OUTROS OLHARES

A VOLTA DO RADICALISMO

Grupos neonazistas propagandeiam ódio pela internet, angariando adeptos sem parar Brasil afora. Simpatizantes cresceram 200% em menos de 15 anos.

Eles estão por aí, pregando ódio, violência e preconceito nas redes sociais. No mundo real, agridem vítimas de ocasião com covardia e crueldade. No campo das ideias, interpretam fatos históricos de cabeça para baixo, se dizendo alvos de quem atacam. Aos poucos, mas de modo constante, grupos neonazistas brasileiros ganham cada vez mais adeptos e, principalmente, simpatizantes. Se em 2007 eram estimados em 150 mil, já chegam em 500 mil, de acordo com estimativas da pesquisadora Adriana Dias, antropóloga e programadora de computador que há 16 anos acompanha esses grupos pelos subterrâneos da internet. Mas já é possível vê-los em ambientes menos resguardados, como grupos de WhatsApp. Foi o que revelou o jornal Folha de São Paulo, que durante duas semanas acompanhou o grupo Fascismo Vive.

O que faz com que brasileiros, vivendo em um país miscigenado, entrem nessa? Para Dias, vale a definição do filósofo Umberto Eco (1932-2016), que viu na frustração e na falta de horizontes um campo fértil para pessoas que se sentem “desvalorizadas por alguma crise econômica ou humilhação política, assustadas pela pressão dos grupos sociais subalternos”. Mas não seria tudo. O neofascismo tupiniquim, assim como os de Portugal, Espanha e países eslavos, é diverso. “O conceito inicial é baseado nas ideias de raça e sangue surgidas no século XIX. Mas há quem pregue nazismo enquanto cultura”, afirma Dias.

Se há 20 anos um neofascista brasileiro seria menosprezado por seu congênere alemão ou austríaco, hoje a internet permite um constante intercâmbio. Isso permite que supremacistas brancos americanos que não falam uma palavra de alemão — e possuam vocabulário limitado em inglês — se sintam herdeiros do legado do hitlerismo e de suas ideias de violência extrema contra semitas e toda e qualquer esquerda política. “Se a suástica fala à sua alma, você vai entender”, pregam em chats e chans — os grupos de conversa na deep web visitadas por ISTOÉ. “Mais de 250 mil pessoas baixam conteúdo neonazista em português e cerca até 20% deles frequentam células ou eventos, como shows de bandas white power”, afirma Adriana Dias. Os grupos neonazis brasileiros têm origem entre descendentes de europeus ocidentais e, estranhamente, entre eslavos ucranianos e russos, mas avançam, criando até neonazimoreninhos. Só em Goiânia estima-se que existam 30 mil. Em Tocantins, os alvos preferenciais não são judeus — que são poucos —, mas negros, nordestinos e, novidade, caboclos e indígenas. “A situação é bem grave”.

RACISMO REVERSO

Ainda que não haja conexão direta, a eleição de um presidente de direita deixou essa turma mais afoita. Sem especificar, alguns afirmam que Bolsonaro não faz o suficiente, mesmo sem ele ter prometido nada para essa turma. Termos como “racismo reverso”, adotado pelos racistas da Klu Klux Khan, ganham espaço no vocabulário para quem critica políticas identitárias de qualquer espécie. A Polícia Federal criou um grupo de monitoramento em 2008, mas faltam recursos e pessoal. Mesmo assim volta em meia alguém é detido e processado ao cometer alguma violência. No início de agosto, em Curitiba, sete pessoas foram condenadas por racismo, associação criminosa e lesão corporal grave, com penas de 1 ano a 8 anos de prisão. Os crimes ocorreram lá em 2005. Um detalhe é perceptível. Nunca os líderes vão para a cadeia, pois fazem proselitismo virtual sem sujar as mãos

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PENSAR POR IMAGENS

Impossibilitados de se comunicar verbalmente, crianças autistas vivem num mundo próprio onde a linguagem é visual

Quando Alice entrou na sala, a cena se repetia. Seu filho de 24 anos se arrastava de joelhos, soprando um lápis pelo chão. Ela tentou a todo custo interrompê-lo, puxando-o pelos braços. Como resposta, Alexandre teve um súbito ataque de raiva e, como boxeador enfurecido, golpeou repetidamente a mãe. Os grandes olhos negros, que nos momentos tranquilos talvez indicassem alguma reflexão e fogo interior, tornaram-se, naquele instante, animados pela mais feroz expressão de ódio. Alice instintivamente colocou os braços diante do rosto, como um escudo precário. O filho recuou e deu início a uma sequência de golpes de auto- agressão, atingindo a própria cabeça com toda a força de que era capaz. A violência só terminou com a interferência de familiares.

Logo depois do nascimento de Alexandre, Alice surpreendeu-se com o fato de que ele não sugava o bico do seio. O pediatra tranquilizou-a dizendo não haver nada de errado com o bebê. Ao completar 6meses, ele ainda não acompanhava o deslocamento das pessoas com o olhar, não se fixava nos objetos e tampouco interagia com o mundo exterior. Na verdade, nem mesmo chorava como fazem as crianças quando têm fome ou estão com a fralda molhada.

Convencida de que o filho não era normal, Alice procurava uma explicação para o comportamento dele. Movimentar normalmente os membros, firmar a cabeça e segurar objetos com as mãos são sinais convencionais de bom desenvolvimento que a mãe reconhece quase instintivamente. Na idade em que a maioria das crianças balbucia “papá” e “mamã”, Alexandre não esboçava nenhuma vocalização. O diagnóstico definitivo só foi feito quando o garoto fez 6 anos: autismo.

VENDO NUMEROS

Alexandre mostrou, precocemente, enorme facilidade para cálculos matemáticos. Enquanto os colegas se esforçavam para realizar as primeiras operações numéricas, ele as executava automaticamente, multiplicando ou dividindo de forma espantosamente rápida. Apresentava o resultado não da direita para a esquerda, como é natural, mas colocava os números uns sob os outros sempre da esquerda para a direita. Fazia isso como se a operação tivesse sido primariamente resolvida na mente e só depois redigida e alinhada, com os números na ordem inversa.

Embora fosse um campeão indiscutível em matemática, era incapaz de escrever uma simples redação. Suas frases sempre brotavam a custo e sem nexo, lembrando apenas vagamente o tema proposto. Com frequência espalhava pequenos pedaços de papel onde estavam grafadas sentenças soltas, sem sentido. Anotei uma delas: “a saia amarela da Marlene”. Marlene era sua professora de piano. Perguntei a Alexandre se sabia que Marlene tinha uma saia amarela. Ele não soube responder.

Quando o filho ainda eragaroto, Alice percebeu seu profundo interesse por animais e decidiu presenteá-lo com um filhote de cachorro. Ao ver seu pequeno presente vivo, Alexandre aproximou-se dele, prendeu-o delicadamente com as mãos, envolvendo-o como nunca fizera com um ursinho de pelúcia ou qualquer outro brinquedo. A partir daí, incapaz de aceitar um abraço do pai ou da mãe, o menino procurava o cão para acariciá-lo, pegá-lo no colo, ocasião em que aparentava grande felicidade. Podia passar horas alisando o bicho, compensando a completa incapacidade de interagir com humanos com a afinidade por animais.

Esse tipo de comportamento pode ser encontrado nas confissões de Temple Grandin, uma notória autista. A despeito da doença, ela é Ph.D. em ciência animal e dá aulas na Universidade Estadual do Colorado, Estados Unidos. Temple desenvolveu grande interesse por animais e dedicou a maior parte de sua vida a cuidar deles e a desenvolver meios de amenizar o sofrimento de porcos e gado destinados a abatedouros. Numa entrevista, surpreendentemente revelou que “o gato fica perturbado com os mesmos tipos de sons que os autistas- sons agudos, assobios ou barulhos altos e repentinos”.

A propósito dessa inequívoca afinidade dos autistas por animais, Temple deu uma curiosa explicação, “Se você é um pensador visual, é fácil se identificar com animais. Se todos os seus processos de pensamento estão na linguagem, como pode imaginar que o gato pensa? Mas se você pensa em imagens…”

As poucas habilidades de Alexandre eram aquelas que, para ser executadas, exigem regras bem definidas. Sua excepcional capacidade para fazer cálculos complexos é o melhor exemplo. Comecei a testá-lo com cálculos relativamente simples. Propus, “41 x 3″ e ele prontamente respondeu “123″. Então, considerei um exercício mais complexo, “123 x 41”. “5,043”, foi a resposta escrita, imediata. Continuei insistindo: “5.043 x 321” e ele devolveu com precisos”1.618.803”.

A tarefa era executada com profunda compenetração, como se toda sua energia mental estivesse concentrada naquele ponto. Não há dispersão, não há desvio do pensamento e da atenção enquanto as regras previamente aprendidas são executadas. Essa impressionante capacidade de concentração e seletividade de alguns autistas, capaz de mergulhá-los num mundo à parte, estranho e indevassável, é relatada por Temple: “As pessoas à minha volta eram transparentes. (…) Nem mesmo um estrondo súbito me tirava do meu mundo”.

Colocar o produto de cada multiplicação na ordem inversa permanece um desafio à minha compreensão. Numa pessoa normal tal tarefa exigiria muito mais esforço mental. Temple pode ter a resposta quando diz que é capaz de pensar por imagens. Talvez seja esta a explicação para Alexandre enfileirar o resultado de seus cálculos na ordem inversa. Provavelmente ele tem a imagem dos números na mente e os coloca no papel tal qual os “vê” em pensamento.

Essa conclusão é plausível, embora não possa ser testada, pois Alexandre é um autista não verbal. E, ao contrário de Temple, jamais vai nos dizer que pode pensar por imagens.

LINGUAGEM VISUAL

Alexander Luria, o famoso neurocientista russo, estudou durante mais de 30 anos um homem cuja prodigiosa memória só é comparável ao personagem inventado pelo escritor argentino Jorge Luís Borges, Fumes, o memorioso. O paciente de Luria, embora não fosse autista, tinha a rara capacidade de pensar por imagens. Qualquer número era memorizado como sendo imagem: o número 1, a de um homem esbelto e orgulhoso; o 2, uma mulher sorrindo; o 3, um homem triste, o 6, um homem com uma perna inchada; o 7, um homem de bigodes. O personagem de Borges, em lugar de 7.013 dizia Máximo Pérez, em lugar de 7.014, A Ferrovia, (…). Em lugar de 500, dia 9.

Quem quer que tenha trabalhado com autistas, conserva a impressão muito significativa de que algo, de alguma maneira, se apoderou da mente deles. É como se uma nuvem densa tivesse envolvido seu cérebro, isolando-os e deixando-os incapazes de se comunicar com o mundo exterior. Uma muralha invisível. A barreira interposta os impossibilita de interagir com o meio e as pessoas.  A questão, se não está reduzida à falta de aquisição da linguagem, certamente tem na linguagem sua falha mais grave. É possível que os constantes ataques de fúria em autistas originem-se da completa incapacidade de se comunicar através da linguagem.

Isso sem desconsiderar que existem diferentes graus de autismo. Em alguns casos, ao final de longo treino, os pacientes acessam rudimentos de comunicação verbal. Outros, bem mais raros, se apossam de um razoável conjunto de vocábulos, palavras e frases e, se   persistentemente treinados, são capazes de desenvolver uma linguagem aceitável, a ponto de se habilitar a exercer algumas atividades, desde que monitorados e auxiliados.

Não há dois autistas idênticos. É possível que mesmo médicos ou psicólogos experientes encontrem alguma dificuldade para fazer o diagnóstico numa primeira abordagem, dependendo da forma da doença. A história colhida minuciosamente dos familiares é sempre a melhor pista. Desenhos, anotações, comportamentos são fontes para se chegar a um diagnóstico, que em geral é feito a partir do segundo ou terceiro anos de vida. Os exames complementares, mesmo os mais sofisticados, como tomografia de crânio ou ressonância magnética, pouco ou quase nada ajudam para a conclusão final.

As causas do autismo ainda hoje permanecem desconhecidas. As primeiras descrições, na década de 40, tendiam a ver a doença como uma deficiência biológica no contato afetivo. Hans Asperger propunha ser essa deficiência um erro inato, congênito, semelhante a um defeito físico ou mental, enquanto Leo Kanner defendia a ideia de que os autistas eram o resultado de maus pais. A famosa “mãe geladeira”, distante e fria. A doença só passou a ser vista como orgânica pela maioria dos médicos a partir dos anos 60. Até essa época, pelo menos algumas gerações de pais – particularmente as mães – sofreram sentindo­ se culpadas pela doença do filho.

Não restam dúvidas de que o autismo é uma doença orgânica que afeta a mente. Há fortes indícios de que seja genético, mas sua herança ainda não está completamente elucidada. Há casos em que a herança parece ser recessiva, em outros, dominante. “A semelhança da esquizofrenia, ainda não foi localizado um gene responsável pelo distúrbio, embora haja loci gênicos “candidatos”. A ideia predominante é que deve haver uma interação genética e ambiental para ambas as enfermidades. Alterações anatômicas no cerebelo, hipocampo, córtex, amígdala, septo e corpos mamilares têm sido descritas em autistas.

No que se refere ao tratamento, embora essa questão permaneça aberta, o passo mais importante é levar em conta as individualidades.  Há autistas cujas crises de fúria são tão intensas e frequentes que inibem qualquer tentativa de aproximação de um terapeuta, enquanto outros são mais acessíveis. Há outros que não emitem nem mesmo o mais rudimentar som, e também os que conseguem desenvolver uma linguagem satisfatória, alcançar algumas habilidades sociais e mesmo conquistas intelectuais altamente desenvolvidas. Alguns estudos demonstraram que a estimulação precoce está relacionada a prognóstico melhor.

AUTISMO E GENIALIDADE

Autistas com talentos singulares são raridade. Um aspecto curioso entre autistas que os desenvolveram (os chamados savantis) é que, conforme aprimoram a linguagem e a capacidade de se comunicar se expande, eles perdem gradativamente a habilidade especial que possuíam.

George e Charles, os gêmeos idênticos com síndrome de savant foram estudados por William A. Hortwitz e seus colegas em 1965, eram duas perfeitas máquinas de calcular o calendário. Podiam dizer, por exemplo, como estava o tempo no dia em que você fez 21 anos. Ou qual dia da semana seria 6 de junho no ano 91.360. Ainda mais surpreendente é o fato de que nenhum deles conseguia fazer uma simples soma, subtração, multiplicar ou dividir números com apenas 3 dígitos. Mas quando perguntados em que anos o dia 21 de abril caiu num domingo, respondiam corretamente 1968, 1963, 1957, 1946, etc. Os irmãos diziam “ver” os números na cabeça, mas insistiam não ser capazes de ver o calendário inteiro.

Mark Haddon em seu romance O estranho caso do cachorro morto, descreve seu personagem com propriedades surpreendentemente próximas do que talvez se passe na mente de um autista savant. “(…) quando as pessoas me pedem para lembrar alguma coisa, posso simplesmente pressionar Rewind, FF ou Pause como num videocassete… Se alguém diz para mim: “Christopher, como era sua mãe?” (…) posso dar um Rewind e pararem diferentes cenas e dizer como ela era em diferentes cenas.”

A distância que separa autistas e gênios parece, à primeira vista, intransponível. Mas talvez o abismo não seja tão profundo. Autistas de alto desempenho são gênios à sua maneira, ou pelo menos têm uma faceta de genialidade. Eles se veem com indisfarçável satisfação quando comparados a gênios. Temple Grandin considera que o mundo seria mais monótono e menos criativo sem eles e propõe uma desejável dose mais baixa dos efeitos desses genes para melhorar a espécie. Ela ainda chama a atenção para o fato de que Albert Einstein, Ludwig Wittgenstein e Vicent Van Gogh apresentaram alterações do desenvolvimento na infância que sugerem autismo.

Segundo Temple, Einstein só aprendeu a falar aos 3 anos e não manifestou nenhum sinal de genialidade na infância. Como muitas crianças autistas, era hábil em decifrar charadas e quebra­ cabeças. Ele próprio admitiu, “Algumas vezes pergunto a mim mesmo como pude ter sido o único a desenvolver a teoria da relatividade? A razão, segundo creio, é que um adulto normal jamais pararia para pensar a respeito de problemas de espaço e tempo”.

Quanto ao filósofo alemão Ludwig Wittgenstein, é impossível dizer de maneira categórica se ele era um autista de alto desempenho. Mas ele falou somente quando tinha 4 anos. Wittgenstein era considerado deficiente mental por muitas pessoas da própria família e não tinha nenhum talento especial. Não há dúvida de que era excêntrico. Usava uma linguagem pedante e a forma polida Sir em alemão, que significa senhor, para se dirigir a seus colegas na escola, que o evitavam e com frequência caçoavam dele. A formalidade excessiva na fala é comum em autistas com alto desempenho.

Van Gogh, quando criança e na adolescência tinha traços autistas e não apresentava o menor vestígio de habilidade especial. Gostava de jogar dados e de se isolar no campo. Um de seus biógrafos descreve as características da sua voz e maneirismos que lembram muito um adulto com tendência autista. “Ele falava com tensão e uma entonação especial na voz. Sua fala era completamente autocentrada, interiorizada e estava muito pouco preocupado com o conforto e o interesse dos seus ouvintes.”

Bill Gates é outro exemplo de pessoa com a mente altamente direcionada. A revista Time foi a primeira a fazer a conexão de que há inegáveis traços de autismo em Bill Gates. O articulista comparou os artigos de Oliver Sacks e John Seabrook publicados na revista New Yorker. O primeiro tratava de Temple e o segundo, de Gates.

Entre os traços apontados encontra-se o balançar repetitivo e a pouca habilidade social. Gates se balança durante encontro de negócios e viagens de avião, assim como crianças e adultos autistas o fazem quando estão nervosos. Ele ainda mostra grande dificuldade ou uma ausência quase completa de contato visual e tem pouquíssima habilidade nos contatos sociais. Quando criança, tinha notórias habilidades savants.  Era capaz de recitar longas passagens da Bíblia sem cometer um único erro. Sua voz tem uma tonalidade desagradável e sua aparência destoa da idade.

RAIN MAN, O FILME

Raymond Babbitt, o personagem principal de Rain Man, tornou-se o mais conhecido savant do mundo graças ao papel de Dustin Hoffmann representando­ o com uma sensibilidade extraordinária. O ator esmerou-se no papel. Para isso, incorporou maneirismos, rituais e o comportamento geral de um autista adulto estudando cientificamente o tema. Além disso, conviveu intensamente com dois autistas savants antes de interpretar o personagem. Um deles, Joseph Sullivan, 29 anos, era fascinado por números e tinha extrema facilidade com eles. Ele podia calcular o resultado de equações rápida e corretamente sem usar papel ou lápis.

Sua poderosa memória era capaz de recordar uma tabela de 36 números que lhe foi dada para estudar durante 2 minutos. Em 43 segundos, Joseph reproduziu a tabela com os números exatamente nas mesmas posições.

A cena em que Babbitt memoriza os números de telefones enquanto passa os olhos pelas páginas da lista na letra G, e depois surpreende a garçonete ao ler o nome dela no crachá e dizer em seguida o endereço e o número de telefone da sua casa (o nome dela começa com G), é similar às leituras de Joseph e sua capacidade de memorizar enciclopédias.

Rain Man retrata duas condições: autismo e síndrome de savant. Fazer esta distinção é importante porque nem todo autista é savant. A característica savant é, portanto, uma condição separada, que só aparece em alguns autistas. O repertório particular de habilidades savants exibido por Raymond Babbitt representa um compósito savant com habilidades inspiradas a partir de diferentes pessoas, entre autistas e deficientes mentais. O ponto inicial é que, embora compósito, as habilidades savants incorporadas em Raymond Babbitt existem de fato. A cena em que ele esbarra e deixa cair no chão uma caixa de palitos e, num relance, conta os 246 palitos espalhados é semelhante à habilidade dos gêmeos George e Charles com matemática.

O diretor teve o cuidado de não se afastar muito da realidade e representou ambas as condições, savant e autismo. Deixa claro, por exemplo, que o local onde Babbitt vive é um centro para tratamento de distúrbios do desenvolvimento e não um hospital para doentes psiquiátricos. Este aspecto é muito importante, pois o autismo é uma doença do desenvolvimento e não uma doença mental. Quando o médico explica ao irmão de Babbitt (Tom Cruise), que possivelmente tenha ocorrido um “dano no lobo frontal durante a vida fetal” de Babbitt ele está dizendo que autismo não é distúrbio psicológico, mas transtorno biológico.

O filme também enfatiza o aspecto, ainda não amplamente difundido, de que o comportamento dos pais durante a infância de uma criança autista pouco ou nada tem a ver com a origem dessa condição. Finalmente, Rain Man é altamente eficiente ao nos trazer a mensagem de que, ao lidarmos com deficientes, nós devemos nos acomodar às necessidades deles, em vez de exigir que façam mudanças para tornar-se exatamente como nós.

Apenas 10% dos autistas têm habilidades ou “talentos” savant. Entre eles, o número dos que tem habilidades prodigiosas como Raymond Babbitt é muito pequeno. Há nítidas diferenças entre talentos savants e prodigiosos savants. Raymond Babbitt era certamente do tipo prodigioso. Já Alexandre, nosso paciente autista, tem talentos savant, embora não seja um savant prodigioso.

A incidência da síndrome de savant é muito baixa entre pessoas com deficiência mental, condição muito mais frequente que o autismo. Embora as duas condições sejam distúrbios do desenvolvimento, deficiência mental e autismo são independentes. Pode haver coincidência entre elas, ou seja, algumas pessoas com deficiência mental podem exibir qualidades autistas, mas em geral essas duas condições têm etiologias diferentes, requerem tratamento especializado e abordagem educacional específica. As espetaculares habilidades savants são incorporadas quer seja num autista ou num deficiente mental, e a síndrome de savant existe como uma condição especial em qualquer um desses distúrbios.

O CASO NADIA

Até a publicação do caso Nádia, por Loma Selfe, em 1977, a neurologia se empenhava em conhecer o funcionamento da mente a partir das deficiências adquiridas após lesões cerebrais. O estudo de talentos prodigiosos foi um impulso para a pesquisa dos fenômenos mentais, na contramão dos estudos clássicos.

Nádia era uma garota com apenas 3 anos quando começou a desenhar. Seus primeiros desenhos representavam cavalos. Transmitiam noção de espaço, nitidez absoluta de formas, expressões, sombras e perspectiva que mesmo uma pessoa normal e muito talentosa não poderia expressar antes dos 15 anos. Enquanto uma criança começa a desenhar com rabiscos e formas primitivas, até suas representações passarem a adquirir algum sentido visual, Nádia ia direto para desenhos figurativos altamente expressivos. Oliver Sacks, a propósito do caso Nádia, chama a atenção para o fato de que nem Picasso era capaz de desenhar cavalos aos 3 anos como Nádia, ou catedrais aos 7, sugerindo razões cognitivas e de neurodesenvolvimento para explicar o fenômeno.

Nádia era uma legítima representante de um autista prodígio. Os sinais e sintomas de autismo se manifestaram muito precocemente em sua vida. Ela tinha necessidades obsessivas por coisas triviais, comportamento ritualístico, sociabilidade prejudicada, ecolalia e pobreza de linguagem. Aos 6 anos, mal conseguia combinar duas palavras para formar uma frase simples. Com frequência empregava jargões ininteligíveis e tinha episódios incontroláveis de gritos, além de ser destrutiva. Seu comportamento agitado alternava-se com extremo mutismo, lentidão e retraimento. Ela era incapaz de interagir por meio do olhar e não suportava qualquer espécie de contato físico.

PERGUNTAS SEM RESPOSTAS

O dom de Nádia era o desenho, sua deficiência era a linguagem ou a fala dela. Foi exatamente o déficit de linguagem emNádia que forneceu a base para a hipótese de Loma Selfe a respeito da sua espantosa capacidade para o desenho. Selfe postulou que a imagem visual é usada como ‘linguagem inicial’ por todos nós quando crianças. Ao amadurecermos, a linguagem visual decai pela falta de uso e é suplantada pela linguagem falada. Selfe propôs que, uma vez que houve uma falha no desenvolvimento da linguagem falada em Nádia, o mesmo não aconteceu com a linguagem visual que, ao contrário, desenvolveu-se completamente na capacidade de desenhar, compensando sua deficiência.

Aos 7 anos, Nádia entrou para uma escola especializada em autistas e sua linguagem melhorou. A habilidade para desenhar regrediu progressivamente e desapareceu. A partir daí ela raramente desenhou espontaneamente. De tempos em tempos seus cavalos apareceram, porém sem a chama ou o brilho iniciais. Embora as explicações para este fenômeno permaneçam misteriosas, este é um ponto crucial que nos adverte para a forma de abordar um savant.

Num dos meus últimos contatos com Alexandre, já com este texto em andamento, fui surpreendido no final da consulta. Ao medespedir da mãe, ela me deu um beijo na face. Logo em seguida, ele se inclinou sobre mim, imitando o gesto e resvalou os lábios sobre o meu rosto, rápida e fugazmente. Em 15 anos de entrevistas periódicas, essa foi a primeira manifestação de convívio social que ele se permitiu na minha presença. Durante mais de uma década, mal consegui meaproximar dele, restringindo-me apenas a observá-lo – enquanto ele permanecia sentado com a cabeça abaixada, muitas vezes fazendo um gesto repetitivo de rodar o polegar da mão direita envolvido pelos dedos da outra mão – e a ouvir atentamente o que a mãe tinha a dizer. Raras vezes consegui examinar seus reflexos, e quando o fiz foi de maneira bastante superficial e apenas nas pernas, pois não era preciso segura ­ las. Ele jamais aceitou que eu tocasse seus braços para examiná-los utilizando o martelo de borracha.

E agora ele me surpreendia com essa despedida, que fiquei tentado a classificar de “calorosa”, e na qual insisti em ver um sinal de afeto. No entanto, ainda me resta uma ponta de dúvida: afeto ou apenas um gesto automático, para imitar o que fizera a mãe alguns segundos antes? Talvez, e infelizmente, eu nunca venha saber a resposta.

ISOLADO EM SI MESMO

O autismo foi descrito pela primeira vez em 1943, por Leo Kanner, em Baltimore, Estados Unidos. Na mesma época, em Viena, Áustria, Hans Asperger descreveu uma forma mais branda da doença que ficou conhecida como síndrome de Asperger. Ambos, Independentemente, a denominaram autismo. Eles enfatizaram o “Isolamento mental” em que vivem as crianças autistas, e esse é o traço fundamental para reconhece-las. O significado da palavra pode ser Interpretado como “Isolado em si mesmo”. Eles ainda apresentam “uma Insistência obsessiva na repetitividade”, que se manifesta sob a forma de movimentos ou na de rituais e rotinas. O surgimento de fascinações e fixações altamente direcionadas também é mencionado. Asperger enfatizou a questão do olhar, salientando que “eles não olham diretamente para as pessoas (…) parecem absorver as coisas com olhadelas breves e periféricas”. Ninguém pode saber com certeza o que acontece na mente das pessoas. Todavia, podemos inferir o que elas pensam com base no que dizem ou fazem, no que lemos nas entrelinhas, no que nos mostram através das expressões faciais, na expressão do olhar e no seu comportamento geral. Com autistas isto não acontece. Eles não podem imaginar o que uma outra pessoa pensa.

Em 1985, Baron-Cohen, Alan Leslie e Uta Frith relataram o resultado de uma experiência simples feita com várias crianças autistas, usando crianças com síndrome de Down e crianças normais como controle. O objetivo era saber o desempenho de autistas quanto ao quesito de “saber se o autista imagina uma mente no outro”. Eles chegaram a uma conclusão surpreendente, a de que autistas, mesmo com idade mental mais elevada que os controles, falham em atribuir uma mente ou um pensamento ao outro. Os autores postularam que essa deficiência é característica de autistas, e independe do retardo mental. É o mesmo que dizer que crianças autistas têm uma espécie de cegueira para a mente. Agem como se a circuitaria neuronal, capaz de atribuir mente aos outros, estivesse danificada. Elas quase nunca fingem, são incapazes de explicar a diferença entre uma laranja e a lembrança de uma laranja, não conseguem distinguir entre alguém olhar para um objeto e tocar este objeto, podem saber o rumo do olhar no rosto de uma figura de desenho animado, mas não advinham que ele quer aquilo que está vendo.

A VOZ DA AUTISTA

Como a maioria dos autistas, Temple Grandin apresentou os primeiros sinais da doença muito cedo. Em sua autobiografia, Uma menina estranha, a descrição que faz de seu mundo é o de vivências por vezes altamente intensificadas e outras pratica mente anuladas. Ainda menina, tinha hipersensibilidade dos sentidos, e era praticamente incapaz de suportar frustrações. Quando acontecia, reagia com impulsividade incontrolável – as famosas crises de fúria dos autistas. Sua total incapacidade de se relacionar e de cumprir alguma regra social para sua idade, tornou-a, muito cedo, completamente isolada.

Quando menina, desejava multo ser abraçada, mas, ao mesmo tempo ficava aterrorizada com qualquer contato físico, como muitos autistas. Isso a fez idealizar a inusitada máquina do abraço, ou máquina de apertar, um dispositivo mecânico, em forma de V invertido. São duas lâminas retangulares, medindo cada uma, cerca de 1 metro, unidas na porção superior, formando o vértice do V. Ambas são forradas por confortável almofada de couro e acionadas por um compressor previamente regulado. O autista entra na máquina e ela o envolve suavemente, apertando-o lateralmente, como num amplo abraço.

GESTÃO E CARREIRA

MINIMALISMO PARA MUDAR DE CARREIRA E DE VIDA

Como a prática do minimalismo pode te ajudar a trocar de carreira e mudar de vida

Desde a escola até a vida adulta aprendemos de forma receptiva e não ativa. Ouvimos uma pessoa que sabe mais do que nós, professores, e fazemos provas ao fim dos semestres para atestarmos que captamos o conteúdo passado. Não somos treinados a aprendermos de forma ativa, sendo proativos, buscando o conhecimento. Isso é refletido na nossa vida profissional. Optamos por profissões em que a linha de ganhos, em reais ou em outra moeda, seja rápida e sempre ascendente.

Além da forma de aprendizado nas escolas também somos imersos a uma quantidade robusta de informações, redes sociais, e padrões de consumo e de quem devemos ser ou perseguirmos ser. Aqui entra a propaganda em massa que não é apenas direcionada a adultos mais também a crianças e adolescentes. Nessa lógica social e vigente, buscando o que não queremos, mas não se dando conta disso, entramos em um ciclo de acumularmos coisas, relacionamentos rasos, e pouca procura de nós mesmos.

Para se ter ideia em números: no ano de 1983, as companhias gastaram 100 Milhões de Dólares em publicidade para crianças. Já em 2006 essa cifra subiu para 17 Bilhões. Nesse contexto, muitos pais trabalham mais, encurtam o tempo de convivência com as crianças e muitas vezes têm profissões que não os fazem felizes.

Nesse ciclo, trocar de carreira quando se tem filhos pode ser algo impossível. Para aqueles que não são casados e não tem crianças pode parecer mais fácil, porém, mudar de profissão exige um planejamento principalmente mental e isso independe se você mora com outras pessoas, se tem família ou se é responsável por outro indivíduo.

O minimalismo consiste na ideia de menos é mais, porém, algo que muitos confundem é que a prática não é a oposição ao capitalismo e/ou ao consumo. E sim, uma mudança de hábitos no consumo compulsivo. Quantos de nós temos roupas e outros itens em casa que não tem finalidade? Ou como o próprio estudioso Joshuan Fields afirma quanto de nós temos “coisas” que não nos fazem felizes?

Aplicar o minimalismo além do seu lar pode ser algo difícil, porém, trará uma vida mais simples e pode lhe ajudar a mudar de carreira e\ou escolher uma profissão que o fará mais feliz.

Seguem 5 ações do especialista em carreira da Minds Idiomas, Fabiano Castro:

1) AVALIE CADA ITEM/COISA QUE TEM EM CASA E NO AMBIENTE DE TRABALHO
Veja se realmente você usa esse objeto, a quanto tempo não o usa, e se ele tem um propósito. Uma finalidade e/ou se lhe faz feliz. É um processo. Você não vai conseguir se desfazer de tudo o que não lhe é útil rapidamente, porém, persista. Cheque o que pode ser doado e o que tem que ir para o lixo. Aos poucos essa “faxina” no externo irá intervir no seu interno e nas suas decisões no dia a dia.

2) OBSERVE OS SEUS COMPORTAMENTOS AUTOMÁTICOS
Nós, seres humanos, somos programados para ficarmos insatisfeitos. Isso porque somos formados pelos nossos hábitos e muitas vezes não paramos para observá-los. Olhe como você utiliza o seu tempo, o que come, o que realmente veste, com quem conversa, quantas vezes olha para o celular, enfim. Somos formados por esses hábitos e ao percebermos que podemos mudá-los reprogramamos a forma como pensamos e concomitantemente podemos alterar as nossas ações. Isso fará você trabalhar melhor, planejar a sua mudança de carreira, se assim desejar, e construir relacionamentos mais sólidos.

3) CONSCIÊNCIA NO USO DA TECNOLOGIA
Um estudo da Nokia revelou que na média um indivíduo checa o seu celular 150 vezes por dia. Isso acontece, entre outras razões, porque buscamos a sensação da Dopamina que consiste no sentimento de recompensa quando retuitamos algo, recebemos cliques em uma foto, e checamos quem visualiza os nossos Stories no Instagram.

Acontece que sem o uso consciente, do tempo que destinamos por dia aos nossos smartphones, não colocamos em prática experiências realmente importantes para nós. Como um trabalho satisfatório, uma conversa realmente centrada ao que está sendo dito e ouvido, uma viagem, ou a degustação de um bom prato. Viva o presente e real, a tecnologia pode e deve ser usada, mas com consciência.

4) LEMBRE-SE QUE AS SUAS ESCOLHAS PRECISAM SER JUSTIFICADAS APENAS PARA SI MESMO, E NÃO AO OUTRO
Não é afirmação da falta de empatia, e sim ampliando o debate de que o minimalismo tem a ver intrinsecamente com o que é importante para o indivíduo. Na forma mais singular possível. Ou seja, os itens físicos e escolhas emocionais têm a ver com o propósito que isso tem para esse ser humano.

Mantenha coisas e pessoas que lhe fazem felizes e tenham uma finalidade. Isso envolve carreiras, relacionamentos, e até escolhas “banais” do dia a dia.

5) SE DÊ LIBERDADE
O minimalismo concede mais tempo, ou seja, mais liberdade. Mesmo que você more com outras pessoas e tenha que compartilhar das suas escolhas/decisões e claro entrar em acordo com os que divide o próprio teto e assim crescer como grupo faça isso por você. O minimalismo não é uma competição de quem tem menos e consegue viver com menos. É uma nova forma de viver mais. Ter mais saúde, trabalhar com o que se gosta, ter mais tempo para os filhos, amigos, e vivenciar experiências reais.

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 2 – NOSSOS INIMIGOS ESPIRITUAIS

Os demônios são inimigos espirituais, e a responsabilidade de todo cristão é enfrentá-los, diretamente, numa luta espiritual.

“Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e, sim, contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes.” (Efésios 6:10-12.)

“Porque, embora andando na carne, não militamos segunda a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e, sim, poderosas em Deus, para destruir fortalezas; anulando nós, sofismas…” (2 Coríntios 10:3, 4.)

A Bíblia usa a analogia de luta ao referir-se ao nosso combate contra Satanás e suas tropas. “Luta” é a palavra certa, pois ela indica combate corpo-a-corpo com os poderes das trevas. A maioria de nós preferiria usar um canhão para atingi-los de longe, mas isso não é possível. A luta é bem pessoal e de perto. O inimigo é espiritual, e as armas contra ele são espirituais.

A luta também sugere métodos táticos de pressão. Isto nos diz que o método usado por Satanás é o de impor pressão. Ide impõe pressão nas áreas de nossos pensamentos, emoções, decisões e em nossos corpos. Muitas vezes os crentes sentem as pressões do inimigo de uma maneira ou de outra. Quando alguém não conhece os métodos satânicos, ele se volta para os tranquilizantes, comprimidos para dormir ou ao sofá do psiquiatra. Mas o remédio divino indicado para obter a vitória sobre as pressões demoníacas é a luta espiritual.

A Bíblia nos mostra como o cristão pode impor pressão contra os demônios e vencê-los, Ele deve dispensar as armas carnais e tomar as fortes armas espirituais. O crente deve conhecer suas armas e saber como usá-las tanto quanto deve conhecer os métodos do inimigo e como vencê-lo.

A carta aos Efésios, no capítulo 6, versículo 12, nos fala de quatro coisas de suma importância a respeito de nosso inimigo espiritual.

PRIMEIRO: a carta de Paulo nos diz que nossa luta é contra PRINCIPADOS. A palavra grega para principados é “archás”. Esta palavra é usada para descrever uma série de coisas, tais como líderes, reis, majestades. Assim: uma “série” de líderes ou governadores descreveria sua posição e organização. A palavra “principados” nos diz que o reino satânico está bem organizado. Satanás é o chefe do seu reino e sob seu domínio há uma fila de espíritos de altas posições.

A palavra “principado” significa o território ou jurisdição de um príncipe ou o país que dá o título a um príncipe. Assim, vemos que esses espíritos reinantes estão designados para tomar conta de regiões como nações e cidades. Isto é esclarecido no livro de Daniel, capítulo 10. Daniel estava querendo ouvir a palavra de Deus através de oração e jejum.

Depois de três semanas, apareceu um anjo, explicando que a chegada dele com a mensagem de Deus tinha sido atrasada por causa de um encontro com o “príncipe do reino da Pérsia”. Ele não se refere a um príncipe humano, pois não há mero homem que poderia resistir a um mensageiro celeste. Ele está falando de um príncipe demoníaco.

Assim, está claro que há espíritos demoníacos, reinando, sob a direção de Satanás, sobre nações e cidades, para realizar seus fins imundos. Quando há problemas que persistem, infestando igrejas e lares, pode bem ser a indicação de que agentes maus foram ali colocados para criar problemas, Assim, descobrimos que nossa luta espiritual abrange muito mais do que nossas vidas individuais. Estamos lutando pelo bem de nossos lares, comunidades e nação. O inimigo está muito bem organizado. Seus movimentos têm um só alvo — fazer o mal.

SEGUNDO: estamos informados de que nossa luta é contra Potestades. A palavra grega é “exousías” que, traduzida, quer dizer “autoridades”. Esta palavra nos diz que os demônios, colocados sobre várias áreas ou territórios, têm autoridade para cumprir qualquer das ordens que venham a receber. O soldado cristão não precisa se desanimar ao saber que quem ele enfrenta tem autoridade, pois ao crente foi dada autoridade ainda maior. Ele está revestido com a autoridade do nome de Jesus.

“Estes sinais hão de acompanhar aqueles que creem: em meu nome expelirão demônios…” (Marcos 16:17.)

Este versículo nos diz que os que creem têm autoridade maior que a autoridade dos demônios. Os demônios são obrigados a se render à autoridade do nome de Jesus.

As Escrituras revelam que os demônios não somente têm autoridade, mas também poder. No Evangelho de Lucas, capítulo 10, versículo 19, lemos sobre o “poder” do inimigo. A palavra para “poder” no grego é ”dunamis”. Nossa palavra “dínamo” vem dessa palavra. Mas este fato não desanimará o cristão, pois ele tem a promessa da Palavra de Deus de que. ele pode ter poder ainda maior do que o do inimigo.

“…recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.” (Atos 1:8.)

O crente recebe poder com o batismo no Espírito Santo. Jesus reconhece que Seus seguidores precisam de autoridade e poder para combater o inimigo. Quando Ele enviou os doze, eles foram todos equipados.

“Tendo Jesus convocado os doze, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios, e para efetuarem curas.” (Lucas 9:1)

Um pouco mais tarde no Seu ministério, Jesus enviou 70 discípulos, dois a dois, e, quando eles voltaram, contaram do sucesso que tinham experimentado em lidar com poderes demoníacos em nome de Jesus.

“Então, regressaram os setenta, possuídos de alegria, dizendo: Senhor, os próprios demônios se nos submetem pelo teu nome! Mas ele lhes disse: Eu via a Satanás caindo do céu como um relâmpago. Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo, e nada absolutamente vos causará dano.” (Lucas 10:17-19.)

A Grande Comissão que Jesus deu à Sua Igreja proporciona a mesma autoridade e poder. Em Marcos 16:17 está dito que é para os crentes expulsarem os demônios em nome de Jesus. Esta promessa não foi limitada apenas aos apóstolos ou aos discípulos d6 primeiro século, mas é para todos os crentes de todos os tempos. A Comissão, registrada em Mateus 28:18-20, abre-se com a declaração: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto…”

Possuímos hoje a mesma autoridade e o mesmo poder para ministrar o que foi dado à Igreja no princípio. Seria pura tolice combater os espíritos demoníacos sem esse poder e autoridade. A autoridade vem através da salvação; o poder vem através do batismo no Espírito Santo.

O poder que o crente recebe por meio do poderoso batismo no Espírito Santo é visto na operação dos dons do Espírito. (Veja 1 Coríntios 12:7-11.) Tais dons do Espírito, como palavras sobrenaturais de conhecimento e o discernimento de espíritos, são indispensáveis na luta espiritual. Esse poder e autoridade em nome de Jesus são dados a fim de que o crente possa vencer os poderes demoníacos.

Um policial militar é um exemplo de autoridade e de poder. Ele se levanta de manhã e veste sua farda e os emblemas policiais. Todo mundo reconhece sua autoridade pelo uniforme e emblemas. Mas há pessoas que não respeitam a autoridade, seja ela qual for. Por isso, o guarda usa o cassetete dum lado e o revólver do outro. Agora ele tem o “poder” necessário para reforçar a sua autoridade. Da mesma maneira, o cristão será um tolo se tentar combater as forças demoníacas sem autoridade e poder.

Não devemos ficar esperando que Deus venha em nosso socorro. Não é hora de orar para que Deus providencie o poder e a autoridade. Ele já providenciou nossa salvação e nosso batismo no Espírito Santo. Deus está esperando que reconheçamos que Ele JÁ providenciou tudo o que é necessário e que é para entrarmos na luta, tornando-nos a Igreja militante da profecia:

“Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” (Mateus 16:18.)

TERCEIRO: Aprendemos que lutamos contra “os dominadores deste mundo tenebroso”. A palavra grega para “dominadores deste mundo” é “kosmokrátoras” que pode ser traduzida como “príncipes deste século”. Tal designação do inimigo enfatiza sua intenção de controlar. Nas Escrituras, Satanás é conhecido como “o deus deste século” (2 Coríntios 4:4).

Quando Adão caiu por seu próprio pecado, Satanás ganhou domínio sobre o mundo. Jesus não negou quais as pretensões de Satanás feitas durante o período de tentação no deserto.

“E lhe disse: Tudo isso te darei se, prostrado, me adorares.” (Mateus 4:9.)

É de máxima importância que reconheçamos Satanás como um inimigo vencido. Ele não tem poder nem reino. Temos todo o direito de tratá-lo como um transgressor.

Vamos supor que você é o proprietário de um terreno todo arborizado. Como dono, você coloca uma placa dizendo “ENTRADA PROIBIDA”. Isso significa que você é dono e tem o direito legal de proibir a entrada de estranhos. Aparece um caçador. Ele não liga para a placa e a transgride. Quando você o descobre, manda-o embora. Ele não tem o direito de ficar.

É importante que entendamos que os espíritos demoníacos não têm o direito legítimo de ficar no cristão. Eles transgridem, mas, quando tomamos a iniciativa e os mandamos embora, eles devem sair.

Jesus explicou Sua habilidade em expulsar os demônios nestas palavras:

“… E se eu expulso os demônios por Belzebu, por quem os expulsam vossos filhos? Por isso eles mesmos serão os vossos juízes. Se, porém, eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente é chegado o remo de Deus sobre vós. Quando o valente, bem armado, guarda a sua própria casa, ficam em segurança todos os seus bens.

Sobrevindo, porém, um mais valente do que ele, vence-o, tira-lhe a arma- dura em que confiava e lhe divide os despojos.” (Lucas 11:20-22.)

Jesus declarou que a armadura do “valente” foi tirada. Isto significa que Satanás está completamente sem defesa. A expressão “toda sua armadura” é a palavra grega “panoplía”. Panoplía é usada mais uma vez no Novo Testamento. Em Efésios 6:11 o cristão é exortado a revestir- se de TODA A ARMADURA de Deus. Assim, o cristão não tem ponto vulnerável, enquanto o diabo é vulnerável em tudo!

Satanás ainda está tentando dominar o mundo, e temos de afirmar que ele tem progredido bastante na realização de seu alvo. Por quê? Porque a Igreja não tem se levantado na autoridade e poder, que é a sua herança. Mas, nestes dias, uma grande parte do corpo de Cristo está começando a entender o inimigo; está tomando a sua própria armadura espiritual; e está tomando a ofensiva contra Satanás e suas hostes. Quanto mais os cristãos entram na luta, tanto mais Satanás perderá.

QUARTO: As Escrituras dizem que lutamos contra as “forças espirituais do mal nas regiões celestes”. A frase-chave aqui é de caráter injurioso ou destrutivo. Estes poderes têm só um objetivo -_o mal. Eles podem aparecer como anjos de luz e, por ilusão, atraírem muitas pessoas para as redes da destruição. Jesus expôs seus maus objetivos nestas palavras:

“O ladrão vem somente para roubar, matar é destruir…” (João 10:10a.)

Estas quatro expressões de Efésios 6:12 têm-nos dado um quadro vivo do reino satânico. Está bem organizado para alcançar os seus objetivos. Os poderes demoníacos estão colocados em ordem e autorizados por Satanás a controlar o mundo inteiro, enchendo-o com maldade perniciosa. Não há vantagem nenhuma para nós ignorarmos as forças e os métodos de Satanás. Isto deixa Satanás operar como sempre — oculto e sem oposição. O fato de não nos envolvermos na luta espiritual contra ele sugere que não nos importamos com aquilo que acontece conosco, com nossos queridos, com nossa comunidade, com nosso país OU com o mundo.

A maioria dos cristãos não se envolve na luta espiritual por falta de orientação ou de reconhecimento da importância da luta e de como entrar nela. Hoje Satanás está ostentando seu poder por meio do espiritismo de todo tipo, horóscopos, seitas, etc. a Igreja está sendo forçada a examinar novamente seus próprios recursos.