A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

NOVAS CONFIGURAÇÕES FAMILIARES

Até algumas décadas atrás era quase impensável aceitar como conceito de família senão aquele que definia um grupo social formado por um casal, ou seja pai, mãe e seus filhos

A Lei do Divórcio, que em 1977 consagrou a dissolução do vínculo matrimonial, mudou também algumas das bases consagradas anteriormente, como o regime de comunhão de bens e a adoção facultativa do nome do marido pela esposa. A consagração da igualdade, o reconhecimento da existência de outras estruturas de convívio, a liberdade de reconhecer filhos nascidos fora do casamento trouxeram profundas e irreversíveis transformações na família, já não identificada pelo casamento, mas pelo vínculo afetivo.

A cada dia surgem, no mundo todo, novas expressões que procuram identificar da melhor forma as famílias resultantes da pluralidade das relações parentais decorrentes de divórcios, novas uniões e separações.

Antigamente, os casais e as famílias geralmente se afastavam definitivamente após o divórcio, reconhecidamente uma ruptura de grandes proporções, mesmo quando havia consenso. Mas hoje existe maior tendência para superar embates pessoais e agregar os membros das famílias em constantes reagrupamentos, tendo em vista a compreensão do papel do outro na vida dos filhos, a necessidade de superar lutos relativos a perdas afetivas e materiais pós- separações e de construir uma vida mais pautada na realidade e na aceitação não preconceituosa. Um passo à frente na construção de lares mais harmoniosos afetivos, dos quais todos precisam.

Um exemplo das dificuldades vivenciadas em outras décadas era a situação que enfrentavam as crianças nascida de pais que não eram oficialmente casados, os solteiros ou desquitados, que chegavam a não ser aceitas em grande escolas e afastadas do convívio de coleguinhas e amigos cujos pais, por um questão de preconceito, não permitia essa aproximação. Temia-se o “mau exemplo”, os “costumes liberais” e outras tantas expressões eram utilizadas para hostilizar e afastar aquelas crianças e jovens cujos pais não seguiam as normas sociais vigentes.

Hoje, 42 anos depois, grande parte da sociedade renovou o conceito tradicional de família, o divórcio ocorre com larga aceitação social e novos casamentos foram criando situações antes raras e até outras inusitadas, pela mudança de costumes e superação de preconceitos.

Foram surgindo novos modelo de família, que inclusive ultrapassa o modelo tradicional do casamento tradicional, para abranger um amplo espectro de possibilidades que vão da união de pessoas de mesmo sexo, pessoas que decidem permanecer sem vínculo matrimonial etc.

A adoção de crianças sem qualquer laço sanguíneo e de filhos vindos de antigas uniões também acabou por se tornar constante: são muitos novos tios, avós, primos que acabam por fazer crescer o núcleo familiar e que se tornam mais evidentes em datas festivas, mas que no dia a dia se adaptam a novas formas de convivência harmoniosa, com mais ou menos facilidade.

As uniões que não têm como objetivo a criação de filhos, como as de mães lésbicas e pais homossexuais, famílias monoparentais criadas a partir do desejo de ter e criar um filho de modo independente, levaram ao surgimento de um quadro que o mundo ocidental e as novas gerações, principalmente, aceitam, mas ainda há pouco entendimento.

Famílias “mosaico” que se formam pela reunião de filhos que cada um traz do casamento anterior são cada dia mais comuns. Mas é importante que cada casal reflita sobre a forma de conduzir essa situação em que, é preciso conviver não apenas com os filhos do parceiro atual, mas com a mãe e o pai dessas crianças, para construir um lar harmonioso.

O tempo sempre ajuda a ajustar comportamentos reativos, comuns nos primeiros tempos de adaptação, quando é preciso receber novos irmãos, que afinal são meros desconhecidos com quem terão que dividir espaço, coisas e atenção. Além disso, há os ciúmes, o apego ao pai ou mãe que não pertence a essa nova família, a saudade de sua vida antiga, a necessidade de se adaptar a novas regras, que podem retardar a assimilação da nova configuração familiar.

Uma questão que está mais próxima das discussões atuais é a dos casais homoafetivos, que cada vez mais optam por criar seus filhos biológicos trazidos de outros casamentos e por adoção.

Nos EUA, país que tem estatísticas sólidas sobre o assunto, mais de 1 milhão de casais gays criam mais de 2 milhões de crianças. E cada vez mais casais gays optam por criar filhos.

No Brasil, onde mais de 60 mil casais gays vivem numa união estável (reconhecida perante a lei em 2011), a história é mais recente e ainda gera muitas dúvidas infundadas. Aliás, foi apenas após 1988, quando entrou em vigor a atual Constituição Federal, que o casamento heterossexual deixou de ser a única forma admissível de formação da família.

Seja qual conformação adote, a família é um núcleo indispensável ao desenvolvimento sadio das crianças: “monoparental”, “mosaico”, formada por casal hetero ou homossexual, sempre que tiver como base os laços afetivos, a vontade de partilhar, o cuidar e o educar, esse núcleo humano será urna família e vai enriquecer e melhorar a qualidade de vida da sociedade como um todo.

MARIA IRENE MALUF – é especialista em Psicopedagogia, Educação Especial Neuroaprendizagem. Foi presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia – ABPp (gestão 2005/07). É autora de artigos e publicações nacionais e internacionais. Coordena curso de especialização em Neuroaprendizagem.

irenemaluf@uol.com.br

OUTROS OLHARES

O PREÇO DA LONGEVIDADE

Entra em fase de testes com humanos a rapamicina, droga que adia o envelhecimento – mas para que viver mais se não frearmos as doenças da idade?

O clássico As Viagens de Gulliver, escrito em 1726 pelo irlandês Jonathan Swif’t (1667-1745), é imediatamente relacionado aos minúsculos moradores de Lilliput, pessoinhas de 15 centímetros de altura – menos conhecidos são os struldbrugs, os imortais habitantes do reino de Luggnagg, levados ao exílio dentro da própria terra justamente por viverem para sempre. O que seria o sonho dos sonhos, a eternidade, constata o médico Lemuel Gulliver, transforma-se em drama. Anota ele ao descrever o difícil cotidiano dos struldbrugs: “O modo de vida em que você pensou é insensato, já que supõe que juventude, saúde e vigor duram para sempre: ninguém é tolo o bastante para contar com isso. Se é assim, como passar uma vida eterna com todas as desvantagens que a velhice traz consigo? Entretanto, todos parecem desejar adiar a morte, por mais tarde que ela venha. É raro ouvir dizer que alguém desejou morrer, a menos que estivesse no auge da dor ou da tortura”.

Ao completarem 80 anos, os struldbrugs perdem os direitos legais. Seus herdeiros tomam posse de seus bens, restando-lhes apenas uma pequena pensão para o sustento. São considerados incapazes de exercer cargo de confiança ou atividade lucrativa. Aos 90, perdem dentes e cabelos; não distinguem mais o sabor das coisas. Aos 200 anos, como a língua do país muda constantemente, os struldbrugs de uma época já não entendem os de outra. Para que, enfim, a imortalidade se ela pode ser apenas o prolongamento de uma vida angustiante? E, no entanto, nós, seres humanos, sempre sonhamos com o elixir da juventude das figuras de Gulliver – desdenhando, tal como no folhetim do século XVIII, dos problemas derivados de uma hipotética imortalidade.

O elixir da hora é a rapamicina, um imunodepressor comumente utilizado contra o processo de rejeição a órgãos transplantados e que se mostrou eficiente no bloqueio de uma enzima que acelera a divisão celular, atalho para o envelhecimento. A rapamicina foi descoberta acidentalmente nos anos 1970, na Ilha de Páscoa, ao verificar-se que evitava casos de tétano em quem andava descalço, apesar das perfurações nos pés- seu nome deriva da denominação aborígine do território chileno, Rapa Nui. Constatou-se, em camundongos, um aumento de até 38% na expectativa de vida. A novidade: a substância entra agora na fase de testes clínicos com mulheres e homens. Há, em todo o mundo, pelo menos 2.000 estudos simultâneos em torno do medicamento, com o envolvimento das grandes companhias farmacêuticas. Talvez seja a mais fascinante corrida médica da atualidade. Imagina-se que a rapamicina possa reduzir o ritmo do crescimento de alguns tipos de câncer e frear distúrbios neurodegenerativos, como o Alzheimer. Ela parece ter um efeito semelhante ao de uma dieta de redução calórica, que já se provou eficaz no aumento da expectativa de vida. A rapamicina atua numa proteína chamada mTOR, que controla parte das respostas do metabolismo a situações de stress. O acúmulo de resíduos e proteínas defeituosas nas células cresce ao longo do tempo e estimula o envelhecimento. A rapamicina age nessa estrutura “defeituosa”. Funciona como um disjuntor, que liga e desliga o mecanismo, embora carregue efeitos colaterais relevantes. “O complicado é encontrar a dosagem ideal”, diz o geneticista Hugo Aguilaniu, presidente do Instituto Serrapilheira. “Uma dose menor não dá resultado, e uma dose muito alta pode desencadear efeitos colaterais graves, incluindo dificuldade de cicatrização, pneumonia, maior vulnerabilidade a infecções bacterianas e câncer. É uma troca muito desvantajosa para alcançar a longevidade.”

Vivemos cada vez mais, e desejamos ainda mais tempo – em 1960, a expectativa de vida no mundo era de 52 anos; hoje é de 72. No Brasil, o salto foi de 54 anos, há seis décadas, para 75 anos. A humanidade ganhou longevidade e, ao que tudo indica, conquistará ainda mais fôlego com compostos como a rapamicina. Mas há um dilema, interessante demais para ser abandonado: de que valerá viver tanto quanto um struldbrug, ansiar pela condição de um personagem como Peter Pan, a inesquecível criação do britânico J.M. Barrie (1860-1937), que não cresce e permanece atrelado à mágica e à ingenuidade da infância, sem problemas de saúde e da mente, se formos incapazes de controlar as doenças do envelhecimento?  Trata-se de uma corrida que traz embutida esperança – a esperança de que, adiando o relógio da morte, seja possível descobrir a cura de alguns males mortais, especialmente os associados ao câncer e à falência do coração. Diz o gerontologista britânico Aubrey de Grey, para quem, numa conhecida provocação, o ser humano que terá 1000 anos já nasceu, está vivíssimo entre nós: “Nosso corpo será tratado pela medicina como a engenharia lida com uma máquina – danificou, reparou”.

GESTÃO E CARREIRA

TUDO AO MESMO TEMPO AGORA

Diante de cada vez mais mudanças impostas às mais diversas frentes de seus negócios, grandes empresas criam uma nova estrutura de controle para colocá-las em prática simultaneamente sem perder o foco

Em fevereiro, a fabricante de cosméticos Avon nomeou uma executiva para ocupar, globalmente, um cargo inédito na companhia: a diretoria de transformação organizacional. Enquanto Kay Nemoto constrói, de Londres, a estratégia para a reestruturação da Avon, imersa na maior crise de sua história, as ações de mudança no Brasil são organizadas por Fabíola Bezerra, diretora executiva do escritório de transformação local. Fabíola construiu sua carreira na Whirlpool, onde exerceu a mesma função durante todo o ano de 2018. Batizado de Inova Avon, o movimento de transformação não é simples: envolveu uma reestruturação de equipes, com a extinção recente de dois dos então cinco cargos de vice-presidente, além da criação de 15 frentes de trabalho em praticamente todas as pontas do negócio. Há tarefas tão distintas quanto redução do número de fornecedores e melhoria do relacionamento com as consultoras e o sistema de vendas online, simultaneamente. Cada projeto é acompanhado em um sistema interno, que mostra aos funcionários envolvidos e à diretoria o estágio de cada um. Se há um problema, o grupo em questão aparece em destaque. E é preciso explicar o porquê. A cada semana, a quarta e a quinta-feira são inteiramente dedicadas às reuniões das frentes de trabalho com o escritório de transformação. Às segundas, o comitê diretivo de transformação, com a presença de José Vicente Marino, presidente da Avon no Brasil, supervisiona o processo e entende seu andamento. “Desse modo, conseguimos ter muitas frentes de mudança em paralelo e ainda assim manter o foco em todas elas com indicadores e resultados”, diz Marino. A companhia, adquirida globalmente pela rival Natura em junho, só deverá iniciar a integração com a nova dona em dezembro, após a aprovação dos órgãos reguladores envolvidos.

Uma pesquisa global da empresa de contratação de altos executivos Russell Reynolds, obtida com exclusividade, e realizada com 3.000 líderes de diversas regiões dos cinco continentes, aponta que a urgência em transformar variados aspectos do negócio ao mesmo tempo é uma preocupação quase onipresente no topo das companhias hoje. Com base em informações da consultoria de estratégia McKinsey, o estudo indica que 80% dos presidentes de empresa entrevistados consideram que seus modelos de negócios estão em risco – e que é preciso mudar. Em outro levantamento global, também da Russell Reynolds, apenas 18% dos respondentes afirmam que a cultura da empresa permite que haja mudança. “A pressão para que os líderes sejam capazes de realizar transformação é cada vez maior por diversos fatores, desde a disrupção tecnológica até a mudança no comportamento do consumidor”, diz Mareio Gadaleta, consultor da área de tecnologia da Russell Reynolds.

Com o objetivo de criar uma governança eficiente para lidar com tantas prioridades simultâneas, algumas empresas têm recorrido à figura de um executivo exclusivamente dedicado. É uma forma de combater dois dos principais entraves identificados em qualquer processo de transformação numa empresa: a inércia e a colaboração ineficiente entre áreas que, mesmo interdependentes, funcionam como silos separados. Assim como a Avon, a operadora americana de logística UPS recorreu a essa solução. Em dezembro de 2017, o executivo Scott Price passou a ocupar a recém-criada área de estratégia e transformação. Foi a primeira contratação de alguém externo à UPS, empresa que tem 112 anos, para a alta liderança. Price fez carreira na fabricante de bebidas Coca-Cola, na empresa de logística DHL e na varejista Walmart, presidindo subsidiárias e liderando programas de crescimento. Sob a gestão do novo executivo, a empresa listou 26 tendências com as quais acredita poder tomar impulso para crescer – entre elas a crescente urbanização e a popularização do comércio eletrônico. Para acompanhar esta última, por exemplo, criou, em semanas, a subsidiária Ware2Go, que conecta pequenas e médias empresas em expansão com dificuldades de armazenamento àquelas que oferecem espaço para estoque. “A base da transformação é a estratégia de negócios, é impossível transformar sem tê­la bem definida”, disse Price em entrevista. Para comandar o conjunto de ações de transformação, um comitê de gestão reúne toda a alta liderança em um encontro mensal, que define o investimento a ser feito em cada projeto. A supervisão, no entanto, é acompanhada com mais rigor: a cada semana, o mesmo grupo analisa as iniciativas de transformação em todos os níveis hierárquicos, sejam eles operacionais ou não operacionais. O investimento da UPS em transformação nos próximos três anos será robusto: 20 bilhões de dólares, envolvendo o aumento da frota aérea em 10% e a automação de centros de distribuição. Para motivar uma mudança de comportamento, incentivos também podem ajudar. Foi o que fez a Avon, que alterou o modelo de recompensa dos empregados. “Passamos a reconhecer, na avaliação dos funcionários, atributos como inovação, agilidade e pioneirismo”, diz Danielle Bibas, vice-presidente de marcas, comunicação e cultura corporativa da Avon. A empresa também reduziu a estrutura hierárquica para ganhar agilidade nas decisões. Além de duas vice-presidências a menos, a Avon passou a ter menos níveis hierárquicos. O mesmo aconteceu em meio às mudanças de gestão na rede de lanchonetes McDonald’s, intensificadas no ano passado, quando a matriz americana anunciou demissões e a dissolução de dois níveis hierárquicos. Nesse caso, a intenção era aproximar a liderança da empresa da realidade das franquias. Em 2017 foram definidos três pilares globais de aceleração de transformações. O primeiro diz respeito ao que foi chamado de “experiência do futuro”, com reforma dos típicos restaurantes para inclusão de totens de atendimento, por exemplo, no lugar dos caixas convencionais. Outro é a digitalização da experiência do consumidor, com o uso da tecnologia para criar um marketing mais personalizado. Por fim, há a intensificação do crescimento do sistema de entregas. Esses pilares influenciaram na criação de outras três diretrizes específicas para a operação no Brasil, mas que conversam com a nova linha global de gestão: modernização dos restaurantes, modernização do serviço e inovação constante de produto. A governança dessa transformação é coordenada pelo próprio Paulo Camargo, presidente no Brasil do McDonald’s, administrado pela master­ franquia Arcos Dourados, dona do braço latino-americano da rede. Como parte do processo, foram unidas num mesmo local as equipes antes espalhadas em três escritórios em São Paulo. “Percebemos que a mudança trouxe agilidade à comunicação e aumento da produtividade”, diz Camargo. Em 2017, ele criou, com os diretores da empresa, um painel de controle para medir indicadores em reuniões mensais batizado de Mc Evolution. Ali é possível acompanhar desde o andamento das vendas até o desempenho operacional. “No último ano, tivemos 6,8% de crescimento em vendas, o dobro do que o setor cresceu em média no Brasil”, afirma Camargo. “Também vimos um aumento na retenção dos funcionários.” O resultado final é o argumento mais poderoso de que o esforço valeu a pena.

O QUE ATRAPALHA A TRANSFORMAÇÃO

Segundo um levantamento global realizado com 1.300 executivos, os principais obstáculos à mudança dizem respeito à cultura da organização e à mentalidade dos gestores

ALIMENTO DIÁRIO

A HISTÓRIA DO CASAMENTO

DIA 14 – MALDIÇÕES FAMILIARES

No início do nosso casamento, sabíamos que Deus queria fazer algo novo em nós e em nossos filhos. Era evidente que havia fortalezas que envolviam a vida de nossos pais e avós: coisas como o alcoolismo, a imoralidade e a feitiçaria haviam atormentado nossa linhagem familiar. Antes que pudéssemos receber um novo legado, tínhamos de confrontar as maldições que haviam atormentado nossas famílias por gerações. Essas coisas só podiam ser combatidas em oração e destruídas pela Palavra de Deus.

As especificidades das maldições familiares são diferentes para cada casal, mas eis um exemplo. Em um capítulo anterior, mencionamos que nosso histórico familiar é muito diferente. Eu (Lisa) estava preocupada em como a família de John reagiria à disfunção gritante na minha família. No nosso jantar de noivado, meu pai estava embriagado e flertou desavergonhadamente com a mãe de John – bem na frente do marido dela! Seus atos estavam focados em ferir minha mãe e não em qualquer intenção real para com a mãe de John. Mais tarde, a mãe de John expressou sua profunda preocupação de que nosso casamento seria a primeira vez em que alguém com um histórico de divórcio na família se uniria ao seu clã puro. Ouvi-a comentar com alguém: “Nunca tivemos divórcios na nossa família antes”.

Pensei: É assim que ela me vê? Será que vou estragar esta linhagem?

Saí do jantar sentindo tanto a dor da minha mãe quanto minha própria vergonha profunda. Era como se houvesse balanças capazes de medir o “bem” e o “mal” da contribuição familiar, o bem estava drasticamente pendendo em favor de John. Eu estava trazendo todo o mal: adultério, divórcio e vícios estavam entre os problemas da minha linhagem familiar.

A reviravolta veio quando percebi que Deus não estava preocupado com o bem de John ou com o meu mal. Ele queria uma linhagem santa.

Ouça, ó filha, considere e incline os seus ouvidos: Esqueça o seu povo e a casa paterna. O rei foi cativado pela sua beleza; honre-o, pois ele é o seu senhor… Os teus filhos ocuparão o trono dos teus pais; por toda a Terra os farás príncipes. Perpetuarei a tua lembrança por todas as gerações; por isso as nações te louvarão para todo o sempre. Salmos 45:10-11, 16-17

Esta passagem é primeiramente uma descrição de Jesus e da Sua Noiva, mas Deus usou-a para pintar uma imagem de Sua promessa para a minha vida, uma promessa que não era limitada pelos erros cometidos por minha família no passado. Quando li as palavras “Ouça, ó filha”, algo em mim se tornou vivo. Deus estava falando comigo como Sua filha! Naquele instante, uma nova compreensão da minha identidade em Cristo foi revelada. Rejeitei as fortalezas do meu passado e abracei uma nova esperança para o futuro da minha família.

Percebi que em vez de serem parecidos com meu pai natural (um homem adúltero, alcoólatra e profundamente destruído), meus filhos herdariam não apenas as características do seu pai terreno (um homem de Deus), mas herdariam ainda mais as características do seu Senhor. Firmei-me na promessa de que meus filhos se tornariam príncipes do Altíssimo.

Ao tratarmos das maldições de nossas famílias, vimos a Palavra de Deus se provar verdadeira. Nossa família floresceu nas promessas que Deus estabeleceu sobre nossas vidas durante aqueles momentos de oração e declaração.

ORAÇÃO PARA QUEBRAR AS MALDIÇÕES FAMILIARES

Gálatas 3:13 diz: “Cristo nos redimiu da maldição da Lei quando Se tornou maldição em nosso lugar…”. Sejam quais forem as maldições que seguiram sua família através das gerações, em Cristo, você não está mais sujeito a elas.

Se você está ciente das maldições presentes em sua linhagem familiar, queremos posicioná-lo a quebrar o que tem limitado e definido seu legado. Esta oração o ajudará a lidar com as fortalezas de satanás com a espada da Palavra de Deus. A libertação das maldições familiares não acontece por acaso; você precisa identificar e atacar os estratagemas de satanás. O alvo dele é impedi-lo de desfrutar a alegria, a paz e a realização que Deus colocou diante de você. Mas por meio da autoridade que agora possui em Cristo, você pode ver seu inimigo ser vencido.

Por favor, separe um momento para fazer uma pausa e ficar a sós antes de prosseguir com esta oração. Se pretende orar agora mesmo, certifique-se de estar sozinho ou apenas com seu cônjuge ou com um amigo próximo ou parceiro de oração. Este é um tempo pessoal e privado, e você precisará fazer suas petições e renúncias em voz alta, bem como dizer suas respostas.

A oração a seguir trata de algumas das maldições específicas que ameaçaram nosso casamento e nossa família. Construímos esta oração combinando versículos, pois a Palavra é a afiada e poderosa Espada de dois gumes do Espírito. Se existem problemas na sua linhagem familiar que não estão incluídos nesta oração, nós o encorajamos a encontrar versículos que tratem desses problemas com a verdade e a promessa de Deus. Crie uma declaração ousada em concordância com a Palavra de Deus e quebre as maldições de sua vida com o poder do nome de Jesus. Incluímos referências para seu estudo posterior no fim da oração.

Querido Pai celestial,

Venho diante de Ti em nome do Teu precioso Filho, Jesus. Entro nas Tuas portas com ações de graças e nos Teus átrios com louvor. Estou maravilhado com Tua graciosa misericórdia e amor por mim, e Te agradeço antecipadamente pela obra poderosa de redenção que realizaste em minha vida.

Agora pretendo fazer uma aliança com o Senhor, o Deus de Israel. Tu és o Senhor, o Deus do Céu e da Terra, o Deus grande e tremendo, que guarda a Sua aliança de amor com aqueles que O amam e obedecem aos Seus mandamentos. Estejam Teus ouvidos atentos e Teus olhos abertos para ouvir a oração do Teu servo. Confesso os meus pecados e os pecados da casa de meu pai, toda transgressão que cometemos contra Ti. Perdoa-nos, pois agimos maliciosamente contra Ti. Mas Tu, Senhor, nosso Deus, és misericordioso e perdoador, embora tenhamos nos rebelado contra Ti e não tenhamos obedecido ao Senhor nosso Deus nem guardado as leis que Ele nos deu através dos Seus servos, os profetas. Nós Te pedimos para circuncidar os nossos corações e retirares o pecado, a vergonha e a acusação do nosso passado.

Confesso e renuncio ao meu pecado e aos pecados de meus antepassados, a todo e qualquer envolvimento com o ocultismo, a feitiçaria ou a adivinhação. (Faça uma pausa aqui, e mantenha-se sensível para acrescentar qualquer coisa que o Espírito Santo traga à sua atenção, para fazer renúncias específicas antes de continuar. Isso pode incluir, mas com certeza não está limitado a astrologia, sessões espíritas, filmes, jogos e livros de terror, etc.). Renuncio ao meu envolvimento com essas coisas e quebro a maldição delas da minha vida e das vidas de meus filhos, dos filhos deles, e dos filhos de seus filhos.

Confesso e renuncio ao meu pecado e/ou aos pecados de meus antepassados na área das drogas e do abuso de álcool. Pai, fecha qualquer porta que isso possa ter aberto na dimensão espiritual para o pecado, o cativeiro ou a opressão. Renuncio ao meu envolvimento com (cite as drogas especificamente pelo nome, se for o caso), e quebro o poder da maldição delas sobre minha vida e sobre a vida de meus filhos, dos filhos deles, e dos filhos de seus filhos. Em nome de Jesus, amém.

Continuaremos a edificar sobre esse princípio tratando das maldições e das amarras da alma relacionadas ao pecado sexual em um capítulo posterior. Por causa da irrevogabilidade da vitória de Jesus na Cruz, você está livre dessas maldições. Você não precisa temê-las nem se preocupar com a possibilidade desses pecados seguirem você ou seus filhos. Você estabeleceu um novo legado para sua família hoje.

Para maiores estudos, veja: Salmos 100:4; 2 Crônicas 29:10-1; Neemias 1:5-7; Daniel 9:8-10; Josué 5:9; Mateus 10:34; Hebreus 4:12; 2 Crônicas 29:5-6.7