A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CONTE RÁPIDO: QUANTOS SÃO?

Cientistas estimam que de 3% a 6% da população sejam incapazes de contar objetos rapidamente. Eles isolaram a região da contagem no cérebro e, com isso, tentam descobrir como as pessoas calculam o número de itens existente em determinado recinto.

O problema em identificar com precisão essa área é que o ato de contar implica obrigatoriamente usar a linguagem, e as regiões da linguagem são ativadas quando o cérebro enumera. Para mantê-las desativadas, a pesquisadora Fúlvia Castelli, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, usou cores.

Isso porque ela descobriu que o sulco intraparietal – uma longa “lasca” de tecido na parte de trás do cérebro – tabula “quantos?” e não “quanto”. Voluntários convocados para um teste foram expostos a uma série de clarões de azul e verde que preenchiam retângulos num tabuleiro apresentado em vídeo. Quando as cores apareciam em quadrados isolados, o sulco era ativado – mas, quando as cores eram combinadas em fileira, isso não ocorria.

Uma analogia com esse processo na vida real é, por exemplo, perceber de imediato qual fila no caixa do supermercado éa mais curta. Há quem visualize as pessoas uma a uma para ver quantas há na Ala, outras criam uma representação mental de seu comprimento real. Pessoas com a chamada disfunção de cálculo não conseguem desenvolver esse mapa mental, o que as obriga a contar todo mundo lentamente. Castelli espera estudar maneiras de fortalecer essa capacidade de representação.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

NOVA TECNOLOGIA PARA CRIANÇAS

A terapia do esquema é uma forma inteiramente nova de trabalhar fortalecendo e enriquecendo a personalidade infantil em formação

Em uma sala de psicoterapia projetada para o atendimento infantil, uma criança representa seus conflitos em um cenário semelhante a sua sala de aula, por meio de fantoches retratando a professora e os colegas. Na encenação é dia de entrega de notas. Ela afirma, com um rosto desconcertado, que não faz sentido a nota que tirou, pois ela é muito inteligente. 

A cena prossegue e a criança fica cada vez mais tensa. Seu fantoche simula olhar demoradamente a nota. O fantoche da terapeuta, que agora representa a professora, lhe diz: “Você foi bem!”. E o fantoche da criança, que quase não tem mais sua função mediadora, diz: “Mas por dois décimos eu não tirei oito, dois décimos! Isso não é possível, eu sou muito inteligente! Isso não pode ser! Tem algo de errado com essa nota!”.

A cena continua com a terapeuta utilizando todos os fantoches a sua disposição para diminuir a inconformidade e o sofrimento presentes na cena, mas a criança insiste: “São dois décimos para oito, e nem é um nove, ou dez”. A terapeuta percebe que há uma grande tensão interna na criança, pois ela vê incoerência entre quem acredita ser e o que a realidade, “a nota”, lhe trouxe por evidência. Reatar os fios da conexão consigo mesma e promover um senso de eficácia são prementes, pois é preciso ajudar essa criança a suprir suas necessidades psíquicas de se sentir ela mesma, acertando ou errando.

Mas é difícil vencer o “pai exigente” que essa criança tem internalizado, que tenta punir a “criança vulnerável” que chora a perda da nota. Sabendo disso, sua terapeuta a convida para uma outra atividade: analisar o que aconteceu na “sala do conselho de modos”. A terapeuta usará agora outra técnica. Ela sabe que a criança já conhece bem os vários lados (modos) de seu “eu” e sabe identificar quando sua parte vulnerável, zangada, impulsiva, exigente ou punitiva acionou um botão mental e a fez pensar, agir e sentir de uma forma que não ajuda.

Pede, então, que a criança identifique qual botão estava acionado em sua cabecinha quando ela representou ter recebido a nota, e a criança diz: “Minha criança fraquinha!” (vulnerável em termos técnicos). Nesse momento a criança, que já sabe que dentro dela existem vários botões mentais que quando “acionados” lhe causam grande sofrimento, é convidada pela terapeuta a analisar seu conflito de forma diferente.

Ela pega o boneco que sempre tem representado o modo frágil da criança e o leva para um tabuleiro onde estão dispostos um trono e nove outros lugares ao redor. Cada lugar é ocupado por um “modo” do seu “jeito de ser”. Há lugar para todos seus lados criança: a zangada, a impulsiva, a vulnerável e a feliz. Também há lugar para seus lados pais: exigente e punitivo. Há ainda três lugares para as formas desengonçadas (estratégias desadaptadas) para lidar com os problemas da vida, nesse caso a nota.

Ela pode se afundar no problema, pode agir como se o problema não existisse, ou pode agir como se, dada sua suposta superioridade, não devesse se importar com a nota. Mas finalmente há lugar para sua parte sábia, criativa e inteligente, que a ajuda a se equilibrar e encontrar formas mais adequadas de atender suas necessidades psicológicas.

Todos os lados (modos) têm bonecos que os representam e estão presentes nessa sala de conselho dos “modos” de ser: no trono, primeiro se senta o lado “fraquinho”, e a criança fala de todo o seu sofrimento, fragilidade, medo, dor e incompreensão através de seu boneco. O trono vai sendo ocupado sucessivamente pelos outros modos na tentativa de resolver o problema, mas apenas o modo sábio e o modo feliz conseguem encontrar soluções saudáveis.

Depois disso tudo, a criança é convidada a fazer uma técnica de relaxamento ou de mindfulness. Entretanto, antes de ir embora, a terapeuta procura fazer pontes para a vida e, com o auxílio da criança, procura estender os aprendizados da sessão para as situações concretas que ela enfrenta. Essa é uma sessão típica de terapia de esquema com crianças. Técnicas mais sofisticadas podem ser utilizadas com adolescentes, mas a tônica é sempre a mesma: dar voz aos vários “modos de esquema” que a criança e o adolescente possuem dentro deles, debater, refletir, questionar, encontrar soluções e fazer pontes para a vida.

Neste artigo procuraremos apontar como uma psicoterapia cognitiva de terceira onda, originalmente orientada para o trabalho com pacientes com transtornos de personalidade e transtornos crônicos graves, pode ajudar no trabalho com crianças e adolescentes. Numa primeira e superficial leitura dos textos sobre terapia do esquema pode parecer que essa abordagem se aplicaria apenas a crianças e adolescentes com transtornos graves, como os externalizantes, ou aos pequenos e adolescentes que parecem apresentar sinais prodômicos de futuros transtornos de personalidade. Isso é falso. Essa é uma forma inteiramente nova de trabalhar, fortalecendo e enriquecendo a personalidade em formação.

INTEGRAÇÃO

Para avançarmos na compreensão do poder transformador da terapia do esquema na infância e, especialmente, na adolescência podemos começar definindo claramente o que é personalidade, como ela se constitui e como se desenvolve, já que os esquemas iniciais adaptativos estão na base de uma personalidade saudável, e é sobre a promoção de esquemas iniciais adaptativos que o trabalho do terapeuta do esquema se dará, especialmente o daqueles que se dedicam à infância e adolescência. O dicionário da American Psychological Association afirma que personalidade diz respeito “a configuração de características e comportamento que inclui o ajustamento de um indivíduo à vida, incluindo traços, interesses, impulsos, valores, autoconceito, capacidade e padrões emocionais importantes. A personalidade é vista como uma integração ou uma totalidade complexa e dinâmica, moldada por muitas forças, incluindo hereditariedade e tendências constitucionais, maturidade física, treinamento precoce, identificação com indivíduos e grupos significativos, valores e papéis culturalmente condicionados e experiências e relacionamentos críticos. Várias teorias explicam a estrutura e o desenvolvimento da personalidade de diferentes formas, mas todas concordam que a personalidade ajuda a determinar o comportamento”.

A partir dessa definição, algumas perguntas nos saltam aos ouvidos: quando um indivíduo começa um processo de desajuste psíquico na vida? Isso pode começar na infância? Quando e como suas estratégias para lidar com seus problemas cotidianos, seus interesses, seu autoconceito começam a lhe trazer sofrimento significativo? Na infância? Às vezes! Na adolescência? Muitas vezes!

Um ouvido ainda mais aguçado ficaria atento a algumas coisas a mais: se a personalidade é moldada por múltiplas forças, aquelas que são constitucionais ou herdadas (por exemplo, o temperamento) e aquelas que advêm do ambiente no qual as pessoas estão inseridas (modelos e modelagem de habilidades e competências sociais), como proteger o desenvolvimento da personalidade de experiências e relacionamentos críticos e desastrosos? Terapeutas do esquema apresentam uma resposta simples, porém muito consistente: identificando, avaliando e oferecendo o suprimento de necessidades psicológicas básicas, quais sejam: senso de conexão e pertencimento; senso de autonomia e capacidade; padrões de comportamento equilibrados e responsabilidade e limites adequados.

Fica claro que essas necessidades começam a surgir e se desenvolvem ao longo da infância e da adolescência e que o não suprimento delas levaria a quadros psicológicos mais graves, especialmente os transtornos de personalidade. Sendo assim, quanto mais precocemente aplicarmos tecnologias psicológicas para melhorar o processo de formação de uma personalidade saudável, mais saúde mental ofereceremos às pessoas em geral. O objetivo dos terapeutas do esquema que trabalham com crianças, adolescentes e com famílias é auxiliar na aquisição ou ativação de estratégias saudáveis para obtenção de senso de pertencimento, autonomia responsável, senso de capacidade realista, regulação emocional e comportamental e senso de limite.

MODOS DE ESQUEMA

Todos são estados ou partes do self que estão ativos em um dado momento e envolvem uma combinação de emoções, cognições e respostas comportamentais. Essa combinação de elementos aponta para um ou mais EIDs ativos momento a momento, apresentam dez modos de esquemas que são distribuídos em quatro categorias: modos criança, modos de enfrentamento disfuncionais, modos pais disfuncionais e modos adulto saudável.

Os modos criança são inatos, sendo assim todas as crianças têm o potencial de manifestá-los de quatro formas: modo criança vulnerável ou ferida, modo criança zangada, modo criança impulsiva e modo criança feliz. A criança vulnerável agrupa grande parte dos EIDs como os de abandono, abuso, privação emocional. Com esse modo ativo, a criança/adolescente acredita que ninguém é capaz de perceber as “injustiças” que ela acredita estar sofrendo. O modo criança feliz diz respeito ao momento no qual a pessoa sente que suas necessidades emocionais foram atendidas.

Os modos de enfrentamento disfuncionais são: o capitulador complacente, no qual a pessoa se submete às pessoas e situações, mantendo seu conflito. No caso dos adolescentes, por exemplo, eles se submetem a desejos e interesses do grupo de amigos temendo perdê-los; o protetor desligado, no qual o indivíduo se afasta do sofrimento utilizando diferentes formas de evitação (comportamental, emocional e cognitiva). Nesse caso, o adolescente passa a evitar situações e emoções conflituosas desligando-se emocionalmente de pessoas e situações que ele insiste em dizer que não o afetam. Por último, o hipercompensador reage aos EIDs através de comportamentos hostis contra outras pessoas ou de autoengrandecimento, que nos jovens aparece quando eles exageram competências e qualidades para se sentirem mais seguros.

Os modos pai/mãe disfuncionais são resultantes da internalização dos cuidadores (pais, educadores, avós) da criança ou do adolescente e podem ser classificados como punitivos ou exigentes. O primeiro (pais punitivos) diz respeito à punição de um dos modos criança devido ao seu “mau comportamento”. Nesses casos, os adolescentes começam a pensar que são inadequados, incapazes, sem valor e podem se punir de diferentes maneiras, como, por exemplo, em casos mais graves, infringindo-se cortes (automutilação) enquanto pensam:

“Você não merece…”; “Você não é digno…”; “Você não tem o direito…”.

O modo pai/mãe exigentes é a cobrança de padrões altos de desempenho. Neste caso, a criança e o adolescente apresentam um perfeccionismo que os leva a sofrimento, sentindo-se algemados a altos padrões de performance. Os pensamentos giram em torno de: “Seja forte!”, “Seja o melhor!”; “Sempre há algo para melhorar!”.

O décimo e último modo identificado é o modo sábio e inteligente. A criança/adolescente deve ser capaz de monitorar, cuidar e curar os outros modos disfuncionais, encontrando formas saudáveis de obter a satisfação de suas necessidades de conexão, autonomia e desempenho, autocontrole e livre expressão de ideias e sentimentos de forma equilibrada.

ETAPAS

A terapia do esquema para adolescentes consiste em três etapas principais: identificação, psico – educação e modificação de EIDs e modos de esquema, tanto nas crianças e adolescentes quanto em seus pais/cuidadores diretos.

O conceito de modo de esquema é trabalhado extensamente nos protocolos por meio de diferentes técnicas, como teatro de fantoches – técnica utilizada na etapa cujo objetivo é avaliar, psicoeducar e modificar modos presentes na criança, relacionando-os às situações de conflito reais (pontes para a vida). Com as mesmas finalidades,

usam-se “clipcharts”, nos quais se inserem os modos dentro de uma representação gráfica do próprio adolescente, ou ainda a técnica das cadeiras, na qual cada uma delas representa um modo que deve ser explicitado pela criança ou adolescente quando estes se sentam na respectiva cadeira.

Da mesma forma, os pais são avaliados e psicoeducados. Busca-se diminuir o efeito dos modos disfuncionais dos pais na relação com os filhos. Não é incomum encontrarmos pais com seus modos criança ativos procurando educar seus filhos adolescentes, ou ativando seus pais punitivos e exigentes quando não conseguem alcançar objetivos em suas práticas de educação, sentindo-se frustrados, ineficazes e cobrando exageradamente de si e de seus filhos. Outros ainda evitam suas tarefas de orientar e educar, ou hipercompensam exagerando habilidades que lhes faltam. Em muitas ocasiões, compreendem que esses modos se perpetuam há gerações em suas famílias e sabem que não é simples conscientizarem-se para combater suas formas desadaptadas de lidar com conflitos. À medida que a terapia dos pais e dos filhos evolui, assistimos ao nascimento ou ao ressurgimento de relações entre pais e filhos nas quais as necessidades psicológicas de conexão e pertencimento vão emergindo, e núcleos familiares, muitas vezes, se sentem “família” pela primeira vez em muito tempo.

Buscar a conexão saudável entre pais e filhos, senso de competência e eficácia em todos os membros da família; verificar em pais e filhos a capacidade de se autocontrolar e gerenciar de forma equilibrada suas emoções e comportamentos; encontrar o equilíbrio dinâmico de dar e receber auxílio e afeto e aprender que há formas adequadas para expressar qualquer ideia e sentimento são as metas da terapia do esquema.

A IMPORTÂNCIA DO PAPEL DA FAMÍLIA

Os esquemas iniciais desadaptativos (EIDs), que obstaculizam o desenvolvimento da personalidade saudável, se organizam a partir de uma atmosfera nociva presente no núcleo familiar, nas experiências escolares e nos grupos de amigos. Eles se originam, grosso modo, nas condições de privação de necessidades psicológicas básicas não atendidas, gerando crenças de desconexão e rejeição; uma visão de incapacidade ligada a um senso de autonomia e desempenho prejudicados; falta de limites precisos, o que leva a comportamentos impulsivos e mimados; um forte direcionamento a suprir as necessidades dos outros e, ainda, uma expectativa de punição ou exigências que levam à supervigilância do ambiente e à inibição de comportamentos mais espontâneos

ATMOSFERA EM QUE OS EIDS SE DESENVOLVEM NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

DESCONEXÃO E REJEIÇÃO

Os pais ou responsáveis, professores e/ou colegas são geralmente individualistas, frios, rejeitadores, explosivos, imprevisíveis ou abusivos.

AUTONOMIA E DESEMPENHOS PREJUDICADOS

Os pais ou responsáveis, professores e/ou colegas são, geralmente, emaranhados, afetiva e comportamentalmente à criança/adolescente, minando sua confiança, superprotegendo-os.

LIMITES PREJUDICADOS

Os pais ou responsáveis, professores e/ou colegas são caracterizados por excessiva permissividade, abuso, falta de direção e por inflarem um senso de superioridade.

DIRECIONAMENTO PARA O OUTRO

Os pais ou responsáveis. professores e/ou colegas foram ou são pessoas que baseiam sua relação com a criança em aceitação condicional: as crianças devem suprimir aspectos importantes de si mesmas a fim de ganhar amor, atenção e aprovação de seus pares.

SUPERVIGILÂNCIA E INIBIÇÃO

Os pais ou responsáveis, professores e/ou colegas são cruéis, exigentes e às vezes punitivos. Nestes contextos relacionais desempenho, dever, perfeccionismo, seguimento de regras, ocultar as emoções e evitar erros predominam sobre o prazer, alegria e relaxamento.

GESTÃO E CARREIRA

DESAFIOS PARA EQUILIBRAR CARREIRA E MATERNIDADE

Especialista em negócios e pessoas comenta os desafios e dá dicas às mulheres de como manter o equilíbrio entre carreira e maternidade

Unir o lado mãe com o profissional não é uma tarefa fácil. Esse processo começa justamente com desafios que surgem após o retorno da licença-maternidade. Às vezes, aparecem até antes mesmo do nascimento do filho(a), que levam às mulheres a questionar sobre sua permanência na empresa e como ela será, por exemplo.

Isso acontece porque o Brasil traz uma realidade muito triste sobre as recêm-mamães profissionais: segundo pesquisa Licença-maternidade e suas consequências no mercado de trabalho do Brasil, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), 48% das mulheres são demitidas após o retorno ao trabalho.

Em tempos de novos modelos no mercado de trabalho, definidos pela expansão da tecnologia, essa errônea decisão do empregador poderia ser evitada com um simples ajuste, adaptação e preparo da empresa e equipes para o retorno dessas profissionais após o período de licença-maternidade.

Segundo Lara Dias, especialista em negócios e pessoas do Grupo Support, há flexibilidades em que o empregador pode criar e oferecer para a profissional, como carga horária flexível, home office e estrutura de integração da mãe do bebê dentro do ambiente de trabalho (berçário ou creche), por exemplo.

Porém, o mais importante ainda do que pensarmos nessas flexibilidades no retorno da licença-maternidade, segundo Lara Dias, é a “compreensão da empresa e todos nela envolvidos no momento que está sendo vivenciado pela mulher. Um momento que não só muda de forma biológica, mas principalmente emocional a mulher como um todo”. E completa: “Sendo assim, um ambiente inclusivo e acolhedor facilita esse processo de adaptação, pois a mulher não se sente um erro por ter optado por engravidar”.

Na contramão da triste realidade das demissões no retorno da licença-maternidade, as profissionais – na necessidade de manter o equilíbrio financeiro em casa e sua carreira profissional -, optam pelo empreendedorismo. Porém, importante ressaltar, que isso não diminui o grande equívoco em relação às demissões.

Decididas a empreender, os desafios de equilibrar carreira com maternidade/e os cuidados com o recém-nascido, continuarão existindo. “Mãe, mulher, esposa, filha, colaboradora e empreendedora são as multitarefas hoje assumidas pela mulher. E quando falamos de empreendedorismo falamos de uma doação acima da média e de responsabilidades que estarão ligadas a ela todo o tempo, o tempo todo”, ressalta a especialista em negócios e pessoas, Lara Dias.

OUTROS OLHARES

ESSE É “FREE-BOI”

A procura por hambúrgueres que imitam a textura e o sabor de carne deixou as grandes redes de fast- food com água na boca. Até o Burger King entrou na onda

Uma das maiores redes de fast­ food do mundo, o Burger King tem a tradição de louvar em seus cartazes a cultura da gastronomia ogra, estratégia comum também entre seus principais concorrentes. E tome fotos de sanduíches com vários andares de carne, intercalados por queijo e fatias de bacon. No último dia 12, a empresa fundada nos Estados Unidos em 1954 fez um dos movimentos mais radicais de sua história, anunciando a versão vegetariana de um dos carros- chefe do seu cardápio, o Whopper. A cadeia de lanchonetes lançou no mercado americano o Impossible Whopper, que leva esse nome por usar o hambúrguer desenvolvido pela Impossible Foods, companhia especializada em produtos plant­ based, ou seja, alimentos criados a partir de vegetais, imitando a textura e o sabor da proteína animal. A novidade tem 40% menos gordura saturada em comparação ao similar tradicional.

O negócio chega ao Brasil em setembro, em 58 lojas da cidade de São Paulo. Por aqui o lanche plant- based será chamado de Rehei Whopper e, outro grande sinal da mudança dos tempos, sua proteína terá a marca da Marfrig, uma das líderes na produção de carne bovina no mundo, em parceria com a americana Archer Daniels Midland Company, processadora agrícola e fornecedora de ingredientes alimentícios que está entre as maiores do planeta. O interesse é tão grande que os dois gigantes também vão produzir o seu hambúrguer vegetal para a venda em supermercados. “Muita gente quer reduzir o consumo de carne ou até se tornar vegetariana, mas valoriza seu sabor”, diz Ariel Grunkraut, diretor de marketing do Burger King no Brasil.

Os investimentos mostram que o produto está deixando de ser um negócio de nicho. A primeira rede brasileira a usar um hambúrguer 100% vegetal foi a Lanchonete da Cidade, com cinco endereços em São Paulo. Em maio passado, a cadeia lançou o Futuro Burger, que tem proteína de ervilha e soja, além de grão-de-bico e beterraba. A receita leva ainda queijo e maionese veganos. O hambúrguer é fornecido pela Fazenda Futuro, startup brasileira especializada ao assunto e que já recebeu mais de 30 milhões de reais de investidores externos. “A sacada foi perceber que o consumidor poderia comer algo com um significado, um propósito, que não seja apenas satisfazer a fome”, teoriza Vinícius Abramides, diretor-geral da Companhia Tradicional de Comércio, dona da Lanchonete da Cidade. Existe mesmo demanda pelo Futuro Burger, que custa 29 reais: no último mês, foram vendidos cerca de 10.000 sanduíches do tipo, o equivalente a 20% do total de lanches comercializados. Ele só não agrada ao paladar de alguns críticos gastronômicos (veja o quadro abaixo).

O estabelecimento não é o único atendido pela Fazenda Futuro (no Rio, a TT Burger usa seu produto). São mais de 3.000 pontos de venda atualmente, contando as bandejas de hambúrgueres comercializadas pelas redes Extra, Pão de Açúcar e Carrefour. A empresa fechou recentemente urna parceria com o Spoleto e vai fornecer também almôndega e carne moída vegetal à franquia de massas. Até o fim do ano, a Futuro terá capacidade de produção de 550 toneladas de carne vegetal. “Existe espaço no país para a criação de um player global de alimentos plant-based”, diz Marcos Leta, fundador da Fazenda Futuro.

O apetite para abocanhar esse negócio está em sintonia com a onda do consumo consciente de alimentos. Segundo levantamento do Datafolha em 2017, 63% dos brasileiros querem reduzir a ingestão de carne. A preocupação com a saúde ajuda a acelerar o processo de mudança. A Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, nos Estados Unidos, acaba de divulgar um estudo que mostra que pessoas com uma dieta baseada em produtos animais e carboidratos têm probabilidade 32% maior de morrer de doenças cardíacas em comparação com as que adotam uma alimentação baseada em vegetais. “Se eu impacto menos o meio ambiete, não existe animal envolvido, tem menos gordura, não tem colesterol, por que não trocar de hambúrguer?”, diz Alessandra Luglio, diretora do departamento de saúde e nutrição da Sociedade Vegetariana Brasileira. Até o Burger King já entendeu que para uma parte considerável de clientes a resposta é “sim”.

NÃO HÁ MILAGRES NA NATUREZA: VEGETAL É VEGETAL

Para quem gosta de comer carne, os hambúrgueres vegetais que pretendem imitar a textura e o sabor dos que são preparados tradicionalmente decepcionam. Têm a consistência pastosa demais e lhes falta a granulação natural, decorrente da fibra animal. Carecem também da umidade e do suco da carne. Além disso, por mais que camuflem, ainda permanecem com o paladar da leguminosa predominante em seu preparo, soja, grão-de-bico ou ervilha.

Mas os hambúrgueres vegetais sabor carne não se destinam a quem quer evitá-la? Eis um paradoxo. Por que, então, apresentar textura e sabor similares aos dela? Talvez fosse melhor deixar essas características neutras. A não ser que o público-alvo seja o das pessoas loucas por uma picanha mal­passada ou uma costela gorda que, por convicções dietéticas, filosóficas ou até religiosas, se sintam culpadas depois de saborear a carne.

Não está em questão a qualidade dos produtos lançados agora no mercado, até porque são tecnicamente benfeitos. Algo que os ajudará a surfar na onda vegana e talvez cair no gosto descolado dos jovens millennials, a faixa demográfica da população mundial nascida entre a década de 80 e o começo dos anos 2000.

A soja, o grão-de-bico, a ervilha ou qualquer leguminosa recebem diversos tratamentos para que a textura do hambúrguer vegetal se assemelhe à da carne e passam por outros procedimentos destinados a obter um sabor parecido. Para que esses resultados sejam alcançados, faz-se necessária a intervenção cientifica. O espessante utilizado, por exemplo, costuma ser a metilcelulose, um composto químico derivado da celulose. Não há milagres na natureza: é inútil tentar recorrer a uma varinha de condão. Vegetal é vegetal: carne é carne.

GESTÃO E CARREIRA

PECHINCHA A BORDO

Os ônibus entram na onda dos aplicativos de viagens compartilhadas no estilo Uber, provocam queda significativa nos preços e sacolejam o mercado

Fretar um ônibus remete à ideia de um negócio de alta envergadura, que envolve logística complicada. Pois esqueça o velho conceito, reinventado nos dias de hoje para atender a um novo propósito: transportar gente que quer viajar pagando menos e sem ter trabalho. Até agora, duas empresas vêm chacoalhando o universo rodoviário ao oferecer um serviço já conhecido como o “Uber dos ônibus”. A exemplo do aplicativo que imprimiu outra lógica em um setor dominado pelos táxis, a safra que abarca os coletivos só opera on-line e consegue emagrecer os preços à base do casamento da demanda com a oferta. À medida que as pessoas compram as passagens na internet, a ocupação vai subindo, subindo, até que a turma reunida é suficiente para garantir o aluguel do ônibus com motorista — afinal é disso que tratam a paulista Buser, a maior do mercado que se desbrava no Brasil, e a gaúcha Levebus. Elas são “facilitadoras no compartilhamento”, como reza o jargão, e não companhias de transporte, já que não têm um único veículo na garagem.

Primeira a demarcar espaço nas estradas brasileiras, a Buser (pronuncia-se com “u” mesmo) surgiu na cabeça do engenheiro aeronáutico Marcelo Abritta, 37 anos, quando ele estava para se casar, na Bahia, em 2016, e queria levar trinta amigos de ônibus à cerimônia. Abritta fez as contas e concluiu que saía mais barato fretar um ônibus com motorista e deixá-lo esperando durante os quatro dias de festejos, até a volta, do que comprar as passagens. Decidiu então apostar junto com um amigo em um negócio que fizesse o meio de campo para os viajantes. A Buser começou a funcionar para valer em março de 2018 e, atualmente, roda em quarenta cidades brasileiras do Sudeste, carregando 1 500 pessoas por dia em ônibus fornecidos por trinta empresas, que também garantem o motorista. A Levebus, que estreou em fevereiro de 2019, alcança trinta cidades na Região Sul e em São Paulo. Graças a estruturas muito enxutas, ambas conseguem preços em média 60% mais baixos que os do mercado. “Fiquei na dúvida, mas passei a usar o aplicativo da Buser e nunca tive problema”, disse a produtora carioca Larissa Moraes, prestes a embarcar para São Paulo em sua décima viagem no esquema de frete.

A novidade está provocando uma pequena revolução no nicho rodoviário. Enquanto se vê uma enxurrada incomum de promoções, um dos grandes grupos, o Águia Branca, dono da Expresso Brasileiro, foi mais longe e criou em julho o braço Aguiaflex, que duela em preço com os novatos no estilo Uber. O embarque nem sempre é feito em rodoviária, pode ocorrer em algum ponto pré-combinado, e os bilhetes são vendidos exclusivamente pela internet — o que poda custos e faz com que as cifras ombreiem com as da Buser e da Levebus. Mas nem tudo é igual ao serviço convencional (veja o quadro). O administrador Denis Silva, 38 anos, ficou perdido na hora de achar o local exato do embarque, no Centro do Rio. “Faltou sinalização”, conta. “O serviço ainda está em fase de testes e aperfeiçoamento”, explica Thiago Chieppe, diretor do Águia Branca. No caso deles, o assento comprado é garantido, mas não na Buser ou na Levebus, que não marcam lugar e eventualmente precisam cancelar a viagem por falta de quórum. É prudente monitorar o site para saber. A Buser não revela a lotação mínima necessária para assegurar a partida; a Levebus informa que sai com uma ocupação em torno de 50%.

Como ocorreu com a Uber, o fretamento compartilhado é questionado juridicamente. “Essa é uma forma clandestina de prestação de serviços regulares”, afirma o advogado Alde Santos Júnior, que representa a associação do setor, a Abrati, em uma ação que tramita no Supremo Tribunal Federal. Um dos argumentos é que as novas plataformas digitais não cumprem exigências legais, como gratuidade para idosos e deficientes, além das normas de segurança que se aplicam à concorrência. Marcelo Abritta, da Buser, rebate: “A lei nos permite operar e seguimos, sim, os padrões de segurança”.

Muitas variações de transporte coletivo on demand têm surgido dentro e fora do Brasil, sempre contando com inteligência artificial para unir demanda e oferta. É o caso da goiana CityBus 2.0, que dita o trajeto de seus ônibus graças a um sistema acionado pelos próprios passageiros. As rotas são adaptadas à sua localização. Iniciativas semelhantes pululam em outras cidades, como Oxford e Nova York. No Cairo (Egito), a Uber acaba de inaugurar um serviço de vans compartilhadas, que tem tudo para vingar. É uma mudança no modo como as pessoas se locomovem e um impulso para trazer um quê de racionalidade ao quebra-cabeça do cada vez mais intrincado transporte urbano.

ALIMENTO DIÁRIO

A HISTÓRIA DO CASAMENTO

DIA 21 – INTIMIDADE

O sexo foi feito para os relacionamentos totalmente comprometidos, porque ele é uma amostra da alegria que sentimos quando estamos em total união com Deus por meio de Cristo. O amor mais extasiante entre um homem e uma mulher na Terra é apenas um indício disso. — Timothy & Kathy Keller, The Meaning of Marriage (O Significado do Casamento)

… Vocês que se amam, comam e bebam, até ficarem embriagados de amor! — Cântico dos Cânticos 5:1, NTLH

A Bíblia não é tímida ao descrever os planos de Deus para o ato de fazer amor. Na verdade, ela é bem explícita e às vezes beira o erotismo. Se você não acredita em nós, passe algum tempo lendo o Cântico dos Cânticos com seu cônjuge e veja o que acontece.

Diferentemente de muitos de nós, Deus não tem vergonha do sexo. Ele tem prazer na sua beleza e celebra seu propósito. Deus quer estar intimamente envolvido com a nossa intimidade. O sexo dentro do contexto conjugal não é apenas bom e permitido – ele é sublime e incentivado!

“Bebam até ficarem embriagados de amor!” diz o Cântico dos Cânticos. Em outras palavras, o sexo é misterioso e profundo; não há motivo para se contentar com uma experiência superficial. Prove e desfrute da satisfação inigualável da intimidade.

Fazer sexo é como apertar um botão de “recarregar” no relacionamento, e por isso não nos surpreende que a Bíblia costume usar a água como uma metáfora para o prazer e a realização sexual. A água é essencial para a continuação da vida. Ela promove refrigério e vitalidade. Uma vida sexual saudável não é a essência do casamento, mas seu valor não pode ser menosprezado. Deus pretende que o ato de fazer amor seja uma celebração, um lembrete maravilhoso da aliança profunda que entrelaça duas vidas.

E você sabia que sexo faz bem para sua saúde? Além de aumentar o nível de intimidade no seu relacionamento, ele estimula seu sistema imunológico, ajuda você a manter um peso saudável, diminui sua pressão sanguínea, reduz a dor e diminui o risco de enfarte – para citar apenas alguns dos benefícios.

Alguns grupos da Igreja criaram um estigma em relação ao desejo por intimidade sexual e o igualaram a um apetite carnal e depravado. Por causa disso, até o sexo dentro do casamento adquiriu má reputação. Alguns até querem nos fazer acreditar que ele é um ato de obrigação que a esposa realiza em favor do marido. Mas o sexo na verdade foi feito para ser desfrutado por ambos os cônjuges! Alguns estigmatizaram o sexo como um mal necessário, tolerado em nome da procriação. Essa noção equivocada, somada às múltiplas perversões satânicas desse ato sagrado, fez com que muitos o vissem com grande apreensão.

A reprodução é um dos propósitos do sexo, mas desde o princípio Deus o designou para que fosse uma fonte de êxtase. “Seja bendita a sua fonte!”, diz a Bíblia. “Alegre-se com a esposa da sua juventude. Gazela amorosa, corça graciosa; que os seios da sua esposa sempre o fartem de prazer, e sempre o embriaguem os carinhos dela” (Provérbios 5:18-19). Outras traduções desse versículo dizem: sê encantado (AA), sejas atraído (ACF), e aproveite o prazer (ABV).

Está claro que Deus não é nenhum puritano. Ele criou os órgãos sexuais e não fica constrangido com as funções deles. Ele criou o sexo e configurou suas sensações. Nosso prazer é o prazer Dele. Ele não quer abreviar nossos desejos sexuais. Ele quer santificá-los.

SEXO SANTIFICADO

A santificação é a jornada da santidade, que também poderíamos dizer que é a jornada para alcançar o melhor de Deus para as nossas vidas. Pense nisso como a extração da natureza humana e a infusão da natureza divina. Começamos a desenvolver uma vida sexual excelente (o que faz parte do melhor de Deus para nós) quando abraçamos o chamado de Deus à santidade no quarto do casal. Ao fazer isso, descobriremos a gratificação sexual que transcende os limites da imaginação humana.

Mas Deus só pode santificar, ou tornar santo, aquilo que oferecemos a Ele. Infelizmente, muitos de nós nos recusamos a apresentar nossa sexualidade a Deus porque temos vergonha dos erros cometidos ou porque somos prisioneiros dos abusos que vivemos no passado. Essas experiências fazem com que vejamos nossa natureza sexual como ímpia, de modo que tentamos esconder essas dimensões obscuras daquele que é Santo. É surpreendente a rapidez com que muitos se esquecem de que o Criador do sexo tem o poder para redimi-lo e torná-lo santo.

A vergonha quer manter o foco em nós e longe de Deus. Ela nos aprisiona na tentativa de fazer com que rejeitemos a misericórdia e a graça de Deus. No fim das contas, o que inicialmente parece ser vergonha pode se transformar em uma forma de orgulho. Insultamos a misericórdia de Deus, como se o que Ele fez não fosse o bastante para curar essa área íntima de nossas vidas. Continuamos a manter a nossa dor bem pertinho de nós, em vez de liberá-la diante da luz do amor. Aqueles que sentem que Deus não os protegeu como deveria em sua vida sexual no passado muitas vezes têm medo de convidá-Lo para participar do seu presente. O fato é que Deus não falhou com você; o que aconteceu foi consequência da humanidade caída. Não permita que a vergonha do pecado ou do abuso o impeça de desfrutar toda a plenitude da intimidade conjugal e o êxtase sexual. Deus anseia curar tudo o que está quebrado e torná-lo santo.

Assim como muitos casais cristãos, quando nos casamos, presumíamos que nossos votos matrimoniais apagariam o histórico da nossa vida sexual passada e nos colocariam a caminho do paraíso. Acreditávamos que porque nos amávamos e estávamos comprometidos um com o outro, nenhuma sombra do passado atravessaria o limiar do nosso futuro. Imaginávamos que o acesso regular à intimidade sexual baniria os padrões egoístas ou a vergonha maculada. Infelizmente estávamos errados, e abordaremos as nossas próprias histórias aqui a fim de compartilhar as escolhas e revelações que nos trouxeram libertação.

Nenhuma herança ou fracasso pode desqualificar os filhos de Deus impedindo-os de estabelecer um novo legado sexual. Mas só Deus pode santificar a nossa sexualidade e redimir nossos erros passados, presentes e futuros. E é somente pela Sua graça que o leito matrimonial se torna um refúgio de realização e amor.

Seja qual for sua história passada, Deus deseja restaurar sua sexualidade de modo completo e radical. A graça Dele é maior do que qualquer coisa que você já tenha feito ou sofrido. Mas você não pode ter acesso à graça de Deus a não ser que primeiro faça Dele o Senhor da sua sexualidade. Reconheça sua necessidade e entregue-a a Deus. Ele transformará seu pesadelo sexual em um lindo sonho.

HONRANDO O LEITO MATRIMONIAL

O casamento deve ser honrado por todos; o leito conjugal, conservado puro; pois Deus julgará os imorais e os adúlteros. Hebreus 13:4

Se existe um problema no seu casamento, ele aparecerá primeiro na sua cama. A falta de paixão no leito matrimonial geralmente é um sinal de outros problemas, e não de um mau desempenho sexual. Os problemas ocultos se manifestam nos lugares de vulnerabilidade, e não há ocasião em que sejamos mais vulneráveis do que nos momentos de intimidade sexual.

O princípio mais importante da intimidade sexual é a honra. Muitos acreditam erroneamente que não há como desonrar ou contaminar o leito matrimonial, de modo que vale tudo entre o casal. Contudo, nada está mais distante da verdade.

Honramos nosso casamento quando, na época em que somos solteiros ou noivos, permanecemos puros e separados para o nosso futuro cônjuge. Honramos nosso leito matrimonial depois do dia do casamento ao nunca permitir que outros tenham espaço nele (cometendo adultério), tampouco permitindo que qualquer outra coisa diminua a beleza da intimidade sexual (como a pornografia, a perversão ou a impureza).3 O leito matrimonial não santifica os nossos vícios sexuais impuros; ao contrário, o comportamento impuro contamina o leito matrimonial e nos impede de desfrutar da verdadeira intimidade. Também honramos nosso leito vendo-o como um lugar no qual podemos servir ao nosso cônjuge procurando fazer o que é melhor para ele, como discutimos no último capítulo. Servir ao nosso cônjuge sexualmente significa honrar as necessidades dele dentro da definição de Deus de santidade.

Às vezes, servimos ao nosso cônjuge fazendo sexo mesmo quando não nos sentimos desejáveis. Quanto mais você envelhece, menos importa se sentir desejável. Você deixa de encarar o sexo como algo que funciona meramente como uma afirmação da sua atração física para seu cônjuge. Ele passa a ser mais uma atração íntima. Deus criou o sexo como uma maneira de maridos e esposas se conectarem um com o outro; não permita que a insegurança o impeça de desfrutar dessa conexão. (Nesse mesmo espírito de serviço, você não deve pressionar seu cônjuge a realizar qualquer ato com o qual ele ou ela se sinta desconfortável em nome do seu próprio prazer.)

Por termos feito do nosso leito matrimonial um lugar de honra, fazer sexo aos cinquenta é melhor do que era quando tínhamos vinte anos de idade – embora tivéssemos uma aparência bem melhor aos vinte anos do que temos agora. Fazer amor de forma maravilhosa não tem a ver com sua aparência ou com seu desempenho. Tem a ver com quem vocês são juntos.

Quando fazemos amor, estamos celebrando nossos mais de trinta anos de casamento. Nossas alegrias, dores, dificuldades e vitórias acrescentam significado e valor à nossa intimidade. Nossa intimidade espiritual, emocional e fisiológica culmina em um prazer e uma satisfação que vêm de Deus. A cultura sexual que estabelecemos no nosso casamento é um testemunho do poder redentor de Deus, pois estamos longe de onde começamos.