A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O DEUS INTERDISCIPLINAR

Neurobiólogos procuram no cérebro pelo todo-poderoso. Mas apenas a estreita colaboração com as ciências da mente poderá tornar mais compreensíveis a religião e a experiência religiosa

“O Senhor é meu pastor; nada me faltará.

Deitar-me faz em pastos verdejantes; guia-me mansamente a águas tranquilas. Refrigera a minha alma; guia-me nas veredas da justiça por amor do seu nome. Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte…” O jovem estudante de química segue repetindo os versos do Salmo 23, embora se defina como uma pessoa não religiosa. Não está sentado num banco de igreja, mas repousa imóvel numa maca, a cabeça enfiada num tubo de metal onde, nesse exato momento, ímãs gigantescos circundam seu cérebro. Não, Christian S. não foi sequestrado por extraterrestres, ele se encontra no laboratório da Universidade Heinrich Heine, em Düsseldorf, Alemanha.

Ali, em 2000, a neurocientista Nina Azari realizou um experimento com seis ateus declarados e seis crentes – cristãos praticantes e membros de uma comunidade evangélica independente. Todos apresentaram-se voluntariamente. A questão crucial era, o cérebro do crente trabalha de modo diferente daquele do não crente?

Investigar se a “religiosidade” possui ou não um correlato cerebral constitui o centro de um ramo recente da pesquisa que, com certa infelicidade, é chamado de neuroteologia. A designação decerto remonta a James B. Ashbrook, Seminário Teológico do Garret -Evangelical, de Evanston, no estado americano de Illinois. Em 1984, esse estudioso da religião publicou um artigo na revista científica Zygon, intitulando-o “Neurotheology, the working brain and the work of theology”. Desde então, o conceito de neuroteologia circula pelos meios especializados. Contudo, tendo se transformado em palavra da moda em plena ascensão, ela confunde mais que explica, trata-se de uma designação problemática. O prefixo neuro parece, de fato, indicar uma subdivisão bem definida do conhecimento, da mesma forma que, por exemplo, astrofísica designa um ramo da física. Mas, ao contrário do que o nome sugere, a neuroteologia não trata de teologia, no sentido clássico do termo (ver glossário abaixo), e sim da investigação, por meio de técnicas neurobiológicas modernas, de determinados processos cerebrais presentes em experiências “religiosas”.

Como, aliás, no laboratório de Nina Azari. A fim de seguir a pista das bases neuronais das experiências religiosas, a pesquisadora solicitou a seus voluntários que lessem e relessem não apenas o Salmo 23, mas também uma quadrinha infantil e insossas instruções para a utilização de um cartão telefônico. Ao mesmo tempo, a atividade cerebral dos voluntários a cada leitura foi registrada com o auxílio da tomografia por emissão de pósitrons (PIT). Nesse procedimento de diagnóstico por imagens, a atividade de regiões isoladas do cérebro pode ser visualizada graças a marcadores radioativos.

Um teste psicológico prévio já havia atestado valores semelhantes para todos os voluntários no que se refere a seu grau de satisfação geral com a própria vida. Contrariamente aos céticos, no entanto, os seis crentes informaram possuir em seu passado uma experiência decisiva de conversão, algo que mudara sua vida.

O resultado da experiência mostrou que os ateus reagiram de forma emocional à tão familiar quadrinha infantil, o que se revelou pela elevação de atividade em seu sistema límbico – ou seja, na região cerebral responsável por nosso universo emocional. Aos cristãos, por sua vez, recitar a quadrinha proporcionou prazer menor, segundo declararam. Em compensação, e à diferença dos descrentes, a repetição continuada do salmo bíblico alçou-os a um “estado religioso”, como o denominaram. Nesse caso, áreas bem diferentes do cérebro foram ativadas – mais especificamente, o circuito frontoparietal do córtex cerebral, necessário aos processos do pensamento. Conclusão, a experiência religiosa é evidentemente, e antes de mais nada, um processo mental.

Mas, porque, então, ela é sentida de forma tão imediata? Cristãos praticantes e adeptos de outras religiões têm uma base de saber alimentada por sua crença. Ao se verem numa situação a princípio desconhecida, em que não está claro o que se deseja deles ou o que devem fazer, buscam apoio – como, de resto, todas as outras pessoas. O que ocorre é que, nos crentes, intensifica-se a disposição de enxergar a situação momentânea num contexto religioso, seja ele de que natureza for.

No experimento mencionado, o impulso para tanto foi fornecido pelo Salmo 23 da Bíblia, que, argumenta Azari, desempenha papel importante para cristãos. Em retrospecto, os crentes aplicam o carimbo de “religioso” à situação indistinta da experiência de laboratório. Em razão de sua receptividade básica para experiências religiosas, eles assentem de forma imediata. Com os ateus é diferente, quem não possui abrigo em tal sistema religioso tampouco poderá recorrer a ele para interpretar a situação. A essas pessoas, portanto, o Salmo não diz nada em especial e, assim sendo, não desencadeia um estado religioso. Por trás das experiências religiosas estaria, portanto, nada mais que um processo cognitivo? Penso, logo creio?

O neurobiólogo Jeffrey Saver, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, vê no sistema límbico o deflagrador das experiências religiosas. Essa região do cérebro vincula experiências vividas a nosso universo emocional. Vemos, por exemplo, um filho marcar gol numa partida de futebol e compartilhamos com ele da alegria por seu sucesso. Nas experiências religiosas intensas, o sistema límbico mostra-se particularmente ativo, conferindo grande peso ao vivido. Talvez por isso essas experiências sejam tão difíceis de descrever, são vividas com intensidade tão extraordinária que fogem a qualquer descrição. Apenas o conteúdo do vivido e a sensação de ter passado por uma experiência importante admitem expressão verbal.

Uma outra tentativa de decifrar os fundamentos neurobiológicos da religiosidade resultou da leitura de textos antigos pelos neuroteólogos. Já Hipócrates, no século V a.C., caracterizava a epilepsia como doença sagrada. Quem, senão Deus, poderia jogar no chão seres humanos, contorcê-los e até cegá-los temporariamente, como costuma ocorrer nos ataques epiléticos?

Também hoje médicos aventam a possibilidade de distúrbios epiléticos terem sido os deflagradores de certas experiências de conversão transmitidas até nós. Como no caso de Maomé, por exemplo, a quem Alá falou por intermédio de um anjo, ou no da heroína francesa Joana d’Arc, a quem uma voz divina ordenou que libertasse a França dos ingleses. Também sobre o apóstolo Paulo pesa a suspeita da epilepsia. “Mas, seguindo ele viagem e, aproximando-se de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu, e, caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, porque me persegues? Ele perguntou,

Quem és tu, Senhor? Respondeu o Senhor, Eu sou Jesus, a quem tu persegues, mas levanta-te e entra na cidade, e lá te será dito o que te cumpre fazer” (Atos 9. 3-6).

Aos olhos de muitos intérpretes modernos, o que se descreve aí, de modo muito vívido e preciso, é a conhecida epilepsia. Terá sido Saulo, portanto, um paciente neurológico que, a caminho de Damasco, sofreu um ataque de particular intensidade, tomando-se assim um precursor do cristianismo para além das fronteiras de Israel?

Observações realizadas hoje em epiléticos parecem sugerir que uma pequena região de seu cérebro responde por um papel excepcional no tocante a experiências religiosas, o lobo temporal. Para ali convergem todas as informações sensoriais, motoras e espaciais do corpo. Em regiões mais profundas do lobo cerebral encontra-se o hipocampo, componente do sistema límbico que constitui uma espécie de posto de censura na cabeça, é ele que decide se uma informação será armazenada ou esquecida.

Em meio à torrente contínua de sinais que nos chegam do mundo à nossa volta, esse é o filtro que nos possibilita manter o olhar voltado para o essencial. Se, pelo contrário, a autocensura é desativada – por exemplo, pelo jejum, pela privação do sono ou por ‘estados de êxtase’ -, o cérebro pode estabelecer relações inusitadas. No caso dos portadores de epilepsia temporal, o censor cerebral poderá ter sofrido lesões decorrentes dos ataques, razão pela qual os pacientes são regularmente atormentados por “iluminações”.

O neurologista Vilayanur Ramachandran, diretor do Centro do Cérebro e Cognição da Universidade da Califórnia, em San Diego, é especialista de renome nessa área de pesquisa. Certo dia, apareceu em seu laboratório um epilético chamado Paul. Na conversa com o médico, Paul descreveu de forma extasiada seu primeiro acesso, ocorrido aos 8 anos de idade: “Clareza, pura visão do divino – sem categorias, sem limites, apenas a unidade com o divino.

O ímpeto investigativo do neurologista despertou de imediato. Ramachandran perguntou-se porque justamente os portadores de epilepsia temporal eram tão sensíveis a estímulos religiosos. “Porque suas visões sempre dizem respeito a experiências supra sensoriais, e não a, digamos, porcos ou burros?”

Com o intuito de esclarecer se as sensações avassaladoras eram produto exclusivo de ataques epilépticos nos lobos temporais ou, antes, de um estado geral de excitação cerebral, o  neurologista confrontou portadores de epilepsia temporal com imagens diversas –  instantâneos neutros de paisagens, fotografias eróticas, cenas de violência, entre outras – , bem como com palavras e símbolos religiosos. Mediu, então, o grau de excitação de seus voluntários com base no correspondente aumento da condutibilidade elétrica da pele.

Se nas pessoas saudáveis a reação mais intensa foi às imagens que atuam sobre as emoções, tais como os nus e as cenas de violência brutal, no caso dos epiléticos, ao contrário, foram as representações religiosas que proporcionaram as reações mais vigorosas.  Ramachandran confirmou, assim, a suposta relação entre a hiperatividade do lobo temporal e uma elevada predisposição para o pensamento religioso de forma geral. De modo algo chamativo, talvez, mas em compensação muitíssimo eficaz no que diz respeito aos meios de comunicação, o neurologista acabou por dar a essa área do cérebro o nome de “módulo divino”, designação que decerto não soa de todo científica. De suas observações dos epiléticos, Ramachandran tira uma conclusão inequívoca. “Evidentemente, o cérebro humano possui circuitos que participam das experiências religiosas e que, em alguns epiléticos, se tornam hiperativos”.

Muito mais que isso, porém, não se pode deduzir das experiências do neurologista. Afinal, o fato de se vivenciarem experiências divinas no lobo temporal esquerdo não diz rigorosamente nada acerca, por exemplo, da existência ou não existência de um ser supremo. “A nós, pessoas ‘normais, ‘Deus concede apenas de vez em quando a visão de uma verdade mais profunda. Esses pacientes, pelo contrário, gozam do privilégio único de, a cada ataque epilético, olhar diretamente no rosto de Deus”, constata Ramachandran, e acrescenta a sua constatação a pergunta: “Quem desejaria decidir se essas experiências são ‘genuínas’ ou ‘psicológicas” Você trataria de fato um tal paciente, privando o Todo- poderoso de seu direito de visita?

O neurologista não é o único a atribuir ao lobo temporal significado especial no tocante às experiências supra sensoriais. O fisiologista e psicólogo Michael Persinger, da Laurentian University, em Sudbury, Canadá, procura Deus também no cérebro humano. Embora os resultados de sua pesquisa tenham sido publicados já há mais de 20 anos, ela só atraiu a atenção de um público mais amplo na esteira do redobrado interesse neuroteológico. Valendo-se de um capacete especialmente adaptado, Persinger fez estimulação magnética dos lobos temporais de seus voluntários. O cientista chegou a experimentar o “capacete divino” em si próprio e, desse modo, vivenciou pela primeira vez na vida a “presença de Deus”, conforme declarou mais tarde. Típico dessa espécie de experimento é que os voluntários posteriormente registram o que viveram em linguagem religiosa tradicional.

Persinger conclui daí que a experiência divina relaciona-se à uma instabilidade elétrica passageira na região do lobo temporal. Também isso, contudo, apenas confirma a existência de uma relação entre o cérebro e as experiências religiosas, e nada mais.

Hoje, a pesquisa em neuroteologia apresenta-se associada em especial aos nomes de dois cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade da Pensilvânia: Andrew Newberg, professor de radiologia, e Eugene d’Aquili, psiquiatra falecido em 1998. Dois de seus livros de divulgação científica contribuíram em grande medida para deflagrar o atual florescimento da neuroteologia.

Nesses livros é descrita, por exemplo, a experiência com Robert, budista praticante de meditação tibetana. Ao meditar, o jovem acende um incenso com odor de jasmim, acomoda-se no chão e cruza as pernas na chamada posição de lótus. Em seguida, lança-se a uma viagem interior. Robert, relata que, ao fazê-lo, sua consciência entra em repouso, ao passo que uma parte mais profunda e singela de seu eu vai pouco a pouco se manifestando. Essa porção, ele a vê como seu eu interior, o cerne verdadeiro do seu ser. Nesse estado, imperam a temporalidade e infinitude totais. Robert já não é apenas ele mesmo, e sim parte de tudo que existe.

Relatos subjetivos como esse são de pouca valia para as ciências naturais. A fim de dar à experiência religiosa de Robert uma forma que lhes fosse útil, Newberg e d’Aquili tiveram a ideia de fixar num instantâneo o momento dessa transcendência mística. Para tanto, o zen-budista deveria puxar uma corda quando atingisse o ápice espiritual de sua meditação. A outra ponta da corda estaria presa a Newberg, que, ao sinal recebido e com o auxílio de uma comprida mangueira, injetaria uma substância levemente radioativa na veia do braço esquerdo de Robert. A substância, um marcador, movimenta-se pela corrente sanguínea e, em pouquíssimo tempo, deposita-se nas células cerebrais, onde permanece por horas. A irrigação sanguínea acentuada de determinada região do cérebro conduz, então, a um sinal radioativo mais intenso ali, o que sinaliza aos cientistas o aumento da atividade naquela área específica.

No caso de Robert, o que se verificou no início da meditação foi uma atividade intensa, mas   normal, na porção superior do lobo parietal.A tarefa dessa região consiste na “orientação do indivíduo no espaço físico”, nas palavras de Newberg.  “Esse ‘campo de orientação’ nos permite diferenciar com clareza o indivíduo de tudo o mais. Sua tarefa é apartar o eu do não-eu infinito que compõe o restante do Universo. Para tanto, depende do fluxo continuo de informações provenientes de todos os sentidos do corpo.

No ápice da jornada meditativa de Robert, porém, a atividade desse campo de orientação sofreu redução drástica. Newberg e d’Aquili supõem, portanto, que essa região cerebral se fez temporariamente “cega” para os dados provenientes dos sentidos – uma possível explicação para a sensação de Robert de, no auge de sua meditação, não mais constituir uma “unidade isolada”, mas “estar ligado de forma indissolúvel à totalidade da Criação”.

A experiência foi repetida com outros budistas em meditação e com freiras clarissas durante suas orações. E, de fato, o efeito não revelou restrito a uma única crença: em momentos da mais profunda meditação religiosa, o campo de orientação se faz cego. Mais uma vez, no entanto, o resultado da experiência nada diz acerca do conteúdo de verdade da crença ou de certos dogmas de diferentes religiões.

Por isso mesmo, “antes de nos aventurarmos a introduzir procedimentos de diagnóstico por imagens com fins localiza dores nos domínios da experiência religiosa e da neuroteologia, haveria ainda numerosas questões a esclarecer’, adverte Detlef Linke, diretor do Departamento de Neuropsicologia Clínica e Reabilitação Neurocirúrgica da Universidade de Bonn. É preciso saber, por exemplo, se, nas regiões cerebrais ativas, predominam células inibidoras ou ativadoras. Além disso, que relação o consumo de energia medido guarda com o processamento da informação? Não é possível que tenham aí papel decisivo mecanismos processadores de informações que demandam muito pouca energia? Em se tratando do ser humano, pode-se, afinal, falar em estado cerebral inicial ou de repouso ao qual comparar um estado ativo?

E, a tudo isso, junte-se ainda o fato de que resultados obtidos de procedimentos mensuradores baseados em imagens devem, antes de mais nada, ser interpretados pelos pesquisadores. Nisso sempre interferirá o ponto de vista da linha de pesquisa em questão ou mesmo do próprio pesquisador – ele pode influenciar a conclusão.

A pesquisa neuroteológica em particular precisa atentar para não ultrapassar as fronteiras que separam os resultados das experiências da interpretação dada a eles. Do contrário, sempre correrá o risco de inflar descobertas empíricas à condição de hipóteses sistemáticas. De resto, afirmações acerca de Deus não se deixam extrair com base numa condutibilidade maior da pele ou na alteração da atividade verificada em determinada região do cérebro. O Todo-poderoso decerto não estará alojado no lobo temporal. Formulações sensacionais desse tipo antes prejudicam do que beneficiam a imagem de um ramo nascente de pesquisa.

Outra deficiência das pesquisas de Newberg e d’Aquili constitui-se na redução da religião a meditação e orações. “Com certeza, religião é mais do que apenas um estado emocional vivido em sua plenitude”, sentencia Linke. Como a pesquisa neurocientífica tem por objeto indivíduos e sua atividade cerebral, ela não poderá tratar de religião, e sim da “religiosidade” do ser humano. Assim sendo, uma designação mais acertada para esse ramo de pesquisa seria “neurobiologia” ou “neuropsicologia da religiosidade”. Mas o que significa de fato o adjetivo “religioso”? Quando se auto classificam como “religiosos” ou “não religiosos”, todos os voluntários das experiências neuroteológicas querem dizer a mesma coisa? No uso cotidiano da língua, “religioso” é por vezes empregado como sinônimo de “pio” ou “cristão”.  Contudo, embora não esteja de todo errado, esse não é o significado preciso do adjetivo.

Para o futuro, portanto, cumpre desenvolver um conceito único de religiosidade para todas as linhas de pesquisa que se ocupam das questões neuroteológicas. Somente então estaremos, tanto quanto possível, a salvo de mal-entendidos.

Da mesma forma que “sentir” foi pouco a pouco se juntando ao “pensar”, como objeto da atenção das ciências naturais, também o “crer” poderá fazê-lo agora. Esse seria o grande mérito de uma nova neuroteologia, que abordasse os fundamentos da experiência religiosa com base em um conceito integrado de religiosidade e de forma interdisciplinar.

GLOSSÁRIO

OUTROS OLHARES

A CARTEIRA DE TRABALHO

Em tempo de uberização do emprego e da economia do quebra-galho, a MP da Liberdade Econômica sepulta o “passaporte do cidadão de bem”

Não será uma despedida fácil. Símbolo de uma série de conquistas sociais, a carteira de trabalho está com seus dias contados, pelo menos como a conhecemos hoje. Será uma lenta agonia até a extinção. Aos 87 anos, o documento de papel azul timbrado, guardião das anotações de emprego e que materializa as garantias trabalhistas dos brasileiros, começará a ser substituído gradativamente. Suas características originais, que fazem parte do imaginário coletivo de amparo social e acesso à cidadania, não serão preservadas pela versão contemporânea digital e verde e amarela instituída pela Medida Provisória (MP) da Liberdade Econômica.

Filha biológica e uma das principais fontes de prestígio e carisma do presidente Getúlio Dornelles Vargas, a caderneta ajudou a forjar a imagem de pai dos pobres de seu criador e representava o papel forte do Estado na intermediação da relação entre empresas e trabalhadores. Vargas, numa ação de marketing bem-sucedida, fez da carteira de trabalho a fiel depositária dos direitos do trabalhador. Não por acaso, sorrindo, o presidente estampava a foto do primeiro documento, na imagem mítica da carteira profissional como trabalhador número 1 do Brasil.

A infância da carteira de trabalho ocorreu em um país extremamente rural, a vislumbrar uma indústria nascente, que ganhava importância em reação às dificuldades de importação de produtos da Europa, a partir da Primeira Guerra Mundial. A abolição formal da escravidão – apenas 43 anos antes da criação do documento – lançara um grande contingente de mão de obra barata e despreparada ao mercado. O país buscou mão de obra qualificada estimulando a atração de imigrantes, operação facilitada pelo ambiente belicoso na Europa. Assim, com forte presença de ex-escravos e de imigrantes, nasce a categoria brasileira dos trabalhadores urbanos e profissionais liberais. A partir deles, formam­ se os primeiros movimentos sindicais.

A Carteira Profissional nasceu em 21 de março de 1932. A assinatura do Decreto 21.175 tornou o documento obrigatório a todas as pessoas maiores de 16 anos que desejassem trabalhar. Com a popularidade em ascensão, ajudou a reorganizar o processo de urbanização e industrialização tardia, além de inaugurar uma série de novos costumes para grande parte da população.

A obrigatoriedade do documento produziu uma corrida de trabalhadores a estúdios de imagem, em busca do retrato 3×4 que os identificaria no documento. Frequentemente, dias após o 3X4, os retratados voltavam ao estúdio para obter um registro de sua família. A carteira de trabalho guarda também uma função diferente da caderneta profissional a que sucedeu, porque representava a cidadania. “Tornou-se a identidade do trabalhador nacional. Ela foi a base do conceito de cidadania social associando o salário ao conjunto de direitos protetivos. E, claro, muito ligada à indústria e ao processo de industrialização tardia”, explicou o professor Ruy Braga, da Universidade de São Paulo (USP), especialista em sociologia do trabalho.

“A década de 30 completa um ciclo que começou com as greves de 1917, especialmente em São Paulo, e o movimento tenentista dos anos 20, com um impulso de modernização do Estado, que envolvia o trabalhador urbano. Não é uma relação puramente monetária, mas organiza uma série de direitos, inclusive previdenciários”, avaliou Braga.

Onze anos depois do nascimento da carteira de trabalho, Vargas entrou para a história com uma das medidas mais emblemáticas de sua administração: a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Era manhã de 1° de maio de 1943, em pleno período autoritário do Estado Novo, quando Vargas sancionou a Lei 5.452, no Estádio de São Januário (do Club de Regatas Vasco da Gama), incentivando a tradição de celebração do Dia do Trabalho no Brasil.

Em 1969, a Carteira Profissional foi substituída pela Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS), que garante acesso a direitos trabalhistas como seguro-desemprego, aposentadoria e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Seu caráter obrigatório foi estendido aos trabalhadores dos setores agrícola, pecuário e doméstico.

A realidade contemporânea impõe a discussão sobre a necessidade de um novo arcabouço jurídico para dar conta de uma tendência inexorável de relações de trabalho – mais flexíveis e sem contratos fixos. A reforma trabalhista de 2017, que alterou mais de 100 pontos da CLT, e a MP da Liberdade Econômica abrem uma era menos afeita aos direitos dos trabalhadores.

Paralelamente a mudanças pautadas pelo avanço tecnológico, a crise econômica aguda e prolongada preparou o terreno para as discussões em torno da necessidade de modernização do arcabouço jurídico de amparo e proteção ao trabalhador. A flexibilização, proporcionada pelas novas relações virtuais, avançou sobre a legislação trabalhista. No terreno empresarial arenoso, ganharam espaço a terceirização, a pejotização (contratação do trabalhador como pessoa jurídica) e remuneração e jornadas flexíveis.

A imposição de uma nova economia do mercado de trabalho autônomo e informal e da “uberização” do emprego desorganizou as relações entre patrão e empregados. Não por acaso, o IBGE captou mais um indicador de deterioração do emprego formal. O registrou de trabalho com carteira, no setor privado, está no menor patamar da série histórica: 74,3%. No segundo trimestre do ano passado, eram 75%.

“É um problema que não afeta só o Brasil. O surgimento da ‘gig economy’ (economia do quebra-galho) é um fenômeno mundial. É um momento novo, que traz muitas perguntas e poucas respostas. As pessoas também estão preferindo certa flexibilidade. O mercado quer contratar para tarefas específicas e parcelar o trabalho. Sem dúvida, há fatores conjunturais que podem estar incentivando as pessoas a procurar empregos em modalidades distintas das que havia no passado”, observou Bruno Ottoni, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV) e do IDados.

As tentativas de modernização dos mecanismos de proteção do trabalho podem caminhar, segundo alguns analistas, no sentido de manter uma atualização constante e necessária da legislação trabalhista, como reflexo de uma sociedade em movimento. O problema, dizem, é a heterogeneidade da realidade social brasileira. “No Brasil, ou o cara é empregado ou ele não é nada. O que temos hoje é uma relação de trabalho 4.0, ou seja, a pactuação entre patrão e empregado se diferencia da relação mais estável, com a interferência da tecnologia da informação, da robótica. É preciso refletir como protegê-lo sem exigir uma relação que existia na década de 30”, avaliou a advogada trabalhista Maria Lúcia Benhame, do escritório Benhame Sociedade de Advogados.

Na esteira dessas mudanças, nem o FGTS escapou. A poupança compulsória dos trabalhadores foi reconfigurada e pode deixar de funcionar como um “colchão” para emergências. A nova condição de saque, chamada saque-aniversário, permite retiradas anuais de um percentual do dinheiro retido, mas impede o acesso em caso de demissão sem justa causa, hoje a maior motivação de recolhimento do fundo pelos trabalhadores. O governo Bolsonaro já avançou no Congresso com a reforma da Previdência e sinaliza com a possibilidade de terceirizar a concessão de auxílio-doença, licença-maternidade e outros benefícios brasileiro – retirando a função do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Eles seriam colocados sob a administração de seguradoras. Outra ideia em discussão em Brasília é a revisão do cálculo da multa de 40% sobre o FGTS na demissão.

A simbologia do tripé formado pela carteira de trabalho, pela CLT e pelo extinto Ministério do Trabalho compunha o imaginário do trabalhador brasileiro como símbolo de status. A carteira anotada, e devidamente preenchida, sempre foi motivo de orgulho. Na realidade violenta das cidades brasileiras, a caderneta foi por muitos anos passaporte social, expressão de honestidade e certificado de que seu portador era cidadão de bem.

GESTÃO E CARREIRA

“PARA SEMPRE” SEMPRE ACABA

Ancorada no modelo de venda de peças de baixo custo e qualidade inferior, a Forever 21 sucumbe diante dos novos gostos e exigências de suas clientes

A rede de lojas americana Forever 21 construiu sua fama em cima do estardalhaço. No início desta década, ainda pouco conhecida, assombrou os nova-iorquinos ao inaugurar uma filial em um ponto icônico da Times Square, no miolo de Manhattan. Ao desembarcar no Brasil, há cinco anos, levou 2.000 jovens a se postar em uma fila onde aguardavam até três horas para entrar na loja, em um shopping de São Paulo. Uma semana depois, o mesmo fenômeno se deu na abertura no Rio de Janeiro — lá, além da fila à porta, as consumidoras encararam duas horas para passar o cartão no caixa. O motivo de tamanho frenesi se fundamentava na oferta de peças inspiradas nas coleções de grandes grifes a uma fração do preço da concorrência.

Com tal formato, a marca atraiu hordas de adolescentes e jovens adultos e formou um pequeno império, com receita anual de 4,4 bilhões de dólares e 800 unidades em mais de cinquenta países. No domingo 29 o colosso da fast-fashion, fundado na Califórnia, em 1984, por um casal de imigrantes sul-­coreanos, confirmou o desmoronamento de seu modelo de negócio ao protocolar o pedido de concordata na Justiça americana. Protegido contra os pedidos de falência — pelo menos por enquanto —, o grupo tentará pôr as contas em ordem encerrando as operações em quarenta países e baixando as portas de 350 lojas, 178 delas em solo americano. Da ambiciosa operação internacional, restarão só os pontos de venda na América Latina — e, segundo especialistas no setor de varejo, por tempo suficiente para liquidar os estoques recolhidos nas filiais da Europa e da Ásia.

A derrocada da Forever 21 está intrinsecamente ligada à estratégia que escorou sua expansão. A ideia era oferecer a suas clientes a oportunidade para abarrotar os armários de peças baratas, permitindo-lhes variar o visual a custo irrisório. Para isso, a empresa abastecia semanalmente suas unidades com novos modelos, sempre em quantidade e variedade superlativas. Ao mesmo tempo, valia-se de uma agressividade rara, ao abrir filiais em ritmo acelerado, disputando espaço em shoppings de luxo e ruas de comércio badaladas. Entretanto, nessa escalada, o alto custo das instalações físicas reduziu a competitividade, ao mesmo tempo que a baixa qualidade das peças inviabilizava um aumento das margens para bancar tais operações. Outra falha grave foi negligenciar o comércio digital. “Enquanto presumia que a briga com rivais como a espanhola Zara e a sueca H&M estava na disputa por pontos estratégicos e lojas convencionais, a Forever 21 ignorou que a verdadeira concorrência estava no e-commerce”, explica Gustavo Cavalheiro, professor de pós-graduação na área de varejo de moda e negócios da Universidade Anhembi Morumbi.

A rede americana também não acompanhou as mudanças culturais trazidas pelas novas gerações, pouco afeitas ao gosto pelo efêmero e ao conceito de roupas descartáveis do passado. São clientes que buscam produtos mais sustentáveis e marcas alinhadas a questões sociais. Comprar peças em brechós ou até mesmo alugar o vestuário são outras tendências que vieram para ficar. “O consumismo está fora de moda. Hoje as pessoas querem comprar roupas que vão durar, que não impliquem exploração de mão de obra de países pobres e poluam menos o meio ambiente”, explica Juedir Viana, professor de varejo da FGV-Rio. “As empresas têm de ir além da venda e possuir propósitos compatíveis com os dos consumidores”, acrescenta.

O declínio da Forever 21 contrasta com a pujança de rivais como a Zara, que praticamente instituiu o conceito de fast-fashion. O contraste é ainda maior ao se levar em conta a crise de imagem pela qual a empresa espanhola passou em 2011, acusada de usar trabalho análogo à escravidão em sua cadeia de fornecedores. Ela se alinhou rapidamente ao zeit­geist ao pedir desculpas publicamente e reviu a sua rede de parceiros. Paralelamente, concentrou seus esforços no terreno digital. “A expansão internacional descontrolada criou uma série de dificuldades para a Forever 21. Essa irracionalidade é evidente diante do crescimento cuidadoso e extremamente bem gerenciado da Zara”, afirma Mark A. Cohen, diretor de estudos de varejo da Universidade Columbia. Faltou, enfim, maturidade à Forever 21 para entender as sutilezas da moda.

ALIMENTO DIÁRIO

A HISTÓRIA DO CASAMENTO

DIA 29 – PRIORIDADES

É melhor ter companhia do que estar sozinho, porque maior é a recompensa do trabalho de duas pessoas. Eclesiastes 4:9

Missões e prioridades não são a mesma coisa, mas andam de mãos dadas. Concordar com as mesmas prioridades e apoiá-las é essencial para se preservar a unidade.

Nossas prioridades são ditadas pelo nosso objetivo maior: conhecer e revelar o amor de Deus. Por ser essa uma missão compartilhada por todo crente, podemos todos ter as mesmas prioridades, embora as estratégias para fazer isso sejam diferentes de um casal para outro e de uma estação para outra. Propomos que vocês vejam suas prioridades do seguinte modo:

1. DEUS. Deus não é apenas o “primeiro”. Ele está acima de tudo o mais, e o relacionamento com Ele é essencial para o sucesso e a fidelidade em todas as outras áreas da vida. Ele deveria englobar e habitar em cada uma das nossas prioridades. Mas em nome da clareza, vamos designá-Lo como o primeiro dessa lista. Portanto, por assim dizer, Deus vem em primeiro lugar.

Mas nosso relacionamento com Deus e o trabalho que fazemos para Ele não são a mesma coisa. É tentador, principalmente para os ministros ou outros que servem na igreja, priorizar a obra do ministério acima das nossas famílias. Por favor, não permita que sua família seja vítima dessa distorção.

2. CÔNJUGE. Mais uma vez, pode haver espaço aqui para uma distorção que, apesar de sutil, pode ter um alto preço. Seus filhos são importantes, mas você não deve negligenciar seu cônjuge em função do seu cuidado em relação a eles. Seus filhos um dia amadurecerão e deixarão seus cuidados, mas você tem um relacionamento de aliança com seu cônjuge por toda a vida. 

Certifique-se de que construam sua vida juntos de tal maneira que quando seus filhos saírem de casa, vocês dois ainda sejam os melhores amigos um do outro.

3. FILHOS. Os detalhes exatos do envolvimento e do papel de cada cônjuge na criação dos   seus filhos variarão de uma estação para outra, principalmente dependendo da próxima prioridade – o chamado de vocês. Se um de vocês – ou ambos – trabalha fora de casa, vocês terão responsabilidades em outras áreas como vida profissional e ministério. Se atualmente cumprir seu chamado significa ficar em casa com seus filhos, nossa distinção entre essa prioridade e a próxima não se aplica. Mas, como disse C.S. Lewis: “A dona de casa tem a carreira suprema”.

4. CHAMADO. Na verdade, seu chamado inclui tudo nesta lista – e tudo em sua vida. Porém, uma vez mais, limitaremos a amplitude desse termo em nome da clareza. O que nos  referimos como “chamado” é o que Deus chamou você e seu cônjuge para fazer  individualmente na esfera do governo, dos negócios, da saúde, da educação, do ministério, das artes, da mídia, ou de qualquer outra área.

Em nosso casamento, por acaso essa é uma área que compartilhamos, porém, muitos cônjuges não trabalham ou ministram na mesma área da sociedade de seu cônjuge. Se esse for o caso no seu casamento, vocês ainda podem se interessar pelo trabalho um do outro e apoiar um ao outro de maneira vital. Como disse Salomão, quando dois trabalham juntos, eles podem ajudar um ao outro a ter êxito.

5. DESCANSO. O sábado foi ordenado por Deus, e não pelos homens. Quando descansamos, todas as outras prioridades florescem. Deus quer que nossas vidas envolvam descanso e lazer regulares – o que não é o mesmo que inatividade. Descansamos dedicando tempo para as coisas que nos restauram espiritual, física e emocionalmente. O importante no casamento é encontrarmos maneiras de compartilharmos o descanso, e não apenas descansarmos   sozinhos. Para nós, isso tem significado encontrar um tema em comum e interesses comuns para desfrutarmos juntos, como passar tempo ao ar livre conversando sobre nossos sonhos para nossa família e ministério. Aprender a descansar e desfrutar de momentos de lazer juntos faz parte da fusão de duas vidas em uma.

6. COMUNIDADE. Em muitos casamentos, maridos e esposas mantêm vidas sociais completamente separadas. Embora seja importante ter um tempo só para as garotas e só para os rapazes e construir amizades com outras pessoas além do seu cônjuge, em um casamento saudável, a vida social dos cônjuges convergirá. Nossos amigos desempenham   um papel importante nos encorajando, nos apoiando e nos fortalecendo. Por sermos uma só carne, devemos ter muitos amigos que conhecem e amam a ambos.

Não podemos deixar de enfatizar o quanto é crucial ter amigos que abençoem intencionalmente sua união. Ambos temos amigos que desempenham papéis muito diferentes em nossas vidas. Eu (John) tenho colegas de golfe com quem posso abrir o coração e a alma. Os homens com quem compartilho meus desafios e fraquezas amam tanto a Lisa quanto a mim.

Por minha vida ser tão cheia, e eu (Lisa) não jogar golfe, só tenho na verdade amigas de coração que me desafiam a crescer mais em todas as áreas do amor. Elas são mulheres que entendem os desafios singulares que tenho em minha vida e em meu casamento. Algumas são ótimas amigas com quem posso contar durante os desafios que surgem no ministério, e outras são ótimas para serem consultadas no que se refere a conflitos nos relacionamentos. Todas elas são mais valiosas do que o ouro para nós.

Havia algumas pessoas que eram nossas amigas no passado, mas de quem tivemos de nos afastar com o passar do tempo. Elas tomavam partido de um de nós dois e não promoviam a união no nosso casamento. Se um amigo não torce pelos dois, não se associe a ele. Essa pessoa inevitavelmente irá gerar divisão em sua união.

ESCOLHENDO AMAR

Vocês são o povo de Deus. Ele os amou e os escolheu para serem Dele. Portanto, vistam-se de misericórdia, de bondade, de humildade, de delicadeza e de paciência. Não fiquem irritados uns com os outros e perdoem uns aos outros, caso alguém tenha alguma queixa contra outra pessoa. Assim como o Senhor perdoou vocês, perdoem uns aos outros. E, acima de tudo, tenham amor, pois o amor une perfeitamente todas as coisas. Colossenses 3:12-14, NTLH, grifo do autor

É o amor que nos une perfeitamente. Ele é a base da unidade, a verdadeira chave para ver o impossível.

Em Efésios 5:28, Paulo diz que “os maridos devem amar cada um a sua mulher”. A palavra “devem” enfatiza a importância dessa obrigação. O maior princípio transmitido nesse versículo – um princípio que se aplica tanto ao marido quanto à esposa – é o de que devemos amar um ao outro independentemente de como nos sentimos.

Nossa cultura retrata o amor como um sentimento, um sentimento que não pode ser controlado, apenas respondido. Se sentimos amor, agimos como os que estão apaixonados. Não demora muito para descobrirmos que o sentimento do amor nem sempre está presente, mas o amor é sempre uma escolha. Deus escolheu nos amar. Se escolhermos amar, os sentimentos por fim passarão a estar de acordo com nossas ações. Atos de fé – como demonstrar amor quando não existem sentimentos evidentes – podem mover montanhas. Deus anseia por abençoar nossos atos. Dietrich Bonhoeffer disse:

Não é o seu amor que sustenta o casamento, mas é o casamento que sustenta o seu amor.

A única maneira de o seu casamento poder sustentar o seu amor é sua realização emocional e espiritual vir da comunhão com o Espírito de Deus. Quando dependemos da fonte errada – da nossa própria força – nosso amor falha ao ser testado pela ausência de sentimento. Mas quando estamos firmados no amor de Deus, nossos atos de amor podem nos manter em unidade quando nossos sentimentos vacilam.

Não se engane. O casamento não foi criado para ser algo destituído de sentimentos. Contudo, como C.S. Lewis afirmou:

A regra para todos nós é perfeitamente simples. Não perca tempo pensando se você “ama” o seu próximo; aja como se o amasse. Assim que colocamos isso em prática, descobrimos um dos maiores segredos: quando você se comporta como se amasse alguém, logo passa a amá-lo.

Você pode continuar demonstrando que ama seu cônjuge mesmo quando não se sente dessa forma. Você pode escolher servir, celebrar e apoiar. Quando sua vida estiver alinhada com o amor, suas emoções por fim passarão a afirmar o que seus atos demonstram.