A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

RELAÇÕES AFETIVAS E SUAS NUANCES

Como é a “linha do tempo” das suas relações afetivas? Ela é recheada de histórias de amor ou de histórias desgastantes e conflituosas? Entenda seus padrões repetitivos e o que precisa ser trabalhado dentro de si

Histórias de amor são fáceis e leves de contar, quase que como privilégios de quem as vive. Porém, se a maioria das suas histórias é acompanhada de qualquer tipo de falta de respeito, submissão, abuso, rejeição e falta de honra, você já se perguntou o porquê de atrair parceiros(as) com esse padrão? Por que permanecer em uma relação desconfortável, mesmo sabendo conscientemente que não faz bem? Por que há uma incoerência entre o que o cérebro pensa e o que sentimos e temos dificuldade de ter um equilíbrio nessa balança?

Então, por trás desses padrões repetitivos estão crenças limitantes que carregamos e que nos levam à autossabotagem, ou seja, quando você contribui inconscientemente para que tudo dê errado na sua vida. Para entender melhor como formamos nosso sistema de crenças, é importante entender que cada pessoa tem o seu, pois cada um de nós reage a eventos de formas diferentes.

Imagine um mesmo evento vivenciado por duas pessoas diferentes: uma delas pode olhar para esse evento de uma forma tranquila e ele não passar de um fato vivido como outro qualquer, enquanto que para a outra esse mesmo evento pode ser devastador e fazer com que ela se paralise diante da vida, com medos aparentemente infundados e que a impedem de criar uma realidade diferente. Esse sistema de crenças, segundo Vianna Stibal, fundadora da técnica do ThetaHealing, possui diferentes níveis, que vêm de diferentes lugares e experiências diversas. São eles: níveis primário, genético, histórico e de alma. E como esse sistema de crenças funciona nas relações afetivas?

O primeiro nível de crença é o primário, que são aquelas crenças que adquirimos desde o momento da nossa concepção até os dias de hoje. Elas são criadas através da educação dos nossos pais, dos grupos de amigos, dos nossos professores na escola, de alguma religião ou filosofia, de leituras, do que nos contam, de coisas que ouvimos e vemos na televisão e na internet, ou seja, qualquer input desse pode cri.ar uma crença.

E uma crença, quando é criada, vai influenciar na nossa vida, na nossa realidade. Dos O aos 7 anos não temos filtro para as informações que chegam a nós. Imaginemos que uma pessoa na sua infância assistiu a um casamento conflituoso, sem amor e sem respeito de seus pais. Ela, naquele momento, registra dentro dela aquilo que ela mesma interpreta como sendo uma verdade daquilo que está vivenciando.

Por exemplo, ela pode interpretar que “casamento faz sofrer”, “amar dói”, “relações são desgastantes e conflituosas”, enfim a mente dessa criança por si só inicia um  processo de guardar informações que vão influenciar na sua fase adulta, atraindo esse tipo de relação, quando não parecida, igual ao que ela assistiu quando criança.

Conscientemente, essa pessoa sabe que aquilo não é bom para ela. Por que então na fase adulta ela fica atraindo esse tipo de situação? O primeiro passo é entender que a missão da nossa mente é nos manter vivos. Ela sempre vai nos proteger se algo nos colocar em perigo. Se você atrair uma situação diferente daquela que registrou na sua mente como sendo uma verdade absoluta, ela rapidamente vai tratar de colocar a pessoa em segurança, acionando todos os seus autossabotadores.

Para ficar ainda mais claro, se você colocou na sua mente, lá na sua infância, que “relações são desgastantes e conflituosas”, então, para manter você seguro, sua mente vai atrair pessoas nesses padrões que você mesmo colocou, pois, do contrário, você estaria se colocando em “risco” se sair desse padrão.

Se você, em algum momento, registrou na mente que “melhor sozinho do que mal acompanhado”, inconscientemente a sua mente fará com que você permaneça sozinho(a) para não “correr riscos”. Parece estranho, não é mesmo? Mas saiba que a sua mente não vai discutir com você sobre aquilo que você registra dentro dela, ou seja, ela não julga.

Em muitos casos, essas pessoas desenvolvem ressentimentos e rejeições em relação ao amor. E nesse caso a mente perde urna incrível quantidade de tempo e espaço nessas questões, que incluem raiva, vitimização, baixa autoestima, ódio, implicância e indiferença que às vezes sentimos por alguém.

“Sinto raiva dele/dela…”

“Eu não merecia isso…”

“Eu me dediquei e não fui reconhecido (a)…”

“Não sou prioridade para ele/ela… “

“Sinto raiva de mim por ter perdido tanto tempo com essa pessoa…”

Levanta a mão quem nunca teve algum desses sentimentos por alguém e ficou remoendo dentro de si?

Pois bem, agora chegou a hora de tomar consciência de que todos esses sentimentos nos tiram do nosso estado de presença e colocam nossa referência fora, ou seja, começamos a julgar e criticar o outro e damos a essa pessoa o “poder” de nos fazer sentir mal. Passamos a colocar no outro a culpa por uma insatisfação própria e paramos de tomar a responsabilidade de toda situação que foi criada a partir dessa relação. Isso acaba nos colocando num lugar de “vítima”, num lugar no qual você não se coloca como responsável e se distancia da possibilidade de estar conectado com o outro pelo sentimento nobre e elevado do amor.

É impossível mudar alguém, é impossível querer que o outro seja aquilo que você quer que ele seja, porque a responsabilidade de mu­ dança começa dentro de você. Se isso não acontece, a possibilidade de ter contato com a energia do amor fica bloqueada e, por consequência, a expansão da sua consciência em di­ reção a uma evolução espiritual tam­ bém. Tudo porque você estará preso em algum lugar do passado, em algu­ ma situação mal resolvida. O padrão que você viveu naquela situação vai se repetir de uma forma ou de outra em algum outro momento, porque não está resolvido dentro de você.

É importante entender que a pessoa pela qual você alimenta um ressentimento está ali para mostrar o que precisa ser trabalhado dentro de si. Então, as perguntas-chave são: O que estou aprendendo com esse sentimento? O que essa pessoa está representando para mim? E quando você descobre, você se coloca no estado de presença e se reconecta com a energia do perdão. A energia do perdão não tem nada a ver com a energia do julgamento, é uma energia de alta vibração e que transforma. Mas primeiro é preciso se perdoar, se olhar com consciência para que a transformação se inicie dentro de você e não fora.

MUDANÇA

Vamos seguir com as explicações sobre o sistema de crenças para depois falarmos como iniciar a mudança. Afinal, saber disso faz com que a gente queira mudar, correto?

Um outro nível de crenças que existe é o genético, que são aquelas herdadas de pai, mãe, avôs e avós até a sétima geração. São crenças que nos fazem ter um sentimento de pertencimento à nossa família e essas crenças podem até ser vistas como um padrão da família, um padrão de sucesso, por exemplo, uma tendência para determinada carreira, uma inclinação para um dom artístico ou até mesmo uma doença que se propaga de geração em geração.

Uma vez entendido o que é esse nível, podemos olhar para a nossa linhagem familiar e perceber se estamos repetindo comportamentos que são deles nas nossas relações afetivas. Podemos herdar um comportamento de nos colocar na posição de pai ou mãe nos relacionamentos e colocar nosso parceiro/parceira na posição de filhos, repetir comportamentos de submissão porque sempre foi assim na sua família, ou mesmo comportamentos agressivos em suas relações. Fazemos isso de forma inconsciente, como se fosse uma forma de nos manter conectados a nossa família através das mesmas ações e comportamentos.

Há também o nível histórico, que são histórias que toda humanidade já viveu, nas quais se criaram as crenças coletivas, que influenciam a sociedade como um todo. Criamos a identificação com determinados grupos também através dessas crenças coletivas.

Esse nível nos mostra que há muitas crenças que fazem parte do inconsciente coletivo que dita regras muitas vezes “duras”, que fazem com que as pessoas façam de tudo para se encaixar em padrões para serem aceitas pela sociedade. Por exemplo, de acordo com o inconsciente coletivo, “toda mulher tem que casar e ter filhos”, caso contrário, parece que uma mulher que não cumpre esse papel “não será uma mulher plena”. Caso você acredite nessa informação do inconsciente coletivo, você é uma candidata a sofrer por não se encaixar nesse padrão e se sentir excluída, além de ter a autoestima comprometida. Se você é mulher solteira com filhos, pode estar acompanhada da crença de que isso fará com que um novo relacionamento seja difícil ou ter o medo de um companheiro não amar os seus filhos, de que há poucos homens/ mulheres legais para se relacionar e permanecer em um relacionamento abusivo para não ficar sozinho(a).

Enfim, muitas vezes nos forçamos a entrar nas regras do inconsciente coletivo, mesmo que de alguma forma façamos isso sem perceber. Você repete padrões que muitas vezes não são seus e permanece neles como se fosse algo imutável ou como se fosse uma pseudo zona de conforto.

E finalmente tem o que chamamos de crenças no nível da alma, que são aquelas que vêm da nossa essência, do nosso âmago. Quem de verdade nós somos, o nosso melhor, que somos “governados” pelo nosso sistema de crenças. Essas informações que dialogam dentro de nós criam movimentos que muitas vezes percebemos conscientemente que não são os mais interessantes para a nossa vida e parece que não sabemos como sair deles. Nos sentimos estagnados, paralisados e sendo jogados ao acaso, achando que a vida é uma grande sucessão de coincidências.

IDENTIFICAÇÃO

A técnica do ThetaHealing, que trabalha na frequência da onda cerebral Theta, onde o cliente fica totalmente consciente, atua nessas crenças limitantes. Identifica crenças limitantes e padrões sem as “armaduras” que acabamos por criar em nossa vida por causa dos nossos medos ou para nos encaixar nos padrões da sociedade.

Dito tudo isso, podemos entender que somos seres complexos e negativos que nos impedem de acessar todo potencial que existe em nós e influenciam diretamente na nossa realidade.

O ThetaHealing traz essas crenças do subconsciente para o consciente, faz uma reprogramação e nos empodera para que essa mudança aconteça nos níveis físico, energético, mental, emocional e espiritual. Eleva e modifica nosso campo vibracional e energético para a frequência de saúde plena de equilíbrio e perfeito funcionamento de nossas células manifestando assim uma nova realidade.

A primeira ação no processo de cura e no processo de mudança é a tomada de consciência de que uma ou mais crenças existem em você, pois só podemos trabalhar naquilo que é consciente, naquilo que existe.

Com a técnica ThetaHealing trabalhamos primeiro a tomada de consciência dos bloqueios e limites existentes, depois o empoderamento para que a pessoa esteja apta à mudança e de fato mudar e criar uma nova realidade harmoniosa.

Dessa forma, você faz o resgate do seu amor-próprio, levanta a cabeça e dá a volta por cima. Hora de finalizar o ciclo que não faz bem, sair do campo da vitimização e passar a ser o protagonista da sua realidade.

Outra técnica que auxilia na liberação de crenças limitantes são as barras de Access Consciousness, do americano Gary Douglas.

Consistem em 32 pontos energéticos em torno da cabeça, que são ligados com aspectos de nossa vida e que armazenam toda corrente eletromagnética das sinapses neurais que criam os padrões comportamentais e reações programadas de cada pessoa. O terapeuta, ao tocar em uma barra, dá início à liberação dos registros e a um processo de limpeza energética e desprogramação de crenças, pontos de vista e juízos de valor que criam limitações frente às possibilidades da vida começam a ser liberados.

Por fim, é importante dizer que não eliminamos todas as nossas crenças independentemente da técnica ou filosofia de vida escolhida. E saiba que isso está ok. O que acontece é a expansão quando resolvemos olhar para dentro de nós e mudar a nossa realidade, a forma como pensamos, como agimos e reagimos, como nos colocamos, como nos posicionamos, quando retiramos medos de julgamentos, vitimização e retiramos de nosso campo energético aquelas crenças que nos paralisam em várias áreas da nossa vida. Quando trabalhamos em uma área da vida específica, as relações afetivas, por exemplo, todas as outras, profissional, financeira, social, familiar e área da saúde são afetadas de forma positiva, porque somos um ser único e não tem como mudar apenas uma sem que todas as outras sejam afetadas. A energia de todas as áreas se movimenta e inicia um fluxo leve e abundante, como a vida deve ser.

Mudar é, de fato, uma escolha. Isso jamais podemos terceirizar para outra pessoa. Mesmo que a sua escolha seja ficar onde está, apenas tenha em mente que as mesmas ações trarão os mesmos resultados. Se você escolher isso, também está ok. Escolhas são somente escolhas, não são certas nem erradas. A nossa felicidade é responsabilidade nossa. É responsabilidade nossa sair do lugar onde estamos e ir para urna nova forma de vida. Deixar de culpar os outros por nossas mazelas. É nossa responsabilidade olhar aquilo que precisamos mudar em nós para que nos tornemos pessoas agradáveis e felizes, em primeiro lugar, para nós mesmos. Aí, sim, depois de estarmos em lua de mel conosco, é que nos tornamos pessoas interessantes, nossa vibração se eleva e passamos a atrair a abundância em todas as áreas da nossa vida. Porque isso é possível, é seguro e é permitido nesse aqui e agora.

PROCESSO DE REPROGRAMAR AS CRENÇAS LIMITANTES

Há uma expectativa equivocada nas relações afetivas, como se o outro tivesse a responsabilidade de nos fazer feliz e atender todas as nossas expectativas, caso contrário embarcamos em uma relação fadada ao fracasso e à frustração. Nós somos responsáveis pela nossa felicidade e essa crença de que só somos inteiros somente se tivermos alguém é um equívoco. Nós não procuramos uma relação afetiva, nós atraímos alguém pela nossa energia. Se amamos a nós mesmos, somos pessoas muito mais interessantes para nós e para os outros. Para mudar tudo isso, existem técnicas quânticas que auxiliam no processo de reprogramar as crenças limitantes, substituindo-as por uma nova consciência. Quando fazemos isso, substituímos crenças limitantes (“casamento faz sofrer”, “amar dói”, “relações são desgastantes e conflituosas”, “é mais seguro ficar sozinho (a)” por  “casamento é amor”, “amar é maravilhoso”, “relações são agregadoras e harmoniosas”, “é possível ter um relacionamento e ainda assim permanecer em segurança”. Com isso, as memórias daquela criança no nível primário são substituídas, dando lugar a uma nova forma de pensar mudando o comportamento e empoderando a pessoa de que é possível, é permitido e é seguro amar sem a necessidade de repetir padrões dos outros.

OUTROS OLHARES

A LITERATURA DO F*DA-SE

A profusão de títulos que contêm palavrões anima o segmento da autoajuda com a adoção de uma linguagem que o leitor acha mais próxima da realidades

Por alguma virada de chave que certamente tem a ver com a ausência de filtros das redes sociais, nas quais se dialoga e se monologa sem que um olhe na cara do outro e o baixo calão é regra, o palavrão, esse termo tão condenado nos ambientes sérios, tomou conta das livrarias, exibido com destaque – e asteriscos – na capa de um sem-número de publicações, a maior parte enquadrada no segmento de autoajuda. O movimento de superação pessoal amparado em expressões desbocadas é capitaneado pelo fenômeno de vendas A Sutil Arte de Ligar o F*da-se, em que o americano Mark Manson ensina ao leitor que não dá para todo mundo ser feliz o tempo todo e… bem, a conclusão está no título. Publicado no Brasil no fim de 2017, no ano seguinte o livro se sagrou o mais vendido no país. Atualmente, junto com F*deu Geral, um texto recém-lançado que procura amparar a tese original em pesquisas, Manson crava 1,3 milhão de exemplares distribuídos no Brasil – no mundo, passa dos 9 milhões.

Boa parcela desse sucesso é creditada ao termo que faz com que os pais ameacem lavar a boca dos filhos com sabão. “O palavrão reflete irreverência e sugere uma linguagem mais próxima do leitor, algo muito valorizado hoje em dia no mercado editorial”, explica Cristiane Ruiz, editora de aquisição da Intrínseca, que publicou as obras do blogueiro americano. Misturar literatura com palavreado chulo é mérito atribuído a François Rabelais, escritor francês da época do Renascimento que, reproduzindo o modo de falar do homem do povo, criou a obra-prima Gargântua e Pantagruel, coletânea de cinco romances satíricos que contêm listas e listas de palavrões, alguns deles especialmente inventados. A prosa irreverente manteve Rabelais afastado dos meios intelectuais de seu tempo, mas não impediu que ele viesse a fazer parte dos grandes nomes da literatura clássica da França. A diferença entre o uso progressivo de obscenidades em textos literários e o fenômeno atual das capas com asteriscos é o tratamento dado à palavra proibida, que virou uma espécie de mercadoria, à venda nas vitrines das livrarias. “É a capitalização do insulto”, define, meio brincando, o historiador Leandro Karnal.

Depois que a semente vingou, a árvore dos títulos que contêm palavrões só faz crescer, forte e frondosa. Publicado em 2017, Seja F*da! (sem asterisco no original), do brasileiro Caio Carneiro – uma espécie de antítese dos conceitos pregados em A Sutil Arte… -, foi o quarto livro mais vendido no Brasil no ano passado, com 160.000 exemplares. A antropóloga Mirian Goldenberg, de sólida carreira acadêmica e autora de 26 livros com títulos do tipo censura livre, acaba de lançar Liberdade, Felicidade & F*da-se! (o “o”, mais criativamente, é substituído por uma bolinha de papel), sobre o público feminino que ultrapassou a casa dos 80 anos. “O f*da-se representa um botão imaginário que, ao ser acionado, proporciona uma velhice mais feliz, mais plena e mais livre, tanto de preconceitos quando de obrigações”, justifica ela.

O verbo utilizado em uma enorme variedade de situações que nada têm a ver com seu sentido original não é a única medalha a figurar no panteão dos títulos desbocados: Como Parar de Se Sentir uma M*rda, estocada nas mulheres “autodestrutivas” escrita pela lifecoach americana Andrea Owen, e Resolva a P*rra dos Seus Problemas, em que Laura Jane Williams ensina o leitor a focar as coisas “que realmente importam”, também estão vendendo muito bem, obrigado. “O título precisa saltar à vista, entre tantas obras do gênero. Além disso, o palavrão soa moderno e atrai um público que, em geral, torce o nariz para a autoajuda clássica”, diz Raissa Castro, editora executiva da Best Seller.

A aceitação do palavrão que praticamente pula na frente das pessoas foi um processo gradual que só se popularizou nos últimos dois anos. Marcos da Veiga Pereira, sócio da Sextante e presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, lembra que, em 2011, lançou Vai Dormir, P*rra, tradução de Gothe F*ck to Sleep, livro infantil que tinha uma versão em audiobook narrada pelo ator Samuel L. Jackson e fazia tremendo sucesso nos Estados Unidos. A editora imprimiu 20.000 exemplares, contratou o humorista Hélio de La Pena para fazer a dublagem – e o livro não vendeu nem 5.000 unidades. Agora, ao contrário, os leitores mostram se encantar com a nova embalagem da autoajuda em títulos profanos, impronunciáveis à mesa do jantar.

Especialistas apontam nessa atitude uma espécie de via de escape das pessoas reprimidas, como aquelas que morrem de rir ao ouvir um palavrão no teatro ou no cinema. Agora, se você se diverte com os títulos citados e alguém chega com explicações psicológicas, já sabe – ligue o botão e siga em frente, sem culpa nem remorso. Um asterisco de vez em quando é bom.

GESTÃO E CARREIRA

CADA UM POR SI

A crise econômica e a Gig Economy criaram uma legião de trabalhadores sem carteira assinada no Brasil. Embora seja uma oportunidade de gerar renda, a informalidade pode trazer prejuízos para toda a sociedade

A carteira vazia e a incerteza de quando isso mudará compõem um retrato da atual situação de Wanderley Júnior, de 39 anos. Com duas décadas de experiência na área comercial e passagens por empresas como Unilever e Makita, o profissional está desempregado há 14 meses. Sobrevivendo de bicos que faz como marido de aluguel, em que realiza pequenas manutenções em residências, e como assistente de produção de eventos, Wanderley viu seu padrão de vida mudar radicalmente. “Tive de vender meu carro para quitar o financiamento do automóvel, e minha renda diminuiu cerca de 60%”, afirma.

Casos como o de Wanderley, infelizmente, estão se tornando cada vez mais comuns. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), até maio de 2019, assim como o paulistano, outros 40 milhões de brasileiros trabalhavam no mercado informal. O número é 8% maior quando comparado ao mesmo período do ano anterior. O avanço da informalidade é um dos reflexos da crise econômica, que perdura no Brasil desde 2014. “A recessão e o aumento do desemprego fazem com que cresçam os subempregos: trabalhos sem vínculo empregatício cujas principais características são a baixa produtividade e a má remuneração”, afirma Ruy Braga, pesquisador e professor na Universidade de São Paulo. Os dados comprovam essa realidade. Em março, o número de desempregados no Brasil atingiu a marca de 13,4 milhões de pessoas, segundo o IBGE, enquanto a economia do país retraiu cerca de 0,68%.

Nesse cenário, a informalidade muitas vezes é a única opção para os trabalhadores recém-desempregados, incluindo pessoas com experiência e formação superior, como Wanderley, formado em ciências tecnológicas pela Universidade Federal do ABC, de São Paulo. “Na situação em que estou hoje, sinto-me depreciado. Existem muitos profissionais qualificados aceitando cargos inferiores aos que poderiam ocupar para ter estabilidade. O último trabalho que consegui não dava nem sequer para pagar as contas do mês”, diz.

Com a reforma trabalhista, aprovada em 2017, os bicos ganharam respaldo legal. Na nova legislação há a previsão da modalidade de contrato em regime intermitente, pelo qual as empresas podem admitir os trabalhadores por horas, dias ou meses específicos. Embora ofereça a possibilidade de conseguir uma ocupação com o mínimo de estabilidade, especialistas criticam a opção por representar uma precarização das condições de trabalho. De acordo com Bruno Ottoni, pesquisador do Idados e do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), a adoção desse novo modelo, contudo, ainda não é expressiva. “A falta de segurança jurídica sobre esse tipo de contrato, já que a legislação é recente e existem muitos pontos que não estão claros, faz com que as empresas se sintam receosas em contratar mediante esse regime”, afirma.

UBERIZAÇÃO E GIG ECONOMY

Além do contexto econômico, o avanço da tecnologia também é um dos responsáveis pelo aumento dos informais. E a tendência de contratação de freelancers por plataformas digitais, como Uber, Ifood e Rappi, ganhou até um nome: Gig Economy, ou economia dos bicos. No Brasil, estima-se que 5,5 milhões de pessoas trabalhem para esses aplicativos de serviços. Se elas fossem reunidas em uma mesma folha de pagamentos, em conjunto, o algoritmo seria o maior empregador do país. “Com o aumento do desemprego, essas ferramentas tornaram-se uma das maneiras que as pessoas encontraram para a criação de renda”, diz o economista Thiago Xavier, da Tendências Consultoria. A estudante de farmácia Renata Meira, de 39 anos, é um desses trabalhadores. Há três meses, a pau- lista largou o emprego fixo em uma agência de aluguel de automóveis para trabalhar como motorista de aplicativos de transporte, como 99 e Lady Driver. Seu objetivo era ter mais flexibilidade. “Como optei por me demitir, estou feliz em ter liberdade”, afirma. Para conseguir obter a mesma renda que possuía com o antigo emprego, cerca de 2.500 reais mensais, Renata afirma trabalhar 10 horas por dia. Embora tenha largado o emprego fixo por vontade própria, a profissional reconhece os desafios, principalmente o assédio ao qual está sujeita sendo mulher e trabalhando nas ruas. Tanto é que a escolha pelo Lady Driver, plataforma de transporte exclusiva para mulheres, não foi à toa. “Sinto-me muito mais segura com essa opção”, diz Renata. Contudo, como atua com outras empresas, que atendem público misto, a profissional teve de recorrer a recursos próprios para se prevenir. “Tenho um grupo no WhatsApp com outras mulheres, no qual trocamos experiências, conversamos sobre nossa rotina e mandamos uma para a outra nossa localização. Funciona como uma rede de proteção”, afirma.

Para os gigantes de tecnologia detentores desses aplicativos, Renata e os outros motoristas são trabalhadores autônomos, que não possuem vínculo empregatício. Além de não estarem sujeitos a nenhuma regulamentação e proteção legal, os profissionais que desenvolvem esse tipo de trabalho deixam de contribuir para a Previdência e de possuir benefícios como FGTS, férias ou décimo terceiro e arcam com todo o custo da atividade que exercem. Segundo Trebor Scholz, professor na The New School, em Nova York, e autor do livro Uberworked and Underpaid (“Uberexplorados e sub-remunerados”, numa tradução livre), esses trabalhos, embora sejam considerados ocupações fáceis e com alto grau de flexibilidade, escondem problemas que não são nítidos. “As tarefas da economia dos bicos são muitas vezes curtas, temporárias, precárias e imprevisíveis, e há pouca esperança de progresso na carreira”, afirma.

Motoristas ouvidos pela reportagem, aliás, afirmam sofrer com problemas de coluna e pressão psicológica pelo estresse no trânsito, além das longas jornadas de trabalho. Por esses motivos, as empresas da chamada Gig Economy estão no centro de uma discussão mundial sobre a responsabilidade dessas companhias milionárias sobre as condições de trabalho da mão de obra que contratam. No dia 8 de maio de 2019, por exemplo, motoristas da Uber fizeram uma paralisação em cidades no mundo todo, demandando direitos como maior garantia de segurança pela companhia e diminuição da taxa de corrida que é descontada pela corporação. “Como podemos falar em ‘compartilhamento’ ou ‘inovação’ quando um terceiro monetiza sobre todas as suas interações para o benefício de um pequeno grupo de acionistas?”, questiona Trebor Scholz em seu livro. No Brasil, o autônomo dessas plataformas não possui direito trabalhista definido. Embora algumas decisões da Justiça do Trabalho tenham determinado que há vínculo empregatício entre motoristas e empresas de aplicativos de serviços, outras vão no caminho oposto. “A tecnologia está levantando questões jurídicas que o direito ainda não está pronto para responder”, diz o advogado Renato Lang. Renan Kalil, procurador do Ministério Público do Trabalho, completa: “Como o Tribunal Superior do Trabalho ainda não julgou nenhum caso sobre os direitos trabalhistas desses profissionais, não há uma decisão final sobre o reconhecimento ou não desse vínculo”. No meio do limbo jurídico, quem sofre são os trabalhadores dessas plataformas, que ficam duplamente desprotegidos — pelas empresas e pelo Estado.

TENDÊNCIA PARA O FUTURO?

Segundo especialistas, se por um lado a informalidade tende a cair com a retomada da economia e a criação de postos de trabalho formais, por outro a nova economia criada pelos aplicativos de serviços veio para ficar. A questão, segundo eles, é a pressão cada vez maior por uma legislação que regulamente essa atividade. “É impossível manter uma jornada de 10 horas por dia ao longo de dez a 20 anos. Chegará uma hora em que será preciso criar parâmetros legais”, afirma Ruy Braga, da USP.

Mas se engana quem acredita que os prejuízos da informalidade estejam restritos aos trabalhadores. Segundo economistas, a dinâmica do PIB, um dos termômetros do crescimento da economia, está mais ligada à população ocupada no trabalho formal do que no informal. Isso acontece porque entre os informais o rendimento médio é menor e, consequentemente, o poder de compra também é. “Se a pessoa possui um salário fixo por mês, ela também consegue se comprometer com dívidas de longo prazo, como o financiamento de um automóvel ou imóvel e empréstimos no banco, o que aquece a economia”, diz Thiago Xavier.

Além disso, com tamanha parcela de trabalhadores que deixam de contribuir com o INSS, a previdência social do país também é afetada. “Todos vão pagar a conta. Os contribuintes terão de arcar com a aposentadoria dos informais, e isso virá de onde?”, questiona Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE. No caso dos aplicativos, em maio deste ano o presidente Jair Bolsonaro assinou o decreto 9.792, que obriga motoristas de plataformas digitais a contribuir com o INSS. De acordo com o texto, eles podem optar por ser microempreendedor ou contribuinte individual.

Por fim, a informalidade também afeta as condições de vida dos cidadãos e aumenta as desigualdades. Por isso, no relatório Trabalho para um futuro mais brilhante, publicado em janeiro deste ano, a Comissão Global sobre o Futuro do Trabalho, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), recomenda que governos e empresas aumentem os investimentos em ocupações sustentáveis e decentes para diminuir esse processo de precarização. “Os trabalhadores da economia informal frequentemente melhoram sua situação por meio da organização, trabalhando em conjunto com cooperativas e organizações baseadas na comunidade”, afirma o relatório. Trebor Scholz, inclusive, defende a criação de cooperativas que representem os trabalhadores que atuam por aplicativos. Em seu outro livro, Cooperativismo de Plataforma (Editora Elefante, 20 reais), ele defende dez princípios para a existência de uma relação equânime entre empresas e profissionais, entre eles: pagamentos decentes e seguridade de renda, transparência de dados, uma moldura jurídica protetora, rejeição de vigilância excessiva no trabalho e direito de se desconectar.

Um cenário com todos esses direitos, contudo, parece longe de se concretizar. Basta lembrar do episódio recente, no qual um motorista da empresa de entregas rápidas Rappi morreu depois de sofrer um acidente vascular cerebral e ser ignorado pela companhia, em São Paulo. O caso gerou repercussão e fez com que a startup tivesse de prestar esclarecimentos ao Procon do estado. Em nota, a Rappi respondeu que “não contrata entregadores parceiros. Muito pelo contrário, são os entregadores que contratam a Rappi para, por meio da plataforma tecnológica disponibilizada, entrar em contato com os usuários e angariar clientes para sua atividade comercial de motofrentistas”. A empresa ainda informou que, após o incidente, está desenvolvendo um botão de emergência para auxiliar os trabalhadores. Mesmo com essas alegações, o parecer inicial do Procon-SP concluiu que a falta de vínculo não isentava a Rappi da responsabilidade sobre os entregadores que prestam serviços para a empresa. A decisão pode ser encarada como uma pequena vitória, mas o episódio mostra a urgência na criação de mecanismos que protejam os profissionais — e evitem que histórias trágicas como essa se repitam.

DE OLHO NO BOLSO

Como se organizar financeiramente para enfrentar a informalidade

SEM PERDER DE VISTA

O consultor financeiro Mauro Calil orienta ao trabalhador informal que evite parcelar as compras no cartão de crédito e opte por pagar as despesas à vista para não se enrolar.

DENTRO DA LEI

Para o planejador financeiro José Raymundo de Faria Júnior, todo trabalhador autônomo deve contribuir para o INSS, segundo a lei. Ele afirma que a Receita Federal está fiscalizando com mais intensidade quem sonega esse imposto e indica a categoria de Microempreendedor Individual (MEI) como a mais barata para o informal.

RESERVA DE EMERGÊNCIA

Embora difícil em contextos em que o dinheiro não está sobrando, Mauro Calil orienta ao trabalhador que tente economizar o equivalente à de seis a 12 meses de despesas para situações inesperadas. “Isso vai proporcionar tranquilidade. Se houver algum empecilho de saúde, por exemplo, o indivíduo terá um período para se recuperar”, diz.

A ECONOMIA DOS BICOS

Enquanto os empregos formais caíram, os informais cresceram nos últimos anos

QUESTÃO GLOBAL

O trabalho sem vínculo formal é uma realidade em todo o planeta

ALIMENTO DIÁRIO

A HISTÓRIA DO CASAMENTO

DIA 15 – SOGROS CONTROLADORES

Problemas com sogros controladores são mais comuns entre recém-casados, mas com certeza podem ser um fator que se estende além dos primeiros anos de casamento. Quando enfrentamos conflitos entre nosso cônjuge e nossas famílias, é natural querer defender os pais (ou outros parentes) a quem conhecemos por toda a vida. Todos nós deveríamos ter um grande amor e respeito pelos nossos pais. Mas embora você possa frequentemente aceitar de bom grado o conselho de seus pais, uma vez que tenha se casado, sua obrigação principal é para com o seu cônjuge.

Antes de nosso filho mais velho se casar, eu (John) disse a ele: “Addison, não vou lhe dizer o que fazer em nenhuma área a não ser que você peça meu conselho. Não vou mais tomar a iniciativa de direcionar sua vida. Você está estabelecendo sua própria família, e quero lhe dar espaço para aprender e crescer”. Addison expressou sua gratidão por essa postura e me consulta sempre que deseja o meu conselho.

Meu desejo não é controlar meu filho ou moldá-lo, transformando-o em um clone meu. Quero que Addison se torne tudo o que Deus o criou para ser – e meu excesso de envolvimento em seu casamento poderia impedi-lo de assumir seu papel como líder do próprio lar. (Francamente, tenho ficado impressionado com o que ele tem feito com a sua família. É muito melhor do que eu consegui realizar quando tinha a idade dele!)

A Bíblia é clara:

… O homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne. Gênesis 2:24, grifo do autor

Deixar seu pai e sua mãe desse modo significa deixar a autoridade da casa de seus pais. Também significa que você deixa qualquer influência pouco saudável que seus pais possam ter sobre você. É importante honrar seus pais, mas você pode honrá-los sem obedecer a eles. Você formou uma nova família com uma nova hierarquia. Seus pais não são mais as suas figuras de autoridade, de modo que eles não devem dirigir sua vida ou seu casamento.

Talvez você tenha de lidar com sogros que tentam se envolver demais no seu casamento. No início do nosso casamento, um de nossos sogros tentou nos manipular e gerar divisão na nossa união. O envolvimento dela estava se tornando destrutivo, e nossas tentativas sutis de tratar do problema não estavam adiantando. Finalmente, nos encontramos com essa pessoa (a quem ambos honramos e amamos) e expressamos nossa posição claramente.

Eu (John) disse: “Você não vai se envolver na maneira como minha casa é conduzida. Este é um lar totalmente novo. Nós honramos você, mas você não vai controlar as decisões nesta casa. Você não vai nos manipular nem conseguir que as coisas sejam do seu jeito”. Tive de usar palavras fortes porque as abordagens mais indiretas haviam falhado. Felizmente, esse parente entendeu o que estava acontecendo, e agora ela ocupa um lugar apropriado e saudável no nosso relacionamento.

Como casais, devemos proteger nossa união contra toda forma de ataque, inclusive dos membros de nossa família. Geralmente esses ataques não são maliciosos e podem parecer inofensivos. Eles frequentemente assumem a forma de pequenas piadas depreciativas, mas essas observações sutis são sempre destrutivas. Quando realizo cerimônias de casamento, olho para todos os amigos e para a família que está presente e digo: “Ai de vocês que falarem contra esta união. Esta é uma união ordenada por Deus. Não ousem tentar manipulá-la ou separá-la. Declarem apenas vida sobre o que Deus estabeleceu hoje”.

Quando Addison se casou, decidimos deliberadamente não fazer com que ele escolhesse entre sua esposa Juli e nós. A verdade é que ele fez sua escolha no dia em que se casou com Juli, e ficamos muito felizes com sua decisão! Nesse contexto da dinâmica familiar, o amor nunca faz as pessoas escolherem. O amor apoia e constrói pontes entre os relacionamentos antigos e os novos.

Amamos Juli e sentimos que ela é muito mais uma filha que uma nora. Essa proximidade só é possível porque respeitamos sua nova família e permitimos que ela e Addison escrevam sua própria história.

EXPECTATIVAS NÃO REALISTAS

Expectativas não realistas estão entre os motivos para o divórcio mais citados nos Estados Unidos.8 Muitos de nós entramos no casamento esperando felicidade eterna, sexo ininterrupto e um relacionamento tranquilo. Não esperamos que o casamento exponha fiel e irredutivelmente nosso egoísmo e nossas inseguranças, nem prevemos as fraquezas e falhas que encontraremos em nossos cônjuges. Nossas expectativas equivocadas podem se tornar uma fonte de amargura e descontentamento, o que invariavelmente nos impedirá de construir uniões segundo o coração de Deus.

Expectativas não realistas são frequentemente alimentadas por comparações feitas de maneira tola. Estamos impregnados de uma cultura guiada pelo entretenimento. Portanto, estamos constantemente tendo oportunidades de comparar nossos casamentos com aqueles que são retratados nas telas. O cinema e a televisão nos oferecem amor sem trabalho, beleza sem sacrifício e confiança sem risco. Eles enfatizam o aspecto romântico do relacionamento sem retratar os momentos menos “hollywoodianos” da vida.

Se já está casado há algum tempo, você percebeu que o casamento é feito de mais do que encontros românticos, compatibilidade perfeita e dias livres de responsabilidade. Casamento é trabalho árduo, e em geral ele é caótico.

Só porque seu casamento é difícil isso não significa que você não deveria estar casado. Os desafios do casamento são bons porque eles o levam a dar mais de si. Eles refinam seu caráter e o tornam mais capaz. Esse relacionamento tem a ver com grandeza, lembra-se? Todos amam a ideia de crescer e amadurecer, até que passam por uma situação que exija amadurecimento.

A questão das expectativas não realistas não tem a ver apenas com a maneira como a mídia retrata o casamento. Também cometemos o erro de comparar nossos casamentos com os de nossos amigos ou vizinhos. Essa é uma péssima ideia. Não há como sabermos o que se passa por trás dos bastidores do relacionamento dessas pessoas. Tudo pode parecer excelente, mas eles podem estar destruindo um ao outro por trás das portas fechadas.

Também é tentador comparar as diferentes fases dentro do nosso relacionamento. Podemos comparar o momento atual – com filhos, fraldas e pouco tempo livre – a como nosso relacionamento era antes de termos filhos. Logicamente, isso não faz sentido algum. Não há como a sua vida ficar exatamente a mesma depois de você ter filhos. Criar filhos envolve muito menos liberdade e muito mais responsabilidade. Ter filhos muda a sua vida de forma inerente, portanto seu relacionamento matrimonial também será diferente. Sabemos que isso não é muito difícil de entender, mas quantas vezes nos vemos fazendo comparações tolas que diminuem ou sugam a alegria e a realização que estão à nossa disposição no presente?

Theodore Roosevelt disse: “A comparação é o ladrão da alegria”. Se quiser encontrar alegria no seu casamento, você precisa parar de comparar seu relacionamento com outros que parecem ser melhores, quer sejam eles os relacionamentos dos seus vizinhos ou os que são retratados em uma tela. Você nunca encontrará alegria na comparação. A alegria não é mesquinha, portanto, não pode ser obtida através da mesquinharia. Ela transcende as circunstâncias, não está confinada aos sentimentos e encontra sua força em uma consciência do quadro maior – a totalidade do plano de Deus para a sua vida.

A alegria é um fruto do Espírito (ver Gálatas 5:22-23), o que significa que ela é recebida de Deus e não das circunstâncias. Ela não pode ser gerada pela vontade humana. Embora a felicidade seja um sentimento afetado pelas lutas temporais, a alegria transcende as dificuldades. Ela se origina na esperança inspirada pela nossa posição em Cristo. Se nos falta alegria em Deus, nos faltará a força que precisamos para viver bem o casamento, porque a alegria Dele é a nossa força (ver Neemias 8:10). Paulo ecoou esse sentimento nas suas palavras à igreja de Filipos:

Alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: Alegrem-se! Seja a amabilidade de vocês conhecida por todos. Perto está o Senhor. Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus. Filipenses 4:4-7

Quando você estiver ansioso por causa do seu relacionamento, leve os seus pedidos a Deus com alegres ações de graças. Ele prometeu trocar as suas preocupações pela paz Dele. Essa é uma boa troca!

Expectativas não realistas roubarão sua alegria e, portanto, roubarão de você a força necessária para seu casamento. Não caia nessa armadilha. Identifique quaisquer expectativas que tenham criado fortalezas no seu relacionamento e arrependa-se por permitir que elas tenham precedência sobre a verdade da Palavra de Deus e o Seu plano único para a sua vida.

AGORA É A SUA VEZ

Por favor, dedique algum tempo para conversar com seu cônjuge sobre o conteúdo deste capítulo. Peça ao Espírito Santo para guiar vocês enquanto anotam o que precisa ser eliminado do seu casamento. Algumas das alterações necessárias serão ajustes de atitude e mudanças de comportamento, que Deus os capacitará a fazer pelo poder da Sua graça. Outras, como as maldições hereditárias, devem ser confrontadas em oração.

Não desanime se você descobrir que suas listas de alterações necessárias têm diversas páginas. Esse exercício não tem a ver com o quanto há de “errado” no presente, nem tem a ver com qual dos cônjuges tem mais problemas. Ele tem a ver com as coisas magníficas que podem ser geradas no seu futuro. Tratando desses problemas agora, vocês estão posicionando sua família para escrever uma história brilhante, um legado do Céu revelado na Terra. Queremos que vocês limpem o convés, para poder seguir em frente livres de tudo que poderia impedi-los de receber todo o bem que Deus tem para vocês. Nós construímos a oração abaixo para ajudá-los a começar a andar nesse caminho.

Que este seja um momento sagrado.

Pai, nós Te agradecemos por nos oferecer um novo começo e um novo legado. Ao fazermos um registro das coisas que precisam ser eliminadas do nosso relacionamento, oramos para que uma atmosfera celestial nos cerque.

Nós Te pedimos, Espírito Santo, para nos conduzir e nos instruir.

Oramos para que os anjos de Deus acampem ao nosso redor, prontos para executar vingança sobre o inimigo que tem devastado nossas famílias de geração em geração.

Oramos por grande graça que nos capacite a perdoar e gere transformação.

Oramos pela renovação das nossas mentes de acordo com a Tua Palavra.

Pedimos pela revelação do Teu amor que lança fora todo o medo.

Pedimos restauração da confiança e purificação dos relacionamentos.

Oramos para que Tu tragas unidade onde tem havido divisão.

Pedimos que Tu nos inspires a sonhar de acordo com as Tuas promessas, e não de acordo com qualquer expectativa ímpia.Declaramos libertação em nossa família. Declaramos libertação no nosso casamento e em nossas vidas individualmente, em nome de Jesus Cristo. Declaramos que o Reino de Deus habita dentro de nós. A vontade de Deus será feita no nosso casamento e no nosso lar, assim na Terra como no Céu. No nome poderoso de Jesus, amém