A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O PODER DO FEMININO

O estrogênio não se limita a controlar a sexualidade feminina. Ele influencia também as mais diversas capacidades cognitivas – tanto no homem quanto na mulher

De forma quase imediata, a palavra estrogênio evoca sexo e provoca associações quase sempre direcionadas à mulher. Esse hormônio sexual deve sua grande notoriedade à participação decisiva na condução de todos os processos do corpo feminino necessários à reprodução. Controla o ciclo menstrual, exerce influência no amadurecimento do óvulo a ser fecundado, dispara a ovulação e prepara o útero para a implantação do embrião. Sem o estrogênio, produzido em grande parte nos ovários – e existente, aliás, em variações muito semelhantes, razão pela qual se fala também em “estrogênios”, no plural -, vida nenhuma se desenvolveria no ventre materno. Na puberdade, seus níveis crescentes arredondam as formas femininas, trazendo a maturidade sexual. Em suma: é ele que faz das mulheres, mulheres.

Não por acaso, o estrogênio é tido como o hormônio tipicamente feminino, e isso fez com que especialistas acreditassem durante muito tempo que sua atuação se restringia aos órgãos fundamentais para a reprodução. Mas posteriormente se verificou a existência de um complicado circuito regulatório por trás do controle dos níveis de estrogênio. Por um lado, mensageiros químicos do hipotálamo e da hipófise influem na produção hormonal dos ovários, por outro, o próprio estrogênio também atua sobre essas duas estruturas cerebrais. Assim sendo, ficou claro que nosso órgão do pensamento – ou ao menos partes dele – é sensível ao hormônio sexual.

Hoje, porém, os pesquisadores sabem que os estrogênios exercem sobre o cérebro influência muito maior que o mero controle da produção do hormônio sexual. Eles contribuem em diversas capacidades cognitivas, tais como o aprendizado e a construção da memória; controlam quais estratégias de comportamento ou de resolução de problemas vamos adotar; e também regulam nossa vida emocional. Vários estudos indicam que as células nervosas de algumas regiões cerebrais precisam dos estrogênios para entrar e permanecer em funcionamento. De resto, isso vale também para os homens, em cujo cérebro o mais importante hormônio sexual masculino – a testosterona- é transfomado em estrogênio.

As primeiras indicações de que o estrogênio auxilia o trabalho cerebral provêm do início da década de 70, quando pesquisadores descobriram em células nervosas do cérebro de ratos moléculas de proteína que só se ligam ao hormônio sexual feminino. Por intermédio desses receptores o mensageiro químico transmite informações para as células nervosas. Receptores de estrogênio, porém, possuem não apenas neurônios transmissores de sinais, mas também outras células cerebrais, como as microglias, importantes para a defesa imunológica, e as macroglias, que atuam como células de apoio e nutrição. É provável que o estrogênio cumpra tarefas distintas nos diferentes tipos de células, mas essas funções ainda não foram explicadas.

Experiências com animais comprovam que o hormônio reprime a reação natural de defesa das micróglias contra estímulos inflamatórios. Isso pode ser muito útil, por exemplo, nos casos de esclerose múltipla ou mal de Alzheimer, já que nessas duas enfermidades proteínas anômalas se depositam nos neurônios, provocando um estado inflamatório que danifica e, em última instância, destrói as células nervosas.

Nas macroglias, o hormônio sexual cumpre função claramente trófica. Isso significa que ele estimula o metabolismo dessas células. Sob influência do estrogênio, as macroglias multiplicam a produção dos hormônios do crescimento, que, por sua vez, põem à disposição dos neurônios todas as substâncias de que necessitam para um funcionamento otimizado.

Não apenas experiências com animais, mas também a observação de seres humanos indica que os estrogênios oferecem proteção contra algumas doenças neuro degenerativas, ou ao menos retardam seu avanço. Muito provavelmente, eles exercem esse efeito protetor não nos neurônios em si, mas sobretudo por intermédio dos receptores nas células gliais.

Segundo descoberta recente, o estrogênio é capaz também de amenizar as consequências de um derrame cerebral. Sob o comando de Phyllis White, pesquisadores da Universidade da Califórnia removeram os ovários de camundongos, limitando a produção natural de estrogênio. A seguir, dividiram os roedores em dois grupos, um dos quais recebeu estrogênios em baixa dosagem. Uma semana depois, bloquearam brevemente o fluxo de sangue em determinada artéria do cérebro, desencadeando um derrame. Então, passados poucos dias, compararam os vestígios do experimento deixados no cérebro.

Nos camundongos submetidos à “terapia de reposição hormonal”, os danos foram visivelmente menores. Segundo White, o estrogênio torna mais lento o avanço das lesões nas células induzidas pelo derrame. “Mais neurônios sobrevivem, sobretudo no córtex cerebral.” Em especial durante a fase final de um derrame, muitas células cerebrais sucumbem à chamada morte celular programada, mediante a qual o corpo se livra inclusive de células pouco danificadas. O estrogênio parece limitar esse processo, também conhecido como apoptose. E mais: exerce até um efeito positivo sobre o crescimento de novos neurônios.

O hormônio sexual transformou-se em tema discutidíssimo nas neurociências não só graças a essa atuação neuro protetora. Interesse científico semelhante também desperta a observação de que o estrogênio influencia diversas esferas cognitivas, como aprendizado, memória e comportamento. Afinal, independentemente de estereótipos e clichês, não há como ignorar a “pequena diferença” entre os sexos no tocante à prevalência de certos talentos específicos em homens e mulheres. Hormônios sexuais dão aí sua contribuição, e disso existe comprovação bastante convincente: nas mulheres, determinadas capacidades cognitivas se alteram de acordo com o nível do hormônio.

Não faz muito tempo, Onor Gunturcün, biopsicólogo do Instituto de Neurobiologia Cognitiva da Universidade do Ruhr, Alemanha, começou a investigar como voluntárias se saíam nos chamados testes de rotação mental em momentos diversos de seu ciclo menstrual. A tarefa a cumprir nesse teste é girar na mente uma figura geométrica. Ele avalia, portanto, nossa capacidade de visualização espacial. E, vejam só: durante a menstruação, quando os hormônios sexuais se encontram nos níveis mais baixos, as mulheres se saíram tão bem quanto os voluntários do grupo de controle. Ao final do ciclo, porém, quando os níveis de estrogênio sobem, o desempenho delas caiu sensivelmente. Mas melhorou em outro teste realizado paralelamente, no qual o objetivo era encontrar palavras apropriadas. Os resultados comprovam que as habilidades espaciovisuais das mulheres não são, em essência, inferiores às dos homens, o que ocorre com elas é, antes, uma oscilação mais forte do nível de estrogênio no cérebro, deslocando a ênfase de um talento para outro.

Também os ratos exibem certos comportamentos específicos de cada sexo. Como nos humanos, o nível de estrogênio parece desempenhar aí algum papel. Nos ratos, salta aos olhos sobretudo que machos e fêmeas não demonstrem o mesmo grau de interesse por um novo ambiente. Postos em território desconhecido, e em companhia de três objetos diferentes – uma garrafa, um tubo e uma bola, por exemplo -, as fêmeas põem-se no primeiro dia a examinar seu entorno de forma muito mais intensa que os machos.

Com o tempo, seu ímpeto investigativo decresce, mas torna a despertar de imediato se há um rearranjo dos objetos na gaiola. Isso, porém, acontece apenas com as fêmeas prontas para conceber, com baixos níveis de estrogênio. Somente elas inspecionam o ambiente modificado com curiosidade contínua. Os companheiros revelam de fato algum breve interesse, mas seu ímpeto investigativo torna a ceder com rapidez. Contudo, se as fêmeas não estão em fasede concepção, apresentando níveis altos de estrogênio, o novo arranjo do ambiente lhes é totalmente indiferente. Essa espécie de “balizamento hormonal do comportamento” faz todo sentido. Provavelmente, fêmeas prontas para conceber tendem, na época da ovulação, a proceder a uma extensa investigação de seu entorno porque assim aumentam suas chances de encontrar um macho disposto ao acasalamento. Mesmo depois do parto, os níveis de estrogênio permanecem baixos, mas o ímpeto investigativo da mãe prossegue, o que lhe facilita proteger o rebento de eventuais perigos e prover-lhe comida suficiente.

Estudos como esse não deixam dúvida quanto à conexão entre os níveis de estrogênio e de   desempenho de determinadas funções cognitivas, uma relação capaz de explicar certas diferenças entre os sexos. Pesquisas realizadas com o auxílio da ressonância magnética funcional mostram ainda que, já de antemão, homens e mulheres não utilizam as mesmas regiões cerebrais no cumprimento de algumas tarefas. Conforme se verificou em experiencias com voluntários de ambos os sexos, quando se trata, por exemplo, de encontrar a saída de um labirinto virtual, ativam-se nas mulheres regiões nos lobos parietal e frontal direitos do córtex, ao passo que, nos homens, são neurônios do hipocampo que se agitam. Apesar disso, tanto homens como mulheres muitas vezes encontram a solução com a mesma rapidez. Seus cérebros, portanto, têm igual desempenho, embora adotem caminhos diversos.

A fim de descobrir como os estrogênios influem nessa complexa interação, pesquisadores passaram a investigar que regiões cerebrais possuem, afinal, células nervosas com acoplamentos compatíveis. A concentração de receptores de estrogênio é particularmente alta no hipotálamo e na chamada área pré- óptica. Era de se esperar, uma vez que o hipotálamo integra o circuito regulador da síntese de estrogênio e, por meio de mensageiros químicos próprios, estimula a produção de hormônios sexuais. Quanto à área pré- óptica, ela parece participar no balizamento do comportamento reprodutor, ao menos nos animais. A hipótese é admissível, já que se trata de um hormônio sexual. Mas ocorre que também no hipocampo e no córtex pré-frontal se encontram receptores de estrogênio em abundância. E essas são regiões vinculadas a funções intelectuais mais elevadas, tais como o aprendizado, a memória e o pensamento abstrato.

Experiências com camundongos e ratos que tiveram os ovários removidos visando à diminuição do nível natural de estrogênio, demonstraram que, após a remoção, os animais passaram a se sair muito pior em diversas tarefas de aprendizado e testes de memória. Doses de hormônio, porém, anularam esse efeito negativo. Portanto, deve haver alguma ligação entre o estrogênio e a atividade no hipocampo, um centro deaprendizado.

Com o intuito de esclarecer essa conexão, a neurobióloga Catherine Woolley, da Universidade Rockefeller, em Nova York, passou a pesquisar as sinapses das células nervosas. É nesses pontos de contato que acontece a transmissão da informação entre os neurônios, e eles se sintam nos chamados espinhos dendríticos – pequenos apêndices dos dendritos. Quanto mais ligações sinápticas existirem numa rede neuronal, melhor a transmissão. E, na linguagem do cérebro, aprender alguma coisa nada mais é que estabelecer novas sinapses e intensificar as conexões existentes.

No hipocampo, os neurônios cultivam um gosto particular pelo contato: uma única célula nervosa pode estar em contato sináptico com até 20 mil outras. Quando estamos em processo de aprendizado, esse número comprovadamente aumenta.

Como descobriu há alguns anos o grupo comandado por Woolley, com o auxílio de seções do cérebro com coloração especial, o estrogênio estimula a formação de novos espinhos dendríticos em determinados neurônios do hipocampo. Em 2001, Woolley e seu colega Bruce McEwen demonstraram que os espinhos adicionais não apenas fortalecem as conexões já existentes, como também estabelecem novos contatos com outras células nervosas. Estudos equivalentes foram efetuados com fêmeas adultas de rato. O resultado ressalta acima de tudo como o cérebro permanece maleável mesmo na idade adulta. É à enorme plasticidade desse órgão que devemos o fato de uma antiga crença felizmente não corresponder à realidade: a de não ser possível aprender na velhice. É possível sim.

Os resultados da pesquisa também despertaram a esperança de, com o estrogênio, podermos desenvolver um novo medicamento contra o mal de Alzheimer, por exemplo, que causa a morte dos espinhos dendríticos no hipocampo. Em consequência disso, vai desaparecendo o poder da memória, que já não aceita novos dados. E outras capacidades cognitivas sofrem perdas crescentes, como a de orientação e visualização espacial. Considerando-se que o estrogênio dá suporte à formação de novas conexões sinápticas, esse hormônio talvez detenha a demência, ou desacelere seu avanço.

Mas as ambições de alguns cientistas vão mais longe, alimentadas pela observação de que, em todos nós, o número de espinhos dendríticos no hipocampo diminui com o tempo, assim como nosso desempenho intelectual decresce com a idade. Daí a ideia de empregar o estrogênio como o chamado cognitive embacer – ou seja, como remédio para a melhoria direcionada da memória e da capacidade de aprendizado.

Bruce McEwen, neuro endocrinologista da Universidade Rockefeller, pesquisa os mecanismos por meio dos quais o hormônio sexual feminino estimula, no plano molecular, o crescimento dos espinhos dendríticos nos neurônios do hipocampo. Para ele, está claro que esse mensageiro químico fortalece as funções de aprendizado e memória normais. “Mesmo sem a presença do estrogênio, há ainda um sem-número de ligações sinápticas no hipocampo. Nossos trabalhos mostram, porém, que, sem o hormônio, essas redes não operam com seu melhor rendimento no armazenamento e na evocação de determinados conteúdos de memória”.

O pesquisador defende uma espécie de terapia de reposição hormonal para o cérebro, da qual se beneficiariam sobretudo mulheres de mais idade. A razão para tanto é que, com a menopausa, os ovários praticamente param de sintetizar estrogênio. Sintomas como as ondas de calor e também os problemas psíquicos de que tantas mulheres sofrem durante essa fase parecem ter vínculo causal com a relativa escassez do hormônio – isso porque, em geral, as queixas diminuem com a aplicação de estrogênio.

Nesse meio tempo, também o desempenho cognitivo de mulheres na menopausa já foi objeto de diversos testes. Os resultados são contraditórios. Em muitos estudos, o estrogênio melhora a capacidade de aprendizado, mas somente em relação a tarefas que demandem a utilização da memória verbal.

É para esta situação seletiva que nos chama a atenção a psicóloga Donna Korol, da Universidade de Illinois. Ela se dispôs a investigar se em ratos jovens que tiveram os ovários removidos, doses de estrogênio exerciam influência sobre determinadas estratégias de resolução de problemas. Com esse objetivo, aplicou dois testes aparentemente semelhantes, cujas soluções, porém, demandam do cérebro a ativação de redes neuronais distintas. Em essência, os ratos tinham de aprender a encontrar comida num labirinto. No teste A, a comida fica sempre no mesmo lugar, mas altera-se o ponto a partir do qual os ratos dão início à busca. Os animais que receberam estrogênio apreenderam o princípio do teste com muito mais rapidez do que os companheiros privados do hormônio.

Mas esses últimos foram muito superiores no teste B, em que o ponto de partida também é alterado, mas o rato sempre encontra sua comida, bastando para tanto que ele vire à direita no primeiro corredor. De acordo com Korol, o fato de os animais com deficiência de estrogênio terem aprendido a cumprir a tarefa com mais rapidez contradiz a noção de que o hormônio prestaria ajuda generalizada ao órgão do pensamento. “Se o estrogênio melhora nossa capacidade geral de aprendizado, então os resultados dos dois testes teriam de ser iguais.” Na opinião da psicóloga, o nível do hormônio sexual determina, antes a estratégia cognitiva com o auxílio da qual o cérebro se lança à solução de um problema. “O estrogênio de fato favorece algumas formas de aprendizado, mas inibe outras”. E, mais importante: “Sem esse mensageiro químico, o cérebro trabalha de modo diferente, mas continua trabalhando bem”.

Os estudos de Donna Korol lançam nova luz sobre o declínio da capacidade cognitiva que muitas mulheres sentem após a chegada da menopausa. Em seu livro Animal research, and  human beaulty, Korol defende a tese de que o nível decrescente de estrogênio pura e simplesmente altera o modo como o cérebro trabalha – direcionando-o para pontos que são fortes sobretudo nos homens, como a capacidade de orientação espacial. “Depois da menopausa, as mulheres poderiam melhorar seu desempenho em muitas tarefas, se encarassem a coisa toda de maneira diferente”, explica. “Mas percebem as alterações provocadas pelo declínio hormonal como piora.”

Descobrir e fazer uso de novas forças de certo não é fácil, e Donna Korol ainda não ofereceu comprovação definitiva de sua teoria. Ainda assim, seus resultados parciais ensejam algumas dúvidas quanto à ideia de que, depois da menopausa, o cérebro feminino se beneficiaria como um todo de uma espécie de terapia de reposição do estrogênio.

Certo, porém, é que o estrogênio pode fazer muito mais que dar às mulheres aparência diferente da masculina. Por meio de receptores em regiões cerebrais como o hipocampo, o mais importante hormônio sexual feminino contribui para muitas “pequenas diferenças” no modo de pensar e nos talentos específicos de homens e mulheres. Mas enquanto os efeitos do estrogênio sobre o cérebro não forem conhecidos com exatidão, é necessário conter a euforia. Ou não servem de advertência as acaloradas discussões da atualidade a respeito da ampliação do risco de câncer em decorrência de terapias de reposição hormonal.

O ÓRGÃO SEXUAL CHAMADO CÉREBRO: RAÍZES DA HOMOSSEXUALIDADE

Os elefantes fazem, os pinguins fazem, os golfinhos fazem, as girafas fazem e muitos seres humanos fazem também – isto é, sexo com parceiros do mesmo sexo. Já se observaram comportamentos homossexuais em mais de 450 espécies até agora. As causas são motivo de veementes discussões. Teóricos da evolução procuram pelo “gene homossexual”, por enquanto sem sucesso. Freudianos responsabilizam problemas na infância, mas não oferecem comprovação inequívoca de sua tese. E, como nosso órgão sexual mais importante é sabidamente aquele que trazemos entre as orelhas, claro que também os neurocientistas partiram em busca das raízes da homossexualidade.

Localizaram-nas no hipotálamo, ou seja, a região cerebral que controla impulsos tão elementares como a fome e o sono. Em1978, Roger A. Golsky, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, descobriu que um grupo de células nervosas da porção anterior do hipotálamo é muito maior nos ratos machos do que nas fêmeas. Conforme mostraram experimentos posteriores, o crescimento desse núcleo, chamado INAH-3, varia de acordo com o nível de testosterona. Se, logo após o nascimento, ratos machos são privados por castração do hormônio sexual mais importante, seu INAH-3 permanecerá. na idade adulta, tão pequeno como o das fêmeas. E também seu comportamento reprodutivo se tornará feminino.

Normalmente, os roedores se acasalam da seguinte maneira: o macho sobe na fêmea e a agarra com as patas dianteiras; a fêmea curva o dorso e ergue o traseiro, a fim de facilitar a penetração. Machos castrados rompem com esse comportamento sexual. Quando um companheiro de mesmo sexo sobe neles, os castrados arqueiam o corpo e assumem a posição da fêmea. E mais: se é administrada testosterona em fêmeas logo após o nascimento, também elas, quando adultas, e depois de uma nova dose de hormônio, montarão outras fêmeas.

Decerto, a vida sexual dos humanos toma forma bem mais complexa que a dos roedores, mas também em nosso hipotálamo existe essa pequena diferença. Nos homens, o INAH-3 é de duas a três vezes maior que nas mulheres. Mas talvez isso só valha para os heterossexuais. Comparando os cérebros sem vida de homens com preferências sexuais variadas, o neurocientista Simon LeVay – então no Salk Intitute, em San Diego – constatou que o INAH-3 de alguns homossexuais apresentava “tamanho feminino”. Mas havia exceções, e elas alimentaram todo tipo de dúvida quanto ao valor do estudo. “A orientação sexual das pessoas pode ser investigada no plano biológico: é isso que nos mostram as diferenças de tamanho dos núcleos”, concluiu LeVay. A comprovação, no entanto, não veio até hoje. E mesmo que se confirmasse, permaneceria incerto se é a característica anatômica que baliza o comportamento ou se não seria, por acaso, o contrário.

OUTROS OLHARES

UM TRISTE PASSO ATRÁS

Só há uma resposta para o retorno do sarampo no Brasil e no mundo: a negligência na vacinação, que, por ignorância e desleixo, perdeu terreno na sociedade

O sarampo voltou, vergonhosamente, para assombrar o mundo — e, lamentavelmente, o Brasil. Nos últimos três meses, o país registrou 2.753 casos, número 117% maior em relação ao mesmo período do ano passado. Para piorar, o surto tem vitimado sobretudo crianças (bebês com menos de 1 ano são os mais vulneráveis à doen­ça). As secretarias estaduais de São Paulo e de Pernambuco confirmaram quatro mortes: três bebês, de 4, 7 e 9 meses, e um adulto, de 42 anos. O constrangimento pela volta de uma doença erradicada não é, desta vez pelo menos, uma exclusividade brasileira. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de casos quase triplicou entre 2018 e 2019 no planeta, em especial na Europa e nos Estados Unidos. “Estamos retrocedendo e no caminho errado”, disse Kate O’Brien, responsável pelo departamento de imunização da OMS.

Transmitido por secreções, como a saliva, o sarampo é doença de alto poder infeccioso. Seu vírus reduz a eficácia do sistema imunológico e deixa o organismo suscetível a outras infecções. Em cerca de 20% dos casos ocorrem problemas graves, como pneumonia e danos neurológicos. Os efeitos são piores em crianças com menos de 5 anos e em pessoas desnutridas e com o sistema imunológico fragilizado. Aproximadamente duas crianças em cada 1.000 que contraem sarampo desenvolverão encefalite, que pode levar a convulsões, surdez ou deficiência intelectual.

A taxa de mortalidade varia muito. Nos países desenvolvidos, calcula-se uma morte para cada 1.000 casos. Nas nações muito pobres, especialmente as da África Subsaariana, o número de óbitos pode chegar a preocupantes 100 para cada 1.000. Criada na década de 60, a vacina contra o sarampo está incluída na chamada tríplice viral, junto com rubéola e caxumba. A dose garante a imunidade, ou seja, a produção de anticorpos específicos contra a doença, em 95% das pessoas.

Em tese, ninguém deveria estar falando do assunto hoje, com a doença totalmente controlada. Qual a causa, então, do passo atrás? “Simplesmente as pessoas não estão se vacinando”, responde Rosana Richtmann, infectologista do Instituto Emílio Ribas, de São Paulo. Segundo dados de 2017, a cobertura vacinal no Brasil foi de 86%. Em 2015, era de 96%. O ideal para imunizar uma população é um índice de pelo menos 95%. No caso específico do sarampo, a atenção com a vacinação tem de ser redobrada. Se um doente espirra ou tosse, o vírus permanece vivo no ar por duas horas. Um doente chega a infectar cerca de doze pessoas, o que confere ao sarampo um alto poder contagioso.

A redução da vacinação no mundo todo tem múltiplas causas. A mais incompreensível difunde-se nos Estados Unidos e na Europa, e felizmente ainda não pegou no Brasil: o crescimento dos grupos antivacina. O tresloucado movimento recorre à tese do gastroenterologista inglês Andrew Wakefield. Em 1998, o médico publicou, na revista científica The Lancet, um artigo em que associou a vacina tríplice a um risco aumentado de autismo. No estudo, Wakefield dizia ter acompanhado doze crianças que desenvolveram a doença depois de tomar a tríplice. Sonegou duas informações: já existiam indícios de autismo nas crianças e o médico preparava um processo contra um fabricante de vacinas. Foi desmascarado. Embora Wakefield tenha sido banido da prática de medicina, seus argumentos ainda ecoam.

Há também um ponto pouco discutido, de cunho mais comportamental. O surgimento da imunização, há meio século, fez com que gerações futuras esquecessem as consequências do sarampo. Os mais jovens chegam a não temer o retorno da doença, e médicos formados recentemente só conheceram a doença pelos livros. É triste, e até assustador, mas a sociedade parece desdenhar da relevância histórica das vacinas. A discreta e quase indolor agulhada é a resposta mais rápida e a única ao atual drama.

GESTÃO E CARREIRA

PROFISSÃO: GESTOR AMBIENTAL

Com o meio ambiente em foco, profissionais graduados em gestão ambiental ganham relevância nas esferas pública e privada

A natureza está em pauta. Da ativista sueca Greta Thunberg, de 16 anos, que vem mobilizando estudantes contra as alterações climáticas, ao presidente Jair Bolsonaro, com as polêmicas envolvendo a crise na Amazônia. Do consumo consciente à defesa de um modelo econômico mais sustentável. Fato é que se tornou inviável fugir do assunto, inclusive no mundo corporativo. Segundo uma pesquisa da McKinsey, mais de 50% dos executivos já consideram a área de sustentabilidade essencial ao criar estratégias, desenvolver produtos e construir reputação. Não à toa, as perspectivas para quem atua nesse campo são animadoras. Para a Organização Internacional do Trabalho (OIT), ações para promover uma economia mais verde têm potencial de gerar 24 milhões de empregos no mundo até 2030. Por aqui, apesar dos reveses (o orçamento do Ministério do Meio Ambiente diminuiu 23% em 2019, um corte de 187,4 milhões de reais), especialistas em gestão ambiental ganham cada vez mais relevância nas esferas pública e privada. “Os consumidores querem produtos socialmente justos, economicamente viáveis e ambientalmente corretos. E isso se reflete em aumento da demanda por esses profissionais. A maioria de nossos alunos se forma já com uma proposta de emprego”, diz Denírio Itamar Lopes Marques, coordenador do curso superior de tecnologia em gestão ambiental do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS). Elaborando, implementando e mensurando projetos de impacto ambiental e social, esse pessoal virou peça-chave nas empresas.

Sarita Severein, de 33 anos, formou-se na área pela Universidade de São Paulo (USP) em 2010. De lá para cá, viu proliferar as oportunidades. No ano passado, foi contratada como consultora de sustentabilidade na Suzano, empresa brasileira de papel e celulose. “Desenvolvo ações que passam por mudanças climáticas, capital natural e inovação em sustentabilidade”, diz Sarita. Para ela, uma das maiores dificuldades da carreira é a concorrência com outras graduações. Como ainda não é regulamentada no Brasil, a profissão de gestor ambiental disputa espaço com engenheiros, biólogos, geólogos e até administradores. A expectativa é que esse cenário melhore se o Projeto de Lei n° 2.664/11, que tramita no Senado e visa regulamentar a atividade, for sancionado. “A aprovação da lei trará mais solidez a essa profissão e mais vagas vão surgir no mercado, principalmente nos setores hospitalares e de gestão de águas residuais”, diz Denírio, do IFRS.

ATIVIDADES – CHAVE

Mitigar os impactos negativos no meio ambiente que surgem de processos produtivos e atividades comerciais; entender de regulação e garantir o respeito à legislação; gerar a integração entre os diversos departamentos da empresa para cumprimento de metas e inserção de viés sustentável e nas tomadas de decisão dos times.

PONTOS POSITIVOS

*** Os resultados do trabalho desses profissionais ajudam na conservação do meio ambiente;

*** A rotina não é monótona e sempre aparecerão novos desafios;

*** Atuar em uma área que é tendência e ganha cada vez mais espaço no debate global, tanto no âmbito público quanto no privado.

PONTOS NEGATIVOS

*** Ainda existe por parte das empresas e da sociedade resistência em enxergar a necessidade de discutir as questões ambientais;

*** A profissão carece de regulamentação.

PRINCIPAIS COMPETÊNCIAS

Resiliência é essencial para os gestores ambientais que precisam reafirmar frequentemente a importância de seus projetos, muitos com retorno de longo prazo, estar antenado com as tendências mundiais é de extrema importância, assim como possuir conhecimento sobre o setor no qual se está trabalhando. É fundamental que haja domínio profundo de ecossistemas e jogo de cintura para lidar com questões sociais e políticas.

QUEM CONTRATA

O setor público, ongs e empresas de grande porte, como indústrias, aeroviárias, hospitais. Também buscam esses profissionais: consultorias, bancos, agências de investimento, instituições de ensino e de pesquisa, agencias setoriais e de fomento, para elaborar estratégias de sustentabilidade.

O QUE FAZER PARA ATUAR NA ÁREA

Embora a atividade não seja regularizada no país, a principal recomendação para atuar na área é fazer um bacharelado ou curso técnico em gestão ambiental. especialização em gestão de projetos ajuda o profissional a se diferenciar.

SALÁRIO:

3.584 Reais (Analista)

5.884 Reais (Coordenador)**

VAGAS:

1.534***

** De acordo com um levantamento da CATHO

***Segundo consulta feita com o termo “Gestão Ambiental” no LinkedIn em setembro/2019

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 7 – CONDIÇÕES NECESSÁRIAS PARA A LIBERTAÇÃO

Basicamente, são as seguintes as condições necessárias para alguém receber libertação.

HONESTIDADE

Quem espera receber de Deus a bênção da libertação tem de ser honesto consigo mesmo e com Deus. Por falta de honestidade, certas áreas da vida ficam encobertas pelas trevas. Os espíritos demoníacos prosperam nas trevas. A honestidade ajuda a trazê-los à luz. Qualquer pecado oculto, sem arrependimento, dá aos demônios todo o direito para ficarem onde estão. Peça a Deus que o ajude a ver sua própria pessoa como Ele mesmo a vê e traga à luz qualquer coisa que não seja d’Ele.

“Confessei-te o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei. Disse: confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniquidade do meu pecado.” (Salmo 32:5.)

“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno.” (Salmo 139:23, 24.)

HUMILDADE

Isto envolve o reconhecimento da sua dependência de Deus e das providências para a libertação.

“Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.” (Tiago 4:6b, 7.)

Uma franqueza completa devem ter, também, os servos de Deus que ministram a libertação.

“Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros…” (Tiago 5:16a.)

ARREPENDIMENTO

O arrependimento consiste em virar as costas ao pecado e a Satanás. Devemos odiar todo o mal e deixar de concordar com ele em nossa vida. “Andarão dois juntos se não houver entre eles acordo?” (Amos 3:3.)

Você tem de detestar seus pecados.

“Ali vos lembrareis dos vossos caminhos e de todos os vossos feitos com que vos contaminastes e tereis nojo de vós mesmos, por todas as vossas iniquidades que tendes cometido.” (Ezequiel 20:43.)

A libertação não é para ser usada meramente para alcançar um alívio dos problemas, mas para tornar-se mais semelhante a Jesus, através da obediência a tudo o que Deus requer. O arrependimento exige a confissão de todo pecado. Ela apaga todos os direitos legais dos espíritos maus.

RENÚNCIA

Renunciar é abandonar o mal. Renunciar é uma ação que nasce do arrependimento.

“Vendo ele, porém, que muitos fariseus e saduceus vinham ao batismo, disse-lhes: Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura?” (Mateus 3:7.)

O desenvolvimento dos frutos dignos de arrependimento envolve muito mais do que palavras. E a demonstração de arrependimento, a evidência de que alguém verdadeiramente deixou os seus pecados. Por exemplo, se alguém se arrepende da luxúria, talvez tenha de destruir material pornográfico; se for erro religioso, talvez tenha de destruir toda a literatura e coisas relacionadas com o erro.

“Muitos dos que creram vieram confessando e denunciando publicamente as suas próprias obras. Também muitos dos que haviam praticado artes mágicas, reunindo os seus livros, os queimaram diante de todos. Calculados os seus preços, achou-se que montavam a cinquenta mil denários.” (Atos 19:18, 19.)

Renúncia significa um desligamento por completo de Satanás e de todas as suas obras.

PERDÃO

Deus livremente perdoa a todos os que confessam seus pecados e pedem perdão por meio do Seu Filho (1 João 1:9). Ele espera que nós perdoemos a todos os que nos maltrataram, seja quem for.

“Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas.” (Mateus 6:14, 15.)

ORAÇÃO

Peça a Deus que o liberte em nome de Jesus.

“E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo…” (Joel 2:32.)

BATALHA

A oração e a luta são duas atividades separadas e distintas. A oração é dirigida a Deus, e a luta, contra o inimigo. Nossa luta contra os poderes demoníacos não é carnal, mas espiritual. (Veja Efésios 6:10-12; 2 Coríntios 10:3-5.)

Use as armas de submissão a Deus, o sangue de Jesus Cristo, a Palavra de Deus e seu próprio testemunho como crente. (Veja Tiago 4:7; Apocalipse 12:11; Efésios 6:17.)

Identifique os espíritos, enfrente-os diretamente pelo nome, com voz de autoridade, e com fé mande-os embora, em nome de Jesus Cristo. Entre na luta com determinação, confiante na vitória. Jesus Cristo não falha! Ele é o libertador!

“Estes sinais hão de acompanhar aqueles que creem: em meu nome, expelirão demônios…” (Marcos 16:17a.)

“Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões, e sobre todo o poder do inimigo, e nada absolutamente vos causará dano.” (Lucas 10:19.)

“O Senhor é a minha rocha, a minha cidadela, o meu libertador; o meu Deus, o meu refúgio…” (Salmo 18:2a.)