A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

OS CINCO SEXOS DO CÉREBRO

Um psicólogo inglês propõe a provocativa explicação para as diferenças entre o cérebro do homem e da mulher. O autismo seria um comportamento masculino extremo, e os sexos não seriam dois, mas cinco

É comum considerar que homens e mulheres sejam diferentes. Mas quão diferentes e, principalmente, por que tal distinção? A incompatibilidade entre os dois sexos é algo corriqueiro, mas sua causa sempre foi tema de debate entre filósofos, sociólogos e psicólogos. Os manuais de auto- ajuda chegam a descrever homens e mulheres como habitantes de mundos diversos. A ideia de mundos inconciliáveis hoje faz parte do imaginário coletivo, superando as antigas ironias sobre as limitações do cérebro feminino. Esse pensamento talvez tenha alguma utilidade no convívio diário, mas não serve para compreendermos em que consiste a diferença. Daí a atenção despertada na comunidade científica, e não só nesta, pelos estudos do psicólogo inglês Simon Baron-Cohen, reunidos no livro Diferença essencial.

Professor na Universidade de Cambridge, onde dirige o Centro de Pesquisa do Autismo, Baron-Cohen considera haver contribuído para o esclarecimento do antigo dilema ao estudar a  peculiaridade do comportamento autista: “Comecei a me interessar pelas diferenças entre o cérebro masculino e o feminino em 1995, quando me dei conta de que os processos psicológicos que estudava nas crianças autistas eram distribuídos de forma diferente conforme o sexo”. Baron-Cohen interessou-se especialmente pelas formas mais leves de autismo, como a síndrome de Asperger, não associadas a um déficit cognitivo. Os que sofrem desse problema – a maioria, estranhamente, é do sexo masculino – são atentos aos detalhes e em muitos casos têm extraordinária capacidade de abstração e de cálculo, mas sentem dificuldade para interagir com seus semelhantes e para compreender emoções e sentimentos.

Segundo Baron-Cohen, algumas formas de autismo não seriam mais do que um comportamento masculino extremo. Haveria dois modelos “de base” do cérebro. Um deles seria o sistemático, próprio à maioria dos indivíduos do sexo masculino, inclinado a compreender e construir sistemas e a descobrir as regras que desvendam como as coisas “funcionam”. Meninos desse tipo escolhem brinquedos mecânicos ou de armar, interagindo com amigos que são, sobretudo, companheiros de brincadeiras e de aventuras, quando adultos, preferem trabalhos que lhes permitem “construir” alguma coisa e se divertem com atividades manuais ou praticando esportes com os amigos. Mas haverá também entre eles, salienta Baron-Cohen, estupradores e um percentual de assassinos maior do que o encontrado entre as mulheres: estupro e homicídio são dois comportamentos caracterizados por baixo nível de empatia.

O outro modelo seria o do cérebro empático, preferencialmente feminino, inclinado a compreender os sentimentos e as emoções do outro, e atento a como reagir a eles de forma adequada. Meninas assim gostam das complicadas dinâmicas sociais; quando moças, passam o tempo conversando com as amigas, analisando nos mínimos detalhes suas relações, sentimentais ou não, e na idade adulta tendem a se interessar por profissões que permitam contato com o público. O cérebro empático hesita diante de raciocínios matemáticos complexos e tem dificuldade para se orientar com um mapa. Escolhe sinais da paisagem em vez de analisar o espaço como um sistema geométrico.

Mas estes são apenas dados estatísticos. “Há mulheres sistemáticas e homens empáticos” – sustenta Baron-Cohen – “e muitos indivíduos têm um cérebro ‘equilibrado ‘, no qual as duas características estão presentes em grau similar, mas os cérebros empáticos são maioria entre as mulheres e os sistemáticos entre os homens.” O psicólogo inglês sabe que tocou em um tema polêmico. “Passei cinco anos escrevendo este livro, porque se tratava de um argumento demasiado ‘politicamente incorreto’ para ser apresentado nos anos 90”, ele admite. Suas conclusões parecem deliberadamente elaboradas para suscitar consenso entre as leitoras – “já sabíamos” é o comentário feminino mais frequente – e reações indignadas por parte dos leitores. E isto apesar de o psicólogo advertir que seria preciso identificar o análogo feminino do autismo, um comportamento “cego aos sistemas”, mas dotado de alto grau de empatia, que – por motivos ainda a serem esclarecidos – não é catalogado como patológico. Seria simplista reduzir a pesquisa de Baron-Cohen a mais uma versão dos estereótipos de gênero: “Meu trabalho nada tem a ver com manuais como Homens são de Marte, mulheres são de Vênus. Todas as minhas afirmações se baseiam em dados empíricos comprovados”.

Para saber quanto de nosso comportamento é inato e quanto se deve aos modelos transmitidos desde a infância, Baron-Cohen e seus colaboradores realizaram um experimento em que imagens de rostos humanos e bonecos mecânicos foram mostrados a recém-nascidos. Descobriram então que, com apenas um dia de vida, as meninas têm mais interesse nas faces, enquanto os meninos dão mais atenção aos autômatos. Com o passar do tempo, os meninos tendem a ser mais egocêntricos, menos atentos às dinâmicas sociais e mais inclinados à agressão direta, ao passo que as meninas manifestam agressividade relacional, excluindo a pessoa indesejada ou falando mal dela.

O psicólogo reconhece que “é difícil registrar uma informação neutra quando as crianças, logo que nascem, são vestidas de rosa ou azul. Sabemos que os adultos se comportam de modo diverso conforme o sexo do recém-nascido”. Mas as provas parecem sólidas, e Baron-Cohen não teme as críticas dos que, como o neurobiólogo Steven Rose, acusam­ no de dar excessiva importância aos aspectos biológicos e ignorar os estudos que contradizem sua teoria, “É Rose quem radicaliza quando sustenta que todas as diferenças nascem das influências do meio. Não nego a importância destas, que são fundamentais, mas elas não bastam para explicar diferenças que se manifestam no momento do nascimento, ou até mesmo antes”.

Sabe-se que crianças do sexo masculino nascidas de mães que durante a gravidez foram tratadas com dietilestilbestrol – hormônio feminino sintético usado antigamente para prevenir abortos espontâneos – tendem a apresentar comportamento empático. Mas a confirmação mais interessante é fornecida por um estudo realizado por Baron-Cohen e colaboradores sobre o líquido amniótico, retirado para diagnosticar eventuais problemas de formação e conservado após o nascimento da criança. Medindo-se, durante o terceiro mês de gravidez, o nível de testosterona no líquido e observando-se o comportamento das crianças entre os 2 e 4 anos de vida, notou-se que tanto os meninos quanto as meninas com nível hormonal mais baixo mostravam melhor capacidade verbal e tendiam a manter contato visual mais prolongado. O pesquisador comenta: “Admito que senti um calafrio ao perceber como uma pequena quantidade de hormônio pode influenciar nosso comportamento. Estamos percebendo o quanto os hormônios influem em nosso modo de ser, e isto vale para os dois sexos. É interessante notar como a testosterona fetal, que pesquisei, exerce efeitos análogos sobre meninos e meninas”.

Suas pesquisas propõem uma divisão em sexos mais articulada do que a tradicional. Ele explica, “Podemos considerar nosso sexo em pelo menos cinco níveis diferentes, cada um dos quais pode ser independente dos outros. Há o sexo genético ou cromossômico – XY corresponde ao sexo masculino, XX ao feminino – e o sexo gonádico, somos do sexo masculino se temos testículos que produzem hormônios masculinos, e do sexo feminino se temos ovários que produzem hormônio feminino. Há o sexo genital, masculino se há um pênis normal e feminino se há uma vagina normal, além da identidade de gênero e de orientação sexual. Não é complicada a vida”.

Ironias à parte, Baron-Cohen não pretende traduzir suas pesquisas em juízos de valor. “Não digo que os homens sejam mais inteligentes do que as mulheres, mas que, na média, têm habilidades diferentes”. Isto pode ser afirmado apesar dos testes de inteligência que, com todas as suas perguntas de matemática, parecem feitos para exaltar as qualidades masculinas. “Na realidade, contesta o psicólogo, os testes contêm diversos tipos de pergunta, as verbais são mais adaptadas a um cérebro empático, as outras ao sistemático. Mas isto não quer dizer que um dos sexos seja melhor. “É curioso, porém, que a empatia seja uma qualidade tão apreciada em uma sociedade historicamente dominada por homens “sistemáticos”. Baron-Cohen explica que “carecer de empatia não significa ser cruel ou insensível, mesmo parecendo que a pessoa ignora os sentimentos alheios. A maioria das pessoas com síndrome de Asperger, que conheci tinha elevado senso moral, mas se baseava mais na racionalidade do que na empatia”.

É possível que a seleção dos cérebros empáticos e sistemáticos tenha sido condicionada pelas tarefas historicamente atribuídas aos dois sexos. “Se pressupusermos que a criação dos pequenos é uma tarefa feminina, é razoável pensar que um comportamento empático, envolvendo a capacidade de entender as exigências da criança tenha melhor adaptação, contribuindo para garantir a sobrevivência da prole. O comportamento sistemático teria sido mais útil para construir instrumentos de caça ou para estudar o território na perseguição à presa”. Se isto for verdade – mas Baron-Cohen adverte que “as teorias evolutivas são de difícil verificação” – homens sistemáticos e mulheres empáticas teriam maiores possibilidades de transmitir seus genes do que indivíduos mais “equilibrados”.

Resta o fato de que, atualmente, não parece mais ser possível sustentar que exista um único modelo de cérebro, de aprendizado e de relação com os outros. Invocando as pesquisas que podem estabelecer as bases de uma nova política de diferenciação, Baron-Cohen lança um apelo em favor do respeito e da aceitação das diferenças: “Hoje temos um modelo educativo único. Mas é cada vez mais evidente que as crianças chegam à escola com estilos de aprendizado muito diferentes. Se tratamos todas do mesmo modo, algumas serão prejudicadas”.

OUTROS OLHARES

A REVOLUÇÃO DO PALADAR

De refrigerantes com frutas a iogurtes orgânicos e sucos com fabricação sustentável – como a indústria da alimentação está se adaptando ao novo (e exigente) consumidor

Antes da Queda da Bastilha houve outra revolução francesa, à mesa, no século XVII – os pratos inundados de especiarias, muitas vezes intragáveis, à base de carnes de caça, deram lugar a uma sinfonia de cremes gordurosos, manteiga, ovos, geleias ­ compotas e musses, para “comer sem que fosse necessário o espetáculo áspero e prosaico da mastigação” como se dizia na época. Era um festival para o palato, um sonoro non à teoria dos quatro humores de Hipócrates que vigorava até então, e para quem a saúde era resultado de rigoroso e insosso equilíbrio entre fleuma, sangue, bílis amarela, e bílis negra, regidos pela alimentação. Naqueles tempos centrífugos um renomado chef britânico Robert May, cobrou de Luís XIV (1638-1715) em um minucioso livreto; a exagerada preferência gaulesa “pelos molhos e não pelas dietas”. May lamentava o suposto desequilíbrio imposto por uma culinária que, a partir daí, rezaria pela cartilha do gosto, e o corpo que se virasse.

Passados quatro séculos, a escória virou povo. Maria Antonieta perdeu a cabeça, e May finalmente começa a ser ouvido. Vive-se, hoje, uma revolução do paladar, na definição da endocrinologista Claudia Cozer Kalil, do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo – revolução comandada, e não há aí exagero algum, muito mais pela dieta do que pelos molhos. Ou, em termos mais precisos: o império hoje é o dos cuidados com a saúde, locomotiva de fenomenais – e aparentemente definitivas – transformações na indústria de alimentos. A sociedade exige uma cozinha mais equilibrada, mais zelosa, menos adocicada, como se milhões, bilhões de mestres-cucas ingleses estivessem erguendo a voz contra uma antiga escola de forno e fogão (embora, ressalve-se, nem mesmo o mais empedernido dos jacobinos da atualidade ouse abandonar um bom tempero). Há um modo econômico de medir esse movimento, incontestável, puxado pela geração dos millennials, nascida entre 1980 e 1995, e que influencia hábitos de pais e avós.

Pesquisa mundial conduzida pela Deloitte, empresa especializada em consultorias e auditorias, mostra que nove em cada dez companhias de alimentação introduziram em 2017 ao menos um produto formulado ou reformulado para atender o consumidor em busca de um cotidiano mais são. Outro levantamento, do instituto Euromonitor, identificou globalmente uma expansão anual de 1,8% do mercado de comida industrializada saudável, ante 1,5% do lote tradicional, banhado de conservantes e similares. No Brasil o naco sadio não para de crescer – chegou, em 2018, a 10,7% do total de vendas do setor.

Em rápida transformação, os novos rumos da alimentação atraíram mega­investidores de outras áreas como o apresentador de televisão e empresário Luciano Huck, Oskar Metsavafut, dono da grife Osklen; e o empresário Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira. Os três são sócios da marca de sucos e snacks Greenpeople, criada em 2014. Os produtos são 100% naturais (uma embalagem de 350 mililitros corresponde a cerca de 1,5 quilo de frutas e vegetais prensados), e preparados de forma sustentável (prioriza-se o uso de ingredientes provenientes da agricultura familiar. Seis meses após a abertura da fábrica, o faturamento dobrou. Em 2018m a receita bruta foi de 21 milhões de reais. A estimativa é que chegue a 40 milhões de reais neste ano e salte para 70 milhões de reais em 2020. “A busca por alimentos saudáveis é irreversível, disse Luciano Hulk. “Eu mesmo mudei meus hábitos ao longo dos anos. A Angélica, que é a guardiã da despensa e da geladeira lá em casa, quer diminuir a quantidade de açúcar refinado na alimentação da família e trazer produtos naturais e orgânicos para a mesa.”

O desafio, ressalta Hulk, é oferecer opções por um preço mais acessível, ao alcance de todos. O controle na elaboração de um produto orgânico, que vai do cuidado com o adubo utilizado nas plantas ao pasto que alimenta os animais; faz uma iguaria dessa categoria custar pelo menos 20% a mais em relação às regulares. Mas é justamente o zelo com toda a cadeia ele produção um dos grandes motivos de atração para o consumidor. Diz Oskar Metsavabt: “O alimento saudável dá dinheiro porque deflagra novas experiências, mexe com a vida e a cultura das pessoas”. Somos, enfim, o que comemos – e nunca, como hoje, a sociedade impôs tanta reconstrução do que levamos à boca. Foi. sempre assim, na história da alimentação, mas a roda gira mais veloz. Comida, enfim, é moeda para entender a história econômica e social da civilização. As primeiras conservas de longa duração foram criadas para alimentar soldados franceses nos tempos de Napoleão. O imperador ofereceu um prêmio a quem inventasse um processo de preservação de mantimentos por longos períodos. O vencedor demonstrou que alimentos fervidos em potes de vidro hermeticamente fechados mantinham- se ao longo de meses. As conservas pioneiras foram. feitas em garrafas de champanhe. No início do século XX, a chegada das geladeiras às casas ampliou as opções alimentares. Nos anos 1950, as várias formas de empacotamento e apresentação dos alimentos permitiram o planejamento de um cardápio inteiro à base de produtos industrializados – enlatados, desidratados, congelados. Até que as preocupações com a saúde, marco de nosso tempo, fizeram tudo mudar.

Não é simples, como em toda grande guinada comportamental. E há um vilão: o açúcar. Nos anos 1960, a Associação da Indústria de Açúcar dos Estados Unidos chegou a lançar campanhas exibindo o produto como um item saudável e até regulador de apetite. Já eram mais do que conhecidos os efeitos nocivos para o organismo – os primeiros estudos relacionando o consumo do ingrediente a problemas cardíacos datam da década de 20. Já não há espaço para desinformação e, no Brasil, o afastamento de antigos hábitos será ainda mais difícil. O açúcar definiu a identidade nacional. Nosso paladar é um dos mais avessos aos sabores amargos. No Brasil, uma barra de chocolate, para ser considerada chocolate deve ter ao menos 25% de cacau em sua composição. É pouco. O porcentual mínimo em outros países gira em torno de 33%. Quanto menos cacau, mais doce é o Chocolate. A Organização Mundial da Saúde libera o consumo diário individual de 25 gramas de açúcar, o, equivalente a seis colheres de chá. Amédia brasileira: 80 gramas, três vezes mais. Há nove meses, o Ministério da Saúde fez um acordo com a indústria para a redução de açúcar na produção de alimentos. O objetivo é retirar do mercado de forma gradual; até 2022, 144.000 toneladas de açúcar em algumas categorias, como bebidas; biscoitos, bolos e lácteos. Um pacto semelhante, ocorrido em 2011 em relação ao sal conseguiu retirar 17.000 toneladas do composto de produtos industrializados. O acordo foi renovado em 2017, agora com a meta de eliminar mais 28.500 toneladas até 2020.

São decisões que, há algumas décadas soariam como anátemas, mas que, em plena revolução do paladar fazem sentido. Quem haveria de imaginar, até muito recentemente, que hambúrgueres desenvolvidos a partir de vegetais, os chamados plant-based, na expressão em inglês, seriam recebidos com felicidade até pelos mais apaixonados amantes de fast- food?

Assim é, e só chegamos a esse ponto porque a tecnologia de alimentos, pressionada pela procura do saudável, soube desenvolver mecanismos científicos que concedem gosto bom ao que se pretende do bem, e que antes, outro dia mesmo, não tinha graça alguma para a gustação. Não há exemplo mais fascinante do que a americana Impossible Foods, a dos hambúgueres veganos, que desenvolveu uma substância similar à hemoglobina presente no sangue dos animais para dar sabor à carne que não é carne. Bem-vindo aos humores do século XXI – em que não basta ser gostoso, mas também não basta só fazer bem.

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 5 – COMO OS DEMÔNIOS ENTRAM

Os demônios são personalidades más. Eles são seres espirituais. São inimigos de Deus e do homem. Os objetivos deles, nos seres humanos, são: tentar, enganar, acusar, condenar, pressionar, corromper, resistir, opor-se, controlar, roubar, afligir, matar e destruir.

Os demônios entram pelas “portas abertas”. Eles precisam de uma oportunidade. Tem de haver uma abertura, uma brecha. Em outras palavras, não se pega um demônio por andar na rua e, por acidente, encontrar-se com um deles procurando uma “casa”. Pela organização do seu reino, Satanás torna-se capaz de atacar a cada um de nós pessoalmente.

Não há uma pessoa na face da terra que escape à sua atenção. Ele tem um plano para destruir cada criatura humana. E espantoso reconhecer que você e eu somos os alvos de Satanás. Mas como é que ele consegue entrar?

O PECADO

A porta para a entrada dos demônios pode ser aberta pela própria pessoa por meio de pecados, tanto de omissão quanto de comissão. No livro de Atos, capítulo 5, lemos sobre um casal chamado Ananias e Safira. Eles venderam certos imóveis e a renda total seria destinada à igreja. Mas, sendo tomados por cobiça, resolveram ficar com uma parte do dinheiro. Para esconder esse ato, eles inventaram uma mentira. Mas, de modo sobrenatural, Pedro recebeu a palavra de conhecimento a respeito da mentira. Pedro perguntou a Ananias por que ele tinha se aberto ao diabo.

“Então, disse Pedro: Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo?” (Atos 5:3.)

Por causa do seu pecado, Ananias e Safira abriram-se para receber os espíritos de cobiça, mentira e engano. A mesma coisa pode acontecer com qualquer pessoa que peque premeditadamente.

Em Gálatas 5 encontramos uma lista das “obras da carne”, em número de 17, inclusive os pecados de adultério, impureza, lascívia, feitiçaria, ódio, ira, dissensões, inveja, homicídio, bebedeiras, etc.

Por minhas experiências em libertação, tenho encontrado demônios que correspondem a cada uma dessas classificações. Então, qual é a relação entre as obras da carne e as obras demoníacas? Quando a pessoa se rende à tentação, ela peca na carne. Por meio de tal pecado, a porta está aberta para a invasão do inimigo. Assim, ela tem um problema sério: a carne e o diabo. A solução tem duas partes: a crucificação da carne e a expulsão dos demônios.

Um exemplo clássico de uma porta aberta pelo pecado de omissão é a falta de perdão. No caso do servo (Mateus 18), ele foi entregue aos “verdugos” — os atormentadores – por não ter perdoado seu colega, depois que ele mesmo fora perdoado por seu rei.

Deus nos adverte que todos os que experimentaram seu perdão e recusam perdoar a outros serão entregues aos atormentadores. Que designação poderia ser mais clara que “atormentadores”? A falta de perdão abre a porta ao tormento, ressentimento e ódio, tanto quanto outros espíritos da mesma parentela

AS CIRCUNSTÂNCIAS DA VIDA

Os espíritos maus não têm nenhum senso de justiça. Eles nunca hesitam em aproveitar os momentos mais fracos de nossa vida. Uma criança é completamente dependente dos outros para sua proteção. Sem dúvida nenhuma, a maioria dos demônios encontrados em meu ministério de libertação tem conseguido entrada nas pessoas durante a infância. Os pais cristãos devem entender sua responsabilidade de proteger seus filhos tanto quanto a de libertá-los da opressão demoníaca.

Uma das primeiras perguntas feitas no período de aconselhamento pré libertação é: “Como eram suas relações com seus pais quando você era criança?” Na maioria dos casos, isso abre a porta para recordar as queixas contra os pais. Muitas vezes tenho ouvido respostas assim: “Meu pai era um alcoólatra”. Eles continuam relatando vários medos associados com essa situação no lar. Houve insegurança, acompanhada pela pobreza, resultado do vício do pai.

Uma criança criada num ambiente desses fica envergonhada com a situação. O jeito mais rápido para entender quais foram as portas deixadas abertas para a entrada dos demônios é ouvir a história da infância da pessoa.

O ARTIFÍCIO DA HERANÇA

Múltiplos casos têm sido encontrados nos quais espíritos maus vieram habitar nas pessoas pelo artifício da herança. Se uma criança é informada de que ela é igual aos seus pais e que vai herdar suas fraquezas, ela se torna vulnerável. Minha mãe era uma pessoa bem nervosa. Quando eu era menino, ela sofreu um esgotamento nervoso.

Fiquei com medo que sua fraqueza fosse minha herança. O medo de ficar nervoso, de fato, abriu-me a essa realidade. Meus nervos começaram a enfraquecer-se. Era como se fosse algo estranho que estivesse dentro do meu corpo, movendo-se lentamente. Fiquei muito fraco e sem capacidade para cumprir meus deveres pastorais. O médico me receitou barbitúricos, que me fizeram sentir tanto sono, que eu tinha de ir para a cama.

Meus deveres acumulavam-se e eu ficava mais nervoso ainda. Eu estava numa escada rolante, sem meio de escapar. Várias vezes, eu quase desisti do pastorado. Cinco anos atrás fui liberto do demônio dos nervos e dos espíritos relacionados com ele. Acabaram-se os nervos que engatinhavam dentro de mim e também as drogas. Os demônios que me diziam que eu tinha de ser como minha mãe eram mentirosos!

Se deixarmos, Satanás nos dará nossa herança. Mas o salmista disse de Deus: “Escolheu-nos a nossa herança” (Salmo 47:4a).

Eu conheço outros como eu, que aceitaram as mentiras e os medos proferidos pelo diabo. Muitas pessoas são derrubadas pelo medo da fraqueza mental. Porque um dos pais sofreu esse problema, o diabo diz: “Isto é sua herança”. Você sabia que alguém pode ficar tão obcecado pelo medo da doença mental que acaba ficando hospitalizado? Tenho visto muitas pessoas libertas desse tipo de medo atormentador.

Meu próprio pai faleceu de um ataque cardíaco. Minha mãe estava morrendo do coração. Tias e tios tinham falecido com a mesma doença. O diabo falou comigo que essa era minha herança. Fui ao médico para fazer um “check-up”. Ele me perguntou sobre minha família e da saúde deles. Ao ouvir que tinha doença do coração na família, ele disse que provavelmente eu sofreria da mesma maneira.

Ao fazer 46 anos, fiquei hospitalizado por dores no tórax. Quando sofri o ataque, alguém me deu um remédio e a dor passou num instante. O médico não achou nada errado com meu coração, mas tinha certeza de que eu tinha sofrido um leve ataque do coração. Dois meses mais tarde eu tive um segundo ataque. Isso aconteceu num domingo de manhã ao levantar-me.

Nessa época eu já tinha aprendido sobre a operação de espíritos demoníacos. Avisei a congregação que tinha marcado para aquela tarde uma reunião de oração, toda especial, e que eles iriam ministrar a libertação, expulsando de mim o demônio de ataque cardíaco. Isto foi há cinco anos, e nunca mais senti dor nenhuma no meu peito, e nunca mais vou sofrê-la. Não aceito a herança de que o diabo fala, mas aceito a cura e a saúde do Senhor Jesus.

“O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.” (João 10:10.)