OUTROS OLHARES

O PAI DO HERÓI AUTISTA

David Shore, criador de The Good Doctor, fala sobre o sucesso do jovem médico portador dessa condição e o compara a seu outro ”filho” famoso, o Dr. House

Durante parte da vida, o canadense David Shore, de 60 anos, foi um discreto advogado corporativo. Ele estava à beira dos 30 quando decidiu trocar a tranquila Toronto pela agitada carreira de roteirista em Hollywood. Na nova encarnação, Shore inscreveria seu nome na elite da TV ao criar certo tipo valoroso de herói das séries: o médico dividido entre seus tormentos pessoais e a capacidade extraordinária de salvar vidas. Se fosse pai só do Dr. House, vivido pelo inglês Hugh Laurie na série homônima exibida por oito temporadas de grande sucesso entre 2004 e 2012, Shore já teria razões suficientes para acomodar-se sobre seus louros.

Mas ele repete a façanha em The Good Doctor. Inspirada em uma produção coreana, a série, com o excelente Freddie Highmore na pele de um jovem cirurgião autista, caiu nas graças dos brasileiros: virou o carro­ chefe internacional da plataforma Globoplay, colheu bons índices de audiência desde que chegou às noites de quinta-feira da Globo, há duas semanas –   e suas duas temporadas acabam de estrear no canal pago Sony. Na entrevista a seguir, Shore fala sobre os desafios para fazer de um autista um personagem tão pop – e o compara, claro, ao Dr. House.

House era sobre um médico sociopata, mas genial. The Good Doctor trata de um cirurgião brilhante com autismo. Por que o senhor aprecia personagens assim? Quando assisti ao piloto da série coreana que serviu de base para The Good Doctor, fiquei emocionado e inspirado pelo jovem médico Shaun Murphy. Decidi que precisava muito escrever para esse personagem. A medicina nos fornece situações fortes com que lidar na dramaturgia. “As pessoas estão morrendo, o que eles vão fazer?”, excita-se o espectador. Mas, na verdade, a medicina é só um pano de fundo para falar de pessoas extraordinárias.

Shaun Murphy e Gregory House têm traços em comum?

Eles são muito diferentes, mas lidam com os mesmos problemas – e se questionam o tempo inteiro sobre o que é certo e o que é errado. No fundo, os dois nos colocam diante de dilemas éticos familiares a todos os seres humanos.

Há tantos médicos com transtornos mentais no mundo real?

Tenho certeza de que sim. Não só na medicina, mas em todas as áreas profissionais existem pessoas com deficiências mentais ou que estão passando por transtornos e tormentos. Assim como Shaun, elas enfrentam grandes desafios. Conseguir emprego, encontrar alguém que lhes dê a chance de trabalhar, é um dos principais deles. Há muitos médicos por aí com autismo, diagnosticado ou não. Ficaria feliz se a série abrisse mais portas para eles.

Quais os desafios para fazer de um autista um tipo televisivo popular?

Talvez a maior dificuldade fosse o fato de que havia poucos exemplos de personagens autistas na televisão. Parte de nosso esforço foi investigar como seria um retrato fiel e justo de uma pessoa nessa condição. Tivemos de lidar também, inevitavelmente, com as expectativas de que houvesse uma certa representatividade dessas pessoas na série. Mas pretender que Shaun fosse um herói de todos os autistas seria uma abordagem errada.

Por quê?

As pessoas na comunidade autista têm muitas coisas em comum, mas também diferenças, como todo ser humano. E o modo mais franco de fazer um personagem assim é mostrar que ele é, acima de tudo, um indivíduo com dramas e personalidade únicos. Pesquisamos demais em busca do retrato mais honesto possível. Lemos livros científicos, assistimos a documentários e falamos com médicos, psicólogos – mas, sobretudo, escutamos pessoas autistas.

Um diferencial de The Good Doctor é dar ao espectador a sensação de ver o mundo como um autista. Por que essa preocupação com as filigranas sensoriais?

Certamente é algo que eu considerava essencial desde o início do projeto. Não queria que as pessoas simplesmente vissem um autista na tela, mas que pudessem se identificar com ele e se colocassem no lugar de Shaun para poder entendê-lo e amá-lo. Ao mesmo tempo, queria que ele nos desafiasse, que dissesse coisas capazes de nos tirar da zona de conforto, para nos fazer pensar: “Ah, ele está certo, eu é que estou errado”. Isso é muito importante. Shaun não é perfeito, mas é o nosso herói, e ele tenta superar seus desafios com destemor. Queria que o público embarcasse nessa jornada de superação dentro de sua mente.

Como as pessoas com autismo e seus familiares têm reagido à série?

É muito gratificante. Havia certo nervosismo por parte da comunidade autista antes de a série ir ao ar, mas as respostas foram emocionantes e acolhedoras. Infelizmente, existe muita conversa sobre diversidade na televisão, mas a realidade dos autistas nunca tinha sido abordada o suficiente. Eu sabia do risco de não agradar a todos, mas me sinto bem por ter feito um personagem como Shaun. Tenho muito orgulho dele.

Shaun enfrenta percalços como a falta de confiança dos pacientes e o desprezo dos colegas de profissão. Autistas que tentam trabalhar de forma regular vivem problemas semelhantes?

Sim, absolutamente. Os autistas enfrentam preconceitos, suposições, julgamentos injustos e prematuros. Todos nós, em alguma medida, encaramos desafios e somos julgados o tempo todo. Mas é um processo mais extremo para Shaun, sem dúvida. E o fato de ele não ficar para baixo nunca é uma das coisas mais inspiradoras para mim.

Como “pai” dos personagens, seu coração bate mais forte por House ou Shaun Murphy?

Amo os dois. Eles são como meus filhos. Mas Shaun tem a vantagem de ser uma pessoa mais otimista. Ele exibe uma atitude mais saudável que a de House para viver a vida, definitivamente.

GESTÃO E CARREIRA

VOCÊ JÁ ELOGIOU SEU CHEFE HOJE?

É mais comum encontrar reclamação do que elogio sobre a atuação do chefe. Talvez isso aconteça pelo fato de que muitos deles assumiram cargos de liderança sem serem preparados para tal responsabilidade, por simplesmente desempenharem bem suas atividades e como consequência dos bons resultados “ganham” um cargo de liderança, erro básico que ainda muitas empresas cometem, o de considerar a elevação do nível hierárquico como uma espécie de caminho “natural” de crescimento do profissional. Muitas vezes perde-se um excelente especialista e ganha-se um péssimo líder.

Realmente não é nada fácil exercer a liderança. Só sabe a complexidade da função quando se assume tal posto. E para quem já assumiu esse papel fica complicado voltar atrás na carreira.

O chefe sempre foi alvo certeiro da reclamação de muitos funcionários que não se esforçam para entender seus dilemas e dificuldades para ajustar interesses pessoais de cada colaborador com os interesses da empresa.

Mas, sejamos realistas, não é possível que a maioria dos líderes seja tão ruim assim no exercício da liderança! De um lado, o líder está lá para orientar sua equipe na direção das metas da empresa, atingindo melhores resultados com qualidade e rapidez e, do outro lado, está você para fazer o trabalho com excelência, no prazo e ajudá-lo nessa caminhada.

Não parece uma troca simples? Para mim, soa bem simples, mas por que tanta reclamação do chefe?

O mal é a falta de empatia. Espera-se sempre do líder algo mais do que lhe compete. E vou além, é crescente o número de profissionais que chegam a confundir a figura do chefe com a de um pai, esperam dele uma compreensão superprotetora e depositam nele a total responsabilidade para lhes dizer seus próximos passos profissionais. Complicado, hein?

Que tal validar o bom trabalho do seu chefe hoje? Assim como você gosta (e muitas vezes precisa) de ser elogiado pelo bom trabalho que executa, pode ser que um elogio específico seja tudo que seu chefe precisa ouvir hoje.

Seja justo com quem faz a diferença. Esta simples mudança de atitude é extremamente valiosa para alcançar vivências mais positivas tanto na vida quanto no trabalho.

Um elogio pode transformar uma vida! Elogiar é validar as qualidades do outro, focar os aspectos positivos, tornando-o mais seguro e confiante.

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO  19 – SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O MINISTRO DE LIBERTAÇÃO

Como é que alguém, na prática, realiza o ministério de libertação? As sugestões feitas neste capítulo não são dadas nem como as únicas nem como as últimas maneiras de agir. E nosso propósito compartilhar o que temos conseguido aprender pelo estudo, pela revelação e pela experiência. Insistimos que cada pessoa que se engaja no ministério de libertação deve estar aberta às instruções e à orientação do Espírito Santo.

A SALA E O EQUIPAMENTO

Quando um encontro é planejado com antecedência, um lugar apropriado deve ser escolhido. Deve ser uma sala separada, para não atrapalhar os outros e para que os outros não atrapalhem. Devem ser providenciadas cadeiras suficientes para cada pessoa presente.

Uma cadeira simples será colocada no meio para facilitar a chegada dos membros da equipe ao paciente, de modo que quando os demônios saírem com vômito e tosses, deve-se estar equipado para tomar conta dessa possibilidade. Uma bacia de plástico ou um cesto de papel devem ser providenciados, bem como uma caixa de lenços de papel. Para as anotações, deve-se providenciar um caderno e caneta.

A ENTREVISTA PREPARATÓRIA

Vamos supor que o candidato à libertação não está sendo pressionado pela família ou amigos e se prontificou a libertação. Já foi explicado que honestidade e humildade são as chaves de uma ministração eficaz”.

A pessoa tem de saber claramente que aquilo de que se toma conhecimento na sala de libertação é feito em plena confiança e “sua história” não será espalhada em nenhum lugar. Porém, os libertados devem ser encorajados a testemunhar do poder e do amor de Jesus Cristo. Assim Jesus ordenou ao gadareno demoníaco:

“Vai para tua casa, para os teus. Anuncia-lhes tudo o que o Senhor te fez e como teve compaixão de ti. Então, ele foi e começou a proclamar em Decápolis tudo o que Jesus lhe fizera; e todos se admiravam.” (Marcos 5:19, 20.)

O motivo da entrevista é determinar a presença de espíritos e descobrir a natureza deles. Isso é conseguido ao determinar quais são ou têm sido os problemas na vida do candidato. Os demônios entram pelas portas abertas em nossa vida. O objetivo é determinar quando e como as portas foram abertas.

Um membro da equipe servirá de secretário. Em primeiro lugar, escreva o nome e endereço do candidato e a data da ministração.

As anotações feitas têm um tríplice objetivo:

(1) Ajudará a equipe a agir de maneira metódica, para uma libertação completa.

(2) Talvez a pessoa libertada queira uma cópia das notas para saber quais foram os demônios expulsos e saber exatamente aquilo que deve evitar para conservar sua libertação.

(3) E um registro para ser usado pela equipe no caso ele mais trabalhos com a pessoa. Quando uma equipe trabalha com muitas pessoas, é difícil lembrar tudo o que aconteceu em cada caso.

Deixe a pessoa começar contando experiências e atitudes na vida passada que possam ter aberto uma brecha para a entrada de demônios. Satanás não obedece a regras éticas e tira proveito de tudo, inclusive circunstâncias da infância. Aliás, ele opera dessa maneira para providenciar as circunstâncias pelas quais ele possa operar.

Deixando a pessoa contar suas experiências, ela vai revelar coisas como rejeição, insegurança, solidão, inferioridade, ressentimento, rebelião, medo, ódio, pena-de-si, fantasia, ciúme e mentira.

O candidato pode insistir que algumas dessas coisas não são mais problemas em sua vida. Pode ser verdade. Mas inúmeras experiências têm provado que, uma vez aberta a porta para certo demônio entrar, ele fica até ser mandado embora. Ao tornar-se cristão, sua vida espiritual se desenvolve e seu poder aumenta para combater os demônios.

Não quero dizer que isso indica que os demônios se desanimam e saem. Jesus nunca ensinou outra maneira de ficar livre de demônios a não ser expulsando-os em Seu nome. Temos ouvido demônios reclamarem que não têm mais uma casa confortável na pessoa em que moram e que seu poder sobre aquela pessoa diminuiu. Mesmo assim, o demônio prefere ficar, em vez de correr o risco de não poder entrar em outra pessoa. Ele fica aí na esperança de poder pegar a pessoa num momento de fraqueza para mais uma vez poder reinar nessa vida.

Os problemas que alguém tem no presente geralmente têm suas raízes na vida passada. Por exemplo, pode existir tensão e contenda entre marido e esposa. Isso pode vir de um espírito de rebelião que entrou na esposa quando ela era pequena e do espírito de ressentimento que entrou no marido quando ele era menino. Esses são os tipos de fatos que o “bate-papo” inicial ajudará a trazer à luz.

Quando um demônio é discernido, comece a procurar seus companheiros. Por exemplo, a pessoa poderia dizer que tem um problema com “timidez”. Os espíritos acompanhantes podem incluir insegurança, inferioridade, acanhamento e pena-de-si. Ao discernir colônias de demônios, ponha-os juntos numa lista e trate da colônia toda quando expulsá-los. Se um deles ficar, tentará abrir a porta para a volta dos outros.

Há várias coisas que impedirão uma pessoa de receber libertação. A mais comum é falta de perdão aos outros. Quem tem qual- quer rancor para com qualquer pessoa, morta ou viva, não pode ser liberta por completo. A razão disso é notada em Mateus 18:21-35. Uma vez que Deus já nos perdoou, temos de perdoar os outros. O castigo para a falta de perdão é ser “entregue aos verdugos” – os espíritos demoníacos. Isso pode ser consertado com facilidade se a pessoa fizer uma oração de perdão para todos os que possam tê-la ofendido.

Envolvimento com ocultismo é a segunda barreira ou impedimento à ministração. Essas coisas pertencem ao reino de Satanás e são abominações ao Senhor. Qualquer contato com o ocultismo, ainda que ligeiro, deve ser tomado a sério. Deve ser renunciado, e com pedido de perdão a Deus. O mesmo é indicado se a pessoa foi envolvida em qualquer seita religiosa ou religião falsa.

Outro empecilho à libertação é o aborto provocado. Se uma mulher provocou um aborto, deve confessá-lo como pecado de homicídio e receber o perdão de Deus. Qualquer homem responsável por um aborto provocado deve confessar sua parte nisso.

Uma vez eu estava ministrando a uma conhecida. Sua libertação ficou parada e os demônios se recusaram a sair. Naquela noite, Deus me acordou e me deu uma palavra de conhecimento – “aborto”. Conhecia essa senhora de tal modo que sabia que ela não tinha sofrido um aborto, mas no dia seguinte perguntei se ela tivera qualquer conexão com um aborto.

Ela queria saber como eu sabia disso, e contei como Deus tinha me revelado o fato. Então, ela me contou que três meses antes uma vizinha tinha feito uma visita a sua casa. A vizinha estava grávida pela quarta vez. Ela não queria mais outro filho e pediu sua opinião sobre o aborto. Ela aconselhou a vizinha a submeter-se a um aborto. Ao entender que isso era errado, ela o confessou, e o resto dos demônios começou a sair.

Algumas pessoas bem experimentadas no ministério de libertação testificam que adultério inconfessado impedirá a ministração?

Alguns dizem que o pecado tem de ser confessado à pessoa ofendida. Minha experiência tem mostrado que isso não é uma regra fixa, uma vez que demônios de lascívia e de adultério têm sido expulsos de pessoas que não confessaram ao esposo ou esposa.

Todos nós sabemos que qualquer tipo de pecado tem de ser confessado a Deus antes de se ficar libertado, e é minha convicção particular que alguém deve estar completamente aberto para confessar o adultério à esposa ou ao marido, se o Senhor indicar; Talvez nem o marido nem a esposa estejam preparados para ouvir tal confissão.

É necessário sabedoria. Nosso objetivo é não dar lugar ao diabo, quer seja pela falta de confissão ou por uma confissão inoportuna.

A ORAÇÃO DE LIBERTAÇÃO

A oração é especialmente apropriada na hora da libertação. Qualquer dos presentes pode dirigi-la. Mas antes de começar a libertação propriamente dita, o candidato também deve orar. Para facilitar, resolvemos ter uma oração por escrito. Cada membro da equipe tem uma cópia em sua Bíblia.

A oração que usamos foi composta pelo Dr. Derek Prince, e é a seguinte:

“Senhor Jesus Cristo, creio que Tu morreste na Cruz por meus pecados e ressuscitaste da morte. Tu me redimiste por Teu sangue e pertenço a Ti, e quero viver para Ti. Confesso todos os meus pecados, conhecidos e desconhecidos. Lamento-me por todos eles. Renuncio a todos eles. Perdoo a todas as pessoas que me ofenderam, do mesmo modo que quero que Tu me perdoes. Perdoa-me agora e purifica-me com Teu sangue. Agradeço-Te pelo sangue de Jesus que me purifica agora de todo pecado. E chego a Ti neste momento como meu Libertador. Tu sabes minhas necessidades especiais, aquilo que me amarra, que me atormenta, que perverte, aquele espírito maldito. Reivindico a promessa de Tua Palavra: ‘Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo’. Chamo por Ti agora. Em nome de Jesus Cristo, liberta-me, ó Senhor. Satanás, eu renuncio a ti e a toda tua obra. Eu me desligo de ti, em nome de Jesus Cristo, e te mando deixar-me agora, neste momento, em nome de Jesus Cristo, o Filho do Deus vivo. Amém.”

TOMANDO AUTORIDADE SOBRE PODERES ESPIRITUAIS

Já mostramos no capítulo “Nossos Inimigos Espirituais” que poderes demoníacos são colocados numa escala de autoridade. Satanás tem seus representantes designados sobre nações, cidades, igrejas, lares e sobre indivíduos. A Bíblia nos ensina a usar essa estrutura de poder na luta espiritual. Então, tome autoridade sobre todos os poderes mais altos que têm autoridade sobre os demônios habitando naquele que está sendo liberto. Amarrando esses poderes mais altos, eles não poderão impedir a ministração. Amarre o valente ou espírito-chefe, que está sobre os demônios menores que habitam na pessoa.

“Como pode alguém entrar na casa do valente e roubar-lhe os bens sem primeiro amarrá-lo? e então lhe saqueará a casa.” (Mateus 12:29.)

Mande todos os demônios que habitam na pessoa desligarem-se uns dos outros. Ordene que não se ajudem nem encorajem aos outros de forma alguma.

ORDENE AOS ESPÍRITOS QUE SAIAM

Enquanto um dos ministros começa a mandar os espíritos saírem em nome de Jesus Cristo, as outras pessoas na sala estarão orando, louvando, cantando ou lendo a Bíblia. Isso deve ser feito em voz baixa. Na primeira fase do meu ministério, gastei minha voz dentro de pouco tempo. Não é a altura da voz cm que você fala que faz os demônios temerem e obedecerem, mas a autoridade com que você fala, em nome de Jesus.

Geralmente, falo aos demônios dessa maneira: “Demônios, sei que vocês estão aí. Sei de sua presença e conheço suas obras malditas. Digo que vocês não têm direito nenhum de ficar nessa pessoa. Ela pertence a Jesus Cristo. Jesus comprou-a com Seu sangue. Esse corpo é o templo do Espírito Santo. Tudo o que o danifica é expulso. Vocês são transgressores e têm de sair. Mando vocês embora neste momento em nome de Jesus Cristo.”

Quem está sendo liberto deve cooperar da seguinte maneira: deixar de louvar, de orar e de falar em línguas estranhas. Essas são as maneiras de receber o Espírito Santo. A boca e a respiração devem ser deixadas livres para a saída dos espíritos maus. A pessoa deve ser encorajada a entrar na luta. Ela mesma pode confrontar os espíritos ordenando-lhes a sair.

Em seguida, a pessoa que está sendo liberta deve começar a respirar fundo, com a boca aberta, várias vezes. Já que os espíritos saem pela respiração – boca ou nariz -, isso ajudará a expeli-los. Ou a pessoa poderá tossir. Geralmente, isso é suficiente para iniciar a saída dos demônios. É possível que na manifestação voluntária a pessoa possa forçar uma tosse, e os demônios resolvam sair nos bocejos.

Continue dando ordens aos demônios até os resultados virem. A confiança aumenta com a experiência. Parece que os demônios percebem a falta de confiança da pessoa que está ministrando. À medida que a autoridade da fé aumenta, os demônios responderão mais rapidamente.

Se, por acaso, nenhum espírito saiu após quatro ou cinco minutos, é possível que haja um impedimento. Um jovem veio para ser liberto. Mandamos os demônios saírem. Imediatamente eles manifestaram sua presença sacudindo o corpo do rapaz. A luta continuou por uma hora. Havia evidências de que estavam presentes e perturbados, mas nenhum saiu. Paramos e procuramos a orientação do Espírito Santo.

Enquanto estávamos orando, o rapaz todo nervoso começou a procurar alguma coisa nos bolsos. Perguntei o que ele estava procurando. Ele respondeu que era a medalha de São Cristóvão que usava para boa sorte e proteção. Finalmente, ele a achou e pendurou-a ao pescoço. Explicamos que isso era um ídolo que tomava lugar mais alto que Deus na vida dele.

Ele havia se convertido há poucos dias e estava aberto ao ensino. Ele tirou a medalha, renunciou a ela, pedindo perdão a Deus por ter dependido daquilo para ajuda. Num instante, os demônios começaram a sair. Eles não tinham mais o direito de ficar.

As Escrituras, cânticos e referência ao sangue de Jesus são cheios de poder. Não é para repetir muitas vezes a palavra “sangue” nem “clamo pelo sangue”. Mas dê testemunho do que o sangue faz para aquele que crê. O sangue redime, limpa, justifica e purifica o crente. Pelo sangue de Jesus, todos os nossos pecados são perdoados.

Certa vez, quando estávamos ministrando a uma jovem sobre o sangue de Jesus, os demônios nos imploraram que parássemos de falar ou de cantar a respeito do sangue. Um demônio disse: “Eu não aguento ouvir essa palavra”. Mandei o demônio dizer-me por que ele não aguentava ouvir falar sobre o sangue de Jesus. (Estou ciente de que não vamos aprender teologia com os demônios, mas ele falou a verdade.)

Disse-me: “Porque é tão vermelho, porque é tão quente, porque é tão vivo e cobre tudo.” Refletindo sobre o assunto, entendemos que sangue vermelho é sangue vivo. Sangue quente é também sangue vivo. O sangue de Jesus é vivo. Por isso, e poderoso ainda hoje, tanto quanto naquele momento em que foi derramado na Cruz do Calvário. É o sangue da reconciliação. Os demônios são vencidos pelo sangue vivo da expiação. Amém.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CONTOS E DESENVOLVIMENTO PSÍQUICO

Era uma vez um símbolo. Era uma vez uma metáfora… As histórias representam uma importante contribuição para a estrutura da vida emocional de crianças e adultos. Como a psicologia e a psicanálise explicam esse processo?

ERA UMA VEZ

Recomenda-se que os contos, especialmente os folclóricos, comecem por “era uma vez”. Mas os contos são, antes de tudo, um objeto cultural e artístico, portanto dotados de criatividade. Por essa razão, começaremos ao contrário.

Não era uma vez… Afinai, Roland Barthes lembra que nunca houve a vez de um a sociedade sem certo grau de narratividade ou sem um repertório de histórias próprias. Ou, ainda, sem a necessidade de contar tais histórias. E poderíamos acrescentar: nunca houve sociedade isenta da necessidade de fabular, de inventar-se, de historiar­ se ou de construir, na lentidão dos séculos, seus mitos e seu imaginário. Enquanto existiu, ela contou. Depois, o que dela sabemos é o que se conta, e já estamos vendo que do narrativo parece impossível abrir mão.

Os contos têm, além disso, importância capital para a vida psíquica das crianças. Se já houve resistências (sempre por parte dos adultos), aqui e ali, quanto à violência de seu conteúdo, seu potencial terapêutico goza hoje de aprovação quase unânime. E no contexto atual regido pela imagem e pela informação, é importante trazer de volta a figura do narrador.

A própria permanência das histórias de tradição oral num momento histórico em que tanta coisa escrita já se perdeu atesta que isso é justo. Basta olhar a quantidade de projetos ou pesquisas, em diversas áreas, estimulando a contação de histórias. Realizamos uma delas, durante vários anos, em Paris, quando foi possível observar a evolução favorável da vida psíquica de crianças separadas de seus pais e vivendo em abrigos públicos franceses. As crianças apresentaram melhora evidente em seus transtornos de conduta, mostrando-se após a intervenção mais capazes de expressar, de diferentes formas, o intenso sofrimento resultante da separação. Outro estudo está sendo feito em um bairro pobre de Porto Alegre, a fim de verificar o efeito do conto em crianças com transtornos de aprendizagem que frequentam uma escola comunitária. Os primeiros resultados apontam como as crianças se tornaram mais atentas, menos hiperativas e mais abertas aos processos de aprendizagem.

Como clínicos já estaríamos satisfeitos, como quem ouve um conto com final feliz. Mas como pesquisadores tivemos a necessidade de analisar mais profundamente o assunto. O potencial terapêutico de contar histórias é hoje incontestável. É mesmo possível afirmar que as histórias representaram, sempre e de forma empírica, uma importante contribuição para a estrutura da vida emocional de crianças e adultos. Mas de que forma a psicologia e a psicanálise explicam esse processo?

ERA UMA VEZ OUTRA VEZ

Os três porquinhos, assim como O pequeno polegar, Chapeuzinho vermelho e inúmeras outras histórias não começam por “é uma vez” ou “foi uma vez” ou “será”. Isso não é por acaso. A garantia de a cena se desenrolar em um tempo indeterminado do passado pode ser fundamental para a criança deixar-se conduzir com segurança. A garantia é de que aquilo não está acontecendo, não acontecerá e sequer aconteceu. E livrar-se da dureza da realidade pode ser o que permite à criança imaginar.

Imaginando, ela pode brincar com temas próprios de sua realidade psíquica, por vezes difícil, como o amor, a morte, o medo, a rivalidade fraterna, a separação e o abandono.

Outro fator importante é a presença da metáfora. Depois do “era uma vez” a história não diz haver três crianças, uma completamente imatura e que só pensava em atender seus desejos, outra um pouco mais madurinha e a terceira já capaz de aceitar o sentido de responsabilidade que a vida nos impõe. Em vez disso, era uma vez três porquinhos. Ou era uma vez uma bruxa, um gigante, um patinho feio. Era uma vez um símbolo, uma metáfora.

A metáfora guarda essa dupla capacidade; por um lado, é capaz de apresentar nossos dramas e conflitos principais. O símbolo é duríssimo e dá vida para nosso material mais arcaico ou sem nome, ou ainda, para nossos medos primordiais. Por outro lado, a metáfora é feita do simbólico e estético, portanto, indireto. E protege a criança em sua viagem de projeção na intriga e nas personagens, garantindo certa tranquilidade nos processos de identificação. Ela diz tudo, sem nada ameaçar.

Assim, há o caso, por exemplo, da menina de infância triste e marcada por rupturas sucessivas com as figuras paternas que pôde iniciar e continuar seu tratamento, projetando-se no patinho feio. Ele é mais triste do que feio, ela dizia. Triste por quê? – perguntava o terapeuta. E esse diálogo era a terapia em si, que nada mais é do que o encontro da criança com um adulto, e ela finalmente podia encontrar uma forma (sempre indireta, metafórica) de expressar seu sofrimento, tecer sua história e encontrar um sentido para ela.

Os contos ajudam-nos a dizer. Ou, mais tecnicamente, a representar. Pois neles estão contidos os nossos “motivos principais”, como Freud reconheceu. Essa interessante mistura de conteúdo e forma está presente em todo gênero de narrativa popular, incluindo os mitos. Esses, por exemplo, tratam com frequência da separação e do abandono, fontes do caráter de um herói mítico. Édipo é largado à própria sorte. Moisés também. É interessante notar que, em nossos mitos fundadores, a ideia de abandono está presente e um herói está sendo sempre abandonado. Mais do que entrar em tal tipo de análise, importa-nos reconhecer, em nível terapêutico, a importância desse conteúdo no trabalho com crianças às voltas com seus desafios: primeiro, o apego com seus cuidadores e, depois, os do desapego e da separação, processos que precisam ser bem elaborados ao longo da infância.

NARRANDO OS SONHOS

Se, volta e meia, em nossos trabalhos, utilizamos também o mito, parece-nos que, em termos formais, os contos têm uma vantagem interessante, relacionada a seu final feliz, que não é própria dos mitos. A existência de um final feliz evoca os processos de reparação, tão caros ao bom desenvolvimento emocional da criança. E na prática clínica há exemplos bastante ricos. Se os contos guardam a estrutura de um sonho (com deslocamento e simbolização), é interessante observar o quanto contar histórias estimula a capacidade de sonhar e sobretudo o desejo de narrar os sonhos, indícios de uma vida imaginária mais intensa. Em um de nossos grupos terapêuticos as crianças não só se mostraram capazes de incrementar o relato de seus sonhos como também de acrescentar finais melhores e mais felizes, traduzindo um processo de reparação. Um menino de 5 anos, por exemplo, iniciou o relato de seus sonhos por uma história com final trágico (mito) na qual o lobo irrompia na beira da praia, devorando-o junto com a família inteira. Sessão após sessão, o relato foi se modificando. Apareceram personagens (o pai, o dragão, o cavaleiro do zodíaco) capazes de enfrentar a fera e tornar feliz o final da história, desenhando uma representação mais positiva de seu mundo mental (reparação).

Também é importante a função do medo. Este sentimento é uma emoção fundamental para a vida toda. Podemos até mesmo falar de uma fisiologia do medo (a importância de sua existência, ainda na infância, como fator de proteção) e de uma patologia do medo (as fobias). Aprender a lidar com ele é um dos desafios importantes para a criança. E observamos que toda a literatura infantil – inclusive os contos – gira em torno do medo. Aliás, um dos atrativos dessas histórias para crianças pode consistir, exatamente, no que oferecem em termos de representação de situações assustadoras. Isso também pode explicar o fato de os pequenos ouvintes serem pouco afeitos a mudanças no nosso jeito de contar uma história. Por vezes, a mudança de uma palavra pode provocar turbulências. Uma hipótese é que a estrutura narrativa – incluindo as palavras -, identificada como representativa daquela história, é a garantia de uma solução para o problema apresentado. Qualquer mudança poderia representar, então, uma séria ameaça.

Certa vez, uma de nossas coterapeutas, educadora responsável pela animação de um dos grupos de crianças separadas de seus pais, assustou-se com o fato de muitas delas passarem a ter pesadelos com o lobo. Essa manifestação nos fez pensar em uma mudança de repertório, o que foi discutido com as crianças na sessão seguinte. Foi proposta uma votação entre as novas histórias disponíveis, todas modernas, mais simples e, principalmente, sem o lobo, mas a permanência da fera em histórias como Chapeuzinho vermelho e Os três porquinhos foi garantida por unanimidade. Isso tende a confirmar que o ganho de prazer obtido pela criança pode dever-se ao susto obtido com uma história que ela já conhece e não com a “coisa sem nome” de sua emoção primordial. Com isso ela pode aprender, pouco a pouco, a manejar seus sentimentos mais difíceis.

FANTASIAS VIOLENTAS

Tal aspecto nos remete à importância dos arcaísmos contidos no conteúdo e na forma desses contos, através de personagens supostamente assustadores como o lobo e a bruxa, e na vivência de situações aparentemente violentas, muitas delas marcadas pela separação e pelo abandono. Ora, são bem essas representações que interessam os menores, às voltas com seus próprios arcaísmos presentes nas origens de nossa vida psíquica. Quanto a isso, a psicanalista Maud Mannoni lembrou­nos o quanto a vida interior infantil é marcada por representações assustadoras que o próprio adulto nega ao reinventar uma criança que não é real. Por isso lançamos um olhar crítico para toda e qualquer tentativa de “purificar” enredos e personagens tradicionais, imprimindo uma narrativa “politicamente ou infantilmente mais correta”, marcada por protagonistas bons e intrigas leves. Tais movimentos podem sustar o diálogo bem lá onde a criança mais precisa, ou seja, no espaço de suas fantasias mais violentas ou aterrorizantes.

Mas, ao falarmos da exteriorização (ou nomeação) de sentimentos mais difíceis, já estamos diante de outro eixo importante do potencial terapêutico do conto, sua contribuição como objeto capaz de estimular o pensamento. Além de seu conteúdo estético ou artístico, os contos são também belíssimas elaborações secundárias. E podem ser vistos como um exercício (vivo e autêntico) de “envelopamento” de nossas pulsões mais arcaicas. Uma história não é uma coisa sem nome. Coisa sem nome é um impulso de devoração, uma pulsão oral qualquer. Pois se essa pulsão é posta na pele de um lobo, por sua vez colocado no ritmo de uma intriga (e de uma narrativa), a pulsão já estará vestida, representada, simbolizada.

Colocar pulsões em um envelope, representar ou simbolizar são tarefas importantes no desenvolvimento psíquico da criança. E os contos, fazendo-o o tempo todo no interior de sua estrutura, dão-nos lições diárias nesse sentido.

Não é raro iniciar uma sessão terapêutica em que o conto é o mediador principal (e não o jogo ou o desenho) em um clima de agitação, marcado pelo grito (sem nome) e a ação. E, à medida que a história entra em cena, um segundo clima ocupa o lugar do primeiro, substituindo a ação e o grito pelas perguntas, a reflexão e o pensamento, juntinho com o sentimento, a representação e o afeto não dissociados, como preconizava Freud.

Os contos podem ser vistos, portanto, como instrumentos que ajudam a pensar. Através de sua própria estrutura, mas também dos adultos que os contam (comoveremos mais adiante), ajudam a criança a digerir suas manifestações mais arcaicas. A maioria dos trabalhos, clínicos ou educativos, em torno do conto confirmam os benefícios obtidos para a capacidade de verbalização, manifestada pela capacidade de contar, contar-se ou, até mesmo, perguntar.

Aliás, retomando a prática de contar, mencionemos outra vinheta: o menino com uma história pesada e repleta de segredos aprendeu, ouvindo contos, a representar sua história. Antes ele agia e agitava-se, hipomaníaco. Até o dia em que se interessou pela história de um palhaço. Com o personagem aprendeu a representar sua própria dor e seus mecanismos de defesa. Em vez de fazer o palhaço, já podia pensar o palhaço, desenhar o palhaço, contar o palhaço e, através desse pensamento, tecer o discurso de sua própria história, capacidade indispensável para um bom funcionamento mental. Com o livro nos braços, o menino andava pelo abrigo, dizendo: – Essa é a minha história.

Hoje podemos afirmar com segurança que, sem a posse de sua própria história (real ou inventada, pouco importa), ninguém pode embarcar em paz em novas histórias.

A VEZ DO PRAZER

Outro mérito do conto, também relacionado a seu caráter simbólico, é poder ser utilizado conforme a necessidade de cada criança, pois o conto é uma obra aberta. Nesse sentido, nem tudo é lição de pensamento. Ao contrário, a fonte importante de seu potencial terapêutico parece vir de sua dimensão lúdica. Conto é também brinquedo. Diversão pura e simples, perda de tempo, descanso da realidade e todos esses aspectos fundamentais para que a criança consiga se desenvolver e elaborar-se.

Se nos adultos, por vezes, preocupa-nos o silêncio excessivo, marca importante de um funcionamento depressivo, o equivalente na criança é sua capacidade de brincar. E de inventar e divertir-se sem outra função ou sentido que não o próprio prazer. O mesmo que abre um es paço potencial (no sentido winnicottiano) ou lúdico (no sentido pavlovskiano), terreno da capacidade de imaginação e fantasia, garante uma separação adequada das figuras paternas, uma vida imaginária mais rica e a entrada no mundo cultural, desenhado pela sublimação e pela simbolização. Assim o faz a criança que brinca e também a que canta. E a que conta, porque contar é inscrever-se nesse espaço potencial ou lúdico, que nos abriga depois da difícil tarefa de separação.

O COMEÇO OUTRA VEZ

Destacamos já importantes recursos do conto como mediador terapêutico, sua estrutura, que ajuda a sentir, a pensar, a ter prazer e as relações disso tudo com a saúde mental. Mas, antes disso, outra fonte importante de maturação psicológica emerge no processo de contar histórias. Portanto, voltemos ao começo de “era uma vez”.

Tal aspecto diz respeito a outro começo, o de nossa vida psíquica, quando o que está em jogo não é uma separação ou um desapego seguro, mas o próprio apego, a relação com nossos cuidadores ou objetos fundamentais.

Contar histórias remete ao clima dessas primeiras interações do bebê com seus cuidadores (a mãe, especialmente), com a presença dos mesmos canais de troca, que são, primeiramente, o olhar e depois os gestos e o toque.

Por isso, antes de tudo, contar histórias é interagir, ser olhado, ser tocado, decodificar gestos, utilizar o outro e esse espaço de intersubjetividade para a construção de si próprio. É estar em sintonia afetiva com o outro, como preconiza Daniel Stern. Tudo passa pelo olhar, diz Pierre Lafforgue, analisando o processo de contar histórias. O olhar da mãe é o espelho do bebê, afirma Winnicott.

Não fosse assim, bastariam uma televisão ou a tela do computador, e hoje sabemos que, nesse caso, não se trata da transmissão de um conteúdo, por mais pertinente que seja, mas da forma como isso é feito; e, em termos de desenvolvimento psicológico, forma pertinente é a que se dá em um encontro autêntico, verdadeiro, com olhar, gesto, toque, com cada um dos protagonistas contando (em todos os sentidos) para o outro. Assim o fazem uma mãe razoavelmente boa e um terapeuta razoavelmente bom.

Enfim, não importa o que se conta, nem o tipo de recursos utilizados. Importa que ouvir histórias é transferir-se para o momento em que a interação com o outro abriu espaços no bebê para sua estruturação. É estar no holding, ou no corporal, e os especialistas já nos demonstraram que a linguagem (verbal e não verbal) nasce do corpo e emerge sempre nas sessões de psicoterapia nas quais o conto é mediador; contar histórias é estar na zona de adormecimento a que se refere Pierre Fédida, espaço potencial que o conto cavouca e constrói para permitir uma separação segura e o sono reparador, com sonhos.

FELIZES PARA SEMPRE

Mas é preciso terminar essa história. Seria possível ressaltar algumas de nossas conclusões, mas todas elas não passam de hip ó teses tentando refletir sobre algo que a humanidade vem fazendo, intuitivamente e há séculos, com uma enorme competência, com o objetivo de obter saúde mental.

Não seria uma conclusão justa com este objeto tão aberto e afeito a todo e qualquer tipo de teoria, que é o conto. Por isso optamos por terminar sem concluir, como os contos tradicionais. E como eles, criamos um espaço ilusório de felicidade, representação tão importante na realidade psicológica de uma criança.

O psicanalista francês René Diatkine, ao selecionar, entre todos os recursos, o conto, optou pelo estímulo que possibilita à criança imaginar para si mesma outra história. E foi mais longe, ao considerar tal capacidade fundamental para todos nós durante toda a vida. Assim, tanto mais saudável serei quanto mais puder, sem fugir da realidade, refazer dentro de mim mesmo a minha realidade, transformando-a, por meio da história, em algo menos duro e mais alentador. Como dizia o poeta Mário Quintana, a vida nos cobra a sua cara moeda. E sobreviver também é encontrar uma forma mais leve de pagar. Quintana negociou com poesia. Diatkine sugere que negociemos com histórias; com arte, enfim.

Se, ainda assim, não conseguirmos ser felizes para sempre, como nos contos verdadeiros, seremos felizes pelo menos até o fim do sonho.