A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PERGUNTE PESSOALMENTE

Usar os meios digitais para nos comunicarmos tornou-se parte da rotina, uma forma prática de ganhar tempo. Mas para ter respostas afirmativas é melhor recorrer ao velho e bom olho no olho: respondemos melhor a pedidos ao vivo do que por e-mail

Quando precisa de um favor, muita gente acha mais conveniente mandar mensagens para resolver logo a questão. E com uma vantagem: na maioria dos casos, o contato virtual ajuda a evitar o eventual constrangimento de ter que pedir algo pessoalmente. Faz sentido, mas é preciso ter algo em mente: não podemos esperar, nesses casos, os mesmos resultados que obteríamos se a conversa fosse de perto. Duas novas pesquisas mostram que tendemos a acreditar, no entanto, que solicitações feitas por e-mail são tão eficazes quanto uma conversa pessoal.

No primeiro estudo, publicado na edição de março do Journal of Experimental Social Psychology, 45 participantes foram informados de que teriam que pedir a dez estranhos, pessoalmente ou por mensagem, quer respondessem um questionário, sem receber nada por isso. Participantes de ambos os grupos disseram que acreditavam que uma em cada duas pessoas concordariam. Mas estavam enganados. Mais de 70% dos indivíduos abordados aceitaram; entre aqueles que receberam uma mensagem eletrônica, apenas 2% concordaram.

Em um segundo estudo, desenvolvido por pesquisadores da Universidade Western, em Ontário, no Canadá, um grupo de pessoas foi recrutado (algumas por e-mail e outras pessoalmente) para responder a uma pesquisa pelo qual receberiam uma gratificação. Antes de começar, todos foram convidados a participar uma segunda pesquisa, não remunerada. Novamente, os cientistas subestimaram a quantidade de indivíduos que aceitariam e superestimaram o número de respostas de e-mail à tarefa não remunerada.

MAL ENTENDIDOS

Muitos dos que recebiam a mensagem eletrônica disseram mais tarde, em entrevista, que lhes pareceu que o remetente era presunçoso, o que interferiu na comunicação, diminuindo o grau de confiança e empatia. “Esse trabalho nos mostra algo bastante útil para a vida prática: para ter e-mails mais eficazes, é preciso incluir mais informações pessoais para estimular a confiança inicial”, acredita o pesquisador Mahdi Roghanizad, professor de negócios, co-autor do artigo.

E quanto a solicitar algo a uma pessoa conhecida? O contato olhos nos olhos ainda é melhor, mostram dados preliminares. “Quando um amigo se aproxima e pede um favor pessoalmente significa que realmente precisa de algo ou que respeita suficiente o interlocutor a ponto de vencer o constrangimento e se aproximar fisicamente para uma conversa”, diz Roghanizad. Assim pergunte pessoalmente!

OUTROS OLHARES

LUXO PARA OS PÉS

Modelos consagrados de tênis são reestilizados tomando como base os ícones pop – marcas badaladas, videogames e até séries de TV já adotaram a moda. Detalhe: eles são caríssimos

Foi-se o tempo em que apenas os melhores atletas do mundo ganhavam das empresas de material esportivo modelos exclusivos de calçado com a própria assinatura. As principais marcas perceberam recentemente que poderão faturar muito mais se introduzirem em suas criações outras referências do universo pop. Já foram usados como tema na confecção dos sneakers – nome pelo qual são conhecidas as edições limitadas dos tênis – séries de TV como Stranger Things, desenhos animados como Dragon Ball Z e Bob Esponja, e até consoles de videogame como o Playstation, da Sony.

É justamente a fusão de elementos do mundo do entretenimento, a chamada “colaboração”, que faz a cabeça (e o bolso) dos jovens pirar. Foi assim com uma das mais recentes versões do Air Jordan 1, da Nike. Levado às prateleiras como uma homenagem ao número 1 do basquete de todos os tempos, Michael Jordan (à época apenas uma estrela em ascensão,) o tênis de cano alto foi relançado diversas vezes desde 1985. Uma das mais famosas releituras foi assinada por uma das grifes mais quentes do mercado de streetwear: a Off-White. Seu criador, Virgil Abloh, é de Chicago, cidade que abrigou a maior parte da carreira de Jordan na NBA. Comercializada desde 2017 ao preço original de 190 dólares, essa versão, repleta de penduricalhos exclusivos (veja o quadro abaixo), sumiu das lojas num piscar de olhos. Hoje, o Air Jordan da Off-White pode ser encontrado apenas nos pés de celebridades – o rapper canadense Drake ganhou um par de presente de Abloh – ou em sites de revenda a preços, é claro, exorbitantes.

GESTÃO E CARREIRA

QUATRO LETRAS QUE MUDARÃO SUA VIDA PROFISSIONAL

F – O – C – O

É uma das competências mais valorizadas pelo mercado de trabalho atualmente. Tanto que uma pesquisa de 2018 da Udemy, plataforma global de ensino e treinamento profissional com mais de 4 mil clientes (entre organizações públicas, privadas e do terceiro setor), mostra que 36% das pessoas nascidas da segunda metade dos anos 80 ao começo dos anos 2000 – de 16 a 34 anos – gastam pelo menos duas horas por dia olhando seus celulares para tarefas ou ações relacionadas à vida pessoal. E isso não é um fenômeno etário. Cada vez mais, profissionais de todas as idades sucumbem à tentação da distração. Tanto que o mesmo levantamento revela que 66% das pessoas nunca conversaram com seus superiores sobre a dificuldade de concentração no ambiente de trabalho e 70% acreditam que treinamentos ajudariam a dar foco.

E aqui reside o problema. Treinamento significa investimentos que muitas corporações já dedicam a inúmeras outras necessidades, muitas vezes mais urgentes, vinculadas a objetivos financeiros. Isso faz com que a questão do foco fique nas mãos de cada profissional. E autodisciplina é algo muito difícil de se alcançar o tempo todo sem apoios externos. Para isso, o primeiro passo é ter clareza. Se você não sabe de forma simples e clara seu objetivo, ninguém poderá ajudá-lo. No próximo café em família, conte para sua mãe ou sua tia qual sua meta do mês, do semestre e do ano. Não importa a área em que você atua. Se uma delas não entender, esse é o primeiro sinal de que você pode não atingí-las.

O passo 2 será definir as etapas e os skills necessários para chegar lá – inclusive entender que abrir mão de algumas coisas, por algum tempo, não significa necessariamente desistir delas para sempre. É apenas uma forma de alinhar as prioridades com o que se quer alcançar. Isso não é tarefa fácil, porque temos um grande número de distrações ao nosso redor. Conversas improdutivas, barulho, música, TV ligada, convites para um cafezinho a mais, aquela notinha de fofoca ou de esportes piscando na tela e notificações do celular são conhecidas como distrações sensoriais e estão presentes no nosso dia a dia. 

Por mais tentadoras, porém, elas são mais fáceis de ser administradas ou ignoradas, dependendo do seu poder de concentração. Basta desconectar o celular, por exemplo, ou isolar-se em algum lugar mais calmo. Há pessoas que delimitam tempo: só dão aquela olhadinha no celular ou na tela do computador a cada 25 minutos de trabalho. O problema multiplica com as chamadas distrações sentimentais, como problemas de relacionamento e doenças na família. São as mais difíceis de ser controladas porque mexem com o nosso psicológico. 

Procure observar qual delas rouba mais sua atenção e toma mais seu tempo. Ter essa consciência é importante, principalmente na hora de montar estratégias para administrá-las. Durante o processo, é importante continuar fazendo pequenas coisas que te dão prazer, até para não enlouquecer. Ter foco não é sinônimo de sofrimento full time. O prazer é uma ferramenta importantíssima para a manutenção do foco e para que você consiga priorizar suas escolhas – e não se anular completamente.

Na prática, a principal ferramenta para que você mantenha o foco naquilo que deseja alcançar é nunca deixar de visualizar aonde você quer chegar e manter a disciplina para atingir as metas traçadas. Uma dica é listar atividades, colocando prazos para cada uma. E crie o hábito de avaliar rotineiramente se suas atitudes e comportamentos estão congruentes com suas metas e prazos. Uma prática simples, mas que pode cumprir o papel de ser o primeiro grande aliado na conquista de seus objetivos.

TIRLEY ALFONSO – é Personal & Professional Coaching pela Sociedade Brasileira de Coaching, com cursos de especialização e pós-graduação em psicologia, neurolinguística e terapia emocional

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

31 DE JANEIRO

O TRIBUNAL DE DEUS E O TRIBUNAL DOS HOMENS

O SENHOR é misericordioso e compassivo; longânimo e assaz benigno (Salmo 103.8).

Qual é o tribunal mais austero: o tribunal de Deus ou o tribunal dos homens? O tribunal dos homens é mais difícil de ser enfrentado do que o tribunal de Deus. Foi por esta razão que, quando Davi precisou escolher entre o juízo de Deus e o juízo dos homens, preferiu cair nas mãos de Deus, e não nas mãos dos homens. Disse Davi: Caiamos nas mãos do SENHOR, porque muitas são as suas misericórdias; mas, nas mãos dos homens, não caia eu (2 Samuel 24.14b). No tribunal dos homens, um João Batista vai parar na prisão e é decapitado, enquanto um Herodes adúltero e assassino ocupa o trono. No tribunal de Deus, um ladrão condenado à morte, encontra perdão e é salvo na hora da sua execução; mas, no tribunal dos homens, o próprio Filho de Deus, inculpado e santo, é condenado à morte. No tribunal dos homens, José do Egito, mesmo inocente, é levado para a prisão, e a mulher de Potifar, que tentou seduzi-lo, é considerada molestada e inocente. No tribunal dos homens, Jesus vai para a cruz e Barrabás toma as asas da liberdade. No tribunal de Deus, a justiça se assenta no trono, mas no tribunal dos homens, muitas vezes, a injustiça desbanca a justiça. No tribunal de Deus até o culpado arrependido encontra perdão; no tribunal dos homens até os inocentes são tidos como culpados.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

DOENTES IMAGINÁRIOS

A doença e fictícia, mas o sofrimento e real. Uma breve viagem pela hipocondria, o medo obsessivo de estar doente, com o qual ciência e medicina se confrontam (e divergem) há séculos

Há mais de dez anos o quinquagenário senhor Cantoni tem dores nas panturrilhas. O diagnóstico, a princípio, parecia fácil, o hemograma mostrou alteração em um valor de referência, indicando desgaste muscular. Mas, passado algum tempo, o valor voltou ao normal. Então, radiografias do tórax revelaram anomalia em uma vértebra. O ortopedista concluiu ser essa a causa das dores. Entretanto, trações e fisioterapia não trouxeram benefício algum. Pelo contrário, às dores acrescentou-se um incômodo formigamento. As veias das pernas, examinadas por um cirurgião vascular, estavam em ordem. Foi quando entrou em cena o neurologista, que falou de uma misteriosa “miopatia autônoma”. O caso parecia encerrado. No entanto, sempre atormentado pelas dores e insatisfeito com o diagnóstico, Cantoni refez os exames. A cada vez surgia um indício aparentemente decisivo para o diagnóstico, mas que nunca se confirmava. Então vieram as dores no peito. Ele foi várias vezes ao pronto socorro, sem que fosse encontrado vestígio algum de ameaça de infarto. Começou a se queixar também de zumbido nos ouvidos e de cansaço. E recomeçou um outro período de exames e especialistas. Mas que, novamente, em nada resultou.

Cantoni, “o homem com sintomas sem respostas”, é um dos pacientes de Dino Zeffiri, o pseudônimo que assina o Diário de um Clínico Geral. Sua história, contou-nos Zeffiri, continuou de modo trágico. No verão passado, a esposa de Cantoni foi tomada por repentinas dores abdominais. Quando os médicos deram o diagnóstico de tumor no pâncreas, Cantoni desmaiou, a mulher foi quem o consolou. Submetida a quimioterapia, com poucas esperanças, ela ainda cuida da saúde do marido, cada vez mais acometido por males inexistentes. Ele os inventa? É um doente imaginário? Um hipocondríaco?

Para o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, a hipocondria faz parte dos transtornos somatoformes, cuja característica é a presença de sintomas que levam a pensar em uma patologia física que de fato não existe. É definida como a “preocupação ligada ao medo ou à convicção de ter uma doença grave”. Nenhum esclarecimento é suficiente para debelar o medo. Consultas, análises e exames não servem para aliviá-lo. Um hipocondríaco passa grande parte do tempo pensando em seus sintomas, falando sobre eles e consultando especialistas. Como não considera nenhum exame convincente, ele os refaz continuamente para ter certeza de que os médicos não deixaram escapar nada. Se o temor de uma doença passa, imediatamente o de outra o assalta.

Apesar de ser conhecida desde a Antiguidade e ainda representar um problema para médicos, o conhecimento sobre as causas e os tratamentos da hipocondria é bastante escasso. Estima-se que a incidência na população varie entre 1% e 6%. Não existe um modo unívoco para entender o transtorno, como salientam Maurizio De Vanna, Mauro Cauzer e Roberta Marchiori no livro O Misterioso Planeta da Hipocondria. Há quem a considere um sintoma, uma verdadeira doença ou ainda um traço de personalidade.

À pergunta “você tem pacientes hipocondríacos?”, formulada em um questionário para cem médicos de clínica geral de Trieste e Pádua, na Itália, 86% responderam sim. Certamente os doentes imaginários constituem um percentual significativo dos pacientes que são uma presença constante nos consultórios. Na verdade, somos todos um pouco hipocondríacos, inclusive os médicos, comenta o neurocientista italiano Fabrízio Benedetti, da Universidade de Turim. “O estudo detalhado dos sintomas de uma doença leva quase sempre a imaginar que os temos. Quem nunca apalpou os linfonodos do pescoço quando estudava os linfomas? Quem não se sentiu esquizofrênico quando estudava o desdobramento da personalidade?” Nos verdadeiros hipocondríacos, porém, a preocupação em relação à doença se torna o elemento central da vida: ocupa pensamentos, conversas, e influencia ou impede atividades da vida cotidiana.

A sociedade contemporânea piorou as coisas ao estimular uma preocupação excessiva com o cuidado do corpo. Sempre vigilantes e atentos às suas funções normais, tendemos a notar e amplificar cada pequeno sinal e a considerá-lo indício do funcionamento anômalo de algum órgão. Os mais sensíveis tendem a sentir todos os efeitos colaterais descritos nas bulas dos medicamentos, ou a temer terem contraído a última patologia sobre a qual leram no jornal. A internet, nesse sentido foi um desastre. Para quem tem predisposição para a hipocondria, a massa de informações encontrada na rede, em vez de tranquilizar, alimenta os pesadelos. Nos Estados Unidos já foi até mesmo cunhado um termo para a fobia das doenças alimentada pela internet, cybercondria.

Os doentes imaginários são o tormento dos clínicos gerais, primeiro filtro das ansiedades. Instruídos para distinguir patologias concretas, frequentemente encontram-se desorientados diante de quem manifesta males que parecem inventados.

À pergunta “O que você sente diante de um hipocondríaco?” as respostas mais frequentes dos médicos de Pádua e Trieste foram “compreensão”, “pena e comiseração”, “incômodo” e “impotência”. Esses pacientes são bastante conhecidos no meio médico, visto que tendem a migrar de um clínico a outro.

A frustração dos médicos é certa, mesmo porque esses pacientes normalmente recusam qualquer tentativa de estabelecer um diálogo sobre a doença. Desconfiam dos médicos que, depois de todos os exames, propõem uma psicoterapia, convencidos de que o seu problema é físico, grave e iminente.

Mas se os hipocondríacos não têm um verdadeiro problema orgânico, o que eles têm? Na literatura médica antiga o termo deriva de lhypochoendria, composto pelas palavras gregas hypo, “sob”, e chaendros, “cartilagem”. Pensava-se que o distúrbio estivesse alojado no hipocôndrio, parte superior e lateral do abdome, onde se encontram o fígado e o baço. O primeiro a defini-la foi Galeno, no século II, atribuindo-a a uma disfunção da ‘bile negra’. Esse conceito permaneceu por toda a Idade Média e até a Idade Moderna. A partir do século XVIII, o termo passou a indicar um distúrbio melancólico, que se tratava com a aplicação de sanguessugas. Sobretudo na Inglaterra, a hipocondria era considerada a doença dos literatos, o equivalente masculino da histeria. O significado atual foi introduzido no século XIX, época em que diminuiu o interesse da medicina pelo assunto.

Nem mesmo Freud lhe dedicou grande atenção, afirmando que o transtorno, resultado de energias sexuais que, em vez de serem dirigidas a objetos externos, eram voltadas para o próprio corpo, não podia ser investigado apenas do ponto de vista psicológico. Mais tarde, os psicanalistas forneceram várias interpretações para a hipocondria. A hipótese mais clássica sustenta que sua origem estaria vinculada a um ambiente familiar dominado por uma mãe hiperprotetora, que mantém os filhos em estado de dependência: estar doente é o melhor modo de obter tratamentos e atenções.

Ainda hoje não está totalmente claro o que se entende exatamente por hipocondria, mesmo que se tenda a distingui-la do chamado transtorno de somatização, tendência a desenvolver sintomas físicos. “Os casos mais frequentes são os de pacientes com uma patologia orgânica que têm, no entanto, sintomas físicos amplificados, uma pessoa com artrose que não se levanta da cama queixando-se de dores insuportáveis, ou um cardiopático que fica sem fôlego diante de um esforço mínimo”, explica o psiquiatra Riccardo Torta. Uma de suas pacientes, com síndrome bipolar, manifestava sintomas somáticos bastante graves na fase de depressão, em vez dos clássicos transtornos do humor. Como tinha uma certa cultura e se informava continuamente, acabava por interpretar seus sintomas baseando se nas definições das enciclopédias médicas, relatando depois aos clínicos os sintomas que para eles eram sinais inequívocos de uma certa doença. Desse modo ela conseguiu colecionar intervenções cirúrgicas de todo tipo, inclusive a retirada da vesícula biliar.

Brian Fallon, neuropsiquiatra da Universidade Columbia, em Nova York, é um dos poucos pesquisadores que fez estudos específicos sobre hipocondria. Começou a interessar-se pela doença há 15 anos, ao tratar de um corretor da bolsa de valores com 50 anos que estava convencido de ter um tumor cerebral. Mesmo depois que todos os exames deram resultados negativos, o homem passava os dias pensando em seu câncer. Fallon lhe prescreveu um antidepressivo. Para sua surpresa, o medicamento funcionou perfeitamente. Desde então ele está convencido de que a hipocondria é uma forma de transtorno obsessivo – compulsivo e que pode ser tratada com inibidores seletivos de recaptação da serotonina, as drogas da família do Prozac.

O psiquiatra Arthur Barsky, do Hospital Brigham, de Boston, usa uma terapia cognitivo- comportamental com hipocondríacos. Conforme estudo concluído recentemente com 187 participantes, a terapia parece dar resultados. O método ensina a reduzir a atenção dada às sensações corpóreas e a corrigir comportamentos específicos: por exemplo, pular as páginas do jornal que falam de saúde e evitar sites de medicina. Giorgio Nardone, diretor do Centro de Terapia Estratégica de Arezzo, propõe aos hipocondríacos psicoterapias breves, de poucas semanas, inspiradas nos métodos do Mental Research lnstitute de Palo Alto, nos Estados Unidos. Em certa ocasião, relatada em seu livro Não Há Noite que Não Veja o Dia, prescreveu a um paciente falar de seus medos apenas por meia hora depois do jantar e anotar três vezes ao dia, em pé diante do espelho, todas as sensações e sintomas provenientes do corpo.

Recentemente, surgiram clínicas para hipocondríacos em vários países. “No entanto, a maior parte dos transtornos de ansiedade ligados à saúde, como prefiro me referir hipocondria, deveria ser administrada e tratada por médicos de família”, afirma Paul Salkovskis, diretor do Hospital Maudsley, em Londres.

Uma coisa, no entanto, é certa: esses doentes, etiquetados de imaginário, realmente sofrem. Além do risco de danos por terapias, exames e intervenções desnecessários, há ainda o risco de que as doenças não sejam reconhecidas quando aparecerem realmente.

E seria essa a ironia do destino, o paradoxo dramático, adoecer, enfim, exatamente do que se teve medo por toda a vida.

DIÁRIO DE UM CLÍNICO GERAL

O senhor Giorgio é hipocondríaco há muitos anos. Quase toda semana comparece ao ambulatório, a qualquer hora. Frequentemente aparece sem hora marcada, implorando uma consulta, não consegue ficar sentado e anda para cima e para baixo pelo corredor. Fico com pena e o faço entrar. Começa sempre assim: “Não estou bem, estou com uma nova dor”. São as mesmas dores, vistas e revistas, investigadas, explicadas…

O enfermeiro aposentado é o hipocondríaco que mais me preocupa. Conhece todos os caminhos para obter rapidamente os exames e as consultas que considera necessários para conhecer seu estado de saúde. Está se fazendo mal: radiografias, exames, até biópsias. E tratamentos, tantos, prescritos pelos vários especialistas, talvez para livrarem-se dele. Escutei-o durante horas, em vão. E cansativo. Estamos em pé de guerra desde que decidi não ajudá-lo em seus pedidos obsessivos. Entra protestando. A consulta é carregada de tensão. Exige, briga, me deixa bravo. Não é o clima ideal para trabalhar com ciência e consciência. Quando sai estou exausto, paro as consultas por alguns minutos. tomo um café volto, entra um outro, oh, não! É o senhor Giorgio…

HIPOCONDRÍACOS DE CLASSE

O medo e a obsessão pelas doenças, e às vezes a capacidade de rir d isso, parecem ser traços característicos do nosso tempo.

Mas já nos séculos passados a hipocondria era frequentemente associada aos intelectuais. No tratado Della preservazione dlla solute de’ letterati e della gente applicata e sedentaria, de 1762, o médico Antonio Pujati recomendava o movimento como terapia anti ansiedade: dançar, cavalgar, caçar e andar de gôndola. Segundo ele, o balanço da embarcação era o ideal para restabelecer o equilíbrio dos fluidos corpóreos e eliminar as preocupações.

Entre escritores, músicos, artistas e dentistas, os hipocondríacos verdadeiros e presumidos são incontáveis. Consideravam-se como tais, por exemplo, Carlo Goldoni e Moliére, que colocaram a hipocondria no centro de comédias famosíssimas, como a Falso Doente, de Goldoni, e o Doente lmoginário, de Moliére. Também Charles Darwin foi acometido durante grande parte da vida por uma doença misteriosa, e talvez imaginária, queixando-se de uma variedade de sintomas que iam do adormecimento dos dedos a problemas digestivos e Insônia. Do compositor Igor Stravinsky conta-se que procurava um médico a cada cidade, e que tomava continuamente remédios que se prescrevia sozinho. Em 1934, quando o filho foi operado de apendicite, fez-se operar também, “por precaução”.

Um testem unho literário de que a divulgação médica pode contribuir para assustar os mais sugestionáveis é oferecido por Gustave Flaubert. Bouvard e Pécuchet, no romance homônimo, acabam por sentir todos os males sobre os quais leram nos manuais de anatomia e medicina. Mas a medicalização da sociedade e o consequente aumento vertiginoso dos doentes imaginários ocorre apenas no século XX, como testemunha ainda a literatura.

Diz Zeno, protagonista do romance de Ítalo Svevo: “A doença é uma convicção, e eu nasci com aquela convicção”. E Marcel Proust escreve em sua obra Em Busca do Tempo Perdido “Para cada doença que os médicos curam com alguns remédios, outras dez são causadas em sujeitos sãos inoculando aquele agente patogênico, mil vezes mais virulento que todos os outros micróbios, que é a ideia de estar doente”.

OUTROS OLHARES

O CREPÚSCULO DO MACHO

O comportamento masculino dito “tóxico”, apreendido desde a infância, já não cola e começa a ser vigiado pela Justiça e controlado com aulas de reeducação

Homens de todo o mundo, uni-vos contra a masculinidade tóxica – a tola postura velha de guerra, ultrapassada, agressiva, segundo a qual homem não chora, homem não fraqueja, homem é o provedor da casa, homem, homem… A expressão, que começou a grassar com rapidez desde que o movimento #MeToo expôs os abusos sexuais de um predador como o produtor Harvey Weinstein é, a rigor, a tradução moderna, e até então restrita aos trabalhos acadêmicos e manifestos políticos de um antigo modo de ser: o machismo. Está no dicionário Houaiss: “comportamento que tende a negar à mulher a extensão de prerrogativas ou direitos do homem”.

No início deste ano, um anúncio da Gillette pôs lenha nessa fogueira cotidiana em segundos que parecem revisitar décadas de má postura – na propaganda, veem-se amigos detendo companheiros que brigam, repreendendo outros que assediam mulheres, exigindo de parceiros que as deixem falar, sem interrupção. Movimentos feministas celebraram – no entanto, houve ameaças de boicote aos produtos da Gillette, o que diz muito sobre nosso tempo. Até a semana passada, o vídeo no YouTube contava 33 milhões de visualizações. E muita coisa.

A boa-nova é que a masculinidade tóxica; o machismo, vale insistir, já não tem a vida fácil de antes, apesar da multidão que criticou a Gillette e acha que Weinstein não fez nada de tão grave assim. Cabe questioná-la, e é o que se tem feito. Vêm crescendo os casos de apresentação voluntária a palestras e encontros de reeducação e também as convocações compulsórias diante de juízes.

No começo de outubro, um grupo de dezessete homens denunciados por agressões contra mulheres se apresentou ao juiz Mário Rubens Assumpção Filho, numa sala do Ministério Público de São Paulo. Eles estavam ali, dentro de um projeto chamado Tempo de Despertar, para entender que é possível deixar de lado a educação de base machista para substituí-la por alternativas adequadas. Não existe distinção de classe social entre os alunos machões – nos encontros, como no presenciado pela equipe de reportagem, há executivos de empresas, policiais e profissionais autônomo do setor de entretenimento. Os encontros acontecem a cada quinzena e são previstos na Lei Maria da Penha, de 2006 – mas apenas em 2014 a iniciativa das reuniões começou em Taboão da Serra, em São Paulo, e em 2017 chegou à capital.

Socos, empurrões e até ameaças de queimaduras com ácido, entre outras atitudes abomináveis figuram entre as denúncias que orbitam a turma. No início das conversas, a promotora de Justiça Gabriela Manssur, idealizadora do projeto, explica as diferenças entre legítima defesa e lesão corporal. “Os homens tentam justificar seus atos culpando a mulher que na visão deles teria começado “o conflito”, costuma dizer Gabriela a ouvidos atentos e olhos arregalados. ”Mas defender-se é diferente de agredir. Quase sempre, o homem é fisicamente mais forte. Se fosse defesa, ele não precisaria machucá-la para se impor. “O resultado da iniciativa legal já pôde ser sentido: desde a implementação, a reincidência dos agressores caiu de 65% para 2%.

Convém ressaltar que a postura dos indivíduos colocados diante de autoridades do Judiciário é a parte visível, violenta, de um comportamento que muitas vezes parece ingênuo, sem importância, mas que pode crescer e fazer brotar do ovo da serpente uma monstruosidade. “Sou um machista em recuperação”, resume o enfermeiro e psicólogo Fledson de Souza Lima, de 40 anos, que participou voluntariamente de um treinamento em torno da questão da toxicidade masculina. “Nunca agredi fisicamente minha mulher, mas cometia abusos psicológicos ao tentar induzi-la a sempre concordar comigo”. Lima, com algum esforço, conseguiu enxergar sua dificuldade fez a auto­crítica e tenta ir em frente. Não é uma atitude comum, e as barreiras são cuidadosamente erguidas ao longo da vida. Um levantamento com quase 20.000 indivíduos feito pelo portal Papo de Homem mostrou que a grande maioria cresceu aprendendo a não expressar as emoções, a não demonstrar fragilidade, e quase nunca conversou com os pais a respeito de boas maneiras com o sexo oposto.

“A permanente distinção, ser garanhão ou ser mulherzinha, como dizem, é uma prisão”, afirma o psicólogo Tales Furtado, coordenador do Coletivo Feminista de Sexualidade e Saúde. “Aceitar a ideia de que existe um meio­ termo é libertador”. Trata-se de uma libertação complicada, porque a masculinidade tóxica talvez seja uma das mais adesivas práticas de nosso tempo, alimentada em canções em filmes e sobretudo na publicidade (e, por isso, repita-se, a peça da Gillette foi tão ruidosa). O que fazer? Especialistas ouvidos são unânimes ao declarar que a solução estaria em um novo olhar para a educação de meninos. Diz a pedagoga Raquel Franzim, do Instituto Alana: ‘É vital não reforçar padrões e ensinar garotos a lidar com emoções”. Seria um bom começo.

GESTÃO E CARREIRA

O FACEBOOK DOS TOTÓS

Executivos da área de Telecom montam aplicativo para funcionar como rede social de pets

O Brasil tem 139,3 milhões de pets (Instituto Brasil Pet/IBGE) e muita gente querendo morder uma fatia do mercado construído em torno dessa população gigante. Na área de tecnologia, há centenas de aplicativos. Há plataformas de primeiros socorros, de monitoramento à distância, de busca de anfitriões, sem contar a de relacionamentos, espécie de Tinder para cachorros (obviamente, de usuários interessados em achar parceiros para seus dogs). Essa densidade compacta não impediu que dois ex-executivos do setor de telecom e uma veterinária investissem R$ 1,2 milhão na criação de mais uma startup, acreditando se tratar da “primeira rede social para pets” – o app Arknoah, lançado semana passada. O aplicativo vem sendo desenvolvido há quase dois anos, em parceria com o estúdio EspressoLabs, e conta com a chinesa Hwauei no suporte de telecom.

A aposta é ambiciosa. “Pretendemos chegar a 1 milhão de usuários em 30 meses”, diz o CEO Carlos Cipriano, com passagem pela diretoria de três grandes operadoras. A ideia do app é dele. A oportunidade de um negócio escalável em pouco tempo seduziu os sócios Josué Freitas, COO, e a veterinária Mônica Lopes, responsável pela parte técnica. Cada um aportou R$ 400 mil no projeto, que Carlos diz ter potencialidade global. O plano de negócios prevê investimentos de US$ 2,5 milhões nos próximos dois anos, direcionados principalmente a TI.

O mercado pet brasileiro é bastante fértil. Movimentou R$ 20,3 bilhões no ano passado, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet). “É o segundo mercado pet do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos”, garante Cipriano. A ideia inicial de capitalização é a venda de anúncios, mas há outros canais de receita sendo estruturados, como a parceria com instituições financeiras e a integração da base de dados do Arknoah com fornecedores de serviços e produtos.

Cipriano garante que o eventual pioneirismo se deve a dificuldades no campo tecnológico. “Dá trabalho construir uma rede social: o software é muito complexo”, diz. O benchmark, claro, é o Facebook e Instagram. A diferença, imagina, é que o Arknoah “tem uma cara”, a veterinária Mônica, que aparece em vídeos dando dicas sobre cuidado animal. “Você pode fazer tudo o que faz um uma rede social convencional: postar foto, curtir, seguir, comentar, mandar mensagem, com o adicional do conteúdo que estamos produzindo.” Além das dicas de Mônica, outros conteúdos, como generalidades do mundo pet e entretenimento leve, serão veiculados por meio de quatro mascotes fictícios.

DIVERSÃO E SERVIÇO

Como a maioria das startups, o Arknoah se imbui de uma missão social – ou ao menos se coloca no espectro do bem-estar. Além de se definir como um ecossistema de negócios e relacionamento, o app quer trazer para o compartilhamento ONGs que lutam pela causa pet. A rede não permite a venda de animais, para evitar criadores que buscam produtividade estressando a reprodução ao limite – principal polêmica do universo pet. Doação e adoção estão liberadas. “A ideia é montar uma grande comunidade que compartilhe conhecimento e diversão”, diz Cipriano.

O tutor pode se inscrever com um perfil humano e outro animal. Dentro da rede, terá oportunidade de se conectar com outras pessoas (ARKlovers), com empresas (ARKbests) e ONGs (ARKngels). Na primeira semana de funcionamento, o app registrou perfil de usuários majoritariamente feminino (73%), na faixa entre 18 e 35 anos. Como era de se esperar, 80% da presença animal até a semana passada eram de cães. Gatos vêm em seguida, mas já há “usuários” ave, peixe, cavalo e coelho.

A fase 2, prevista para começar no próximo ano, contempla serviços de localização, prontuário (registros da vida clínica dos pets, como Raio X, vacina etc.) e opções de pagamento. Na fase 3, o Arknoah disponibilizará o agendamento de consultas, além de um recurso de reconhecimento “facial”, com software chinês – como se sabe, o focinho é a impressão digital de cães, os pets preferidos dos brasileiros.

ALIMENTO DIÁRIO

DIA 30 DE JANEIRO

O DRAMA DA INFIDELIDADE

Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros (Hebreus 13.4).

Os fundamentos da nossa sociedade estão sendo destruídos. Os valores morais estão sendo invertidos. Aplaudimos hoje o que deveria merecer a mais contundente reprovação. A infidelidade conjugal deixou de ser uma exceção nesta sociedade decadente. Hoje, mais de 50% dos casais são infiéis ao cônjuge até a idade dos 40 anos. Isso é um atentado contra o casamento e sinaliza um colapso na família. Os valores morais absolutos estão sendo tripudiados na mídia e nas cortes judiciais. As verdades que sustentaram, como coluna, a sociedade ao longo dos séculos, estão sendo escarnecidas nas ruas e ridicularizadas em nossas casas de leis. O casamento tornou-se uma experiência passageira. Troca-se de cônjuge como se troca de roupa. A sociedade aplaude o conceito equivocado de que “o amor é eterno enquanto dura”. A infidelidade conjugal é vista como uma conquista, não como um sinal de decadência. É incentivada, em vez de ser combatida. Os frutos da infidelidade conjugal, porém, são desastrosos. O fim dessa linha é a vergonha e a morte. Os adúlteros não herdarão o reino de Deus. Quem comete adultério está fora de si, e somente aqueles que querem destruir-se cometem tal loucura.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A DIFICULDADE DE SER SUPERDOTADO

Por trás de uma criança que vai mal na escola, é desinteressada e voltada para si mesma, pode haver uma inteligência privilegiada. Psiquiatras e psicólogos começam a compreender como essa superioridade na infância pode se tornar uma desvantagem

Julien quase não se envolve nas aulas, não faz lições e mostra pouco interesse por outras crianças. Ele assiste a distância a brincadeira dos colegas e jamais participa diretamente. Em casa, é considerado um menino “bom para nada”. Diante disso, a diretora da escola aconselha seus pais a consultar um pedopsiquiatra. No ambiente tranquilo do consultório, o médico conquista sua confiança e propõe-lhe problemas dissociados de qualquer conotação escolar. Nesses testes de inteligência, o menino obtém resultados excepcionais. Julien é superdotado, com quociente intelectual (Ql) próximo de 150, quando as outras crianças têm em torno de 100. Surge assim a questão, quantas crianças que fracassam na escola são superdotadas? É este paradoxo que abordaremos.

A diferença entre crianças precoces e superdotadas é simples: falamos em criança precoce quando seu QI é superior a 130 e em superdotada quando excede 145. Às vezes uma nuance é introduzida: a criança superdotada possui um dom que nem sempre é fácil de ser percebido, acompanhado de um comportamento extrovertido ou introvertido, ao passo que a precoce é identificada mais facilmente: ela fala mais cedo que a maioria, tem vocabulário rico, sintaxe correta, gosta de ler, é curiosa e tem sede de aprender.

As bases biológicas dessas inteligências são mal conhecidas, algumas características fisiológicas parecem presentes. Na Universidade de Lille, na França, Jean Claude Gaubar mostrou que o sono das crianças precoces comporta fases de sono paradoxal (o momento em que ocorrem os sonhos) mais longas. As fases de sono paradoxal são longas nos bebês de 9 a 10 meses, diminuindo nas crianças. Além disso, os movimentos dos olhos (nas fases de sono paradoxal) são quase duas vezes mais frequentes nos superdotados, uma característica de adultos. Essas particularidades refletiriam uma capacidade de organizar, durante essas fases do sono, as informações acumuladas durante a vigília.

No cotidiano, as crianças precoces ou superdotadas se distinguem por uma série de detalhes que, para qualquer um que já esteve com elas, dificilmente passam desapercebidos. Em primeiro lugar, desde o nascimento, os bebês são despertos, atentos e emotivos. Desde cedo eles fitam intensamente seus pais, manifestando uma atenção contínua. Quando crescem, os superdotados desenvolvem uma grande sensibilidade, informando-se de tudo o que ocorre ao seu redor. São atentos, empáticos (permeáveis aos sentimentos do outro, sentindo a alegria e a tristeza com mais intensidade) e lúcidos: desde os 2 ou 3 anos analisam e participam das conversas dos adultos, falando sobre temas da atualidade, por exemplo. Aos 6, uma criança superdotada pode compreender conceitos difíceis: enquanto uma criança “normal” define palavras como tampa, oceano ou perigo, a superdotada conhece o sentido de polêmica, insinuar ou apago. Seu senso de humor também costuma ser bastante vivo, sem contara elevada capacidade de adaptação: quando em outro país, contam rapidamente na moeda local, habituam-se às características da língua e se localizam facilmente nos lugares públicos.

Uma criança precoce ou superdotada costuma ler muito e gosta de aprimorar incessantemente um desenho que começou. Sua concentração é excepcional. Algumas tem um desenvolvimento motor avançado, aprendem a andar muito cedo, sabem coordenar os movimentos e desenham bem. Suas referências espaciais e temporais são aguçadas. A memória, a criatividade e a imaginação são muito desenvolvidas, assim como a flexibilidade do pensamento. Essas crianças se sentem atraídas por adultos ou crianças mais velhas. Tendem ainda a formular várias questões sobre o sentido da vida ou do Universo.

O DOM QUE UM FARDO

Essas descrições sugerem que as crianças superdotadas não experimentam nenhuma dificuldade. Entretanto, muitas vezes elas se encontram em situações em que são consideradas medíocres e pouco sociáveis, com desempenhos apenas passáveis. Quando adultas, podem se refugiar no mutismo ou na marginalidade. Tudo isso está relacionado a mecanismos psicológicos que iremos analisar.

Uma das características predominantes das crianças superdotadas é a lucidez, que se manifesta na facilidade com que compreendem, desde cedo, conceitos dos adultos. Voltadas para a abstração, são fascinadas pela ideia da morte. Diante de qualquer situação, percebem imediatamente os riscos, as possibilidades de fracasso ou de derrota. Essa consciência pode paralisá-las. Em vez de enfrentar um exame escolar, por exemplo, respondendo às questões umas após as outras, uma criança superdotada ou precoce analisa a todo instante os riscos ligados a uma resposta errada. É claro que muitos superdotados dominam essa angústia e obtêm resultados brilhantes. Entretanto, basta um pequeno grão de areia na engrenagem para que a criança se feche perigosamente em si mesma.

Retomemos ao caso de Julien. O medo de se sair mal era sem dúvida a razão de seus resultados ruins na escola. Com medo de ser avaliado por outras crianças, ele se distanciava. Suas verdadeiras capacidades intelectuais só se revelaram quando ficou à vontade com o psiquiatra e soube que os testes a que seria submetido não teriam nenhuma consequência. A obsessão do fracasso é geralmente a causa dos transtornos manifestados às vezes por crianças superdotadas. O problema é agravado em duas situações frequentes: a dislexia e os problemas motores.

Como ocorre em relação às outras crianças, de 8% a l0% das superdotadas são disléxicas, isto é, têm problemas para aprender a ler e escrever. Essas dificuldades, quando não detectadas, são prejudiciais a todas as crianças, mas nas superdotadas as consequências são desproporcionais. Para diagnosticar um caso de dislexia, utilizamos o chamado teste de inversão. A criança é apresentada a pares de signos (letras, formas geométricas, objetos) idênticos, diferentes ou invertidos. Geralmente no maternal, dispõe os objetos, classificando-os segundo as categorias, idêntico, diferente ou invertido. Se confunde as categorias é provavelmente disléxica, pois não tem a noção correta da orientação das letras, dos grupos de palavras ou dos sons.

Aos 5 ou 6 anos, a criança superdotada constata que compreende tudo, mas não tira boas notas. Ela sofre de um conflito entre sua lucidez (ela sabe o que se espera dela) e as notas baixas que recebe, não compreende por que não tem um bom desempenho. Assim, com uma imagem depreciada de si mesma, ela pode se fechar e perder interesse pelo que lhe é ensinado. Nessas crianças, vários sinais de sofrimento psicológico chamam a atenção: resultados escolares medíocres, ansiedade, depressão ou agravamento da dislexia. Além disso, a percepção que têm da justiça torna insuportável para elas as punições que consideram desmerecidas. Em consequência, fecham-se ainda mais na solidão.

O segundo fator que agrava o temor do fracasso é o surgimento de problemas motores ou de orientação espacial, que se manifesta por vezes desde os 3 anos. As crianças superdotadas podem, como quaisquer outras, experimentar atrasos no desenvolvimento da orientação espacial. Como são mais lúcidas, surge um conflito. Se o teste de QI não for analisado com discernimento, os resultados poderão ocultar a causa dos problemas. Assim, uma criança superdotada, mas que apresenta problemas de orientação espacial obterá excelentes resultados nas provas verbais e desastrosos nos testes de orientação em um labirinto. O resultado do teste, que leva em conta as duas notas, será medíocre, e ela será considerada de nível médio e tratada como tal, o que reforçará seu sentimento de injustiça.

Esses exemplos mostram que, numa criança superdotada, a distância entre a sua expectativa e o resultado obtido é capaz de levar a um impasse do qual ela dificilmente sairá. Isso explica o grande número de crianças muito inteligentes que fracassam na escola. Como isso ocorre?

A melhor forma de impedir esses fracassos consiste em diagnosticar a precocidade o mais cedo possível, tratando das dificuldades desde os primeiros sintomas. Um tratamento ortofônico para corrigir uma dislexia manifestada no final do maternal leva de 6 a 18 meses para surtir efeitos.

Para avaliar o atraso no desenvolvimento da orientação espacial comparamos os resultados obtidos nas provas de performance dos testes de QI (percepção do espaço, quebra­ cabeças e imagens complementares, identificação de códigos) e nas provas verbais. Se a distância entre o resultado da prova verbal e o do teste de performance geral for inferior a 10 pontos, será preciso observar melhor o desenvolvimento da criança para descobrir qualquer evolução desfavorável. Se a distância se situar entre 10 e 20 pontos, aconselha-se um acompanhamento psicomotor. Se for superior a 20 pontos, uma terapia familiar.

Na terapia familiar, os pais são atendidos junto com a criança, e a história da família é evocada. O objetivo é “dissolver” as inibições da criança, procurando o que lhe suscita o temor do fracasso. Nas que sofrem de problemas motores de orientação espacial, constatamos que receiam executar gestos cotidianos, como, por exemplo, amarrar os sapatos. Elas sabem que, se tentarem, se atrapalharão e serão alvo das chacotas dos colegas. Ao indagar os pais sobre essas questões simples, o psicoterapeuta constata que eles, muitas vezes, acentuam a falta de autonomia dos filhos ao tentarem ajudá-los. O psicoterapeuta deve ensinar a criança a reconquistar sua autonomia fazendo-a compreender a importância disso e aceitar a ideia do fracasso. Paralelamente, ela deve ser acompanhada por um especialista em psicomotricidade, que corrigirá seus movimentos e a ensinará a distinguir o lado direito do esquerdo. O terapeuta construirá referências espaciais por meio de desenhos e jogos.

ARMADILHAS DA PRECOCIDADE

As crianças superdotadas ou precoces correm um sério risco de desenvolver uma falsa personalidade ou, na linguagem dos psiquiatras, um falso eu. Qual a origem do risco? Quando depende excessivamente dos pais, a criança realiza esforços desmedidos para não provocá-lo novamente. O psicoterapeuta e os pais deverão propor-lhe uma série de atividades, para que escolha sem constrangimentos e sem que os pais expressem opiniões. Mas será preciso evitar que mude frequentemente de atividade, algo que poderia desestabilizá-la.

Essas armadilhas não significam, entretanto, que crianças superdotadas sejam eternas vítimas de sua inteligência superior. Muitas delas experimentam um desenvolvimento motor e psicológico harmonioso. Podem ajudar os outros no plano afetivo, técnico, artístico, esportivo ou cientifico. O principal risco é que, desde a pré-escola, elas se entendem nas aulas. A solução de um problema matemático pode parecer-lhes tão evidente que elas se recusarão a fornecer a demonstração. É aconselhável, no período do maternal, passar a criança para uma classe mais adiantada. Mas talvez seja melhor alimentar as capacidades lúdicas da criança, suas aspirações culturais ou esportivas, estimulando-a a manter oculta das suas faculdades intelectuais, geralmente mais vivas. Um diagnóstico sistemático do estado psicológico das crianças deveria ser feito antes dos 6 anos, no primeiro trimestre do maternal e durante o primeiro e segundo anos do 1º grau. Infelizmente, os pais dessas crianças recusam­ se a submetê-las a tais testes, temendo que sejam vistas como diferentes das outras. Esses testes, contudo, são indispensáveis para dar todas as oportunidades às crianças dotadas de um dom de dois gumes.

OUTROS OLHARES

LIMPEZA COM AS PRÓPRIAS MÃOS

A demora e inabilidade do governo federal para tomar decisões fazem com que a população tenha apenas uma alternativa para limpar o óleo que impregnou as praias do Nordeste: fazer o trabalho por si mesma

Desaparelhado e sem interesse para combater as manchas de óleo que se acumulam há 50 dias no litoral nordestino, o governo federal não deixou alternativa para a população a não ser cuidar do trabalho de descontaminação com as próprias mãos. No Cabo de Santo Agostinho, litoral sul de Pernambuco, por exemplo, a limpeza das praias passou a ser feita, sem qualquer coordenação, pelos próprios moradores, algo desaconselhável por apresentar sérios riscos à saúde. Em outros pontos do litoral acontece o mesmo. O problema ocorre porque em abril deste ano o presidente Jair Bolsonaro deu fim a dois comitês que integravam o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Água (PNC), que deveria ficar responsável pelos esforços de despoluição. Sem um plano de ação, restou a ação de voluntários apoiados pelas prefeituras locais. Na semana passada, com grande atraso, o presidente em exercício, Hamilton Mourão, destacou mais de quatro mil homens do Exército para ajudarem na limpeza.

A situação das praias exige pressa. Além das consequências ambientais imensuráveis causadas pelo óleo, cuja origem ainda não foi esclarecida, há também um forte impacto social na região, que ainda está sendo contabilizado. Muita gente precisa do mar para seu sustento. Há pescadores e comerciantes que vivem das praias, tanto para abastecer restaurantes locais como para dar conta do contingente de turistas que as visita. Um relatório preliminar da Bahia Pesca, órgão que fomenta a atividade no estado, prevê problemas sociais graves nas comunidades de pescadores. “A mariscagem será diretamente afetada nesses locais, visto que, com a presença de óleo, a recomendação é evitar a pesca e a comércio desses organismos”, informa. A Secretaria de Turismo da Bahia informou que “a exposição deste desastre não é boa para nenhum estado do Nordeste” e que já recolheu mais de 230 toneladas do produto nas praias. No total, o governo contabiliza mais de mil toneladas removidas. Teme-se que a região perca muitos visitantes no próximo verão.

POUCAS RESPOSTAS

Ainda não há explicações para o acúmulo de sujeira nas praias. O Ministério Público Federal notificou o governo federal para que o PNC fosse colocado em ação imediatamente. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ativou o plano apenas em 11 de outubro, mais de 40 dias após o primeiro registro de mancha. Na terça 22, Salles visitou a região afetada. “É o momento de trabalhar, recolher o óleo e dar o destino necessário. Lá na frente iremos aprofundar as causas desse acidente”, disse. Ele estava acompanhado de membros do Exército, que se tornou uma espécie de “pau para toda obra” que o governo emprega em situações de emergência.

A chegada das forças militares para cuidar da limpeza gerou estranheza. Em algumas praias, os soldados tentaram impedir que os cidadãos participassem da descontaminação, talvez como uma medida protocolar apenas, mas que deixou a impressão de que “queriam aparecer”. Na noite do dia 23, Salles se contradisse quanto à intenção de descobrir as causas do acidente. Ele afirmou que fez uma solicitação formal para a Organização dos Estados Americanos (OEA) para que a Venezuela se “manifeste oficialmente” sobre o ocorrido. A estatal PDVSA já negou envolvimento com o desastre. Parece que a preocupação é encontrar culpados e não dar soluções. E, enquanto isso, quem suja as mãos é o povo nordestino.

O PECADO ECOLÓGICO

Deus criou o mundo e deixou os seres humanos com a responsabilidade de protegê-lo

O Sínodo da Amazônia, encontro de bispos que acontece no Vaticano para discutir a situação ambiental, social e a ação da Igreja na região da floresta, deve formular uma questão preocupante para os católicos que destroem a natureza: o pecado ecológico. O tema ganhou força nos debates internos e está relacionado com a teologia da criação, em especial com a ideia de que Deus criou o mundo e deixou os seres humanos com a responsabilidade de protegê-lo. Um relatório divulgado pelo Sínodo afirma que “foi prenunciada uma conversão ecológica que faça perceber a gravidade do pecado contra o meio ambiente como um pecado contra Deus, contra o próximo e as futuras gerações”. O documento final do encontro dos bispos foi apresentado para votação sexta-feira 25.

GESTÃO E CARREIRA

BURNOUT BUSCA PELA ALTA PERFORMANCE PROFISSIONAL PODE FAZER VOCÊ QUEIMAR

A Síndrome de Burnout foi incluída na nova Classificação Internacional de Doenças (CID-11) pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A decisão da OMS ocorreu durante a assembleia mundial da organização deste ano, em Genebra, na Suíça, porém a inclusão oficialmente começa a valer em 2022. De acordo com dados divulgados pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho, a partir de estudos da Associação Internacional de Manejo do Estresse (Isma), no Brasil 72% das pessoas sofrem com estresse no trabalho e entre eles 32% têm burnout, também chamada de Síndrome do Esgotamento Profissional. Ela foi assim denominada pelo psicanalista alemão Herbert J. Freudenberger no início dos anos 1970. Burnout é definida como resultante do estresse crônico no local de trabalho e é caracterizada por três dimensões:

Sentimentos de exaustão ou esgotamento de energia;

Aumento do distanciamento mental do próprio trabalho, ou sentimentos de negativismo ou cinismo relacionados ao próprio trabalho;

Redução da eficácia profissional.

Os sintomas são variados, porém sempre envolvem nervosismo, sofrimentos psicológicos e problemas físicos. Existem estágios da síndrome que podem, ou não, ocorrer conjuntamente e eles são identificados por 12 características:

1. Necessidade de aprovação;

2. Excesso de trabalho;

3. Deixar as necessidades pessoais de lado;

4. Transferir os conflitos, ignorando seus problemas ou se sentindo ameaçado, nervoso ou em pânico;

5. Distorção de valores: somente o trabalho importa;

6. Negar que problemas estão surgindo;

7. Distanciar-se da vida social e procura formas rápidas de aliviar o estresse;

8. Mudanças comportamentais;

9. Perda de personalidade;

10. Vazio interior e, para superar isso, começa a dar atenção a atividades ou mesmo vícios que podem prejudicar a si mesmo;

11. Depressão;

12. Síndrome de Burnout com colapso mental e físico, que precisa ser acompanhado por um especialista.

O tratamento pode contemplar três esferas:

TERAPIA

Não há uma linha especifica, o importante é tratar as emoções e traçar estratégias para a melhoria da saúde mental e física. Exercícios de relaxamento são ótimos para controlar os sintomas.

REMÉDIOS

Remédios somente se forem necessários e sempre com acompanhamento médico.

NOVOS HÁBITOS

Procure um profissional para auxiliar a repensar seus hábitos e construir novos, mais saudáveis.

Igualmente importante será desenvolver a Resiliência. A capacidade de se recuperar ou se adaptar às mudanças pode ser desenvolvida e estimulada para aumentar a tolerância ao estresse.

Entenda que o desejo continuo por alta performance, em ser sempre o melhor, a competitividade exacerbada, a constante preocupação em demonstrar alto grau de desempenho, tudo isso pode estar escondendo algo mais profundo, como uma baixa autoestima ou fuga de sua vida pessoal. Reflita sobre e procure ajuda de um profissional capacitado para lidar com transtornos emocionais.

É importante saber que a síndrome de burnout não tratada pode resultar em estado de depressão profunda.

TIRLEY ALFONSO – é Personal & Professional Coaching pela Sociedade Brasileira de Coaching, com cursos de especialização e pós-graduação em psicologia, neurolinguística e terapia emocional

ALIMENTO DIÁRIO

QUANDO O CÉU INVADE A TERRA

CAPÍTULO 17 – O AVIVAMENTO PRESENTE

O que Deus planejou para a Igreja, para a hora presente, é muito mais do que possamos imaginar e orar. Temos de ter a ajuda do Espírito Santo para aprendermos acerca destes mistérios da Igreja e do Reino de Deus. Sem Ele não temos uma percepção adequada até mesmo para saber o que pedir em oração

Entender o que está por acontecer é importante, mas isso não nos capacita a planejar e estabelecer uma estratégia de um modo bastante eficiente. Pelo contrário, é importante compreender as promessas e os propósitos de Deus para a Igreja para que fiquemos desapontados com a nossa situação, para que tenhamos um enorme anseio para que as coisas mudem. E a intercessão que sai de um desejo insaciável moverá o coração de Deus mais do que qualquer outra coisa.

O Avivamento não é para desfalecer o coração. Ele traz medo a quem se conforma com a situação presente por causa dos riscos que o Avivamento requer. Aquele que é temeroso normalmente trabalha contra o mover de Deus – às vezes para a sua própria morte – mesmo pen- sando que está servindo ao Senhor. O engano que é propagado é que as mudanças trazidas pelo Avivamento são contrárias à fé dos que nos antecederam. Em consequência, definha-se a capacidade divina de criar, que fica limitada à difícil tarefa de preservação do que se tem. Os que têm medo tornam-se como que administradores de museus, em vez de construtores do Reino de Deus.

Há, porém, os que estão prontos para assumir quaisquer riscos. A fé dos que os precederam é considerada um valioso fundamento sobre o qual se deve construir. Eles têm um vislumbre do que poderá acontecer e não se satisfarão com nada menos. Mudanças não são ameaças, mas sim uma aventura. As revelações aumentam, as ideias multiplicam- se, e o esforço nesse sentido tem seu início.

“Certamente, o SENHOR Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o Seu segredo aos Seus servos, os profetas.” As ações de Deus na terra começam com uma revelação aos homens. O profeta ouve e declara o que ouviu. Os que têm ouvidos para ouvir respondem e são capacitados para a mudança.

Para que entendamos quem somos e quem devemos nos tornar, temos de ver a Jesus como Ele é. Temos que ver a diferença que há entre o Jesus que caminhava pelas ruas curando os enfermos e ressuscitando os mortos, e o Jesus que hoje reina sobre tudo. Por mais gloriosa que a Sua vida tenha sido na terra, isso foi no tempo antes da Cruz. O Cristianismo é a vida no tempo depois da ressurreição, depois da Cruz.

Esta mudança de enfoque virá nestes últimos dias. E tem de ocorrer para que nos tornemos conforme o propósito de Cristo para nós.

A religião (que é uma “formalidade sem poder”) cada vez mais será desprezada no coração daqueles que verdadeiramente pertencem ao Senhor. A revelação cria um forte desejo por Ele. O Espírito não vem desprovido de adereços. Não há um Espírito Santo de “classe econômica”. Ele vem completamente equipado. Ele está cheio de recursos, cheio de poder e cheio de glória. E Ele quer ser visto em nós tal como Ele é.

UM CONCEITO MAIOR

O poder de uma só palavra da boca do Senhor pode criar uma galáxia. Suas promessas para a Igreja ultrapassam toda compreensão. Muitos as consideram como sendo a promessa de Deus para o milênio ou para o Céu. Dizem que, ao se enfatizar o plano de Deus para hoje, em vez de para a eternidade, isso é algo que desonra o fato de Jesus ter ido preparar-nos lugar. Nossa predisposição para com uma Igreja fraca nos tem cegado às verdades da Palavra de Deus a nosso respeito.

Este problema tem sua raiz em nossa descrença, não em nosso desejo ardente pelo Céu. Jesus ensinou-nos a viver, ao declarar: “O Reino de Deus está próximo!” E uma realidade presente, que influi no dia de hoje.

Falta-nos muita compreensão de quem somos porque temos pouca revelação de quem Ele é. Sabemos bastante acerca da Sua vida na terra. Os Evangelhos estão repletos de informações sobre como Ele era, sobre como vivia, e sobre o que fez. Mas tudo isso não é um modelo para a Igreja. O que Ele é hoje, glorificado, sentado à direita do Pai, esse é o modelo para nós, o modelo que temos de buscar!

Considere a afirmação inicial deste capítulo: O que Deus planejou para a Igreja, para a hora presente, é muito mais do que possamos imaginar e orar. Estas palavras fazem com que alguns tenham o receio de que a Igreja saia do equilíbrio. Muitos dizem que temos que ter cuidado com res- peito à ênfase que damos sobre o que devemos nos tomar aqui e agora. Por quê? Para uma grande maioria tal cuidado resulta do medo de serem desapontados. Esse medo tem justificado a descrença, Mas o que de pior poderia nos acontecer por simplesmente buscarmos o que estaria reservado para a eternidade? Deus poderia dizer: “Não!” Cometemos, do lado de cá da eternidade, um grande erro ao pensarmos que podemos dizer o que está reservado para nós no Céu.

Devido ao fato de muitos terem medo dos excessos, a mediocridade é assumida como sendo uma postura equilibrada. Esse medo faz da complacência uma virtude. E é o medo dos excessos que possibilita que os resistentes às mudanças pareçam ter uma postura nobre. Excessos nunca foram a causa do término de um Avivamento. William De Arteaga afirma: “O Grande Avivamento não se extinguiu por causa de seus extremismos. Extinguiu-se por causa da reprovação feita por seus oponentes.” Diz ele ainda que “Divisões ocorrem sempre que o intelecto é entronizado como medida de espiritualidade, e não porque os dons espirituais são exercidos, como muitos acusam.” Não dou a mínima atenção às advertências quanto a possíveis excessos, quando partem daqueles que estão satisfeitos com a falta do poder de Deus.

Esta presente geração é uma geração de pessoas que assumem riscos. E nem todos os riscos assumidos serão considerados como fé real. Alguns virão à luz como atos de tolice e de presunção. Mas mesmo assim tais riscos têm de ser assumidos. De que outro modo aprenderíamos, a não ser com nossos próprios erros? Dê espaço em sua vida para os que assumem riscos. Eles o inspirarão ao que de mais grandioso acha-se disponível no serviço a um Grande Deus.

Os pescadores locais de dura cerviz dizem: “Se você não enrosca o cordame de pesca de vez em quando na vegetação das margens do rio, é porque você não está pescando em profundidade adequada.” Conquanto eu não queira dar honra alguma à presunção e ao erro, o que realmente desejo é aplaudir a postura de um grande entusiasmo e de agir com grande esforço, que muitos têm. Nossa obsessão pela perfeição é que tem causado algumas de nossas maiores falhas. Quando eu ia ensinar meus filhos a andarem de bicicleta, eu os levava para um parque gramado, em que havia bastante grama. Por quê? Porque eu não queria que eles se machucassem quando caíssem. Não era se eles caíssem.

O apego à perfeição tem dado lugar a um espírito de religiosidade. Aqueles que se recusam a dar um passo a mais para serem usados por Deus tornam-se os que criticam aqueles que se dispõem a isso. Aqueles que se arriscam, que são os que fazem palpitar o coração de Deus, tornam-se o alvo dos que nunca erram, uma vez que normalmente se retraem.

COMO A IGREJA EM BREVE SERÁ GLORIOSA…

O que se segue é uma lista parcial do que está mencionado nas Escrituras sobre o que ainda está por cumprir-se na Igreja. Jesus quer que nos tornemos maduros antes da Sua volta. Cada uma destas passagens nos dá um vislumbre profético da vontade de Deus para conosco no dia de hoje.

SABEDORIA DE DEUS “…para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais, segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus.” (Efésios 3:10-11)

A sabedoria tem que ser evidenciada por nós AGORA! Está bem claro que Deus pretende dar uma lição à esfera espiritual, com respeito à Sua sabedoria, através de nós.

Salomão foi o homem mais sábio que já existiu, além de Jesus, que é a Sabedoria personificada. A rainha de Sabá fez-lhe uma visita para conhecer de perto a sabedoria de Salomão. “Vendo, pois, a rainha de Sabá a sabedoria de Salomão e a casa que edificara, e a comida da sua mesa, o lugar dos seus oficiais, o serviço dos seus criados, e os trajes deles, seus copeiros, e os seus trajes, e o holocausto que oferecia na Casa do SENHOR, ficou como fora de si.” Ela reconheceu que a sabedoria dele era muito maior do que jamais havia imaginado. A extensão da sabedoria de Salomão foi identificada por três atributos: excelência, criatividade e integridade. Quando ela viu tudo isso com os próprios olhos, ela ficou fora de si!

A sabedoria de Deus será novamente vista pelo Seu povo. A Igreja, que atualmente tem sido desprezada ou, na melhor das hipóteses, ignorada, será novamente reverenciada e admirada. Ela novamente será exaltada na terra. Examinemos os três elementos da sabedoria de Salomão:

Excelência é o alto padrão para o que fazemos pelo fato de sermos quem somos. Deus é um Deus de abundância, mas não é esbanjador.

Um coração excelente diante de Deus pode parecer ser esbanjador para os de fora. Por exemplo: em Mateus 26:8 vemos Maria derramando em Jesus um unguento que custava o equivalente ao salário de um ano de trabalho. Os discípulos acharam que teria sido de muito mais valia se o unguento fosse vendido e o dinheiro dado aos pobres. Em 2 Samuel 6:14-16,23, o rei Davi humilhou-se perante o povo ao tirar suas vestes reais e dançar descontroladamente diante de Deus. Sua esposa, Mical, o desprezou por isso. Em consequência de seu desprezo ela não teve filhos até o dia da sua morte, seja por ter ficado estéril, seja por não manter relações com o seu marido, Davi. Foi uma trágica perda por causa do orgulho. Nas duas situações acima, os outros consideraram que as extravagantes ações desses adoradores eram um desperdício. Deus é bom. A excelência vem de se ter a visão a partir da perspectiva de Deus.

Ao buscarmos a excelência, tudo fazemos para glorificar a Deus, com todas as nossas forças. Um coração de excelência não dá espaço ao espírito de pobreza, que afeta muito do que fazemos.

Criatividade não se vê apenas na restauração das artes, mas é o que caracteriza o povo de Deus ao descobrir meios novos e melhores de fazer as coisas. É uma vergonha para a Igreja restringir-se à rotina do que é previsível, chamando a isso de tradição. Temos de revelar quem o nosso Pai é, fazendo isso através da criatividade.

A igreja erra muitas vezes por evitar a criatividade, em vista de que esta requer mudanças. A resistência à mudança é uma resistência à natureza de Deus. Por estarem soprando os ventos de mudança, é fácil distinguir aqueles que se acham satisfeitos dos que estão ávidos por coisas novas. Toda mudança traz à luz os segredos do coração. Esta Unção também produzirá novas invenções, descobertas na medicina e nas ciências, e novas ideias com respeito aos negócios e à educação. Novos sons musicais surgirão da Igreja, bem como outras formas de arte. A lista disso tudo é inumerável. O Céu é o limite. Disponha-se e crie!

Integridade é a expressão do carácter de Deus vista em nós. E este carácter é a santidade Dele. A santidade é a essência da natureza divina. Não é algo definido em função do que Ele faz, ou não faz. E o que Ele é. O mesmo se dá conosco. Somos santos porque a natureza de Deus está em nós. Ela começa com um coração separado para Deus, e manifesta-se através da natureza de Cristo que é vista em nós. Se mantivermos as mãos sujas da religião afastadas da bela expressão da santidade de Deus, as pessoas serão atraídas à Igreja, tal como eram atraídas a Jesus. A religião não é apenas algo maçante; ela é cruel. Ela sufoca todas as boas coisas. Já a verdadeira santidade é agradável e boa. A rainha de Sabá ficou de boca aberta diante da sabedoria de Salomão. Está na hora da sabedoria da Igreja fazer com que o mundo fique pasmado.

IGREJA GLORIOSA “…para a apresentar a Si mesmo igreja gloriosa.” (Efésios 5:27)

A intenção original de Deus para com a humanidade é vista na passagem: “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.” Éramos para viver na glória de Deus. Este foi o Seu objetivo, ao criar o homem. Mas o nosso pecado fez com que esse alvo não fosse alcançado.

A glória de Deus é a manifestação da presença de Jesus. Imagine o seguinte: as pessoas estando permanentemente conscientes da Presença de Deus, não em teoria, mas tendo a real presença Dele em sua vida!

Seremos uma Igreja na qual Jesus será visto em Sua glória! É a presença do Espírito Santo e a Unção que dominarão a vida do cristão. A Igreja brilhará com uma forte luz. “A glória desta última casa será maior do que a da primeira.”

NOIVA SEM MANCHA E SEM RUGAS “Para a apresentar a Si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível.” (Efésios 5:27)

Imagine em sua mente uma jovem, preparada para o casamento. Ela cuidou de si mesma, com uma alimentação correta e fazendo os exercícios necessários. Ela é inteligente e encontra-se bem emocionalmente, sentindo-se confiante e bem à vontade. Ao olhar para ela, você não teria como saber se alguma vez ela fez algo de errado. Em seu semblante não há evidências de culpa nem de vergonha. Ela conhece a graça e a exala em todo o tempo. De acordo com Apocalipse 19:7, ela já se aprontou. É isso que o romance faz. Como Larry Randolph escreveu, “é uma perversão querer que o noivo vista a noiva para o casamento.” A Igreja é que tem que se aprontar. Tudo o que é necessário para o casamento está disponível. A Igreja tem agora que fazer uso disso tudo.

Esta é uma descrição da Noiva de Cristo. Quando vemos quão grande Deus é, não temos dúvida de que ele terá sucesso em fazer com que isso ocorra. Paulo afirmou à igreja de Corinto que ele não queria ir de novo estar com eles até que a obediência deles fosse total. Assim é o coração de Deus para com a Igreja. Desse modo Jesus, Aquele que é Perfeito, voltará para aquela que não tem manchas, assim que constatar que a nossa obediência é total.

UNIDADE DA FÉ “Até que todos cheguemos à unidade da fé. (Efésios 4:13)

Isso que se chama “unidade da fé” é a fé que atua pelo amor, conforme Gálatas 5:6 menciona. O amor e a fé são as duas virtudes básicas da vida cristã.

A fé provém da Palavra de Deus, especificamente de uma Palavra nova que é falada. A fé é o que agrada a Deus. Ela é uma vigorosa confiança Nele como Abba, Pai. Ele apenas é a fonte de tal fé. Ela vem em decorrência do Senhor falar ao Seu povo. Unidade de fé significa ou- virmos a Sua voz juntos, demonstrando grandes proezas. É um estilo de vida, não apenas um conceito, como em ter unidade em nossas ideias sobre a fé. As proezas do Avivamento presente e do próximo serão maiores que todos os feitos da Igreja em toda a sua história. Mais de um bilhão de almas serão salvas. Estádios ficarão repletos de gente durante 24 horas por dia, durante vários dias, com milagres ocorrendo em quantidade inumerável: curas, conversões, ressurreições de mortos e libertações sem limite. Sem um pregador especial, sem um grande obreiro de milagres, apenas a Igreja sendo o que Deus a chamou para ser. E tudo será o resultado da unidade da fé.

CONHECIMENTO DA REVELAÇÃO DO FILHO “Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao CONHECIMENTO DO FILHO DE DEUS.” (Efésios 4:13)

O apóstolo João uma vez inclinou sua cabeça no peito de Jesus. Ele era chamado de o discípulo amado por Jesus. Lá pelo fim de sua vida, quando se achava na ilha de Patmos, ele viu de novo Jesus. Agora Jesus tinha uma aparência totalmente diferente de quando estava naquela ceia. Seu cabelo era branco como a alva lã, Seus olhos eram como chama de fogo, e seus pés eram como bronze polido. Deus considerou que esta revelação precisava estar num livro. E esse livro é o Apocalipse, que é a Revelação de Jesus Cristo. Toda a Igreja receberá uma nova revelação de Jesus Cristo, principalmente através desse livro. O que foi tão misterioso será compreendido. E esta revelação lançará a Igreja num processo de transformação sem igual a qualquer experiência anterior. Por quê? Porque quanto mais o virmos, mais nos tornaremos iguais a Ele!

Se a revelação de Jesus Cristo é o ponto central do livro de Apocalipse, temos então que admitir que, consequentemente, a nossa adoração a Ele tem de ser a nossa principal resposta. O aumento que está por acontecer na revelação, cada vez maior, de Jesus, estará em novas dimensões de adoração, em experiências com todos diante do trono de Deus.

UM HOMEM PERFEITO “Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, A HOMEM PERFEITO.” (Efésios 4:13)

Um atleta das olimpíadas jamais chegará a competir apenas por ter talento. Para isso é necessária a poderosa combinação de duas coisas: ter talento e dispor-se a desenvolver esse talento ao máximo possível por meio de uma severa disciplina. O versículo acima expressa uma figura da Igreja em seu processo de se tornar um homem perfeito. Está no singular, o que significa que todos nós temos que atuar como se fôssemos um. Todos os membros do Corpo de Cristo atuarão em perfeita coordenação e harmonia, completando cada um a função e os dons dos demais, agindo de acordo com as diretrizes dadas pela cabeça. Não se trata de uma promessa que se cumprirá na eternidade. Embora eu não creia que se refira a uma perfeição humana, creio que é uma maturidade em sua função, onde não há lugar para ciúmes, e que se desenvolverá à medida que a Presença de Deus tornar-se mais expressiva. Temos que aceitar que isto é possível porque foi o que Ele nos disse.

CHEIOS DE TODA A PLENITUDE DE DEUS “E conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais CHEIOS DE TODA A PLENITUDE DE DEUS.” (Efésios 3:19 – RC, SBTB)

Imagine uma casa com muitos quartos. Essa casa representa a nossa vida. Cada um dos quartos que permitimos que o amor de Deus toque fica cheio da Sua plenitude. Isso é uma ilustração do versículo acima. A Igreja conhecerá o amor de Deus por experiência. Isso vai além da nossa capacidade de compreender. Esse relacionamento íntimo de amor com Deus fará com que recebamos tudo que ele quis liberar, desde o princípio do tempo.

“Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo.” (Efésios 4:13 NVI)

O amor de Deus sendo sentido, e havendo a consequente plenitude do Espírito, é o que é necessário para nos levar à medida da estatura completa de Cristo: Jesus será visto tal como Ele é pela Igreja, assim como o Pai foi visto por Jesus.

DONS DO ESPÍRITO PLENAMENTE EXPRESSOS “E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do Meu Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos terão sonhos; e também do Meu Espírito derramarei sobre os Meus servos e as Minhas servas naqueles dias, e profetizarão.” (Atos 2:17-18 RC)

Essa passagem, que foi citada por Pedro de Joel 2, nunca foi completamente cumprida. Ela teve um cumprimento inicial em Atos 2, mas o seu alcance superava em muito o que aquela geração tinha condições de cumprir. Em primeiro lugar, toda a carne não foi envolvida naquele Avivamento. Mas isso ainda vai acontecer. No mover de Deus que está próximo as barreiras sociais serão quebradas, e também as econômicas, sexuais e de idade. O derramamento do Espírito na última geração tocará todas as nações da terra, liberando os dons do Espírito em plena medida, sobre e através do povo de Deus.

Em 1 Coríntios, nos capítulos 12 e 14, temos um maravilhoso ensino sobre a operação dos dons espirituais. Mas é muito mais do que isso. É uma revelação de um corpo de crentes que vivem na esfera do Espírito – o que é essencial para o ministério dos últimos dias. Essas “manifestações do Espírito Santo” os levarão às ruas da sua localidade. É lá que eles alcançarão todo o seu potencial.

Esta geração cumprirá o clamor de Moisés para serem profetas todos os que pertencem ao povo de Deus. Teremos a Unção de Elias no preparo do retorno do Senhor, do mesmo modo como João Batista no passado teve a Unção de Elias e preparou as pessoas para a chegada de Jesus.

OBRAS MAIORES “Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em Mim fará também as obras que Eu faço, e outras maiores fará, porque Eu vou para junto do Pai.” (João 14:12)

A profecia de Jesus de que nós faríamos obras maiores do que as Dele tem estimulado a Igreja a procurar algum sentido abstrato a esta afirmação tão simples. Muitos teólogos querem honrar as obras de Jesus, dizendo que elas são inatingíveis; mas isso é religiosidade, gerada pela descrença. Ignorar o que Jesus prometeu, sob o disfarce de estar honrando a Sua obra na terra não é algo que agrade a Deus. A declaração de Jesus não é tão difícil assim de entender. “Maiores” significa exatamente isso: “maiores”. E as obras a que Ele se referiu são os Sinais e Maravilhas que realizou. Não será um desserviço a Ele que uma geração O obedeça, indo além do que ele realizou. Jesus demonstrou-nos o que pode fazer uma pessoa que tenha o Espírito sem medida, E o que milhões poderiam fazer? Esse foi o Seu ponto, e tornou-se uma profecia Sua.

Este versículo muitas vezes é explicado de um modo incorreto quando se diz que ele se refere à quantidade de obras, e não à sua qualidade. Como é evidente, milhões de pessoas por certo superariam em obras a quantidade limitada que Jesus realizou, por serem em número tão grande. Mas isso distorce a intenção da declaração de Jesus. A palavra maiores é MEIZON no grego. Ela é encontrada 45 vezes no Novo Testamento, sendo sempre empregada com o sentido comparativo de qualidade, e não de quantidade.

VENHA O TEU REINO “Venha o Teu reino; faça-se a Tua vontade, assim na terra como no Céu.” (Mateus 6:10)

Ele não é o Pai do tipo que nos dá uma ordem para que peçamos alguma coisa mas que, ao mesmo tempo, não está totalmente interessado em nos atender em nosso pedido. Ele nos instrui a fazermos esta oração porque está em Seu coração atendê-la totalmente. As orações mais seguras que podem ser feitas são aquelas que Ele nos diz para fazermos. Suas respostas serão além do que pedimos ou pensamos. E elas são conforme o Seu poder que opera em nós.

Jesus disse que voltaria depois que o Evangelho do Reino fosse pregado em todo o mundo – quando então viria o fim. O entendimento atual do que significa pregar o Evangelho do Reino é pregar uma mensagem que leve o maior número possível de pessoas a se converte- rem. Mas o que pregar o Evangelho do Reino significou para Jesus? Todas as vezes em que Ele pregou e agiu, milagres aconteceram. A mensagem era uma declaração do Seu senhorio e domínio sobre todas as coisas, acompanhada de demonstrações de poder, mostrando que o Seu mundo estava invadindo o nosso mundo através de Sinais e Maravilhas.

Considere o que a Sua promessa significa: haverá uma geração de crentes que pregarão como Ele pregou, e que farão o que ele fez, em todas as nações do mundo, antes da sua vinda! Esta é uma promessa e tanto!

A presente realidade do Reino se manifestará e se realizará na vida diária do crente. O mundo do Espírito invadirá o nosso mundo toda vez que um cristão orar com fé. O senhorio de Jesus será visível, e a generosidade do Seu governo será sentida por todos. Conquanto a plena expressão do Seu Reino possa ser reservada para a eternidade, jamais entrou na mente de nós, cristãos, o que Deus gostaria de fazer no tempo de agora. É hora de explorarmos esta possibilidade.

A IGREJA EXPLOSIVA

Não seria maravilhoso ter igrejas tão explosivas no sobrenatural que teríamos que descobrir maneiras de contê-las um pouco? Foi isso que Paulo teve que fazer com a igreja de Corinto. Suas instruções com respeito aos dons espirituais foram dadas a pessoas que os tinham em tamanha abundância que foi necessário pôr uma certa ordem nas coisas. “Tudo, porém, seja feito com decência e ordem”. Não podemos pôr em ordem o que não temos. Tudo tem que ser feito antes de se estabelecer uma estrutura para que tudo se tome mais eficiente. Ter ordem em lugar de poder é uma substituição muito pobre a se fazer. Mas quando se tem muito poder, é necessário ter uma boa ordem. Somente nessa situação é que a ordem dará uma contribuição ao exercício do poder pela Igreja.

AMANDO AS PESSOAS, NÃO AS IDEIAS QUE ELAS TÊM

Ao discutir o presente mover de Deus com um irmão que acredita que os dons já cessaram desde o primeiro século, ele me disse que eu estava em erro devido à minha busca de um Evangelho de poder. Disse-me ainda que todos os milagres tiveram fim com a morte do último dos doze apóstolos. Ele chegou ainda a afirmar que os milagres de cura, os testemunhos de famílias restauradas, o novo zelo pelas Escrituras e o desejo ardente de testemunhar o amor de Deus provavelmente seriam obras do diabo. Disse-lhe então que o diabo dele era grande demais, e que o Deus dele era muito pequeno.

Para sentir-se à vontade diante da situação atual, a Igreja tem criado doutrinas que pretendem justificar a sua fraqueza. Alguns chegaram até mesmo a fazer com que as deficiências parecessem ser pontos fortes. Essas são doutrinas de demônios! Por mais que eu honre e ame as pessoas que creem dessa forma, não sinto o mínimo desejo de honrar essas tolices sem sentido.

Estaremos entre os mais miseráveis se pensarmos que já alcançamos a plenitude do que Deus pretendeu para a Sua Igreja aqui na terra. Toda a história da Igreja constrói-se com revelações parciais. Tudo o que aconteceu na Igreja nos últimos 2.000 anos foi inferior ao que a Igreja primitiva teve, e que se perdeu. Cada mover de Deus tem sido seguido por um outro mover, apenas para restaurar o que foi perdido e esquecido. E nós ainda não chegamos ao padrão que ela tinha atingido, e muito menos o suplantamos. Entretanto, nem mesmo a Igreja primitiva cumpriu plenamente o plano divino para o povo de Deus. Este privilégio foi reservado para os derradeiros. E o nosso destino.

Por mais maravilhosas que sejam as nossas raízes, elas são insuficientes. O que foi bom para ontem não o é para hoje. Insistir que fiquemos com as coisas pelas quais nossos pais lutaram é insultá-los. Todos eles se arriscaram indo em busca de algo totalmente novo em Deus. Não é que tudo tenha que mudar para fluir em nós o que Deus esteja dizendo e fazendo. O fato é que presumimos serem corretas muitas coisas que presentemente estão ocorrendo. Isso nos impede de ver as revelações ainda contidas nas Escrituras. Na realidade, o que consideramos ser a vida cristã normal está muito aquém do que Deus está por fazer. Nossos odres têm de mudar. E bem pouco do que agora conhecemos como vida cristã é que permanecerá sem alterações dentro dos próximos dez anos.

ALCANÇANDO O MÁXIMO

Jamais entrou em nossa cabeça o que Deus tem preparado para nós no tempo em que estamos aqui na terra. O que Ele pretende é algo grandioso. Em vez de nos limitarmos pela nossa imaginação e pela nossa experiência, forcemo-nos a ter um desejo cada vez mais forte pelas coisas que ainda não vimos. À medida que buscarmos com total desprendimento Àquele que tudo faz com abundância, descobriremos que o nosso maior problema é a resistência que se encontra em nossa própria mente. Mas a fé é superior. E está na hora de fazer com que o Senhor não se preocupe mais quanto a se Ele encontrará, ou não, fé na terra.

O Reino está aqui, agora! Ore por ele, busque-o em primeiro lugar, e receba-o como uma criança. Ele está ao nosso alcance.

UMA LIÇÃO FINAL DADA POR UMA CRIANÇA

Numa recente reunião realizada na costa norte da Califórnia, adentramos no sobrenatural num nível fora do comum, especialmente por ter sido algo que ocorreu na América do Norte. Pessoas com surdez, cegueira, artrite e muitas outras enfermidades foram curadas através da graça salvadora de Deus. Houve de 40 a 50 curas naquela reunião com cerca de 200 participantes, quando Jesus mais uma vez demonstrou o Seu domínio sobre todas as coisas.

Um impressionante milagre aconteceu a um menino de três anos, que se chamava Chris, e que tinha os pés tortos. Ele tinha até ferimentos na parte superior de seus pés, por se esfregarem em suas tentativas de andar. Quando os irmãos foram liberados para orar pelos enfermos, vários da nossa equipe posicionaram-se em torno daquela criança. Deus imediatamente começou a tocar nele. Quando terminaram de orar, colocaram-no no chão, de pé. Pela primeira vez em sua vida seus pés se posicionaram direitinho sobre o piso! Ele arregalou os olhos, totalmente espantado com o que via em seus pés. Ele agachou- se e tocou nas feridas. Um de seus amiguinhos lhe disse: “Corra!”

De repente ele deu um pulo e correu num círculo, exclamando: “Eu posso correr!” Não é preciso nem dizer o quão grande foi a alegria de todos ali naquela noite.

Voltamos para casa e fomos ver o vídeo que tinha sido gravado na reunião. Vimos a gravação várias vezes. Ficamos tão entusiasmados com aquele milagre que levou um certo tempo para notarmos que Chris, naquela hora, estava tentando nos dizer alguma coisa. Minha es- posa, que na hora estava segurando a câmara, tinha lhe perguntado:

  • O que aconteceu com você? Olhando para a câmara, ele respondeu:
  • Jesus, grande! Jesus, grande!

Em nosso entusiasmo, inconscientemente mudamos de assunto e lhe perguntamos como estavam os seus pés. As pessoas que presenciaram o milagre nos deram os detalhes.

Mas quando vimos a gravação, ouvimos o testemunho do menino: “Jesus, grande! Jesus, grande!” De uma coisa estamos certos: de que ele teve um encontro com Jesus, que veio até ele e o curou.

CONCLUSÃO

Esta história, tal como todas as demais contidas neste livro, é sobre a bondade de Deus. É o testemunho de Jesus. O livro do Apocalipse revela este princípio: “O testemunho de Jesus é o espírito da profecia.” Um testemunho faz uma profecia sobre o que ainda é possível. Declara que um outro milagre agora é possível. Revela, a todos que queiram ver, a natureza de Deus e como é a Sua aliança conosco. O Senhor apenas espera por alguém que acrescente sua fé ao testemunho dado. Por não fazer discriminação de pessoas, Ele fará por você o que fez pelos outros. Por ser Ele o mesmo hoje, ontem e eternamente, o Seu desejo é fazer hoje o que Ele fez há tanto tempo.

Duas semanas depois do milagre que ocorreu em Chris, exibi para a nossa igreja o seu vídeo. Todos ficaram entusiasmados. No dia seguinte, dois de nossos jovens foram até um shopping center e viram uma senhora de certa idade que usava uma bengala. Quando eles perguntaram se poderiam orar por ela, a mulher não se mostrou interessada, até que ouviu a história de Chris. O testemunho dele foi uma profecia da bondade de Deus para ela, e ela desejou então ardentemente que orassem. Ao imporem mãos sobre ela, o tumor que havia no seu joelho desapareceu. Através de uma palavra de conhecimento, eles a informaram que Deus estava também curando as suas costas. Quando ela tocou nas costas, ela viu que o tumor – a respeito do qual ela não havia dito nada a eles – tinha desaparecido também!

Num outro domingo, ensinei sobre o poder do testemunho, e usei a história de Chris como ilustração. Havia uma família que nos visitava, vindo de Montana, e que tinha um problema semelhante. Sua filhinha tinha os pés virados para dentro num angulo de 45 graus, fazendo com que ela tropeçasse nos próprios pés quando corria. Quando sua mãe ouviu o testemunho de Jesus curando o menino de pés tortos, ela disse em seu coração: “Vou assumir isso para a minha filha!” Depois do culto ela foi buscar a filha em nossa sala de crianças e descobriu que os pés da menina estavam perfeitamente retos! O testemunho profetizou, a mãe acreditou, e sua filha foi curada. A invasão do Céu continua, e vai continuar, sem parar!

“Para que se aumente o Seu governo, e venha paz sem fim.” (Isaías 9:7)

“O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do Seu Cristo, e Ele reinará pelos séculos dos séculos.” (Apocalipse 11:15)

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

DESCANSAR PARA NÃO ADOECER

É quase impossível evitar que as pressões do cotidiano causem problemas de saúde, muitas vezes graves; felizmente podemos diminuir os efeitos negativos, em vez de esperar por alguns dias de férias uma ou duas vezes por ano

Quase todo mundo vive esgotado. E, inevitavelmente, uma hora ou outra, as pessoas constatam o inevitável: as próprias energias estão se esgotando. O que parecia apenas sinal de cansaço muitas vezes se transforma em lapsos de memória e irritação. Nos casos graves de exaustão aparecem sintomas como enxaqueca, dor nas costas e no estômago (e em alguns casos até úlcera), queda acentuada de cabelos e síndrome do intestino irritável. Por trás do desconforto físico está aquela conhecida palavrinha: estresse. Muita gente, porém, ainda torce o nariz quando algum médico ou psicólogo cogita esse diagnóstico. Mas há um fato que não se pode negar: o esgotamento mental está associado a muitos problemas que atacam os órgãos ou regiões específicas do corpo.

Não é segredo que a natureza dotou nossos antepassados pré-históricos com uma ferramenta para ajudá-los a enfrentar ameaças: um sistema rápido de ativação capaz de aguçar a atenção, acelerar as batidas do coração, dilatar os vasos sanguíneos e preparar os músculos para lutar ou fugir de um predador que invadia a caverna. Porém, nós, os humanos modernos, estamos constantemente sujeitos ao estresse decorrente do estilo de vida contemporâneo: excesso de trabalho, barulho, pressão social, doenças físicas e desafios intelectuais. Como resultado, muitos órgãos de nosso corpo são atingidos por uma descarga implacável de sinais de alarme que podem danificá-los e nos fazer adoecer.

Apesar das mudanças no estilo de vida, nosso sistema cerebral ainda excita rapidamente o coração, os pulmões e outros órgãos, preparando-nos para enfrentar o perigo ou fugir dele. Afinal, hoje não são as feras que nos incomodam, mas o trânsito caótico, a sobrecarga de tarefas e informações, a rotina de trabalho, os desgovernos da política, o risco de violência e tantas outras ameaças. Isso sem falar no cansaço emocional inerente aos relacionamentos e nas autocobranças e inseguranças que nos desgastam tanto. Quando enfrentamos estressores da vida moderna, o sistema pode bombardear o corpo com sinais de alarme, capazes de comprometer nossa saúde.

Quando os sentidos como visão, audição, ou mesmo os pensamentos, indicam estresse, o hipotálamo inicia uma reação em cadeia, que envolve a amígdala e as glândulas pituitárias e adrenais, conduzida por impulsos nervosos e uma cascata de hormônios, entre eles o CRH, o ACHT e os glucocorticoides. Cientistas têm se esforçado para determinar exatamente quais células receptoras no cérebro e nas glândulas propagam os sinais de esgotamento, e poderão criar drogas específicas para interferir nesse processo, poupando os órgãos do esforço que o estresse provoca.

O sistema de resposta do organismo produz feedback positivo para fortalecer a própria ação do estresse quando necessário, mas, se situações de tensão ocorrem constantemente (não raro em várias ocasiões por dia), há um acúmulo que pode tornar-se perigosamente intenso. Apropriada ou não, a reação depende, em grande parte, das células que encobrem a glândula pituitária. O CRH envia sinais para essas células por meio de moléculas receptoras tipo 1 na membrana celular. Há alguns anos, os pesquisadores do Instituto Salk e do Instituto Max Planck de Psiquiatria em Munique criaram camundongos nos quais receptores tipo 1 estavam ausentes. Mesmo quando expostos várias vezes a situações estressantes, os níveis sanguíneos de certos hormônios do estresse desses animais nunca se elevaram acima do normal. Eles sentiam-se obviamente menos estressados. É possível que drogas capazes de suprimir os efeitos do CRH nesses receptores possam, também, reduzir os níveis de estresse.

Conhecimentos mais recentes acerca do funcionamento do cérebro oferecem fortes indícios de como a tensão pode nos fazer adoecer e como neutralizar seus efeitos. Seja para um roedor, seja para uma pessoa, qualquer ativação do sistema de estresse é um evento extraordinário – e no momento em que a emergência termina, o sistema deve ser rapidamente desligado, de modo que os órgãos afetados possam se recuperar. Contudo, quando circunstâncias externas estimulam o sistema de estresse repetidamente, ele nunca deixa de reagir, e os órgãos nunca conseguem relaxar. Tal tensão crônica torna muitos tecidos vulneráveis a danos.

LIMITE DELICADO

Mas nem toda reação é igual. Certo nível básico, chamado estresse positivo, é até desejável, porque nos mantém física e mentalmente prontos para agir bem. Porém, quando estamos em risco? Não há resposta consensual a essa pergunta. Não sabemos quanto barulho no ambiente de trabalho ou quantos relacionamentos rompidos nosso sistema de estresse pode suportar. Embora já não enfrentemos o animal faminto na caverna, podemos ter de nos defrontar com dilemas igualmente terríveis, envolvendo diversos estressores mais insidiosos que estão sempre nos agredindo. Então, o que fazer para diminuir a carga que pode nos prejudicar de forma tão grave?

Cada vez mais, psicólogos e médicos alertam para uma providência aparentemente simples, mas que pode fazer grande diferença para o bem-estar físico e mental: criar “brechas de prazer” na rotina, em vez de apenas aguardar, ansiosamente, pelas férias anuais. Ao praticar com frequência atividades prazerosas, de preferência que envolvam movimento ou relaxa- mento do corpo – como caminhadas, esporte, dança, meditação ou massagem –, criamos válvulas de escape para a tensão, ajudando o sistema cerebral a “descansar”. E assim ganhamos fôlego para aguardar as merecidas férias.

O CÉREBRO SOBRECARREGADO

Um conglomerado de neurônios no tronco encefálico, denominado locus ceruleus, coordena o “braço curto” do sistema de estresse ao longo de múltiplos caminhos neurais. Ele ativa o hipotálamo, que contata as fibras nervosas autônomas no tronco encefálico. Outros neurônios do locus ceruleus acionam diretamente as reações de estresse em órgãos e glândulas através das fibras autônomas que se estendem pelo corpo. Ao enviar seus alertas, o locus ceruleus obtém sinais emocionais da amígdala e da estria terminal, que alcançam também o hipotálamo. Ansiedade constante, medo ou agressão frequentes podem estimular os nervos interminavelmente, sobrecarregando o cérebro e o corpo.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

EFEITOS TERAPÊUTICOS DO RISO

Nada como uma boa crise de riso – dessas que deixam os olhos úmidos e a alma leve – para diminuir a tensão. Segundo o filósofo iluminista Immanuel Kant (1724-1804), apenas três coisas podem realmente fortalecer o homem contra as tribulações da vida: a esperança, o sono e o riso.

Encarar a vida com bom humor fortalece a mente e o corpo, tornando-nos mais aptos para enfrentar situações de crise; uma boa gargalhada causa relaxamento, com a liberação de endorfinas na corrente sanguínea.

De forma intuitiva, a maioria das pessoas concorda mesmo que rir pode fazer bem. E recentemente essa percepção está sendo cientificamente comprovada. Embora por muito tempo cientistas tenham enfrentado o desafio de estabelecer a relação entre diversão e saúde, várias descobertas encorajadoras recentes fazem com que psicólogos e médicos passem a considerar o senso de humor como proteção importante contra doenças físicas e psíquicas, além de, em muitos casos, ajudar a curá-las.

O RISO FAZ BEM PARA A SAÚDE

Na Antiguidade, Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.) já via no riso “um exercício corporal de grande valor para a saúde”. Esse reconhecimento geral ainda existe – ainda que os cientistas admitam não saber muito bem como esses benefícios ocorrem e seja difícil comprovar a relação entre diversão e saúde.

O principal empecilho para conhecer mais sobre o assunto é o fato de que as consequências mensuráveis da gargalhada, por exemplo, duram pouco mais que alguns segundos. Os efeitos agudos que se seguem ao riso assemelham-se a sua manifestação física – os músculos contraem-se, os batimentos cardíacos aceleram-se e aumentam a pressão sanguínea, a frequência respiratória e a conversão de oxigênio.

Há mais de 50 anos, testes psicológicos indicaram que o tônus muscular continua reduzido até 45 minutos após o riso. Ou seja: o corpo permanece relaxado. Sabe-se também que a concentração do hormônio do estresse, o cortisol, no sangue é reduzida quando as pessoas estão alegres. Como um nível sempre elevado de cortisol comprovadamente enfraquece a defesa imunológica, é possível considerar que a alegria protege contra doenças. A sensibilidade à dor também é reduzida.

Isso pode ser atribuído à liberação de endorfinas, que desencadeiam sentimentos de prazer no cérebro, bloqueando a transmissão de estímulos dolorosos. Mas pouco tempo depois tudo volta a ser como antes – pelo menos até que surja o próximo ataque de alegria. Mais recentemente, pesquisadores da Universidade de Osaka, no Japão, registraram valores reduzidos da mensageira cromogranina A (CgA) na saliva de pessoas que haviam visto um filme engraçado, em comparação com observadores de um vídeo neutro.

A CgA é liberada principalmente pela medula suprarrenal quando o sistema nervoso vegetativo entra em colapso. Ao que tudo indica, a divertida comédia antagonizou esse processo. Outros estudos, no entanto, não puderam comprovar a influência do riso sobre a reação hormonal ao estresse.

Um motivo possível da falta de conclusão é o fato de as formas de humor serem extremamente variadas – da leitura de um gibi ou audição de um gracejo, passando pela autoironia, sarcasmo, jogo de palavras, riso ou tiradas cômicas por embaraço, inveja ou malícia, até cenas ao estilo de o Gordo e o Magro. Estudiosos do humor, também chamados gelotólogos (do grego gelos – riso), diferenciam até 2.500 dessas expressões. Muitas delas realmente nos divertem ou provocam um leve sorriso, mas não é preciso necessariamente rir em voz alta

PIADA SEM GRAÇA

Por outro lado, nem todo riso implica humor. O psicólogo Robert Provine, da Universidade de Maryland, em Baltimore, Estados Unidos, descobriu que apenas uma em cada cinco das 20 risadas que um adulto dá, em média, em um dia, tem base humorística. A maior parte desses risos mudos e das risadas discretas transmite mensagens como concordância e simpatia, expressam empatia e identificação ou disfarça agressividade, irritação ou tédio e exclui outras pessoas.

Assim, em relação a efeitos medicinais, deve-se diferenciar mais detalhadamente o riso e o humor. Este último indica principalmente um desempenho mental, a capacidade de enxergar situações ou pessoas de formas bastante específicas. Consequentemente, vários pesquisadores buscam a chave para os benefícios da piada mais no pensamento do que nas reações psicológicas imediatas.

OUTROS OLHARES

OUTROS OLHARES

UM SÓBRIO RECUO

Em dez anos o consumo de álcool na Rússia caiu quase 40%, com relevantes mudanças de hábito – é um sucesso parcial que pode ser replicado no Brasil

Na Rússia, a vodca foi sempre uma religião, um regime político e um estado de espírito –   além de, ou especialmente, um problema de saúde pública. Em meados dos anos 2000, a expectativa de vida média dos russos era de apenas 60 anos, próxima à do Haiti, resultado atribuído, sobretudo, ao descontrolado consumo de álcool. Melhorou um pouco, hoje chega a 72 anos – dado estatístico espremido entre Bangladesh e Venezuela. No Brasil, vive-se até os 75 anos. Em Hong Kong e Japão, os líderes de sobrevivência, o pico final é de 84 anos.

O desfilado à base de cereais ultrapassava todas as barreiras ideológicas – o derradeiro czar, Nicolau II, vangloriava-se de encher a cara; Stalin escolhia seus mais próximos assessores depois de maratonas noturnas nas quais era proibido pousar os copos na mesa. Mikhail Gorbachev deu de aplicar a perestroika aos beberrões, movimento que acelerou o colapso do comunismo: em 1985, ele restringiu a venda de bebida alcoólica aos trabalhadores, que abandonavam as linhas de montagem com muita frequência e precocemente. Como os impostos sobre a vodca representavam um quarto de todo o Orçamento soviético, o resultado foi uma queda acelerada nas receitas do governo. O Kremlin tentou tapar buraco imprimindo mais dinheiro, atalho para a hiperinflação e a crise final dos filhos de Lênin. Veio o rosto vermelhão e inchado de Boris Ieltsin, e vachez doróvie, “à sua saúde”, quase uma contradição em termos.

Quem teria coragem de mexer com a vodca? O czar moderno Vladimir Putin teve – e, dizem as más línguas, ele não bebe. A novidade: um recente levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou o improvável: de 2005 a 2016, o consumo de álcool per capita caiu de 18,7 litros para 11,7 litros anuais, uma subtração de quase 40%. A diferença é do tamanho da ingestão alcoólica dos brasileiros, atualmente na casa dos 7,8 litros a cada doze meses. Mas, afinal de contas, qual foi o milagre? Políticas de governo destinadas a alterar os hábitos. A Rússia definiu um preço mínimo lá em cima para a vodca e outros destilados, como acontece com o cigarro no Brasil. Aumentou gradativamente o imposto sobre bebidas alcoólicas. Proibiu o consumo de álcool na rua e a venda entre as 23 e as 8 horas e determinou restrições de publicidade e propaganda. Deu certo, especialmente com a vodca – mas em grau menor com a cerveja e o vinho. Ressalve-se que até 2013 a cerveja nem era considerada bebida alcoólica na Rússia, condição que a fez popularíssima e, como consequência, perigosa.

O movimento russo, bem-sucedido, impõe uma indagação: funcionaria no Brasil? Em parte, sim, e há bons exemplos. A Lei Seca imposta aos motoristas a partir de 2008 evitou pelo menos 41.000 mortes no trânsito ao longo de dez anos, com queda de 15% no número de fatalidades. Numa boa repercussão paralela, o consumo per capita de bebida no cotidiano também caiu, 11%. “Em comparação com a Rússia, nossas iniciativas são menos robustas, mas igualmente positivas e definitivas”, diz o psiquiatra Arthur Guerra, presidente do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool. Para Pedro de Paula, diretor da Vital Strategies Brasil, organização privada de apoio a estruturas governamentais, “limitar a oferta e dificultar o acesso são iniciativas comprovadamente eficazes”. Sem dúvida, porém a atenção precisa ser permanente – houve, sim, queda no consumo contumaz de álcool no Brasil, mas nos últimos seis anos aumentou em assustadores 53% o hábito de beber pesado de maneira episódica, comum entre os jovens, notícia especialmente preocupante, que pede sobriedade.

GESTÃO E CARREIRA

A MODA DA ROUPA HI-TECH

Empresas do setor têxtil, como a Rhodia e a americana Ministry of Supply, aceleram o desenvolvimento de tecidos recicláveis, biodegradáveis e inteligentes, que não amassam e até controlam a temperatura do corpo. É o futuro da indústria fashion

Não deforma, não tem cheiro e não amassa – e a matéria-prima vem de resíduos industriais. O que antes era restrito aos astronautas e aos filmes de ficção científica começa a se tornar realidade no mundo real. Empresas do setor têxtil estão acelerando o desenvolvimento de materiais de última geração, que não amassam e são capazes até de regular a temperatura do corpo. Isso tem sido possível graças aos “blends”, tecidos que misturam fibras naturais com nanotecnologia. Um dos mais recentes exemplos é o lançamento da fibra Amni Dynamic, que combina fios de poliamida e algodão para secar duas vezes mais rápido do que as fibras sintéticas comuns, e o Amni Soul Cycle, feito a partir de matéria-prima reciclável e biodegradável. Com investimento de R$ 5 milhões e três anos de pesquisa pela Rhodia, do grupo Solvay, o segundo projeto foi costurado em parceria com a Lupo, uma das maiores empresas de “underware”.

O novo tecido promete fazer o fio enrugar menos quando usado no produto final, com o benefício de conter agentes antimicrobianos que afastam o mau cheiro. Além disso, o fio possui características que economizam água e energia no processo produtivo das malharias e tecelagens. “Os ganhos principais estão relacionados à sustentabilidade, tanto do ponto de vista da produção dos nossos clientes diretos, que ganharão mais produtividade em seu processo, com menor consumo de energia e outros insumos, quanto para os consumidores finais dos seus produtos, que terão um artigo têxtil criado com uma produção sustentável”, diz o CEO Renato Boaventura.

Além da Lupo, os fios hi-tech da Rhodia têm sido utilizados por malharias e tecelagens para fabricação de produtos “seamless” (peças sem costura) e meias. A nova poliamida (náilon) da Rhodia está praticamente em todos os segmentos da indústria do vestuário, segundo Boaventura: moda, lingerie e moda íntima, underwear, moda praia, esportiva, fitness, meias, uniformes escolares, acessórios, calçados e outras aplicações. A empresa afirma que marcas como Carmin, Fit e Le Lis Blanc já utilizam esses tecidos em larga escala. “Desde a ideia inicial até o fio ou fibra têxtil chegar às malharias e tecelagens, leva-se em média cerca de quatro anos”, completa Boaventura.

Assim como a Rhodia, a startup americana Ministry of Supply, do indiano Gihan Amarasiriwardena, aposta que o futuro da moda está diretamente relacionado à tecnologia. A empresa decidiu provar a capacidade das peças de sua grife, de modo que elas não sofressem alterações na forma e umidade em condições adversas. “Ainda que os tecidos puros sejam sinônimos de elegância, muitas vezes não resistem ao entra e sai das malas de viagens, reuniões, suor do dia a dia ou até mesmo à falta de um ferro a vapor”, diz Amarasiriwardena.

O empresário conseguiu desenvolver peças a partir de adaptações de tecnologias criadas pela Nasa para vestuário de astronautas. Foi da agência espacial americana que saiu a solução denominada PCMs (sigla em inglês para materiais de mudança de fase), inicialmente usados nas luvas de suas tripulações. Esses materiais respondem, por meio de um tratamento químico na fibra, tanto ao esfriamento quanto ao aquecimento do corpo.

A jogada de marketing do empresário aumentou as vendas das peças que se ajustam à temperatura do corpo, que são à prova de suor e amasso. Ex-aluno do Massachussetts Institute of Technology (MIT), ele teve seu nome registrado no famoso livro dos records, o Guinness Book, por ter concluído a meia maratona de Nova York, vestindo terno e gravata com seu tecido, dentro de 1 hora, 22 minutos e 15 segundos. Atualmente, a patente da inovação pertence à americana Outlast Technologies, que comprou os direitos sobre a pesquisa ainda nos anos 1980 e hoje revende a tecnologia para grandes marcas esportivas e de vestuário. Dados da Organização Mundial do Comércio mostram que o setor têxtil e de confecção mundial movimentou US$ 744 bilhões em 2018, com previsão de aumento para US$ 851 bilhões em 2020. O Brasil detém a quinta maior indústria têxtil do mundo.

ALIMENTO DIÁRIO

QUANDO O CÉU INVADE A TERRA

CAPÍTULO 16 – INFILTRADONOS NO SISTEMA

“A que é semelhante o reino de Deus, e a que o com pararei? É semelhante ao fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado.” (Lucas 13:20-21 – n v i)

Um dia preguei sobre esta passagem numa pequena conferência para pastores num país da Europa. O título da mensagem foi: “O Poder Infiltrativo do Reino de Deus “. De forma muito   semelhante à luz que faz com que as coisas sejam vistas, ou ao sal que preserva, o fermento influencia tudo o que está ao seu alcance de um modo sutil mas muito poderoso. Assim acontece com o reino de Deus. Falei então sobre algumas estratégias de ordem prática que tínhamos usado, como igreja, para infiltrarmo-nos com a causa de Cristo no sistema social de nossa região.

Tínhamos um rapaz em nossa igreja que estava enfrentando um processo no tribunal de justiça. Ele havia passado algum tempo em prisão, e corria o risco de receber uma sentença de 20 anos. Ele tinha cometido o crime antes de sua recente conversão. Tanto o juiz como o promotor público reconheceram que a vida daquele jovem havia se transformado por Deus. Mas queriam uma certa dose de justiça pelo crime praticado. Assim ele foi sentenciado a seis meses de prisão numa casa de prisão temporária. No domingo anterior à sua ida para aquela casa impusemos mãos sobre ele, enviando-o como nosso missionário a um campo para o qual nenhum de nós poderia ir. Como resultado dessa infiltração, mais de sessenta, dentre os 110 que estavam na prisão, confessaram Cristo no prazo de um ano.

Em seguida à minha mensagem aos pastores, vários líderes reuniram-se para discutir os conceitos que eu tinha apresentado. Eles saíram da sua reunião fechada e informaram-me de que eu estava incorrendo num erro. “O fermento sempre se refere ao pecado” – disseram eles -“e essa parábola mostra que a Igreja será totalmente contaminada pelo pecado e com a permissividade nos últimos dias.” Eles viam a parábola como uma advertência, não como uma promessa. Embora não queira desonrar meus irmãos, rejeito essa sua posição, pois ela nos desarma e nos desvia do verdadeiro desejo de Cristo: que tenhamos um grande triunfo. O erro que meus irmãos cometeram tem dois aspectos:

1. Eles confundiram a Igreja com o Reino. Não são a mesma coisa. A Igreja é para viver na esfera do domínio do rei, mas em si mesma não é o Reino. Se o pecado de fato contamina a Igreja, o Reino é a esfera que está sob o domínio pleno de Deus. O pecado não pode penetrar e afetar essa esfera.

2. Sua predisposição para ver uma Igreja fraca e em conflito nestes últimos dias tem dificultado que se veja a promessa de Deus de um avivamento. É impossível ter fé quando não se tem esperança. Tais formas de entender as Escrituras têm enfraquecido a Igreja.

É A NOSSA VEZ

Sem uma revelação sobre o que Deus pretende fazer com a Sua Igreja, não podemos mover-nos numa fé de conquistas, de vitórias. Quando o principal alvo da nossa fé é manter-nos em segurança em relação ao diabo, a nossa fé toma-se inferior ao que Deus pretendia. Jesus tinha em mente muito mais para nós do que um avivamento. Somos destinados à vitória.

Cada conversão despoja o inferno. Cada milagre destrói as obras do diabo. Todo encontro com Deus é uma invasão do Todo-Poderoso em nossa condição desesperadora. Esta é a nossa alegria.

A chama original do Pentecostes, o próprio Espírito Santo, queima em minha alma. Tenho uma promessa de Deus. Faço parte de um grupo de pessoas destinadas a obras maiores do que as realizadas por Jesus em seu ministério terreno. Por que é tão difícil ver a Igreja com uma significativa influência nos últimos dias? Foi Deus quem determinou que a noiva deveria ser sem manchas e sem rugas. Foi Deus quem declarou: “Eis que as trevas cobrem a terra, e a escuridão, os povos; mas sobre ti aparece resplendente o SENHOR, e a Sua glória se vê sobre ti.” Foi Deus quem chamou a nós, Sua Igreja, de vencedores.

A parábola do fermento é uma figura da influência sutil, mas arrasadora, do Reino em qualquer ambiente em que ele seja colocado. Nestes dias, Deus planejou colocar-nos nas situações mais tenebrosas, para demonstrar o Seu domínio.

Um joalheiro muitas vezes põe um diamante numa peça de fundo escuro. O brilho da pedra torna-se mais forte desse modo. Assim acontece com a Igreja. O ambiente escuro das circunstâncias mundanas torna-se o pano de fundo de onde Ele faz Sua gloriosa Igreja manifestar-se! “Onde abundou o pecado, superabundou a graça.”

Como exemplos do princípio de se infiltrar num sistema de trevas deste mundo, vamos considerar dois heróis do Antigo Testamento que têm uma revelação profética a dar para a Igreja vencedora dos dias de hoje.

DANIEL COMO FERMENTO

Daniel provavelmente estava com seus quinze anos quando se inicia a sua história. Ele foi tomado de sua família, fizeram dele um eunuco e o puseram no exílio a serviço do rei. Ele, ao lado de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, foram escolhidos por serem “jovens sem nenhum defeito, de boa aparência, instruídos em toda a sabedoria, doutos em ciência, versados no conhecimento competentes para assistirem no palácio do rei e lhes ensinasse a cultura e a língua dos caldeus”.

Daniel começou como um estagiário na corte de Nabucodonosor, mas posteriormente foi promovido a um conselheiro de reis do exterior. Ele tornou-se proeminente, dentre todos os outros, e veio a ser conselheiro do rei. Devido à excelência em seu serviço e em poder, o rei o considerou dez vezes melhor do que os outros sábios do reino.

Para melhor compreendermos o ambiente em que ele vivia, lembremo-nos de que Daniel agora fazia parte de um dos reinos mais demoníacos que jamais reinou sobre a terra. Ele foi profundamente inserido naquele sistema. Ele foi considerado um entre os magos, astrólogos e feiticeiros. Se bem que Deus o considerava um homem que Lhe pertencia, para o rei Daniel era apenas mais um de seus magos… pelo menos pensou isso por um certo tempo. Que. Que estranho grupo de pessoas com o qual se achar associado, especialmente se considerarmos que se tratava de Daniel, um profeta sem defeito. Sua disposição para não se corromper era fabulosa, estando entre os níveis mais elevados dos profetas a nos servir de exemplo.

A Babilônia era uma sociedade sofisticada, e que tinha suficientes diversões para fazer com que os hebreus ficassem em constante tensão entre a sua devoção a Deus e um doentio amor para com este mundo. Acrescentando-se a isso uma forte idolatria e a presença demoníaca que ela acarreta, temos uma terrível combinação que acabaria com a fé de qualquer cristão que não fosse muito firme, no dia de hoje. Daniel, ao contrário, era perfeito em sua adoração a Deus, e não fazia concessões no que se referia aos seus propósitos. Ele buscava a excelência em sua posição como fermento. Se você estava à procura de alguém com uma forte razão para ter amargura, você acaba de encontrar tal pessoa: Daniel. Ele foi retirado de sua família, transformado em eunuco, forçado a viver entre os ocultistas.

Ser uma grandeza diante de Deus é, muitas vezes, o outro lado de uma mesma moeda de injustiça e ofensa. Daniel conseguiu superar toda essa difícil situação, mas não por ser grandioso. Ele foi vitorioso devido à sua devoção Aquele que é grande!

O PODER DA SANTIDADE

Daniel descobriu bem cedo o poder que há na santidade. Ele não quis comer as delícias do rei. Sua separação para Deus é demonstrada pelo seu estilo de vida, e não pelas pessoas com quem se associava. Ele não tinha controle sobre o que o cercava. Isso muitas vezes acontece com a Igreja. Muitos na Igreja vivem do mesmo modo que os que estão no mundo, mas não se associarão com incrédulos para não se contaminarem.

Muitos crentes, porém, preferem trabalhar em negócios de cristãos, frequentam reuniões cristãs, e isolam-se das pessoas que são precisamente aquelas que deveriam ser atingidas por todos nós, em Seu nome. Isso é o que decorre logicamente da teologia de sobrevivência.

O Reino está na esfera do Espírito de Deus, demonstrando o Senhorio de Jesus. E é a vida que recebeu o poder do Espírito que atua como fermento num mundo em trevas.

O MAIOR DE TODOS OS DESAFIOS

O maior desafio veio para todos os sábios do rei ao lhes pedir não apenas para interpretarem um sonho que ele tinha tido, mas que também lhe dissessem e que ele tinha sonhado! Uma vez que eles não tiveram condições de atender ao rei, este ordenou que todos os sábios fossem mortos. Nesse processo, foram atrás de Daniel e seus amigos, para os matarem. Daniel pediu uma audiência com o rei. Ele acreditava que Deus lhe habilitaria a trazer a Palavra do Senhor. Antes de revelar ao rei o sonho e a sua interpretação, ele lhe ensinou uma virtude do reino de Deus que se chama humildade. Daniel afirmou: “A mim me foi revelado este mistério, não porque haja em mim mais sabedoria do que em todos os viventes, mas para que a interpretação se fizesse saber ao rei, e para que entendesses as cogitações da tua mente” Em outras palavras, não foi porque eu sou grande, ou por ter muitos talentos; é porque Deus quer que vivamos, e Ele quer que recebas esta mensagem. Então Daniel relatou o sonho e deu sua interpretação, na condição de servo.

Uma grande parte da teologia atual do Reino tem um enfoque principal em nós como dirigentes, no sentido de crentes tornarem-se presidentes de empresa e chefes de governo. E, até certo ponto, isso é correto. Mas o que nos cabe primordialmente, e sempre nos caberá, é servir. Se, ao servirmos, formos promovidos a posições de liderança, temos de nos lembrar que o que nos fez chegar lã nos manterá sendo úteis.

No Reino, o maior é o servo de todos. Faça uso de toda posição que ocupar para servir com maior poder.

UMA PROMOÇÃO DESAFIADA

Os quatro hebreus foram promovidos como resultado do dom profético de Daniel. Observemos que não há menção alguma de Daniel ter operado com esse dom antes daquela crise. Algo semelhante aconteceu com um evangelista amigo meu quando ainda jovem. Ele tinha sido convidado para falar numa igreja no Canadá. Quando ele saiu do avião, o pastor, ao encontrá-lo, com um olhar surpreso em sua face lhe disse: “Você não é Morris Cerullo!”

O pastor tinha uma grande ansiedade por ver Sinais e Maravilhas sendo restaurados em sua igreja, e pensou que tinha convidado Morris Cerullo para uma semana de conferências. O pastor, chocado ainda, perguntou àquele jovem se ele tinha um ministério de Sinais e Maravilhas. Ele respondeu que não. O pastor, olhando para o relógio, disse-lhe então: “Você tem quatro horas para conseguir esse ministério”. E levou-o em seguida para um hotel. Numa situação de desespero, o jovem pastor clamou a Deus, e Ele honrou o seu clamor. Aquela noite foi o começo de um ministério de Sinais e Maravilhas que marcou a sua vida até o dia de Algum tempo depois, o Faraó teve dois sonhos perturbadores. Então o copeiro lembrou-se do dom de José, que foi levado à presença do rei. Quando lhe pediram para interpretar o sonho do rei, José respondeu:

“Não está isso em mim”. Um coração assim humilde nos mantém em condições de sermos usados por Deus.

José interpretou os sonhos e então operou com o dom de sabedoria ao dar ao rei um conselho ao que fazer em seguida. O rei o honrou colocando-o como o segundo em comando sobre todo o império egípcio.

José fornece-nos também um dos maiores exemplos de perdão que há na Bíblia. Seus irmãos vieram até ele (não o sabendo), por causa da fome que grassava em sua terra. Quando por fim José revela quem ele é, demonstrando que seus sonhos haviam se cumprido, diz: “Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos irriteis contra vós mesmos por me haverdes vendido para aqui; porque, para conservação da vida, Deus me enviou adiante de nós. Observemos que José não tinha esquecido o que lhe acontecera.

O preceito de que o certo é que temos que perdoar o que os outros fizeram contra nós pode causar-nos mais dano do que um bem. Pois uma simples repressão apenas esconde uma ferida, que permanece inconscientemente em estado latente, e que faz com que a ferida fique pior.

APRENDENDO DESSES EXEMPLOS

Para infiltrarmo-nos no sistema precisamos de pureza e de poder. Vemos pureza no carácter desses homens à medida que eles demonstraram lealdade e perdão, além da razão. O poder lhes foi liberado pelo uso de seus dons.

Para sermos eficazes como fermento no sistema babilónico, temos de repensar o nosso entendimento de todas essas questões. O povo de Deus tem de encontrar em si um coração para ver os outros terem sucesso. É muito fácil para todos nós desejar o bem para alguém que concorde com nossas crenças e instruções. E a condição de expressar lealdade e perdão a alguém, antes de estar salvo, pode ser a chave para se tocar em seu coração.

A integridade pessoal é a base para toda a vida e todo o ministério, e a nossa credibilidade fundamenta-se precisamente nisso. Podemos ter dons sem medida; mas se não formos dignos de confiança, o mundo não dará ouvidos à nossa mensagem. Integridade é santidade, e santidade é ser conforme a natureza de Deus. Submissão ao Espírito Santo é fundamental no que se refere à integridade.

INDO ÀS PRAÇAS

“Onde quer que ele entrasse nas aldeias, cidades ou campos, punham os enfermos nas praças, rogando-lhe que os deixasse tocar ao menos na orla da sua veste; e quantos a tocavam saíam curado”

O Evangelho que não opera nas praças não opera. Jesus invadiu todas as esferas da sociedade. Ele foi para os locais onde as pessoas se reuniam. Elas se tornaram o seu principal foco de atenção, e Ele o delas.

Há homens de negócios que usam os dons do Espírito para identificar as necessidades de seus colaboradores e de seus clientes. Um jovem de nossa igreja, que fazia parte da equipe de futebol do seu colégio, impôs as mãos sobre um jogador de destaque daquela equipe, que teve que sair do jogo por ter tido um sério problema na perna. Assim que ele foi curado, voltou para o jogo reconhecendo que Deus o havia curado!

Uma menina que sofria de diabete estava tendo um choque alérgico com a insulina. Um seu amigo, que era cristão, orou por ela quando estava a caminho da escola. Quando sua mãe foi pegá-la e a levou ao médico, constatou-se que ela não mais estava com diabete.

Uma outra menina de dez anos de idade pediu à sua mãe que a levasse até o shopping center de modo que ela pudesse encontrar-se com pessoas enfermas e orar por elas.

Alguns estudantes colocaram uma tabuleta em sua mesa na nossa lanchonete com as palavras: “Orações de Graça”. Muitos não apenas receberam uma oração, mas receberam uma palavra profética que os levou a uma consciência maior do amor de Deus.

Temos equipes que levam refeições quentes a hotéis da nossa região para alcançar os necessitados. Um proprietário de hotel nos cedeu uma sala por algum tempo para que tivéssemos um lugar para orar pelos seus muitos clientes que estavam enfermos.

Alguns têm invadido os bares, indo atrás de pessoas que precisam ser ministradas. Os dons do Espírito fluem poderosamente nesses ambientes. No ministério do meu irmão, senhoras idosas entram nos bares de San Francisco. Enquanto ele fica ao lado por uma questão de segurança, as mulheres sentam-se em torno de uma mesa, tomam um refrigerante e oram. Um a um, as pessoas vão à mesa delas solicitando orações. Muitas vezes essas pessoas ajoelham-se e choram ao descobrirem o amor de Deus por elas.

Os jardins de comunidades mais pobres têm a grama cortada, e sua limpeza é feita, enquanto outros fazem a faxina dentro das casas.

Alguns vão casa em casa pedindo para orar pelos doentes. Os milagres são normais.

Skateboarders são alcançados por outros skateboarders que levam eles a terem um encontro com o Deus de Poder. Se as pessoas estão lá, nós vamos lá.

Debaixo das pontes, entre os muitos carentes, nós procuramos pelo sem teto.

Nos ônibus, os mais carentes são levados para a igreja para um banquete. Nossas famílias Adotam uma mesa, deixando ela com sua melhor porcelana, cristal, e utensílios prata. Os mais quebrados de nossa comunidade são trazidos para a igreja para serem tratados como Tesouros do Céu. Eles são alimentados, vestidos, e ministrados por suas Necessidades físicas como espirituais. Jesus não gosta somente daqueles de condição inferior, mas Ele também ama os bem-sucedidos. Os ricos estão entre os mais carentes de nossas cidades.

Mas não devemos servir a eles por causa do seu dinheiro! Eles estão acostumados a serem abordados por aqueles que procuram sua amizade com fins interesseiros.

Os pais tornam-se conselheiros das ligas infantis da comunidade. Alguns dirigem programas realizados depois do encerramento das classes em nossas escolas públicas. Outros são voluntários em hospitais. Há também aqueles que recebem um treinamento para serem capelães nas delegacias de polícia e nas escolas secundárias da nossa cidade. Muitos fazem visitas aos seus vizinhos doentes e têm visto Deus realizar o que é impossível para os homens.

Para onde a vida o leva, leitor? Vá para lá na Unção do Espírito e veja que as coisas impossíveis se dobrarão ao nome de Jesus.

NO CORPO DE JURADOS COM O ESPÍRITO SANTO

Buck foi alguém que assumiu de fato a disposição de levar seus dons às praças. Então ele foi escolhido para ser jurado. Quando estava nessa condição, o Senhor disse-lhe: “A justiça tem que prevalecer.” Quando a parte pública do julgamento terminou, e o júri começou a deliberar, eles se dividiram com respeito a uma interpretação da lei. Buck abordou todas as questões envolvidas de um modo tão brilhante que os demais pensaram que ele era formado em direito. Ele usou aquela oportunidade para dar o seu testemunho. No passado ele tinha sido um estudante dedicado ao estudo da ciência, mas sua mente foi afetada por uma vida viciada em drogas. Jesus curou a sua mente quando ele memorizava as Escrituras. Seu testemunho ganhou o coração de alguns dos jurados, mas afastou o de outros.

Quando chegou a hora de decidirem o veredicto, eles estavam ainda divididos. Assim as deliberações foram interrompidas para serem retomadas no dia seguinte. O ponto de discórdia era o conceito de criminoso. O réu enquadrava-se em seis das sete qualificações necessárias para ser considerado culpado. A sétima era questionável. Então Buck levou, no dia seguinte, uma rosa num vaso. Todos pensaram que se tratava de um gesto de simpatia. Ele deixou que os demais se debates- sem por algum tempo, quando então lhes perguntou:

__ Vocês veem todas as partes desta rosa?

__ Sim, responderam eles, vemos tudo menos os espinhos. Então ele perguntou:

__ E ainda uma rosa, apesar de não ter espinhos?

__ Sim! – responderam. Ao que ele completou:

__ Assim, esse homem é um criminoso!

Eles entenderam a mensagem. O dom de sabedoria estava ope- rando, mesmo que eles não se dessem conta disso. Agora, todos, exceto dois deles, concordaram que o réu era culpado. O júri ainda estava sem uma definição. Quando o juiz perguntou aos jurados se eles estavam em condições de entrar em acordo, todos disseram que não, exceto Buck. Em seu coração estavam as palavras: “a justiça tem que prevalecer”. O juiz deu então aos jurados mais trinta minutos para que superassem o seu desacordo. Assim que eles entraram na sala para deliberarem, a palavra do Senhor veio a Buck. Ele dirigiu-se a um dos dois jurados que estavam em contrário à maioria e lhe disse:

__ Você diz que ele é inocente porque… e então expôs um pecado secreto da vida dele.

Em seguida Buck voltou-se para o outro e agiu de igual forma.

Ambos olharam, um para o outro, e disseram:

__ Bem, eu mudo o meu voto se você também mudar o seu! Buck primeiramente trouxe o dom de sabedoria para as deliberações. Isso trouxe uma clareza que beneficiou até mesmo os incrédulos. Então ele fez uso de uma palavra de conhecimento, e disse algo que ele não teria como saber através do mundo natural, ao expor o pecado de duas pessoas que tinham rejeitado a ação de Deus. Por fim a vontade de Deus prevaleceu naquela situação: justiça!

Estar envolvido com o sobrenatural através de dons espirituais é o que faz com que a invasão seja eficaz. O Reino de Deus é um reino de poder! Temos de buscar uma demonstração mais plena do Espírito de Deus. Ore bastante e assuma riscos. O maior exemplo dessa invasão é Jesus. Nele, o sobrenatural invadiu o natural. A visão, definida pelos sonhos de Deus, nos capacita a ter uma coragem imperecível. Este é o tema de nosso próximo capítulo, que é o capítulo final.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A PÍLULA DO ESQUECIMENTO

Admirável e feliz mundo novo: O psiquiatra Roger Pitman está pesquisando um medicamento capaz de remover o pavor associado às lembranças ruins

A pílula do esquecimewnto

Kathleen L. está esperando há horas. Pálida e perturbada, aguarda no pronto­ socorro do Hospital Geral de Masachusetts, em Boston, depois de ser atropelada por um ciclista. Quando uma enfermeira enfim lhe pergunta sobre seu estado, Kathleen explica aquele que é seu grande receio: os arranhões não a incomodam tanto, mas ela teme que o acidente deixe cicatrizes psíquicas – como oito anos antes, quando escapou por pouco de um estupro. Desde então, a lembrança a persegue em pesadelos. A enfermeira sugere que ela participe de um estudo-piloto com uma substância que talvez possa poupá-la de novos estados de angústia.

A auxiliar de advocacia de 29 anos assina uma carta de anuência. Com isso, passa a integrar o grupo de voluntários que participam da investigação do psiquiatra Roger Pitman. O pesquisador da Universidade de Harvard busca há anos uma maneira de ajudar pessoas que, em decorrência de acontecimentos traumáticos, sofrem por um período de tempo demasiado longo. Seus pacientes sobreviveram a acidentes graves, enfermidades críticas, catástrofes naturais, guerras ou mesmo tortura. Estima-se que 25% dessas pessoas desenvolvam o chamado transtorno de stress pós-traumático (TSPT). Seu dia a dia assemelha-se a uma caminhada por campo minado. Às vezes, bastam acontecimentos aparentemente triviais para desencadear uma torrente de lembranças ameaçadoras.

Kathleen sabe o que significa jamais se libertar de uma experiência ruim. Num escritório de advocacia no centro de Boston, ela conta sua história. Somente a muito custo conseguiu superar a tentativa de estupro de que foi vítima. Uma noite, quando estava parada num sinal vermelho, um dependente de drogas invadiu seu carro. Ele a obrigou a dirigir até uma região afastada, e lá, lentou violenta-la. Defendendo-se desesperadamente, acabou por afugentá-lo. Depois disso, Kathleen não conseguiu dormir direito durante meses. Sempre que precisava parar num sinal vermelho, entrava em pânico. Por dois anos, fez psicoterapia, para aprender a dominar o próprio medo, passo a passo. Mas, ainda hoje, ao contar o incidente, sua voz treme e ela evita os olhos do interlocutor.

Roger Pitman quer impedir essas manifestações decorrentes do trauma por intermédio de uma medicação voltada especificamente para isso. Uma substância especial – o betabloqueador propranolol, também empregado em tratamento cardíaco – bloquearia a atuação de determinados hormônios do stress e impediria, assim, que a experiência vivida fincasse raízes profundas na memória. Em seu pequeno laboratório de testes, o pesquisador explica que curso tomou seu experimento, que causou sensação. Depois de recrutados no pronto-socorro, os 40 voluntários tomaram uma pílula azul durante três semanas: metade recebeu propranolol, a outra, um placebo. Três meses depois, Pitman pediu que ouvissem uma gravação – um breve relato sobre suas experiências traumáticas. Ao mesmo tempo que ouviam a gravação, eletrodos fixados nas têmporas, no rosto e nos braços mediam os indicadores clássicos do stress: batimento cardíaco, formação de suor e tensão muscular.

 

MECANISMOS DA MEMÓRIA

Kathleen ouviu de novo a história de seu acidente. Ela acreditava estar no grupo que havia recebido placebo, uma vez que não notara nenhuma modificação significativa nas semanas seguintes ao acidente: “Eu achava que teria de sentir alguma forma de cansaço”. Mas os aparelhos de medição não registraram nela nenhum sinal de stress, nem nos demais voluntários que haviam tomado a pílula. Dormiam tranquilos, mostravam-se serenos e raras vezes pensavam em sua experiência fatídica. Muito diferente do que ocorreu no grupo de controle, em que quase a metade deles apresentou sintomas de stress. “Ao que parece, o propranolol ajuda no combate às lembranças traumáticas”, constata Pitman.

Esses resultados confirmam uma vez mais o papel central que as emoções desempenham no ato de lembrar. Nos anos 90, uma equipe de pesquisadores em tomo do psicólogo James L. McCaugh, da Universidade da Califórnia, em Irvine, Estados Unidos, constatou que as pessoas se lembram muito melhor de uma história dramática que de uma descrição prosaica de acontecimentos cotidianos.

O medo e o pavor cimentam um acontecimento na memória. Por isso é que a maioria das pessoas ainda se lembra de onde estava e o que fazia em 11 de setembro de 2001, quando recebeu a notícia dos atentados às torres gêmeas em Nova York. Papel fundamental desempenha aí a adrenalina, o hormônio do stress que as glândulas supra- renais secretam em abundância em momentos de agitação. Adrenalina adicional eleva o desempenho da memória – essa é a conclusão a que conduziram já há alguns anos experiências com ratos. Quando, porém, McCaugh bloqueou com propranolol os receptores de adrenalina dos animais, o efeito potencializador do aprendizado exercido pelo hormônio de stress não se manifestou.

Enquanto isso, aumentam as comprovações científicas de que a adrenalina ativa de forma indireta a amígdala. Essa estrutura cerebral do sistema límbico, por sua vez, dota as experiências que vivemos de um selo emocional, fincando-as, assim, de modo ainda mais firme na memória.

À primeira vista, essa observação não pareceu ser de grande valia aos estudiosos dos traumas. Talvez, refletiu Pitman, as lembranças traumáticas se aferram com tanta força à memória porque são ali revividas constantemente nos dias que se seguem ao acontecimento. A cada novo jorro de adrenalina, a experiência se finca cada vez mais. Poderia valer a pena intervir nessa fase com uma substância ativa. Seu raciocínio parece correto. Além de seu próprio trabalho, um estudo do psiquiatra francês Guillaume Vaiva do hospital universitário de Lille, na França, comprovou o efeito do propranolol no tratamento de traumas.

Contudo, para aquelas pessoas que já estão sofrendo de transtorno de stress pós-traumático, é tarde demais para a pílula contra o medo – o horror já marcou a fogo seu cérebro. Pitman depara com casos assim todos os dias, sobretudo de veteranos do Vietnã. Alguns têm alucinações, outros entram em pânico diante de pessoas ou de terrenos que não podem divisar com clareza. Na sua cabeça, a guerra nunca acabou. Também essas pessoas podem alcançar o controle sobre seus sentimentos. É certo que o assustador não pode ser esquecido, mas é possível perder o medo – uma meta perseguida pela psicoterapia.

É de supor que, nisso, os médicos poderão algum dia auxiliar com medicamentos. Há dois anos, Mohammed R. Milad, da Faculdade de Medicina de Ponce, em Porto Rico, demonstrou como ratos podem aprender a superar o medo. Ele os submeteu a um experimento que reproduz um estado psíquico comparável ao do transtorno de stress pós-traumático. A um sinal sonoro, fazia suceder sempre um eletrochoque. Passado algum tempo, apenas o sinal os amedrontava: eles reagiam de modo semelhante a uma pessoa que, ao ouvir determinado ruído, recorda uma experiência terrível e entra em pânico.

Então, o pesquisador parou de aplicar os eletrochoques após os sinais. E constatou que, naqueles ratos que haviam superado o medo com mais rapidez, uma determinada região do cérebro apresentava especial atividade. Era a área na qual os neuropsicólogos situam a mais alta instância da consciência dos animais: o prosencéfalo. Nos ratos com traumas renitentes, Milad verificou aí pouca atividade. Se, no entanto, estimulava a região cerebral em questão por intermédio de eletrodos, também eles superavam seu medo. “O medo não desaparece, mas os ratos aprendem a controlá-lo”, explica. Agora, ele quer testar esse mecanismo nos seres humanos. Talvez possa liberá-los de seus traumas estimulando com medicamentos as regiões cerebrais correspondentes.

O pesquisador Beat Lutz, do Instituto Max Planck de Psiquiatria, em Munique, Alemanha, segue estratégia bem diferente com camundongos. Ele busca reprimir a recuperação de lembranças negativas já armazenadas. Como os cientistas sabem, atuam aí os chamados endocanabinóides, substâncias semelhantes droga proveniente do cânhamo, a maconha. Dois anos atrás, Lutz e seu grupo publicaram um estudo sobre camundongos que tinham aprendido a associar um sinal sonoro a uma descarga elétrica. Cessando os eletrochoques, a lembrança aprendida logo se desvanecia. Os roedores sem receptores para endocanabinóides não se libertaram de seu medo, assim como tampouco aqueles animais nos quais os pesquisadores bloquearam o receptor para esse neurotransmissor. A conclusão que se obtém invertendo o raciocínio é a de que os neurotransmissores facilitam o esquecimento de fatos desagradáveis. Tem-se também aí, portanto, um canal promissor de intervenção para medicamentos que auxiliem a apagar da memória as lembranças traumáticas.

A pílula do esquecimento abre possibilidades imprevistas, facilitando em muito a superação não apenas de um acidente de um estupro ou de uma catástrofe, mas até mesmo do combate numa frente de batalha. É por essa razão que aumentam as críticas a ela. Num relatório intitulado “Além da terapia”, Leon Kass – presidente do conselho de bioética de George W. Bush – adverte que o gerenciamento medicamentoso da memória vai acarretar mudanças à sociedade, “Quem assiste a um assassinato deveria guardá-lo na memória como algo terrível quem age de forma repugnante deve sofrer as consequências psíquicas de seu ato”. Para Kass, existe um “dever de se lembrar”, pois somente quem vivencia emocionalmente algo ruim é capaz de se solidarizar com os outros em situações de dificuldade. Assim, mesmo aqueles que viveram o horror puro do Holocausto teriam cumprido, como testemunhas oculares, uma importante tarefa para a comunidade.

Pitman reage indignado a essa objeção, “Considero fora de propósito manter o sofrimento dos indivíduos em prol da comunidade. Dia sim, dia não, deparo com vítimas do transtorno de stress pós-traumático. Não vejo nada de ruim em querer ajuda-las”. Kathleen L concorda: “Queria ter tido um remédio como esse para tomar, oito anos atrás”.

 

DO CHOQUE AO STRESS PÓS-TRAUMÁTICO

Os sintomas são sempre os mesmos: homens traumatizados continuam revivendo o acontecimento terrível em pesadelos ou flashbacks, embora evitem tudo o que possa lembrá-los do que viveram. Por isso mesmo, parecem insensíveis e embrutecidos. O acontecido incomoda a vítima de tal forma que ela mal consegue se concentrar e apresenta lacunas na memória. Além disso, é atormentada por angustiantes sentimentos de culpa. Estados mentais assim tornaram- se mais do que familiares aos médicos após as matanças ocorridas durante a Primeira Guerra Mundial. Com o auxílio das mais grosseiras terapias -como banhos de água gelada ou choques elétricos, por exemplo, – eles tentaram ajudar os milhares de soldados que sofriam do chamado “choque da granada”. A situação não melhorou muito ao longo da Segunda Guerra Mundial. Soldados com distúrbios psíquicos eram despachados para hospitais psiquiátricos civis e, assim, potencialmente entregues à eutanásia. Tampouco os soldados americanos das guerras da Coréia e do Vietnã tiveram facilidade para encontrar reconhecimento médico para seu sofrimento. Muitas vezes, dizia-se que os veteranos apenas simulavam distúrbios para receber apoio estatal. Mas não são apenas as experiências de guerra que provocam tais distúrbios: duros golpes do destino sobre a vida dos indivíduos, tais como assaltos ou estupros, também deflagram os sintomas típicos daquilo que, desde a década de 89, foi agrupado sob o conceito de “transtorno de stress pós-traumático”.

OUTROS OLHARES

CRIPTO TRAMBIQUE

Tradicionais golpes de pirâmides financeiras se modernizam e usam rostos famosos e moedas como bitcoin para escapar da regulamentação e fraudar investidores

Criptotrambique

Fonte de inspiração de milhões de fãs, Ronaldinho Gaúcho tenta repetir no mundo dos negócios os olés que dava em campo. Em uma dessas iniciativas empresariais, o Bruxo, como ficou conhecido na Espanha por causa de seu futebol mágico, tornou-se parceiro de uma empresa chamada 18K Ronaldinho, especializada em fornecer opções de aplicações financeiras que prometem lucros astronômicos. Com um aporte mínimo de 30 dólares, seria possível até quadruplicar o valor em 200 dias. Os depósitos, sempre em bitcoins, garantem ao investidor o direito de virar representante de vendas da marca de relógios 18K Ronaldinho, feitos na China. Essa estranha mistura de negócios é definida pelos responsáveis como “marketing multinível”. No entanto, o toque mágico do craque parece não ter sido suficiente e a empresa, há um mês, não tem liberado o acesso às bitcoins e sua comercialização, mesmo em contratos de investimento já encerrados. Os investidores lesados denunciaram a companhia à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP).

Todos os indícios sugerem que a 18K Ronaldinho é na verdade uma versão mais elaborada e tecnológica das antigas pirâmides financeiras baseadas no chamado Esquema Ponzi. Tais   golpes em inúmeras variações recebem o nome de seu criador, o italiano Carlo Ponzi. No esquema, o lucro dos primeiros investidores é pago pelos que chegam depois até o fluxo de entrada bater num teto incompatível com a remuneração de todos os investidores. Quando isso acontece, a pirâmide desaba. Com o estratagema, Ponzi passou para a história como um dos maiores estelionatários do século XX e desde então, fraudes como essas são consideradas crime financeiro. Ronaldinho nega ter conhecimento de qualquer esquema irregular do negócio de propriedade do empresário Manuel Lira. Segundo seu representante, Sérgio Queiroz o jogador assinou contrato com a marca de relógios 18K Watches, e o acordo não dizia nada a respeito de investimentos em criptomoedas. Entretanto, é possível encontrar na internet um vídeo no qual R10 promove a empresa 18K Ronaldinho. “Conto com você para fazer a maior empresa multinível do mundo. Vem pra tribo 18K Ronaldinho”, diz ele na gravação. Arrolado como testemunha no inquérito, Ronaldinho foi chamado para explicar seu envolvimento no negócio. Os procuradores paulistas agora devem ouvir os sócios da empresa, baseados no Rio de Janeiro.

O que chama atenção nas novas pirâmides é o uso das criptomoedas, divisas virtuais criadas para facilitar as transações na internet. As operações irregulares, de maneira geral, utilizam um modelo em que empresas com um volume muito grande de bitcoins negociam em diversas corretoras mundo afora. Como a bitcoin tem cotação variável, as companhias se valem de aplicações em locais onde o valor é mais vantajoso – o que só acontece pelo fato de as criptomoedas serem descentralizadas, sem um banco central para determinar sua cotação. O problema é que se trata de uma operação de altíssimo risco e que acarreta movimentações imprevisíveis, em que corridas aos saques são frequentes. Para piorar os investidores têm pouca informação sobre por onde seus ativos circulam e não costumam declarar seus ganhos à Receita Federal, por isso não há meios para recuperar eventuais desvios. “Um cuidado básico para quem quiser se arriscar nesse negócio é procurar plataformas que deem transparência às transações, afirma Caio Ramalho, pesquisador do assunto na FGV.

Todo negócio que envolve dinheiro virtual tem um risco intrínseco, como comprova a brutal queda no preço da bitcoin ocorrida em 2018, quando a cotação da moeda caiu para um terço do seu valor original – passou de 20.000 pra 6.000 dólares (hoje está em 8.000 dólares). É natural que tal ambiente seja propício a investidores que não se importam em burlar os limites da legalidade em busca de ganhos vultosos – para eles, trata-se apenas de entender em que degrau do esquema da pirâmide estarão. E, neste caso, os desdobramentos podem ser imprevisíveis. Em um episódio investigado pela polícia paulista, um empresário que perdeu o equivalente a 4 milhões de reais em uma operação foi preso sob a acusação de encomendar o sequestro do dono de uma corretora que intermediou a aplicação de seu dinheiro.

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Situações como essa são exceção em um universo em que parcela considerável dos participantes é formada por investidores pouco experientes atraídos pela aparência de seriedade dos operadores. Nesse sentido, a publicidade é crucial para garantir o verniz de respeitabilidade. A Atlas Quantum, cujas operações foram interrompidas em agosto, deixando um rombo estimado em 100 milhões de reais, valia-se dos atores Cauã Reymond e Tatá Werneck como garotos-propaganda em inserções veiculadas na TV com promessas de ganho de 60% sobre os investimentos. Foram justamente os anúncios que chamaram a atenção dos peritos da CVM. Eles determinaram imediatamente a interrupção da propaganda. O órgão entendeu que a operação divulgada pela Atlas era uma oferta pública de contratos de investimentos coletivos CIC), o que exige uma autorização do órgão.

A notícia caiu como uma bomba entre os cotistas, que iniciaram uma corrida para sacar seus recursos. Uma empresa saudável teria condições de honrar os compromissos. Não era o caso. Segundo um ex-diretor o dono da Atlas, Rodrigo Marques mantinha contas em corretoras de criptomoedas no exterior para investir os ativos dos clientes em seu próprio nome, e não conseguiu sacar os recursos por regra contra lavagem de dinheiro. Por meio de nota, a companhia confirma que adotava a prática no passado, mas que agora a Atlas apenas trabalha com contas institucionais. O fato é que mais de 1.200 bitcoins desapareceram: uma soma de 40 milhões de reais. O empresário carioca Sérgio Peçanha Ferreira Jr. tinha 40 bitcoins na Atlas o equivalente a 1.3 milhão de reais. ‘Comecei com pouco 1 bitcoin, mas os ganhos me levaram a renovar a aposta. Com a perda que tive, nem consigo mais dormir’, diz ele. A Atlas prometeu restabelecer os saques a partir de 21 de outubro. As assessorias de Cauã e de Tatá afirmam que os artistas firmaram contrato comercial e que, à época, não havia nada que desabonasse a empresa.

Também escorado em figuras públicas, o Grupo Bitcoin Banco, de propriedade de Claudio Oliveira cresceu a reboque de uma ofensiva de marketing e acabou deixando um rombo de 70 milhões de reais para os investidores. Para impulsionar seu negócio, Oliveira comprou um espaço no programa de Amaury Jr., na RedeTV! aos sábados, e se aproximou do apresentador Ratinho, do SBT. Ambos eram convidados a conferências e jantares para elogiar o empresário, que se vendia como um milionário com negócios e propriedades na   Europa. Em seu programa, Amaury falava sobre sua conta aberta no grupo e em eventos Ratinho discursava sobre a personalidade vencedora de Oliveira. ‘É desagradável”, diz Amaury. “A pessoa me vê falando bem do cara e toma um calote. Suspendemos o acordo desde que a fraude estourou”, justifica. O contrato publicitário com a Rede TV!, de cerca de 500 mil reais, nunca foi pago. “Ele fechou um acordo no qual promete nos pagar em doze parcelas”, conta Amaury. Ratinho diz que foi levado aos encontros por um amigo. “Fui a dois eventos, um no Hotel Unique e o outro em um jantar no Figueira Rubaiyat, ambos em São Paulo”, recorda. Para mim era um dos muitos que usam a imagem de alguém famoso”, argumenta. O Grupo Bitcoin ruiu quando Oliveira fez denúncia de que uma suposta fraude nos sistemas da empresa provocara a perda de 50 milhões de reais. Esse seria o motivo, segundo ele, da falta de liquidez que impediu a retirada de recursos por parte dos clientes. Investigado pela Justiça Federal no Paraná, Oliveira está com seu passaporte retido. Para quem perdeu dinheiro as notícias não são boas. “As chances de reaver os investimentos em criptomoedas é remota. Depois de a pirâmide quebrar, torna-se difícil localizar bens da entidade fraudulenta”, afirma Paulo Brancher, do escritório Mattos Filho. A lição que fica é que, seja no mundo analógico, seja no mundo virtual, a promessa de lucro é sempre proporcional aos riscos de perda.

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GESTÃO E CARREIRA

ESCULPINDO TALENTOS

 O que aprendemos com Michelangelo sobre liderança

Esculpindo talentos

“Eu apenas tirei da pedra de mármore tudo que não era o Davi!”

Essa foi a resposta atribuída a Michelangelo Buonarroti, que tinha 28 anos de idade, quando indagado por ninguém menos que Leonardo Da Vinci, já venerado como um sábio das artes, aos 51 anos, em torno de 1503. O questionamento teria surgido no suposto diálogo sobre como conseguira esculpir com perfeição os 5,17 metros do monumental Davi. A obra de arte emociona até hoje quem se aproxima dela, na Academia de Belas Artes de Florença, na Itália.

Afinal, era sabido que aquele enorme bloco de mármore, com mais de cinco toneladas, estava abandonado durante quase quatro décadas nos fundos da Catedral de Santa Maria del Fiore, conhecida como o Duomo de Florença, após frustradas tentativas feitas por alguns escultores, incluindo dois dos mais respeitados da época: Agostino di Duccio e Antonio Rosselino. Ambos desistiram do trabalho após infrutíferos anos de lapidação da pedra.

Menos de dois anos depois de ser comissionado, com apenas 26 anos, para realizar a tarefa, Michelangelo apresentou ao mundo a emblemática escultura do Davi, no dia 24 de junho de 1503. Além de grandiosa, a obra tem profundo significado emocional, pois simboliza a vitória da inteligência, astúcia, coragem e intuição sobre a força bruta do gigante Golias.

Baseado nessa metáfora, Michelangelo não esculpia o mármore, mas libertava um ser que estava aprisionado no interior da rocha. Tenho perguntado com frequência aos dirigentes de inúmeras empresas qual o legado que pretendem deixar nas suas trajetórias profissionais. Isto porque um dos maiores desafios da Liderança é a identificação e o desenvolvimento de pessoas e equipes. A formação de sucessores tornou-se um lamentável “calcanhar de Aquiles” de muitos líderes. Sabemos que a grande maioria das empresas não sobrevive ao desaparecimento dos seus fundadores.

Esse percalço advém de uma forma equivocada de pensar e praticar a Liderança. Precisamos mudar nosso modelo mental e passar a entender que o líder eficaz é quem forma outros líderes e não apenas seguidores. Os líderes competentes e inspiradores são os que possuem gente em torno de si e não atrás de si.

Porém, a identificação de talentos não é tarefa simples. Exige um genuíno interesse em desenvolvê-los, ajudando a remover os obstáculos e encorajando a libertarem-se das pedras que os aprisionam. Enfim, um dos papéis mais importantes dos líderes é o de investir fortemente na formação de outros líderes e eventuais sucessores. Esse movimento requer muita coragem, perspicácia, determinação, perseverança e altruísmo, além do “toque artístico” de inspirar os outros por meio do exemplo.

O desenvolvimento de uma pessoa pode acontecer de várias formas, desde cursos e educação formal, passando por terapia, mentoria, convivência com amigos, relacionamento social, apetite pelo autodesenvolvimento, experiências no cotidiano e iniciativas além das salas de aula, entre outros fatores. Entretanto, nada substitui a “pedagogia da relação líder-liderado”, seja no ambiente de trabalho, em casa, na escola, no clube ou na comunidade. A relação líder-liderado é a alavanca fundamental para a formação de novos líderes. Todos os outros aspectos complementam a força dessa relação.

Por essas razões, leitor, finalizo com a pergunta que não quer calar: qual Davi você está esculpindo ou qual Monalisa você está pintando? Seja no trabalho, em casa e na comunidade a qual você pertence e atua, qual a “obra de arte” que você pretende deixar como legado?

 

CÉSAR SOUZAé fundador e presidente do Grupo Empreenda, palestrante
e autor do recém-publicado “Seja o Líder que o Momento Exige”

ALIMENTO DIÁRIO

QUANDO O CÉU INVADE A TERRA

Quando o Céu invade a Terra

CAPÍTULO 15 – COMO PERDER UM AVIVAMENTO

O avivamento está bem no centro da mensagem do Reino, pois é num avivamento que vemos com maior clareza como é que Deus exerce o Seu domínio, e como isso afeta a sociedade. Um avivamento, melhor expresso, é a vinda do Reino. De certo modo o avivamento nos mostra como deve ser a vida cristã normal.

 

Antes da chegada do Messias, os líderes religiosos tinham orado e ensinado a respeito da Sua vinda. Havia uma certa agitação, em escala mundial, até mesmo na sociedade secular, diante da perspectiva de que alguma coisa maravilhosa estava por acontecer. Foi então que, numa manjedoura em Belém, Jesus nasceu.

Os magos, que observavam as estrelas, sabiam quem Ele era, e viajaram uma longa distância para adorá-Lo e dar-Lhe presentes. O diabo também sabia disso, e fez com que Herodes matasse os primogênitos, numa tentativa de abortar o plano de redenção da humanidade por Jesus. Não tendo sucesso, nisso, o diabo quis seduzir Jesus ao pecado, no deserto. O que é ainda mais surpreendente é que a presença de Deus entre os homens foi percebida pelos endemoninhados. Assim aconteceu com o geraseno. Quando ele viu a Jesus, caiu aos pés do Senhor em adoração, e logo depois foi liberto da sua vida de tormentos. Não obstante, os líderes religiosos, que tinham orado pela Sua vinda, não O reconheceram quando Ele veio.

Paulo e Silas pregaram o evangelho por toda a Ásia Menor. Os líderes religiosos disseram que eles eram do diabo. Uma moça, porém, que era adivinha e endemoninhada, disse que eles eram de Deus. Como pôde acontecer que aqueles que supostamente estavam cegos espiritualmente tenham tido condições de ver, e aqueles que eram conhecidos por sua sabedoria não tenham reconhecido o que Deus estava fazendo?

A história está repleta de pessoas que oraram para uma visitação de Deus, mas não a reconheceram quando ela veio. E isso aconteceu até mesmo com alguns que tinham um grande relacionamento com Deus.

 

UMA CEGUEIRA DIFERENTE

Muitos crentes têm um tipo de cegueira que o mundo não tem. O mundo sabe qual é a sua necessidade. Mas os cristãos, uma vez tendo nascido de novo, gradualmente vão deixando de reconhecer a sua necessidade. Algo ocorre, quando alguém está desesperado pela presença de Deus, que o faz com que reconheça se algo provém de Deus, ou não. Jesus falou sobre isso, ao dizer: “Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não vem vejam, e os que veem se tornem cegos.

O testemunho da história e o registro das Escrituras nos advertem quanto à possibilidade desse erro. “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia.” Mateus diz que é porque “o coração deste povo está endurecido”. O endurecimento do coração foi decorrente de que o povo, tendo tido uma experiência com Deus, não se manteve no que Deus estava fazendo. Nosso coração não está endurecido quando reconhecemos a nossa necessidade e com muito ardor buscamos a Jesus. Esse primeiro amor de algum modo nos mantém em segurança, no centro das atividades de Deus na terra.

A igreja de Éfeso recebeu uma carta de Deus. Nela Jesus referiu-se ao fato de que tinham deixado o seu primeiro amor. O primeiro amor é apaixonado por natureza, e domina todos os demais aspectos da vida. Se eles não corrigissem essa situação, Deus disse que moveria o candeeiro deles do lugar. Embora não haja acordo entre os teólogos sobre o que seja esse candelabro, uma coisa é certa: um candeeiro tem lâmpadas que nos permitem ver. Sem ele a igreja de Éfeso perderia a capacidade de ver. A dureza, ou cegueira, mencionada acima não é do tipo daquelas que levam ao inferno. Essa dureza simplesmente nos impede de alcançarmos a plenitude do que Deus havia planejado para nós, enquanto aqui na terra. Quando a paixão morre, a lâmpada da visão acaba sendo removida.

 

PERMANECENDO NO CAMINHO

Este fenômeno tem sido visto na história da Igreja. Aqueles que rejeitam um mover de Deus geralmente são aqueles que foram os últimos a experimentar um avivamento anterior. Isso não vale para todos, pois sempre há aqueles cujo ardor por receber mais de Deus cada vez aumenta mais, com o passar dos anos. Mas são muitos os que admitem terem chegado, não à perfeição, mas ao ponto pretendido por Deus. Eles pagaram um preço para experimentar o mover de Deus.

Eles questionam: “Por que Deus faria algo novo, sem mostrar primeiro para nós?” Deus é um Deus de novidades. Quando desejamos mais Dele, isso requer de nós que assumamos as mudanças causadas pelas suas novidades. A paixão por Deus nos mantém renovados e nos capacita a reconhecer a mão de Deus, mesmo quando outros estão rejeitando o que está acontecendo. O mover presente de Deus requer isso de nós. O medo do engano é totalmente eliminado pela confiança de que Deus tem condições de nos manter em pé, sem cair.

Sou grato a muitos cristãos bem maduros que consideram este presente mover de Deus uma dádiva do céu. Muitos historiadores da Igreja declararam que este avivamento é genuíno. Viram que ele produz o mesmo fruto, e geram o mesmo entusiasmo na Igreja, tal como aconteceu em avivamentos anteriores. Tem sido um encorajamento ouvir vários teólogos afirmarem que este avivamento é um genuíno mover de Deus. Contudo, não é a aprovação deles que procuro.

Toda vez que grandes líderes da Igreja levantam-se para declarar que este é um avivamento, fico encorajado. Isso aconteceu em minha própria denominação. Mas nem mesmo isso me interessa tanto quanto a verdadeira marca de Deus num avivamento. Em Sua sabedoria, Ele criou as coisas de tal maneira que, quando Ele está se movendo, quem normalmente primeiro observa isso é o mundo. Eu procuro, por exemplo, a reação dos endemoninhados. E também quero ouvir os viciados em drogas, os ex- criminosos e as prostitutas. Quando Deus se move num avivamento de poder, essas pessoas o observam, mas não ficam criticando, e sim como estando em grande necessidade de Deus. E temos ouvido o que muitos deles falam. Eles estão sendo transformados, e dizem: “Somente Deus poderia ter feito esta transformação em minha vida. Isso é de Deus!”

Estando numa situação de grande necessidade é o que dá condições a uma pessoa para detectar quando Deus está fazendo alguma coisa nova. Essa situação de grande necessidade não precisa ser necessariamente ser um viciado em drogas, ou uma prostituta. Todo cristão deve manter um coração ansioso por receber mais de Deus. Estamos em grande necessidade! Jesus referiu-se a isso com as seguintes palavras: “Bem­ aventurados os humildes de espírito, porque deles é o Reino dos céus.”  A condição de se manter humilde de espírito, combinada com a de se ter a paixão do primeiro amor por Jesus são as chaves criadas por Deus para nos manter firmes no centro da Sua obra.

 

COMO OS SANTOS DEIXAM DE PERCEBER O MOVER DE DEUS

Andrew Murray é um dos grandes santos de Deus do início do século vinte. Foi conhecido como um grande mestre, que tinha uma paixão pela oração. Seus clamores por um avivamento eram fabulosos. Quando visitou o país de Gales para conhecer o avivamento de 1904, ele foi tocado pela impressionante presença de Deus. Mas ele deixou o país de Gales com o pensamento de que, se permanecesse ali, mesmo não intencionalmente ele contaminaria a pureza da obra que Deus estava fazendo. Ele não participou do avivamento pelo qual havia orado tanto.

Um mover de Deus geralmente vem com um estigma, algo que não é nada convidativo e que é considerado até mesmo repugnante por alguns. Línguas estranhas foram o estigma do século vinte que muitos não tiveram condições de suportar. G. Campbell Morgan, um grande homem de Deus e expositor da Bíblia, rejeitou o Avivamento Pentecostal, chamando-o de “o último vômito do inferno!” Suportar reprovações é, com frequência, um requisito para se permanecer num avivamento.

 

SUPORTANDO A REPREENSÃO DO SENHOR

Maria recebeu a anunciação mais surpreendente que jamais foi dada a alguém. Ela daria à luz a criança que seria o Messias. Ela havia sido escolhida por Deus para essa missão, e o anjo chamou-lhe de “favorecida; o Senhor é contigo”.

Essa condição de favorecida começou com a visitação do anjo. Foi uma experiência atemorizante! Ela recebeu uma palavra que era incompreensível e impossível de se explicar. Depois do choque inicial, ela ficou com o dever de ter que relatar tudo isso a José, aquele que seria o seu esposo. Sua reação, diante dessa notícia, foi que ele “resolveu deixá­la secretamente”. Em outras palavras, ele não acreditou que aquilo era de Deus, e achou melhor não prosseguir com os planos que tinha de se casar com ela. Afinal de contas, que capítulo e versículo das Escrituras diz que Deus se manifesta desse modo perante seu povo? Isso nunca havia acontecido antes. Não há precedente bíblico de uma virgem dar à luz um filho. Não bastasse esse óbvio conflito com José, Maria teria ainda que suportar o estigma de ser a mãe de um filho “ilegítimo” durante toda a sua vida. Um favor segundo a perspectiva de Deus nem sempre é muito agradável sob o nosso ponto de vista.

Tal como Maria, aqueles que passam por um avivamento têm um encontro com Deus que vai além da razão. Poucas são as vezes em que temos uma compreensão imediata sobre o que Deus está fazendo e por quê. Às vezes nossos amigos mais queridos nos abandonam, declarando que o mover em que estamos é do diabo. E ainda ocorre que somos considerados como um elemento estranho pelo restante do Corpo de Cristo. A disposição para suportarmos a rep ovação de nossos irmãos e irmãs faz parte do custo que temos que pagar para o mover do Espírito. “Por isso, foi que também Jesus sofreu fora da porta. Saiamos, pois, a ele, fora do arraial, levando o seu vitupério.” O avivamento geralmente nos leva para fora do arraial – da comunidade religiosa. E muitas vezes é fora do arraial que Ele está!

Estar com um estigma não é uma garantia de que estamos passando por um verdadeiro mover de Deus. Algumas pessoas podem sofrer uma repreensão por causa de uma heresia, ou impureza, ou legalismo. E a tensão decorrente de sermos confundidos com tais situações é que toma o verdadeiro estigma muito mais difícil de suportar. Daniel passou por esse conflito interior. Ele permaneceu fiel ao seu chamado, apesar de ser considerado apenas mais um dos magos da Babilônia, pelo rei e por sua corte.

 

O CÉU AGORA, OU O CÉU AQUI

Como foi dito, quando se extingue o Espírito, isso se torna provavelmente a causa mais frequente do fim de um avivamento, em relação a todas as outras possíveis causas. Até mesmo aqueles que abraçaram o mover de Deus muitas vezes chegam a um ponto em que a sua zona de conforto estendeu-se até um ponto em que não dá mais para aguentarem. Então passam a procurar um lugar para se situarem, um lugar em que possam ter compreensão e exercer o controle.

A segunda maior razão para o fim de um avivamento é quando a Igreja começa a esperar a volta do Senhor em vez de dedicar-se a buscar um maior irrompimento nas linhas do inimigo no desempenho da Grande Comissão. Tal postura não é incentivada nas Escrituras. Ela transforma a bendita esperança num bendito escape. Querer que Jesus volte agora é o mesmo que sentenciar bilhões de pessoas ao inferno por toda a eternidade. Não é que não devamos ansiar pelo céu. Paulo disse que essa esperança é um conforto para o cristão. Mas querer o fim de todas as coisas é pronunciar um juízo sobre toda a humanidade que está fora da Igreja. Até mesmo Paulo não quis voltar a Corinto até que a obediência deles fosse total. Será que Jesus, Aquele que pagou o preço por todo pecado, está ansioso para voltar sem que a grande colheita final tenha ocorrido? Creio que não. Desejar que a Igreja esteja no céu agora é de fato a contrafação de se buscar primeiramente o reino. Há uma diferença entre clamar pelo céu agora, e clamar pelo céu aqui! Se um avivamento nos levar para o fim de nossos sonhos, será que isso significa que alcançamos o fim dos sonhos do Senhor? Um avivamento tem de ir para um ponto muito além de tudo o que possamos imaginar. Se ficar aquém, ficou sem cumprir todo o seu propósito.

Muitos avivalistas tiveram irrompimentos tão significativos nas linhas inimigas que tiveram visões de que a vinda do Senhor estava próxima. E eles falharam em sua missão, recebida de Deus, de habilitar a Igreja para fazer o que eles haviam recebido do Senhor. Em consequência, eles alcançaram multidões, em vez de nações e gerações. Temos de planejar como se tivéssemos uma vida inteira para viver, mas trabalhar e orar como se tivéssemos bem pouco tempo à nossa frente.

 

ENCONTROS FECHADOS

Os discípulos, que estavam acostumados a ver Jesus surpreendendo-os a toda hora, viram-se ainda numa outra situação totalmente fora do comum: tiveram que esperar pelo cumprimento da promessa do Pai – fosse isso o que fosse. Os dez dias que passaram juntos sem dúvida lhes deu uma oportunidade para expressar seu pesar por terem discutido quem seria o maior entre eles, e quem nunca abandonaria o Senhor. Alguma coisa havia acontecido, pois eles permaneciam juntos, sem a presença de Jesus para os manter em paz.

Eles estavam perto de terem um encontro que tornaria insignificantes todas as outras experiências anteriores, em comparação com o que estava para acontecer. Deus em breve iria enchê-los por completo com a Sua própria pessoa, dando-lhes o poder que eles tinham visto fluir através de Jesus, de forma a explodir dentro deles. Seria a culminação dos esforços de Deus para a restauração e para o comissionamento do homem, o que estava interrompido desde que o homem deixou de cumprir o seu chamado para dominar sobre a terra, conforme narrado em Génesis. O que estava por acontecer seria um marco de extrema importância para toda a humanidade, para todo o sempre. Dez dias haviam se passado, o Pentecostes tinha chegado, e eles ainda estavam orando como vinham fazendo nos nove dias anteriores. “De repente…” … o salão em que estavam cento e vinte pessoas agora se encheu de som e de vento, de fogo e de manifestações extáticas de louvor expressas através de línguas conhecidas e desconhecidas. Não importando como se possa interpretar as instruções de Paulo sobre os dons espirituais, há um ponto importante com o qual todos temos de concordar: é que aquela reunião de Atos 2 foi totalmente dirigida pelo Espírito Santo. Aquela Igreja recém-nascida não tinha ainda aprendido o suficiente para querer controlar Deus. Os crentes não tinham ainda desenvolvido preconceitos sobre que práticas seriam aceitáveis e quais as que não seriam aceitáveis. Eles não tinham uma base na Bíblia nem na experiência para entender o que estava acontecendo.

Observemos as características desse culto dirigido pelo Espírito:

 1. Estavam orando.

2. Estavam em unidade.

3. Todos falaram em línguas.

4. Incrédulos ouviram aquelas línguas.

5. Pessoas foram salvas.

Considere em que situação difícil aqueles 120 homens de Atos 2 estavam: eles haviam acabado de ter um encontro com Deus, sem que um capítulo ou versículo tenha sido escrito para explicar o que tinha acontecido. Pedro, sob a direção do Espírito Santo, usou Joel 2 como o texto para dar respaldo à experiência pela qual estavam passando. Joel 2 declara que haveria um derramar do Espírito Santo, com profecias, sonhos e visões. O derramar do Espírito aconteceu em Atos 2 tal como prometido, mas não teve nenhum dos complementos mencionados por Joel. Em vez disso, foi com o som de um vento, e com fogo e com línguas. Foi Deus que usou aquela passagem para dar suporte a essa nova experiência.

O próprio fato de que aqui parece haver uma interpretação imprópria das Escrituras serve para nos mostrar que somos nós que muitas vezes temos uma abordagem incorreta da Bíblia. Ela não é um livro de listas que confinem ou encurralem a ação de Deus. A Palavra não contém Deus – ela O revela. Joel 2 revelou a natureza da obra de Deus entre os homens. Atos 2 é uma ilustração do que Deus pretendia através da profecia.

 

SER OU NÃO SER OFENSIVO

Muitos cultos cristãos pretendem ser tão não-ofensivos quanto possível. O que tomam como verdade é que qualquer uso dos dons do Espírito dispersará as pessoas, desviando-as do evangelho. Contudo eles já se desviaram.

Para a maioria das pessoas, um culto muito expressivo, a ministração de dons espirituais, e coisas semelhantes apenas fazem com que se desviem os crentes que tenham tido a infeliz experiência de terem sido ensinados contra elas. Mas muitas dessas pessoas acabam voltando para quem tem essas experiências quando estão enfrentando uma situação impossível e precisam da ajuda de alguém experimentado no evangelho de poder.

A Igreja tem o vício nada saudável da perfeição: aquela do tipo que não dá espaço para desordens. Tal padrão somente pode ser alcançado restringindo-se ou rejeitando os dons do Espírito. “Tudo, porém, seja feito com decência e ordem”. O “tudo” desse versículo refere­ se às manifestações do Espírito Santo. Portanto, tudo seja feito antes de termos o direito de discutir quanto à ordem.

Manter tudo em ordem tem se tornado a nossa grande comissão. Os dons do Espírito interferem no conduzir as coisas em ordem, e a ordem torna-se a coisa de maior valor. Assim, por que dar valor a uma desordem ocasional? “Não havendo bois, o celeiro fica limpo, mas pela força do boi há abundância de colheitas.” Desordens são necessárias para o crescimento.

Quão importante é o crescimento para Deus? Jesus certa vez amaldiçoou uma figueira por não ter frutos fora da estação! Numa de Suas parábolas um homem foi lançado para fora, nas trevas, por ter enterrado o seu talento, não tendo obtido um aumento para o seu Senhor.

Há uma enorme diferença entre um cemitério e uma creche. O primeiro está em perfeita ordem, mas o segundo tem vida. Uma pessoa que não tenha filhos pode entrar na creche de uma igreja e, vendo as crianças alegres, movendo-se em suas brincadeiras, talvez diga, erroneamente, que está tudo em desordem. Em comparação com a sala de estar da sua casa, por certo está tudo em desordem. Mas quando um dos pais entra na sala das crianças e vê que o seu filhinho está brincando com seus coleguinhas, para ele está tudo perfeito! É uma questão de perspectiva. A ordem tem o propósito de promover a vida. Além desse ponto ela trabalha em sentido contrário ao que consideramos de valor.

 

NA IMAGEM DELE

Não chegamos a Deus quando vivemos com a nossa imagem de quem Ele é. Temos o hábito de fazer com que Ele se pareça conosco. De fato, se pensamos que O entendemos, provavelmente nós O conformamos à nossa própria imagem. Têm de haver ainda alguns aspectos misteriosos em nosso relacionamento com Aquele que se propôs a operar além da nossa imaginação.280 Empenharmo-nos a conhecê-Lo significa lançarmo­nos numa aventura em que muitas questões surgirão. Nosso desejo, nascido de Deus, de um avivamento tem de nos tornar totalmente ansiosos de reconhecê-lo, quando ele vier. Sem essa ansiedade, ficamos satisfeitos com o nosso status atual, e tornamo-nos nossos piores inimigos na mudança da história. A história não pode ser mudada eficazmente até que estejamos dispostos a sujar as mãos. Isso acontece quando aceitamos o chamado de nos infiltrarmos no sistema babilônico.

Disso, porém, vamos tratar no próximo capítulo.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

QUANDO A VIRTUDE DESVIRTUA

Reafirmação do bom caráter moral do ser humano (nas redes sociais e fora delas) é a mais nova virose contemporânea

Quando a virtude desvirtua

Greta Thunberg tem sido elogiada por chefes de Estado, foi recebida pelo papa e discursou na abertura da Cúpula de Ação Climática da Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro. São distinções raras, se não inéditas, para uma adolescente de 16 anos. A jovem sueca tornou-se um símbolo global e, como todo símbolo, evoca reações diversas e contraditórias: para os admiradores, a face limpa e as tranças que conferem um ar de inocência pueril à líder das greves estudantis pelo clima representam a pureza de um movimento internacional que deseja salvar o planeta; para os críticos, o ricto que contorceu o rosto de Thunberg nos momentos mais passionais do discurso na ONU – “Tudo que vocês fazem é falar em dinheiro e no conto da carochinha do crescimento econômico eterno. Como vocês se atrevem? (…) A mudança está chegando, quer vocês queiram, quer não” – é a expressão radical de um catastrofismo cego. A personalidade de Thunberg e suas fragilidades – em especial, o fato de ela ser portadora da síndrome de Asperger – são arrastadas para a disputa. Fatalmente, levantou-se a acusação de que ela seria uma jovem mimada praticando a “sinalização de virtude”. Em anos recentes, essa expressão pejorativa – “virtue signaling”, em inglês – tornou-se corrente na guerra cultural entre a esquerda e a direita americanas. Designa uma forma de exibicionismo público: aqueles que alardeiam sua adesão a uma causa, mas não se comprometem efetivamente com ela, estariam apenas dando sinais de sua própria virtude, sem que isso lhes custasse qualquer esforço ou dispêndio. A dedicação integral que Thunberg demonstra ao ambientalismo a princípio descartaria a possibilidade de que ela esteja apenas propagandeando os próprios méritos. Mas a admiração quase sagrada e, de outro lado, a repulsa visceral que sua figura inspira indicam a presença dessa virose contemporânea. Greta Thunberg, como qualquer um de nós que já tenha feito declarações políticas exaltadas no Twitter, está imersa no que o psicólogo americano Geoffrey Miller chamou, em um livro recente, de “cultura da sinalização de virtude”.

Não é só Greta Thunberg: qualquer tema ou figura controversas convidam à sinalização de virtude. Quando consideramos que apenas nosso ponto de vista está “do lado certo da história”, o simples fato de anunciá­lo se torna uma afirmação de nosso bom caráter moral. As queimadas na Amazônia e o aborto, a liberação das armas e os protestos no Chile, o Brexit e a reforma da Previdência: quantos posts em redes sociais sobre esses temas você, leitor, já encontrou (ou escreveu) que incluíssem informação sólida e argumentação ponderada – e não apenas adesão passional ou rejeição rápida?

A sinalização de virtude, porém, não foi criada pela polarização política ou pela pulverização informativa das redes sociais. Nos ensaios reunidos em Virtue signaling, Miller ensina que a espécie humana desde sempre se dedicou a sinalizar virtude. E isso não é tão ruim assim.

Professor do departamento de psicologia da Universidade do Novo México, Miller segue a linha teórica conhecida como “psicologia evolutiva”, que busca entender o comportamento humano a partir da biologia darwinista. Suas pesquisas centram-se na seleção sexual, um mecanismo da evolução proposto por Charles Darwin na obra posterior ao seminal. A evolução das espécies. Sob os imperativos draconianos da seleção natural, os seres vivos devem se adaptar às pressões cambiantes do ambiente – ou morrerão sem propagar seus genes para futuras gerações. Mas os animais também precisam adaptar-se para atrair parceiros sexuais – ou, mais uma vez, morrerão sem deixar herança genética. Danças de acasalamento e o canto dos pássaros estão entre os produtos mais vistosos da seleção natural, e o ser humano de ambos os gêneros também segue certos rituais de sedução. Miller argumenta que a seleção sexual teve parte importante na evolução da moral humana – e, por extensão, da sinalização de virtude.

Na fase do flerte, parceiros avaliam-se mutuamente, selecionando valores como honestidade, generosidade, altruísmo. E até a ideologia política tem seu papel nos ritos da seleção sexual. Em um dos ensaios mais provocativos de Virtue signaling, Miller recorda uma greve estudantil contra o apartheid na Universidade Columbia, em Nova York, onde ele estudava em 1985. Os manifestantes exigiam que a universidade se desfizesse de todos os investimentos em empresas que apoiavam o governo da África do Sul – medida que exerceria uma pressão pouco significativa sobre o regime racista. Miller recorda que muitos participantes acharam parceiros sexuais durante as manifestações. Surgiram daí até algumas relações estáveis, que duraram mais do que o interesse dos estudantes pela África do Sul. A exibição mútua de boas intenções político ­ ideológicas propiciou condições ideais para a seleção sexual. A participação no protesto teria, portanto, uma função análoga à cauda multicolorida do pavão, um apêndice sem função outra que dar sinais de vigor e saúde genética para a fêmea da espécie.

O autor admite que considerar expressões ideológicas como estratégias para levar parceiros para a cama pode “trivializar todo o discurso político”, mas acredita que essa perspectiva também confere uma visão mais acurada da irracionalidade que move as paixões políticas. Nessa perspectiva, qualquer profissão de fé em uma causa ou partido seria uma sinalização de virtude – com o fim último de seduzir o objeto do desejo que por acaso compartilha das mesmas crenças (também há, claro, ganhos sociais: professar as ideias mais aceitas em determinado grupo traz prestígio). Não haveria nada de errado, porém, em ostentar bons sentimentos para, inconscientemente, perseguir a satisfação erótica ou o sucesso social. Sempre fizemos isso, diz Miller. A expressão “virtue signaling” só teria se popularizado na conversa sobre política a partir da campanha presidencial americana de 2016, da qual Donald Trump saiu vencedor. Mas desde tempos perdidos na memória da espécie humana já gostávamos de propagar nossos valores morais, nossas concepções éticas, nossas crenças religiosas. A generosidade é quase sempre ostensiva: o voluntário que limpa o óleo nas praias do Nordeste e o profissional do Médico sem Fronteiras que administra vacinas em áreas conflagradas do Congo gostam de ser reconhecidos pelo que fazem, e é bom que seja assim, pois seus exemplos incentivam mais pessoas a doarem tempo e dinheiro para as causas que julgam importantes.

Há sinais de virtude que custam tempo, esforço, dinheiro. E há a camiseta com slogan, o adesivo do candidato político no vidro do carro, o post no Facebook. Cara ou barata, a sinalização de virtude responde pelo melhor e pelo pior do ser humano, diz Miller: combinada a uma mentalidade aberta e tolerante, à curiosidade científica e à racionalidade, a sinalização de virtude já nos deu o abolicionismo, o sufragismo, os movimentos pela liberdade de expressão. Quando carece desses atributos, a sinalização de virtude gera monstros como “o Reino de Terror de Robespierre, o Holodomor de Stálio, o Holocausto de Hitler, a Revolução Cultural de Mao e o Twitter”.

Equiparar o Twitter aos maiores genocídios do século XX, deve ser óbvio, é uma blague de Miller. O autor, aliás, é bem ativo na rede social – e já teve problemas por lá, quando fez uma piada desastrada sobre obesidade. Mas é claro que a sinalização de virtude só ganhou conotações pejorativas porque, graças às redes sociais, nunca foi tão fácil e barato emitir sinais de nossa elevada moralidade: menos de um minuto no celular, e você já demonstra a todos os seus amigos que está indignado com o novo governo, cujas reformas roubam os direitos do trabalhador, ou com a hipocrisia dos “vermelhos” que passaram anos envolvidos em esquemas de corrupção bilionária e hoje reclamam de triviais rachadinhas. Miller, porém, não chega a discutir as novas oportunidades que a comunicação virtual oferece à informação duvidosa e à opinião inconsequente. Não é a única lacuna de seu novo livro: coletânea de ensaios cuja relação com o tema anunciado no título nem sempre é direta, Virtue signaling acaba não entregando tudo que seu instigante prefácio promete – e não explica exatamente o que é a tal “cultura da sinalização de virtude” em que vivemos hoje.

Um bom ponto de partida para entender o alcance dessa cultura pode ser “A horrenda ascensão da sinalização de virtude”, breve ensaio que o jornalista britânico James Bartholomew publicou na revista The Spectator, em 2015 – esse texto, aliás, tem sido creditado como o pioneiro na popularização do termo “sinalização da virtude”. Bartholomew comenta sobretudo casos de sinalização na política britânica, mas abre o ensaio com um exemplo da publicidade: os anúncios da rede americana Whole Foods, que vende comida orgânica, apregoam uma nova “consciência” abraçada pela empresa – uma consciência que “defende o que é bom”. É uma tendência clara da publicidade contemporânea, que já não se contenta em afirmar que o produto anunciado é melhor que os concorrentes: o suco em caixa afirma que é “do bem”, a rede de lanchonetes garante que seu hambúrguer toma o mundo melhor e inúmeras empresas vangloriam-se de suas práticas “sustentáveis” e “inclusivas”.

O artigo é especialmente acurado ao notar que a virtude pode ser sinalizada até por declarações de ódio ou repulsa. Dizer “eu detesto SUVs” é uma forma de se mostrar preocupado com o meio ambiente. Figuras políticas divisivas servem bem a esse jogo: declarações de ódio a Bolsonaro ou Lula garantem acolhida fácil à esquerda ou à direita. O ódio, no entanto, não é um sentimento dos mais virtuosos. Em sua modalidade contemporânea, a sinalização de virtude tem, a rigor, pouco a ver com virtude.

A bondade de um indivíduo, lamenta Bartholomew, não se prova mais com gestos simples como ajudar um idoso a atravessar a rua ou doar dinheiro para caridade. “Ninguém precisa mais fazer coisa alguma. A virtude vem de meras palavras ou até de crenças cultivadas em silêncio”, diz o jornalista. Este é o cerne da cultura de sinalização de virtude: a retórica auto celebratória conta mais que a ação altruísta.

O filósofo australiano Peter Singer, conhecido por sua defesa dos direitos dos animais, certa vez propôs que a doação de sangue seria um exemplo de gesto altruísta inteiramente desinteressado: em geral, o doador não é pago e nem terá tratamento privilegiado na eventualidade de um dia precisar de uma transfusão. O biólogo Richard Alexander contestou a ideia generosa de Singer: o doador é pago não em dinheiro, mas em reconhecimento social. “Quem entre nós não tem certa reverência pela pessoa que nos diz casualmente que acabou de doar sangue?”, pergunta Alexander. A sinalização de virtude – nesse caso, virtude real, exercida em um ato efetivo – vem na forma do esparadrapo no braço, atestando para vizinhos e colegas de trabalho que a doação foi realizada naquele mesmo dia. Pode-se dizer que a vazia sinalização de virtude hoje praticada nas redes sociais consiste em aumentar o esparadrapo até que, de tão grande e chamativo, ele torne dispensável a doação de sangue Mas qual seria o problema de fazer alarde em torno de causas pelas quais nada se fez se a causa é justa? Quando a virtude certa é sinalizada, no fim das contas algum bem não pode sair daí? Talvez. Mas há custos para a vida política, que abandona a discussão de ideias para se centrar sobre a exaltação – ou o achincalhe – de personalidades públicas. E há custo talvez maiores para a vida social, para a mais básica civilidade cotidiana: se uma opinião ligeira expressa no Twitter ou até uma hashtag – #Lulalivre, #BolsonaroMito – valem por uma afirmação de virtude, então opiniões memes divergentes só poderão ser o Mal encarnado. Abre-se a porta para a intolerância, o sectarismo, a ignorância, a propagação da mentira, que tomam tóxico o debate público.

Na guerra de vaidades dos sinalizadores da virtude, os problemas cada vez mais complexos que nos afetam são reduzidos a expressões de narcisismo exacerbado. É assim com aquecimento global. Em sua fala na ONU Greta Thunberg até citou números do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) órgão internacional que monitora a temperatura do planeta. Ninguém deu atenção a esses dados: estavam todos comovidos com o drama da estudante sueca cujos sonhos se perderam porque os gananciosos líderes mundiais não querem ouvir sua mensagem virtuosa.

Quando a virtude desvirtua. 2

OUTROS OLHARES

OS SONS DO PASSADO

Levantamento de mercado mostra que, pela primeira vez desde 1986, os vinis vão superar os CDs – ambos ainda resistem apenas pelo fervor de alguns apaixonados

Os sons do passado

exatos 38 anos, celebrava-se o estrondoso lançamento: “O mercado de discos não recebia uma novidade tão grande desde que a Columbia Records anunciou, em 1948, o long-play de 30 centímetros de diâmetro e cinquenta minutos de gravação. Em conjunto, a Philips holandesa e a Sony japonesa lançam agora o disco compacto, de apenas 12 centímetros de diâmetro e que, nessa superfície exígua, contêm, em sua única face gravada, sessenta minutos de som”. A notícia ecoava o primeiro grande sucesso mundial em CD, o álbum The Visitors, da banda sueca Abba, levado às lojas em novembro de 1981 – embora algumas pequenas gravadoras de música clássica tivessem testado a plataforma algum tempo antes. No Brasil, o CD inaugural foi uma antologia gravada por Nara Leão e Roberto Menescal, Garota de Ipanema, em 1986.

Em setembro, um relatório da associação americana de gravadoras – a RIAA, na sigla em inglês – revelou o impensável: ainda neste ano a venda de vinis deve superar a de CDs nos Estados Unidos, algo que não acontecia desde 1986. O disco compacto terá vivido quatro décadas – pouca coisa menos que o LP de vinil, que começou a minguar já cinquentão, a despeito de, ressalve-se, ainda respirar, firme e forte, com o típico chiado analógico, em nichos. Para o guitarrista Jack White, o mais notório defensor da permanência das bolachas, há um novo tempo atrás da porta. “Na próxima década, teremos a coexistência do streaming com o vinil – o streaming no carro e na cozinha, o vinil na sala de estar e no quarto de dormir”, diz ele, aparentemente esquecido do apogeu dos fones de ouvidos plugados aos smartphones, com ou sem fio.

Mas, afinal de contas, quem ainda ouve LPs e, logo mais, quem ainda ouvirá CDs, para além do prazer tátil de pôr as mãos em produtos vintage? Os nostálgicos do vinil costumam dizer que as nuances das músicas, como eventuais acordes dissonantes, são suprimidas nas produções digitais, que dominam 80% do mercado – daí o apego ao passado. “Mas o revival está mais relacionado à busca pela autenticidade, ao interesse por todo o processo de criação deum LP, que vai da gravação ao encarte”, diz o pesquisador Marco Resende Rapeli, mestre em ciências sociais aplicadas da ESPM. O prazer, para alguns, é literalmente físico. “Tem gente que até aproxima o nariz do LP e exulta: “Que cheiro de disco antigo”, afirma Caio Figueiroa, que trabalha na Sonzera, uma das lojas dedicadas aos LPs da Galeria Nova Barão, recanto clássico da cultura paulistana dedicado à indústria fonográfica dos velhos tempos.

O CD, embora seja mais jovem, também atrai colecionadores, e uma categoria em especial: os amantes de música clássica. Um levantamento feito ao Reino Unido pela Royal Philharmonic Orchestra mostra que 39% dos compradores das peças de Bach, Brahms, Mozart, Beethoven e cia. querem o produto físico, devidamente catalogado e exposto nas prateleiras – uma minoria vai de streaming. Essa turma reticente, apaixonada pelos compactos, também defende a qualidade do som em comparação com a das versões mais modernas, mas trata-se de uma diferença que um ouvido comum não identifica.

 Tudo somado, o ocaso do CD, agora novamente ultrapassado pelo vinil, faz parte do inexorável progresso da indústria da música, uma revolução que começou na tecnologia MP3, ganhou força com o iPod de Steve Jobs e provocou o nascimento de serviços práticos e incontornáveis como o Spotify. E certamente outras inovações surgirão no horizonte. Mas, para os fiéis amantes de vinis e CDs, toda essa modernidade ainda não superou a qualidade e o prazer dos sons do passado.

Os sons do passado. 2

GESTÃO E CARREIRA

PARE DE PROCRASTINAR

O que é necessário fazer para sua vida deslanchar? É essa pergunta que Christian Barbosa, especialista em gestão do tempo e produtividade, busca responder em seu novo livro, Por Que as Pessoas Não Fazem o Que Deveriam Fazer? Na obra, recém-lançada, ele se debruça sobre o tema da procrastinação e apresenta ferramentas para que as pessoas organizem as ideias e vençam a dicotomia “quem se quer ser”, versus “o que se quer ter”. Leia, a seguir, trecho Inédito no qual o autor ensina a otimizar nossos pensamentos.

Pare de procrastinar

TRECHO DO LIVRO

 

1.  ESCREVA SUAS IDEIAS

Imagine que você está com um grupo de amigos, em carros e motos, descendo uma serra que desconhece. De repente surge uma neblina bastante densa que dificulta muito a visibilidade. Nesse momento você não consegue ver seus amigos, seu senso de localização fica comprometido, seu nível de estresse aumenta em função do risco imposto pela condição da estrada, seus amigos aparecem e desaparecem no meio da neblina. Eu moro em Santos, no litoral de São Paulo. Em alguns períodos do ano, quando desço a serra de São Paulo para Santos, é essa situação que encontro. Essas condições climáticas são muito comuns nessa região e o risco de acidente aumenta consideravelmente, pois é impossível, por mais que você conheça a estrada, ter segurança e visibilidade. O que a concessionária da rodovia costuma fazer nessas condições é fechar o pedágio até juntar uma certa quantidade de veículos e fazê-los descer em comboio, com a polícia rodoviária na frente a uma velocidade média de 50 quilômetros por hora. Com isso, o efeito da neblina é minimizado, você começa a ver os carros, que agora estão próximos, em quantidade e a uma velocidade constante.

Parece que nem existe neblina, o que faz com que muitos motoristas reclamem do que consideram um excesso de precaução. A neblina na serra e a sua mente cheia de ideias são muito parecidas. Enquanto estão na cabeça, as ideias se encontram de certa forma envolvidas por uma “névoa”, elas podem escapar rapidamente da sua visão, e você pode nunca mais encontrá-las. Sem que possam ser vistas com clareza de detalhes, elas acabam se perdendo.

A forma de começar a limpar a neblina é tirar as ideias da cabeça e colocá-las em outro lugar. Assim como recomendo que você organize suas tarefas a fim de gerenciar seu tempo, é necessário tirar as ideias da cabeça se quiser filtrá-las e executá-las.

Tirar ideias da cabeça significa escrevê-las (ou gravar em áudio, se preferir) para que possamos passar para outras etapas da seleção. Pode parecer simples, mas, quando perguntei às pessoas do teste se tinham o costume de escrever ideias, apenas 38% disseram que faziam isso com regularidade.

Escrever também estimula o cérebro (existem diversos estudos publicados sobre isso). Um deles define inclusive que as crianças precisam do movimento da escrita para desenvolvimento cerebral pois, sem isso, teríamos algumas deficiência em nossa fase adulta.

Virgínia Berninger, psicóloga da Universidade de Wisconsin, testou estudantes e descobriu que, ao fazer redações escritas a mão, eles geravam mais ideias do que quando faziam usando o computador. Em outra pesquisa, Berninger mostra que a sequência de movimentos dos dedos, necessária para escrever, ativa regiões do cérebro envolvidos com pensamento, linguagem e memória de curta duração. O mesmo efeito acontece se você escrever com uma caneta em um tablet.

Eu, particularmente, considero o resultado da pesquisa bastante concludente. Quando estou travado de ideias, gosto de escrever a mão ou no tablet. Quando já tenho a ideia e preciso apenas tirá-la da cabeça para destrinchá-la melhor eu gosto de usar um software de mapas mentais – um tipo de apresentação de ideias em forma de neurônio, desenvolvido por Buzan, que facilita a geração, a classificação, a estruturação e a visualização de ideias, desde as simples até textos bem complexos em um único gráfico.

Nessa primeira etapa do processo de seleção de ideias, o objetivo é escrever todas as ideias que rondam a cabeça. Não se preocupe se são viáveis nem se são muito importantes para você. Também não ligue para o que os outros vão pensar. Apenas escreva tudo o que lhe vai na cabeça (.,)

 

2. AGRUPE SUAS IDEIAS EM EQUILÍBRIO E RESULTADO

Antes de selecionar suas ideias é necessário verificar se você tem clareza do que realmente necessita neste momento da sua vida. Sem saber o que precisa, tudo vai servir, você ficará sem foco e mais e mais ideias vão brotar em sua cabeça (.,)

Agrupar ideias permite identificar essa deficiência e o ajuda a reforçar aquelas de que realmente necessita e a não ficar na mesma para sempre. Existem milhares de exemplos de ideias em cada uma dessas áreas. Vou citar alguns, para reforçar o que foi discutido anteriormente:

IDEIAS DE EQUILÍBRIO: tempo para a família; melhorar a saúde; descobrir meus hobbies; achar o verdadeiro amor; descobrir minha missão pessoal; emagrecer; reduzir o estresse; desenvolver meu lado espiritual; melhorar minha capacidade de feedback; viver intensamente; melhorar meu relacionamento com fulano; sair do sedentarismo; parar de fumar; aceitar minha autoimagem; adquirir mais cultura; aproveitar o que já tenho; aprimorar minha capacidade de dizer não a algo que não me agrade etc.

IDEIAS DE RESULTADO: falar inglês fluente; MBA em gestão empresarial desenvolver carreira de consultoria; fazer dinheiro na minha profissão; comprar casa própria; viajar para Disney; obter cargo de diretor; criar meu próprio negócio; aprender a investir meu dinheiro; correr a maratona São Paulo; ganhar o prêmio profissional do ano; escrever um livro etc.

Claro que são apenas exemplos, não ideias, que você precisa usar. Dificilmente alguém além de você é capaz de entender suas mais profundas necessidades e, quando tentam, você pode até aceitar, mas, se não for algo que queira, a ideia vai ser bloqueada na fase de procrastinação. Repare que essas ideias são bem vagas, portanto, este não é o momento de julgá-la, apenas de agrupá-las. (.,)

 

3.DEFINA O QUE É PRIORITÁRIO

Agora que já ternos as ideias e sabemos a que grupo pertencem, é o momento de ver quais delas vamos levar adiante. Se o problema de ter ideias é o excesso, a solução é ter poucas ideias, mas ideias que realmente nos ajudem a obter aquilo de que precisamos (equilíbrio e resultado). (..)

Priorizar é a chave para você filtrar suas ideias para saber o que precisa ser feito e o que deve se posto de lado no momento ou mesmo apagado de vez da sua vida. Quem tenta fazer tudo não faz nada, só gasta energia, tempo e perde a oportunidades. (.,)

O primeiro passo para priorizar é definir as variáveis que servirão para avaliar todas as ideias. Você pode criar suas próprias variáveis, critérios (desde que sejam poucos), mas sugiro como início estes três:

NECESSIDADE: esta, sem dúvida, é a variável mais importante. Se você não precisa, para que investir tempo e energia? Entendendo a relação entre resultado e equilíbrio, aquilo em que você pensou é realmente o que você mais precisa? A ideia é extremamente necessária para sua vida. Conseguirá viver sem essa ideia feliz?

VIABILIDADE: eu adoraria fazer uma campanha nacional para mudar os dispositivos do código penal brasileiro, que considero um dos maiores problemas do país, mas infelizmente não é uma ideia viável neste momento da minha vida. No mínimo seria um esforço hercúleo que poderia comprometer outras prioridades. Sua ideia é viável? Você é capaz de executa-la ou ela é apenas um sonho distante?

PAIXÃO: ideias não podem ser apenas racionais, precisamos do nosso cérebro emocional para apoiar a persistência no caminho. Você está apaixonado a ponto de querer se dedicar à sua ideia? Sem paixão nada acontece; se você não vai se apaixonar pela sua ideia, para que insistir em algo que vai se dissolver em pouco tempo? Essas variáveis precisam ter peso, uma nota que permita classificar nossas ideias. Eu sugiro um peso maior para necessidade, algo como uma nota 3, depois para viabilidade (nota 2) e, em seguida, para paixão (nota 1). Fique à vontade para montar sua própria escala. Se não tiver uma, experimente esta que testamos e veja se funciona. (.,)

 

4. FILTRE DE FORMA RACIONAL E EMOCIONAL

Com as ideias escritas, classificadas na variável da matriz que indica o que você mais precisa no momento e já com o devido peso atribuído ao momento final de seleção. Para dar seguimento, selecione as cinco ideias (caso não tenha cinco ideias não há problema, melhor ainda) que tiveram maior pontuação na fase anterior(…).

Se você chegou até aqui é porque conseguiu limitar seu número de opções, de informação e tem alguns critérios que podem ajudá-lo a decidir. O que fizemos até agora foi preparar o terreno para ajudar seu cérebro a decidir melhor o que deve ser feito. Nós filtramos suas ideias e deixamos apenas aquelas mais coerentes com o seu propósito de conseguir mais resultados e equilíbrio na vida.

Se as ideias selecionadas ainda não são totalmente satisfatórias para você, sugiro que espere alguns dias ou até algumas semanas e repita todo o processo a fim de verificar se as ideias se confirmam ou são alteradas. Dê tempo ao tempo: às vezes, você precisa esperar um pouco para que as ideias assentem na sua cabeça.

O processo de escolha do nosso cérebro é extremamente complexo, tem muitas áreas envolvidas, não permite ter uma fórmula única de tomada de decisões. Agora é o momento de pensar racionalmente e também emocionalmente; é o momento do feeling, pois na escuridão da incerteza humana é que na maioria das vezes, lá no fundo, sabemos o que vai dar certo.

Pare de procrastinar. 2

ALIMENTO DIÁRIO

QUANDO O CÉU INVADE A TERRA

Quando o Céu invade a Terra

CAPÍTULO 14 – GUERREANDO PARA INVADIR!

O verdadeiro cristão é um guerreiro do rei. Somente ele tem enorme prazer em entrar na batalha com toda a sua alma, fazendo com que toda situação se torne cativa do Senhor Jesus Cristo.

 

“Por muito tempo a Igreja tem atuado na defensiva, na batalha pelas almas. Quando ouvimos falar sobre o que uma determinada seita, ou um outro ramo das trevas, está planejando fazer, reagimos criando estratégias para confrontar os planos do inimigo. Criamos comissões; líderes discutem; e os pastores pregam contra o que possa estar o diabo fazendo, ou que esteja próximo de o fazer.

Talvez você se surpreenda com o que vou dizer: não dou a mínima importância para o que o diabo possa estar planejando fazer. A Grande Comissão coloca-me na ofensiva. Eu estou com a bola. E se eu a levar para a frente, sabendo jogar, os planos dele não terão importância.

Num jogo de futebol, vence o time que se preocupa com o seu jogo, e não se intimida com o adversário. O técnico do adversário, muitas vezes, faz declarações antes da partida, procurando criar um clima de superioridade e levar o seu oponente a jogar na defesa. E, por causa disso, preocupando-se com o adversário, o time ameaçado acaba não fazendo o seu jogo, mas sim o jogo do time contrário, e acaba sofrendo uma derrota.

Por mais tolo que seja esse tipo de comportamento, esta é a condição de uma grande parte da Igreja nos dias atuais. Satanás revela seus planos para nos colocar na defensiva. Ele ruge, procura impor-se, e nós agimos como se estivéssemos sob o seu controle. Paremos com essa tolice, e deixemos de ficar louvando o diabo com discussões intermináveis sobre o que há de errado no mundo por causa dele. Nós temos o nosso jogo, e estamos com a bola.

O potencial da presente geração, que é maior do que o das anteriores, não tem nada a ver com a nossa própria piedade, mas tem tudo a ver como plano mestre de nosso Senhor de nos colocar neste ponto da história. Temos que nos tornar o pior pesadelo do diabo.

 

POR QUE O DIABO DEIXA VAZAR OS SEUS SEGREDOS

Creio honestamente que satanás permite que suas estratégias se tornem conhecidas de modo que venhamos a reagir a elas. Ele adora ficar no controle. E, sempre que nós não estamos no controle, ele fica. E, quando reagimos, nossas reações são decorrentes do medo.

Não temos que ficar aguentando a situação até a volta de Jesus! Somos um corpo de pessoas vencedoras, corpo esse que foi comprado por sangue, foi cheio do Espírito, e foi comissionado pelo próprio Deus, de forma que tudo o que Ele falou no passado viesse a acontecer. Quando planejamos segundo os planos de satanás, automaticamente ficamos com uma postura mental errada. E nossas atitudes incorretas podem tornar­ se verdadeiras fortalezas em nosso pensamento, provocando assim uma investida legal do inferno contra nós. Desse modo, nossos temores acabam se tornando profecias que por si mesmas se cumprem.

 

SEGREDOS BÍBLICOS ACERCA DA GUERRA

A guerra espiritual é inevitável, e ignorá-la não fará com que ela não aconteça. Portanto, temos de aprender a batalhar com uma autoridade sobrenatural! Os seguintes princípios são verdades muitas vezes esquecidas:

 

  1. “Tendo Faraó deixado ir o povo, Deus não o levou pelo caminho da terra dos filisteus, posto que mais perto, pois disse: Para que, porventura, o povo não se arrependa, vendo a guerra, e torne ao Egito.” (Êxodo 13:17)

Deus tem plena convicção sobre até que ponto poderemos atuar na presente situação. Ele nos faz desviar de qualquer batalha que possa nos fazer dar meia volta e abandonar o nosso chamado. E assim concluímos que Ele nos encaminha apenas para as batalhas em que podemos derrotar o inimigo.

O lugar de maior segurança nesta guerra acha-se na obediência.

Quando estamos no centro da vontade de Deus, enfrentamos apenas aquelas situações em que estejamos em condições de vencer. Mas, por estarem afastados da Sua vontade, muitos cristãos caem, tendo que enfrentar uma excessiva pressão, por eles mesmos engendrada. É na Sua vontade que se encontra o lugar mais seguro para se ficar.

 

  1. “Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários.”(Salmo 23:5}

Deus de modo algum Se intimida com as táticas do inimigo. De fato Ele quer ter comunhão conosco bem diante dos olhos do diabo. É na intimidade com Deus que temos a nossa postura mais forte. Nunca permita que nada o faça sair dela. Muitos são os que se tornam “intensivos batalhadores” para o seu próprio bem. Tal intensidade frequentemente exibe a força humana, não a graça. Quando optamos por essa condição de ser “intensivos batalhadores”, isso nos afasta da alegria e da intimidade com Deus. É uma indicação de que nos desviamos do nosso primeiro amor. No caso de Paulo, a intimidade que ele tinha com Deus fez com que ele dissesse, lá daquela prisão infestada de demônios em que se encontrava: “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai­ vos!”

 

  1. “…e que em nada estais intimidados pelos adversários. Pois o que é para eles prova evidente de perdição é, para vós outros, de salvação, e isto da parte de Deus.” (Filipenses 1:28}

Quando rejeitamos o medo, o inimigo é que fica aterrorizado. Um coração confiante é um sinal seguro da destruição final dele e da nossa vitória no dia de hoje! Não tenha medo, nunca! Volte-se para as promessas de Deus, passe tempo com pessoas de fé, e que cada um encoraje o outro com os testemunhos do Senhor. Louve a Deus por quem Ele é, até que o medo não mais bata à sua porta. Isto não é uma opção, pois na verdade o medo convida o inimigo a vir para matar, roubar e destruir.

 

  1. “Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.” (Tiago 4:7)

 A submissão a Deus é a chave para o sucesso pessoal. Nossa principal batalha na guerra espiritual não é contra o diabo. É contra a carne. Sujeitando-nos ao Senhor é o que coloca os recursos de Deus à nossa disposição para uma permanente vitória, para executarmos o que Jesus já conquistou para nós no Calvário.

 

  1. “…e as portas do inferno não prevalecerão contra ela (a Igreja).” (Mateus 16:18)

Eu não fui deixado no planeta terra para ficar escondido, esperando a volta de Jesus. Aqui estou como um representante militar do céu. A Igreja está no ataque. É por isso que as portas do inferno – o lugar do poderio e do domínio dos demônios – NÃO PREVALECERÃO contra a Igreja.

 

  1. “Deus fez sobremodo fecundo o Seu povo e o tornou mais forte do que os seus opressores. Mudou-lhes o coração para que odiassem o Seu povo e usassem de astúcia para com os Seus servos.” (Salmo 105:24-25)

Primeiramente Deus nos fortalece, mas também instiga o ódio do diabo contra nós. Por quê? Não é porque Ele queira criar problemas para a Sua Igreja. É porque Ele gosta de ver o diabo derrotado por aqueles que foram feitos à Sua imagem, por aqueles que, por sua livre escolha, têm com Ele um relacionamento de amor. Deus nos delegou a Sua autoridade. É um grande prazer para o Senhor quando exercemos o triunfo de Jesus sobre os demônios, quando nos dispomos a “executar contra eles a sentença escrita, e que será honra para todos os santos.” (Salmo 149:9)

 

  1. ” …exultem os que habitam nas rochas e clamem do cimo dos montes; deem honra ao SENHOR e anunciem a Sua glória nas terras do mar. O SENHOR sairá como valente, despertará o Seu zelo como homem de guerra; clamará, lançará forte grito de guerra e mostrará Sua força contra os Seus inimigos.” (Isaías 42: 12-13)

O nosso culto a Deus é um dos maiores privilégios da nossa vida. O louvor honra a Deus. Mas também nos edifica e destrói os poderes do inferno! É algo estupendo pensar que posso louvar ao Senhor, ter a Sua paz enchendo a minha alma, e ouvi-Lo dizer que sou um homem poderoso e de valor. Tudo o que fiz foi adorá-Lo. Ele destruiu os poderes do inferno para me favorecer e me deu os “gols” da vitória.

Tudo isso, porém, não é tudo. É apenas o necessário para fazer com que a nossa perspectiva se volte para a guerra espiritual, para que ela não mais contemple o que é religioso e carnal, mas para firmá-la na visão do Reino. Arrependa-se, mude o seu modo de pensar, e você verá quão “próximo” de você o Reino de Deus de fato está.

Nascemos numa guerra. Não há tréguas, não há períodos de férias, e nenhuma folga. O lugar mais seguro é estarmos no centro da vontade de Deus, onde estamos em profunda intimidade com Ele. Neste lugar Ele somente permite que enfrentemos as batalhas que estamos plenamente capacitados a vencer.

Não somente este lugar é o mais seguro, é também o lugar de maior regozijo para o crente. Fora da intimidade com Deus provavelmente estaríamos desperdiçando a oportunidade de participarmos do acontecimento mais grandioso na terra. Mas esse é o assunto de nosso próximo capítulo.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

DE FRENTE COM A RAIVA

A raiva é claramente oposta à paciência, essa habilidade de se manter emocionalmente estável e tolerante, diante de incômodos e dificuldades. Apesar dos estragos que pode causar, cientistas apostam que é possível usar esse sentimento de forma saudável.

Alguns autores argumentam que a raiva tem seu lado positivo, desde que seja usada de maneira adequada. “Qualquer um pode irritar-se, isso é fácil; difícil é zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, no momento certo, com o propósito certo”, escreveu Aristóteles, há mais de 2000 anos, em sua obra clássica A arte da retórica. Ter essa medida, entretanto, não é fácil. Justamente por isso tendemos a associar a ira ou mesmo a irritação à destrutividade – o que é bastante compreensível, já que essa emoção realmente pode destruir relacionamentos e carreiras profissionais. O segredo para reverter esse quadro pouco promissor parece estar na clareza a respeito de quando, onde, como e por que dar vazão a essa emoção – sem que ela nos controle.

Um estudo particularmente interessante sobre a raiva veio na esteira dos ataques terroristas de 11 se setembro de 2001, nos Estados Unidos. A psicóloga Jennifer Lerner, atualmente na Universidade de Harvard, reuniu informações sobre as emoções e atitudes de aproximadamente mil americanos adultos e adolescentes apenas nove dias após os atentados e continuou o acompanhamento nos anos subsequentes. Ela descobriu que as pessoas que se sentiram irritadas com o terrorismo foram mais otimistas sobre o futuro do que aqueles que simplesmente tinham medo de novos ataques. Os homens do estudo se mostravam mais irritados que as mulheres, e eram geralmente mais otimistas.

ESTUDOS SOBRE A RAIVA

Em um estudo de laboratório, publicado no periódico científico Biological Psychiatry, Jennifer Lerner descobriu que aqueles que sentem raiva em vez de medo numa situação estressante têm resposta biológica menos intensa, com menor variação da pressão arterial e dos níveis de hormônios do estresse. Isso mostra que quando você está em uma situação enlouquecedora e sua raiva é contextualizada, a emoção não é necessariamente ruim – desde que fique restrita a aquela situação.

“Por sua natureza, a raiva tende a ser uma emoção bastante energizante, e desde que bem encaminhada pode ajudar promover mudanças na vida pessoal e social”, diz o psicólogo Brett Ford, na Universidade da Califórnia, em Berkeley. Por exemplo: sentir raiva da própria preguiça ou impulsividade, que constantemente trazem problemas à própria pessoa, pode impulsionar a mudança desses comportamentos.

Nesse caso, a raiva tem o importante papel de criar uma separação psíquica entre o eu e aquilo que incomoda – no caso, a preguiça ou impulsividade. Essas características não “são” a pessoa e, dessa maneira, podem ser arrefecidas, transformadas. É como se a ira estivesse direcionada para curar em vez de ferir. Mas é importante respeitar o “prazo de validade” da raiva. Remoer a irritação (ainda que seja consigo mesmo, com atitudes depreciativas e autopunitivas), sem se direcionar para alterar aquilo que incomoda costuma ser meramente autodestrutivo.

A raiva também pode ser de vital importância para mobilizar apoio para um movimento social. A psicóloga Nicole Tausch, professora da Escola de Neurociência e Psicologia da Universidade de St. Andrews, no Reino Unido, afirma que em contextos políticos, principalmente quando as pessoas se engajam de manifestações pacíficas na esperança de convencer o adversário a corrigir injustiças sociais, a raiva pode sinalizar que os participantes se sentem ligados e representados pelo sistema político. “Expressões de raiva durante os protestos, podem ser vistas não como ameaças ao sistema, mas como sinais de uma democracia saudável”, afirma.

Um estudo recente conduzido pelo psicólogo Andrew Livingstone, da Universidade de Stirling, no Reino Unido, enfatiza a ideia de que, em caso de ameaça, a raiva pode ter efeito protetor, fazendo com que as pessoas se mobilizem para se protegerem não só a si mesmas, mas também umas às outras. Para chegar a essa conclusão sua equipe trabalhou com dois grupos de pessoas: no primeiro deles os participantes tinham em comum a procedência do sul do País de Gales; no segundo a formação era aleatória. Nos dois casos foram medidas as reações emocionais desencadeadas nos participantes ao ser dito aos voluntários que o governo retiraria o apoio oferecido a moradores do sul do País de Gales. Irritadas, as pessoas passaram a se articular buscando formas de reverter esse quadro.

CONQUISTA DA PACIÊNCIA

É possível adotar práticas que ajudam a manter a serenidade e o relaxamento, nos momentos mais críticos. O diferencial está no treino: exercitar conscientemente uma atitude calma quando estamos tranquilos é fundamental para enfrentar as tormentas com maior equilíbrio

ASSUMA – Não adianta negar, esconder ou disfarçar a irritação. Simplesmente admitir o que está sentindo e aceitar que isso às acontece, sem fazer julgamentos, em muitos casos é suficiente para acalmar-se.

CHEGUE “PERTO” – Entre em contato com a sensação incômoda. Mesmo em meio ao caos emocional, tome alguns minutos para você. Sente-se em silêncio, preste atenção à sua respiração, deixe que a sensação de raiva ou tensão se manifeste e apenas a “observe” o que sente por alguns minutos.

DEIXE A POEIRA ABAIXAR -Tente não pensar sobre a raiva nem falar dela na hora da irritação, isso só vai deixá-lo ainda mais enfurecido.

AFASTE-SE – Se acha que pode fazer algo de que possa se arrepender no futuro, fique longe do objeto de raiva. Tenha em mente que a fúria passa, mas os estragos feitos podem permanecer por muito tempo.

CUIDADO COM A METRALHADORA – Em geral, evitamos despejar a ira sobre as figuras de autoridade que nos incomodam, mas podem promover alguma retaliação. Parece mais fácil descontar o mau humor sobre aqueles que não podem se defender, como os que ocupam cargos subalternos, ou pessoas próximas, que sabemos que nos amam (filho, pais, amigos ou cônjuges).

NÃO JUSTIFIQUE – Passado o auge da raiva, é comum buscarmos estratégias para culpabilizar o outro, mas a verdade é que somos responsáveis por nossas escolhas e atitudes. Não importa o que o outro fez – ele não obrigou você a fazer o quer que fosse.

RESPIRE – A primeira pista da perda de controle é a alteração da respiração. Por isso, quando se sentir irritado, preste atenção na cadência com que inspira e expira e no percurso que o ar faz dentro do seu corpo.

FAÇA O QUE LHE FAZ BEM – Em vez de continuar sob o efeito desgastante da situação que provocou tanto estresse, mude o foco. Desligue-se conscientemente do que o incomoda e dedique-se a fazer algo que lhe traga bem-estar: fique perto da natureza, leia um livro ou assista a um filme, de preferência divertido

CONSIDERE OUTRO JEITO DE AGIR – Passado o momento irritação, pense na situação que provocou o descontrole e imagine-se exatamente no mesmo contexto agindo de outra forma com mais serenidade, escolhendo as palavras e o tom que realmente gostaria de usar.

PROCURE AJUDA – Falar sobre o que o aborrece com amigos ou colegas não costuma trazer grandes benefícios, principalmente se a irritação acontece com frequência. O mais indicado é tratar do assunto numa sessão de psicoterapia, num ambiente protegido, em que a situação possa ser ressignificada com a ajuda de um psicólogo.

OUTROS OLHARES

A VIDA ENTRE MUROS

Como é a rotina dos internos da instituição para doentes psiquiátricos, localizada em Niterói

Quando chegou ao Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Henrique Roxo, em Niterói, Rio de Janeiro, Daniel Coutinho, então com 41 anos, era recluso, não gostava de conversar e, sobretudo, era obcecado pela leitura de livros de espiritismo. Nunca apresentou sinal de agressividade. Seu laudo de sanidade mental informava que ele era portador de um transtorno de personalidade esquizotípica, caracterizado pela dificuldade de manter relacionamentos. Fora internado em abril de 2015 depois de cometer um crime atroz: matara o pai, o cineasta Eduardo Coutinho, a golpes de faca. Com a mesma arma, feriu a mãe, Maria das Dores, que sobreviveu. Ao seguir a rotina do hospital — que previa o tratamento psiquiátrico e a medicação que jamais tomara antes da tragédia —, Daniel Coutinho começou a apresentar melhora. Tocava violão nas horas livres e, jornalista de formação, se dispôs a confeccionar os convites para as festas de Carnaval no hospital. Não demorou até se tornar o “repórter” da unidade.

Houve um dia em que, espontaneamente, Coutinho falou sobre o crime que cometera. Disse que se arrependia. No segundo ano de tratamento, passou a ter direito às chamadas “saídas terapêuticas”. Visitava o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e passou a frequentar o Shopping Rio Sul, em Botafogo, parada obrigatória para comer pizza, seu prato predileto. Em maio último, foi autorizado a deixar o Henrique Roxo e mudar-se para uma residência terapêutica, onde tem uma vida praticamente independente. No hospital em que vivia encarcerado, é lembrado como um “filho” ou um “passarinho que precisava voar”. Deixou saudade.

Outros 97 internos (80 homens e 17 mulheres) que cumprem medidas de segurança no Henrique Roxo aguardam o dia em que, assim como Coutinho, deixarão o encarceramento. O hospital, sediado em Niterói desde 1968, é o que restou do Heitor Carrilho, o mais antigo hospital do sistema prisional brasileiro, inaugurado em 1921, no centro do Rio de Janeiro. Em 1975, fundiu-se ao Henrique Roxo, mantido pelo governo do Rio e conveniado ao Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2016, a unidade do centro do Rio foi desativada. Esta equipe de reportagem foi a primeira autorizada a visitar as instalações do local, fotografar e entrevistar seus funcionários desde sua inauguração, há mais de 50 anos. Além de pioneiro no atendimento de custódia, o hospital também foi o primeiro a colocar em prática o sistema de saídas terapêuticas, como aquelas a que Coutinho teve direito antes de deixar a internação.

Os internos do Henrique Roxo são considerados inimputáveis — ou seja, sem a plena capacidade de entender os crimes que cometeram por padecerem de doenças psiquiátricas. Ao serem admitidos, cumprem a chamada “medida de segurança”, em que se recomenda o tratamento compulsório em hospital psiquiátrico sob custódia ou em ambulatórios, a depender da gravidade do delito. O tempo mínimo de internação é de um ano. O máximo, depende do juiz.

Cada paciente tem um relatório psicossocial que contempla informações colhidas pela equipe com parentes, além da rede de saúde mental que vai atendê-lo depois que deixar o hospital de custódia. Um denominador comum entre a maior parte dos internos é o fato de terem apresentado, ao longo da vida, sintomas de doença psiquiátrica não captados pela família ou por pessoas próximas. Por isso, não recebiam tratamento adequado. “Mais de 90% dos pacientes cometeram delitos porque não estavam inseridos nas unidades de saúde mental. Para piorar, a crise contribuiu para o desabastecimento de medicamentos em centros de atenção psicossocial. Há alguns casos em que o paciente vai morar na rua, tornando-se agressivo”, contou a psicóloga Fernanda de Oliveira Guimarães Santos. No Henrique Roxo, 22% dos internos não têm referência ou vínculo familiar. A equipe do hospital sai então em busca de um padrinho para o paciente. Se não encontra, requer o benefício do INSS para o interno. O valor ajuda a pagar por uma vaga em residência terapêutica.

As mulheres são menos numerosas — apenas 17 entre 90 internos — e ficam em alas separadas dos homens.

Vinte e cinco passos separam o pavilhão hospitalar de dois andares do Henrique Roxo do acesso à Rua Heitor Carrilho, que leva esse nome em homenagem ao psiquiatra que dirigiu o primeiro manicômio judiciário do país. Depois de passar por dois portões de ferro, o primeiro de quase 5 metros e outro de 4 metros de altura, permanentemente fechados, há dois amplos corredores com azulejos brancos. O pé-direito dos cômodos tem cerca de 4 metros. Os locais são limpos, pelo menos, duas vezes ao dia. Neles, há várias portas acopladas com um visor em acrílico que permite ver o que acontece no ambiente interior, medida adotada há dez anos. A ideia foi do inspetor penitenciário Márcio Felipe Pombo, de 46 anos, atual diretor da unidade. Há outras portas de ferro vazadas, fechadas apenas à noite, por motivos de segurança.

Tudo deve ser pensado para que nada sirva como instrumento para ferir ou matar. As escovas de dente têm de ser cortadas pela metade, pois, se afiadas, podem virar uma faca improvisada. Os vasos sanitários não chegam a ser os “bois”, os buracos no chão comuns em presídios, mas uma pequena parede de cimento, a cerca de 25 centímetros do piso. A justificativa é similar à das escovas: qualquer pedaço de louça pode servir como arma. Apesar de raros, há casos de suicídio. Não houve nenhum nos últimos três anos, segundo a direção, mas, em 2016, foram dois. Certa vez, um paciente chegou a desfiar uma parte da costura da bermuda e tecer uma linha mais resistente para tentar se enforcar. Ele fazia isso no quarto, na hora de dormir. Foi pego durante uma revista.

Na ala masculina, os internos que têm bom comportamento e melhor controle mental são designados “olheiros”. Dormem nas enfermarias e avisam ao menor sinal de problema. Do toque de recolher, às 20 horas, quando os portões das galerias são trancados e a circulação pelos corredores é proibida, até as 7 horas da manhã do dia seguinte, eles se transformam em auxiliares da direção. Um dos pacientes, apelidado de Naval, chega a prestar continência aos inspetores penitenciários ao informar que está tudo sob controle.

Pombo, o diretor, é conhecido pelo talento para acalmar os internos mais agitados. Um, em especial, lhe desperta saudade. Com 120 quilos distribuídos em 2,05 metros de altura, Bebezão, como foi apelidado no local, deu entrada na emergência da unidade numa tarde de 30 de dezembro de 2015, véspera de Ano-Novo. “Ele chegou aqui em surto. Gritava que iam jogar uma bomba. Tentou agredir um servidor e, por ser grandão, ninguém queria tocar nele”, contou Pombo, que, à época, era chefe da segurança. Na confraternização de Ano-Novo, Pombo se encheu de coragem e abriu a grade onde estava o interno, ainda alterado. Ofereceu-lhe uma Coca-Cola. “Ele se sentou e cruzou as pernas. Pegou a garrafa e a segurou com as duas mãos. Parecia uma mamadeira para um bebê tamanho família. Daí o apelido: Bebezão. Ele passou a confiar em mim e, com o apoio de cinco colegas, tomou a injeção com tranquilizantes”, relembrou o diretor, ao sacar o celular e mostrar as fotos da despedida de Bebezão. Pombo se emocionou ao ver as imagens. “Ele faz falta aqui dentro. Era uma pessoa pura. Comia à beça! Dava o maior prejuízo.”

Bebezão chegou ao Henrique Roxo vindo do Instituto Philippe Pinel, no Rio. Lá, ao receber a visita de uma tia, que teria gritado com ele, ficou irritado e surtou. Acabou empurrando a senhora, que caiu e bateu a cabeça. Sem perceber a força que empregara, matou a tia.

Mas nem todos os casos são acidentais. Há aqueles maquinados por mentes consideradas perigosas e que requerem atenção redobrada. No banho de sol de uma manhã de agosto, durante uma visita à unidade, o clima de vigilância sobre determinados internos é visível. Um, em específico, é alvo de maior atenção: Marcelo Costa de Andrade, conhecido como o Vampiro de Niterói. O apelido lhe foi dado na década de 1990, quando confessou ter matado 13 meninos. Hoje, aos 52 anos, está há 28 no Henrique Roxo. Um funcionário revelou à reportagem que ele ainda sente atração por crianças. “Ele ficou louco em um dia de visita quando viu o filho de um interno. Tivemos de tirá-lo do pátio”, contou o servidor, que pediu para não ser identificado, ao relatar a ida de um adolescente ao local.

Com olhar intimidador, Andrade fica atento aos movimentos dos guardas o tempo todo. Na visita feita pela reportagem, ele chegou a se aproximar para fazer perguntas. Por determinação da direção, não estava autorizado a dar entrevistas. Depois de suas dúvidas serem sanadas, Andrade voltou ao lugar onde estava sentado, sempre sozinho. Não fez amigos. Recentemente, chegou ao hospital uma carta endereçada a ele. Como de praxe, a correspondência foi aberta. Estava escrita em inglês. O remetente dizia ser um serial killer americano admirador do brasileiro.

Qualquer surto psicótico de um interno pode servir como faísca para um desarranjo coletivo. Pombo contou que, certa vez, um paciente teve uma crise e agrediu outro, que revidou. “Quando fomos separá-los, o que reagiu disse: ‘Seu Márcio, não tive culpa. Eu surtei no surto dele’. É realmente isso que acontece. Um pode instigar o outro. Cada um foi para uma enfermaria individual, ter um tratamento especial da enfermagem, que reforça a medicação de acordo com as recomendações do psiquiatra de plantão. Não é castigo. Ficam lá até se estabilizarem”, explicou o diretor, negando se tratar de uma solitária.

Há duas atividades de tensão no hospital: a barbearia e as refeições. Há dois internos “barbeiros”, que têm habilidades mínimas para o ofício e estão estabilizados mentalmente a ponto de poderem usar uma lâmina ou a máquina de cortar cabelo, sempre sob supervisão da segurança. Há um ano e dois meses no Henrique Roxo, o barbeiro Cabeludo se gabou: “A maioria quer cortar cabelo comigo. Gosto do que faço. Quero até fazer curso de cabeleireiro quando sair daqui”. Cada paciente tem um aparelho separado em uma caixa com seu nome escrito. Cabeludo foi internado depois de uma tentativa de homicídio. Mas se justificou: “Ouço vozes pedindo que eu faça coisas erradas”. Disse que gosta do hospital, principalmente da comida, e “mantém o cabelo longo por ser homossexual”.

Entre a cozinha e o refeitório existe uma grade. Mesmo com a divisória, a cozinheira Lídia Maria Borges Franklin, de 67 anos, confessou sentir medo, embora esteja há oito meses no lugar. Ela sabe que ali há pessoas que mataram algum dia e isso a assusta. “Até que me obedecem direitinho, elogiam minha comida. Me chamam de tia. Sempre me pedem frango assado. Faço duas vezes por mês. Não querem que eu vá embora porque dizem que minha comida é a melhor que eles já comeram”, contou ela, que entrou para cobrir uma licença de quatro meses, mas acabou contratada porque a outra cozinheira não quis voltar.

Apenas o fornecimento de comida é terceirizado. Os serviços de limpeza, jardinagem e pequenos reparos são feitos pelos próprios pacientes. Foi uma forma de resolver a escassez de recursos na unidade. Com o dinheiro da venda de camisetas pintadas pelos internos, são compradas tintas, produtos de beleza e de limpeza para as atividades. Quando há sobras, compram-se fumo de rolo e cigarros. “Tentamos proibir o fumo, mas a equipe percebeu que eles ficavam ainda mais ansiosos. O jeito foi liberar, de acordo com a recomendação médica, e vigiar”, justificou o diretor.

As mulheres são as que mais gostam de fumar. Apesar de minoria, também são as mais agitadas e barulhentas. Algumas falam pelos cotovelos. Mas há aquelas que, afetadas pelos sedativos, guardam um olhar distante. Uma delas gosta de pintar o cabelo de uma cor diferente a cada semana. Ela se aproxima de “Seu Márcio”, o diretor, e o toca no braço para pedir tinta nova quando as madeixas ainda estão pintadas de roxo. Um subdiretor já foi repreendido pela esposa que encontrou uma nota fiscal com o valor da compra de uma tintura.

A fuga da realidade é comum nos transtornos. Clark Kent, um paciente que dizia morar na Lua, marcou a carreira da psicóloga Fernanda Santos. Ele deu entrada na unidade em 26 de agosto do ano passado. “Ele tinha linguagem rebuscada. Comecei, com a ajuda da assistência social, a procurar informações sobre sua identidade. Ele falava sempre do ‘Boneco’ que, na verdade, seria o dono do corpo dele. Reclamava que ‘Boneco’ tomava muita barrigudinha (cachaça) com guaraná. Por isso, estava com cirrose. Ele dizia que, como Clark Kent, moraríamos na Lua. Criou uma realidade paralela”, lembrou a psicóloga.

Em agosto, William Augusto da Silva sequestrou um ônibus na Ponte Rio-Niterói e foi morto por um sniper do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Antes do fim trágico, contou a parentes que ouvia “vozes dentro da cabeça”. Na madrugada do crime, mandou uma mensagem aos pais avisando que atentaria contra a própria vida. A família percebeu que o jovem andava deprimido, mas não imaginou que precisasse de tratamento psiquiátrico. “Ele tinha depressão, e a mãe relata que passou a ter um comportamento estranho. Mas não tiveram a iniciativa de levá-lo ao médico”, disse a assistente social Tânia Dahmer, da equipe de perícia forense do Instituto de Perícias Heitor Carrilho, ligado à Secretaria de Administração Penitenciária (Seap). A psiquiatra Cristina Erthal, que trabalha na Seap desde 2001, disse que a conscientização das famílias sobre os transtornos mentais poderia evitar a maioria dos crimes. “As famílias precisam prestar atenção aos sinais. Quem tem algum tipo de problema mostra os sintomas, mas há quem finja não ver. Qualquer um pode surtar, mas desenvolver a doença é outra coisa”, explicou. Segundo ela, o hospital de custódia não é um “depósito de pacientes irreversíveis”.

GESTÃO E CARREIRA

PROMOÇÃO OU CILADA?

O que fazer quando a empresa quer aumentar suas responsabilidades, mas não oferece nenhum tipo de contrapartida financeira no curto prazo?

Ser promovido com direito a aumento de salário e novo cargo é sonho de muitos funcionários, mas nem sempre, as oportunidades de crescimento aparecem embrulhada nesse tipo de papel de presente. Em muitos casos, os profissionais passam a acumular responsabilidades sem receber uma contrapartida imediata, seja porque a liderança quer testar sua capacidade antes oficializar o aumento, seja porque os recursos financeiros estão limitados naquele momento. Essa realidade se torna ainda mais comum em um cenário de crise econômica, devido ao enxugamento das equipes. Isso não é um privilégio do mercado brasileiro. Segundo uma pesquisa feita pela consultoria Robert Half nos Estados Unidos em 2018, 39 dos empregadores admitiram que essa é uma prática comum e 649 dos profissionais disseram estar dispostos a passar por essa situação.

O grande desafio para quem recebe uma “promoção fantasma” é saber diferenciar se a movimentação trará chances de subir a escada corporativa ou se será um mero acúmulo de funções com um gostinho amargo de não ser reconhecido. Movimentações sem contrapartida financeira podem ser uma excelente oportunidade de mostrar comprometimento com a empresa e conquistar a confiança da liderança, mas não devem ser aceitas pelos funcionários a qualquer custo. “Se a empresa mantém a pessoa no mesmo lugar, e ela apenas acumula responsabilidades, aí não é tão interessante”, afirma João Villa, especialista em gestão de pessoas e processo da consultoria especializada e pequenas empresas Blue Number.

ALÉM DE DINHEIRO

Para valer a pena, a proposta deve atender a, pelo menos, os seguintes benefícios: autonomia para toma decisões, exposição a diferentes círculos de relacionamento e novos aprendizados alinhados com os objetivos profissionais. Se houver essas experiências, será mais provável que o profissional impulsione sua carreira e consiga melhorar seu currículo, mesmo sem ter uma mudança de cargo. Com isso, ficará mais fácil conseguir uma contrapartida dentro da empresa ou até mesmo em outra posição no mercado no futuro.

Thaís Barreto de Souza, de 24 anos, enfrentou esse desafio. Formada em ciências contábeis, ela entrou em uma empresa importadora de utilidades domésticas como auxiliar de cobrança em fevereiro de 2018. Apenas um ano depois conseguiu um cargo de líder do setor financeiro, com um aumento de 40% no salário. Mas o processo para chegar lá não foi fácil. Primeiro, foi promovida a analista, mas com função de coordenação da área de cobrança, comandando uma equipe de cinco pessoas. “Eu sabia fazer todo o serviço, e a empresa disse que eu teria a oportunidade de coordenar o departamento. Se desse certo, havia a possibilidade de um aumento, mas não era certeza”, diz Thaís. Nesse processo, ela contou com o apoio de um consultor de gestão contratado pela empresa, que oferecia sessões

semanais de mentoria. Seis meses depois, Thaís assumiu também a coordenação da área de contas a pagar, passando a liderar uma equipe de nove pessoas. Com um ano completo na posição de coordenação, veio o esperado aumento salarial e o crachá de líder. “Em um período curto tive muitas oportunidades e o total suporte da empresa, e isso eu não teria em qualquer lugar”, diz Thaís. O dinheiro fez falta, mas não chegou a atrapalhar a vida pessoal, porque ela mora com os pais e conta com o apoio financeiro da família.

PERÍODO LIMITADO

Para quem está vivendo uma situação parecida, um ponto importante é avaliar o tempo de duração dessa experiência. De acordo com os especialistas em carreira, o ideal é que a empresa se posicione em relação ao desempenho do profissional até seis meses depois da promoção fantasma. Nessa conversa, o funcionário deve saber se está correspondendo às expectativas, o que é esperado dele e como poderia melhorar.

Mesmo que a companhia não consiga dar um aumento após seis meses, a situação não deve passar de um ano sem uma definição. “Pode ser que a empresa não enxergue que a pessoa tem as habilidades necessárias ou pode haver outra restrição. É fundamental ter uma conversa transparente”, diz Roberto Picino, diretor executivo da consultoria recrutamento Michael Page.

Embora falar sobre remuneração ainda seja um tabu, os especialistas recomendam que o profissional traga o assunto à tona na hora que for convidado para assumir a nova função e mantenha um diálogo aberto nos meses seguintes. O ideal é mostrar que está disposto a aceitar o desafio, mas deixar claro que gostaria de ter uma conversa sobre seu crescimento profissional no futuro. “A pessoa deve questionar se existe a perspectiva de receber um aumento no médio prazo ou não. Senão o gestor vai pensar que ela está feliz e não está esperando nada”, diz Bruno Andrade, líder de soluções digitais de RH da Mercer.

Na hora de conversar sobre assunto, evite apelar para o senso de justiça da companhia. O melhor é levantar dados concretos sobre seu desempenho para demonstrar que você está fazendo um bom trabalho. “Fica mais fácil convencer a liderança quando o profissional mostra indicadores positivos, como número de novos clientes, melhorias no clima e redução nas reclamações”, diz Costabile Matarazzo, consultor de liderança da How2do.

CONTINUAR OU SAIR?

Levar em conta os objetivos pessoais e profissionais é fundamental na hora de decidir aceitar ou não uma promoção sem contrapartida. Foi o que aconteceu com Alexandre Abdalla, de 34 anos, formado em engenharia da computação. No início da carreira, ele já havia ficado dois anos em um cargo de gestão sem receber aumento, em uma consultoria de tecnologia. Depois de trabalhar em um grande banco vivenciou a mesma situação. Contratado como analista de sistemas, passou a atuar num cargo de gerente de projetos, liderando equipes sem nenhuma compensação financeira ou mudança de cargo.

Na ocasião, o banco havia acabado de passar por uma fusão com outra instituição financeira e deixou claro que não faria nenhum tipo promoção nos dois anos seguintes. Como Alexandre era recém-casado e sua esposa estava empreendendo na área de comércio, ainda sem ter retorno do negócio, ele avaliou que seria mais interessante deixar o banco para buscar uma posição com a remuneração adequada em outra empresa. “Eu já havia trabalhado pela filosofia de crescimento e isso me trouxe ganhos, mas naquele momento eu precisava cuidar do lado financeiro também”, afirma. Com a mudança para uma consultoria, ele conseguiu um cargo de gerente para exercer a mesma função que tinha no banco, com aumento salarial de 80%.

SINAIS DE ALERTA

Depois de avaliar as prioridades as emoções também devem ser levadas em conta. “O mais importante é não fique uma sensação de injustiça ou exploração, até porque isso pode impactar o desempenho do profissional e prejudicar sua carreira no futuro”, diz Maria Elisa Moreira, psicóloga especialista em liderança nas organizações e professora no Insper. Nessa hora, vale a pena fazer uma leitura do contexto para avaliar se existe uma boa razão para a falta de contrapartida. Se a empregadora está vivendo um momento de restrição financeira ou testando um nova frente de atuação, pode ser interessante aceitar responsabilidades sem um retorno imediato, “Nesses casos a empresa pode não conseguir reconhecer no ato, mas vê o potencial daquele profissional e pode reconhecer no futuro”, afirma Cristina Fortes, diretora da consultoria Lee Hecht Harrison.

Agora, caso a companhia tenha um histórico de não cumprir promessas e não esteja promovendo ninguém no último ano, é preciso acender o sinal vermelho. A lei trabalhista prevê que o funcionário contratado deve realizar todas as funções compatíveis com seu preparo técnico, mas as empresas não devem gerar um acúmulo de tarefas nem colocar o empregado em uma área incompatível com o contrato de trabalho estabelecido.Quando isso ocorre, é possível buscar a Justiça do Trabalho para obter uma compensação financeira. Para isso, é necessário comprovar que existia outra pessoa na empresa realizando exatamente as mesmas funções com um salário superior para conseguir uma equiparação salarial, o que nem sempre é fácil. “Quando a empresa tem um plano de cargos e salários definido, é mais fácil verificar, mas na maioria das vezes isso não acontece”, diz Beatriz Tilkian, advogada trabalhista do escritório Gaia Silva Gaede Advogados. Os trabalhadores que conseguem ganhar na Justiça obtêm a correção do salário e de todos os benefícios, como 13°salário, férias e horas extras. Em casos de má-fé por parte da empresa, é possível ainda buscar compensação por danos psicológicos e morais.

5 ATITUDES PARA LIDAR COM UMA PROMOÇÃO FANTASMA

1. Avalie o contexto interno para verificar se existe uma boa razão para não receber aumento

2. Descubra se terá mais autonomia, networking e aprendizado com a nova posição

3. Converse claramente sobre as expectativas da empresa e a possibilidade de aumento no futuro

4. Verifique se o ganho de aprendizado está alinhado com seu plano de carreira e momento de vida

ALIMENTO DIÁRIO

QUANDO O CÉU INVADE A TERRA

CAPÍTULO 13 – NOSSA IDENTIDADE NESTE MUNDO

Enquanto a maior parte da Igreja ainda está procurando tornar-se tal como Jesus era, a Bíblia declara: “segundo Ele é, também nós somos neste mundo.” (1 João 4:17)

Jesus foi o servo sofredor, cujo destino foi a cruz. Mas Jesus ressuscitou triunfantemente, ascendeu aos céus, e foi glorificado.

Na revelação de Jesus Cristo, isto é, no livro de Apocalipse, João O descreveu da seguinte maneira: “A Sua cabeça e cabelos eram brancos como alva lã, como neve; os olhos, como chama de fogo; os pés, semelhantes ao bronze polido, como que refinado numa fornalha; a voz, como voz de muitas águas.

A declaração: “segundo Ele é, também nós somos neste mundo” está bem distante do que qualquer um de nós possa imaginar, especialmente à luz dessa descrição de Jesus glorificado feita no Apocalipse. Contudo, o Espírito Santo foi enviado especificamente com este propósito, ou seja, para que alcançássemos a “medida da estatura da plenitude de Cristo”.

O Espírito Santo veio com uma missão fundamental e no tempo certo. Durante o ministério de Jesus foi dito que: “O Espirito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado.” O Espírito Santo nos conforta, nos dá os dons espirituais, nos faz lembrar do que Jesus disse, e nos reveste com poder. E Ele faz tudo isso para que sejamos tal como Jesus. Esse é o seu principal objetivo. Assim, por que o Pai não O enviou antes de Jesus ser glorificado? Porque antes de Jesus estar em seu estado glorificado não havia um modelo celestial para nós! Assim como um escultor olha para um modelo e trabalha com a pedra para produzir uma semelhança, assim o Espírito Santo olha para o Filho glorificado e nos molda segundo a Sua imagem. Segundo Ele é, também nós somos neste mundo.

VIDA CRISTÃ

A vida cristã não se encontra na Cruz. Ela é encontrada por causa da Cruz. É a ressurreição do Senhor que traz energia para o crente. Será que isso diminui o valor da Cruz? Não! O sangue derramado do Cordeiro sem máculas acabou com o poder da presença do pecado em nossa vida. NÃO TEMOS NADA SEM A CRUZ! Contudo, a Cruz não é um fim, é um início, é a entrada para a vida cristã. Até para Jesus a cruz foi algo que Ele teve que suportar para que pudesse obter a alegria do outro lado! “Os cristãos, em sua grande maioria, ainda estão chorando aos pés da cruz. A consciência da humanidade permanece fixada no Cristo que morreu, não no Cristo que vive. As pessoas estão se voltando para o Redentor que era, não ao Redentor que é.”

Suponha que eu tivesse sido perdoado de uma dívida financeira. Poder-se-ia dizer que eu fui tirado “do vermelho”. Entretanto, depois de minhas dívidas terem sido perdoadas, eu ainda “não estou no preto”. Não tenho nada ainda, até que aquele que perdoou a minha dívida me dê algum dinheiro que eu possa chamar de meu dinheiro. Foi isso que Cristo fez por você e por mim. O seu sangue eliminou a minha dívida do pecado. Mas a sua ressurreição levou-me “para o preto”.

Por que isto é importante? Porque isto altera profundamente o nosso senso de identidade e propósito.

Jesus tornou-se pobre para que eu me tornasse rico. Ele sofreu com as chibatadas que lhe causaram as pisaduras para que eu me libertasse de toda aflição, e Ele tornou-se pecado para que eu me tornasse a justiça de Deus. 252 Por que, então, deveria eu procurar tornar-me como Ele era, uma vez que Ele sofreu para que eu pudesse tornar-me como Ele é? Em algum ponto a realidade da ressurreição de Jesus tem de vir a fazer parte da nossa vida; temos de descobrir o poder da ressurreição que há para todo aquele que Nele crê.253

A CONTRAFAÇÃO DA CRUZ

Jesus disse: “Se alguém quer vir após Mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-Me.” O não entendimento desse chamado tem levado muitos a seguir a sua vida de negação a si mesmo, mas param por aí, não prosseguindo para a Sua vida de poder. Para tais pessoas a caminhada para a cruz resume-se em procurar crucificar a sua natureza pecaminosa assumindo um quebrantamento desprovido de alegria como evidência da cruz. Mas temos que seguir o Senhor por todo o caminho que Ele percorreu, até alcançarmos um estilo de vida cheio do poder da ressurreição!

Quase toda religião tem uma cópia da caminhada para a cruz. Negação de si mesmo, humilhar-se e outras posturas semelhantes são copiadas pelas seitas deste mundo. As pessoas do mundo admiram aqueles que têm disciplinas religiosas. Elas aplaudem o jejum e respeitam aqueles que assumem a pobreza ou suportam enfermidades para o bem da sua espiritualidade. Mostre-lhes, porém, uma vida plena de alegria por causa do poder transformador de Deus, e elas não apenas aplaudirão, mas também desejarão ser como você. A religião não tem como imitar a vida de ressurreição com a sua vitória sobre o pecado e o inferno.

Quem toma uma cruz inferior fica constantemente com muita introspeção e com um sofrimento por si mesmo induzido. Mas a cruz não é auto aplicada; Jesus não se encravou a Si mesmo na cruz – ele foi crucificado. Os cristãos que caem na armadilha dessa contrafação constantemente ficam falando de sua fraqueza. Se o diabo nos encontra sem nenhum interesse pelo mal, então ele procura fazer com que ponhamos a nossa atenção em nossa indignidade e em nossa falta de capacidade. Isso se nota, em especial, em reuniões de oração em que as pessoas procuram apresentar um grande quebrantamento diante de Deus, esperando assim conseguir um avivamento. Chegam até mesmo a confessar de novo velhos pecados já confessados, “em busca de uma real humildade”…

Em minha busca por Deus, muitas vezes fiquei preocupado comigo mesmo! Era-me fácil pensar que a condição de humildade seria estar sempre consciente de minhas próprias falhas e fraquezas. Mas não é nada disso! Se eu me torno o principal enfoque da minha atenção, falando incessantemente da minha fraqueza, então o que fiz foi entrar na forma mais sutil de orgulho. A repetição de frases, tais como, “não sou digno” torna-se uma repugnante substituição das declarações sobre a dignidade de Deus. Por estar totalmente voltado para a minha própria condição de iniquidade, de falta de retidão, o inimigo conseguiu fazer com que eu deixasse de prestar um eficaz serviço ao Senhor. É uma perversão da verdadeira santificação a situação em que, por um processo de introspeção, aumento a minha auto estima espiritual, mas faço com que a minha eficácia na demonstração do poder do evangelho diminua.

O verdadeiro quebrantamento causa uma completa dependência a Deus, movendo-nos a uma radical obediência que libera o poder do evangelho ao mundo ao nosso redor.’

MOTIVAÇÕES IMPURAS

Lutei muitos anos com a auto avaliação. O principal problema era que eu nunca encontrava nada que fosse bom em mim. Isso sempre me causava desânimo, o que me levava à dúvida, que acabava se transformando em incredulidade. De algum modo eu havia desenvolvido a noção de que era assim que eu me santificaria – demonstrando uma tremenda atenção às minhas próprias motivações.

Pode soar um tanto estranho, mas eu não mais analiso as minhas motivações. Isso não compete a mim. Procuro dar duro para obedecer a Deus em tudo que tenho que fazer. Se me afastei em algum ponto, compete ao Senhor mostrar-me isso. Depois de muitos anos em que procurei fazer o que somente Ele poderia fazer, descobri que eu não era o Espírito Santo. Não posso convencer-me e libertar-me, eu mesmo, do pecado. Será que isso então significa que eu nunca deva considerar minhas motivações impuras? Não. Ele, com muito ímpeto, tem me mostrado a minha necessidade de arrependimento e mudança. Mas é Ele que tem a luz, e somente Ele pode dar-me a graça para mudar.

Há uma grande diferença entre o crente que está sendo tratado por Deus, e aquele que se tomou introspectivo. Quando Deus sonda o coração, Ele sempre encontra algo que Ele quer mudar. Ele traz convicção porque Ele se dispôs a nos libertar. Esta revelação me fez orar da seguinte maneira:

Pai, Tu sabes que não é muito bom quando volto os olhos para o meu interior, e assim vou parar com isso. Confio em Ti que Tu me mostrarás tudo o que for necessário que eu veja. Prometo permanecer em Tua Palavra. Tu disseste que a Tua Palavra é uma espada assim, peço-Te que a uses para cortar-me profundamente. Traze à luz todas as coisas que em mim não estejam Te agradando. Mas, ao fazer isso, dá-me a graça de abandoná-las. Também prometo ir à Tua presença a cada dia. Tua presença é como o fogo. Queima em mim tudo o que esteja Te desagradando. Derreta o meu coração até que se torne semelhante ao coração de Jesus. Sê misericordioso para comigo, apesar de eu ter Te entristecido com essas coisas que Te desagradaram. Prometo ainda permanecer em comunhão com o Teu povo; Tu disseste que o ferro afia o ferro. Venhas ungir-me nas “feridas feitas pelo amigo” para que eu venha a quebrantar-me sempre que tenha resistido à Tua vontade. Usa essas ferramentas para moldar a minha vida, até que Jesus, e apenas Ele, seja visto em mim. Creio que Tu me deste o Teu coração e a Tua mente. Pela Tua graça sou uma nova criação. Quero que esta realidade seja vista e que o nome de Jesus seja tido na mais alta honra.

CONTRAPONDO-SE À CONTRAFAÇÃO

Creio que, na maioria das vezes, as pessoas deixam-se levar por essa contrafação da caminhada para a cruz porque isso não requer fé. É fácil ver a minha fraqueza, a minha propensão para o pecado, minha incapacidade para ser como Jesus. Para confessar esta verdade não é necessário ter fé, absolutamente. Mas o contrário acontece quando se trata de ter que considerar-me morto para o pecado: tenho que ter fé, tenho que crer em Deus!

Portanto, quando você estiver fraco, declare: “Sou FORTE!” Concorde com Deus, não importando como você se sinta, e descubra o poder da ressurreição. Sem fé é impossível agradá-Lo. E o meu primeiro exercício da fé tem de ser com respeito à minha postura perante Deus.

Quando Deus conferiu a Moisés um nobre encargo, o de tirar o povo do Egito, sua resposta foi: “Quem sou eu?” Deus mudou de assunto, dizendo: “Eu serei contigo.” Quando a nossa atenção concentra-se no que nos falta, o Pai pro=a mudar de assunto para algo que nos leve para a fonte e o fundamento da fé: a Ele mesmo. O nobre chamado com que somos chamados sempre revela a nobreza Daquele que nos chamou.

Sem Cristo, somos indignos. E é verdade que, sem Ele, nada somos. Mas eu não estou sem Ele, e nunca mais estarei! Quando começaremos a pensar sobre o quanto valemos diante de Deus? O valor de alguma coisa é medido pelo quanto as pessoas pagarão por tal coisa; isso é uma verdade que todos nós aceitamos. Assim, temos que repensar qual é o nosso valor. Será que já reconhecemos quem somos aos olhos de Deus? Não me entenda mal; não estou incentivando a arrogância ou o atrevimento. Mas não seria uma honra bem maior para Ele se acreditássemos que o Senhor um dia de fato fez uma grande e suficiente obra, ao salvar-nos, e que assim realmente estamos salvos? Jesus pagou um preço supremo para possibilitar uma mudança em nossa identidade. Não está na hora de crermos e recebermos os benefícios? Se assim não fizermos nós, aqui neste mundo dos últimos dias, vamos sucumbir em nossa confiança. A ousadia de que necessitamos não é uma autoconfiança, mas a confiança que o Pai tem na obra do Seu Filho por nós. Não é mais uma questão de céu ou inferno. É apenas uma questão de o quanto do pensamento do inferno permitirei que entre em minha mente celestial.

Deus não é muito mais honrado quando Seus filhos não mais se veem apenas como pecadores salvos pela graça, mas agora como herdeiros de Deus? Não é uma postura de humildade bem maior crer Nele quando Ele diz que somos preciosos a Seus olhos, mesmo quando não nos sentimos preciosos? Não O honra muito mais quando consideramo-nos livres do pecado porque Ele diz que assim somos? Em algum momento temos de nos erguer ao nível elevado do chamado de Deus, deixando de dizer tudo aquilo a nosso respeito que não mais é verdade. Para que alcancemos tudo que Deus tem para nós neste avivamento dos últimos dias, temos que nos aferrar totalmente com a condição de que somos muito mais do que pecadores salvos pela graça. A maturidade vem a partir da fé na suficiência da obra redentora de Deus, que nos estabelece como filhos e filhas do Altíssimo.

TORNANDO-NOS COMO ELE

Segundo Ele é, também nós somos neste mundo. A revelação de Jesus em Seu estado glorificado tem pelo menos quatro características que de um modo predominante afetam diretamente a transformação da Igreja, o que em breve acontecerá; estas características têm de ser por nós assumidas como parte do plano de Deus nesta hora final.

GLÓRIA

A glória é a presença manifesta de Jesus. A história do avivamento está repleta de situações em que a Sua presença manifestou-se e veio sobre o Seu povo. Ele vive em todo crente, mas a glória da Sua presença vem repousar em apenas uns poucos. Isto às vezes é visto, mas com frequência é sentido. Ele está voltando para uma Igreja gloriosa. Não se trata de uma opção.

Línguas de fogo foram vistas sobre a cabeça dos apóstolos no dia de pentecostes. Nos dias da atualidade, tem-se visto labaredas de fogo flamejando no teto dos templos quando o povo de Deus se reúne em Seu nome. No avivamento da Rua Azuza, o corpo de bombeiros chegou a ser chamado para extinguir chamas de fogo, mas o que eles encontraram foi uma congregação louvando a Jesus. Aquele fogo não pôde ser extinguido com água, uma vez que não era um fogo natural. Todos os poderes do inferno também não o podem extinguir. Somente podem fazer isso aqueles a quem aquele fogo tinha sido dado. Crentes bem

intencionados muitas vezes valem-se do controle como um meio para produzir esse fogo, pensando que estão servindo a Deus. Ocorre também haver aqueles que de um modo enganoso tentam despertar uma chama emocional, quando o fogo não se acha mais presente. São duas expressões do homem carnal. E quando o homem carnal está em cena, a glória de Deus vai embora.

Se o Pai preencheu as casas do Antigo Testamento com a sua glória, embora elas tenham sido construídas por mãos humanas, quanto mais Ele preencherá o que Ele construiu com Suas próprias mãos! Ele está nos construindo para sermos o Seu lugar de eterna habitação.

PODER

Ser tal como Ele – isso significa ser uma permanente expressão de poder. O batismo no Espírito Santo reveste-nos com algo celestial. Assim como a roupa fica do lado de fora do corpo, de igual modo o poder de Deus tem de ser a parte mais visível da Igreja que crê. É o poder de salvação – para o corpo, para a alma e para o espírito.

Muitos no mundo ao nosso redor procuram ajuda no baixo e no alto espiritismo, e também em todas as formas de ocultismo, antes de virem para a Igreja. Também buscam a ajuda médica, tanto a legítima como a da medicina alternativa, antes de virem pedir nossas orações. Por quê? Porque a maioria de nós ainda não está revestida com o poder celestial. Se estivéssemos, eles o veriam. E, se o vissem, viriam até nós.

A falta de poder na Igreja dá condições, para que as seitas e os falsos dons proféticos floresçam. Mas quando essas contrafações se insurgem contra esta geração de Elias, que se reveste do poder celestial contra todo raciocínio humano no monte Carmelo, elas não têm nenhuma chance.

TRIUNFO

Jesus foi vencedor sobre todas as coisas: sobre o poder do inferno, sobre a morte, sobre o pecado e sobre o diabo. Ele ressuscitou dos mortos, ascendeu à mão direita do Pai, e foi glorificado sobre todas as coisas. Todo nome e todo poder foram postos sob Seus pés. Ele nos chama de Seu corpo – e este corpo tem pés. De um modo figurado, Jesus está dizendo que a parte mais baixa do Seu corpo tem autoridade sobre a parte mais elevada de tudo o mais. Esta vitória não significa que vivemos sem batalhas; simplesmente significa que a nossa vitória está assegurada.

A atitude dos que vivem a partir da vitória de Cristo é diferente da atitude dos que vivem sob a influência do seu passado. A única parte do passado que temos o direito legal de acessar são os testemunhos do Senhor. O restante está enterrado, esquecido, e coberto sob o sangue do Cordeiro. O passado não é para ter nenhum efeito negativo sobre o modo de vivermos, pois este sangue é mais do que suficiente. Viver a partir da vitória de Jesus é o privilégio de todo crente. Entender isso é um fundamento da Igreja que será vencedora tal como Ele venceu.

SANTIDADE

Jesus é perfeitamente santo, separado de tudo que é mau, para estar com tudo que é bom. A santidade é a linguagem através da qual a natureza de Deus se revela. O salmista escreveu a frase: “na beleza da santidade”. A santidade na Igreja revela a beleza de Deus.

Nosso entendimento de santidade, mesmo em certas épocas de avivamento, muitas vezes tem se centralizado em torno do nosso comportamento – o que podemos ou que não podemos fazer. Entretanto, o que no passado foi incorretamente reduzido a uma lista das coisas “que podem” e das “que não podem”, em breve se tornará a maior de todas as revelações de Deus, jamais vista neste mundo. Se o poder demonstra o coração de Deus, a santidade revela a beleza da sua natureza. Esta é a hora da grandiosa revelação da beleza da santidade.

CONCLUSÃO

Zacarias recebeu uma promessa de Deus que estava além da sua compreensão: ele teria um filho em sua idade avançada. Era difícil de acreditar; então ele pediu a Deus que lhe desse uma confirmação. Aparentemente, um anjo ter falado com ele não foi um sinal suficiente! Deus o fez ficar mudo por nove meses. Quando Deus silencia a voz do descrente, geralmente é porque a voz do descrente poderia afetar o cumprimento de uma promessa. Quando Zacarias viu cumprir-se a promessa de Deus, tendo decidido dar ao seu filho o nome ordenado pelo Senhor, indo de encontro com o que desejavam todos os seus parentes, Deus liberou a sua língua. A obediência a Deus, contrariando o desejo dos outros, muitas vezes leva a pessoa a ter fé. E é uma fé contra todo o entendimento.

A Maria também foi feita uma promessa que ultrapassava toda a compreensão: ela daria à luz o Filho de Deus. Não entendendo o que isso significava, ela perguntou como aquilo seria possível, uma vez que era virgem e não tinha marido. Mas entender uma promessa de Deus nunca foi um pré-requisito para o seu cumprimento. A ignorância pede entendimento; a descrença pede uma prova. Com Maria foi diferente de Zacarias porque, mesmo não entendendo, ela submeteu-se à promessa. Sua resposta permanece sendo uma das mais importantes expressões que a Igreja pode aprender no dia de hoje: “que se cumpra em mim conforme a Tua palavra”.

Há pouco analisamos uma promessa de grande importância para a Igreja. Poucas são as coisas que ultrapassam o nosso entendimento mais do que a afirmação: “Segundo Ele é, também nós somos neste mundo,” citada no início deste capítulo. E assim temos que decidir entre duas alternativas: agir como Zacarias, e ficar sem voz; ou fazer como Maria, convidando Deus para restaurar em nós as promessas que estão fora do nosso controle.

A identidade que temos em Cristo estabelece uma segurança em nosso carácter ao nos engajarmos na batalha espiritual. No próximo capítulo veremos alguns pontos que temos que compreender para sermos bem-sucedidos na guerra!

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

QUANDO O CÉREBRO VAI ÀS COMPRAS

Ao vermos numa vitrine ou na tela do celular algo que nos agrada muito, as regiões cerebrais responsáveis pelas ponderações com base na cognição são momentaneamente desativadas e as emoções assumem o controle

Você se lembra qual foi o último produto que comprou? É bastante provável que, embora justificada (“o preço está bom”, “eu mereço” etc.), a aquisição não tenha sido pautada pela lógica. O fato é que nossas compras costumam ser mais marcadas pela emoção do que pela racionalidade. Duvida? Pense no que desperta em você a imagem de um objeto (um sapato, um aparelho eletrônico ou até um carro, talvez) que chama sua atenção numa vitrine ou na tela do computador. Diante da visão do objeto desejado, é possível que seu coração acelere e seu cérebro comece imediatamente a buscar uma estratégia para conseguir obter aquilo que quer. Ou, quem sabe, mecanismos de repressão do desejo entrem em cena e você se convença de que é melhor esquecer essa ideia e, assim, evitar fazer dívidas.

Na tentativa de entender como nossa mente funciona quando se trata de lidar com dinheiro, economistas criaram um modelo fictício, denominado Homo economicus, para descrever um administrador eficiente, que não se deixa dominar pelos sentimentos. Psicólogos garantem, porém, que essa proposta pautada pelo objetivo de fazer boas escolhas, sem levar em conta nossa história de vida, o valor simbólico dos bens materiais e as representações psíquicas ligadas a eles, está fadada ao fracasso.

Os cientistas Michael Deppe, da Universidade de Münster, e Peter Kenning, da Universidade de Zeppelin, ambas na Alemanha, fizeram um experimento interessante. Enquanto 22 voluntários eram submetidos a uma tomografia, os pesquisadores apresentavam a eles vários objetos. A tarefa dos participantes era escolher um dos artigos. As mulheres precisavam decidir entre 15 tipos de café e os homens, optar entre 20 cervejas. De forma aleatória, a marca preferida dos voluntários sempre voltava a compor as duplas, o que facilitava a escolha.

Durante as decisões simples, a tomografia mostrou que a região do córtex pré-frontal dorsolateral (CPFDL) se reduzia e, em compensação, a do córtex pré-frontal ventromedial se mostrava mais intensa. Na prática, o resultado indica que o centro do controle racional do CPFDL é exigido quando o ato de escolher não provoca grandes emoções. Mas, se avistamos aquilo que mais nos agrada, as regiões cerebrais de controle cognitivo são desativadas e aliviadas – e aí, as emoções falam mais alto.

OUTROS OLHARES

AO PÉ DO OUVIDO

Os fones sem fio, puxados pelos AirPods, popularizaram-se em todo o mundo, criaram um mercado e inauguraram novíssimos hábitos

Tudo o que faz muito sucesso hoje em dia, inaugurando novos mercados, abrindo avenidas, é alvo do humor multiplicado em memes, da graça que apenas confirma o nascer de uma boa ideia, daquelas que cedo viram mania. Nada se perdoa. Foi assim com os fones sem fio da Apple, lançados em 2016. Uma das piadas diz o seguinte, imaginando o diálogo de um casal na cama: “Não vou tirar os AirPods durante o sexo, isso é inegociável”. A brincadeira é reveladora, ao mostrar que os pequenos aparelhinhos brancos já são quase como uma segunda pele, colados em quem os usa.

De início, houve também desconfiança, outro movimento clássico diante de pioneirismos. ”Um bom truque para nunca perder seus AirPods é amarrá-los com uma corda e prendê­ la   no smartphone”, escreveu o roteirista canadense Jonny Sun, titular da série de comédia BoJack Horseman, da Netflix, em post em seu perfil no Twitter, e que então fez ressoar um primeiro estranhamento diante da inovação. Ressalte-se que esse mesmo incômodo de primeira hora brotou em 2007, quando Steve Jobs, o gênio criativo da Apple, apresentou com estardalhaço o iPhone ao mundo. O resto é história.

Os AirPods se espalham. Somente no primeiro ano, foram vendidos 16 milhões de unidades do dispositivo, que se tornou o segundo produto da Apple com mais exemplares comercializados na estreia, atrás tão somente do iPad, de 2010. Em 2018, saíram dos estoques outros 28 milhões de pares, e as previsões são otimistas: 55 milhões em 2019 e, em 2020, 80 milhões. O êxito, é claro, atraiu a concorrência.

Na disputa pelo mercado surgiram nomes de peso para encarar a Apple. Na última semana de setembro, a Microsoft lançou o Surface e a Amazon, o Echo Buds. O primeiro, de cor branca e formato redondo, pode controlar a passagem de músicas e o volume por toque, tem integração por voz com os programas do pacote Office e será vendido a 249 dólares. O segundo, de cor preta e superfície abaulada, é capaz de acionar, sem depender do smartphone, o aparelho de assistência virtual Alexa – que começou a ser comercializado há duas semanas no Brasil -, e sairá por 130 dólares. Em fevereiro, o gigante sul-coreano Samsung, o principal concorrente da Apple na indústria de celulares, juntou-se à briga pelos, digamos assim, ouvidos dos clientes, com o Galaxy Buds. Todavia, a competição não será fácil: a marca da maçã mordida já domina 85¾ das vendas.

A onda do sem fio, meio escondido, meio à vista, gera novos hábitos. Nos Estados Unidos, pais onde 68% das empresas aboliram as separações com paredes, ou divisórias, nos escritórios, profissionais utilizam os fones para se isolar, criando ambientes menos ruidosos de trabalho. A contrapartida: segundo um recente estudo da Universidade Harvard, estima-se que as singelas traquitanas possam ter sido um dos elementos que levaram à diminuição em até 70% da interação entre colegas. O sociólogo Claude Fischer, da Universidade da Califórnia em Berkeley, chegou a avaliar, em entrevista ao site americano BuzzFeed: “Quando novas coisas surgem, sempre há um período de adequação às novas regras. Quem sabe em cinquenta anos todos vão ter um pequeno chip ao crânio. E, quem sabe, poderemos assistir à TV, em nossos olhos”. Soa um tanto distante, talvez seja mesmo – mas os AirPods, que nasceram debaixo de gracejos e acenos para uma manhã improvável, hoje já soam como brincos.

GESTÃO E CARREIRA

CAUSA URGENTE

Com os casos de violência contra a mulher aumentando no brasil, empresas entendem que as vítimas podem estar dentro de suas operações e se engajam no combate ao problema. Veja qual é o papel do RH nesse processo

Denise Neves dos Anjos era uma funcionária exemplar. Gerente de uma loja do Magazine Luiza na cidade de Campinas, no interior de São Paulo, não dava pistas de que vivia um drama pessoal fora dali. Vítima de violência doméstica, os colegas de trabalho só descobriram que ela era constantemente agredida quando o ciclo de agressão atingiu seu ápice: o feminicídio. Em 2017, aos 37 anos, a profissional foi brutalmente assassinada pelo marido. Situações assim não são isoladas no Brasil. De acordo com o 13° anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, lançado em agosto, há um registro de violência doméstica a cada 2 minutos no país. Só em 2018 foram 263.067 casos de lesão corporal dolosa, aumento de 0,8% em comparação ao ano anterior, e 1.206 assassinatos – alta de 4% no mesmo período. Em 88,8% das mortes, o autor do crime era o companheiro ou o ex-companheiro.

A morte da trabalhadora gerou um questionamento em Luiza Helena Trajano, presidente do conselho de administração do Magazine Luiza: “Por que ninguém da loja reparou que havia um problema ali?” Decidida a evitar que a situação se repetisse, a executiva criou há dois anos um programa de acolhimento para as funcionárias vítimas de violência.

Sua primeira medida foi disponibilizar um canal telefônico no qual as empregadas pudessem buscar ajuda psicológica e jurídica. Desde a inauguração da linha, 274 mulheres já foram atendidas. Em 15% dos casos, foi necessário transferi-las para outra unidade por motivos de segurança. E a busca pela ferramenta, segundo a companhia, tem crescido: em 2018 foram 108 atendimentos. Até setembro deste ano, já eram 109 registros (hoje, todos os novos empregados são apresentados oficialmente ao programa durante a integração).

Além da criação de um canal de apoio, outra atitude do Magazine Luiza foi treinar a liderança para identificar evidências de violência doméstica. “Orientamos os gestores a checar a baixa produtividade, observar se a mulher fica pelos cantos, se ela chora, se não quer fazer amizade”, diz Tarsila Mendonça, analista de integridade do Magazine Luiza e responsável pelo Canal da Mulher. Segundo ela, foi importante também esclarecer que a agressão não é só física, pode ser psicológica. Isso porque muitas vezes quem acessa a ferramenta não é a vítima – e sim um chefe ou colega que conseguiu identificar o problema.

Cristina Kerr, professora na Fundação Dom Cabral e CEO da CKZ Diversidade, consultoria de diversidade para empresas, ressalta que o principal desafio do RH nesse processo é conscientizar e sensibilizar a organização. “As pessoas costumam achar que elas não têm nada a ver com isso. Primeiro, é essencial desconstruir aquela crença, que aprendemos desde cedo, de que “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”, diz a especialista. Se o assunto for um tabu, dificilmente o canal de apoio será utilizado. “As empresas devem fazer campanhas, rodas de conversa e workshops sobre o tema, explicitando que apoiam a causa”, completa Cristina.

Esse papel “comunicador” do RH, de criar espaços de diálogo e de troca de informações, é funda­ mental para que os funcionários sintam que a preocupação é genuína e tenham coragem de agir.

Com 80% de mulheres em seu quadro, a Marisa abraçou a questão em março deste ano, depois de receber nove pedidos de socorro de funcionárias que estavam sendo ameaçadas ou agredidas pelos companheiros. Antes de iniciar um programa de combate à violência doméstica, a companhia procurou o Magazine Luiza. Depois de ouvir os conselhos da própria Luiza Helena Trajano, os executivos da varejista de moda conversaram também com os responsáveis pelo canal para entender qual seria a melhor maneira de estruturar a própria política. Depois disso, a Marisa ainda aplicou uma pesquisa sobre violência doméstica em todos os empregados para mapear o que pensavam a respeito.

O resultado do levantamento apontou que o conhecimento era alto entre o público feminino e o masculino: 98% das mulheres e 95% dos homens afirmaram que sabiam do que se tratava a violência doméstica. Ainda assim, a Marisa detectou que a maioria associava a questão exclusivamente à agressão física. Mas a lei diz que situações de abuso emocional, como desvalorização, xingamento e piadas machistas, também configuram violência.

A fim de informar seu público interno, a Marisa levou a promotora de Justiça Gabriela Manssur, do Ministério Público de São Paulo, (MPSP) ao escritório central para fazer uma palestra sobre o assunto. A companhia também produziu um vasto material informativo. “Elaboramos um calendário de comunicação para esclarecer o que é violência doméstica. Usamos nossa plataforma online de treinamentos, as TVs internas, os murais, a intranet e até reuniões conduzidas pela liderança para falar sobre o tema. Além disso, temos 20 embaixadores da causa que geram discussões e planos de ação”, diz Carolina Ferreira, gerente jurídica da Marisa.

Inspirada pelos resultados do Magazine Luiza, com quem fez benchmarking, a Marisa criou o próprio canal para as empregadas buscarem ajuda. Para isso, contratou consultorias especializadas para atendê-las e orientá-las. Todo o processo é sigiloso e, quando necessário, a equipe atende a vítima presencialmente. “Com as mulheres que estão em situação de violência ou na iminência de sofrer abuso, há um acompanhamento diário até que a situação seja resolvida. Caso a funcionária queira seguir com o pedido de medida protetiva, a Marisa aciona a Delegacia da Mulher ou delegacias comuns, a depender da região, indicando a ela o melhor direcionamento”, afirma Carolina. Já se a ligação é feita por um terceiro – como um gestor, por exemplo -, a assessoria especializada entra em contato com a empregada para compreender o caso com todo o cuidado.

O maior desafio do programa, pontua Carolina, é convencer as mulheres a usá-lo. “Elas se sentem envergonhadas e temem o julgamento. Como muitas têm medo de fazer uma denúncia formal, nossa missão é desmistificar a ideia de que o canal é uma ligação direta com a polícia”, afirma a executiva, que também é líder da comissão de Enfrentamento à Violência Doméstica Contra a Mulher da Marisa.

O grupo, formado por oito mulheres que atuam em diferentes áreas da varejista, como jurídica, RH, marketing e operações, se reúne uma vez por mês para discutir casos críticos e preparar materiais e ações sobre o assunto, além disso, responde diretamente ao presidente da companhia, Marcelo Pimentel. Além de ser positivo para as vítimas, o combate à violência é benéfico para o mundo corporativo, inclusive em aspectos menos óbvios, como atração e retenção de talentos. Pesquisas mostram que gerações como a Z – nascidos a partir dos anos 90 – são mais seletivas quando buscam um emprego. Fora autonomia e flexibilidade, elas querem alinhamento de valores e um propósito na carreira. “A empresa que foca os temas sociais ganha a confiança de consumidores e funcionários. Quem não quer trabalhar numa companhia engajada?”, diz Elizabeth Scheibmayr, líder do comitê de combate à violência da Rede Mulheres do Brasil. Presidida por Luiza Helena Trajano, a Rede Mulheres do Brasil busca despertar a sociedade civil para conquistar melhorias para o país. O grupo tem mais de 25.000 integrantes no Brasil e no exterior. “As empresas têm medo de perder dinheiro, mas uma funcionária que sofre violência doméstica falta, fica desconcentrada, adoece e pede demissão. Há uma perda de potencial humano. E isso afeta financeiramente a companhia.” Um estudo realizado em 2017 pela Universidade Federal do Ceará (UFC) em parceria com o Instituto Maria da Penha (IMP) no Nordeste, com 10.000 mulheres, mostrou que, naquele ano, as trabalhadoras que declararam sofrer violência por parte dos companheiros faltaram ao trabalho, em média, 18 dias no ano. Entre elas, 47% relataram perder de um a três dias; 22%, de quatro a sete dias; 20%, de oito a 29 dias; e 12%, 30 dias ou mais. O levantamento estimou que, só por causa do absentismo causado por violência doméstica, a perda para as companhias de capitais nordestinas é de cerca de 64,4 milhões de reais.

MOVIMENTO CRESCENTE

No fim de agosto, o Instituto Avon e a ONU Mulheres lançaram a Coalizão Empresarial pelo Combate à Violência Contra Mulheres e Meninas com o intuito de envolver líderes da iniciativa privada contra o problema. Mais de 100 CEOs se reuniram em São Paulo para assinar o compromisso voluntário, que prevê ações como a adesão aos princípios de empoderamento das mulheres, desenvolvimento de atividades de capacitação para o enfrentamento da violência doméstica, implementação de políticas contra o assédio sexual e promoção de campanhas internas contra a agressão feminina.

“Não imaginávamos que a adesão seria tão grande. Mas tocamos em um problema latente. Afinal, onde estão as vítimas de violência doméstica? Estão dentro das empresas. Se você tem uma organização que emprega mulheres e acredita que não há casos de violência, tome cuidado. Você pode não estar prestando a devida atenção”, diz Daniela Grelin, diretora executiva do Instituto Avon. Quando uma companhia toma consciência de que o problema também é dela, abre uma janela de oportunidade para essas mulheres. Pesquisa encomendada em fevereiro pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública ao Datafolha mostrou que 52% das vítimas não denunciaram o algoz. Um dos motivos é a dependência financeira do parceiro.

Pensando nisso, a promotora Gabriela Manssur idealizou o projeto Tem Saída. A iniciativa, que conta com o apoio do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) e da prefeitura de São Paulo, ajuda mulheres que estão sendo atacadas pelo marido a conseguir um emprego. Essas profissionais vão até os postos da Secretaria do Trabalho e do Empreendedorismo e são encaminhadas para vagas de uma das empresas parceiras.

Hoje, a iniciativa tem dez companhias participantes, entre elas Carrefour, Atento, Sodexo e Magazine Luiza. “Contratar essas mulheres demanda atenção por parte do RH. Na entrevista de emprego, o olhar deve ser mais cuidadoso. Não é recomendado questionar detalhes da vida íntima da candidata. O recrutador tem de considerar que ela está fragilizada e evitar perguntas que a façam voltar à situação de violência”, explica Sarnir Silva, gerente de gestão de pessoas do Magazine Luiza. Ele ressalta ainda que a chefia precisa estar preparada para algumas ausências dessa funcionária, tanto para ir a audiências quanto para solucionar eventuais questões pessoais.

Ao todo, 156 mulheres já foram recrutadas pelas companhias que integram o Tem Saída. “Mulheres que pensavam que nunca sairiam desse círculo vicioso es tão recebendo uma oportunidade. É gratificante receber o feedback delas e saber que as ajudamos a começar de novo”, diz Lilian Rauld, líder de diversidade e inclusão da Sodexo On-site Brasil, que recruta mulheres a partir do programa.

Uma das contratadas pela Sodexo On-site foi Mariana (nome fictício para preservar a identidade da vítima). Casada por 11 anos, ela foi submetida aos mais diversos níveis de violência. Conheceu o projeto Tem Saída por indicação de psicólogos quando fazia terapia no Fórum do Butantã, em São Paulo.

Antes de conseguir a vaga de assistente administrativa, a profissional trabalhava informalmente na clínica da sogra. “Quando me separei, eu tinha 31 anos e nenhum registro em carteira. Era um vazio enorme. Agora tenho autonomia e faço planos para voltar à faculdade de psicologia”, afirma.

OS TENTÁCULOS DA AGRESSÃO

Há cinco formas de violência doméstica contra o público feminino. São elas:

FÍSICA – Qualquer conduta que ofenda a integridade ou a saúde corporal da mulher.

PSICOLÓGICA – Atitudes que causem dano emocional e diminuição da autoestima, prejudiquem o pleno desenvolvimento e visem degradar ou controlar ações, comportamentos, crenças e decisões da mulher, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, violação de intimidade, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir.

SEXUAL – Quando o homem constrange a mulher a presenciar, manter ou participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força. Entram nesta categoria de violência ações que induzam a mulher a comercializar ou utilizar, de qualquer modo, sua sexualidade, que a impeçam de usar método contraceptivo ou que a forcem ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição.

PATRIMONIAL – Qualquer atitude que acabe em retenção, subtração, destruição parcial ou total de objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens e recursos econômicos.

MORAL – Qualquer ação que configure calúnia, difamação ou injúria.

ALIMENTO DIÁRIO

QUANDO O CÉU INVADE A TERRA

CAPÍTULO 12 – NOSSA DÍVIDA PARA COM O MUNDO: UM ENCONTRO COM DEUS

A unção do Espírito Santo é a Sua real presença sobre nós para o nosso ministério. O propósito da unção é tornar natural o que é sobrenatural.

Normalmente temos entendido que a promessa “Eu serei contigo”, feita pelo Deus da aliança, vem de encontro à necessidade humana de se ter coragem para enfrentar o que é impossível. Não há dúvida alguma quanto a que a presença de Deus é o que nos traz um grande conforto e paz. Mas a presença de Deus sempre foi prometida aos Seus escolhidos, para lhes dar a certeza da vitória diante de circunstâncias não favoráveis.

Ele é o grande tesouro da humanidade. E sempre o será. Foi essa revelação que possibilitou a obra revolucionária do apóstolo Paulo. Foi o que deu forças a um rei, que se chamava Davi, para arriscar a sua vida com o objetivo de transformar o sistema de sacrifício e adoração. Moisés precisou ter essa certeza, sendo aquele que foi enviado à presença de Faraó e seus magos que eram possuídos por demônios. Todos esses homens, que foram usados por Deus, precisaram ter uma incrível convicção para realizarem o seu chamado.

Josué teve que enfrentar a situação de ser o sucessor do grande Moisés, que foi com quem Deus falou face a face. E então teve que liderar Israel até aonde Moisés não pôde ir. A palavra de Deus para ele foi uma palavra de grande encorajamento e exortação. Ela termina com a suprema promessa: “Eu serei contigo”.

Gideão recebeu também uma tarefa impossível. Ele era o menor da sua família, que era a mais pobre da sua tribo, que era a menor tribo de Israel. Contudo Deus o escolheu para liderar os israelitas e levá-los à vitória contra os midianitas. Seu encontro com Deus é um dos mais interessantes, registrados nas Escrituras. Muitos que eram temerosos foram encorajados pela experiência de mudar de atitude pela qual Gideão passou. Deus o transformou a partir da promessa: “Eu estou contigo”. A Grande Comissão tem um conteúdo muito interessante para aqueles que se lembram de como eram os homens para quem Deus estava dando essa incumbência: eram homens gananciosos, orgulhosos, cheios de ira, egoístas. Contudo Jesus os chamou para transformar o mundo. Qual foi a única promessa que lhes fez antes de desaparecer de diante dos olhos deles? “Estou convosco todos os dias”, isto é, para todo o sempre.

Sabemos que esta promessa é dada a todo aquele que invoca o nome de Jesus para ser salvo. Mas por que uns têm um senso muito maior da presença de Deus em sua vida, em relação a outros? É por darem um grande valor à presença de Deus, o que não acontece com aqueles outros. Os que com prazer desfrutam da comunhão com o Espírito Santo durante todo o tempo são extremamente conscientes de como Ele se sente diante das palavras por eles proferidas, das atitudes por eles tomadas e das atividades por eles realizadas. A percepção de O estarem entristecendo lhes traz muita tristeza também. A paixão deles é dar a Ele a primazia em tudo. Essa paixão leva esses crentes a terem uma vida sobrenatural – com uma constante ação do Espírito operando através deles.

UNGIDO COM DEUS

A presença de Deus é para ser percebida na unção. Lembre-se que a unção é o estado de quem foi ungido – é Deus nos cobrindo, estando sobre nós com a Sua presença cheia de poder. Atos sobrenaturais acontecem quando andamos na unção!

Para uma grande maioria, a unção tem sido reservada pela Igreja para benefício da própria Igreja. Muitos não têm compreendido por que Deus nos cobre com Ele mesmo, e pensam que é por nossa causa, tão somente. Mas lembremo-nos de que, no Reino de Deus, somente conseguimos manter conosco o que damos aos outros. Esta maravilhosa presença de Deus é para ser levada ao mundo. Se não for, nossos frutos diminuirão. Será que Ele nos deixa? Não. Mas talvez a seguinte frase o ajude a entender melhor este ponto: o Espírito está em mim para me abençoar, mas Ele está sobre mim para que outras pessoas sejam abençoadas!

Todo ministério não apenas deve estar sob o poder do Espírito, mas deve ter também uma ação de ajuntar. Jesus disse: “Quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha.” Se o nosso ministério não ajuntar as pessoas, haverá divisões. Ou damos ao mundo o que nos foi dado por Deus, ou o que recebemos causará divisões. É a nossa postura perante o mundo que nos manterá no centro dos Seus propósitos.

A unção capacita-nos a levar o mundo a ter um encontro com Deus. Esse encontro é a nossa dívida para com mundo. Por causa disso, todo evangelista que se preze deve clamar a Deus para ter uma unção maior; e todo crente deve clamar com o mesmo objetivo. Quando somos ungidos com Deus, essa unção nos lava de tudo o que nos sujou por termos tido contacto com impurezas; e essa unção quebra todo jugo das trevas.

Normalmente entendemos a necessidade de termos unção para pregar a Palavra e para orar pelos enfermos. Esses são apenas dois modos pelos quais, com frequência, levamos as pessoas a ter um encontro com Deus. Além da unção nessas duas atividades, aquele que tem uma unção permanente em sua vida é que terá muito mais oportunidades no seu ministério.

Eu costumava frequentar um restaurante de comidas naturais em nossa cidade. Era uma casa do tipo que tinha uma música estranha e onde se vendiam muitos livros escritos por gurus e ainda manuais ocultistas. Fui fazer um negócio de Deus ali por causa de um compromisso que fiz de levar a luz de Deus aos locais de maiores trevas da cidade. Meu desejo foi o de que eles vissem o contraste que há entre o que eles pensam que é luz e o que realmente é Luz. Antes de entrar, eu sempre orava pedindo que a unção de Deus viesse sobre mim e fluísse através de mim. Eu percorria todo o restaurante, de um lado para o outro, orando silenciosamente no Espírito, pedindo que Deus enchesse aquela casa.

Certo dia o proprietário do estabelecimento dirigiu-se a mim e disse:

“Alguma coisa fica diferente quando o senhor entra aqui.” Naquele dia uma porta se abriu, uma porta que me deu muitas oportunidades para um futuro ministério. A unção que estava sobre mim capacitou-me para servir a Deus.

NÃO SUBESTIME ESTA FERRAMENTA

Jesus ia por um caminho apinhado de gente por todo lado querendo chegar o mais perto possível dele. Uma certa mulher conseguiu alcança ­lo e tocou nas vestes de Jesus. Ele parou e perguntou: “Quem foi que me tocou?” Os discípulos ficaram espantados com tal pergunta porque, para eles, a resposta era óbvia: “ninguém tocou!” Mas o Senhor continuou dizendo ter sentido que Dele saíra poder (dynamis). Ele estava ungido pelo Espírito Santo. O poder real do Espírito de Deus saiu de Jesus e fluiu para o corpo daquela mulher e a curou. Tal corno acontece com todo crente, a unção estava presente no corpo físico de Jesus. A fé demonstrada por aquela mulher reivindicou a unção que estava em Jesus. Ela foi curada porque a unção quebra o jugo.

Um versículo bastante popular aplicado no recebimento de ofertas é: “De graça recebestes, de graça dai”. Mas o contexto do mesmo é frequentemente esquecido. Jesus estava referindo-se ao ministério no sobrenatural. Veja a implicação disso: eu recebi alguma coisa que tenho que dar para as outras pessoas! O que foi que recebi? O Espírito Santo. Ele é a maior dádiva que se pode receber. E Ele habita em mim.

Quando ministramos em unção, na verdade compartilhamos aos outros a presença de Deus; nós a transferimos para eles. Jesus também ensinou os discípulos o que ele queria dizer com “dai”. Ele mencionou as coisas mais óbvias, tais como curar os enfermos, expulsar os demônios, etc. Mas Ele também incluiu um aspecto muitas vezes esquecido: “Ao entrardes na casa … venha sobre ela a vossa paz”. Há urna real transmissão da Sua presença nessas situações. É assim que levamos o perdido a ter um encontro com Deus. Aprendemos a reconhecer a presença do Espírito em nós, cooperar com a Sua paixão pelas pessoas, e convidá-las a receber a salvação.

Ele nos transformou em mordomos da presença de Deus. Isso não significa que podemos manipular e fazer uso da Sua presença para atender a nossos próprios propósitos religiosos. Somos levados a uma nova condição pelo Espírito Santo, tornando-nos assim colaboradores com Cristo. Nessa condição O convidamos a invadir as circunstâncias que surgem em nossa vida.

Como mordomos, obviamente as ações que mais fazemos são pregar e orar pelas necessidades específicas dos outros. Não subestimemos essa importante ferramenta. Ficando atento às oportunidades que surgem para servir, cada um de nós poderá dar ao Espírito Santo a oportunidade de fazer o que somente Ele pode fazer: milagres. Nem todas as pessoas por quem oro são curadas. Mas há muito mais pessoas que foram curadas do que haveria se eu não tivesse orado por ninguém!

Dê urna oportunidade a Deus para que Ele faça o que somente Ele pode fazer. Ele busca aqueles que estejam dispostos a serem ungidos com a Sua presença, e que permitam que ela atinja e abençoe outras pessoas. Recentemente, um ministro que nos visitava nos disse: “A diferença entre vocês e eu é: se oro por um morto e ele não ressuscita, eu oro de igual forma pelo próximo morto que me aparece. Eu não desisto.”

Jesus disse: “Se eu não realizo as obras do meu Pai, não creiam em mim.” As obras do Pai são os milagres. Até mesmo o Filho de Deus afirmou que eram os milagres que validavam o Seu ministério na terra. Nesse contexto Ele disse: “Aquele que crê em Mim fará também as obras que eu faço, e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai”. Atuar na realização de milagres é uma grande parte do plano de Deus para este mundo. E isso é feito através da Igreja.

Repito agora o que já disse anteriormente: “Como anseio pelo dia em que a Igreja dirá ao mundo, ‘Se não fizermos os milagres que Jesus fez, vocês não precisam crer em nós’.” A Bíblia diz que temos de desejar ardentemente os dons espirituais (buscá-los com grande empenho!). E diz também que os dons nos estabelecem, nos fortalecem. Que dons fazem isso? Todos eles.

RECEBENDO O CÉU EM NOSSO INTERIOR

Minha dívida para com o mundo é uma vida cheia do Espírito, pois o que lhe devo é um encontro com Deus. Sem a plenitude do Espírito Santo em meu interior e também sobre mim, não entrego a Deus um vaso em total submissão pelo qual Ele possa fluir.

A plenitude do Espírito foi o objetivo de Deus de começo a fim na lei e nos profetas. Seu alvo imediato foi a salvação, mas o seu último objetivo foi a plenitude do Espírito nos crentes, aqui neste mundo. Fazer com que o céu nos receba nem de perto é um desafio tão grandioso como fazer o céu ser recebido em nós. Isto se realiza por meio da plenitude do Espírito em nós.

A REVELAÇÃO DE JACÓ

Jacó, um dos patriarcas do Antigo Testamento, dormia a céu aberto quando teve um sonho que nos possibilitou ter uma das mais surpreendentes revelações jamais recebidas pelo homem. Ele viu o céu aberto, com uma escada que descia até a terra. Nessa escada havia anjos que subiam e desciam. Jacó estava amedrontado, e disse: “O SENHOR está neste lugar, e eu não sabia.” Esta declaração descreve bem o que temos testemunhado no avivamento pelo qual temos passado nos últimos anos: Deus está presente, embora muitos não percebam isso.

Tenho presenciado o toque de Deus em milhares de pessoas neste atual derramar do Espírito: conversões, curas, casamentos restaurados, vícios de drogas sendo quebrados e endemoninhados libertos. A lista de como as pessoas foram transformadas é imensa e a cada dia tem aumentado ainda mais – glória a Deus! Conquanto muitos tenham sido transformados, sempre há nas mesmas reuniões pessoas que mal podem esperar o término do culto para irem embora. Há os que reconhecem a presença de Deus e são para sempre transformados; mas há os que nunca tiveram o entendimento de que eles também poderiam ter sido abençoados.

JESUS, O TABERNÁCULO DE DEUS

O sonho de Jacó nos dá a primeira menção a respeito da casa de Deus nas Escrituras. Essa casa continha a Sua presença, uma porta para o céu, uma escada, e anjos que desciam e subiam do céu para a terra e da terra para o céu.

Jesus afirma a revelação de Jacó sobre a habitação de Deus no planeta terra, mas de uma forma totalmente inesperada. João 1:14 diz: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós”. A palavra habitou significa “tabernaculou”. Jesus é apresentado aqui como o Tabernáculo de Deus na terra. Mais adiante, neste mesmo capítulo, Jesus diz que os seus seguidores veriam “anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”. Detalhes da revelação de Génesis 28 sobre a habitação de Deus são vistos na pessoa de Jesus. Ele é uma ilustração da revelação de Jacó.

JESUS PASSOU O BASTÃO

Para que viéssemos a ser tudo que Deus quis que fôssemos, lembremo-nos de que a vida de Jesus foi o modelo do que o homem poderia ser se tivesse um relacionamento correto com o Pai. Pelo derramar do Seu sangue, Ele tornou possível que todo aquele que viesse a crer em seu Nome pudesse fazer o que Ele fez e se tornasse tal como Ele era. Isso quer dizer que todo verdadeiro crente teria acesso à dimensão da vida que Jesus viveu.

Jesus veio como a luz do mundo. Então Ele passou o bastão para nós, dizendo que somos a luz do mundo. Jesus veio na condição de quem operava milagres. Mas Ele disse que nós faríamos “obras maiores” do que as Suas. E ele veio ainda com uma palavra que, de todas, foi a mais surpreendente: “Agora o Espírito Santo está convosco, mas Ele estará em vós.”  Jesus, que demonstra para nós o que é possível para aqueles que estão com um relacionamento correto com Deus, agora nos diz que o Seu povo deve ser o tabernáculo de Deus no planeta terra. Paulo confirma essa revelação ao dizer: “Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” e “Estais sendo edificados para habitação de Deus no espírito”.

Qual foi a revelação inicial sobre a habitação de Deus entre nós? Ela contém a presença de Deus, uma porta para o céu e uma escada com anjos descendo e subindo por ela. Por que é importante entender isso? Essa revelação mostra os recursos que se acham à nossa disposição para realizarmos o plano do Mestre.

Frank DaMazio, da City Bible Church, em Portland, Oregon, nos dá um grande ensinamento com respeito a este princípio e a igreja local. Ele se refere a Igrejas Portais. Este princípio de sermos mordomos da esfera celestial, mais do que uma incumbência dada a um indivíduo, torna-se o privilégio de toda uma Igreja, em benefício de toda a sua cidade.

ANJOS COM UMA TAREFA

Os anjos são seres impressionantes. São cheios de glória e poderosos. Tanto assim que, quando aparecem nas Escrituras, muitas vezes as pessoas querem adorá-los. Conquanto seja uma tolice adorá-los, é igualmente uma tolice ignorá-los. Os anjos têm a tarefa de servir onde quer que nós estejamos servindo, em caso de necessidade do elemento sobrenatural.” Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para serviço a favor dos que hão de herdar a salvação?”

Creio que os anjos têm se sentido desprestigiados, porque vivemos um estilo de vida que não requer muito a participação deles. Eles têm a missão de nos assistir em realizações sobrenaturais. Se não somos pessoas que se dispõem a correr algum risco, então há pouco espaço para o sobrenatural. Um certo risco tem que ser assumido, quando buscamos uma solução para situações impossíveis. Quando a Igreja recupera o desejo de alcançar o impossível, os anjos passam a ter uma atividade mais intensa em seu meio.

À medida que o fogo do avivamento se intensifica, também crescem as atividades sobrenaturais entre nós. Se os anjos têm a missão de nos assistir em realizações sobrenaturais, então há necessidades de ordem sobrenatural. Um certo risco tem que ser assumido para que tenhamos solução para toda situação impossível. O evangelho de poder é a solução para a trágica condição da humanidade. John Wimber disse: “Fé soletra­se com as letras R-I-S-C-0.” Se realmente quisermos mais de Deus, teremos de mudar o nosso estilo de vida, para que a manifestação da Sua presença aumente sobre nós. Não se trata de um ato de nossa parte, com o objetivo de querer, de algum modo, manipular Deus. Não, mas é uma ousada tentativa de nossa parte de chegarmos até Ele com a Sua Palavra, de forma que, quando obedecemos radicalmente o encargo que Ele nos deu, Ele diz amém, liberando o miraculoso. Desafio você, leitor, a buscar a Deus com todo fervor! E, na sua busca, fique firme num estilo de vida sobrenatural, de forma a manter as hostes do céu ocupadas, anunciando o Rei e o Seu Reino!

NÃO DÊ ORDENS AOS ANJOS

Embora Deus tenha determinado que os anjos nos assistam no desempenho da nossa comissão, não me ponho numa posição de dar ordens aos anjos. Alguns acham que têm tal liberdade, mas creio que essa seria uma colocação um tanto estranha. Tenho razões para acreditar que eles são comissionados por Deus em resposta às nossas orações.

Daniel precisava de uma resposta de Deus. Ele orou por 21 dias. Um anjo finalmente apareceu com a resposta. Disse ele a Daniel: “Então, me disse: Não temas, Daniel, porque, desde o primeiro dia em que aplicaste o coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, foram ouvidas as tuas palavras; e, por causa das tuas palavras, é que eu vim. Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu por vinte e um dias; porém Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu obtive vitória sobre os reis da Pérsia.”  Quando Daniel orou, Deus respondeu enviando um anjo com a resposta. O anjo foi barrado. Daniel continuou a orar, o que dá a entender que suas orações contribuíram para que o arcanjo Miguel fosse liberado para lutar e dar condições para que o primeiro anjo pudesse entregar a mensagem.

Em muitas outras situações vemos anjos vindo em resposta às orações dos santos. Em todas as ocasiões eles foram enviados pelo Pai, para um determinado serviço. Creio que o melhor é orarmos bastante, e deixarmos que Deus dê ordens a Seus anjos.

ENTRANDO NA ZONA DO CREPÚSCULO

Viajo a muitas cidades que espiritualmente estão em densas trevas. Quando se entra numa delas, dá para sentir urna opressão. Levando em conta o que eu represento para urna cidade assim, seria um erro meu dar muita atenção às trevas. Não quero deixar-me impressionar nunca com as obras do diabo. Vou na condição de que eu sou urna habitação de Deus. Desse modo eu tenho em mim urna porta para o céu, com urna escada que provê a ação dos anjos, segundo as necessidades do momento. De um modo bem simples, posso dizer que sou um céu aberto! Isso não se aplica a apenas uns poucos crentes. Pelo contrário, essa revelação é sobre a habitação de Deus, e os princípios dessa habitação aplicam-se a todos os crentes.

Mas são poucos os que têm entendimento dessa bênção em potencial e a aplicam em sua vida. Tendo em mim um céu aberto, torno­ me um veículo nas mãos de Deus para liberar os recursos do céu para as calamidades que ocorrem entre os homens. Os anjos são comissionados para desempenhar a vontade de Deus. “Bendizei ao SENHOR, anjos seus, magnificas em poder, que cumpris as suas ordens, obedecendo à voz da sua palavra.” O SENHOR está muito mais ávido para invadir este mundo do que nós para recebermos essa invasão. E os anjos desempenham urna parte importante.

Eles respondem ao comando de Deus e fazem com que a vontade divina se cumpra. Mas a voz da Sua palavra é ouvida quando o Pai fala ao coração do Seu povo. Os anjos esperam qµe os filhos de Deus falem a palavra de Deus. Creio que os anjos tornam no trono do Senhor a fragrância da palavra proferida pelo povo de Deus. Eles sabem quando urna palavra veio do coração do Pai. E, então, reconhecem que essa palavra lhes dá urna tarefa a realizar.

Recentemente vi isso acontecer numa reunião na Alemanha. Antes do seu início, eu estava orando com alguns dos líderes que tinham patrocinado as reuniões. Enquanto orávamos, vi em espírito urna mulher sentada à minha direita que sofria de artrite em sua espinha dorsal. Foi urna rápida visão em minha mente, o que equivale a urna voz suave e breve – que facilmente se pode desconsiderar, da mesma forma corno ela facilmente vem até nós. Nessa visão eu a fiz levantar-se e declarei diante dela: “O Senhor Jesus a cura!”

Quando chegou a hora da reunião, perguntei se havia alguém com artrite na espinha. Urna mulher à minha direita acenou o braço. Fiz com que ela se levantasse e declarei para ela: “O Senhor Jesus a cura!” Então lhe perguntei em que parte do seu corpo ela sentia dor.

Ela, chorando, respondeu: “É impossível, mas a dor sumiu!” Os anjos fizeram com que se cumprisse uma palavra que tinha tido a sua origem no coração do Pai. Mas, naquele momento, eu fui a voz da Sua palavra.

DEUS, AQUELE QUE DELEGA

Quando Deus decidiu trazer o Messias através da virgem chamada Maria, Ele enviou um anjo para levar a mensagem. Quando o apóstolo Paulo estava prestes a passar por um naufrágio, um anjo do Senhor lhe disse o que ia acontecer. Em numerosas ocasiões por todas as Escrituras os anjos fizeram o que Deus facilmente poderia ter feito, Ele mesmo. Mas por que não agiu Ele pessoalmente? Pela mesma razão por que Ele não prega o evangelho. Ele decidiu dar à sua criação a satisfação do privilégio de servi-Lo em Seu Reino. Servir com um propósito confirma que há uma identificação com Ele. Uma piedosa autoestima deriva de se fazer “o que Lhe agrada”. E o verdadeiro culto é uma adoração superabundante.

DEUS NÃO SE PRENDE A PADRÕES FIXOS

O mundo de Deus tem invadido o nosso mundo com muita regularidade em salvações, curas e libertações. As manifestações que ocorrem durante essas ações variam muito. E são fascinantes, além de numerosas demais para serem catalogadas. Embora algumas não sejam entendidas com facilidade à primeira vista, sabemos que Deus sempre opera redimindo as pessoas.

Em muitas ocasiões o riso tem tomado conta do local, trazendo cura a corações quebrantados. Um pó de ouro às vezes vem sobre o rosto das pessoas, e também sobre suas mãos e roupas durante a adoração, ou num momento de ministração. Por vezes aparece óleo nas mãos do povo de Deus, especialmente em crianças. Um vento também pode soprar num salão que não tem janelas abertas, nem portas, nem aberturas. Em alguns locais, os crentes viram uma nuvem da presença de Deus sobre a cabeça das pessoas que estavam em adoração. Um dia sentimos a fragrância do céu encher o salão. Também aconteceu comigo a fragrância do céu encher o nosso carro quando Beni e eu estávamos adorando o Senhor numa viagem não muito longa. A fragrância permaneceu por cerca de 30 minutos, e era um aroma que podíamos sentir realmente, semelhante a grânulos de açúcar em minha língua. Já presenciei ainda pequenas pedras preciosas que subitamente apareceram nas mãos dos que estavam adorando a Deus. Desde 1998 temos visto plumas caindo do céu em nossas reuniões.

Na primeira vez que isso aconteceu, pensei que alguns pássaros haviam entrado nos dutos do nosso sistema de ar condicionado. Mas então elas começaram a cair também em outras salas da igreja que não eram ligadas à mesma canalização. Agora as plumas caem em quase todos os lugares por onde passamos: em aeroportos, casas de família, restaurantes, escritórios, etc.

Estou mencionando esse fenômeno porque ele parece ofender muitos dos que têm entrado de todo o coração neste mover de Deus. Jerrel Miller, editor de The Remnant, um jornal que tem o propósito de registrar os eventos relativos ao presente avivamento, foi atingido por um forte calor quando fez um artigo sobre esta manifestação fora do comum. Aqueles que criticaram o seu artigo participam deste avivamento. É fácil – uma vez que tenhamos feito alguns ajustes em nosso sistema de crenças sobre o que Deus pode fazer e faz – pensar que já fomos longe demais. “Nossas crenças agora passam a limitar o mover de Deus.” Esse tipo de erro está bem longe da verdade. Tal como as gerações anteriores a nós, tais pessoas estão, de uma maneira perigosa, perto de quererem regulamentar a obra de Deus, estabelecendo uma nova e revisada lista de manifestações que podem ser aceitas. Não mais apenas lágrimas durante ‘um cântico especial, ou um tempo de arrependimento no fim de um sermão mexendo com as emoções das pessoas.

A nossa nova lista inclui cair no espírito, tremores, risos, etc. O problema é que continua sendo uma lista. Mas Deus não se limita a listas. Ele tem que agir fora de qualquer limitação. Temos de aprender a reconhecer o Seu mover, reconhecendo a Sua presença. Nossas listas servem apenas para revelar o nosso entendimento e as nossas experiências de hoje. Embora eu não pretenda promover manifestações estranhas, nem ir atrás de novidades, recuso-me peremptoriamente a sentir-me perturbado pelo que Deus esteja fazendo. A lista que nos mantém livres de certos erros também nos mantém fora de muitas vitórias.

RECUSANDO-SE A SER PERTURBADO POR DEUS

As manifestações de Deus, conquanto ofensivas para a mente de muitos, são ilimitadas em seu número, e são simples indicadoras da Sua presença e do Seu propósito. Por que são elas necessárias? Porque Deus quer nos levar para além de onde estamos, e somente poderemos chegar lá seguindo sinais. Nosso entendimento atual das Escrituras somente nos pode levar ao ponto em que estamos.

Lembre-se: os sinais são realidades que apontam para uma realidade maior. Se o Senhor nos está dando sinais, quem somos nós para dizer que eles não são importantes? Muitos reagem a esta posição por acharem que há uma idolatria aos sinais. Embora esse raciocínio possa ter nobres intenções, é uma tolice pensar que posso desempenhar o plano de Deus para a minha vida e ao mesmo tempo ignorar Suas observações pessoais ao longo desse caminho. No mundo natural fazemos uso de sinais para nos facilitar encontrar uma cidade, um restaurante em particular, ou o local em que se acha uma empresa. É um modo prático para isso. Do mesmo modo, os sinais e maravilhas são coisas naturais no Reino de Deus. Constituem a maneira normal para nos fazer sair de onde estamos para chegarmos aonde precisamos chegar. Este é o seu propósito. Se os magos não tivessem seguido aquela estrela, eles teriam que se contentar com o que ouvissem de outras pessoas. Eu não quero isso para mim. Há uma diferença entre adorar os sinais e seguir os sinais; com relação a estas duas atitudes, a primeira é proibida, ao passo que a segunda é essencial para nós. Quando seguimos os sinais de Deus, alcançando níveis mais profundos em Deus, Seus sinais nos seguirão em maior medida, em benefício da humanidade.

CONHECENDO O DEUS DE PODER

Quando ensino sobre como buscar um evangelho de poder, por vezes aparece alguém que, quando eu termino a minha mensagem, afirma que de fato temos necessidade de mais poder, mas nos lembra que primeiro temos de procurar conhecer o Deus do poder. São por certo palavras verdadeiras. O poder nos dá bem pouco prazer se não houver um relacionamento íntimo com o Senhor. Mas esse comentário normalmente é o resultado de uma postura de religiosidade. Aquele que tem uma paixão pelo poder e pela glória de Deus quer intimidar os que não chegaram a tanto. Meu anseio pelo poder de Deus somente é ultrapassado pelo meu desejo de estar mais perto Dele. É a minha busca a Ele que tem me levado à paixão por um evangelho autêntico.

Algo aconteceu em mim que não me deixa aceitar um evangelho que não é confirmado com sinais e maravilhas. Será que é porque eu tive uma revelação quanto a milagres na terra? Não! É que eu descobri que não há uma satisfação duradoura na vida a não ser que haja expressões de fé.

VENDO DEUS COMO ELE É

O próximo capítulo nos traz uma surpreendente verdade quanto ao que significa ser como Jesus é.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SE ARREPENDIMENTO MATASSE…

Muitas vezes, o arrependimento de ter tomado certas atitudes provoca problemas de saúde física e mental e pode funcionar como um gatilho para a depressão. A curto prazo, os fracassos são mais dolorosos quando é causado por ações que não trouxeram os efeitos que esperávamos. Mas ao longo da vida as oportunidades perdidas costumam ser mais dolorosas

Quem não se arrepende de nada nesta vida? Perdemos a conta das vezes que experienciamos chances perdidas, julgamentos errados, atos impulsivos, palavras ditas (ou caladas) inibições inexplicáveis… Um estudo sobre a expressão cotidiana das emoções mostrou que os sentimentos de arrependimento (“Se eu soubesse…”, “Eu não deveria…”) estão entre os temas mais frequentes nas preocupações diárias. Pesquisa desenvolvida nas universidades de Illinois e Northwestern, nos Estados Unidos, coordenada pelo psicólogo social Neal Roese, com 400 pessoas, revelou que, num primeiro momento, prevalece o pesar em relação ao que acreditamos ter feito de maneira errada e não das chances perdidas. Ao longo do tempo, no entanto, as possibilidades que não aproveitamos tendem a ser as que mais incomodam.

Segundo Roese, homens apresentaram mais arrependimentos ligados à vida acadêmica ou profissional, como não ter feito determinado curso, por exemplo, do que as mulheres. Já elas mulheres lamentavam mais decisões tomadas nos relacionamentos amorosos ou na vida familiar. De forma geral, porém, os arrependimentos que envolvem questões afetivas são os mais frequentes.

Mas, afinal, esse pesar tem alguma utilidade? A pergunta começa a encontrar respostas na ciência. Do ponto de vista da psicologia, o sentimento associa-se a aspectos emocionais (tristeza, às vezes raiva, vergonha ou preocupação) e cognitivos (avaliações de que não agimos como deveríamos). O arrependimento é ligado tanto à ação quanto à ausência dela e se distingue do remorso, que é o arrependimento por ações que prejudicam alguém.

AGIR OU NÃO AGIR?

Psicólogos evolucionistas acreditam que a função do arrependimento seja nos permitir aprender com nossos fracassos e nos incitar a ser mais prudentes no futuro, sem que nos lancemos de novo em uma ação incerta. Para entender melhor, podemos imaginar a seguinte situação: João ia viajar às 17h30, mas quis terminar um trabalho e decidiu pegar ônibus das 19h30, que terminou por se envolver em um grave capotamento, junto com outros veículos. Embora não tenha falecido, como outros passageiros, além do grande trauma, o rapaz ficou bastante ferido. A situação inspira ainda mais pesar por ele ter feito a mudança do que se tivesse previsto desde o início viajar às 19h30. Ele pensa: “Se não tivesse mudado de ideia não teria passado por esse terrível acidente”. De fato, nossos arrependimentos são estreitamente ligados a nossos atos: quanto mais dependente da fatalidade ou de circunstâncias exteriores um acontecimento parece, menos nos arrependemos dele.

Outra situação avaliada por psicólogos sociais: Paulo e Pedro têm ações nas empresas A e B. No ano passado, Paulo, que havia muito tempo investira em ações da A, decidiu passar a investir tudo na B. Mas no último momento acabou não mudando e, por isso, perdeu R$ 2 mil, pois a empresa A teve prejuízos. Já Pedro tinha ações da B, e teve a péssima ideia de transferir tudo para A. Desse modo, ele também perdeu R$ 2 mil. Do ponto de vista estritamente financeiro, ambos tiveram a mesma desventura. Entretanto, quando questionadas sobre qual dos dois deveria sentir mais arrependimento, 92% das pessoas ouvidas estimaram que Pedro provavelmente tinha arrependimentos mais pungentes: sua má inspiração ditou-lhe um comportamento nefasto. Teria sido melhor se nada tivesse feito. Já o arrependimento de Paulo, vítima da própria inação, parece menos penoso às pessoas convidadas a se identificar com os personagens dessa história.

UM CASO DE MIOPIA

Diversos estudos indicam que, em geral, de forma imediata tendemos a nos arrepender mais pelo que fizemos do que pelo que não fizemos. A curto prazo, nossos fracassos são mais dolorosos quando provêm de ações que não trouxeram os resultados pretendidos (como no caso de Pedro, que vendeu suas ações da empresa B no momento errado) que quando resultam de inações (como Paulo, que pensou em comprar ações B, mas não o fez). Simples assim? Não mesmo, essa é só uma parte da história.

Em um artigo de 2006 (que ainda é uma importante referência sobre o assunto) publicado no Journal of Consumer Research, os pesquisadores Ran Kivetz e Anat Keinan afirmam que temos a tendência de condenar as decisões que só enxergam o prazer imediato sem levar em conta as consequências futuras. Outro ponto é que essa condenação é efêmera: a longo prazo (depois de um ano, aproximadamente), considerando a decisão que nos pareceu sábia, o que prevalece é o arrependimento por ter perdido uma ocasião e agido segundo nosso impulso ou desejo.

Kivetz e Keinan recorrem a uma “metáfora óptica”: nossos impulsos são míopes, conseguem ver apenas a satisfação imediata, mas cultivamos a ideia de que é correto agir como hipermetropes, deixando de fazer o que queremos, e focando nas consequências. De imediato podemos até ficar satisfeitos com nosso autocontrole, mas com o passar do tempo lamentamos não termos agido como gostaríamos. Segundo os pesquisadores, o que acontece é que, a longo prazo, os atos passados são integrados numa visão mais ampla e, nesse conjunto, muitas vezes acabamos por lamentar as experiências não vividas.

O EFEITO ZEIGARNIK

O arrependimento que sentimos por não fazer algo parece ser mais memorável que aquele que carregamos por resultado de uma ação. Esse fenômeno é conhecido em psicologia social desde 1935 como efeito Zeigarnik (nome de sua descobridora, a psicóloga soviética Bluma Zeigarnik) e recebeu numerosas confirmações experimentais. Numa pesquisa realizada na década de 80, na França, voluntários foram questionados sobre quais eram seus três maiores arrependimentos por ação e os três maiores por inação. Três semanas depois, os pesquisadores telefonaram para cada um deles para saber se eles se lembravam das respostas dadas. A maioria (64%) lembrava-se mais dos arrependimentos por inação.

O SOFRIMENTO DO PRESENTE

Os dicionários de francês definem regret como “um estado de consciência penoso, ligado ao passado, pelo desaparecimento de momentos agradáveis”. Lamentamos não só escolhas, mas também aquilo que não depende de nossa vontade: o fim da infância, das férias, de um amor. Em seu Tratado das paixões da alma, Descartes o descreveu como um pesar, uma “espécie de tristeza” daquilo que se passou bem. Esse tipo de sentimento, que se assemelha à nostalgia, pode às vezes, e paradoxalmente, causar certo prazer, pois é associado à evocação de momentos agradáveis. Victor Hugo, por exemplo, definia nostalgia e melancolia como “a felicidade de ser triste”.

OUTROS OLHARES

O CHIQUE É BRECHÓ

Comprar roupas e diversificados itens já usados se tornou sinônimo de estilo e sofisticação. O consumo de peças de segunda mão vai superar o fast fashion

Foi-se o tempo que brechó era sinônimo de pó, pulgas, peças antiquadas e, principalmente, preços baixos. Esses espaços foram transformados em verdadeiros relicários com itens já usados e antigos que resistem ao tempo porque têm qualidade e estilo. A moda segue uma mudança de atitude: hoje ser fashion é muito mais que copiar os modelitos das passarelas. Reutilizar os trajes se tornou cool, graças à tecnologia que permitiu a criação de sites e aplicativos de vendas, e à consciência ambiental, que levou os consumidores a se preocuparem com o seu impacto no planeta.Uma pesquisa realizada pelo e-commerce ThredUp 2019 comprovou essa tendência: até 2028, o mercado de roupas usadas nos EUA valerá US$ 64 bilhões, mais que o mercado de fast fashion, que ficará com US$ 44 bilhões. “Passamos por um momento de ressignificar o novo. O mundo está buscando mais autenticidade e sustentabilidade”, diz André Carvalhal, especialista e consultor de moda e comunicação.

PASSATEMPO

As irmãs e sócias Daniela Carvalho, de 32 anos, e Gabriela, de 28, do brechó de luxo online Peguei Bode, percebem que muita coisa mudou desde a sua fundação, há oito anos. O site de consignação conecta compradores com vendedores de roupas, sapatos e itens de grifes consagradas, com preços que vão de R$ 200 a R$ 20 mil. “Quando começamos, muita gente não queria vender, diziam que não precisavam do dinheiro. Hoje todo mundo quer, mesmo para doar o valor para instituições. Virou um hobby”, diz Gabriela.

O carro-chefe da empresa Troca de Luxo, que também vende acessórios, joias e relógios, são as bolsas. A sócia-fundadora Juliana Lucki, de 38 anos, conta que no início do negócio, em 2012, sofreu preconceito por vender peças de segunda mão. “Em um evento num clube da alta sociedade, uma senhora pegou uma bolsa que estava à venda. Quando falei que era usada, ela largou com repulsa. Hoje é o contrário, as pessoas querem tê-las”, diz Juliana, que comemora o crescimento de 200% nas vendas.Foi ali que a designer de joias Flavia Pivatelli, de 36 anos, conseguiu encontrar uma bolsa de edição limitada da Chanel que não está mais disponível nas lojas. Além de comprar, ela gosta de desapegar, afinal, armário lotado não está com nada. “Quando entra uma peça, sai duas”, afirma. “Também troco muita coisa com minhas irmãs. Por que não renovar?” Engana-se quem pensa que apenas os últimos lançamentos são capazes de proporcionar estilo. Chique agora é frequentar brechós

GESTÃO E CARREIRA

O NOVO TEMPO DA EDUCAÇÃO BILÍNGUE

Redes de ensino de idiomas como CNA, Influx, Yazigi, Wise Up e Wizard já encaram a tecnologia como aliada no aprendizado de uma segunda língua. Saiba o que ainda vem por aí

A tecnologia virou o cerne de todos os negócios. Não seria diferente com a educação. Na escola do futuro, será cada vez mais comum notar inovações como inteligência artificial e realidade aumentada. Um estudo realizado recentemente pela Pearson, dona das redes de franquias de ensino de idiomas Wizard, Yazigi e Skill, mostra que 83% dos brasileiros consideram que dispositivos inteligentes e aplicativos serão usados para auxiliar alunos num futuro próximo. Além disso, 77% dos entrevistados acreditam que a inteligência artificial tem um impacto positivo para a educação. “A tecnologia de idiomas no aprendizado já é uma realidade”, diz Piero Franceschi, vice-presidente de franquias da Pearson no Brasil.

A empresa acaba de investir R$ 2 milhões para desenvolver, em parceria com a startup Explore Aprendizagem Criativa, um projeto after school para a bandeira Yazigi. Voltado a crianças e adolescentes entre seis e 14 anos, o programa pretende estimular competências como empatia, autonomia, criatividade e o pensamento crítico dos alunos. “Segundo a nossa pesquisa, 48% dos pais entendem que as escolas básicas não preparam seus filhos para o que eles encontram nesse mundo complexo e volátil em que vivemos”, diz Franceschi.

A modalidade contará com uma carga horária de oito horas semanais, dividida em dois dias da semana, com aulas bilíngues. Durante esse período, as crianças terão atividades de tecnologia, com montagem e programação de robôs; artes, incluindo a encenação de peças autorais; e atividades físicas que estimulem o desenvolvimento da criatividade e autonomia. A Pearson pretende implantar o projeto em ao menos 50 das 290 unidades da rede Yazigi no País em 2020. Em três anos, toda a rede deverá estar adaptada.

Também há novidades para Wizard, principal bandeira do grupo, com 1.280 pontos físicos. A rede desenvolveu um novo programa educacional chamado Future 7, que aborda disciplinas de inteligência emocional, educação financeira, mentalidade digital e pensamento lógico. A estratégia é atender as necessidades do público adulto para o mercado de trabalho. “Sentimos que as universidades não oferecem soft skills, ligados a comportamento e comunicação, e os alunos sentem muita falta disso. Por isso, mudamos a forma como pensamos o nosso negócio para atender melhor esse cliente”, diz Fransceschi. “O programa que já está disponível em 600 escolas, mas a ideia é levá-lo para a rede inteira.”

Na rede CNA, a tecnologia vai muito além do ensino: é utilizada até na gestão das franquias. “Hoje, a comunicação entre franqueador e franqueado é totalmente on-line, tanto através de sistemas de gestão como por meio de portal”, afirma Décio Pecin, CEO do CNA. “Isso proporciona uma relação menos atritosa para que o franqueado possa cuidar do que é essencial para ele: a gestão da escola e dos alunos”. Em seus livros didáticos, a empresa também trabalha com QR Code para conectar os alunos até a página da plataforma CNA Net, onde eles podem acessar jogos, ilustrações e textos complementares às atividades trabalhadas no material didático.

“Os jogos são uma parte utilizada, principalmente pelos alunos teen”, afirma Pecin. “Também estamos trabalhando com realidade aumentada nos nossos livros, o que proporciona sensações inovadoras”. Hoje com 585 escolas, a rede pretende chegar à milésima unidade em 2025. O CNA também desenvolveu recentemente um curso de aprendizagem 100% virtual. “São aulas ministradas por professores de verdade, em salas de verdade. Para isso, nós lançamos um portal do aluno extremamente renovado, que parece uma rede social e que entra no ar em janeiro de 2020”, diz o executivo.

Diante de tempos de crescimento econômico inócuo, o setor de educação segue ganhando espaço. No terceiro trimestre deste ano, o mercado de ensino movimentou R$ 3,2 bilhões, 5% a mais em relação a igual período do ano anterior. Segundo André Friedheim, presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF), as franquias de educação souberam se reinventar, desenvolvendo soluções que integram os canais físico e virtual. “A tecnologia que eles usam é aplicada em várias etapas do processo, incluindo aplicativos, EAD e realidade virtual”, diz. Ainda assim, aprender um segundo idioma continua a ser um desafio. Dados do instituto cultural British Council mostram que apenas 5% da população brasileira sabe se comunicar em inglês, e que apenas 1% o faz isso com fluência. “Como a quantidade de pessoas que domina outra língua ainda é muito pequena, o potencial de crescimento desse mercado é vasto”, afirma Friedheim, da ABF.

GASTRONOMIA

A rede de franquias paranaense Influx investiu R$ 500 mil para desenvolver sua plataforma Seven, um ambiente personalizável onde os alunos podem optar por aprender temas de maior interesse pessoal. Estão disponíveis ferramentas ligadas ao ensino de inglês com base no estudo de áreas como gastronomia, música e arte. “Ele tem um conceito de gamification. Conforme o aluno vai avançando, é como se ele escalasse uma montanha”, compara Leonardo Paixão, CFO e cofundador da Influx. “Os alunos aprendem inglês e espanhol de uma forma lúdica e dentro de um tema sobre o qual têm interesse. Então, o aprendizado fica mais fácil e dinâmico”. A rede passa por um momento de expansão avançada e deve terminar o ano com 170 unidades implantadas – hoje, são 155, sendo três operações próprias. A projeção de faturamento total para a rede este ano é de R$ 350 milhões, alta de 20% em relação a 2018.

Mesmo diante de assédio de concorrentes, a empresa se mantém firme. Segundo Paixão, há pouco tempo, os empresários Carlos Martins Wizard e Flavio Augusto fizeram, por meio do BTG Pactual, uma proposta de compra da empresa. Para Augusto, CEO e controlador da Wiser Educação, que comprou em 2017 a rede de escolas Number One, a consolidação do mercado será liderada por sua empresa. “Não temos hoje ninguém, além de nós, comprando. Vamos buscar consolidar e escolher as melhores operações para trazer para a nossa holding”, diz Augusto. Na Wise Up, principal bandeira da Wiser Educação, a tecnologia está sendo implementada para a parte de gestão da empresa. Prova disso é que 50% dos atendimentos aos mais de 120 mil alunos da rede são realizados por meio de robôs atualmente. Esses são os sinais de uma tendência inexorável para o mercado de ensino de idiomas no Brasil.

ALIMENTO DIÁRIO

QUANDO O CÉU INVADE A TERRA

CAPÍTULO 11 – O ALTO CUSTO DO POUCO PODER

Ganhe para o Cordeiro que foi morto a recompensa pelo sofrimento Dele. (Os Moravianos)

O avivamento é o ambiente em que o poder de Cristo tem a maior possibilidade de se manifestar. Esse poder toca em todas as partes da vida humana, penetrando com muita força na sociedade com centelhas de uma revolução. Esta glória tem um custo, e não é para ser desprezado. Não obstante, uma Igreja sem poder tem um custo bem maior em termos de sofrimento humano e perda de almas. Durante um avivamento, o inferno é saqueado e o céu é povoado. Sem avivamento, o inferno é povoado – e ponto final.

Vou procurar esclarecer sobre a necessidade de sinais e maravilhas em nosso esforço por ver as nossas cidades transformadas e a glória de Deus encher toda a terra. Sem o que se segue, o mundo sofre, Deus é entristecido, e somos os mais miseráveis dos homens:

1. SINAIS E MARAVILHAS REVELAM A NATUREZA DE DEUS…

Um primeiro propósito da ocorrência de milagres é revelar a natureza de Deus. A ausência de milagres opera como um ladrão, roubando uma preciosa revelação que está ao alcance de todo homem, mulher ou criança. Nossa dívida para com a humanidade é dar aos homens respostas para o que é impossível, e possibilitar-lhes um encontro pessoal com Deus. E esse encontro tem de incluir um grande poder.

Temos de ser testemunhas de Deus. Testemunhar é representar alguém. Isso realmente significa re-apresentar… Jesus. Portanto, reapresentá-Lo sem poder é uma grande falha. É impossível dar um testemunho adequado de Deus, sem demonstrar o Seu poder sobrenatural. O sobrenatural está no Seu domínio, como algo natural

para Ele. Jesus foi uma expressão, ou representação, exata da natureza do Pai.208 A forma como Ele representou o Pai deve ser um modelo para nós, e através desse modelo vamos aprendendo a como re-apresentar o Senhor.

A esfera sobrenatural de Deus tem sempre um propósito. Ele não vem sobre as pessoas com poder para se exibir ou para trazer entretenimento. Demonstrações de poder, em sua natureza, têm em vista a redenção. Até mesmo os cataclismos do Antigo Testamento tinham o propósito de levar as pessoas ao arrependimento.

A cura não é nunca uma ação unidimensional. O milagre, além de alterar a condição física de uma pessoa, também lança fagulhas de uma revolução lá no fundo do coração humano. Esses dois atos revelam a natureza de Deus, que nunca deverá ser distorcida por um Cristianismo sem poder.

2. SINAIS E MARAVILHAS EXPÕEM O PECADO E LEVAM AS PESSOAS A TOMAREM UMA DECISÃO…

Quando Simão Pedro viu aquela maravilhosa pesca, ele caiu aos pés de Jesus, dizendo:

“Senhor, retira-Te de mim, porque sou pecador.”

Pedro havia estado pescando toda a noite, sem sucesso algum. Jesus lhe disse que lançasse a rede do outro lado do barco, o que sem dúvida ele já tinha feito inúmeras vezes. Quando ele assim fez, diante da ordem dada pelo Mestre, a pesca foi tão grande que por pouco o barco não afundou. Pedro pediu ajuda de outros barcos. Sua reação a esse milagre foi: “sou pecador”.

Quem lhe disse que ele era pecador? Não há registro algum de sermões, repreensões, ou qualquer outro ato naquele barco naquele dia – houve apenas uma grande pesca. Assim, como ele chegou à convicção do pecado? A resposta está no milagre que aconteceu. O poder expõe o pecado. Ele faz um traço na areia e força as pessoas a tomarem uma decisão.

Demonstrações de poder não são uma garantia de que as pessoas vão se arrepender. Basta que olhemos para Moisés que veremos que às vezes o poder milagroso somente faz com que nossos faraós se tornem mais resolutos a nos destruir, quando veem o poder. Sem atos de poder, os fariseus teriam se esquecido da Igreja que havia nascido do sangue de Jesus derramado na cruz. O poder acirrou o zelo da oposição aos primeiros cristãos. Temos que ter a mente muito clara quanto a isto: que o poder muitas vezes faz com que as pessoas decidam se são a favor, ou contra. O poder não permite ficar em cima do muro.

Ministérios de ação social para os necessitados são totalmente essenciais na pregação do evangelho. Eles constituem um dos modos pelos quais o amor de Deus pode e deve ser visto. Contudo não são completos sem uma demonstração de poder. Por quê? A realidade é a seguinte: o mundo geralmente vai aplaudir esses esforços de ação social por saberem que nós deveríamos realizar tais ações. Temos que perceber esta lamentável verdade: é comum as pessoas reconhecerem os atos beneméritos da Igreja e ainda assim não serem levadas ao arrependimento. Mas o poder de Deus força essa decisão, pois lhe é inerente a habilidade de humilhar as pessoas.

Jesus disse: “Se Eu não tivesse feito entre eles tais obras, quais nenhum outro fez, pecado não teriam.”

Será que Jesus estava dizendo que o pecado não existia no coração dos judeus antes dos milagres serem por Ele realizados? Disso eu duvido muito. Ele estava explicando o princípio revelado através do arrependimento de Pedro. O poder de Deus traz à luz o pecado e faz com que as pessoas tomem uma decisão. Quando não há poder, não estão sendo usadas as armas que estavam no arsenal de Jesus, quando ele ministrava aos perdidos. Qual o resultado de não haver poder? A maioria permanece perdida. O poder força as pessoas a ficarem conscientes de Deus num nível pessoal, e isso, por sua natureza, desperta a necessidade de uma resposta.

3. SINAIS E MARAVILHAS PRODUZEM CORAGEM

“Os filhos de Efraim, embora armados de arco, bateram em retirada no dia do combate. Não guardaram a aliança de Deus, não quiseram andar na sua lei; esqueceram-se das suas obras e das maravilhas que lhes mostrara.” (Salmo 78:9-11)

Uma coisa que era totalmente arraigada à cultura judaica tinha se moldado pelo mandamento de manterem os testemunhos do Senhor. A própria família era conduzida pela progressiva revelação de Deus contida em Seus mandamentos e testemunhos. Os judeus, ao se deitarem para dormir à noite, quando se levantassem pela manhã, quando caminhassem juntos, sempre tinham que falar sobre a Lei de Deus e sobre o que Deus havia feito no passado. Toda hora era uma hora perfeita para falarem das maravilhosas obras de Deus.

Para assegurar que eles não se esqueceriam disso, eles tiveram que construir monumentos que os fizessem lembrar da invasão de Deus na vida deles. Por exemplo: tiveram que empilhar pedras para marcarem o lugar em que Israel cruzou o rio Jordão. Desse modo, quando seus filhos lhes perguntassem: “Oi, pai, por que aquele monte de pedras ali?” – Então eles lhes responderiam contando a história de como Deus operou no meio deles.

O testemunho de Deus faz com que se queira mais das ações de Deus. A expectativa cresce quando as pessoas estão conscientes da Sua natureza sobrenatural e da Sua aliança. Quando a expectativa cresce, os milagres também aumentam. Quando os milagres aumentam, os testemunhos são em maior número. Dá para ver que há um ciclo aí? O simples ato de compartilhar um testemunho sobre Deus pode incitar as pessoas até que desejem e vejam Deus operar no seu dia-a-dia.

O reverso é também verdadeiro. Onde os testemunhos diminuem, a expectativa de milagres também decresce. E, neste caso, eles acontecem ainda menos vezes. Como se pode ver, essa é uma espiral para baixo que é possível acontecer. Esquecer o que Deus tem feito – retirando o testemunho de nossos lábios, por fim faz com que nos tomemos temerosos no dia da batalha. A história dos filhos de Efraim é trágica porque eles estavam totalmente equipados para vencer. Faltava-lhes somente a coragem. Sua coragem proviria de se lembrarem de quem Deus tinha sido para com eles.

4. O SOBRENATURAL É A CHAVE PARA AS CIDADES PECAMINOSAS DO MUNDO…

“Passou, então, Jesus a increpar as cidades nas quais ele operara numerosos milagres, pelo fato de não se terem arrependido:

Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido com pano de saco e cinza. E, contudo, vos digo: no Dia do Juízo, haverá menos rigor para Tiro e Sidom do que para vós outras. Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje. Digo-vos, porém, que menos rigor haverá, no Dia do Juízo, para com a terra de Sodoma do que para contigo.” (Mateus 11:20-24)

Esta passagem das Escrituras faz uma distinção entre cidades religiosas e cidades que são conhecidas pelo pecado. A cidade religiosa tinha uma consciência entorpecida que não lhe permitia ver a sua necessidade de Deus, enquanto que a cidade pecaminosa era consciente de que lhes faltava alguma coisa. A religião chega a ser mais cruel do que o pecado.

As duas primeiras cidades às quais Jesus se refere aqui viram mais sinais e maravilhas do que todas as demais cidades juntas. Os milagres que nelas Jesus realizou eram tão numerosos que o apóstolo João disse que, para registrá-los, seriam necessários todos os livros do mundo. Isso nos dá uma nova visão da reprimenda que Jesus fez a essas cidades de duro coração.

Jesus não pôde fazer o que Ele poderia ter feito em Nazaré por causa da incredulidade dos que lá viviam. Mas em Corazim e Betsaida Seus milagres parecem ter sido sem limites, o que nos dá a entender que essas cidades tinham uma medida de fé. Sua severa repreensão não parece ter sido resultante de eles não apreciarem os milagres que fez. Certamente eles apreciaram. O problema deles é que eles acrescentaram o que viram ao que eles já estavam fazendo, em vez de fazer de Jesus o ponto central de sua vida. É isso o que a religião faz. Como disse Jesus, eles deixaram de se arrepender e de mudar o seu modo de pensar (alterando assim sua própria perspectiva na vida).

Muitos têm prazer diante do mover de Deus, mas na verdade não se arrependem (não mudam sua perspectiva de vida, e deixam de fazer com que as ações de Jesus se tornem o seu foco principal e o seu principal desejo). A revelação que eles receberam através dos milagres aumentou a responsabilidade deles, exigindo uma mudança. Mas esta não aconteceu.

A unção em Cafarnaum foi tão grande que algumas traduções dizem que a exaltação dessa cidade a levaria até o céu. Será que Jesus estava dizendo que a atmosfera de milagres em seu meio era tão grande que fez com que a cidade se tornasse o local mais parecido com o céu, sobre a terra? Se foi isso, então Cafarnaum tornou-se, por um breve período, o exemplo da frase “assim na terra como no céu”. Eles deram condições para a grande obra que Jesus fez ali, mas nunca ajustaram a sua vida nem tiveram o propósito de buscar isso como sua maior prioridade.

Há ainda uma outra mensagem nesta história. Tiro, Sidom e Sodoma teriam se arrependido se tivessem presenciado o mesmo derramar do poder de Deus! Você ouviu isso? Eles teriam se arrependido! Esta é uma promessa profética para o dia de hoje. Milagres nas ruas de “cidades pecaminosas” do mundo farão com que elas se arrependam! Esse é o segredo que nos dá acesso ao coração dessas grandes cidades! Cidades deste mundo tais como San Francisco, Amsterdã, Nova Orleans e Rio de Janeiro se arrependerão… se houver um exército de santos, cheios do Espírito Santo, que ande pelas ruas, cuidando dos que estão arrasados, levando aos problemas de impossível solução o poder de Deus. As pessoas dessas cidades se arrependerão! Esta é a promessa. Elas simplesmente estão à espera daqueles que têm a mensagem da vinda do Reino.

A falta de poder cancela esta possibilidade e, em seu lugar, vem o juízo de Deus.

5. OS MILAGRES REVELAM A GLÓRIA DE DEUS…

“Com este, deu Jesus princípio a Seus sinais em Caná da Galileia; manifestou a Sua glória, e os Seus discípulos creram Nele.” (João 2:11)

Jesus foi a um casamento em que o vinho a certa altura acabou. Até aquele momento Ele não havia realizado nenhuma das maravilhas pelas quais Ele depois ficou conhecido. Maria sabia quem o seu filho era, e o que seria possível. Assim, naquela hora de necessidade, a mãe de Jesus voltou-se para Ele e lhe disse: “Eles não têm mais vinho”. Jesus lhe respondeu: “Mulher, que tenho Eu contigo? Ainda não é chegada a Minha hora.” Maria, entretanto, agiu de um modo impressionante: ela virou-se para os servos e lhes disse que fizessem “tudo o que Ele vos disser”. Sua fé deu oportunidade a Deus para mostrar a Sua prodigalidade! Em seguida Jesus fez o milagre de transformar água em vinho.

Bem, o que realmente aconteceu? É importante lembrarmo-nos de que Jesus somente fazia o que Ele via o Pai fazer, e que Ele somente dizia o que ouvia Seu Pai dizer. Quando Maria inicialmente relatou a Jesus sobre a necessidade que havia de vinho, podemos afirmar com segurança que Jesus notou que o Pai não tinha o propósito de fazer quaisquer milagres naquele casamento. Além disso, Jesus sabia que ainda não era a Sua hora, a hora de revelar-se como um operador de milagres. Foi isso que lhe fez dar aquela resposta: “Mulher, que tenho Eu contigo? Ainda não é chegada a Minha hora.” Maria, entretanto, respondeu com fé e fez com que os servos se preparassem para fazer tudo o que Ele lhes dissesse.

Jesus olhou de novo para o Pai, para ver o que Pai estava fazendo, e viu que o Pai estava transformando água em vinho. Então Jesus seguiu o que o Pai o dirigiu a fazer e fez o milagre. A fé que Maria tinha tocou no coração do Pai, que assim alterou a hora escolhida para revelar Jesus como operador de milagres. A fé faz o céu mover-se, para que o céu mova a terra.

De acordo com João 2:11, esta demonstração do poder de Deus liberou a Sua glória naquele local. Sinais e maravilhas fazem isso. Eles liberam a glória de Deus às nossas cidades. A necessidade – seja ela uma enfermidade, ou pobreza, ou opressão, seja o que for – representa o efeito das obras das trevas. O milagre faz com que as trevas se dissipem, sendo substituídas pela luz, pela glória. Quando não há milagres, também está ausente a glória de Deus, a manifestação da presença de Jesus.

A glória sendo liberada, ela desaloja os poderes das trevas e coloca no lugar o verdadeiro domínio da presença de Deus. A casa é limpa e varrida e fica cheia do mobiliário do céu.216 Quando os poderes das trevas são retirados, eles devem ser substituídos pelo que é justo e reto, ou então o inimigo tem direito legal para voltar, fazendo o último estado da pessoa muito pior do que o primeiro. Milagres fazem essas duas coisas: removem o domínio do inferno e ao mesmo tempo estabelecem o domínio da presença de Deus. Como a glória de Deus cobrirá a terra? Creio que, pelo menos em parte, será através de um povo que andará em poder, dando testemunho de Jesus às nações do mundo. Haverá uma geração que compreenderá isso e invadirá o sistema do mundo com este vivo testemunho de quem Jesus é!

6. OS SINAIS FAZEM COM QUE DEUS SEJA GLORIFICADO…

“Vendo isto, as multidões, possuídas de temor, glorificaram a Deus, que dera tal autoridade aos homens.” (Mateus 9:8)

Em quase todas as reuniões que dirijo, quer seja no culto de uma igreja tradicional, seja numa conferência, ou mesmo numa reunião de diretores ou do pessoal de uma organização, falo sobre o poder de Deus que opera milagres. Quando estou falando longe de casa, muitas vezes faço isso para suscitar fé e ajudar meus ouvintes a fazer com que o seu coração se volte para Deus. Quando termino, faço-lhes a seguinte pergunta: “Quantos de vocês louvaram e glorificaram a Deus quando compartilhei esses testemunhos?”

Quase todas as mãos são erguidas. Então faço-os lembrar de algo muito importante: “Se não tivesse ocorrido o poder de Deus, e não houvesse os correspondentes testemunhos, Deus não teria recebido essa glória. Sem o poder, roubamos de Deus a glória que Ele merece!”

7. OS SINAIS, POR SI MESMOS, GLORIFICAM O SENHOR!

“Bendizei ao SENHOR, vós, todas as Suas obras, em todos os lugares do Seu domínio. Bendize, ó minha alma, ao SENHOR.” (Salmo 103:22)

“Todas as Tuas obras Te renderão graças, SENHOR; e os Teus santos Te bendirão.” (Salmo 145:10)

Não apenas os milagres de fato atiçam o coração dos homens para que eles dêem glória a Deus, mas também os milagres, por si mesmos, O glorificam. Não sei ao certo como isso funciona, mas de algum modo um ato de Deus tem vida em si mesmo e tem a condição para realmente glorificar a Deus, sem a participação do homem. A ausência de milagres rouba de Deus a glória que lhe é devida pela vida liberada com Suas próprias palavras.

8. MILAGRES SÃO UMA FORÇA QUE UNE AS GERAÇÕES…

“Uma geração louvará a outra geração as Tuas obras e anunciará os teus poderosos feitos.” (Salmo 145:4)

“Não o encobriremos a seus filhos; contaremos à vindoura geração os louvores do Senhor, e o Seu poder, e as maravilhas que fez.

Ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e instituiu uma lei em Israel, e ordenou a nossos pais que os transmitissem a seus filhos, a fim de que a nova geração os conhecesse, filhos que ainda hão de nascer se levantassem e por sua vez os referissem aos seus descendentes;  para que pusessem em Deus a sua confiança…” (Salmo 78:4-8)

Israel tinha que construir monumentos em memória dos feitos de Deus. Por quê? Para que em todo o tempo houvesse algo que os fizesse lembrar, em todas as suas gerações, de quem Deus é, e da Sua aliança com o Seu povo.

Esse testemunho era um registro dos atos poderosos de Deus em meio ao seu povo e, ao mesmo tempo, era um convite para que as pessoas o conhecessem daquele modo. Era para uma geração dar o testemunho de Deus à geração seguinte. O que normalmente se conclui, dos versículos acima, é que a geração mais velha falaria do testemunho de Deus à mais nova. Mas é igualmente verdade que a geração mais jovem teria uma experiência com Deus, e a mais velha pôde beneficiá-la. Os encontros com o Deus todo-poderoso tomam-se um fator unificador, que une as gerações!

9. SINAIS E MARAVILHAS AFIRMAM QUEM JESUS É…

“Se não faço as obras de Meu Pai, não me acrediteis; mas, se faço, e não me credes, crede nas obras; para que possais saber e compreender que o Pai (está em mim, e eu estou no Pai.” (João 19:37-38)

Já que os judeus tinham que lutar contra a dificuldade que sentiam em crer que Jesus era o Messias, Ele simplesmente lhes disse que olhassem para os milagres e neles cressem. Por quê? Um sinal sempre nos dá a direção para algum lugar. Jesus não tinha receio algum quanto ao destino a que os Seus sinais os levariam. De algum modo, o simples passo inicial de acreditarem no que estavam vendo por fim os capacitaria a crer no próprio Jesus. Foi o que aconteceu no caso de Nicodemos. Cada milagre testificava a identidade de Jesus, quem Ele era. Sem os milagres, não pode haver nunca uma plena revelação de Jesus.

10. OS MILAGRES AJUDAM AS PESSOAS A OUVIR A VOZ DE DEUS…

“As multidões atendiam, unânimes, às coisas que Filipe dizia, ouvindo­ as e vendo os sinais que ele operava.” (Atos 8:6)

Filipe era o mensageiro de Deus para a cidade de Samaria. Lá as pessoas puderam entender que suas palavras vinham de Deus por causa dos milagres que ele fazia. Atos de poder contribuem para que as pessoas sintonizem o seu coração ao que é de Deus. Fazem com que elas se libertem da análise racional que conclui que este mundo é a realidade final. Tal mudança de perspectiva é essencial para que haja a mais importante resposta do homem para Deus. Em essência, é para que aconteça o que a palavra arrependimento significa. Os milagres fornecem a graça para o arrependimento.

O desespero que os milagres causam é em parte responsável por esse fenômeno. À medida que os nossos interesses deixam de contemplar somente o que é natural, dirigimos a nossa atenção a Ele. Essa mudança no coração abre os olhos e os ouvidos do coração. Disso resulta que passamos a ver o que já estava bem à nossa frente o tempo todo, e ouvimos o que Deus vinha dizendo em toda a nossa vida.

Os milagres causam uma mudança nas prioridades. São uma importante contribuição para que possamos ouvir de forma mais clara a voz de Deus. Sem eles ficamos mais propensos a sermos dirigidos pela nossa própria mente, chamando isso de espiritualidade.

11. OS MILAGRES CONTRIBUEM PARA QUE AS PESSOAS OBEDEÇAM A DEUS…

“Não me atrevo a falar de nada, exceto daquilo que Cristo realizou por meu intermédio em palavra e em ação, a fim de levar os gentios a obedecerem a Deus, pelo poder de sinais e maravilhas e por meio do poder do Espírito de Deus.

Assim, desde Jerusalém e arredores, até o Ilírico, proclamei plenamente o evangelho de Cristo.” (Romanos 15:18-19 – NVI)

Aqui o apóstolo Paulo demonstra como foi que os gentios foram levados à obediência através do poder do Espírito de Deus, expresso por sinais e maravilhas. Foi isso que ele considerou como proclamar plenamente o evangelho. A mensagem não seria completa sem uma demonstração do poder de Deus. É o modo de Deus dizer “amém” à palavra que Ele mesmo declarou! A Bíblia é repleta de histórias de heróis que tiveram a coragem de obedecer a Deus nas mais difíceis circunstâncias tendo um encontro pessoal com o miraculoso. Nada faz palpitar mais o coração do que conhecer Deus. Ele é ilimitado em poder. Ele é por nós e não contra nós, e é suficientemente grande para suprir a nossa pequenez. Por outro lado, o que acontece com uma geração que foi criada para grandes realizações – mas que viveu em lares em que há pouca, ou nenhuma evidência das coisas em que cremos – é que ela acaba desiludindo-se.

12. OS MILAGRES RATIFICAM A IDENTIDADE DO FILHO DE DEUS E DA SUA IGREJA…

“Este, de noite, foi ter com Jesus e Lhe disse: Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que Tu fazes, se Deus não estiver com Ele.” (João 3:2)

A promessa “Eu serei contigo” foi feita muitas vezes por todas as Escrituras. Ela sempre foi dirigida a alguém que seria levado a enfrentar problemas cuja solução seria impossível – eram situações para as quais seria necessário um milagre. Além da presença de Deus ser confortante, além de desfrutar de Sua doce companhia, que me leva a ter um relacionamento íntimo com Ele, Sua presença é uma provisão do céu que tem o propósito de me levar a um estado de grande coragem na realização de sinais e maravilhas. Os judeus tinham o entendimento de que a realização de milagres atestava que Deus estava com a pessoa. Pois, como disse Nicodemos, “ninguém pode fazer estes sinais que Tu fazes, se Deus não estiver com Ele”. Na Grande Comissão de Mateus 28:18-20, encontramos a frase “Eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.” A presença de Jesus nos dá certeza de que Ele quer nos usar com milagres. O Seu mover na vida de todos os crentes é um ato profético que declara o Seu propósito sobrenatural para o Seu povo.

COMO OBTEMOS O PODER?

As pessoas que tinham recebido o maior treinamento de todos os tempos sobre como atuar na esfera sobrenatural, os discípulos de Jesus, receberam Dele a ordem para “que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai”. O evangelho de Lucas registra isso com as palavras: “Permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder.” Embora eles tivessem estado com Jesus, embora tivessem experimentado o Seu poder quando ministraram pessoalmente, eles teriam que esperar o dynamis – o poder para realizar milagres.

É como se eles tivessem operado debaixo da unção do Senhor. Haveria de chegar a hora em que eles teriam a sua própria unção, e isso aconteceria através de um encontro com Deus. O batismo de fogo lhes daria um encontro permanente com o Senhor, o que os capacitaria a manterem-se no centro da vontade de Deus, mesmo quando a perseguição chegasse.

O batismo do Espírito Santo é uma imersão no dynamis do céu. O falar em línguas é um maravilhoso dom dado através desse batismo. Eu oro em línguas constantemente, e sou grato por este dom de Deus. Mas pensar que falar em línguas seja o único propósito desta tremenda e santa invasão em nós, isso é uma posição simplista demais. Seria o mesmo que dizer que, quando Israel atravessou ‘o rio Jordão, isso foi o mesmo que possuir a Terra Prometida. Sim, eles estavam nela, eles podiam vê-la, mas eles ainda não a possuíam! A travessia do rio lhes deu um acesso legal à posse daquela terra. Este maravilhoso batismo do Espírito nos possibilitou este acesso. Mas ficar às margens do rio, dizendo que “toda a terra é minha”, isso é tolice, na melhor das hipóteses. Essa falta de visão tem feito com que muitos parem de buscar o sobrenatural, assim que receberam uma linguagem espiritual. Foram ensinados de que agora estão cheios do Espírito Santo. Mas um copo somente está totalmente cheio quando o líquido transborda. A plenitude do Espírito somente pode ser medida pelo transbordamento.

A condição de estar cheio do Espírito deve fazer muito mais por mim do que dar-me uma linguagem espiritual. Se isso fosse tudo, eu não teria razão em minha colocação. É um glorioso dom de Deus. Mas seus propósitos nos levam a muito mais, a uma parceria com Deus na qual nos tornamos colaboradores com Cristo. O poder veio para nos constituir em testemunhas. Quando nas Escrituras o Espírito de Deus veio sobre as pessoas, toda a natureza dobrou-se diante delas. O poder se manifestava, e as coisas impossíveis deram lugar à plena expressão da presença de Deus.

LENDO OS SINAIS

Muitos têm medo dos sinais e maravilhas por causa da possibilidade de engano. Assim, para precaverem-se de qualquer oportunidade de serem enganados, tais pessoas trocam tudo o que evidencia o poder por tradições religiosas, atividades cristãs, ou até mesmo pelo estudo bíblico. E ficam satisfeitas com o conhecimento. Quando isso acontece, porém, quem é que é enganado?

Os sinais têm um propósito. Não são um fim em si mesmos. Eles apontam para uma realidade maior. Quando saímos de um edifício, não saímos pela placa que indica a saída. Quando temos que extinguir um incêndio, não o apagamos com o indicador da localização dos extintores. O sinal é real, mas ele aponta para uma realidade maior do que si.

Há sinais ao longo de uma estrada que são para confirmar que estamos na estrada certa. Sem esses sinais não teremos como saber se estamos onde queremos estar. Os sinais podem não ser necessários quando vamos por uma estrada conhecida. Mas tenho total necessidade deles quando estou indo por onde nunca passei antes.

Assim acontece neste presente mover de Deus. Já fomos até onde pudemos, com a compreensão que atualmente temos das Escrituras. Chegou a hora de nos valermos dos sinais. Eles esclarecem as Escrituras, enquanto apontam para Jesus, o Filho de Deus. E também, aos que se apropriaram de um autêntico evangelho, eles confirmam que tais pessoas estão no caminho certo.

Nenhum de nós compreendia o plano da salvação antes de sermos salvos. Foi o milagre – uma experiência – que nos deu esta compreensão. Assim é com os sinais. Eles nos apontam para uma pessoa. Nessa hora a experiência nos ajudará a abrir aquelas porções das Escrituras cujo entendimento estava fechado para nós.

Ninguém, em pleno juízo, pode declarar compreender tudo o que está contido na Bíblia para nós no dia de hoje. Mas quando se diz que há muito mais que está para nos ser revelado, isso faz com que muitos tenham medo. Supere isso, para que você não o deixe escapar!

COMO RELACIONARMO-NOS COM O MUNDO

O próximo capítulo mostra-nos que obrigações estamos realmente devendo ao mundo, e como saldá-las.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SOMOS CEGOS PARA A DIFERENÇA

Com frequência, temos grande dificuldade para reconhecer pessoas com cor de pele e traços étnicos diversos dos nossos; muitos chegam mesmo a não apreender situações que parecem não combinar com modelos preestabelecidos

Nos últimos anos, vários estudos mostraram que temos menor habilidade para distinguir rostos de pessoas de origem diferente da nossa. Pesquisas elaram, porém, que alguns indivíduos são completamente cegos nesse quesito. Cognitivamente, seu cérebro registra a variedade de características, mas não reconhece nas pessoas algo que pode ter importantes implicações – por exemplo, no testemunho de situações envolvendo suspeitos de outra etnia.

A capacidade de identificar membros da própria etnia varia de forma considerável: alguns podem perceber desconhecidos sem esforço algum, enquanto outros, em situações extremas, não conseguem nem mesmo reconhecer o rosto de amigos ou de gente da família – uma condição rara, conhecida como prosopagnosia.

Para entender melhor essa dinâmica, o doutor em psicologia Lulu Wan e seus colegas da Universidade Nacional Australiana decidiram quantificar essa habilidade. Os pesquisadores solicitaram a 268 voluntários caucasianos, todos nascidos e criados na Austrália, que memorizassem uma série de seis rostos asiáticos. Durante o experimento, também foram apresentadas fotos de rostos de indivíduos brancos a um grupo de 176 asiáticos que haviam crescido na Ásia, mas tinham se mudado para a Oceania para estudar. Na sequência, cada participante deveria visualizar um conjunto de três rostos e apontar para algum que tivesse visto na tarefa anterior. O teste foi repetido 72 vezes.

Os cientistas observaram que 26 caucasianos e 10 asiáticos (8% da população do estudo) se saíram tão mal no teste que sua percepção poderia ser considerada “comprometida”, segundo critérios clínicos. “Já sabíamos que temos dificuldade de reconhecer feições de outros grupos étnicos, mas o experimento mostra a dimensão do problema”, diz o professor de psicologia da Universidade de Victoria Jim Tanaka, na Columbia Britânica, que não participou da pesquisa. “Os resultados revelam que pode não haver valor legal nenhum no testemunho ocular, em situações que envolvam justiça”, afirma a psicóloga Elinor McKone, professora de psicologia da Universidade Nacional Australiana e coautora do estudo. Ela observa que, apesar dessas evidências, o sistema jurídico de nenhum país leva em conta as diferenças individuais do reconhecimento de face de pessoas de outras culturas.

Para McKone, a frequência da exposição a indivíduos de outras origens pode influenciar a capacidade de reconhecer as diferenças, segundo os resultados publicados na edição de janeiro do Journal of Experimental Psychology: General. Entre os 106 participantes asiáticos nascidos e criados na Austrália, apenas 3% eram “cegos” para os rostos caucasianos. Esse número subiu para quase 6% entre os nascidos e criados na Ásia.

O psicólogo Daniel Levin, que tem se dedicado com afinco à pesquisa de mecanismos de reconhecimento de rostos por brancos, negros e asiáticos, na Universidade Estadual Kent, em Ohio, discorda do ponto de vista de McKone. Ele acredita que o déficit não aparece porque as pessoas tendem a ter mais contato com gente da própria etnia: se trata, em sua opinião, de uma questão cultural. Ao olhar o rosto de alguém de outra raça, nosso cérebro busca automaticamente informações para classificá-la racialmente – e não que permita individualizá-la.

O efeito se estende a outras culturas. Um artigo publicado em 2001 no Psychology, Public Policy and Law, trata de um estudo no qual cientistas convidaram algumas pessoas negras (que passeavam por shoppings sul-africanos) para participar de um experimento. Os autores observaram que os voluntários que tinham contato com outros grupos étnicos com pouca frequência reconheciam o semblante de pessoas de outras ascendências com mais dificuldade.

JOGO DOS SETE ERROS

OUTROS OLHARES

VELOCIDADE MÁXIMA

Documento vazado pela Nasa revela que gigante da tecnologia criou uma máquina que realiza, em 3 minutos, cálculos que levariam 10.000 anos para ser feitos

“Máquinas similares às hoje existentes serão construídas a custos mais baixos, mas com velocidades mais rápidas de processamento.” Assim, em um artigo de 1965, o empreendedor americano Gordon Moore, cofundador da Intel e hoje com 90 anos de idade, apresentou sua célebre ideia. Pela “Lei de Moore”, a cada cerca de dois anos o desempenho dos chips de computador dobra, sem que aumentem os custos de fabricação. A máxima, irretocável, à exceção de pequenos detalhes de percurso, funcionou tal qual intuíra Moore — e as máquinas evoluíram no ritmo imaginado por ele. É uma regra que pode estar com os dias contados. Vive-se, hoje, uma revolução tecnológica afeita a deixar no passado o raciocínio da duplicação de capacidade de cálculos à base de silício: é a computação quântica. Ela poderá nos levar a distâncias inimagináveis: tarefas que o computador mais poderoso do planeta demoraria 10.000 anos para completar seriam feitas em pouco mais de três minutos (veja o quadro abaixo).

A computação quântica era uma construção que, até o início desta década, não passava de teoria impressa em estudos universitários. Nos últimos anos, começou a ser testada na prática, com sucesso apenas parcial, até conseguir tração que, finalmente, parece se encaminhar para uma nova história. Um documento da Google, vazado recentemente, mostra que a empresa, que nasceu como um motor de buscas para depois invadir outras searas, pode estar muito próximo de romper de vez com o paradigma imposto pela Lei de Moore ao criar o primeiro computador quântico funcional da história.

A revelação foi resultado de uma distração. Algum funcionário da Nasa, também envolvido com o projeto, acidentalmente publicou, em 20 de setembro, no site da agência espacial americana, um estudo que mostra o feito da Google, realizado por meio de uma máquina, ainda sob sigilo, nomeada como Sycamore. O arquivo, programado para ser divulgado oficialmente neste mês, permaneceu poucos segundos no ar — mas foi o bastante para ser flagrado pelo jornal inglês Finan­cial Times. O supercomputador cumpriu um feito inédito: estabilizou os chamados qubits (versões quânticas dos tradicionais bits) por tempo suficiente para que fossem realizadas operações pela inteligência artificial.

Exige-se, aqui, uma breve pausa para explicar a computação quântica. Em um PC regular, os chips operam por meio de bits, unidades binárias responsáveis por formar a linguagem dos soft­wa­res. Esses bits regem os cálculos sempre como se desempenhassem um de dois papéis, dentro da ideia da língua das máquinas: ou são “zero” ou são “1”. No caso do qubit dá-se um comportamento simultâneo, com o “zero” e o “1” ao mesmo tempo. Grosso modo, seria como se um ser humano pudesse, ao mesmíssimo tempo, de modo correto e com perfeita dicção, falar duas palavras. Na prática, representa a possibilidade de um salto gigantesco na velocidade dos computadores.

O computador secreto da Google foi pioneiro ao efetivar essa ambição. O avanço ainda se restringe a âmbitos estritamente técnicos, sem utilidade cotidiana. Já é, porém, apelidado de “o Santo Graal da computação”. Isso porque o feito, se comprovado, atingiu o que se conhece como “supremacia quântica”. A nomenclatura indica aquele momento da civilização em que os computadores seriam tão (ou mais) competentes quanto os seres humanos. O cientista da computação americano Scott Aaronson, professor da disciplina de informação quântica na Universidade do Texas em Austin (EUA), diz, em entrevista: “Isso não causará mudança imediata na vida das pessoas. Mas só por enquanto, pois se trata do início de um caminho que levará a transformações radicais em diversas áreas, culminando certamente no desenvolvimento de inovações que devem abranger de novos remédios à criação de materiais artificiais com atributos que hoje se restringem à imaginação”. Vale lembrar que o computador que usamos hoje também começou com um passo singelo, em 1843, quando a matemática inglesa Ada Lovelace (1815-1852) publicou um diagrama numérico que veio a ser considerado o primeiro algoritmo computacional. Foi esse trabalho, então estritamente técnico, que permitiu, quase dois séculos depois, a existência de notebooks, smartphones, tablets, robôs etc.

GESTÃO E CARREIRA

PARA NÃO PERDER O GÁS

As recentes conclusões em torno do aquecimento global forçam os produtores de celebrados champanhes (e também dos vinhos) a estudar a ciência de seus produtos

Toda boa garrafa de espumante é como uma aula magna de ciências. As versões produzidas na trilha do “método tradicional”, consagrado pelos exemplares da região de Champagne, na França, passam por dois processos de fermentação. O primeiro, como em qualquer produto à base de uvas, transforma o açúcar natural da fruta em álcool. O segundo acontece depois da rolha posta: as leveduras continuam a reagir, inexoravelmente, mas todo o gás carbônico gerado fica retido, atalho para conceder à bebida preferida das celebrações sua característica frisante, um carinho ao palato.

A metáfora das lições científicas deixou de ser figura de linguagem. As novas conclusões em torno do aquecimento global têm deixado os principais produtores do mundo em polvorosa – e agora, mais do que nunca, intimamente ligados aos aspectos bioquímicos de seu ofício. Os franceses, sobretudo, transformaram em obsessão a permanente busca por soluções que atenuem os severos estragos ao solo, em virtude de temperaturas e chuvas irregulares. O terroir, abrigo das videiras mais celebradas, é agora um laboratório de pesquisas. Tudo em nome da boa gastronomia.

Em 2019, registrou-se a temperatura mais alta da história da região de Champagne: 42,9 graus. O acompanhamento histórico aponta a elevação média de 1,1 grau desde 1990. A mudança pode parecer sutil, mas tem provocado impacto direto na qualidade dos espumantes. “Percebemos que as cores e os aromas estavam bem menos avançados do que em um ano normal, de temperaturas mais amenas”, afirma o francês Vincent Chaperon, chef de cave da Dom Pérignon. O calor em excesso faz com que as uvas amadureçam antes do esperado. Além de levarem a um aumento indesejado em sua gradação alcoólica – quanto mais madura, mais açúcar a uva produz e mais alcoólica se torna -, as alterações podem modificar para sempre as propriedades que fazem os vinhos de Champagne mundialmente famosos. “É como mudar a voz de um cantor de quem você gosta”, compara Manoel Beato, chef sommelier do restaurante Fasano, de São Paulo. Atento a esse tipo de reviravolta, um dos membros do comitê multidisciplinar que controla a qualidade dos espumantes da região francesa, o CIVC, órgão mais influente que as prefeituras, disse no mês passado que, caso a temperatura média suba mais 1 grau, o champanhe como o conhecemos “deixará de existir”, dramaticamente.

Se as consequências das mudanças climáticas travam a boca dos produtores mais tradicionais, elas acabaram por beneficiar regiões do mundo onde nunca se sonhou produzir vinhos de qualidade. A Inglaterra, por exemplo, antes considerada uma terra inóspita – o frio em excesso impede o ciclo apropriado de maturação das uvas -, tem registrado condições meteorológicas mais amenas. Tanto que a área dedicada à plantação de uvas para a produção de espumantes triplicou de tamanho desde 2010. A vinícola Nyetimber, em West Sussex, no sul da ilha, foi além e investiu em plantações do mesmo tipo de uva usado pelos produtores de Champagne.

Um gaulês irredutível prefere a morte a transferir um de seus patrimônios mais valiosos para o outro lado do Canal da Mancha. Non! Por essa razão há tanto nervosismo e agitação na França. Desde 2016, o CIVC investe em um programa chamado Inovação Varietal, que busca o cruzamento ideal entre as tradicionais uvas utilizadas na preparação do champanhe (geralmente chardonnay, pínot noir e pinot meunier) e outros tipos, sabidamente mais resistentes ao calor e a pragas decorrentes do caos climático.

A medida é controversa: há quem assegure que a criação de híbridos entre uvas tipicamente francesas e plantas de outras regiões provocará mudanças no sabor e no aroma da bebida. Mas esse é um caminho sem volta. Não se adaptar significa, na prática, correr o risco de ver sua produtividade cair drasticamente, um atalho para a morte. “A Europa tem experimentado uma onda de calor que desafia a viticultura do continente, atingindo a tipicidade dos vinhos, algo fundamental para os produtores da região”, diz Mauro Zanus, engenheiro-agrônomo e pesquisador em enologia da Embrapa Uva e Vinho, uma unidade descentralizada de pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.

Até agora o Brasil não colheu os frutos das mudanças climáticas. Tampouco teve prejuízos. “O aquecimento global ainda não nos afetou”, afirma Daniel Dalla Valle, enólogo da Casa Valduga, uma das principais produtoras de vinho na cidade de Bento Gonçalves, no interior do Rio Grande do Sul, e de onde saem espumantes premiados internacionalmente. “Há trinta anos, a viticultura brasileira era primária. Nosso avanço se deu pela mudança no estilo de produção, agora mais qualitativa”, diz. Mesmo em regiões de calor extremo, como os estados do Nordeste, o país já é capaz de produzir diferentes tipos de vinho e espumante. Existem vinícolas especializadas em brancos, tintos e borbulhantes adaptados ao clima quente de Pernambuco e da Bahia. “A indústria brasileira já tem tecnologia para fazer vinhos e espumantes de qualidade e de forma constante. Se houver uma situação de mudança climática acentuada, pode-se dizer que estaremos em uma posição à frente dos demais produtores do mundo”, afirma Mauro Zanus. A pesquisa científica terá, portanto, papel fundamental na manutenção da qualidade da bebida. Em tempos tão interessantes, até o prazer exige conhecimento.

ALIMENTO DIÁRIO

QUANDO O CÉU INVADE A TERRA

CAPÍTULO 10 – FALTA DE PODER: ALGO DESNECESSÁRIO E DESEQUILIBRADO

Não me impressiono com a vida de ninguém, a menos que a pessoa tenha integridade. Mas não fico satisfeito com a sua vida, até que tal pessoa se torne perigosa.184 Tanto quanto eu possa, não permitirei que as pessoas ao meu redor possam ir embora sendo apenas gente boa!

Muitos crentes estabeleceram como o primeiro alvo de sua vida ser um cidadão bem respeitado em sua comunidade. Um bom carácter capacita-nos a darmos a nossa firme contribuição à sociedade, mas a maior parte das características reconhecidas como pertencentes ao estilo de vida cristão podem estar em pessoas que nem mesmo conheçam Deus. Todo crente deve ser muito respeitado, e ter ainda MAIS ALGUMA COISA. É esse “mais alguma coisa” que geralmente está nos faltando.

Conquanto o bom carácter tenha de estar no coração do nosso ministério, o poder é o que revoluciona o mundo ao nosso redor. Até que a Igreja retorne ao modelo de Jesus para os verdadeiros revolucionários, continuaremos a ser reconhecidos pelo mundo simplesmente como gente boa – e o mundo continuará a ser vencido pelas enfermidades e pelos tormentos, a caminho do inferno.

Alguns cristãos realmente consideram que é mais nobre optar por um bom carácter do que pelo poder. Mas isso não é uma dicotomia; não temos que separar as duas opções; seria uma escolha irresponsável e ilegal. Juntas, elas nos levam à verdadeira questão: à obediência.

Certa vez, enquanto eu ensinava a um grupo de estudantes sobre a importância dos sinais e maravilhas no ministério do evangelho, um rapaz disse com voz bem alta: “Vou procurar fazer sinais e maravilhas quando tiver consciência de que tenho mais do carácter de Cristo em mim.” Por melhor que isso possa parecer, esse pensamento provém de uma postura mental religiosa, e não de um coração totalmente entregue ao evangelho de Jesus Cristo. Em resposta ao comentário daquele aluno, abri a Bíblia no evangelho de Mateus e li o comissionamento que o Senhor nos deu: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado.” Em seguida perguntei­ lhe: “Quem lhe deu o direito de determinar quando você estará em condições de obedecer a ordem que Ele lhe deu?”

IMPRESSIONANDO A DEUS

Será que alguém pensa que Deus Se impressiona conosco quando Lhe dizemos: “Vou obedecer-Lhe quando aprimorar o meu carácter?” O carácter é moldado através da obediência. Jesus deu ordem a seus discípulos para irem e, indo, ensinassem tudo que tinham aprendido. E parte do que tinham aprendido era um treinamento específico para viver e operar no sobrenatural. Jesus lhes ordenou: “Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demônios.” E, a partir daí, eles ficaram responsáveis por ensinar esta ordem de Jesus como fazendo parte do estilo de vida de cada pessoa que se tornasse seguidora do Senhor. Desse modo, o padrão de Jesus permaneceria sendo o padrão, a norma para todos os que invocam o nome do Senhor para salvação.

Muitos consideram-se indignos de serem usados por Deus para a realização de milagres, e assim nunca buscam o sobrenatural. Não chega a ser irônico haver cristãos que desobedecem a Deus, não procurando com zelo os dons espirituais – não impõem mãos sobre os enfermos nem oram pela libertação dos endemoninhados – por acharem que precisam aprimorar o seu carácter? Pois, para aprimorá-lo, a primeira coisa a fazer é obedecer! Mas Jesus não fez nenhuma restrição com respeito ao carácter, em todas comissões que deu a Seus discípulos.

Será que a razão para haver tão poucos milagres atualmente não é precisamente porque muitos, antes de nós, pensaram que teriam que se tornar melhores cristãos para que Deus pudesse usá-los? Sim! Essa mentira nos tem mantido em permanente imaturidade, porque ela nos impede de termos aquele choque de poderes que nos transforma. O resultado disso é que temos pessoas convertidas treinadas e mais treinadas até o ponto de não terem mais vida, visão, ou ingenuidade. Esta nova geração de convertidos tem de ser tratada de um modo diferente. Temos de ajudá-los dando-lhes a identidade de pessoas que vão transformar o mundo; temos de lhes fornecer um modelo de carácter, paixão e poder, abrindo-lhes oportunidades para poderem servir.

Mário Murillo fala a respeito disso do seguinte modo: “Quando ele pega a Bíblia, seu enfoque não é na cura emocional nem na auto­ estima. Ele lhe perguntará onde é que está o gatilho, e como disparar a arma. Quando ele lê a Palavra, o seu desejo é usá-la na tomada do seu bairro para Deus!”

A UNÇÃO, UMA CHAVE PARA O CRESCIMENTO PESSOAL

Um carácter cristão nunca poderá ser totalmente desenvolvido se a pessoa não servir a Deus com unção. Um ministério ungido nos faz entrar em contacto com o poder que é necessário para se ter uma transformação pessoal.

Tanto o Antigo como o Novo Testamento estão cheios de exemplos maravilhosos de pessoas que receberam poder para realizar obras sobrenaturais. Um importante princípio acha-se na história do rei Saul. Deus lhe disse que o Espírito do Senhor viria sobre ele e que o transformaria num outro homem. A unção transforma o vaso pelo qual ela flui. Duas frases importantes seguem esta promessa dada a Saul:

1. “Deus lhe mudou o coração.”

2. “O Espírito de Deus Se apossou de Saul, e ele profetizou no meio deles.

Saul teve a oportunidade de tornar-se tudo o que Israel precisava que ele fosse (um rei.com um novo coração); e de aprender a fazer tudo o que ele precisava fazer (ouvir a voz de Deus e declarar as palavras Dele – profetizar).

Tenho um amigo muito querido que tinha uma enorme falha de carácter que, por algum tempo, trouxe um enfraquecimento a ele e à sua família. No entanto, durante aquele tempo, ele continuou tendo uma forte unção profética. Ele não foi a primeira pessoa a pensar que o sucesso de seu ministério era um sinal de que Deus aprovava a sua vida particular. Muitos têm sido vítimas desse erro por muito tempo. Quando o confrontei quanto a esse seu pecado secreto, ele chorou com um profundo pesar.

Devido ao seu posto de influência na igreja, senti claramente a responsabilidade de colocá-lo sob disciplina. Nenhuma organização é mais forte do que a sua competência para disciplinar seus membros, quer seja uma empresa, o governo, uma igreja ou uma família. Parte das restrições para ele foi mantê-lo sem dar palavras proféticas por algum tempo. Ele admitiu que esse procedimento era necessário.

Depois de vários meses sob essa restrição, fui ficando cada vez mais intrigado quanto ao que foi dito a Saul, relacionando-o com o meu amigo. Vi então que se eu não lhe permitisse ministrar (sob unção), eu estaria afastando-o precisamente daquilo que selaria e estabeleceria a sua vitória. Quando o liberei para profetizar novamente, havia uma nova pureza e um novo poder em sua voz. Foi o seu encontro pessoal com a unção no ministério que o transformou num outro homem.

EXISTEM CONTRAFAÇÕES

Uma nota falsa de cem dólares não tira o valor de uma nota verdadeira. De igual modo, uma contrafação, um abuso, ou um dom abandonado não invalidam a nossa necessidade do poder do Espírito Santo para vivermos como Jesus viveu.

As moedas de um centavo não são falsificadas porque o seu valor não vale o esforço a ser despendido. Do mesmo modo, o diabo somente trabalha para copiar ou distorcer tudo o que, na vida cristã, tem os maiores efeitos em potencial. Quando vejo pessoas que buscaram grandes coisas em Deus, mas que não tiveram sucesso, sinto-me sempre motivado a descobrir em que ponto elas erraram. Sinto que terei um tesouro se descobrir isso, e estou pronto a pesquisar com total desprendimento. Os abusos de uma pessoa nunca justificam a negligência de uma outra.

Muitos dos que se sentem perturbados por casos de abuso de poder, e pelos seus efeitos que maculam a Igreja, quase nunca se aborrecem diante da ausência de sinais e maravilhas. Os olhos dos que criticam rapidamente se voltam para aqueles que tentaram, mas não conseguiram, ignorando as inumeráveis multidões que confessam a salvação em Jesus, mas que nunca buscaram os dons, como nos é ordenado fazer. Mas os olhos de Jesus rapidamente olham para ver se há fé na terra – “quando eu voltar, acharei, porventura, fé na terra?” Para cada charlatão há mil bons cidadãos que pouco ou nada realizam para o Reino.

O PROPÓSITO DO PODER

Muitos acreditam que o poder de Deus existe apenas para que possamos vencer o pecado. Tal entendimento está um pouco aquém do propósito divino de que nos tornemos testemunhas de um outro mundo.

Não parece estranho que toda a nossa vida cristã se concentre em vencermos o que já foi vencido? O pecado e a sua natureza já foram arrancados pela raiz. São muitos os que clamam a Deus para terem mais poder para viverem em vitória. Mas o que mais Ele poderá fazer por nós? Se a sua morte não foi suficiente, o que está faltando? Esta batalha já foi lutada e vencida! Será que o processo de à toda hora serem levantadas questões já resolvidas pelo sangue de Jesus não é o que de fato tem dado vida a essas questões?

São muitos os que na Igreja estão acampados do lado errado da Cruz. O apóstolo Paulo abordou esse ponto ao dizer: “Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor.

A palavra “considerai-vos” diz respeito à necessidade que temos

de mudar a nossa mente. Não preciso de poder para vencer algo em relação ao qual estou morto. Preciso, porém, de poder para ter ousadia para realizar o que é miraculoso e o que é impossível.

Parte do nosso problema é o seguinte: estamos acostumados a fazer para Deus somente o que não é impossível. Mesmo que Deus não se apresente e assim ficarmos sem a sua ajuda, ainda poderemos ser bem sucedidos. Tem de haver um aspecto na vida cristã que seja impossível sem a intervenção divina. Isso nos mantém a um passo da vitória e nos põe em contato com o nosso verdadeiro chamado.

Não erre, o carácter é uma questão de grande importância diante de Deus. Mas a forma como Ele o trata é diferente da nossa. A retidão e o carácter de Deus não é algo construído em nós mediante nossos próprios esforços. Para tanto temos que deixar ‘de lutar e aprender a nos entregarmos totalmente à Sua vontade.

REVESTIDOS DE PODER

Para se tomarem testemunhas de Jesus, os discípulos tinham uma necessidade de poder tão grande que eles teriam que permanecer em Jerusalém até que o recebessem. Esta palavra poder (dynamis) tem a ver com a esfera sobrenatural. No grego ela provém de dynamai, que significa ser capaz. Pense um pouco sobre isto: temos de nos revestir da capacidade de Deus!

Os onze discípulos remanescentes eram, então, as pessoas que tiveram o maior treinamento em s4i-ais e maravilhas de toda a história da humanidade. Ninguém havia visto ou realizado mais do que eles, exceto Jesus. Mas foram aqueles onze homens que tiveram que permanecer na cidade até que fossem revestidos do poder do alto.Quando eles o receberam, eles tiveram plena convicção de o terem recebido. Esse poder veio de um encontro com Deus.

Algumas pessoas, tendo medo de errar, têm dito que não se deve buscar uma experiência com Deus. Afinal, muita gente enganada veio daqueles que baseavam suas crenças em experiências em conflito com as Escrituras. Quando nos colocamos sob a direção de tais situações, o medo torna-se o nosso mestre. Mas por que essas mesmas pessoas não têm medo de pertencer a grupos doutrinariamente estáveis, mas que são desprovidos de poder? É o engano menos perigoso do que aquele que abusa do poder? Será que você vai enterrar os seus talentos e dizer ao Mestre, quando ele voltar, que você estava com medo de errar? O poder e o carácter acham-se tão alinhados nas Escrituras que você não pode ser fraco em um sem solapar o outro.

NOSSO RELACIONAMENTO COM O ESPÍRITO SANTO

Há cerca de vinte e cinco anos, ouvi alguém mencionar que, se soubéssemos o que significam as ordens “não entristeçais” e “não extingais” o Espírito Santo, então saberíamos qual é o segredo para sermos cheios do Espírito. Embora essa afirmativa seja por demais simples, a pessoa que disse isso bateu de leve em duas importantes verdades que tratam diretamente da armadilha “carácter versus poder”.

A ordem “Não entristeçais o Espírito Santo” explica como o nosso pecado afeta a Deus. O pecado lhe causa tristeza. Esta ordem é centrada no carácter. O pecado é definido de duas maneiras: fazer coisas erradas, e deixar de fazer coisas certas: “Aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando.” Afastar-se do carácter de Cristo em qualquer desses dois modos entristece o Espírito Santo.

Também dentro deste tema, temos a ordem: “Não extingais o Espírito”. Esta ordem diz respeito à nossa necessidade de seguirmos a liderança do Espírito. Extinguir significa “desfazer o fluxo” de alguma coisa. Como o Espírito Santo está pronto para trazer salvação, cura e libertação, temos de fluir com Ele. Deixar de fazer isso impede os esforços do Espírito para nos levar à esfera do sobrenatural.

Para que Ele tenha liberdade de se mover em nossa vida, constantemente nos envolveremos com situações impossíveis. A dimensão sobrenatural é a Sua dimensão natural. Quanto mais importante o Espírito Santo tornar-se para nós, mais estas questões terão a primazia em nosso coração.

BUSQUE UM ENCONTRO

Temos que crer num Deus que é suficientemente grande para manter-nos em segurança em nossa busca por receber mais e mais Dele. Na prática, para muitos cristãos o diabo é maior do que o seu Deus. Como pode um ser criado, decaído, ser comparado com o infinito e glorioso Deus? A questão é em quem pomos a nossa confiança. Se eu colocar toda a minha atenção na necessidade de ser protegido do engano, estarei sempre predominantemente preocupado com o poder do diabo. Se o meu coração estiver completamente voltado para Aquele que” é poderoso para me guardar de tropeços” – isto é, que me ajudará a não cair em pecado, a não ser enganado – então somente Ele vai me influenciar. A minha vida reflete o que eu vejo com o meu coração.

Assim, como andarmos no poder de Deus? Em primeiro lugar, temos que buscar o Senhor. Uma vida de poder é uma vida que permanece em Cristo (ficando sempre ligada na sua fonte de poder). O ardente desejo de viver com manifestações de poder tem que estar ao lado da nossa paixão por Ele. Mas, perceba isto: nosso anseio por Ele em parte tem de ser visto em nossa ardente busca dos dons espirituais. É isso que Ele nos manda fazer!

Empenhando-me nesse sentido, tenho de desejar ardentemente encontros e mais encontros com Deus, que mudem a minha vida. Tenho de clamar por esses encontros de dia e de noite – e ser bastante especifico em meu clamor. Tenho que me dispor a viajar para obter o que desejo. Deverei ir para onde o mover de Deus for maior, mesmo que em outra cidade que não onde moro. Se Ele estiver usando alguém, mais do que a mim, terei que, com humildade, ir até essa pessoa e pedir-lhe que ore por mim com imposição de mãos.

Alguns podem questionar: “Por que Deus não pode tocar em mim

onde eu estou?” Ele pode. Mas geralmente Ele atua de maneira a enfatizar a nossa necessidade uns dos outros, em vez de contribuir para aumentar a nossa independência. Os que são sábios sempre estão dispostos a viajar.

MINHA HISTÓRIA: GLORIOSA, MAS NADA AGRADÁVEL

Em minha busca pessoal para aumentar o poder e a unção em meu ministério, tenho ido a muitas cidades, inclusive Toronto. Deus tem usado minhas experiências em tais lugares preparando-me para a realização de encontros que transformem vidas em nossa localidade.

Certa vez, no meio da noite, Deus respondeu à oração em que eu Lhe pedia mais e mais Dele em minha vida. Mas sua resposta veio de um modo que eu não esperava. Passei de um sono profundo para um momento em que fiquei totalmente desperto. Um poder inexplicável começou a pulsar pelo meu corpo, corno se fosse o efeito de urna eletrocução. Era corno se eu estivesse ligado a urna tornada com milhares de volts, e urna corrente elétrica estivesse fluindo através do meu corpo. Meus braços e pernas corno que explodiam, de forma silenciosa, corno se alguma coisa estivesse sendo liberada através de minhas mãos e pés. Quanto mais eu tentava parar com aquilo, mas forte ficava.

Logo descobri que eu não estava enfrentando urna luta que teria que vencer. Não ouvi voz alguma, não tive nenhuma visão. Era simplesmente a mais forte experiência da minha vida. Era puro poder… era Deus. Ele veio em resposta à oração que eu vinha fazendo havia já meses: “Deus, preciso ter mais de Ti a qualquer custo!”

Aquela noite, antes de eu ir para a cama, havia sido gloriosa. Tinha sido um culto com um bom amigo e profeta, Dick Joyce. Foi em 1995. No fim da reunião, orei por urna pessoa, do meu relacionamento, que vinha tendo dificuldade em experimentar a presença de Deus. Disse-lhe que sentia que Deus iria surpreendê-lo com um encontro que poderia ocorrer durante do dia, ou até mesmo às 3 horas da madrugada. Quando o poder caiu sobre mim naquela noite, olhei para o relógio. Eram precisamente 3 horas! Eu sabia que eu tinha sido tratado por Deus.

Por meses eu vinha pedindo a Deus que me desse mais de Si. Eu não tinha certeza quanto ao modo correto de orar por isso, nem mesmo compreendia a doutrina que há por trás da minha petição. Tudo o que eu sabia era que eu estava com “fome” de Deus. Esse tinha sido o meu constante clamor, dia e noite.

Aquele divino momento foi glorioso, mas não agradável. A princípio me senti perturbado, corno se eu fosse o único que sabia que eu estava naquela situação. Enquanto estava ali deitado, tive a visão de estar diante da minha congregação, pregando a Palavra, corno gosto muito de fazer. Mas eu me via com os braços e as pernas agitando-se corno se eu tivesse um sério problema de ordem física. A cena então mudou. Agora eu estava caminhando pela rua principal da nossa cidade, passando em frente do meu restaurante preferido, mas com os meus pés e mãos se movendo sem controle.

Eu não conhecia ninguém que acreditasse que isso tinha vindo de Deus. Lembrei-me de Jacó e seu encontro com o anjo do Senhor. Ele ficou manco pelo resto da sua vida. Lembrei-me também de Maria, a mãe de Jesus. Ela teve uma experiência com Deus que nem mesmo seu noivo acreditou, a não ser depois, quando um anjo de Deus o fez mudar o pensamento. Em decorrência disso, ela deu à luz o menino Jesus … e correu o risco de carregar, por toda a vida, o estigma de ser a mãe de um filho “ilegítimo”.

Tudo estava se tornando claro para mim; a graça de Deus às vezes parece ser diferente na perspectiva da terra, em relação à perspectiva do céu. Meu pedido para ter mais de Deus teve um preço.

Lágrimas começaram a molhar a fronha do meu travesseiro, à medida que me lembrava das orações dos meses precedentes, contrastando-as com as cenas que acabavam de passar pela minha mente. Importante para mim foi a percepção de que Deus queria fazer uma troca: sua crescente presença no lugar da minha dignidade. É difícil explicar como se pode saber qual foi o propósito de um encontro tal como aquele pelo qual passei. Tudo o que posso dizer é que simplesmente a gente sabe. Sabe-se qual é o propósito de Deus de forma tão clara que qualquer outra realidade desaparece, à medida que o Senhor põe o Seu dedo naquele ponto que para Ele tem importância.

Em meio às lágrimas cheguei a um ponto sem retorno. Com muita alegria entreguei-me totalmente, clamando: “Mais, Deus! Mais! Preciso mais de Ti a qualquer custo! Mesmo que eu perca a respeitabilidade, mas tenha a Ti em troca, com alegria aceito isso. Simplesmente me dê mais de Ti! As ondas de poder não pararam. Elas continuaram por toda a noite, enquanto eu chorava e orava. Mais, Senhor, mais, dá-me mais de Ti! Tudo terminou às 6:38 da manhã, quando saí da cama completamente restaurado. Essa experiência continuou nas duas noites seguintes, iniciando-se logo depois de me deitar.

INDO CONTRA A MARÉ

Ter paixão pela Bíblia é uma misteriosa combinação de humildade, anseio pelo sobrenatural e fé. Tenho que prosseguir para alcançar mais, porque fui alcançado. Nada de letargia em mim! E se a vida cristã das pessoas ao meu redor normalmente está aquém do padrão bíblico, tenho que ir contra a maré. Se os enfermos não estão sendo curados, não vou procurar uma explicação racional para agradar os que estão à minha volta, mesmo sem nada receberem. Em vez disso, prosseguirei em busca da cura, até que ela ocorra ou que a pessoa passe para estar com o Senhor.203 Não vou baixar o padrão da Bíblia até o meu nível de experiência.

Jesus curou todos os que foram até Ele. Aceitar algo diferente como sendo o normal é baixar a Bíblia ao nosso nível de experiência, e é negar a natureza Daquele que não muda.

Quanto ao ministério de poder, o que eu receber de Deus tenho que passar adiante. Você somente fica com aquilo que você passa adiante. Se você quer ver os doentes sendo curados, procure os enfermos e ofereça­ se para orar por eles. Embora não seja eu quem cure, tenho pleno controle da minha vontade para servir aos que estão em necessidade. Se ministro para os necessitados, dou ao Senhor uma oportunidade para mostrar o seu grande amor pelas pessoas. O ministério de sinais e maravilhas não irá a parte alguma se tivermos medo do fracasso. Como expressou Randy Clark, “Preciso me dispor até ao fracasso, para ser bem-sucedido.”

BUSQUE TER FRUTOS

Jesus disse que temos de receber o Reino como uma criança. A vida de poder é natural no coração de uma criança. Ela tem uma insaciável vontade de aprender. Seja tal como uma criança e leia as obras daqueles que têm tido sucesso no ministério de cura. Fique longe dos livros e fitas dos que dizem que tais coisas não devem, ou não podem, ser feitas. Se o autor não anda em poder, não lhe dê atenção, não importando o quão versado ele possa ser num outro campo. Aquele que ministra proficientemente no campo das finanças segundo a Bíblia não é necessariamente proficiente em sinais e maravilhas. Respeite o lugar de tal pessoa na obra de Deus, conforme sua área de ação e chamado, mas nunca perca seu precioso tempo lendo a baboseira daqueles que não fazem o que ensinam. Já tivemos o suficiente de teorias de cristãos acadêmicos. Temos de aprender com aqueles que simplesmente fazem o que ensinam!

Um dia recebi de alguém um livro em meu gabinete que criticava o avivamento de Toronto, iniciado em janeiro de 1994. Recusei-me a lê­ lo e joguei o livro no lixo. Talvez você diga: “Você é preconceituoso!” Você tem razão. Sou responsável por proteger o que Deus me deu. Ninguém mais tem essa incumbência. Queimando em minha alma há um pouco daquela chama original do dia de Pentecostes. Ela tem passado de geração a geração. Esse fogo queima no fundo do meu coração, e por causa dele nunca mais serei como era antes. Minha paixão por Jesus está sempre crescendo. E os sinais e maravilhas que Ele prometeu estão acontecendo como uma parte normal da vida.

Para mim, dar atenção às críticas feitas contra esse avivamento seria o mesmo que ficar ouvindo alguém querendo provar que eu deveria ter me casado com uma outra mulher. Antes de mais nada, eu amo minha esposa e não tenho interesse por nenhuma outra mulher. Em segundo lugar, recuso-me a acolher pensamentos de quem quer que seja que deseje minar o meu amor por ela. Somente aqueles que contribuírem para o meu compromisso com ela é que receberão a minha atenção. Qualquer coisa menos do que isso seria tolice de minha parte.

Os que criticam esse avivamento estão inconscientemente tentando separar-me do meu primeiro amor. Não lhes darei lugar. Tenho muitos amigos em condições de ler os livros desses críticos sem que sejam afetados negativamente. Eu os respeito por sua capacidade de colocar a mão na lama sem contaminar o seu coração. Eu não me atrevo a fazer isso. Não é o meu dom. Saiba como você funciona melhor, e assim proceda!

Embora eu não tenha tempo para críticas, dou boas-vindas com prazer às “feridas feitas pelo amigo”. As correções que são feitas através de bons relacionamentos nos afastam do engano.

E SE NADA ACONTECE?

Se ensinamos, pregamos ou testemunhamos e nada acontece, temos que parar para ver o que está errado – de joelhos. Não dê desculpas para a falta de poder. Por décadas a Igreja tem errado, criando doutrinas para justificar sua falta de poder, em vez de clamar a Deus até que Ele mude a situação. A mentira em que a Igreja acreditou deu margem a que surgisse todo um cabedal de teologias que têm contaminado o Corpo de Cristo com o medo do Espírito Santo. É o engano que vem com a pretensão de se permanecer livre do engano. A Palavra tem que ser divulgada com poder. O poder é a especialidade do Espírito. Uma Palavra sem poder é a letra, e não o Espírito. Todos nós sabemos que: “a letra mata, mas o Espírito vivifica”. As vidas têm de ser mudadas através de nosso ministério da Palavra. Tenha em mente que a conversão é o maior e o mais precioso de todos os milagres.

“Pois Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar o evangelho, não porém com palavras de sabedoria humana, para que a cruz de Cristo não seja esvaziada.” Se o evangelho está sem poder, isso é causado pela sabedoria humana.

A ORAÇÃO: UMA PORTA ABERTA PARA O PODER

Sempre que tenho dedicado algum tempo para buscar a Deus com o fim de ter poder que venha confirmar a Sua mensagem, Ele responde com um aumento, um aumento de milagres.

Aprendi de Randy Clark algo muito útil nesse sentido. Quando ele observa que certas enfermidades não estão sendo curadas em suas reuniões, ele clama a Deus mencionando-as especificamente em sua oração. Ele observou que estavam acontecendo bem poucos milagres relacionados com o cérebro, como por exemplo a cura da dislexia. Depois de clamar por milagres no cérebro das pessoas, ele presenciou uma ruptura naquela situação. Tenho seguido essa sua direção, e nunca vi Deus deixar de responder. Quando requeremos alguma coisa a Deus de forma bem específica, isso é uma coisa boa, pois pode-se constatar a resposta. Algumas de nossas orações são genéricas demais. Deus as responderia, mas nós nunca teríamos tido ciência disso.

Depois de aprender este princípio, a partir do exemplo dado por Randy, comecei a orar por enfermidades do cérebro. Um desses milagres aconteceu numa mulher chamada Cindy. Disseram-lhe que um terço do seu cérebro não funcionava. Em consequência, ela tinha vinte e três anomalias mentais. Ela ficou totalmente alheia à memorização, aos números e a mapas. Num de nossos cultos das sextas-feiras à noite, Cindy veio à fila dos que queriam receber a bênção do Senhor. Quando chegou a sua vez, ela caiu sob o peso da glória de Deus. Durante o tempo em que ficou deitada, vencida pelo poder do Espírito, ela teve uma visão em que Jesus lhe perguntou se ela queria ser curada por Ele. Ela, é claro, disse que sim. Ao Seu comando, então, ela levantou-se rapidamente e correu para pegar a sua Bíblia. Pela primeira vez em sua vida tudo ficou como devia estar. Quando ela deu testemunho do milagre, algumas semanas depois, ela citou vários versículos que ela tinha memorizado em tão pouco tempo.

PAGUE-ME AGORA, OU PAGUE-ME DEPOIS

Ouvimos muito sobre o custo da unção. Sem dúvida, andar com Deus em poder terá um custo para todos os que se dedicarem a cumprir isso em sua vida. Mas a ausência de poder é ainda mais custosa. No próximo capítulo vamos descobrir de que modo a eternidade é afetada pela condição de falta de poder.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O ECLIPSE DA ESPERANÇA

Conhecida desde a Antiguidade sob o nome de melancolia, a depressão toma por inteiro a personalidade acometida, levando-a a experimentar a negatividade da vida de modo irremediável, sob a forma de sentimento de culpa, exclusão e inferioridade; diante disso, cabe aos profissionais de saúde reconhecer, enfrentar e respeitar as experiências-limite da existência que descortinam o sentido antropológico do sofrer humano

O termo “depressão” assume significados diferentes se utilizado na linguagem comum ou na psiquiátrica. Se na primeira indica o estado de tristeza e desânimo da pessoa diante de acontecimento desagradável, decepção ou luto, em âmbito psiquiátrico designa um quadro clínico preciso (distúrbio depressivo), caracterizado por sintomas biológicos e psíquicos espontâneos, aparentemente desproporcionais em intensidade e duração aos acontecimentos que os provocaram. Essa condição se distingue por sintomas como perda de interesse, astenia, incapacidade de sentir prazer, insônia, falta de apetite, diminuição da libido, facilidade em fatigar-se e alterações cognitivas, psicomotoras e neurovegetativas.

Esse estado de ânimo invade por inteiro a personalidade acometida. Um indivíduo deprimido experimenta – às vezes com angústia, outras com gélido desespero – a irremediável negatividade da vida. Mas se em algumas pessoas atinge a existência pessoal (e neste caso podem prevalecer ideias persecutórias, sentimentos de exclusão, inferioridade, indignidade, culpabilidade), outros sentem a própria vida como intolerável. Tudo parece negativo, terrível, irremediável. O mundo se torna um lugar de baixezas e maldades, dominado pela luz sinistra de dor e mal metafísicos.

O distúrbio depressivo – que aqui definiremos intencionalmente também como melancolia – é conhecido desde a Antiguidade. Nas últimas décadas, os conhecimentos sobre etiologia, nosografia, diagnóstico e terapia das diversas formas de depressão progrediram notavelmente. As ciências de base – da bioquímica à biologia molecular, da neurofisiologia à psicofarmacologia – forneceram novos elementos, úteis para a compreensão dos mecanismos patogenéticos, para a elaboração de modelos sobre a transmissão genética, a identificação das áreas e dos circuitos nervosos responsáveis pelas diversas manifestações da depressão. Além disso, o renovado interesse pela observação do paciente e pela descrição dos sintomas levou a uma atenção maior para com o diagnóstico e a uma redefinição dos distúrbios depressivos.

Desse modo, foram mais bem especificados os diversos subtipos de depressão e, para muitos deles, afinadas modalidades de intervenções personalizadas. Algumas formas atenuadas, outrora definidas como “neuróticas” e tidas como traços estáveis da personalidade, são hoje consideradas manifestações depressivas leves e persistentes, que respondem a terapias.

A avaliação da incidência da história familiar do caráter, da personalidade e da adaptação pré-doença permitiu incluir em seu espectro clínico algumas formas bipolares mistas crônicas, cujo quadro é amiúde dominado por delírios, alucinações e distúrbios do pensamento. Não se pode negar, entretanto, que no âmbito terapêutico foram obtidos importantes progressos. A introdução de novas substâncias para tratamento agudo e preventivo propiciou alcançar, na terapia dos transtornos do humor, resultados nada inferiores aos de outros setores da medicina. Especialmente, a síntese de antidepressivos com ação seletiva sobre os diversos sistemas neurotransmissores permitiu que fossem dadas respostas às formas clínicas antes não tratáveis.

Em geral, a experiência depressiva se caracteriza por sofrimentos de tamanha intensidade que dificilmente podem ser imaginados por quem não os sentiu. Para quem sofre de depressão, sentir-se não compreendido na própria dor torna mais aguda a sensação de estranheza e de pena de si. Estímulos, conselhos, exortações para reagir e fortalecer-se nada mais fazem que acentuar a desesperada solidão do paciente, sua insustentável responsabilização por alguma coisa que já não controla. Ele percebe, com penosa intensidade, um irreprimível empobrecimento afetivo e, ao mesmo tempo, a perda inimaginável do contato com um mundo exterior rico e vital.

Embora a perda de energia e vitalidade, as sensações de confusão, a incapacidade de concentrar-se, fazer escolhas, trabalhar e amar possam ter intensidades diferentes de pessoa para pessoa, significam, de todo modo, um pano de fundo constante. Além disso, sentimentos de impotência e derrota dominam o cenário. As noites insones, povoadas por medos e mal-estar, são aguardadas com terror. Os dias começam com o pesadelo de novas e intermináveis provas a enfrentar. Até as atividades elementares, como levantar-se, lavar-se, passear e outras tantas, custam esforços inimagináveis. Vai ganhando terreno, para usarmos as palavras do escritor austríaco Hugo von Hofmannsthal (1874-1929), “uma existência nua, exposta à dor, atormentada pela luz, ferida por todo som”.

A sucessão de dias que parecem iguais, sem melhoras, revigora a visão pessimista do paciente quanto ao próprio futuro. A postura em relação a esse distúrbio, todavia, muda de indivíduo para indivíduo. Há quem, sem uma adequada consciência da doença, não perceba totalmente o que está acontecendo. Alguns sentem que estão doentes, mas recusam ajuda; outros sabem que estão sofrendo de uma doença física grave; ou ainda lutam contra ela e procuram ajuda, por vezes de maneiras apelativas e manipuladoras, que causam incompreensão nos que estão ao redor e equívocos quanto a real gravidade da situação. Outros, por fim, conseguem dissimular o distúrbio, esconder a inibição e parecer animados, até inesperadamente surpreenderem parentes e colegas com um gesto suicida, como uma espécie de ato de libertação de um sofrimento vivido como incorrigível e desesperançado.

Na depressão, o suicídio é muito frequente. Em 1791, Pinel (1745-1826) evidenciou com espanto como os autores – tanto antigos quanto modernos – que haviam descrito todo tipo de “melancolia nervosa” tinham se descuidado “daquela forma que se caracteriza por um desgosto insuportável pela vida, ou antes, por um desejo irresistível de dar-se a morte, sem que possamos encontrar uma causa”. Em Luto e melancolia (1917), Freud (1856-1939) interpretou a tendência ao suicídio do melancólico como forma de agressividade contra o próprio Eu, no qual o sentimento de culpa tem um papel central. Basta-nos simplesmente notar que, do ponto de vista psicanalítico, podemos identificar essencialmente dois tipos de culpa: uma persecutória, que deriva da pulsão de morte e tende à autorrepreensão e ao receio da punição; a outra, função da pulsão de vida, que tende à reparação.

Para além das sugestivas e pertinentes hipóteses psicanalíticas, a culpa constitui um elemento psicopatológico nuclear da depressão, motivando um dos mais importantes fatores de transição do apego à vida ao suicídio. Esse, todavia, não seria voltado apenas a interromper a própria vida, dolorosa e sem esperanças, mas também a libertar o mundo da própria presença, considerada abjeta e nefasta. Além disso, o sofrimento se torna ainda mais doloroso pela impossibilidade de sua aceitação. É tido como indigno e, até por isso, como se fosse uma espiral infinita, na qual o paciente é envolvido pela culpa.

Seja com relação a si próprio, aos outros, à vida, aos seus desejos, ao próprio corpo ou à sua existência, a culpa constitui um elemento central do mundo melancólico. Convencido, como está, de que tocou o fundo, o paciente acredita que nunca mais poderá levantar-se. É a culpa que leva os pacientes a fugir do mundo e isolar-se em casa, na certeza de não poder superar a punição. Naturalmente, uma coisa é o sentimento de culpa, outra é o delírio de culpa. Enquanto o primeiro é a experiência de quem considera, errônea ou acertadamente, estar culpado, no segundo a certeza de que deve ser punido não deixa espaço para mais nada.

A experiência da culpa, elemento-chave na patogênese da doença, nunca termina porque o paciente está sempre à procura de elementos num passado “culpado”. Esse “estar em culpa” remete o deprimido a um modo peculiar de experimentar a morte. No entanto, só alguns melancólicos se definem culpa dos. Os outros se sentem devedores pelo não poder, pela incapacidade de agir.

Decisivos, aqui, não são os conteúdos, mas a forma do passado que ocupa toda a vida psíquica. Nesse sentido, se é verdade que a identidade e a estabilidade do Eu de um ser humano lançam suas raízes no passado, então podemos compreender como o esquecimento sobre as próprias culpas, sobre a angústia dos remorsos e as saudades assumem para o melancólico o caráter ameaçador de uma separação do próprio Eu, de uma perda definitiva da própria identidade. De fato, o deprimido busca no passado esse suporte, essa espécie de segurança diante de um mundo que lhe escapa.

DEFORMAÇÃO DO TEMPO

Todas as experiências psicológicas humanas são marcadas pela presença do tempo. Mas o tempo dos homens não é apenas aquele do relógio que marca as horas em igual medida e é estranho a toda repercussão interior. Há também um tempo interior, aquele vivido, que muda em cada um de nós, de momento em momento, de situação em situação. Um tempo vivo, independente da marcação cronológica. Esse é o tempo da consciência. Quando estamos cansados, tristes ou entediados, nossa percepção temporal interior muda radicalmente com relação a quando estamos contentes ou intensamente interessados em algo. No primeiro caso, uma hora parece longa e interminável; no segundo, breve demais. Tudo isso está fortemente ligado aos nossos diversos estados de ânimo e às várias emoções que se refletem na percepção subjetiva.

A alteração da consciência interna do tempo tem um espaço crucial na experiência melancólica. O paciente assiste impotente à penosa deformação de seu tempo interior. Sem abertura para o futuro, ele desacelera, até parar, na impossibilidade de renovação temporal. Autores como Eugene Minkowski, Erwin Straus e Victorvon Gebsattel escreveram passagens importantes sobre a desaceleração e a estagnação do “tempo vivenciado” como expressão crucial da melancolia.

A temporalidade – talvez fosse mais correto falarmos de “intemporalidade” – é a dimensão que mais apreende a essência da melancolia. Aqui, o tempo do eu, já não no mesmo ritmo que o do mundo, paradoxal­ mente só pode se salvar ancorando-se no passado cinzento, sem diferenças cromáticas, apartado do presente e do futuro. Desse passado se alimenta o presente, vazio e angustiante, que assim se defende do horror do vazio e da experiência do nada que se cumprem na ideia da morte. Aí o tempo se torna instante imóvel, imutável, eterno. Nesse ponto o devir perde todo significado positivo. Prevalece, irrevogavelmente, a noção de “mal”. Numa vida morta, as lembranças se tornam remorsos e as ações cumpridas, culpas. Já não podem ser inscritas num projeto, numa esperança. Para o melancólico, a mortalidade é a perda do objeto de amor, do ser como tal. Esse caminhar em direção ao nada é extremamente visível na síndrome de Cotard, na qual o paciente se sente condenado ao “não existir” – uma morte em vida, mesmo sem de fato morrer.

Embora sejam raros, os casos de pacientes de Cotard testemunham, até um grau extremo, a impossibilidade de morrer, estando o corpo a tal ponto esvaziado, tão inconsistente que a morte não lhes diz respeito. Essas pessoas, que se definem mortas-vivas, dizem sofrer de sua imortalidade, da impossibilidade de morrer, e pedem para ser libertadas de destino tão atroz. Alguns consideram a morte real e concomitantemente falam de uma morte que não devora a existência, mas que se acompanha de uma misteriosa sobrevivência a ponto de tornar a própria morte vã. Em outras melancolias falta até a esperança de poder morrer.

Cito as palavras do filósofo dinamarquês Soren Kierkegaard (1813-1855:)”Se quiséssemos falar de uma doença mortal no sentido mais estrito, essa deveria ser uma doença cujo fim seria a morte e a morte seria o fim. E essa é precisamente o desespero. Todavia, noutro sentido, ainda mais preciso, o desespero é a doença mortal. De fato, é extremamente improvável que venhamos a morrer fisicamente dessa doença ou que essa doença termine com a morte física. Ao contrário, o tormento do desespero é precisamente o de não poder morrer. Por isso mais se parece com o estado do moribundo quando está agonizando sem poder morrer. Portanto, cair na doença mortal é não poder morrer, mas não como se houvesse a esperança da vida: a ausência de toda esperança significa aqui que não há sequer a última esperança, a da morte. Quando o perigo maior é a morte, espera-se na vida; mas, quando se conhece o perigo ainda mais terrível, espera-se na morte. Quando o perigo é tão grande que a morte se tornou esperança, então nasce o desespero vindo a faltar a esperança de poder morrer”.

A temporalidade da melancolia, portanto, está fora de qualquer duração, ausente em sua própria essência. A articulação dinâmica de passado, presente e futuro se torna vã mediante uma radical desistoricização. Eis por que, tão frequentemente, terminado o episódio, a experiência melancólica é esquecida. Não poderia ser “recordada” (no sentido de ser reconduzida para as “intermitências da emoção”), porque nessa intemporalidade tudo se anula. Todo gesto se debruça sobre um vazio abismal. Mas não se trata de um vazio de futuro, de presente ou de passado. Trata-se de um vazio do passado, do presente, do futuro. Ou seja, do tempo, da vida como presença reduzida a corpo desprovido de espírito.

Precisamente como a temporalidade, o próprio tema da corporeidade se inscreve no melancólico em uma dramática queda de “doação de sentido”, num eclipse da consciência intencional. O deprimido arrasta o próprio corpo, identificando-se inconsciente e plenamente nele: um corpo pesado e lento, já não voltado ao mundo, mas encerrado dentro dos próprios limites. Na experiência melancólica o olhar é radicalmente interiorizado, abstraído das coisas. As mãos já não permitem agarrar os objetos distantes do corpo. O paciente é incapaz de chorar, de expressar tristeza e desespero, angústia e nostalgia. No rosto, essa divergência entre os sentimentos como realidades psíquicas e o corpo como lugar de sua expressividade se torna dilacerante. A face, perdida, se obscurece, não há signo de choro ou sorriso: está petrificada em sua imagem corpórea que não se lança no mundo, mas se consome na própria imanência.

O espaço do deprimido tende a ser desesperadamente vazio, chato, sem relevos nem perspectivas. As coisas são vividas como isoladas, distantes, inalcançáveis. É um espaço fechado, enrugado, bloqueado, opressor. Por sua capacidade de criar relações e interrogações, parece uma dimensão aberta à possibilidade de planejamento da existência, um movimento que se torna comunicação, linguagem, interlocução, investimento, projeto. Portanto, mais que de espaço, temos de falar de espacialização. O deprimido se insere nos interstícios de um espaço que não é o seu, porque não o produziu: o que se consome é uma dramática metamorfose, mortificação, dissolvência da espacialidade.

ABISMO DE SENTIMENTOS

Embora na literatura psiquiátrica e psico(pato)lógica a esperança – como postura existencial de base e cifra essencial da historicidade do homem e de seu status viatoris – seja pouco considerada, ela tem papel crucial no mundo melancólico. Solicita nosso olhar não para a nossa vida interior, mas para o que é independente da ação: em especial, da ação sobre nós mesmos. Ao falar do “caráter profético da esperança”, o filósofo francês Gabriel Marcel (1889-1973) definiu-a como uma “memória do futuro”, um “dispor-se na perspectiva do acontecer”. No polo oposto, o desespero é fechamento à temporalidade, negação de qualquer promessa de amor pelo futuro. Nesse sentido, se a esperança é busca carregada de confiança, tendência a ultrapassar passado e presente por um porvir de sentido, o desespero é o tempo fechado da consciência, o questionamento de tudo o que de mais profundo há na existência. Aqui se revela extremamente útil a distinção do psicólogo e filósofo alemão Philipp Lersch (1898-1972) entre desespero biológico e existencial: o primeiro se refere aos fundamentos vitais do indivíduo, o segundo diz respeito à falência dos próprios valores existenciais.

Mas há que perguntar: pode haver no melancólico uma “patologia da esperança”, uma distorção qualitativa do esperar e, em casos extremos, um “esperar delirante”? Uma metamorfose da espera parece evidente nas temáticas dos delírios de culpa e danação, nas quais o que é questionado é a própria possibilidade de alcançar os modos transcendentes da esperança; o sentimento de culpa afeta profundamente o agir do homem e sua vida psicológica, até que todo motus spei é neutralizado e enrijecido num desespero profundo e irrevogável. O melancólico não pode se subtrair a esse “eclipse da esperança”, porque ela investe todo aspecto munda no, pessoal e vital. Esse é o motivo que o torna fixo em sua gélida inércia, indiferente a qualquer espécie de alento, indisponível a qualquer exortação. O futuro desaparece e, com ele, a própria possibilidade de projetar-se, resgatar-se, redimir-se. O êxito é o niilismo absoluto, no qual mesmo os aspectos mais primordiais e vitais são expostos a uma deformação inimaginável – e, por vezes, grotesca. Nesse abismo de sentimentos vitais devem ser procurados alguns dos motivos do suicídio, paradoxal e extrema defesa de uma angústia infindável.

No entanto, a esperança permanece parte essencial da vida do homem, ainda que se apresente de forma contrapolar: como sentimento da falta de sentimento, como um esperar que nada espera. Mesmo diante disso tudo, a esperança sempre tem uma dimensão criadora. Ela consegue força no vazio e nas adversidades sem, todavia, opor-se a nada, sem se lançar em nenhuma tensão. Cria, permanecendo suspensa acima da realidade, sem ignorá-la; deixa aflorar mundos inéditos, palavras não ditas. Essa esperança pode crescer também no deserto da angústia e do desespero, do mal de viver e da fadiga.

Como uma ponte ela nos acompanha para fora de nossa solidão, colocando-nos em relação com os outros. Devolve ao homem a possibilidade de caminhar sobre os próprios tumultos interiores, de elevar-se acima do tempo que passa, de devolver às lágrimas e à dor, que as fazem brotar, um inesperado fragmento de porvir. Naquelas lágrimas que alcançam os olhos vindas dos mares extremos da alma, naquelas lágrimas que mil e mil vezes vimos entre infinitos carrosséis de gestos visíveis e invisíveis, flutuam inquietudes e sonhos despedaçados, a nostalgia do silêncio e das palavras do silêncio. Ao velar a visão, elas desvelam a essência do olhar, fazem sair do esquecimento em que o olhar as guardava, a verdade dos olhos: o amor, a alegria, a oração mais do que uma visão científica.

OUTRAS FRONTEIRAS

Em Genealogia da moral, Nietzsche (1844-1900) escrevia: “Não existe, julgando rigorosamente, ciência ‘sem pressupostos’, o pensamento de uma ciência desta feita é impensável, paralógico: uma filosofia, uma ‘fé’ sempre tem de preexistir para que dela derive uma direção, um sentido, um limite, um método, um direito à existência”.

Um tratamento psiquiátrico autêntico tem de encontrar o próprio sentido nas questões fundamentais da condição humana, que dizem respeito a todos nós: a alegria e a tristeza, o tédio e o enfado, a melancolia e a esperança, a dor e o desespero. Uma psiquiatria que não saiba aceitar as fronteiras de seu não conhecimento e, sobretudo, que delega o confronto com as categorias constitutivas de toda experiência psicopatológica a métodos terapêuticos indiferenciados está fadada a falir. Para além de toda “absolutização biológica”, o emaranhado dos conflitos imanentes ao arquipélago da loucura não pode abrir mão de uma presença humana que ouça e dê assistência.

Escreveu, provocativamente, o sacerdote, escritor e teólogo italiano Romano Guardini (1885-1968): “A melancolia é excessivamente dolorosa e lança suas raízes muito profundamente em nós para que possamos largá-la nas mãos dos psiquiatras”. As chaves de acesso de um autêntico tratamento psiquiátrico – que sempre nos expõe a situações e dimensões existenciais inéditas – estão nos aspectos radicalmente estranhos a tecnologias, rótulos, códigos, números e estatísticas, tão caros ao naturalismo psiquiátrico hoje dominante. O que resta a fazer, então, é inscrever tais experiências num horizonte de sentido antropológico: a única possibilidade é reconhecer, enfrentar e respeitar situações­ limite que colocam em questão o sentido e o significado de nosso existir e sofrer.

OUTROS OLHARES

VIRADA HISTÓRICA

Como foi a volta das iranianas aos estádios depois de 40 anos e o que isso significa para as mulheres na república islâmica

Na pequena parte da arquibancada reservada às mulheres no estádio Azadi, em Teerã, em meio aos gritos de apoio ao “time melí” (seleção nacional), um canto da torcida feminina ecoava a todo momento: “Garota azul, sua ausência foi sentida”. Era a primeira vez em quase 40 anos que as iranianas podiam entrar legalmente para assistir a uma partida de futebol na República Islâmica do Irã, e o grito de guerra homenageava a torcedora que desencadeou essa pequena revolução. Em março deste ano, Sahar Khodayari, uma torcedora de 29 anos, vestiu-se como homem para tentar entrar no Azadi em um dia de jogo do Esteghlal, seu time do coração, que veste uniforme azul. O disfarce foi descoberto, e ela precisaria cumprir seis meses de prisão por desrespeitar a proibição à entrada de mulheres em estádios. Em uma ação desesperada, ateou fogo ao próprio corpo em frente ao tribunal. Morreu três dias depois.

O trágico incidente mudou tudo. O governo do presidente Hassan Rouhani, numa eterna tentativa de equilíbrio entre demandas reformistas e a pressão dos conservadores, afinal prometeu agir. A Fifa, que sempre driblou o problema, ameaçou expulsar o Irã e outros países, como Arábia Saudita e Catar, se não passassem a aceitar mulheres nos jogos. As portas do estádio finalmente se entreabriram às torcedoras. “Não foi um presente, foi uma conquista nossa. Nós, iranianas, colocamos esse assunto na agenda mundial, e hoje mulheres de outros países são também beneficiadas”, disse Shirin, de 20 anos, que pediu para que seu sobrenome não fosse divulgado porque foi ao estádio escondida de sua família.

Embora a proibição venha desde 1981, a questão da presença feminina em eventos esportivos entrou permanentemente na agenda do Irã apenas em 1998. Foi naquele ano que a seleção nacional se classificou pela segunda vez na história para uma Copa do Mundo, 20 anos depois da primeira participação. O país parou. Os jogadores foram recebidos como heróis depois da partida decisiva contra a Austrália. O Azadi foi aberto para que os torcedores e a equipe pudessem celebrar juntos. Homens e mulheres estavam lado a lado. Nos jogos seguintes, elas compareceram novamente ao estádio, mas foram impedidas de acessar as arquibancadas.

Começou então uma série de tentativas de burlar a proibição. Muitas mulheres passaram a se vestir como homens, como a jovem Khodayari, ou simplesmente se fantasiavam da cabeça aos pés, com chapéus e enroladas na bandeira do país. Os disfarces foram ficando cada vez mais convincentes nos anos seguintes, com algumas pintando bigodes e barbas no rosto ou até mesmo colando pelos verdadeiros. Por isso, passaram a ser chamadas de “mulheres barbadas”. Algumas dessas tentativas de entrar nos estádios foram encenadas no filme Fora do jogo, do cineasta iraniano Jafar Panahi, vencedor de vários prêmios internacionais — embora em seu próprio país ele sofra perseguição do governo. Ao receber um dos prêmios, Panahi dedicou-o às mulheres do véu branco, um novo movimento que começara a atuar em 2004.

Uma das principais personagens desse movimento foi a poeta e ativista iraniana Asieh Amini, que hoje vive na Noruega. Ela se recorda de que, em 2003, ativistas dos direitos das mulheres se reuniram para discutir as principais bandeiras a serem defendidas, e foi apontado que muitas jovens queriam frequentar os estádios e inclusive estavam sendo detidas por tentar driblar a proibição. A primeira grande ação aconteceu no ano seguinte, quando alugaram um ônibus e seguiram para a frente do estádio onde jogariam Irã e Bahrein a fim de tentar convencer os torcedores, todos homens, claro, a não entrar para ver o jogo. “Nós dizíamos: ‘Você acha certo ir quando metade da população está proibida?’”. O grupo usava faixa vermelha nos pés, para indicar a proibição, e véu branco, sinalizando que o movimento era pacífico. “Quando fiquei sabendo do jogo da semana passada, eu ri sozinha, porque fiquei feliz por elas. Mas também chorei, porque eu queria estar em meu país para viver isso”, contou Amini, que deixou o Irã há dez anos, depois de ver vários de seus amigos escritores serem presos pelo regime.

O jogo que levou risos e lágrimas ao rosto da poeta exilada aconteceu na quinta-feira 11 — o dia equivale ao sábado nos países muçulmanos —, em uma tarde de sol e calor. O esquema de segurança lembrava o de um clássico entre times rivais, um Corinthians e São Paulo, um Flamengo e Vasco. A maior parte do público entrou pelo portão principal do estádio, enquanto à outra torcida, a que não pisava ali fazia décadas, foi destinada uma entrada secundária, por uma avenida no lado oposto do gigante complexo esportivo. Havia reforço de grades de proteção e um cordão de isolamento formado por 150 policiais para separar as mulheres. A ironia é que todos estavam ali para apoiar a mesma equipe, a seleção do Irã.

As dificuldades para a torcida feminina começaram bem antes do dia da partida entre Irã e Camboja. As autoridades locais, para não irritar ainda mais os poderosos setores conservadores da sociedade, em especial os militares e os clérigos xiitas, tentaram ao máximo frear a liberalização e promover uma abertura lenta, gradual e segura da arquibancada feminina em eventos esportivos. O primeiro obstáculo foi a limitação na venda de ingressos, feita pela internet, apenas para cidadãs iranianas. Começou com 800 entradas, que se esgotaram em menos de uma hora. A pressão nas redes sociais e no site da Fifa surtiu efeito, e o número de ingressos subiu para 4 mil — que também foram vendidos rapidamente. Ainda muito pouco para o estádio Azadi, cujo nome ironicamente significa “liberdade”, que tem capacidade para 73 mil pessoas e estava vazio. O anel superior nem chegou a ser aberto. As arquibancadas estavam praticamente desertas, exceto por duas manchas de pessoas: uma no meio, onde estavam os homens, e outra atrás de um dos gols, local reservado para as mulheres.

“Permitir que as mulheres comprem ingresso para assistir a jogos foi um passo adiante contra essa proibição injustificável que as autoridades vêm mantendo por décadas”, afirmou a iraniana Tara Sepehri Far, da organização de direitos humanos Human Rights Watch. “No entanto, o limite no número de ingressos é discriminatório e coloca em perigo as mulheres que vão continuar arriscando sua segurança e sua liberdade para desafiar a restrição”, completou.

Foi recomendado às mulheres chegarem ao estádio com três horas de antecedência, e elas precisaram esperar embaixo do sol forte dentro do estádio na área que lhes foi dedicada, logo batizada de “jaula”, por causa do reforço nas grades. O cordão de isolamento era feito por policiais mulheres que vestiam o xador — túnica típica do islamismo xiita, que cobre todo o corpo, mas não o rosto — para garantir a “decência” do evento, separando assim amigos e amigas, pais e filhas, irmãos e irmãs, maridos e mulheres.

Esse foi o caso da administradora de empresas Sarah Helmzadeh, de 34 anos. Desde pequena, ela acompanha futebol pela televisão, apesar de ter crescido ouvindo seu pai falar que “era coisa de homem”. Nunca se importou com isso e sempre nutriu a vontade de ver um jogo no estádio, apesar da proibição vigorar desde antes de seu nascimento. Casou-se depois com Hamid, com quem compartilha o fanatismo pelo Persépolis, o popular time de Teerã. Os dois foram juntos ao estádio na quinta-feira, mas se separaram quando ele a deixou no portão feminino. “Ficamos trocando fotos e mensagens por celular o jogo inteiro. Claro que gostaria de assistir ao lado dele, mas mesmo assim foi um dia memorável. Vou lembrar até minha morte.”

Dentro do estádio, as restrições impostas pelas autoridades foram temporariamente esquecidas para celebrar o momento. O setor feminino era o mais entusiasmado e onde mais se destacavam as cores verde, vermelha e branca, da bandeira iraniana. Elas levaram cornetas e cantaram mais que os homens. Vibraram mais efusivamente a cada um dos 14 gols — sim, o jogo contra o fraquíssimo time cambojano, pelas eliminatórias asiáticas para a Copa do Mundo, teve placar de 14 a 0. E também choraram.

“Pode parecer inocente para vocês acostumados com a liberdade de ir aos jogos, mas eu chorei quando vi aquele gramado verde gigante. Já tinha visto campos de futebol nos bairros, mas o Azadi eu só conhecia pela televisão, e por lá o campo parecia bem pequeno”, disse a engenheira civil Mobina Sabari, de 23 anos, outra torcedora do Persépolis. Mobina sempre teve o apoio dos pais em sua dedicação ao futebol. Sua única decepção em relação ao jogo foi que seu jogador preferido, o meia-atacante Alireza Jahanbakhsh — um dos destaques da seleção na Copa de 2018 — não havia sido convocado pelo treinador belga Marc Wilmots.

As mulheres presentes ao estádio eram apaixonadas por futebol, mas havia mais em jogo. Desde a Revolução Islâmica de 1979, muitas das liberdades das iranianas foram tolhidas. Em certos aspectos, a sociedade iraniana pode ser considerada mais avançada que outros estados islâmicos, como a Arábia Saudita. Mulheres sempre puderam votar e dirigir e ocupam posições de destaque na economia e no alto escalão governamental. Por outro lado, a subida dos aiatolás — altos dignatários na hierarquia religiosa — ao poder resultou na perda de postos importantes na sociedade, como a magistratura, de onde foram banidas. Foram impostos também a figura do guardião — seja marido, pai ou irmão — e o uso do véu para cobrir a cabeça. Num ato de rebeldia cotidiano, muitas iranianas expõem mechas do cabelo no dia a dia e chegam a retirar o véu rapidamente para tirar fotos que depois serão postadas em redes sociais.

“Em outros países, mulheres passam a vida inteira sem ir aos estádios. Mas elas podem ir, se quiserem. Nós queremos isso também. Não é uma manifestação política, apenas a busca de um direito”, disse a engenheira eletrônica Narges Elhami, de 38 anos. Ela não se importou tanto em estar separada de seus amigos. “Foi maravilhoso viver essa atmosfera com as mulheres, muitas chorando, por isso não liguei por estarmos em uma área separada. Mas, se podemos ir com homens ao teatro, ao cinema, por que não podemos dividir a felicidade com eles em um jogo?”

E como o setor masculino da torcida reagiu à presença das mulheres no estádio? Sem dar muita importância. Alguns tiraram fotos, mas nas conversas de arquibancada quase não se comentava o assunto. Falava-se muito mais de futebol e dos lances em campo. Impossível dizer se era uma indiferença genuína ou uma tentativa de não marcar posição para não desagradar a algum religioso que estivesse por perto. Num lance sem importância em que as mulheres soltaram um grito frenético — a inocência de quem estava em um estádio pela primeira vez —, os homens deram risada.

“As mulheres têm todo o direito de estarem aqui”, comentou o professor de inglês Reza Karimi, de 32 anos. Quando questionado sobre se deixaria sua mulher vir ao estádio, a resposta “Ela não gosta de futebol”, seguida de um riso, deu a impressão de que estava aliviado por não precisar enfrentar a situação.

Ao final do jogo, no entanto, ficou claro que os homens se importavam. O time iraniano seguiu para agradecer à torcida masculina, mas ouviu os gritos: “Primeiro aquela seção”. O capitão Masoud Shojaei, que fala abertamente em favor das mulheres nos estádios, levou então seus companheiros para agradecer à torcida feminina. Era a consagração de uma tarde vitoriosa para elas. Na saída do estádio, dava para ouvir as torcedoras cantando: “Quem sabe quando voltaremos?”.

GESTÃO E CARREIRA

PORTAS ABERTAS PARA OS PETS

Em setembro, o escritório da Elo7, plataforma de vendas de produtos, com sede em São Paulo, recebeu 11 cachorros. Já é a segunda vez que a empresa realiza ações de Pet Day para seus 125 funcionários. Além de levar os bichos para acompanhá-los durante o expediente, inclusive em reuniões, lojistas de itens para pets que utilizam o site foram convidados para expor no local e especialistas em comportamento animal deram palestras para os empregados. “A presença dos animais é fundamental para deixar o ambiente mais descontraído”, afirma Diego Nascimento, analista de RH da Elo7. Por fim, por intermédio de uma parceria com a startup DogHero, os funcionários contaram com passeadores à disposição e ganharam cupons de desconto em hospedagem. “A ação surgiu após feedbacks dos empregados. Depois fizemos benchmarking com empresas que já realizavam a ação para entender a dinâmica”, afirma Diego. O evento ainda ajudou a ONG Ampara Animal, que montou uma lojinha no escritório. “Nossa ideia inicial era fazer uma feira de adoção, mas percebemos que seria difícil. Trazer os produtos e reverter as vendas para a ONG foi uma saída”, completa o analista.

COMEÇO DIFÍCIL

Segundo uma pesquisa da consultoria Michael Page, os funcionários que ocupam cargos de média gerência são os que mais encontram dificuldade na integração em uma nova empresa. O estudo, que ouviu 500 profissionais de todos os níveis hierárquicos pelo brasil, apontou que essa era uma reclamação frequente de 33% dos coordenadores e supervisores. Já para outros cargos, como assistentes e analistas, o índice caía para 16%.

OS DILEMAS DO AMANHÃ

Para 45% dos líderes de recursos humanos de empresas de tecnologia, a utilização de inteligência artificial é o maior desafio dos próximos cinco anos. É isso que aponta o relatório o futuro do RH no setor de tecnologia, da KPMK. Segundo o levantamento, publicado em outubro, entretanto, os RHs desse setor estão saindo na frente e 55% já introduziram ferramentas dela no dia a dia. Em empresas de outros setores, esse índice cai para apenas 36%.

FAZENDO O BEM

A IBM lançou um portal para estimular a filantropia entre os funcionários.  Desde setembro, os interessados podem acessar o IBM.ORG e encontrar oportunidades em projetos sociais, dados sobre trabalhos de colegas e informações sobre ONGs. “O brasil sempre foi muito ativo no programa de voluntariado, que já existe há pelo menos uma década. o site ajuda a ampliar esse engajamento”, afirma juliana nobre, gerente de responsabilidade social corporativa da IBM Brasil. O portal faz parte da nova estratégia da multinacional, que vem buscando direcionar seus esforços humanitários para as áreas de educação, desenvolvimento econômico, saúde, preparação para catástrofes naturais, entre outros. “Queremos colocar o funcionário como protagonista nas causas de impacto social”, diz Juliana. Desde 2018, a empresa doou 1 milhão de horas de seus empregados e investiu mais de 39 2,5 milhões de dólares em ações de voluntariado em todo o mundo.

ALIMENTO DIÁRIO

QUANDO O CÉU INVADE A TERRA

CAPÍTULO 9 – AS OBRAS DO PAI

“Se eu não realizo as obras do meu Pai, não creiam em mim”. (João 10:37-NVI)

“Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo.” (1 João 3:8)

Por centenas de anos os profetas anunciaram a vinda do Messias.

Fizeram mais de trezentas menções detalhadas, em que Dele falaram. Jesus cumpriu todas essas profecias! Os anjos testemunharam também a divindade de Jesus quando vieram com uma mensagem para os pastores: “É que hoje vos nasceu o Salvador, que é Cristo, o Sen hor.” A própria natureza testificou a chegada do Messias com a estrela que conduziu os magos.161 Entretanto, com esta afirmação: “Se eu não realizo as obras do meu Pai, não creiam em mim”, Jesus deu plena credibilidade a todos esses mensageiros, cujos ministérios teriam sido em vão se não houvesse, por parte de Jesus, mais um ingrediente – os seus milagres – confirmando quem de fato Ele era.

Ao povo Jesus deu o direito de não acreditar em tudo o que Ele dizia, se não houvesse demonstração de poder em Seu ministério. Como eu anseio pelo dia em que a Igreja fará essa mesma afirmação ao mundo! Isto é: “Se não fizermos os milagres que Jesus fez, vocês não precisam crer em nós.”

AINDA QUANDO CRIANÇA, JESUS SABIA QUAL ERA A SUA MISSÃO

Os versículos mencionados no início deste capítulo tratam de dois assuntos: “fazer as obras do Pai” e “destruir as obras do diabo”. Estas duas ações são inseparáveis: Elas contribuem para tornar bem claro qual foi o propósito para a vinda de Cristo. Ele foi movido por uma enorme paixão: agradar Seu Pai celestial.

A revelação das prioridades de Jesus começou bem antes do início do Seu ministério. Ele tinha apenas doze anos de idade. Maria e José somente perceberam que Jesus não estava com eles um dia depois de terem saído de Jerusalém. Tiveram que voltar para procurar seu filho.

Podemos imaginar o que se passou pela mente deles durante aqueles três dias em que estiveram separados do menino. Ele era o filho de um milagre, o Prometido. Será que eles tinham sido descuidados? A missão de criá-Lo havia terminado? Tinham eles cometido algum erro grave?

Finalmente o encontraram no templo, discutindo acerca das Escrituras com pessoas adultas! Por certo Maria e José ficaram aliviados e se alegraram. Mas, no fundo, provavelmente tenham ficado um pouco perturbados. Para acentuar ainda mais esse sentimento, eles viram que Jesus não estava nem aí com toda a ansiedade que eles tinham enfrentado. Com efeito, Ele parecia até mesmo um tanto surpreso pelo fato de seus pais não saberem onde ele estava. Jesus não pediu desculpas. Não houve explicações. Ele apenas fez uma declaração sobre a sua prioridade: “Não sabeis que Me convém tratar dos negócios de Meu Pai?” Aqui começa a revelação da Sua missão. Mesmo numa idade bem jovem, Jesus parecia demonstrar não ter nenhuma preocupação quanto à possibilidade de ter causado uma ofensa quando agiu em obediência ao Seu Pai celestial. Considere isto: Jesus não teve receio algum quanto ao que os outros poderiam pensar a Seu respeito, e ele tinha apenas doze anos! Ele recusou­ se a permitir que a possibilidade de um mal-entendido ou de um conflito O afastasse dos propósitos do Pai.

As primeiras e únicas palavras de Jesus em sua adolescência que foram registradas foram a respeito da sua missão. Obedecer ao Pai era toda a Sua ambição. Estas palavras foram suficientes. Posteriormente, em Sua idade adulta, Jesus confessou que a obediência ao Pai continuava sendo a Sua prioridade. Ela de fato o nutria: “A minha comida consiste em fazer a vontade Daquele que Me enviou.

UM NEGÓCIO ARRISCADO

Será que Jesus tinha esquecido de dizer a Maria e José para onde ele iria? Ou será que Ele fez o que fez sabendo que isso poderia afetar os outros da forma como de fato afetou? Creio nesta segunda hipótese. Ele estava disposto a correr o risco de não ser compreendido. Os “negócios de Meu Pai” muitas vezes requerem a sujeição a um risco como esse. Lembremo-nos de que Ele não havia ainda conquistado nenhuma credibilidade, como Ele veio a ter posteriormente em Sua vida; até então não tinha havido sermões que tocassem no coração das pessoas, não tinha havido curas, nem água se transformando em vinho, nem a ressurreição de mortos, nem ainda a expulsão de demônios. Ele era um simples menino de doze anos, mas que tinha prioridades diferentes das de qualquer outra pessoa.

Dezoito anos depois, no início do Seu ministério, Jesus é visto ensinando a Seus discípulos o que Ele tentou ensinar à Sua mãe e ao Seu pai: a prioridade dos negócios do Pai. Afirmações tais como: “o Filho nada pode fazer de Si mesmo”; “não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou” ; e “Eu faço sempre o que Lhe agrada” todas testificam Sua total dependência do Pai e Sua única paixão, a de agradá-Lo.

UM COSTUME JUDEU

Era um costume judeu o pai levar o filho até a praça principal da cidade quando o rapaz alcançasse a maturidade. Ele anunciava aos cidadãos que o seu filho estava em pé de igualdade em seus negócios, o que significava que poderiam tratar qualquer coisa com o seu filho como se estivessem tratando com ele mesmo. Ao fazer isso, era como se o pai estivesse anunciando a toda a cidade: “Este é meu filho amado, em quem me comprazo”.

No batismo de Jesus nas águas, quando ele tinha completado trinta anos, o profeta João Batista proclamou que Jesus era “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. Naquela hora o Espírito Santo veio sobre Ele, revestindo-O de poder, capacitando-O a levar a cabo a Sua missão. Então o Pai falou do céu, dizendo: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.”

Naquele momento, tanto o Pai como o Espírito Santo afirmaram que a missão que o Filho de  Deus havia assumido era a de revelar e executar os negócios do Pai. Jesus declarou em seu primeiro sermão quais eram as características próprias do seu agir com esse objetivo: “O  Espírito do  Senhor  está  sobre  mim,  pelo  que  me  ungiu  para  evangelizar  os  pobres; enviou-me  para  proclamar  libertação  aos  cativos  e  restauração  da  vista  aos cegos,  para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor.”  A vida de Jesus demonstrou na prática o que esta sua declaração abrangia: trazer salvação ao espírito, à alma e ao corpo do homem, assim destruindo as obras do diabo. Foi a expressão de um reino que está sempre em crescimento, e cada vez mais se revelando.

O ELO QUE ESTÁ FALTANDO

Pode-se ver o segredo do ministério de Jesus em suas declarações: “o Filho nada pode fazer de Si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai o Filho também semelhantemente o faz;” e “as coisas que Dele tenho ouvido, essas digo ao mundo.” A obediência de Jesus pôs a generosidade do céu num processo de colisão com a desesperadora condição da humanidade sobre a terra. Foi a Sua dependência ao Pai que trouxe a este mundo a realidade do Reino. Isto foi o que lhe possibilitou dizer: “O Reino de Deus está próximo de vocês”.

Jesus revelava o coração do Pai. Todas as Suas ações eram expressões terrenas do Seu Pai no céu. O livro de Hebreus refere-se a Jesus como sendo a expressão exata da natureza do Pai. Jesus disse: “Quem me vê a mim vê o Pai”. A vida de Jesus é uma revelação do Pai e do seu negócio. E o coração desse negócio é dar vida à humanidade, e destruir todas as obras do destruidor.

Jesus continua indicando o caminho para o Pai. E agora se tornou a nossa função, por meio do Espírito Santo, revelar e exibir o coração do Pai: dando vida, e destruindo as obras do diabo.

SOBRE O PAI

A maioria dos fariseus passou a vida servindo a Deus sem jamais conhecer o coração do Pai! Jesus ofendeu esses líderes religiosos principalmente porque Ele demonstrava o que o Pai queria. Enquanto os fariseus pensavam que Deus tinha desvelo com respeito ao sábado, Jesus operava para beneficiar aqueles para quem o sábado havia sido criado. Esses líderes estavam acostumados com os milagres das Escrituras como sendo algo do passado. Mas Jesus lhes invadiu as zonas de conforto ao introduzir o sobrenatural em suas cidades. Através de cada milagre realizado, Ele revelou os negócios do Pai a toda a comunidade religiosa. Para eles se adaptarem ao ensino de Jesus, tudo teria que ser revisto. Era bem mais fácil chamá-lo de mentiroso, afirmando que as obras Dele eram do diabo; e, por fim, matá-lo, a Ele que era Quem os fazia lembrar de tudo que precisava ser mudado.

A compreensão de que os negócios do Pai têm a ver com sinais e maravilhas não é uma garantia de que cumpriremos o propósito de Deus para a nossa vida. É necessário muito mais do que fazer milagres, ou mesmo conseguir conversões. As intervenções sobrenaturais de Deus eram feitas para revelar o extraordinário amor que há no coração do Pai para com o seu povo. Cada milagre é uma revelação da Sua natureza. E nessa revelação está inserido o convite para um relacionamento com Deus. É muito fácil para nós repetirmos os erros dos fariseus. Eles não compreendiam o coração do Pai. E há muitas atividades cristãs que não têm nada a ver com isso, que é o mais importante de tudo. Na hora presente ternos muito a aprender sobre corno identificar os nossos dons pessoais e descobrir maneiras de sermos mais bem-sucedidos no ministério. Precisamos é do próprio Pai. Precisamos da Sua presença – da presença Dele apenas. O evangelho é a história do Pai persuadindo o coração dos homens por meio do Seu amor. Tudo o mais que fazemos é o resultado de estarmos plenos da revelação de Deus.

A ALEGRIA E O PODER DE TODO MINISTÉRIO

Podemos viajar por todo este mundo e pregar o evangelho, mas se não tivermos urna revelação pessoal do coração do Pai, estaremos levando por aí apenas novas de segunda mão: uma história sem um relacionamento pessoal. Poderá haver pessoas que se salvem, porque se trata da verdade, mas há tantas coisas mais… Jesus, aos doze anos, ensinou-nos a seguinte lição: temos que tratar dos negócios do nosso Pai. E os Seus negócios fluem do Seu coração. Quando descobrirmos isto, descobriremos tanto a alegria como o poder de todo ministério – descobriremos a Sua presença.

A renovação que começou em 1994 em Toronto tem, desde então, se espalhado por todo o mundo. Ela tem o coração do Pai e a presença do Espírito Santo corno seus dois principais enfoques. Num certo sentido, estas duas coisas são a mesma coisa ou, poderíamos dizer, são as duas faces da mesma moeda. A presença de Deus sempre revela o Seu coração.

Do mesmo modo que Jesus revelou o coração do Pai a Israel, assim a Igreja tem de ser urna manifestação do coração do Pai perante o mundo. Somos os que levam a presença de Deus, somos os que fazem a Sua vontade. Dando o que recebemos liberamos a Sua presença em situações anteriormente mantidas no domínio das trevas. Isto é de nossa responsabilidade e é privilégio nosso.

TODOS SÃO CANDIDATOS

Todos em nossa comunidade são um alvo do amor de Deus. Não há exceções. Os testemunhos de uma transformação radical vêm dos diversos setores da sociedade e de todos os possíveis lugares: das escolas, dos locais de trabalho, dos lares, dos shoppings e das lojas, e até mesmo dos parques, das ruas e dos acampamentos dos sem-terra. Por quê? É que há um contingente, que a cada dia cresce mais, de pessoas que têm em mente os negócios do Pai. Conscientemente O levam por onde quer que forem.

Quando Jason, um de nossos alunos, foi convocado para ir ao tribunal para servir no corpo de jurados, ele para lá se dirigiu tendo os negócios do Pai em mente. Ao caminhar do estacionamento em direção ao prédio dos jurados, ele viu dois rapazes que pareciam estar com algum problema. O Senhor começou a falar ao coração de Jason sobre o mais velho deles. Jason foi até eles e lhes ministrou uma palavra, mencionando problemas bem específicos que ele tinha com o seu pai. O rapaz percebeu que Jason não poderia ter obtido aquela informação sem que Deus lhe tivesse mostrado. Em consequência, o rapaz recebeu Cristo.

Jason finalmente dirigiu-se para o edifício onde se fazia a seleção dos jurados. Num longo intervalo ele aproveitou o tempo para orar, pedindo a direção de Deus. Observou então que havia alguém do outro lado do salão, sentado numa cadeira de rodas. Era uma cadeira do tipo elétrico, que se movia acionando um pino que havia no braço da mesma.

Depois de uma breve conversa com o deficiente físico, Jason constatou que ele também era cristão. Encorajou-o então com as promessas de Deus e, em seguida, pediu-lhe que olhasse para os seus olhos. De mãos dadas eles então oraram. Uma energia veio para o corpo daquele homem, e a dor saiu. Jason pediu que ele se levantasse.

Então ele lhe disse:

– E se eu cair?

Ao que Jason respondeu:

– E que tal se você não cair?

Isso foi o suficiente para despertar a coragem que era necessária, e à plena vista de todos naquele salão, o homem ficou em pé, agitando os braços. Já haviam passado vários anos, desde o momento em que ficou impossibilitado de se firmar em seus pés. Jason voltou-se para as pessoas do salão e declarou:

– Deus está aqui para curar!

Antes de escurecer, duas outras pessoas receberam a cura através do toque de Jesus. Jason trabalhou naquela tarde tratando dos negócios do Pai. Todo crente tem uma parte a desempenhar para que esta privilegiada incumbência que nos foi dada seja realizada.

REDESCOBRINDO A NOSSA MISSÃO

Temos o privilégio de redescobrir o propósito original de Deus para o seu povo. Nós, que almejamos isso, temos de buscar o Senhor de forma arrojada, entregando-nos a Ele. Veja a seguir uma lista de procedimentos de ordem prática para que a sua busca do Senhor se efetive:

1. ORAÇÃO

Seja específico, e incansável no orar por milagres em todos os momentos da sua vida. Na sua busca, leve as promessas de Deus diante Dele. Ele não se esqueceu do que disse, e não precisa da nossa lembrança; contudo, é o seu prazer ver-nos firmados em Sua aliança, quando oramos. A oração com jejum deve ser uma parte integrante da nossa busca, uma vez que o Senhor revelou que este é um modo importante para conseguirmos romper as linhas inimigas. Oro até mesmo por determinadas enfermidades, em relação às quais eu não esteja vendo vitórias.

2. ESTUDO

Obviamente o nosso estudo deve ser das Escrituras. Passe meses lendo e relendo os evangelhos. Procure modelos para seguir. Veja em especial todas as referências ao Reino, e peça a Deus que lhe abra os mistérios do Reino. O direito de compreender esses mistérios pertence aos santos que estejam dispostos a obedecer. Outro grande ponto de estudo é analisar as passagens que se referem a “reformas” pelas quais passou Israel, sob a liderança de diferentes lideres (que foram avivalistas daquele tempo).181 Algumas sugestões para começar são: Davi, Ezequias, Esdras e Neemias. A vida de cada um deles toma-se uma mensagem profética para nós. Todo verdadeiro estudo é motivado pela fome espiritual. Se você não tem perguntas a fazer, você não reconhecerá as respostas.

3. LEITURA

Vá atrás dos livros que foram escritos por generais do exército de Deus – aqueles que realmente dão conta do recado. Há um enorme depósito de informações para aqueles que estão dispostos a prosseguir nessa busca. Não se esqueça dos líderes do grande avivamento de cura dos anos da década de 1950. O livro God’s Generais (Generais de Deus), de Roberts Liardon, é um bom começo. Se você estiver com medo de ler sobre aqueles que acabaram caindo no pecado e no engano (alguns terminaram a vida desastrosamente), fique longe de Gideão, Sansão, Provérbios de Salomão, e Cântico dos Cânticos. Os autores desses livros também terminaram a sua vida em tragédia. Temos que aprender a comer o peixe sem engolir as espinhas.

4. IMPOSIÇÃO DE MÃOS

Procure homens e mulheres de Deus que têm uma unção em sua vida para a realização de milagres. Essa unção pode ser transferida a outros pela imposição de mãos. Ocasionalmente há momentos numa ministração em que uma pessoa ungida deseja orar por aqueles que querem aumentar a sua unção. Eu mesmo tenho viajado bastante em busca de MAIS unção.

5. ASSOCIAÇÕES

O rei Davi é conhecido por ter matado, quando era ainda jovem, o gigante Golias. Mas há ainda nas Escrituras pelo menos mais quatro gigantes que também foram mortos – todos eles morreram nas mãos de homens que seguiram Davi, o grande matador de um gigante. Se você pretende matar gigantes, fique “grudado” a matadores de gigantes. Isso pega! É pela graça que vivemos no Reino e, em parte, ela é recebida de acordo com o modo como respondemos aos dons de Cristo: apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres. De fato recebemos a graça para operar a partir desses dons. Se você se “grudar” num evangelista, você vai ficar pensando evangelisticamente. O mesmo acontece quando nos associamos com aqueles que regularmente experimentam sinais e maravilhas em sua vida.

6. OBEDIÊNCIA

Por mais que alguém se prepare para que a unção de milagres aumente em sua vida, sem uma radical obediência ao Senhor, isso não se realizará. Tenho que procurar os doentes e atormentados por espíritos malignos para orar por tais pessoas. E, ao serem curados e libertos, louvo ao Senhor. Mesmo que não ocorra a cura ou libertação, mesmo assim rendo o meu louvor ao Senhor – e continuo procurando aqueles por quem orar. Já faz bastante tempo que aprendi que mais pessoas são curadas quando oramos por mais pessoas! A menos que ministremos com base no que sabemos, nosso conhecimento não passa de uma teoria. O verdadeiro aprendizado vem com o realizar.

O PODER NÃO É OPCIONAL

Jesus disse: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio”. Ele fez as obras do Pai, e depois passou o bastão para nós. No próximo capítulo vamos descobrir o que é mais importante: o carácter ou o poder. A resposta talvez o surpreenda.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A PSICOLOGIA DA FORMA

A palavra Gestalt, alemã e sem tradução exata em português, refere-se ao que é “exposto ao olhar”; segundo a teoria, o todo “é sempre maior que a soma de suas partes”

“Umarosa é uma rosa é uma rosa.” A poetisa americana Gertrude Stein, autora desse célebre enunciado, não tinha muito a ver com a teoria da Gestalt. Não obstante, em seu célebre verso (do poema Sacred Emily, de 1913) ela dá vazão a um a constatação que sobreveio também a alguns psicólogos de seu tempo. As quatro letras r, o, s, a não constituem em nossa mente simplesmente uma palavra: evocam a imagem da flor, seu cheiro e simbolismo – propriedades não exatamente relacionadas às letras. Em suma: criam uma forma, uma Gestalt. A palavra, alemã, significa “o que é colocado diante dos olhos, exposto ao olhar”. Adotada hoje no mundo todo (e sem tradução para o português), refere­ se a um processo de dar forma, de configurar.

De acordo com a teoria gestáltica, não se pode ter conhecimento do “todo” por meio de suas partes – e sim das partes pelo todo, pois o todo é maior que a soma de suas partes. Isso equivale a dizer que “A + B” não é simplesmente “(A+B)”, mas sim um terceiro elemento “C”, que possui características próprias. A esse aspecto se dá o nome de super soma. Um segundo aspecto considerado pela Gestalt é a transponibilidade: independentemente dos elementos que constituem determinado objeto, reconhecemos ali uma forma (Gestalt). Admitimos, por exemplo, que uma cadeira é uma cadeira, seja ela feita de plástico, metal, madeira ou qualquer outra matéria-prima. Em outras palavras, a forma sobressai.

O psicólogo austríaco Christian von Ehrenfels (1859 – 1932) apresentou esses dois critérios, super soma e transponibilidade, pela primeira vez em 1890, em uma dissertação apresentada na Universidade de Graz.

Um dos principais representantes da Gestalt da Escola de Graz (que também recebeu o nome de “teoria da produção”) foi Max Wertheimer (1880-1943). Ele gostava de ilustrar os primórdios experimentais da psicologia da Gestalt com uma história que deve ter se passado por volta de 191O: no final do verão, Wertheimer viajava de trem de Viena para algum lugar do estado da Renânia. Durante o percurso, meditava sobre a visualização do movimento. Quando lhe ocorreu, num dado momento da viagem, que podia provocar aquelas percepções artificialmente com uma espécie de rápido piscar consecutivo de luzes, como é possível fazer no estroboscópio, Wertheimer desceu intempestivamente em Frankfurt e comprou um aparelho que na época era tido como um brinquedo para crianças e começou a realizar os primeiros experimentos. Em seguida entrou em contato com psicólogo Friedrich Schumann (1858-1940), da Universidade de Frankfurt, que enviou seu assistente Wolfgang Kõhler (1887-1967) ao quarto de hotel de Wertheimer. Não foi preciso muito para que todos os envolvidos se convencessem de que os professores deveriam realizar o experimento juntos no laboratório de Schumann.

É difícil saber se tudo se passou exatamente assim. Talvez Wertheimer já tivesse anos antes a intenção de desenvolver um novo tipo de estroboscópio em parceria com Schumann. De qualquer modo, os primeiros experimentos do pesquisador da Gestalt de Franfkurt assumiram uma forma concreta no início do século XX. Em uma série de testes, Wertheimer mostrou aos voluntários do estudo dois estímulos, em rápida sequência: no primeiro podia ser vista, do lado esquerdo de uma gravura, uma linha horizontal; no segundo, havia uma linha horizontal do mesmo comprimento, à direita. Se ambas as imagens fossem mostradas alternadamente, surgia a intervalos de cerca de 60 milésimos de segundos a impressão de um movimento aparente, como se as linhas oscilassem de um lado para o outro, como um limpador de para-brisa.

Nesse experimento, se a mudança de imagens for ainda mais rápida, os estímulos são vivenciados como simultâneos – ambas as linhas tremeluzem aparentemente ao mesmo tempo. Só quando a representação de determinada frequência não é transposta se tem a impressão de continuidade: vê-se ora uma linha, ora a outra, cada qual em um local e posição. Wertheimer deu ao movimento percebido em sequência mais rápida a denominação de “fenômeno phi”.

A tentativa de visualização do movimento por Wertheimer marca o início da escola mais conhecida da psicologia da Gestalt. Além de Wertheimer, fizeram parte dela Wolfgang Kõhler e Kurt Koffka (1886-1941). Nos anos 20, as pesquisas se expandiram pela Alemanha e numerosos trabalhos deram novo impulso não só à pesquisa da percepção, mas à psicologia de forma geral.

Nas origens das escolas de Frankfurt e de Berlim – diferentemente do que se tinha na de Graz – estavam formas (Gestalten). Segundo seus teóricos, as pessoas não as “produziam” como dados fundamentais dos sentidos e, tampouco, elas se constituíam paralelamente a estes; as formas eram consideradas elas próprias as unidades fundamentais da vida anímica.

Desde o começo Wertheimer evitou falar em ilusão da percepção como fenômeno phi. Reconheceu que para o observador não importava se o movimento percebido era produzido por dois estímulos semelhantes e sucessivos ou por um deslocamento eficaz. Nem mesmo quando se esclarecia o efeito aos voluntários que participavam dos testes e a ilusão era “desmascarada”, ela se dissipava – pelo contrário: após o esclarecimento, o fenômeno phi era, não raro, percebido com maior nitidez.

ADEUS AOS DOGMAS

Os psicólogos da Gestalt desenvolveram um programa teórico para refutar dogmas da fisiologia dos sentidos. Pesquisas pioneiras de Wolfgang Kõhler com antropoides enfatizaram que não só a percepção humana, mas também nossas formas de pensar e agir funcionam, com frequência, de acordo com os pressupostos da Gestalt. Atendendo à solicitação do médico berlinense Max Rothmann, a Academia Prussiana de Ciências instalou em 1913, na ilha de Tenerife, nas Canárias, uma estação para o estudo do comportamento de macacos. No posto de experimentação eram estudadas as capacidades dos animais em condições semelhantes às naturais. O filósofo e psicólogo alemão Carl Stumpf (1848-1936) nomeou Kõhler diretor da estação, apesar de na época ele não ter mais que 26 anos e quase nenhuma experiência em biologia e psicologia de animais.

Os experimentos de Kõhler foram reconhecidos quando comprovaram que os chimpanzés têm condições de resolver problemas complexos, como conseguir alimentos que estão fora de seu alcance: para pegar bananas de um cacho, por exemplo, empilhavam caixas e usavam varas. Um macaco ruivo chegou a acoplar duas varetas de bambu a fim de se aproximar de uma guloseima. Fato menos conhecido é que, mesmo antes de Kõhler, Leonard T. Hobhouse havia realizado experimentos semelhantes na Inglaterra. Kõhler procedeu de maneira sistemática, protocolou cuidadosamente todos os resultados e filmou alguns. Mais decisivo para o seu êxito, entretanto, foi ter encontrado esclarecimentos convincentes para as suas observações. Segundo o método de “tentativa e erro”, para chegarmos à solução correta de determinado problema não é necessário um longo período de experimentação.

Para os macacos, parece que a “ficha cai” muito rapidamente; a junção de objetivo e meios de auxílio permitem que se dê a Gestalt. Kõhler denominou o conhecimento resultante dessa experiência de “perspectiva”. Quase concomitantemente aos estudos de percepção de Wertheimer, com quem Kõhler, de Tenerife, manteve estreito contato por correspondência, revelava-se a ação sagaz, movida pelo uso da inteligência, como fenômeno da Gestalt.

NO ZOOLÓGICO

Kõhler já havia pesquisado grande parte de seus chimpanzés submetidos a teste quando, em meados de 1914, irrompeu a Primeira Guerra Mundial. Mesmo a Espanha tendo se mantido neutra durante todo o conflito, ele só pôde deixar a ilha em 1920. Vez por outra, funcionários britânicos chegavam a cogitar que Kõhler seria um espião alemão e a pesquisa com os chimpanzés, nada mais que um pretexto para que se construísse nas Ilhas Canárias uma pista de pouso para aviões alemães.

O plano original de construir uma estação para estudar animais dos trópicos naufragou com a inflação do pós-guerra. E em 1920 mesmo os macacos foram enviados para o zoológico de Berlim. Quando Kõhler publicou um livro sobre sua pesquisa, no ano seguinte, obteve grande visibilidade. Durante anos ele se esforçou para ter a comprovação de que nem só a percepção e o pensamento seguiam os princípios da Gestalt, mas também a atividade cerebral obedecia a uma lógica fundamental semelhante.

Em 1922, Kõhler foi nomeado sucessor de Carl Stumpf na direção do Instituto de Psicologia de Berlim. Com isso, teve início a dinastia da psicologia da Gestalt. O periódico Psychologische Forschung (pesquisa psicológica), co-editado por Kõhler, era o seu principal veículo de divulgação. Outras importantes sedes da pesquisa psicológica da Gestalt na Alemanha foram a Universidade de Giessen, que em 1918 convidou Kurt Koffka para compor seu quadro docente, bem como a de Frankfurt, que acolheu Wertheimer em 1929.

Este último trouxe contribuições significativas para a psicologia do pensamento. Seu livro póstumo de 1945 (edição alemã de 1957) sobre o pensar produtivo – hoje se falaria em criatividade – documenta o intenso intercâmbio intelectual entre ele e Freud até 1933. Já Kurt Koffka salientou a utilidade da teoria da Gestalt para a psicologia do desenvolvimento. Com isso sabe-se hoje que a leitura é um processo integral e que a sequência de estágios das letras tomadas individualmente, passando pelas palavras, chegando até as sentenças inteiras, pouco corresponde ao que se passa na percepção humana.

Ainda antes da chegada dos nazistas ao poder Koffka emigrou para os Estados Unidos, onde se tornou um dos primeiros partidários da psicologia da Gestalt. Depois de o próprio Wertheimer e do psicólogo e filósofo Kurt Lewin (1890-1947) terem sido obrigados a deixar a Alemanha, foi a vez de Wolfgang Kõhler sair do país. Com isso, a psicologia da Gestalt perdia os pioneiros que a conduziam em território alemão.

SEM PROMOÇÃO

Do outro lado do Atlântico, seus representantes depararam com um ambiente científico completamente diferente. Nos Estados Unidos, havia por parte dos behavioristas; inúmeras críticas contra os psicólogos alemães da Gestalt que discordavam das teorias tradicionais da consciência defendidas por Wilhelm Wundt. A situação era agravada pelo fato de os exilados quase não poderem trabalhar em estabelecimentos bem conceituados – e nas pequenas instituições dificilmente tinham direito a alguma promoção. Por tudo isso, esse ramo da psicologia teve papel irrelevante durante muito tempo nos Estados Unidos.

No fim da década de 50, quando houve intensa divulgação da psicologia americana na Alemanha, a Gestalt foi “reimportada”, embora o interesse da geração mais jovem fosse direcionado principalmente para teorias behavioristas do aprendizado, diagnósticos e classificações da personalidade, psicologia social experimental e psicoterapias.

CENAS DE CRIANÇAS

Nos anos 20 havia outra “escola da Gestalt”: a da psicologia da totalidade genética de Leipzig. Felix Krueger (1874 – 1948), assistente de Wundt em 1910, nomeado seu sucessor, defendeu a concepção de que os sentimentos tinham “qualidades gestálticas”. Krueger contrapôs a isso, por um lado, a teoria dos elementos de seu professor, Wundt; por outro, criticou, nos experimentos da Escola de Berlim, o fato de a intuição não ser levada em conta.

Hoje, a psicologia da totalidade de Leipzig é tida como metodologicamente obtusa e conceitualmente um tanto antiquada. Mesmo as contribuições de Krueger e de seu colaborador Friedrich Sander (1889-1971) caíram em descrédito, pois ambos estavam vinculados à ideologia nacional-socialista, para a qual chegaram a transferir suas ideias, imprimindo nelas o viés de um “todo popular”.

Sander, por exemplo, escreveu em 1937 que a “eliminação do verme parasitário do judaísmo tinha sua justificação profunda nessa vontade de uma forma (Gestalt) pura por parte do ser alemão”. Considerando isso, é de admirar que ele e outros psicólogos da totalidade não tenham demorado a recuperar suas cadeiras logo aos primeiros anos da Alemanha do pós-guerra.

Há ainda outra variante significativa da psicologia da Gestalt que não deve ser esquecida: a teoria dos campos. No início do século XX, as forças de campo já eram conhecidas da teoria da gravitação e da eletrodinâmica; na década de 20, o conceito era utilizado pela física e pelas ciências sociais. Kurt Lewin se interessou pela ideia e tentou lhe dar denominações específicas: no início falou em “teoria dinâmica”, depois em “psicologia de vetor topológico” e, por fim, adotou o termo “teoria dos campos”.

O cerne do pensamento de Lewin é bastante simples: uma pessoa (P) está em um espaço vital (Ev), onde há determinados elementos – lugares, objetos, outras pessoas – que apresentam a ela desafio positivo ou negativo (também chamado valência). A pessoa se sente atraída ou repelida por eles. Algumas áreas do espaço vital não oferecem acesso direto; na verdade são obstruídas por barreiras e, para chegar a elas, é preciso transpor regiões com valência negativa. Além disso, duas áreas podem assumir um caráter de desafio de força equiparável – e assim concorrerem umas com as outras.

Lewin manteve a descrição matemática dos processos psicológicos bem no cerne de sua proposta. Ele tendia para uma linguagem “logicamente condicionada, que refletiria todos os outros meios de auxílio conhecidos da psicologia” e fazia uso da topologia. Durante muitos anos ele filmou documentários nos quais mantinha pessoas em “campos de forças” de seus afetos, conflitos e ações da vontade (em geral, crianças de sua própria família em situações de conflito), mas a maior parte de seus filmes caiu no esquecimento. Lewin filmava os seus pequenos sem que eles o percebessem, influenciado pelo cineasta russo Sergei Eisenstein (1898-1948). Por ter registrado cenas das crianças desde que eram recém-nascidas até a adolescência acabou criando um documentário de caráter único.

OUTROS OLHARES

DE VOLTA AO CLUBE

Diante do fechamento em massa de livrarias, o serviço de assinatura para entrega de livros em casa. sucesso de outras décadas, renasce mais personalizado e ganha adeptos

Protagonistas de uma trama dramática que envolve queda de vendas, fechamento de livrarias e calotes em fornecedores, os livros impressos passam por um momento difícil no Brasil. Mas um novo capítulo se abriu para o mercado desde que um negócio das antigas, que se julgava morto e acabado, ressurgiu na internet e ganha adeptos sem parar: os clubes de assinatura de livros. A repaginação começou em 2014, com o lançamento dos pioneiros Leiturinha, para crianças, e TAG. Eles demoraram a engrenar, mas hoje, são modelos de sucesso. O Leiturinha tem 170.000 assinantes de zero a 12 anos, impulsionado por muita propaganda e pelo desejo de pais e avós de instilar o hábito de leitura nos pequenos. A TAG está com 50.000, graças a um salto de 67% no número de inscritos em 2018 (neste ano, deve crescer outros 44%). “Isso prova que a crise no mercado editorial não se explica só pela falta de interesse dos leitores. Ela é resultado da inabilidade administrativa dos grandes varejistas”, avalia Daniela Vitieli, gerente de novos negócios da editora Companhia das Letras.

Estima-se que existam hoje cerca de vinte clubes de livros bem estabelecidos e em expansão. A fórmula é a de sempre: o usuário paga uma mensalidade, conforme o clube escolhido, e recebe todo mês uni livro (de papel, impresso) pelo correio (isso mesmo, via carteiro). No caso da TAG, a inscrição varia de 45,90 a 62,90 reais, dependendo do serviço, e na caixa também vão mimos como marcador de página, bloco com capa ilustrada e uma revista sobre o autor e a obra. “Notamos a existência de vários clubes de assinatura na rede, de vinhos, de produtos de beleza, e resolvemos criar o do livro”, conta Arthur Dambros, sócio da TAG. O começo foi difícil. “As pessoas não entendiam por que iriam pagar mais caro para ter um livro que nem sequer haviam escolhido”, lembra ele. Com o tempo, a experiência de integração ao universo literário, aliada à comodidade, prevaleceu e o negócio deslanchou, estimulado pelo trabalho de curadoria – autores e nomes conhecidos que recomendam títulos de sua preferência. A TAO   Curadoria, um dos clubes da empresa, só entrega livros de capa dura, em edições luxuosas, que ressaltam a exclusividade do serviço (e fazem boa presença na estante.

Novidade no setor, o Bux Club foi lançado em julho e tem um perfil mais personalizado. Ele trabalha com dezoito curadores, cada um encaixado em algum gênero de literatura. ”A ideia de receber um livro-surpresa se mantém, mas os assinantes podem escolher o curador e ler apenas as indicações de sua área de interesse, sejam romances, quadrinhos ou obras feministas”, explica Marcelo Duarte, sócio e também um dos curadores do clube, ao lado da ex-consulesa francesa Alexandra Loras, do escritor Xico Sá e da cartunista Laerte Coutinho, entre outros. O Bux Club nasceu com 1.500 assinantes e espera contar com ao menos cinco vezes mais no fim do primeiro ano de atividade.

O grosso do faturamento dos clubes vem das assinaturas – a previsão da TAG é arrecadar 36 milhões de reais neste ano -, embora muitos também tenham lojas virtuais. A favor de sua saúde financeira contam bastante a economia de não manter uma loja física e a previsibilidade do fornecimento. De olho nesse nicho de mercado, grandes editoras como Intrínseca e Record lançaram os próprios clubes de leitura.

Os dados mais recentes registram o fechamento de 20.000 livrarias no Brasil nos últimos dez anos (cerca de 50.000 permanecem ativas). É no vácuo desse varejo que os clubes de livros ganham espaço: a TAO faz entrega em mais de 2.300 municípios brasileiros. O auge dos clubes de assinatura no país se deu na década de 80, quando o Círculo do Livro, que tinha como sócios as editoras Abril e Bertelsmann, chegou a contar com 800.000 assinantes e vender 5 milhões de exemplares. Nos Estados Unidos, a apresentadora de TV Oprah Winfrey, grande influenciadora de hábitos e costumes, mantém um animado clube que envia desde clássicos, como Anna Karienina, de Tolstói, até títulos de autoajuda – e cada livro que Oprah recomenda vira, invariavelmente, um best-seller. A escritora J.K. Rowling, da saga Harry Potter, e as atrizes Reese Whiterspoon e Emma Watson também emprestam o nome a clubes do gênero. “O público e interessa em ler os livros que alguém que ele admira recomenda, principalmente se for algum escritor ou personalidade”, diz Dambros.

Além de propiciarem ao leitor o ato de ler, os clubes criam comunidades engajadas à sua volta: em 2018 foram organizados mais de 600 encontros de leitores da TAO no Brasil. Assinante há dois anos, a psiquiatra Lina Nunes, 44 anos, de Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, já leu 28 livros do clube e frequenta há um ano reuniões para debater a obra do mês. “Marcamos os encontros pelo aplicativo, no qual também trocamos ideias sobre os livros. As reuniões acontecem uns quinze dias depois de recebermos a obra em casa”, conta ela. Pois é: até o antigo ritual de um grupo se sentar em torno de uma mesa para debater um livro deixou de ser coisa de senhoras idosas (tema, aliás, da comédia Do Jeito que Elas Querem, de 2018, sobre os efeitos em septuagenárias da leitura do erótico Cinquenta Tons de Cinza) e entra de novo no cotidiano dos leitores. Uma volta ao passado que só faz bem.

GESTÃO E CARREIRA

APETITE CANINO

Depois de ser adquirido pela Tarpon Investimentos, o e-commerce de produtos para animais de estimação Petlove pretende chegar a R$ 2,5 bi de receita em 2024

Quem visita o escritório-sede da Petlove, no Centro Empresarial Nações Unidas, um dos principais edifícios comerciais de São Paulo, não imagina que o maior e-commerce de produtos pet do Brasil já esteve à beira da falência. Entre 2005 e 2011, Marcio Waldman, fundador da companhia, enfrentou tempos difíceis. Embora a economia estivesse deslanchando, ainda havia certa descrença em relação ao potencial de vendas pela internet. Somado a isso, a década passada marcou o momento de expansão acelerada de redes físicas, como Cobasi e Pet Center Marginal, hoje Petz. Na mesma época, Waldman encerrava a operação de sua clínica, chamada Petsupermarket, que também dedicava parte de seus 800 metros quadrados de área ao varejo. Enquanto a operação física perdia o fôlego, o site começava a dar sinais de um futuro promissor. “Em 2005, as vendas do nosso e-commerce se equilibraram com as da loja física, que ainda detinha serviços de pet shop, banho e tosa, internação e cirurgias. Além disso, na época, o Pet Center Marginal inaugurou uma loja próxima à minha, com várias promoções. Isso acabou com a minha clientela”, diz Waldman. “Dali em diante, ficamos apenas com o e-commerce. Passamos por dificuldades, mas em 2010 as vendas começaram a melhorar.”

Em 2011, a empresa faturava R$ 4 milhões e contava com sete funcionários, incluindo o próprio Waldman e sua esposa, Sandra. Foi quando representantes da consultoria McKinsey procuraram o empreendedor para apresentar uma proposta dos fundos de investimento Kaszek Ventures, Monashees e Tiger Global. “Eles estavam com uma demanda para encontrar um vertical do segmento pet. Naquela época, era muito mais difícil atrair a atenção de fundos”, diz Waldman. A ideia era transformar a pequena empresa, com receita enxuta, num gigante de escala global. Ele aceitou a sociedade e dividiu a participação da companhia com os fundos. Para explorar o potencial, os novos sócios mudaram a comunicação visual da empresa, que passou a se chamar Petlove.

Também houve investimentos em infraestrutura, desenvolvimento de tecnologia própria, governança corporativa e na área de recursos humanos, para estruturar o que Waldman chama de squads. Hoje, são 380 funcionários divididos entre a sede e os centros de distribuição da empresa, que são localizados em Extrema (MG) e no Recife. A estratégia deu certo. Em 2018, a Petlove teve receita de R$ 215 milhões, cerca de 54 vezes mais do que o faturamento obtido sete anos antes. Para 2019, a meta é crescer 46%, chegando a R$ 315 milhões. O bom desempenho recente chamou a atenção da Tarpon Investimentos, que em fevereiro comprou uma fatia de 54% da companhia, tornando-se sócia ao lado da Kaszek, Monashees e do próprio Waldman – a aquisição por parte da Tarpon envolveu a participação que a Tiger detinha no negócio.

Depois de se firmar como o maior e-commerce de produtos para animais de estimação do Brasil, a Petlove quer mais. A empresa projeta não apenas ser a maior no ambiente digital, mas de todo o segmento no País. “Queremos ser os maiores do mercado pet do Brasil. A nossa meta é faturar R$ 2,5 bilhões em 2024”, diz Waldman. Para executar o ambicioso plano, o executivo pretende investir em startups e em interação com lojas físicas de parceiros.

Um exemplo disso é que a companhia acaba de desenvolver um método de entregas e armazenagem por meio de ‘mini-hubs’, que funciona como pequenos centros que distribuem os pedidos realizados pela internet. O primeiro ponto inaugurado fica na Avenida Bandeirantes, em São Paulo. A ideia é replicar o modelo para outras capitais do País. “Com isso, conseguimos fazer a entrega por motoboy em até duas horas para a capital de São Paulo”, diz Waldman. “Começamos há cerca de quatro meses. Já estamos entregando quase 80% dos pedidos em uma hora e meia.” A Cobasi, principal rival da empresa no âmbito virtual, também opera por esse método. Já são mais de 30 ‘mini-hubs’.

ECOSSISTEMA

Recentemente, muitas startups têm surgido nesse mercado. Alguns dos exemplos mais notórios são a Pet Driver – conhecida como Uber dos animais –, a empresa de entregas Zee.Now e a varejista PetBamboo. A Petlove não quer ficar fora disso. Ela acaba de adquirir a plataforma Vet Smart, um aplicativo móvel que auxilia veterinários e estudantes com dicas para a prescrição, divulgação de novos produtos e medicamentos. Segundo Waldman, mais de 170 mil veterinários utilizam a plataforma. A empresa quer, com isso, criar um ecossistema que cubra toda a cadeia. “Nós vamos injetar um capital para desenvolver a companhia. Criaremos novas ferramentas para que o veterinário consiga prescrever melhor e usar essa plataforma que a Petlove quer construir com os veterinários e as lojas físicas do Brasil”, diz Waldman. Os valores envolvidos na transação não foram revelados.

Para Maria Alice Narloch, analista da consultoria Euromonitor, o grande segredo para o sucesso da Petlove foi investir em um programa de fidelidade que oferece descontos para produtos de alta recorrência, algo que dá resultado e que a concorrência também passou a oferecer. “É muito mais fácil você prever o que o seu animal vai consumir do que o seu próprio consumo. Normalmente, você já tem o tipo de ração e sabe a quantidade que ele come por mês”, diz Narloch. “Por meio de um trabalho de machine learning, também é possível mapear de forma mais exata a jornada desse consumidor no site. Isso é algo que tem feito com que e-commerces, como Petlove e Cobasi, cresçam cada vez mais.”

ALIMENTO DIÁRIO

QUANDO O CÉU INVADE A TERRA

CAPÍTULO 8 – ENSINANDO PARA QUE HAJA UM ENCONTRO

Toda revelação da Palavra de Deus que não nos conduza a um encontro com Deus somente serve para nos tornar mais religiosos. A Igreja não pode permitir-se a ter “forma, mas sem poder”, pois isso gera cristãos sem um propósito.

Jesus, o mestre que nos serve de modelo, nunca separou o ensino da prática. Ele mesmo é o padrão para este dom. A Palavra revelada de Deus, quando declarada com unção pelos lábios de um mestre, deve conduzir à demonstrações de poder.

Nicodemos disse a Jesus: “Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que Tu fazes, se Deus não estiver com Ele.” A compreensão que então se tinha é que alguém para ser um mestre de Deus não ficaria simplesmente falando, teria que fazer alguma coisa. E essa alguma coisa, conforme está registrado no evangelho de João, são milagres e maravilhas.

Jesus nos deu um exemplo perfeito de como ministrar acrescentando à proclamação do evangelho a realização de sinais e maravilhas. Mateus relata-nos isso do seguinte modo: “Percorria Jesus toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo.” E também: “E percorria Jesus todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades.”

Então Ele deu ordem a seus discípulos para que ministrassem, com esse mesmo enfoque. Ele os enviou com a seguinte instrução: “E, indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus. Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai.”  E Ele enviou os setenta em missão, dizendo: “Curem os doentes que ali houver e digam-lhes: “O Reino de Deus está próximo de vocês.

O evangelho de João registra o que acontece quando a palavra é seguida de atos sobrenaturais: “As palavras que Eu vos digo não as digo por mim mesmo; mas o Pai, que permanece em Mim, faz as suas obras.” Fica claro que nós proclamamos a palavra, e o Pai faz as obras, os milagres!

Na condição de homens e mulheres de Deus que ensinam, temos de exigir de nós mesmos a condição de também fazermos as obras, com poder! E esse fazer implica em estarmos invadindo o que é impossível, com sinais e maravilhas.

Os que ensinam a Bíblia devem instruir de modo a explicar o que eles acabam de fazer, ou o que estão prestes a fazer. Aqueles que se limitam a ficar apenas com as palavras estão limitando o seu dom e, mesmo sem ter a intenção, poderão levar os crentes ao orgulho, decorrente do aumento do conhecimento sem um paralelo crescimento da percepção da presença e do poder de Deus. É nas trincheiras do ministério “com a cara” de Cristo que aprendemos a nos tornar totalmente dependentes de Deus. Adentrando o impossível por confiar em Deus faz com que o orgulho não cresça, e sim desapareça.

UMA EXPERIÊNCIA PESSOAL

Em 1987 fui assistir a uma das conferências de John Wimber com sinais e maravilhas, realizada em Anaheim, Califórnia. Eu saí de lá desencorajado. Tudo o que foi ensinado, inclusive muitas das ilustrações, eu havia também ensinado. O motivo do meu desencorajamento foi o fato de que eles tinham fruto do que acreditavam. Eu tinha apenas uma boa doutrina.

Sempre chega uma hora em que conhecer a verdade simplesmente não mais nos satisfaz. Se a nossa palavra não altera as circunstâncias para o que é bom, será que ela é uma boa palavra? Então passei a fazer um reexame bem sério das minhas prioridades pessoais. Ficou evidente que eu não mais poderia esperar que acontecesse coisas boas simplesmente por crer que elas poderiam acontecer… ou que deveriam acontecer. Havia um fator de risco que eu tinha deixado de considerar. Wimber o chamava de fé. O ensino TEM que ser acompanhado de uma ação que dê condições para que Deus atue.

Tudo começou a mudar imediatamente. Oramos pelas pessoas e vimos milagres acontecerem. Era glorioso, mas não levou muito tempo para descobrirmos que muitos não eram curados. O desencorajamento estabeleceu-se de novo, e a atividade assumindo riscos diminuiu.

Em minha primeira viagem a Toronto, em março de 1995, prometi a Deus que, se Ele tocasse em mim novamente, eu nunca mais me afastaria. Jamais deixaria esse ponto central. Minha promessa significava que eu faria o derramar do Espírito Santo, com plena manifestação dos Seus dons – isso como o único propósito de minha vida. E nunca me desviaria deste chamado, não importando o que acontecesse! O Senhor tocou em mim, e tenho perseguido com afinco este alvo, sem dele desviar-me.

RESISTINDO À INFLUÊNCIA DA NOSSA PRÓPRIA CULTURA

Nossa cultura tem castrado o papel de mestre. É possível cursar uma universidade e formar-se em administração de empresas, sem nunca ter recebido uma aula sequer de alguém que tenha sido proprietário de uma empresa. Valorizamos conceitos e ideias, mais do que a experiência com sucesso. Eu gostaria que isso fosse uma característica apenas das escolas seculares, mas a cultura que valoriza as ideias mais que a experiência tem caracterizado também a maioria de nossas escolas bíblicas, seminários, faculdades de teologia e até denominações. Muitos movimentos dos dias de hoje consideram que estão indo muito bem, apesar de irem por um caminho sem uma experiência real com Deus.

O que é mais triste, ainda, é que aqueles que falam de experiências subjetivas com Deus são considerados suspeitos, e até mesmo perigosos. Mas Deus não pode ser conhecido, a não ser através da experiência pessoal. Randy Clark, que foi quem Deus usou para iniciar o fogo do avivamento de Toronto em 1994, expressa isso do seguinte modo: “Todo aquele que não tem uma experiência com Deus não conhece Deus.” Ele é uma pessoa, não uma filosofia ou um conceito. Chegou a hora de todos os que se tenham encontrado com Deus deixem de ficar diminuindo o testemunho do que fazem, servindo assim ao medo. Temos de despertar o desejo das pessoas para terem mais do mundo sobrenatural. O testemunho tem como despertar esse desejo.

A MANIFESTAÇÃO DO REINO

Quando a equipe do nosso ministério viaja por todo o mundo, agora cremos que certas coisas vão acontecer. Cura, libertação e conversões são o fruto do nosso trabalho. Embora seja um tema pouco frequente de nossas mensagens, a cura é um dos mais frequentes resultados que obtemos. À medida que proclamamos a mensagem do Reino de Deus, as pessoas são saradas. O Pai parece dizer: “Amém!” à sua própria mensagem, ao confirmar com poder a palavra. Pedro sabia disso quando orou para que houvesse ousadia na sua pregação, crendo que a resposta de Deus seria estender a sua mão “para fazer curas, sinais e prodígios, por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus.” Deus prometeu confirmar a nossa mensagem com poder se ela for o evangelho do Seu reino.

PODER VERSUS ORGULHO

Os problemas que hoje enfrentamos não são novos. O apóstolo Paulo preocupou-se muito com a igreja de Corinto, pois eles estavam sendo seduzidos por um evangelho sem poder.

“Não escrevo estas coisas para vos envergonhar; mas admoesto-vos como meus filhos amados. Porque ainda que tivésseis dez mil anos em Cristo, não teríeis, contudo, muitos pais; porque eu pelo evangelho vos gerei em Jesus Cristo. Admoesto-vos, portanto, a que sejais meus imitadores.

Por esta causa vos mandei Timóteo, que é meu filho amado, e fiel no Senhor, o qual vos lembrará os meus caminhos em Cristo, como por toda a parte ensino em cada igreja.

Mas alguns andam ensoberbecidos, como se eu não houvesse de ir ter convosco. Mas em breve irei ter convosco, se o Senhor quiser, e então conhecerei, não as palavras dos que andam ensoberbecidos, mas poder.

Porque o reino de Deus não consiste em palavras, mas em poder.” (1 Coríntios 4:14-20 – SBTB)

Paulo começa contrastando com os pais aqueles que ensinam (aios). Esses mestres que ele menciona eram diferentes em relação aos que Jesus pretendia que a Igreja viesse a ter. Paulo admite que eles poderiam ser crentes, chamando-os de “aios em Cristo”. Mas observemos que logo depois ele os chama de “ensoberbecidos”.

Na presente era pós-denominacional, estamos vendo um movimento de crentes sem precedentes, reunindo-se em torno de homens e mulheres que atuam como pais espirituais. No passado reuníamo-nos em torno de certas verdades, o que levou à formação das denominações. Nelas, a força que une as pessoas evidentemente é um acordo na doutrina e geralmente também em práticas. O ponto fraco existente é que isso não permite muita variedade nem mudanças. Na virada do século vinte, aqueles que tinham recebido o batismo no Espírito Santo com a evidência de falar línguas não eram mais bem-vindos em muitas das igrejas, pois a maioria das denominações mantinham declarações de fé imutáveis, petrificadas.

Mas agora essa atração gravitacional em torno de pais está acontecendo até mesmo dentro das denominações. Nelas o agrupamento dos crentes em diferentes grupos permite divergências em doutrinas não essenciais, sem causar divisão. Muitos consideram este movimento como sendo uma restauração da ordem apostólica de Deus.

A segunda preocupação de Paulo é sobre a condição de orgulho de seus filhos espirituais. Ele deixa isso bem claro ao contrastar a fidelidade com o orgulho, pois ele usa o termo “ensoberbecidos”. Paulo preocupava-se quanto a que eles não fossem enganados ardilosamente pelas teorias de bons oradores públicos.

O carisma pessoal muitas vezes é mais valorizado pela igreja do que a própria unção ou a verdade. Pessoas de carácter duvidoso frequentemente chegam a ter uma posição de liderança na igreja; basta que tenham uma personalidade influente.

Para Paulo isso era, em particular, bastante preocupante. Ele havia dado duro para trazer os coríntios à fé. Sua opção foi a de não os empolgar com tudo que ele sabia. De fato, ele os levou a ter um encontro com o Deus todo-poderoso, que se tornaria a base firme em que eles ancorariam a sua fé. Mas agora os pregadores de sermão tinham entrado em cena. A resposta de Paulo foi enviar-lhes Timóteo, uma pessoa tal como ele mesmo. Eles necessitavam de alguém que os fizesse lembrar de como era o seu pai espiritual. Isso contribuiria para que eles mais facilmente recalibrassem o seu sistema de valores para imitarem pessoas de personalidade mas, ao mesmo tempo, fossem pessoas de poder!

Paulo fez uma impressionante afirmação, esclarecendo a opção correta. Disse ele: “O reino de Deus não consiste em palavras, mas em poder” Na língua original está: “o Reino de Deus não consiste em logos, mas em dynamis”. Aparentemente eles tinham muitos mestres que eram bons no falar muitas palavras, mas que demonstravam ter bem pouco poder. Eles não seguiam o padrão que Jesus lhes havia estabelecido.

Dynamis é o “poder de Deus demonstrado e conferido num derramar do Espírito Santo.” Assim é o reino!

Dois capítulos antes Paulo estabelece como sua prioridade no ministério levar os crentes de Corinto a apoiarem a sua fé no poder (dynamis) de Deus. Aqui ele comenta que os coríntios estariam predispostos a fracassar na fé, caso não ocorresse nenhuma mudança.

Sempre que o povo de Deus passa a preocupar-se com conceitos e posições doutrinárias, em vez de preocupar-se com a expressão da vida e do poder, ele se acha predisposto a cair, não importando quão boas aquelas ideias sejam.

O Cristianismo não é uma filosofia; é um relacionamento. É o encontro com Deus que dá poder aos conceitos. Isso temos que exigir de nós mesmos. Como? Temos de buscá-lo, até o encontrarmos.

PAIS COM PODER VERSUS MESTRES APENAS COM PALAVRAS

PAIS

Estilo de vida: Imitam os pais

Atitude: Humildade

Ministério: Poder

Ponto central: O Reino

MESTRES (Não segundo o exemplo de Cristo)

Estilo de vida: Reúnem-se em torno de ideias (um divisor)

Atitude: Orgulho (soberba)

Ministério: Muitas palavras

Ponto central: Ensinamentos

DEUS É MAIOR QUE O SEU LIVRO

“Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus.”

Nessa passagem Jesus repreendeu os saduceus pela ignorância que eles demonstraram a respeito das Escrituras e do poder de Deus. Sua repreensão aconteceu no contexto de casamento e ressurreição, mas apontava para a ignorância que infestava grandes áreas da vida deles.

Qual era a causa? Eles não permitiam que as Escrituras os levassem a Deus. Eles não compreendiam… na verdade não entendiam nada. A palavra conhecendo, neste versículo, refere-se a uma experiência pessoal. Eles procuravam aprender sem esta experiência. Eram os que mais gastavam tempo estudando a Palavra de Deus. Mas o seu estudo não os levava a ter um encontro com Deus. Tinha se tornado um fim em si mesmo.

O Espírito Santo é o dynamis do céu. Um encontro com Deus muitas vezes é um choque de poderes. Tais encontros variam de pessoa a pessoa, de acordo com o plano de Deus. E é a falta de um choque de poderes que leva as pessoas a uma falsa compreensão de Deus e da Sua Palavra. A experiência é necessária para se construir um verdadeiro conhecimento da Palavra. Muitos são os que têm medo da experiência porque ela talvez os leve para fora das Escrituras. Os erros de alguns têm levado muita gente a ter medo da busca de uma experiência. Mas não é certo deixarmos 0 medo nos afastar da busca de uma experiência mais profunda com Deus! Esse medo nos faz fracassar no outro extremo, que pode ser culturalmente mais aceitável, mas que é significativamente pior em relação à eternidade. Deus age como Lhe agrada. Conquanto Ele seja fiel à Sua Palavra, Ele não deixa de agir de uma determinada forma, simplesmente por não ser de acordo com o nosso entendimento das Escrituras. Por exemplo, Ele é um Deus de amor que aborreceu a Esaú. Ele é Aquele que respeitosamente é tido como um verdadeiro cavalheiro, mas que derrubou Saulo do cavalo e foi quem levantou Ezequiel, puxando-o pelo cabelo. Ele é a brilhante Estrela da manhã, e o Mesmo que Se envolve com trevas. Ele odeia o divórcio, contudo Ele Se divorciou. Esta lista de situações aparentemente conflitantes poderia estender-se muito mais do que poderíamos aguentar. Mas esta tensão que nos coloca numa posição pouco confortável tem o propósito de nos manter honesta e verdadeiramente dependentes do Espírito Santo, para que compreendamos quem é Deus e o que Ele está dizendo através do Seu livro. Deus é tão estranho ao nosso modo de pensar que na verdade somente vemos o que Ele nos mostra; e apenas podemos compreender a Sua Pessoa através de um relacionamento.

A Bíblia é a absoluta Palavra de Deus. Ela revela Deus; revela o que é evidente, o que é inexplicável, o que é misterioso, e às vezes o que é ofensivo. Ela, de capa a capa, revela a grandeza do nosso Deus. Conh1do ela não O contém. Deus é maior do que o Seu livro.

O avivamento é cheio de tais dilemas: Deus fazendo o que nós nunca O vimos fazer – tudo para confirmar ser Ele quem a Sua Palavra diz que Ele é. Ficamos com o conflito em nosso interior de seguir Aquele que não muda, mas que promete fazer algo novo em nós. Tudo se torna ainda mais confuso quando queremos encaixar esse algo novo no molde feito pelas nossas bem-sucedidas experiências do passado.

Não há quem supere bem este desafio. Muitos escondem a sua necessidade para estarem em controle atrás da bandeira de “ficar ancorado na Palavra de Deus”. E; por rejeitarem os que têm opiniões diferentes das suas, eles conseguem proteger-se do desconforto e da mudança pela qual sempre oraram.

UM MAPA RODOVIÁRIO OU UM GUIA DE TURISMO

Um estudo satisfatório das Escrituras põe o poder da revelação ao alcance de quem tenha condições de adquirir urna Concordância de Strong e alguns outros livros de estudo. Dedique tempo, e você aprenderá coisas maravilhosas. Não pretendo desmerecer um estudo regular e disciplinado das Escrituras; nem, com certeza, o uso desses maravilhosos livros de estudo, urna vez que é Deus que nos dá a vontade de aprendermos. Mas, realmente, a Bíblia é um livro fechado. Tudo que eu retirar da Bíblia, sem a ação de Deus em mim, não mudará em nada a minha vida. Ela está fechada para assegurar a minha permanente dependência do Espírito Santo. E é urna busca intensa das Escrituras que agrada o coração de Deus. “A glória de Deus é ocultar certas coisas; tentar descobri-las é a glória dos reis.” Deus tem grande prazer em alimentar aqueles que estão de fato com fome.

O estudo bíblico geralmente é incentivado para que tenhamos normas para a nossa vida. Certamente há princípios que poderão ser classificados numa lista de A a Z. Mas muitas vezes urna abordagem assim transforma a Bíblia num mapa rodoviário. Vivo a minha vida corno se pudesse sempre encontrar o meu próprio entendimento sobre o que o Livro de Deus diz. Creio que essa perspectiva das Escrituras de fato descreve uma vida debaixo da lei, não uma vida debaixo da graça. A vida sob a lei tem a tendência de se valer de urna lista de limites preestabelecidos, e não de um relacionamento. Conquanto tanto a Lei como a Graça têm mandamentos, a Graça traz consigo a capacidade de se obedecer o que é ordenado. Sob a Graça eu não preciso de um mapa rodoviário. Eu fico com um guia turístico – o Espírito Santo. Ele me dirige, me dá revelações, e me reveste de poder para ser e fazer o que a Palavra diz.

Muitos são os conceitos a que a Igreja tem se apegado, desejando manter uma devoção às Escrituras. Mas alguns desses conceitos de fato operam contra o verdadeiro valor da Palavra de Deus. Por exemplo: muitos que rejeitam o mover do Espírito Santo declararam que hoje a Igreja não precisa de sinais e maravilhas porque já o temos na Bíblia. Entretanto, esse ensino contradiz a própria Palavra que ele procura exaltar. Se você desse a dez crentes novos a tarefa de estudar a Bíblia para descobrir qual é o coração de Deus para esta geração, nenhum deles concluiria que os dons espirituais não são para o dia de hoje. Isso é algo que eles somente aceitam se forem ensinados! A doutrina que estabelece que os sinais e maravilhas não são mais necessários porque temos a Bíblia foi criado por pessoas que não tinham visto o poder de Deus, e assim necessitavam de uma explicação que justificasse a condição de suas igrejas estarem desprovidas de poder.

A revelação que não leva a pessoa a ter um encontro com Deus somente serve para tomá-la mais religiosa. A menos que as Escrituras me levem a Ele, somente me torno mais bem preparado para argumentar com aqueles que discordam do meu modo de pensar.

“O conhecimento traz orgulho…” Observe que Paulo não se referiu a um conhecimento antibíblico, ou a um conhecimento carnal. O conhecimento, inclusive o que vem das Escrituras, tem o potencial de nos tornar orgulhosos. Desse modo, como poderei me proteger do orgulho que vem do conhecimento, mesmo quando ele provém da Bíblia? Eu preciso ter a certeza de que esse conhecimento está me levando a Jesus!

O orgulho que vem de se ter apenas o conhecimento bíblico pode causar divisões. Cria o desejo de se ter a própria opinião. “Quem fala por si mesmo está procurando a sua própria glória; mas o que procura a glória de Quem O enviou, esse é verdadeiro, e Nele não há injustiça.” 158 Aqueles que são treinados sem uma revelação que os leve ao Senhor são treinados a falar de si mesmos, para sua própria glória. Esse desvio de se buscar um conhecimento sem ter um encontro com Deus guerreia contra a verdadeira justiça.

Não apenas a justiça sofre; o mesmo se dá com a nossa fé. “Como podeis crer, vós os que aceitais glória uns dos outros e, contudo, não procurais a glória que vem do Deus único?” Esse desejo de glória do homem de algum modo descarta a fé. O coração que teme apenas a Deus – aquele que busca primeiro o reino de Deus e que dá toda honra e glória a Deus – é o coração em que nasce a fé.

A missão do céu é penetrar na terra trazendo as realidades celestiais. Todo ensinamento tem por objetivo levar-nos a este fim, pois o treinamento no Reino não é desprovido de um propósito. Estamos sendo treinados para dirigir os negócios da nossa família. É isso que vamos descobrir no próximo capítulo.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O ÓDIO E O NEVOEIRO

O estado depressivo serve para esconder sentimentos hostis, que na maior parte do tempo permanecem inconscientes

Os sinais aparentes da depressão incluem desânimo, falta de energia, cansaço, desinteresse pelas pessoas e atividades em geral. Nesse estado de ânimo, o sujeito tende a ficar passivo e inativo e, nos casos mais graves, prostrado. Pouco se percebe, no entanto, que subjacente a essas manifestações se encontra um profundo sentimento de ódio. É claro que, em diversos casos, observamos uma alternância entre estados depressivos e súbitas crises de mau humor, com explosões de raiva. Mas a relação entre depressão e ódio nem sempre é evidente. E o principal motivo disso é que o estado depressivo serve justamente para esconder o ódio, que permanece inconsciente durante a maior parte do tempo.

Diversos estudos psicanalíticos dedicaram-se a elucidar essa relação. Os primeiros trabalhos partiram da semelhança entre a depressão e outro quadro clínico, a neurose obsessiva. Até então, pesquisas sobre a histeria tinham demonstrado o papel central ocupado pela repressão da sexualidade na origem das neuroses. Com a extensão das investigações sobre a neurose obsessiva, foi possível perceber não só o lugar central dos conflitos relacionados à sexualidade, mas também dos impasses entre o amor e o ódio. Em um famoso estudo de caso (O homem dos ratos, de 1909), Freud demonstrou que a repressão incidia mais sobre os sentimentos hostis que sobre a sexualidade. O paciente nutria um profundo ódio Inconsciente por seu pai. O sentimento entrava em conflito com o amor que ele também tinha pela figura paterna e era experimentado no plano consciente. Essa contradição deu origem a um grande número de sintomas obsessivos.

Anos depois, percebeu-se uma dinâmica semelhante nos quadros de melancolia, forma grave de depressão. O estado, em geral, é desencadeado por perda marcante: morte de pessoa querida, desilusão amorosa ou projeto pessoal fracassado. São os chamados “objetos”. Sob a forma disfarçada e invertida de violentas autoacusações e autocensura, o sujeito expressa um intenso ódio pelo objeto que foi perdido: o melancólico se sente profundamente traído e abandonado e não consegue superar esses sentimentos. E para onde vai o ódio? Em vez de ser reprimido e deslocado para outros objetos – como no caso da neurose obsessiva – ele é “engolido” pelo sujeito e dirigido para uma parte de si mesmo que passa a cumprir o papel da pessoa odiada. A autodepreciação serve como álibi que disfarça o profundo ódio e rancor em relação ao outro. Nos quadros de ciclotimia, as fases melancólicas se alternam com as maníacas e é nestas – especialmente quando muito exacerbadas – que o ódio aparece sem disfarces: quem estiver na frente do sujeito impedindo seu caminho é atacado sem piedade.

Mesmo quando a depressão não atinge a gravidade de uma melancolia, o ódio também está subjacente, sem necessariamente ser “engolido” da mesma maneira.

A psicanálise compreendeu, ainda, que certa dose de depressão faz parte da vida dos homens, e chamou tal fenômeno de depressividade. Como entender isso? Ora, a coexistência entre amor e ódio faz parte de qualquer relacionamento, assim como da vida. Quando a intensidade do ódio aumenta por algum motivo – frustrações, desapontamentos ou situações desfavoráveis – o amor (pelo outro e por si mesmo) fica ameaçado, e faz-se necessário tomar alguma providência a fim de preservar o objeto. É hora de “fechar para balanço”. Segundo uma bela imagem proposta pelo psicanalista inglês Donald Winnicott {1896-1971), é como se durante esses estados o psiquismo fosse tomado por um intenso nevoeiro: todos os movimentos são praticamente interrompidos, até que possamos ver as coisas mais claramente. É o estado depressivo. Após um período de “digestão psíquica” da situação de conflito, atingimos um novo rearranjo interno das forças de amor e ódio; a névoa aos poucos começa a se dissipar e voltamos ao ritmo cotidiano. O processo, parcialmente inconsciente, integra o amadurecimento psíquico de todos nós. Após experiências depressivas, que se repetem diversas vezes ao longo da vida, saímos mais fortalecidos e confiantes, apesar da dor.

O problema é que, em alguns casos, paralisamos no meio do caminho e não vemos mais a luz no fim do túnel. Aí a depressividade se torna uma depressão instalada, e um fenômeno humano e universal ganha características patológicas. O “xis” da questão que diversas pesquisas tentam elucidar é: por que algumas pessoas, em determinados momentos, não conseguem ser bem-sucedidas em sua travessia? Bem, é nesses momentos que necessitamos da ajuda do outro.

OUTROS OLHARES

ERA SÓ FUMAÇA?

As abruptas oscilações no valor de ações do mercado da erva, especialmente a medicinal, são típicas de um negócio incipiente e sujeito a reviravoltas

A maconha tem dado um barato danado ao mercado financeiro. Desde 2015, quando empresas dos Estados Unidos e Canadá abriram negócios atrelados ao uso medicinal da cannabis, mas também ao consumo recreativo, as ações subiram e desceram (veja o quadro abaixo) ao sabor do vento alimentado pela briga política que envolve a liberação da droga e movimenta qualquer sociedade — mesmo nas franjas mais liberais da América do Norte. Tome-se como exemplo do susto, de expansão e queda, a farmacêutica canadense Tilray, listada na Nasdaq de Nova York. Entre julho e setembro de 2018, seus papéis valorizaram-se 500%, e a companhia teve o valor de mercado equiparado ao de gigantes tradicionais como a American Airlines. Passada a euforia, veio a depressão — no mesmo setembro de 2018, num intervalo de apenas três dias, houve encolhimento de 65%. Desde então, a Tilray vem descendo a ladeira. É o caso de perguntar: era então apenas fumaça? Ainda é cedo para certezas absolutas.

A volatilidade da cannabis, a acelerada esperança de bons negócios seguida de rapidíssima descrença, é parte do vaivém típico de novas oportunidades. O empresário canadense Brad Poulos, professor de finanças e empreendedorismo da Universidade de Ryerson (Canadá), arguto especialista no ramo, identificou no primeiro semestre de 2019 acelerada fuga de capitais das companhias de ervas. “Os acionistas ficaram decepcionados”, diz Poulos. Para Viviane Sedola, brasileira que criou uma plataforma digital, a Dr. Cannabis, voltada para o comércio da droga a serviço da saúde, “o investidor está interessado, mas a parte regulatória é incerta, o que o deixa receoso”.

Não é o fim do mundo, e a curva de ganhos pode empinar de novo, porque a legalização da maconha é fato ainda muito recente, em construção. Quando se medem os próximos passos, com base em estimativas, há entusiasmo. A primeira produtora de cannabis a abrir o capital, em julho de 2016, foi a canadense Canopy. É a empresa mais valiosa do setor, avaliada em 7,5 bilhões de dólares (veja o quadro abaixo). Até 2025, a indústria global colada ao canabidiol, a substância mais usada nos medicamentos, deve movimentar 166 bilhões de dólares ao ano. Além do Canadá e dos Estados Unidos, país em que há legislação diferente em cada estado, há claros indícios de autorização em outras plagas, inclusive no Brasil. Hoje, o plantio é proibido mesmo para uso medicinal, mas quem não consegue arcar com os milhares de reais necessários para a importação vem recorrendo à Justiça. Já houve pelo menos trinta casos em que famílias foram autorizadas a plantar maconha em casa. Estima-se que o mercado brasileiro de maconha medicinal possa alcançar 4,7 bilhões de reais ao ano, quando (e se) ele for legal.

GESTÃO E CARREIRA

UM BRINDE AO CAFEZINHO CORPORATIVO

A flexibilização do trabalho aumentou a necessidade de o escritório ser um lugar capaz de promover conexões. Mas, afinal, como fazer isso?

Democratização da tecnologia, hiperconectividade e chegada dos millennials ao mercado. Eis alguns dos pontos que alteraram as relações corporativas. Se por um lado as organizações têm grandes expectativas em relação aos seus funcionários, esses também estão mais exigentes. Flexibilidade na rotina, transparência nos processos e espaços menos hierarquizados são características em expansão. Um cafezinho no meio do expediente ganha ainda mais protagonismo no momento em que as relações humanas se tornam tão importantes. Abaixo, o novo papel do café em meio a três tendências consolidadas.

VALORIZAÇÃO DOS ESCRITÓRIOS

Em tempos de home office, a importância do espaço físico aumenta. “Relações humanas são essenciais. Por isso, os escritórios são mais aconchegantes para auxiliar em conexões mais autênticas”, analisa Mareia Bertolini, gerente de Recursos Humanos da Nespresso Brasil. Em uma pesquisa global conduzida pela marca, 82% dos funcionários administrativos consideram que as interações cara a cara são cruciais para criar boas relações. Ausência de baias, mesas não designadas e espaços de descanso são alguns destaques da nova arquitetura dos ambientes. Nela, não pode faltar o “cantinho do café”, um importante aliado à produtividade da empresa. Se bem pensada, a hora do cafezinho vai além da descontração e promove um elo de conexões significativas entre todos os colaboradores da empresa, promovendo um ambiente de confiança e facilitando as trocas de ideias e geração de insights.

QUALIDADE DE VIDA

De acordo com o LinkedIn, 78% das vagas divulgadas na rede social, nos últimos dois anos, mencionaram flexibilidade no trabalho. “O avanço da tecnologia vem permitindo o trabalho remoto – não apenas na condição de home office, mas conectando funcionários ao redor do mundo. Isso propicia um ambiente multicultural e mentes “mais abertas”, pontua Paulo Sardinha, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos. O grande desafio é garantir que, em meio a tantas flexibilizações, o ambiente de trabalho seja atrativo e o momento de interação seja produtivo.

MAIS TECNOLOGIA E MAIS HUMANIDADE

Tarefas técnicas automatizadas aumentam a importância do estímulo das relações humanas no trabalho. Um estudo do LinkedIn aponta que as habilidades comportamentais ganham espaço nas corporações. “A convivência baseada em respeito, ética e confiança irá evidenciar o quanto uma empresa está na vanguarda”, diz Paulo. Por isso, respeitar o gosto pessoal dos funcionários e oferecer ferramentas para que as pessoas se sintam bem se tornam medidas fundamentais.

É HORA DO CAFÉ!

A pausa para o consumo da bebida sempre fez parte da rotina dos brasileiros. No trabalho, o momento do café é tão importante quanto seus benefícios – afinal, a bebida auxilia na concentração e disposição. “O café conecta pessoas. Não à toa, a área designada a ele nas empresas ganhou relevância. Mais aconchegante e com oferta de produtos de qualidade, o espaço gera encontros e conversas significativas, de maneira autêntica”, conta Mareia Bertolini. Seja qual for seu estilo de trabalho e as tecnologias disponíveis, procure investir nas relações humanas e repense seu momento do cafezinho para que ele seja um momento produtivo e com ainda mais significado para sua empresa.

ALIMENTO DIÁRIO

QUANDO O CÉU INVADE A TERRA

CAPÍTULO 7 – A UNÇÃO E O ESPÍRITO DE ANTICRISTO

Cristo não é o sobrenome de Jesus. A palavra Cristo significa “Ungidoou “Messias”. É um título que faz alusão a uma experiência. Não seria suficiente se Jesus tivesse sido enviado do céu a terra com um título. Ele teve que receber a unção numa experiência para poder realizar o desejo do Pai.

A palavra unção vem de “ungir”, isto é, aplicar óleo. O Espírito Santo é o óleo de Deus que foi aplicado totalmente sobre Jesus durante o seu batismo nas águas. O nome Jesus Cristo implica em que Jesus é Aquele que foi ungido pelo Espírito Santo. Mas há um outro espírito que, em todas as eras, tem ficado na espreita para atacar a Igreja. Esse poder foi identificado pelo apóstolo João, quando disse: “Também, agora, muitos anticristos têm surgido.” A natureza do anticristo está contida nesse nome: anti: contra; Cristo: o Ungido.

Jesus em Sua vida neste mundo teve as limitações humanas. Ele deixou de lado a Sua divindade quando se dispôs a cumprir o encargo que Lhe fora dado pelo Pai: viver corno homem, sem pecado, e morrer em lugar da humanidade, pagando o preço do pecado. Isso seria fundamental em Seu plano para a redenção da humanidade. O sacrifício que poderia expiar o pecado tinha que ser de um cordeiro (inofensivo), e tinha que ser perfeito (sem pecado).

A unção recebida por Jesus, dada pelo Pai, foi o que O capacitou a viver além das limitações humanas. Pois ele tinha o propósito não apenas de redimir o homem, mas também de revelar o Pai. Para cumprir esses objetivos Ele teria que revelar o mundo espiritual, onde Deus habita, chamado céu. Para isso Ele teria que realizar atos sobrenaturais. A unção foi o que ligou Jesus, homem, ao Divino, possibilitando-o a destruir as obras do diabo. Seus atos milagrosos foram o ponto de partida do poder que os homens redimidos herdariam. O céu – a esfera do sobrenatural – tornar-se-ia o pão de cada dia da humanidade. A realidade do reino do céu no presente, e não apenas a futura, foi declarada por Jesus quando disse: “O Reino de Deus está próximo de vocês.” Isso significa que o céu não é apenas o nosso destino final, mas também uma realidade presente, que está próxima de nós, ao nosso alcance.

A UNÇÃO QUE É NECESSÁRIA

Para cumprir Sua missão, Jesus precisava do Espírito Santo; e sua missão, com todos os seus objetivos, era consumar a obra do Pai. Se o Filho de Deus se fez dependente da unção, isso deixa claro que nós também temos necessidade da presença do Espírito Santo sobre nós, para fazermos a obra para a qual Deus nos chamou. Vamos voltar a esse ponto, de um modo mais abrangente, num capítulo posterior. Por ora, é vital que compreendamos a necessidade de estarmos revestidos com o Espírito Santo para termos um ministério sobrenatural. No Antigo Testamento era a unção que qualificava o sacerdote para o seu ministério. Conforme o exemplo de Jesus, para o ministério no Novo Testamento também é necessária a unção do Espírito; a unção produz frutos sobrenaturais.

Foi a unção que deu condições para que Jesus fizesse somente o que Ele via o Pai fazer e dissesse somente o que Ele ouvia o Pai dizer. Era o Espírito Santo que revelava o Pai para Jesus.

Tendo em vista todo o sentido contido na palavra que é o nome do Senhor, isto é, na palavra “Jesus”, não seria de se esperar que deveria ser chamado de” Anti-Jesus” (em vez de” Anti-Cristo”) todo aquele que quisesse ir contra a sua obra de salvação? Até mesmo seitas religiosas reconhecem e respeitam Jesus, homem. No mínimo O consideram como mestre, ou como profeta, e possivelmente como “um” filho de Deus. Este terrível erro esclarece-nos por que a palavra anticristo foi usada para referir-se ao espírito de oposição. Os espíritos do inferno estão em guerra contra a unção, pois sem ela os homens não representam ameaça alguma para o seu império.

Jesus foi aplaudido por tudo o que fez em prol da humanidade. Sua humildade foi respeitada, mas foi a unção sobre Ele que Lhe permitiu agir na esfera sobrenatural. E foi precisamente a invasão sobrenatural do próprio Deus que foi alvo da rejeição dos líderes religiosos.

Esta unção é, na verdade, a pessoa do Espírito Santo atuando sobre uma pessoa para capacitá-la a realizar obras sobrenaturais. Tão honrado é o Espírito na Divindade que Jesus disse: “Se alguém proferir alguma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á isso perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será isso perdoado, nem neste mundo nem no porvir.”

MINISTÉRIO DE PODER

Foi o ministério no poder do Espírito Santo que fez com que as pessoas deixassem tudo para seguir Jesus. Eram atraídas pelo sobrenatural, tanto pelas palavras como pelos atos realizados. As palavras de Jesus entravam profundamente no coração dos homens, e suas obras revelavam o coração do Pai. A unção do Espírito Santo sempre transformava a vida dos humildes. Mas foi também o ministério no poder do Espírito Santo que atingiu os orgulhosos, o que resultou na crucificação de Jesus. O mesmo sol que derrete o gelo endurece o barro. Semelhantemente, a obra de Deus pode produzir dois efeitos diametralmente opostos, dependendo de como é o coração das pessoas. Deus é nosso Pai, e herdamos assim o seu código genético. Todo crente tem, registrado no seu DNA espiritual, o desejo de agir no sobrenatural. É um senso quanto ao nosso destino, que se acha predeterminado em nós. Essa paixão gerada por Deus desvanece-se totalmente quando há um ensino e um argumento em contrário, quando não é exercida, ou quando é enterrada como resultado de um desapontamento.

O espírito de anticristo está operando nos dias de hoje, procurando fazer com que os crentes rejeitem tudo o que tem a ver com a unção do Espírito Santo. Essa rejeição assume muitas e diferentes formas, mas basicamente se resume no seguinte: rejeitamos o que não podemos controlar. Esse espírito de anticristo tem trabalhado para reduzir o evangelho a uma mensagem meramente intelectual, em vez de propiciar um encontro sobrenatural com Deus. Tal mensagem somente tolera a menção de poder quando se trata.de um poder exercido apenas no passado. Por vezes chega a admitir que o poder hoje se destina às pessoas que se encontram em lugares bem distantes de nós. Mas esse espírito maligno não admite nunca que o poder de Deus acha-se disponível aqui e agora. O espírito de controle trabalha contra uma característica humana que está entre as preferidas por Deus: a fé. A confiança fica fora de base, quando é firmada na capacidade do raciocínio humano.

É o espírito de anticristo que tem permitido uma ação mais intensa por parte dos espíritos religiosos. Um espírito religioso é uma presença demoníaca que trabalha para que, em vez de sermos dirigidos pelo Espírito de Deus, sejamos guiados pelo nosso próprio intelecto. Ser dirigido pelo Espírito Santo é ter um encontro permanente com Deus. A religião transforma conceitos em ídolos, e elimina toda experiência pessoal. Ela opera para que louvemos as realizações do passado às custas de quaisquer atividades de Deus para o presente, em nossa vida. Esse espírito muitas vezes alimenta-se de reminiscências de avivamentos do passado. Sua tática preferida é solidificar ensinamentos aprendidos de movimentos anteriores do Espírito. Por exemplo, ele valoriza as lágrimas e despreza o riso. Isso soa como uma idolatria, não é?… Pode-se detectar a ação desse espírito de oposição em tudo o que toma o lugar de se depender do Espírito Santo e do Seu poder.

A REALIDADE ALÉM DA RAZÃO

Agir de acordo com a unção (de acordo com o Espírito Santo) é bastante semelhante ao que no deserto fazia o povo de Israel, que se movia guiado pela nuvem da presença de Deus. Os israelitas não tinham controle algum sobre o mover daquela nuvem pelo SENHOR. Ele liderava, e o povo o seguia. Por onde quer que Ele ia, atos sobrenaturais aconteciam. Mas, se eles se afastassem daquela nuvem, os milagres que os sustentavam não mais ocorreriam. Dá para você imaginar o que teria acontecido se os nossos teólogos que não são guiados pela fé estivessem lá? Eles teriam criado novas doutrinas explicando por que o ministério sobrenatural que os tinha tirado do Egito não se fazia mais necessário para levá-los à Terra Prometida. Afinal de contas, eles tinham agora as tábuas da lei. Então, como ocorre atualmente, a questão é de fato qual é a prioridade que damos à presença do Espírito. Quando dela não nos desviamos, o que é sobrenatural ocorre em profusão. Quando, porém, dela nos afastamos, temos que inventar novas doutrinas que justifiquem por que está tudo bem do jeito que está.

Em palavras do Novo Testamento, ser um povo que dá prioridade à presença do Espírito Santo significa desejar viver além da razão, além do que é racional; e isso não de uma maneira impulsiva ou insensata, uma vez que ações impulsivas ou insensatas são pobres imitações da verdadeira fé. A realidade que existe além da razão é o mundo da obediência a Deus. A obediência é a expressão da fé, e a fé é o nosso bilhete de ingresso para o domínio de Deus. Por estranho que pareça, quando priorizamos a Sua presença, isso faz com que nos tornemos tal como o vento, que é também da natureza do Espírito Santo. Sua natureza é de pleno poder e de plena retidão, mas para onde Ele vai não pode ficar sob controle. Ele é imprevisível.

Como líderes de igreja, isso que acabo de dizer nos atinge em nosso ponto mais fraco. Na maioria das igrejas, bem pouco do que fazemos é feito pela direção do Espírito Santo. Se Ele não se dispusesse a aparecer, as igrejas, em sua maioria, talvez nem sentissem a sua falta. Billy Graham tem o crédito da seguinte declaração: “Noventa e cinco por cento das atividades das igrejas de hoje continuariam se o Espírito Santo fosse retirado de nós. Na Igreja primitiva, noventa e cinco por cento de suas atividades teriam sido interrompidas se o Espírito tivesse sido retirado.” Concordo com isso plenamente. Nós planejamos o culto, e dizemos que estamos tendo zelo. Fazemos a nossa programação anual, e a chamamos de visão. Nunca vou esquecer o dia em que o Senhor me informou que o culto não era meu, e que eu não poderia fazer do jeito que eu quisesse. (Planejar é bíblico, mas a nossa diligência e a nossa visão não devem nunca chegar ao ponto de usurpar a autoridade do Espírito Santo. O Senhorio de Jesus é visto através da nossa disposição para seguir a direção do Espírito. Ele quer de volta a direção da Sua Igreja!) Mas como seguir o Espírito Santo, se não reconhecemos a Sua presença?

Quanto mais evidente a Sua presença, mais inauditas tornam-se as manifestações do nosso Deus. Embora sejam importantes as manifestações que presenciamos, é pelo próprio Deus que ansiamos.

ELE SABIA QUE NOS COLOCARIA NUMA SITUAÇÃO INCÔMODA

É difícil para a maioria de nós seguir a liderança do Espírito Santo, porque somos muito limitados em nossa experiência com Ele. Os crentes, em sua maioria, O conhecem apenas como Aquele que convence do pecado e que nos conforta quando estamos com muitos problemas. O que resulta disso é que não nos habituamos a reconhecer a real presença do Espírito Santo. Conhecemos apenas uma pequena lista de manifestações que ocorrem quando Ele está presente e que consideramos aceitáveis, como por exemplo lágrimas, ou eventualmente um senso de paz quando o nosso cântico preferido está sendo cantado. Mas são poucos os que O reconhecem, independentemente de qualquer manifestação. E, o que é pior, muitos deliberadamente O rejeitam porque ou Ele se apresenta de um modo que não lhes é familiar, ou porque Ele não vem como costumava vir no passado. (Veja a arrogância dos que automaticamente rejeitam o que não compreendem, ou por não o terem encontrado na Bíblia. Nessa postura está implícito o pensamento de que, se Deus não fez aquilo nem o mostrou primeiramente para eles, então Ele não teria como fazê-lo para ninguém mais.)

Embora possivelmente sejam poucos que o admitam, o pensamento predominante na Igreja dos dias de hoje tem sido: “Se me sinto confortável com alguma coisa, com certeza ela provém de Deus.” Essa postura deu margem ao surgimento de muitos cães de guarda, que se colocaram por si mesmos nessa condição, e que têm envenenado a Igreja com os seus temores. Em vez de terem fome de Deus, ficam tendo medo de serem enganados. Em que devemos acreditar mais: na possibilidade de sermos enganados ou na capacidade de Deus para proteger-nos? E por que será que Ele nos deu o Consolador?

Ele sabia que o seu modo de agir nos colocaria numa situação incômoda.

QUAL É O SEU CONCEITO DE “EQUILÍBRIO”?

Medo de ser enganado é o que tem aberto a porta para um amplo, mas trágico, posicionamento dentro da Igreja. Seu postulado é que, pelo fato de termos a Bíblia, ficaremos emocionalmente desequilibrados e em perigo de sermos enganados se buscarmos experiências pessoais com Deus que toquem em nossos sentimentos. Tais temores fazem com que os crentes fiquem polarizados – o medo separa e indispõe as pessoas, umas das outras. Este é o quadro que muitos pintam: de um lado temos as pessoas que são equilibradas, que estimam a Bíblia como a Palavra de Deus; e do outro acham-se pessoas desequilibradas, que vão atrás de experiências esotéricas e espirituais com Deus. Será que esta colocação é realmente bíblica? Jesus fez uma afirmação surpreendente com respeito àqueles que se firmam na dicotomia entre o estudo bíblico e a experiência: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim”.

Se o nosso estudo da Bíblia não nos leva a um relacionamento mais profundo (um encontro) com Deus, então o nosso estudo apenas reforça a nossa tendência para o orgulho espiritual. Ampliamos o nosso conhecimento da Bíblia para nos sentirmos bem em nossa posição perante Deus, e para nos equiparmos melhor para argumentar com aqueles que discordam de nós. Todo grupo que se propõe a defender uma doutrina está propenso a ser atingido por esta tentação e ficar sem ter um encontro com Deus. Considere todas as possíveis consequências deste pensamento: aqueles que, à primeira vista parecem estar sob controle podem, de fato, estar fora de controle – fora do controle de Deus! E muitos dos que são acusados de serem membros de um clube do tipo “Me Abençoa” podem dar um real testemunho do toque de Deus em sua vida, que a transformou completamente e para sempre. Eles se tornam biblicamente muito mais equilibrados.

Jesus não disse: “Minhas ovelhas conhecerão o meu livro”. É a sua voz que temos que conhecer. Por que distinguir essas duas coisas? Porque qualquer um pode conhecer a Bíblia como um livro – até mesmo o diabo conhece e cita as Escrituras. Mas somente aqueles cuja vida é dependente da pessoa do Espírito Santo é que vão reconhecer de fato a voz do Senhor. Com isso não quero dizer que a Bíblia tem pouca ou nenhuma importância. Muito pelo contrário! A Bíblia é a Palavra de Deus, e a Voz do Espírito sempre será confirmada por ela. Essa voz causa um impacto ao que está impresso. Temos de estudar diligentemente as Escrituras, lembrando que é por conhecer o Senhor que as maiores verdades da Palavra escrita serão compreendidas.

Na unção que atualmente está sendo derramada sobre a Igreja, Deus está tratando especificamente dessa necessidade. Estamos sendo saturados com a Sua presença para que aprendamos a ouvir a Sua voz. À medida que Ele nos esclarece acerca da sua Palavra, tornamo-nos mais dependentes Dele. As pessoas uma vez mais estão se voltando para o maior dom já recebido: o próprio Deus. Embora a unção muitas vezes seja considerada como um estado, ela é na verdade uma Pessoa, o Espírito Santo.

À medida que o Espírito nos acolhe de novo, ele reina sobre nós, Seu povo. Ele trabalha para restabelecer um parâmetro mais bíblico para a vida cristã. Essa assustadora mudança é para melhor. Podemos e devemos conhecer o Deus da Bíblia por experiência própria. O apóstolo Paulo expressou isso da seguinte forma: “Conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus”. Você sabe o que é que excede todo o entendimento? É conhecer o amor de Cristo. E Jesus prometeu: “Aquele que Me ama será amado por Meu Pai, e Eu também o amarei e Me manifestarei a ele.” 129 E observe o resultado, nas palavras de Paulo acima: “Para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus”. Que galardão!

O QUE PRETENDE O ESPÍRITO DE ANTICRISTO

O espírito de anticristo tem por objetivo, em relação à Igreja, que ela aceite Jesus, mas sem a unção do Espírito Santo. Sem esta unção, Jesus torna-se uma personagem religiosa fora de perigo que por certo não nos desafiará nem nos ofenderá. Paulo descreveu essa possibilidade de engano do seguinte modo: “tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder. Afaste-se desses também”.

Como é que as pessoas que amam a Deus podem se sentir ofendidas pela unção do Espírito Santo?

1. Ele se move como o vento – fora do nosso controle.

2. Seus pensamentos são bem diferentes dos nossos. A Escritura afirma que a nossa lógica e a Dele não apenas são diferentes, mas sim opostas entre si. Sejamos honestos: são dois mundos à parte, um do outro!

3. Ele se recusa a ficar impedido de agir pela limitação do nosso entendimento da Palavra.

Toda vez que seguimos a direção do Espírito Santo, afrontamos espírito de anticristo. Embora a tolice de alguns, que se dizem guiado pelo Espírito, tem dificultado que se leve a cabo essa empreitada, nós porém, temos plena certeza de que seremos bem sucedidos, s verdadeiramente este for o nosso ardente desejo. Nosso Deus jamais dar uma pedra a quem lhe pedir um pão.

A UNÇÃO DE MESTRE

Se o Espírito Santo é o poder que está por trás do dom de mestre como deve ser esse dom? Que tipo de modelo Jesus proveu para est ministério em particular?

No próximo capítulo vamos examinar o papel que o mestre tem, exercer e como se dá a sua parceria com o Espírito Santo.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CHOCOLATE AMARGO CONTRA ALZHEIMER

Uma substância chamada epicatequina, presente no cacau, parece proteger o cérebro de lesões em casos de acidente vascular cerebral e de doenças neurodegenerativas associadas à demência

Para alegria de quem é adepto dos prazeres do chocolate a neurociência tem oferecido boas notícias. Pesquisas realizadas nos últimos anos mostraram que o alimento ajuda a combater o estresse e a depressão. Agora, um estudo mais recente indica que a guloseima pode proteger o cérebro também contra lesões causadas por derrame. Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, descobriram que uma substância presente apenas no chocolate amargo (não na versão tradicional ou branca) estimula um tipo de atividade celular que resguarda os neurônios dos danos causados por acidente vascular cerebral (AVC).

No estudo realizado em camundongos e publicado no Journal of Cerebral Blood Flow and Metabolism, 90 minutos depois de administrarem uma pequena dose de epicatequina – nutriente encontrado no cacau –, os cientistas induziram um derrame isquêmico por meio da interrupção da irrigação sanguínea no cérebro dos animais. O resultado foi um número significativamente menor de lesões do tecido cerebral em comparação às dos roedores que passaram pelo mesmo procedimento, mas sem ter recebido a dose do composto.

O interesse científico pela epicatequina surgiu com pesquisas feitas entre os índios kuna, que vivem em ilhas na costa do Panamá. A incidência de acidentes vasculares nessa população é muito baixa, o que é atribuído ao alto consumo de uma bebida escura e amarga feita à base de cacau. Posteriormente, estudos in vitro mostraram que a epicatequina não protege diretamente as células contra lesões, mas seus metabólitos parecem ativar vias bioquímicas que fazem com que as células aumentem suas próprias defesas.

O que tem surpreendido os pesquisadores é o fato de esse efeito ocorrer em resposta a doses muito baixas da substância. Os autores alertam, porém, que os dados obtidos até agora não autorizam o consumo exagerado de chocolate amargo, que, aliás, é rico em gordura saturada. Segundo eles, as evidências abrem boas perspectivas para o desenvolvimento de uma nova droga potencialmente útil para combater doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e outros tipos de demência.

OUTROS OLHARES

REVOLUÇÃO NA CIRURGIA CARDÍACA

Médico brasileiro Diego Gaia cria solução inédita unindo o stent e a válvula transcateter e torna intervenções mais seguras

Se fizesse uma cirurgia cardíaca convencional, dona Sebastiana Mendleta de Colmán, 65 anos, teria 40% de possibilidade de morrer. Diante do alto risco, ela procurou uma equipe médica que tratasse, por cateterismo, seus problemas no coração. Deu certo. O avanço científico alcançado, realizado sob o regulamento experimental, aconteceu no hospital de Assunção, no Paraguai. Depois de seis meses de planejamento e mais de seis horas e trinta minutos de cirurgia, a idosa voltou a ter um coração batendo em frequência normal. A descoberta da solução que salvou Sebastiana coube ao médico Diego Gaia, cirurgião e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que teve a ideia de unir duas tecnologias existentes, criando um novo material e um inédito procedimento cirúrgico, que altera, de maneira revolucionária, a clássica cirurgia.

Os dois materiais que deram origem à inovadora prótese cardíaca, unindo o stent e a válvula transcateter, permitiram algo essencial: a paciente não precisou ter o peito aberto para ser salva. “Foi a primeira vez no mundo que pode ser feito um procedimento como esse, por cateterismo. Para concertar a válvula e a aorta, que é o vaso que saí do coração levando o sangue para os outros órgãos do corpo, tínhamos de abrir o tórax e parar o coração, para poder fazer essa correção e a substituição”, explica Gaia. O fato de não precisar abrir o peito do doente como numa cirurgia Bentall, a convencional, permite benefícios durante e depois da operação. “Expor o coração, conectar esse órgão a uma maquina que faz a circulação do sangue, enquanto a gente opera, significa uma cirurgia longa, com um corte grande, com tempo de recuperação demorado. Existem aspectos técnicos que até impedem que alguns pacientes possam ser operados”.

O novo método, procedimento batizado de Endobentall, consiste em introduzir, pela artéria femoral, um cateter que viaja pelo corpo até chegar dentro do coração. Depois, o médico implanta a válvula acoplada a um stent, permitindo a resolução de dois males que levam ao óbito. Esses pacientes têm dois problemas concomitantes, uma válvula que não abre, ou seja, uma resistência à saída do sangue do coração, e uma dilatação da aorta, que pode se romper. O doente pode vir a morrer por causa desse rompimento. Esses problemas são relativamente frequentes na população, por isso, o impacto altamente positivo dessa cirurgia. A nova ferramenta tecnológica cardíaca é composta de duas partes: uma armação flexível de fio de nitinol, uma liga de titânio envolta em poliéster e que, por isso, pode ser colocada dentro da cânula. Já a parte móvel da prótese, que é a válvula, foi constituída de pericárdio bovino, que é a membrana que envolve o coração do boi. Esse material é retirado do animal e passa por um tratamento fabril que permite sua utilização em humanos.

SOLUÇÃO ORIGINAL

O minucioso planejamento para concepção de produto final envolveu o trabalho de engenheiros da empresa Braile Biomédica, da cidade paulista de São José do Rio Preto. O protótipo foi desenhado especificamente para a paciente. Os testes foram feitos tendo como base o coração de Sebastiana copiado e impresso em 3D. Considerando o impacto histórico, os seis meses, tempo que levou desde a ideia até a prótese pronta, pode ser considerado curto. Um material cirúrgico adequado ao órgão do paciente diminui sensivelmente o risco de complicações.

O critério usado nesse caso, para que Sebastiana tivesse acesso ao tratamento, é o chamado compassivo, quando o doente não tem alternativa, já que não pode passar por procedimentos conhecidos. Dessa forma, as agências regulatórias e o paciente concordam em usar um tipo de procedimento incipiente, experimental. A Braile Biomédica doou a prótese. E a originalidade da solução de Gaia ganhou o mundo. Esse ano o procedimento foi premiado num congresso de cardiologia realizado em Paris e está selecionado para ser apresentado como melhor trabalho do ano numa conferência em Londres, em novembro. A partir de agora a nova técnica poderá beneficiar milhares de pessoas com complicações cardíacas e reduzir sensivelmente os índices de mortalidade nas cirurgias.

GESTÃO E CARREIRA

A UNIVERSIDADE DA DISRUPÇÃO

A Singularity University, escola de inovação do Vale do Silício, terá campus em São Paulo com uma questão-chave: Até os pessimistas vão se render ao otimismo com o futuro que os seus professores ensinam?

Já foi dito que, mais do que um lugar, o Vale do Silício é um estado mental, uma forma de abordar os negócios e as inovações. A criatividade que permeia as startups e invenções que tornaram a região da Califórnia famosa no mundo todo tem relação com as empresas fundadas lá, como Google, Apple, HP, Facebook, Intel, Netflix e Tesla. Mas talvez elas nem existiriam se não fosse pela forte cultura educacional da região, ilustrada pela tradicional Universidade Stanford, de 134 anos.

A grande novidade de ensino da última década, no entanto, responde pelo nome de Singularity University e tem uma história muito mais recente. Localizada dentro do Parque de Pesquisas da Nasa, em Santa Clara (próxima da Stanford e da sede do Google), ela surgiu em 2009 da cabeça de dois visionários nova-iorquinos. São eles o engenheiro, médico e físico Peter Diamandis, conhecido por criar o prêmio de exploração espacial da Fundação X Prize, e o diretor de engenharia do Google, inventor e futurista Ray Kurzweil, que causou polêmica mundial em 2002, quando revelou que o seu objetivo era não morrer e que imaginava que isso seria possível.

A abordagem vanguardista da nova instituição conquistou pessoas de negócios de todo o mundo. Mas, para os brasileiros, virou um verdadeiro frenesi. A empreendedores e principais executivos do País, parece que não existe nada melhor para entrar no estado de espírito que representa o Vale do Silício do que cursar a Singularity. Um exemplo é o da Dasa, grupo de laboratórios diagnósticos dono do Delboni Auriemo e do Lavoisier. Dez executivos, incluindo o CEO e sócio, Pedro Bueno, e dois conselheiros, Alexandre de Barros e Romeu Domingues, cursaram por quatro dias o programa de Medicina Exponencial, na Singularity, num investimento feito pela empresa há três anos. “Depois do curso, demos uma acelerada no processo de inovação na empresa, e avançamos na implementação de Inteligência Artificial e na pesquisa de usos de 3D, realidade aumentada e robótica”, afirma Domingues, presidente do conselho de administração da Dasa.

Em 10 anos, mais de 1 mil brasileiros se dirigiram à Califórnia para realizar seus cursos, como o Programa de Soluções Globais (rebatizado no ano passado como Programa de Startups Globais) e o Programa Executivo, que podem custar US$ 20 mil, por seis semanas de aulas presenciais. Thomas Kriese, vice-presidente da Singularity, diz que fora dos Estados Unidos, o Brasil tem a maior representação de alunos. “Os brasileiros participavam do curso e depois convenciam os amigos”, afirma. “Chegou ao ponto de precisarmos limitar o número de brasileiros por classe. Eles gostavam do conteúdo, mas sentiam que estavam no Brasil e que o curso deveria ser algo mais multicultural.”

PARCERIA COM HSM

A partir de 2020, isso não será mais uma preocupação. A Singularity está chegando ao Brasil. Mais especificamente a São Paulo, com expectativas de ter a primeira turma no início do próximo ano. Em parceria com a HSM, do grupo Ânima Educação, ela finaliza a escolha de um local para o campus. “Se não chegarmos a 16 mil alunos brasileiros, sentirei que fracassei no meu plano de trazer o programa ao País”, afirma Kriese. “Tornando o conteúdo disponível em português e no Brasil, podemos chegar não só ao topo executivo das empresas, mas também atingir os empreendedores e a gerência média de grandes organizações.”

Na sexta-feira 4, deve ser finalizada a certificação do corpo docente brasileiro, que deve incluir 15 nomes dentre mais de 100 pessoas avaliadas, segundo Guilherme Soárez, vice-presidente de crescimento e educação continuada da Ânima Educação. Esse processo foi realizado em três fases, com visitas à sede da Singularity, aulas on-line sobre a sua história, treinamentos de apresentação em público e análise de projetos e de palestras dos candidatos. “Buscamos pessoas que realizaram algo. Não basta ter aprendido por um vídeo na internet e contar a história dos outros”, afirma Soárez. “Pode ser um executivo, um empreendedor ou um pesquisador de ponta. Mas é necessário ter também muito boas habilidades de comunicação, capacidade de passar mensagens de forma inspiracional e de levar as pessoas da plateia à ação.”

A unidade fará parte de um ecossistema global de estudos e ensino, que inclui também os campi da Singularity em Copenhague, Amsterdã, Johannesburgo, Lisboa, Milão, Toronto e Sidney. Os professores e alunos brasileiros deverão ajudar na troca de conhecimentos entre países. O campus em São Paulo deve ter entre 3 mil e 5 mil metros quadrados, e deve abrigar também outros parceiros. Escolas de programação, de design thinking e de mindfulness estão sendo procuradas para se estabelecer no local. Também foram convidadas empresas e fundos de investimentos, além de startups, para apoiar algumas das áreas de estudos da unidade brasileira.

Foram identificadas oito áreas de foco para a unidade nacional. Metade delas tratará de grandes dificuldades do país em comparação com o mundo desenvolvido: saúde, educação, segurança pública e infraestrutura. “Se usarmos um pensamento linear e analógico, levaremos até 2070 para resolvermos esses problemas”, diz Soárez. “E, sem superarmos essas dificuldades, não teremos nenhuma chance no mercado global.” As quatro disciplinas restantes são oportunidades de liderança global para o Brasil, incluindo agricultura, energia, meio ambiente e serviços financeiros.

Essa abordagem otimista quanto ao futuro faz parte do DNA da escola e ajuda a explicar o interesse dos brasileiros por ela. Afinal, uma das coisas mais em falta no País tem sido exatamente isso. Kriese cita uma estatística do Boston Consulting Group que descobriu que 72% dos brasileiros deixariam o País se tivessem essa possibilidade. “É um grande problema, porque as pessoas que querem sair não são aquelas que estão sofrendo. São as que têm mais capacidade de ter sucesso em outros lugares”, afirma o executivo. “Então, buscamos mostrar ideias para incentivá-las a acreditar num futuro melhor aqui no Brasil.”

O otimismo da Singularity está baseado no fato de que, mesmo com todas as más notícias pelo mundo, as macrotendências mostram que menos pessoas estão abaixo da linha da pobreza e passam fome do que no passado. “O medo das pessoas falharem e das repercussões externas de tentarem algo novo é o que faz elas ficarem presas ao status quo, ou a desejarem voltar a um tempo em que as mudanças não eram tão rápidas”, afirma Kriese. “Mas acredito que as pessoas se esquecem de como o mundo era duro no passado.”

Para a Singularity, o futuro será de abundância. A energia será gratuita, com os avanços na captação de energia solar. Metade das doenças do mundo desaparecerá, por estarem ligadas ao consumo de água não potável. E o transporte será cada vez mais inteligente. “As empresas precisam pensar em como vão operar neste mundo de abundância”, diz Kriese. “Tudo isso está a nosso alcance.” Agora, para os brasileiros, o alcance será ainda mais facilitado, com a chegada da escola ao País.

ALIMENTO DIÁRIO

QUANDO O CÉU INVADE A TERRA

CAPÍTULO 6 – O REINO E O ESPÍRITO

“Em verdade vos digo: entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista; mas o menor no reino dos céus é maior do que ele.” (Mateus 11:11)

João Batista foi o maior de todos que estavam sob o Antigo Testamento. Mas o que é menor nesta era atual nasceu para suplantá-lo, mediante o relacionamento com o Espírito Santo.

Os membros da nossa igreja e os alunos da Escola Bíblica Bethel de Ministério Sobrenatural estão entre os que recebem este privilégio. Um dos alunos, Jason, estava fazendo o seu pedido numa lanchonete de atendimento rápido. Não satisfeito de compartilhar Cristo apenas para aqueles que estavam do outro lado do balcão de atendimento, ele começou a falar, depois de passar pelo caixa, a três homens que estavam num carro, no guichê do atendimento a carros! Assim que recebeu o seu lanche, Jason percebeu que aqueles homens tinham estacionado o carro para comerem. Ele voltou a conversar com eles e viu que um deles, no assento traseiro, tinha uma perna quebrada. Então ele entrou no carro junto deles e convidou o Espírito Santo a vir; e Ele veio.

Aquele homem começou a praguejar. Ele não tinha entendimento algum acerca do fogo santo que estava sobre a sua perna. Todos saíram então do carro e aquele com a perna quebrada tirou o cinto e começou a bater com ele na sua perna. Ele estava totalmente curado! Os três foram de tal modo tocados pela bondade de Deus que abriram o porta-malas do carro, que estava cheio de drogas ilegais. Jogaram então tudo sobre o pavimento, e ficaram dançando em cima da droga, destruindo-a completamente! Jason levou os três para a nossa Alabaster House nossa casa de oração, que fica aberta 24 horas por dia – e os levou a Cristo. A bondade de Deus os levou ao arrependimento. Isto é o normal da vida cristã.

O Espírito Santo é o agente do céu que torna possível encontros assim. Não apenas isso, Ele faz com que tais encontros sejam a norma na vida daqueles que a querem.

O NOVO PADRÃO

Jesus estabeleceu um padrão quando afirmou que João Batista foi o maior de todos os profetas do Antigo Testamento. João não fez nenhum milagre, pelo que sabemos. Seu ministério foi glorioso e necessário, mas foi diferente em relação aos ministérios proféticos que normalmente usamos numa comparação, como os de Elias ou Daniel. Contudo Aquele que tudo sabe disse que João foi o maior dentre todos os profetas. Há uma verdade contida nesta passagem que nos ajuda a ver o nosso potencial, a partir da perspectiva celestial. É uma verdade tão maravilhosa que o inferno inteiro tem como prioridade tentar impedir-nos de entender a sua simplicidade.

Tendo isso em mente, uma palavra ainda mais surpreendente vem em seguida: o menor no reino de Deus é maior do que ele, João Batista. Jesus não disse que aqueles que estão no céu é que são maiores do que ele. Não havia razão para dizer isso. Ele estava falando sobre um tipo de vida que em breve se tornaria possível a todo crente. João profetizou sobre a vinda de Cristo, e foi até o ponto de confessar que ele mesmo dela tinha necessidade.

“Aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.” (Mateus 3:11)

“Dirigiu-se Jesus da Galileia para o Jordão, a fim de que João O batizasse. Ele, porém, O dissuadia, dizendo: eu é que preciso ser batizado por Ti…” (Mateus 3:13-14)

João confessou a sua necessidade pessoal de receber o batismo de Jesus. Nenhum dos profetas do Antigo Testamento, nem mesmo João, tinha o que estava prestes a ser oferecido ao menor de todos os santos: o batismo no Espírito Santo, que se tornou o objetivo de Deus para a humanidade.

O batismo no Espírito Santo possibilita-nos ter um estilo de vida ao qual nem mesmo João Batista teve acesso. Através do exemplo que nos deu, Jesus aguçou o nosso apetite para que provemos este estilo de vida. E também nos prometeu que uma vida assim é viável.

UM OBJETIVO FINAL

Há uma diferença entre objetivos imediatos e objetivos finais. O sucesso num objetivo imediato nos possibilita alcançar um objetivo final. Mas o insucesso no imediato nos impede de alcançar o nosso objetivo final.

Os jogadores de boliche sabem que isto é uma verdade. Cada uma das pistas tem dez garrafas lá na outra extremidade, e algumas marcas sobre a própria pista. Um bom jogador de boliche sabe como a bola pega efeito ao ser lançada. Ele primeiro mira sobre a marca que há na pista como um alvo inicial. Mas ele não recebe pontos por atingi-lo. Os pontos somente são obtidos quando o objetivo final é alcançado: derrubar as garrafas lá no fim da pista.

De igual modo, a salvação não era o objetivo final da vinda de Cristo. Era o objetivo imediato, a marca sobre a pista. Se a redenção não fosse realizada, não haveria esperança alguma para o objetivo final, que é encher todo aquele que é nascido de novo com o Espírito Santo. O desejo de Deus é que o crente transborde Dele mesmo, é que sejamos “cheios de toda a plenitude de Deus”. A plenitude do Espírito que resulta de sermos batizados com Ele é algo que não tem com o que se comparar, de tudo o que o homem anteriormente tenha experimentado. Por isso, o maior dos profetas do Antigo Testamento teve que confessar: “Eu é que preciso ser batizado por Ti” – como se ele estivesse dizendo “Preciso do Teu batismo, o mesmo que me foi dado a anunciar!”

O batismo no Espírito Santo possibilita-nos ter um estilo de vida ao qual nem mesmo João teve acesso., Considere o seguinte: se pudéssemos viajar pelo espaço sideral, saindo deste planeta em qualquer direção, à velocidade da luz – 300.000 quilômetros por segundo – durante bilhões de anos, mesmo assim não chegaríamos ao fim do universo, que sabemos ser infinito. Agora, tudo isso acha-se nas mãos de Deus. E é este Deus que quer nos encher com a sua plenitude. Isso tem que fazer uma diferença!

UMA FIGURA DO ANTIGO TESTAMENTO

Israel deixou o Egito quando o sangue de um cordeiro foi derramado e aplicado nos umbrais de cada uma de suas casas. Do mesmo modo, fomos libertos do pecado quando o sangue de Jesus foi aplicado em nossa vida. Os israelitas logo chegaram ao Mar Vermelho. A passagem deles em meio àquela massa de água foi interpretada como sendo o batismo de Moisés. Semelhantemente, passamos pelas águas do batismo depois da nossa conversão. Quando os judeus finalmente entraram na terra prometida, eles atravessaram um rio: um outro batismo. Este segundo batismo não representava a libertação do pecado.

Isso foi representado quando eles saíram do Egito. Este novo batismo os levaria a um novo modo de vida. Por exemplo, eles fizeram guerras antes de atravessarem o rio, e as venceram. Mas depois que passaram pelo rio Jordão, suas guerras seriam travadas de modo diferente. Agora eles poderiam andar em torno de uma cidade em silêncio por alguns dias e, por fim, ao fazerem um clamor com gritos veriam os muros ruir. Posteriormente os israelitas tiveram a experiência do desafio que foi enviarem primeiro um coro, antes da batalha. E também um dia Deus propositadamente dispensou mais de trinta mil soldados, mandando-os voltar para casa, para que Ele pudesse lutar a guerra com apenas trezentos tocadores de trombeta portando tochas de fogo.

O Senhor faz da Terra Prometida uma realidade, e nós pagamos o preço para nela viver. Ele nos dará o Seu batismo de fogo se Lhe dermos algo que valha a pena ser queimado.

O batismo no Espírito Santo é o cumprimento na figura do Antigo Testamento referente à entrada na Terra Prometida. Suponhamos que os filhos de Israel tivessem decidido atravessar o Jordão, mas se satisfizessem em permanecer às margens daquele rio. Eles teriam, antes de mais nada, perdido o objetivo daquela travessia. Havia nações para destruir e cidades para tomar posse. A satisfação fora dos propósitos de Deus significaria para eles que teriam que aprender a conviver com seus inimigos. É exatamente isso que acontece quando o crente é batizado no Espírito Santo mas nunca vai além de falar em línguas. Quando nos satisfazemos fora do propósito final de Deus, que é estabelecer o seu domínio, aprendemos a tolerar o inimigo em alguma área da nossa vida. Por mais glorioso que o dom de línguas seja, ele é apenas uma porta de entrada para uma vida de poder. Esse poder nos foi dado para despojarmos as fortalezas do inferno e delas tomarmos posse, para a glória de Deus.

O REINO VEM COM PODER

“Dos que aqui se encontram, alguns há que, de maneira nenhuma, passarão pela morte até que vejam ter chegado com poder o reino de Deus.” (Marcos 9:1)

Cada vez que isto é mencionado nos evangelhos, logo em seguida ocorre a descrição do que aconteceu no Monte da Transfiguração. Há quem tenha a opinião de que tudo o que aconteceu com Jesus naquele monte significava que o Reino tinha vindo com poder. Entretanto, se isso fosse verdade, por que então Jesus teve que enfatizar que alguns dos que ali estavam não morreriam antes de verem a vinda do Reino com poder? Jesus estava referindo-se a um evento muito maior. Ele falava da promessa do Pai, do evento que no futuro iria nos revestir com o poder do alto: o batismo no Espírito Santo.

Por alguma razão eu sempre pensei no batismo no Espírito Santo como sendo um evento que ocorre uma vez só: tendo recebido minha linguagem espiritual para orar, isso seria tudo. A Bíblia ensina de modo diferente. Em Atos 2 encontramos 120 pessoas sendo batizadas no Espírito Santo no cenáculo. Entretanto, em Atos 4, vemos algumas daquelas pessoas sendo enchidas novamente com o Espírito Santo. Alguns têm colocado isso assim: um só batismo, mas muitas vezes somos enchidos. Por quê? Porque há vazamento.

Na última década, um fogo de avivamento foi trazido por Rodney Howard Browne, em Toronto e em Pensacola. Muitos viajaram, vindos de toda parte deste mundo, para verem aquele diferente derramar de águas. Foram levados por uma instintiva fome que os fazia querer mais. Em alguns locais as pessoas formam uma fila, esperando receber a oração. Em outros, aglomeram-se na frente da plataforma, esperando que alguém seja usado por Deus para impor mãos sobre elas e abençoá­las. Os críticos chamaram essa atividade de “Clube do Me Abençoa”. Pessoalmente, devido à minha paixão pela bênção de Deus, tenho pouco problema com aqueles que voltam vez após vez para receberem a bênção. Eu preciso da bênção de Deus. O problema não está em receber mais e mais das Suas bênçãos. O problema está em deixar de compartilhar essas bênçãos aos outros, depois de as termos recebido.

O tempo gasto em receber a oração tem se tornado uma ferramenta que Deus usa para encher o Seu povo com mais de Si mesmo. Essa prática tem se tornado um método para essa maravilhosa hora em que se transmite a bênção de Deus.

O REINO, A ESFERA ESPIRITUAL

“Se, porém, Eu expulso demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós.” (Mateus 12:28)

Observe a frase: “pelo Espírito de Deus o reino.” O Espírito Santo inclui em Si o Reino. Conquanto não sejam a mesma coisa, eles são inseparáveis. O Espírito Santo reforça a liderança de Jesus, demarca o Seu território com liberdade. O domínio do Rei torna-se evidente através da Sua obra.

A segunda parte do versículo acima revela a natureza do ministério. Um ministério ungido provoca o choque entre dois mundos: o mundo das trevas com o mundo da luz. Esta passagem mostra-nos a natureza da libertação. Quando o Reino de Deus vem sobre uma pessoa, os poderes das trevas são forçados a sair.

Quando uma luz é acesa, as trevas não podem resistir. Não há o que discutir. Não fica escuro por alguns minutos, até que a luz finalmente vença. Pelo contrário, a luz é superior às trevas de tal forma que o seu triunfo é imediato.

O Espírito Santo não tem feridas de guerra. Não tem marcas de mordidas causadas pela esfera demoníaca, lutando para ter preeminência. Jesus é o Senhor, e ponto final. Aqueles que aprendem a operar com o Espírito Santo na verdade fazem com que a realidade do Seu mundo (o Seu domínio) entre em choque com os poderes das trevas que podem atingir uma pessoa ou uma situação. Quanto maior a manifestação da Sua presença, mais rápida é a Sua vitória.

O VALOR DA PRESENÇA DO ESPÍRITO

Bem mais do que qualquer outra coisa, é o próprio Espírito Santo o maior dom que recebemos. Aqueles que descobrem o valor da Sua presença entram em esferas de intimidade com Deus nunca antes consideradas possíveis. A partir desse relacionamento vital surge um ministério de poder que anteriormente era apenas um sonho. O que é incompreensível torna-se possível porque Ele está conosco.

Eu serei contigo é a promessa feita por Deus a cada um de Seus servos. Moisés ouviu isto quando enfrentou o desafio de libertar Israel do Egito. Josué recebeu esta promessa quando liderou a entrada de Israel na Terra Prometida. Quando Gideão recebeu o chamado de Deus para ser libertador de Israel, Deus selou Sua palavra com a mesma promessa. No Novo Testamento, esta promessa veio para todos os crentes através da Grande Comissão. Ela torna-se vital quando Deus nos pede para fazer algo que humanamente é impossível. É importante vermos isso. É a presença de Deus que estabelece a ponte entre nós e o que é impossível. Costumo dizer ao meu pessoal: “Ele está em mim para o meu bem, mas Ele está sobre mim para o bem de vocês.” Sua presença torna tudo possível! Deus não precisa fazer experiências para realizar algo sobrenatural. Ele é sobrenatural. Ele teria que fazê-las para não o ser. Se Ele é convidado para uma situação, não devemos esperar nada menos que uma invasão sobrenatural.

SUA PRESENÇA EM NOSSA SOMBRA

Parte do privilégio que há no ministério é aprender a liberar o Espírito Santo onde estivermos. Quando eu pastoreava em Weaverville, Califórnia, os escritórios da nossa igreja ficavam no centro da cidade, num local em frente a um bar e à direita de um outro. Essa região central é o centro comercial para todo o município, o lugar perfeito para os escritórios de uma igreja!

Não é bom que os cristãos procurem fazer negócios apenas com outros cristãos. Somos sal e luz. E brilhamos mais em lugares escuros! Gosto muito de negócios e dos homens de negócios, e tenho um genuíno interesse por seu sucesso. Antes de entrar numa loja, geralmente oro para que o Espírito Santo seja liberado por meu intermédio. Se estou precisando de alguma coisa que se acha de um lado da loja, entro pelo lado oposto para poder caminhar pela loja toda. Muitas oportunidades para ministrar surgiram à medida que eu ia aprendendo a liberar a presença de Deus nos locais comerciais.

No tempo da Igreja primitiva, as pessoas colocavam os enfermos pelas ruas, esperando que a sombra de Pedro se projetasse sobre eles e assim fossem curados. Não obstante, não era a sombra de Pedro que operava a cura. Não há substância alguma numa sombra. Não era a presença de Pedro que importava, e sim a do Espírito sobre ele. Era a presença do Espírito Santo que fazia os milagres acontecerem. A unção é uma expressão da pessoa do Espírito. Ele é tangível. Houve ocasiões, no ministério de Jesus, que todo aquele que tocasse na roupa Dele era curado e liberto. A unção é uma realidade. É a real presença do Espírito Santo, e Ele pode ser liberado ao nosso derredor.

RESSURREIÇÃO NA ÁFRICA

O pastor Surprise é um líder apostólico que trabalha com Rolland e Heidi Baker do Ministério Iris, m Moçambique. Nos dias de uma campanha evangelística, da qual ele era o pregador, uma menina de 9 anos morreu, o que ameaçava levar a um fim a série de conferências, pois toda a cidade tinha sido afetada por um grande pesar. No dia seguinte em que a menina morreu, sua família recebeu a visita do pastor Surprise. Ao chegar lá, o corpo dela ainda jazia, inerte, na cabana onde ela tinha morrido na noite anterior. Enquanto ele orava pela família, por acaso ele pôs sua mão sobre a mão da menina. Ele não estava orando para que ela ressuscitasse, mas depois de alguns minutos ela fechou a mão. Ela ressuscitou cerca de 12 horas depois da sua morte porque uma pessoa estava ali, cheia do Espírito Santo. O pastor transbordava o poder da ressurreição de Jesus, poder que o enchia enquanto ele se esforçava para consolar a família enlutada! Uma garrafa não está totalmente cheia antes de transbordar. Assim se dá com o Espírito Santo. A plenitude é medida pelo transbordamento. Quando nos fechamos, numa postura introspectiva, restringimos o fluir do Espírito Santo. Tornamo-nos tal como o Mar Morto: a água flui para ele, mas nada flui dele, e não há vida em águas estagnadas. O Espírito Santo é liberado através da fé e da compaixão. Fé e compaixão jamais são centradas em si mesmas.

SEGUINDO O SEU LÍDER PARA FORA DOS LIMITES

A história geral nos dá uma lição de um grande líder militar. Alexandre, o Grande, liderou seus exércitos de vitória em vitória, e o seu desejo por conquistas cada vez maiores finalmente o levou aos pés do Himalaia. Ele queria ir para o outro lado daquelas montanhas desafiadoras. Entretanto ninguém sabia o que os esperaria do outro lado. Seus oficiais diretos perturbaram-se com essa nova visão do seu líder. Por quê? Eles tinham ido até os limites do mapa, e não havia mapa algum para aquele novo território, do outro lado, do qual Alexandre agora queria tomar posse. Aqueles oficiais tiveram que tomar uma decisão: estariam dispostos a obedecer o seu líder, indo além dos limites do mapa conhecido, ou se satisfariam em ficar dentro desses limites? Eles decidiram obedecer Alexandre.

Obedecer a direção do Espírito Santo pode colocar-nos neste mesmo dilema. Conquanto Ele nunca contradiz a Sua Palavra, o Espírito Se põe muito à vontade para contradizer o nosso entendimento dela. Aqueles que se sentem seguros em virtude de sua abordagem intelectual das Escrituras desfrutam de um falso senso de segurança.

Nenhum de nós tem um pleno entendimento das Escrituras, mas todos temos o Espírito Santo. Ele é o nosso denominador comum, que sempre nos conduzirá à verdade. Mas, para obedecer a Ele, precisamos estar dispostos a sair dos nossos limites – temos que ir além do que conhecemos. Para fazermos isso com sucesso, temos que reconhecer a Sua presença, acima de tudo.

Há uma grande diferença entre o modo de ministrar de Jesus e o modo usual de como se ministra nos dias de hoje. O Senhor era completamente dependente do que o Pai estava fazendo e dizendo. Ele demonstrou claramente esse seu estilo de vida logo depois de ter sido batizado pelo Espírito Santo. Ele seguiu a liderança do Espírito, mesmo quando parecia ser um procedimento irracional, o que com frequência acontecia.

A Igreja tem, com muita frequência, vivido segundo uma abordagem intelectual das Escrituras, não levando em conta a direção do Espírito Santo. Temos programas e instituições que de modo algum requerem o Espírito de Deus para sobreviverem. Com efeito, muitos dos assim chamados ministérios não têm uma proteção que lhes assegure que o Espírito está presente. Quando o nosso ponto central não é a presença de Deus, acabamos fazendo o melhor que podemos para Deus. Nossas intenções podem ser nobres, mas são desprovidas de poder, em seus efeitos.

Quando Jason começou a compartilhar o evangelho pelo guichê de atendimento naquela lanchonete, suas ações tinham ido além dos limites. Contudo elas produziram fruto para o Rei.

COMPAIXÃO E LIBERAÇÃO DA PRESENÇA DO ESPÍRITO SANTO

Jesus muitas vezes curou depois de ser profundamente tocado pela compaixão. Com frequência tenho consciência da liderança do Espírito Santo por reconhecer Sua afeição por alguém. Ser levado a alguém pela compaixão geralmente quer dizer que haverá algum efeito do ministério sobrenatural para tal pessoa – quer através de uma palavra de encorajamento, quer através de um milagre de cura ou libertação. Amar as pessoas está na agenda de Cristo, e o fato de renunciar a minha própria agenda me dá condições para fazer-me disponível para a Dele. O Espírito Santo é o agente invasor do céu. No próximo capítulo veremos por que a Sua presença aterroriza os poderes do inferno.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

COM CARA DE JOELHO

Imagine como seria olhar para o rosto das pessoas e não conseguir distinguir os traços. Segundo estimativas, em algumas populações essa condição atinge duas a cada cem pessoas, em algum grau

A prosopagnosia é uma inabilidade perceptiva, uma acentuada “cegueira para feições”. Pessoas com o distúrbio podem ver o rosto dos outros quase sempre tão bem quanto qualquer um, mas não conseguem retê-los na memória ou reconhecê-los. Para eles, essa parte do corpo fica praticamente isenta de peculiaridades: é como se a face equivalesse ao joelho ou à panturrilha. Esse grau de dificuldade é variável e, em muitos casos, as pessoas sequer se dão conta de que têm um distúrbio – acreditam que as demais pessoas veem o mundo exatamente como elas, povoado de faces indistintas.

A palavra prosopagnosia resulta da junção do vocábulo grego prosopon (face) e agnosia (não reconhecimento). Foi cunhada pelo neurólogo alemão Joachim Bodamer, que iniciou seus estudos sobre o tema durante a Segunda Guerra, quando trabalhou no Sanatório Winnental, um hospital psiquiátrico perto de Stuttgart. Ele observou em dois soldados com lesões graves na cabeça uma acentuada inabilidade de reconhecimento facial. Eles olhavam o rosto dos companheiros, mas não eram capazes de coordenar a percepção com a capacidade de identificá-los.

Projeções realizadas pelo Instituto de Genética Humana da Universidade de Münster, na Alemanha, sugerem que aproximadamente 2% da população é afetada por essa inabilidade em algum grau. Em amostragem realizada com 689 estudantes, 17 apresentaram indícios do distúrbio. Em 14 dos indivíduos pesquisados foram descobertos sintomas de prosopagnosia tanto em parentes próximos quanto nos do círculo familiar ampliado.

“Sabemos hoje que se o pai ou a mãe apresenta essa inabilidade perceptiva, a probabilidade de ela aparecer também nos filhos será de 50%; o sinal característico é, portanto, hereditário dominante”, afirma o neurocientista Thomas Grüter, professor da Universidade de Münster. E uma vez que a prosopagnosia afeta igualmente homens e mulheres, evidencia-se que nela não tem participação nenhum cromossomo sexual, mas provavelmente um “autossomo”.

O especialista ressalta que a inabilidade congênita de reconhecer rostos não necessariamente tem a mesma base neuronal da prosopagnosia adquirida por lesão cerebral. “Até o momento só sabemos que ela parece responsável pelo distúrbio hereditário de uma única mutação genética; a exemplo de todos os primatas, os seres humanos têm pouca habilidade olfativa em comparação com outras espécies, o que em geral não nos permite reconhecer nossos semelhantes pelos odores, como fazem, por exemplo, os cães”, observa Grüter. Em vez disso, temos uma visão altamente aperfeiçoada para identificá-los.

OUTROS OLHARES

CIGARRO ELETRÔNICO MATA

Se antes era uma suspeita, agora é realidade. Sucessivos casos confirmados de mortes decorrentes do uso de vaporizadores de óleo ligam o alerta para quem tem o hábito de fumar com este tipo de aparelho — muito popular entre os jovens

O cigarro eletrônico já não é mais novidade. Apresentado como uma alternativa menos cancerígena ao consumo de nicotina, principalmente por não funcionar com a combustão de substâncias nocivas como o alcatrão, eles são de aspecto moderno, tem grande apelo juvenil, não deixam cheiro ruim e oferecem essências com sabores diversificados. Mas, como agora se sabe, eles também podem ser letais. O centro de controle de doenças dos EUA, onde os vapes — como também são conhecidos — são muito populares, já confirmou 530 casos de doenças respiratórias graves associadas ao hábito, além de onze mortes. Esta doença ainda não tem nome e sequer há um mapeamento completo de como ela se instala no corpo e provoca os sintomas. Num primeiro momento, existia a hipótese de que a misteriosa enfermidade estivesse ligada ao consumo de vapes com THC, principal substância psicoativa encontrada na maconha, e que fosse mais perigosa para jovens. A suspeita se deu por causa de um estudo da Universidade de Saúde de Utah, que identificou a doença em um homem de 21 anos que usava cigarros eletrônicos para fumar óleos de nicotina e de THC. Foi a primeira empreitada que conseguiu identificar parte do problema, encontrando células com grande quantidade de gordura dentro do pulmão do paciente. Até o momento, dois terços dos acometidos pela doença pulmonar estão na faixa dos 18 aos 34 anos

Com a confirmação de mais mortes, incluindo a de um homem de mais de 40 anos, a suspeita se dissipou, expandindo o alerta para todos que usam vapes, com todo tipo de essência ou sabor. Sean Callahan, professor assistente da Universidade de Saúde de Utah e um dos que assinou o estudo, diz que os resultados de pesquisas sobre o uso de cigarros eletrônicos é bem claro: “simplesmente é melhor não usar vapes por enquanto.” Ele afirma, do ponto de vista de sua experiência no setor de cuidados pulmonares na universidade, que há um percentual grande de usuários de óleos que não contém THC sendo identificados com a doença. O médico também avalia que o grande número de jovens afetados está relacionado com o fato dos e-cigars serem muito populares entre os mais novos. ”Nós médicos precisamos melhorar nossa capacidade de diagnóstico do problema, além dos que estão fora da divisão pulmonar, principalmente nas áreas de primeiros cuidados e de emergência”, diz.

JOVENS E VAPES

A preocupação com a letalidade do cigarro eletrônico está principalmente no crescimento do uso entre a população mais jovem. Enquanto o departamento de Saúde dos EUA aponta que apenas 5,8% dos colegiais do país fumam cigarros (número decrescente), a agência de alimentos e drogas mostra que em 2019, 27,5% dos estudantes dessa faixa etária experimentaram um vape ao menos uma vez no mês anterior à pesquisa. Os dispositivos são portáteis, existindo até capas para smartphones com alça para transportá-los juntos. É algo atraente e descolado. Há marcas desenvolvendo adesivos de estampas como “Supreme” ou “Marvel” para customizar o próprio cigarro eletrônico.

Muito da popularização do dispositivo tem a ver com a empresa por trás disso: a Juul, uma startup fundada por dois ex-alunos de Stanford, Jame Monsees e Adam Bowen, que controla mais da metade do mercado norte-americano de vapes. Embora ela tenha assumido uma postura de apresentar o produto como “uma alternativa para fumantes”, a marca é a preferida entre os adolescentes, principalmente para consumir os óleos de sabor, como mentolados e de manga. A empresa chegou a ter programa de representantes que visitavam escolas para informar os benefícios de trocar do cigarro convencional para o eletrônico, colocando os jovens em contato direto com o produto da marca – iniciativa já interrompida pela Juul. Ela já chegou a ser avaliada em US$ 38 bilhões e faturou aproximadamente US$ 1.2 bilhões no primeiro semestre de 2019. No último balanço divulgado pela empresa, em 2017, foram vendidos mais de 16 milhões de dispositivos.

A Juul deve acusar o golpe após a multiplicação dos casos de doenças ligadas ao cigarro eletrônico. O presidente dos EUA, Donald Trump, já se posicionou afirmando que “não podemos permitir que nossos jovens adoeçam”, indicando que alguma regulação ao acesso de tais produtos deve acontecer. Os estados de Nova York e de Michigan proibiram a comercialização de cigarros eletrônicos de sabor (que representam cerca de 80% do total consumido) e a rede de lojas de departamento Walmart, uma das maiores do mundo, afirmou que irá deixar de vendê-los. O caminho é bastante claro: o império da nicotina eletrônica construído pela Juul pode ruir, principalmente com a população adoecendo pelo consumo da substância. No Brasil, apesar dos cigarros eletrônicos serem proibidos por lei desde 2009, não é difícil encontrar alguém vaporizando nicotina pelas ruas. Um dispositivo desses pode ser comprado por meio de sites especiali

zados, bem como os diferentes tipos essências, ou até mesmo em perfis do Instagram. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária informa que desde 2017 já retirou da internet mais de 700 anúncios de dispositivos eletrônicos para fumar e que já realizou duas audiências públicas para debater o tema.

A SITUAÇÃO NO BRASIL

O Brasil é referência mundial no combate ao tabagismo. Na segunda 23, o País recebeu o prêmio da Força-Tarefa Interagências da ONU pela redução do percentual de fumantes de 15,6% em 2006 para 9% em 2018. Mesmo assim, mediante aos expressivos números do mercado, há a ameaça da legalização, apesar dela ainda não ser formalmente discutida, principalmente pelos incipientes dados no ambiente brasileiro. Uma pesquisa do Programa Nacional de Tabagismo do SUS revelou que 30% dos fumantes menores de 30 anos já experimentou o vape alguma vez, indicando a propensão também da sociedade brasileira em aderir ao hábito. Os jovens cresceram num Brasil em que fumar cigarro é mal visto. Há imagens repulsivas nos maços de cigarro e não se pode fumar em locais fechados. Os cigarros eletrônicos ainda não estão associados a tais imagens ruins, pelo contrário, são quase vistos como desejáveis. Se foram necessárias décadas para arruinar a imagem do cigarro, as mortes decorrentes do uso de vape podem fazer isso em muito menos tempo.

GESTÃO E CARREIRA

NEM VELHO, NEM IDOSO. CHAME DE OPORTUNIDADE

Empresas começam a despertar para o potencial de negócios por trás da geração acima de 50 anos, que já responde por quase metade do consumo do País, concentra 54 milhões de pessoas e movimenta R$ 1,8 trilhão por ano

Todo fim de mês, o empresário e executivo Fernando Parrillo, sócio e CEO da Prevent Senior, maior operadora de saúde especializada em clientes da terceira idade no País, se impressiona com os números da companhia. Não apenas com as cifras de faturamento e lucro, mas com a planilha que mostra o perfil dos 451 mil clientes. Em setembro, a empresa superou a marca de 250 pessoas com mais de um século de vida, além de 12 mil beneficiários na faixa etária entre 90 e 100 anos — grupo que, historicamente, é motivo de dor de cabeça para os planos de saúde e que gera os custos mais altos em procedimentos. “Temos uma visão distinta sobre o público de mais idade. Uma pessoa que chega aos 80 anos é saudável, e se busca um plano de saúde é porque quer viver mais e melhor. Queremos tê-la como cliente”, afirma Parrillo. “Temos de inverter o conceito. A medicina não deve ser uma ciência voltada só para a cura, mas de prevenção ao surgimento de enfermidades.”

Sob a ótica dos negócios, a equação de Parrillo também parece fazer sentido. A Prevent Senior mantém programas de incentivo para aumentar a frequência de consultas e exames, buscando diagnosticar problemas em seus estágios iniciais. Com isso, segundo ele, a companhia tem conseguido reduzir de 30% a 40% as despesas com a cobertura de procedimentos de alta complexidade — e, evidentemente, mais custosos. “Controlar o colesterol é barato. Colocar um stent (prótese para evitar a obstrução dos vasos sanguíneos) é caro. Por isso, aumentar a atenção à prevenção é o melhor a se fazer.”

A estratégia da Prevent Senior, a julgar pelos números, tem garantido a saúde financeira e a sustentabilidade dos negócios. Neste ano, a companhia vai faturar R$ 3,5 bilhões, alta de 17% na comparação com 2018. Mais: um plano de investimento de R$ 500 milhões em dois anos — 80% com recursos próprios e 20% com bancos e investidores – vai aumentar a capacidade de atendimento para 750 mil pessoas, alta de 66% em relação ao número atual, com a abertura de novas unidades em Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Santos e São Paulo, além do lançamento de uma operação nos Estados Unidos no ano que vem. “Se estamos conseguindo crescer e rentabilizar, oferecendo planos de saúde pela metade do preço da média da concorrência, é porque existem alternativas de modelos de operação para as empresas do setor”, afirma Parrillo. “A ideia é reduzir ainda mais os custos.”

Os estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) apontam que a população com mais de 50 anos no Brasil crescerá a um ritmo chinês nas próximas décadas, criando um imenso mercado consumidor, que já movimenta R$ 1,8 trilhão por ano e responde por 42% do consumo nacional. A participação de pessoas com mais de 50 anos na sociedade passará dos atuais 25% — com 54 milhões de cidadãos — para 31,1% daqui a dez anos, e 37,4% em 2040. Se hoje o contingente que compõe o chamado “silver economy” ou “grey power” (a força dos grisalhos) já é, comparativamente, maior do que a população da Espanha, o aumento criará novas oportunidades de negócios para as empresas. O economista Marcos Cavalcanti, da Fundação Getulio Vargas (FGV), diz que o fim do bônus demográfico (quando há mais pessoas na ativa do que aposentadas) não representa um ônus demográfico. “Significa que pessoas com mais experiência, patrimônio e capacidade de investimento serão mais representativos dentro da sociedade”, afirma.

Neste contexto de maior preocupação com a qualidade de vida da população na maturidade é que têm surgido empresas como o Residencial Santa Cruz, na zona Sul de São Paulo, um abrigo para pessoas idosas, com mensalidades de R$ 9,6 mil, para hospedagem individual, a R$ 18 mil, para suítes para casais. Segundo Priscila Kim, administradora do empreendimento, a demanda está crescendo mês a mês. Atualmente, com 75% dos 72 leitos ocupados, ela projeta alcançar 100% já em 2020. “Temos clientes de 70 a 101 anos, com as mais diversas necessidades. Um dos casais que vivem aqui, o marido sai para trabalhar todos os dias, enquanto a esposa, com Alzheimer, recebe todo o suporte necessário por nossa equipe com mais de 90 funcionários”, diz Priscila. O residencial recebeu investimento de R$ 32 milhões e, neste ano, vai contabilizar receita de R$ 5 milhões.

As oportunidades de negócios surgem também para quem não quer sair de casa — ou não pode pagar por serviços como o do Residencial Santa Cruz. A rede de franquias Home Angels nasceu com a proposta de oferecer serviço de cuidadores com foco em idosos. O sócio -fundador, Artur Hipólito, avalia que o mercado voltado ao público mais maduro tende a se diversificar. “As empresas das áreas de turismo, de saúde, de vestuário e de automóveis, entre muitos outros, estão começando a se atentar para esse grupo”, diz. “Grande parte do PIB per capita está nas mãos dos idosos. Meu pai tem 88 anos, é um consumidor ativo e até dirige.” Fundada em 2009, em Campinas, no interior paulista, a Home Angels mantém 105 unidades em todo o País, 15 mil clientes e faturamento de R$ 85 milhões neste ano. Cada unidade franqueada, segundo Hipólito, gera receita de R$ 90 mil por mês, oferecendo profissionais qualificados para cuidar de idosos, a um preço médio de R$ 15 por hora. “O tempo de permanência varia. Pode ser de 6 horas, 12 horas, 24 horas, esporadicamente ou diariamente. Tudo depende da necessidade.”

Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, empresa que tem realizado pesquisas específicas para esse segmento (veja os gráficos), ressalta que o grupo dos 50+ já é o maior mercado consumidor do Brasil e não vai parar de crescer. Se fosse um país, esses consumidores seriam a terceira maior economia da América Latina, atrás apenas do próprio Brasil e do México. “É natural que as empresas do ramo da saúde enxerguem primeiramente as oportunidades porque se trata de demanda até então não atendida. Mas a tendência é de que o rol de empresas e segmentos se diversifique para atender a terceira idade”, afirma Meirelles.

Para as empresas explorarem esse nicho será necessária, segundo ele, uma mudança drástica na cultura corporativa. “Nos últimos 20 anos sofremos com a ditadura dos millenials. Todas as empresas queriam desenvolver coisas para jovens. As expressões ‘velho’ e ‘idoso’ ficaram associadas a coisas antigas e defasadas. Isso terá de ser revisto”, diz Meirelles. Essa mudança de cultura deve ocorrer logo por razões que o próprio mercado explica. Ele compara a situação atual com a época em que a Classe C emergiu. Não havia nas companhias departamentos de marketing oriundos dessa classe emergente o que dificultava a criação de estratégias. “Tão logo aquele mercado foi compreendido, passou a ser explorado adequadamente. Se o mercado conseguiu se adequar à Classe C, também o fará com o público 50+. Ninguém rasga dinheiro. Haverá pressão por metas, vendas e resultados. Com isso, as mudanças virão.”]

Essa mudança já é uma realidade em empresas como a NotreDame Intermédica. De olho no mercado formado por pessoas com 50 anos ou mais, a companhia acaba de lançar um plano de saúde específico para essa faixa etária: o NotreLife 50+. Por enquanto, o produto está disponível apenas em Jundiaí e Sorocaba, no interior de São Paulo, onde a empresa já estruturou unidades de atendimento novas e exclusivas para os beneficiários. O plano marca uma guinada na estratégia de vendas da empresa, antes focada em produtos corporativos. A meta, agora, é seduzir idosos para os planos individuais, com mensalidades a partir de R$ 500. “A inversão da pirâmide etária abre um potencial enorme para se trabalhar com esse público, principalmente porque, quanto mais a idade avança, menor a possibilidade de ter um vínculo empregatício, o que inviabiliza obter um plano corporativo”, diz Irlau Machado Filho, presidente do grupo NotreDame Intermédica. “O público mais maduro irá dar sustentabilidade ao produto. Inclusive, vemos oportunidade também de ofertá-lo para os atuais beneficiários que vierem a se aposentar e não tenham mais o vínculo com as empresas.”

Na área da saúde e bem-estar, as academias também estão surfando com o envelhecimento da população. Algumas delas, como a Ecofit, já surgiram com foco nesse público. Outras, como Runner e Bio Ritmo, criaram programas específicos para o novo público. A vantagem em relação a empresas de outros segmentos é que as academias não precisam fazer investimentos extras, pois usam os mesmos equipamentos. De acordo com o fundador e diretor da Ecofit, Toni Gandra, a ideia era que o empreendimento pudesse atender todos os membros da família, do neto ao vovô. “Já inauguramos dentro desse conceito de aulas especiais para alunos de até 90 anos”, afirma Gandra. Atualmente, a Ecofit tem 4,5 mil alunos, sendo que 12% têm mais de 65 anos. “O objetivo é dobrar esse percentual em quatro anos.” Em 2021 e 2022, a empresa vai investir R$ 10 milhões para abrir duas unidades no mesmo conceito.

Da mesma forma que muitos buscam exercitar o corpo, existe quem busca exercitar o cérebro. É o que fazem os alunos com mais de 50 anos que se matricularam na escola Supera, especializada em estimular a criatividade, a concentração e o raciocínio lógico — ou seja, fazer uma verdadeira ginástica cerebral. Hoje, alunos com mais de 60 anos representam 48% dos matriculados na instituição, segundo o fundador e CEO, Antonio Carlos Guarini Perpétuo, dono da empresa. “O foco inicial eram os jovens, mas o plano de negócios previa a entrada de alunos de todas as faixas etárias, principalmente os mais maduros. O que eu não pude prever era o quão rápido isso iria acontecer. Então, desenvolvemos material específico para eles.”

Segundo Perpétuo, desde a fundação, a escola já formou mais de 150 mil alunos. Atualmente tem 35 mil estudantes matriculados em 400 unidades localizadas em todos os estados do País. Pessoas acima dos 40 anos representam 62% do total e a faixa etária acima dos 60 tem crescido, em média, 5% ao ano. O executivo não revela cifras, mas garante que a empresa está crescendo a um ritmo de 30% ao ano. “No caso dos idosos, não se trata apenas de prevenir doenças que atingem o cérebro, mas também manter a memória ativa, resgatar o convívio social e a autoestima, o que muda a vida em família.”

EMPREGO

No campo do mercado de trabalho, um dos temas mais sensíveis e desafiadores para a terceira idade, também há investimentos. O trio formado por Ismael Rocha, Mauricio Turra Ponte e Luiz Fernando Garcia criou o hub de empreendedorismo Nextt 49+, especializado em pessoas com mais de 49 anos. “A gente ensina a montar um plano de negócios, a investir e a desenvolver conceitos de produtividade”, diz o sócio -fundador Ismael Rocha. “O hub é voltado para auxiliar profissionais em transição de carreira, além de aposentados que desejam empreender.”

O segmento é um campo fértil a ser explorado. Das 2,6 milhões de empresas criadas no País no ano de 2018, 34,2% tiveram por trás pessoas acima dos 50 anos, de acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Mais do que isso, esse grupo representa cerca de 50% da renda bruta familiar e encontra poucos produtos e serviços desenvolvidos para seu perfil.

Para aqueles que preferem o modelo tradicional de emprego foi criada também a Maturi Jobs, agência de empregos digital especializada em profissionais com mais de 50 anos. Os interessados em vagas de emprego se cadastram gratuitamente e as empresas pagam de R$ 129 a R$ 899 por mês, conforme o plano, para ofertarem suas vagas. Segundo o CEO Mórris Litvak, a plataforma tem 100 mil pessoas e 900 empresas cadastradas de todas as partes do Brasil. Desde que o site começou a operar, há quatro anos, foram ofertadas 1,5 mil vagas de emprego e preenchidas 1,2 mil, segundo ele. “A taxa de contratação é muito boa. Só que isso representa apenas 1% da nossa base. Dá para progredir muito ainda.”A maior parte dos cadastrados na Maturi Jobs tem entre 50 e 60 anos. A média é de 58 anos, e apenas 30% estão aposentados. A base, segundo o executivo, é bem qualificada. Cerca de 70% têm curso superior. Além de fazer capacitação e ponte para recolocação de profissionais no mercado, a agência também prepara empresas para receber essas pessoas por meio de um trabalho de integração intergeracional e sensibilização de RH, líderes e gestores. Isso, por conta do preconceito etário que ainda prevalece dentro das corporações. “É perceptível o aumento do interesse. Empresas de todos os portes nos procuram, inclusive multinacionais de diversos segmentos. Eles entenderam o valor da experiência.”

ALIMENTO DIÁRIO

QUANDO O CÉU INVADE A TERRA

CAPÍTULO 5 – ORANDO PARA QUE O CÉU DESÇA – PARTE II

CRIADOS PARA A POSIÇÃO DE REINAR

Fornos criados para termos intimidade com o Senhor. Dessa intimidade provém a nossa comissão para reinar. Tenha em mente que Ele vê a forma de reinar de um modo diferente da maioria de nós. Nós reinamos através do serviço. Muitos têm cometido o erro de pensar que os cristãos têm de encabeçar todas as empresas, governos e departamentos. Por mais que isso pareça ser urna boa coisa, na verdade essa condição é um fruto do nosso verdadeiro objetivo. Sermos semelhantes a Cristo – isto é, termos excelência com humildade – é o nosso verdadeiro alvo. Toda promoção é dada pelo Senhor. Se passássemos mais tempo desenvolvendo o coração voltado para o Reino, teríamos mais pessoas ocupando postos chave de liderança.

Orar é a coisa mais simples que o crente pode fazer. De filho para Pai, daquele que ama para Aquele que ama, orar é conversar, e às vezes só falar. Orar é ao mesmo tempo urna das coisas mais complicadas para nós. Fórmulas (rezas) não funcionam no relacionamento deste Reino.

A honra que ternos por estarmos habilitados a orar vai além de toda compreensão. Somos representantes do Senhor aqui na terra – embaixadores do Seu mundo. Nossos clamores – todos eles – tocam o Seu coração.

ORAR, A COISA MAIS IMPORTANTE

Ter intimidade é o principal propósito da oração. E é por meio do relacionamento que Deus nos confia os segredos do Seu coração, para que os expressemos em oração. Foi o que ele fez com Simeão e com Ana, quando lhes despertou o coração para orarem – bem antes do nascimento do Messias que viria – pela sua vinda. A volta do Senhor também será precedida pela declaração da noiva, “O Espírito e a noiva dizem: Vem

Se todas essas coisas acontecerão inevitavelmente, qual é então o propósito da oração? Tudo indica que Deus impôs a Si mesmo uma restrição: somente atuar em tudo o que se refere ao homem em resposta a uma oração.

Deus decidiu operar através de nós. Somos a Sua autoridade delegada sobre o planeta terra, e a oração é o veículo que possibilita a Sua invasão. Aqueles que não oram dão condições para que as trevas continuem reinando. O maior empenho do inimigo em sua tarefa de enganar a Igreja é enganá-la quanto ao propósito e o efeito da oração.

REPRESENTANDO UM OUTRO MUNDO

“Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo.” Paulo disse estas palavras à igreja de Filipos, uma cidade romana na Macedônia. Ela possuía uma cultura romana e estava sob o governo e a proteção do Império Romano, embora não fossem romanos. Os filipenses entendiam muito bem a ordem dada por Paulo com respeito ao fato de serem cidadãos de um outro mundo. Paulo não falou sobre ir para o céu num certo dia, mas sim lhes disse para viverem no dia de hoje como cidadãos do céu; mais especificamente, de uma posição do céu para a terra.”

Temos o privilégio de representar o céu aqui na terra, de forma que podemos fazer com que o céu se manifeste a este mundo.

O ESTILO DE VIDA COMO EMBAIXADORES

Como embaixadores, vivemos em um mundo representando um outro mundo. Uma embaixada é o local central de onde o embaixador e os seus auxiliares exercem a sua função. Ela é considerada, de fato, uma extensão da nação que representa. Assim se dá com o crente, sendo embaixador. A Bíblia promete: “Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado.” Tal como os embaixadores de uma nação têm uma renda que é baseada no padrão de vida do seu país, não importando em que nação estrangeira estejam servindo, assim também os embaixadores do reino de Deus vivem de acordo com a economia do céu, embora ainda estejam na terra. Todos os recursos do nosso Rei acham-se à nossa disposição, para realizarmos a Sua vontade. Uma vida despreocupada foi o que Jesus ensinou, ao dizer: “Observai as aves do céu.

Na condição de embaixador, os militares do Reino que eu represento estão à minha disposição para me ajudarem a cumprir todas as ordens do Rei. Se, como representante da minha nação, minha vida estiver sob ameaça, todo o poder militar do governo do meu país estará pronto para fazer o que for necessário para proteger-me e libertar-me dessa ameaça. O mesmo se dá com os exércitos angelicais do céu. Eles são enviados para serviço a favor dos que hão de herdar a salvação.”

Ter a mentalidade de um embaixador foi algo que logo captei de Winkey Pratney. Quando ele entra num avião, ele se faz lembrar que, embora os outros possam estar representando a IBM ou a Xerox, ele está ali representando um outro mundo. Tenho seguido o seu exemplo e praticado o seu princípio por cerca de trinta anos. Isso tem me ajudado a manter uma clara perspectiva quanto ao propósito eterno de cada viagem que faço.

INTERCESSÃO OU UMA SESSÃO DE RECLAMAÇÕES

Uma das razões para não orarmos vem de observar certas pessoas que oram. Muitos dos que se consideram intercessores têm uma vida depressiva. Não quero minimizar o genuíno efeito da carga do Senhor que recai sobre nós quando estamos orando eficazmente. Ela é real e necessária. Mas um estilo de vida instável tem sido promovido por aqueles que se dizem intercessores, mas que não aprenderam a liberar nada em oração. A carga do Senhor é para nos levar a algum lugar! Isso eu aprendi por esforço próprio.

Ensinaram-me, desde jovem, sobre a importância da oração. Meu pastor de jovens, Chip Worthington, manteve-me na linha com seus ensinamentos e através dos muitos livros que ele me deu para ler.

Eu passava um bom tempo orando, e mantive essa prioridade em minha vida até o início da idade adulta. Mas o meu enfoque, ao orar, com frequência voltava-se para a minha própria espiritualidade; ou melhor, para a minha falta de espiritualidade. Eu me levantava cedo para orar e também orava até bem tarde, à noite. Deus honrou o sacrifício que eu fazia, mas as minhas vitórias pessoais não correspondiam às minhas horas bem elaboradas de oração. Em vez disso, minhas vitórias pareciam estar mais relacionadas com os meus atos de fé. Devido ao fato de que o meu enfoque ainda era a minha própria pessoa, foram poucas as vitórias que posso atribuir como respostas às minhas orações. Labutar em oração nem sempre é um indício da verdadeira intercessão. Muitas pessoas não conseguem nem mesmo distinguir a carga da sua própria incredulidade em relação à carga dada pelo Senhor. Agora eu oro até chegar a um lugar de fé para a situação que eu esteja enfrentando. Quando chego a este ponto, a minha perspectiva em relação ao problema fica totalmente diferente. Em vez de pedir a Deus para invadir em minhas circunstâncias, começo a comandar que as montanhas sejam removidas, em Seu nome. É a partir desta posição de fé (ou de descanso) que descubro o meu papel ao orar.

Ore até haja uma ruptura nas linhas inimigas. Então exerça a autoridade que lhe foi dada para executar a vontade de Deus sobre as circunstâncias em mira.

A PERFEITA TEMPESTADE

Jesus estava dormindo em meio a uma tempestade que ameaçava a vida dos discípulos.100 Diante do medo da morte, eles O acordaram. Então o Senhor exerceu autoridade e liberou a paz sobre aquela tempestade. Foi a paz que há no céu que lhe permitiu dormir. E foi essa mesma paz que subjugou a tempestade. Você somente terá autoridade sobre a tempestade durante a qual você tiver condições de dormir.

Se fico ansioso numa dada situação, então fica difícil para mim liberar a paz, porque somente posso dar aquilo que tenho. A autoridade funciona a partir da paz que há no céu.

Mesmo depois que os discípulos obtiveram resposta à sua oração, na forma de uma tempestade que se transformou em bonança, Jesus os questionou quanto à incredulidade deles. Para a maioria de nós, a resposta de uma oração é o que obtemos em virtude da nossa grande fé. Neste caso eles foram atendidos e seu pedido ao Senhor, mas Jesus lhes chamou de homens de pequena fé. O Senhor queria que eles exercessem a autoridade que Ele lhes havia dado para que eles mesmos acalmassem

o mar. Em vez disso, eles pediram ao Senhor para que Ele tomasse providência. Nós normalmente oramos, em vez de obedecermos, 11 situação de risco.

ALÉM DISSO…

Uma teologia correta não basta para nos capacitar a realizar toda obra que, há dois mil anos, Jesus nos deu para fazer. A Grande Comissão não foi ainda concluída, apesar de nossos vastos recursos financeiros e de pessoal. Para que possamos ver rupturas nas linhas inimigas semelhantes às que Jesus fazia, temos que nos apropriar daquilo que Jesus se apropriava: do Espírito Santo.

Este dom especial é o assunto do próximo capítulo. Nele veremos como a esfera do Espírito é a esfera do Reino de Deus.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

MUITO ALÉM DA TRISTEZA

Não raro, pacientes se referem aos sintomas depressivos recorrendo à metáfora de uma espessa camada de névoa que os envolve e potencializa as dores da existência. Compreensivelmente, muitos anseiam pelas fórmulas prontas para afastar a angústia, mas é a combinação de estratégias, alinhadas caso a caso, que mais parecem surtir efeito

Nas próximas duas décadas a depressão deverá afetar mais pessoas que o câncer ou as doenças cardíacas e se constituir como a maior causa de afastamentos do trabalho. Segundo estimativas preocupantes da Organização Mundial da Saúde (OMS), atualmente, algo em torno de 120 milhões sofrem com o problema em todo o planeta – 17 milhões só no Brasil. Algumas pesquisas estimam que entre 30% e 50% das pessoas já preencheram, em algum momento da vida, os critérios diagnósticos do transtorno depressivo maior. Outros estudos sugerem que uma em dez pessoas tem um episódio de depressão pelo menos uma vez na vida – em geral desencadeado por uma situação infeliz, por uma perda importante, pelo estresse constante ou, em alguns casos, por uma doença grave. Outras vezes, quando a causa não está em um agente externo, falamos em depressão endógena. De acordo com os neurobiólogos, o distúrbio seria consequência da falta de certos neurotransmissores (monoaminas) no cérebro: dopamina, noradrenalina e, principalmente, a serotonina, que são hormônios reguladores de emoções.

Sabemos atualmente que a depressão não traz apenas desconforto, mas pode ter repercussões ainda mais graves, como a diminuição de regiões específicas do cérebro. Um estudo realizado com tupaias (pequenos mamíferos herbívoros, semelhantes a esquilos), coordenado por Eberhard Fuchs, do Centro de Primatas de Gõttingen, Alemanha, foi o primeiro a apontar nessa direção. Ele mostrou que em animais “deprimidos” – sem iniciativa, passivos e que pouco se alimentavam – o hipocampo, que funciona como uma espécie de centro de controle dos processos de aprendizagem e memória, apresentava tamanho reduzido. Contudo, esse processo podia ser detido com o tratamento da depressão. Algo semelhante foi observado em seres humanos pela psiquiatra Yvette Sheline, da Universidade de Washington. Ela analisou o hipocampo de 38 mulheres com depressão crônica e descobriu que, assim como acontecia com os bichinhos estudados pelos alemães, os efeitos neuro anatômicos existiam e também podiam ser revertidos com tratamento adequado.

Mas algo chama a atenção tanto de leigos quanto de especialistas: por que os casos de depressão têm aumentado tanto? As estatísticas cresceram quando as pessoas passaram a desfrutar de comodidades que poupam tempo. Paradoxalmente, gerações anteriores, cuja vida se caracterizava por maiores esforços para a simples sobrevivência, eram mentalmente mais sadias, o que faz pensar que o excesso de facilidades, de alguma forma, nos torne mais vulneráveis à de pressão. Nossos ancestrais evoluíram em condições nas quais era necessário trabalho físico duro para prosperar, e esse empenho físico acionava áreas cerebrais, proporcionando sensações de bem-estar. A rede accumbens – estriado-cortical (sistema responsável pela conexão entre movimento, emoção e pensamento), chamada pela autora “circuito de recompensas impulsionadas pelo esforço”, está na base dos sintomas associados à de pressão, como perda de prazer, respostas motoras lentas e baixa concentração.

Quando a “economia doméstica” dos neurotransmissores sai dos eixos, anti­depressivos como fluoxetina e sertralina podem intervir de forma controlada e melhorar o humor. Com certeza os medicamentos trazem alívio, mas infelizmente não oferecem a cura mágica que gostaríamos de obter no balcão da farmácia. Antidepressivos atuais podem levar semanas para aliviar a depressão. Para certas pessoas nem chegam a funcionar e, se funcionam hoje, isso pode não acontecer amanhã. Agentes de ação mais rápida e com novos mecanismos são necessários, mas a fonte dessas drogas na grande indústria farmacêutica é limitada.

Talvez um dos avanços mais significativos dos últimos anos em relação à depressão seja que a percepção de que um único caminho pode não ser suficiente para toda e qualquer pessoa que apresente o quadro. Psicoterapias são fundamentais – e não apenas como tratamentos coadjuvantes, mas em muitos casos como principal estratégia terapêutica.

OUTROS OLHARES

SEU FUTURO EM UM CLIQUE

Como a internet atraiu novos fãs para a astrologia, ajudou o assunto a voltar a ter uma aura pop e fez a roda da fortuna girar para aplicativos especializados em previsões

“Mudanças trazidas pela rotação do planeta bytes criam novas oportunidades de relacionamento e abrem as portas para a prosperidade.” O guru que tivesse feito essa previsão sobre o futuro da astrologia em meados da década de 90 acertaria em cheio. As possibilidades geradas pela internet ajudaram o assunto a voltar a ter uma aura pop e a conquistar adeptos. Os velhos horóscopos se reinventaram na forma de modernos aplicativos para a massa de pessoas que vivem com um olho no smartphone e o outro nas estrelas, fenômeno que provocou um alinhamento jamais visto de investidores em torno do negócio.

Nos Estados Unidos, a roda da fortuna girou na direção de startups como a Co-Star, plataforma lançada em 2017 que já contabiliza mais de 5 milhões de downloads. Fundada pela escorpiana Banu Guler, a empresa usa dados da Nasa para identificar o posicionamento das estrelas e planetas no céu no momento em que o usuário nasceu e, assim, fazer o mapa astral dele. No começo de 2019, a companhia recebeu uma injeção de capital de 5 milhões de dólares, um recorde nesse mercado, feita por investidores do Vale do Silício. Outro app americano, o Sanctuary, conhecido como o Uber da astrologia, que conecta astrólogos a usuários, obteve 1,5 milhão de dólares da incubadora Five Four Ventures também neste ano.

O que vem impulsionando o negócio é o interesse dos millennials, como são chamados os nascidos entre as décadas de 80 e 90, os primeiros a viver em um mundo totalmente conectado. “Essa geração busca narrativas que não sejam apenas racionais para pensar o futuro”, acredita Rebeca de Moraes, fundadora e diretora da Trop, empresa especializada em estudo de tendências de mercado na América Latina. Esse tipo de audiência cria possibilidades quase infinitas para o lançamento de produtos e serviços aproveitando-se do renascimento do misticismo.

Em 2018, por exemplo, Maria Grazia Chiuri, diretora criativa do gigante francês Dior, desenvolveu estampas com figuras do tarô para lenços de seda, pulôveres e jaquetas bomber com patches. “Os jovens estão vivendo em um momento de crise da verdade. Quando não se pode acreditar na sociedade, procuramos respostas que ultrapassam a razão”, afirma o psicanalista Lucas Liedke, um dos criadores da plataforma Peoplestrology, lançada no Brasil em 2018. O serviço se propõe a investigar a relação da astrologia com temas da atualidade, em busca de novas tendências culturais e comportamentais.

Se os millennials formam o público­-­alvo, a internet é o universo perfeito para a propagação da Era de Aquário. Entre 2016 e 2017, de acordo com dados do Tubular Labs, ferramenta especializada em medir redes sociais, as buscas por vídeos de astrologia no YouTube aumentaram 67%. No Facebook, a procura pelo termo evoluiu 116% e, no Twitter, o assunto cresceu 300%. Profissionais mais antigas dessa área vêm investindo pesado do mundo digital, caso da americana Susan Miller, considerada a astróloga mais famosa do mundo desde a década de 90. Seu website astrologyzone.com acumula mais de 300 milhões de visualizações por ano. Embora tenha embarcado na onda digital, ela reserva críticas a seus concorrentes, como a Co-Star. “É preciso ficar atento às informações genéricas que circulam pela internet”, afirmou ela. No Brasil, começaram a proliferar nos últimos tempos perfis no Instagram, aplicativos e podcasts. Tem gente até fazendo mapa astral pelo WhatsApp. Um dos casos de sucesso é o da gaúcha Bruna Paludo, ou a Madama Br000na, como é conhecida nas redes sociais, onde possui mais de 170.000 seguidores. Outra figura de destaque é Paula Pires, que conta com mais de 40 milhões de visualizações no YouTube. No espaço, dá dicas variadas, incluindo de autoajuda. Ela e suas colegas passaram a ser enquadradas em uma nova categoria profissional: a de “astroinfluencers”. Essa ninguém conseguiria prever.

GESTÃO E CARREIRA

FINTECHS SEM FIM

Estudo da PwC aponta as dez tendências que irão dominar o setor financeiro a partir de 2020

Esqueça a definição de fintech usada até hoje ao meio-dia. Adote a nova: toda instituição financeira, independentemente do porte, dos ativos, do número de correntistas ou da história precisará se comportar como fintech. A partir de já. Isso significará uma brutal reconfiguração da cultura organizacional. Será como jogar no lixo métodos e processos que construíram gigantes e, no lugar, assumir a tecnologia como core. O “novo normal“. A conclusão faz parte do estudo Financial Services Technology 2020 and Beyond: Embracing Disruption, da PwC. “É o clássico momento de ‘oferta-por-tempo-limitado’: se você piscar, pode descobrir que sua concorrência já foi criada”, dizem os autores do projeto, conduzido por Julien Courbe, head de tecnologia de serviços financeiros da PwC americana. O relatório identifica dez tendências à frente da disrupção

CULTURA FINTECH

A invasão das fintechs, seja oferecendo soluções a instituições ou ao consumidor final, não ficará menor nem menos contundente. Elas simplesmente são ágeis e focadas numa determinada tecnologia inovadora ou em um novo processo. Por isso são disruptivas. É preciso criar cultura fintech para se aproveitar das soluções vindas de fintechs. Pense, por exemplo, no aparecimento de plataformas robóticas on-line de investimento ou gestão de patrimônio e no impacto que isso terá em instituições financeiras.

ECONOMIA COMPARTILHADA

Consumidores continuarão a precisar de serviços bancários. Mas pode ser que não precisem de bancos. Compartilhar carros (Uber, 99) e quartos pelo mundo (Airbnb) não parecia provável há uma década. “Nesse caso, a economia compartilhada se refere à propriedade descentralizada de ativos.”

BLOCKCHAIN

De acordo com o estudo da PwC, a mesma curiosidade (e desconfiança) provocada pela explosão da web nos anos 90 se vê agora em relação ao blockchain. Traduzindo: acredite, vai ser tão revolucionário quanto. Empresas que desenvolvem a tecnologia estão entre as maiores captadoras de recursos e capital.

NOVO MAINSTREAM

Independentemente do perfil de seu cliente, de millenial a grey power, ele assume o digital como padrão. Em anos recentes, isso significou para o setor bancário vir nascer concorrentes não tradicionais, desde vale-presente a pagamentos por sistemas operacionais móveis. Para a PwC, entre três e cinco anos as fronteiras da automação de transações financeiras deixarão de ser itens exóticos para se tornarem o modo ‘como-fazemos-as-coisas’.

DADOS DO CLIENTE

Sabe como o Google faz dinheiro? O Facebook? Então. Instituições financeiras farão cada vez mais suas margens a partir de dados do cliente do que exatamente da carteira do cliente.

ROBÔS E IA

Isso vai muito além de substituir o caixa do banco. A combinação de robótica e Inteligência Artificial avança de campos como mitigar riscos a reduzir custos. As máquinas estão ficando mais sofisticadas, que vão da cognição (capacidade de perceber, entender e planejar o mundo real) à interação (capacidade de atuar ao lado de humanos).

NUVEM

Será a regra entre as instituições financeiras soluções SaaS (softwatre as a solution) baseadas em nuvem.

SEGURANÇA CIBERNÉTICA

Basta olhar para um dado: entre os líderes de instituições financeiras 69% estão preocupados com ataques cibernéticos contra 61% dos executivos dos demais setores econômicos. O desafio virá de outra ponta: conciliar segurança com a conveniência do cliente. Transferir um balde de etapas de confirmação e acessos ao usuário pode afastá-lo de sua marca. Corrigindo: vai afastá-lo.

ÁSIA

Olhe, sinta, perceba, conheça a Ásia. Será de lá que virão as soluções. A nova classe média global está lá. Em 2009, 36% da classe média do planeta vivia na Europa e 28%, na Ásia. No ano que vem, a ordem vai virar: Ásia (54%) e Europa (22%). Ela e seus hábitos são os propulsores de toda inovação. “Essas tendências estarão diretamente ligadas à inovação orientada à tecnologia”, o que inclui o sistema financeiro. O recado é claro: bancos, tenham seu hub operacional-inspiracional asiático.

REGULADORES

Agências, órgãos governamentais e toda sorte de reguladores não estarão parados assistindo ao avanço tecnológico entre instituições financeiras. Eles igualmente estão coletando uma variedade sem precedentes de dados e utilizando ferramentas para aprender mais sobre as instituições e as pessoas físicas.

ALIMENTO DIÁRIO

QUANDO O CÉU INVADE A TERRA

CAPÍTULO 5 – ORANDO PARA QUE O CÉU DESÇA – PARTE I

“Se você quiser alguma coisa de Deus, você terá que orar ao céu. É onde tudo está. Se você vive na esfera terrestre e espera receber algo de Deus, saiba que você nada receberá.

“A Igreja tem sido negligente numa coisa: ela não tem orado com o poder de Deus que vem do céu.

O dia nacional americano, de quatro de julho, foi o evento mais significativo do ano para a nossa maravilhosa comunidade. A parada, o rodeio, e o “demolition derby” foram apenas algumas das atividades realizadas nesse dia e nos seguintes, com a duração de quase uma semana.

Outras festas populares têm também o seu espaço em nosso meio com suas cavalgadas, jogos e comidas especiais que são comuns nesses eventos. Houve um ano em que uma cartomante quis infiltrar-se na celebração. Ela montou a sua tenda ao lado das demais e expôs suas cartas de tarô, sua bola de cristal e toda a sua parafernália ocultista. O diabo a tinha enviado para conceder o dom da possessão demoníaca aos cidadãos da minha cidade. Então o pessoal da nossa igreja começou a orar.

Caminhando em torno da tenda daquela mulher, passei a declarar:

“Você não está no céu; não é para você estar aqui. Esta cidade é minha.

Você está aqui ilegalmente. Proíbo que você estabeleça raízes aqui! Deus declarou que onde quer que a sola dos meus pés pisar, esse terreno me é dado. E aplico em você a palavra de Deus que declara que eu tenho autoridade sobre você. Vá embora!”

Continuei a dar voltas em torno daquela tenda, tal como fez Israel em torno de Jericó. Mas nada ruiu no mundo físico.

Não falei nada a respeito dessas coisas àquela mulher. Nem mesmo foram proferidas essas palavras em voz alta, para não chamar a atenção dela. Ela não era minha inimiga, nem era ela o meu problema. Meu alvo de ataque era apenas o reino das trevas, que a capacitava com os seus poderes malignos.

No momento em que ela estava fazendo a sua feitiçaria num casal que se sentara à sua mesa, postei-me do outro lado da tenda, bem próximo do casal, que de nada suspeitava. Estendi então as mãos em direção a eles, enquanto amarrava o poder do inferno que tinha a intenção de destruí-los. Saí de lá assim que terminei aquele ato. (As mãos que são consagradas a Deus podem liberar o poder do céu numa determinada situação. No mundo espiritual a liberação ocorre na forma de relâmpagos.)

Embora a feira tenha permanecido em funcionamento por vários dias ainda, aquela mulher saiu da cidade na manhã seguinte. O poder que atuava através dela tinha sido quebrado. Ela não conseguiu permanecer. Era como se as vespas do livro de Êxodo a tivessem lançado para fora da cidade.”

JESUS NOS DEU O MODELO

A oração-modelo do Senhor nos dá a mais clara instrução sobre como trazer a realidade do Seu mundo para este. Os generais do avivamento nos têm falado já há séculos que “se orarmos, Ele virá!” A oração bíblica é sempre acompanhada por uma obediência radical. A oração com obediência será sempre respondida por Deus liberando a natureza do céu para as nossas debilitadas circunstâncias.

O modelo de Jesus revela quais são as duas verdadeiras prioridades da oração: a primeira é a intimidade com Deus, o que se expressa na adoração – santificado seja o teu nome; a segunda é trazer o Seu Reino à terra, estabelecendo o Seu domínio sobre as necessidades da humanidade – venha o teu Reino.

Enquanto nos preparamos para examinar esta oração, permita­ me destacar mais um pensamento que nos ajudará a compreender melhor o propósito que está por trás da oração. Como discípulos, somos tanto cidadãos como embaixadores de um outro mundo. A nossa tarefa é para ser feita aqui neste mundo, mas o nosso lar não está aqui. O nosso propósito é eterno. Os recursos necessários para completar a nossa tarefa são ilimitados. As únicas restrições são as que se acham em nossa mente.

Examinemos agora a oração de Mateus 6:9-13, começando com a primeira frase:

“Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome;”

O título Pai é um título de honra e um chamado para um relacionamento. Para sermos verdadeiros adoradores, tudo o que precisamos saber é o que Deus fez para tornar possível que O chamemos de “Pai nosso”. Santificado significa respeitado ou reverenciado. É também uma expressão de louvor. No livro de Apocalipse, que na verdade se chama Revelação de Jesus Cristo (não do anticristo!), fica claro que as principais atividades no céu são o louvor e a adoração. E o mesmo deve ser para o crente, aqui na terra. Quanto mais vivermos como cidadãos do céu, mais as atividades do céu ficarão patentes em nosso estilo de vida.

A adoração deve ser a nossa maior prioridade no ministério. Tudo o mais que fizermos será influenciado por quanto nos empenharmos em adorar o Senhor. Ele habita em nosso louvor. Nossa tradução expressa isso da seguinte maneira: “Tu és santo, entronizado entre os louvores de Israel”. E Deus responde literalmente com uma invasão do céu na terra através da adoração do crente.

Um de meus filhos é líder do louvor. Um dia ele levou um amigo, com um violão, até um shopping center para adorarem a Deus. Eles terminaram a adoração três horas depois de cantarem e dançarem diante do Senhor. Um homem, sem saber o que estava acontecendo, passou por aquele local em que eles tinham estado em adoração ao Senhor e parou, pôs a mão no bolso, e retirou drogas (entorpecentes), jogando-as no chão. Ninguém havia conversado com ele sobre o seu pecado. Como é que isso foi acontecer? O céu tocou na terra, e não há drogas no céu.

Vemos isso acontecendo com muita frequência quando as equipes do nosso ministério vão às ruas de San Francisco. Atuamos em ministérios de misericórdia, e também nos empenhamos publicamente em trazer o poder sobrenatural de Deus às vidas que estão arrasadas. Cura e libertação é a norma. Às vezes elas acontecem apenas por causa do ambiente de adoração.

Quando a presença de Deus se manifesta sobre pessoas que estão em adoração, até mesmo descrentes são levados a ter um encontro com Ele. Meu filho e minha filha têm ministrado em ruas bastante agitadas de San Francisco. As pessoas que passam por vezes manifestam demônios, e por outras irrompem em alegres gargalhadas, ao entrarem na presença do Senhor. Essas coisas não deveriam nos surpreender. Veja como Deus responde aos louvores do Seu povo, conforme está registrado em Isaías 42:13: “O Senhor sairá como valente, despertará o seu zelo como homem de guerra; clamará, lançará forte grito de guerra e mostrará sua força contra os seus inimigos.”

“Venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu.”

Este é o ponto principal para toda oração. Pois o que existe no céu é para ser liberado na terra. O cristão, através da oração, é que faz com que o céu se expresse aqui neste mundo. Quando o crente ora de acordo com vontade revelada de Deus, a fé se torna precisa e voltada para um só alvo. A fé apropria-se da realidade do céu. E uma fé permanente não a deixa escapar. Uma invasão assim faz com que as circunstâncias terrenas se alinhem com as celestiais. Os que criticam esta visão sarcasticamente dizem: “Se é assim, acho então que devemos orar para que tenhamos ruas de ouro.” Não! Mas as nossas ruas deveriam ter a mesma pureza e as mesmas bênçãos, tal como no céu. “O nosso gado dará suas crias; Não haverá gritos de aflição em nossas ruas.”  Tudo o que acontece aqui é para ser uma sombra do céu. Em contrapartida, toda revelação que Deus nos dá sobre o céu é para capacitar-nos a nos concentrarmos na oração.

Até que ponto Deus tem como propósito manifestar aqui na terra as realidades do céu? Por certo, ninguém sabe. Mas sabemos, pela história da Igreja, que é bem mais do que temos agora. E sabemos, através das Escrituras, que é bem mais do que a nossa mente possa ter imaginado.

Podemos ver a vontade de Deus na Sua presença reinando entre nós, pois “onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” . Sempre que o Espírito do Senhor esteja demonstrando o Senhorio de Jesus, o que resulta é liberdade. Ainda, um outro modo de expressar isso é: “quando o Rei dos reis manifesta o Seu domínio, o fruto desse domínio é LIBERDADE”. Essa é a esfera à qual nos referimos como O Reino de Deus. O Senhor, em resposta a nossos clamores, traz o Seu mundo para dentro do nosso.

Por outro lado, aquilo que não tem a liberdade de existir no céu tem de ser amarrado aqui. Mais uma vez, é através da oração que temos que exercer a autoridade que nos foi dada. “Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra TERÁ SIDO LIGADO nos céus; e o que desligares na terra TERÁ SIDO DESLIGADO nos céus.” Observe a expressão terá sido. A ideia que está nela é que podemos amarrar ou liberar aqui na terra aquilo que já estava amarrado ou liberado no céu. Novamente, o céu é o nosso modelo.

“O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.”

Será que há alguém passando fome no céu? É claro que não. Pedir o pão é uma aplicação prática de como o Domínio do Senhor deve ser visto aqui na terra – suprimentos em fartura. O abuso de algumas pessoas na área da prosperidade não nos dá o direito de abandonar as promessas de Deus em relação a prover com abundância a Seus filhos. Ele tem o maior prazer em fazer isso. Pelo fato de haver provisões completas e perfeitas no céu, tem de haver o mesmo aqui. O céu é o padrão para o mundo material do cristão – o suficiente para satisfazer aos desejos que vieram de Deus e suficientes para “toda boa obra”. A nossa base legal para recebermos as provisões de Deus provém do modelo celestial que nos foi dado em Cristo Jesus: “E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades.” 87 Segundo o quê? Sua riqueza. Onde? Em glória. Os recursos do Céu são para nós, aqui e agora.

“E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores.”

Há falta de perdão no céu? Não! O céu nos dá o modelo para os nossos relacionamentos aqui na terra. “Sede uns para os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou. Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados.” Esses versículos deixam bem claro que o nosso modelo é Jesus Cristo, Aquele que subiu à destra do Pai, Aquele cujo Reino procuramos. Mais uma vez esta oração descreve um modo prático de como orar para que a realidade do céu tenha efeito sobre o planeta terra.

“E não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal.”

Não há tentação nem pecado no céu. Nem há lá qualquer vestígio do pecado. Ficar longe do pecado é’ o que nos mostra, na prática, que estamos sendo dirigidos pelo nosso Rei. Esta frase da oração não significa que Deus quer nos tentar. Sabemos, de Tiago 1:13, que Deus a ninguém tenta a cometer pecado. Orar deste modo é importante porque nos faz encarar a necessidade que temos da graça; e ajuda-nos a alinhar o nosso coração com o céu, em total dependência de Deus. O Reino de Deus nos dá o modelo para as questões do coração. Esta parte da oração é na verdade um pedido para que Deus nos promova para uma posição acima do que o nosso carácter consegue dominar. Às vezes a nossa unção e os nossos dons, mas não o nosso carácter, estão prontos para terem uma responsabilidade maior. Quando essa promoção ocorre cedo demais, o impacto dos nossos dons nos coloca em destaque, numa situação que favorece a nossa queda.

A oração livra-nos do mal, como normalmente é traduzida, na verdade significa livra-nos do maligno. Um coração modelado de acordo com o céu tem muito sucesso na guerra espiritual. É por isso que está escrito: “Sujeitai-vos a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.”

Jesus pôde dizer, com respeito a satanás, que ele: “nada tem em Mim”. O crente deve ser totalmente liberto de toda opressão satânica e de tudo o que o diabo traz. É isso que se pede nesta oração.

“Pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém!”

O Reino de Deus pertence a Ele. E é por isso que somente Ele pode nos dar o Seu Reino. Quando declaramos esta verdade, passamos de uma simples declaração para um ato de louvor! Por toda parte nas Escrituras ouvimos declarações de louvor semelhantes a esta, contida no modelo de oração do Senhor, que declara que toda glória e todo o poder pertencem a Ele. Um dos ensinamentos mais importantes que recebi me foi dado por Derek Prince, há cerca de trinta anos. Era uma maravilhosa mensagem sobre o louvor. Nela ele sugeriu que, se tivéssemos apenas dez minutos para orar, deveríamos passar oito minutos louvando a Deus. É impressionante por quantas coisas podemos orar, nos dois minutos restantes. Essa palavra me ajudou a reforçar a prioridade da adoração que eu vinha aprendendo de meu pastor… meu pai.

Mais uma vez, esta oração tem dois objetivos: (1) Servir a Deus a partir de um relacionamento pessoal com Ele; e (2) trazer a realidade do Seu reinado (o Reino) à terra.

Um esboço do texto de Mateus 6:9-13 mostra-nos como acessar o Reino através da oração:

1. Louvor e adoração

2. Orar pelo céu na terra

Ação do céu sobre necessidades materiais

Ação do céu sobre os relacionamentos pessoais

Ação do céu sobre o nosso relacionamento com o mal

3. Louvor e adoração

“Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” (Mateus 6:33)

Por certo este versículo não está no modelo de oração que Jesus nos ensinou. Mas pertence ao contexto de toda a mensagem sobre do Reino proferida no Sermão do Monte. Nele o Senhor estabelece a prioridade para todos os valores e objetivos cristãos: Buscai primeiro o reino de Deus!

A compreensão deste ponto nos ajuda a compreender qual deve ser o alvo pretendido por toda oração, isto é, que o Senhorio de Jesus seja visto em todas as circunstâncias da vida. Quando o Reino de Deus confronta o pecado, o perdão é dado, e ocorre uma mudança na natureza que anteriormente somente sabia pecar. Quando a ação do seu reinado entra em choque com a enfermidade, a pessoa é curada. Quando atinge o endemoninhado, ele é liberto. A natureza da mensagem do Reino provê a salvação para o homem completo – espírito, alma e corpo. Este é o evangelho de Jesus Cristo.

Sempre me pareceu que a frase: “e todas estas coisas vos serão acrescentadas” queria dizer que, se as minhas prioridades estiverem certas, com certeza eu receberei conforme a minha necessidade. Depois de compreender melhor a oração-modelo, não estou tão certo quanto a isso ter sido o seu intento. Ele estava dizendo que, se buscarmos primeiro o Seu Reino, veremos o Seu reino vindo até nós para de tudo nos prover. E traz consigo a resposta de Deus às nossas necessidades materiais e relacionais, e à nossa luta contra o mal.

ESTABELECENDO UMA NOVA FRANQUIA

Suponhamos que eu tivesse um restaurante muito bem-sucedido e você quisesse comprar o direito do meu restaurante, você estaria investindo o seu dinheiro para poder usar o nome do restaurante e tudo o mais que lhe é pertinente: o cardápio, seu projeto, seu sistema gerencial e o treinamento adequado para os empregados. Você teria que cumprir os padrões preestabelecidos pelo restaurante que cedeu a franquia. A aparência do seu estabelecimento teria que ser a mesma, corno também seriam todo o mobiliário e os itens do cardápio. As diretrizes para a gestão do pessoal e o estilo de administração teriam que ser idênticos aos daquele. Ou seja, você teria que fazer tudo conforme as disposições do restaurante franqueador.

Quando oramos para que venha o Seu Reino, estamos pedindo ao Senhor que faça prevalecer as regras, a ordem e os benefícios do Seu mundo sobre este em que vivemos, até que este fique tendo a mesma aparência daquele. É isso o que acontece quando os enfermos são curados, ou quando os endemoninhados são postos em liberdade. O mundo do Senhor entra em choque com o mundo das trevas, e o Seu mundo sempre é vencedor. A nossa batalha é sempre urna batalha para ganhar domínio – um conflito entre dois reinos.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

TECNOLOGIA PARA SUPERAR MEMÓRIAS ASSUSTADORAS

Cientistas do Reino Unido, do Japão e dos Estados Unidos pesquisam formas de remover, inconscientemente, lembranças que causam medo usando algoritmos de inteligência artificial

Pesquisadores descobriram um novo jeito de remover medos específicos do cérebro de uma pessoa utilizando uma combinação de inteligência artificial e tecnologia de escaneamento cerebral. Essa técnica, publicada no periódico científico Nature Human Behaviour, pode levar a maneiras inovadoras de tratar pacientes com condições como estresse pós-traumático e fobias. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), doenças relacionadas ao medo afetam cerca de uma a cada 14 pessoas e exercem considerável pressão nos serviços de saúde mental. Atualmente, uma das abordagens utilizadas, com base na teoria cognitivo-comportamental, é submeter o paciente a alguma forma de terapia de aversão, na qual é levado a confrontar o medo por meio da exposição justa- mente ao que o assusta. A proposta é que ocorra uma dessensibilização, para que a pessoa “aprenda” que aquilo que teme não é danoso, afinal. No entanto, essa terapia é desagradável, pode trazer outros traumas e, por isso, muitos optam por não se submeter a ela. Agora, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, em parceria com neurocientistas do Japão e dos Estados Unidos, está estudando uma maneira de remover, inconscientemente, uma memória relacionada ao medo no cérebro.

A equipe desenvolveu um método para ler e identificar lembranças ligadas ao medo usando uma tecnologia chamada feedback neural decodificado. A técnica utilizou escaneamento cerebral para acompanhar a atividade no cérebro e identificar padrões complexos que parecessem uma memória assustadora específica. No experimento, uma memória de medo foi criada em 17 voluntários saudáveis por meio da administração de um breve choque elétrico quando eles viam certas imagens no computador. Quando o padrão era detecta- do, os pesquisadores sobrepunham a memória relacionada ao medo dando uma recompensa para os objetos do experimento.

“O modo como a informação é representada no cérebro é muito complicado, mas o uso de métodos de reconhecimento de imagem ligados à inteligência artificial (IA) nos permite identificar aspectos do conteúdo daquela informação”, diz o neurocientista Ben Seymour, do Departamento de Engenharia da Universidade de Cambridge, um dos autores do estudo. “Quando induzimos uma leve memória de medo no cérebro, fomos capazes de desenvolver um método rápido e preciso de lê-la usando algoritmos de inteligência artificial. Segundo o cientista, o desafio foi, então, achar uma maneira de reduzir a memória de medo, sem invocá-la conscientemente.

“Percebemos que, mesmo quando os voluntários estavam apenas descansando, podíamos ver breves momentos em que o padrão de atividade cerebral flutuante possuía características parciais de memórias de medo específicas, mesmo que os voluntários não estivessem conscientes disso. Como podíamos decodificar esses padrões cerebrais rapidamente, decidimos dar uma recompensa para os participantes – uma pequena quantia em dinheiro – toda vez que detectávamos essas características da memória.”

Os pesquisadores repetiram o procedimento por três dias. Foi dito aos participantes do experimento que a recompensa financeira que iriam receber dependia de sua atividade cerebral, mas eles não sabiam como isso aconteceria. Ao conectar continuamente padrões sutis de atividade cerebral a correntes elétricas, os cientistas esperavam superar a memória do medo. “As características da memória, que foi previamente sintonizada para prever o doloroso choque, foram reprogramadas para prever algo positivo”, explica a neurocientista Ai Koizumi, do Instituto Internacional de Pesquisas Avançadas de Telecomunicações, em Kyoto, e do Centro de Informação de Redes Neurais, em Osaka, que liderou a pesquisa.

O grupo testou o que acontecia quando eles mostravam para os voluntários fotos de coisas que eles antes associavam aos choques. “Num feito notável, não observamos mais a típica resposta de medo em que a pele sua. Nem identificamos um aumento da atividade na amígdala, o centro de medo do cérebro”, afirmou Koizumi. “Isso significa que fomos capazes de reduzir a memória do medo sem que os voluntários tivessem de experienciar o medo conscientemente.”

Ainda que a amostra avaliada no estudo inicial tenha sido relativamente pequena, a equipe está otimista e espera que as técnicas possam ser mais bem desenvolvidas em tratamento clínico para pacientes com fobias ou estresse pós-traumático. “Para aplicar isso aos pacientes, precisamos construir uma espécie de biblioteca de códigos de informação do cérebro para as várias coisas das quais as pessoas possam ter medo patológico, como, por exemplo, de baratas”, observa Seymour. “Consideramos a possibilidade de as pessoas terem sessões regulares de feedback neural decodificado para remover gradualmente a resposta de medo que essas memórias desencadeiam.”Alguns pesquisadores acreditam que um tratamento assim possa trazer benefícios enormes, em comparação com as abordagens tradicionais e medicamentosas. Os pacientes também poderiam evitar o estresse asso- ciado com terapias de exposição, e os efeitos colaterais que podem resultar das drogas. O problema é que ainda não se sabe ao certo que destino seria dado à emoção “descolada” da memória associada ao medo. Com base na literatura clínica, especialistas alertam para o risco de que a angústia persista e, na impossibilidade de oferecer significados para o desconforto emocional, surjam sintomas físicos e outros tipos de adoecimento psíquico. Talvez a psicoterapia associada ao feedback neural seja eficiente. Mas são necessários mais estudos nesse campo

OUTROS OLHARES

TODA NUDEZ SERÁ OCULTADA

Uma coleção de publicações pornográficas históricas se esconde no “inferno” do edifício à espera de divulgação

São folhetos de papel de baixa qualidade, que quase se desfazem nas mãos. Na capa, imagens libidinosas — mulheres nuas, cupidos em pleno voo, moças comportadas a um passo de perder a compostura — e promessas de contos ilustrados com “estimulantes gravuras do mundo natural”. À primeira vista, é difícil entender como esse material, datado do final do século XIX e início do XX, veio parar na seção de obras raras da Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro. Mas é mesmo lá que se encontram, abertos para consulta, títulos sugestivos como Consolo de viúvaUm marido em apurosChifres para todos e Prazeres de colegiais, para citar só alguns.

O conjunto de mais de 50 publicações antigas, produzidas no Brasil e originalmente comercializadas na redação do finado jornal satírico carioca Rio nu, faz parte do chamado “inferno” da Biblioteca Nacional, que reúne obras vistas como incômodas à época em que chegaram à instituição. Com medo de que fossem destruídas ou confiscadas, funcionários dificultaram sua catalogação e as esconderam em lugares onde não deveriam estar. Foi o caso desses folhetos pornográficos, que, embora hoje estejam a salvo, continuam ignorados por público, editoras e pesquisadores. Seu conteúdo, no entanto, não para de surpreender a chefe da divisão de obras raras da Biblioteca Nacional, Ana Virginia Pinheiro, que desde 2014 vem executando a recuperação dessas publicações. Na contramão de um Brasil onde casos de tentativa de censura se multiplicam, como a tentativa de recolher uma história em quadrinhos com beijo homossexual na última Bienal do Livro do Rio, no início de setembro, a pesquisadora luta para um maior reconhecimento dessa pouco analisada e editada produção erótica nacional.

“Esses folhetos chegaram aqui pelo próprio jornal, via lei do depósito legal na época, já que coleções particulares não guardavam isso”, disse Pinheiro. “Tenho certeza de que acabaram nas obras raras porque os funcionários queriam escondê-los. Talvez alguém procurasse por isso em obras gerais, jamais aqui nesta divisão. Mas, se elas foram escondidas para serem preservadas, agora merecem ser divulgadas, estudadas e compreendidas. Lembro-me de certa vez em que minha avó, ao ver uma publicação pornográfica numa banca de jornais, disse que isso não existia no tempo dela. Hoje sei que estava mentindo.”

A coleção do “inferno” é mais ampla e não se limita a esses folhetos de papel barato do século XIX. Na verdade, ela contém livros de todos os tipos, gêneros e épocas — alguns mais antigos, trazidos pela Família Real em 1808, e outros mais novos, perseguidos pela ditadura militar. Mas, se algumas das obras foram escondidas pelos motivos mais diversos — desde políticos, como o diário de viagens pela União Soviética de Jorge Amado, até religiosos, como uma edição do século XVII de A cidade de Deus, de Santo Agostinho, cujas notas foram censuradas pela Igreja —, esse subgrupo composto dos contos “naturais” incomoda por uma razão óbvia: sua franca obscenidade.

“Não existe limite moral nessas histórias. Às vezes o pesquisador tem até vergonha de dizer que está procurando”, afirmou Pinheiro. O primeiro paralelo que vem à mente são as publicações de Carlos Zéfiro, que introduziram muitos jovens à pornografia entre os anos 1950 e 1970. Basta ler as primeiras linhas, no entanto, para perceber que as narrativas fazem o velho Zéfiro soar quase como um carola.

Práticas como sexo grupal (Em plena orgia), homossexualidade (Laurinha e BibiO menino do Gouveia), incesto (Família) e até zoofilia (Variações do amor) são tratadas com a maior naturalidade, com descrições gráficas e uma certa dose de cinismo, alheio ao moralismo da época. Visualmente, as publicações também são ousadas. Trazem, em seu interior, fotos de sexo explícito, importadas da Europa. O conceito era simples: criar uma história original — e brasileiríssima — a partir de imagens produzidas para “estimular o sexo solitário”, como bem explica, de maneira técnica, uma descrição feita para uma exposição de 2017 da Biblioteca Nacional dedicada a esses livros.

Um dos volumes mais emblemáticos, segundo Pinheiro, é A pulga, escrito por um certo Lucio D’Amour. Nele, um militar aposentado contrata um homem negro para fazer a segurança da casa. Este, descrito com todos os estereótipos possíveis, logo atiça o desejo da jovem esposa do militar. Como o segurança não consegue entender suas segundas intenções, ela faz de conta que uma pulga entrou em seu ânus e o obriga a procurá-la.

“É um conto que mostra a mulher em um papel mais ativo”, observou Pinheiro. “E, de forma geral, a mulher nessa literatura não é só objeto sexual. Ela é a pessoa que demanda por sexo, ela é a pessoa que comanda toda a cena, escolhe o homem ou a mulher. Elas têm uma sexualidade exacerbada, assumida, e isso é muito surpreendente para a época.”

Outra surpresa, afirmou Pinheiro, é a qualidade do texto desses folhetos, inversamente proporcional ao material em que foi publicado. É sabido que escritores prestigiados trabalhavam como “ghostwriters” para publicações pornográficas, e provavelmente estão por trás também de alguns dos pseudônimos que assinam os folhetos, como Zé Teso, Manuel Brochado, Pepe Galhardo, Capadócio Maluco e Pat de Patagonia.

Os respeitáveis Olavo Bilac e Coelho Neto, por exemplo, teriam escrito anonimamente um nunca encontrado — e talvez nunca publicado — livreto obsceno. O fato só se tornou público nas memórias de Humberto de Campos, para quem os poetas supostamente confessaram a autoria de uma encomenda intitulada Almanaque do ânus. Autor de A escrava Isaura, Bernardo Guimarães é hoje reconhecido como o autor do famoso poema erótico “O elixir do pajé”, atribuído à época de seu lançamento a um sacristão e cuja edição fac-similar — fartamente ilustrada — também repousa no “inferno” da Biblioteca Nacional.

Apesar de sua qualidade literária e de sua importância histórica, esses textos quase não ganharam dissertações e teses da academia, segundo Pinheiro. As reedições são, até agora, raríssimas. A mais conhecida é O menino do Gouveia , lançada em 2017 pela editora O Sexo da Palavra. Considerado uma das primeiras representações homoeróticas da literatura nacional, o conto de 1914 traz a relação entre um prostituto menor de idade e um homem mais velho.

Pinheiro lembrou que já foi consultada algumas vezes sobre publicações mais ambiciosas, mas até agora nada foi adiante. A editora e bibliófila Aninha Franco, fundadora da República AF, contou que recentemente cogitou publicar um box com várias histórias da coleção, mas que desistiu por causa do “clima político” do Brasil atual.

“Há 500 anos que o Brasil é erótico, ele nunca deixou de ser”, disse Franco. “Mas, hoje, seria impossível conseguir um patrocínio para esse tipo de publicação. É uma pena, porque esse material é erotismo da melhor qualidade, e o Brasil precisa conhecer melhor o Brasil.”

Justamente por ver uma “tendência à censura” na atualidade, Pinheiro acredita que este é o momento de promover os folhetos. Por via das dúvidas, ela mantém as obras da mesma forma que seus antecessores do “inferno” deixaram: dispersas e mal catalogadas. Até hoje, por medo de que acabe sendo acusada de apologia à pornografia, a pesquisadora não conseguiu elaborar uma forma de publicar esses textos nos anais da Biblioteca Nacional.

“Eles estão aqui na biblioteca e podem ser vistos. Não são nenhum segredo”, disse ela. “Mas a humanidade repete a história, e não se pode facilitar.”

GESTÃO E CARREIRA

A ERA DA MODA DIGITAL

A inovação demorou, mas finalmente chegou aos pontos de venda. A disputa pelo bolso do consumidor vai ficar cada vez mais acirrada. Saiba o que empresas como Amaro, Iguatemi, JHSF e Riachuelo estão fazendo para revolucionar a forma como você se veste

marketplace — espécie de shopping virtual, que aloca ofertas de diversas empresas no mesmo portal — com mais de 80 grifes e cerca de 10 mil itens de moda logo de partida. “Não seremos uma Amazon, que oferece de tudo. A ideia do nosso marketplace é ajudar a resolver a vida das pessoas”, diz o CEO do Iguatemi. “Mas o grosso, assim como no nosso negócio físico, virá da categoria de moda.”

Após um período de testes de três meses, o portal entrará no ar no fim de outubro e terá marcas renomadas mundo afora como Dolce & Gabbana, GAP, Sephora e Tiffany. “Somos o primeiro marketplace em que a Tiffany apostou no mundo. Isso mostra a credibilidade que o Iguatemi construiu em seus 40 anos de história”, diz Jereissati Filho. Também haverá espaço para marcas exclusivas, que ainda não atuam no mercado brasileiro. Segundo o executivo, uma unidade de varejo do grupo fará o armazenamento do estoque dessas coleções. “Não será uma quantidade muito grande. Serão volumes pequenos, mas que garantirão essa diferenciação que o Iguatemi sempre teve no varejo físico.” O grande trunfo, na visão de Jereissati Filho, é poder vender o mesmo catálogo de seus shoppings em São Paulo para todo o País, haja vista que muitas pessoas peregrinam de tempos em tempos para comprar artigos de moda na capital paulista. “Nós temos muitos itens, por exemplo, da Zara que são vendidos apenas no Iguatemi São Paulo e no JK Iguatemi, porque são lojas que têm um tíquete médio mais alto. Com o marketplace, a Zara vai conseguir ofertar esses produtos em outras regiões”, afirma.

A plataforma, no entanto, será lançada primeiramente no Estado de São Paulo. A pretensão é replicar o modelo em todo o território nacional até o fim de 2020. Com 15 shopping centers, dois premium outlets e três torres comerciais, o Iguatemi movimentou R$ 13,7 bilhões em 2018 e obteve receita de R$ 721,5 milhões. Além do marketplace, também é previsto em alguns dos complexos, um estúdio de inovação e um lounge, onde o consumidor poderá fazer compra assistida ou retirar pedidos realizados pelo site. “A princípio, nós teremos no Iguatemi São Paulo, tanto estúdio quanto lounge, mas a ideia é que tenhamos também em outras unidades espalhadas pelo Brasil”, diz Jereissati Filho.

Em 2018, o shopping Cidade Jardim, do grupo JHSF, já havia lançado sua plataforma digital em moldes semelhantes. Chamado CJ Fashion, o portal tem 188 grifes de moda e já atendeu clientes de 160 municípios em um ano de operação. “Hoje, nosso movimento é seguido por boa parte do mercado. O cliente, quando procura um marketplace  ou e-commerce, quer agilidade e um serviço de excelência e nós, desde o primeiro dia de operação, entregamos pedidos para a capital de São Paulo no mesmo dia”, diz Thiago Alonso, CEO do grupo JHSF. O mercado que as empresas miram é o de alto poder aquisitivo. Segundo dados do instituto de pesquisas Iemi – Inteligência de Mercado, o varejo de vestuário voltado aos públicos A e B+ movimentou cerca de R$ 42,3 bilhões em 2018, crescimento de 2,4% em relação ao ano anterior.

A opção escolhida pela Riachuelo foi levar a inovação diretamente ao ponto de venda. Em um espaço de 2,3 mil m², a varejista abriu as portas, em 26 de setembro, de sua loja conceito, localizada no Morumbi Shopping, em São Paulo. A operação, onde outrora esteve instalada uma livraria Fnac, tem um sortimento de 12 mil itens, mas o que chama a atenção são espelhos interativos e iluminação ajustável nos provadores, uma área de customização de peças, Wi-Fi de alta velocidade e lockers para a retirada de produtos comprados pelo site. “A nossa principal inovação foi colocar o cliente no centro e fazer um ambiente de loja que seja complementar ao digital”, diz Elio Silva, diretor-executivo de marketing da Riachuelo. Marcelo Prado, diretor do instituto de pesquisas Iemi — Inteligência de Mercado, diz que a Riachuelo tem pegado tudo o que acontece fora do País e tenta transformar isso em experiência para o consumidor nas lojas. “Ela ganhou muita mídia com essa ação”, afirma Prado.

ESPELHO INTERATIVO

A empresa fez tornar realidade coisas que até então pareciam impossíveis, como ajustar as luzes do provador de acordo com o estilo da roupa ou, melhor ainda, poder trocar a tonalidade das peças que o consumidor veste. Tudo isso é possível graças a um espelho interativo disponível em algumas cabines dos provadores. Há ainda uma área de reformas de roupas, onde é possível programar ações que vão desde estamparia de camisetas até ajustes e consertos. “Também estamos prestes a lançar nova versão do nosso aplicativo, que vai trazer uma série de inovações, principalmente facilitando a integração com o canal de e-commerce”, afirma Silva.

“Muita tecnologia estará mais no ‘backoffice’ do trabalho do que no ‘front-end’ para o consumidor”, complementa, em relação aos investimentos que estão sendo aportados para a integração do estoque físico e on-line da rede. A ideia é ir além do ‘clique e retire’ e poder começar a entregar produtos a partir das lojas, método conhecido como ‘ship from store’. Para evitar as filas enormes na hora do pagamento, a loja conceito da Riachuelo tem 14 pontos em que o cliente pode pagar a compra porº meio do celular. “Um de nossos funcionários com o equipamento pode fazer a cobrança em qualquer lugar da loja, sem que a pessoa precise ir para o caixa”.

A precursora desse movimento, no entanto, é a Amaro. A empresa fundada em 2012, pelo suíço Dominique Olivier, que é também o CEO, surgiu como um e-commerce de roupas femininas. Em 2015, a companhia resolveu inaugurar o primeiro ponto físico para contato com o consumidor. “Hoje, o segmento de moda representa 5% das vendas pelo e-commerce. O restante acontece no mundo físico. Em cinco anos, essa parcela deve dobrar para 10%. A Amaro iniciou esse movimento para roubar um pouco dessas vendas que acontecem fisicamente”, diz Dominique Olivier. Hoje, são 14 guide shops espalhados por cinco capitais brasileiras. “Somos um exemplo das empresas que nasceram on-line e foram para o off-line”, afirma.

Engana-se, porém, quem pensa que a venda acontece no próprio ponto de venda. Até que não seria mentira dizer isso, mas nenhuma das clientes sai da loja com sacolas. Cada um dos pontos físicos da empresa tem apenas um item de cada tamanho e de cada cor. É como se fosse um grande mostruário. A pessoa experimenta e finaliza a compra por meio do aplicativo da Amaro na loja. Também há sensores que monitoram quanto tempo a cliente passa na frente de cada peça e quais são as zonas de maior fluxo dentro da loja. Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo, diz que a Amaro é uma prateleira infinita. “Você poder comprar coisas que não estão ali e receber em casa. É uma loja que também vira ponto de entrega para o e-commerce”, afirma Terra. “É uma mostra de que a melhor maneira de você começar uma relação com o consumidor ainda é o varejo físico”.

Outro exemplo de que os canais são complementares vem da consultoria americana McKinsey, que está abrindo uma loja de peças de vestuário no maior centro comercial dos Estados Unidos. A operação vai servir para testar tecnologias que os varejistas e seus consultores querem implementar nas lojas. Também é uma aposta conjunta para conter a forte concorrência da Amazon na região. Edmundo Lima, diretor executivo da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex), diz que “no fim de tudo, o objetivo sempre vai ser atrair o consumidor pra loja, por meio de uma experiência inovadora, em que o cliente terá contato com muitas experiências diferentes”. Parece que a jornada da experiência do consumidor nunca foi levada tão a sério. E isso é ótimo.

O PASSO ESPORTIVO DA AREZZO

A compra da operação da americana Vans no Brasil pela Arezzo & Co., que controla a marca homônima e também Schutz, Anacapri, Alexandre Birman, Fiever e Alme, é um forte indício do novo passo estratégico da companhia. Conhecida pelos calçados e bolsas para o público feminino e líder no segmento, há algum tempo a Arezzo vem diversificando seu portfólio para atender outros públicos. Segundo análise feita pela Credit Suisse, espera-se que o negócio venha a ampliar em 8,3% os ganhos da Arezzo.

A saída encontrada para ampliar os seus produtos foi por meio das marcas de tênis (Fiever e agora Vans) com criações que atendem ao universo feminino e masculino e, principalmente, aos mais jovens. A mudança no comportamento do público por itens mais confortáveis também faz parte dos novos caminhos. Os tênis já representam 20% das vendas da Arezzo. “A novidade poderá criar novo vetor de crescimento para a Arezzo no mercado doméstico, o que é especialmente importante, dadas as recentes indicações de desaceleração do crescimento em suas marcas mais maduras”, avaliou o Credit Suisse.

Essa é a primeira vez na história da companhia que a Arezzo comercializa um produto que não seja criação própria. “Esse é um passo decisivo para aprofundarmos nossa estratégia de transformação da companhia em uma plataforma de gestão de marcas”, disse o CEO Alexandre Birman. Com a Vans, serão sete marcas a partir de 2020 – totalizando mais de 630 franquias, 45 lojas próprias e 2,6 mil clientes multimarcas.

Foram investidos R$ 50 milhões na compra da operação da Vans. O contrato tem duração de cinco anos, com possibilidade de extensão de dois anos. A mudança de controle entra em vigor no primeiro dia de 2020. A Arezzo poderá expandir a marca no País por meio de aberturas de lojas próprias ou de franqueadas. A Vans era administrada pelo conglomerado americano de moda VF Corporation, dono também de 27 marcas como Timberland e The North Face, e cresceu no Brasil, principalmente, por meio de multimarcas. A Vans está presente em 84 países e tem valor de