A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

AS BASES NEUROCIENTÍFICAS DA PSICOTERAPIA

Durante muito tempo separados por um muro quase intransponível, psicoterapeutas e neurocientistas afastam-se da dicotomia cartesiana e convergem para o paradigma de integração cérebro ­ mente na área da saúde mental

Estamos no limiar de uma nova era da ciência do comportamento, e a psiquiatria moderna tem adotado uma postura pragmática em relação à dicotomia cartesiana que define corpo e mente como entidades separadas. Ainda que seja possível diferenciar os processos mentais de seu substrato orgânico, entende-se o cérebro humano como um órgão dotado de enorme plasticidade e extremo dinamismo que, diferentemente dos outros, representa para si mesmo algo que está ocorrendo no exterior, enquanto a mente é conjunto de processos que emergem desse funcionamento cerebral. A articulação dessa abordagem integrada vem sendo exaustivamente estudada. Vários neurocientistas têm procurado divulgá-la em obras como O erro de Descartes e O mistério da Consciência, de António Damásio, e O Cérebro Emocional, de Joseph LeDoux.

No final do século XIX, Darwin desenvolveu a teoria da evolução, que vem sendo confirmada pelos resultados dos estudos do genoma. Descobertas neurocientíficas recentes comprovam não só a plasticidade neuronal do cérebro humano como também a tendência natural do homem de adaptar-se ao meio, através de seu “kit de sobrevivência” afetivo. Na primeira metade do século XX, os tratamentos psiquiátricos eram polarizados em dois extremos, o grupo organicista, que recorria a tratamentos físicos, como o eletrochoque, e o psicanalítico, que via a psicanálise como uma espécie de panaceia universal. Durante quase todo o século, as duas posições foram tão antagônicas que se assemelhavam ao embate capitalismo versus comunismo.

A queda dessa espécie de muro de Berlim ocorreu a partir dos anos 90, denominada “década do cérebro”, quando houve enorme avanço das neurociências, principalmente com as descobertas das técnicas de imageamento cerebral. Isso nos fez chegar neste novo milênio ao paradigma da integração cérebro ­ mente na área da saúde mental, resultante de uma série de pequenas mudanças ocorridas durante a segunda metade do século XX, a começar pela descoberta da clorpromazina, em 1952, por Delay e Denicker, na França, introduzindo os psicofármacos no arsenal terapêutico. Também os questionamentos políticos/ ideológicos/teóricos levantados pelo movimento antipsiquiátrico na década de 60, em oposição aos tratamentos vigentes, inclusive o psicanalítico, acabaram por estimular uma reação nos Estados Unidos (posteriormente denominada revolução científica da  psiquiatria), que levou à elaboração de manuais de diagnóstico psiquiátrico com critérios objetivos que permitissem  maior segurança  na avaliação dos transtornos psiquiátricos e na indicação terapêutica (DSM1-11 e CID-10).

PLASTICIDADE NEURONAL

Atualmente, após e enorme progresso, é possível visualizar o cérebro em pleno funcionamento e de alguma forma monitorar “coisas etéreas”, como pensamentos e sentimentos, com o uso de técnicas de imageamento cerebral. O neurocientista Eric Kandel, que recebeu o prêmio Nobel por pesquisas na área do funcionamento bioquímico cerebral, tem buscado encontrar paralelos entre os achados da neurociência e os construtos hipotéticos psicanalíticos. Para ele, “a psicanálise entra no século XXI com sua influência em declínio. Se quisesse, ela poderia facilmente se deitar em cima de seus dados hermenêuticos. Poderia continuar a expor as extraordinárias contribuições de Freud e seus seguidores a respeito dos processos mentais inconscientes e as motivações que nos tornam indivíduos tão complexos e cheios de nuances psicológicas. Certamente, no contexto dessas contribuições, poucos seriam capazes de ameaçar a posição de Freud como o grande pensador moderno da motivação humana ou mesmo negar que o século XX ficou para sempre marcado pela profunda compreensão das questões psicológicas que ao longo da história ocuparam as mentes ocidentais desde Sófocles a Schnitzler. Mas se a psicanálise preferir ficar em cima de seus feitos do passado, ela permanecerá uma filosofia da mente e uma literatura psicanalítica a ser lida como um texto filosófico moderno ou político.

Nem sempre a tentativa de adaptar teorias e conhecimentos a novos modelos significa substituir os antigos. Como já antevia o próprio Freud, tal busca pode antes ampliá-los e enriquecê-los. “Podemos esperar que a biologia nos dê as mais surpreendentes informações e não podemos imaginar quais respostas, daqui a dezenas de anos, ela dará para as questões que agora lhe fazemos.

Elas podem ser de um tipo que venha a destruir toda a estrutura artificial de nossas hipóteses (Além do princípio do prazer, 1920).”

Alguns poderiam interpretar como “tendência de o pêndulo balançar em direção à biologia” o fato de se explicar que um processo psicoterapêutico eficaz provoca mudanças no funcionamento cerebral através de alterações entre conexões neuronais. Entretanto, ao contrário, essa situação deve ser encarada como uma posição “pró-psicologia”, já que é exatamente por meio de relações interpessoais que se alteram representações mentais. Precisamos “colocar de volta os neurônios nas neuroses”, e a própria técnica psicanalítica, também conhecida como talking cure (“acura pela palavra”), hoje pode ser explicada pelo conceito neurocientífico de “plasticidade neuronal”.

O processo psicoterapêutico desencadeia mudanças no comportamento do paciente, o que inevitavelmente altera o funcionamento cerebral através de transformações nas conexões neuronais e daí a estrutura cerebral e o processo de consolidação da memória. Uma nova relação de apego modifica a memória processual implícita por meio de novas experiências de relação com o terapeuta. A busca de um modelo neural dos mecanismos de memória baseia-se nos resultados de pesquisas indicando que o treinamento ou a experiência diferenciada leva a variações significativas na neuroquímica cerebral, anatomia e eletrofisiologia. Sendo assim, é geralmente aceito que a psicoterapia seja uma poderosa intervenção que afeta e modifica diretamente o cérebro. Desde 1992 a hipótese de que ela provoca modificações no funcionamento do cérebro vem sendo confirmada através de pesquisas com imagem.

TREINADOR MENTAL

Franz Alexander, psicanalista da Escola de Chicago, criou na década de 40 o conceito de “experiência emocional corretiva” (EEC). Inicialmente rechaçado por outros psicanalistas, o EEC atualmente vem sendo considerado o princípio central do processo psicoterapêutico – a ideia é que uma nova experiência emocional ocorre na relação paciente-terapeuta, em que este último funciona como uma espécie de coach, (treinador), como se houvesse um progressivo treinamento do paciente. O terapeuta serve como catalisador do processo de mudança por proporcionar continuamente EEC. Entre os motivos que fizeram o conceito de EEC permanecer no “limbo” da teoria psicodinâmica, está a resistência provocada por muitas das ideias inovadoras de Alexander. Um agravante foi terem sido apresentadas como componentes da própria técnica psicanalítica, já que ele próprio, na ocasião, propôs que seu modelo terapêutico fosse considerado uma quinta etapa da evolução da psicanálise.

É interessante notar que o conceito de EEC foi desprezado por psicólogos e psicanalistas durante mais de meio século, por não se adequar aos construtos hipotéticos vigentes da metapsicologia psicanalítica, e agora, no início do século XXI, está tendo seu reconhecimento e comprovação através de dados de pesquisas de neurociência.

Em 1995, introduzi o conceito de “efeito carambola” na técnica de psicoterapia focal para explicar o mecanismo de potencialização dos ganhos terapêuticos através de repetidas EECs, usando uma analogia com o jogo de bilhar – o impulso de uma tacada em uma bola gera movimento em uma série de outras bolas que, não rendo sido diretamente atingidas pelo impacto inicial do taco, passam a mover-se impulsionadas pelo movimento gerado pela primeira bola (psicoterapia focal: o efeito carambola). Atualmente podemos ver que o efeito carambola, por levar a experiências de reaprendizagem emocional, permite a formação de novas redes de conexões neuronais, o que implica a reinterpretação das experiências passadas e novos trajetos para as percepções e comportamentos, abrindo a possibilidade de formatação biológica do domínio psicológico e de reestruturação emocional, pela modificação dos circuitos de memória tanto explícita quanto implícita.

 Desde meados da década de 60 até o princípio dos anos 80, mantive estreito contato com o prof. Carlos Paes de Barros, brilhante estudioso da metapsicologia freudiana. Este teórico escreveu um texto (“Thermodynamic and evolutionary concepts in the formal structure of Freud’s metapsycholgoy” em Arieti, S. org. The world bienal of psychiatry an psychology, Basic Books, 1970) a respeito dos estudos de Freud escritos em linguagem neurológica restrita aos conhecimentos da época e contidos no projeto para uma psicologia científica de 1895. Quando preparava o material que viria a ser meu primeiro livro, preocupava-me o fato de que o conceito de EEC, essencial para justificar a eficácia da psicoterapia breve, precisava ser compreendido em termos psicanalíticos clássicos, já que essa era praticamente a única forma de validação teórica existente na época. Na ocasião, Paes de Barros mostrou que o conceito de EEC poderia ser explicado teoricamente, se usássemos como referência (como o próprio Freud havia feito em uma de suas inúmeras revisões da própria metapsicologia) o esquema da segunda tópica (id/ego/superego) e não da primeira (inconsciente/pré-consciente/consciente).Essa foi a explicação do mecanismo de EEC apresentada por mim em Psicoterapia breve, a técnica focal. Hoje, podemos considerar a EEC em termos neurocientíficos, como a formação de novas conexões neuronais. Ter acesso aos novos dados da neurociência na atualidade nos permite compreender, com muito mais rigor científico, uma série de conceitos teóricos criados por Freud para explicar uma variedade de mecanismos de funcionamento mental.

EFEITO CARAMBOLA

O conceito foi introduzido na técnica de psicoterapia local para explicar o mecanismo de potencialização dos ganhos terapêuticos através de repetidas experiências emocionais corretivas (EEC), por analogia ao jogo de bilhar: a tacada em uma bola move uma série de outras que, embora não atingidas diretamente pelo impacto inicial do taco, são impulsionadas pelo movimento gerado pela primeira bola. O “efeito carambola” permite a formação de novas redes de conexões neuronais, abrindo a possibilidade de formatação biológica do domínio psicológico e de reestruturação emocional pela modificação dos circuitos de memória explícita e implícita

OUTROS OLHARES

PRIVILÉGIOS ON-LINE

Lançamentos da Apple e da Amazon mostram que o mercado criado em torno da internet tem simulado cada vez mais o mundo real: as pessoas aceitam pagar mais para ter vantagens

A ideia da internet como uma ágora democrática, terreno de oportunidades equivalentes para todo mundo, foi sempre um dos pilares da magistral invenção de nosso tempo. Ela   seria, enfim, o remédio para a aproximação entre alguns poucos privilegiados e o comum dos mortais, uma ponte de ligação afeita a atenuar diferenças econômicas, fossos de poder aquisitivo. Em 1989, há exatos trinta anos, o físico inglês Tini Berners-Lee, a serviço da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear, desenvolveu a world wide web (www, na sigla em inglês) para facilitar o acesso, livre e igualitário, à rede que interliga computadores. “Incluí a palavra world (mundo) em “www” justamente pela ambição de que um dia ela abraçasse toda a Terra”, disse ele, em entrevista recente.

De modo a promover a igualdade entre os indivíduos que navegassem pela web, Berners-Lee decidiu não patentear a criação. O tempo, sempre cruel, tornou aquele sonho original uma quimera inalcançável. A internet deu tão certo, cresceu tanto e fez tanto dinheiro em três décadas de vida que, na disputa por nacos de mercado, naturalmente se impôs uma nova regra, mais pragmática e natural ao capitalismo: quem paga mais ganha benefícios. É uma dinâmica na qual os dois gigantes do setor entraram ainda mais firme, como revelam dois lançamentos anunciados na semana passada, na terça­ feira 10. Àmeia-noite daquele dia, a Amazon começou a oferecer no Brasil uma versão “vip” do site de comércio eletrônico. Depois, ao longo da tarde, a Apple realizou seu tradicional evento de novos lançamentos em Cupertino, na Califórnia (EUA), com o anúncio de uma coleção de produtos e serviços destinados a quem pode desembolsar alguns dólares suplementares para ter vantagens sobre outros clientes, digamos assim, mais “básicos”. As duas empresas apostam na mesma ideia: oferecer exclusividade para atrair e manter fiéis consumidores.

Na Amazon brasileira, aqueles que pagarem 9,90 reais de mensalidade (é pouco, convenhamos) pelo serviço Prime terão facilidades como entregas rápidas e gratuitas, descontos em itens específicos e uma gama gratuita de livros, filmes, séries e revistas – como títulos da Editora Abril. Nos Estados Unidos, o modelo é um sucesso. Mais de 101milhões de americanos assinam a versão Prime, e o faturamento com essa parcela dos consumidores representa 60% da receita de quase 142 bilhões de dólares anuais do site de comércio eletrônico. Explica-se, portanto, o alvoroço provocado pelo desembarque do modelo no Brasil. Os rivais diretos da Amazon em território nacional viram o preço de suas ações despencar na bolsa de valores. Em conjunto, Magazine Luiza, B2W, Lojas Americanas e Via Varejo perderam 4,75 bilhões de reais em um único dia – no dia seguinte, essas empresas recuperaram 5,38 bilhões de reais.

No caso da Apple, a mudança de postura, do tiro de canhão para alcançar todo mundo para disparos individualizados, é ainda mais evidente. Quando foi lançado o primeiro iPhone, em 2007, uma das obsessões do fundador da Apple, Steve Jobs (1955 – 2011), era que todos aqueles que comprassem o smartphone tivessem a mesmíssima experiência. Ele queria criar um produto popular. Passados doze anos – oito da morte de Jobs -, a companhia caminha para outra direção. “São os iPhones mais poderosos que já construímos”, disse o CEO, Tim Cook, ao revelar a nova linha, a de número II. Ela inclui uma versão Pro, que custa quase o dobro do preço do modelo básico. A experiência de quem comprar o Pro será bem distinta da que terão aqueles que adquirirem um iPhone-padrão: o aparelho requintado possui câmera fotográfica de melhor qualidade e bateria de duração maior, entre os recursos destinados aos mais iguais que os outros, para usar uma expressão de George Orwell em A Revolução dos Bichos. Cook alardeou também um novo serviço de assinatura de games, e o de séries e filmes. Em ambos, só terá acesso ao catálogo extra – além do que há disponível a todos por meio da loja de aplicativo da Apple – quem topar pôr a mão no bolso.

Amazon e Apple, assim como outros gigantes da tecnologia, entre eles a Samsung, surfam numa tendência: clientes abonados têm demonstrado crescente interesse em pagar um pouco mais para contar com produtos e serviços melhores. É o que apontou um estudo da reputada consultoria francesa Capgemini realizado no ano passado com 3.300 consumidores e 450 executivos de multinacionais. Entre os resultados, revelou-se que 81% da clientela aceita arcar com valores salgados em troca de experiências especiais. Os exemplos pululam. Na Netflix, o programa de streaming de séries e vídeos dispõe de uma versão básica, cuja imagem tem qualidade boa, mas não excepcional. Paga-se pelo 4K, e a resolução é de cinema (desde que o televisor també1m seja bacana, de última geração). No caso da Uber, desde 2014, a criação de distintas categorias foi uma ideia tão boa que se espalhou rapidamente, com a alcunha “black” alçada a sinônimo de coisa especialíssima, que você tem mas seu vizinho ainda não.

É uma engrenagem que, a rigor, ecoa as classes dos aviões comerciais – capaz de servir aos interesses das companhias de aviação e também aos sonhos de quem, guardando dinheiro e podendo gastá-lo, almeja um lugar melhor. É movimento natural dos anseios do ser humano. E, embora se oponha à gênese imaginada pela turma revolucionária de Berners-Lee, combina à perfeição com a ideia vitoriosa da força do livre mercado. Segundo um estudo da consultoria americana Gartner, especializada em tecnologia, estima-se que até 2020 mais de 80% dos fabricantes de softwares criarão serviços pagos, mediante assinaturas, em acréscimo às suas versões populares.

SALA VIP

Os gigantes da tecnologia, que cresceram lançando serviços e produtos de preço único, como sinalização do comportamento supostamente igualitário na internet, agora apostam em versões exclusivas

GESTÃO E CARREIRA

A NOVA GRANDE APOSTA DOS INVESTIDORES

Apenas no primeiro semestre de 2019, as startups de cannabis captaram US$ 1,6 bilhão. É o início de uma nova indústria

Danny Moses ficou conhecido do grande público após ter suas jogadas financeiras reveladas no filme A Grande Aposta. Na época da crise dos financiamentos imobiliários de 2008, Moses estava à frente do fundo Front Point Partners, que ganhou milhões de dólares enquanto a maioria dos investidores se encaminhava para a falência.

Recentemente, Moses deu uma entrevista à rede de televisão CNBC e revelou sua mais nova aposta: Cannabis. Segundo o megainvestidor, ele nunca esteve diante de um segmento onde o “vento sopra a favor na esfera política, econômica e de bem-estar” (tradução livre). Para Moses, pelo fato da maconha a inda ser ilegal nos Estados Unidos, no âmbito federal, os bancos não financiam a indústria. Com isso, o custo de capital das empresas é muito alto e impacta substancialmente a lucratividade. No momento em que esta barreira for vencida, como ocorreu no Canadá, o setor vai apresentar números impressionantes, de crescimento e lucratividade.

Moses não é o único a estar apostando nisso. Em 2018, as startups de Cannabis captaram US$ 2,6 bilhões e, somente no primeiro semestre de 2019, já foi US$ 1,6 bilhão, segundo o CB Insights. Mais de 200 startups disputam esse mercado em diferentes categorias, e, somando-se Estados Unidos e Canadá, já são mais de 10 mil empresas licenciadas para operar nesse mercado. As empresas de pesquisa apontam números divergentes para as estimativas de tamanho do mercado; porém, são quase unânimes no patamar de US$ 100 bilhões para 2025.

Entre 2017 e 2018, a indústria aumentou em 76% o número de empregos, segundo a Glassdoor. Com a legalização do uso recreativo e medicinal da maconha em todo o país, é provável que esse segmento se torne maior do que a indústria de cigarros. E é exatamente nisso que os investidores estão apostando.

Um dado interessante é que, até o momento, o maior investimento feito no setor foi num fundo de private equity: US$100 milhões no Privateer Holdings. O fundo norte-americano, baseado em Seattle, investe exclusivamente em Cannabis e tem no seu portfólio o Leafly, um aplicativo que ajuda consumidores a encontrarem produtos feitos com a planta em suas proximidades, e a Tilray, um fabricante canadense que em julho fez seu IPO, levantando US$153 milhões. A Tilray já negocia contratos de distribuição de seus produtos em 12 países, incluindo o Brasil, e, em paralelo, desenvolve testes clínicos em parceria com centros médicos em Portugal, na Inglaterra, Austrália e Estados Unidos.

Além dos fundos de venture capital criados especificamente para o investimento na área, como o Merida de Danny Moses, Altitude, Casa Verde, Salveo e Green Acre – apenas para citar os maiores -, gigantes do setor, como o Tiger Global, têm levantado fundos específicos para Cannabis.

No ano passado, foi criado em Israel o hub iCAN, que já possui hoje mais de 4 mil participantes, em 140 países. A organização tem a intenção de formar o maior ecossistema global para o segmento de Cannabis, congregando pesquisas científicas, especialistas, startups e investidores. Segundo o CEO e fundador do hub, Saul Kaye, o segredo é retirar o estigma da briga pela legalização e advogar pela “medicalização” da maconha.

Lembro-me quando, em 2013, o investidor Dan Morehead iniciou o fundo PBF no Pantera Capital, para investir em Blockchain e criptomoedas. Estávamos nos primórdios da tecnologia, e muitos especialistas tinham dúvida sobre os riscos do investimento (aliás, muitos ainda têm ainda hoje). Pois até 2018 o fundo havia subido incríveis 11.721%!

O que estamos vendo agora com Cannabis é o início de uma nova indústria. Toda a cadeia de valor será construída ao longo dos próximos anos, em diferentes geografias. Isso significa oportunidades de negócios para empreendedores e de altos retornos para investidores. Mas como, sempre, risco e retorno andam juntos, veremos ganhos exponenciais, assim como prejuízos igualmente exponenciais. Como toda grande aposta.

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 17 – A EQUIPE DE LIBERTAÇÃO

Jesus estabeleceu o método de trabalho para os Seus discípulos: trabalhar em equipe.

Ao enviar os doze a ministrar, Ele os mandou dois a dois. Ao enviar os 70, Ele também os mandou dois a dois. Outros grupos e outras equipes podem ser encontrados no livro de Atos. Na primeira viagem missionária foram Paulo, Barnabé e João Marcos.

Mais tarde eram Paulo e Silas. Barnabé escolheu João Marcos. Áquila e Priscila formaram uma equipe de marido e mulher. O ministério em equipe está baseado nas Escrituras. Trabalho em equipe é desejável e mais efetivo, especialmente no ministério de libertação.

OS ELEMENTOS E A ESTRUTURA

Quantas pessoas devem fazer parte de uma equipe de libertação? Esta pergunta não tem uma resposta que sirva de regra. As situações para libertação variam. Para ministrar a uma pessoa, um grupo composto de duas até seis pessoas, em geral, é suficiente.

A equipe deve incluir homens e mulheres. Por causa das circunstâncias fora do comum neste ministério, um homem não deve ministrar sozinho a uma mulher, nem uma mulher a um homem. A melhor equipe é marido e esposa, quando for possível. Uma vez que a imposição das mãos pode fazer parte do ministrar, é melhor incluir na equipe os dois sexos.

Os homens e as mulheres não deviam impor as mãos, indiscriminadamente, no sexo oposto. Além disso, a pessoa que é libertada, por vezes, tem de ser controlada fisicamente. Ainda que não lutemos contra carne e sangue, os demônios podem manifestar-se violentamente, de modo que a pessoa que está sendo libertada deve ser reprimida para não se ferir ou ferir a outros.

A UNIÃO E A CONCORDÂNCIA DOS MEMBROS

A concordância é um elemento essencial básico para uma equipe de libertação. Satanás se aproveitará da discordância. Ele vai criar desarmonia, de diversas maneiras. Esteja alerta dessa possibilidade. Isso está bem ilustrado numa experiência que tive na segunda vez em que Deus me usou em libertação. Seis ou sete de nós, num grupo de oração, estávamos orando pela libertação de uma senhora.

Ao ser chamado, o demônio disse: “Somente um de vocês está realmente seguindo o Senhor”. A finalidade dessa declaração era a destruição de nossa união, nossa concordância, e assim aconteceu. Num instante, cada um de nós estava pensando que era o único seguindo o Senhor, e ficamos suspeitando da dedicação dos outros. Assim, nossa atenção foi desviada do inimigo para nós mesmos e para os outros membros da equipe e não para a pessoa que estava sendo libertada.

Qualquer grupo que está trabalhando junto deve aprender a “fluir” no Espírito e a confiar nos outros membros da equipe. Durante a batalha contra poderes demoníacos não é a hora apropriada para acertar as diferenças entre vocês. Se houver um discernimento de espíritos por um membro da equipe, deve ser confirmado pelos demais. Mas é melhor enfrentar um espírito discernido do que discutir a validade do discernimento. Um erro, de vez em quando, vai acontecer, mas isso não vai acabar com o ministério.

OS MEMBROS DA EQUIPE E SUAS FUNÇÕES

Tem de ser enfatizado que não é possível delinear regras que sirvam para todos os casos. Cada membro da equipe tem de ser sensível e obediente ao Espírito Santo. Geralmente, é melhor que somente uma pessoa fique mandando nos espíritos. As outras estarão, em voz baixa, orando, lendo a Bíblia, louvando e cantando. Cânticos sobre o sangue de Jesus têm grande efeito e são apropriados. Não é incomum que a “liderança” mude várias vezes, especialmente se o trabalho continua por mais de uma hora. Essa transição ou troca de liderança pode ser feita sem problema nenhum.

É cansativo para uma só pessoa ficar na liderança por muito tempo. Você já viu os gansos voando em formação? A liderança muda de um para outro. O líder fica na frente aguentando o vento por um pouco e logo se retira daquela posição, deixando outro tomar a frente, enquanto ele descansa. A equipe de libertação pode funcionar da mesma maneira. O alvo é libertar o cativo e dar a Jesus toda a glória; assim não fará diferença quem está à frente da batalha. Cada posição na equipe é de importância vital.