A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

FERRAMENTAS DA APRENDIZAGEM

Cognição e habilidades socioemocionais são importantes mecanismos de auxílio no que se refere ao aprendizado das pessoas e, por isso, devem ser alvo estratégico da atenção de educadores e familiares

A regulação das emoções constitui uma habilidade fundamental para a interação social, influenciando diretamente na expressão de sentimentos e no comportamento de cada pessoa. A regulação das emoções tem sido definida como estratégia consciente ou inconsciente dirigida a manter, aumentar ou diminuir um ou mais componentes dos comportamentos e respostas fisiológicas que constroem as emoções, em cada indivíduo.

As diferenças individuais resultam em dimensões de traços pessoais, de níveis de ansiedade e de tendências comportamentais, assim como se alteram as ativações cerebrais que influenciam a capacidade de regular as emoções ou que resultam no surgimento de patologias mentais, como no caso do estresse, que pode se desdobrar em diversos comprometimentos psicofisiológicos.

Como a aprendizagem ocorre a partir de processamentos cognitivos, a regulação das emoções que atuam nos comportamentos é alvo de interesse dos estudos, sendo importante que se voltem para essa questão que, tradicionalmente, não se liga aos currículos escolares, nem ocupa a preocupação com o bom desempenho do aluno, embora esteja presente em cada momento do aprendizado. Considera-se, portanto, que a cognição e as habilidades socioemocionais sejam ferramentas de aprendizagem e devem ser alvo de atenção de educadores e familiares.

COGNIÇÃO E EMOÇÃO

Nos anos 80, o encontro entre a Psicologia e as Neurociências proporcionou um canal de comunicação e pesquisas em conjunto. Desde então, a parceria denominada neuropsicologia cognitiva tem incrementado a demanda de produções a partir da troca de informações, material teórico e experiência clínica.

A terapia cognitivo-comportamental (TCC) baseia-se numa postura construtivista de que nossas representações de eventos internos e externos determinam nossas respostas emocionais e comportamentais. Nossas cognições ou interpretações sobre os fatos refletem formas de processar informação. Assim, um objeto qualquer tem um significado diferente para cada pessoa: ir à escola pode ser uma aventura de descobertas ou pode ser uma tortura de cobranças, especialmente, se existe uma dificuldade particular em atingir as expectativas avaliativas. Por isso, uma das técnicas iniciais da terapia cognitiva consiste em identificar e corrigir as conceituações distorcidas e crenças disfuncionais, substituindo-as por outras crenças e ideias que possibilitem ao indivíduo experimentar novos comportamentos e emoções menos prejudiciais a ele mesmo e, como consequência, aos outros. A partir do aprofundamento dos pensamentos automáticos, é possível chegar às crenças centrais do indivíduo, que são as ideias mais fixas e enraizadas, oriundas do processo de desenvolvimento, das experiências e da formação do indivíduo desde a infância, aceitas por eles como verdades absolutas. Pensamentos já definidos, independentemente dos acontecimentos situacionais, que concluem simplesmente: “eu sou assim”, “eu não consigo”, “eu tenho que”, “eu não gosto” e assim por diante, podem resultar em comportamentos que inibem a iniciativa de tentar, característica de uma constante capacidade de “vencer” limites que caracteriza o ser humano. Essas conclusões pessoais se referem a pensamentos automáticos, que definem resultados de processos cognitivos e se aplicam de forma generalizada a todas as outras situações. Por exemplo, a partir de não ter bons resultados em uma prova, o indivíduo pode ficar convencido de que isso significa que ele é assim, que não consegue e não vai gostar da experiência etc. O comportamento consequente será rejeitar tentativas que possam mudar a posição, fortalecendo aqueles pensamentos e, em vez de modificá-los, essas experiências passam a ter uma função limitadora. A pesquisa de Albert Bandura (2008) sobre modelos de processamento de informações e aprendizagem, e as evidências empíricas na área do desenvolvimento da linguagem, suscitou questões sobre o modelo comportamental tradicional disponível até então, e apontou as limitações de uma abordagem comportamental não mediacional para explicar o comportamento humano. O modelo baseado nos reforçadores de respostas com premiação e punição propôs uma compreensão da aprendizagem sem tentativa, conhecida como “modelação”, que ocorre pela observação de um modelo, sem a necessária reprodução do comportamento, com reforços automáticos. Michael Mahoney (1946-2006) foi um importante precursor do movimento cognitivista. Em uma publicação intitulada Cognition and Behavior Modification (Mahoney, 1974), ele enfatiza a importância do processamento cognitivo. Os conceitos cognitivos foram estudados intensamente por diferentes correntes, como autores russos, com destaque para Lev Semenovich Vygotsky (1896- 1934), que verificou que crianças eram bem-sucedidas na aprendizagem de regras gramaticais, independente- mente de reforço (Vygotsky, 1962; 1991). O papel do mediador se diferencia nas questões de inteligência, porque orienta, sem executar os caminhos da aprendizagem, uma vez que aprender é uma mudança cognitiva que independe do outro.

Outro nome significativo em seus achados teóricos foi Jean Piaget (1978), um os principais representantes da Psicologia Cognitiva, porque construiu uma teoria do desenvolvi- mento mental humano. Segundo Piaget, a aprendizagem é entendida como mudanças que ocorrem na estrutura do cérebro e só acontece quando as estruturas cerebrais se modificam (o que se comprova, hoje, em exames neurológicos). Em outras palavras, para que alguém aprenda, ocorrem mudanças no cérebro com reconfiguração da estrutura cognitiva (através de esquemas de assimilação e acomodação) do indivíduo, resultando em novos esquemas de adaptação, para seu equilíbrio. Foi Beck (1967), no entanto, quem propôs o raciocínio teórico subjacente da terapia cognitiva de que o afeto e o comportamento de um indivíduo são amplamente determinados pelo modo como ele olha o mundo (cognições/ pensamentos). Embora vindo de uma tradição psicanalítica, Albert Ellis (1913-2007) também revelou insatisfações com os resultados práticos do trabalho psicanalítico (Ellis, 1997). Segundo Jacobson (1987), a incorporação das teorias e terapias cognitivas à terapia comportamental foi assumida por diversos terapeutas e teóricos comportamentais. Uma “revolução cognitiva” começou a emergir, embora os primeiros textos centrais sobre modificação cognitiva tenham aparecido somente na década de 1970.

A memória operacional sustenta o processo de cognição por tempo suficiente para que as informações sejam retidas pela memória de longa duração, ao mesmo tempo que oferece subsídios para o gerenciamento de atividades correntes de cognição, entre elas a atenção e suas diferentes formas.

PSICOFISIOLOGIA DO ESTRESSE

O organismo, ao receber um estímulo, desencadeia uma resposta, uma preparação para fuga ou reação de enfrentamento da situação. Conforme a vulnerabilidade individual e abrangendo a esfera física e psicossocial ocorrem alterações orgânicas e mentais, de uma maneira ampla e diversificada. A reação do estresse decorre da ativação de uma série de eventos, iniciando na estrutura do sistema nervoso central (SNC), interagindo com o sistema nervoso autônomo (SNA) e o sistema límbico, desencadeando uma cadeia de reações e com ativação do eixo hipotálamo-hipófise, liberando o hormônio adreno-corticotrópico (ACTH) na corrente sanguínea, estimulando as glândulas supra-adrenais, que vão produzir, principalmente, a adrenalina e os corticosteroides, levando o indivíduo ao estado de alerta, pronto para lutar ou fugir, uma manifestação instintiva.

No hipotálamo estão vários conglomerados de neurônios, responsáveis por tarefas diversas, regulando processos fisiológicos contínuos como respiração, pressão sanguínea, digestão e equilíbrio entre as diversas funções orgânicas. É o núcleo para-ventricular que libera a corticotropina (CRH), estimulante que desencadeia a reação ao agente de estresse.

O estímulo do hipotálamo sobre o sistema nervoso simpático, via suprarrenal, libera o hormônio adrenocorticotrópico (ACTH), que, por sua vez, ativa as glândulas adrenais para liberar hormônios glicocorticoides no sangue. Os níveis de glicocorticoides, normalmente, seguem um ritmo diário: alto no começo da manhã e baixo no fim do dia, porque uma de suas principais tarefas é aumentar a glicose no sangue para fornecer energia aos músculos e nervos. A regulação de diversas funções do organismo são controladas pelos hormônios por um mecanismo de feedback ao hipotálamo, que pode acertar o sistema de produção de adrenalina e noradrenalina. A adrenalina aumenta o suprimento de sangue para o coração, músculos e cérebro; dilata as coronárias e aumenta a frequência cardíaca. Já a noradrenalina causa vasoconstrição e aumenta a pressão arterial (veja quadro Hormônios: mecanismo de feedback ao hipotálamo).

A liberação hormonal no sangue atua em vários órgãos e sistemas, regiões distantes do seu local de origem, ocorrendo uma redistribuição sanguínea, com menor fluxo sanguíneo para pele e vísceras e maior para os músculos e cérebro. As alterações se fazem sentir em todo o organismo, interferindo nos diversos sistemas.

SÃO ELES:

SISTEMA CARDIORRESPIRATÓRIO – No sistema respiratório ocorrem o aumento da frequência da respiração e a dilatação dos brônquios para facilitar maior captação de oxigênio pelo organismo.

O organismo, com excesso de adrenalina, pode desencadear, no sistema cardiovascular, manifestações de crise hipertensiva, palpitações, infarto do miocárdio, arritmias; no cérebro, arteriosclerose, acidente vascular cerebral (AVC); nos pulmões, a dilatação crônica dos brônquios e predisposição à infecção por vírus, fungos, bactérias, bacilos e outros micro-organismos. As manifestações cardiorrespiratórias consistem na elevação da pressão arterial, palpitações, respiração ansiosa, acompanhadas de extremidades frias e suadas. Nos olhos, há aumento da pressão intraocular e dilatação nas pupilas, preparando uma resposta fisiológica de adaptação do corpo.

Se as circunstâncias externas estimulam o sistema que provoca o estresse repetidamente, conforme a suscetibilidade pessoal e a intensidade das mudanças, a tensão crônica poderá tornar o sistema vulnerável a danos, causando o adoecimento. Se ocorrer a persistência do agente e/ou ambiente agressor, o organismo poderá ser sobrecarregado, resultando no aparecimento de inúmeras repercussões psicofisiológicas, por sobrecarga de adrenalina e cortisol.

A liberação excessiva de cortisol acarreta alterações metabólicas, com aumento da destruição das proteínas, diminuição de massa muscular e, em relação aos carboidratos, haverá aumento da produção de glicose, diminuição dos receptores de insulina, menor utilização da glicose pelos tecidos e, no metabolismo dos lipídeos, aumento da lípase e lipídeos na corrente sanguínea e redistribuição da gordura corporal.

O sistema cardiovascular sofre o efeito potencializador do corticoide com a adrenalina, com o aumento da hipercoagulabilidade sanguínea, favorecendo o infarto do miocárdio.

SISTEMA IMUNOLÓGICO – Nesse sistema, há diminuição da defesa do organismo, pela diminuição dos glóbulos brancos e menor síntese de anticorpos, observando uma involução do timo. As repercussões no SNC, por destruição de proteínas e glicose, levam a alterações psíquicas e comportamentais; no sistema musculo esquelético, ocorrência de atrofias e astenias musculares; no tecido ósseo, a com- petição do cortisol com a vitamina D, impedindo a absorção de cálcio, levando à osteoporose. Ao nível hepático, ocorre maior liberação de glicose na corrente sanguínea a partir do glicogênio, para o fornecimento de mais fonte energética para os músculos. Paralela- mente, o baço sofre contração e libera mais glóbulos sanguíneos para facilitar a captação de oxigênio, e há, ainda, um aumento de números de linfócitos para reparar possíveis danos nos tecidos. Possibilidade de aparecimento de obesidade, de diabetes mellitus, de câncer (diminuição do sistema imunológico).

SISTEMA GASTROINTESTINAL E REPRODUTIVO – O sistema gastrointestinal apresenta aumento do ácido clorídrico e pepsinogênio, com diminuição do muco protetor intestinal. Os ovários e os testículos diminuem a produção, respectivamente, da progesterona e testosterona, interferindo no sistema reprodutivo. No sistema gastrointestinal, as perturbações interferem tanto na má digestão como no surgimento de gastrite, úlcera, colite, até diarreia crônica, e, na pele, com a erupção de micose e psoríase. Incide, também, no envelhecimento dos órgãos sexuais, levando à impotência e à frigidez. O estresse provoca tensão física e psicológica, queda de capacidade intelectual, perturbações do sono, levando à fadiga.

Em síntese, o estresse ocorre em resposta psicobiológica ao agente estressor interno ou externo, por meio da ação integrada dos sistemas nervoso, endócrino e imunológico, em um processo de alteração e recuperação do equilíbrio homeostático.

OUTROS OLHARES

A NOVA REVOLTA DA VACINA

Como a ideia de que a imunização faz mal ou é desnecessária está provocando a volta de doenças como o sarampo

É fim de tarde em Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo, e a família de Maximiliano Giacone, de 31 anos, joga futebol na praia. Os três filhos, de 8 anos, 6 anos e 2 anos e meio correm descalços na areia. A família é de origem argentina, mas mora no Brasil. As crianças comem comida saudável, se exercitam, dormem cedo, raramente usam medicação alopática. E não tomam vacinas. Giacone diz que não acredita na necessidade dessas imunizações. O filho mais velho e o mais novo não foram vacinados, e o do meio, seu enteado, tomou apenas a BCG, dada a recém-nascidos para prevenir a tuberculose. “A não vacinação vem com uma filosofia de vida. Meus filhos são saudáveis. Utilizamos remédios alternativos, homeopatia, medicina por meio das plantas, raramente algo de farmácia”, contou Giacone, ex-proprietário de uma escola em Buenos Aires.

Recentemente, ele soube de casos de famílias que foram obrigadas pela Justiça a vacinar seus filhos. Uma vez, contou, ele e a mulher foram repreendidos por um médico que criticou a recusa de dar vacinas. “Já conversei com algumas pessoas e li a respeito da falta de necessidade de ir ao médico com frequência. Não lembro exatamente as fontes. Outras pessoas falam em epidemias. Pode ser. Mas me baseio no que vou encontrando na vida. Não falo para as pessoas vacinarem ou não vacinarem. Seguimos nossa verdade”, afirmou. Giacone disse ter consciência de que muitas de suas ações despertam reações e assombram outras pessoas. “As pessoas vão ao médico e esperam ouvir tudo que devem fazer. Somos educados assim. Mas gosto de ver como minhas crianças sabem que elas têm o poder de ficar doentes ou não. Que elas têm o poder de se curar. Não somos só o corpo físico”, disse. Giacone afirmou que não vai se opor se os filhos decidirem se vacinar quando crescerem. Ele foi vacinado quando criança. “Não vou dizer que está certo, mas acredito em levar a vida como cada um quiser”, completou.

Os membros do que se convencionou chamar de movimento antivacina têm motivações variadas e não conhecem fronteiras. A cerca de 2.300 quilômetros de Ubatuba, Gisleangela dos Santos, de Girau do Ponciano, município a quase três horas de Maceió, Alagoas, também faz restrições às campanhas de imunização. A cidade de cerca de 40 mil habitantes, que vive de agricultura e funcionalismo público, é descrita pela servidora de 37 anos como “quase o fim do mundo”. Mas a desinformação chegou até lá pela internet. Santos passou a duvidar das vacinas depois de assistir a um vídeo em que um suposto enfermeiro dizia que o vírus da zika não existia, e que a microcefalia era causada por uma vacina vencida dada pelo governo. Ela teve zika no início da segunda gestação, mas, quando a filha nasceu com microcefalia, não culpou o mosquito. Com base no vídeo, seu reflexo foi achar que a microcefalia tinha sido causada por uma vacina que tomou antes de engravidar. “Sempre via no YouTube, Facebook e também recebi no WhatsApp vídeos sobre vacinas. Quando começaram os casos de zika e microcefalia, teve um vídeo em que um homem que se dizia enfermeiro contava que tinha descoberto que o governo estava enganando o povo. Que a microcefalia não tinha nada a ver com a zika, mas com uma vacina vencida que tínhamos tomado. Fiquei com medo”, contou. Santos, a filha mais velha, de 14 anos, e a caçula, hoje com 3 anos, pararam de tomar vacina. Os pais de Santos também rejeitaram a campanha da vacina contra a gripe no ano passado. “Antes eu tomava vacina, gostava de deixar as vacinas de minhas filhas em dia. Quando vi isso, parei. E parei de dar para elas também”, disse. A família só retomou a vacinação por causa de um tratamento da caçula. “Levei minha filha menor para fazer um tratamento em uma cidade vizinha. Quando chegamos, a médica exigiu que todo mundo tomasse vacina. A pressão foi grande. Mas ainda fico com receio”, contou. Santos disse que um exame comprovou a zika durante a gravidez e que a doença afetou o bebê. Contou ainda que na cidade falta saneamento básico e sobram mosquitos e que muitas pessoas ali adoecem também com a dengue. Mas às vezes titubeia. “O vídeo falava na vacina vencida. Vivemos em um país tão corrupto que acabamos acreditando. Vejo mães que tiveram zika durante a gravidez e os filhos nasceram saudáveis. Por quê? Talvez meu caso tenha sido de imunidade. Muitas vezes nem os médicos sabem responder com certeza. E ainda tenho dúvidas.”

A vacina é uma suspensão que contém o vírus inativado ou morto de determinada doença que, introduzido no organismo, induz a formação de anticorpos. Não há evidência científica de que vacinas causem doenças ou contaminem o organismo. Pelo contrário. Graças às vacinas, especialistas em saúde dizem que foi possível erradicar no Brasil enfermidades sérias como coqueluche, rubéola, poliomielite e tétano. Ironicamente, ao tirar essas e outras doenças graves de vista, as campanhas de vacinação bem-sucedidas do passado criaram nas gerações seguintes a sensação de que as doenças desapareceram ou de que ao menos não são mais uma ameaça como eram outrora. “Historicamente, a cultura da vacinação se impôs no Brasil pelo medo de doenças. Hoje, o medo é da vacina”, disse a antropóloga Marcia Couto, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). E o fenômeno é global.

Em relatório anual sobre os dez maiores riscos à saúde, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu em 2019 a “hesitação em se vacinar”. Ela figura na lista ao lado de vírus como os de ebola, HIV, dengue e influenza, segundo a OMS, “porque ameaça reverter o progresso feito no combate às doenças evitáveis por meio de vacinação”. Outro relatório recente da OMS indica que os casos de sarampo no mundo triplicaram neste ano. O número de casos globais notificados nos primeiros sete meses de 2019, mais de 360 mil, já é quase três vezes maior que o registrado no mesmo período de 2018. No Brasil, os dados mais recentes, divulgados em 13 de setembro e referentes aos 90 dias anteriores, somam 3.339 casos confirmados de sarampo em 16 estados. O surto maior é no estado de São Paulo, onde já foram registradas pelo menos três mortes em decorrência da doença. As vítimas foram um homem de 42 anos e dois bebês. Outra criança faleceu em Pernambuco. Em nenhum dos quatro casos, disse o Ministério da Saúde, foi comprovada a imunização contra o sarampo.

Segundo a OMS, a vacinação evita de 2 milhões a 3 milhões de mortes por ano — e outros 1,5 milhões poderiam ser evitadas se a cobertura global de vacinação melhorasse. Em nota a ÉPOCA, o órgão afirmou ter estudado as razões pelas quais as pessoas escolhem não se vacinar. “A OMS identificou complacência, inconveniência no acesso a vacinas e falta de confiança entre as principais razões subjacentes à hesitação”, disse o órgão, que completou: “A relutância ou a recusa em vacinar, apesar da disponibilidade de vacinas, ameaça reverter o progresso feito no combate a doenças evitáveis por vacinação”. A OMS afirmou ainda que neste ano vai intensificar esforços para eliminar o câncer do colo de útero no mundo, aumentando a cobertura da vacina contra o HPV. Espera-se também que 2019 seja o ano em que a transmissão do vírus da poliomielite seja interrompida no Afeganistão e no Paquistão.

A queda nas taxas de vacinação já é visível. E a baixa cobertura contribui para a introdução de doenças já eliminadas no Brasil, como aconteceu com o sarampo, que voltou e virou surto. O Ministério da Saúde atribuiu o problema à queda da vacinação. A tríplice viral, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba, encerrou o ano passado com taxa de vacinação de 90,5% do público-alvo, menos do que os 95% recomendados pelas autoridades de saúde. Não é o único caso. Segundo o Ministério da Saúde, todas as vacinas destinadas a crianças menores de 2 anos têm registrado queda desde 2011, com maior redução a partir de 2016. Um balanço mostra que, de oito vacinas obrigatórias para crianças no calendário nacional de imunizações, sete delas encerraram o ano passado com a taxa de cobertura abaixo da meta. Apenas a vacina BCG alcançou o nível desejado.

A única vacina que a dona de casa Sueli Maximiliano, de São Paulo, tomou foi justamente a BCG, quando criança. Na vida adulta, ela continuou sem imunizações. Aos 48 anos, disse desconfiar da composição das doses e rejeita campanhas de vacinação em massa. “Fui criada por minha avó, que não me vacinava. Depois que cresci, senti que não me fazia falta. Aí decidi continuar sem vacinas nem remédios”, disse. Ela contou que vacinou a filha, hoje com 23 anos, só por insistência do marido. Mas afirmou que tem “a saúde melhor” do que a filha e que não vê necessidade de vacinas, pois nunca precisou de medicação nem internação. “Não gosto da ideia de o governo ditar algo e a população seguir em peso. Para mim, é uma forma de manipulação. E ter algo injetado no corpo é muito invasivo. Só não falo nem ensino isso para ninguém. É uma decisão pessoal”, completou.

A ideia da imunização como questão individual de opinião está no centro do debate sobre a queda na vacinação no país. Quem não se vacina pode se manter saudável, dependendo do rumo que a vida tomar. Mas especialistas alertam que, se essa pessoa entrar em contato com o vírus e adoecer, pela falta de imunização, existe, além do risco pessoal, o perigo de contágio de outras pessoas que não tomaram a vacina por contraindicação. “Existe uma função coletiva da vacina que é proteger diretamente aquela pessoa que não foi vacinada porque não pode. É o caso de grávidas, bebês que ainda não alcançaram a idade indicada, pessoas imunodeprimidas, em tratamento contra o câncer etc. Quando a cobertura contra o vírus começa a cair em uma população, a proteção cai junto. Vacinar é também um pacto social”, explicou a médica pediatra Carolina Barbieri, docente da Universidade Católica de Santos. A antropóloga Marcia Couto completou: “Embora a cultura da vacinação persista no país, ao longo do tempo acostumou-se a responsabilizar as famílias pela vacinação, ou assim parecia ser. É como se a vacinação fosse um ato individual, quando na verdade é um projeto de saúde pública”.

Barbieri e Couto acompanharam famílias em São Paulo para entender como elas lidavam com as vacinas no contexto de cuidado dos filhos. A hesitação à vacina é visível principalmente nas famílias de centros urbanos e com renda e escolaridade médias e altas. “Se antes o problema das vacinas era a dificuldade de acesso, hoje é a falta de confiança. O primeiro fator citado entre as famílias que não vacinavam ou escolhiam as vacinas foi que não viam mais as doenças como na época dos pais ou avós. Mas destacavam os efeitos adversos da vacina. O caso de febre, de reação, aparecia mais”, disse Barbieri. Os pais entrevistados na pesquisa também citaram desconfiança sobre a ação das vacinas no sistema imunológico das crianças. São frequentes as críticas a uma “medicalização” no cuidado infantil.

A psicoterapeuta Mariah (ela prefere preservar a identidade), de 30 anos, mãe de um menino de 3 anos e meio, vacinou o filho apenas até os 2 meses, pois precisou fazer uma viagem internacional com ele recém-nascido. “Acredito que haja estudos científicos que, de fato, comprovem algumas vacinas como necessárias. Mas acredito que a grande maioria não tenha de ser aplicada. Algo que sempre me incomodou, ao perceber muitas crianças vacinadas a meu redor, era que elas estavam sempre gripadas ou desenvolvendo algum tipo de doença”, contou. Mariah disse que assumiu essa postura “por feeling e observação”. Explicou que criou uma rotina de cuidados para fortalecer o sistema imunológico do filho. “Não acredito na ausência de vacinação se a criança for criada de forma ‘solta’ e com a alimentação ‘padrão’”, afirmou. “Ele não se alimenta de laticínios com frequência, que provocam mucos e aumentam catarro e inflamações, nem carne, que exige energia demais do corpo para ser digerida, e invisto em orgânicos e produtos locais. Também me mudei para a praia, onde ele corre, toma sol todo dia, tem contato com a natureza, anda descalço e lida com diferentes ambientes e bactérias, que pouco a pouco fortalecem seu sistema.” Ela contou ser bastante criticada por essa posição. “Até as vacinas que penso em dar eu evito falar, para não ter de lidar com as enfermeiras que fazem um escândalo se nego alguma vacina. Porém, olho para meu filho de 3 anos e meio e vejo uma criança saudável, inteligente e que nunca teve uma doença séria. O máximo que teve foi uma laringite em época de frio, mas que também acompanhou o câncer de laringe de meu pai e que entendi como psicossomática.” Mariah admite que sua realidade é diferente da maioria das famílias. “Muitos não podem oferecer a alimentação e os cuidados que ofereço, então entendo que saúde é uma questão de consciência e informação, além de todas as medidas socioculturais e políticas que promovam o bem-estar integral da população”, afirmou.

Não é simples explicar todos os motivos de resistências às vacinas. Se, há mais de 100 anos, na chamada Revolta da Vacina, centenas de pessoas protestaram nas ruas do Rio de Janeiro contra a lei que obrigava a imunização contra a varíola, em um projeto de saneamento liderado pelo então prefeito Pereira Passos e pelo sanitarista Oswaldo Cruz, hoje o movimento é puxado de maneira discreta. Veio por influência do exterior, de países como Estados Unidos e Itália, onde há grupos organizados contrários à vacinação. Em maio, em Sacramento, na Califórnia, várias mães protestaram contra uma lei que fecharia uma brecha que permitia a alguns pais evitar as exigências das vacinas, desde que tivessem um atestado de que suas crianças não poderiam ser vacinadas por questões médicas. O milionário Bernard Selz, gestor de um fundo de investimentos em Nova York, doou mais de US$ 3 milhões nos últimos anos para grupos que espalham a ideia de que as imunizações são perigosas. Nos EUA, não por coincidência, casos de sarampo voltaram a aumentar. Na Itália, o movimento ganhou aliados na política. Massimiliano Fedriga, político do partido Liga Norte, virou o maior porta-voz do movimento antivacina no país. Em março, porém, teve de se afastar de suas atividades. Pegou catapora.

Aqui, ocorre o novo e complexo “movimento de hesitação à vacina”. Ele inclui pais que atrasam o início da vacinação acreditando que mais tarde o sistema imunológico dos filhos estará mais desenvolvido e preparado para receber as vacinas, pais que selecionam quais vacinas aplicar, aqueles que dão apenas uma das doses previstas no calendário nacional ou só uma vacina por vez e, finalmente, os pais que não dão vacina alguma. As justificativas são parecidas aqui e lá fora. Vão da ausência dos surtos do passado, que motivaram a vacinação, à desconfiança em relação à composição das doses e à rejeição às gigantes farmacêuticas, além de religiosidade, da divulgação de informações falsas no universo sem lei da internet e das redes sociais e da negação da ciência. Muitas das informações em que os pais se baseiam vêm do exterior, onde o movimento de resistência à vacina está mais consolidado. A expansão da internet facilitou a difusão. Por aqui, o debate acontece em grupos de redes sociais e também em canais como o YouTube, onde pessoas que se apresentam como médicos questionam a necessidade de algumas vacinas para crianças. A enxurrada de informações causa confusão entre as famílias, principalmente em um momento delicado como o da maternidade/paternidade.

Em julho, o deputado Diego Garcia (Podemos-PR), relator da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, foi contrário a um projeto de lei do deputado Luciano Ducci (PSB-PR) que propôs a obrigatoriedade de apresentação da carteirinha de vacinação de crianças de até 9 anos para a matrícula em escolas públicas e privadas. “Há pais que não imunizam seus filhos por convicções religiosas, outros por não acreditarem na eficácia da imunização, estes, inclusive, com respaldo de algumas correntes médicas, e outros ainda por causa das várias denúncias acerca de contaminação no processo de fabricação das vacinas e em sua má conservação, o que acarretaria sérios riscos para a saúde das crianças”, afirmou Garcia na ocasião. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), sancionado em 1990, estabelece que a vacinação das crianças é obrigatória nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias. O descumprimento pode acarretar desde infração administrativa, com multa de três a 20 salários mínimos, até detenção de dois meses a mais de dez anos. “A falta de vacinação pode ser qualificada como crime de maus-tratos”, explicou Paulo Roberto Fadigas César, juiz titular da Vara da Infância e da Juventude de Penha de França, na Zona Leste de São Paulo. Geralmente, são as escolas e unidades básicas de saúde que comunicam o Conselho Tutelar e daí uma denúncia é encaminhada à Justiça. “A família pode ser intimada a vacinar a criança. A obrigatoriedade está prevista em lei. E a recusa pode levar, em alguns casos, à perda de guarda ou perda do poder familiar. Não são casos frequentes, mas podem acontecer, de acordo com a avaliação de cada caso”, disse o juiz, que afirmou perceber um aumento de denúncias envolvendo a falta de vacinação.

A hesitação às vacinas tem um marco internacional: fevereiro de 1998, quando o médico britânico Andrew Wakefield apresentou uma pesquisa na qual afirmava que 12 crianças tinham desenvolvido comportamento autista e inflamação intestinal grave depois de serem vacinadas. Elas teriam, segundo ele, vestígios do vírus do sarampo no corpo. Wakefield levantou uma possível associação dos problemas com a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba e que havia sido aplicada em 12 crianças acompanhadas por ele. Wakefield escreveu que as vacinas poderiam causar os problemas gastrointestinais, que, por sua vez, levariam a uma inflamação no cérebro e, daí, talvez ao autismo. O estudo foi publicado na conceituada revista Lancet com grande repercussão, e os índices de vacinação despencaram no Reino Unido. Anos depois, Wakefield foi desmascarado e seu diploma foi cassado. Um médico que o auxiliou na pesquisa revelou que não havia encontrado o vírus do sarampo em nenhuma das 12 crianças estudadas, mas que Wakefield teria ignorado o fato para não comprometer a divulgação do estudo. Além disso, veio à tona que, antes da publicação na Lancet, Wakefield tinha registrado um pedido de patente para uma vacina contra sarampo, que seria concorrente da criticada por ele. Mesmo assim, as correntes antivacina existentes se fortaleceram, e o pânico se estendeu a outros países.

Nos EUA, o alvo de desconfiança foi o timerosal, uma substância derivada do mercúrio e usada como conservante antibacteriano em frascos multidoses de vacinas. Há alguns anos, surgiram teorias que vinculavam o timerosal ao autismo, o que foi descartado tempos depois. A substância chegou a ser tirada da composição de vacinas em países da Europa e nos EUA, mas casos de autismo não deixaram de surgir por causa disso. No Brasil, a substância é usada nas vacinas em quantidade regulamentada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, nos frascos que contêm mais de uma dose. Autoridades de saúde afirmam que a dosagem é mínima e segura.

Outro ponto de debate sobre as vacinas é se elas estariam relacionadas ao desenvolvimento de alergias e doenças autoimunes. Pesquisas sobre o tema não comprovam relação direta entre elas. A ressalva para a vacinação é em caso de alergias já conhecidas. Pessoas com alergia comprovada a ovo, por exemplo, não são aconselhadas a tomar vacinas em que o vírus é replicado em ovos, como é o caso da imunização contra a gripe. Mas casos de uma nova alergia a partir de uma vacina não foram evidenciados pela ciência. Algumas vacinas podem, sim, causar reações como febre e, em casos raríssimos, reações graves, mas especialistas consideram que o benefício em termos de saúde pública é muito maior. “Cada país tem seu sistema de farmacovigilância. Em nosso caso, é a Anvisa. Todas as vacinas passam por um monitoramento rígido de qualidade, potência e efeitos adversos. Se há qualquer problema, o produto é interrompido. Foi assim com a vacina pentavalente, que monitoramos”, afirmou o médico Júlio Croda, diretor do Departamento de Imunizações e Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde. Em julho, cinco lotes da vacina pentavalente produzidos por uma empresa indiana foram proibidos pela Anvisa de circular devido a “resultados insatisfatórios no ensaio de aspecto”. A agência afirmou, na época, ter encontrado problemas na análise que verifica cor, odor e características da embalagem de um produto. A importação e o uso dos lotes dessa empresa foram suspensos. “É um equívoco dizer que o controle de qualidade é burlado pelo sistema. Teorias de conspiração não têm justificativa. A vacina é a medida mais custo-efetiva na medicina. Previne adoecimento e óbito e é a prova de um Estado que garante o acesso universal da população à saúde”, afirmou Croda. Essa é a mensagem que o movimento antivacina se nega a ouvir.

GESTÃO E CARREIRA

CONEXÕES QUE SALVAM

A nigeriana Temie Giwa-Tubosun tinha 29 anos quando deu à luz Eniafe. Foi um parto difícil – uma cesariana sete semanas antes do previsto. Era 2014 – Temie e o marido visitavam os pais dela em Minneapolis, nos Estados Unidos. “Eu tive muita sorte por ter tido acesso a um bom sistema de saúde”, contou ela. Se o parto tivesse ocorrido na Nigéria, o desfecho poderia ter sido trágico. O país possui a quarta maior taxa de mortalidade materna do mundo – 37 mil mulheres vão a óbito todos os anos. A maioria delas é vítima de hemorragia pós-parto, condição que frequentemente requer transfusão. Temie voltou para casa, em Lagos, decidida a mudar essa realidade. Apenas 10% dos nigerianos se dispõem a doar sangue, e o pouco doado frequentemente vai para o lixo, devido à validade vencida. Um médico pode levar dias até encontrar o tipo sanguíneo de que necessita – e isso em situações de risco, em que o tempo pode fazer a diferença entre a vida e a morte. Em maio de 2016, Temie fundou o LifeBank. Por meio da plataforma do Google Maps, o aplicativo conecta doadores, bancos de sangue e clínicas e hospitais. Até agora o LifeBank já amealhou cerca de 6 mil doadores, despachou quase 16 mil bolsas de sangue e reduziu o tempo médio da entrega para 45 minutos. Ao todo, 5 mil vidas foram salvas. E não só de mulheres no pós-parto, mas de pacientes de câncer, sobreviventes de acidentes de carro… Uma em cada três pessoas que chegam a um hospital nigeriano precisa de transfusão de sangue – e rápido.

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA                                                          

CAPÍTULO 16 – OS PRÓS E OS CONTRAS NAS TÉCNICAS E NOS MÉTODOS

Ao mesmo tempo em que quero oferecer alguns pontos de orientação, quero deixar bem claro que este ministério de libertação sempre deve estar sob a direção do Espírito Santo. Há uma tendência entre os cristãos de procurar, nos ministérios espirituais, fórmulas que sirvam para todas as situações, em vez de ficarem abertos e dependentes do Espírito Santo.

Tenho observado que as pessoas envolvidas no ministério de libertação utilizam métodos diferentes uns dos outros. Isso é compreensível, visto que a Bíblia não dá muito detalhe sobre os métodos usados por Jesus nem por Seus discípulos.

Não devemos ficar presos a regras que fabricamos para nosso próprio uso. Como hão de ser tais regras? Se somos bem-sucedidos usando certa técnica, então, somos inclinados a concluir que foi a técnica que obteve o resultado e não o poder do nome de Jesus. Tenho notado que o Espírito Santo gosta de variedade e que podemos confiar nEle para qualquer técnica necessária.

Quais são algumas das regras feitas pelos homens? Alguém pode dizer que NUNCA deveríamos impor as mãos numa pessoa que está sendo libertada. Outra pessoa insistirá com certeza que sempre deveríamos impor as mãos. Ainda outra dirá que se deve esfregar o estômago ou bater nas costas do cativo para libertá-lo. Se começarmos a procurar métodos e técnicas, o resultado será nada menos que confusão. E exatamente isso que o diabo quer de nós.

A verdade é que o Espírito Santo pode indicar qualquer dos métodos mencionados: O Espírito Santo tem me dirigido a fazer coisas estranhas nas ministrações de libertação. É nosso dever escutar ao Espírito Santo e Lhe obedecer. Será que Moisés estranhou quando Deus mandou-lhe ferir a rocha para providenciar água para o povo ou lançar uma árvore nas águas de Mara para que elas se tornassem doce, uma vez que os israelitas não podiam bebê-las por serem amargas?

Parece estranho que Jesus cuspisse no chão e fizesse um pouco de lama para usar na cura dos olhos de um cego. Que diferença faz a técnica escolhida pelo Senhor, contanto que os resultados apareçam?

A IMPOSIÇÃO DAS MÃOS

Há os que contendem que Jesus nunca impôs as mãos em ninguém durante uma libertação. Há, pelo menos, dois casos que indicam o contrário: Um é a cura da sogra de Pedro. Está escrito em Lucas 4:39 que Jesus “repreendeu a febre”. Ele tratou a febre como se fosse uma personalidade. Isso indica que a febre era demoníaca.

O texto paralelo em Mateus 8:15 diz: “Jesus tomou-a pela mão, e a febre a deixou”. Um segundo caso de imposição das mãos para libertação é o de uma mulher encurvada por um espírito de enfermidade.

“E veio ali uma mulher possessa de um espírito de enfermidade, havia já dezoito anos; andava ela encurvada, sem de modo algum poder endireitar-se. Vendo-a Jesus, chamou-a e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade; e, impondo-lhe as mãos, ela imediatamente se endireitou e dava glória a Deus.” (Lucas 13:11-13.)

Desde que há poucos casos estabelecidos em que Jesus impôs as mãos nas pessoas durante a libertação, não é para resolvermos que a imposição das mãos é sempre necessária. O mesmo princípio de verdade é válido para se ministrar o batismo no Espírito Santo. As Escrituras indicam que houve a imposição das mãos para recebimento do Espírito Santo, mas, ao mesmo tempo, há outras ocasiões em que não houve a imposição das mãos? De novo repito: devemos ficar sensíveis à orientação do Espírito Santo sobre o que devemos fazer.

Lembro-me de uma vez em que estávamos expulsando demônios de um rapaz de 16 anos.

O primeiro demônio foi medo. O rapaz foi tomado pelos espíritos que o jogaram no chão. Cinco homens presentes fizeram tudo para reter o rapaz com o mínimo de sucesso. Mais outros demônios foram chamados e manifestações violentas acompanharam cada espírito. Sem demora, o Espírito Santo deu a palavra de conhecimento que a manifestação foi promovida pelo espírito de violência. O rapaz foi instruído a não deixar o espírito tomá-lo, mas de lutar conosco contra ele para mandá-lo embora em nome de Jesus.

O espírito de violência foi expulso sem muito combate, e não houve mais distúrbio enquanto outros saíram. Isso nos mostrou que um demônio presente numa pessoa podia manifestar-se, enquanto outros espíritos estivessem sendo expulsos. Esse aprendizado ajudou-nos muito.

Em ministrações subsequentes, quando a pessoa se tornava violenta, o demônio de violência era expulso, e as manifestações cessavam.

Um caso muito interessante foi o de uma mulher de 30 anos. Ela não era forte fisicamente e tinha sofrido cirurgia séria uns 3 meses antes da ministração de libertação. Não obstante, ela demonstrava força sobrenatural sob influência demoníaca. No começo da ministração, ela foi jogada no chão e ficou deitada. Por causa da força anormal demonstrada por ela, uma pessoa foi designada para tomar conta de cada perna e cada braço.

Minha esposa prendeu a perna direita da mulher e disse com autoridade: “Esta perna não vai se mexer”. Naquele momento, a mulher levantou minha esposa do chão com aquela mesma perna!

Havia muitos espíritos fortes habitando naquela mulher. A luta para expulsar cada um era tão intensa que, fisicamente, ela não aguentava a expulsão de mais do que um ou dois por dia. Ela estava firme em seu propósito de ficar livre por completo, e vinha toda noite, depois do trabalho, para mais uma ministração. Foi somente depois de duas semanas de luta diária que encontramos a chave. Ficamos sabendo que, quando ninguém a tocava, os espíritos não reagiam tanto. Cada vez que alguém a tocava, um demônio gritava: “Não me toque!”.

Confrontamos o espírito não-me-toque e o expulsamos. Depois de ficar livre deste demônio não houve mais manifestações de violência.

Temos encontrado o demônio “não-me-toque” várias vezes. Em alguns casos, o demônio reage somente ao toque de um homem c em outros casos somente ao toque de uma mulher. Estes são os casos em que é melhor desistir de tocar na pessoa. Os casos em que a imposição das mãos ajuda a desligar os demônios são muito mais frequentes.

Há casos em que os espíritos falam através da pessoa, e até choram e choramingam: “Sua mão está quente, está me queimando”, ou palavras semelhantes. Os demônios podem sentir a unção das mãos de quem está ministrando e são torturados por elas.

Os demônios podem habitar em qualquer parte do corpo. Uma das áreas prediletas é o abdômen. Quando uma mão toca nesta área, os demônios frequentemente saem pela boca, com mais prontidão. Por isso, é aconselhável incluir homens e mulheres numa situação de libertação. As mulheres podem tocar nas mulheres e os homens nos homens.

Em certa ocasião, estávamos ministrando a uma jovem senhora. Eu estava atrás dela com as mãos em sua cabeça. Os demônios estavam saindo rapidamente. Veio uma palavra de conhecimento que deveria tirar minhas mãos dela imediatamente. Passei para frente dela para ver qual era a manifestação em seu rosto.

O espírito de sensualidade tinha vindo à superfície e foi identificado como um “espírito de flertar”. Através de palavras e expressões faciais ele começou a brincar com dois dos homens da equipe. Uma vez que o toque de um homem servia de “alimento” para tal espírito, ficou clara a razão por que o Espírito Santo levou-me a tirar as mãos de sobre ela.

Algumas das razões que surgem contra a imposição das mãos durante a libertação têm sua origem no medo. Algumas pessoas ficam com medo, pensando que o espírito maligno vai atacá-las. Ouvi alguém dizer que, durante uma libertação, ele sentiu um demônio mover-se do cativo para sua mão, subindo pelo braço e entrando em seu corpo.

Pessoalmente, minha experiência não tem sido desse tipo. Tenho usado a imposição das mãos em centenas de pessoas, durante vários anos, e nunca fui atacado por demônio nenhum, como resultado desse contato físico. O princípio é este: nenhum demônio pode atacar-nos ou entrar em nós se não há oportunidade para isso. O medo pode providenciar tal brecha. Se alguém tem medo, então, o demônio já tem a abertura necessária.

Há uma situação que poderia deixar o ministro pensar que está sendo atacado, durante a ministração de libertação. Por exemplo, quando o espírito de dúvida estiver sendo expulso, e outra pessoa na sala já pode estar com um espírito de dúvida. Enquanto a ordem para sair é dada para “dúvida”, os espíritos de dúvida nas duas pessoas podem manifestar-se. Tenho visto vários exemplos disso.

Mas a Escritora diz: “A ninguém imponhas precipitadamente as mãos” (1 Timóteo 5:22). Pessoalmente sou de opinião que essa passagem se refere somente à imposição das mãos na ordenação e não tem referência à imposição das mãos para os fins de cura, batismo no Espírito Santo ou libertação.

Reconhecendo que essa passagem pode ser aplicada à libertação, não se trata de uma proibição, mas de uma advertência. Isso é um princípio aplicável em todas as situações em que se emprega a imposição das mãos. Realmente, não é para nós ministrarmos a cada pessoa que encontramos, ou ministrarmos a uma pessoa antes que ela tenha sido preparada adequadamente.

Repito e enfatizo que o que devemos evitar é o medo dos espíritos imundos. Se o diabo nos deixa com medo dele, ele já ganhou um contra-ataque. A Bíblia nos dá a confiança de que podemos entrar em luta contra os espíritos demoníacos, absolutamente sem medo da possibilidade de vingança contra nós.

“Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões, e sobre todo o poder do inimigo, e nada absolutamente vos causará dano.” (Lucas 10:19.)

“E que em nada estais intimidados pelos adversários. Pois o que é para eles prova evidente de perdição, é para vós outros, de salvação, e isto da parte de Deus.” (Filipenses 1:28.)

Os demônios farão tudo para criar medo nos que ministram libertação. Já ouvi espíritos falarem através da pessoa, e olhar para mim com um olhar gelado, e, com o rosto da pessoa no meu, dizerem três vezes, e cada vez com mais ênfase: “Vou te pegar! Vou te pegar! VOU TE PEGAR!”

Calmamente, respondi: “Não, demônio, você não vai me pegar. Jesus disse que eu posso pisar cm você e você não me causará dano nenhum. Não tenho medo de você, e saia em nome de Jesus.” O demônio saiu, sem causar qualquer dano.

Não devemos prestar atenção às ameaças dos espíritos demoníacos, pois eles são simplesmente mentirosos e acusadores.

Em outras ocasiões, o demônio me ameaçou dizendo: “Se me expulsar, vou entrar em você” (ou em alguém na sala). O seu objetivo é criar medo e fazer o ministro de libertação cessar o ataque. O medo é uma das táticas comuns do inimigo, e devemos nos sentir seguros em nosso coração de que não temos nada a temer. O inimigo já está derrotado por Jesus e ao nome de Jesus “se dobre todo joelho” (Filipenses 2:10).

CONVERSANDO COM OS DEMÔNIOS

Não é possível pôr fim a toda conversa dos demônios ao lidar com eles em libertação. Às vezes, eles falarão, como fizeram com Jesus. Mas devemos conversar com eles quando eles desejam falar? Tenho um ponto de vista bem conservador a respeito disso. Não devemos conversar com os demônios, a menos que o Espírito Santo indique o contrário.

Na libertação do gadareno, Jesus mandou o espírito falar, dizendo: “Qual é o teu nome?” (Marcos 5:9). Qual é a vantagem em fazer o demônio se identificar? Por experiência, tem sido provado que é mais fácil quebrar o poder de um demônio depois de ele se identificar. Alguns espíritos são mais tenazes que outros. Em geral, quando um espírito teimoso é obrigado a identificar-se, ele sairá. Seu poder é quebrado.

Contudo, há um perigo inerente em conversar com os demônios. Nunca devemos conversar com os demônios a fim de conseguirmos mais conhecimentos. A Bíblia condena tal comunicação com os demônios. (Veja Deuteronômio 18:10, 11.) O cristão tem o Espírito Santo que é sua fonte de sabedoria, conhecimento e liderança.

Ainda que mandados falar a verdade em nome de Cristo Jesus, os demônios irão mentir. Mas há ocasiões em que o Espírito Santo indica que é para você forçar um demônio a revelar os nomes dos outros habitantes demoníacos. Mais uma vez, isso tem o propósito de quebrar a resistência deles. Não deveria ser um substituto para o dom de discernimento de espíritos. Não dependemos da boca mentirosa dos espíritos maus para dar-nos as informações que podemos receber do Espírito Santo.

No início do meu ministério de libertação, eu mandava os espíritos falarem. Não custou muito para perceber que todos eles falavam das mesmas coisas, salpicando-as com um pouco da verdade.

O ministro que está principiando é geralmente inclinado a querer ouvir os demônios falarem, mas logo irá entender que não é necessário. Os demônios são bastante espertos para saber que quanto mais eles possam prolongar uma conversa, tanto mais tempo eles podem ficar na pessoa. O que eles detestam ouvir são as palavras: “Cala a boca e sai!” A conversa deles é geralmente uma tática de retardamento.

“Não tardou que aparecesse na sinagoga um homem possesso de espírito imundo, o qual bradou: Que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste para perder-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus! Mas Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te e sai desse homem. Então, o espírito imundo, agitando-o violentamente e bradando em alta voz, saiu dele.” (Marcos 1:23-26.)

Há mérito também em interrogar os demônios através da pessoa que está sendo libertada. Uma senhora veio a mim, certa vez, para ser libertada e estava com muitos “sintomas” de opressão demoníaca.

Duas horas de ministração não produziram nenhum resultado. Não houve a mínima manifestação indicando a presença de qualquer demônio, e muito menos a saída de qualquer um.

No dia seguinte, eu estava lendo o Evangelho de Marcos. Ao chegar à conhecida parte sobre o gadareno, no quinto capítulo, o Espírito Santo me tocou no versículo sete, onde o demônio tinha suplicado: “não me atormentes”. Peguei meu dicionário de grego e notei que a palavra “atormentar” significa “interrogar pela aplicação de tortura”.

Chamei a senhora para voltar naquela noite. Comecei a bombardear os espíritos com perguntas: “Como se chamam? Há quanto tempo vocês estão habitando nela? Vocês são tão tolos em pensar que podem resistir ao nome de Jesus?”, etc. Dentro de poucos minutos a mulher começou a tossir e a expelir os espíritos maus.

Os demônios não tinham falado através desta senhora nem deram qualquer sinal de ter ouvido o que eu tinha dito, mas a tortura da interrogação tinha quebrado o poder deles. Podemos estar certos de que as nossas perguntas e ordens são eficazes mesmo antes que possamos perceber quaisquer resultados externos.

AS INTERRUPÇÕES DURANTE A MINISTRAÇÃO

A libertação pode acontecer numa atmosfera serena. A experiência aumentará a confiança e permitirá à pessoa ministrar sem tensão. O ministro tem de reconhecer que ele é o servo do Senhor Jesus e que está se movendo no poder e na autoridade a ele concedidos. Quem está mandando na situação é ele e não o poder do demônio.

Uma ministração pode ser prolongada. Pode gastar horas. O cativo, tanto quanto o ministro da libertação, podem precisar de uns minutos de descanso. Geralmente é conveniente ter uma pausa, depois que um grupo de espíritos foi expulso. Nada é perdido por se ter uma pausa, pois você simplesmente começa no ponto em que parou.

É comum acontecer que, no meio de uma ministração, a pessoa lembrará outras áreas invadidas pelos demônios, ou o Espírito Santo vai iluminá-lo com informações importantes. E certo parar e deixar a pessoa contar essas coisas.

Mas tome cuidado: pode ser um truque do inimigo. O cativo pode dizer: “Quero tomar água”, ou qualquer outra coisa semelhante, para deixar a sala. As vezes, é o demônio falando, e não a pessoa. O demônio fará tudo a fim de levar a pessoa para fora do lugar da ministração.

Esteja alerta e não seja vítima de um truque desses. Até que ponto a pessoa está tomada pelos espíritos? Os olhos estão brilhantes ou o

olhar é fixo? E como é a voz da pessoa? O que seu próprio espírito está dizendo?

Um amigo meu era novato no campo de libertação. Ele e um colega estavam expulsando os demônios de um homem. Os espíritos tinham tomado conta do homem e os dois ministros estavam no chão segurando os braços e as pernas do cativo. Depois de algum tempo o homem reclamou que estava sendo maltratado e precisava descansar um pouco.

Sem reconhecer que era o demônio falando, e não o próprio homem, eles o deixaram. Logo que as pernas ficaram livres, o demônio fez o homem dar um chute e meu amigo ficou com três costelas quebradas. Este caso é um pouco fora do comum, mas enfatiza a necessidade de se reconhecer quem está falando.

AS POSIÇÕES DO CORPO

Desde que os demônios são geralmente expelidos pela boca ou nariz, e podem ser acompanhados por catarros e muco, é melhor que a pessoa esteja numa posição compatível com tais manifestações. Uma das melhores posições é sentar-se numa cadeira comum e inclinada da cintura para frente, com os braços sobre os joelhos. Se a ministração for de curta duração, a pessoa pode ficar em pé.

Em alguns casos, é possível que a pessoa queira deitar-se com o rosto para o chão ou ficar com as mãos e os joelhos no chão. A posição varia com o tipo de manifestação que é revelada. Em geral, a própria pessoa acertará a melhor posição para a manifestação, sem qualquer instrução. É só fazer aquilo que seja normal ou natural.

Estive presente numa reunião dirigida por um ministro pro- eminente em libertação. Era uma reunião bem grande e mais de cem pessoas se apresentaram para serem libertas. O ministro pediu que outros com experiências nesse setor viessem ajudá-lo.

Um rapaz, perto de mim, logo foi tomado e caiu no chão. Ele estava tossindo violentamente e os demônios estavam saindo de sua boca com espuma. Era verão e a sala estava muito quente. Eu podia ver que ele estava muito desconfortável e sugeri que ele se sentasse um pouco.

Outro homem, que estava perto de mim, me censurou por isso e disse-me que era necessário que ele continuasse na mesma posição em que ele começou até que todos os espíritos saíssem. Cumpri as instruções, uma vez que a libertação do homem era muito mais importante do que um debate com aquele senhor. Mas isso é contrário a toda a minha experiência. A pessoa que está sendo libertada pode ficar numa posição confortável.