A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PRESO NUMA VIDA PRETÉRITA

 A dor pela ruptura de uma relação gera dificuldade em superar os obstáculos e seguir em frente, fazendo com que a pessoa se torne refém de si própria

Nota-se que muitas pessoas quando se separam têm grande dificuldade em superar os obstáculos e seguir em frente com suas vidas. Ficam amarguradas e em busca de algo que justifique a dissolução da união, tornando-se reféns de si próprias e/ou importunando a vida do(a) outro(a), principalmente através dos filhos. Presos numa vida pretérita, com dificuldades no presente e sem expectativa de esperança no futuro. É natural que no início se tenha muita dor pela ruptura, até mesmo quando a separação já era apontada como a melhor alternativa para o casal. Separar, de fato, não é simples.

Nesse sentido, digo da dor e da necessidade de elaboração, o divórcio pode ser considerado uma grande crise da vida adulta porque desorganiza tudo, deixando a pessoa com velhos e novos problemas, o que requer um imenso trabalho interno. Esse trabalho pode começar pela quebra da idealização da família perfeita, já que família perfeita está longe de existir. Além disso, vem a angústia por se sentir fracassado na construção de uma casa representada por esse ideal de relação e de família.

Tudo isso não será resolvido com uma sentença judicial, apenas uma parte disso. É bem verdade que em não havendo melhor alternativa, recorre-se ao Judiciário. Todavia, no tribunal serão avaliadas as situações objetivas. O que quer dizer que, apesar da necessidade do processo judicial, o tribunal não será o melhor local para cuidar dos conflitos emocionais.

O processo judicial é muitas vezes utilizado inconscientemente com esse fim, e, nesse sentido, se observa que há brigas infinitas em que se espera uma restituição de todo investimento emocional depositado naquela relação; uma solução para a qual ninguém, tampouco o Judiciário, tem competência. Nesse caso, trata-se de atravessar o luto (a dor) e de ressignificar a própria história, e isso poderá ser feito pela própria pessoa com acompanhamento psicológico. Falar sobre as dores em local apropriado pode ajudar a desbloquear a vida emocional e fazer nascer a esperança de uma realidade diferente.

Algumas pessoas saem tão machucadas da relação que acreditam que não irão mais se relacionar amorosamente e se fecham na crença de que toda sua disposição emocional deverá ser depositada na criação dos filhos. Entretanto, não percebem, ou não acreditam, que os filhos também necessitam, para o seu desenvolvimento e amadurecimento emocional, que seus pais, adultos, sigam em frente com sua vida pessoal equilibrada, além dos cuidados com a prole. Muitas vezes, na impossibilidade de lidar com o vazio interno, por exemplo, permitem que o filho(a) concretamente ocupe o espaço livre em sua própria cama, muitas vezes justificando a dor emocional do filho, mas não observando a própria. Desse modo, oferecem à criança um lugar que não pertence a ela, criando, assim, um novo problema.

Faz bem para os filhos terem o próprio espaço em sua casa, e saberem que cada um tem o seu lugar; além disso, ébastante positivo que observem que seus pais não estão paralisados apenas nos cuidados com eles, que, sim, cuidam deles e os preservam, mas que também têm outras necessidades, como: o trabalho, os amigos e um novo relacionamento. Tudo isso em equilíbrio significa que a vida está seguindo e isso é muito positivo.

Quando os pais sofrem demasiado com sentimentos de dor, culpa ou traição, torna-se quase impossível acreditar que possa existir alguma via de esperança em um novo cenário. Aí está o engano, passada a maior turbulência, se está diante de uma redefinição da vida familiar que sugere aprender a conhecer e delimitar seu próprio território, estabelecer seus padrões, buscar acordos, tentar cultivar a comunicação a respeito dos filhos e evitar importunarem-se mu­ tua1nente sem necessidade. Aos poucos, começarão a adquirir capacidades que lhes per1nitirão dizer um adeus lento, mas definitivo à sua antiga relação conjugal, e desse modo deixar livre o espaço para estabelecer outra.

Com muita frequência, se nota, em perícia psicológica, que as dificuldades mais comuns estão relacionadas à falta de compreensão e elaboração da própria dor; e à falta de percepção de que é preciso modificar a forma como se lida e/ou fala com aquela pessoa que um dia fez parte de sua intimidade, isso serve tanto para as brigas quanto para a forma amorosa que pode ter existido. As duas formas são nocivas: buscar brigar todo o tempo, insultar, humilhar ou agredir verbalmente pode significar ressentimento, entre outras coisas. A forma amorosa com intimidade confunde e aprisiona emocionalmente o(a) ex-cônjuge. Ambas demonstram que ainda não se está confortável ou não entendeu que houve ruptura da relação, isto é, ainda não se separou emocionalmente. É preciso respeito pela história pretérita para se criar um novo modo de se relacionar.

Quando bem elaborada a separação, seu reflexo será visto externamente em sua própria vida, em suas relações, na forma como lida com os filhos e com o(a) ex-cônjuge.

RENATA BENTO – é psicóloga, especialista em criança, adulto, adolescente e família. Psicanalista, membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro. Perita em Vara de Família e assistente técnica em processos judiciais. Filiada à IPA – lnternational Psychoanalytical Association, à Fepal – Federación Psicoanalítica de América Latina e à Febrapsi – Federação Brasileira de Psicanálise.  renatabentopsi@gmail.com

OUTROS OLHARES

O CORPO PÓS-MODERNO

Se cérebro e corpo são a mesma coisa, a mente de um doador de órgãos seria incorporada ao transplantado?

O que é o corpo? Essa é uma pergunta que muitas vezes passa despercebida para os filósofos da mente quando eles se referem ao “problema mente-corpo”.

Nas últimas décadas, os progressos da neurociência levaram a reformular esse problema, que passou a ser o “problema mente­ cérebro”. Mas nem todos os neurocientistas pensam assim. António Damásio, por exemplo, afirma no seu livro E o cérebro criou o homem (2011) que “exagera-se a separação entre corpo e cérebro, pois os neurônios que compõem o cérebro são células corporais, e esse fato é de grande importância para o problema mente-corpo”.

Muitos filósofos da mente do século passado aderiram à ideia de tratar o problema mente­ corpo como o “problema mente- cérebro”. Outros, os fisicalistas, consideram o problema mente-corpo como uma variação de um problema mais amplo, o problema mente-matéria. Penso que essa é uma formulação muito vaga e que deveríamos atentar para o que há de específico quando se fala em relações entre mente e corpo. A matéria é composta por moléculas. Nosso corpo também é um conjunto de moléculas. Mas, como tudo é constituído por moléculas, essa explicação não ajuda muito.     

No Tratado do homem (1662), Descartes concebia o corpo como um grande dispositivo hidráulico no qual todas as partes estavam ligadas por meio de nervos que funcionavamcomo cordas para movê-los. O corpo era percorrido por tubos (artérias e veias) que ligavam seus membros ao cérebro. Quando ele recebia um estímulo, os espíri­os animais, uma forma sutilíssima de matéria, eram transmitidos por meio desses tubos (veias e artérias) até chegarem ao cérebro, que os redistribuía e, com isso, acionava de volta outras cordas para fazer os membros se moverem. Nesse modelo mecânico, a distinção entre o movimento dos objetos físicos e o movimento muscular era a presença de um cérebro.

No caso dos seres humanos, os espíritos animais, além de chegarem ao cérebro, eram retransmitidos para a mente por meio da glândula pineal, um órgão abrigado sob as duas metades do cérebro. Descartes acreditava que a glândula pineal tinha propriedades especiais que a tornava m uma interface entre a mente e o corpo, duas entidades radicalmente distintas. Ele acreditava que os animais não possuíam mentes (ou almas) e, por isso, não tinham, tampouco, uma glândula pineal.

No entanto, a dissecação de animais revelou que as hipóteses de Descartes eram incorretas, pois alguns animais possuíam uma glândula pineal. Além disso, pesquisas realizadas na época mostraram que havia animais que não precisavam do cérebro para se mover. Um contraexemplo era a tartaruga que, mesmo tendo o cérebro amputado, ainda era capaz de se mover por três dias. O mesmo ocorria com cobras quando eram decapitadas.

Em um livro recentemente publicado, Novos horizontes no estudo da linguagem e da mente, Noam Chomsky observa que, apesar de as hipóteses fisiológicas de Descartes terem sido abandonadas, sua descrição do corpo por meio de uma metáfora mecânica não foi descartada pelos filósofos e cientistas que o sucederam. Até hoje a medicina concebe o corpo como uma máquina extraordinariamente complexa comandada por uma consciência. O problema é que nada foi proposto para substituir as ideias de Descartes.

Nas últimas décadas, a ideia de corpo foi se tornando cada vez mais complicada e elusiva. Sabemos, hoje em dia, que ao longo da evolução muitas espécies de bactérias foram incorporadas em células do corpo humano. Muitas bactérias vivem no nosso corpo em uma simbiose harmoniosa e há mais células bacterianas no interior de cada organismo do que células humanas. Só nos intestinos há cerca de 100 bilhões de bactérias, e no resto do corpo mais 1O bilhões. Se mente e corpo são o mesmo, como sustentam alguns filósofos, nossas mentes são compostas, primordialmente, por bactérias. E se dermos um passo a mais e reduzirmos as bactérias a seus elementos constituintes, encontraremos 70% de moléculas de água.

O problema mente-corpo pode se tornar ainda mais bizarro quando consideramos a tecnologia dos transplantes. Essa tecnologia reforça ainda mais a ideia de que o corpo é uma máquina, pois suas peças são substituíveis como em qualquer tipo de mecanismo.

Muitas pessoas, no desespero da pobreza, vendem um rim, uma parte do fígado, um pulmão ou um testículo. A Organização Mundial da Saúde estima que ocorram, todos os anos, 10 mil cirurgias no mercado negro envolvendo transplantes de órgãos.

Imagine um milionário cristão praticante que tenha recebido rins de um muçulmano jihadista. Ou um supremacista branco que respire com o auxílio de pulmões de negros e enxergue o mundo através dos olhos de algum moleque de rua africano. Ou, quem sabe, um cardeal com o fígado de uma prostituta de uma comunidade carioca? Já não temos mais apenas um corpo, mas uma justaposição de peças de uma máquina, cuja origem contradiz nossa intuição costumeira de unidade. Supondo que a tese da identidade mente ­ corpo ou mente-cérebro seja correta, como defendem muitos filósofos, será que a mente do transplantado incorporará parte da mente dos doadores?

Temos corpos pós-modernos. Uma colcha de retalhos indefinível, na qual há organismos vivendo em outros organismos, máquinas dentro de máquinas. Reduzir a mente ao corpo ou à matéria, como querem os fisicalistas, parece tornar o problema mente-corpo, mente-cérebro ou mente-matéria mais obscuro. E querer explicar o obscuro pelo obscuro.

JOÃO DE FERNANDES TEIXEIRA – é paulistano, formado em filosofia na USP. Viveu e estudou na França, na Inglaterra e nos Estados Unidos. Escreveu mais de uma dezena de livros sobre filosofia da mente e tecnologia. Lecionou na UNESP, na UFSCAR e na PUC- SP.

GESTÃO E CARREIRA

QUANTO VALE UMA EMPRESA?

Dados como crescimento e fluxo de caixa já não bastam para calcular o valor de mercado de companhias novatas nem das bem estabelecidas. É bom se acostumar: os mercados estão numa daquelas fases ”irracionais”

“Não há nada mais perigoso do que procurar uma política racional de investimentos em um mundo irracional”, disse o famoso economista inglês John Maynard Keynes, durante uma reunião com investidores em 1931. Naquele momento, as economias ainda viviam sob os escombros da quebra da bolsa de valores americana em 1929, e não se tinha uma visão clara de como poderiam se recuperar. Passados 90 anos desde a crise mais grave do século 20 e 11 anos desde a maior turbulência financeira deste século, o que se vê é um cenário de crescente irracionalidade, com empresas pouco ou nada lucrativas valendo bilhões de dólares graças ao avanço de novas tecnologias e às mudanças radicais nas relações sociais. Da mesma forma, gigantes do capitalismo vão à lona na mesma velocidade. Nesse contexto, um tema recorrente nas mesas de operação, nas redes sociais e nas rodinhas de investidores é como calcular, afinal, o valor de uma empresa.

Um exemplo dos novos tempos é o banco Inter, criado pela família Menin, dona da construtora MRV, de Belo Horizonte. O banco passou de um valor de mercado de 1,9 bilhão para 15 bilhões de reais em apenas um ano e três meses. O primeiro valor foi atribuído à instituição mineira em sua oferta inicial de ações, realizada em maio de 2018, quando captou 722 milhões de reais na bolsa brasileira. Naquele momento, havia certa desconfiança do mercado sobre o primeiro banco digital a se listar na B3. De acordo com um relatório da casa de análise Eleven, o Inter precisava fazer de TUDO (com letras maiúsculas mesmo) para conquistar os investidores. Por TUDO entenda-se entregar resultados, mas sobretudo vender futuros. O Inter encerrou 2018 com 1 milhão de clientes e projeta alcançar 3,5 milhões de correntistas neste ano – atualmente, são 2,5 milhões. O lucro ainda é modesto para os padrões bancários brasileiros: 33 milhões de reais no segundo trimestre. Ainda assim, no fim de julho, o Inter captou 1,3 bilhão de reais em uma oferta subsequente de ações, dos quais 760 milhões vieram do fundo de investimento japonês Soft Bank, que ficou com 8% do banco. “Se não há valor para os clientes, em algum momento, não haverá para os acionistas”, diz João Vítor Menin, presidente do Inter. Antes do Inter, a gestora japonesa chegou a se interessar pelo concorrente Nubank, mas a operação não foi adiante. No fim, o Nubank recebeu um aporte do fundo de investimento americano TCV, e isso elevou seu valor de mercado para 10 bilhões de dólares – mesmo com um prejuízo de 49 milhões de reais reportado no último semestre de 2018. O valor de mercado do BTG Pactual, que teve lucro de 972 milhões de reais no segundo trimestre, é de 12 bilhões de dólares. Descasamentos entre resultado e valor de mercado são ainda mais comuns nos Estados Unidos, onde o aplicativo de transportes Uber vale 62 bilhões de dólares apesar de ter mostrado prejuízo de 5,2 bilhões no segundo trimestre. A Uber também tem o Soft Bank como sócio. “Muitas pessoas perguntam se não pagamos caro demais por nossos investimentos, e a resposta é que só compramos ativos que devem se valorizar”, afirma André Maciel, sócio do Soft Bank na América Latina.

Na teoria, uma empresa deveria valer o equivalente ao fluxo de caixa futuro trazido a valor presente. Mas há cada vez mais exceções à regra. consultamos mais de uma dezena de analistas, investidores, advogados especializados em fusões e aquisições e empreendedores para explicar esse novo mundo do valuation. O certo é que as métricas de matemática financeira não são suficientes para medir risco e retorno num cenário em que a economia pode ser transformada a qualquer momento por companhias disruptivas. Investidores aceitam pagar um ágio para ser um dos primeiros a investir em empresas que podem despontar, como Uber, WeWork e Airbnb – e lá na frente obter uma rentabilidade maior do que a dos demais. “Não dá para usar múltiplos tradicionais, como preço sobre lucro; é necessário construir um modelo de longo prazo. Quem diria que a Amazon, que passou nove anos sem dar lucro, chegaria aonde chegou?”, diz Bruno Amaral, líder de fusões e aquisições na América Latina do BTG Pactual. Esse apetite dos investidores por mais risco se dá por haver excesso de dinheiro em busca de retornos maiores do que os juros, que estão em patamares historicamente baixos. Um levantamento feito pela consultoria Economática aponta que o valor de mercado das 249 ações que tiveram maior negociação nos últimos cinco anos na B3 quase dobrou de 2015 a 2019, passando de 2 trilhões para 3,6 trilhões de reais. Já o avanço do patrimônio líquido dessas mesmas empresas foi de 1,5 trilhão para 1,8 trilhão de reais. “O problema é que isso pode ser o início de uma bolha”, afirma Fernando Borges, diretor-geral do Carlyle, fundo de participações que tem 223 bilhões de dólares sob gestão ao redor do mundo.

De fato, há semelhanças entre o momento atual e a bolha da internet do início dos anos 2000, quando empresas ponto-com viram suas ações subir vertiginosamente na bolsa americana. Naquela época, como agora, os juros estavam baixos nos Estados Unidos, o lema das companhias era “fique grande rapidamente” e muitos investidores abriram mão de métricas tradicionais de avaliação de preço, confiando nos avanços tecnológicos e na transformação da economia. O resultado dessa combinação, então, foi um quebra-quebra generalizado e a queda geral dos índices de ações. Por outro lado, aquela crise trouxe lições. Agora é mais comum as companhias passarem por estágios de investimento e receberem sucessivos aportes à medida que provam ser capazes de entregar resultados. É assim que funciona o ecossistema de capital de risco, que começa com investidor-anjo, passa pelo venture capital e pelo private equity, até chegar à bolsa de valores. “Esse passo a passo ajuda a trazer alguma racionalidade ao mercado”, diz Rodrigo Baer, sócio do fundo de capital de risco Redpoint eventures.

Para analistas de ações mais tradicionais e avessos a aventuras, há duas pedras no caminho. A primeira: empresas tradicionais nunca correram tanto risco de ser atacadas por novatas. A segunda: as constantes mudanças no ambiente de negócios têm levado a mudanças dos reguladores. Um dos dados mais relevantes para a avaliação tradicional, o Ebitda (o lucro antes de descontar juros, impostos, depreciação e amortização), que ajuda a balizar um competidor com seus pares, sofreu alterações recentemente com a adoção do modelo contábil IFRS16.

NOVA NORMA CONTÁBIL

Pelo novo padrão adotado pelas empresas de capital aberto de 100 países, e válido a partir deste ano no Brasil, os aluguéis passam a ser reconhecidos na depreciação do ativo e nas despesas financeiras do passivo, e não mais como despesa operacional nas demonstrações de resultado. Com isso, é de esperar que o Ebitda registre aumento e o lucro líquido caia. Foi o que aconteceu com a empresa de aluguel de carros Movida, que viu um incremento de 9% no Ebitda e uma redução de 3% no lucro líquido do segundo trimestre. “Empresas que até então não tinham interesse em terceirizar a frota agora veem com bons olhos esse aumento do Ebitda. Já observamos crescimento de demanda”, afirma Fábio Costa, diretor de relações com investidores da Movida.

De acordo com um levantamento realizado por Oscar Malvessi, professor de finanças corporativas na Fundação Getúlio Vargas, se o IFRS16 fosse usado nos anos de 2016, 2017 e 2018, as empresas de varejo brasileiras abertas teriam um incremento no Ebitda de 18%, 39% e 37%, respectivamente. As despesas financeiras também aumentariam: 41%, 51% e 92%. “Esses números são ilusórios. O importante é analisar se houve criação de valor nesse período, e o que se vê é uma queda de 2% em 2016 e 2017 e de 1% em 2018”, diz Malvessi. Para Menin, do banco Inter, a criação de valor é de fato uma bússola nesse cenário de tantas mudanças. O Inter montou uma equação voltada para a criação de valor que inclui tanto o crescimento da base de correntistas quanto da receita de serviços. Essa operação, somada a um menor custo de captação de crédito, resulta em geração de valor no longo prazo, mesmo que ainda não baste para chegar perto do lucro dos bancões. Menin sabe que uma hora ou outra o acionista cobrará rentabilidade. Períodos de maior e menor racionalidade, afinal, são tão antigos quanto o mercado de capitais. A discussão sobre quanto vale uma empresa também.

NA PONTA DO LÁPIS?

Apesar do pouco (ou nenhum) lucro, novatas já valem quase tanto quanto bancos tradicionais

ALIMENTO DIÁRIO

A HISTÓRIA DO CASAMENTO

DIA 17 – CHEIOS DO ESPÍRITO

Quando as pessoas se referem à chamada “passagem do casamento” em Efésios 5, elas costumam começar com o versículo 22 – aquele que diz às esposas para se submeterem. Mas, na verdade, a exortação de Paulo começa bem antes nesse capítulo. Para entendermos plenamente como nosso casamento deve retratar o relacionamento entre Cristo e a Igreja, vamos voltar ao versículo 18:

… mas enchei-vos do Espírito. Efésios 5:18, ACF

No original grego, a palavra traduzida aqui como enchei-vos descreve o processo de estar impregnado do Espírito como uma experiência contínua. Uma vez não basta. Quando não somos continuamente cheios com o Espírito de Deus e estimulados por Ele, esperamos que nosso cônjuge preencha necessidades que somente Deus pode preencher. Por mais incrível que seu cônjuge seja, ele ou ela jamais poderá substituir Deus. Se você espera que seu cônjuge dê propósito e significado à sua vida, bênçãos que só Deus pode oferecer, ficará decepcionado, frustrado e será incapaz de demonstrar o amor de Deus.

Nossos casamentos só refletirão Cristo na mesma medida em que Seu Espírito for bem-vindo em nossas vidas. Cristo é a pedra angular da nossa salvação, mas o Espírito Santo é o agente de transformação. Permitindo que nossas vidas sejam continuamente cheias com o Espírito, podemos experimentar a renovação da nossa mente e a transformação do nosso comportamento. Deus diz:

Quanto à antiga maneira de viver, vocês foram ensinados a despir-se do velho homem… a serem renovados no modo de pensar e a revestir-se do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade. Efésios 4:22-24

Tentar amar e servir como Cristo estando separado do Seu Espírito é como tentar tirar água de uma mangueira que não está conectada a uma torneira. Uma mangueira não pode produzir água sozinha; ela é meramente um condutor. Do mesmo modo, só quando abraçamos a capacitação do Espírito Santo podemos amar e servir nossos cônjuges da maneira que Deus deseja.

A força de vontade e a mudança do comportamento têm sua importância, mas no fim das contas elas não podem renovar nossa mente ou vencer os desejos da nossa carne. Somente quando abraçamos a Pessoa e o poder do Espírito de Deus é que podemos experimentar Sua influência transformadora em nossas vidas e através delas – uma influência que é demonstrada por meio de atitudes e atos semelhantes aos de Cristo para com nossos cônjuges. Qualquer tentativa de modificar nosso comportamento sem que haja o envolvimento do Espírito de Deus levará à frustração e à desilusão.

Recebemos inúmeras mensagens de homens e mulheres cujos casamentos estavam destruídos pela manipulação e pela dominação. Em muitos casos, essas pessoas tinham conhecimento da Bíblia, mas lhes faltava o amor e a graça do Espírito. Como resultado disso, aquelas mesmas palavras que se destinavam a libertar e capacitar, eram usadas para confinar, minar ou envergonhar. Esses males estão presentes onde quer que o egoísmo esteja à espreita. O egoísmo floresce quando não nos beneficiamos da obra do Espírito de Deus e, por conseguinte, rejeitamos o serviço como nosso principal papel conjugal.

Durante o restante deste capítulo, exploraremos o que significa servir dentro do contexto do casamento. Nosso objetivo é oferecer uma fundamentação bíblica segundo a qual podemos conduzir nosso casamento e edificá-lo por meio do serviço. Com esse espírito, nós o incentivamos a não usar este capítulo como uma licença para condenar qualquer comportamento passado ou presente de seu cônjuge. Em vez disso, use-o como um modelo que o permita seguir em frente.

Entendemos que estamos moldando esses conceitos sob a premissa de que ambos os cônjuges desejam honrar o plano de Deus acerca do papel que devem cumprir em seu casamento. Sabemos que nem sempre é assim. Seja qual for sua situação, lembre-se de que você não pode mudar seu cônjuge. Se tentar fazê-lo, você será somente um obstáculo no caminho de Deus. Abra seu coração para a obra do Espírito de Deus, e dê espaço a Ele para fazer o que só Ele pode fazer em seu cônjuge.

IDENTIDADES E PAPÉIS

Para entender o papel que assumimos no casamento como servos, precisamos examinar mais uma vez o Jardim do Éden:

Criou Deus o homem à Sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Gênesis 1:27

Tanto o homem quanto a mulher são detentores de uma imagem que reflete a natureza de Deus. O homem e a mulher são diferentes, mas são igualmente importantes para demonstrar a natureza de Deus na Terra.

Marido e mulher são papéis. Eles são papéis únicos, e a Bíblia dá informações específicas sobre o que eles envolvem, mas esses papéis não são nossa identidade. Nossa identidade tem a ver com o nosso projeto original. Fomos criados para sermos portadores da semelhança de Deus na Terra. A Queda distorceu esse propósito, mas o sacrifício de Cristo o restaurou. Nossa salvação em Cristo é, antes de qualquer coisa, uma mudança de identidade.

Nenhum papel – marido, esposa, profissional, ministro, pai, amigo – pode estar acima da sua identidade. E justamente porque uma mudança de papel (de solteiro para casado, por exemplo) não é o mesmo que uma mudança de identidade, homens e mulheres são tão valiosos aos olhos de Deus depois do casamento quanto são antes dele.

Infelizmente, muitas pessoas (principalmente as mulheres) acham que seu valor muda depois que se casam. As mulheres temem que para honrar seus maridos, precisem se tornar secundárias em termos de importância ou contribuição. Nesse cenário, em vez de se elevar para praticar atos de amor e serviço, a mulher se encolhe em servidão até praticamente desaparecer.

Embora possa parecer a princípio que o marido se beneficie com esse arranjo, não é assim. Na verdade, ambos os cônjuges perdem quando o egoísmo é cultivado como um estilo de vida. Um marido que não vê sua esposa como um parceiro igual no casamento não apenas é roubado de uma aliada íntima, como também perde uma das suas maiores oportunidades de crescimento. Os homens se tornam mais semelhantes a Cristo quando servem às suas esposas como Jesus serve à Igreja. Lembre-se de que Jesus deu o modelo de Sua liderança servindo àqueles a quem Ele lidera e ama.

O amor, o respeito e a honra são essenciais para ambos os cônjuges. Ambos os cônjuges importam e ambos os cônjuges servem. Abordar o casamento dessa maneira ajuda a devolver ao homem e à mulher o poder do domínio, o dom da força e da autoridade de Deus que nos foram confiados no instante da nossa criação.

DOMÍNIO VERSUS DOMINAÇÃO

Deus os abençoou e lhes disse: “Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a Terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra” … E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom… Gênesis 1:28, 31

No início os homens e as mulheres não eram inimigos. Eles eram aliados íntimos e cooperadores – duas pessoas distintas unidas com um só coração. A eles foi confiada a missão de encher e subjugar a Terra. Deus lhes deu uma comissão (sejam férteis e multipliquem-se) e deixou que eles definissem os detalhes. Ele lhes deu domínio.

O domínio está associado ao poder de governo, à autoridade ou ao controle. Ele descreve uma área de influência e está associado à posse de poder. Como aprendemos com a história da Última Ceia, toda autoridade, quer seja ela confiada a um homem ou a uma mulher, é dada para servir aos outros para o benefício e crescimento deles.

A guerra dos sexos começou depois da Queda. Com a total ruptura entre Deus e Sua criação, o domínio sofreu uma mutação e se transformou em dominação e manipulação. Essas distorções dos poderes dados por Deus guerreiam continuamente contra o plano Dele para uma bela união. O casamento se tornou um instrumento de divisão em vez de multiplicação.

A intenção nunca foi que o casamento fosse uma luta pelo poder. Ele foi criado para ser uma união de poder. O casamento funde duas pessoas com qualidades e forças muito diferentes e depois usa essas diferenças para criar a oportunidade para a multiplicação. Tudo isso é parte do plano de Deus para reconciliar o que parecia estar além da reconciliação. Jesus disse:

Pois o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido. Lucas 19:10

Costumamos entender esse versículo como se ele descrevesse apenas o aspecto evangelístico, quando na verdade ele carrega em si um significado muito maior. Jesus não veio meramente para salvar os perdidos; Ele veio para salvar aquilo que estava perdido. Na Queda, perdemos nossa comunhão com Deus. Mas também perdemos a unidade dos nossos relacionamentos uns com os outros. Isso inclui nossos relacionamentos como irmãos, como pais e filhos e como marido e mulher. E perdemos a beleza que havia em nosso relacionamento com o restante da Criação.

A obra salvadora de Jesus tem a ver com mais do que sobreviver até chegar ao Céu. Ela tem a ver com abundância e restauração no presente. Por causa da Cruz, todo relacionamento que sofreu alguma perda tem o potencial de ser restaurado. Isso significa que podemos experimentar cura em nossos casamentos hoje. Homens e mulheres podem viver novamente como um só!

Quando temos um só coração e propósito, nós nos multiplicamos, porque Deus diz que onde existe unidade Ele ordena uma bênção (ver Salmos 133). O inimigo de nossas almas não quer que experimentemos a bênção de Deus, nem quer que nos multipliquemos. Portanto, ele faz tudo que está ao seu alcance para destruir nossa unidade. Contudo, quando contendemos contra o engano da dominação e abraçamos a verdadeira natureza do domínio, nos tornamos parceiros de Deus para ver Sua vontade cumprida na Terra.

Agora passaremos a uma discussão mais específica a respeito dos diferentes papéis que homens e mulheres desempenham no casamento como servos. Sem entender a perspectiva de Deus acerca de identidade, valor e domínio, poderíamos facilmente nos equivocar e pensar que esses papéis divinamente estabelecidos favorecem um cônjuge em detrimento do outro. Uma vez tendo estudado o primeiro mandato de Deus para o casamento e tendo reconhecido a diferença entre identidade e papéis, acreditamos que você verá como os papéis de ambos os cônjuges são empolgantes, importantes e valiosos.