A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

É HORA DE PROCURAR AJUDA?

Grande parte das pessoas enfrenta, em algum momento da vida, transtornos de saúde mental que podem ser tratados; é o caso da depressão e do estresse, mas a falta de informação e o preconceito ainda fazem com que adultos e crianças sofram sozinhos em vez de procurar um profissional qualificado

Vinte e três milhões. Este é o número de brasileiros que necessitam de acompanhamento na área da saúde mental. Desse total, pelo menos 5 milhões sofrem com transtornos graves e persistentes, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Nesse universo encontram-se crianças e adultos que sofrem de patologias como depressão, transtornos de ansiedade, distúrbios de atenção e hiperatividade e dependência de álcool e drogas. Aproximadamente 80% das pessoas que sofrem com esses transtornos não recebem nenhum tipo de tratamento. Mas a situação não é prerrogativa do Brasil. Ainda de acordo com a OMS, um em cada quatro americanos passa por um transtorno psiquiátrico diagnosticável em algum momento da vida. Exageros à parte, no decorrer de nossa existência muitas vezes nos perguntamos se somos mentalmente saudáveis e se não estaria na hora de buscar ajuda profissional. A preocupação faz sentido: de fato, quase metade da população do planeta apresenta algum tipo de transtorno durante a vida. Infelizmente, porém, em cerca de dois terços dos casos os problemas comportamentais e emocionais jamais são diagnosticados e acompanhados, embora muitos deles possam ser tratados de maneira eficaz. Mais de 80% das pessoas com depressão grave, por exemplo, são capazes de se beneficiar significativamente da combinação de medicação e terapia.

O preconceito, porém, ainda é um empecilho para a busca de auxílio especializado. Não raro, ouve-se até mesmo de pessoas razoavelmente bem informadas que “psicoterapia é coisa para louco”. A postura defensiva pode se mostrar de várias maneiras, como pela desqualificação dos profissionais ou de si próprio. Para muitos prevalece, por exemplo, a ameaça de que “o psicoterapeuta saberá mais sobre mim do que eu mesmo; descobrirá segredos dos quais nem suspeito”. Pode também surgir a fantasia onipotente de que “ninguém pode me ajudar”. Ou ainda o pensamento persecutório referenciado na opinião alheia: “O que os outros vão pensar se souberem que vou a um psicólogo?”. Qualquer que seja a forma como se apresente, a resistência não aparece por acaso: em geral, é inerente à própria patologia e tem a ver com o funcionamento psíquico da pessoa. E, infelizmente, às vezes persiste por muito tempo, até que o paciente decida buscar ajuda.

O QUE É NORMAL?

Quando trabalhei como editor-chefe da Psychology Today, com frequência os leitores me pediam que sugerisse testes de triagem para pessoas com problemas de saúde mental. Procurei por esse material no intuito de ajudar homens e mulheres a encontrar respostas às perguntas como “Será que este meu sentimento de desânimo é normal?”, “Por que eu grito com a minha mulher e meus filhos o tempo todo, mesmo não querendo fazer isso?”, “Será que perdi o controle da bebida?”. Encontrei milhares de testes “caseiros” na internet, mas nenhum havia sido validado cientificamente. Pior ainda, muitos serviam como veículos de marketing para vídeos, livros ou serviços, encaminhando o leitor que respondesse às questões direto para um setor de vendas. Não parecia existir nenhum teste amplo, confiável, favorável ao consumidor, que ajudasse alguém a refletir melhor sobre si mesmo.

Assim, desenvolvi o teste Triagem Epstein em Saúde Mental (Epstein Mental Health Inventory) (EMHI), baseado na quarta edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-IV), compêndio no qual médicos americanos se baseiam para fazer diagnósticos. O teste cobre 18 problemas psiquiátricos comuns nos Estados Unidos, como depressão maior, fobias, transtorno bipolar e abuso de substâncias, que selecionei usando dados preponderantes do Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH) dos Estados Unidos, entre outras fontes. Para cada distúrbio são considerados três critérios do DSM-IV, que reescrevi em linguagem para leigos.

A ferramenta, porém, não tem o papel de diagnosticar ninguém. Seu objetivo é alertar para possíveis riscos de um transtorno, estimulando a busca por ajuda psicológica. O mais importante é ajudar as pessoas a se sentir e viver melhor, pois minha experiência tem mostrado que qualquer meio legítimo de levá-las a consultar um psicoterapeuta é válido. No ano passado, Laura Muzzatti, aluna da Universidade da Califórnia em San Diego, e eu apresentamos uma avaliação da EMHI usando uma amostragem de 3.403 pessoas que fizeram o teste depois de ele ter sido colocado na internet, em 2007. Verificamos que os resultados previram sete fatores importantes relacionados à saúde mental. A avaliação incluía o grau de felicidade declarado; o quanto se sentiam ativamente responsáveis por seu sucesso pessoal e profissional; se estavam empregados; se fizeram terapia em alguma ocasião, se alguma vez já haviam sido hospitalizados por problemas comportamentais ou emocionais e se, na época do teste, estavam em terapia. A pontuação não diferia de acordo com etnia, mas variava segundo o gênero: a pontuação das mulheres foi 17% mais elevada que a dos homens, parecendo apresentar mais problemas de saúde mental, um resultado consistente com os de outros estudos. Ou, pelo menos, foram mais sinceras e analíticas ao responder o questionário.

EM BUSCA DE UM DIAGNÓSTICO

Muitas pessoas chegam aos consultórios de psicologia e psicanálise ansiosas para encontrar um nome que abarque aquilo que sentem, uma palavra que encerre a dor, a angústia e, às vezes, a culpa ou as dúvidas que as afligem. Isso, porém, nem sempre é fácil, e de pouco adianta se o paciente não puder compreender o que se passa com ele e se responsabilizar pelo próprio tratamento, atribuindo sentidos a sua patologia. A atração que os testes exercem sobre muitos leigos (haja vista quantos questionários são respondidos nas revistas e na internet) pode ser explicada pelo desejo de quantificar e medir características pessoais e comportamentos. E em alguns casos eles têm sua função. Mas ainda que tenham validação científica e possam ser usados para ajudar a entender o quadro clínico, os testes não são definitivos, seja para medir inteligência, seja para determinar a presença de um transtorno mental. Sem dúvida, em algumas abordagens (e em determinados casos) eles são úteis na tarefa de oferecer informações que favoreçam a compreensão da situação clínica de forma mais ampla. Mas não sempre – e raramente de maneira perene. Há ocasiões em que as palavras impressas em um prontuário ou ditas por um profissional acerca de determinado quadro psíquico podem soar como uma espécie de sentença, promovendo a desastrosa rotulação do paciente. No Brasil, muitos psicólogos evitam recorrer a essa ferramenta, pelo menos no primeiro momento. Em vez de apostar em um diagnóstico único, pleno e “definitivo”, acreditam que, em muitos casos, mais importante que reduzir a situação a um único termo é ouvir o paciente, entender sua lógica e seus sintomas. Afinal, é na possibilidade de elaboração, ampliação do espaço psíquico e transformação que se embasa o ofício do psicoterapeuta.

TESTE – SENTIR, PENSAR E AGIR

Para conhecer o teste completo basta acessar o site http://DoYouNeedTherapy.com. A seguir, a versão abreviada que abrange dez transtornos. Para fazê-lo, marque todas as afirmações que se aplicam a você:



1- TRANSTORNOS DO CONTROLE DE IMPULSOS
(a) Às vezes não sou capaz de controlar a minha raiva
(b) Frequentemente ajo por impulso, o que, às vezes, traz grandes problemas
(c) Estou preocupado com as apostas, parece que tenho dificuldades em controlar meu comportamento quanto ao jogo

2- ABUSO DE SUBSTÂNCIAS

(a) Durante o ano passado, tive de ingerir mais bebidas alcoólicas ou usar mais drogas para satisfazer minhas necessidades
(b) No ano passado tentei, mas não consegui, diminuir a quantidade de bebidas alcoólicas, de drogas ou de cigarros
(c) Durante o ano passado tive de ingerir quantidades cada vez maiores de bebidas alcoólicas ou drogas para me satisfazer ou lidar com meus problemas

3- DEPRESSÃO MAIOR
(a) Nas últimas duas semanas venho tendo dificuldade em sentir qualquer prazer nas atividades diárias de que costumava gostar
(b) Há cerca de 15 dias venho pensando com frequência que quero morrer
(c) Pelo menos durante as duas últimas semanas, venho me sentindo deprimido quase todos os dias

4- FOBIAS ESPECÍFICAS

(a) Tenho medo excessivo ou irracional de algum objeto ou situação
(b) Estou com muito medo de algo, e meu medo interfere em minha capacidade de desenvolver o meu trabalho ou em conduzir a minha vida de maneira normal
(c) Tenho muito medo de um objeto ou uma situação, e quando me exponho a esse estímulo entro em pânico

5- FOBIAS SOCIAIS
(a) Sinto medo de ficar perto de outras pessoas em determinadas situações e percebo que meus medos podem ser irracionais ou excessivos
(b) Em determinadas situações sociais, sinto extrema ansiedade
(c) Sinto grande temor em uma ou mais situações em que eu precise interagir com outras pessoas

6- TRANSTORNOS DA ALIMENTAÇÃO
(a) Costumo comer muito e, em seguida, vomitar ou usar laxantes, ou outros meios radicais, para evitar ganho de peso
(b) Estou preocupado com meu peso ou com a forma do meu corpo e, consequentemente, como ou me exercito de uma forma que algumas pessoas poderiam considerar incomum
(c) Não estou disposto ou não sou capaz de comer ou digerir o alimento em quantidade suficiente para manter o peso saudável

7- TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO
(a) Tenho lembranças perturbadoras relacionadas a um acontecimento traumático que experimentei no passado
(b) Costumo ter sonhos perturbadores sobre uma experiência terrível ocorrida no passado
(c) Às vezes me vejo revivendo o horror de um fato traumático que experimentei no passado

8- TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA
(a) Pelo menos durante os últimos seis meses, venho sentindo preocupação e nervosismo excessivos, difíceis de controlar
(b) No mínimo nos últimos seis meses, tenho ficado extremamente ansioso e preocupado com uma série de acontecimentos e atividades diferentes
(c) Pelo menos durante os últimos seis meses, venho me sentindo excepcionalmente agitado, cansado, irritado, tenso ou distraído

9- TRANSTORNO BIPOLAR
(a) Durante o ano passado tive variações súbitas de humor, sem qualquer razão aparente
(b) Meu humor muda rapidamente, de depressivo a esfuziante, sem qualquer motivo aparente
(c) Durante o ano passado o meu humor mudou mais de uma vez de deprimido para esfuziante

10- TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO
(a) Repito excessivamente certos comportamentos ou pensamentos, sem conseguir parar
(b) Pensamentos frequentes me causam grande ansiedade
(c) Acredito que esses pensamentos possam ser irracionais ou exagerados. Faço ou penso repetidamente

PONTUAÇÃO

Se você deixou todos os itens em branco, parabéns! É provável que a sua saúde mental esteja muito bem. Caso contrário, lembre-se de que esta não é a versão completa do teste e, ainda que fosse, sua aplicação não tem peso diagnóstico. Mas os resultados podem ajudá-lo a pensar como tem se sentido e lidado com os problemas. Se marcou um item em uma ou mais categorias, é possível que esteja passando por situação de angústia que poderia ser mais bem compreendida (ou contornada) com a ajuda de um profissional. Se assinalou dois ou três itens em uma ou mais categorias, talvez seja mesmo uma boa hora para consultar um psicólogo e evitar sofrer sem necessidade, já que a maioria dos problemas de saúde mental podem ser tratados. Mais importante que o resultado do teste, entretanto, é voltar-se para si e perguntar-se se não seria o momento de cuidar de si mesmo. Afinal, quando temos uma dor de dente, por exemplo, não hesitamos em buscar um dentista. Se a dor é na alma, o psicoterapeuta é o profissional mais indicado para cuidar desse desconforto.

INSTITUIÇÕES QUE OFERECEM PSICOTERAPIA A PREÇOS REDUZIDOS

SÃO PAULO
• ALPHAVILLE
Clínica Psicológica Objetivo
Universidade Paulista (Unip)
Alameda Amazonas, 492
Tel.: (11) 4191-1078
Site: www3.unip.br
Adultos: plantão psicológico às quartas
Crianças até 12 anos: ligar das 14h às 22h para agendar.
O atendimento é realizado por alunos do 4o e do 5o ano de psicologia
Obs.: A clínica inicia atividades em março.

• ALTO DA LAPA
Centro de Estudos e Orientação da Família Rua Japuanga, 235
Tel.: (11) 3022-9596
Apenas para famílias e casais.
O atendimento é realizado por psicoterapeutas graduados.
Obs.: Os atendimentos começam em fevereiro e há fila de espera.

• MOOCA
Clínica de Psicologia Aplicada Universidade São Judas Tadeu
Rua Marcial, 45
Tel.: (11) 2799-1831/ 2799-1943
Site: http://www.usjt.br
Interessados devem ligar de segunda a sexta, das 13h às 23h, ou aos sábados, das 7h às 17h, fazer a inscrição por telefone e aguardar contato para marcar triagem.
Atendimento realizado por alunos do 3o ao 5o ano de psicologia.
Obs.: A clínica está com inscrições abertas.

•PACAEMBU
Centro de Estudos Psicanalíticos (CEP)
Rua Almirante Pereira Guimarães, 378
Tel.: (11) 3865-0017/3864-2330
Site: http://www.centropsicanalise.com.br
Interessados devem ligar para agendar triagem. Após esse processo a pessoa será encaminhada para o consultório mais próximo de sua residência ou trabalho.
É cobrada uma taxa de custo, estipulada pelo psicanalista junto com o paciente.


•PERDIZES
Clínica Psicológica Sedes Sapientiae
Rua Ministro de Godói, 1484
Tel.: (11) 3866-2735
Site: http://www.sedes.org.br
Interessados devem ligar de terça a sexta-feira, das 9h às 20h, para inscrição. Em seguida devem comparecer na apresentação e em três encontros coletivos. Após essas etapas, o psicólogo marcará as consultas.
Atendimento realizado por psicólogos formados.
Obs.: Inscrições a partir de fevereiro.

SALVADOR
Clínica Psicológica da Universidade Federal da Bahia
Rua Aristides Novis (Estrada de São Lázaro), 197, Federação
Tel.: (71) 3283-6437
As matrículas começam em fevereiro. Após triagem, o atendimento é feito por alunos do 5o ano de psicologia aproximadamente um mês após as inscrições.

RECIFE
Universidade Católica de Pernambuco
Rua do Príncipe, 526, Boa Vista
Tel.: (81) 2119-4115
Site: http://www.unimcap.br
Atendimento realizado por alunos do 9o e do 10o semestre de psicologia. Inscrições abertas em fevereiro.
Obs.: As duas primeiras sessões são gratuitas, e para as demais é cobrado valor simbólico de R$ 20,00 por sessão.

FLORIANÓPOLIS
Comunidade Gestáltica Clínica
Escola de Psicoterapia
Rua Irmão Joaquim, 169, Centro
Tel.: (48) 3222-7777
Site: http://www.comunidadegestaltica.com.br
Interessados devem agendar triagem.
O atendimento é realizado por alunos de graduação de psicologia da UFSC e do curso de especialização em gestalterapia.
Obs.: Inscrições começam em fevereiro.

BELO HORIZONTE
Serviço de Psicologia Aplicada da Universidade Federal de Minas Gerais
Av. Antônio Carlos, 6627, Campus Pampulha
Tel.: (31) 3409-5070
Site: http://www.ufmg.br
Interessados devem agendar triagem e em seguida aguardar, pois há fila
de espera.
O atendimento é realizado por alunos do curso de psicologia da UFMG.
Obs.: Inscrições começam em março.
É cobrado valor simbólico.

RIO DE JANEIRO
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Av. Venceslau Brás, 250, Urca
Tels.: (21) 2295-8113/ 3873-5326
Site: http://www.psicologia.ufrj.br
Interessados devem comparecer no departamento de psicologia da universidade para triagem, feita por ordem de chegada.
Atendimento realizado por alunos do curso de graduação.
Obs.: as inscrições são abertas em fevereiro.
É cobrado valor simbólico.

BRASÍLIA
Centro de Atendimento e Estudos Psicológicos do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB)
Instituto de Psicologia, Campus Universitário Darcy Ribeiro
Asa Norte – Brasília – DF
Tel.: (61) 3307 2625 ramais 614 e 615
Os interessados devem ligar em fevereiro para maiores informações.
Atendimento realizado por estagiários.
Obs: Inscrições serão retomadas em março de 2011. É cobrado valor simbólico.

OUTROS OLHARES

CARAS PINTADAS

Se a lógica que imperava até outro dia no reino da maquiagem era a do quanto menos melhor, agora a ordem é exagerar, numa releitura dos anos 80. Aproveite enquanto a moda durar

Os mais antigos indícios de existência da maquiagem datam do Egito Antigo, quando se difundiu o hábito de enfeitar o rosto com pigmentos que sublinhavam olhos, cílios e sobrancelhas. Na Grécia Antiga, as mulheres faziam uso de gordura e tinta vermelha para corar a face. A queda do Império Romano e as trevas da Idade Média fariam a maquiagem cair em desuso, até renascer no século XV, tendo como berço Itália e França. Só nos anos 1920 ela verdadeiramente se popularizou. E assim caminhou a humanidade, no afã de embelezar-se e estar na crista da onda, de todas as ondas. Mas, como toda moda, esta também tem prazo de validade.

Até pouco tempo atrás, maquiar-se bem (e bem era sinônimo de discrição) consistia em aplicar camadas de não cor no rosto. No império do tom nude, pálpebras e contorno dos olhos ficavam esmaecidos por sombra e lápis cor da pele e até os lábios empalideciam sob o batom neutro. De repente, uma reviravolta aconteceu, e a maquiagem foi parar no outro extremo. Neste instante, cool mesmo são os tons que gritam: azul, verde, amarelo, rosa quase vermelho – um retorno aos abrilhantados anos 1980 (com pitadas de Cleópatra?), mas com mais capricho e atenção nos detalhes. Como não podia deixar de ser, a maré do exagero nasceu na internet. Sua plataforma de lançamento para o mundo é a série Euphoria, do canal pago HBO, que equilibra cenas pesadas de droga e sexo vividas por adolescentes com make-up sempre muito colorido.

As brasileiras são as campeãs globais em buscas pelo verbete “maquiagem Euphoria”, segundo o Google Trends, e compõem uma turma assídua nos tutoriais do YouTube que ensinam a copiá-la. Muito contribuiu para a corrida às sombras vermelhas e amarelas por estas bandas o fato de a atriz Bruna Marquezine ter se deixado fotografar há poucas semanas, em seu aniversário de 24 anos, com pálpebras pintadas de roxo e pedrinhas de strass à vontade. Fora daqui a cantora Katy Perry, seguidora e lançadora de modas, surgiu no Vídeo Music Awards, da MTV, com os olhos cor- de-rosa, delineador gatinho e brilhos em abundância. Como diria o poetinha Vinicius de Moraes, que seja eterno enquanto dure.

GESTÃO E CARREIRA

INTELIGÊNCIA NATURAL

Profissionais e empreendedores de várias áreas estão buscando inspiração na natureza para criar projetos; negócios e produtos inovadores

Ao longo de anos, o homem acostumou-se a olhar para a natureza como uma entidade a serviço da humanidade ou algo distante para ser contemplado. Essa mentalidade, no entanto, está cada vez mais desconectada dos dias atuais. Em um tempo em que escassez de recursos naturais, sustentabilidade e tecnologia são temas centrais e os modos de gerir pessoas e negócios já não dão conta de resolver os desafios impostos, uma área do conhecimento ganha espaço apostando na natureza como forma de inspiração: a biomimética. Ela olha para os elementos, processos, sistemas e organismos vivos com o objetivo de criar soluções inovadoras para problemas de todo tipo, dos mais triviais aos complexos; da invenção de um produto à solução que vai fazer uma empresa parar de ter prejuízo. “A biomimética é uma ponte entre a ciência e as demandas contemporâneas do mundo”, diz Alessandra Araújo, bióloga de formação, especialista em biomimética pela Universidade do Arizona e fundadora da consultoria Bio-Inspirations.

Apesar da abordagem inovadora, a biomimética não é exatamente uma disciplina nova. Há quase dez anos, atletas de elite da natação já deslizavam na piscina vestindo maiôs feitos com material que imitava a pele de um tipo específico de tubarão. Ao reduzir o atrito elo corpo com a água e dar um impulso extra para se deslocarem, o tecido permitia que os esportistas nadassem mais rápido com menos esforço. Outro exemplo surgiu décadas antes de a biomimética ser sistematizada como disciplina: um engenheiro suíço quis resolver um problema real que enfrentava no dia a dia e acabou inventando um material que até hoje facilita a vida de muita gente no mundo inteiro: o velcro. Leonardo da Vinci há mais de cinco séculos já produzia esboços de máquinas voadoras com base na observação da anatomia e do voo dos pássaros. A biomimética começou a ganhar popularidade há pouco mais de 20 anos por meio do trabalho ela bióloga americana Janine Benyus, cofundadora do Biomimicry 3.8 e do Biomimicry Institute, que oferecem serviços de consultoria e educação sobre o tema. Embora pouco conhecida no Brasil, a metodologia foi apontada em 2014 pela revista Forbes como uma das cinco principais tendências que vão orientar os negócios do futuro. Um estudo da Universidade Nazarena de Point Loma, na Califórnia, estimou que a disciplina deverá representar 300 bilhões de dólares no PIB dos Estados Unidos e gerar 1,6 milhão de empregos no país até 2025.

MODOS DE USAR

Pelo método desenhado por Janine Benyus, existem duas formas de criar usando a biomimética. A primeira é partir de um desafio ou necessidade real (como filtrar água, fixar objetos em uma superfície ou economizar energia) e investigar de quais estratégias a natureza dispõe para resolver tarefa semelhante. A outra é olhar para determinado fenômeno natural, forma ou função desempenhada por um organismo ou sistema e pensar de que maneira ele pode ser útil e reproduzido na prototipagem de produtos ou soluções. Por isso os treinamentos invariavelmente contam com períodos de imersão em áreas verdes (de praças urbanas a reservas florestais). A metodologia pode ser aplicada tanto em criações tangíveis – um novo produto, ferramenta ou projeto – quanto em coisas intangíveis, como estratégias de gestão em uma empresa. Medicina, arquitetura, transportes e geração de energia são algumas das áreas que vêm desenvolvendo inovações com a bioinspiração.

No Brasil, esse mercado ainda é insipiente, em parte porque a retração econômica dos últimos anos levou muitas organizações a cortar investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Mesmo assim, startups e empresas com viés de impacto social e inovação começam a olhar para a metodologia como forma alternativa de trabalhar valores humanos sem tirar o foco dos negócios. Seja qual for o caminho, as jornadas criativas usando a biomimética pressupõem trabalho em equipes multidisciplinares e diversas, em que a soma de conhecimentos favorece uma análise mais profunda dos contextos a serem trabalhados e, consequentemente, a inovação. É o chamado biomimicry thinking. “Um bom projeto geralmente envolve profissionais vindos de áreas como engenharia, biologia, design e negócios, que trazem saberes e visões de mundo complementares”, diz Ricardo Mastroti, biólogo, mestre na disciplina pela Universidade do Arizona e consultor.

No Brasil, há poucos especialistas habilitados para facilitar jornadas com a biomimética e não existem cursos de especialização nessa disciplina. Algumas faculdades oferecem na graduação de design, engenharia e arquitetura. Também é possível encontrar cursos livres (online e presenciais) e participar de vivências de imersão em reservas naturais para exercitar o olhar e o pensamento com a biomimética e praticar a prototipagem com ela. Compreendendo organizações como ecossistemas complexos, pode-se buscar na inteligência da natureza inspirações para trabalhar competências e resolver problemas do dia a dia corporativo. “Os valores que hoje norteiam modelos de negócios inovadores e uma nova economia são os mesmos que a natureza usa há milhões de anos em seus processos, como resiliência, descentralização, colaboração e eficiência”, diz o biólogo Ricardo. No meio ambiente há uma floresta de ideias esperando para ser semeada pelas organizações.

FLORESTA DE IDEIAS

Entenda como temas do dia a dia corporativo podem ser abordados com a biomimética

RESILIÊNCIA – Um exemplo da capacidade de se adaptar às variáveis e as adversidades do ambiente e criar condições para a sobrevivência é a caatinga, onde a interação entre vegetação, clima, fatores geomorfológicos e a atuação do homem estimulam o desenvolvimento de mecanismos de resiliência para a permanência do bioma.

COOPERAÇÃO – As florestas são sistemas colaborativos sofisticados. apesar da aparente desordem, nada está ali aleatoriamente e o tempo todo ocorrem trocas que constroem o valor coletivo. “Gerir uma organização não é estar sempre em alinhamento, mas ser capaz de manter a coerência e o propósito em meio à diversidade”, diz Marcelo Cardoso, fundador da CHIE, consultoria de gestão organizacional em São Paulo, que utiliza conceitos da biomimética em seu trabalho.

EFICIÊNCIA – Na natureza é importante utilizar a menor quantidade de recursos possível para resolver um problema. No mundo corporativo, essa lei também vale: A regra é fazer mais (e melhor) com menos.

LIDERANÇA COLETIVA – “Em comunidades como a das formigas, os indivíduos trabalham sem precisar de ordens, responsabilizando-se pelas próprias tarefas e sabendo da importância de sua participação para o funcionamento do todo”, exemplifica Giane Brocco, engenheira, especialista em biomimética pelo Biomimicry 3.8 e fundadora da Amazu Biomimicry.

DE ONDE VEM A INSPIRAÇÃO

A plataforma Ask Nature (asknature.org), mantida pelo Biomimicry lnstitute, funciona como uma espécie de catálogo online com soluções bioinspiradas desenvolvidas para diversas áreas e com consulta livre para inventores, cientistas e interessados em geral. Veja como plantas e animais, entre outros organismos, viram tecnologias nas mais diversas áreas

TINTA AUTOLIMPANTE – INSPIRAÇÃO: FLOR DE LÓTUS

Ela é símbolo de pureza mesmo crescendo na lama. isso porque as folhas têm uma superfície rugosa e revestida por uma espécie de cera que as torna pouco aderentes e altamente repelentes à água. Essa combinação de características faz com que o líquido que cai sobre as folhas forme gotículas que acabam envolvendo poeira e outras partículas sólidas que pousem ali. À medida que rolam para fora da planta, essas gotas vão deixando as folhas sempre limpas. Essa estratégia da natureza também foi aplicada no desenvolvimento de tecidos e revestimentos à prova de líquidos e de tintas que repelem pichação.

VELCRO – INSPIRAÇÃO: CARRAPICHO

Toda vez que o engenheiro suíço George de Mestral voltava de um passeio com seu cachorro, precisava retirar os carrapichos presos na roupa e no pelo de seu pet. Ao examinar a planta no microscópio, descobriu que ela é formada por inúmeros filamentos com ganchos minúsculos nas extremidades que agarram nos tecidos e no pelo e são difíceis de soltar. Nasceu daí, nos anos 40, o velcro: Produto composto de dois materiais, um com milhares de ganchos e outro com laços, que se entrelaçam de modo simples, reversível e altamente resistente. O nome é uma junção das palavras francesas velour (“veludo”) e crochet (“gancho”).

TREM-BALA SILENCIOSO – INSPIRAÇÃO: BICO DO PÁSSARO MARTIM-PESCADOR

Há 15 anos, o trem-bala japonês já era mais veloz, capaz de atingir 350 quilômetros por hora. mas, por causa da diferença na pressão do ar no interior e no exterior do túnel, era muito barulhento. Um dos engenheiros do projeto, que também era observador de pássaros, viu na estratégia do martim-pescador uma solução. Para capturar uma presa o pássaro atravessa o ar (que oferece pouca resistência) e mergulha na água (que tem alta resistência) com suavidade graças ao formato de seu bico, que virou inspiração para o design da frente do trem. Além de mais silencioso o veículo ficou 15% mais econômico.>

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 8 – COMO CONSERVAR A LIBERTAÇÃO

Apresentamos a seguir as condições a serem observadas para que a libertação seja mantida.

REVESTIR-SE DE TODA A ARMADURA DE DEUS

A armadura espiritual do cristão está descrita em Efésios 6:10-18. Há sete peças da armadura:

(1) “cingindo-vos com a verdade”;

(2) “vestindo-vos da couraça da justiça”;

(3) “calçai os pés com a preparação do evangelho da paz”;

(4) “embraçando sempre o escudo da fé”;

(5) “o capacete da salvação”;

(6) “a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus”;

(7) “orando em todo tempo no Espírito”.

Preste atenção especial ao “capacete da salvação” para a proteção de seus pensamentos. Muitas vezes os demônios atacam os pensamentos para ganharem uma entrada. Tome cuidado com qualquer pensamento negativo; ele vem do inimigo. Separe os pensamentos dele dos seus.

Recuse os pensamentos dele e substitua-os por pensamentos positivos, espirituais. (Veja Filipenses 4:8.)

Resista ao diabo desde o seu primeiro sinal de ataque.

A CONFISSÃO POSITIVA

Declarações negativas caracterizam a influência demoníaca. Confissão positiva é fé expressada. Confesse aquilo que a Palavra de Deus diz. Qualquer outra declaração abrirá a porta ao inimigo.

“Porque em verdade vos afirmo que, se alguém disser a este monte: Ergue-te e lança-te ao mar, e não duvidar no seu coração, mas crer que se fará o que diz, assim será com ele.” (Marcos 11:23.)

PERMANECER NAS ESCRITURAS

Jesus resistiu às tentações de Satanás pelo uso das Escrituras. A Palavra é um espelho para a alma (Tiago 1:22-25); é uma lâmpada para os pés para saber o caminho (Salmo 119:105); é um purificador (Efésios 5:25, 26); é como uma espada de dois gumes (Hebreus 4:12); é alimento para o espírito (1 Pedro 2:2; Mateus 4:4). Ninguém pode conservar sua libertação por muito tempo sem que a Palavra de Deus seja um fator primário em sua vida:

“Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite. Ele é como árvore plantada junto à corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido”. (Salmo 1:1-3.)

CRUCIFICAR A CARNE

Tome a sua cruz diariamente e siga a Jesus (Lucas 9:23). Quebre os hábitos ligados com os espíritos do mal. Se os vícios, desejos e concupiscências não estão entregues ao pé da Cruz, o caminho para a volta dos demônios está aberto (Gálatas 5:19-21, 24).

DESENVOLVER UMA VIDA DE LOUVOR E DE ORAÇÃO CONTÍNUA

O louvor cala o inimigo. O louvor não é uma atitude do coração, mas é a expressão de gratidão a Deus, adoração e alegria através do falar, cantar, dançar, tocar os instrumentos de cordas, bater palmas, etc.

Orar no Espírito (em línguas) e também no entendimento (1 Coríntios 14:14). “Orai sem cessar” (1 Tessalonicenses 5:17).

MANTER UMA VIDA DE COMUNHÃO E UM MINISTÉRIO ESPIRITUAL

É a ovelha que anda desgarrada que está em maior perigo. Procure cumprir sua função dentro do Corpo de Cristo. Deseje os dons espirituais e deixe-os operarem, através de você, dentro do Corpo de Cristo. (Veja 1 Coríntios 12:7-14.) Mantenha-se submisso à autoridade.

ENTREGAR-SE POR COMPLETO A CRISTO

Determine que cada pensamento, palavra e ação refletirá a natureza de Cristo. Permaneça em Cristo, de modo que o fruto do Espírito possa fluir em abundância. Os espíritos demoníacos são inimigos do fruto do Espírito. A fé e a confiança em Deus são as armas mais poderosas contra as mentiras do diabo.

“Embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno.” (Efésios 6:16.)

Nota: Cumprindo estes sete itens, sua “casa” (vida) ficará repleta da presença de Deus, depois da limpeza dela. Demônio nenhum poderá voltar, nem trazer outros com ele. Se, por acaso, um espírito, por um truque ou outro, consiga entrar, faça tudo para expulsá-lo o mais depressa possível. A ordem para sair pode ser dada por você mesmo ou por outro crente. Se outras áreas de atividade demoníaca são descobertas, procure o ministério de libertação. Jesus já nos tornou possível uma libertação total. Ande libertado diariamente. Não aceite menos do que isto!

“Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.” (Romanos 5:10.)