A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

POR QUE FALAR NA TERCEIRA PESSOA NOS FAZ MAIS INTELIGENTES

Pesquisas mostram que esse é o caminho para ter um raciocínio sábio

Creditamos ao pensador Sócrates a ideia de que “uma vida não examinada não vale a pena ser vivida” e que “conhecer a si” é o caminho para a verdadeira sabedoria. Mas existe uma maneira certa e errada de fazer uma autorreflexão?

Uma simples ponderação — o processo de avaliar suas preocupações dentro de sua cabeça — não é a resposta. É possível que faça com que você fique preso na rotina de seus próprios pensamentos e imerso em emoções que podem levá-lo a se perder. Além disso, pesquisas têm demonstrado que pessoas inclinadas à ponderação também sofrem para tomar decisões sob pressão e têm riscos substancialmente maiores de depressão.

Em vez de ponderar, pesquisas científicas sugerem que você deveria adotar um método retórico antigo, estimado por pessoas como o romano Júlio César e conhecido como “ileísmo” — ou falar sobre si na terceira pessoa (o termo foi criado pelo poeta Samuel Taylor Coleridge e vem do latim ille , que significa “ele, aquilo”). Ao refletir sobre uma discussão que tive com um amigo, por exemplo, eu poderia começar pensando silenciosamente comigo mesmo: “David se sentiu frustrado porque…”. A ideia é que essa pequena mudança de perspectiva possa dissipar a névoa emocional, permitindo-lhe ver além de suas próprias opiniões.

Várias pesquisas já mostraram que esse tipo de pensamento na terceira pessoa pode melhorar, temporariamente, a tomada de decisões. Agora, um trabalho publicado no PsyArxiv descobriu que ele também pode trazer benefícios a longo prazo para a regulação emocional e do pensamento. Os pesquisadores disseram que essa é “a primeira evidência de que processos cognitivos e afetivos relacionados à sabedoria podem ser treinados no dia a dia, além de ter encontrado maneiras de fazê-lo”.

Tais descobertas são fruto do trabalho do psicólogo Igor Grossmann, da Universidade de Waterloo, no Canadá, cuja pesquisa sobre psicologia da sabedoria foi uma das inspirações para meu novo livro sobre inteligência e como tomar decisões mais sábias. O objetivo de Grossmann é construir uma base experimental forte para o estudo da sabedoria, que há muito vem sendo considerado nebuloso demais para investigações científicas.

Grossmann fez isso ao pedir que os participantes discutissem, em voz alta, um dilema pessoal ou político, ao qual ele, então, atribuiu uma pontuação de acordo com vários elementos relacionados ao pensamento há muito tempo considerados cruciais à sabedoria, incluindo humildade intelectual; ver a partir da perspectiva de outros; reconhecer a incerteza; e ter a capacidade de chegar a um comum acordo. Ele descobriu que essas pontuações de raciocínio sábio eram muito melhores do que qualquer teste de inteligência para prever o bem-estar emocional e a satisfação num relacionamento — apoiando a ideia de que a sabedoria, tal qual definida por essas qualidades, constitui uma construção única que determina como navegamos pelos desafios da vida.

Trabalhando com Ethan Kross, da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, Grossmann também procurou maneiras de melhorar essas pontuações — com alguns testes impressionantes demonstrando o poder do ileísmo. Em uma série de experimentos de laboratório, eles descobriram que as pessoas tendem a ser mais humildes e dispostas a considerar outras perspectivas quando se pede que descrevam problemas na terceira pessoa.

Imagine, por um momento, que você está discutindo com seu companheiro. Adotar uma perspectiva de terceira pessoa pode ajudá-lo a reconhecer o ponto de vista dele ou a aceitar os limites de sua compreensão do problema em questão. Ou imagine que você está considerando trocar de emprego. Tomar uma perspectiva mais distante pode ajudá-lo a refletir sobre os benefícios e os riscos da mudança de uma maneira mais imparcial.

Entretanto, essa pesquisa antiga envolvia apenas intervenções a curto prazo — o que significa que não estava claro se esse raciocínio sábio se tornaria um hábito a longo prazo a partir de práticas regulares de ileísmo. Para descobrir isso, a equipe da última pesquisa de Grossmann pediu a cerca de 300 participantes que descrevessem uma situação social desafiadora, enquanto dois psicólogos independentes lhes davam pontos quanto a diferentes aspectos do raciocínio sábio (humildade intelectual etc.). Em seguida, os participantes deveriam manter um diário por quatro semanas. Todo dia, eles tinham de descrever uma situação pela qual tinham acabado de passar, como uma desavença com um colega ou o recebimento de uma notícia ruim. Metade deles escrevia na primeira pessoa, enquanto a outra metade era encorajada a descrever suas adversidades a partir da perspectiva de terceira pessoa. Ao fim do estudo, todos os participantes repetiram o teste de raciocínio sábio.

Os resultados de Grossmann foram exatamente o que ele esperava. Embora os participantes que escreveram em primeira pessoa não tenham demonstrado uma mudança geral na pontuação de raciocínio sábio,

Uma fase avançada desse estudo sugeriu que essa sabedoria recém-encontrada também levava a um maior regularidade e estabilidade emocional. Depois de terminada a intervenção de quatro semanas com o diário, os participantes tinham de prever como seus sentimentos de confiança, frustração ou raiva em relação a um parente próximo ou amigo poderia mudar no mês seguinte — então, passado um mês, eles relatavam como as coisas haviam de fato acontecido.

Alinhados com outros trabalhos de “previsão afetiva”, os que usaram a primeira pessoa superestimaram suas emoções positivas e subestimaram a intensidade de suas emoções negativas ao longo do mês. Em contrapartida, aqueles que mantiveram um diário em terceira pessoa foram mais precisos. Uma olhada profunda revelou que seus sentimentos negativos, no geral, eram mais contidos, por isso suas previsões favoráveis eram mais precisas. Parece que seu raciocínio sábio permitiu-lhes encontrar maneiras melhores para lidar com seus problemas.

Acho esses efeitos de emoção e relacionamentos particularmente fascinantes, dado que o ileísmo é muitas vezes considerado infantil.

Por outro lado, pode ser o sinal de uma personalidade narcisista — o completo oposto da sabedoria pessoal. Afinal, Coleridge acreditava que era uma artimanha para esconder o próprio egoísmo. Olhe para os críticos do presidente americano que apontam que Donald Trump muitas vezes refere-se a si na terceira pessoa. Claramente, políticos podem usar o ileísmo apenas para efeitos puramente retóricos, mas, quando aplicado à reflexão genuína, ele aparenta ser uma ferramenta poderosa para um raciocínio de maior sabedoria.

Como apontado pelos pesquisadores, seria emocionante ver se os benefícios podem ser aplicados a outras formas de tomada de decisão além dos dilemas pessoais examinados no estudo de Grossmann. Há motivos para pensar que sim. Por exemplo, experimentos anteriores mostraram que a reflexão leva a escolhas ruins no pôquer (por isso jogadores profissionais procuram ter uma atitude indiferente, emocionalmente distante) e que uma maior atenção e regulação emocional pode melhorar a performance na Bolsa de Valores.

Enquanto isso, o trabalho de Grossmann continua a provar que a sabedoria é um assunto digno de estudos experimentais rigorosos — com benefícios potenciais para todos nós. É notoriamente difícil aumentar a inteligência geral por meio de treinamento do cérebro, mas esses resultados sugerem que um maior raciocínio sábio e uma melhor tomada de decisões estão ao alcance de todos.

Este texto foi publicado pelo site Aeon em parceria com a “Research Digest” da The British Psychological Society

OUTROS OLHARES

RELÍQUIAS NO STREAMING

Discos e compactos das décadas de 50 a 70 são incorporados a plataformas digitais como Spotify, Deezer e Apple Music

O crescente mercado de música nas plataformas de streaming mudou radicalmente o comportamento dos ouvintes. Abriu-se para o consumidor uma playlist infinita, sem a necessidade de entulhar prateleiras com discos e HDs com arquivos sonoros. Tudo incluído no preço de uma assinatura mensal.

Ao eliminar a obrigação da posse do fonograma para que a pessoa possa ouvir uma gravação na hora em que quiser, o streaming ampliou o alcance dos produtos culturais na era digital. Um dos efeitos que se podem verificar é uma bem-vinda — embora quase sempre silenciosa — explosão de reedições de LPs e compactos de alguns pequenos, porém históricos selos fonográficos da MPB.

Lançadas entre as décadas de 50 e 70, pérolas do samba, frevo, Jovem Guarda, forró, psicodelia e choro foram sendo disponibilizadas no Spotify, Deezer e Apple Music graças ao trabalho de pesquisadores e de representantes da Rozenblit, Musidisc, Todamérica e Esquema, entre outras extintas etiquetas. Alguns álbuns não haviam sido reeditados nem mesmo em CD — e, entre esses, um punhado precisou ser digitalizado diretamente do vinil.

“O negócio está começando a melhorar, mas ainda é muito pequeno se comparado ao que era nos tempos do suporte físico. O que não dá é para deixar o disco na gaveta”, defendeu Hélio Rozenblit, herdeiro da Rozenblit, aquela que acabou se tornando, logo após sua inauguração, em 1954, a maior produtora de discos de vinil do Brasil. Criada no Recife por José Rozenblit, pai de Hélio, ela apostou na força da música regional que era negligenciada pelas gravadoras do Sudeste. Pelo selo fonográfico que criou, Mocambo, a Rozenblit gravou os frevos carnavalescos da cidade (de Nelson Ferreira e Capiba, na voz de Claudionor Germano), além de muito forró (de Genival Lacerda e do lendário sanfoneiro Camarão), músicas da Jovem Guarda e da Tropicália (lançou o primeiro LP do baiano Tom Zé), samba carioca (Zé Kéti, Osvaldo Nunes) e até a psicodelia nordestina de Zé Ramalho e Lula Côrtes.

Desde 2014, Hélio Rozenblit (que chegou a trabalhar nos anos 70 como técnico de gravação na Rozenblit) vem colocando discos da Mocambo nas plataformas de streaming — hoje, há por volta de 170 títulos. O custo de digitalizar as capas e as fitas originais (que sobreviveram à enchente de 1975, responsável pela destruição de boa parte do estoque de discos e dos equipamentos de som da fábrica) é baixo, mas algumas vezes não chega a ser pago com a irrisória receita que os discos produzem no streaming. “Tem muita coisa bonita que as pessoas precisam ouvir, isso me deixa feliz”, argumentou ele, que ainda investe na divulgação dos relançamentos nas redes sociais.

Recentemente, a digitalmente recuperada “Entre as hortênsias”, valsa de Nelson Ferreira do LP Evocações (1963) entrou na trilha sonora do filme Bacurau , de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. E o cultuado Paêbiru (1975), disco de Zé Ramalho e Lula Côrtes que virou uma raridade pelo fato de boa parte de sua prensagem ter sido inutilizada na inundação da fábrica, voltou ao vinil numa nova versão, tirada das fitas máster. Mas há outras delícias do acervo da Rozenblit pedindo atenção no streaming: Grande liquidação (LP de estreia de Tom Zé, de 1968), Você não me agrada/Pra você voltar (compacto do Snakes, banda de Erasmo Carlos, de 1966), Ôba (primeiro LP de Oswaldo Nunes, de 1962, cuja faixa-título, hino oficial do Bloco Bafo da Onça, estourou) e Batucando na mão (compacto de 1967 da sambista Miriam Batucada, que logo depois gravaria com Raul Seixas no lendário disco Sessão das dez ).

Fundada no Rio de Janeiro em 1952 pelo cantor Nilo Sérgio (grande sucesso do rádio nos anos 40), a Musidisc marcou uma geração de ouvintes com os discos dos Românticos de Cuba — que não eram cubanos, e sim músicos brasileiros do primeiro time, regidos por maestros como Radamés Gnatalli e Severino Araújo. O sucesso da orquestra chegou ao exterior (a gravadora teve até um escritório em Nova York) e permitiu o investimento em um estúdio próprio, com tecnologia de ponta, na Rua Joaquim Silva, na Lapa. A Musidisc acabou em 1971, mas não sem antes deixar uma outra série de discos que fizeram história e que estão sendo revividos no streaming por Marcelo Froes, produtor e criador do selo fonográfico Discobertas, especializado em reedições da MPB.

Vários discos do Trio Surdina, dream team da música instrumental brasileira (formado pelo violonista Garoto, o violonista Fafá Lemos e Chiquinho do Acordeom), inéditos em CD, foram levados neste ano diretamente para as plataformas de streaming. Além deles, obras dos anos 50, do “cantor das multidões” Orlando Silva ( Canta as músicas de Ary Barroso, Canta as músicas de Custódio Mesquita ); do maestro Leo Peracchi ( Valsas brasileiras de Zequinha de Abreu, Música de Chopin ); e do mestre da flauta Altamiro Carrilho ( Turma da gafieira ), além do cultuado LP Pontos de macumba , do cantor J.B. de Carvalho, também passaram, nos últimos meses, a fazer parte do arsenal da Musidisc no streaming.

“É uma coisa quase lúdica que, se eu não fizer, ninguém vai fazer”, explicou Marcelo Froes, que entrou em acordo com o filho do fundador da Musidisc, Nilo Sérgio Pinto, para tocar as reedições. “Algumas das fitas originais não existem mais. Tive de encontrar discos em ótimo estado para fazer as digitalizações. E, como nada disso que a gente subiu nas plataformas vai bombar nos views, não existe uma expectativa. Tem coisas que eu adoraria lançar em CD, mas que, por causa dos custos de lançar os discos, acabo botando direto no digital.” Para além da Musidisc, Froes ainda desenvolve projetos de resgate para o streaming dos acervos dos finados selos Esquema (de samba e forró, montado por William Luna, dono do célebre Estúdio Haway, que existiu atrás da Central do Brasil) e Bemol, de Belo Horizonte, que lançou discos do organista Célio Balona, da cantora Claudette Soares e de muitos grupos de jovem guarda.

Fundada em 1940 como editora musical por compositores como Braguinha e Oswaldo Santiago (autor de marchinhas como “Lig-lig-lig-lé”, gravada nos anos 2000 por Adriana Calcanhotto em seu projeto Partimpim ), a Todamérica funcionou como selo musical entre 1949 e o final dos anos 70. Nesse tempo, editou discos de reconhecido valor cultural, como o Brasiliana Nº 7 e 8 (1958), de Radamés Gnatalli; Abel Ferreira e Seu Conjunto Vol. 2 (1978), do clarinetista craque do choro; Cascatinha e Inhana cantando pra você (1955), um clássico da música caipira; Cantigas de Lampeão (1957), cantadas por Volta Seca, cangaceiro do bando de Lampião; Heitor dos Prazeres e sua gente (1957), que trouxe o samba “Nada de rock rock”; Terreiros e atabaques (1958), de J.B. de Carvalho; e Obaluayê (1957), da Orquestra Afro-Brasileira do maestro Abigail Moura. Todos eles à disposição dos assinantes de streaming.“De uns anos para cá, temos sido procurados por pesquisadores musicais, produtores e agregadoras digitais, que conhecem o catálogo precioso da Todamérica, interessados em levar parte desses fonogramas para as plataformas”, contou a consultora jurídica da Todamérica, Vanisa Santiago, filha do fundador Oswaldo Santiago. Segundo ela, a remuneração do digital ainda é muito pequena, mas para catálogos como o da Todamérica, de nicho, estar nas plataformas é importante. “Sobretudo para perpetuar gravações que já não chegariam aos consumidores em outros formatos. É um enorme serviço à cultura e um alento sabermos que artistas como Cascatinha e Inhana e Radamés Gnattali, por exemplo, continuarão a ser ouvidos, agora na via digital”, acredita ela

GESTÃO E CARREIRA

A HORA DE PARAR

Para quem é dono do próprio negócio, aposentar-se pode parecer muito negativo ou soar como o fim da linha, no entanto, planejar-se para tal deve ser o caminho natural e necessário para a segurança na terceira idade, quando o corpo e a mente precisam diminuir, naturalmente o ritmo

Empreender é um ato de coragem, de determinação e força de vontade. Conseguir ser bem-sucedido como dono do próprio negócio é, em tese, a vitória de cada um que inicia por esses caminhos. Mas qual seria o passo final do empreendedorismo? Existe um? Como toda e qualquer profissão em que há uma renda seja trabalhando para si ou para os outros, pensar em curto e longo prazo faz parte do percurso natural a se percorrer. E, ao contrário do senso comum, a aposentadoria não deve ser tratada como tabu, sendo considerada fim de carreira ou inatividade.

O planejamento financeiro do futuro deve ser encarado como algo que trará tranquilidade para o momento em que cada um atinge uma idade mais avançada, não conseguindo dedicar-se à carreira e ao negócio quando necessário – e não que ele deverá parar de trabalhar por conta disso.

É cada vez mais comum pessoas que se aposentam perante a previdência, mas continuam  exercendo sua atividade para fins de complementação de renda ou até mesmo para se dedicar a outra atividade mais prazerosa – legisladores lembram que não há óbice na legislação que após a aposentadoria não se possa mais exercer outra atividade, salvo no caso da aposentadoria por invalidez.

“Obviamente uma pessoa de 65 anos, por exemplo, terá muito mais tranquilidade para continuar tocando seu negócio, se assim o desejar, se tiver uma reserva financeira que construiu ao longo da vida. Situação bem diferente do que, sem construir reserva para aposentadoria, essa mesma pessoa dependa exclusivamente da performance do seu negócio para pagar as contas da casa e sustento da família – certamente enfrentando níveis de estresse muito maiores neste caso”, exemplifica o CEO da startup Cielic, Raphael Swierczynsk, que oferece planos de previdência privada digital e via cartão de crédito.

APOSENTADORIA E PREVIDÊNCIA

Deve-se separar o conceito de aposentadoria do de previdência – o primeiro deve ser associado ao fato de não mais exercer função profissional, enquanto previdência, como o nome diz, é estar prevenido para não precisar ter uma atividade profissional. ”Neste contexto, devemos pensar em previdência assim que entramos no mercado de trabalho, empreendendo ou não.

De fato, chegará uma hora em que o corpo pedirá um pouco mais de calma, e não podemos sacrificar nossos ganhos. Nessa fase é que precisaremos de renda passiva, que virá de uma boa estratégia de previdência”, sugere o CEO da Eu2B, Edson Carli.

Partindo dessa premissa, independentemente de qual seja a carreira, o momento ideal para começar a guardar para a aposentadoria é assim que passe a ganhar algum dinheiro; quanto mais jovem se começa a investir na previdência, mais o dinheiro renderá para a construção da aposentadoria, assim o trabalhador ou empresário precisará guardar menos porcentagem da renda ao longo da vida – no final, o rendimento do valor ao longo do tempo representará uma fatia maior do total acumulado.

“Considerando que, a partir da reforma da previdência, todas as contribuições são levadas em conta no momento do cálculo da renda mensal inicial da aposentadoria, e que para atingir 100% da média de contribuições será necessário somar 40 anos de contribuição, quanto antes haver essa programação, melhor será o valor da aposentadoria”, diz a mestra em Direito e professora de Direitos Constitucional e Previdenciário do Centro Universitário  da Serra Gaúcha, Cristina Lazzarotto Fortes.

TEMPO PRECISO

Para quem está próximo de se aposentar (aproximadamente cinco anos), o especialista em   Direito Previdenciário e sócio do escritório Aith, da Badari e Luchin Advogados, Thiago Luchin, pontua que é fundamental fazer um planejamento de aposentadoria, para, assim, saber qual a data exata de fazer o requerimento e quanto passará a receber. “Para aqueles que falta mais tempo para se aposentar, é recomendável o planejamento a fim de saber se as contribuições estão sendo feitas da forma correta, bem como se precisa de algo para ser corrigido ou outro documento buscado”, pontua. “Já para o empreendedor de mais idade, a concessão da aposentadoria pode se tornar uma garantia extra para subsistência e até mesmo no crédito para empréstimos com menores taxas”, complementa Luchin.

Vale lembrar que empreender é um modo de pensar e, por isso, dificilmente um empreendedor pensará no fim de sua carreira. “Pode-se considerar menos horas de trabalho, menos dor de cabeça com a administração, mas certamente não pensará em aposentadoria. Entretanto, existem pessoas que são auto empregadas, ou seja, criaram um negócio que, na prática, é o seu emprego (prestadores de serviço, pequenos fabricantes, empresas individuais, autônomos). Estes devem pensar na transição como o encerramento das atividades e a conquista de uma renda passiva, visto que sua renda depende de sua capacidade física e intelectual, que no final será reduzida”, pontua Carli.

Aposentadoria significa opção. “Quando temos renda passiva, podemos optar por trabalhar ou não. Podemos escolher a qual segmento nos dedicar. Mas certamente não significa inatividade. Inatividade quer dizer antecipar o fim da mente e do corpo”, lembra o empreendedor da Eu2B.

CARTELA DE OPÇÕES

Pensando na Previdência Social, o empreendedor, diferentemente de um funcionário CLT, precisa pagar o INSS mensalmente – se assim o desejar. Caso contrário, não contará com aposentadoria pelo Governo. “Além do Regime Geral de Previdência, existem as Previdências Privadas, administradas por instituições financeiras ou seguradoras, além, é claro, de outros investimentos que possam gerar renda futura. É importante levar em conta o quanto a pessoa almeja receber de aposentadoria/rendimentos, bem como o quanto tem disponível para investir na aposentadoria. Lembro que a aposentadoria pelo INSS ainda é considerada um investimento seguro e que, se for optar por outras fontes, é importante pesquisar a idoneidade da instituição, considerando que é um investimento de longo prazo”, ressalta a docente Cristina Fortes.

Sobre as mudanças na lei da Previdência adotadas recentemente no Brasil, nada muda para quem já se aposentou, mas, para quem ainda não o fez e optou pela previdência governamental, existem as variações de idade mínima e os pedágios – na prática, demorará mais tempo para se aposentar. “Os aposentados já possuem o direito adquirido, portanto, não há alterações nos benefícios. O que muda são as regras para a pensão por morte, deixada aos dependentes. O reajustamento das aposentadorias continua sendo pela inflação, não há mudanças nesse ponto, graças à alteração proposta pelo relator da reforma” explica o advogado, mestrando em Filosofia e professor do curso de Direito do Centro Universitário da Serra Gaúcha, Pablo de Macedo Dutra.

Na opinião do CEO da startup Cielic, quando se fala em guardar dinheiro a longo prazo, a previdência privada é uma excelente opção, principalmente pelo modelo tributário, no qual o imposto sobre o rendimento se paga somente no saque, diferentemente dos fundos de investimento tradicionais, que se paga a cada seis meses. Neste quesito, existem basicamente dois tipos – o VGBL e o PGBL. Para 95% da população brasileira, o VGBL é o produto mais indicado, enquanto o PGBL faz sentido, principalmente, para quem faz a declaração completa do imposto de renda. Em ambos os casos, pode-se optar pela tabela progressiva ou regressiva de tributação – e isso está diretamente ligado ao tempo que a pessoa deseja deixar o dinheiro investido na previdência. Se for de longo prazo, a regressiva deve fazer mais sentido.

Por fim, existem várias opções de fundos onde esse dinheiro pode ser aplicado – desde investimentos mais conservadores, como 100% renda fixa, até fundos mais agressivos, com alto componente de renda variável. E aí vai depender do perfil de cada consumidor, se quer assumir mais risco ou se quer ser mais conservador.

NA PONTA DO LÁPIS

Com relação ao cálculo das despesas, não é uma tarefa fácil. “Primeiro, o empreendedor precisa entender seu custo de vida atual e em que está gastando o seu dinheiro, fazendo uma projeção desses mesmos cálculos para o futuro. Deve-se observar também que existe um índice de inflação diferente para produtos e serviços considerados para a terceira idade, com índice superior à inflação geral. Como resultado, ele terá uma ideia de qual renda precisará ter quando se aposentar. Neste ponto, é possível calcular quanto deverá guardar por mês para atingir esse objetivo, que mudará de acordo com a idade atual e a idade em que a pessoa pretende começar a receber esta renda extra”, explica Swierczynski.

Usualmente, empreendedores buscam Previdência Privada VGBL, pois, como normalmente não são CLT – fazendo declaração simplificada do imposto de renda -, este produto é o que costuma entregar melhores benefícios.

ALTERNATIVAS

Além do Regime Geral de Previdência Social (INSS), existem os Regimes de Previdência Privada, bem como outras formas de investir dinheiro para retorno futuro, tal como imóveis para locação, investimentos etc. O seguro de vida entra como uma importante ferramenta de proteção financeira pessoal e familiar, diante das adversidades da vida, que não deve ser pensado apenas para ser usado no momento da morte, mas com a função de proteção do segurado em momentos importantes de sua vida, como durante os anos de formação escolar dos filhos, ou que ele tenha feito um grande investimento, como a compra de um imóvel, por exemplo. Existem, ainda, diversas coberturas que podem ser utilizadas para proteção em vida, como o caso de doenças graves (o segurado pode utilizar o dinheiro do seguro para custear um tratamento, por exemplo); acidentes pessoais (O segurado pode utilizar o dinheiro para adaptar a casa diante de uma nova realidade de invalidez, por exemplo), diárias de internação hospitalar (que cobrem es dias de trabalho os quais o segurado perdeu por conta de uma internação) e até mesmo a perda de autonomia pessoal (diante da terceira idade, por exemplo, caso o segurado perca autonomia para funções da rotina, como vestir-se, alimentar-se, tomar banho etc.).

Fonte: Prudential do Brasil.

CALCULANDO

Nas contas para o futuro deve-se considerar:

•  Se o empreendedor recolher contribuições ao INSS, com base no pró-labore, deve aplicar a alíquota de 11%, até o limite máximo de R$642,34 (vigente para o ano de 2019), considerando o teto do INSS de R$5.839,45.

•  Há a opção de contribuir como autônomo ou contribuinte individual, depende do enquadramento de seu negócio.

•  Autônomos que recebem valores de pessoa física recolhem 20% sobre o valor dos serviços, até o limite de R$642,34, e, como contribuinte individual, os mesmos 11%, no teto de R$642,34.

Fonte: Centro Universitário da Serra Gaúcha

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 15 – LIGANDO E DESLIGANDO

As Escrituras declaram que Jesus nos deu o poder de ligar e desligar, referindo-se a Satanás e seus grupos de soldados. O contexto desta promessa está em conexão com a declaração de Pedro a respeito de Jesus:

“Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra, terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra, terá sido desligado nos céus.” (Mateus 16:18, 19.)

A interpretação desta passagem tem sido controvertida. Mas ela faz sentido desde que a pessoa acredite no poder do cristão e na sua autoridade sobre os espíritos demoníacos. Qual é o contexto imediato da autoridade de ligar e desligar? A frase precedente é: “E AS PORTAS DO INFERNO NÃO PREVALECERÃO CONTRA ELA”, isto é, contra a Igreja. Em outras palavras, a Igreja tem toda a autoridade sobre as “portas do inferno”. Assim, a Igreja é militante. Nada pode pará-la – nem as forças de Satanás!

O poder de ligar e desligar Satanás está descrito como “as chaves do reino dos céus”. A palavra para “reino” é Basiléia. É promessa da Palavra de Deus que aqueles que amam o reino de Deus reinarão com Cristo.

Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo.” (Romanos 5:17.)

Louvado seja o Senhor! Ele prometeu que reinaremos, como reis, ainda em vida — AGORA! Como é que poderíamos fazer isso, se não fôssemos capazes de ligar (amarrar) o poder do diabo e desligarmos aquilo que ele já amarrou? Isso é precisamente o que Ele, o Senhor, prometeu.

Os cristãos têm de acordar e reconhecer que têm muito mais autoridade do que imaginam: Não é mais a questão de uma oração em que clamamos: “Ó Deus, faça o favor de vir e fazer alguma coisa com o horrível diabo que está me aborrecendo.” Mas é a questão de levantar, em poder, o nome de Jesus e dizer ao diabo o que ele tem de fazer.

O que significa a frase: “terá sido ligado nos céus… terá sido desligado nos céus”? Williams, um tradutor da Bíblia, destaca que o verbo está no particípio perfeito passivo. Então, a referência é às coisas num estado de já realizadas, isto é, já proibidas ou prometidas. Isso nos ensina que qualquer coisa que seja ligada ou desligada pelo crente (o que crê em Jesus Cristo como Salvador) é feita na base de que essa mesma coisa já está feita “nos céus”, quer dizer, pelo próprio Senhor Jesus.

O que é, então, que o Senhor já ligou e que Ele nos deu o poder de ligar de novo? Jesus nos ensina:

“Ou, como pode alguém entrar na casa do valente e roubar-lhe os bens sem primeiro amarrá-lo? e, então, lhe saqueará a casa.” (Mateus 12:29.)

O contexto desta passagem é o de Jesus expulsando os demônios. A autoridade dele para agir dessa forma é discutida pelas autoridades religiosas. Eles o acusam de fazê-lo pelo poder do próprio diabo. Jesus está explicando que Ele é capaz de controlar os espíritos demoníacos e forçá-los a obedecer-Lhe porque Ele já amarrou o valente: Satanás.

O fato de que os demônios Lhe obedecem é a evidência de que Satanás está amarrado. Satanás já está amarrado “no céu” — pelo poder do céu. Seu poder está quebrado. A chave está em nossas mãos. Nós temos poder sobre Satanás também. Amém!

A palavra grega para “ligar”, na passagem em estudo, é “déo” que significa ligar ou amarrar, como se fosse com correntes, como a um animal amarrado, para não sair do lugar. Isso é glorioso! Quando Satanás é “ligado”, ele se torna impotente. Ele perde sua habilidade de agir contra nós.

Um exemplo de como isso funciona foi mostrado à minha esposa alguns anos atrás. Estávamos no início de nosso aprendizado sobre espíritos demoníacos e sobre como lidar com eles. Ela trabalhava num banco. Várias vezes por semana, certo cliente entrava no banco, usando palavrões em voz alta.

Cada vez que abria a boca pronunciava uma blasfêmia e amaldiçoava, usando o nome de Jesus. Como minha esposa nunca tinha sido exposta a uma linguagem tão feia como aquela, ficou horrorizada. Começou a orar e disse a Deus: “Tu sabes que não falo como este homem e que não o estou aprovando.” Deus respondeu: “Aquele é um espírito de blasfêmia que leva o homem a falar assim, e você tem poder sobre o espírito”.

Minha esposa nunca tinha experimentado uma coisa dessa. Ida estava agindo pela palavra que Deus lhe tinha dado. Na outra vez que aquele cliente entrou no banco, ele começou a xingar e a blasfemar como sempre. Minha esposa, estando perto dele, em voz baixa começou a dizer: “Você, demônio de blasfêmia, Deus mostrou-me que é você. Estou com poder sobre você para amarrá-lo em nome do Senhor Jesus Cristo. Você não pode blasfemar mais em minha presença”.

O cliente não ouviu nada, mas o demônio ouviu bastante! A cor sumiu do rosto do homem e ele começou a engolir como se tivesse algo pegado na garganta. Ele nunca mais falou nenhum palavrão. Dali em diante, quando aquele cliente entrava, ela amarrava os espíritos dele, deixando-o incapaz de blasfemar.

Os outros funcionários notaram uma diferença nele e fizeram comentário, mas sem qualquer ideia do que tinha acontecido. O poder de Satanás tinha sido amarrado na terra conforme já tinha sido amarrado no céu.

Satanás tem seus “valentes” designados sobre as nações, cidades, igrejas, lares e indivíduos. Deus está nos mostrando que esses valentes já foram vencidos e amarrados pelo poder do céu.

“…Para isto se manifestou o Filho de Deus, para destruir as obras do diabo.” (1 João 3:8b.)

A nós são dadas as “chaves do reino”. Há poder para reinar sobre as forças das trevas. Não temos de orar por isso. A batalha já foi ganha nos céus; é só ligarmos na terra aquilo que já foi conseguido no céu.

Então, a que se refere o desligamento? O desligamento é a libertação dos cativos. Pelo ministério de libertação, os cativos ganham liberdade dos laços de escravidão de Satanás.

“E veio ali uma mulher possessa de um espírito de enfermidade, havia já dezoito anos; andava ela encurvada, sem de modo algum poder endireitar-se. Vendo-a Jesus, chamou-a e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade.” (Lucas 13:11, 12.)

Quando o chefe da sinagoga indignou-se, ao ver Jesus ministrar a libertação no dia de sábado, Jesus respondeu:

“Disse-lhe, porém, o Senhor: Hipócritas, cada um de vós não desprende da manjedoura, no sábado, o seu boi ou o seu jumento, para levá-lo a beber? Por que motivo não se devia livrar deste cativeiro, em dia de sábado, esta filha de Abraão, a quem Satanás trazia presa há dezoito anos?” (Lucas 13:15, 16)

A palavra grega para “livrar” no texto é “luo”. É definida no dicionário como “livrar qualquer coisa amarrada ou segura; desligar alguém amarrado; livrar; libertar da prisão. Liberar da escravidão ou doença (alguém seguro por Satanás) pela restauração da saúde”. (Thayer)

A vitória sobre os espíritos demoníacos já está garantida por Jesus. Segundo o ponto de vista do céu, todo cativo já está liberto. O princípio é o mesmo do da salvação. Jesus providenciou a salvação para todos. Então, por que nem todo mundo está salvo?

O sangue tem de ser aplicado pessoalmente. Todo homem que aplica o sangue pela fé está salvo. Aqueles que o recusam ou deixam de aplicar o sangue estão perdidos. Da mesma forma Jesus já providenciou a libertação. Está consumada, de acordo com o céu. A chave do desligamento do cativo foi dada ao crente. Ele pode libertar-se, tanto quanto aos outros, na terra, porque já foi feito no céu! Glória!

Há aqueles que ensinam que o “desligamento” mencionado significa o desligamento do Espírito Santo ou dos anjos para encher a vaga deixada pelos demônios que foram embora. Uma vez que já foi demonstrado que a palavra “livrar” se refere àquilo que está acorrentado e amarrado, como é que isso poderia referir-se ao Espírito Santo ou aos anjos?

Mais ainda, a autoridade humana não chega para comandar os anjos. Ainda que seja uma bendita verdade que os anjos são “espíritos ministradores enviados para serviço, a favor dos que hão de herdar a salvação” (Hebreus 1:14), tem de ser notado claramente que eles são ENVIADOS para servir em nosso favor. Quem é que os envia? Deus. Podemos orar e pedir a Deus que os envie, mas não há menção nas Escrituras que é para nós os comandarmos ou dirigidos.

É extremamente perigoso elevarmos os anjos a um nível acima do estabelecido nas Escrituras, pois assim começamos a orar aos anjos para nosso socorro, em vez de ao Senhor. Isso, de fato, é idolatria e logo degenerará num “louvor dos anjos”, o que está absolutamente proibido. (Veja Colossenses 2:18.)

Para reiterar, a ligação refere-se a Satanás e aos demônios, e o desligamento refere-se à pessoa que foi amarrada pelas forças das trevas. Satanás fica ligado, ou amarrado; a vítima fica desligada! É isto o que acontece como resultado de um eficiente ministério de libertação.