ao lado da rejeição estão os espíritos de ciúme e inveja. Os deficientes em relacionamentos de amor recíproco tomam-se ciumentos e invejam quem tem esse amor que satisfaz. Ao lado da rebelião há espíritos de desconfiança, suspeita, medos e perseguição. Há outro demônio neste ultimo grupo chamado “confrontação com honestidade a qualquer preço”.

A suspeita e a desconfiança aumentam na pessoa até que ela é obrigada a enfrentar a outra pessoa. Depois da confrontação, a pressão no interior diminui, por um pouco de tempo. Mas a pessoa atacada tem de cuidar das feridas feitas por ELA mesma. A pessoa agindo sob a influência dos demônios da paranoia é bastante insensível a quantas feridas ela cria, ainda que ela seja supersensível às ofensas de outros para com ela.

A revelação descrita nos dedos e nos polegares tem sido infalível, assim como tem sido julgada por numerosos ministérios com os esquizofrênicos. Não há falha nenhuma.

Os demônios notados na mão esquerda são exemplos de outros espíritos geralmente encontrados ao lado da rejeição. Haverá variações de pessoa para pessoa. A lista é sugestiva e não exaustiva. Em muitos dos casos é claro que os demônios anotados na mão esquerda estão de uma maneira ou outra associados com o trio de espíritos do tipo de rejeição: rejeição, medo de rejeição e auto rejeição.

A anotação de demônios na mão direita inclui controle e possessão. Eles estão diretamente relacionados à rebelião.

“A rebelião é como o pecado de feitiçaria…” (1 Samuel 15:23a.) Este versículo pode ser interpretado de duas maneiras. Primeiro, interpreto que para Deus a rebelião é tão abominável como a feitiçaria. Também acho que quer dizer que alguém que é rebelde por natureza tem a natureza de uma bruxa. O objetivo da feitiçaria é controlar. É o controle sobre outra pessoa pelo uso, ciente ou não, do poder dos espíritos maus. A rebelião muitas vezes leva ao controle.

Agora, vamos continuar na mão direita. Há uma “raiz de amargura”. Sempre há conflitos em nossa vida. Coisas ACONTECEM e palavras SÃO ditas que requerem uma atitude de perdão. Aqui está o problema com o esquizofrênico. Ele não tem a capacidade de perdoar. Ele está com um espírito irreconciliável. Aquilo que aconteceu há 30 anos está vivo hoje como se tivesse acontecido neste momento. A raiz de amargura fica em pé e dela saem ressentimento, ódio, raiva, represália, violência e homicídio. Pode haver muitos outros demônios ligados à raiz de amargura.

Como é que o esquizofrênico se desliga desta confusão? As três áreas principais a serem vencidas são REJEIÇÃO, REBELIÃO e RAIZ DE AMARGURA. Enquanto essas áreas são vencidas, a “casa” (a vida) tem de ser preenchida pelo amor -dado e recebido -, pela submissão a toda autoridade e pelo perdão a todos, apesar das circunstâncias. Quando essas três áreas estão vencidas, os outros espíritos da mesma ascendência perdem a força. É necessário determinação. A pessoa que é capaz de dizer com persistência: “ESTOU DIFERENTE! NÃO DEIXAREI OS DEMÔNIOS CONTROLAREM MINHA VIDA”, eventualmente terá a vitória.

Entre as mãos, na parte de baixo, há uma figura chamada “A Pessoa Verdadeira”. Do mesmo modo que a libertação demora para chegar ao fim, “a Pessoa Verdadeira” tem de crescer (designada pelas flechas) e se separar das falsas personalidades esquizofrênicas, discordando de toda a sua influência e de tudo que elas representam.

A “Pessoa Verdadeira” deve tomar a própria natureza de Jesus. Exercícios espirituais como estudo bíblico, oração, jejum, louvor e comunhão com outros crentes é essencial a uma libertação. Esses exercícios espirituais também acelerarão o processo de libertação, enquanto a vida da pessoa é cheia com as coisas positivas de Jesus Cristo.

É trabalho árduo tanto para o esquizofrênico quanto para o ministro de libertação. Tenho grande admiração pelos esquizofrênicos que lutam até ganhar a vitória. Admiro essas vitórias acima de todas as outras libertações. A libertação de esquizofrenia é a mais profunda, a mais detalhada e a mais resoluta que já encontramos.