A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O AMOR NOS TEMPOS DO “SUGAR”

Nos “relacionamentos açucarados”, o dinheiro é o protagonista: um parceiro, em geral mais velho, banca as despesas do outro, jovem

Entre as várias tramas paralelas que sustentam o enredo de A Dona do Pedaço, novela de Walcyr Carrasco, exibida pela Rede Globo no horário nobre do gênero, às 21 horas, um casal tem chamado atenção. Otávio, um ricaço com ares de setentão, vivido na tela por José de Abreu, se diz apaixonado pela mulher, Beatriz (Natália do Vale), mas mantém um meloso relacionamento com a Lolita Sabrina (Carol Garcia), ex-garota de programa. A cada cena, é sugar daddy para lá (é ele), sugar baby para cá (é ela). Sócio de uma construtora, o empresário alugou um flat para a moça e paga todas as suas contas. São felizes assim, à sua maneira — até o próximo capítulo.

A história de Otávio e Sabrina está servindo para popularizar a nova moldura que contorna um antigo modelo de relacionamento, no qual alguém, normalmente com boa situação financeira, banca uma pessoa, quase sempre bem mais jovem, em troca de uma convivência que pode levar a um envolvimento íntimo, sexual. “Nos romances do século XIX era muito comum a figura do protetor, que agora simplesmente mudou de nome, com posturas contemporâneas”, disse Carrasco, o autor do folhetim global, a VEJA.

A moda de que se está falando desembarcou no Brasil em 2015, vinda dos Estados Unidos, onde brotou no início dos anos 2000 — daí o uso dos termos em inglês. Em um relacionamento sugar (açúçar, naquele idioma), há um daddy (papai) ou uma mommy (mamãe), homem ou mulher que têm condições de financiar um(a) baby (bebê), rapaz ou moça em busca justamente de quem lhe propicie conforto material.

“PAPAI” – O empresário Noor: em busca de “uma mulher interessante”

Como acontece com outras tendências comportamentais da atualidade, o “fenômeno sugar” se propaga pela internet — por meio de sites de relacionamento, entre eles o Meu Patrocínio, líder no Brasil em tal modalidade, com mais de 2 milhões de pessoas cadastradas. Nele e em outras plataformas, como a Universo Sugar, os interessados expõem sua disposição para entrar em uma relação que, sem eufemismos, será pautada pelo dinheiro. Não provocaria nenhuma estranheza se, diante desse quadro, a primeira ideia que viesse à mente fosse prostituição. No caso dos “relacionamentos açucarados”, porém, não é disso que se trata.

Tome-se o exemplo do empresário Arif Noor, de 56 anos, ugandense que vive em São Paulo. Cadastrado há dois meses no Meu Patrocínio, o sugar daddy conta que até agora não se relacionou intimamente com nenhuma moça do site. Contudo, por meio da plataforma conheceu a manauense Luciele Pimentel, de 28 anos, a sugar baby que se tornou sua parceira… de negócios! “Saímos para um encontro e acabamos fechando um trabalho. Ambos vimos uma oportunidade para empreender juntos no ramo da moda”, relata Noor. “Ainda estou em busca de uma mulher interessante para uma relação romântica”, diz ele. Luciele, por sua vez, afirma que atingiu seu objetivo. “Deixei o Meu Patrocínio porque encontrei o que buscava. Literalmente um patrocínio para ajudar a alavancar minha carreira como estilista”, comemora.

‘‘MAMÃE’’ – Marisa Araújo: “Se eu fosse homem, não me questionariam”

Inscrita na plataforma há três anos, a produtora paulistana Fernanda Rizzi, de 38, narra que, depois de várias frustrações amorosas — e de uma relação que chegou a prejudicá-­la financeiramente —, decidiu mergulhar no universo sugar, no qual o dinheiro já faria mesmo parte do jogo. “Nunca fiz sexo em troca de pagamento. Ganhei mimos, como viagens, sapatos, bolsas. Hoje meu daddy mora na França e me ajuda com um curso de francês”, explica ela.

Fora do modelo convencional, a empresária carioca Marisa Araújo, de 57 anos, se tornou uma rara sugar mommy. Casada por 24 anos, separada há cinco, com dois filhos, ela diz que não quer outra relação conjugal estável. “Sou livre. Se fosse um homem no meu lugar, nem me perguntariam sobre pagar contas para alguém mais jovem”, provoca.

Para Jennifer Lobo, empreendedora americana radicada no Rio, onde fundou o Meu Patrocínio, há quatro anos, a proposta do movimento no qual figura como uma das líderes é promover relacionamentos transparentes. “As pessoas não falam sobre dinheiro. O tema é tabu. Entretanto, a partir do momento em que um casal entra em acordo nesse tópico, tudo se torna mais honesto”, esclarece ela. “De um lado, dos daddies e das mommies, temos pessoas ricas que buscam jovens lindos. De outro, meninas e meninos que procuram conforto. Mas todos, no fim, precisam de afinidade para a relação se sustentar”, avalia Jennifer.

“BEBÊ” – A produtora Fernanda Rizzi: curso de francês pago pelo ‘daddy’

Embora não tenham a prostituição como base das relações que intermedeiam, os sites sugar recebem denúncias de propostas assim. A ordem, nessas situações, é banir os desrespeitosos. “Não queremos esse tipo de ambiente na plataforma”, garante Jennifer. Segundo a baby paulistana Eduarda Park, de 24 anos, cadastrada no Meu Patrocínio e no Universo Sugar, as ofertas de programa oscilam entre 400 e 2 000 reais. “Normalmente elas são feitas por homens casados”, destaca Eduarda. Para se prevenirem, as babies criaram grupos, no Facebook e no WhatsApp, nos quais trocam informações sobre os homens. Eles, os daddies, descobriu Eduarda, também têm seus grupos — para compartilhar nudes das babies. De todo modo, conforme explica Renato Opice Blum, advogado especialista em tecnologia, os sites não poderiam ser responsabilizados em caso de exploração sexual: “Os apps estimulam o encontro, não a prostituição”.

Na opinião da sexóloga Marina Simas, sócia-diretora do Instituto do Casal, de São Paulo, o acordo firmado nos relacionamentos sugar pode ser até bom a curto prazo, “no entanto, há dúvidas quanto à sua durabilidade”, pontua. “No primeiro momento, um é dependente do outro e há relação de poder. O que acontecerá quando a baby quiser autonomia ou quando envelhecer?” Para Marina, o relacionamento sugar tradicional, entre o homem mais velho e a mulher mais nova, seria ainda resquício da sociedade patriarcal. “A plataforma amplifica o modo como vivemos na cultura machista”, acredita a especialista.

Em dias de “modernidade líquida” — para usar a expressão consagrada pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman (1925-2017) —, com o mundo “propenso a mudar com rapidez e de forma imprevisível”, a fragilidade dos laços humanos salta à vista. O próprio amor é líquido — como se deduz do amor nos tempos do sugar.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

LIBERDADE, SEXUALIDADE, VISIBILIDADE

Teria o mundo se transformado numa grande vitrine na qual só quem se exibisse poderia fazer parte dele?

Mulheres comuns estão tirando as roupas e exibindo sua nudez. Algumas participam de ensaios de fotos sensuais feitas em estúdio para presentear maridos ou namorados; outras estampam calendários, vendidos para angariar fundos para alguma causa social. Sem motivos aparentes, mães de família de classe média americana, por exemplo, responderam ao apelo de um site para serem fotografadas nuas em alguma atividade banal, como jogar cartas. Suas fotos podem ser vistas por quem quiser visitar o tal endereço na internet. Teria o mundo se transformado em uma grande vitrine e somente quem conseguir certa visibilidade (seja lá qual for o preço) pode fazer parte dele? A liberdade sexual alcançada nas últimas décadas pelas mulheres as estaria incentivando a “assumir” sua sensualidade sem constrangimentos? Seria mais fácil hoje viver a fantasia feminina (antes inadmissível) de ser parte do imaginário erótico masculino? Por que, diante de tanta liberdade para escolhermos estilos de vida sexual e modos inusitados de gerenciar nosso corpo, a exibição deste nos parece tão sedutora?

Refletir sobre esta associação entre liberdade, sexualidade e visibilidade requer uma pequena – e não tão simples – revisão do percurso da cultura, este complexo patrimônio simbólico produzido por nós mesmos, sem deixar de lado o fato de as mudanças de alguns valores, que antes demoravam mais de uma geração para se constituir, hoje nos atropelarem com novas e inusitadas questões. Dentre elas, as desconstruções radicais de antigas crenças e modos de existência, que aparecem tanto na maneira de viver a sexualidade (independentemente do gênero), incluindo aí os contornos e limites do corpo erótico (principalmente para as mulheres), quanto a “midiatização” do cotidiano. Vale lembrar que a publicidade se apropriou de imagens eróticas femininas para agregar valor às mercadorias.

Freud foi um dos teóricos mais sensíveis ao papel que a sexualidade humana teria na produção de cultura e, percebendo seu caráter disruptivo, apontou a importância de sua regulação para um gerenciamento da convivência. Para cada época existem comportamentos que são incentivados e aprovados e outros que costumam ser desestimulados e condenados. O apetite sexual das mulheres já foi encarado como uma alquimia de feiticeiras e bruxas prontas a exercer as tentações que culminariam com a perdição da alma humana, mas estão longe de nós os dias em que a sexualidade humana – e o ato sexual, propriamente dito – era tabu. Hoje, esses assuntos fazem parte de uma ciência que se preocupa em nos informar sobre como bem viver.

Mas é justamente por falhar repetidas vezes em conformar as normas e restrições da cultura que a regulam que a sexualidade humana se manteve durante grande parte da história como um tema pouco veiculado. Isto foi particularmente mais verdadeiro em relação à sexualidade feminina, abafada sob diferentes justificativas, fosse pela ideologia judaico-cristã que nos guiou durante séculos exaltando um modelo de mulher assexuada, fosse porque coube aos homens, durante longo período, gerenciar a distribuição de prazer (e de poder) da cultura, tomando para si a parte majoritária. Com isso, as mulheres viveram muito tempo entre dois modelos: o da santa (todas as “mães puras”) e o da prostituta (as mulheres que exalassem sensualidade). Ambos gravitam em torno de uma lógica masculina de compreensão do feminino, fantasia que ainda prende pessoas de ambos os sexos, com aval da cisão promovida pela tradição cristã que tanto dividiu de um lado o amor sexual e de outro o sentimento casto, quanto tentou dar um destino à interdição do corpo materno, santificando-o.

O recato (cobrir as partes do corpo que pudessem lembrar qualquer sinal de êxtase) foi por muito tempo uma norma, um imperativo que visava acalmar as pulsões eróticas das mulheres, assim como os temores masculinos de uma sexualidade feminina ilimitada. Paradoxalmente este recato como regra abriu a possibilidade para que cada parte do corpo feminino pudesse se transformar em fetiche para os olhos desejosos dos homens (vide o longevo sucesso das revistas com poses sensuais ou com nudez parcial, voltadas para o consumo principalmente masculino). Hoje não só a mulher foi sensualizada e está eroticamente emancipada, como a corporeidade de ambos os sexos ganhou vulto nunca antes alcançado em termos de visibilidade e espaço na vida social. Mas se é verdade que certo “excesso do erótico” pode funcionar como forma de se opor ao longo período de censura e repressão à sexualidade feminina, também é verdade que a mídia contemporânea incentiva a cultura atual à exaltação do corpo. Esta passagem do recato à visibilidade não é gratuita.

Vivemos em sociedades cada vez mais complexas em que o excesso de imagens exige-nos a tarefa permanente de traduzir e discernir este “a mais”. Há uma articulação constante entre a prevalência de imagens, a circulação de informações e estímulos velozes e simultâneos e a produção e consumo de narrativas. Sabemos que a imagem nos constitui e dela nos apossamos em um constante movimento de subjetivação para nos apresentarmos, nos comunicarmos, nos seduzirmos e sermos seduzidos. Se hoje dependemos muito mais do olhar de reconhecimento dos outros sobre nós para afirmar e reafirmar nossa existência e nosso valor, a mídia se alimenta do interesse e acena o tempo todo com a possibilidade de alguns minutos de fama. Ficamos diante desta tênue fronteira que a lógica do consumo e do espetáculo impõe à ética e que descortina ao menos dois fatos da atualidade. Primeiro: cabe à cultura conciliar uma civilização mais erótica e ao mesmo tempo mais livre e mais justa sem que isso se confunda com fundamentos moralistas de comportamento sexual. Segundo: cabe a cada um o gerenciamento da exposição de sua imagem, incluída aí a difícil administração dos apelos sedutores aos minutos de fama, cada vez mais acessíveis, que muitas vezes alimentam nossa sede de amor. Difícil tarefa.

OUTROS OLHARES

O CAMPO QUER ANDAR SOZINHO

Máquinas autônomas ganham espaço na lavoura e elevam a produtividade, mas o custo alto e os entraves na legislação impedem sua adoção em larga escala

Se nos centros urbanos os veículos autônomos não ocupam sequer o papel de coadjuvantes – sua presença ainda se situa na esfera experimental -, no campo eles já aparecem como protagonistas de uma nova era, marcada pelo aumento da produtividade. Equipadas com câmeras, sensores e radares, as máquinas agrícolas autônomas podem ser controladas remotamente e têm capacidade de mapear o espaço à sua volta e traçar a melhor rota no desempenho de suas funções sem atingir obstáculos. Os modelos mais utilizados atualmente são aqueles em que o condutor, apesar de estar dentro da máquina, só interfere na operação quando se faz absolutamente necessário. As atividades são monitoradas por uma unidade de controle, que realiza a análise dos dados recolhidos durante o trabalho e toma decisões não só focadas na maior produtividade, como também visando ao menor consumo de combustível.

É só o começo. Em uma palavra: presente. Já há, no entanto, protótipos de máquinas agrícolas autônomas ainda mais avançadas sendo testados mundo afora para tentar abreviar o futuro. Na Case IH, por exemplo, fabricante de máquinas da CNH Industrial, os tratores do modelo Steiger, com autonomia integral, acumulam mais de 900 horas em provas, realizadas na Plot House Farms, sua base de experiências localizada na Califórnia (EUA). No Centro Europeu de Tecnologia e Inovação da John Deere, empresa americana que também fabrica equipamentos para uso no campo, foi desenvolvido o projeto GridCon, que criou o trator elétrico cuja fonte de energia não vem de baterias, e sim de um cabo, com cerca de 1 quilômetro de extensão, conectado diretamente à rede da fazenda. Com isso, o veículo ganha em autonomia, deixando para trás o transtorno das recargas frequentes – o fluxo de energia é constante.

Tanta tecnologia, porém, tem esbarrado em alguns problemas para que as máquinas agrícolas autônomas possam ser adotadas em grande escala. Um deles é o custo. “O preço desses engenhos deve atrasar seu uso em escala comercial em até dez anos”, alerta Silvio Campos, diretor de marketing de produto da Case 11, que no Brasil se alinha aos principais fabricantes de veículos para a lavoura. “A aquisição dessas máquinas não será para qualquer um”, acrescenta. Os tratores tradicionais já possuem custo elevado – entre 650.000 e 1 milhão de reais. Ninguém duvida que o preço dos que têm independência total vá superar muitas vezes esses valores.

Para além da necessidade de qualificação da mão de obra que vai ficar no comando desses sofisticados veículos, outro fator vem tornando mais difícil a expansão da frota, por assim dizer, de equipamentos rurais autônomos: a legislação. Do mesmo modo que ocorre em relação aos veículos similares que atuarão em massa brevemente nas ruas e avenidas das metrópoles, em todo o planeta se discute, por exemplo, de quem é a responsabilidade por eventuais acidentes causados pelas máquinas autônomas – do proprietário, do fabricante, do programador do sistema, do encarregado por seu controle indireto? A interrogação segue no ar.

Enquanto governos e juristas discorrem sobre essa questão em vários países, no Brasil há pelo menos um estorvo mais rudimentar para que os equipamentos autônomos encham os campos: a falta de conectividade no meio rural. Não adianta possuir tecnologia de ponta sem ter internet de alta velocidade para usá-la. O relatório “Índice de prontidão para o uso de veículos autônomos 2019”, feito pela KPMG, mostra que o país foi considerado o pior para receber esse tipo de máquina – amargou a última posição no ranking analisado (252º lugar), atrás de Rússia, Índia e México. No quesito cobertura 4G, o Brasil teve a pior nota: zero. Cientes dessa realidade, oito grandes companhias, entre elas Bayer, CNH Industrial e Nokia, puseram de pé o projeto ConectarAgro, cujo objetivo foi levar a conexão 4G na faixa 700 MHz, frequência que percorre maiores distâncias e, portanto, possibilita custos menores para a instalação de antenas. Com o mesmo propósito, a John Deere, em conjunto com a Trópico, de produtos de tecnologias de informação e comunicação, lançou a iniciativa Conectividade Rural. “Sistemas e máquinas que conversam entre si e aprendem com os dados coletados serão capazes de prever falhas. Essa previsibilidade permite manutenções preventivas e evita que o maquinário fique parado em tempos críticos do ano”, afirma Nick Block, diretor do grupo de soluções inteligentes da John Deere.

De olho na nova fase de desenvolvimento rural no país – que, apesar de entravada, será incontornável -, a Usina São Martinho, a maior processadora de cana-de-açúcar do globo, investiu pesado em inovação na sua principal unidade, situada em Pradópolis, no interior de São Paulo. Foram 60 milhões de reais para levar rede de internet privada aos canaviais e fazer a integração em tempo real entre a máquina e a central de comando. A partir dessa conexão, a inteligência artificial (IA) assume papéis essenciais no aumento de eficiência produtiva: os equipamentos estudam as informações recebidas e são capazes de identificar padrões que o cérebro humano tem dificuldade de apreender sem o auxílio de máquinas. É o caminho para evitar desperdício de sementes, saber o momento e o local exatos para o plantio e até mesmo identificar áreas infestadas por pragas por meio de georreferenciamento em tempo real. “Essas mudanças têm o objetivo de promover economia de 2 reais por tonelada de cana ao ano, o que significa poupar cerca de 50 milhões de reais anuais”, afirma Fabio Venturelli, presidente do grupo.

No futuro, o trabalho na lavoura, em especial o repetitivo, será feito por veículos autônomos e robôs. Sim, empregos e funções deixarão de existir; entretanto, a tecnologia deve melhorar a qualidade de vida do agricultor, com o desafio de requalificá-lo – para que seu protagonismo se dê, por assim dizer, em outros campos.

GESTÃO E CARREIRA

SÓ MAIS CINCO MINUTOS

Negligenciar o repouso para resolver questões profissionais não é uma boa ideia. Quem tem esse hábito fica menos produtivo e mais estressado. Aprenda a melhorar seu sono

Desde criança aprendemos que precisamos de uma boa noite de sono para nos sentir dispostos. Quando as preocupações se limitam a tirar boa nota na escola e se divertir com os amigos é fácil manter esse padrão. Mas o que fazer quando os compromissos aumentam? À medida que a vida adulta começa a tomar forma, obrigações como faculdade, trabalho e pagamento de boletos se tornam preocupações maiores e o descanso fica num plano secundário. No entanto, os minutinhos – ou horas – perdidos pode fazer mais falta do que se imagina.

A Pesquisa Global de Sono da Philips de 2019, realizada com 1.100 pessoas de 12 países, mostrou que para 44% dos que responderam às questões, a qualidade do sono piorou nos últimos cinco anos. Além disso, 62% dos entrevistados admitem que deitam e ficam revirando na cama. “Dormir é essencial para nossas funções cognitivas. Uma noite mal dormida leva a um dia com déficit cognitivo”, diz Maurício da Cunha Bagnato, pneumologista da Unidade de Medicina do Sono do Hospital Sírio-Libanês. A piora pode ser observada na concentração, nos reflexos motores, na memória, no humor e também no foco.

CONSEQUÊNCIAS GRAVES

Mas não é somente no curto prazo que o sono pode afetar a saúde das pessoas. Afinal, sua principal função é recuperar o corpo das tarefas diárias. Quando descansamos, nosso cérebro metaboliza todas as toxinas absorvidas durante as horas em que ficamos acordados. “Você precisa diminuir a frequência das ondas cerebrais para ativar o processo de regeneração do corpo”, diz Geraldo Lorenzi, pneumologista e diretor do Laboratório do Sono do Instituto do Coração. É no repouso que o organismo tem maior atividade imunológica, produz hormônios e organiza a memória. “O sono é tão fundamental quanto se alimentar ou ingerir água”, afirma o diretor.

Um estudo publicado na revista da Academia Nacional de Ciências do Estados Unidos por pesquisadores do Southwestern Medical Center, da Universidade do Texas, comprovou as graves consequências da falta de repouso. Os cientistas analisaram voluntários que, durante sete dia dormiram menos de 6 horas por noite. Uma semana de pouco descanso já foi capaz de alterar 700 genes – indicando que problemas como hipertensão, diabetes, obesidade, depressão, ataque cardíaco e derrame podem ser estimulados pelas noites insones. “A privação do sono influencia na modificação da expressão de genes, e isso ativa diferentes funções no corpo”, explica Maurício, do Sírio­ Libanês. Embora a duração ideal de sono varie de pessoa para pessoa, em média, os adultos deveriam passar de 7 a 8 horas diárias dormindo.

RELÓGIO BIOLÓGICO

O corpo humano funciona num ritmo cíclico de 24 horas, o chamado relógio biológico. O controle desse mecanismo é realizado por meio de dois fatores: os externos, que são a luminosidade e a escuridão, e os internos – compostos químicos que ajustam a rotina, como a melatonina (que aumenta a sonolência) e o cortisol (que nos faz acordar). “Quando esse ciclo é quebrado, há consequências para o organismo”, diz Maurício. Nos séculos passados, a quantidade de hormônio liberado no decorrer do dia seguia o ritmo do sol: pela manhã, muito cortisol e pouca melatonina; e à noite, pouco cortisol e muita melatonina. Hoje, esse equilíbrio natural não existe mais. Com telas por todos os lados, não conseguimos diminuir o ritmo à noite nem preparar o corpo para a quietude da sonolência. “O contato com a luz externa durante o dia diminui os níveis de melatonina no corpo, mas no período da noite ainda estão baixos por causa da exposição à luminosidade artificial”, explica Maurício.

O empresário Leandro Molina, de 28 anos, sofria com esse problema. Nos dois últimos anos da faculdade de direito, sua rotina era tão acelerada que os episódios de insônia ocorriam diariamente. Ele voltava da universidade tarde da noite, mas chegava em casa muito desperto. Só conseguia se deitar perto das 2 da madrugada, depois de ter jantado, fumado e assistido a um filme ou uma série. De manhã era difícil sair da cama. “Eu passava o dia sonolento e cansado, tinha episódios de irritação e a concentração perturbada”, diz. A rotina durou toda a vida universitária e ele só conseguiu mudar as coisas quando se formou. “Hoje eu durmo e acordo todos os dias no mesmo horário, me desligo das preocupações externas horas antes de deitar e gosto de ler para ficar sonolento”. Leandro também faz atividades físicas pelo menos três veze por semana e não leva mais trabalho para casa. Há dois anos não tem mais problemas para dormir. “No começo eu fazia exercícios de respiração e até contava carneirinhos, hoje eu só deito na cama e durmo”, afirma.

As dificuldades vividas por Leandro são compartilhadas por muito brasileiros. Na pesquisa da Philips 36% dos entrevistados afirmaram ter insônia recorrentemente e 35 disseram que distrações com entretenimento, como televisão, filme e redes sociais, afetam o sono. Talvez a cultura corporativa que glamouriza o excesso de trabalho e presenteísmo influenciem na falta de descanso e aumentem o estresse. “O sucesso está associado à inquietação. Temos de repensar esses modelos que causam desgaste”, diz Anderson de Souza Sant’Anna, professor na FGV – Eaesp.

DE OLHOS ABERTOS

São muitos os motivos que levam uma pessoa a ficar acordada durante a noite. Há fatores simples, como barulho, colchão ruim e luminosidade excessiva – que podem ser solucionados com medidas singelas, como a troca das cortinas do quarto. Outras razões, porém, são mais graves. Entram nesse pacote problemas como insônia, síndrome das pernas inquietas (uma vontade incontrolável de mexer as pernas) problemas nasais, dores crônicas e apneia do sono. Mas não é só o físico que atrapalha. “Questões psicológicas, como estresse, ansiedade, depressão, têm tido bastante relevância”, diz Maurício. Nesses casos, é preciso buscar ajuda profissional. Quem passou por isso foi Luan Santos, de 30 anos. Instrutor de direção em autoescola, uma das habilidades mais importantes para o trabalho é a atenção. Mas as noites mal dormidas estavam prejudicando sua concentração. Numa dessas madrugadas, a namorada de Luan o alertou: ele tinha parado de respirar por um instante. Ele, então, resolveu procurar ajuda profissional e submeteu-se a uma polissonografia, exame que avalia a atividade respiratória e muscular durante o sono. Foi aí que descobriu que acordava, em média, 81 vezes durante a noite com falta de ar. Com sobrepeso e apneia, os riscos de AVC e infarto eram enormes. A saída foi fazer dieta e atividades físicas. Depois de dois meses com alimentação regrada e prática de exercícios diariamente, Luan perdeu 12 quilos e seu sono melhorou. A meta é perder mais 10 até o fim do ano. “Os exercícios físicos foram o ponto crucial, mas também evito o celular e a televisão. Nos fins de semana mantenho a mesma rotina do sono, e isso também ajuda”, explica Luan.

Claro que mudar o estilo de vida é difícil. Ainda mais com as dificuldades do mundo atual, extremamente veloz e conectado, que nos deixa com a ansiedade à flor ela pele – e com a falsa sensação de precisar agir como robôs (que não dormem nunca) para nos manter relevantes. Mas isso é um mito. “Existe um peso social de que sono é fraqueza, falta de eficiência, preguiça. Temos de ressignificar esses valores, olhar para nós mesmos de uma forma diferente”, diz Anderson. E nada melhor do que uma boa noite de sono para colocar as ideias em ordem.

BONS HÁBITOS

A forma como nos preparamos para dormir é importante, pois precisamos sinalizar ao corpo que o dia está chegando ao fim. Veja algumas dicas para esse momento

SEM DESCULPAS

Conheça alguns dos mitos mais comuns sobre o sono

“NÃO PRECISO DE 8 HORAS DE SONO” – A quantidade de horas varia de pessoa para pessoa, mas muitos estudos já comprovaram que a média de 7 a 9 horas diárias é a ideal. Dormir menos do que isso tem o efeito de uma pancada na cabeça, como indica um estudo publicado pela empresa americana Sleepy People.

“RECUPERO NO FIM DE SEMANA” – Isso depende. Em até três dias depois da noite insone, é possível recuperar a FASE 3 do sono, aquela que tem menor frequência (momento em que os músculos relaxam completamente o processo de regeneração do corpo começa). Já o sono REM (o mais profundo e responsável pela memória e aprendizado), é recuperado em dois dias, no máximo, depois da noite ruim.

“A TV ME DÁ SONO” – Televisão, computador, celular e outros aparelhos eletrônicos emitem luz azul, identificada pelo cérebro como luminosidade diurna. Assim, nossa mente se confunde e deixa de produzir melatonina, o hormônio responsável pela sonolência. Além disso, ler notícias, responder a WhatsApp e ver séries aumentam a atividade do cérebro.

“UM DRINQUE AJUDA A RELAXAR” – O álcool induz ao sono, mas de má qualidade. Isso porque bebidas alcoólicas inibem a fase rem. As com cafeína, os energéticos e os derivados de cola também prejudicam o repouso se ingeridos perto da hora de deitar.

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 13 – A BATALHA DE ORAÇÃO INTERCESSÓRIA

Muito frequentemente as pessoas nos perguntam: “O que se pode fazer em favor de quem obviamente está amarrado por Satanás, mas não aceita, de modo algum, o ministério de libertação?”

Em primeiro lugar, respondemos com outras perguntas: “Como é o seu estado espiritual?” “O cativo já nasceu de novo?” “Ele está firme no Senhor?” Precisamos nos lembrar de que a salvação também é libertação. É a libertação do espírito humano. Antes de ser salva, a pessoa está morta em suas transgressões e seus pecados (Efésios 2:1).

“Como é que ela está morta?” É claro que não é morte física, porque continua respirando e se mexendo. Sabemos que sua alma (personalidade) não está morta, porque ela ainda pensa, sente e toma decisões, mas seu espírito está morto. Ela não compreende as coisas espirituais nem está interessada nelas. A ressurreição do espírito humano depende do poder vivificado!’ do Espírito Santo. Ele tem de nascer de novo (João 3:3). Isso acontece pela graça de Deus, mediante a fé (Efésios 2:8). A fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo (Romanos 10:17). Salvação é libertação.

A palavra grega para salvação, “soteria”, significa libertação. Desta forma, a salvação do espírito humano é a primeira etapa de sua libertação e é a base para qualquer ministério adicional.

Então, a prioridade, em libertação, é de levar o cativo a um relacionamento pessoal com Jesus Cristo. Se a pessoa não estiver disposta a aceitar Jesus Cristo como seu Salvador, então, os que se preocupam pela vida espiritual do cativo devem interceder por ele e se colocarem na brecha. Devem orar para que a venda dos olhos espirituais seja removida. O poder satânico cega o homem perdido.

“Mas, se o nosso evangelho ainda está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus.” (2 Coríntios 4:3, 4.)

Enquanto o evangelho está sendo apresentado a essa pessoa, ore para que o mesmo Deus que mandou a luz resplandecer das trevas ilumine seu coração, e Jesus lhe seja revelado como Salvador. O apóstolo Paulo confirma que foi assim que ele se converteu. E dá-se o mesmo com qualquer pessoa que se converte: é salva pela graça soberana de Deus.

“Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo.” (2 Coríntios 4:6.)

ORAÇÃO INTERCESSÓRIA

A pessoa já convertida precisa de intercessores tanto quanto o incrédulo. Quem não quer saber de, ou se recusa a receber do Senhor melhoria de sua condição através da libertação, é porque está preso pelo engano. Qualquer desculpa que seja dada para rejeitar a oração de libertação representa uma forma de engano (satânico). Satanás, o enganador, fica levando vantagem, e o cativo continua preso.

Jesus nos ensinou a interceder uns pelos outros para que sejamos libertos das armadilhas do demônio. Ele nos ensinou a orar: “E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal…”, literalmente: “livra-nos do maligno”. É importante notarmos o pronome “nos”. Devemos incluir os outros em nosso pedido de libertação do maligno.

Em sua poderosa exortação sobre a armadura espiritual do cristão, o apóstolo Paulo enfatiza a importância da oração intercessória de luta espiritual a favor de outros cristãos. A oração intercessória é, ao mesmo tempo, uma arma ofensiva e defensiva contra as estratégias do demônio.

“Com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito, e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos.” (Efésios 6:18.)

A LUTA ESPIRITUAL

Às vezes, o Espírito Santo nos leva a entrar em luta espiritual em favor das pessoas que não estão abertas para receber ministração. A vontade da pessoa pode estar tão dominada por forças demoníacas que ela é incapaz de reagir à ajuda que lhe é oferecida. Nada que se diga irá convencê-la a abrir-se à ministração. Sua vontade está sob o controle do inimigo.

É preciso nos lembrarmos de que “a nossa luta não é contra o sangue e a carne e, sim, contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Efésios 6:12).

Os espíritos que controlam o cativo habitam nas regiões celestes onde reina o príncipe da potestade do ar. Jesus deu à sua Igreja o poder de “amarrar Satanás”. Temos de levar a batalha até a porta do inferno e derrotar a estratégia que Satanás tem lançado contra Jesus.

“Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus: o que ligares na terra, terá sido ligado nos céus, e o que desligares na terra, terá sido desligado nos céus.” (Mateus 16:18, 19.)

Os verbos “amarrar” e “libertar” estão no tempo perfeito, particípios passivos. Traduzindo o que esses tempos expressam, vemos que querem dizer o seguinte: “O que quer que seja que amarremos ou libertemos na terra é o que está no estado de ter sido amarrado ou libertado no céu.” Consequentemente, para podermos amarrar ou libertar as coisas na terra, é necessário primeiro amarradas (ligadas) e libertadas (desligadas) no reino dos céus.

Certa vez, os pais de uma moça de 24 anos nos pediram para que intercedêssemos por ela. A moça tinha aceitado Jesus anos antes e havia estudado numa faculdade teológica, mas nessa época tinha-se desviado do bom caminho. Estava morando com um rapaz, sem ser casada com ele, e também estava envolvida em espiritismo. E recusava a toda oferta de ajuda de seus pais.

Juntos com seus pais, minha esposa e eu amarramos o demônio controlador e ordenamos aos espíritos imundos que estavam nela a desligarem-se dela para que ela pudesse receber a ministração direta. A moça estava longe de nós, mas estávamos operando no reino espiritual, onde distância não é barreira.

Em poucos dias, a filha fez uma volta de 180°. Ela telefonou para seus pais pedindo socorro, deixou seu lugar de pecado e aceitou nosso convite para ficar conosco e receber o ministério de libertação e aconselhamento. Dentro de poucas semanas ela estava restaurada e começou a tomar parte ativa em nosso ministério de libertar outros cativos de Satanás. Tudo isso foi o resultado de guerra espiritual nas regiões celestes.

Perguntamos à moça o que ela havia experimentado no exato momento em que nós estávamos amarrando os demônios que a controlavam. Ela nos contou que, naquele momento, a sua mente tinha- se tornado clara.

Quando a opressão mental foi destruída, ela instantaneamente se conscientizou de que seus pais a amavam e ficariam felizes em ajudá-la. Então, ela tomou a decisão de cooperar com a ajuda espiritual que estava a seu dispor.

Porém, cuidado! Temos de estar cientes de que não podemos controlar a vontade de outra pessoa. O objetivo da luta espiritual é libertar a vontade da pessoa para que ela possa responder diretamente ao Senhor Deus e receber o socorro que Deus lhe oferece. Nos casos em que a pessoa escolheu, por sua própria e livre vontade, submeter-se ao poder do pecado e de Satanás, amarrá-lo não adianta coisa alguma. Quando os poderes demoníacos são amarrados, por terceiros, à pessoa, então, ela tem a capacidade de escolher a Cristo e Seu Reino.

Porém, cuidado! Muitas coisas tolas e perigosas têm sido feitas em nome da oração intercessória de luta espiritual. Conhecemos casos em que o intercessor concordou em receber os demônios residentes em outra pessoa. A ideia é que os demônios que estão na pessoa rejeitando o ministério de libertação deixarão o cativo, entrarão no intercessor e, com mais facilidade, serão expulsos do intercessor.

Satanás está mais do que pronto para entrar nesse jogo. Não existe base nenhuma na Palavra de Deus para dizer que devamos receber demônios em nosso próprio corpo, seja qual for a hora ou a razão. Permitir que os demônios entrem é abrir-se ao influxo de espíritos malignos, sem garantia nenhuma, da parte de Satanás, de que os demônios automaticamente sairão de outra pessoa. Assim, o arqui – enganador vence novamente!

Em outra ocasião, passamos quase um dia inteiro na libertação de alguém com centenas de espíritos imundos que tinham entrado, e ali estavam por causa de seu envolvimento tolo de “aceitar os demônios dos outros”. A senhora havia concordado em ser a substituta a receber ministração até mesmo em lugar de pessoas que estavam dispostas a receber ajuda direta. De novo, enfatizo que não há base nas Escrituras para tal tipo de ministério.

A ARMA DO AMOR

Ao ajudar alguém que se recusa a receber ministração direta, não se esqueça do amor. No mais íntimo do seu ser, essa pessoa tem sede de ser amada. Podemos ter a certeza de que, no seu passado, ela foi ferida ou rejeitada.

O olho do amor é capaz de distinguir entre a verdadeira pessoa e os habitantes demoníacos que se manifestam em ódio, rebelião, suspeita ou o que quer que seja que a impede de ser libertada. Tal discernimento de amor nos capacita a amá-la e não a nos retrairmos por causa da fúria da tempestade gerada por sua personalidade instável. Ainda que o cativo não reconheça nem corresponda ao amor oferecido, podemos estar certos de que o amor incondicional é uma técnica de luta espiritual que põe uma pressão intolerável nos poderes das trevas.

Os espíritos malignos são comparados com o fôlego e o ar. A palavra grega para espírito (pneuma) significa fôlego ou ar. Da mesma forma que monóxido de carbono é fatal à nossa vida, assim é o amor para um espírito maligno. Ele não pode existir ou operar quando envolvido em amor.

Nosso amor ágape forja uma arma que derruba os poderes de anti amor na vida dos outros. É por isso que Jesus nos ensinou a amarmos nossos inimigos. Assim, amontoamos brasas de fogo sobre a cabeça deles, isto é, isso purifica a mente deles.

São justamente os que mais necessitam de libertação que, muitas vezes, são os mais difíceis de se amar. Pode ser que eles se rebelem e nos firam quando lhes oferecemos compaixão e amor. Mas recebemos a ordem de amar, mesmo àqueles que parecem ser menos dignos de amor. (Veja Mateus 5:43-48.)

Aliás, essa é exatamente a maneira como Deus nos libertou. Ele nos amou apesar de nossa vileza. (Veja Romanos 5:8.) Seu amor quebrou as barreiras: o amor tem o poder de remover todo impedimento. É uma poderosa arma nas mãos de um hábil combatente espiritual.

ORAR AS ESCRITURAS

Temos de ser guiados pelo Espírito Santo em nossa luta de oração intercessória. O Espírito Santo dará ao guerreiro espiritual as passagens específicas das Escrituras de que ele necessita. Use esses trechos vivos como guia em sua oração. Assim, você estará usando “a espada do Espírito, que é a palavra de Deus”.

Por exemplo, ao orar pelo marido que não está seguindo o Senhor, a esposa poderá orar o seguinte tipo de oração dada pelo apóstolo Paulo, personalizando-a assim:

Não cesso de orar por meu marido José e de pedir que José transborde de pleno conhecimento da Sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual; a fim de que José viva de modo digno do Senhor, para o Seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus; sendo fortalecido com todo o poder, segundo a força da Sua glória, em toda a perseverança e longanimidade, com alegria. (Colossenses 1:9-11.)

O LÍDER É O ESPÍRITO SANTO

Temos destacado vários princípios espirituais a serem seguidos na luta de oração intercessória, mas cada situação é única. O Espírito Santo conhece todos os fatores e circunstâncias em relação ao caso. Ele ajustará a direção certa em que o intercessor deve ir. A luta a favor dos outros é uma luta espiritual, não pode ser vencida na carne. A estratégia dessa luta não pode ser planejada por sabedoria humana. Permita que o Espírito Santo seja o líder.