A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SEXO NO CASAMENTO

Maior frequência de sexo no casamento está associada ao bem-estar conjugal

Algumas investigações têm apontado que existe uma relação positiva entre a frequência das relações sexuais em um casal e medidas de bem-estar conjugal. Pesquisas têm demonstrado que se tratando de sexo e bem-estar, mais é melhor, pelo menos até a frequência de uma vez por semana. Provavelmente, esse ponto de corte da frequência sexual obtida a partir de amostras norte-americanas é bem conservador para a nossa exuberante realidade brasileira, e se tivéssemos dados nacionais estes apontariam para uma frequência maior.

No entanto, as conclusões sobre como o nível da atividade sexual influencia o bem-estar se tornam complicadas por pesquisas que sugerem que a frequência sexual pode ter diferentes associações com o bem-estar, dependendo de como se mede essa variável. Certas medidas são voltadas a relatos explícitos, declarações conscientes dos membros do casal. Outras formas de mensuração estão focadas nas respostas automáticas ou implícitas, que são de natureza inconsciente.

Os pesquisadores Hicks, McNulty, Meltzer e Olson, em um estudo de 2016, analisaram ligações entre frequência sexual e qualidade de relacionamento em casais casados. Em duas amostras de casais casados que foram investigados, esses pesquisadores descobriram que os relatos das pessoas sobre a frequência com que tiveram relações sexuais nos últimos meses não previam suas respostas explícitas sobre a qualidade de seu relacionamento (como satisfeitos eles declaravam que eram), mas o nível de atividade sexual previa seus sentimentos mais automáticos e implícitos sobre seu relacionamento.

A forma adotada nesse estudo para obter medidas dos sentimentos implícitos dos sujeitos foi engenhosa. Os pesquisadores fizeram com que os participantes concluíssem uma tarefa em computador que foi projetada para avaliar como eles realmente se sentem sobre seus relacionamentos, focando nos sentimentos dos quais não têm consciência. Os participantes visualizavam fotos de sua esposa, com as imagens aparecendo uma de cada vez, muito rapidamente, na tela do computador. Depois de cada foto, eles visualizavam uma palavra positiva ou negativa. Sua tarefa era indicar o mais rápido possível se a palavra era positiva ou negativa, usando comandos de computador específicos.

O mais interessante dessa tarefa é que, em estudos anteriores, foi demonstrado que as imagens podem interferir nas respostas das pessoas às palavras. Se a imagem corresponder à palavra (imagem positiva, palavra positiva), as pessoas responderão mais rapidamente. Se a imagem for diferente da palavra (imagem positiva, palavra negativa), as pessoas demoram mais para responder. Ao comparar o tempo de reação das respostas às palavras positivas e negativas depois de ver a foto, os pesquisadores podem ter uma ideia de como as pessoas se sentem em relação ao cônjuge. Para garantir que o efeito seja exclusivo de seus sentimentos em relação ao cônjuge, os pesquisadores também testam os sujeitos em resposta a seus próprios rostos e faces de estranhos atraentes.

Os resultados desses estudos apontaram que os relatos das pessoas sobre sua frequência sexual não previam o quanto estavam satisfeitas com seus relacionamentos, mas, no entanto, mais sexo estava de fato associado a sentimentos inconscientes mais positivos. Um dos estudos mapeou os sentimentos das pessoas ao longo de vários anos e descobriu que as pessoas que relataram ter maior atividade sexual tinham crescimento no bem-estar, demonstrando ter sentimentos implícitos ainda mais positivos em relação ao parceiro ao longo do tempo. Portanto, sexo no casamento de fato aumenta o bem-estar, mas temos que ouvir o inconsciente para constatar seu efeito.

MEDINDO O INCONSCIENTE

Atualmente, a pesquisa em psicologia social tem desenvolvido uma série de métodos de investigação das avaliações inconscientes implicadas em uma variedade de tópicos, sendo que os mais estudados são atitudes, autoestima ou estereótipos. O teste mais conhecido para examinar associações inconscientes em relação a categorias de pessoas (geralmente grupos étnicos), objetos ou o próprio self é o lmplicit Association Test, desenvolvido pelo pioneiro da pesquisa do inconsciente, o psicólogo Anthony Greenwald e seus colegas Brian Nosek e Mahzarin Banaji. A apresentação dos conceitos no IAT é explícita, mas as associações implícitas em relação a esses conceitos, que são o principal foco do instrumento, não recebem atenção consciente do sujeito, pois são medidas pelo tempo despendido na resposta a cada par de palavras. Isso demonstra que temos atitudes em dois níveis, aquelas que ostentamos conscientemente, refletindo nosso conhecimento explícito e valores sobre o mundo, e as atitudes implícitas, que revelam correntes subterrâneas compostas pela somatória de informações coletadas e armazenadas em nosso cérebro.

MARCO CALLEGARO – é psicólogo, mestre em Neurociências e Comportamento, diretor do Instituto Catarinense de Terapia Cognitiva (ICTC) e do Instituto Paranaense de Terapia Cognitiva (IPTC). Autor do livro premiado O Novo Inconsciente: Como a Terapia Cognitiva e as Neurociências Revolucionaram o Modelo do Processamento Mental (Artmed. 2011).

OUTROS OLHARES

JUSTIÇA: UM FIO TÊNUE ENTRE A SUBJETIVIDADE E A OBJETIVIDADE

”Não é justo!!!” O que é de fato justiça? Os vários sentidos que empregamos na vida cotidiana estão coerentes com o que justiça pode significar?

“Professor, eu estudei tanto e não tirei nota, o meu colega não estudou nada e tirou 10, não é justo”

“Acabei de comprar o carro e um ladrão o roubou, não é justo””Eu não roubei a casa da senhora, não é justo ir preso” Esses e outros exemplos demonstram como a ideia de justiça está sendo aplicada em quase todas as situações. Porém, são situações distintas e muitas vezes não se trata de justiça ou não. Uma análise mais cuidadosa das situações acima é suficiente para demonstrar que o argumento/justificativa para a conclusão não é o mesmo. Nem todo raciocínio acima pode terminar com não é justo. Por que não é justo ter estudado muito e não tirar nota? Vamos imaginar que você estudou muito e mesmo assim não aprendeu. Como quer tirar nota? Vamos imaginar que seu colega, que não estudou, tenha compreendido todo o conteúdo que o professor passou em sala, qual é a injustiça de ele tirar nota na prova sem ter estudado? Ao dizer que não é justo você que estudou não tirar nota e o colega que não estudou tirar nota, no fundo você está dizendo que é injusto quem não estuda tirar nota. Me pergunto: por que estudar e não tirar nota e não estudar e tirar nota? Em que sentido o termo justiça está sendo empregado nessa situação?

Qual a relação causal entre ter acabado de comprar o carro e ter sido roubado com a questão da justiça? Quanto tempo a pessoa tem que ficar com o carro para depois ser justo roubá-lo? Existe tempo justo para depois poder fazer o roubo? Existe roubo justo? Coloque um comunicado no seu carro: acabei de comprá-lo, não é justo roubá-lo, volte daqui seis meses! Não estou aqui defendendo o roubo, mas mostrando a complexidade de algumas afirmações feitas sem a devida reflexão. O que é injusto no caso do roubo do carro?

O terceiro exemplo parece ter uma relação mais direta com a questão da justiça. Se não foi você quem roubou não é justo ser preso, não é justo pagar por algo que não cometeu, ou seja, prendê-lo será um ato de injustiça. Inclusive participei de alguns tribunais do júri e sempre ouvia o advogado de defesa fazer a seguinte observação: é melhor mil bandidos soltos do que um inocente preso. Esta afirmação parece, numa análise rápida, bastante aceitável, principalmente se o inocente preso for você.

JUSTIÇA COMPLEXA

As situações acima expostas demonstram o quão é complexa a discussão sobre justiça. Ela abrange um grande universo de teorias e situações que se misturam ao longo da história. Primeiramente quero dizer o que não pretendo com este artigo: não pretendo fazer uma leitura histórica da justiça ou de seu conceito; não pretendo tomar como base um determinado autor: Aristóteles, Tomas de Aquino ou Hans Kelsen, entre tantos outros; não pretendo ter como referência uma determinada vertente/ corrente filosófica e também não pretendo fazer uma análise voltada para a questão do direito e todas as suas implicações, caindo assim no campo da Filosofia do Direito. Pretendo, antes de mais nada, trazer alguns elementos para reflexão que há muito tempo vêm me acompanhando, e “não é justo” perdê-los e não compartilhar com ninguém. Porém, mesmo sendo um partilhar de ideias, elas serão, ao longo da reflexão, confrontadas com conceitos e teóricos, buscando uma fundamentação.

Tendo como referência o pensamento ocidental, pode-se afirmar que, desde o mundo grego clássico, a justiça, ou a ideia de justiça, esteve no centro do filosofar e na prática da vida em sociedade, e que esse tema percorreu toda a Idade Média, passando pelo mundo moderno e chegando até a sociedade contemporânea. Não temos por certo um único conceito que se desenrolou ao longo da história, pois o próprio conceito é fruto da história, mas é possível encontrar, grosso modo, uma leitura que tende a colocar a justiça no campo da pura objetividade e uma leitura que tende a colocar a justiça no campo da pura subjetividade. Essa talvez seja uma das questões centrais que marcaram toda a discussão sobre a problemática da justiça. Será ela passível de ser medida, calculada e mensurada, será possível chegar a um justo independentemente do olhar do sujeito ou será a justiça total subjetividade, ou seja, algo pode ser justo para você, mas não para mim e vice-versa. Essas posturas, o objetivismo e o subjetivismo, ao extremo podem levar a um absolutismo ou a um relativismo. Aliás, a sociedade contemporânea tem demonstrado certa dificuldade em encontrar a justa medida; geralmente saímos de um extremo para o outro e não há espaço para o diálogo, tão necessário quando o assunto é justiça.

Como está presente no título deste artigo, o objetivo central é discutir a subjetividade e a objetividade presentes no termo justiça, ou melhor, o quanto a justiça pode ser considerada pura subjetividade e o quanto a justiça pode ser considerada pura objetividade, ou será que ela mantém um pouco de subjetividade e um pouco de objetividade? Entendo que nada de novo será apresentado e que muitas vezes irá parecer que estou falando o óbvio, mas o óbvio às vezes é bom ser dito novamente.

Muitos termos são difíceis de serem definidos, ou seja, é difícil dizer o que ele é. Nesse caso, fica mais fácil buscar sua definição por exclusão, ou seja, por aquilo que ele não é. A justiça é um desses casos. Entendo que é difícil defini-la positivamente, mas acredito que é possível se aproximar de uma definição pelo seu “negativo’: ou seja, afirmando aquilo que não é justiça. Por outro lado, surge uma nova questão: é possível dizer que tudo o que não é justiça é injustiça? Não cometer o ato justo já é por si só um ato injusto? Por exemplo: é justo o aumento salarial solicitado pelos trabalhadores, mas seria injustiça não dar o aumento? Será que é justo o aumento solicitado ou é legítimo o aumento solicitado? Justo e legítimo são sinôni1nos? Como fica a possibilidade de uma total impossibilidade de se fazer justiça? A impossibilidade de se fazer justiça já é por si mesma injusta. Como fazer justiça por alguém que já faleceu, parece não ser nada efetivo, mas um tanto quanto romântico. Aqui entramos numa discussão sobre a base na qual se assenta a justiça. Ela pertence ao campo ético, estético, gnosiológico, ontológico, entre outros? Podemos dizer: a justiça é bela!, a justiça é certa!, a justiça é um ser! Existe o justo ou somente práticas justas? Uma afirmação é possível fazer diante de tantas questões: a justiça é a única virtude que não pode estar a serviço do mal ou da injustiça. É possível às demais virtudes cardeais: prudência, temperança e coragem estarem a serviço do mal. Um assassino precisa de coragem, pois sem ela ele pode se acovardar; um ladrão de banco precisa de prudência e de coragem, pois caso contrário o assalto pode não dar certo. Porém, a justiça nunca compartilhará do mal e o mal nunca desejará a companhia da justiça – eles não convivem no mesmo espaço. A justiça é sem dúvida a única que é absolutamente boa. Porém, mesmo concordando com a colocação acima, a pergunta permanece: tudo o que não é justo é injusto?

SUBJETIVIDADE E OBJETIVIDADE

As questões e colocações acima são fundamentais quando se pensa a justiça, mas vamos retornar ao tema central deste artigo: o quanto de subjetividade e objetividade está presente quando discute-se a questão da justiça.

Podemos começar nossa reflexão olhando à nossa volta e constatando quantas injustiças estão presentes. É injusto um ser humano morrer sem atendimento na porta de um hospital. É injusto alguém ser arrancado de sua cidade por causa de guerras. É injusto tantas pessoas ao redor do mundo morrendo de fome, enquanto lixões estão cheios de restos de comida. Mesmo afirmações como estas podem ser questionadas e defrontadas diante da subjetividade e do olhar específico do outro sobre cada situação, ou seja, é possível não encontrar unanimidade em relação aos exemplos acima mencionados.

Numa visão mais essencialista pode-se afirmar que a justiça existe e que é possível “alcançá-la”. Os gregos de maneira geral partilhavam dessa visão, ou seja, existe o justo e temos condições de contemplá-lo ou mesmo alcançá-lo. Caso ele não exista, é possível chegar a uma posição comum na qual racionalmente a justiça foi firmada, nesse caso a justiça não cairia numa discussão centrada num subjetivismo, mas respaldada na racionalidade humana e sua capacidade objetiva. Aliás, racionalidade que também hoje está sendo questionada, uma vez que vivemos uma época de certa descrença no próprio poder da razão e até mesmo na própria existência da razão. O problema é que a objetividade, marcada por uma suposta exterioridade e anterioridade da justiça, nem sempre dá conta da situação posta no momento, nem sempre se consegue um consenso em torno de uma dada situação para que se possa dizer “justiça foi feita”. Nem sempre é possível contemplar a justiça como se ela estivesse guardada num local, como se ela fosse um ser existente à espera da ação do homem. Para que a justiça seja feita, ela precisa passar pela aprovação de todos ou a maioria basta? Algo que possui um grau de objetividade precisa da aprovação para ser? O fogo queima é um fato objetivo, e penso que ninguém afirma o contrário, mas a dor que a queimadura causa, quanto de objetividade ela tem? Dor é objetiva ou subjetiva? Como medi-la? Ao dizer que a lei é justa eu tenho um componente objetivo, mas a lei não é a própria justiça. A justiça é uma ideia, um conceito, e como tal não tem existência ontológica?

Isso nos leva a uma outra dimensão da justiça, que é a possibilidade de ela ser mais subjetiva ou totalmente subjetiva. Hans Kelsen, de maneira geral, defende essa leitura e é por isso que ele, buscando dar valor de ciência e autonomia ao Direito, o afasta da discussão sobre justiça por entender que essa discussão é subjetiva e o impediria de construir uma teoria pura do Direito. “… todo juízo de valor é irracional porque baseado na fé e não na razão; nesta base, pois, é impossível indicar cientificamente – ou seja, racionalmente – um valor como preferível a outro; portanto, uma teoria científica da justiça deve limitar-se a enumerar os possíveis valo­ res de justiça, sem apresentar um deles como preferível ao outro” (Kelsen, 1993, XXVI).

De maneira geral, quem defende que a justiça, ou a ideia de justiça, é uma questão subjetiva entende que não é possível chegar a um denominador comum ou mesmo a um consenso. Pense a seguinte situação: o professor logo no início da prova pegou você colando e retirou a prova e lhe deu zero. Imediatamente você argumentou que não deu tempo para consultar a cola e pediu para que ele deixasse você continuar fazendo a prova. O professor, porém, não permitiu e manteve o zero. Pergunto: qual foi o critério de justiça utilizado pelo professor? Qual foi o seu critério de justiça para pedir a prova de volta? E você, caro leitor, de qual lado se posiciona? Afinal de contas, qual justiça se comete ao tirar a prova do aluno que ainda não tinha feito nenhuma consulta? Na visão do professor se fez justiça, na visão do aluno se fez uma injustiça. Quem está com a razão, ou será que ambos estão certos: é justo ter tirado a prova como também seria justo ter deixado o aluno fazer a prova? A norma da escola obriga o professor a tomar essa atitude, ele seguiu a norma, mas foi justo? Toda norma/lei é justa?

Entendo que a linha divisória entre a visão subjetiva e a visão objetiva de justiça é bastante tênue. Tanto a visão subjetiva como a visão objetiva têm seus limites e não conseguem atender satisfatoriamente a realidade. O risco da visão subjetiva é que o critério para considerar algo justo ou injusto é você mesmo, ou seja, não há critério claro e determinado, existe sim a sua leitura da situação e o seu posicionamento “particular” sobre o assunto. Corre-se o risco de cair num relativismo extremo, e o que era considerado justo para você, hoje, pode não ser mais amanhã. Por outro lado, o risco da visão objetiva é não fazer uma leitura das circunstâncias que envolvem a situação. É eleger um determinado “valor” como norteador e absoluto e assim elaborar o juízo de forma determinista e objetiva.

LEI DIVINA E JUSTIÇA DIVINA

Na sociedade medieval, o referencial último da ação do homem era o transcendente, ou seja, a lei divina e a justiça divina. Existia uma leitura objetiva de justiça que era obedecer os mandamentos de Deus. Mas os próprios mandamentos divinos são passíveis de serem submetidos a uma leitura subjetiva, ou seja, eles ao longo da história passaram a ser analisados a partir de um olhar pessoal e de uma interpretação também pessoal e histórica.

O mundo moderno, diferentemente do mundo medieval, é o berço do sujeito e com ele da subjetividade. Praticamente tudo passa a ser submisso ao sujeito, seja ele transcendental ou não. Nesta nova realidade a justiça assume uma dimensão subjetiva até então nunca atribuída a ela. A lei materializa a ideia de justiça e dá a ela uma possível objetividade. O dever passa a ser norteador das práticas, mas este é validado pelo próprio sujeito que em última instância é subjetivo e objetivo.

Enfim, a complexidade do conceito ou do fato chamado justiça não nos permite cair numa visão simplista e sem uma maior reflexão. Faz-se necessário buscar uma visão mais ampla e ao mesmo tempo não cair numa lógica reducionista. A justiça permeia a existência humana e se faz necessário pensá-la.

GESTÃO E CARREIRA

A ERA DO CANDIDATO

Por que assumir o papel de protagonista durante os processos seletivos e as entrevistas de emprego se tornou um enorme diferencial para os profissionais

Um dos principais pontos de atenção para que o profissional construa uma trajetória de sucesso é saber fazer escolhas de carreira pertinentes. A princípio, isso pode parecer algo simples, mas não é, sobretudo quando se está desempregado ou insatisfeito com o emprego. Isso porque, na ânsia de conquistar um novo desafio, é comum sermos arrebatados pelas promessas do processo seletivo, deixando de lado a cautela ao analisar a empresa e os projetos que serão ali conduzidos.

O atual cenário do país, de economia cambaleante e 13 milhões de profissionais desocupados, complica ainda mais as coisas. Com medo de não conseguir nada melhor, muita gente acaba abraçando um trabalho pouco alinhado com as próprias expectativas. No entanto, é bom frisar que, a despeito da crise, vivemos na era da experiência do candidato. Foi-se o tempo em que apenas a companhia fazia uma avaliação do indivíduo. Hoje, o o futuro empregado pode — e deve — usar a fase de recrutamento para questionar e analisar minuciosamente as oportunidades que o posto lhe oferece.

Nesse sentido, aconselho a quem estiver em busca de uma ocupação a fazer a avaliação de três pontos importantes: a cultura, o propósito e o jeito de trabalhar da organização. Isso é peça-chave para calibrar as expectativas e compreender se os valores e as crenças pessoais têm sinergia com o que a companhia acredita e pratica. Por exemplo: alguém que preza pelo trabalho em grupo e pela colaboração talvez não se sinta confortável num lugar em que as metas individuais são o mantra da cultura.

Para descobrir esse tipo de informação, é preciso acessar pessoas que atuam ou já atuaram nesse ambiente. Ajuda, também, ler notícias sobre o negócio e seu setor de atuação, além, claro, de observar os sinais emitidos pelo contratante durante as entrevistas. Nessas conversas, faz toda a diferença ter uma atitude de protagonista e investigar no detalhe a atividade a ser desempenhada.

Mais que o título do cargo, deve-se compreender as responsabilidades e os desafios da posição. Um estudo recente sobre pedidos de demissão mostrou, por exemplo, que 46% das pessoas que saíram de uma empresa num período de até seis meses após a contratação o fizeram por desalinhamento entre a proposta e as tarefas desempenhadas de fato no dia a dia. Só depois de fazer essa lição de casa é que recomendo analisar o salário. Lembrando que o ideal é calcular a remuneração anual incluindo bonificações e pacote de benefícios.

Sem cálculos, sem capacidade analítica e sem uma boa dose de coragem para questionar o status quo, dificilmente se faz uma boa mudança de carreira.

ALIMENTO DIÁRIO

A HISTÓRIA DO CASAMENTO

DIA 16 – LEVANTE-SE E CONSTRUA

… Vocês sabem que os governantes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas. Não será assim entre vocês. Ao contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo, e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo; como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate por muitos. — Mateus 20:25-28

Só existe um método eficaz para construir um casamento saudável. Para muitos de nós ele está escondido bem debaixo do nosso nariz. Precisamos advertir você de que esse método não é empolgante, e definitivamente não é fácil. Mas é a única maneira de captar toda a realização, o propósito e o amor que todos nós desejamos ter em nosso casamento. Você está preparado para o grande segredo? Aqui está: servir. A única maneira de construir o casamento dos seus sonhos é dedicar sua vida a servir o seu cônjuge.

Por favor, resista ao desejo de fechar este livro ou de pular para o próximo capítulo. Sabemos que o conceito de servir não costuma despertar uma grande empolgação. É mais provável que ele inspire sentimentos de relutância ou até de pavor. Tendemos a recuar diante da ideia de estarmos sujeitos aos interesses, desejos ou preferências de outros. Porém, Jesus, o Filho de Deus e Rei dos reis, escolheu se tornar um servo em busca do que era melhor para nós. Fazer o que é melhor para nós se tornou Sua maior preocupação. Ele rejeitou o lugar de autoridade e privilégio que era Seu por direito para ser uma ponte sobre o abismo entre Deus e o homem. E agora que Ele abriu o caminho para nos reconciliar com Deus, Ele tem prazer em realizar nossos sonhos, desejos e alegrias mais profundos, capacitando-nos a viver uma vida extraordinária e a nos tornarmos semelhantes a Ele. Até mesmo quando entregou Sua própria vida, Jesus ofereceu tornar nossa vida abundante. Essa forma ilimitada e sem precedentes de serviço é o padrão segundo o qual devemos lidar com todos os relacionamentos, principalmente com nosso casamento.

Agora que o convés foi limpo, você tem a oportunidade de construir o casamento dos seus sonhos. Mas a única maneira de realizar o seu sonho conjugal – aquele projeto de felicidade divinamente inspirado – é dar sua vida em troca disso. No Reino de Deus, você só mantém aquelas coisas das quais abre mão livremente. A alegria, o amor e a realização que deseja ter em seu casamento só podem se tornar realidade quando você sacrifica a busca dos seus maiores interesses em nome dos maiores interesses do seu cônjuge.

Você já percebeu que os cristãos mais infelizes tendem a ser aqueles que são consumidos pela busca de seus próprios interesses? Os mais debilitados são aqueles que nunca fazem nada por ninguém. Isso acontece porque, em Cristo, o DNA espiritual de Jesus de servir está entrelaçado na nossa natureza. Jesus é o servo por excelência. Quando nos recusamos a abraçar nossa identidade Nele – que inclui, entre outras coisas, viver como servos – nós nos separamos do Seu poder transformador. Esse poder é essencial para construir vidas e casamentos segundo o coração de Deus, e só podemos ter acesso a ele quando procuramos viver como Jesus viveu. Se não servimos, não podemos construir o casamento que desejamos.

TORNANDO-SE O MENOR

Durante Sua última refeição com os discípulos, Jesus contou aos Seus amigos mais próximos que Sua morte era iminente e que em breve Ele seria traído. Como eles reagiram? Primeiro negaram ardentemente qualquer chance de traírem Jesus. Depois passaram rapidamente para uma discussão sobre qual deles era o maior.

Que absurdo! Jesus estava contando detalhes da Sua morte iminente, e tudo que Seus amigos mais chegados podiam fazer era discutir sobre a própria grandeza. Veja como Jesus reagiu à loucura deles:

… O maior entre vocês deverá ser como o mais jovem, e aquele que governa, como o que serve. Pois quem é maior: o que está à mesa ou o que serve? Não é o que está à mesa? Mas Eu estou entre vocês como quem serve. Lucas 22:26-27

As palavras de Jesus provavelmente atingiram os discípulos como uma bolada no rosto. Eles haviam deixado claro que estavam interessados em ser grandes. Agora Ele estava dizendo a eles que ser grande significava servir com excelência.

Mas Jesus não parou aí, apenas dizendo palavras duras. Ele prosseguiu fazendo algo que deixou Seus discípulos ainda mais desconfortáveis e confusos. A Bíblia diz:

Jesus sabia que o Pai havia colocado todas as coisas debaixo do Seu poder, e que viera de Deus e estava voltando para Deus; assim, levantou-Se da mesa, tirou Sua capa e colocou uma toalha em volta da cintura. Depois disso, derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos Seus discípulos, enxugando-os com uma toalha que estava em Sua cintura. João 13:3-5

O que é impressionante nessa passagem é o porquê de Jesus ter lavado os pés dos Seus discípulos. A resposta encontra-se na leitura atenta de uma palavra: assim. Jesus havia recebido autoridade sobre tudo, assim Ele Se humilhou e abraçou a responsabilidade de um humilde servo. Jesus não tinha problemas relacionados à falsa modéstia. Ele obviamente estava ciente da Sua posição de poder. Mas em lugar de Se gabar ou de abusar de Sua vasta autoridade, Ele usou Sua posição como uma plataforma para um ato de serviço inimaginável.

No primeiro século, as estradas não eram pavimentadas e não havia shoppings onde os viajantes pudessem comprar um par de tênis. As pessoas usavam sandálias (ou nada), de modo que seus pés ficavam expostos a muita sujeira e fezes de animais. Não há dúvidas de que, em um ambiente como esse, o fedor e a sujeira dos pés chegavam a um nível que é incompreensível para nós em nosso mundo moderno.

Por causa da quantidade de pés sujos, servos ou escravos tinham de limpar os pés de seus senhores e dos convidados deles. Em uma casa rica, havia muitas responsabilidades: estábulos para serem cuidados, comida para ser preparada, quartos para serem limpos. Mas o trabalho de lavar os pés era reservado ao servo mais humilde. Em alguns círculos, essa designação ia ainda mais longe, e essa tarefa desagradável era designada exclusivamente às servas, as únicas consideradas “indignas” o bastante para fazer algo tão humilhante e repugnante.

Jesus escolheu realizar o mais inferior dos atos de serviço. Por quê? Porque Ele precisava que Seus discípulos entendessem a importância de Sua lição sobre o serviço. Ele até mesmo retirou Sua veste, um símbolo da Sua posição como Mestre, e enrolou uma toalha em torno de Sua cintura como um escravo faria. Tenha em mente que Jesus fez tudo isso para lavar os pés de homens que logo O negariam, O trairiam ou O abandonariam.

Quando terminou de lavar-lhes os pés, Jesus tornou a vestir Sua capa e voltou ao Seu lugar. Então lhes perguntou: Vocês entendem o que lhes fiz: Vocês me chamam “Mestre” e “Senhor”, e com razão, pois Eu o sou. Pois bem, se Eu, sendo Senhor e Mestre de vocês, lavei-lhes os pés, vocês também devem lavar os pés uns dos outros. Eu lhes dei o exemplo, para que vocês façam como lhes fiz. Digo-lhes verdadeiramente que nenhum escravo é maior do que o seu senhor, como também nenhum mensageiro é maior do que aquele que o enviou. Agora que vocês sabem estas coisas, felizes serão se as praticarem. João 13:12-17

Depois de lavar os pés dos Seus discípulos, Jesus colocou de volta a Sua veste, retomou Seu papel como Mestre, e deu os toques finais em uma lição que Seus discípulos jamais esqueceriam. A lição eterna aqui contida pode ser resumida em quatro pontos:

1. Como Senhor e Mestre, Eu sou o seu exemplo por excelência.

2. Se Eu mesmo executei voluntariamente esse ato humilde, não imaginem que esse ou qualquer outro ato de serviço está abaixo de vocês.

3. Eu sou Seu Senhor, Aquele que é maior do que vocês, porém estou disposto a servir como o servo mais inferior.

4. Eu abençoo aqueles que seguem Meu exemplo de liderança de servo.

CHAMADOS PARA SERVIR

Jesus disse que seremos abençoados se seguirmos Seu exemplo. Isso significa que Sua bênção repousará sobre os nossos casamentos quando nós O imitarmos servindo aos nossos cônjuges.

Não estamos encorajando você a imitar Jesus iniciando um ritual noturno de lava-pés. A questão é introduzir o padrão de serviço Dele em nossas vidas. No casamento, imitamos melhor o exemplo de Cristo quando usamos nossos respectivos papéis como oportunidades para servir. Paulo escreveu:

Nada façam por ambição egoísta… mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos. Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus. Filipenses 2:3, 5

Qual era a atitude de Cristo? Ele escolheu Se ver como um servo que colocava os outros e o que era melhor para eles acima do Seu próprio interesse. Ele levou isso ao extremo morrendo por aqueles a quem amava. A maioria de nós nunca será chamado a fazer um sacrifício dessa dimensão por seus cônjuges, mas fomos chamados para abandonar nosso egocentrismo por amor a eles.

Então, se servir é tão maravilhoso – e se atrai a bênção de Deus – por que mais pessoas não estão fazendo isso? O problema é nossa natureza humana caída, que luta constantemente contra os caminhos do Espírito de Deus e nos encoraja a fazer dos nossos próprios interesses nosso objetivo. Nossa carne exige que reconheçamos os desejos dela, insistindo que seus anseios sejam satisfeitos. Mas por mais que a alimentemos, a natureza humana sempre irá querer mais.

A natureza pecaminosa promove constantemente o egoísmo e o descontentamento, ao passo que o Espírito de Deus nos capacita a ser altruístas e oferece realização duradoura. A cada momento, escolhemos se vamos ser guiados pelo Espírito de Deus ou pelos desejos insaciáveis da nossa carne:

Pois a carne deseja o que é contrário ao Espírito; e o Espírito, o que é contrário à carne. Eles estão em conflito um com o outro, de modo que vocês não fazem o bem que desejam. Gálatas 5:17

Jesus nos libertou da nossa natureza pecaminosa para que pudéssemos entregar nossas vidas livremente. A salvação não nos libertou para recebermos mais; ela nos libertou para que pudéssemos dar mais! “Vocês foram chamados”, escreveu Paulo, “para a liberdade. Mas não usem a liberdade para dar ocasião à vontade da carne; ao contrário, sirvam uns aos outros mediante o amor” (Gálatas 5:13).

Recebemos liberdade para que possamos sacrificar nossas vidas. Se vivemos meramente para nós mesmos, desperdiçamos nossa liberdade em Cristo e nos sujeitamos ao mesmo pecado e egoísmo do qual Cristo morreu para nos libertar. Mas ao aprendermos a viver servindo aos outros, especialmente ao nosso cônjuge, passamos a fazer parte da vida abundante que Ele disponibilizou para nós.