A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

MOVIDOS PELO PENSAMENTO

Pessoas com paralisia já podem se expressar através de sistemas de decifração de pensamento, tecnologia que futuramente permitirá o controle da própria cadeira de rodas, próteses – e até músculos

Vejam só o infortúnio de Hans-Peter Salzmann. O ex- advogado de 49anos, está confinado a uma cadeira de rodas e não pode comer nem respirar por conta própria. Nos últimos 20 anos ele tem sofrido de esclerose amiotrófica lateral, também conhecida por EAL ou doença de Lou C. Chrig, moléstia degenerativa incurável que afeta as células nervosas e compromete todo o sistema motor voluntário. Para ditar palavras, Salzmann pisca seu olho esquerdo para selecionar letras de uma lista impressa numa prancha, processo entediante que exige um intérprete bastante experiente. Às vezes suas pálpebras estão muito fracas para conseguir selecionar as letras. Em alguns casos, pessoas com EAL, derrames cerebrais e outros problemas podem perder completamente a capacidade de se mexer – tornando-se uma mente em pleno funcionamento “presa” a um corpo imobilizado.

Hoje em dia, tecnologias chamadas de interface cérebro-computador, que leem aspectos da atividade cerebral e reagem a eles, começam a oferecer a pacientes como Salzmann meios de continuarem a se expressar, a despeito de suas limitações. Os sistemas permitem à pessoa usar sua mente para guiar cursores numa tela e se comunicar. Algum dia, eles talvez possibilitem o comando mental de equipamentos de controle do ambiente em uma casa, de cadeiras de rodas e de próteses “inteligentes”. Desde 1929, quando Hans Berger fez a primeira descrição do eletroencefalograma (EEC), um instrumento capaz de ler impulsos elétricos produzidos por células nervosas, especula-se que ele talvez pudesse ser usado para comunicação e controle. Eletrodos ligados à cabeça medem a diferença de voltagem, ou o potencial, entre dois pontos do cérebro. Alguns laboratórios criaram protótipos de interfaces cérebro-computador na década de 80, e os vêm aprimorando desde então.

Um desses sistemas, criados por um de nós (Birbaumer) e seus colegas do Instituto de Psicologia Médica e Neurobiologia Comportamental de Tübingen, Alemanha, é o Aparelho de Tradução de Pensamentos, que funciona segundo o princípio da bio retroalimentação.  Desde 1996 Salzmann e outros dez pacientes paralisados de diferentes partes do mundo estão testando o tradutor. Usando o aparelho para informar o status de ondas cerebrais chamadas potencial cortical lento (PCL),o paciente aprende a controlar um aspecto da fisiologia normalmente imperceptível. Ao contrário dos pulsos com duração de milésimos de segundo medidos pelo EEG, as PCLs duram vários segundos. Essa velocidade relativamente lenta faz das PCLs as ondas cerebrais mais fáceis de detectar por meios externos e de ser controladas pelo paciente. Essas ondas cerebrais não estão necessariamente relacionadas a ações ou sensações concretas, na verdade, elas correspondem ao estado geral da atividade cerebral.

Eletrodos presos à cabeça registram as ondas cerebrais, que são então ampliadas, transmitidas a um processador de controle dotado de um transformador analógico-digital e daí enviadas a um computador portátil. No monitor, é possível ao paciente observar a progressão de suas PCLs num cursor móvel. Quando a máquina lê um potencial elétrico negativo, o cursor responde subindo, um potencial positivo faz o cursor descer. O desafio é aprender conto mover deliberadamente o cursor em direção a um dos objetivos, para cima ou para baixo. Quando o paciente consegue, ele ganha um ponto e um rosto sorridente aparece – essa simples recompensa aumenta significativamente o índice de acertos. O paciente repete a atividade centenas de vezes em cada sessão. Após algumas semanas, muitos deles são capazes de guiar o cursor corretamente em 70% a 80% das vezes.

Quando perguntados como controlam suas PCLs, os pacientes dão várias respostas. Salzmann diz que, quando quer fazer o cursor subir, tenta não pensar em nada. Para abaixar o cursor, ele imagina uma situação que envolva antecipação e reação – como um semáforo mudando de vermelho para verde ou um corredor de provas de velocidade dando a largada. Outros podem pensar em palavras específicas ou tarefas anteriormente realizadas que exigiram concentração. Alguns não pensam em nada específico, mexendo o cursor da mesma forma como fariam para mover algum membro do corpo, sem fazer nenhuma associação.

Uma vez que o paciente tenha dominado como controlar o cursor, ele pode usar essa habilidade para selecionar letras na parte inferior da tela. Se a letra que ele deseja não está lá, o paciente aponta a falta dirigindo o cursor para longe do campo das letras. A cada vez que ele recusa um conjunto de letras, um novo conjunto aparece, o qual ele ou aceita ou rejeita. Cada grupo selecionado é dividido em dois, até que só reste a letra desejada. O sistema também tem uma lista de palavras de uso frequente para serem selecionadas.

Mesmo com o auxílio dessa ferramenta, pode levar quase uma hora para escolher 100 letras ou vários dias para escrever uma carta. Ainda assim, a capacidade de se comunicar sem o auxílio de um intérprete tem permitido a pacientes retomar uma parte muito importante de suas vidas.

Seria preferível tornar possíveis conversas espontâneas, mas isso exigiria grande desenvolvimento da tecnologia disponível. Com esse objetivo, nosso grupo de pesquisa em Tübingen começou a trabalhar, no início de 2000, com Jonathan Wolpaw e seus colegas do Centro Wadsworth do Departamento de Saúde do Estado de Nova York, entre outros. Juntos, criamos o BCl2000, uma plataforma flexível e universal na qual podemos testar novas tecnologias de ondas cerebrais.

Os cientistas da equipe de Wolpaw não trabalham com PCLs, mas com ondas mu, que têm frequências entre 8 e 12 hertz, e ritmos beta, com aproximadamente o dobro dessa frequência. O sistema permite a uma pessoa fazer subir ou descer o cursor pelo aumento ou a diminuição da amplitude das ondas mu ou do ritmo beta. Essas oscilações ocorrem quando o indivíduo utiliza sua capacidade de coordenação motora ou simplesmente quando ele imagina esses movimentos, uma estratégia muito usada é imaginar que se está levantando ou abaixando a mão ou outra parte do corpo.

Com a interface cérebro-computador operando por duas ondas, os pacientes paralisados podem escolher o sinal que controlam com mais precisão. Também há novos programas de interpretação que permitem a diferenciação entre mais de dois estados do cursor – por exemplo, ele também pode ser movido para a esquerda e para a direita, além de para cima e para baixo.

Outro tipo de sensor de ondas cerebrais integrado ao equipamento BCl2000 é o detector do potencial cortical P300, um breve aumento da voltagem que atinge seu máximo aproximadamente 300 milésimos de segundo após o cérebro registrar o início de um acontecimento surpreendente. Emanuel Donchin, psicólogo emérito da Universidade de Illinois, atualmente na Universidade do Sul da Flórida, tem se dedicado a estudar “potenciais corticais conectados a eventos”, particularmente o P300.

O sistema de Donchin baseia-se no fato de que o cérebro humano reage a estímulos novos de modos muito diferentes de como reagiria a estímulos já conhecidos – nesse caso, a reação à letra desejada em vez de outra qualquer.  O indivíduo foca sua atenção em um caractere específico numa matriz de letras: enquanto as linhas e colunas da matriz acendem uma após a outra separadamente, a pessoa deve contar quantas vezes a letra desejada aparece. Quando o cérebro nota que “Lá está ela!”, gera um potencial cortical 300. Um programa de computador verifica quais linhas e quais colunas produziram ondas P300, identificando desse modo a letra desejada. Estudantes sem debilidades neurológicas que participaram de testes foram capazes de selecionar até oito letras por minuto, com alto grau de precisão. Atualmente, os pesquisadores estão testando o funcionamento da interface cérebro-computador e Donchin com pacientes paralisados.

Uma vantagem desse método é que ele pode reconhecer pensamentos entre categorias predeterminadas – neste caso, letras do alfabeto – sem passar pela árdua tarefa de aprender a regular a atividade cerebral, como nos detectores de PCL, A desvantagem é que o aparelho não compreende nada do que se passa pelo cérebro que esteja fora daquelas categorias predeterminadas.

Levando a ideia de controle mental um passo além do cursor, José dei R. Millán e seus colegas do Instituto Dalle Molle de Inteligência Artificial da Percepção em Martigny, Suíça, desenvolveram uma interface que analisa padrões gerais de sinais de EEG em oito pontos da cabeça. Ele capta as diferenças de padrões produzidos ao se pensar em coisas bastante distintas. Utilizando um algoritmo da rede neural, um computador aprende a distinguir três tipos de pensamento. Assim, é capaz de acionar um comando programado com base nos padrões mentais detectados. Nas experiências, indivíduos saudáveis aprendem a dirigir um pequeno robô com rodas (um sucedâneo de uma cadeira de rodas inteligente).

Os sistemas aqui descritos dependem da mensuração de EEG das atividades de milhões de células nervosas – fazendo com que essas abordagens sejam relativamente imprecisas. O procedimento pode ser comparado à tentativa de ouvir a conversa de duas pessoas sentadas em um estádio lotado, com o uso de um microfone direcional posicionado no estacionamento. Não seria muito mais prático escutar as conversas entre células nervosas estando mais perto?

Miguel A. L. Nicolelis e seus colegas da Universidade Duke, EUA, estão tentando criar exatamente esse tipo de situação. Em 2001 eles implantaram conjuntos de multimicroeletrodos em várias regiões do córtex motor de macacos. Os macacos usavam um joystick para guiar o cursor numa tela de computador até um ponto determinado, enquanto Nicolelis media os sinais relacionados a esse movimento em até 92 neurônios motores por meio dos conjuntos de eletrodos implantados. Os macacos precisavam repetir o movimento das mãos várias vezes para que a equipe de Nicolelis pudesse calcular um algoritmo matemático que descrevesse corretamente a atividade das células nervosas individuais. Depois disso, o joystick era desligado, e o controle do cursor era deixado exclusivamente à atividade das células nervosas. Os macacos guiavam o cursor apenas com o pensamento – provavelmente por meio da visualização do caminho que ele deveria realizar.

Um avanço significativo, já que foi a primeira vez que os cientistas conseguiram traduzir um sinal neural baseado inteiramente numa visualização em movimento real em duas dimensões. Com um equipamento como esse, a leitura do pensamento pode se tornar realidade. Se a atividade cerebral for medida no momento exato em que alguém tem um pensamento, esse mesmo pensamento poderia ser reconhecido posteriormente, por meio de comparação com o registro de uma atividade idêntica.

Mas quantas das ideias que diariamente passam por nossa cabeça poderiam ser relacionadas a padrões de ativação correspondentes? Na verdade, um pensamento não é imaginado pelo disparo de apenas uma célula nervosa, mas pela atividade de estruturas celulares inteiras. Essa rede neural combina aspectos individuais de partes da informação numa impressão completa.

Por exemplo, ao entrar em um café, uma mulher imediatamente sente o desejo de tomar uma deliciosa e fumegante xícara de cappuccino, como a que ela vê no balcão. Esse desejo é representado por atividades simultâneas de várias células nervosas, alguns neurônios reagem ao cheiro do café, outros à cor e ao formato da xícara, e outros trazem à memória a lembrança de sua última xícara de cappuccino.

Para “mensurar” esses pensamentos, não basta registrar quais células nervosas estão sendo ativadas ao mesmo tempo e quais processos eletroquímicos que acompanham o evento. É necessário saber também o que essas células representam para aqueles indivíduos – por exemplo, se os impulsos neurais do hipocampo, o centro de armazenamento de memórias do cérebro, representam experiências anteriores agradáveis ou desagradáveis com cappuccino. Esse processo de reconhecimento da relação entre sinal e memória exigiria registrar a atividade de milhões de células nervosas individuais, e a obtenção de tal imagens ainda não é possível nem mesmo com as mais avançadas tecnologias de visualização e os procedimentos mais invasivos de mensuração da atividade cerebral.

Testes desses aparelhos de leitura da mente em seres humanos ainda estão muito distantes. Apesar disso, o trabalho de Nicolelis e outros criam a esperança de que interfaces cérebro­ computador permitirão algum dia a pessoas paralisadas controlar o ambiente à sua volta, e talvez até seus próprios corpos. A partir dessa ideia, Patrick D. Wolf também da Universidade Duke, construiu um protótipo de neurochip e “mochila-computador” que talvez possibilite às pessoas mover membros paralisados por lesões da coluna vertebral. Pequenos conjuntos de sensores no cérebro conectados a um chip na cabeça converteriam atividade elétrica em sinais de radiofrequência, que seriam transmitidos, sem o uso de fios, à “mochila”.  O processador transmitiria os sinais a chips nos braços e nas pernas, que estimulariam os nervos diretamente, ativando os músculos.

Ainda que estejamos muito longe de desenvolver tais capacidades, as interfaces cérebro-computador oferecem a esperança de uma vida melhor àqueles que sofrem de graves deficiências.

OUTROS OLHARES

A ERA DOS FILÓSOFOS POP

Os pensadores Mário Sérgio Cortella, Leandro Karnal e Luiz Felipe Pondé conquistam fãs ao traduzir raciocínios complexos para o cotidiano brasileiro

Eles tratam de Epicuro, Schopen­hauer e Hegel como quem lida com as ideias de Anitta, Whindersson Nunes e Bruna Marquezine. Nas redes sociais somam mais de 4,5 milhões de seguidores no Instagram, 3,3 milhões no Facebook, para lá de 300.000 no Twitter e 1,5 milhão no YouTube. São 150 palestras anuais, parte delas em teatros, com contrato médio por empreitada estimado em 25.000 reais. Juntos, já venderam 3,5 milhões de livros — 1,2 milhão de exemplares em apenas uma editora, a Planeta, que acaba de lançar Cortella & Karnal­ & Pondé — Felicidade — Modos de Usar (160 páginas, 42,90 reais), fruto de um debate recente. Bem-vindo ao mundo da filosofia pop, na expressão criada por Gilles Deleuze (1925-1995) nos anos 1970, quando o mundo ocidental começou a misturar epistemologia com história em quadrinhos. Mario Sergio Cortella (65 anos), Leandro Karnal (56) e Luiz Felipe Pondé (60) são, hoje, os três mosqueteiros do pensamento no Brasil — ladeados por um quarto personagem, o D’Artagnan da turma, Clóvis de Barros Filho, que prefacia o mais recente volume da trinca.

Não é comum que intelectuais, todos eles atuantes em universidades de ponta (USP, PUC e Unicamp), com sólida formação acadêmica, virem ídolos populares. Já houve fenômenos semelhantes, como o sucesso global de Umberto Eco (1932-2016), autor de O Nome da Rosa, o mais notório exemplo de quem fez a viagem das arcádias para o asfalto. Explosões de interesse pelos valores éticos e morais da existência humana, como aquela que Eco alimentou e os brasileiros ecoam, merecem sempre celebração por ser invulgares. Diz Luciano Marques de Jesus, professor de filosofia da PUC-­­RS: “É notável o fato de eles tirarem a filosofia da academia e a levarem para a casa, para a vida das pessoas, de forma que elas entendam conteúdos complexos”. Para Emrys Westacott, professor de filosofia da Universidade Alfred, de Nova York, “é vital que os cidadãos continuem a pensar criticamente em um mundo banhado de falsidades, e a filosofia é um antídoto contra as mentiras”.

Como não têm vergonha de ser pop, Cortella, Karnal e Pondé costumam citar personagens badalados, figuras coladas ao imaginário universal, porque essa é a regra do jogo. É um recurso de aproximação que tem funcionado, atrai leitores e faz as plateias abrir a boca de surpresa e satisfação, como diante de mágicos que tiram coelhos da cartola. Cortella dá as mãos a Guimarães Rosa, e do escritor mineiro pinça uma tirada — “Não convém fazer escândalo de começo, só aos poucos é que o escuro é claro” — para então concluir: “Isso é um sinal de inteligência imensa de alguém que conseguiu observar a vida e olhar um pouco o que significa existir. Não convém fazer escândalo de começo, só aos poucos o escuro é claro”. Karnal vai de Hamlet, de Shakespeare: “Em 2010, eu adquiri a experiência-­chave de Hamlet: fiquei órfão (…). Entendi que a perda do pai, que significa em primeiro lugar a perda de uma referência da geração anterior, faz com que você envelheça brutalmente”. Pondé bebe da frase inicial de Anna Kariênina, de Tolstói — “Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira” — para refletir: “Quem conhece o livro sabe que é a história de uma mulher adúltera que trai o seu marido porque se apaixona perdidamente por um conde e acaba pulando para debaixo de um trem. Dei um spoiler, mas Anna Kariênina não é um livro que você lê para saber o final. Você lê Anna Kariênina para saber quem você é, do que você é capaz — como qualquer clássico”.

Só aos poucos a trinca conquistou espaço no Brasil — e a fama coincidiu com os humores do país, que em 2013 foi às ruas sabe-se lá por quê, em 2015 e 2016 bateu panelas para tirar Dilma Rousseff e em 2018 elegeu a direita radical de Jair Bolsonaro. Nesse processo, tudo se esgarçou, famílias romperam e, num país rachado ao meio, tempo de homens partidos, muita gente procurou o único remédio à mão: pensar. À direita, à esquerda, não importa o matiz ideológico — basta simplesmente pensar. Parte da academia faz cara feia por não gostar de ver eméritos professores transformados em ídolos de rock, e os acusa de vender autoajuda (Jean-Paul Sartre foi rotundamente criticado por ter subido em banquinhos e empunhado megafones na Paris de maio de 1968, ovacionado pelos estudantes, mesmo que depois tenha reconhecido não ter compreendido nada: “Não pude entender o que aqueles jovens queriam, então acompanhei como deu, fui conversar com eles na Sorbonne, mas isso não queria dizer nada”). Há também, na outra ponta, quem, à procura de roqueiros cabeludos, na busca de doses palatáveis de conhecimento, alegue se decepcionar com apresentações e páginas que soam herméticas. A verdade, como sempre, está no meio. Cortella, Karnal e Pondé se alimentam dos becos sem saída brasileiros para oferecer conforto cerebral.

Embora vivam todos em São Paulo, é raríssimo que se encontrem – o que ocorre em um ou outro evento muito especial. Nunca saíram para tomar cerveja e jogar conversa fora, apesar de se conhecerem há décadas. Levam vidas apartadas, ainda que andem na mesma estrada. Foram reunidos para uma sessão de fotos e um bate-papo informal. “Um milagre”, diz Pondé. O troco irônico vem de Cortella, que brinca com a condição de ateu do colega: “E você acredita em milagres?”. É assim uma reunião de filósofos, feita de rápidas tiradas, muitos sorrisos, mas sem espaço para gracejos tolos – rir da antiga careca de Karnal e da nova barba de Pondé vale. Gostam de comentar as críticas que recebem, por considerá-las injustas, para dizer o mínimo. “É engraçado que, embora estejamos juntos em várias situações, parte das pessoas do mundo digital ache que somos “inimigos. Há uns quatro anos gravamos um programa de TV, e ele já foi editado milhares de vezes com títulos como “Pondé humilha Karnal e Cortella’ ou “Cortella arrasa Pondé”, e assim por diante”, diverte-se Cortella.

Riem, porque rir, além de pensar, ressalve-se, talvez seja mesmo a única terapia grátis que nos resta. De certo modo, ao tratar da felicidade e seus modos de usar, filosofando em português, a tríade responde a uma frase do recente romance de Michel Houellebecq, Serotonina: “Hoje em dia devemos considerar à felicidade como um sonho antigo; pura e simplesmente não há condições históricas”. Há, sim, como demonstram Cortella, Karnal e Pondé.d

OUTROS OLHARES

AFINAL, DE ONDE VIEMOS?

Estudo determina o ponto exato do nascimento do Homo sapiens e inaugura uma outra narrativa da travessia dos humanos pelos continentes a partir da África

Poucas perguntas são mais fascinantes, na antropologia, do que a indagação primordial: em que canto do planeta surgiram os primeiros humanos anatomicamente modernos, nossos parentes mais distantes, os Homo sapiens? Estudos deflagrados na década de 80 apontavam a origem para algo em torno de 200.000 anos atrás numa região próxima ao Quênia, no leste da África. Um extenso trabalho publicado na prestigiada revista Nature, divulgado recentemente, mudou o curso dessa história ao determinar, pela primeira vez, um ponto preciso no mapa-múndi da pátria ancestral. Ele fica em Botsuana, à margem do Rio Zambeze, mais ao sul, portanto, do continente africano. O lugar, nas cercanias do que um dia foi o Lago Makgadikgadi, um paraíso na terra, verdejante, de vasta diversidade de fauna e flora, hoje virou uma imensa planície deserta e salgada, avessa à vida – resultado de dramáticas mudanças climáticas. “Já sabíamos, com alguma certeza, que os humanos modernos vieram da África, mas não de onde exatamente”, diz Vanessa Hayes, geneticista do Instituto de Investigação Médica Garvan de Sydney, uma das coordenadoras da pesquisa.

A cápsula do tempo que levou à descoberta foi montada a partir da investigação do DNA mitocondrial, passado de mãe para filho, até hoje, em grupos que compõem a chamada linhagem LO. Essa família de DNA é a mais antiga encontrada entre humanos. “O DNA mitocondrial revela as mutações acumuladas ao longo das gerações. Ao sequenciá-lo, chega-se ao parentesco entre diferentes povos”, disse a geneticista Eva Ghan, coautora do trabalho.

Mas, afinal de contas, de que vale saber que nascemos em uma porção da África e não em outra, para além do espanto científico? A revelação inaugura uma outra narrativa em torno da dispersão dos humanos pelos continentes a partir do marco zero. Em laboratório, os pesquisadores foram capazes de reproduzir o clima daquela região. Intuíram vigorosas alterações no padrão de chuvas. Durante pelo menos 70.000 anos após o nascimento do Homo sapiens houve estabilidade. Deu-se a seca. Depois, 130.000 anos atrás e, posteriormente, 110.000 anos atrás, as mudanças climáticas provocadas por alterações no regime de chuvas, depois de pequenos desvios do eixo terrestre, abriram corredores verdes por onde passaram os humanos a caminho de novas plagas. “Esse projeto é sobre as pessoas que andam por aí nos dias de hoje”, resumiu Vanessa Hayes. Temos, agora, o CEP 00000 -000, de onde saímos.

GESTÃO E CARREIRA

A NOVA LIDERANÇA

Em seu novo livro, Márcio Fernandes mostra qual é a mentalidade de profissionais que, independentemente do cargo que ocupam, conseguem formar equipes engajadas, felizes e com alto desempenho. Aprenda a desenvolver esse MINDSET e torne-se um líder da nova liderança

Os millennials já são 50% do público interno de uma organização e, segundo uma pesquisa global liderada pela ferramenta de colaboração online Join.Me, nos próximos dez anos vão representar 75% da força de trabalho no mundo. Urna geração que preza pela preservação de seus direitos, escolhas e, especialmente, valores e propósito. Essa maneira mais holística de enxergar a vida (“sou o mesmo dentro e fora do trabalho”) tem transformado os ambientes organizacionais. Chefes autoritários e a máxima “manda quem pode, obedece quem tem juízo” não fazem mais sentido – e não só para a geração mais jovem, mas também para a organização como um todo. “A era mais globalizada, a revolução tecnológica e esta geração estão exigindo mudanças de comportamento. No modelo anterior, mais industrial e hierarquizado, não havia espaço para um novo líder emergir”, diz João Marcio Souza, CEO da Talenses Executive, especializada em recrutamento C-Level.

Escolas que estudavam o conceito de “liderança carismática” já descreviam líderes de sucesso com algumas características modernas. Na década de 60, por exemplo, o sociólogo Tom Burns dizia que os chefes precisavam ressignificar a experiência das equipes, trazendo sentido ao trabalho. No entanto, foi apenas nos últimos anos que essa mentalidade começou a ser praticada por líderes de diferentes organizações. “Algo mudou no contexto e na estrutura do trabalho. As relações estão mais fluidas e é dada mais importância às habilidades de relacionamento”, diz João Lins, professor na FGV- Eaesp e diretor do MBA in company, da Fundação Getúlio Vargas.

De olho nas transformações de mercado, e já tendo testado um novo modelo de liderança na prática, o executivo Márcio Fernandes, um dos presidentes mais admirados do país, lançará, em novembro, seu terceiro livro: Filosofia de Gestão Cultura e Estratégia COM Pessoas ( Portfolio-Penguin, preço a definir), que é divulgado aqui com exclusividade. Nele, Márcio apresenta o conceito de líder da nova liderança, um gestor que, por meio do equilíbrio entre a afetividade e a efetividade, consegue formar equipes que são, ao mesmo tempo, produtivas e engajadas. A boa notícia é que se tornar esse líder está ao alcance de todos – independentemente do setor em que atuem ou do cargo que ocupem.

CORAGEM PARA SER DIFERENTE

Ninguém nasce líder. Por mais que ainda exista quem acredite que essa habilidade seja inata, a prática prova que todos podem se desenvolver para ficar à frente de uma equipe. “imagem de super-herói deve ser desmitificada. Acredito que qualquer um possa liderar – um projeto, os colegas, uma área ou outros líderes” diz Márcio Fernandes. Um aspecto interessante é ser possível lidera desse jeito em qualquer caminho de carreira escolhido, não importa se a trilha tenha levado a uma atuação técnica ou gerencial. “Os líderes técnicos dominam todos os perímetros de uma área; os gerenciais, mais generalistas, precisam ter a humildade de entender que em alguns momentos, vão chefiar pessoas que sabem muito mais do que eles”, afirma o autor.

Outra boa notícia é que dá par ter a mentalidade da nova liderança até em companhias com cultura organizacional mais fechada. O importante é ter coragem para nadar na direção contrária. “Quando você é diferente em um lugar onde todo mundo é igual, é mais fácil se destacar fazendo coisas simples, como abrir o diálogo com pares e convidar outras áreas para que construa uma solução junto com você”, diz Felipe Zanola, diretor executivo da Thutor, consultoria fundada por Márcio Fernandes. “Isso faz com que as pessoas percebam em você humildade e vontade de buscar respostas assertivas. Assim, você ganha mais parceiros e mostra que dá par fazer diferente.” Mas não se engane pensando que a tarefa seja simples. Em culturas organizacionais mais impermeáveis, os desafios são maiores. É preciso enfrentar fatores como lentidão para mudança de mentalidade e falta de alinhamento cultural. No limite, a saída para pessoas que têm esse novo jeito de pensar é apenas a demissão. “Pior é quando as empresas transformam esse profissional num zumbi corporativo e o isolam”, diz Márcio.

MAIS PERTO

E quem é exatamente esse novo gestor? Uma das características principais desses chefes é não ver muito sentido nos símbolos de poder (sala grande envidraçada, elevador privativo e carrão, por exemplo). Segundo Márcio, a atual geração se preocupa mais com o ser do que com o ter. “Os novos líderes não são o chefão com a cadeira mais alta e o ‘kit frescura’ “, diz o autor. “Eles conseguem construir um ambiente de prosperidade plena e coletiva e todo mundo alcança um protagonismo tão intenso que não fica claro para quem olha de fora quem ali é o gestor.”

Isso acontece em razão de outro traço desses profissionais: o forte laço com as equipes. Para Márcio, esse comportamento é essencial na liderança, pois é por meio da proximidade que nasce a credibilidade e, consequentemente, a confiança. Claro que essa tríade só ocorrerá se houver interesse genuíno em conhecer bem os membros do time. “É importante ter a habilidade de olhar para a equipe, conhecer as preferências e valores de cada um e pensar como pode ser útil para o desenvolvimento do time”, afirma Felipe, da Thutor.

Nessa mentalidade, o chefe deixa de estar no centro para se colocar ao lado de seus liderados, identificando o que há de melhor em cada um deles e de que maneira esse potencial pode ser usado para contribuir para os resultados da companhia. “Quanto mais esse líder sobe na hierarquia, mais ele desce de andar para entender exatamente quais são as necessidades de seus liderados”, diz Marcio Souza, da Talenses.

Foi o que aconteceu com o próprio Márcio, que, em uma passagem do livro, conta como fez para lutar contra o isolamento da liderança. “Desde que havia me tornado gerente, passava o dia inteiro empilhando papel. Não tinha mais tempo disponível para participar de algum projeto desafiador. Lidar com pessoas e me envolver com estratégia, então, sem chance! Não sobrava tempo. (…) Mas, em vez de reclamar ou me conformar, abaixar a cabeça e seguir suportando, procurei alternativas. (…) Em vez de me isolar, me tornei acessível e, mais do que isso, fui pro­ativamente em busca de diálogo, de comunicação fluente, transparente e frequente. E o que encontrei foi colaboração, credibilidade e confiança em cada pessoa. O time até tolerava almoçar comigo para conversar sobre novas possibilidades e projetos para a área. Foi assim que construímos juntos a gestão do ‘nós’ e, conforme nossa produtividade e nossa eficiência aumentavam, eu ia reduzindo os controles burocráticos.”

PODER COMPARTILHADO

Além da humildade e da proximidade, outra particularidade é essencial para os representantes da nova liderança: a construção de equipes diversas. E aqui não estamos falando apenas de trabalhar com profissionais de várias etnias, gêneros e origens sociais, mas também de compartilhar ideias com quem pensa diferente – e cujas competências complementam as do gestor. “Tenho de saber para quem passo a bola quando não sou o melhor para chutar naquela posição”, diz Felipe, da Thutor.

Para reconhecer que não tem resposta para todas as perguntas, é preciso boa dose de autoconhecimento. “É necessário saber onde você tem mais dificuldade e de quem precisa a seu lado”, diz Felipe. Com um time de alta performance formado por pessoas que confiam umas nas outras e que tenham habilidades complementares, fica mais fácil para a chefia dividir o poder decisório. “Quando você compartilha a decisão, também compartilha o risco, e isso é bom”, diz Felipe.

PROTAGONISMO E BRILHO NOS OLHOS

Para encontrar equilíbrio entre a efetividade e a afetividade, os líderes da nova liderança têm muito mais “brilho nos olhos” do que “sangue nos olhos”, para usar dois clichês do mundo corporativo. Isso acontece porque, para esses gestores, a motivação parte do entendimento de que os resultados positivos são fruto do trabalho em equipe e da colaboração, e não da busca pelo destaque individual. “Estou certo de que pessoas assim sempre vão ganhar muito mais, seja satisfação, seja dinheiro”, diz Márcio.

Mas isso não significa que esses chefes sejam só paz e amor. Essa nova postura precisa se basear na justiça para o funcionário. O primeiro passo é construir um ambiente em que todos conheçam as regras e, sobretudo, sejam convidados a formulá-las. Quando os profissionais são incluídos na criação de diretrizes e valores gerais, eles compreendem por que as coisas devem ser feitas de determinada maneira. Isso gera um valor cada vez mais importante no mundo do trabalho: o protagonismo. Não é necessário cobrar resultados sem parar, pois, quando entende qual é seu papel na empresa, cada profissional faz o melhor para auxiliar no crescimento do negócio. “As metas existem e são exigentes, porém os critérios são muito claros e objetivos. Por isso, todos sabem o que fazer e são automotivados para entregar”, afirma Felipe.

Além das boas consequências para as companhias, esse modo de agir ajuda na carreira dos próprios líderes. Afinal, o mercado tem valorizado quem apresenta esse comportamento. “É um profissional que se encaixa em diversos setores por ser mais propositivo e ter habilidades de se comunicar bem e, acima de tudo, saber ouvir. As pessoas se sentem bem ao redor dele”, afirma Guy Cliquet do Amaral, do Insper. João, da Talenses, complementa: “Gestores que adquirirem um repertório compatível com essa evolução e não ficarem presos às crenças do passado terão mais chance de empregabilidade”. Quanto antes você começar a agir como um líder da nova liderança, mais oportunidades terá de fazer o bem – para si mesmo, para seus colegas e, claro, para seus liderados.

FILOSOFIA DE GESTÃO

Conheça os pilares da teoria que influencia o novo estilo de Liderança

Márcio Fernandes desenvolveu a teoria da filosofia de gestão, um estilo que propõe a transição do modelo tradicional de chefia (comando e controle) para uma liderança mais participativa. A seguir, mostramos quais são os pilares desse jeito de pensar e agir

DESPERTAR DO LÍDER

As etapas para desenvolver o estilo de liderança proposto por Márcio Fernandes

Parte do perfil de liderança vem das características individuais e outra parte vem das habilidades e competências desenvolvidas ao longo da trajetória. Assim como a personalidade de cada pessoa evolui conforme seu amadurecimento, é possível atualizar e transformar o jeito de liderar. “Vou adquirindo novas habilidades e descartando outras a vida inteira, utilizando as lições aprendidas para moldar meu caráter, evoluindo, melhorando”, diz João Lins, da FGV- Eaesp. Use o passo a passo a seguir para modelar seu jeito de chefiar.

ACREDITE

Esse é o primeiro passo da filosofia de gestãodesenvolvida por Márcio Fernandes em seu novo livro. Para ele, cada um é o líder da própria vida e é capaz de mudar para melhor, encontrando um propósito e aumentando a autoestima. em primeiro lugar, resgate a si mesmo, valorize o que você faz e o que entrega. Depois, encontre um propósito que faça sentido para você, para seu entorno e que seja bom para a sociedade. Acredite que já tem todo o potencial necessário para ser protagonista e comece a praticar com mais efetividade: Estude e refine metas e objetivos. “É assim que você conquista e até supera seus sonhos”, diz Márcio.

CONHEÇA A SI MESMO

Para trilhar um caminho de liderança é importantíssimo conhecer a si mesmo. Faça um autodiagnóstico: olhe para dentro e pense sobre suas fortalezas e fraquezas. “Todas as pessoas, até mesmo os líderes mais inspiradores, têm limitações. Por isso, é importante conhecê-las e saber como lidar com elas”, diz Guy Clique do Amaral, do INSPER. Isso será fundamental para seu desenvolvimento pessoal e, também, no momento de compor uma equipe. Lembre-se: Times de alta performance têm habilidades complementares às do gestor.

PROTAGONIZE

Desenvolva um espírito empreendedor dentro da empresa e, mesmo que não tenha ainda o cargo de gestor, chame para si responsabilidades de liderança. Uma boa maneira de fazer isso é liderar um projeto ou uma equipe multidisciplinar. E não tenha medo de sugerir essa atuação a seus superiores, pois quem age de maneira diferente costuma se destacar. “Mas sempre controle o ego”, diz Márcio.

CRIE OPÇÕES

Busque constantemente seu desenvolvimento e novas maneiras de atuar, seja para crescer na companhia, seja para trabalhar em outro local no futuro. “Muita gente boa repete os padrões existentes, seguindo pelos mesmos trilhos, por falta de opção. Não seja essa pessoa”, diz Márcio. Ter outros trilhos de carreira guardados na manga é importante para superar os desafios, como a busca por um novo emprego ou a demora de mudança de mentalidade de uma empresa mais conservadora.

PROCURE UM TUTOR

Os pré-requisitos são: Alguém que tenha interesse genuíno em você, pense diferente e o estimule a refletir. Esse tutor não precisa ser um super-herói, apenas alguém aberto ao diálogo. E saiba que você mesmo pode ser seu tutor. “A única pessoa do mundo que sempre estará disponível para te fazer pensar e que tem o interesse mais genuíno por você é você. Pergunte-se por que ainda não teve coragem de implementar alternativas que considera viáveis. Eu mesmo fiz esse exercício. A partir daí comecei a anotar coisas e vislumbrar alternativas”, diz Márcio.

CONSTRUA A PRÓPRIA ILHA

Mesmo que sua empresa adote um modelo mais tradicional de gestão e os outros líderes sejam mais hierárquicos, comece a mudança por você. Busque proximidade e encontre a convergência entre os propósitos de seus liderados e os da empresa. “Se você não tem o apoio de toda a companhia, crie uma ilha de prosperidade e felicidade em sua área. isso acabará chamando a atenção da companhia e inspirando novas ilhas (outras áreas), novos arquipélagos (diretorias) e, até um novo continente”, afirma Márcio.

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 4 – O VALOR DA LIBERTAÇÃO

Libertação é o nome que se dá ao processo de expulsar demônios. A libertação não é uma panaceia, um cura-tudo, mas mesmo assim ela é uma parte importante daquilo que Deus está fazendo em relação ao reavivamento atual na Igreja. Alguns esperam demais da libertação e outros esperam muito pouco. Com toda a honestidade temos de procurar saber o papel que a libertação pode ter em nossa própria vida e receber qualquer benefício que ela ofereça.

Aqueles que Deus colocou no ministério de libertação não têm de sair à procura de serviço. É claro que Deus está colocando no coração do Seu povo o desejo de purificar sua vida. É espantoso o número de pessoas que procuram a libertação. Muitas vezes, elas se apresentam para libertação sem saber exatamente o que estão procurando. Elas se apresentam porque estão procurando a Deus. São crentes que desejam crescer espiritualmente e sabem que todas as barreiras têm de ser derrubadas. A Igreja é a noiva de Cristo, e Cristo vem para buscar Sua noiva. As Escrituras dizem que Sua noiva tem de ser purificada.

“Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem cousa semelhante, porém santa e sem defeito.” (Efésios 5:25-27.)

A libertação é uma parte essencial na preparação da noiva de Cristo – purificando-a de máculas e de rugas. Uma vez que a Igreja que Cristo vem buscar é “santa e sem defeito”, temos de concordar que os espíritos imundos têm de ser expulsos de nossa vida. Será que essa purificação é um ato soberano do Senhor ou será que é a responsabilidade do crente?

“Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou.”  (Apocalipse 19:7.)

Este versículo enfatiza a responsabilidade humana. E nossa responsabilidade nos prepararmos para a vinda de Jesus Cristo. Parece que alguns estão esperando a vinda do Senhor em urna hora em que acontecerá neles, automaticamente, uma grande transformação, quando todas as suas deficiências serão corrigidas milagrosamente, num instante. A Bíblia diz: “… transformados seremos todos, num momento, em um abrir e fechar d’olhos, ao ressoar da última trombeta” (1 Coríntios 15:51, 52). Mas isto se refere somente ao nosso corpo mortal tornando-se imortal. Devemos evitar a interpretação demasiada desta passagem.

O trecho da carta aos Efésios, já citado, fala que a noiva é purificada por meio da “lavagem da água PELA PALAVRA”. Num sentido, isso quer dizer que fazemos nossa própria lavagem, mas noutro sentido significa que é o noivo que a faz, de modo que é Ele quem providencia a água – a PALAVRA.

Todo mundo sabe que uma noiva gasta muito tempo diante do espelho ao aprontar-se para seu noivo. A Palavra de Deus é aquele espelho diante do qual ficamos a nos preparar para a vinda de Cristo.

“Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não praticante, assemelha-se ao homem que contempla num espelho o seu rosto natural; pois a si mesmo se contempla, e se retira, e para logo se esquece de como era a sua aparência. Mas aquele que considera, atentamente, na lei perfeita, lei da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte negligente, mas operoso praticante, esse será bem-aventurado no que realizar.” (Tiago 1:23-25.)

Quando Ester foi preparada como noiva para seu rei, ela passou por um período de preparação. Pela Bíblia sabemos que ela passou um ano na purificação do corpo. Seis meses foram usados na aplicação de óleo de mirra, e seis meses com especiarias e com os perfumes e unguentos em uso entre as mulheres (Ester 2:12). O rei providenciou tudo o que ela precisava.

Essas coisas falam simbolicamente. Nosso Rei providenciou para nós a maneira pela qual purificamos nosso corpo. O óleo representa a unção do Espírito Santo. Seremos ungidos com o poder do Espírito Santo. Hoje há uma ênfase nova e refrescante nos dons e nos frutos do Espírito Santo. A noiva está-se preparando para o seu noivo.

“E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.” (2 Coríntios 3:18.)

Os demônios são inimigos dos dons e do fruto do Espírito Santo. Os demônios podem impedir o desenvolvimento deles na vida do cristão e, assim, podem impedir o crente em sua preparação para a volta do Senhor.

Por isso, a libertação que está acontecendo hoje é uma parte essencial da preparação da noiva. Por exemplo, um dos dons do Espírito é a profecia. As Escrituras dizem: “… se profecia, seja segundo a proporção da fé” (Romanos 12:6).

O demônio da dúvida ou descrença pode impedir o fluxo da fé e assim impede o fluxo da profecia. O dom de profecia pode manifestar-se em algumas pessoas somente depois que os espíritos que impedem nelas a fé, sejam expulsos. E a mesma coisa com os outros dons. Verificamos que algumas pessoas que estão pedindo o batismo no Espírito Santo não conseguem falar em línguas e outras são limitadas a poucas palavras.

Muitas vezes isso acontece por causa da influência demoníaca. Em muitos casos, a pessoa esteve envolvida em práticas ocultas, sejam elas quais forem. Tal envolvimento com o oculto, seja por inocência ou ignorância, abrirá uma brecha para a opressão demoníaca e o impedimento dos dons do Espírito Santo.

É de máxima importância renunciar e ficar liberto de tudo o que conseguiu entrada por meio do oculto. Peça ao Espírito Santo revelar e fazer-lhe lembrar cada porta que tem sido aberta por você ou por outros, durante sua vida, à opressão demoníaca.

Atingir o fruto do Espírito é um dos alvos especiais do inimigo. O primeiro, e o fruto principal, é o amor. O amor é algo para ser recebido tanto quanto manifestado. O “demônio de ressentimento” pode vencer o amor na nossa vida. Muitas pessoas não sabem por que não são capazes de amar os outros como deviam amá-los. Tal problema é uma forte indicação da presença de um demônio de ressentimento ou de falta de perdão. Geralmente, ressentimento convida outros demônios, tais como: amargura, ódio e raiva.

O amor também pode ser impedido pelo espírito de rejeição. Este espírito é muito comum, e muitas vezes é o “espírito-chefe” dentro de um indivíduo. O espírito de rejeição tem a oportunidade de entrar quando a pessoa não é amada na infância. Os pais, com muita facilidade, abrem a porta para a entrada do espírito de rejeição em seu filho quando não lhe mostram amor adequado. Quando a rejeição é forte, ela não deixa a pessoa receber o amor dos outros. Ao mesmo tempo, não deixa a pessoa amar os outros. O demônio de rejeição tem de ser expulso antes que a pessoa possa se amadurecer no amor cristão.

Se Satanás pode conseguir fazer o cristão sentir-se envergonhado por estar endemoninhado, ele também pode impedir que o cristão procure a libertação. Se, por um lado, não podemos pôr a culpa toda em Satanás e seus demônios por todos os nossos problemas, por outro, sabemos que podemos culpá-los por muito mais coisas do que imaginávamos. De fato, alguns cristãos não percebem que os demônios são os responsáveis por seus problemas. Ao sabermos que eles, realmente, entram em nossa vida, deveríamos fazer tudo para ficarmos livres deles.

Inumeráveis são os cristãos que encontram uma verdadeira ajuda por meio do ministério de libertação. Certos problemas que passaram longo tempo sem solução, quando meios tradicionais estavam sendo utilizados para solucioná-los, agora estão sendo resolvidos através do ministério de libertação. Isso nos faz pensar na razão por que temos levado tanto tempo para reconhecer essas verdades na Palavra de Deus.