A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

AS MÁSCARAS DA TIMIDEZ

Ao contrário do que normalmente se pensa, os tímidos se esforçam para resolver o que consideram ser um problema. Ainda assim, nem sempre conseguem vencer a dificuldade de manter relações sociais e criar vínculos

“Todas as vezes que tenho de me relacionar com estranhos, ainda mais se forem pessoas de condição socioeconômica superior à minha, sinto-me bloqueado: tenho medo de fazer feio, de não exprimir os conceitos corretamente, de parecer pouco culto e inteligente, revelando minha falta de cultura universitária”. Assim se explica André, um bancário de 27anos.

Em tais contextos, o rapaz fala de forma atrapalhada, por mais ainda nos primeiros minutos da conversa. Para quem o observa, ele parece alguém que se esforça para animar a conversa, mas que, em contrapartida, se mostra rígido, fechado e inibido.

“Sinto-me confuso, e nesses momentos sempre me pergunto o que devo dizer, o que devo responder para que não pensem que sou um idiota. Além de não ser nada agradável, isso faz com que eu perca o fio da conversa. O resultado é que, como não acompanho alguns trechos do que está sendo dito, minhas respostas não são de fato muito inteligentes e originais…”

Nada disso, porém, ocorre diante das pessoas que André considera mais semelhantes a ele ou com as quais, apesar da diferença de condição e de educação, adquiriu com o tempo uma certa familiaridade. Em tais casos, ele se exprime com facilidade e consegue elaborar discursos articulados sobre vários temas. Por isso, podemos definir sua timidez como “situacional”, para diferenciá-la de um tipo mais profundo e generalizado.

Definida como sentimento de embaraço ou de inibição em situações sociais, a timidez faz o sujeito focar a atenção quase exclusivamente em si mesmo e ficar preocupado com o que o interlocutor poderá pensar sobre aquilo que diz ou sobre o que está sentindo (por exemplo, ansiedade e embaraço revelados pelo rubor).Em geral a timidez e a introversão são consideradas sinônimas, mas não é exatamente assim: o introvertido procura a solidão, mas, ao contrário do tímido, não teme o contato social. O tímido deseja a companhia de outros, porém considera-se incapaz de manter uma relação.

Alguns componentes podem ser reconhecidos na timidez. O afetivo refere-se às emoções típicas experimentadas pelos tímidos nas situações sociais: ansiedade, confusão, embaraço e vergonha, acompanhadas por sensações psicofisiológicas como tensão muscular, batimento cardíaco acelerado e um “aperto” no estômago. O cognitivo refere-se à excessiva atenção dada aos julgamentos dos outros (“Todos estão me olhando e me avaliando”), à avaliação negativa de si mesmo (“Só disse bobagens”)e a um sistema irracional de convicções (“Esta noite, na festa, ninguém me notará ou me achará interessante”):estes são os modos típicos de raciocinar das pessoas tímidas.

O resultado é uma acentuada inibição do comportamento, que consiste em evitar ativamente os contextos sociais e se manifesta no olhar que se desvia, na sistemática recusa a encontros sociais e no isolamento em geral. Tudo isso pode, evidentemente, prejudicar a formação de relacionamentos e a obtenção de objetivos acadêmicos e profissionais.

Mas o que os próprios tímidos pensam de sua timidez? Uma pesquisa realizada por Bernardo J. Carducci, pelo Shyness Research Institute da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, avaliou 240 explicações dadas por pessoas tímidas sobre quais seriam as causas de seu modo de ser.

ONDE ESTÃO AS CAUSAS

Quase metade indicou como causa “fatores familiares”, que incluem, por um lado, o divórcio dos pais, violências familiares e adoção por uma nova família e, por outro, aspectos ligados à relação entre pais e filhos, como uma atitude superprotetora ou excessivamente severa por parte dos pais (ou de um dos pais) ou a ausência destes.

Um quarto dos participantes apontou “fatores psicofísicos, raciais e culturais”. Exemplos seriam a inexorabilidade da própria timidez (“Sou assim mesmo, sempre fui tímido”), a falta de uma cultura adequada, o  pertencimento a uma etnia minoritária, problemas físicos reais ou imaginários (como acne ou obesidade), uma suposta carência de dotes atléticos ou sexuais, ou ainda o fato de haver sido vítima de sistemáticas violências verbais, psicológicas, físicas ou sexuais.

Cerca de 20% assinalaram “fatores intrapessoais ou interpessoais”. Os primeiros se referem aos estilos de pensamento que tendem a fazer com que a pessoa crie uma imagem negativa de si: ela se culpa por tudo que não dá certo, ou se sente ‘estúpida’, nervosa ou deprimida quando emcompanhia, ainda que sem motivos. Os “fatores interpessoais” dizem respeito à dificuldade de interagir ou manter conversas com outros: a pessoa fica embaraçada e envergonhada em situações sociais e acaba por evitá-las totalmente.

Carducci observa que “a tendência é indicar as experiências precoces vividas em família ou com os coetâneos como explicativas do modo de ser. Os fatores externos são mais enfatizados (cerca de 64% dos participantes da pesquisa) do que o reconhecimento de uma cota de responsabilidade própria (somente 20%)”.

No caso de André, como ele mesmo diz, sua timidez se deve a um sentimento de insegurança e inadequação no plano sociocultural. Isso gera, segundo ele, sua atitude atrapalhada nas circunstâncias descritas. “Certamente tento remediar minha timidez. No ano passado frequentei um curso de teatro para adquirir mais desembaraço ao me apresentar e exprimir emoções, aprender a improvisar e enfrentar situações sociais difíceis, que exigem tomadas de posição. A estratégia que uso nas conversas, por outro lado, é a de evitar assuntos nos quais não me sinto seguro (política, história, literatura) e deslocar a discussão para temas que me são mais familiares, como economia, finanças e informática”.

Mas quais procedimentos são normalmente empregados pelos tímidos para enfrentar a timidez? O que a pesquisa revela, observa Carducci, “é que cerca de 87% dos tímidos estão efetivamente empenhados em superar a timidez. A estratégia mais utilizada é a ‘extroversão forçada’ (escolhida por dois entre três tímidos), que consiste em obrigar-se a frequentar locais públicos e procurar a presença de outros. Um a cada quatro tenta superar o problema minimizando a suposta periculosidade das situações sociais e procurando tornar mais positiva a visão dos outros (extroversão cognitiva auto induzida). Uma terceira alternativa é buscar informações sobre o embaraço que sentem, lendo manuais de autoajuda ou frequentando seminários sobre o tema. A procura de ajuda profissional assemelha-se, conceitualmente, a essa estratégia: terapia individual, de grupo ou seminários sobre como reforçar a autoestima.

Menos saudável e mais perigosa é a chamada ‘extroversão líquida”, obtida mediante o consumo de remédios não receitados, drogas ou álcool para reduzir a tensão nas situações sociais e tornar a pessoa mais desenvolta. Os 50% restantes dos indivíduos pesquisados se subdividem entre os que declaram praticar exercício físico para sentir-se melhor e, assim, aprimorar a relação com os outros, os que tentam emagrecer, influir na própria aparência física e se tornar mais atraentes; e os que nada fazem para aumentar sua sociabilidade “.

ESFORÇO PARA MUDAR

Tais estatísticas revelam que, contrariamente ao que se pensa, os tímidos não são passivos e indolentes, mas se esforçam para resolver o que consideram ser um problema, ainda que nem sempre os resultados sejam os esperados. Carducci lembra que essas estatísticas não são um fim em si mesmas. “Esses dados podem ter implicações teóricas e práticas para os profissionais da área da saúde mental. Será possível utilizá-los para antecipar e compreender melhor a natureza da dificuldade experimentada pelos tímidos e para desenvolver programas de apoio.”

Mateus é um menino de 7 anos que prefere brincar sozinho em seu quarto a ir para a praça com a mãe, onde pode encontrar dezenas de pessoas desconhecidas. Lucas, seu colega de classe, é exatamente o oposto, fala e ri com crianças e adultos que não conhece e poderia passar todo o tempo fora de casa, em meio às pessoas.

DESDE A INFÂNCIA

Qual seria a razão de tais diferenças? Segundo estudo recente, realizado por um grupo da Harvard Medical School, o fato de uma pessoa evitar coisas, pessoas ou situações novas pode depender, ao menos em parte, de diferenças cerebrais existentes desde a infância.

De fato, quando imagens de rostos desconhecidos são apresentadas a tímidos, é possível observar neles um nível de ativação mais elevado na amígdala, uma pequena formação que regula alguns dos processos emotivos mais importantes e integra o sistema límbico.

Nas pessoas extrovertidas, ao contrário, a ativação da amígdala é menos acentuada. “Nossos dados mostram como as diferenças em aspectos particulares do temperamento – os que levam alguém a evitar estímulos desconhecidos em vez de procurá-los espontaneamente – estão correlacionados a diferenças no funcionamento da amígdala”, explica Carl Schwartz, responsável pela pesquisa. “Graças a novos recursos tecnológicos, como a ressonância magnética funcional (fMRI), pudemos observar que as mesmas diferenças de temperamento e os mesmos padrões de ativação neurofisiológica observados em um indivíduo muito jovem estarão presentes nele anos mais tarde.”

A psicologia entende por temperamento um perfil afetivo e comportamental estável, que caracteriza um indivíduo desde a infância e que é controlado, ao menos em parte, por fatores genéticos. Um dos critérios mais utilizados para caracterizar o temperamento é justamente a reação da criança diante de pessoas, objetos ou situações não familiares. Dependendo da reação, fala-se de crianças “tímidas” ou “sociáveis”.

A pesquisa longitudinal realizada por Schwartz e seus colaboradores pode ser assim resumida. Um primeiro experimento subdividiu em duas categorias uma mesma amostra de crianças, todas com 2 anos, conforme seu grau de inibição ou de inibição diante de tímidos desconhecidos. Dezesseis anos mais tarde essa mesma amostra, agora adolescente, foi submetida a uma ressonância magnética que “registrou” imagens das áreas cerebrais ativadas durante a visão de seis fotografias de rostos desconhecidos (com expressão neutra) apresentadas várias vezes. Na fase de controle experimental, os jovens observavam, sucessivamente, um número maior de imagens, algumas novas e outras que faziam parte do grupo de fotos vistas antes. Se um aumento da atividade da amígdala em resposta a rostos novos é de fato natural, as pessoas classificadas como “inibidas” revelaram uma reação significativamente mais intensa que a do resto da amostra.

“Somos levados a pensar”, conclui Schwartz, “que frequentemente alguns traços de personalidade permanecem quase imutáveis ao longo da vida, a despeito do contexto de desenvolvimento e da experiência acumulada. Constatamos, além disso, a existência de uma relação entre a timidez precoce e o desenvolvimento sucessivo de fobia social (como ocorreu em dois casos de nossa amostra), ainda que o elo não seja automático, ser tímido não deve ser considerado, por si só, patológico.”

O SEGREDO? APRENDER A SE ACEITAR

O que é possível fazer quando a timidez se toma excessiva e perturbadora? Intervir com uma terapia? E quais resultados esperar? Fazemos estas perguntas a Bruno G. Bata, diretor do Centro de Ciência Cognitiva da Universidade e Politécnica de Turim e psicoterapeuta cognitivo em Milão. “Com o termo timidez patológica nos referimos a uma forma leve de fobia social que consiste na dificuldade de se apresentar diante de pessoas ou contextos desconhecidos. A fobia social pode se manifestar em situações que são arriscadas para todos, como falar a um público composto por dezenas ou centenas de pessoas desconhecidas, mas, em suas formas mais graves, pode bloquear a pessoa inclusive em contextos mais familiares e ‘protegidos’: no limite, ela não consegue nem mesmo fazer um comentário em uma reunião de amigos”

Como essa condição pode ser enfrentada? Bara considera que é preciso “enfatizar mais a aceitação do que a mudança. Tais formas de timidez podem e devem ter a sua gravidade social minimizada. Os que enrubescem pensam que isso tem uma conotação negativa. Mas, em geral, nenhum grupo social vê de forma particularmente negativa a pessoa que fica vermelha quando fala. Apenas os que enrubescem se veem como portadores de sinais que os outros interpretariam de forma negativa”. A pessoa deve então ser levada a “descentrar-se” e a perceber de forma muito menos grave esse seu comportamento involuntário.

“Um caso interessante, prossegue Bara, é o de um psicoterapeuta tímido que supervisionei. Ele percebia que ficava vermelho ou visivelmente alterado quando um paciente discorria sobre um tema grave, como a atividade sexual, ou muito tocante, como o luto por uma pessoa querida. O terapeuta se fixava então em suas próprias reações fisiológicas, percebendo o próprio rubor e imaginando que o paciente acharia que ele não era capaz de conduzir uma terapia. Ele acabava por perder o fio do discurso e abandonava a atitude de escuta, voltando-se para si mesmo de forma confusa e descontrolada. O resultado era que se sentia inadequado para desempenhar seu papel. A estratégia foi tentar fazê-lo aceitar seu próprio modo de ser. No seu caso, as emoções que experimentava não eram sinal de inadequação ou de falta de preparo: eram, sim, um indício de que o terapeuta é um ser humano diante de outro ser humano.”

Intervenções mais estruturadas são feitas quando a pessoa mostra verdadeiras dificuldades existenciais. Nesses casos, uma psicoterapia pode focar os problemas fundamentais que desencadeiam a ansiedade. Bara conta o caso de uma jornalista de televisão que, após ser promovida de redatora a apresentadora de telejornal, percebeu que sua forma de timidez fora acentuada de forma dramática. “Avaliamos então juntos quais eram para ela os principais elementos da ansiedade e procedemos a uma dessensibilização voltada a esses componentes específicos do transtorno. Em outros casos, como o dos profissionais que apresentam trabalhos em público, pode bastar ensiná-los a iniciar um discurso partindo de uma frase divertida, o que permite ao orador estabelecer uma relação com as pessoas e não com um público anônimo. Um gracejo permite de fato fragmentar o auditório em várias pessoas de carne e osso e a não percebê-lo mais como uma única entidade hostil e julgadora. O orador que consegue, graças a essa pequena estratégia, superar o momento inicial – os primeiros três ou quatro segundos – prossegue depois sem grandes dificuldades. Bara conclui que “a intervenção do terapeuta consiste em treinar a pessoa a descentrar-se, a não se ver com os próprios olhos, mas com os olhos dos outros, que são, paradoxalmente, muito menos severos”.

INDUÇÃO À TIMIDEZ

Qual o peso dos fatores sociais na geração, incremento ou manutenção da timidez na sociedade ocidental contemporânea? “Maior do que normalmente pensamos”, sustenta Karen S. Payne, pesquisadora do Califórnia Institute of Technology. “Observamos um aumento de jovens adultos tímidos. O fenômeno deve-se, em parte, à crescente dependência das novas gerações em relação a meios de comunicação que limitam consideravelmente a relação face a face entre os interlocutores.”

Pensemos, por exemplo, na quantidade de horas que as crianças, adolescentes e jovens adultos passam fechados em seus quartos em companhia de videogames ou navegando na internet e enviando mensagens aos amigos. O resultado é que se perde assim a confiança e o desembaraço necessários nos momentos em que se está diante de uma pessoa real e não virtual, quando olhamos nos olhos e experimentamos emoções que não podem ser ocultadas atrás de uma tela. Payne afirma que “se alguns tímidos podem se beneficiar e se abrir graças ao anonimato oferecido por essas novas tecnologias, é verdade também que esse tipo de comunicação pode se tornar o único, substituindo inteiramente o contato com o outro e criando uma verdadeira dependência. Consideremos a crescente automação em nossa sociedade, com bancos e pedágios automáticos ou bombas de gasolina manejadas pela própria pessoa: é cada vez mais raro entrarmos em contato com indivíduos de carne e osso”. A pergunta, difícil de responder, é quais os efeitos a médio e longo prazo que tudo isso pode ter sobre a nossa capacidade de desenvolver e manter relações humanas.

OUTROS OLHARES

MENOPAUSA AOS 70 ANOS

Técnica experimental realizada por equipe médica da Inglaterra mostrou-se capaz de adiar o fim da menstruação por até duas décadas

Uma revelação feita há poucos dias por uma clínica de fertilização da Inglaterra impressionou a comunidade científica – a realização de uma cirurgia capaz de adiar a menopausa por até duas décadas. Até então, todos os medicamentos e dietas direcionados para a fase feminina que começa em torno dos 50 anos apenas aplacavam os sintomas do fim da menstruação, como o calor, a depressão e a falta de libido. “A possibilidade de atrasar a menopausa é extremamente emocionante”, disse Amanda Kallen, endocrinologista reprodutiva e especialista em fertilidade da Yale Fertility Center, nos Estados Unidos, uma das maiores referências em reprodução assistida. Para o ginecologista Eduardo Zlotnik, vice-presidente do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, “é preciso cautela, mas a ideia é ótima e pode ser protetora contra muitas doenças”.

A menopausa ocorre com o fim da produção de hormônios femininos, comoo estrogênio. Sem ele, a mulher não engravida, envelhece mais rapidamente e se torna vulnerável a doenças, sobretudo as cardiovasculares e as ósseas. A nova técnica, batizada de restauração hormonal, tem base numa lógica simples: retiram­ se, ainda na juventude, pedaços milimétricos da camada externa do ovário, os chamados folículos ovarianos primordiais, trechos que abrigam as estruturas produtoras do estrogênio. Eles são depois reimplantados durante a menopausa – especificamente, doze meses após a última menstruação (veja o quadro abaixo). Os folículos, que ficam congelados, não sofrem com o envelhecimento natural e ao ser repostos voltam a funcionar. Os especialistas calculam que, se a extração for feita aos 25 anos, eles possam fabricar o hormônio até vinte anos depois da chegada da menopausa. Em tese, a mulher não só teria as características da juventude restauradas como poderia até engravidar.

O procedimento foi criado pela equipe da clínica ProFam, cujo proprietário, Simon Fisbel, pertenceu à equipe gestora do primeiro bebê de proveta, na década de 70. O tratamento foi aplicado por completo em apenas uma paciente, a professora Dixie-Louise Dexter. Dixie sofria de uma doença que lhe causou a perda do útero e dos ovários aos 32 anos. Ela entraria em menopausa precoce, portanto. Ao se submeter à cirurgia, há um ano, teve a produção hormonal restaurada. “Agora me sinto muito bem, sem os sintomas da menopausa”, disse ao jornal The Sunday Times. A restauração hormonal já era usada em mulheres diagnosticadas com câncer precocemente e que planejavam engravidar. Há, contudo, sérias ressalvas. Diz Edson Borges, especialista em reprodução assistida do Fertility Medical Group: “Ainda é cedo para recomendar o recurso. São necessários estudos que mostrem a inexistência de risco da retirada de folículos na juventude e também da ação do hormônio tardiamente”.  De qualquer modo, abriu-se uma janela de otimismo para uma preocupação das mulheres.

GESTÃO E CARREIRA

A MORTE É UM BOM NEGÓCIO

Boutique mineira de investimentos Seven Capital investe nos bioparques, ou cemitérios do futuro, nos quais 180 mil árvores vão germinar graças às cinzas dos falecidos

Falar sobre a morte é um dos últimos tabus da sociedade moderna, mesmo sendo a única certeza que temos na vida. Contudo, o envelhecimento da população fará do luto, e dos cuidados a ele relacionados, temas cada vez mais em voga no dia a dia das pessoas. De olho nessa tendência demográfica, a boutique mineira de investimentos Seven Capital aposta tanto no mercado para a terceira idade quanto nos negócios funerários. A Seven já possui duas empresas. Uma delas é a Parque Brasil, que faz a prospecção de terrenos e constrói cemitérios e crematórios. A meta é aproveitar a demanda crescente pela cremação, algo que começa a se popularizar no Brasil depois de avançar nos Estados Unidos e no Canadá (observe o quadro). Outra companhia é a lkaria, plataforma digital com produtos e serviços para a terceira idade a ser lançada em outubro.

A terceira iniciativa, diz Hugo Tanure, diretor do comitê de investimentos da Seven Capital, junta a demanda por cremação a uma proposta sustentável. A empresa Bios Brasil vai lançar bioparques, em que as cinzas dos falecidos serão depositadas para estimular o crescimento         das árvores. “Identificamos uma oportunidade relacionada à destinação das cinzas a partir do momento que a pessoa opta pela cremação, alternativa que tem crescido consistentemente”, diz Tanure, que também é CEO da Bios Brasil. “Atuamos em um setor com menor dependência do cenário macroeconômico e político do país

DO PÓ À PLANTA

Em cada um dos parques, com área verde ao redor de 1,5 milhão de metros quadrados, serão plantadas 30 mil árvores. Sua germinação será auxiliada pelas cinzas. “Elas são 100% minerais e contribuem para o crescimento da flora local”, diz o executivo, sem parentesco com o empresário Nelson Tanure. Apesar de lançar as cinzas em parques ser uma prática tradicional (e gratuita), o empresário garante que consegue agregar valor à prática. “Vamos oferecer unia experiência que une o passado, com as memórias de quem já se foi, com o presente e o futuro, por meio da plantação de árvores e do uso da tecnologia”, diz ele. A frente de cada planta estimulada pelas cinzas haverá uma placa com QR Code, com o perfil virtual do finado. Para garantir a sustentabilidade ambiental, as urnas nas quais serão depositadas as cinzas e as sementes são biodegradáveis. Para homenagear o ente querido, o custo pelo serviço vai variar entre R$15 mil a R$ 20 1mil por árvore. Haverá a opção de pacotes com até vinte árvores, que formarão um bosque a ser usado por uma família inteira. A expectativa é que a Bios Brasil alcance um faturamento de RS 3 bilhões quando os parques estiverem plenamente arborizados.

O primeiro bioparque será lançado na cidade de Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte. Para fazer o manejo do terreno, a Bios Brasil conta com o apoio da Universidade Federal de Viçosa e do Instituto Mineiro de Agropecuária. Com pesquisa e desenvolvimento, foram gastos até agora cerca de RS 20 milhões. Para construir os seis parques serão investidos de RS 100 milhões a R$ 150 milhões. Em cada uma das capitais haverá a abertura para a entrada de novos sócios locais no empreendimento. O segundo parque será em São Paulo e a previsão é que ele esteja pronto até 2020. “Quando o bioparque de São Paulo estiver em operação, começaremos os estudos para realizar a abertura de capital da Bios Brasil na bolsa”, afirma Tanure.

Cada parque terá até sete espécies de árvores para escolha. Pelas características específicas do bioma das regiões, as capitais terão diferentes opções. Em Minas Gerais, serão ipê amarelo, pau brasil, jacarandá, acácia, quaresmeira, sibipiruna e jequitibá. “Em um momento em que se fala tanto sobre a Amazônia, medidas que tragam a preocupação com o meio ambiente são muito importantes, até porque o sepultamento não é totalmente ecológico”, afirma Tanure. Ele diz que os bioparques terão cunho ecumênico, sem discriminação de qualquer tipo de crença religiosa. No plano da Bios Brasil, consta ainda o lançamento do modelo de franquias e bioparques voltados para o mercado pet.

ALIMENTO DIÁRIO

A HISTÓRIA DO CASAMENTO

DIA 23 – A HISTÓRIA DE JOHN

Tecnicamente, eu me guardei para minha esposa, mas eu estava preso à pornografia unida à masturbação. Trouxe esses vícios para o meu casamento, pensando que o sexo com minha linda esposa curaria meu vício impuro. Isso não aconteceu. Continuei a lutar contra a luxúria por anos após nossa cerimônia de casamento. Meu vício foi um grande obstáculo à nossa vida sexual. Eu estava envergonhado e confuso. Não queria estar preso à luxúria, mas por mais que tentasse, não conseguia me libertar. Alguma coisa tinha de mudar.

Em 1984 eu era responsável por fazer o transporte dos conferencistas que eram convidados para pregar em nossa igreja. Um dia, abri-me com relação às minhas lutas com um desses convidados, um homem de Deus a quem eu respeitava profundamente. Ele era conhecido por seu ministério de libertação. Se alguém podia me ajudar, pensei, era ele. Então contei a ele as minhas lutas.

A reação dele não foi o que eu esperava.

— Pare! — ele disse. — Você precisa simplesmente parar com isso!

— Tudo bem — eu disse. — Mas o senhor pode orar por mim?

Ele orou, mas nada aconteceu. Pensei: Talvez eu precise encontrar alguém que possua um dom mais forte para ajudar as pessoas a se libertarem. Mas eu não conseguia pensar em ninguém que tivesse um ministério de libertação mais poderoso que o dele. Eu me sentia enterrado no meu pecado.

Cerca de nove meses depois, um amigo nosso permitiu que eu ficasse no apartamento dele por quatro dias. Retirei-me para aquela propriedade com o único propósito de confrontar meu vício. “Deus, chega”, eu disse finalmente. “Isto precisa acabar!” Naquele dia – 6 de maio de 1985 – fui milagrosa e completamente liberto.

Depois de alguns meses andando em liberdade, perguntei ao Senhor: “Deus, não entendo. Por que não fui liberto quando oraram por mim? Eu me humilhei me abrindo com aquele grande homem de Deus. Por que a libertação demorou tanto?”

Imediatamente Deus dirigiu minha atenção para uma mudança na minha vida de oração. Durante muito tempo, a essência das minhas orações era: “Deus, usa-me. Por favor, usa-me”. Eu era o centro da minha vida de oração. Todas as minhas orações giravam em torno do meu bem-estar e do meu chamado. Meu desejo de ser livre da luxúria não era motivado pelo amor a Deus ou mesmo pelo meu amor por Lisa. Ele era alimentado pelo medo de que meus problemas com a luxúria me impedissem de um dia cumprir meu chamado. Meu egocentrismo obstruía minha intimidade com Deus, e essa falta de intimidade me impedia de experimentar Seu poder transformador.

Então algo mudou em meu coração, e minhas orações passaram a ser centradas no Senhor: “Deus, quero Te conhecer. Não permita que nada fique entre nós”. Deixei de ser uma pessoa egocêntrica e passei a ser uma pessoa focada em Deus. Quando tirei os olhos de mim mesmo e os coloquei no Senhor, abri minha vida para Sua graça. Ele me libertou e trouxe cura à minha sexualidade. Eu havia abraçado o que a Bíblia chama de tristeza segundo Deus.

A TRISTEZA SEGUNDO DEUS

A tristeza segundo Deus não produz remorso, mas sim um arrependimento que leva à salvação, e a tristeza segundo o mundo produz morte. 2 Coríntios 7:10

Durante anos, senti tristeza por causa dos meus vícios. Como mencionei anteriormente, eu não queria ficar preso à luxúria e me sentia enojado com o meu comportamento. Muitas pessoas sentem tristeza pelos seus pecados. Mas existe uma tristeza que vem da parte de Deus e nos leva ao arrependimento e à transformação, e existe uma tristeza que vem do mundo e leva à condenação sem mudança.

A tristeza mundana é focada em si mesma e é alimentada pelo orgulho. Ela é marcada pelo desespero e pela autodepreciação porque só vê as soluções que são possíveis dentro das limitações humanas. Ela não enxerga a esperança que há no conhecimento do poder de Deus e, portanto, levará invariavelmente à morte espiritual.

A tristeza segundo Deus, por outro lado, não é autodepreciativa ou egocêntrica. Ela está centrada em Deus. Embora venha acompanhada pela dor, ela carrega em si esperança no futuro; pois sua força está na capacidade de Deus de santificar, capacitar e redimir. A tristeza segundo Deus pode doer por um momento, mas a alegria e a vida logo virão em seguida.

A tristeza e a condenação do mundo haviam fortalecido o poder da luxúria sobre minha vida. Eu pensava que estava agindo segundo o coração de Deus quando orava pedindo que Ele continuasse a me usar, mas na verdade estava sendo orgulhoso. O meu desejo de ser livre tinha a ver com meus interesses. Tinha pouco a ver com a maneira como eu estava ferindo o coração de Deus.

Muitas pessoas desejam ser libertas unicamente porque não querem que seus pecados se acumulem em baús de remorso, impeçam seu sucesso futuro ou resultem em juízo. Essa disposição medrosa de se autoproteger nunca produzirá o poder para mudar.

Não podemos nos tornar como Deus se não conhecemos Seu coração e não compartilhamos Dele. Intimidade com Deus é sempre um precursor para a transformação. Nós nos tornamos e continuamos livres do pecado permanecendo em um relacionamento com Ele. À medida que nos aproximarmos de Deus, Ele se revelará e nos capacitará para sermos santos:

… “Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes”. Portanto, submetam-se a Deus. Resistam ao diabo, e ele fugirá de vocês. Aproximem-se de Deus, e Ele Se aproximará de vocês! [Se revelará a vocês] … Troquem o riso por lamento e a alegria por tristeza [tristeza segundo Deus]. Humilhem-se diante do Senhor, e Ele os exaltará. Tiago 4:6-10, acréscimos do autor

Deus nos exalta nos livrando dos desejos e das armadilhas da nossa natureza pecaminosa. Foi para a liberdade que Ele nos libertou. Mas não podemos descobrir a liberdade até que passemos a conhecer o Libertador. Se você deseja libertação, busque o coração de Deus. Essa proximidade alimentará uma tristeza profunda segundo Deus sempre que você não estiver andando nos caminhos Dele, o que por sua vez o atrairá a um relacionamento mais profundo com Ele e o capacitará a andar em liberdade.

Lembre-se de que você é um filho de Deus, e a condenação não tem lugar em sua vida. Se você vacilar em seu caminho rumo à liberdade, não se permita permanecer na sua própria incapacidade. Não temas as consequências do seu erro. Em vez disso, permaneça na grandeza de Deus e no poder redentor da Sua graça.

Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus, porque por meio de Cristo Jesus a lei do Espírito de vida me libertou da lei do pecado e da morte. Romanos 8:1-2

PORNOGRAFIA E INTIMIDADE

Embora eu (John) pensasse ingenuamente que meu vício em pornografia desapareceria depois que eu me casasse, aconteceu exatamente o oposto. Muitos casais tiveram a mesma experiência que eu tive: o uso de pornografia afeta negativamente homens e mulheres casados, e não apenas os solteiros. Os efeitos dessa prática sobre o casamento são sempre prejudiciais, tornando-se um obstáculo à capacidade do casal desfrutar de uma verdadeira intimidade.

O chocante é que ouvimos relatos de conselheiros cristãos aconselhando casais a assistirem a pornografia juntos como um estímulo sexual. Esse é um grave erro! Não faça isso. Você descobrirá com o tempo que despertou um dragão adormecido que consumirá sua intimidade com o fogo da luxúria. E “… os olhos do homem nunca se satisfazem” (Pv 27:20, ACF). A pornografia é uma grave ameaça ao casamento antes e depois da cerimônia nupcial. E quer estejamos com nosso cônjuge ou a sós, não fomos criados por Deus para assistir à vergonha de outros.

Embora a pornografia ofereça um estímulo e uma satisfação temporais porque apela para os desejos da nossa carne, ela corroerá nossa capacidade de termos intimidade com nosso cônjuge e com Deus. Por fim, ela nos deixará insatisfeitos com nosso cônjuge e com nós mesmos. A pornografia pode estimular a experiência sexual, mas ela não tratará dos problemas mais profundos de um relacionamento. O que parece ser uma solução de efeito rápido só acrescenta um peso avassalador a uma fundação que já está instável. Embora possa parecer que a pornografia acenderá uma centelha de vida, ela na verdade acende um fusível mortal que acabará deflagrando uma explosão de confusão, desconfiança e insegurança.

O plano de Deus é que o prazer sexual seja algo que você receba exclusivamente ao se entregar àquele com quem sua vida está comprometida. Isso promove uma intimidade que vai além do leito matrimonial e aperfeiçoa o relacionamento conjugal como um todo. Satisfazer seus desejos com a pornografia, ao contrário, é a busca de prazer dentro dos limites do eu. Ela não exige intimidade, apenas um estímulo e um objeto de atração. O prazer da pornografia é apenas uma sombra transitória da euforia experimentada na intimidade projetada por Deus.

Quando um casal leva a pornografia para sua união, eles corrompem o leito matrimonial incluindo outras pessoas em sua intimidade. Esse nunca foi o plano de Deus. A experiência sexual deve ser um lembrete da aliança que une duas vidas, e não há espaço na aliança matrimonial para terceiros. O que é sagrado entre duas pessoas passa a ser poluído com o envolvimento de várias. Deus quer que honremos o leito conjugal – e a aliança que ele representa – porque Ele deseja que esse seja um lugar de tremendo deleite e de satisfação duradoura.