A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CRIANÇAS SOB FOGO CRUZADO

Sabemos de que é feita uma relação quando ela se desfaz; na separação os filhos podem ser as principais vítimas

Em agosto de 2010, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 12.318, que dispõe sobre a alienação parental, permitindo aos juízes interceder em casos de exageros praticados por um dos pais que ataca a imagem e a autoridade do outro. A síndrome da alienação parental faculta a imposição de penalidades ao cônjuge alienador (desde multa até a inversão da guarda). Descrita por Richard A. Gardner em 1985, a síndrome ocorre tipicamente no contexto de separação do casal, quando um dos pais começa uma campanha sistemática para desmoralizar o outro. Geralmente, aquele que detém a guarda da criança cria uma interpretação tão negativa do outro que o filho abandona sua habitual e esperada atitude (gerada pela separação) de divisão subjetiva, conflito e angústia, iniciando uma espécie de “alinhamento automático” (alienação). Passa a reproduzir discursos, crenças, práticas e sentimentos do alienador. Sem culpa ou ambivalência e com justificativas fracas ou absurdas para explicar a depreciação chega-se a situações nas quais o filho pode recusar visitar ou ver o pai ou a mãe, generalizando o ódio para outros parentes, o que pode ser lido como ato de desamor e “tomada de partido” por parte da criança, causando no genitor acusado decepção, indiferença e abandono, que acabam por “produzir” ou “confirmar“ o estado de coisas que inicialmente era uma ficção (mesmo que inspirada em fatos reais). Frases como “seu pai não se importa com você”, “ela não te (nos) ama”, “ele só quer saber da outra”, “ela nunca cuidou direito de você” tornaram-se, na expressão da lei, enunciados que nenhuma criança jamais deveria escutar de seus pais.

É comum que os filhos fiquem expostos ao processo de interpretação das razões, causas ou motivos da separação. São alvo de fogo cruzado, levando e trazendo recados, desaforos e ressentimentos de um para o outro.

Sabemos de que é feita uma relação quando ela se desfaz. E ela nem sempre se desfaz quando formalmente decretamos seu fim. Há finais que não terminam e há términos que não acabam. Por isso é raro que uma criança enfrente dificuldades realmente novas durante uma separação. Em geral, desvelam-se e ampliam-se as disposições e conflitos há muito tempo presentes. Isso é cruel no caso em que a criança é reduzida a instrumento de vingança, alienada ao desejo de um dos pais. Nesta circunstância ela é privada de uma das possibilidades mais importantes e criativas, fornecida involuntariamente pelo contexto: experimentar, reconhecer e confrontar sua própria capacidade de desejar separações.

O termo alienação possui dupla conotação: 1) estranhamento e impossibilidade de reconhecermo-nos em algo que nós mesmos produzimos, que nos aparece como algo separado de nós; 2) exteriorização, separação ou perda de nossa própria consciência. No século 18 os loucos eram chamados de alienados, pois supunha-se que não podiam se reconhecer nos próprios atos, que não tinham responsabilidade sobre eles e haviam perdido a própria consciência, estavam fora de si. Portanto, separar-se e alienar-se são literalmente sinônimos, mas ao mesmo tempo opostos. É isso que está em jogo na síndrome da alienação parental: privar a criança do mais simples, primário e esquecido direito à contradição. Imaginamos sempre que a coerência é um valor indiscutível na educação. Pais que praticam a alienação parental estão sendo racionalmente coerentes com seu desejo de vingança – e demasiadamente coerentes com sua interpretação extremada e rasa de quem está com a razão e quem é o melhor cuidador para a criança. É loucura ou alienação, mas não destituída de método. Ainda bem que nossa Justiça reconheceu, contra a supremacia da coerência, o direito da criança de experimentar sua própria contradição ao reconhecer-se na contradição do desejo do outro.

OUTROS OLHARES

A TODA VELOCIDADE

De modelos dobráveis a mountain bikes, multiplicam-se no Brasil as versões de bicicleta elétrica. Mas o preço é ainda de tirar o fôlego

Quando as baterias modernas passaram a ser acopladas ao quadro das bicicletas, elas viraram uma opção ainda mais interessante dentro da trilha ecologicamente correta para driblar os graves problemas de mobilidade nas grandes cidades, sobretudo nas metrópoles com topografia irregular, cheias de ladeiras que exigem fôlego de ciclista profissional para ser vencidas. Mas o negócio precisou de muita pedalada para engrenar. Surgidas na década de 90, as primeiras e-bikes, como esses veículos são chamados, tinham preços super proibitivos, eram pesadas demais, sem nenhum charme no design. Nos últimos anos, com o aumento da popularidade do produto, os preços começaram a cair e os fabricantes diversificaram as opções. Somente no Brasil apareceram mais de vinte novos modelos desde 2018, entre nacionais e importados. As alternativas vão de bicicletas dobráveis a mountain bikes. “Muita gente está revendo o estilo de vida após perceber a quantidade de tempo que se perde encalhado no trânsito”, diz João Magalhães, organizador do Shimano Fest, o maior evento especializado no mercado de ciclismo do país. “As e-bikes crescem na esteira dessa mudança de comportamento.”

Um passo fundamental para a evolução do negócio foi o surgimento de baterias e de motores menores. No caso dos propulsores elétricos, os antigos chegavam a pesar mais de 4 quilos. Os atuais têm quase metade do tamanho. Algumas marcas brasileiras se aproveitaram disso para lançar recentemente e-bikes compactas. Fabricante do Rio de Janeiro, a Lev colocou no mercado a D, que é dobrável e possui uma bateria com 30 quilômetros de autonomia. Pode ser recarregada em uma tomada simples. A operação leva de cinco a seis horas. Sua principal concorrente no país, a S, da Skape, outra bicicleta dobrável, tem um dispositivo especial que pode ser acionado em subidas mais íngremes, dando um impulso extra ao ciclista.

O desenvolvimento da tecnologia levou os mesmos avanços para outros modelos, além daqueles dedicados ao uso urbano. Uma das ondas do momento são as mountain bikes elétricas. Nesse caso, o motor é utilizado para acrescentar adrenalina à brincadeira off-road. Exemplo da tendência é a brasileira Scalator, que começou a ser vendida no início de 2019. É uma das e-bikes mais caras do Brasil (custa 12.890 reais) e chega a atingir 40 quilômetros por hora. “Elas estão fazendo com a mobilidade o que a guitarra elétrica fez com o rock: chegaram para amplificar as possibilidades”, compara Luciano “KDra” Lancellotti, instrutor e ciclista profissional. Em sua atividade, ele percorre trilhas e dá dicas a seus pupilos na Serra da Cantareira, em São Paulo. “Consigo hoje praticar e dar aulas por nove horas, coisa que seria impossível apenas usando a força das minhas pernas”, conta.

A multiplicação de e-bikes no Brasil também abriu novos mercados para esse produto. Alguns entregadores de aplicativos como Rappi e Uber Eats andam investindo nesses equipamentos para conseguir percorrer longas distâncias e, consequentemente, efetuar mais entregas. A Polícia Militar de São Paulo também começou a usar veículos desse tipo em rondas pela capital, depois de receber, em julho, uma doação de 75 veículos feita pelo Grupo Iguatemi. Outros 125 serão incorporados à frota até o fim do ano. No total, o presente custou cerca de 800.000 reais.

No exterior, o mercado de e-bikes está em um estágio ainda mais acelerado. Nos Estados Unidos, até a lendária fabricante de motos Harley­ Davidson colocou esse produto na sua rota. Em março, a companhia adquiriu a StaCyc Inc., especializada em e-bikes para crianças. Além de manter essa linha de montagem, a Harley anunciou que trabalha em protótipos para o público adulto. Na Europa, cerca de 40% da frota de bicicletas já é formada por e-bikes. No Brasil, a fatia é de 1%. Segundo o levantamento mais recente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), a produção atual dessa modalidade de bikes no país é de aproximadamente 500 unidades por mês. Ainda que os preços tenham caído desde a década de 90, não é possível encontrar hoje, por aqui, nenhum modelo bom por menos de 3.990 reais. Mesmo os nacionais levam componentes importados, como as baterias de lítio, que encarecem o produto final.

Mas a entrada de grandes empresas no jogo, com produção em larga escala, pode ajudar a baratear o negócio. Maior fabricante de bicicletas do país, a Caloi possui hoje três e-bikes. A mais recente da linha, lançada em julho, a E-Vibe EasyRider, custa 5.000 reais. “Estamos trabalhando para tentar lançar unidades com valores a partir de 2.900 reais nos próximos anos”, afirma Cyro Gazola, presidente da companhia. A startup Vela monta sob encomenda dois modelos, a Vela1 (5.890 reais) e a Vela S (5.790 reais). Agora, investe na construção de uma fábrica para multiplicar por dez o atual volume de produção, de modo a chegar à marca de 500 e-bikes por mês. Assim, de pedalada em pedalada, o mercado brasileiro de bicicletas vai ficando cada vez mais elétrico.

GESTÃO E CARREIRA

CUIDADO COM A HOSTILIDADE

Da grosseria do chefe à piada sem graça, as demonstrações de desrespeito no trabalho têm muitas faces e minam a autoestima, a performance e a saúde. Aprenda a detectar essa atitude e a se proteger.

Pense naquele chefe que segura todo mundo no escritório até tarde da noite. Ou naquele que só lembra seu nome quando é para chamá-lo aos gritos na sala dele. Pense no colega que coloca apelido em todo mundo ou no outro que se gaba de ser o favorito da alta gerência. As situações de hostilidade estão por toda parte no dia a dia profissional e é praticamente impossível passar ileso por elas – como vítima, testemunha ou sendo o próprio autor do desrespeito. Primeiro, porque onde houver relações humanas haverá conflitos. Além disso, o ambiente competitivo, a cobrança por resultados e a convivência de diferentes gerações no mesmo espaço de trabalho (coisa mais comum a cada dia) criam um cenário propício para atitudes ríspidas, agressivas e insensíveis.

A professora Christine Porath, da Escola de Negócios da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, estuda as causas e os efeitos da hostilidade no trabalho há duas décadas. O interesse pelo tema surgiu depois de ela mesma passar dois anos em um emprego em que era submetida diariamente a todo tipo de desrespeito. Ela é autora do livro Mastering Incivility – A Manifesto for the Workplace (“Dominando a hostilidade – um manifesto para o ambiente de trabalho”, numa tradução livre, sem edição no Brasil). “Minhas pesquisas com milhares de profissionais ao longo desse tempo revelaram que 98% já viveram situações hostis no dia a dia de trabalho e 99% testemunharam episódios desse tipo”, diz. E, segundo ela, todo mundo sai perdendo quando o ambiente se toma tóxico. “Sentir-se desrespeitado afeta a motivação, a criatividade, a colaboração, o engajamento e a produtividade.”

PREÇO A PAGAR

Para as empresas, os prejuízos vêm na forma de absentismo, de perda de profissionais, de baixa performance, de custos com a saúde dos empregados, de indenizações e de fuga de clientes, que cada vez mais se distanciam de marcas que não consideram éticas. Um estudo de 2013 publicado na revista Fortune revelou que os executivos das 1.000 companhias mais importantes dos Estados Unidos gastaram cerca de 13% do tempo de trabalho (o equivalente a sete semanas por ano) agindo para corrigir prejuízos causados por atitudes hostis e para restabelecer a relação de confiança com os funcionários. Estima-se que os danos provocados pela falta de civilidade nas organizações custem 6 bilhões de dólares por ano às empresas americanas.

A saúde dos trabalhadores, claro, também paga o pato. “A tensão gerada pela convivência diária em um ambiente hostil estimula a produção de substâncias inflamatórias que afetam a imunidade e prejudicam o sono”, explica a psiquiatra Lívia Beraldo de Lima Basseres. Estresse e ansiedade, aliás, estão entre as principais causas de afastamento por adoecimento relacionado ao emprego, de acordo com dados do Ministério do Trabalho, e favorecem quadros de burnout e depressão.

Em um momento em que a ética e a transparência nos processos e nos relacionamentos são cada vez mais valorizadas pelos consumidores, as empresas precisam estar atentas para não perder dinheiro. Uma pesquisa de coautoria de Christine Porath publicada no Journal  of Consumer Research mostrou que presenciar um garçom ou vendedor de loja sendo hostilizado pelo gerente  do estabelecimento, por exemplo, pode fazer com que o cliente desista da compra e até  de frequentar o lugar. Isso porque ele tende a fazer uma generalização negativa daquele comportamento (ou seja, achar que é a norma válida na empresa) e preferir não colocar ali o dinheiro dele. Com a facilidade para que a informação seja passada adiante – basta um clique para postá-la nas redes sociais -, o prejuízo para a reputação do negócio pode ser enorme. Tem mais. “O líder que não se relaciona bem com o time corre o risco de gerar ruídos na comunicação com o cliente e acabar perdendo-o,” observa Caroline Marcon, coach executiva e especialista em comportamento organizacional. Não dá para pensar que falta de respeito e atitudes rudes aconteçam apenas de cima para baixo na hierarquia. Afinal, se quase todo mundo sofre com elas é porque os agressores estão por toda parte. Também não está certo achar que comentários sarcásticos e críticas “construtivas” não façam mal a ninguém. Elas podem, sim, soar como hostilidade para um, mas não para outro – a compreensão e a tolerância variam de acordo com a geração, o gênero, o contexto em que a pessoa foi criada e até a cultura da empresa. Pior: o comportamento é contagioso. “Um gestor que não respeita e não pune nem adverte quem desrespeita acaba alimentando uma cultura de hostilidade, já que a equipe pode achar que aquele é o comportamento adequado para sobreviver no ambiente”, afirma Caroline.

Ser gentil é ficar para trás? Agendas sempre cheias e estresse são explicações comuns para o distanciamento de chefes e equipes, o que frequentemente acaba favorecendo relações frias e comportamentos hostis. Outra crença que justifica tratamentos rudes de gestores para com os subordinados é que perderão o respeito e a capacidade de liderança se forem amigáveis e colaborativos. As pesquisas de Christine Porath, no entanto, demonstram exatamente o contrário: o que faz um líder ser admirado pelo time tem mais a ver com o acolhimento, a gentileza, a confiança e o respeito que ele pratica no dia a dia. Ter um chefe agradável e respeitoso resulta em mais criatividade, desempenho e resiliência, estimula a proatividade e reduz o desgaste emocional mesmo em momentos puxados na rotina de trabalho.

Em um levantamento global com mais de 20.000 trabalhadores, a pesquisadora descobriu que aqueles que se sentiam respeitados pelo chefe eram 55% mais engajados, 56% mais saudáveis, 89% mais satisfeitos e felizes e 92% mais focados. “Ser tratado com civilidade mostrou ter mais efeito sobre a performance e os resultados do que receber reconhecimento, elogios ou feedback positivo”, conclui Christine. Ter interesse em construir relações sinceras com os subordinados, saber ouvir e estar aberto para a colaboração também são fundamentos básicos da liderança respeitosa. “É importante estar consciente das próprias ações e tentar entender como elas são recebidas e o que provocam em quem está em volta”, observa Patrícia Volpi, professora de RH dos MBAs Internacionais do Profuturo da FIA.

PROTEJA-SE DOS ATAQUES

Se nem sempre é possível controlar ou mudar o comportamento de alguém, agir para minimizar os prejuízos de uma convivência pouco amigável no trabalho está a seu alcance. Veja como:

COMPARTILHE O INCÔMODO

Conversar com o autor da agressão sobre seus sentimentos ou procurar um colega ou o RH para orientação sobre como agir ao se sentir agredido deve ser o primeiro passo para impedir que a atitude se perpetue. “Só não se deve evitar falar sobre o problema, por mais espinhoso que seja”, diz Carina Abud Alvarenga, advogada e cofundadora da Burithi, consultoria em gestão de conflitos das organizações. Isso pode funcionar como uma validação para que o comportamento seja replicado e contamine ainda mais o clima.

SEPARE VIDA PRIVADA E PROFISSIONAL

Ok, nem sempre é fácil. mas cultivar interesses, amizades e atividades fora do expediente é uma forma de fortalecer o lado emocional e não levar para o pessoal questões com o chefe, colegas ou clientes. Conversar sobre problemas do trabalho com alguém de fora ajuda a ver as coisas de outro ponto de vista e a encontrar saídas que você talvez não enxergasse sozinho.

BUSQUE SENTIDO NO TRABALHO

Ter clareza sobre os ganhos não materiais que o emprego atual proporciona é a chave para dispor de resiliência e gratidão e não se deixar abater facilmente pela hostilidade enfrentada no dia a dia – seja como vítima, seja como espectador.

CUIDE DE SEU BEM-ESTAR

Praticar atividade física, ter uma alimentação saudável, dormir bem e investir em hobbies, lazer e o que mais for prazeroso para você funciona como uma espécie de vacina contra os efeitos nocivos de ambientes de trabalho pesados -inclusive o surgimento de doenças físicas e mentais. Malhar e meditar, por exemplo, são comprovadamente eficientes para regular o humor, acalmar e desenvolver habilidades cognitivas importantes, como raciocínio, foco e memória, comprometidas em circunstâncias estressantes.

O PREÇO DA GROSSERIA

Sentir – se maltratado afeta diretamente os relacionamentos e a produtividade. Entre profissionais que viveram situações em que foram desrespeitados:

NÃO É SÓ GRITARIA

A hostilidade impera sob vários disfarces nos locais de trabalho. E você, mesmo sem se dar conta, pode estar agindo assim. Também é falta de respeito:

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 14 – O MINISTÉRIO E AS CRIANÇAS

Já foi demonstrado que os demônios podem ganhar entrada num feto e nas crianças; é óbvio, pois, que deve existir libertação para elas. Os demônios podem ser expulsos de crianças, da mesma maneira como dos adultos”. ‘Haverá manifestações dos espíritos saindo pela boca e nariz, tanto quanto em outras libertações.

Geralmente é fácil libertar as crianças. Desde que os espíritos não tenham passado muito tempo nelas, os demônios estão ainda na superfície. Há exceções com as crianças que foram expostas ao ataque demoníaco por circunstâncias severas. As manifestações dos demônios podem ser dramáticas, tanto nas crianças quanto nos adultos.

Um jovem casal cristão trouxe seu filho de 3 meses para nossa ministração. Era seu primeiro bebê e os pais não estavam concordando sobre a disciplina que lhe dariam, até que apareceu um forte argumento.

Durante a briga a criança começou a gritar e, desde então, parecia que a criança estava sofrendo de espíritos de tormento. Minha esposa segurou a criança nos braços e mandou os espíritos embora em nome de Jesus. Enquanto o primeiro demônio saía, a criança ficou rígida e deu um grito. Mais dois demônios saíram da mesma maneira. O bebê acalmou-se e logo estava dormindo tranquilamente.

Uma menina de quatro anos foi liberta enquanto estava sentada no meu colo, folheando um livro de histórias bíblicas. O Espírito Santo dirigiu meus comentários sobre as figuras, usando-os na identificação dos espíritos e nas ordens para saírem. Eles saíram tossindo.

Duas outras crianças da mesma família, de seis e sete anos, receberam nossa ministração, de modo informal. Estas duas crianças maiores tinham sido a causa de grande consternação para os pais. Elas eram teimosas demais. Depois de serem libertas, houve nelas uma transformação tal que chamou a atenção de pessoas de fora da família.

Para a maioria das crianças de 5 ou 6 anos, podemos dar uma simples orientação sobre aquilo que vai acontecer antes de começar a ministração. Elas têm de saber que você não está falando com elas, pois ficariam assustadas ou ofendidas pelas palavras de ordem dirigidas aos espíritos.

Em geral, as crianças cooperam muito bem. Como elas geralmente se sentem melhor com os país, é melhor que um dos pais segure a criança durante a ministração. O ministro de libertação tem de discernir as reações da criança que são atribuídas aos demônios que estão sendo agitados. Os espíritos podem fazer a criança não gostar de ficar com a mãe nem com o pai. Ela pode chorar, gritar ou mostrar sinais de grande medo.

Os demônios usam várias táticas para fazer a pessoa pensar que é a criança que está sendo prejudicada, de modo que o ministro, ou o pai, estará com tanta pena da criança que fará parar a libertação, e os demônios ficarão.

Especialmente na ministração às crianças, é necessário lembrar que não é a altura da voz que faz o demônio obedecer, mas a autoridade no nome e sangue do Senhor Jesus Cristo. As ordens podem ser dadas com muita calma, e a criança entenderá muito pouco o que está acontecendo.

Como é que as crianças e os bebês conservam sua libertação, uma vez libertados? Não é responsabilidade da criança, mas da pessoa responsável por ela. Sei que você encontrará nas Escrituras que, quando Jesus ministrou às crianças, um dos pais ou ambos estavam presentes. É responsabilidade dos pais serem os protetores espirituais de seus filhos.

O caso seguinte é apresentado por minha esposa e ilustrará a maioria dos fatores envolvidos na libertação de uma criança:

“A mais vivida libertação infantil que já vi foi a de uma menina de seis anos. Vamos chamá-la de Maria. O pai de Maria veio à procura de libertação. Durante a entrevista, falou da sua dificuldade em disciplinar a filha. Ele e sua esposa eram desquitados e ele estava criando a menina. Disse que ela dava muito trabalho, e era teimosa e rebelde. Ele ficava muito sentido com isso, pois a natureza da menina criara nele uma raiva excessiva, e ele acabava castigando-a severamente. Nós dissemos que Maria precisava de libertação tanto quanto ele, ou até mais, e insistimos para que ele a trouxesse.

“Uns dias mais tarde, Maria veio à igreja diretamente da escola. Devo mencionar aqui o fato de que, enquanto estava fazendo amizade com ela e explicando que queria orar por ela, Maria tomou meia garrafa térmica de laranjada. Ela era hiperativa, pulando no banco da igreja, absolutamente incapaz de ficar quieta durante nosso bate-papo.

“Eu disse: Maria, seu pai me disse que você sabe que espíritos maus existem. Os olhos dela abriram-se e ela contou que todas as noites tinha de verificar se todas as portas estavam trancadas, antes de dormir. Ao levantar-se uma noite, para tomar água, ela ficou com medo e teve de verificar, as portas novamente. Eu disse: ‘Sim, isso é medo, Maria. Você está perturbada por um espírito de medo. É ele que faz você ficar com medo, e quero orar por você e fazer com que ele deixe seu corpo. Ele entrou em você, e, quando eu orar, ele sairá pela boca.’ Ela aceitou minhas palavras com a fé simples e pura de uma criança.

“Convidei-a a sentar-se junto a mim, enquanto eu estava orando. Ela o fez, mas ficou tão inquieta que eu tive de colocá-la no meu colo para que ela ficasse perto de mim. Ela sentou-se encostada em mim. Comecei a orar com fé e confiança que Jesus ia libertada. O Espírito Santo claramente me disse para falar em voz baixa — mais baixa ainda do que a que usei para conversar. Disse-me também para considerar cada palavra que agora ia sair da sua boca como sendo inspirada por demônios.

“Comecei a confrontar os demônios. Eu disse: ‘Vocês, demônios que habitam no corpo de Maria, vocês têm de saber que Maria está coberta pelo sangue de Jesus, pela relação que seu pai tem com Jesus.

Tal como o pai que nos dias de Moisés colocou sangue no batente da porta para proteger a família, assim está Maria sob a cobertura do sangue. Demônios, também quero que vocês saibam que o pai de Maria ouviu e aceitou a verdade da Palavra de Deus a respeito de vocês. Ele sabe agora que tem sido vocês contra quem ele tem lutado e não contra Maria.’

“Percebi que Maria estava murmurando e inclinei a cabeça para ouvir melhor. Ela estava dizendo: ‘Não gosto daquilo que você está dizendo’. Repliquei: ‘Sei que vocês não gostam, pois estou expulsando vocês. Maria tem sido atormentada por vocês desde antes de seu nascimento; ainda no ventre da mãe, alguns de vocês entraram. Mas Deus disse que vocês não podem mais habitar nela.’ Novamente o demônio em Maria começou a murmurar.

Desta vez, em palavras forçadas e rebeldes, eles reagiram: ‘Não… gosto… do… que… você… está… dizendo!’ Com muito cuidado, respondi em voz baixa: ‘A situação não vai melhorar para você, demônio, mas vai piorar porque você será expulso dela hoje. Você está perdendo sua casa’. Com isso, o demônio gritou, dizendo: ‘Não gosto do que você está dizendo, cala a boca, viu!’ Respondi: ‘Não. Não vou calar-me, mas vou

continuar a falar até você deixar o corpo dela.’

“Continuei confrontando-os. ‘Agora, demônios, comecem a se manifestar, em nome de Jesus.’ Imediatamente Maria começou a sussurrar de novo: ‘Você não me ama; se me amasse, não iria me segurar.’ Respondi: ‘Certo, demônio de rejeição, você impedia o amor que era dado à Maria. Você a fez pensar que ninguém a ama — até mesmo Deus. Você vai sair dela agora, rejeição, em nome de Jesus.’ Um por um, os demônios começaram a manifestar sua natureza. Eles vinham tão rápido que eu mal tinha tempo para identificar um, e lá vinha outro.

“Os demônios estavam forçando Maria a sair do meu colo, apesar de eu poder segurá-la em meus braços, sem problema nenhum. No fim, tive de prender uma perna dela entre as minhas. O demônio de ódio pôs o rosto dela no meu e, com o nariz dela no meu, gritou: ‘Odeio você.’

Ainda falando com voz suave, mandei o demônio de ódio sair. Ela começou a gritar: ‘Quero uma faca, quero uma faca!’ O demônio apertou os dentes de Maria e disse: ‘Quero uma faca para matar você.’ ‘Você, demônio de homicídio, mando você sair em nome de Jesus.’

“Em seguida, Maria levantou-se, colocou as mãos nos quadris, dizendo: ‘Ninguém NUNCA me disse o que fazer!’. Eu disse: ‘Provocação, saia!’.

“Houve uma mudança distinta em sua voz quando o próximo demônio falou. Ele disse: ‘Eu faço só aquilo que quero.’ Eu disse: ‘Vontade-própria, saia!’ Houve outra mudança na voz ao dizer: ‘Você nunca me fará sair.’ ‘Teimosia, você tem de sair também’, insisti. Maria levantou as mãos como se fossem umas patas com unha afiadas e atacou meu rosto; seus olhos estavam salientes, e ela gritava. Eu disse: ‘Loucura, saia de Maria em nome de Jesus.’

Ela começou a arrancar os cabelos e mover a cabeça violentamente. Eu disse: ‘Enfermidade mental e loucura, saiam’. Em seguida era esquizofrenia, pena-de-si, rejeição, rebelião e amargura. ‘Nenhuma dessas personalidades é a verdadeira Maria. Eu desligo a verdadeira Maria para ser aquilo que Jesus deseja. ‘Com isso, ele arranhou meu braço, me mordeu e rasgou minha blusa.

Neste ponto, ela olhou para mim muito surpreendida porque não bati nela. Percebi que era a verdadeira Maria que ficou surpreendida. Confrontei os demônios, dizendo: Não, demônios, não vou castigar Maria por ter feito isto, porque posso separá-la de vocês. Por tempo demais ela tem sido castigada na carne pelas coisas que vocês têm feito por meio dela. Hoje é diferente. Vocês são os castigados e Maria está livre.’

Maria descansou por um segundo, e daí outros demônios começaram a agir.

“Finalmente, depois de 20 ou 30 minutos de ministração, Maria começou a gritar implorando para ser largada, dizendo: ‘Não segure minha perna!’ O Espírito Santo indicou-me que agora ela podia sentar-se no banco ao meu lado. Ela estava chorando quietinha. ‘Não gosto que você me segure assim.’ Eu culpei os espíritos malignos por aquilo, e ela gostou da ideia de que finalmente eles eram os culpados e não ela.

“Maria sentou-se bem quietinha, e o Espírito Santo indicou que eu poderia mandar o resto sair, e eu o fiz com: ‘Todo o resto de vocês, demônios, saiam em nome de Jesus!’ Imediatamente, Maria ficou com náusea, e, antes que eu pudesse pegar uma toalha, ela vomitou uma bola de muco, enchendo suas pequenas mãos e as minhas. Ela olhou para mim sorrindo e banhada em paz.

“Lembre-se de que no começo contei que Maria havia tomado laranjada ao chegar para nossa ministração. Não houve nada de laranjada no vômito, pois não procedeu do estômago.

“Ficamos conversando uns 15 minutos. Maria ficou quietinha, em contraste à natureza hiperativa demonstrada antes. O seu pai ficou pasmado. Ele observou tudo com sentimentos mistos, sem o discernimento e experiência que eu tinha. Ele pensava que Maria estava sendo maltratada, mas resistiu ao impulso de interferir na ministração.

“Embora eu não tenha tido contato pessoal com Maria, as notícias dela são maravilhosas, como: ‘Ela está tão diferente! Nem parece a mesma menina.’ ‘Ela responde ao amor’, etc.

“Meus olhos se enchem de lágrimas quando me recordo dessa libertação. Foi a primeira libertação que me fez chorar. A luta foi tão tumultuada, e a paz tão maravilhosa, que eu não pude deixar de chorar. A Deus seja a glória.”