A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

AI QUE GAFE!

A maioria das pessoas já pensou alguma vez: “teria sido melhor eu ter ficado calado”, mas quando o autocontrole falha, o melhor é não se aborrecer, pois quanto maior a tensão e o empenho para se comportar “bem”, mais aumenta o risco de dizer algo que cause constrangimentos

É como se, de repente, as palavras saltassem à nossa frente e, quando nos damos conta, já dissemos aquilo de que, no segundo seguinte, nos arrependemos. É o lapso, o “fora”, a palavra que deveria ser evitada, mas parece escapar – uma situação em geral constrangedora, da qual ninguém está livre. No palco, a gafe, uma instância da comédia burguesa, faz a plateia rir. Contudo, na vida cotidiana esse tipo de erro costuma ser muito constrangedor. Segundo o psicólogo social Daniel Wegner, da Universidade Harvard, em Cambridge, que estuda esses casos há mais de 20 anos, aqueles que têm tendência a depressão, ansiedade ou timidez (e costumam ficar constrangidos e desconfortáveis quando em grupo) são os que levam mais a sério esses lapsos – e mais sofrem som eles.

Sigmund Freud já havia descrito este fenômeno, que ele nomeou genville (que se refere a uma ação executada contra a própria vontade) em 1895 em um de seus estudos sobre histeria. O criador da psicanálise percebeu que grande parte de suas pacientes que tinham medo de fazer observações sem propósito ficavam particularmente incomodadas quando isso, eventualmente, ocorria. Entre as recatadas mulheres do início do século 20, um deslize era visto, principalmente por elas mesmas, como algo grave, que assumia sérias proporções em seu psiquismo. E, curiosamente, quanto mais tinham medo de cometer uma gafe, mais isso acontecia.

Em uma experiência clássica em psicologia, Wegner pediu aos participantes de um estudo para não pensarem em um urso branco durante cinco minutos – e falar sobre aquilo que eles quisessem. Caso eles pensassem assim mesmo no animal, deviam tocar um sininho cada vez que isso acontecesse. Os resultados mostraram que os voluntários tinham disparado as campainhas em média 6 vezes e alguns chegaram a tocar 15 vezes! Após os experimentos, todos admitiram que ficaram então muito frustrados (e surpresos) por perderem o controle de seus pensamentos.

Para o psicólogo, mesmo que às vezes lamentáveis, essas situações representam um efeito secundário e quase que inevitável de nosso controle mental: é o que se chama de metacognição (do grego meta: mais longe, além, e do latim cognitivo: conhecer). Dois mecanismos que geralmente agem em sinergia às vezes entram em descompasso: em condições normais, uma espécie de censor interno sinaliza o aparecimento de pensamentos inapropriados (porque eles são inadequados ao contexto ou porque nós estamos ocupados com outra tarefa e naquele momento é melhor deixá-los de lado). Assim que o censor emite um alarme, um segundo processo é disparado – o suprimento do pensamento indesejável. Segundo essa teoria, o controle mental evita a revelação de pensamentos indesejáveis, monitorando a atenção e fazendo com que tentemos de forma consciente nos concentrar em outra coisa.


Esse mecanismo costuma funcionar muito bem, mas quando estamos estressados ou quando devemos realizar duas tarefas complexas ao mesmo tempo, ele pode falhar. Esses “erros irônicos” se produzem assim que os conteúdos reprimidos fogem do nosso controle. Mesmo que o recalque e a repressão sejam estratégias eficazes, frequentemente usadas, podem causar os lapsos, pois exigem muita atenção e investimento de recursos cognitivos.

MAIS DIFÍCIL

Segundo D. Wegner, os erros irônicos não se produzem somente durante a comunicação verbal, mas também no controle do movimento. Ele demonstrou esse processo em um trabalho desenvolvido em conjunto com seus colegas Matthew Ansfield e Daniel Pillof. Participantes do estudo foram divididos em duas equipes: os integrantes do primeiro grupo deviam impor determinada direção a um objeto. Os movimentos para outra direção eram estritamente proibidos. Simultaneamente, os voluntários que faziam parte do segundo grupo deviam fazer o mesmo, porém com o acréscimo da tarefa de contar de forma decrescente de três em três a partir do número 1000 (997, 994, 991 e assim por diante). Os cientistas perceberam que esses últimos levavam o objeto para a direção proibida muito mais frequentemente que as pessoas do primeiro grupo, cujas fontes cognitivas não estavam sendo utilizadas para uma segunda tarefa.

Os erros irônicos seriam cometidos também no esporte, pois a preocupação com o controle dos conteúdos cognitivos parece fazer diminuir a performance, segundo constatou a psicóloga Sian Beilock, da Universidade do Estado de Michigan. Pesquisadores de um grupo coordenado por ela observaram 126 iniciantes no golfe que tentavam lançar a bola em buraco muito próximo. Alguns participantes eram proibidos de pensar no lance antes de executá-lo, outros podiam fazê-lo. Os resultados mostram que a performance dos sujeitos impedidos de imaginar a ação foi em geral pior. O prejuízo no desempenho não pôde ser compensado com a experiência seguinte, quando os jogadores tiveram a autorização de imaginar o lance com antecedência.

Para entender melhor como a censura mental fracassa, tomando por base a cognição, D. Wegner e seus colegas solicitaram a voluntários que falassem durante três minutos, sem restrições, sobre qualquer tema que lhes viesse à cabeça. Em seguida, os participantes deveriam se concentrar em pensamentos ligados ao sexo e depois, novamente, reprimi-los. Enquanto isso, os psicólogos monitoravam as batidas cardíacas, sudorese e variações de temperatura por meio de eletrodos fixados na ponta dos dedos, para avaliar o estado emotivo dos participantes. A atividade fisiológica aumentava muito quando eles deviam evitar pensar em sexo.

As pessoas mais emotivas parecem ser as que pior suportam cometer gafe. Este temor explica em parte por que os fóbicos sociais se isolam. Para estas pessoas, possíveis erros tornam-se uma ameaça constante. Aquele que busca se liberar de problemas emocionais recalcando pensamentos negativos entra frequentemente em um círculo vicioso: tenta lutar contra os pensamentos negativos, mas por meio de um mecanismo parecido com aquele do urso branco acaba por se concentrar naquilo que gostaria de expulsar.

CONFLITOS INCONSCIENTES

Entre os precursores das pesquisas sobre lapsos de linguagem estão o filólogo Rudolf Meringer e o psiquiatra Karl Meyer. Eles publicaram juntos, em 1895, Erros na fala e na leitura: um estudo psicológico, no qual destacam cerca de 8.800 erros verbais de escrita e leitura. O principal objetivo era elaborar classificações, mas os autores também tentaram determinar mecanismos psíquicos associados ao fenômeno, particularmente aos sons, pois levaram em conta a conotação psicológica dos fonemas.

Quem inegavelmente abordou o lapso com mais profundidade, porém, foi Sigmund Freud, no texto Psicopatologia da vida cotidiana, de 1901. Ele não poupou críticas à abordagem de Meringer e Mayer e propôs que essa manifestação seria a confissão involuntária de um conflito interior, escondido da consciência. Para Freud, é a dimensão involuntária que dá valor particular ao lapso: “No procedimento psicoterapêutico que utilizo para resolver e eliminar os sintomas neuróticos apresenta-se com frequência a tarefa de encontrar um conteúdo mental nos discursos e nas ideias aparentemente casuais do paciente. Esse conteúdo tenta ocultar-se, mas não consegue evitar trair-se inadvertidamente de diversas maneiras. É para isso que, frequentemente, servem os lapsos. Por exemplo, falando da tia, um paciente insiste em chamá-la de ‘minha mãe’ sem perceber seu erro, ou, ainda, uma senhora que fala do marido como se fosse o ‘irmão’. Para esses pacientes, tia e mãe, marido e irmão são, portanto, ‘identificados’, ligados por uma associação pela qual se evocam mutuamente”. 

EVITAR A EVITAÇÃO

Como se proteger de tal fenômeno? O psicólogo Steven Hayes, da Universidade de Nevada no Reno, faz uma recomendação simples: aprender a aceitar os pensamentos desagradáveis. Ele sugere também evitar a evitação, a esquiva, ou seja, evitar o evitar. Wegner propõe – nos casos mais graves, nos quais a pessoa se sente atormentada por pensamentos intrusivos – a análise diária das próprias preocupações, incluindo tudo aquilo que causa inquietação e se gostaria de reprimir. Ele salienta, porém, que esta orientação vale somente para aqueles que se sentem capazes de lidar com suas angústias. Este método não convém aos pacientes gravemente afetados, que devem buscar ajuda de um médico ou psicoterapeuta.

O pesquisador James Pennebaker, da Universidade do Texas em Austin, analisou numerosos estudos e com base neles concluiu que uma confrontação ativa com os pensamentos reprimidos costuma ter efeitos positivos na vida cotidiana e na saúde tanto física quanto psíquica. Ele assinala as vantagens para algumas pessoas de registrar por escrito seus tabus pessoais, aquilo que teme ou lhe causa vergonha. Segundo o especialista, tal exercício teria outra consequência, que requer mais pesquisa: reforçar o sistema imunológico, já que assim haveria menos estresse, e parte da energia psíquica despendida na repressão de certos conteúdos poderia ser empregada de maneira mais saudável.

Antes de fazer anotações sobre os temas que nos constrangem, no entanto, é preciso, primeiro, tomar consciência deles para depois analisar esses temas intrusivos. Wegner propõe também encontrar distrações que não aumentem o estresse. Segundo ele, tudo que nos interessa e não cria uma sobrecarga emocional representa uma boa ocasião de se liberar do temor de cometer gafes. Para algumas pessoas, mais rígidas consigo mesmas, pode ser muito tranquilizador tomar consciência de que esse tipo de incidente é simplesmente normal. E se parece difícil conscientizar-se disso sozinho, talvez seja hora de buscar ajuda de um psicólogo. Afinal, se aquilo que seria apenas motivo de um leve mal-estar e uma boa gargalhada após algum tempo se torna razão para se atormentar, parece hora de empenhar-se para tornar a vida um pouco mais leve.

OUTROS OLHARES

PADRÃO INTERNACIONAL

Fabricantes brasileiros de gim fazem boas versões do destilado utilizando ingredientes como folha de cana-de-açúcar, mexerica e pimenta-rosa

O gim nasceu na Holanda em meados do século XIV como uma opção de tratamento renal. Acreditava-se que um de seus principais componentes, o zimbro, poderia trazer benefícios à saúde. Mas o efeito nos tratamentos não foi o                desejado e, tempos depois, o remédio virou bebida quando os ingleses aperfeiçoaram a fórmula, dando origem a um destilado de sucesso e alto teor alcoólico (entre 38% e 50%). Passadas várias décadas de um relativo ostracismo, o gim voltou à moda no mundo e no Brasil. Desde então, as vendas têm crescido de forma impressionante. Segundo o levantamento mais recente disponível, foi consumido por aqui 1,8 milhão de litros da bebida em 2017, 66% a mais que o total registrado em 2016.

A sede pelo produto incentivou o surgimento de ótimos rótulos feitos de forma artesanal no país. De 20I6 para cá, mais de vinte variações brasileiras de gim trouxeram à fórmula ingredientes como cana-de-açúcar e pimenta, com preços que variam de 75 a 157 reais. A tropicalização da receita britânica acrescentou novos sabores a drinques clássicos como o dry martini e inspirou uma série de coquetéis nas cartas de bares da moda de capitais como São Paulo e Rio de Janeiro. “Os nacionais não devem, hoje, nada em qualidade aos importados”, garante Wagner França, bartender do Holy Burger, uma das melhores lanchonetes da capital paulista.

Um dos pioneiros do mercado, o Virga, surgido em Pirassununga, no interior de São Paulo, destila o produto em alambiques de cobre e usa na receita itens como o pacová, uma planta muito comam na Mata Atlântica. “Queríamos dar esse toque de brasilidade como diferencial do nosso rótulo”, afirma Felipe Jannuzzi, que faz parte do quarteto de empresários responsáveis pelo Virga. A companhia fabrica hoje 30.000 litros, 200% a mais do que em 2016, quando iniciou a operação. Feito pela Weber Haus, localizada em Ivoti, no Rio Grande do Sul, o London Dry Gin WH48 acrescentou à fórmula erva-mate, folha da cana-de-açúcar e gengibre nativo da região.

Algumas dessas marcas começam a ganhar prestigio fora daqui, caso do Amázzoni, do Rio de Janeiro. Com uma composição que leva ingredientes como mexerica, limão e louro, faturou em 2018 o título de melhor produto artesanal do ano do World Gin Awards, em Londres, a mais conceituada premiação mundial da categoria. Apesar da crescente visibilidade, esse grupo de rótulos nacionais representa ainda uma fatia menor do mercado – no ano passado, rendeu cerca de 36 milhões de reais. Mas a evolução do negócio segue em um excepcional ritmo. A previsão é que o volume aumente cerca de 20% em 2019.

Outra curiosidade relacionada ao gim nacional é que parte considerável dos rótulos nasce dentro das destilarias de cachaça, a exemplo do Amázzoni, aproveitando a capacidade ociosa dos alambiques e os bons equipamentos já instalados. “Até os anos 90, a infraestrutura desses lugares dedicados à produção artesanal era bem precária”, lembra Paulo Leite, um dos maiores especialistas do país nesse mercado e consultor de marcas da companhia MuJtifoods. “Os empresários do setor investiram bastante para incrementar suas propriedades”, completa. Dessa forma, o moderno gim nacional nasceu com dois dedos da velha e boa cachaça brasileira.

GESTÃO E CARREIRA

DIVERSIDADE: COMECE POR VOCÊ

Refletir sobre seus privilégios e seu lugar de fala são passos importantes para compreender a diversidade

É comum a conversa sobre diversidade e inclusão nas organizações começar pelos números. Compreensível. De um lado, os dados sobre desigualdade e preconceito no Brasil são alarmantes; de outro, as pesquisas que associam diversidade a melhores resultados para os negócios são mesmo argumentos irresistíveis para avançar com essa agenda no meio empresarial. Números importam, sem dúvida. Mas eu prefiro começar esta discussão pelas pessoas.

Falar de diversidade é falar de gente, de todas e todos nós, e do conjunto de características que nos tornam únicos. Por isso, antes de tratar desse tema sob a perspectiva da gestão, é preciso compreender de que lugar falamos e entender quem somos nós nesse debate. Um bom começo é realizar o exercício de “reflexividade” e de “posicionalidade”.

O primeiro é uma prática de autoconsciência. Pensar em reflexividade envolve, necessariamente, discutir privilégios, aquele conjunto de coisas que a gente pode fazer apenas por ser quem somos – e que o outro, a outra, não pode fazer justamente por ser quem é. Exemplo: casais heterossexuais andam de mãos dadas na rua sem se preocupar em ser agredidos por isso; casais homossexuais, não.

Falar de privilégios não é tratar de culpas. Ninguém pediu para nascer homem, branco, heterossexual, rico ou sem nenhuma deficiência. Mas ocupar esse espaço no mundo traz vantagens e oportunidades que não são distribuídas da mesma maneira para todo mundo. Quando se diz que uma pessoa caucasiana tem privilégios, isso não quer dizer que a vida dela tenha sido fácil, e sim que a raça não a dificultou ainda mais. Privilégio é menos sobre culpa e mais sobre responsabilidades. Se eu cheguei até aqui, coroo posso apoiar aquelas e aqueles que ainda não chegaram?

O exercício de posicionalidade, por sua vez, nos convida a questionar de onde partimos. Ele é importante porque nosso lugar de fala pode nos levar a tomar decisões com base em vieses ou em generalizações indevidas. O lugar de fala é o espaço a partir do qual nos relacionamos com o mundo. O homem tem lugar na discussão sobre gênero nas empresas? Uma resposta possível é: sim, mas um lugar de saída limitado, pois não é ele o alvo principal do machismo. Desse modo, quando essa pauta surgir, o protagonismo é das mulheres, porque elas têm vivência com o tema. Homens aliados, no entanto, podem e devem sempre se manifestar a favor da equidade.

Diversidade não é um assunto de gestão como qualquer outro. É, sim, um tema de negócios, mas que não deve ser encaminhado apenas com planilhas e números. O melhor planejamento e a liderança mais comprometida podem dar poucos resultados se as pessoas envolvidas no processo de inclusão não forem capazes de refletir sobre seus privilégios e preconceitos. Quais são os seus? Pense nisso.

RICARDO SALES – É sócio da consultoria Mais Diversidade, professor na fundação Dom Cabral e pesquisador na universidade de São Paulo

ricardo@maisdiversidade.com.br

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 9 – A CASA VAZIA

O trecho abaixo declara, em linguagem simples, que a volta de um espírito expulso é possível e, além disso, que traz outros espíritos piores junto com ele.

“Quando o espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos procurando repouso, porém não encontra. Por isso, diz: Voltarei para minha casa donde saí. E, tendo voltado, a encontra vazia, varrida e ornamentada. Então, vai e leva consigo outros sete espíritos, piores do que ele, e, entrando, habitam ali; e o último estado daquele homem torna- se pior do que o primeiro. Assim também acontecerá a esta geração perversa.” (Mateus 12:43-45.)

O sentido está bem claro. Se a “casa” continua desocupada, varrida e ornamentada, é um convite aberto para problemas piores. A casa tem de ser ocupada por Deus.

A mesma estratégia de Satanás encontra-se também em Lucas 11:24-26. Vamos examinar os dois casos. Em Lucas, Jesus expulsou um espírito mudo de um homem, e o homem passou a falar. Alguns expressaram a crença que Jesus o fez pelo poder de Belzebu, o chefe dos diabos.

Jesus explicou que, se fosse verdade, o reino de Satanás estaria dividido contra si mesmo e, assim, cairia. E continuou dizendo: “Se, porém, eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós.”

Jesus estava falando com um grupo de judeus que tinham desenvolvido uma religião negativista. Eles tinham tirado muitas coisas da sua vida, mas o que as substituía? Eles estavam rejeitando a religião positiva que Jesus lhes oferecia. Para dar ênfase a esse ponto, Jesus usou uma ilustração que eles pudessem entender. Se eles não colocassem uma coisa positiva em sua vida depois de eliminar tantas negativas, seria como alguém liberto de demônios que não colocasse nada positivo no lugar do negativo. Eles acabariam ficando piores do que estavam antes.

O contexto de Mateus é mais claro ainda. Jesus acabou sendo condenado por ter colhido espigas de milho no sábado; curou o homem de mão ressequida, também no sábado. De novo, os fariseus O acusaram de expulsar os demônios por Belzebu. Jesus mostrou que as palavras deles procediam de um coração mau. Eles já tinham visto bastante para mudarem sua vida, mas eles não tinham mudado nada. Sem mudança, eles se tornariam piores — como um homem purificado de demônios que não encheu sua “casa” com Deus.

Jesus está dizendo que chega uma hora em que devemos colocar coisas positivas em nossa vida. Sempre tem de haver uma igualdade entre os fatores negativos e positivos. Depois que a carne está crucificada e os demônios são expulsos, devemos colocar Jesus em nossa vida, deixar Jesus reinar em nós.

De fato, a razão de se ficar livre dos demônios é para se possuir mais de Jesus!

Com que enchemos a casa? JESUS! Ser cheio de Jesus é ser cheio de PUREZA e PODER. Estas duas palavras caracterizam a pessoa de Jesus. Como veremos, nossa pureza vem através de nossa habitação em Cristo, e o resultado é o FRUTO DO ESPÍRITO: nosso poder vem por meio do batismo no Espírito Santo, e os resultados são os DONS DO ESPÍRITO.

Tem de ser entendido que para encher a casa leva mais do que uma oraçãozinha acrescida no fim do ministério de libertação. Tenho ficado apavorado, mais de uma vez, ao ouvir alguém dizer no fim de uma libertação: “Agora, Senhor, encha todos os lugares vazios. Amém!”. Tenho visto muitas pessoas perderem sua libertação por falta de saberem como encher as casas deles ou com que enchê-las.

Os dons e o fruto do Espírito Santo têm de tomar o lugar de cada demônio expulso? Isto é responsabilidade da pessoa liberta. O ministério de libertação deve enfatizar o fato de que cada pessoa é responsável por sua própria “casa”.

ENCHENDO A “CASA” COM O PODER DO ESPÍRITO SANTO

Uma das últimas coisas que Jesus disse antes de Sua ascensão foi: “… vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (Atos 1:5). Encontramos a promessa cumprida em Atos 2, que relata o Pentecostes:

“Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem.” (Atos 2:4.)

Qual foi o objetivo deste batismo no Espírito Santo? Jesus explicou que seria um revestimento com poder. (Veja Atos 1:8.) Depois que o batismo veio em Pentecostes, como foi manifestado o poder?

Isto é um assunto muito interessante, que não podemos pesquisar completamente aqui, mas pode ser observado que o poder do Espírito Santo operando por meio dos discípulos foi manifestado através dos nove dons sobrenaturais do Espírito. Estes dons são enumerados em 1 Coríntios 12:7-11:

(1) a palavra de sabedoria;

(2) a palavra de conhecimento;

(3) fé;

(4) dons de curar;

(5) operações de milagres;

(6) profecia;

(7) discernimento de espíritos;

(8) variedade de línguas;

(9) interpretação das línguas.

O livro de Atos inteiro demonstra como o poder do Espírito Santo operou por meio destes dons! Através de Pedro e João um dom de cura foi ministrado a um coxo (cap. 3); palavras de sabedoria e de conhecimento vieram a Ananias para ministrar a Saulo-(cap. 9); pelo discernimento do espírito Paulo expulsou o demônio de adivinhação numa jovem (cap. 16); Pedro falou a palavra de fé a Ananias e Safira, e eles caíram mortos (cap. 5); por meio de Pedro, um milagre de ressurreição trouxe Dorcas de volta à vida (cap. 9); enquanto Pedro pregava na casa de Cornélio, houve línguas e a interpretação delas (cap. 10); por meio de um discípulo chama Agabo, a igreja foi abençoada por profecia (cap. 11).

Os demônios detestam estes dons do Espírito Santo e fazem os homens também detestá-los. Por quê? Porque a operação destes dons de poder sobrenatural derruba a obra de Satanás. A presença dos demônios e seus truques são expostos pelo discernimento dos espíritos e pela palavra de conhecimento. O mal que os demônios fazem é desfeito pela palavra de sabedoria, pela fé, pelos dons de curar e pelos milagres. Seus planos para acabarem com a pessoa são desviados por uma palavra de profecia ou por línguas com interpretação. Por isso, os demônios opõem-se aos dons!

Estes nove dons também são dados à Igreja para sua edificação. Satanás é o inimigo da Igreja e faz tudo para acabar com o que foi estruturado para edificar o Corpo. Ele ataca os dons, especialmente o de línguas, que tem um objetivo especial na edificação do crente; (Veja 1 Coríntios 14:4.)

Se, por acaso, a pessoa liberta não foi batizada no Espírito Santo, ela deve ser encorajada a recebê-Lo e a desejar os dons espirituais. Temos visto muitas pessoas receberem o batismo no Espírito Santo como um clímax de sua libertação. O poder do Espírito Santo é de grande importância para conservar a libertação.

Os já batizados no Espírito Santo devem ser encorajados a “procurar, com zelo, os melhores dons” (1 Coríntios 12:31), e o dom melhor é aquele que ministrará às necessidades dos outros em determinadas situações. É bem comum as barreiras aos dons serem derrubadas por meio da libertação. Há demônios especializados que procuram impedir a operação dos dons espirituais. Depois da libertação, a “casa” deve ser cheia com o poder do Espírito Santo.

ENCHENDO A “CASA” COM O FRUTO DO ESPÍRITO

O fruto do Espírito está enumerado em Gálatas 5:22, 23:

(1) amor;

(2) alegria;

(3) paz;

(4) longanimidade;

(5) benignidade;

(6) bondade;

(7) fidelidade;

(8) mansidão;

(9) domínio próprio.

Os nove frutos representam a verdadeira natureza de Jesus. Quando o fruto do Espírito Santo é produzido na vida do cristão, ele se torna identificado com Jesus em seu caráter. Os demônios são exatamente o contrário do caráter de Jesus. Eles entram na pessoa para projetar no mundo seu próprio mau caráter através dessa pessoa.

Então, o que desejamos com a libertação é expulsar os demônios, juntamente com sua influência, para depois substituí-los por Jesus e o fruto do Espírito. Se alguém entende mal e não faz disso um alvo definitivo, quaisquer benefícios alcançados pela libertação, aos poucos, estarão perdidos.

Então, para alcançar os benefícios permanentes da libertação, a “casa” tem de ficar cheia do Espírito Santo e assim ser deixada para sempre. Senão, os espíritos imundos voltarão e talvez mais poderosos ainda.

Antes de continuar, temos de esclarecer bem como o fruto do Espírito é produzido. Encontramos a resposta na parábola da videira e dos ramos:

“Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim.” (João 15:4.)

NOTA: O fruto não é produzido por ação independente nem por esforço próprio. O fruto aparece tão-somente se permanecermos na videira! Então, a palavra-chave é “permanecer”. O permanecer na Videira significa ficar ligado a Jesus de modo que a vida de Cristo fluirá no ramo e resultará no fruto. Como é que alguém permanece? Veja a resposta como está no versículo 10: “Se guardardes meus mandamentos, permanecereis..”.

Permanecer é sinônimo de guardar os mandamentos do Senhor. E o que é que teremos por esta obediência em permanecer? Leia mais:

“Meu AMOR… meu GOZO” – o primeiro fruto do Espírito Santo.

Ao obedecer, temos comunhão com o Senhor e obtemos Seu amor, Seu gozo e Sua paz. Ao desobedecer, nossa comunhão com Deus é quebrada e Satanás consegue uma entrada. Aprendamos do exemplo de Jesus. O que era que Jesus estava falando no contexto bem antes da parábola da videira e dos ramos?

“… aí vem o príncipe do mundo; E ELE NADA TEM EM MIM… E QUE FAÇO COMO O PAI ME ORDENOU.” (João 14:30,31.)

Aqui Jesus explicou que o diabo não tinha nada com Ele, pois Ele foi completamente obediente ao Pai. Ele nunca pronunciou palavra nenhuma nem agiu senão por ordem do Pai. Por isso, Jesus pôde dizer:

“Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; assim como também eu tenho guardado os mandamentos do meu Pai e no seu amor permaneço.” (João 15:10.)

O FRUTO CHAMADO AMOR

O Sr. A. tinha sofrido um esgotamento nervoso uns doze anos atrás. Ele continuava com problemas emocionais ainda depois do tratamento intensivo, inclusive, havia sido hospitalizado durante algum tempo. Finalmente ele ouviu falar do ministério de libertação. Os demônios responsáveis por seus problemas emocionais foram expulsos.

Ele também recebeu uma cura no cérebro, de modo que as coisas apagadas de sua memória, por choques elétricos, começaram a voltar. Com a volta da memória, ele se lembrou do nome de um dos funcionários do Hospital Psiquiátrico que lhe fizera uma injustiça séria. O Sr. A. sentiu- se cheio de amargura e ódio contra aquele homem. Começou a pensar em matá-lo, se pudesse encontrar-se com ele.

Neste ponto, o Sr. A. veio à procura de mais libertação. Expliquei que ele tinha de arrepender-se do ódio, e perdoar a pessoa por um ato de sua própria vontade, e perdoar àquele homem. Ele não respondeu ao meu apelo. Pelo menos por cinco minutos ficou sentado, em silêncio, tentando resolver, optar pelo sim ou pelo não; a ficar com seu ódio ou cumprir os requisitos de Deus para ficar liberto. Foi preciso toda a sua força de vontade, mas no fim ele disse: “Com a ajuda de Jesus, eu perdoo aquele homem”. Por este ato de sua vontade, ele abriu o caminho para sua própria libertação.

“Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas.” (Mateus 6:14, 15.)

Conheci poucas pessoas que obtiveram uma libertação como ele. Quando os demônios de amargura, ódio, rancor, raiva, violência e homicídio foram expulsos, ele imediatamente os substituiu pelo amor de Jesus — o amor que perdoa um inimigo. Num instante, a vida espiritual deste homem começou a florescer. Os rios de água viva começaram a fluir dele, e começou a ministrar a verdade e a vida àqueles que estavam ao seu redor. A sua alma ficou inundada com a paz e o gozo do Senhor. Ele obedeceu à ordem de Deus, perdoando o inimigo, e recebeu o fruto daquela obediência. O ódio foi substituído pelo amor.

O FRUTO CHAMADO ALEGRIA

Joãozinho tinha muitos problemas, apesar de ser uma criança de apenas cinco anos. Seus pais tinham chegado a ponto de desquitarem- se. Havia muita tensão e tumulto no lar, desde que ele nascera. A mãe de J. nos contou que ele tinha medo de tudo e constantemente estava puxando-a para segurá-lo. O nervosismo dele era óbvio. O menino era muito infeliz em tudo, e sua mãe o trouxe para o ministério de libertação.

Enquanto estávamos com um irmão e uma irmã mais velhos, J. engatinhava, querendo saber quando ia ser a vez dele. Em sua própria maneira de ser, ele sentia a importância daquilo que ia acontecer. Ele estava sério e impaciente.

Quando os primeiros demônios foram enfrentados, os espíritos maus fecharam os lábios de J. em oposição – um gesto significando “não sairemos de jeito nenhum”. Mas em nome de Jesus eles foram forçados a sair. Eles saíram, e sua saída foi acompanhada de muita ânsia de vômito e cuspe. A luta não foi fácil e durou trinta minutos. J. venceu sorrindo e logo disse: “Quero um espelho. Sinto-me tão bem, devo estar diferente!”

E assim era. O seu rosto estava radiante. Com a ausência dos demônios, a alegria podia ser revelada.

Há muitas pessoas, jovens e velhas, como J., que são tristes. A vida delas é um fardo; não há vitória nem esperança. Para os sem alegria na vida, como são promissoras as palavras de Isaías que descrevem o ministério de Cristo e Sua Igreja:

“O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu, para pregar boas novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados; a apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os que choram e a pôr sobre os que em Sião estão de luto uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria, em vez de pranto, veste de louvor, em vez de espírito angustiado; a de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para a sua glória.” (Isaías 61:1-3.)

O FRUTO CHAMADO PAZ

A Sra. B. ficou liberta do espírito de tormento que tinha entrado nela através de um grande medo. A Palavra diz: “O medo produz tormento” (1 João 4:18). Ela contou que em certas horas uma agitação frenética tomava conta dela. Ela não podia agir nem pensar normalmente. Estando num destes estados agitados ela disse: “Por que estou deste jeito? Isto não sou eu”. Quando a pressão das circunstâncias diminuiu, a manifestação do tormento apareceu mais nitidamente, e ela percebeu que um espírito mau estava criando crises que, na realidade, não existiam.

Depois de cada uma dessas crises ela se sentia mal – agitada e queimando por dentro – e era tomada pelo espírito de condenação. A Palavra diz: “Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens” (Romanos 12:18). Este espírito de tormento desalojava a paz – não somente nela, mas em toda a família.

Depois de expulsar este espírito, juntamente com vários de seus companheiros, ela sentiu uma grande paz. No dia seguinte, ela continuou falando da paz em seu íntimo. Mas o espírito mau continuou tentando-a em sua mente, e conseguiu entrar mais duas vezes. Logo que a Sra. B. reconheceu os truques do demônio, fechou a porta de uma vez, com a fé e a confiança em Deus.

Agora, ela goza de liberdade total. Está livre para ser um canal pelo qual o fruto do Espírito da paz pode fluir aos outros.