A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

TRICOTILOMANIA: ENTENDA A COMPULSÃO POR ARRANCAR OS CABELOS

Pessoas com tricotilomania tiram não apenas os fios do couro cabeludo, mas também do púbis, das sobrancelhas e dos cílios; em muitos casos, a patologia aparece com sintomas de depressão e ansiedade

Todo mundo certamente já puxou os cabelos enquanto sonhava acordado ou os enrolou nos dedos enquanto refletia sobre alguma coisa. Principalmente as mulheres arrancam um ou outro por motivos estéticos. No entanto, parece impensável que uma pessoa arranque seus cabelos diariamente, às vezes durante horas, até a cabeça estar repleta de pontos calvos.

Porém, já em 1889 o médico francês François Henri Hallpeau (1842-1919) descreveu um paciente que puxava os cabelos aos tufos. Ele batizou o fenômeno de “tricotilomania” (do grego trico = cabelo, fio; tillo = arrancar). O reconhecimento de que se trata de um quadro patológico específico, no entanto, surgiu apenas no fim do século 20.

A característica básica do distúrbio é o impulso, no mínimo durante alguns períodos, de puxar cabelos ou pelos. Parte das pessoas afetadas por essa compulsão seleciona os fios objetivamente. Por exemplo, os cabelos brancos, os que ficam em pé ou que parecem desarrumados. Outros os puxam de forma inconsciente e automática, e só percebem o gesto mais tarde.

Vários nem sentem dor ao arrancá-los. Típico da tricotilomania é também o ato de “brincar” com os cabelos arrancados. Os pacientes os passam sobre os lábios, colocam na boca ou os enlaçam entre os dedos. Frequentemente, várias dessas características se manifestam na mesma pessoa: ela arranca os cabelos automaticamente diante da televisão ou ao ler, enquanto de manhã e de noite puxa especificamente alguns deles diante do espelho do banheiro.

Durante muito tempo, os médicos subestimaram a disseminação do problema – entre outros motivos, porque vários pacientes não o revelam por vergonha. Acreditava-se que pouco mais de meio milésimo da população era afetado. Hoje sabemos que a tricotilomania não é uma doença tão rara.

Um estudo realizado em 2009 pelos médicos americanos Danny Duke e seus colegas da Universidade Oregon Health & Science, em Portland, demonstrou que o arrancar de cabelos patológico ocorre em cerca de 1,2% dos americanos. Aproximadamente a metade dessas pessoas preenchia todos os critérios clínicos para o diagnóstico de tricotilomania: imediatamente antes de arrancar os cabelos, estão sob pressão interna e, depois, experimentam grande alívio. Ao mesmo tempo, elas se sentem claramente prejudicadas pelo distúrbio.

Segundo esse e vários outros estudos epidemiológicos, mulheres e homens são afetados com a mesma frequência. Quase sempre o arrancar de cabelos leva à rarefação e ao surgimento de pontos de calvície, que as pessoas tentam encobrir com penteados, perucas ou cosméticos. Mas os pelos existentes em outras partes do corpo também podem ser vítimas do transtorno.

PATOLOGIAS ASSOCIADAS

Como em geral elas se envergonham de seu comportamento e temem ser descobertas, muitas não frequentam piscinas ou praias, evitam ir ao cabeleireiro, não praticam esportes em companhia de outras pessoas e temem todo contato social mais próximo. E podem surgir outras psicopatologias associadas à tricotilomania. As mais comuns são depressão, transtornos de ansiedade e abuso do álcool, mas não raramente ocorrem também distúrbios de personalidade. Alguns pacientes engolem os próprios cabelos arrancados, o que pode causar a formação de um novelo de cabelos (tricobezoar) no estômago ou no intestino. Como consequência, podem surgir cólicas ou, mais raramente, obstrução intestinal.

COMBINAÇÃO DE ASPECTOS GENÉTICOS E SOCIAIS

Sob a coordenação da psicóloga clínica Lisa Cohen, do Centro Médico Beth Israel, em Nova York, uma equipe de profissionais examinou 123 adultos que sofriam de tricotilomania. Os pesquisadores concluíram que em pelo menos 6% dos casos os sintomas surgiram ainda na infância, antes dos 6 anos. Na maioria das situa­ções, porém, o arrancar de cabelos patológico se inicia na adolescência, entre os 11 e 15 anos. Mas, ocasionalmente, o distúrbio se manifesta só na idade adulta.

Não existe uma única causa para a tricotilomania. Tanto aspectos psicológicos e sociais quanto neurobiológicos e genéticos são considerados desencadeantes. Quase sempre há uma combinação desses vários fatores. Além disso, o transtorno não se apresenta de forma homogênea, mas pode ser subdividido em três grupos.

O transtorno se inicia, pelo menos em parte dos pacientes, devido a tensões dentro da família, problemas na escola ou dificuldades de relacionamento com outras crianças. Paralelamente, sentimentos depressivos, estresse e problemas para lidar com a raiva também estão em sua base. O arrancar de cabelos é sentido então como uma distração, um consolo capaz de minimizar a tensão, e é justamente esse caráter prazeroso que reforça o comportamento.

Nesse sentido, a tricotilomania serve para regular estados emocionais desagradáveis, dos quais os pacientes nem sempre se dão conta claramente. Muitas vezes, brincar com os fios entre os dedos e tocá-los com os lábios remete a uma sensação de aconchego experimentado quando a pessoa ainda era bebê e tocava os cabelos da mãe ao ser amamentada ou apenas aninhada no colo.

RITUAL DIÁRIO

A tensão interna causada por medos, inibições sociais, dificuldades de expressão de emoções e estados depressivos faz com que os sintomas sejam mantidos. E frequentemente acrescenta-se a ele a força do hábito: arrancar cabelos torna-se um ritual diário, por exemplo, ao dirigir, ler ou telefonar, que ocorre de forma inconsciente e automática, sem um desencadeador concreto. Além desses fatores psicossociais, causas biológicas, como o genótipo, por exemplo, parecem desempenhar papel importante: estudos mostram que o transtorno surge com frequência de 5% a 8% acima da média se outro membro da família já sofre do mesmo problema. O quadro, no entanto, não pode ser atribuído apenas à herança genética; também pode ser explicado como comportamento aprendido.

Atualmente, há alguns modelos animais que talvez possam ajudar a esclarecer as causas biológicas da tricotilomania. Camundongos nos quais o gene hoxb8, envolvido no desenvolvimento do sistema nervoso, sofreu mutação apresentam um comportamento de cuidados corporais muito alterados. Entre outras coisas, eles arrancam os próprios pelos. E o geneticista molecular Stephan Züchner, da Universidade de Miami, na Flórida, descobriu em 2009 que o desligamento da proteína da sinapse SAPAP3 em roedores causa sintomas que lembram tanto transtornos obsessivo-compulsivos quanto tricotilomania.

Porém, ainda não se sabe em que medida esses modelos podem ser transferidos para seres humanos. Pesquisadores constataram, por meio de procedimentos de imageamento cerebral, diversas alterações estruturais em pessoas afetadas pela compulsão. Um grupo de pesquisadores coordenado por Samuel Chamberlain, da Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha, descobriu em 2008 que os corpos celulares neurais (a chamada “substância cinzenta”) apresentam uma densidade muito grande em várias regiões cerebrais nessas pessoas. Isso se aplica, além de várias outras partes do córtex cerebral, também ao estriado (que participa do surgimento de hábitos), à amígdala e ao hipocampo do hemisfério cerebral esquerdo (responsáveis por aprendizados associados à emoção). Esses dois aspectos contribuem bastante para o surgimento e a continuidade da tricotilomania. Uma densidade aumentada das células cerebrais ocorre também em outros distúrbios marcados pelo descontrole, como a síndrome de Tourette e o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).



FALTA DE MENSAGEIROS

Nos últimos anos, neurobiólogos associaram a tricotilomania à escassez de diversos neurotransmissores, principalmente da substância mensageira serotonina, frequentemente vinculada a outros distúrbios comportamentais, como controle reduzido dos impulsos e movimentos repetitivos. Em vários estudos pacientes usaram os chamados inibidores seletivos da recaptação da serotonina (SSRI). Esse tipo de antidepressivo aumenta a concentração do transmissor nos pontos de contato sinápticos entre os neurônios, combatendo assim uma possível falta de serotonina.

Os SSRIs já se mostraram eficazes para o tratamento de transtornos obsessivo-compulsivos há muito tempo. Para a tricotilomania, por outro lado, os resultados de estudos obtidos até agora são contraditórios. Alguns estudos concluíram que houve uma melhora dos sintomas, outros, não. Além disso, o efeito do medicamento frequentemente retrocedia em um tratamento de maior duração, e após a sua suspensão muitas vezes ocorriam recidivas. A administração de antidepressivos, portanto, parece recomendável quando os pacientes sofrem concomitantemente de graves depressões.

TRÊS FORMAS DO TRANSTORNO

1. Os sintomas começam na infância, muitas vezes antes do oitavo ano de vida, e decorrem de forma pouco intensa, frequentemente desaparecendo sem tratamento.

2. O hábito de arrancar cabelos aparece quase sempre de maneira automática e é perceptível de forma consciente só após o início do tratamento.

3. Os cabelos são arrancados de forma focada e consciente; os pensamentos que acompanham o gesto estão voltados para esse ato.

Enquanto ainda não há nenhuma prova científica da efetividade de tratamentos alternativos, como dietas ou acupuntura, uma forma específica da psicoterapia tem se revelado eficaz. A terapia comportamental cognitiva é um exemplo disso. Ela deve ser adequada individualmente ao paciente: é importante que o terapeuta considere exatamente quais fatores desempenham um papel no quadro clínico. Se houver, por exemplo, uma associação entre inibições sociais e a tricotilomania, a prioridade é reforçar a autoconfiança e as competências do paciente. Caso o transtorno seja sintoma de experiências traumáticas, estas devem ser primariamente abordadas.

Em alguns casos, é suficiente a redução do ato de arrancar cabelos por meio de técnicas específicas. Para tanto, o chamado treinamento para reversão de hábitos (HRT, sigla em inglês de habit reversal training) é bastante adequado. Originalmente, Nathan H. Azrin e Robert G. Nunn, do Hospital Estadual de Anna, Illinois, desenvolveram esse método para o tratamento de tiques motores, mas obtiveram sucesso também no caso do roer compulsivo de unhas, chupar dedos e tricotilomania.


EM BUSCA DE AJUDA

O HRT combina diversos métodos para melhorar a autopercepção dos pacientes, eliminando comportamentos enraizados e estabelecendo novos hábitos. Um treinamento para relaxamento complementar busca eliminar a inquietude para que surjam cada vez menos impulsos de arrancar os cabelos. O “método de isolamento”, desenvolvido por Steffen Moritz, do Hospital Universitário de Hamburgo-Eppendorf, junto com Antônia Peters, fundadora do primeiro grupo de autoajuda para tricotilomania de Hamburgo e presidente da Sociedade Alemã de Doenças Obsessivo-Compulsivas, e eu, funciona de forma semelhante. Os pacientes aprendem a substituir o arrancar de cabelos por outro comportamento inofensivo. O truque: o novo movimento da mão a ser aprendido é inicialmente semelhante ao de retirar os fios. Isso facilita a substituição de uma ação por outra.

Testamos há pouco tempo o método de isolamento com 42 voluntários, uma intervenção de autoajuda em um estudo realizado pela internet. Os participantes utilizavam o método ou um treinamento para relaxamento. Nossa técnica mostrou-se, mesmo sem instrução dada por um terapeuta, facilmente realizável e levou pelo menos metade dos participantes ao retrocesso do arrancar de cabelos. Já no treinamento para o relaxamento houve êxito em apenas 22% dos casos.

As psicoterapias com base psicanalítica, por sua vez, não se voltam imediatamente para a psicopatologia, e sim para os sentidos e associações que os sintomas escondem, tratando não o diagnóstico específico, mas todo o sofrimento associado à patologia, o que costuma oferecer a possibilidade de uma transformação mais profunda e duradoura. Para alguns pacientes, a troca de experiências, o apoio mútuo e a motivação para mudanças graduais favorecidas pelos grupos terapêuticos costumam ser muito úteis. Seja qual for o caminho, o que importa para aqueles que sofrem com a compulsão é ela ser controlada. Embora esse objetivo, em geral, seja alcançado com terapia, raramente se chega a uma eliminação completa dos sintomas: é preciso manter-se empenhado para que os fios continuem presos ao próprio corpo.

TREINAMENTO PARA CONTROLAR O IMPULSO

Assim que a paciente leva a mão na direção dos cabelos (figuras A e B), ela deve desviar o movimento subitamente para a orelha, queixo, nariz ou para algum ponto da sala (C ou D). A proposta é que o antigo comportamento seja modificado com esse procedimento.

OUTROS OLHARES

O “GENE GAY” NÃO EXISTE

Estudo com quase 500.000 pessoas indica a homossexualidade como resultado de vários fatores, derruba teses preconceituosas e representa um chamado à tolerância

A ideia era simplista demais para ser levada a sério como constatação científica de algo complexo – o comportamento homossexual. Baseado na investigação genética de quarenta famílias, um estudo de 1993 alardeou que certo gene, o Xq28, determinaria, sozinho e de modo integral, a atração de uma pessoa por alguém do mesmo sexo. Embora frequentemente contestado, o trabalho costumava amparar posturas preconceituosas contra os gays, dando margem a propostas como a de terapias para a “cura” do que seria uma “falha genética”.

Se havia alguma dúvida sobre a fragilidade dessa tese que atravessou décadas, ela acaba de ser demolida. Uma nova pesquisa, recém-publicada pela prestigiosa revista americana Science, refuta de maneira assertiva a ideia da existência de um “gene gay”. Realizado por cientistas americanos e europeus, o estudo levou em consideração a análise genética de mais de 477.000 pessoas dos EUA e do Reino Unido, a partir de um questionário sobre seus hábitos sexuais. Entre os participantes, 26.000 afirmaram ter se relacionado com indivíduos do mesmo sexo. Os pesquisadores compararam os resultados da observação do DNA com a orientação sexual de cada um dos voluntários e assim concluíram que a genética está longe de contar a história inteira – uma enormidade de outros fatores entraria em jogo. Um exemplo que ilustra a multifatorialidade que dita muitas de nossas características é a altura: apesar de ela em parte depender da informação genética presente no DNA, a nutrição – relacionada ao meio em que se vive – e os níveis hormonais afetam profundamente o desenvolvimento físico.

Em suas análises, os pesquisadores conseguiram localizar cinco genes que exercem influência sobre a orientação sexual, mas a expectativa de que haja centenas ou milhares de regiões do DNA que pesem em tal comportamento. Elas seriam responsáveis por algo entre 8% e 15% da manifestação homossexual. De qualquer forma, a genética está sujeita a muitas variáveis. A epigenética, área que vem ganhando fôlego nos últimos anos, teoriza que o funcionamento dos genes pode ser alterado por diversos elementos externos ao DNA. Tome-se o caso do câncer: nos EUA, um censo de 2010 revelou que somente de 5% a 10% dos tumores têm origem genética. O resto é decorrente de atitudes individuais – como fumar, ingerir bebidas alcoólicas em excesso etc.

Naturalmente, o estudo levado a cabo com quase 500.000 pessoas deveria funcionar como um chamamento a maior tolerância diante da homossexualidade. Apesar disso, contudo, é difícil avaliar qual será o seu impacto na sociedade. “Acredito que a maior parte das pessoas mais conservadoras, que apoiam bobagens como terapias que visam a transformar gays em heterossexuais, não é muito racional e não liga muito para a ciência. Então, não acho que o nosso estudo os afetará”, disse Brendan Zietsch, psicólogo da Universidade de Queensland, na Austrália, e coautor do trabalho. “O importante agora é discutir o preconceito em si, e não as causas da homossexualidade. Pode ser que se passem 200 anos sem que saibamos o que resulta nessa orientação sexual. Por enquanto, devemos falar da homofobia e resolver esse problema logo”, acredita Jairo Bouer, psiquiatra especialista em sexualidade.

GESTÃO E CARREIRA

MISSÃO TRAINEE

Bons salários, benefícios atrativos e um programa dedicado a transformar jovens profissionais em líderes do futuro: entenda por que vagas de trainee são tão visadas por recém-formados (e o que você precisa saber para conseguir uma)

Em uma ponta, milhares de candidatos recém-formados (ou prestes a completar a graduação) em busca da oportunidade de trabalhar em uma grande empresa. Na outra, centenas de organizações à procura de profissionais com potencial para se tornarem os gerentes e líderes do futuro. No meio de campo, os programas de trainee: processos de seleção e treinamento calculados para garantir que as melhores pessoas ocupem as posições mais adequadas. Para as companhias que decidem estruturar programas de trainee, o principal benefício trazido pela iniciativa é justamente a identificação de profissionais talentosos que, além de serem capazes de “oxigenar” os processos com novas ideias e soluções, são escolhidos também por se identificar com a cultura e o segmento de atuação da organização. O objetivo é criar um ambiente de formação de novas lideranças. “Uma das questões enfrentadas no Brasil em diversos setores, mas também no empresarial, é ter gente com competência e capacidade para assumir grandes desafios”, afirma Anamaíra Spaggiari, diretora executiva da Fundação Estudar. Por sua vez, conquistar uma vaga em um programa do tipo é um objetivo almejado por muitos jovens em início de carreira. Além da possibilidade de começar a trabalhar dentro de uma companhia em uma posição privilegiada, oportunidades como salários atrativos, rotação entre diferentes áreas e conexão direta com executivos de alto grau de importância são grandes chamarizes.

“É uma das melhores formas de entrar em uma empresa”, comenta Paula Esteves, sócia-diretora do Grupo Cia de Talentos, consultoria de desenvolvimento de carreira que já trabalhou com mais de 2.000 organizações no país. “O trainee passa por um programa de desenvolvimento robusto que abrange questões de autoconhecimento, aperfeiçoamento de soft skills, evolução técnica e participação em projetos concretos, com resultados mensuráveis”, explica.

A fase de treinamentos, que pode demorar mais de um ano, inclui atividades destinadas a inserir o jovem profissional no ritmo da empresa: job rotation (quando o trainee é alocado por um determinado período de tempo em diferentes áreas da companhia), viagens ou até mudança para cidades onde a organização tem unidades de negócio, sessões de mentoria, coaching e, principalmente, colaboração em projetos estratégicos, que vão exigir propostas inteligentes, criativas – e que gerem resultados.

O VALOR DA PRÁTICA

O desenho do programa de desenvolvimento é a principal motivação citada por trainees para a escolha pelo projeto de uma empresa, segundo levantamento realizado pela consultoria Lee Hecht Harrison em 2017. “Um programa de trainee robusto deve ser capaz de desenvolver uma série de habilidades que são cruciais tanto para um profissional que está começando como para se navegar no mundo hoje”, diz Maiti Junqueira, gerente de desenvolvimento de talentos da Lee Hecht Harrison. “O jovem ganha maturidade e cria uma musculatura que favorece sua trilha na carreira, independentemente da organização onde começou”, explica Maiti.

Após a conclusão do período de treinamento, o próximo passo é evoluir da condição de trainee para ocupar um cargo gerencial na companhia. Porém, embora seja uma porta de entrada diferenciada, ter passado por todo o processo não é garantia de contratação automática. “Para se destacar, o jovem precisa transformar o potencial em aplicação”, comenta Anamaira. “Um a experiência vantajosa envolve ouvir bastante as lideranças e evitar propostas que já foram testadas. Quando o trainee consegue ir a fundo no histórico da organização, é capaz de trazer soluções novas. “Entender as expectativas em relação ao trabalho, criar relacionamentos positivos e solicitar feedbacks são outras ações que ajudam o trainee a provar porque ele deveria ser contratado. “É preciso fazer jus ao investimento da empresa, mostrar que valeu a pena trazê-lo”, afirma Paula Esteves.

A jornada até esse ponto, no entanto, começa antes mesmo do início das atividades de desenvolvimento. O primeiro passo é passar pelo processo de seleção de trainees da empresa – o que por si só representa um grande desafio. Compostas por várias etapas, as seletivas são longas e exigentes e atraem milhares de candidatos de todo o Brasil para preencher um número limitado de vagas. A pergunta é: como ser escolhido?

AS REGRAS DO JOGO

Cada fase do processo de seleção para um programa de trainee tem um propósito específico de avaliação, definido com base em critérios objetivos e subjetivos. “Nas etapas iniciais, os recrutadores observam os conhecimentos básicos requisitados, como inglês, raciocínio lógico e ‘fit’ com a empresa”, explica Regina Camargo, sócia-diretora da Across, consultoria de RH especializada em desenvolvimento de carreira. “Nas demais fases, as competências mais comportamentais serão o foco. Um ponto comum, em todos os perfis, é que o trainee é uma pessoa que deve exibir fortes características de liderança, relacionamento e realização”, completa.

À intenção é que, em conjunto, todos os passos sejam capazes de reconhecer os jovens que apresentam maior potencial e identificação com a companhia e o cargo almejado. Por isso, é essencial ter em mente que, da inscrição à entrevista final, todos os momentos são fundamentais para que o candidato consiga apresentar suas qualidades e se destacar. “A pessoa pode ter um currículo incrível, mas, se chegar na frente do gestor e não souber contar sua história e participar ativamente, não temos como avaliá-la”, explica Paula.

FUNIL DE SELEÇÃO

INSCRIÇÃO

Os programas, em geral, são destinados a jovens recém-formados. A inscrição traz os requisitos que servirão de base para o primeiro corte de candidatos. Não adianta, por exemplo, se inscrever em uma vaga que exige mobilidade se você não pode ou não deseja mudar de cidade. Nem sempre é preciso ter formação em um curso específico – as empresas estão cada vez mais buscando diversidade. Por outro lado, um segundo idioma é essencial para a maior parte das vagas.

PROVAS

A ideia é avaliar o conjunto de competências do candidato: inglês, raciocínio lógico, tomada de decisões e aderência à cult ura da empresa são alguns testes que você pode encontrar. As provas também são responsáveis pelo maior afunilamento do processo: um bom resultado é essencial. “A etapa conta normalmente com 20.000 candidatos e a próxima deve ter 500, 1.000 no máximo”, comenta Paula Esteves. “O processo precisa ter um critério de ranking muito bem calibrado.”

DINÂMICAS

Atividades em grupo que podem ser realizadas online ou presencialmente. É possível que este também seja o primeiro momento no qual o candidato interaja diretamente com

a empresa e seus gestores por meio da discussão de cases e apresentação de soluções para questões reais. São avaliadas habilidades relacionadas a comunicação, liderança, trabalho em equipe e criatividade na resolução de problemas.

Expor bem seu ponto de vista, ouvir o grupo, resolver conflitos, apresentar ideias interessantes são exemplos de comportamentos buscados pelos recrutadores.

ENCONTRO COM LÍDERES

Painel de negócios, entrevista com gestores, nova rodada de estudo de casos: nas etapas finais, o jovem vai ficar frente a frente com os líderes da empresa e conhecer um pouco mais sobre a organização em que ele deseja trabalhar.

A avaliação gira em torno de como o candidato se comporta nessa situação.

A PALAVRA DOS EXPERTS

Conversamos com especialistas para montar um checklist de atitudes que vão ajudar o candidato a enfrentar a maratona em busca de uma vaga de trainee.

GARANTA O BÁSICO

Fique atento aos pré-requisitos da vaga e às formas de contato utilizadas ao longo do processo – imagine perder um prazo por não ter checado seu e-mail. Para as etapas online, separe um tempo adequado para completá­las com calma. Escolha um lugar calmo e um computador com boa conexão de internet. Nas fases presenciais, seja pontual e procure se vestir de acordo com a cultura da empresa. Forneça todas as informações de forma clara e objetiva, preste atenção às instruções e não extrapole os limites de tempo propostos.

ESTUDE A EMPRESA

Investigue a história da organização, seus valores, objetivos e segmento de atuação. “Não dá para apresentar um exemplo de um concorrente ou falar algo que é contrário ao que a companhia acredita”, comenta Paula Esteves. Procure entender também por que você gostaria de ser contratado por essa empresa. “Muitos concorrentes avaliam apenas o cargo”, conta Anamaíra Spaggiari. “Demonstre sua vontade de trabalhar lá.”

PARTICIPE ATIVAMENTE

“Seja gentil e colaborativo, mas focado nos resultados”, afirma Regina (amargo. Demonstre iniciativa e conhecimento. Respeitar a participação dos outros candidatos é primordial: ”Incentive a colaboração de todos, analise as situações e proponha soluções”, sugere Paula.

SEJA VERDADEIRO

Mentir é sinal vermelho na hora. Não adianta apontar experiências que nunca teve ou habilidades que não possui se, no decorrer do processo, essas questões se tornarão evidentes: é melhor assumir seu nível real de inglês, por exemplo, do que se dizer fluente e não conseguir completar uma determinada atividade. A mentira conta mais pontos negativos do que a falta da habilidade.

TRABALHE SEU AUTOCONHECIMENTO

“Não dá para depender de o recrutador entender o que está por trás se o candidato não se dedicou ao desenvolvimento da sua própria história”, afirma Anamaíra. Entenda seus pontos fortes e fracos – não vale ter o “defeito do perfeccionismo” – e seja autêntico. “É muito valorizado quando você olha para um candidato e vê que ele confia no seu potencial e sabe quem é”, afirma Paula. Se você não passou em um processo seletivo, não desanime: procure refletir o que pode ser melhor no próximo. E, o mais importante, confie em si mesmo. “Se chegou até aquela etapa, você já apresentou um diferencial e a empresa quer conhecê-lo melhor”, diz Paula.

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 11 – A LIBERTAÇÃO: INDIVIDUAL E EM GRUPO, EM PÚBLICO E EM PARTICULAR

O ministério de libertação pertence à Igreja. Ele deveria acompanhar a pregação, o ensino e a cura. Na Grande Comissão, conforme está registrada em Mateus, lemos:

“Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as cousas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.” (Mateus 28:18-20.)

A expulsão dos demônios é uma parte vital daquilo que Jesus mandou os Seus discípulos fazerem. No Evangelho de Marcos, Jesus diz: “Estes sinais hão de acompanhar AQUELES que creem: em meu nome, expelirão demônios…”. Note os plurais — “eles”, “aqueles” – sugerindo ser esse um ministério da Igreja, em vez de ser de um indivíduo: Hoje, o Espírito Santo está levantando um ministério bem intensivo na Igreja, pois ele o fora negligenciado por muito tempo, e a Igreja de hoje deve tê-lo como preparação para a vinda do Senhor Jesus.

A MINISTRAÇÃO INDIVIDUAL

A libertação PODE acontecer como uma parte do culto na Igreja. Jesus não hesitou em expulsar demônios em público nem em lugares de ensino e louvor.

“Depois, entraram em Cafarnaum, e, logo no sábado, foi ele ensinar na sinagoga[…] Não tardou que aparecesse na sinagoga um homem possesso de espírito imundo, o qual bradou:[…] Mas Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te e sai desse homem.” (Marcos 1:21, 23, 25.)

Tenho estado presente em cultos semelhantes. A mera presença daqueles que se movem no poder de Deus sobre espíritos demoníacos pode fazer com que os espíritos reajam gritando ou falando. A maneira de agir será influenciada pelo ponto do culto em que a interrupção aconteça. Às vezes, aos espíritos é mandado que se calem até o fim da mensagem. Assim, os demônios ficam amarrados até a hora apropriada para expulsá-los.

Em outra situação, a libertação pode ser feita imediatamente. Isso aconteceu uma vez comigo durante o culto. Ao fim da mensagem, os espíritos demoníacos tomaram um casal. Eles eram cristãos, mas não conheciam nada sobre o batismo no Espírito Santo. Vieram ao culto para zombar e apontar o dedo aos “pentecostais”, mas durante o culto se tornaram convictos. A mensagem enfatizou o poder do sangue de Jesus.

A mulher começou a tremer violentamente. Quando seu marido foi para mais perto dela a fim de ajudá-la, os demônios começaram a gritar também através dele, o qual começou a tremer. A congregação continuou a cantar louvores, e alguns de nós ministramos ao casal na ala entre os bancos da igreja até eles ficarem libertados do ataque demoníaco. Logo em seguida, pela oração, eles “ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar cm outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem” (Atos 2:4). Os dois ficaram libertados dos demônios de álcool e nicotina e de vários outros. O casal tem progredido na sua vida espiritual com zelo e grande prazer.

Até este ponto no meu próprio ministério, a maioria dos casos de libertação tem sido na base de uma entrevista — particular.

Nossa equipe vai a uma igreja ou comunidade. Há reuniões de ensino e orientação sobre o assunto de demonologia e libertação. As pessoas são encorajadas a marcar uma hora para a ministração, como uma consulta médica. Reservamos duas horas para cada pessoa.

Encorajamos, com um pouco de insistência, que a família toda receba a ministração, juntamente com a participação dos pais e dos filhos de todas as idades. Mais ou menos de 30 a 45 minutos do tempo são usados em conferência, e o resto no processo de libertação.

Essa abordagem tem seus pontos fortes. Primeiro: a entrevista traz à luz quando e como os demônios entraram na vida da pessoa. Sabendo como vários dos demônios operam, tal conhecimento a ajuda a fechar as portas, de uma vez, aos demônios, depois de serem expulsos.

Naturalmente, os demônios estão ouvindo a conversa e sabem que a presença deles não é mais oculta e que suas obras más estão sendo expostas. Isso serve para provocar distúrbios nos demônios, e, quando a pessoa está pronta para a ministração, os demônios já estão desligados e saem com mais facilidade. A ministração do tipo entrevista tem a desvantagem de tomar muito tempo, mas tem a vantagem de ser mais completa do que a ministração em grupos ou em público.

O coração de Jesus clama por mais obreiros. No contexto de Mateus 10, Jesus é envolvido no Seu ministério de ensino, pregação, cura e EXPULSÃO DE DEMÔNIOS.

Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor.

E, então, se dirigiu a seus discípulos: A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.” (Mateus 9:36-38.)

A MINISTRAÇÃO EM GRUPOS

A ministração em grupos envolve a expulsão dos demônios em mais de uma pessoa de uma vez. O grupo pode variar em tamanho, de duas até uma multidão. Que isto pode acontecer tem sido provado muitas vezes pelos líderes deste ministério. O ministro de libertação mandará os demônios saírem em nome de Jesus, e eles começarão a sair.

Nos grupos grandes de cem ou mais pessoas, se não houver um número suficiente de pessoas treinadas para ajudar cada indivíduo, alguns não vão receber a ministração completa, de acordo com suas necessidades. Na ministração em grupos há quem recebe uma libertação bem adequada, uns recebem menos que o necessário e outros não recebem libertação nenhuma.

A ministração de libertação em grupos pode funcionar bem com crianças. Tive a experiência de ministrar a um grupo de crianças de 7 a 12 anos.

Nós começamos chamando os espíritos comuns em quase todo menino ou menina, isto é, medo, ego, ressentimento e raiva. Depois que uma lista dos espíritos comuns tinha sido completada e eles tinham sido expulsos, crianças com problemas particulares foram ajudadas mais especificamente. Os pais e os pastores das crianças estavam presentes e participaram nas libertações particulares. Duas crianças receberam o batismo no Espírito Santo e uma ganhou libertação em línguas estranhas. Há mais sobre o ministério com crianças em outro capítulo.

É inconcebível que Jesus tenha ministrado a cada pessoa individualmente. Ele era cercado pelas multidões de pessoas à procura de cura e de libertação em toda parte por onde Ele andava. Ele e os doze não podiam ter tomado conta de cada pessoa individualmente, e o registro dos fatos deixa bem claro que Ele ministrou a “todos” que vieram. No seu sermão em casa de Cornélio. Pedro nos conta:

“Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo c com poder, o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele.” (Atos 10:38.)

MINISTRAÇÃO PARTICULAR OU EM PÚBLICO?

Às vezes parece que temos de tomar uma decisão entre duas coisas. Temos, de fato, de escolher entre libertação em público ou em particular.

Está claro que o Espírito Santo tem operado nos dois casos. Deixe cada crente agir de acordo com a maneira como o Senhor o dirigir.

A ministração em particular é importante, se não essencial, em alguns casos. Estamos notando que a maioria dos cristãos tem páginas escuras em sua vida. Há coisas que nunca foram confessadas a ninguém. Os demônios prosperam nos pecados escondidos e ignorados pela pessoa. Eles trarão culpa e indignidade, para impedir o desenvolvimento espiritual e o testemunho do crente.

Em geral, as pessoas sentem-se à vontade ao confessar essas coisas ao conselheiro de libertação. Explicamos que mexemos no passado para revelar as portas pelas quais os demônios ganharam entrada, de modo que estas mesmas portas possam ser fechadas para. sempre.

Alguns indivíduos requerem mais instrução do que outros sobre como conservar sua libertação. Alguns compreendem logo a técnica da luta espiritual enquanto outros são lentos em aprender. Alguns são mais vulneráveis ao ataque em sua vida do que outros, especialmente no lar. O ministro pesa a importância de cada caso e deve fazer o quanto pode, diante de Deus, para que a pessoa que recebe libertação possa continuar vitoriosa.