ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 10 – AS MANIFESTAÇÕES DEMONÍACAS

Quando os demônios são enfrentados e pressionados por meio de uma luta espiritual, às vezes eles demonstram sua própria natureza através da pessoa, de várias maneiras. Estes espíritos maus são criaturas das trevas. Eles não aguentam ficar na luz. Quando sua presença e suas táticas são expostas, eles são capazes de ficar agitados e frenéticos. As manifestações parecem não ter fim. Limitar-nos-emos a poucos exemplos.

Satanás e seus demônios são identificados com as serpentes. “Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões…” (Lucas 10:19). “E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo…” (Apocalipse 12:9).

Não é de surpreender que manifestações de serpentes tenham sido vistas, por exemplo, na língua. Elas motivam a pessoa a esticar a língua para fora ou fazem a língua mover-se rapidamente para fora e para dentro – exatamente como a da cobra. Os olhos podem tomar as características como os da cobra. Geralmente, durante a libertação, os olhos da pessoa ficam fechados. Parece que os demônios sabem que os olhos da pessoa revelam a presença deles de uma maneira mais nítida que qualquer outra.

Outra manifestação da serpente é pelo nariz. A pessoa é capaz de chiar pelas narinas. Várias vezes, tenho visto a pessoa jogada no chão pelo poder dos espíritos, e o corpo retorcer-se como o da serpente.

Uma manifestação mais ou menos comum ocorre nas mãos. As mãos podem ficar entorpecidas e dormentes. Às vezes, os dedos se esticam e tornam-se rígidos. Os demônios que se manifestam desta maneira pelas mãos são, em geral, os demônios da luxúria, do suicídio ou do homicídio. Outros tipos de espíritos maus, especialmente os associados ao uso errado das mãos, podem manifestar-se desta maneira. É preciso sacudir as mãos vigorosamente para deslocar os espíritos.

Os espíritos de artrite, muitas vezes, se manifestam nas mãos. As mãos se tornam rígidas, e os dedos, ásperos. Isto pode acontecer nas mãos de jovens que ainda não têm sinais nenhum de artrite, mas em quem o demônio da artrite já está trabalhando a longo tempo.

Ao confrontar o demônio de artrite, as mãos podem tomar a aparência de alguém que sofre disso há anos. O demônio pode manifestar-se através de dores e retorcimento do corpo. Muitas dessas enfermidades são abortadas pelo ministério da libertação, quando o discernimento de espíritos descobre as enfermidades e as doenças que não foram ainda manifestadas.

Uma manifestação que é muito pavorosa é a do espírito de morte. Tenho encontrado o espírito de morte presente em casos onde pessoas foram arrasadas até o ponto da morte por doenças graves, cirurgias sérias ou tentativa de suicídio.

Um homem com um espírito de morte tinha sido oficialmente declarado morto por afogamento, mas foi ressuscitado pela ação do médico. Ao se manifestar, o espírito de morte faz com que as pálpebras fiquem abertas e os olhos virem para trás. A pele da pessoa toma a cor da morte.

Uma jovem senhora de 25 anos veio a nós para o ministério. Ela era uma pessoa meiga e de natureza passiva. Vários demônios foram expulsos, e estávamos sentados, quietos, esperando a direção do Espírito Santo. De repente, o rosto da moça mudou-se dramaticamente e outro demônio apareceu.

Não há meios de descrever como a manifestação apareceu — especialmente pelos olhos. Sem virar a cabeça, seus olhos movimentaram-se para olhar a cada pessoa na sala com um olhar fixo.

Minha esposa e eu estávamos sentados bem na frente dela. Mais três membros de nossa equipe de libertação estavam presentes, juntamente com o pastor da moça e sua esposa. Eu havia observado muitas manifestações demoníacas, mas esta era diferente. Fez-nos sentir como se estivéssemos encarando um animal feroz, a ponto de devorar-nos. Num instante, esta manifestação cedeu-se à manifestação do espírito de morte. Felizmente, eu já tinha visto esta manifestação e sabia como agir. Os outros na sala não a conheciam e achavam que a moça tinha falecido mesmo. O demônio saiu, e a moça ficou boa.

Outra faceta das manifestações demoníacas é a dos cheiros: Lembro-me de uma vez em que estávamos ministrando numa casa pastoral. A casa ficou tomada por um mau cheiro parecido com o de repolho cozinhando que, para mim, é um mau cheiro. Era tão real, que alguém foi até a cozinha para verificar se havia algo no fogão.

Em outra ocasião, eu estava expulsando um demônio de câncer. Ele saiu acompanhado por um cheiro distinto, igual ao que encontramos num hospital de câncer. Com muitas experiências pastorais no Hospital do Câncer Ha cidade de Houston, Texas, reconheci logo o cheiro.

Os demônios podem gritar (Mateus 8:29; Lucas 4:41; Atos 8:7).

Estávamos em meio a uma libertação quando uma moça de 17 anos aproximou-se. Ela disse que tinha sido envolvida com feitiçaria. Mandei-a sentar-se no assento à minha frente. Abri minha Bíblia e comecei a leitura de Deuteronômio 18:9-15, que declara que feitiçaria é uma abominação ao Senhor. Enquanto estava lendo o versículo 15, que diz que Deus levantaria um Profeta (Jesus) e “a ele ouvirás”, um grito agudo saiu da boca da moça. Levantando os olhos da Bíblia, vi as mãos dela como garras estendidas à Bíblia.

Antes que eu pudesse reagir, as unhas compridas tinham rasgado aquela página de minha Bíblia, no versículo que eu acabara de ler! Começamos a expulsar, em nome de Jesus, os demônios de feitiçaria e os espíritos da mesma tribo, e logo ela foi liberta da sua opressão.

O espírito de orgulho pode manifestar-se de várias maneiras. Ele pode fazer a pessoa sentar-se ou ficar em pé muito ereta e cruzar os braços sobre o tórax ou arrebitar muito o nariz. Um jovem pastor disse-me que ele falava demais. Ele não podia resistir a interromper qualquer conversa, fosse ela qual fosse. Ele não podia disciplinar-se e deixar outros falarem. Sentia que tinha muito mais a dizer de maior importância que os outros. Ao espírito foi mandado identificar-se. e ele respondeu, dizendo: “Sou importância”.

O homem estava sentado numa cadeira dobrável. O espírito fez com que ele pusesse a cabeça para trás com seu nariz bem para cima, quase derrubando o homem. O espírito de orgulho ou de importância fará a pessoa “pensar de si mesma além do que convém”.

Os espíritos maus, às vezes, revelam sua presença e sua natureza por pantomima. Durante uma entrevista, antes de eu ministrar, um jovem pastor revelou que tinha uma obsessão por dança e que queria dançar mais do que comer. Quando o demônio da dança carnal foi mandado embora, o homem começou uma pantomima rítmica.

O corpo dele começou a balançar-se, suas mãos moveram-se como se fosse bater palmas e sua boca movia-se como se estivesse cantando, embora não se ouvisse som algum. O demônio disse que ele estava cantando “O Poder do Sangue”. O homem pegou um pano molhado que usava no rosto (os demônios expulsos primeiro tinham saído por vômito) e sacudiu o pano em cadência.

Finalmente, jogou o pano para o teto e, ao cair no chão, o demônio deu uma gargalhada feia.

Em outras ocasiões, temos visto espíritos de ritmos e de danças se manifestarem pelo movimento do corpo, especialmente no movimento dos quadris. Uma moça, cujo corpo vibrou com a manifestação do espírito de ritmo, revelou depois que ela tinha sido uma dançarina de boate, bicou provado que este era o espírito que a dominava. O diabo tem sua imitação e perversão para tudo o que é bom e certo.

Uma manifestação interessante apareceu quando estávamos ministrando a uma mãe que tinha um filho de 12 anos. O filho tinha um braço defeituoso, como resultado de lesão cerebral congênita. O pulso dele era virado e a mão ressequida e sem força. A mãe tinha um espírito de tormento, que a aborrecia continuamente, por causa da condição de seu filho. O espírito não a deixava em paz e fixara a mente dela no braço defeituoso. Quando este espírito de tormento saiu, ele fez o braço e a mão da mãe assumirem a aparência exata do braço e da mão do filho.

A dor é uma manifestação comum. Muitas e muitas vezes, quando pessoas marcam compromisso com antecedência para nossa ministração, depois dizem que sofreram uma grande dor de cabeça, ainda que, normalmente, nunca sofressem disso.

Durante a ministração, com frequência, os demônios provocam dor de cabeça ou dores agudas em várias partes do corpo. Espíritos de nervos e tensão podem causar dores na nuca ou nas costas. Geralmente, o ministro de libertação imporá as mãos na área dolorida e mandará o espírito se desligar; o demônio é expulso e, num instante, o corpo é aliviado da dor.

Outras manifestações que podem aparecer neste ministério de libertação incluem cãibras nas pernas e braços, náuseas, choros e gargalhadas. A gargalhada é geralmente um espírito de escárnio. O novato nesse ministério poderia pensar que quem está recebendo a libertação não a está levando a sério, mas as gargalhadas não têm nada a ver com os sentimentos da pessoa.

Calculo que os demônios falam, em média, em um de cada doze casos em que ministramos. A porcentagem seria maior se os deixássemos falar. Eles não variam muito naquilo que dizem.

Eles falam com firmeza que não pretendem sair. Podem dizer que a pessoa quis que eles ficassem ou que eles voltarão se forem expulsos.

Às vezes, eles suplicam para não serem expulsos, querendo provocar pena com relação àquilo que acontecerá com eles. É óbvio que os demônios ficam atormentados ao ouvirem do sangue de Jesus e do destino eterno que têm à frente. Os demônios demonstram medo de seus superiores no exército satânico. Sua conversa tem a finalidade de criar medo no ministro de libertação. Por exemplo, um demônio poderia dizer: “Sei algo sobre você. Você quer que eu conte tudo aqui na frente dos outros?” Mas isto são somente acusações e ameaças.

De modo geral, a conversa dos demônios é uma tática para impedir a libertação ou de adiá-la tanto quanto possível. Quando os demônios são expulsos, normalmente saem pela boca ou pelo nariz. Os espíritos estão associados à respiração. Os hebreus tanto como os gregos tinham somente uma palavra para “espírito” e “respiração”.

A palavra grega é pneuma. O Espírito Santo também está associado com a respiração. Após a ressurreição, Jesus apareceu aos discípulos e “soprou sobre eles, e disse-lhes: Recebei o Espírito (pneuma) Santo” (João 20:22). Muitos hinários evangélicos contêm hinos com este tema.

Quando os espíritos maus saem, normalmente, esperamos uma manifestação qualquer pela boca ou pelo nariz. Sem dúvida, a manifestação mais comum é tossir. A tosse pode ser seca, mas em geral é acompanhada de catarro. O catarro pode ser em grande quantidade.

Material semelhante pode aparecer na forma de vômito, baba, cuspe ou espuma. As pessoas que recebem esse ministério de libertação logo depois de uma refeição, ainda que grande, vomitam grande quantidade de muco, sem qualquer traço de comida. E raro termos visto comida vomitada do estômago. De vez em quando uma pequena quantidade de sangue aparece. Não é fora do comum que este material saia de uma pessoa durante uma hora ou mais.

Outras manifestações pela boca incluem: choro, grito, suspiro, arroto e bocejo. O ar talvez sairá pelo nariz ou a pessoa assoará o nariz continuamente, como se tivesse sinusite. Estas manifestações podem variar em sua intensidade – podem ser muito calmas ou até muito dramáticas. O grau de manifestação não indica a eficácia de uma libertação. As pessoas cujos demônios saem por bocejo ou suspiro são também libertas tanto quanto as que são libertas com manifestações violentas.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

QUANDO O CIÚME É DEMAIS

Comportamentos compulsivos, como verificar registro de ligações no celular, são sustentados pela ilusão de que é possível controlar o que o parceiro faz ou sente

Há mais de 400 anos, William Shakespeare tratou da “doença da suspeita” em uma de suas obras mais populares: Otelo, o mouro de Veneza. A desconfiança de que a mulher mantinha relacionamento com um rapaz mais jovem – despertada e alimentada por insinuações de um subordinado, Iago – levou-o a buscar e a acreditar ter encontrado provas da traição em fatos triviais. O escritor referia-se ao ciúme como “o monstro de olhos verdes”, uma metáfora sobre a cegueira induzida pelo sentimento que faz entrever como provável ou certo o que apenas é possível de acontecer. 

No relacionamento amoroso, no entanto, é natural sentir ansiedade ao perceber que algo ou alguém pode reduzir o espaço afetivo que ocupamos na vida do parceiro. “O ciúme normal é transitório e se baseia em ameaças e fatos reais. Ele não limita as atividades – nem interfere nelas – de quem sente ou é alvo de ciúme e tende a desaparecer diante das evidências”, define a psicóloga Andrea Lorena, pesquisadora de ciúme excessivo do Laboratório Integrado dos Transtornos do Impulso (PRO-AMITI) do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP). O ciúme extrapola as fronteiras do saudável quando se torna uma preocupação constante e geralmente infundada, associada a comportamentos inaceitáveis ou extravagantes, motivados pela ansiedade de tirar a limpo a infidelidade do parceiro. “No ciúme excessivo, o medo de perder a pessoa amada vem acompanhado de emoções específicas – raiva, medo, tristeza, ansiedade – e pensamentos irracionais. ‘Será que ele/ela está me traindo?’ é um pensamento frequente. Quase sempre há prejuízos para quem sente, para quem é alvo e para o relacionamento”, diz Andrea. 

Não raro os pensamentos irracionais se traduzem em comportamentos compulsivos, sustentados pela ilusão de que é possível controlar o que o parceiro faz ou sente, como verificar agendas, registro de ligações no celular, seguir o parceiro, conseguir senha de acesso ao e-mail, checar faturas de cartão de crédito e fazer visitas-surpresa para confirmar suspeitas. Muitas vezes as preocupações são acompanhadas por sintomas físicos, como sudorese, taquicardia, alterações no apetite e insônia. De acordo com Andrea, uma das características mais comuns da pessoa excessivamente ciumenta é a baixa autoestima. “Isto é, ela não acredita que tem valor e merece respeito. A priori, é alguém ‘traível’ e abandonável, pois na verdade acredita que a honestidade e a reciprocidade nas relações não valem a pena. É um sentimento com origem na infância e na relação com os pais, em que provavelmente a pessoa foi negligenciada e desrespeitada. Somam-se ainda fatores como insegurança, medo, instabilidade e a própria desorganização pessoal”, diz a psicóloga. 

No Brasil, o PRO-AMITI e a Santa Casa do Rio de Janeiro oferecem tratamento gratuito para ciúme excessivo. A abordagem combina atendimento psicológico, em grupo ou individual, e psiquiátrico. É comum a comorbidade com transtornos de depressão e ansiedade que, se diagnosticados, são tratados com medicamentos. “O processo psicoterápico trabalha a melhora da autoestima e a segurança com o próprio relacionamento. Com o tempo, o paciente percebe que comportamentos como investigar o que o parceiro faz na rede ou vasculhar seus pertences são desnecessários”, diz Andrea. 

O ciúme excessivo é um traço frequente de outro quadro: o amor patológico (AP), com características semelhantes à dependência química. Ele ocorre quando o comportamento saudável de atenção e cuidado para com o parceiro, característico do amor, começa a ocorrer de maneira repetitiva e frequente. A pessoa se ocupa do outro mais do que gostaria e abandona interesses e atividades que antes valorizava. Segundo a psicóloga Eglacy Sophia, também do PRO-AMITI, ciúme excessivo e amor patológico compreendem medo intenso da perda, baixa autoestima e insegurança emocional. “Muitas vezes os questionamentos sobre a fidelidade do parceiro são calcados em motivos plausíveis. Em geral, uma entrevista cuidadosa com o paciente revela dados sobre o comportamento do parceiro que poderiam causar ciúme em qualquer pessoa, como telefonemas secretos, distanciamento afetivo e físico frequente e confirmação de traições passadas”, diz a psicóloga.

Apesar de existirem poucos estudos relacionando o ciúme patológico com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), os pensamentos do ciumento costumam ser similares aos das pessoas que têm o distúrbio: são intrusivos, desagradáveis e incitam atitudes de verificação. “Pacientes que reconhecem seus comportamentos como inadequados ou injustificados apresentam mais sentimentos de culpa e depressão; os demais demonstram raiva e condutas impulsivas mais pronunciadas”, diz Eglacy

OUTROS OLHARES

A ESCOLA É POP

Depois do cinema, chegou a vez de as séries de TV entrarem nas salas de aula. É um magnífico atalho para ampliar a relevância do ensino em qualquer sociedade

Quando o enérgico professor John Keating se postou em cima de uma carteira na conservadora Academia Welton e instou uma classe desinteressada a responder à questão que não quer calar – “O que eu, mestre, estou fazendo aqui?” -, a dramaturgia abraçou de modo certeiro a educação. Em 1989, o tocante Sociedade dos Poetas Mortos, estrelado por Robin Williams, levou um punhado de prêmios, entre os quais o Oscar de melhor roteiro. Houve outros antes dele, como o delicado Ao Mestre com Carinho, que faturou a estatueta de melhor filme em 1967 com um brilhante Sidney Poitier chacoalhando uma turma sem rumo. Agora, é chegada a vez de as séries de TV mostrarem os labirintos escolares à sua maneira. E elas estão registrando elevada audiência mundo afora. Em outubro, o Brasil adentra esse universo com Segunda Chamada, da Globo, a estreia do país nessas produções que dão às complexidades do ensino o papel principal.

A nova série sorve inspiração das muito bem-sucedidas Rita, a trama dinamarquesa em torno de uma professora desbocada que escandaliza pais e conquista alunos, e Merlí, que em suas três temporadas mostrou como um mestre disposto a fazer tremer velhos pilares escolares sacode também a vida dos estudantes. Ambas se encontram na Netflix – Merlí, aliás, era originalmente exibida na catalã TV3, depois foi catapultada para a plataforma de alcance planetário e virou fenômeno. “Meu desafio era tratar de jovens e filosofia na escola, um coquetel explosivo que nem a TV nem as grandes plataformas haviam comprado”, conta o diretor Hector Lozano, criador de Merlí, que pode, sim, pecar por certos estereótipos, mas certamente tornou a sala de aula um local ao mesmo tempo divertido e dramático.

Em Segunda Chamada, o alvo é o ensino de jovens e adultos que vão sendo defenestrados dos estudos pela combinação de falta de incentivo com falta de oportunidades. No horário pós-novela das 9, estarão carteira com carteira uma ex- presidiária, o irmão de um chefe do tráfico, uma senhora de 70 anos – todos pilotados por um quadro de professores de colégio público que tem como destaque a personagem vivida por Debora Bloch. O interesse da Globo por uma série sobre educação na novela Malhação ela é apenas cenário – vem na esteira dos sucessos de fora. “Escolhemos mirar essas pessoas que são dadas como casos perdidos justamente porque elas quase nunca têm visibilidade”, diz a roteirista Carla Faour, que escreveu a primeira temporada de dez episódios (a segunda já está nos planos) com Julia Spadaccini, dobradinha reeditada da série Tapas e Beijos.

Em outros tempos, dificilmente se ousaria apostar em enredo tão árido (até mesmo para os círculos da educação), mas o mercado vem detectando uma crescente curiosidade pelas coisas da escola, sintoma deste século XXI, que demanda cada vez mais habilidades e aprendizado. Um motor decisivo para libertar o ensino dos escaninhos dos especialistas e trazê-lo a mesas mais amplas são as redes sociais, que conectam o tempo todo, pais, alunos e escolas. Isso tudo faz o tema circular livremente pela vida cotidiana e interessar ao universo pop. “Tirando a filmografia francesa, o ensino nunca foi tratado na indústria do entretenimento com o afinco de hoje”, ressalta Lozano, de Merlí. Uma contribuição vinda da França é o genial Entre os Muros da Escola, de 2008, que inclusive inspirou a dupla brasileira. “Mantemos uma constante conversa para entender o que as pessoas estão falando, ouvindo, buscando. E educação é uma delas”, diz Silvio de Abreu, diretor de dramaturgia da Globo. Que a maratona à frente da TV sirva também de estímulo para a corrida pelo saber sem o qual qualquer democracia corre sérios riscos.

GESTÃO E CARREIRA

QUANDO A BAGUNÇA VIRA PROBLEMA

Embora comum, pesquisas apontam que a desorganização prejudica a produtividade, aumenta o estresse e pode comprometer o desenvolvimento profissional

Responda rapidamente: sua mesa de trabalho é cheia de papéis espalhados, embalagens vazias e itens de escritório fora do lugar? Trabalhar em um local caótico pode parecer inofensivo, afinal, fácil encontrar outras pessoas com mesas mais caóticas do que a sua.  Porém, de acordo com especialistas, a desordem pode comprometer não apenas a saúde, mas também a produtividade e até a carreira. Um dos principais problemas de uma estação de trabalho desordenada é que, muitas vezes, ela dificulta a identificação de objetos. Consequentemente, o funcionário perde tempo e energia atrás de documentos físicos e digitais, além de outros itens de trabalho, afetando as entregas e o humor. E esse tempo, aparentemente irrelevante, no longo prazo pode se mostrar bem representativo. De acordo com um estudo realizado pelo aplicativo de localização Pixie, por exemplo, os americanos gastam, em média, 2,5 dias por ano apenas procurando objetos perdidos no trabalho. Não raramente, algumas histórias terminam mal, com documentos importantes perdidos para sempre e a reputação profissional arranhada. Foi o que aconteceu com o vice-presidente da fabricante de colchões Sono Quality, Luciano Brasil, de 37 anos. Em 2013, quando era supervisor da operação de telemarketing da companhia, ele perdeu um documento importante que estava em um pen-drive. “Minha mesa tinha muitas coisas espalhadas, era papel para todo lado e diversos pen drives”, conta Luciano. O arquivo desaparecido, que não possuía uma cópia de segurança, continha a primeira etapa de um plano da empresa para aumentar o número de visitas a clientes. Sem achar o original de jeito nenhum, Luciano teve de recomeçar o planejamento do zero, provocando um atraso de 30 dias na implantação do projeto. Além de perder a credibilidade, a liderança da iniciativa foi parar nas mãos de outro colega, e o executivo ficou na geladeira por alguns meses. “Naquele momento comecei a enxergar que o fator ‘organização’ estava me prejudicando muito”, afirma.

E aquela não era a primeira vez que a bagunça criava um problema para Luciano. Em 2009, por exemplo, ele assinou, sem ler, uma papelada da imobiliária a respeito do imóvel ocupado pela empresa. O documento em questão definia que o prédio teria de ser desocupado em um mês. “O papel estava no meio de outros documentos sobre reformas que estávamos fazendo na propriedade, e eu acabei assinando sem querer”, diz. A companhia precisou se mudar às pressas por causa do deslize. Para superar os problemas causados por esse comportamento, Luciano fez um curso de liderança que continha ensinamentos sobre organização. Além disso, passou a observar atentamente os colegas que eram mais disciplinados do que ele, como o atual presidente da Sono Quality. Com isso, aprendeu a colocar a agenda no Outlook, eliminou os papéis de sua mesa e começou a sistematizar os arquivos importantes no computador. “Anotações só faço no celular ou em um caderno que tenho específico para isso”. Hoje, ele afirma que não comete mais os erros primários de desorganização nem perde itens importantes. “Quando você deixa escapar uma oportunidade, acaba aprendendo”, conta.

O CUSTO DA DESORDEM

Histórias como a de Luciano são comuns. E, não bastasse o desperdício de tempo, a desorganização também pode prejudicar nossa saúde. Uma pesquisa da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, descobriu que, quando estamos em um espaço confuso, nossos índices de cortisol aumentam e, consequentemente, níveis de estresse também. A desordem sobrecarrega os sentidos levando à distração e à incapacidade de concentração. “A bagunça física pode se transformar em bagunça mental, pois gera confusão e dúvidas. Depois evolui para bagunça temporal, quando começamos a perder a noção de tempo e prazos. Por fim ela se torna bagunça emocional, que gera estresse, preocupação e afeta nossa saúde”, explica, José Luiz Cunha, fundador da OZ!, empresa especializada em organização. Segundo ele, algumas pessoas pensam que conseguem se dar bem em ambientes caóticos ou que a desordem é um sinal de criatividade. “Na realidade, é grande a possibilidade de que colegas, gerentes ou clientes não pensem da mesma maneira”, diz.

Além ele comprometer a produtividade, a desordem pode prejudicar desenvolvimento da carreira. Isso porque a falta de organização envia uma mensagem negativa a líderes e colegas. “O profissional passa a impressão de que não vai exercer o trabalho com qualidade, perder prazos, documentos e, principalmente, não dará o melhor de si mesmo” afirma Beth Mariano, sócia da Prosphera Educação Corporativa consultoria especializada em gestão de negócios. Na prática, trabalhadores associados ao desleixo podem não ser escolhidos para gerenciar um novo projeto ou perder uma promoção. Um estudo da consultoria Rober Half com mais de 300 profissionais de recursos humanos nos Estado Unidos mostrou que 32% deles questionam as habilidades de uma pessoa desorganizada no trabalho. “Que tem um espaço mal arrumado está comunicando que não possui capacidade de autogestão. E quem não sabe gerir a si mesmo também não sabe administrar outras coisas”, diz Maria Aparecida Araújo, presidente da consultoria Etiqueta Empresarial.

Se o dano à imagem é significativo para quem ocupa uma estação de trabalho fixa, os prejuízos podem ser ainda mais graves para os que trabalham em escritórios abertos ou sem mesas definidas. Por se trata de locais compartilhados, os indivíduos devem redobrar a atenção “O desrespeito aos espaços coletivos poderá tornar o profissional um persona non grata naquele ambiente”, afirma a gerente de operações da consultoria LHH, Patrícia Paniquar

ELIMINANDO O PROBLEMA

De acordo com especialistas, o ideal é ter uma mesa de trabalho minimalista, apenas com os itens essenciais usados no dia a dia. Para Beth, da Prosphera, os objetos de uso frequente devem ficar por perto enquanto os menos utilizados precisam ser arquivados. Outro segredo é colocar cada coisa em um lugar específico, como gavetas, prateleiras e porta-objetos. Uma solução para quem trabalha em espaços rotativos é montar um estojo com todo material necessário para facilitar o transporte. E, para os que recebem um volume grande de papéis diariamente, uma caixa de entrada onde são colocados os documentos relatórios e o material recebido é uma ferramenta útil. Ao longo dia, basta verificar cada item e decidir o que será arquivado, deixar para depois, os descartados ou a enviar a outras pessoas ou clientes.

Mas, para ter um espaço arrumado, não basta ajeitar os itens uma vez só. É preciso fazer a manutenção diária para tudo permanecer em ordem. “Os profissionais podem reservar os últimos 10 minutos expediente para essa conservação. Esse é o momento para colocar cada coisa em seu lugar, jogar o lixo fora e escrever a lista dos próximos compromissos. Desse modo, o escritório vai parecer um lugar mais produtivo e acolhedor todas as manhãs”, explica José Luiz, fundador da OZ!

Ter objetos de decoração ou valor sentimental sobre a mesa também é permitido, desde que com moderação. Colocar muitos bibelôs, brinquedos e outros itens na estação de trabalho pode pegar mal, segundo Maria Aparecida, da Etiqueta Empresarial. “É interessante ser discreto e evitar excessos”, orienta. Manter a foto dos filhos e usar notas adesivas para se organizar, no entanto, é bem-vindo, conforme mostrou um levantamento feito pela Lucidchart, plataforma de gerenciamento de projetos. De acordo com o estudo, que entrevistou mais de 1.000 funcionários nos Estados Unidos, 78% dos profissionais produtivos usam post-its e 33% possuem um retrato dos filhos na estação de trabalho. Enquanto isso, entre aqueles com menor produtividade, esses números caem para 67% e 24%, respectivamente. Independentemente do tamanho da pilha de papéis que esteja sobre sua mesa ou do que você optará por manter ou jogar fora, uma coisa é certa: quanto antes começar a faxina, melhor será para você – e para sua carreira.

TUDO EM SEU LUGAR

Cinco dicas de como manter seu espaço organizado

1. PROGRAME-SE PARA LIMPEZAS PESADAS

Além da manutenção diária, é recomendável reservar um tempo maior, pelo menos duas vezes ao ano, para percorrer arquivos e objetos antigos que não tenham mais serventia e possam ser jogados fora.

2. MENOS PAPEL

A utilização e, consequentemente, o arquivamento de itens físicos deve ser apenas em último caso. “hoje em dia, excesso de papel não é bem-vindo. Substitua a agenda por um bloco de notas eletrônico”, diz Patrícia Paniquar, da LHH. Quando for indispensável imprimir documentos, o ideal é sistematizá-los em pastas com etiquetas removíveis.

3.  O QUE OS OLHOS NÃO VEEM NÃO SE TORNA BAGUNÇA

Quem tiver a opção de usar armários dentro do escritório poderá aproveitar esses espaços para deixar a mesa de trabalho mais livre.

4. LIXO, NEM DIGITAL

Organizar os documentos on-line também é importante. deixe os arquivos do computador e a caixa de entrada de e-mails sistematizados em pastas separadas por assunto, projeto ou cliente. Também programe uma limpeza periódica e reveja o que pode ir para a lixeira do computador.

5. NÃO PARE NO MEIO DO CAMINHO

Ao receber ou analisar um documento, já decida o que fazer com ele. Deixa-lo descansando sobre a mesa para ser visto depois é quase sinônimo de acúmulo desnecessário.

VOCÊ É BAGUNCEIRO?

Seis sintomas de que sua desordem já passou dos limites

***Não há espaço em sua estação de trabalho para colocar mais nada

***As pessoas evitam deixar documentos em sua mesa com medo de que você não os veja

***Existem pastas ou papéis no mesmo lugar há semanas e suas gavetas estão cheias

***Você costuma se atrasar para reuniões pré-agendadas porque anotou o horário em papéis aleatórios

***Seus documentos se perdem com frequência

***Quando solicitam informações sobre algo, você tem dificuldade de localizá-las de forma ágil