A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CONFUSÃO DE SENSAÇÕES

A sinestesia não é doença, mas sim um fenômeno sensorial quase sempre relacionado a memória e criatividade acima da média

“Quando escrevo uma equação na lousa vejo os números e as letras de cores diferentes. E me pergunto: que diabos meus alunos veem? A frase é do americano Richard Feynman, Nobel de Física em 1965. Ele faz parte de um grupo de pessoas para quem o número dois pode ser amarelo, a palavra carro tem gosto de geleia de morango e a nota fá evoca a imagem de um círculo, por exemplo.

Essas são algumas das experiências sensoriais que povoam o cotidiano das pessoas com sinestesia. São sensações difíceis de imaginar, mas tremendamente reais para quem as vive, tanto que os sinestésicos pensam que todas as pessoas têm as mesmas percepções. Eles raramente sabem que são dotados de uma característica particular, mas não tardam muito a descobrir seu extraordinário potencial criativo. Estima-se que o fenômeno atinja uma em cada 300 pessoas.

A sinestesia é um fenômeno de contaminação dos sentidos em que um único estímulo – visual, auditivo, olfativo ou tátil – pode desencadear a percepção de dois eventos sensoriais diferentes e simultâneos. Há pessoas, por exemplo, que toda vez que sentem um odor (real), escutam certo som (imaginário). Outros enxergam em cor uma letra do alfabeto escrita com tinta preta. Não se trata de um transtorno temporário na maioria dos casos, ainda que haja algumas raríssimas exceções; por isso um dos principais critérios para o diagnóstico da sinestesia é sua estabilidade ao longo do tempo.

Geralmente, a associação entre estímulo e percepção ocorre apenas em um sentido: quem vê a cor vermelha (imaginária) toda vez que ouve a nota dó (real) não escuta a mesma nota (imaginária) quando vê qualquer coisa vermelha (real).

AS QUATRO ESTAÇÕES

Totalmente involuntária, a sinestesia não pode ser controlada, nem induzida na ausência do estímulo específico. E é justamente a incapacidade de controlá-la que a distingue das chamadas sinestesias cognitivas, que se caracterizam por associações de ideias (objetos, conceitos, cores, sons) e dependem, na maioria das vezes, de experiências artísticas individuais e de condicionamentos culturais. Alguns exemplos de sinestesia cognitiva são pensar num campo florido enquanto se ouve “As quatro estações”, de Vivaldi, ou desfrutar antecipadamente do sabor de uma maravilhosa torta que se vê na vitrine; em ambos os casos a pessoa sabe que não está no campo florido e que é preciso comprar a torta. Já a experiência sensorial induzida pela verdadeira sinestesia é percebida concretamente, como se fosse real.

Segundo o psicólogo Jamie Ward, da Universidade de Londres, a sinestesia não é doença. “O   que a distingue da maioria dos transtornos psiquiátricos ou neurológicos é o fato de os sinestésicos serem dotados de um sintoma positivo, isto é, de uma característica ausente na população em geral. Os distúrbios geralmente se caracterizam pela ausência ou pelo comprometimento de uma função, como a afasia e a amnésia”, diz. Portanto, os sinestésicos são pessoas absolutamente normais, que não manifestam problemas cognitivos ou outras disfunções.

CANHOTOS E CRIATIVOS

Alguns estudos conduzidos pelo médico Richard Cytowic, pioneiro na pesquisa da sinestesia, indicam que a memória e a criatividade dos sinestésicos são superiores às da média da população. Por outro lado, o senso de orientação não é tão bom assim.

A maioria dos sinestésicos é canhota, e um percentual significativo confunde direita e esquerda. Seu ponto forte são as faculdades mnemônicas, particularmente a memória declarativa: eles se lembram de muitos números de telefone, datas, senhas, fatos e eventos.

Também é comum se recordarem com perfeita precisão de longos diálogos de filmes, trechos de livros e instruções verbais. O que não se sabe ainda, entretanto, é se essa capacidade excepcional se deve à sinestesia propriamente dita ou a algum fenômeno correlato.

O primeiro sinestésico registrado na literatura médica foi em 1922, de uma criança de 3 anos e meio. Até hoje não se sabe ao certo em que idade o fenômeno se manifesta, muito menos se as percepções cruzadas na infância são as mesmas na idade adulta. Nenhum sinestésico se lembra do momento exato em que começou a ver a letra A sempre pintada de vermelho ou a nota dó exalar um perfume de rosas. Segundo o professor de psicologia da Universidade de Trieste, Walter Cerbino, durante o período de desenvolvimento da aprendizagem perceptiva os elementos do sistema sensorial se associam, de modo estável e regular, a estímulos específicos. “Não sabemos que associações são apropriadas ou não.  A permanência das experiências sinestésicas na fase adulta pode ser explicada como um processo de seleção diferenciada das respostas adequadas aos estímulos”, explica o psicólogo. Outra hipótese seria a origem genética, que não exclui a primeira, ao contrário, a complementa. Não é raro haver mais de um sinestésico na mesma família. Além disso, o fenômeno é três vezes mais frequente em mulheres. Alguns pesquisadores cogitam a participação do cromossomo X na transmissão dessa característica.

LETRAS ESCONDIDAS

Ainda não há um teste inequívoco para diagnosticar a sinestesia, em parte porque as pesquisas sistemáticas na área tiveram início há poucas décadas. Um dos testes mais usados atualmente, conhecido como teste da genuinidade (TG), foi desenvolvido pelo professor de psicopatologia do desenvolvimento Simon Baron-Cohen, da Universidade de Cambridge. O TG mede a estabilidade da relação entre estímulos e respostas ao longo do tempo: uma sequência de centena de estímulos (palavras, cores, sons, odores) é apresentada ao   possível sinestésico; em seguida, suas respostas sensoriais (cores, formas, etc.) são registradas. O teste é repetido em intervalos regulares durante meses e até mesmo anos. A consistência das respostas entre os sinestésicos geralmente é de 70 %; nos indivíduos comuns fica por volta dos 40 %.

Outro teste se baseia na pesquisa visual: no interior de uma matriz de letras em branco e preto estão “escondidas” outras letras que o sinestésico diz ver coloridas. Eles costumam encontra-las mais rapidamente que os não-sinestésicos. O teste também permite explorar o conflito de cores suscitado por uma letra azul quando, por exemplo, uma vermelha é avistada. Diante de um “A” pintado de azul, o sinestésico que sempre o viu vermelho leva mais tempo para reconhecê-lo – tal incongruência gera atraso no processamento da informação, segundo os pesquisadores.

As tecnologias de imageamento cerebral, principalmente a ressonância magnética e a tomografia por emissão de pósitrons deram uma guinada significativa nas pesquisas da área. ”Esses exames permitem registrar as variações no fluxo sanguíneo nas diferentes regiões do cérebro e apontar quais delas são ativadas em consequência de estímulos diferentes”, explica Pietro Pietrini, professor de bioquímica clínica e molecular da Universidade de Pisa.

ATIVAÇÃO CORTICAL

Estudo publicado em 2006 na revista Córtex revelou que as áreas do córtex visual encarregadas da percepção das cores (chamadas V4 e V8) ativam-se de modo específico quando um sinestésico lê uma sequência de letras. Para Pietrini, esse resultado confirma a hipótese segundo a qual a experiência sinestésica é real porque o sinestésico de fato percebe estímulos que não existem no universo perceptivo das pessoas comuns. Outro caso descrito na mesma publicação não deixa dúvidas. J. F., 52 anos, era sinestésico desde pequeno e visualizava cores quando ouvia os nomes dos dias da semana. Apesar de ficar cego aos 42 anos, continuava a experimentar exatamente a mesma sensação quando alguém lhe dizia segunda-feira ou domingo, por exemplo.

O neurologista Megan Steven, da Faculdade Dartmouth, em New Hampshire, pesquisou o cérebro de J. F. por meio de ressonância magnética funcional. As imagens mostraram, mais uma vez, a ativação das áreas V4 e V8. “Mesmo que ele não veja as cores de fato, seu cérebro continua a ve­las em resposta a certas palavras”, conclui o pesquisador.

O CEGO QUE TOCAVA CORES

O filósofo inglês John Locke foi o primeiro a descrever a sinestesia. No Ensaio sobre o entendimento humano, de 1690, ele conta a história de um intelectual cego que, depois de muito refletir sobre como representar os objetos visíveis, orgulha-se de ter finalmente percebido o significado da cor vermelha: “É como o som de uma trompa”. Para alguns historiadores, porém, o primeiro registro do fenômeno sinestésico é do filósofo grego Aristóteles, que escreveu sobre o paralelismo entre “aquilo que é agudo ou grave ao ouvido e aquilo que é áspero ou suave ao tato”.

O conhecimento sobre a sinestesia se ampliou no início do século XVIII graças aos trabalhos do físico inglês Isaac Newton e do matemático alemão Gottmed Leibniz. O primeiro estudou o caso de um cego que representava as cores com o timbre dos instrumentos musicais; o segundo observou a existência de uma relação entre as cores que compõem o espectro da luz visível e as notas da escala musical. Em 1880, o polímata inglês Francis Galton publicou um artigo na Nature no qual descreveu pessoas que, uma vez submetidas a estímulos reais, percebiam atributos inexistentes nestes, por exemplo, a cor de um número. Galton intuiu que não se tratava de simples associação conceituai, mas de um fenômeno de percepção contraditória.

A comunidade científica recebeu o estudo com ceticismo, e a maioria dos pesquisadores preferiu ignorar o fenômeno, que julgavam ser fruto de mentes fantasiosas, sugestionáveis ou propensas a enganar o pesquisador. Os avanços na área não foram significativos até a segunda metade do século XX. Nas décadas de 60 e 70 surgiram muitos estudos sobre os efeitos sinestésicos de substâncias como ácido lisérgico, mescalina e psilocibina.

MUNDO CODIFICADO PELAS CORES

Em um teste de capacidade de segregação visual, sinestésicos que unem uma cor específica a um número específico podem, instantaneamente, ver um padrão embutido em uma imagem com números pretos espalhados sobre uma página branca. Enquanto uma pessoa com percepção normal precisa realizar uma pesquisa número por número para perceber, nesse exemplo, os 2 entre os 5 (esquerdo), o grupo em forma triangular dos 2 sobressai para um sinestésico (direito).

Números ”invisíveis” aparecem para sinestésicos em um teste de percepção. Quando uma pessoa encara um objeto central, aqui um sinal mais, um único dígito em um lado é fácil de ser visto com a visão periférica (esquerdo). Mas se o número é circundado por outros (direito), ele parece borrado – invisível – para a pessoa normal. Em contraste, um sinestésico poderia deduzir o número central pela cor que ele evoca.

OUTROS OLHARES

À TODA VELOCIDADE

A mania de acelerar a imagem e o som de séries e filmes, para devorá-los rapidamente, ganha adeptos e empolga a Netflix – mas irrita os diretores

Em Curtindo a Vida Adoidado, de 1986, um clássico dos filmes para adolescentes, o personagem Ferris Bueller, interpretado por Matthew Broderick, solta uma frase que virou um mantra, repetida à exaustão por quem sempre gostou de ficar de pernas para o ar: “A vida passa muito depressa. Se não paramos para curti-la de vez em quando, ela passa e você nem vê”. Três décadas depois, na era das redes sociais, do streaming, do mundo amplamente conectado, a máxima parece ter perdido o sentido original. Agora, o que vale mesmo é correr, e correr muito, para não deixar escapar a profusão de ofertas on-line.

A ociosidade é quase um crime de lesa-pátria. A Netflix, atenta a essa acelerada movimentação, anunciou, em outubro, uma experiência insólita até para seus ávidos e apressadinhos 155 milhões de assinantes no mundo (no Brasil, são 10 milhões): o teste, em dispositivos móveis do sistema operacional Android, de um recurso para acelerar a velocidade de filmes e séries. Um episódio de cinquenta minutos, a média de duração de cada capítulo da aclamada House of Cards, poderia ser visto em 33 minutos e 30 segundos. Com isso, as pausas dramáticas perderiam a intensidade prevista pelos roteiristas, produtores, diretores e atores.

Não por acaso, a chiadeira foi maciça. O cineasta americano Judd Apatow, de séries como Love (lançada pela própria Netflix) e Freaks and Geeks – clássico da virada dos anos 1990 para os 2000 -, foi ao Twitter para esbravejar: “Não me faça ligar para todos os diretores e criadores de séries no planeta para brigar por causa disso. Poupe o meu tempo (…) Nós entregamos coisas legais. Deixe-as como foram projetadas para ser vistas”. O também diretor Brad Bird, de desenhos animados do estúdio Pixar, como Os Incríveis e Ratatouille, endossou o coro: “É outra ideia espetacularmente ruim”.

As cabeças pensantes da Netflix se inspiraram em truques muito comuns na internet – as extensões de navegadores, como as do Google Chrome, que permitem a exibição de conteúdos de modo mais rápido. Isso funciona muito bem no YouTube e no Facebook, fundamentalmente em registros de palestras ou discursos, para os quais não se exige plena atenção. A tendência é herança de uma onda dos anos 1960, as técnicas de leitura dinâmica, que prometiam mundos e fundos ao possibilitar uma travessia mais ágil de qualquer texto. Já naquela época, na antessala da era do computador doméstico e, posteriormente, da web, havia preocupação com o tempo, que insistia em passar. Hoje, então, acelerar os ponteiros é quase uma imposição – ainda que os resultados positivos dessa correria inexistam e, sobretudo entre crianças e jovens, sejam evidentemente ruins.

Antes de chegar aos filmes e séries, o mecanismo foi adotado pelos podcasts. Uma pesquisa realizada em 2017 publicada no The Podcast Download Report mostrou que 42% dos ouvintes, experimentaram escutar os pro­ gramas de forma acelerada, sem paciência.

Do áudio para as imagens, o salto foi rápido. Uma das ferramentas de velocidade suplementar disponíveis para navegadores da internet, o Video Speed Controller, foi instalada por mais de 900.000 pessoas. Nos comentários, os elogios pululam: ”É tão útil que não consigo mais viver sem”; “Poupei centenas de horas nos últimos anos”; “Uma daquelas coisas que você não sabe que precisa, mas, depois da primeira vez, é a solução para tudo”. Seria mesmo tão imprescindível e milagroso? Evidentemente não, e cabe, portanto, indagar os motivos de tanta ansiedade.

De acordo com o psiquiatra Cristiano Nabuco, do Grupo de Dependências Tecnológicas da Universidade de São Paulo (USP), a aceleração atende a um desejo que já anda em corações e mentes atrelados às séries: o anseio pelo desfecho, o elo entre um episódio e outro e, invariavelmente, assunto para mesa de bar – ou melhor, para postagens no Twitter e no Facebook, além de imagens com frases curtas no Instagram. “O prêmio, como recompensa, está sempre no fim”, diz Nabuco. Contudo, ao aproximar rapidamente os epílogos, pegando atalhos, no avesso do ritmo imaginado pelos criadores, o cidadão afobado acaba alimentando danos mentais – que podem não ser graves, mas pedem atenção. Com o consumo desenfreado, perde-se a chamada “ancoragem da memória”, ferramenta pela qual o ser humano fixa o que viveu e pode interpretar o conteúdo com calma, alimentando os neurônios, como se eles estivessem sendo naturalmente exercitados. Sair em disparada faz mal. Perde­ se, sobretudo, a capacidade – humana, demasiadamente humana – de fazer relações com o passado.

Com filmes, com músicas, em qualquer experiência artística, o que se vê agora é imediatamente relacionado ao que se viu antes, num exercício saudável de referências. Assim a civilização cresceu, e é o que nos distingue dos animais. A ligeireza faz encolher a empatia, transforma as montanhas de emoções em planícies sem profundidade. “As pessoas mal se lembram do que viram”, resume Nabuco. Os defensores da novíssima mania alegam ter acesso a mais filmes, a mais séries, a mais de tudo, e isso seria bom. Dizem não haver problema de compreensão – e, de fato, dá para entender as frases, ainda que um pouco distorcidas. Mas esse é um comportamento um tanto insólito, que deixaria Ferris Bueller incomodado. O melhor seria curtir a vida adoidado, porém a seu tempo. Sem pressa. E, como tantas outras invencionices dos tempos plugados, os aceleradores de vídeos podem sumir na mesma velocidade em que apareceram.

GESTÃO E CARREIRA

SEJA SEU PRÓPRIO VAR

Caro(a) leitor(a), uma discussão de longa data que acompanha o futebol é a atuação da arbitragem.

Quando eu era repórter esportivo, vivenciei em campo muitos erros de arbitragem que fizeram pontos, troféus e ricas premiações trocarem de lado! E ficava uma pergunta no ar: “Quando os dirigentes farão algo para tentar eliminar tais injustiças?”.

Pois então… Demorou, mas aconteceu! Na tentativa de reparar erros dos “donos do apito”, foi criado o VAR, sigla que em inglês significa Vídeo Assistant Referee; ou seja, Árbitro Assistente de Vídeo.

O VAR é representado por um conjunto de monitores com imagens de várias câmeras, colocados em uma sala isolada, onde os assistentes de vídeo assistem às jogadas por vários ângulos e, caso a análise deles não venha ao encontro da marcação do árbitro, este é avisado por recurso eletrônico para que reveja o lance igualmente de vários ângulos em um televisor colocado no campo, para que confirme ou não a marcação do lance. Vale registrar que no futebol o VAR só se aplica em determinadas regras.

E, assim, pênaltis e impedimentos marcados, gols comemorados e evitados são revistos e têm decisões opostas. Mesmo com o VAR, às vezes, ainda existe uma ou outra marcação polêmica, mas não há como negar que os erros cometidos pela arbitragem foram reduzidos e o futebol ficou mais justo!

No início claro que os torcedores, mais apaixonados do que racionais, se irritavam ou se sentiam agradavelmente surpreendidos com as inversões das marcações. Porém, o que podemos constatar depois de um tempo de adaptação à novidade é que esses sentimentos foram substituídos pelo de justiça! Ou seja, se o árbitro marcou pênalti e o VAR mostrou que não foi, é justo que se anule; se o árbitro deu gol, mas o jogador estava impedido, é justo que se anule; se o árbitro não percebeu, mas o VAR detectou um lance faltoso na área, é justo que se marque pênalti e assim por diante! Isso mostra que todos nós temos muito bem definidos os conceitos sobre o certo, o errado e o justo!

Nessa conversa com você, acredito que o assunto do VAR mereça ser estendido e que avancemos além do tema do futebol. Na nossa vida profissional e pessoal, por mais que busquemos agir dentro dos nossos limites pautados pela ética e moral, em algumas situações podemos nos ver em posição conflituosa. Digamos que, hipoteticamente, marcamos alguns “gols impedidos”, “fazemos falta no adversário antes de chutarmos a bola para dentro do gol”, “evitamos que o adversário marque o gol cometendo falta ou colocando a mão na bola”.

Como reparar isso? Agindo como árbitro que recorre ao VAR e, em caso de erro, voltar atrás na marcação! Seja o seu próprio VAR! Repare erros quando você estiver equivocado e também seja recompensado quando se sentir injustiçado.! Seja o seu próprio VAR! Use o seu apito e não tenha receio de retroceder ou de lutar pelos seus direitos na busca de fazer o que é certo e justo!

ELIAS AWAD – É biógrafo, palestrante e autor especializado em livros sobre empreendedorismo e motivação. Atualmente escreve seu 27° livro, e sua obra mais recente é a biografia de José Aroldo Gallassini, presidente da Cooperativa Coamo.

E-MAILS:

eliasawad@eliasawad.com.br e palestras@eliasawad.com. br.//eliasawad.com.br

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 20 – O AGRUPAMENTO DE DEMÔNIOS – PARTE II

AMARGURA

No livro de Hebreus, capítulo 12, versículo 15, há um alerta: “Nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos PERTURBE e, por meio dela, muitos sejam contaminados.” A raiz de amargura é responsável por muitos problemas. Amargura guardada no coração durante muito tempo abrirá a porta à invasão dos demônios. Provavelmente, esta é a brecha mais aproveitada pelos espíritos imundos. Na maioria dos casos, a amargura é em relação a um membro da própria família.

Os espíritos de amargura revivificam os incidentes dolorosos. O que aconteceu anos atrás é tão vivo na lembrança como se fosse hoje. Assim, a pessoa não trata dos problemas atuais, mas sempre tem na sua frente um acúmulo de mágoas. O espírito de imperdoabilidade vivifica todos os detalhes das mágoas e, sem cessar, as relembra na mente da pessoa. Nem mesmo a mágoa mais trivial é esquecida e perdoada.

Sempre que a atitude de amargura é encontrada, podemos esperar encontrar os demônios de amargura, rancor (ressentimento) e ódio. Em alguns casos, a corrente de espíritos continua para incluir outros ou todos os espíritos daquele grupo.

REBELIÃO

A rebelião é o espírito do anticristo — da desobediência e do desrespeito à autoridade. Deus estabeleceu autoridade no lar, na Igreja e no governo civil. Deus mesmo é nossa autoridade suprema. Asseverar vontade própria, acima de qualquer nível de autoridade, na ordem divina de Deus, é o mesmo que entreter os demônios de rebelião. Para conservar a libertação neste setor é necessário uma submissão completa a toda autoridade constituída por Deus.

CONTROLE

Encontramos os espíritos de controle em casos como:

(1) Um dos pais demonstrando controle anormal sobre um filho grande;

(2) marido ou esposa dominando o outro;

(3) um pastor sendo um ditador, em vez de ser pastor;

(4) um membro de um grupo de oração controlando o grupo ou outros membros do grupo.

Os métodos de controlar podem incluir visões falsas, revelações, profecias, etc. Tal controle é igual à feitiçaria – procurando controlar outra pessoa (levando-a a fazer aquilo que você quer dela) pelo uso dos poderes de espíritos maus consciente ou inconscientemente.

O ministro de libertação deve preparar-se para ministrar às vítimas dos espíritos de controle. Leva a pessoa dominada a renunciar a todo o controle demoníaco, declarando sua libertação da escravidão na base da liberdade em Jesus Cristo, e a recusar qualquer controle.

A pessoa liberta deve aprender a exercer sua própria vontade e a tomar suas próprias decisões. Ela provavelmente precisará de libertação dos espíritos de insegurança, inferioridade e medo. Também os espíritos de condenação vão tentar convencê-la que ela está ferindo a outra pessoa com quem tem tido tão grande ligação.

Talvez a vítima vá precisar de ajuda para distinguir entre sua pessoa e os demônios que estão nela. Ao conseguir isso, a vítima pode amar a pessoa, mas odiar os demônios que procuram controlá-la.

REPRESÁLIA

Geralmente, essa tribo vem da raiz de amargura. Esses espíritos instigam a retribuição de mal por mal. Manifestações interessantes têm sido observadas durante a libertação de crianças com esse tipo de espírito. Sentadas no colo de um dos pais, durante a libertação, temo-las visto beliscar, morder ou bater no pai. A disposição da criança se modifica no instante em que os demônios são expulsos. Adultos, em geral, respondem com palavrões ou atos de desrespeito.

REJEIÇÃO

A porta para a entrada do demônio de rejeição é geralmente aberta durante a infância e até mesmo antes de nascer. Quando uma criança não é desejada, o feto está aberto para receber um demônio de rejeição. Estou a par do fato de que uma sugestão dessa é repugnante para muitas pessoas. Elas acham muito injusto que tal coisa seja possível.

Temos de nos lembrar que o diabo não é nada cavalheiro. Mais propriamente, ele é extremamente mau e não hesita em tomar vantagem por completo de qualquer situação que promoverá seus objetivos malditos. Satanás tem muito prazer em achar nosso “calcanhar de Aquiles” como seu alvo, aproveitando nossos momentos mais fracos para atacar-nos. Quando é que a pessoa está sem defesa? Antes de nascer e durante a infância.

Foi dito de João Batista, antes que ele nascesse: “…será cheio do Espírito Santo, já do ventre materno” (Lucas 1:15b). Uma vez que o Espírito Santo entrou em João Batista antes de ele nascer, não devemos duvidar da possibilidade da entrada de um espírito maligno numa pessoa antes de seu nascimento.

Uma mãe solteira veio a mim para aconselhamento. Por causa das circunstâncias da concepção do nenê, ela confessou que não tinha querido a criança e tinha pensado em fazer um aborto. Na época de sua consulta comigo, ela já estava no oitavo mês de gestação. Vários demônios foram expulsos do feto, inclusive o espírito de rejeição. Quando esses espíritos foram confrontados, a mãe grávida sentiu dores agudas na área do ventre. Essas dores desapareceram completamente quando os demônios saíram pela boca da mãe.

O ministro de libertação deverá perguntar a todos que o procuram sobre a possibilidade de terem rejeição. Isso é extremamente comum.

A maioria das crianças adotivas estarão com espíritos de rejeição. As circunstâncias que envolvem a adoção da criança podem abrir uma brecha para a entrada dos espíritos de rejeição.

Geralmente, a rejeição se tornará um monstro de três cabeças. Além do espírito básico de rejeição, estará também um espírito de auto- rejeição. A presença destes demônios é logo notada pela incapacidade da pessoa de aceitar amor ou de oferecer amor aos outros. Porque foi rejeitada antes, a pessoa se torna medrosa no que se refere às relações de amizade, pelas quais ela poderia ser ferida de novo. Ela tem medo de aceitar o amor dos outros, e mantém-se à distância. O caminho está preparado para o medo de rejeição.

A auto rejeição aparece para aumentar o tormento. Alguém que se sente rejeitado pelos outros concluirá que há alguma coisa errada nele, e aquilo faz com que os outros o desprezem. Os pensamentos dele se voltam para ele mesmo, e ele começa a detestar-se. Isso é auto rejeição.

INDECISÃO

Esses são espíritos mentais. E são bem comuns. Uma pessoa geralmente deve ser capaz de pesar os fatores envolvidos e tomar uma decisão, mas esses espíritos podem atormentá-la até nas decisões mais simples. Toda decisão parece uma crise de grande tamanho. Quando é incapaz de tomar uma decisão, ela a adia.

A indecisão a leva ao adiamento. Quanto mais ela pondera, tanto mais confusa se torna. Em desespero ou frustração, ela compromete sua decisão e abre mão do que poderia ser o melhor. Ou foge da responsabilidade de tomar urna decisão esquecendo-a.

Em alguns casos, o adiamento precede a indecisão e é o espírito- chefe. O sinal-chave da presença de um espírito de adiamento numa criança é quando ela repete vez após vez: “Espere um minuto, mãe”. Ela pretende ser obediente, mas o espírito de esquecimento apaga aquilo de sua mente. Ao ser lembrada, ela dirá: “Oh! esqueci”. Então, a mãe aplica sua autoridade. Quando isso acontece repetidamente, a criança pode tornar-se teimosa e rebelde.

AUTO ENGANO

“Seu é o que erra e o que faz errar.” (Jó 12:16b.) O Senhor nos deu este versículo uma vez, enquanto estávamos ministrando. Por mais de 20 anos, o Sr. J. havia se enganado crendo que estava prestes a receber uma grande revelação espiritual a respeito da Trindade. Ele cria que a revelação iria surpreender o mundo cristão.

O Sr. J. demonstrou para nós como ele pensava que a revelação viria. Com todo cuidado, ele dobrava uma folha de papel várias vezes e rasgava uns pedacinhos. Ao desdobrar cada pedacinho podíamos ver um símbolo ou letra. Ele cria que, um dia, ele poderia rasgar e interpretar símbolos inspirados pelo Espírito Santo e que revelariam de uma vez para sempre o mistério da Divindade. Auto ilusão, auto sedução e orgulho (espíritos colegas) convenceram-no de que ele, um “ilustre desconhecido”, se tornaria conhecido no mundo inteiro.

Todo o seu problema vinha de rejeição. Seu pai, um pastor, o havia rejeitado desde a infância. Numa tentativa de receber apoio e amor de seu pai, o Sr. J. abriu-se aos espíritos de ilusão, que o convenceram não somente de que ele seria famoso, mas também de que sua fama viria através de uma revelação toda especial que ganharia a admiração de seu pai.

A renúncia da ilusão não foi fácil para Sr. J. Ele tinha um grande medo de desapontar a Deus. Nesses casos de auto engano, a pessoa tem de ser confrontada com o erro, e a ilusão tem de ser renunciada. Quando alguém deixa de concordar com as mentiras dos demônios, ele pode conservar sua libertação.

PERFEIÇÃO

Há um lugar certo para a organização, a ordem ou uma obra bem feita. O demônio de perfeição faz destes atributos um cativeiro. Por exemplo, uma pessoa organiza seu dia. Ela sabe tudo o que fará e ajusta tudo dentro do seu horário. Ela se prende a esse horário, no qual não há lugar para variação. É um plano perfeito.

Ela está orgulhosa de ser capaz de planejar e agir tão bem. Então, alguma coisa ou alguém interfere no plano. Ela fica irritada. Agora, ela não pode cumprir seu horário. Não pode adaptar-se à interrupção. A frustração toma conta dela. A raiva sobe contra a pessoa ou a coisa que interferiu em seus planos. Assim, uma tribo de demônios toma conta dela. O conflito é tanto interior quanto exterior.

Frequentemente, a rejeição está por detrás da perfeição. O rejeitado esforça-se à perfeição numa tentativa de ganhar respeito e aceitação. Em outros casos, a perfeição é uma compensação para a inferioridade.

FARDO FALSO

O diabo tem grande prazer em derrubar os cristãos. O diabo, diferentemente do que faz Deus, porá sobre os filhos de Deus muito mais do que eles podem suportar. Jesus declarou que o jugo d’Ele é suave e o fardo d’Ele é leve.

Um fardo falso é pesadíssimo e geralmente é auto assumido. Até um fardo piedoso pode vir de Satanás. Deus tem um tempo e uma maneira, tanto quanto um objetivo. Fluir com o Espírito tira toda a tensão. Muitos crentes precisam de libertação dos falsos fardos, responsabilidades e compaixões – aqueles que não são de Deus.

ERRO RELIGIOSO

O erro religioso é uma designação bem geral e abrange: religiões falsas, cultos “cristãos”, práticas ocultas e doutrinas falsas. Envolvimento com qualquer dessas fontes de erro pode abrir a porta aos espíritos demoníacos. A associação ou o contato não têm de ser extensivos.

Qualquer cristão que foi envolvido com qualquer tipo de erro religioso deve renunciar a ele. Na maioria dos casos, a libertação é necessária para livrá-lo da opressão. Esses demônios de erro religioso têm sido a causa de: confusão mental, escravidão mental, incompreensão, depressão, medos, dores no corpo, doenças, orgulho, resistência ao ensino, resistência à verdade bíblica e impedimentos espirituais (à oração, à leitura da Bíblia, a ouvir o sermão, aos dons do Espírito Santo e à fé).