A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

QUANDO O CORPO SE TORNA UM ESTRANHO

Lesões no hemisfério direito do cérebro fazem com que pacientes ignorem tudo que se passa no lado esquerdo do corpo, braços e pernas inclusive

A primeira descrição de anosognosia foi feita pelo neurologista francês Joseph Babinski, em 1914. Do grego nossos, “doença” e gnosis, “conhecimento” é o que se dá a um estranho quadro desenvolvido por pessoas com determinadas lesões cerebrais, em geral confinadas ao hemisfério direito, que passam a não reconhecer a metade paralisada do próprio corpo, ignorando sua doença.

Uma paciente com paralisia do lado esquerdo em decorrência de derrame sofrido dois dias antes aguardava minha avaliação. Quando entrei no quarto do hospital, ela falava animadamente no telefone, enquanto os parentes se entreolhavam assustados. Ninguém podia compreender como uma mulher ativa como ela estava paralisada numa cama e ainda conversava animadamente por telefone com pessoas da família e amigos, como se nada houvesse acontecido. Notei que ela segurava o aparelho com a mão direita e movimentava ostensivamente a cabeça de um lado para o outro enquanto falava. Tive a impressão de que procurava abarcar em seu ângulo de visão todos os que estavam no quarto – sete ou oito pessoas, entre filhos, noras e netos. Assim que ela deu por encerrada a conversa telefônica, uma das filhas me apresentou como o neurologista que fora chamado para examiná-la. Ela me estendeu a mão direita num aperto forte e um sorriso franco nos lábios:

– Como vai, doutor? Espero que o senhor não tenha entrado na conversa dessa gente.

– A senhora está se referindo exatamente a quê? – perguntei, como se não tivesse entendido aonde ela queria chegar.

– Eu não preciso de neurologista, doutor. Já devia estar em casa, onde tenho inúmeros afazeres, e estão me prendendo aqui sem nenhum motivo. Ainda bem que o senhor veio me libertar.

Se a senhora me permitir, vou examiná-la antes de sua saída do hospital. Estamos de acordo?

– Claro, doutor. O senhor não vai encontrar nada errado comigo.

– A senhora pode movimentar ambos os braços?

– Perfeitamente – ao mesmo tempo, ela levantou o braço direito para o alto.

– Pode fazer o mesmo com o braço esquerdo?

– Naturalmente – e, mais uma vez elevou o braço direito.

– A senhora pode mover as duas pernas?

– Não tenha nenhuma dúvida disso.

– Quer dizer que pode mover a perna direita:

– Claro – e levantou a perna direita em 45 graus.

– Pode fazer o mesmo com a perna esquerda7

– Sim! Como não!?

– Então levante a sua perna esquerda – insisti.

E levantou de novo a perna direita. Na continuação do exame, notei que ela negligenciava tudo o que estivesse a sua esquerda. Ao tentar testar a extensão de seu campo de visão, usando um método simples solicitei que olhasse fixamente para meu nariz e contasse os dedos que eu colocava em seu campo visual esquerdo. Errou em todas as tentativas, ao contrário do que ocorria quando lhe apresentava os dedos em sua área direita de visão. Porém, quando insisti para que prestasse mais atenção, pois assim teria condições de responder corretamente, de fato acenou algumas vezes. Ela apenas confirmava o que acontece com quase todos os pacientes com anosognosia e lesão no hemisfério direito – ignoram tudo que se encontra a sua esquerda. A negligência chega a ser tão completa que essas pessoas podem comer o alimento que se encontra no lado direito do prato, sem tocar na parte oposta. Ao vestirem-se, enfiam sem dificuldade o braço direito na manga da camisa, a perna direita na calça e, se não forem alertadas, simplesmente ignoram que é preciso vestir também o outro lado. Quando, parcialmente, recuperados, readquirem a capacidade de se locomover, vão de encontro a móveis e portas por desconhecerem a metade esquerda do corpo.

COMANDOS INDEPENDENTES

Nos casos em que a anosognosia persiste durante muito tempo, a própria reabilitação é dificultada. Como poderia um paciente que ignora que seu lado esquerdo está paralisado participar ativamente de sua recuperação? O cotidiano, já conturbado pela paralisia, fica agravado pela negligência. Homens com o distúrbio podem, por exemplo, sebarbear apenas do lado direito. Quando procuram a xícara de café sobre a mesa, exasperam-se por não encontrá-la, até que alguém aponte o objeto colocado ligeiramente à sua esquerda. Caso se peça a um anosognósico que desenhe um relógio, ele poderá até traçar um círculo completo, mas amontoará os números no lado direito. Se lhe solicitam que desenhe uma figura humana, há grande probabilidade de que faça apenas a metade direita do corpo, deixando-a sem os membros esquerdos. Se questionado, não se importará – talvez diga que está tudo bem ou invente uma pequena história.

Porque apenas a lesão hemisférica direita provoca a negação? Algumas pistas podem ser delineadas pela constatação de que existe especialização entre os hemisférios. A mais notória é a linguagem falada, própria do lado esquerdo do cérebro, em 95% das pessoas, incluindo os canhotos. O surgimento da especialização talvez tenha sido um recurso incorporado pela espécie durante a evolução. A realização de movimentos coordenados e harmônicos com as duas mãos só seria bem-sucedida se houvesse apenas um controlador, um único comando. Se durante a execução de um ato motor complexo que exigisse as duas mãos os comandos fossem independentes – cada mão querendo executar o movimento do seu modo – esse indivíduo hipotético teria muito poucas chances de sobreviver num mundo competitivo, cheio de ameaças. A dominância cerebral do hemisfério direito em relação à integração global do corpo, envolvendo a noção das sensações viscerais, a posição dos membros em relação ao espaço, do tronco e dos músculos é hoje bastante aceita e amplamente discutida por especialistas. Eduardo Bisiach e Claudio Luzzatti estudaram dois pacientes milaneses com um dano no lobo parietal direito que os deixou com a síndrome de  negligência visual, seus olhos registravam todo o campo, mas os dois pacientes prestavam atenção só na metade direita: não faziam caso dos talheres do lado esquerdo do prato, desenhavam um rosto sem olho nem narina esquerda e, ao descrever um aposento, ignoravam detalhes volumosos – como uma cadeira ou um piano – à esquerda. Bisiach e Luzzatti pediram que eles se imaginassem na Piazza dei Duomo, em Milão, de frente para a catedral, e que descrevessem os edifícios da praça. Os pacientes mencionaram apenas os prédios que seriam visíveis direita – deixando de lado a metade esquerda do espaço imaginário. Em seguida, pediram que, mentalmente, atravessassem a praça, se colocassem na escadaria da catedral, de frente para a praça, e descrevessem o que havia nela. Eles mencionaram os prédios que haviam omitido da primeira vez e deixaram de fora os que haviam citado antes. Os surpreendentes resultados desse experimento nos mostra que o processo de negação que se segue a uma lesão do córtex parietal direito envolve não só imagens reais do próprio corpo do paciente como suas imagens mentais.

À primeira vista, podemos ter a falsa impressão de que um paciente com anosognosia está confuso, ou mesmo demente. No entanto, a negação da doença é apenas mais um sintoma específico do seu quadro clínico e não envolve a memória como um todo nem a consciência para outros fatos que lhe dizem respeito – exceto a própria paralisia. Podem argumentar com sensatez sobre qualquer assunto, reconhecem seus interlocutores, realizam cálculos complexos, lembram-se de eventos antigos e recentes perfeitamente situados no tempo e no espaço. O fato destoante é a não identificação do lado paralisado. Agem como se a paralisia não existisse e, por isso mesmo, estão propensos a acidentes quando tentam sair da cama, sofrendo quedas frequentes.

O BRAÇO DO CADÁVER

O caso mais estranho de anosognosia de que se tem notícia é mencionado por Oliver Sacks, sobre um homem, internado num hospital, que caíada cama várias vezes na mesma noite. A cada queda, os enfermeiros o levantavam e certificavam- se de que estava bem acomodado. Alguns minutos depois, ouvia-se de novo o ruído do seu corpo chocando-se contra o chão. Intrigado, o médico perguntou-lhe por que continuava caindo da cama. O pobre homem, demonstrando verdadeiro pavor, respondeu, ‘Doutor, esses estudantes de medicina colocam o braço de um cadáver na minha cama e eu tento me livrar dele a noite inteira. Como não admitia a existência de seu membro paralisado, o homem era arrastado para o chão toda vez que tentava empurrá-lo para fora do leito.

Uma particularidade presente nesses pacientes é atribuírem o membro paralisado a outra pessoa. Se lhes perguntam a quem pertence a parte paralisada do corpo, respondem com naturalidade, “Ao meu filho”, “Ao meu médico ou “À minha esposa”.

Há indícios consistentes de que a avaria que acomete os circuitos cerebrais responsáveis pelo aparecimento da negação em pacientes anosognósicos não é definitiva e pode ser compensada depois de algum tempo. Na maioria dos casos, o fenômeno tende a desaparecer depois das primeiras semanas, embora persista em alguns pacientes. A constatação experimental dessa afirmativa foi obtida por Bisiach e seus colaboradores. Os pesquisadores conseguiram a remissão temporária da doença estimulando o sistema vestibular dos pacientes, injetando água fria em seu ouvido esquerdo. O neurocientista indiano Villayamur S. Ramachandran retomou a experiência de Bisiach com uma paciente com anosognosia. Depois de constatar que ela repetia não estar paralisada e dizia que seu braço pertencia ao seu filho, o pesquisador injetou-lhe 10 ml de água fria no ouvido esquerdo. Ramachandran pretendia investigar a memória da paciente durante o período em que ela estava sob a ação do estímulo calórico. O diálogo abaixo foi transcrito do trabalho de Ramachandran.

Experimentador: A senhora está se sentindo bem?

Paciente: Meu ouvido está muito frio, mas do outro lado eu estou bem.

Experimentador: A senhora pode usar as mãos?  

Paciente: Posso usar meu braço direito, mas não meu braço esquerdo. Eu queria movê-lo, mas ele não se mexe.

Experimentador, pegando o braço paralisado e colocando-o em frente da paciente)

De quem é este braço?

Paciente: É o meu braço, claro

Experimentador: A senhora pode usá-lo?

Paciente? Não, ele está paralisado.

Experimentador: Há quanto tempo seu braço está paralisado? A paralisia começou agora ou já existia antes?

Paciente: Ele está continuamente paralisado, agora por vários dias.

Depois de passado completamente o efeito calórico, o experimentador aguardou mais meia hora e perguntou:

Experimentador: A senhora pode usar seu braço?

Paciente: Não, meu braço esquerdo não funciona.

Oito horas mais tarde, as questões foram repetidas.

Experimentador: A senhora pode andar?

Paciente: Sim.

Experimentador: Pode usar ambas as mãos?

Paciente? Sim.

Experimentador: Pode usar seu braço esquerdo?

Paciente: Sim.

Experimentador: Esta manhã, dois médicos fizeram alguma coisa com a senhora. A senhora se recorda?

Paciente: Sim, eles colocaram água no meu ouvido: ela estava muito fria.

Ecérimentador: A senhora se lembra de que eles fizeram algumas perguntas sobre seus braços, e a senhora então lhes deu algumas respostas. A senhora se lembra do que respondeu?

Paciente: Não me lembro, o que foi que eu disse?

Experimentador: O que a senhora pensa que disse? Tente relembrar.

Paciente: Eu disse que meus braços estavam OK.

Algumas conclusões podem ser tiradas dessa experiência. Em primeiro lugar, ela confirma o trabalho de Bisiach quanto à extinção da negação pela ação do estímulo calórico no ouvido esquerdo. Segundo, ao admitir que esteve paralisada por vários dias, a paciente nos permite supor que, embora negasse continuamente sua paralisia, a informação estava sendo armazenada em seu cérebro, sem que aflorasse à sua consciência, ou, como quer Ramachandran: o acesso a eles fora bloqueado, isto é, a negação não impediu a consolidação da memória. A água fria agiu como uma espécie de ‘soro da verdade’, trazendo à tona as lembranças reprimidas sobre sua paralisia”.

O estímulo calórico fez aflorar a consciência da paralisia. Podemos supor, por esse resultado, que ela tinha conhecimento de seu estado, pelo menos em nível mais profundo, ao qual em condições normais não tinha acesso. Foi preciso, porém, a estimulação do ouvido esquerdo para que a constatação viesse à tona. É interessante notar ainda que, quando a paciente estava sob esse efeito, admitiu a paralisia, mas, ao ser questionada oito horas depois, não somente reverteu a negação como reprimiu o fato de ter reconhecido a paralisia naquela situação.

É notável o fato de que, ao admitir estar paralisada, aparentemente não esboçou nenhuma reação que denunciasse surpresa ou sofrimento. De certa forma, nesse momento ela “estaria reprimindo a negação à qual estivera engajada dez minutos antes”, como escreveu Ramachandran. O fato de não haver projeções do nervo vestibular para o córtex parietal do hemisfério direito, nem para parte alguma desse lado cerebral, dificulta a compreensão do fenômeno. Embora tudo indique que a estimulação do nervo vestibular esquerdo produza o “despertar” dos circuitos interrompidos no hemisfério direito, fazendo a pessoa tomar consciência da paralisia, não podemos, até o momento, determinar com exatidão como isso acontece.

O fenômeno da negação foi testado por Ramachandran com outras experiências simples. Numa delas, solicitou ao paciente que executasse uma tarefa que exige o uso das duas mãos. Como esperado, o paciente se atrapalhou, agindo como se as duas mãos estivessem disponíveis para a ação. Repetimos a experiência de Ramachandran com um de nossos pacientes com anosognosia e paralisia do lado esquerdo do corpo. Pedimos que pegasse uma bandeja redonda, colocada sobre a mesa, com cinco copos de plástico com água até a metade. Uma pessoa com os dois lados do corpo funcionando normalmente costuma pegar a bandeja pelas beiradas, com cada uma das mãos. Se você amarrar um de seus braços e solicitar que pegue a bandeja, provavelmente vai tentar segura-la pelo meio, qualquer que seja a mão livre, evitando derramar os copos com água. Quando pedi a meu paciente paralisado e anosognósico que pegasse a bandeja, sua mão saudável (a direita) foi para o lado direito da bandeja. Obviamente, ao tentar levantá-la da mesa, os copos caíram e a água derramou. O mais surpreendente é que esse paciente ao perceber o desastre, não se mostrou impressionado, apenas usou uma justificativa: “Estou meio desajeitado hoje”. Repeti a experiência três vezes com o mesmo paciente. Surpreendentemente em todas as ocasiões ele tentou levantar a bandeja pelo lado direito.

A MÃO CINZA

Ramachandran e sua equipe realizaram uma experiência curiosa utilizando uma caixa de realidade virtual, semelhante à empregada para estudar membros ­ fantasmas. Vestiram com luva cinza a mão direita de um anosognósico e pediram que a colocasse no interior da caixa onde havia um espelho. Em seguida, solicitaram-lhe que movimentasse a mão para baixo e para cima no ritmo de um metrônomo. O paciente o fez com desenvoltura. Pediram-lhe depois que olhasse através de um buraco na caixa e visse o que estava ocorrendo.

–  Vejo minha mão mover-se para baixo e para cima.

Em seguida, orientaram o paciente para que fechasse os olhos. E, sem seu conhecimento, um estudante escondido por trás da caixa enfiou a mão com luva cinza dentro da caixa. Mudaram a posição do espelho de tal forma que, quando o paciente olhasse para o interior da caixa, veria o reflexo da mão enluvada do aluno que participava da experiência e não a sua. Os examinadores determinaram que o estudante mantivesse a mão absolutamente imóvel e ordenaram ao paciente que continuasse movendo a sua e olhasse para o interior da caixa:

– Vejo minha mão se mexendo para cima e para baixo no ritmo do metrônomo, exatamente como antes.

A pessoa saudável que fosse submetida a esse tipo de experimento e nem de longe sonhasse que havia alguém oculto na caixa provavelmente pularia da cadeira assustada. Não foi o caso do paciente de Ramachandran. Embora visse a mão imóvel do estudante, insistiu que era sua a mão em movimento. Entre as especulações que o autor faz sobre os resultados desse experimento, está que a negação atravessou para o lado direito do corpo – o lado normal. Ele argumenta que essa experiência põe por terra a teoria da desatenção para explicar a anosognosia. É como se o que estivesse danificado nos pacientes fosse o modo pelo qual o cérebro lida com uma discrepância em informações sensoriais relacionadas à imagem corporal. A discordância pode se originar tanto do lado esquerdo quanto do direito do corpo. Para Ramachandran, porém, o hemisfério esquerdo é considerado “um conformista”, em grande parte indiferente a incongruências da imagem corporal, enquanto o direito é altamente sensível a perturbações.

O neurocientista indiano especula se a estimulação calórica não poderia ser útil em casos de pacientes com anorexia, doença psiquiátrica que pode levar à morte por inanição. Nesses casos há distúrbio do apetite, e as pessoas se iludem sobre sua imagem corporal, como nos casos de dismorfofobia, em que o paciente está firmemente convencido de que seu corpo ou parte dele sofreu modificações que apenas ele constata. Quem sabe um procedimento tão simples como a estimulação calórica do nervo vestibular “desperte o hemisfério direito de pacientes com depressão grave, que veem o mundo com cores escuras demais, muitos deles procurando uma saída no suicídio. Talvez pudéssemos tentar sem nenhum dano adicional, estimular o nervo vestibular de pacientes depressivos graves, antes de enviá-los para a eletroconvulsoterapia, que sabidamente pode deixar sequelas graves, sobretudo relacionadas à memória. Até o momento, essa experiência ainda não foi tentada.

OUTROS OLHARES

ECOLÓGICOS E POSSANTES

Começam a aparecer nas concessionárias e ruas brasileiras modelos de carros movidos somente a eletricidade, o novo padrão mundial da indústria

Anunciadas com pompa na mais recente edição do Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro do ano passado, chegaram finalmente ao mercado brasileiro as mais recentes e “baratas” versões de carros 100% elétricos. As aspas se tornam necessárias pois os três modelos mais em conta disponíveis nas concessionárias ultrapassam a faixa de preço de seis dígitos, chegando a 195.000 reais. Eles não transportam o mesmo luxo dos veículos a combustão de custo equivalente. No entanto, sua autonomia, ou seja, a distância máxima que conseguem percorrer com apenas uma carga, se tornou equiparável àquela obtida com um tanque de gasolina. É justamente nessa característica que as montadoras se agarram para alcançar as metas de vendas. “Com essa autonomia, esperamos atingir os early adapters, o grupo ligado nas mais recentes tecnologias”, disse Hermann Mahnke, diretor de marketing da General Motors, fabricante que em outubro oferecerá a seus clientes o Chevrolet Bolt, modelo compacto capaz de rodar por 380 quilômetros sem necessidade de recarga. Resolvida essa questão, dirigir carros elétricos é uma experiência extremamente prazerosa. Eles são mais ágeis que qualquer automóvel a combustão de potência equivalente – na aceleração de zero a 100 quilômetros por hora, o Bolt é mais rápido que o Golf GTI, um dos hatches esportivos mais desejados do país, fabricado pela Volkswagen. Trata-se de uma vantagem e tanto para quem vive no anda e para das grandes cidades. A expectativa da GM é pôr 400 Bolts nas ruas até o fim de 2020. Uma meta ousada, considerando-se que nos primeiros seis meses de 2019 foi comercializada apenas uma centena de carros movidos pela energia acumulada em uma bateria de íon-litio instalada no assoalho do veículo. Estima-se que a frota elétrica brasileira atualmente seja de 500 unidades, um grão de areia perto dos 37 milhões de automóveis em circulação no país.

O preço marcado na etiqueta dos modelos elétricos assusta, claro, mas por trás dela há uma série de benefícios que podem reduzir seu custo total de propriedade, a começar pelo reabastecimento. Hoje, o valor médio do quilômetro rodado de um carro a combustão está em 43 centavos de real. No caso do elétrico, esse gasto seria bem menor: 10 centavos a cada 1 quilômetro. Como são dotados de um sistema de recuperação de energia dissipada pelas frenagens, esses modelos têm a capacidade de carregar as próprias baterias em movimento, o que pode baixar ainda mais essa cifra. A manutenção desse tipo de veículo é mais simples e econômica, dado que existem menos componentes mecânicos debaixo de seu capô. Somem-se, ou subtraiam-se, alguns incentivos governamentais – em São Paulo, por exemplo, além de desconto de 50% no IPVA, os 100% elétricos não fazem parte do rodíziomunicipal de veículos. No Paraná, além de isenção no imposto anual sobre automóveis, quem compra um carro zero-quilômetro movido a bateria tem abatimento total de ICMS. Mesmo sem um programa de subsídio governamental agressivo como o de países como China e Noruega, os especialistas do setor automotivo apontam o Brasil como um mercado promissor. Nos próximos anos, o custo deve baixar ainda mais. Isso porque o principal fator de encarecimento da produção desse tipo de veículo deve sofrer uma drástica redução de preço. “As baterias representam quase metade do valor do carro elétrico”, afirma Ricardo Bacellar, líder do setor automotivo da consultoria KPMG. ”Mas respeitam a Lei de Moore, que pressupõe mais capacidade a preços cada vez mais baixos”. Entre 2008 e 2015, o custo de fabricação das baterias caiu 75%, e estima-se que será reduzido em mais 20% a 25% até 2025.

Mesmo com toda essa economia, dirigir um automóvel tão caro ainda parece um sonho distante para a maioria da população. Há, contudo, uma alternativa muito mais barata. No início deste mês, chegou ao Brasil o primeiro serviço de compartilhamento desse tipo de veículo: a startup beepbeep colocou dez unidades do Renault Zoe espalhadas pelas zonas Sul e Oeste da capital paulista. Além dos veículos, a empresa disponibilizou quase 100 vagas de estacionamento exclusivas ao estabelecer parcerias com shoppings, supermercados, estacionamentos e hotéis – a expectativa é ampliar a frota para 300 carros até o fim de 2021.”Queremos expandir o serviço para locais que ofereçam infraestrutura adequada”, diz um dos fundadores da beepbeep, André Fauri. Para andar em um de seus veículos, o processo é parecido com o de aluguel de patinetes: basta baixar um aplicativo, cadastrar um cartão de crédito (e a carteira de motorista, claro) e desbloquear o carro. O valor do aluguel é competitivo com o de serviços de mobilidade como Uber e 99 e de locadoras tradicionais. Vive-se, enfim, o limiar da era dos elétricos, uma tendência global.

ESTÃO NA MODA, MAS DOEM NO BOLSO

Conheça os modelos 100% elétricos mais baratos disponíveis no mercado brasileiro

GESTÃO E CARREIRA

BRASILEIRINHOS DO MUNDO

Na onda da globalização, as escolas bilíngues com currículos multiculturais se espalham pelas grandes cidades do país. Isso é bom – e custa caro

Ouvir que seu filho vai sair da escola falando inglês perfeitamente soa como rock and roll     para pais da era da globalização. Eles sabem que ser fluente na língua franca dos tempos da internet já não é mais só desejável – virou ferramenta obrigatória em boa parte das carreiras. Prometendo justamente isso – ensinar aos alunos inglês desde criancinhas -, multiplicam-se em ritmo acelerado, sobretudo nas capitais, as escolas bilingues, que martelam o segundo idioma quase tanto quanto o português, e suas irmãs mais radicais, as escolas internacionais onde a última flor do Lácio é o segundo idioma. Nos dois casos o aprendizado se mescla com um currículo carregado de interatividade e de reforço das chamadas habilidades socioemocionais um movimento planetário que tem como propósito formar cidadãos do mundo. “O bilinguismo hoje em dia está quase sempre vinculado a uma experiência mais ampla, com ambições globais” explica a consultora Letícia Pimentel, que trabalhou na implementação desse tipo de ensino em diversas escolas de São Paulo.

Um levantamento da Associação Brasileira do Ensino Bilingue (Abebi) mostra que, desde 2014, o mercado cresceu 10% e movimenta 250 milhões de reais atualmente. Só em São Paulo, onde existem 71 instituições de ensino bilingue e oito internacionais, o número de alunos saltou em cinco anos, de 2.800 para 4.600 segundo a Organização das Escolas Bilíngues de São Paulo. Não há uma legislação detalhada para a distribuição do tempo entre inglês e português nas escolas que ensinam duas línguas, embora todas elas apliquem, em paralelo as disciplinas previstas na Base Nacional Comum Curricular. A Eleva, no Rio de Janeiro apresenta metade do conteúdo em inglês em todas as séries, ao passo que na Concept, de São Paulo, os pequeninos recebem 90% do que lhes é ensinado em inglês e os mais velhos, 60%. A proporção muda nas escolas internacionais, aquelas que têm sua matriz no exterior e priorizam os currículos de seu país de origem – na Escola Americana do Rio, quase todo o conteúdo é em inglês e a carga de português é maior para os alunos daqui do que para os estrangeiros.

Em vista dessas variações, o bom senso recomenda um equilíbrio entre os dois idiomas para quem vai seguir os estudos no Brasil e maior proporção da segunda língua para os que planejam continuar sua educação fora – e uma seleção criteriosa por parte dos pais (veja o quadro abaixo), já que bilíngue não é sinônimo automático de qualidade. “O segundo idioma tem de fazer parte do dia a dia da escola, e não só de uma disciplina”, alerta o coordenador pedagógico da Eleva, Márcio Cohen. Seja qual for a quantidade de línguas oferecida, a ciência mostra que apresentar a criança a dois idiomas só faz bem ao seu desenvolvimento – e, quanto mais cedo, melhor. Como o aprendizado da segunda língua envolve áreas do cérebro distintas da usada para aprender a língua-mãe, ele incentiva a formação de novas sinapses. “Esse estímulo melhora, inclusive, o desempenho em outras tarefas cognitivas, como memória, raciocínio e criatividade”, diz Ariovaldo Silva, neurocientista da Universidade Federal de Minas Gerais.

O sonho de consumo dessa nova leva de escolas é a Avenues, nascida em Nova York (conhecida, entre outros famosos, por ser a alma mater de Suri, a filha de Tom Cruise) e instalada em São Paulo desde 2018. Ela aplica um currículo personalizado e, na unidade paulista, apenas os chamados world courses (história, geografia e ciências sociais) são dados em português – além das aulas do próprio idioma. Não se fala mais em bilinguismo sem considerar o multiculturalismo, explica Cristine Conforti, a diretora pedagógica da instituição. Uma característica comum a todas as boas escolas que ensinam em duas línguas é a utilização do Project Based Learning, metodologia na qual as disciplinas interagem por meio da elaboração de projetos. No Mastery, atividade eletiva da Avenues para as três últimas semanas do ano, os alunos desenvolvem projetos pessoais em qualquer área, desde que conciliem princípios de português, matemática e inglês.

No âmbito das onipresentes competências socioemocionais, a Eleva carioca oferece uma “aula de vida”, na qual os alunos são ensinados a lidar com as emoções. A escola conta também com um maker space, espaço onde se aprende (em inglês) questões práticas do dia a dia, como mexer com eletricidade. “Minha filha está tendo uma ótima preparação para a vida adulta”, diz a gerente de produtos Bruna Accioly, 41 anos, mãe de Rafaela, 11 anos, e de Felipe, 8, que também estuda lá. A Gurilândia, de Salvador, explorou no primeiro trimestre o tema “Onde estamos”. “Todas as turmas estudaram imigração. Falamos sobre xenofobia, preconceito, e junto trabalhamos geografia, história e gramática”, diz a diretora pedagógica Denise Rocha. Escolas tradicionais também estão se convertendo ao bilinguismo. A Pueri Domus, de São Paulo, promoveu uma reviravolta em 2016. O novo currículo, quase todo em inglês e em período integral, abraçou os projetos interdisciplinares e o desenvolvimento de habilidades como liderança e resiliência. “Do total, 90% permaneceram na escola, apesar do aumento da mensalidade”, afirma a diretora Christina Sabadell.

Desde a chegada de dom João VI e sua corte ao Brasil que idiomas estrangeiros são disciplinas obrigatórias nas escolas. Naqueles tempos em que a elite era fluente em francês, um decreto real institucionalizou o ensino público dessa língua e também do inglês. Como aqui tudo cresce e floresce, só que bem devagar, a teoria viraria prática 29 anos depois, na inauguração do Imperial Colégio de Pedro II (no Rio até hoje). Mas em geral o inglês nas escolas é fraco e nos cursos particulares, até por falta de tempo, também deixa a desejar. É nessa lacuna que as bilíngues crescem.

No mundo ideal, todas as salas de aula brasileiras seriam bilíngues. No entanto, a Abebi calcula que no máximo 3% das 40 000 escolas privadas do Brasil ensinem um segundo idioma para valer (na Argentina e no Chile o porcentual chega a 10%). A disseminação do aprendizado em duas línguas empaca na barreira do preço. Nas escolas bilíngues, a mensalidade vai de 3 000 a 5 000 reais. Nas internacionais, o preço é ainda mais salgado, beirando os 10 000 reais na Avenues. “Vivemos em um mundo conectado, e falar só português, de fato, limita os relacionamentos”, diz Claudia Costin, do Centro de Excelência em Políticas Educacionais da FGV. “Mas não se pode dizer que a escola tradicional esteja ultrapassada, desde que ela cumpra seu papel mais importante, que é ensinar a pensar.” “A educação do futuro é aquela que prepara os jovens para alcançar objetivos, fazer grandes coisas”, concorda o especialista americano Marc Prensky, da Universidade Harvard. Ele vai mais longe e considera a urgência atual de aprender inglês um fenômeno transitório: em poucos anos, a função de entender um idioma estrangeiro caberá aos tradutores digitais, como o do Google.

ALIMENTO DIÁRIO

A HISTÓRIA DO CASAMENTO

DIA 19 – A ESPOSA: APOIE SEU MARIDO

Esposa, entenda e dê apoio ao seu marido, pois assim demonstrará seu apoio a Cristo. O marido exerce liderança em relação à esposa, mas da mesma forma com a qual Cristo faz à Igreja: com carinho, não por dominação. Assim como a Igreja se submete à liderança de Cristo, a esposa deve submeter-se ao marido. Efésios 5:22-24, A Mensagem

Você deve se lembrar de que Paulo introduziu suas instruções aos maridos e às esposas dizendo a eles “sujeitam-se uns aos outros, por temor a Cristo” (Efésios 5:21). No versículo seguinte, ele explica melhor: “Mulheres, sujeite-se cada uma a seu marido, como ao Senhor” (v. 22). Muitos veem essa ordem como algo que não beneficia as mulheres, mas não é o caso.

Pelo fato de que o casamento não tem a ver com dominação, a esposa divide o exercício do domínio com seu parceiro de maneira igualitária. Isso não entra em conflito com a liderança do marido, pois tanto o marido quanto a esposa possuem áreas exclusivas de autoridade e influência dentro do casamento e no mundo que os cerca. O domínio diz: “Exercerei minha autoridade e influência em seu benefício, e você exercerá sua autoridade e influência em meu benefício”.

O apoio da esposa a seu marido é um ato de serviço. Esposa, a você foi confiado o coração do seu marido. Proteger o coração dele dizendo a verdade em amor e respeito pode ser um dos seus maiores atos de serviço. Aprenda a servir a seu marido ajudando-o a expressar o que há no coração dele. Em vez de tirar conclusões precipitadas, ajude-o a crescer em visão e propósito aperfeiçoando a vida dele por meio da comunicação.

As mulheres são vulneráveis na área da força física, enquanto os homens geralmente descobrem que seus corações correm perigo. As mulheres são tão responsáveis por cuidar do coração dos homens, quanto os homens o são por proteger e prover para suas esposas em relação a qualquer fraqueza física que elas possam ter. Existe alguma missão mais nobre do que ser a guardiã de um coração?

Quando o marido começa a servir e entrega sua vida por sua esposa, ela responde honrando-o como o cabeça da união. Essa é a parte que cabe a ela em revelar o amor de Cristo ao mundo. A honra, o amor e o respeito da esposa por seu marido mostram como é ser liderado por Jesus. Deus não pediu às mulheres para se submeterem porque elas são secundárias. Ele as está convidando a demonstrar como deveria ser a Igreja. No casamento, temos a chance de mostrar como pode ser a vida quando somos guiados por um Senhor e Salvador bom, fiel, amoroso e generoso. Por isso é trágico quando permitimos que o inimigo perverta esse papel transformando-o em algo que desprezamos ou lamentamos. Ao dar esse papel às mulheres, Deus pediu que Suas filhas demonstrassem que Ele é confiável.

Deus sabe que Ele fez as mulheres fortes e capazes. Ao longo da História, Ele escolheu mulheres para liderar, julgar, profetizar, interceder e até mesmo para gerar e cuidar do Seu Filho unigênito. Ao chamar as mulheres para respeitar a liderança de seus maridos, Ele não está querendo dizer que elas são fracas ou indignas. Ao contrário, Ele está dizendo: “Sei que você é capaz e forte porque você é Minha filha. Mas no simbolismo eterno do casamento, preciso que alguém demonstre a bondade encontrada na submissão a Mim. Você está disposta a assumir esse papel de apoio e submissão para mostrar às outras pessoas que Eu mereço a devoção delas?”

O FARDO DA LIDERANÇA

Diferentemente de Deus, os maridos não são perfeitos. Eles nem sempre tomam as decisões corretas e nem sempre servem às suas esposas como deveriam. Isso pode ser uma grande fonte de frustração até mesmo para as mulheres que desejam honrar e apoiar seus maridos. Com o tempo, elas podem se sentir tentadas a resolver as coisas por conta própria. No entanto, a resistência à posição de liderança do marido, que pode parecer ser algo libertador, pode na verdade causar às mulheres muita dor e sofrimento.

Quando nosso primeiro filho ainda era um bebê, eu (Lisa) estava trabalhando longas horas com uma agenda apertada que incluía finais de semana. Eu enfrentava desafios pessoais e profissionais no trabalho, e ao mesmo tempo estava esforçando-me para ser a mãe e esposa perfeita. Enquanto isso, John estava atravessando um período de transição. Enquanto eu vivia estressada por causa do trabalho e com saudades do meu filho, John trabalhava em meio expediente, orava, jejuava, conversava com seus amigos e jogava golfe. Eu sentia uma pressão enorme e colocava a culpa de tudo isso nele. Sentia que era eu que segurava sozinha todo o peso, e que não aguentaria mais por muito tempo.

Eu queria que John também se preocupasse, mas ele se recusava a fazer isso. Quando contei a meu marido sobre meu temor e minha preocupação, ele me disse: “Lisa, pare de se preocupar e entregue isso nas mãos de Deus”.

Eu pensei: Nunca! Se eu não cuidar de tudo isso, ninguém mais o fará. A tensão me aprisionava como um carrasco enquanto eu me sentia incapaz de escapar da pressão que havia sobre mim.

Uma noite, enquanto estava no chuveiro, reclamei com Deus do meu fardo pesado. Não posso entregar nenhum desses fardos a John, argumentei. Eu tenho de lembrá-lo até mesmo de colocar o lixo para fora. Como poderia confiar a ele qualquer coisa mais importante? Eu lutava comigo mesma, justificando porque eu não podia abrir mão do controle.

— Lisa, você acha que John é um bom líder? — O Senhor me perguntou gentilmente.

— Não, não acho! — disse decididamente. — Não confio nele!

— Lisa, você não precisa confiar no John — Ele respondeu. — Você só precisa confiar em Mim. 

Você não acha que John está fazendo um bom trabalho como o cabeça desta casa. Você acha que pode fazer melhor. A tensão e a inquietação que você está sentindo são o peso e a pressão de ser o cabeça de uma família. Isso é um jugo para você, mas é um manto para John.

Entregue-o, Lisa.

Imediatamente entendi a fonte do meu fardo. A liderança do nosso lar, que eu estava tentando assumir, era opressiva para mim porque aquela posição não cabia a mim. Ela não seria opressiva para meu marido, porque Deus o havia ungido como o cabeça do lar.

Reconheci o quanto eu havia manipulado e lutado pela posição de liderança em nosso lar.  Eu destruíra meu marido em vez de edificá-lo e de acreditar nele. Ele, por sua vez, abrira mão da sua posição de autoridade entregando-a a mim, e eu criei uma grande confusão.

Quebrantada, desliguei o chuveiro e peguei uma toalha. Imediatamente encontrei John em nosso quarto. Chorei e me desculpei.

— Sinto muito. Passo o tempo todo brigando e discordando de você — eu disse.  —  Estava com medo de confiar em você. Vou deixar meu emprego amanhã se você quiser. Quero somente que voltemos a ser um.

— Não quero que deixe seu emprego — John respondeu. — Não creio que seja esse o problema. Mas acho que você precisa parar de pensar que você é a fonte.

Ele estava certo, eu não era a nossa fonte; Deus era. Perder de vista essa verdade fez de   mim uma pessoa estressada e incapaz de apoiá-lo. Conversamos bastante, e prometi a John:

— Vou apoiá-lo. Acredito em você.

Naquele momento eu não sabia exatamente o que eu estava apoiando ou no que estava acreditando. Só sabia que John precisava desse apoio mais do que eu precisava saber de todos os detalhes e porquês. Reconheci que tudo estava terrivelmente fora do lugar em nossa casa. Eu queria que Deus trouxesse ordem ao caos que eu havia criado. John, por sua vez, pediu desculpas por não atuar como líder e por se afastar de mim. Firmamos uma aliança prometendo amar, apoiar e contar um com o outro.

Aquela noite foi a primeira vez em anos que dormi e consegui realmente descansar. O meu jugo de escravidão havia sido removido.

Sempre que carregamos um fardo que Deus nunca teve a intenção de colocar sobre nós, assumimos um pesado jugo de escravidão. Por outro lado, qualquer coisa que Deus nos ungiu para fazer repousa sobre nós como um manto, um sinal de posição e poder que traz em si proteção e provisão.

Ao assumir a liderança do nosso lar, fiquei debaixo de um jugo, e John ficou descoberto. Era uma bagunça! Quando me submeti à ordem estabelecida por Deus para a família, meu jugo foi quebrado e John foi revestido do manto de liderança que lhe foi dado pelo Senhor. Eu também fui coberta, pois o manto se estendia para me cobrir e proteger, assim como a todas as pessoas que estavam sob os cuidados de John.