ALIMENTO DIÁRIO

A HISTÓRIA DO CASAMENTO

DIA 23 – A HISTÓRIA DE JOHN

Tecnicamente, eu me guardei para minha esposa, mas eu estava preso à pornografia unida à masturbação. Trouxe esses vícios para o meu casamento, pensando que o sexo com minha linda esposa curaria meu vício impuro. Isso não aconteceu. Continuei a lutar contra a luxúria por anos após nossa cerimônia de casamento. Meu vício foi um grande obstáculo à nossa vida sexual. Eu estava envergonhado e confuso. Não queria estar preso à luxúria, mas por mais que tentasse, não conseguia me libertar. Alguma coisa tinha de mudar.

Em 1984 eu era responsável por fazer o transporte dos conferencistas que eram convidados para pregar em nossa igreja. Um dia, abri-me com relação às minhas lutas com um desses convidados, um homem de Deus a quem eu respeitava profundamente. Ele era conhecido por seu ministério de libertação. Se alguém podia me ajudar, pensei, era ele. Então contei a ele as minhas lutas.

A reação dele não foi o que eu esperava.

— Pare! — ele disse. — Você precisa simplesmente parar com isso!

— Tudo bem — eu disse. — Mas o senhor pode orar por mim?

Ele orou, mas nada aconteceu. Pensei: Talvez eu precise encontrar alguém que possua um dom mais forte para ajudar as pessoas a se libertarem. Mas eu não conseguia pensar em ninguém que tivesse um ministério de libertação mais poderoso que o dele. Eu me sentia enterrado no meu pecado.

Cerca de nove meses depois, um amigo nosso permitiu que eu ficasse no apartamento dele por quatro dias. Retirei-me para aquela propriedade com o único propósito de confrontar meu vício. “Deus, chega”, eu disse finalmente. “Isto precisa acabar!” Naquele dia – 6 de maio de 1985 – fui milagrosa e completamente liberto.

Depois de alguns meses andando em liberdade, perguntei ao Senhor: “Deus, não entendo. Por que não fui liberto quando oraram por mim? Eu me humilhei me abrindo com aquele grande homem de Deus. Por que a libertação demorou tanto?”

Imediatamente Deus dirigiu minha atenção para uma mudança na minha vida de oração. Durante muito tempo, a essência das minhas orações era: “Deus, usa-me. Por favor, usa-me”. Eu era o centro da minha vida de oração. Todas as minhas orações giravam em torno do meu bem-estar e do meu chamado. Meu desejo de ser livre da luxúria não era motivado pelo amor a Deus ou mesmo pelo meu amor por Lisa. Ele era alimentado pelo medo de que meus problemas com a luxúria me impedissem de um dia cumprir meu chamado. Meu egocentrismo obstruía minha intimidade com Deus, e essa falta de intimidade me impedia de experimentar Seu poder transformador.

Então algo mudou em meu coração, e minhas orações passaram a ser centradas no Senhor: “Deus, quero Te conhecer. Não permita que nada fique entre nós”. Deixei de ser uma pessoa egocêntrica e passei a ser uma pessoa focada em Deus. Quando tirei os olhos de mim mesmo e os coloquei no Senhor, abri minha vida para Sua graça. Ele me libertou e trouxe cura à minha sexualidade. Eu havia abraçado o que a Bíblia chama de tristeza segundo Deus.

A TRISTEZA SEGUNDO DEUS

A tristeza segundo Deus não produz remorso, mas sim um arrependimento que leva à salvação, e a tristeza segundo o mundo produz morte. 2 Coríntios 7:10

Durante anos, senti tristeza por causa dos meus vícios. Como mencionei anteriormente, eu não queria ficar preso à luxúria e me sentia enojado com o meu comportamento. Muitas pessoas sentem tristeza pelos seus pecados. Mas existe uma tristeza que vem da parte de Deus e nos leva ao arrependimento e à transformação, e existe uma tristeza que vem do mundo e leva à condenação sem mudança.

A tristeza mundana é focada em si mesma e é alimentada pelo orgulho. Ela é marcada pelo desespero e pela autodepreciação porque só vê as soluções que são possíveis dentro das limitações humanas. Ela não enxerga a esperança que há no conhecimento do poder de Deus e, portanto, levará invariavelmente à morte espiritual.

A tristeza segundo Deus, por outro lado, não é autodepreciativa ou egocêntrica. Ela está centrada em Deus. Embora venha acompanhada pela dor, ela carrega em si esperança no futuro; pois sua força está na capacidade de Deus de santificar, capacitar e redimir. A tristeza segundo Deus pode doer por um momento, mas a alegria e a vida logo virão em seguida.

A tristeza e a condenação do mundo haviam fortalecido o poder da luxúria sobre minha vida. Eu pensava que estava agindo segundo o coração de Deus quando orava pedindo que Ele continuasse a me usar, mas na verdade estava sendo orgulhoso. O meu desejo de ser livre tinha a ver com meus interesses. Tinha pouco a ver com a maneira como eu estava ferindo o coração de Deus.

Muitas pessoas desejam ser libertas unicamente porque não querem que seus pecados se acumulem em baús de remorso, impeçam seu sucesso futuro ou resultem em juízo. Essa disposição medrosa de se autoproteger nunca produzirá o poder para mudar.

Não podemos nos tornar como Deus se não conhecemos Seu coração e não compartilhamos Dele. Intimidade com Deus é sempre um precursor para a transformação. Nós nos tornamos e continuamos livres do pecado permanecendo em um relacionamento com Ele. À medida que nos aproximarmos de Deus, Ele se revelará e nos capacitará para sermos santos:

… “Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes”. Portanto, submetam-se a Deus. Resistam ao diabo, e ele fugirá de vocês. Aproximem-se de Deus, e Ele Se aproximará de vocês! [Se revelará a vocês] … Troquem o riso por lamento e a alegria por tristeza [tristeza segundo Deus]. Humilhem-se diante do Senhor, e Ele os exaltará. Tiago 4:6-10, acréscimos do autor

Deus nos exalta nos livrando dos desejos e das armadilhas da nossa natureza pecaminosa. Foi para a liberdade que Ele nos libertou. Mas não podemos descobrir a liberdade até que passemos a conhecer o Libertador. Se você deseja libertação, busque o coração de Deus. Essa proximidade alimentará uma tristeza profunda segundo Deus sempre que você não estiver andando nos caminhos Dele, o que por sua vez o atrairá a um relacionamento mais profundo com Ele e o capacitará a andar em liberdade.

Lembre-se de que você é um filho de Deus, e a condenação não tem lugar em sua vida. Se você vacilar em seu caminho rumo à liberdade, não se permita permanecer na sua própria incapacidade. Não temas as consequências do seu erro. Em vez disso, permaneça na grandeza de Deus e no poder redentor da Sua graça.

Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus, porque por meio de Cristo Jesus a lei do Espírito de vida me libertou da lei do pecado e da morte. Romanos 8:1-2

PORNOGRAFIA E INTIMIDADE

Embora eu (John) pensasse ingenuamente que meu vício em pornografia desapareceria depois que eu me casasse, aconteceu exatamente o oposto. Muitos casais tiveram a mesma experiência que eu tive: o uso de pornografia afeta negativamente homens e mulheres casados, e não apenas os solteiros. Os efeitos dessa prática sobre o casamento são sempre prejudiciais, tornando-se um obstáculo à capacidade do casal desfrutar de uma verdadeira intimidade.

O chocante é que ouvimos relatos de conselheiros cristãos aconselhando casais a assistirem a pornografia juntos como um estímulo sexual. Esse é um grave erro! Não faça isso. Você descobrirá com o tempo que despertou um dragão adormecido que consumirá sua intimidade com o fogo da luxúria. E “… os olhos do homem nunca se satisfazem” (Pv 27:20, ACF). A pornografia é uma grave ameaça ao casamento antes e depois da cerimônia nupcial. E quer estejamos com nosso cônjuge ou a sós, não fomos criados por Deus para assistir à vergonha de outros.

Embora a pornografia ofereça um estímulo e uma satisfação temporais porque apela para os desejos da nossa carne, ela corroerá nossa capacidade de termos intimidade com nosso cônjuge e com Deus. Por fim, ela nos deixará insatisfeitos com nosso cônjuge e com nós mesmos. A pornografia pode estimular a experiência sexual, mas ela não tratará dos problemas mais profundos de um relacionamento. O que parece ser uma solução de efeito rápido só acrescenta um peso avassalador a uma fundação que já está instável. Embora possa parecer que a pornografia acenderá uma centelha de vida, ela na verdade acende um fusível mortal que acabará deflagrando uma explosão de confusão, desconfiança e insegurança.

O plano de Deus é que o prazer sexual seja algo que você receba exclusivamente ao se entregar àquele com quem sua vida está comprometida. Isso promove uma intimidade que vai além do leito matrimonial e aperfeiçoa o relacionamento conjugal como um todo. Satisfazer seus desejos com a pornografia, ao contrário, é a busca de prazer dentro dos limites do eu. Ela não exige intimidade, apenas um estímulo e um objeto de atração. O prazer da pornografia é apenas uma sombra transitória da euforia experimentada na intimidade projetada por Deus.

Quando um casal leva a pornografia para sua união, eles corrompem o leito matrimonial incluindo outras pessoas em sua intimidade. Esse nunca foi o plano de Deus. A experiência sexual deve ser um lembrete da aliança que une duas vidas, e não há espaço na aliança matrimonial para terceiros. O que é sagrado entre duas pessoas passa a ser poluído com o envolvimento de várias. Deus quer que honremos o leito conjugal – e a aliança que ele representa – porque Ele deseja que esse seja um lugar de tremendo deleite e de satisfação duradoura.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.