A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CRIANÇAS SOB FOGO CRUZADO

Sabemos de que é feita uma relação quando ela se desfaz; na separação os filhos podem ser as principais vítimas

Em agosto de 2010, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 12.318, que dispõe sobre a alienação parental, permitindo aos juízes interceder em casos de exageros praticados por um dos pais que ataca a imagem e a autoridade do outro. A síndrome da alienação parental faculta a imposição de penalidades ao cônjuge alienador (desde multa até a inversão da guarda). Descrita por Richard A. Gardner em 1985, a síndrome ocorre tipicamente no contexto de separação do casal, quando um dos pais começa uma campanha sistemática para desmoralizar o outro. Geralmente, aquele que detém a guarda da criança cria uma interpretação tão negativa do outro que o filho abandona sua habitual e esperada atitude (gerada pela separação) de divisão subjetiva, conflito e angústia, iniciando uma espécie de “alinhamento automático” (alienação). Passa a reproduzir discursos, crenças, práticas e sentimentos do alienador. Sem culpa ou ambivalência e com justificativas fracas ou absurdas para explicar a depreciação chega-se a situações nas quais o filho pode recusar visitar ou ver o pai ou a mãe, generalizando o ódio para outros parentes, o que pode ser lido como ato de desamor e “tomada de partido” por parte da criança, causando no genitor acusado decepção, indiferença e abandono, que acabam por “produzir” ou “confirmar“ o estado de coisas que inicialmente era uma ficção (mesmo que inspirada em fatos reais). Frases como “seu pai não se importa com você”, “ela não te (nos) ama”, “ele só quer saber da outra”, “ela nunca cuidou direito de você” tornaram-se, na expressão da lei, enunciados que nenhuma criança jamais deveria escutar de seus pais.

É comum que os filhos fiquem expostos ao processo de interpretação das razões, causas ou motivos da separação. São alvo de fogo cruzado, levando e trazendo recados, desaforos e ressentimentos de um para o outro.

Sabemos de que é feita uma relação quando ela se desfaz. E ela nem sempre se desfaz quando formalmente decretamos seu fim. Há finais que não terminam e há términos que não acabam. Por isso é raro que uma criança enfrente dificuldades realmente novas durante uma separação. Em geral, desvelam-se e ampliam-se as disposições e conflitos há muito tempo presentes. Isso é cruel no caso em que a criança é reduzida a instrumento de vingança, alienada ao desejo de um dos pais. Nesta circunstância ela é privada de uma das possibilidades mais importantes e criativas, fornecida involuntariamente pelo contexto: experimentar, reconhecer e confrontar sua própria capacidade de desejar separações.

O termo alienação possui dupla conotação: 1) estranhamento e impossibilidade de reconhecermo-nos em algo que nós mesmos produzimos, que nos aparece como algo separado de nós; 2) exteriorização, separação ou perda de nossa própria consciência. No século 18 os loucos eram chamados de alienados, pois supunha-se que não podiam se reconhecer nos próprios atos, que não tinham responsabilidade sobre eles e haviam perdido a própria consciência, estavam fora de si. Portanto, separar-se e alienar-se são literalmente sinônimos, mas ao mesmo tempo opostos. É isso que está em jogo na síndrome da alienação parental: privar a criança do mais simples, primário e esquecido direito à contradição. Imaginamos sempre que a coerência é um valor indiscutível na educação. Pais que praticam a alienação parental estão sendo racionalmente coerentes com seu desejo de vingança – e demasiadamente coerentes com sua interpretação extremada e rasa de quem está com a razão e quem é o melhor cuidador para a criança. É loucura ou alienação, mas não destituída de método. Ainda bem que nossa Justiça reconheceu, contra a supremacia da coerência, o direito da criança de experimentar sua própria contradição ao reconhecer-se na contradição do desejo do outro.

OUTROS OLHARES

A TODA VELOCIDADE

De modelos dobráveis a mountain bikes, multiplicam-se no Brasil as versões de bicicleta elétrica. Mas o preço é ainda de tirar o fôlego

Quando as baterias modernas passaram a ser acopladas ao quadro das bicicletas, elas viraram uma opção ainda mais interessante dentro da trilha ecologicamente correta para driblar os graves problemas de mobilidade nas grandes cidades, sobretudo nas metrópoles com topografia irregular, cheias de ladeiras que exigem fôlego de ciclista profissional para ser vencidas. Mas o negócio precisou de muita pedalada para engrenar. Surgidas na década de 90, as primeiras e-bikes, como esses veículos são chamados, tinham preços super proibitivos, eram pesadas demais, sem nenhum charme no design. Nos últimos anos, com o aumento da popularidade do produto, os preços começaram a cair e os fabricantes diversificaram as opções. Somente no Brasil apareceram mais de vinte novos modelos desde 2018, entre nacionais e importados. As alternativas vão de bicicletas dobráveis a mountain bikes. “Muita gente está revendo o estilo de vida após perceber a quantidade de tempo que se perde encalhado no trânsito”, diz João Magalhães, organizador do Shimano Fest, o maior evento especializado no mercado de ciclismo do país. “As e-bikes crescem na esteira dessa mudança de comportamento.”

Um passo fundamental para a evolução do negócio foi o surgimento de baterias e de motores menores. No caso dos propulsores elétricos, os antigos chegavam a pesar mais de 4 quilos. Os atuais têm quase metade do tamanho. Algumas marcas brasileiras se aproveitaram disso para lançar recentemente e-bikes compactas. Fabricante do Rio de Janeiro, a Lev colocou no mercado a D, que é dobrável e possui uma bateria com 30 quilômetros de autonomia. Pode ser recarregada em uma tomada simples. A operação leva de cinco a seis horas. Sua principal concorrente no país, a S, da Skape, outra bicicleta dobrável, tem um dispositivo especial que pode ser acionado em subidas mais íngremes, dando um impulso extra ao ciclista.

O desenvolvimento da tecnologia levou os mesmos avanços para outros modelos, além daqueles dedicados ao uso urbano. Uma das ondas do momento são as mountain bikes elétricas. Nesse caso, o motor é utilizado para acrescentar adrenalina à brincadeira off-road. Exemplo da tendência é a brasileira Scalator, que começou a ser vendida no início de 2019. É uma das e-bikes mais caras do Brasil (custa 12.890 reais) e chega a atingir 40 quilômetros por hora. “Elas estão fazendo com a mobilidade o que a guitarra elétrica fez com o rock: chegaram para amplificar as possibilidades”, compara Luciano “KDra” Lancellotti, instrutor e ciclista profissional. Em sua atividade, ele percorre trilhas e dá dicas a seus pupilos na Serra da Cantareira, em São Paulo. “Consigo hoje praticar e dar aulas por nove horas, coisa que seria impossível apenas usando a força das minhas pernas”, conta.

A multiplicação de e-bikes no Brasil também abriu novos mercados para esse produto. Alguns entregadores de aplicativos como Rappi e Uber Eats andam investindo nesses equipamentos para conseguir percorrer longas distâncias e, consequentemente, efetuar mais entregas. A Polícia Militar de São Paulo também começou a usar veículos desse tipo em rondas pela capital, depois de receber, em julho, uma doação de 75 veículos feita pelo Grupo Iguatemi. Outros 125 serão incorporados à frota até o fim do ano. No total, o presente custou cerca de 800.000 reais.

No exterior, o mercado de e-bikes está em um estágio ainda mais acelerado. Nos Estados Unidos, até a lendária fabricante de motos Harley­ Davidson colocou esse produto na sua rota. Em março, a companhia adquiriu a StaCyc Inc., especializada em e-bikes para crianças. Além de manter essa linha de montagem, a Harley anunciou que trabalha em protótipos para o público adulto. Na Europa, cerca de 40% da frota de bicicletas já é formada por e-bikes. No Brasil, a fatia é de 1%. Segundo o levantamento mais recente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), a produção atual dessa modalidade de bikes no país é de aproximadamente 500 unidades por mês. Ainda que os preços tenham caído desde a década de 90, não é possível encontrar hoje, por aqui, nenhum modelo bom por menos de 3.990 reais. Mesmo os nacionais levam componentes importados, como as baterias de lítio, que encarecem o produto final.

Mas a entrada de grandes empresas no jogo, com produção em larga escala, pode ajudar a baratear o negócio. Maior fabricante de bicicletas do país, a Caloi possui hoje três e-bikes. A mais recente da linha, lançada em julho, a E-Vibe EasyRider, custa 5.000 reais. “Estamos trabalhando para tentar lançar unidades com valores a partir de 2.900 reais nos próximos anos”, afirma Cyro Gazola, presidente da companhia. A startup Vela monta sob encomenda dois modelos, a Vela1 (5.890 reais) e a Vela S (5.790 reais). Agora, investe na construção de uma fábrica para multiplicar por dez o atual volume de produção, de modo a chegar à marca de 500 e-bikes por mês. Assim, de pedalada em pedalada, o mercado brasileiro de bicicletas vai ficando cada vez mais elétrico.

GESTÃO E CARREIRA

CUIDADO COM A HOSTILIDADE

Da grosseria do chefe à piada sem graça, as demonstrações de desrespeito no trabalho têm muitas faces e minam a autoestima, a performance e a saúde. Aprenda a detectar essa atitude e a se proteger.

Pense naquele chefe que segura todo mundo no escritório até tarde da noite. Ou naquele que só lembra seu nome quando é para chamá-lo aos gritos na sala dele. Pense no colega que coloca apelido em todo mundo ou no outro que se gaba de ser o favorito da alta gerência. As situações de hostilidade estão por toda parte no dia a dia profissional e é praticamente impossível passar ileso por elas – como vítima, testemunha ou sendo o próprio autor do desrespeito. Primeiro, porque onde houver relações humanas haverá conflitos. Além disso, o ambiente competitivo, a cobrança por resultados e a convivência de diferentes gerações no mesmo espaço de trabalho (coisa mais comum a cada dia) criam um cenário propício para atitudes ríspidas, agressivas e insensíveis.

A professora Christine Porath, da Escola de Negócios da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, estuda as causas e os efeitos da hostilidade no trabalho há duas décadas. O interesse pelo tema surgiu depois de ela mesma passar dois anos em um emprego em que era submetida diariamente a todo tipo de desrespeito. Ela é autora do livro Mastering Incivility – A Manifesto for the Workplace (“Dominando a hostilidade – um manifesto para o ambiente de trabalho”, numa tradução livre, sem edição no Brasil). “Minhas pesquisas com milhares de profissionais ao longo desse tempo revelaram que 98% já viveram situações hostis no dia a dia de trabalho e 99% testemunharam episódios desse tipo”, diz. E, segundo ela, todo mundo sai perdendo quando o ambiente se toma tóxico. “Sentir-se desrespeitado afeta a motivação, a criatividade, a colaboração, o engajamento e a produtividade.”

PREÇO A PAGAR

Para as empresas, os prejuízos vêm na forma de absentismo, de perda de profissionais, de baixa performance, de custos com a saúde dos empregados, de indenizações e de fuga de clientes, que cada vez mais se distanciam de marcas que não consideram éticas. Um estudo de 2013 publicado na revista Fortune revelou que os executivos das 1.000 companhias mais importantes dos Estados Unidos gastaram cerca de 13% do tempo de trabalho (o equivalente a sete semanas por ano) agindo para corrigir prejuízos causados por atitudes hostis e para restabelecer a relação de confiança com os funcionários. Estima-se que os danos provocados pela falta de civilidade nas organizações custem 6 bilhões de dólares por ano às empresas americanas.

A saúde dos trabalhadores, claro, também paga o pato. “A tensão gerada pela convivência diária em um ambiente hostil estimula a produção de substâncias inflamatórias que afetam a imunidade e prejudicam o sono”, explica a psiquiatra Lívia Beraldo de Lima Basseres. Estresse e ansiedade, aliás, estão entre as principais causas de afastamento por adoecimento relacionado ao emprego, de acordo com dados do Ministério do Trabalho, e favorecem quadros de burnout e depressão.

Em um momento em que a ética e a transparência nos processos e nos relacionamentos são cada vez mais valorizadas pelos consumidores, as empresas precisam estar atentas para não perder dinheiro. Uma pesquisa de coautoria de Christine Porath publicada no Journal  of Consumer Research mostrou que presenciar um garçom ou vendedor de loja sendo hostilizado pelo gerente  do estabelecimento, por exemplo, pode fazer com que o cliente desista da compra e até  de frequentar o lugar. Isso porque ele tende a fazer uma generalização negativa daquele comportamento (ou seja, achar que é a norma válida na empresa) e preferir não colocar ali o dinheiro dele. Com a facilidade para que a informação seja passada adiante – basta um clique para postá-la nas redes sociais -, o prejuízo para a reputação do negócio pode ser enorme. Tem mais. “O líder que não se relaciona bem com o time corre o risco de gerar ruídos na comunicação com o cliente e acabar perdendo-o,” observa Caroline Marcon, coach executiva e especialista em comportamento organizacional. Não dá para pensar que falta de respeito e atitudes rudes aconteçam apenas de cima para baixo na hierarquia. Afinal, se quase todo mundo sofre com elas é porque os agressores estão por toda parte. Também não está certo achar que comentários sarcásticos e críticas “construtivas” não façam mal a ninguém. Elas podem, sim, soar como hostilidade para um, mas não para outro – a compreensão e a tolerância variam de acordo com a geração, o gênero, o contexto em que a pessoa foi criada e até a cultura da empresa. Pior: o comportamento é contagioso. “Um gestor que não respeita e não pune nem adverte quem desrespeita acaba alimentando uma cultura de hostilidade, já que a equipe pode achar que aquele é o comportamento adequado para sobreviver no ambiente”, afirma Caroline.

Ser gentil é ficar para trás? Agendas sempre cheias e estresse são explicações comuns para o distanciamento de chefes e equipes, o que frequentemente acaba favorecendo relações frias e comportamentos hostis. Outra crença que justifica tratamentos rudes de gestores para com os subordinados é que perderão o respeito e a capacidade de liderança se forem amigáveis e colaborativos. As pesquisas de Christine Porath, no entanto, demonstram exatamente o contrário: o que faz um líder ser admirado pelo time tem mais a ver com o acolhimento, a gentileza, a confiança e o respeito que ele pratica no dia a dia. Ter um chefe agradável e respeitoso resulta em mais criatividade, desempenho e resiliência, estimula a proatividade e reduz o desgaste emocional mesmo em momentos puxados na rotina de trabalho.

Em um levantamento global com mais de 20.000 trabalhadores, a pesquisadora descobriu que aqueles que se sentiam respeitados pelo chefe eram 55% mais engajados, 56% mais saudáveis, 89% mais satisfeitos e felizes e 92% mais focados. “Ser tratado com civilidade mostrou ter mais efeito sobre a performance e os resultados do que receber reconhecimento, elogios ou feedback positivo”, conclui Christine. Ter interesse em construir relações sinceras com os subordinados, saber ouvir e estar aberto para a colaboração também são fundamentos básicos da liderança respeitosa. “É importante estar consciente das próprias ações e tentar entender como elas são recebidas e o que provocam em quem está em volta”, observa Patrícia Volpi, professora de RH dos MBAs Internacionais do Profuturo da FIA.

PROTEJA-SE DOS ATAQUES

Se nem sempre é possível controlar ou mudar o comportamento de alguém, agir para minimizar os prejuízos de uma convivência pouco amigável no trabalho está a seu alcance. Veja como:

COMPARTILHE O INCÔMODO

Conversar com o autor da agressão sobre seus sentimentos ou procurar um colega ou o RH para orientação sobre como agir ao se sentir agredido deve ser o primeiro passo para impedir que a atitude se perpetue. “Só não se deve evitar falar sobre o problema, por mais espinhoso que seja”, diz Carina Abud Alvarenga, advogada e cofundadora da Burithi, consultoria em gestão de conflitos das organizações. Isso pode funcionar como uma validação para que o comportamento seja replicado e contamine ainda mais o clima.

SEPARE VIDA PRIVADA E PROFISSIONAL

Ok, nem sempre é fácil. mas cultivar interesses, amizades e atividades fora do expediente é uma forma de fortalecer o lado emocional e não levar para o pessoal questões com o chefe, colegas ou clientes. Conversar sobre problemas do trabalho com alguém de fora ajuda a ver as coisas de outro ponto de vista e a encontrar saídas que você talvez não enxergasse sozinho.

BUSQUE SENTIDO NO TRABALHO

Ter clareza sobre os ganhos não materiais que o emprego atual proporciona é a chave para dispor de resiliência e gratidão e não se deixar abater facilmente pela hostilidade enfrentada no dia a dia – seja como vítima, seja como espectador.

CUIDE DE SEU BEM-ESTAR

Praticar atividade física, ter uma alimentação saudável, dormir bem e investir em hobbies, lazer e o que mais for prazeroso para você funciona como uma espécie de vacina contra os efeitos nocivos de ambientes de trabalho pesados -inclusive o surgimento de doenças físicas e mentais. Malhar e meditar, por exemplo, são comprovadamente eficientes para regular o humor, acalmar e desenvolver habilidades cognitivas importantes, como raciocínio, foco e memória, comprometidas em circunstâncias estressantes.

O PREÇO DA GROSSERIA

Sentir – se maltratado afeta diretamente os relacionamentos e a produtividade. Entre profissionais que viveram situações em que foram desrespeitados:

NÃO É SÓ GRITARIA

A hostilidade impera sob vários disfarces nos locais de trabalho. E você, mesmo sem se dar conta, pode estar agindo assim. Também é falta de respeito:

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 14 – O MINISTÉRIO E AS CRIANÇAS

Já foi demonstrado que os demônios podem ganhar entrada num feto e nas crianças; é óbvio, pois, que deve existir libertação para elas. Os demônios podem ser expulsos de crianças, da mesma maneira como dos adultos”. ‘Haverá manifestações dos espíritos saindo pela boca e nariz, tanto quanto em outras libertações.

Geralmente é fácil libertar as crianças. Desde que os espíritos não tenham passado muito tempo nelas, os demônios estão ainda na superfície. Há exceções com as crianças que foram expostas ao ataque demoníaco por circunstâncias severas. As manifestações dos demônios podem ser dramáticas, tanto nas crianças quanto nos adultos.

Um jovem casal cristão trouxe seu filho de 3 meses para nossa ministração. Era seu primeiro bebê e os pais não estavam concordando sobre a disciplina que lhe dariam, até que apareceu um forte argumento.

Durante a briga a criança começou a gritar e, desde então, parecia que a criança estava sofrendo de espíritos de tormento. Minha esposa segurou a criança nos braços e mandou os espíritos embora em nome de Jesus. Enquanto o primeiro demônio saía, a criança ficou rígida e deu um grito. Mais dois demônios saíram da mesma maneira. O bebê acalmou-se e logo estava dormindo tranquilamente.

Uma menina de quatro anos foi liberta enquanto estava sentada no meu colo, folheando um livro de histórias bíblicas. O Espírito Santo dirigiu meus comentários sobre as figuras, usando-os na identificação dos espíritos e nas ordens para saírem. Eles saíram tossindo.

Duas outras crianças da mesma família, de seis e sete anos, receberam nossa ministração, de modo informal. Estas duas crianças maiores tinham sido a causa de grande consternação para os pais. Elas eram teimosas demais. Depois de serem libertas, houve nelas uma transformação tal que chamou a atenção de pessoas de fora da família.

Para a maioria das crianças de 5 ou 6 anos, podemos dar uma simples orientação sobre aquilo que vai acontecer antes de começar a ministração. Elas têm de saber que você não está falando com elas, pois ficariam assustadas ou ofendidas pelas palavras de ordem dirigidas aos espíritos.

Em geral, as crianças cooperam muito bem. Como elas geralmente se sentem melhor com os país, é melhor que um dos pais segure a criança durante a ministração. O ministro de libertação tem de discernir as reações da criança que são atribuídas aos demônios que estão sendo agitados. Os espíritos podem fazer a criança não gostar de ficar com a mãe nem com o pai. Ela pode chorar, gritar ou mostrar sinais de grande medo.

Os demônios usam várias táticas para fazer a pessoa pensar que é a criança que está sendo prejudicada, de modo que o ministro, ou o pai, estará com tanta pena da criança que fará parar a libertação, e os demônios ficarão.

Especialmente na ministração às crianças, é necessário lembrar que não é a altura da voz que faz o demônio obedecer, mas a autoridade no nome e sangue do Senhor Jesus Cristo. As ordens podem ser dadas com muita calma, e a criança entenderá muito pouco o que está acontecendo.

Como é que as crianças e os bebês conservam sua libertação, uma vez libertados? Não é responsabilidade da criança, mas da pessoa responsável por ela. Sei que você encontrará nas Escrituras que, quando Jesus ministrou às crianças, um dos pais ou ambos estavam presentes. É responsabilidade dos pais serem os protetores espirituais de seus filhos.

O caso seguinte é apresentado por minha esposa e ilustrará a maioria dos fatores envolvidos na libertação de uma criança:

“A mais vivida libertação infantil que já vi foi a de uma menina de seis anos. Vamos chamá-la de Maria. O pai de Maria veio à procura de libertação. Durante a entrevista, falou da sua dificuldade em disciplinar a filha. Ele e sua esposa eram desquitados e ele estava criando a menina. Disse que ela dava muito trabalho, e era teimosa e rebelde. Ele ficava muito sentido com isso, pois a natureza da menina criara nele uma raiva excessiva, e ele acabava castigando-a severamente. Nós dissemos que Maria precisava de libertação tanto quanto ele, ou até mais, e insistimos para que ele a trouxesse.

“Uns dias mais tarde, Maria veio à igreja diretamente da escola. Devo mencionar aqui o fato de que, enquanto estava fazendo amizade com ela e explicando que queria orar por ela, Maria tomou meia garrafa térmica de laranjada. Ela era hiperativa, pulando no banco da igreja, absolutamente incapaz de ficar quieta durante nosso bate-papo.

“Eu disse: Maria, seu pai me disse que você sabe que espíritos maus existem. Os olhos dela abriram-se e ela contou que todas as noites tinha de verificar se todas as portas estavam trancadas, antes de dormir. Ao levantar-se uma noite, para tomar água, ela ficou com medo e teve de verificar, as portas novamente. Eu disse: ‘Sim, isso é medo, Maria. Você está perturbada por um espírito de medo. É ele que faz você ficar com medo, e quero orar por você e fazer com que ele deixe seu corpo. Ele entrou em você, e, quando eu orar, ele sairá pela boca.’ Ela aceitou minhas palavras com a fé simples e pura de uma criança.

“Convidei-a a sentar-se junto a mim, enquanto eu estava orando. Ela o fez, mas ficou tão inquieta que eu tive de colocá-la no meu colo para que ela ficasse perto de mim. Ela sentou-se encostada em mim. Comecei a orar com fé e confiança que Jesus ia libertada. O Espírito Santo claramente me disse para falar em voz baixa — mais baixa ainda do que a que usei para conversar. Disse-me também para considerar cada palavra que agora ia sair da sua boca como sendo inspirada por demônios.

“Comecei a confrontar os demônios. Eu disse: ‘Vocês, demônios que habitam no corpo de Maria, vocês têm de saber que Maria está coberta pelo sangue de Jesus, pela relação que seu pai tem com Jesus.

Tal como o pai que nos dias de Moisés colocou sangue no batente da porta para proteger a família, assim está Maria sob a cobertura do sangue. Demônios, também quero que vocês saibam que o pai de Maria ouviu e aceitou a verdade da Palavra de Deus a respeito de vocês. Ele sabe agora que tem sido vocês contra quem ele tem lutado e não contra Maria.’

“Percebi que Maria estava murmurando e inclinei a cabeça para ouvir melhor. Ela estava dizendo: ‘Não gosto daquilo que você está dizendo’. Repliquei: ‘Sei que vocês não gostam, pois estou expulsando vocês. Maria tem sido atormentada por vocês desde antes de seu nascimento; ainda no ventre da mãe, alguns de vocês entraram. Mas Deus disse que vocês não podem mais habitar nela.’ Novamente o demônio em Maria começou a murmurar.

Desta vez, em palavras forçadas e rebeldes, eles reagiram: ‘Não… gosto… do… que… você… está… dizendo!’ Com muito cuidado, respondi em voz baixa: ‘A situação não vai melhorar para você, demônio, mas vai piorar porque você será expulso dela hoje. Você está perdendo sua casa’. Com isso, o demônio gritou, dizendo: ‘Não gosto do que você está dizendo, cala a boca, viu!’ Respondi: ‘Não. Não vou calar-me, mas vou

continuar a falar até você deixar o corpo dela.’

“Continuei confrontando-os. ‘Agora, demônios, comecem a se manifestar, em nome de Jesus.’ Imediatamente Maria começou a sussurrar de novo: ‘Você não me ama; se me amasse, não iria me segurar.’ Respondi: ‘Certo, demônio de rejeição, você impedia o amor que era dado à Maria. Você a fez pensar que ninguém a ama — até mesmo Deus. Você vai sair dela agora, rejeição, em nome de Jesus.’ Um por um, os demônios começaram a manifestar sua natureza. Eles vinham tão rápido que eu mal tinha tempo para identificar um, e lá vinha outro.

“Os demônios estavam forçando Maria a sair do meu colo, apesar de eu poder segurá-la em meus braços, sem problema nenhum. No fim, tive de prender uma perna dela entre as minhas. O demônio de ódio pôs o rosto dela no meu e, com o nariz dela no meu, gritou: ‘Odeio você.’

Ainda falando com voz suave, mandei o demônio de ódio sair. Ela começou a gritar: ‘Quero uma faca, quero uma faca!’ O demônio apertou os dentes de Maria e disse: ‘Quero uma faca para matar você.’ ‘Você, demônio de homicídio, mando você sair em nome de Jesus.’

“Em seguida, Maria levantou-se, colocou as mãos nos quadris, dizendo: ‘Ninguém NUNCA me disse o que fazer!’. Eu disse: ‘Provocação, saia!’.

“Houve uma mudança distinta em sua voz quando o próximo demônio falou. Ele disse: ‘Eu faço só aquilo que quero.’ Eu disse: ‘Vontade-própria, saia!’ Houve outra mudança na voz ao dizer: ‘Você nunca me fará sair.’ ‘Teimosia, você tem de sair também’, insisti. Maria levantou as mãos como se fossem umas patas com unha afiadas e atacou meu rosto; seus olhos estavam salientes, e ela gritava. Eu disse: ‘Loucura, saia de Maria em nome de Jesus.’

Ela começou a arrancar os cabelos e mover a cabeça violentamente. Eu disse: ‘Enfermidade mental e loucura, saiam’. Em seguida era esquizofrenia, pena-de-si, rejeição, rebelião e amargura. ‘Nenhuma dessas personalidades é a verdadeira Maria. Eu desligo a verdadeira Maria para ser aquilo que Jesus deseja. ‘Com isso, ele arranhou meu braço, me mordeu e rasgou minha blusa.

Neste ponto, ela olhou para mim muito surpreendida porque não bati nela. Percebi que era a verdadeira Maria que ficou surpreendida. Confrontei os demônios, dizendo: Não, demônios, não vou castigar Maria por ter feito isto, porque posso separá-la de vocês. Por tempo demais ela tem sido castigada na carne pelas coisas que vocês têm feito por meio dela. Hoje é diferente. Vocês são os castigados e Maria está livre.’

Maria descansou por um segundo, e daí outros demônios começaram a agir.

“Finalmente, depois de 20 ou 30 minutos de ministração, Maria começou a gritar implorando para ser largada, dizendo: ‘Não segure minha perna!’ O Espírito Santo indicou-me que agora ela podia sentar-se no banco ao meu lado. Ela estava chorando quietinha. ‘Não gosto que você me segure assim.’ Eu culpei os espíritos malignos por aquilo, e ela gostou da ideia de que finalmente eles eram os culpados e não ela.

“Maria sentou-se bem quietinha, e o Espírito Santo indicou que eu poderia mandar o resto sair, e eu o fiz com: ‘Todo o resto de vocês, demônios, saiam em nome de Jesus!’ Imediatamente, Maria ficou com náusea, e, antes que eu pudesse pegar uma toalha, ela vomitou uma bola de muco, enchendo suas pequenas mãos e as minhas. Ela olhou para mim sorrindo e banhada em paz.

“Lembre-se de que no começo contei que Maria havia tomado laranjada ao chegar para nossa ministração. Não houve nada de laranjada no vômito, pois não procedeu do estômago.

“Ficamos conversando uns 15 minutos. Maria ficou quietinha, em contraste à natureza hiperativa demonstrada antes. O seu pai ficou pasmado. Ele observou tudo com sentimentos mistos, sem o discernimento e experiência que eu tinha. Ele pensava que Maria estava sendo maltratada, mas resistiu ao impulso de interferir na ministração.

“Embora eu não tenha tido contato pessoal com Maria, as notícias dela são maravilhosas, como: ‘Ela está tão diferente! Nem parece a mesma menina.’ ‘Ela responde ao amor’, etc.

“Meus olhos se enchem de lágrimas quando me recordo dessa libertação. Foi a primeira libertação que me fez chorar. A luta foi tão tumultuada, e a paz tão maravilhosa, que eu não pude deixar de chorar. A Deus seja a glória.”

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O AMOR NOS TEMPOS DO “SUGAR”

Nos “relacionamentos açucarados”, o dinheiro é o protagonista: um parceiro, em geral mais velho, banca as despesas do outro, jovem

Entre as várias tramas paralelas que sustentam o enredo de A Dona do Pedaço, novela de Walcyr Carrasco, exibida pela Rede Globo no horário nobre do gênero, às 21 horas, um casal tem chamado atenção. Otávio, um ricaço com ares de setentão, vivido na tela por José de Abreu, se diz apaixonado pela mulher, Beatriz (Natália do Vale), mas mantém um meloso relacionamento com a Lolita Sabrina (Carol Garcia), ex-garota de programa. A cada cena, é sugar daddy para lá (é ele), sugar baby para cá (é ela). Sócio de uma construtora, o empresário alugou um flat para a moça e paga todas as suas contas. São felizes assim, à sua maneira — até o próximo capítulo.

A história de Otávio e Sabrina está servindo para popularizar a nova moldura que contorna um antigo modelo de relacionamento, no qual alguém, normalmente com boa situação financeira, banca uma pessoa, quase sempre bem mais jovem, em troca de uma convivência que pode levar a um envolvimento íntimo, sexual. “Nos romances do século XIX era muito comum a figura do protetor, que agora simplesmente mudou de nome, com posturas contemporâneas”, disse Carrasco, o autor do folhetim global, a VEJA.

A moda de que se está falando desembarcou no Brasil em 2015, vinda dos Estados Unidos, onde brotou no início dos anos 2000 — daí o uso dos termos em inglês. Em um relacionamento sugar (açúçar, naquele idioma), há um daddy (papai) ou uma mommy (mamãe), homem ou mulher que têm condições de financiar um(a) baby (bebê), rapaz ou moça em busca justamente de quem lhe propicie conforto material.

“PAPAI” – O empresário Noor: em busca de “uma mulher interessante”

Como acontece com outras tendências comportamentais da atualidade, o “fenômeno sugar” se propaga pela internet — por meio de sites de relacionamento, entre eles o Meu Patrocínio, líder no Brasil em tal modalidade, com mais de 2 milhões de pessoas cadastradas. Nele e em outras plataformas, como a Universo Sugar, os interessados expõem sua disposição para entrar em uma relação que, sem eufemismos, será pautada pelo dinheiro. Não provocaria nenhuma estranheza se, diante desse quadro, a primeira ideia que viesse à mente fosse prostituição. No caso dos “relacionamentos açucarados”, porém, não é disso que se trata.

Tome-se o exemplo do empresário Arif Noor, de 56 anos, ugandense que vive em São Paulo. Cadastrado há dois meses no Meu Patrocínio, o sugar daddy conta que até agora não se relacionou intimamente com nenhuma moça do site. Contudo, por meio da plataforma conheceu a manauense Luciele Pimentel, de 28 anos, a sugar baby que se tornou sua parceira… de negócios! “Saímos para um encontro e acabamos fechando um trabalho. Ambos vimos uma oportunidade para empreender juntos no ramo da moda”, relata Noor. “Ainda estou em busca de uma mulher interessante para uma relação romântica”, diz ele. Luciele, por sua vez, afirma que atingiu seu objetivo. “Deixei o Meu Patrocínio porque encontrei o que buscava. Literalmente um patrocínio para ajudar a alavancar minha carreira como estilista”, comemora.

‘‘MAMÃE’’ – Marisa Araújo: “Se eu fosse homem, não me questionariam”

Inscrita na plataforma há três anos, a produtora paulistana Fernanda Rizzi, de 38, narra que, depois de várias frustrações amorosas — e de uma relação que chegou a prejudicá-­la financeiramente —, decidiu mergulhar no universo sugar, no qual o dinheiro já faria mesmo parte do jogo. “Nunca fiz sexo em troca de pagamento. Ganhei mimos, como viagens, sapatos, bolsas. Hoje meu daddy mora na França e me ajuda com um curso de francês”, explica ela.

Fora do modelo convencional, a empresária carioca Marisa Araújo, de 57 anos, se tornou uma rara sugar mommy. Casada por 24 anos, separada há cinco, com dois filhos, ela diz que não quer outra relação conjugal estável. “Sou livre. Se fosse um homem no meu lugar, nem me perguntariam sobre pagar contas para alguém mais jovem”, provoca.

Para Jennifer Lobo, empreendedora americana radicada no Rio, onde fundou o Meu Patrocínio, há quatro anos, a proposta do movimento no qual figura como uma das líderes é promover relacionamentos transparentes. “As pessoas não falam sobre dinheiro. O tema é tabu. Entretanto, a partir do momento em que um casal entra em acordo nesse tópico, tudo se torna mais honesto”, esclarece ela. “De um lado, dos daddies e das mommies, temos pessoas ricas que buscam jovens lindos. De outro, meninas e meninos que procuram conforto. Mas todos, no fim, precisam de afinidade para a relação se sustentar”, avalia Jennifer.

“BEBÊ” – A produtora Fernanda Rizzi: curso de francês pago pelo ‘daddy’

Embora não tenham a prostituição como base das relações que intermedeiam, os sites sugar recebem denúncias de propostas assim. A ordem, nessas situações, é banir os desrespeitosos. “Não queremos esse tipo de ambiente na plataforma”, garante Jennifer. Segundo a baby paulistana Eduarda Park, de 24 anos, cadastrada no Meu Patrocínio e no Universo Sugar, as ofertas de programa oscilam entre 400 e 2 000 reais. “Normalmente elas são feitas por homens casados”, destaca Eduarda. Para se prevenirem, as babies criaram grupos, no Facebook e no WhatsApp, nos quais trocam informações sobre os homens. Eles, os daddies, descobriu Eduarda, também têm seus grupos — para compartilhar nudes das babies. De todo modo, conforme explica Renato Opice Blum, advogado especialista em tecnologia, os sites não poderiam ser responsabilizados em caso de exploração sexual: “Os apps estimulam o encontro, não a prostituição”.

Na opinião da sexóloga Marina Simas, sócia-diretora do Instituto do Casal, de São Paulo, o acordo firmado nos relacionamentos sugar pode ser até bom a curto prazo, “no entanto, há dúvidas quanto à sua durabilidade”, pontua. “No primeiro momento, um é dependente do outro e há relação de poder. O que acontecerá quando a baby quiser autonomia ou quando envelhecer?” Para Marina, o relacionamento sugar tradicional, entre o homem mais velho e a mulher mais nova, seria ainda resquício da sociedade patriarcal. “A plataforma amplifica o modo como vivemos na cultura machista”, acredita a especialista.

Em dias de “modernidade líquida” — para usar a expressão consagrada pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman (1925-2017) —, com o mundo “propenso a mudar com rapidez e de forma imprevisível”, a fragilidade dos laços humanos salta à vista. O próprio amor é líquido — como se deduz do amor nos tempos do sugar.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

LIBERDADE, SEXUALIDADE, VISIBILIDADE

Teria o mundo se transformado numa grande vitrine na qual só quem se exibisse poderia fazer parte dele?

Mulheres comuns estão tirando as roupas e exibindo sua nudez. Algumas participam de ensaios de fotos sensuais feitas em estúdio para presentear maridos ou namorados; outras estampam calendários, vendidos para angariar fundos para alguma causa social. Sem motivos aparentes, mães de família de classe média americana, por exemplo, responderam ao apelo de um site para serem fotografadas nuas em alguma atividade banal, como jogar cartas. Suas fotos podem ser vistas por quem quiser visitar o tal endereço na internet. Teria o mundo se transformado em uma grande vitrine e somente quem conseguir certa visibilidade (seja lá qual for o preço) pode fazer parte dele? A liberdade sexual alcançada nas últimas décadas pelas mulheres as estaria incentivando a “assumir” sua sensualidade sem constrangimentos? Seria mais fácil hoje viver a fantasia feminina (antes inadmissível) de ser parte do imaginário erótico masculino? Por que, diante de tanta liberdade para escolhermos estilos de vida sexual e modos inusitados de gerenciar nosso corpo, a exibição deste nos parece tão sedutora?

Refletir sobre esta associação entre liberdade, sexualidade e visibilidade requer uma pequena – e não tão simples – revisão do percurso da cultura, este complexo patrimônio simbólico produzido por nós mesmos, sem deixar de lado o fato de as mudanças de alguns valores, que antes demoravam mais de uma geração para se constituir, hoje nos atropelarem com novas e inusitadas questões. Dentre elas, as desconstruções radicais de antigas crenças e modos de existência, que aparecem tanto na maneira de viver a sexualidade (independentemente do gênero), incluindo aí os contornos e limites do corpo erótico (principalmente para as mulheres), quanto a “midiatização” do cotidiano. Vale lembrar que a publicidade se apropriou de imagens eróticas femininas para agregar valor às mercadorias.

Freud foi um dos teóricos mais sensíveis ao papel que a sexualidade humana teria na produção de cultura e, percebendo seu caráter disruptivo, apontou a importância de sua regulação para um gerenciamento da convivência. Para cada época existem comportamentos que são incentivados e aprovados e outros que costumam ser desestimulados e condenados. O apetite sexual das mulheres já foi encarado como uma alquimia de feiticeiras e bruxas prontas a exercer as tentações que culminariam com a perdição da alma humana, mas estão longe de nós os dias em que a sexualidade humana – e o ato sexual, propriamente dito – era tabu. Hoje, esses assuntos fazem parte de uma ciência que se preocupa em nos informar sobre como bem viver.

Mas é justamente por falhar repetidas vezes em conformar as normas e restrições da cultura que a regulam que a sexualidade humana se manteve durante grande parte da história como um tema pouco veiculado. Isto foi particularmente mais verdadeiro em relação à sexualidade feminina, abafada sob diferentes justificativas, fosse pela ideologia judaico-cristã que nos guiou durante séculos exaltando um modelo de mulher assexuada, fosse porque coube aos homens, durante longo período, gerenciar a distribuição de prazer (e de poder) da cultura, tomando para si a parte majoritária. Com isso, as mulheres viveram muito tempo entre dois modelos: o da santa (todas as “mães puras”) e o da prostituta (as mulheres que exalassem sensualidade). Ambos gravitam em torno de uma lógica masculina de compreensão do feminino, fantasia que ainda prende pessoas de ambos os sexos, com aval da cisão promovida pela tradição cristã que tanto dividiu de um lado o amor sexual e de outro o sentimento casto, quanto tentou dar um destino à interdição do corpo materno, santificando-o.

O recato (cobrir as partes do corpo que pudessem lembrar qualquer sinal de êxtase) foi por muito tempo uma norma, um imperativo que visava acalmar as pulsões eróticas das mulheres, assim como os temores masculinos de uma sexualidade feminina ilimitada. Paradoxalmente este recato como regra abriu a possibilidade para que cada parte do corpo feminino pudesse se transformar em fetiche para os olhos desejosos dos homens (vide o longevo sucesso das revistas com poses sensuais ou com nudez parcial, voltadas para o consumo principalmente masculino). Hoje não só a mulher foi sensualizada e está eroticamente emancipada, como a corporeidade de ambos os sexos ganhou vulto nunca antes alcançado em termos de visibilidade e espaço na vida social. Mas se é verdade que certo “excesso do erótico” pode funcionar como forma de se opor ao longo período de censura e repressão à sexualidade feminina, também é verdade que a mídia contemporânea incentiva a cultura atual à exaltação do corpo. Esta passagem do recato à visibilidade não é gratuita.

Vivemos em sociedades cada vez mais complexas em que o excesso de imagens exige-nos a tarefa permanente de traduzir e discernir este “a mais”. Há uma articulação constante entre a prevalência de imagens, a circulação de informações e estímulos velozes e simultâneos e a produção e consumo de narrativas. Sabemos que a imagem nos constitui e dela nos apossamos em um constante movimento de subjetivação para nos apresentarmos, nos comunicarmos, nos seduzirmos e sermos seduzidos. Se hoje dependemos muito mais do olhar de reconhecimento dos outros sobre nós para afirmar e reafirmar nossa existência e nosso valor, a mídia se alimenta do interesse e acena o tempo todo com a possibilidade de alguns minutos de fama. Ficamos diante desta tênue fronteira que a lógica do consumo e do espetáculo impõe à ética e que descortina ao menos dois fatos da atualidade. Primeiro: cabe à cultura conciliar uma civilização mais erótica e ao mesmo tempo mais livre e mais justa sem que isso se confunda com fundamentos moralistas de comportamento sexual. Segundo: cabe a cada um o gerenciamento da exposição de sua imagem, incluída aí a difícil administração dos apelos sedutores aos minutos de fama, cada vez mais acessíveis, que muitas vezes alimentam nossa sede de amor. Difícil tarefa.

OUTROS OLHARES

O CAMPO QUER ANDAR SOZINHO

Máquinas autônomas ganham espaço na lavoura e elevam a produtividade, mas o custo alto e os entraves na legislação impedem sua adoção em larga escala

Se nos centros urbanos os veículos autônomos não ocupam sequer o papel de coadjuvantes – sua presença ainda se situa na esfera experimental -, no campo eles já aparecem como protagonistas de uma nova era, marcada pelo aumento da produtividade. Equipadas com câmeras, sensores e radares, as máquinas agrícolas autônomas podem ser controladas remotamente e têm capacidade de mapear o espaço à sua volta e traçar a melhor rota no desempenho de suas funções sem atingir obstáculos. Os modelos mais utilizados atualmente são aqueles em que o condutor, apesar de estar dentro da máquina, só interfere na operação quando se faz absolutamente necessário. As atividades são monitoradas por uma unidade de controle, que realiza a análise dos dados recolhidos durante o trabalho e toma decisões não só focadas na maior produtividade, como também visando ao menor consumo de combustível.

É só o começo. Em uma palavra: presente. Já há, no entanto, protótipos de máquinas agrícolas autônomas ainda mais avançadas sendo testados mundo afora para tentar abreviar o futuro. Na Case IH, por exemplo, fabricante de máquinas da CNH Industrial, os tratores do modelo Steiger, com autonomia integral, acumulam mais de 900 horas em provas, realizadas na Plot House Farms, sua base de experiências localizada na Califórnia (EUA). No Centro Europeu de Tecnologia e Inovação da John Deere, empresa americana que também fabrica equipamentos para uso no campo, foi desenvolvido o projeto GridCon, que criou o trator elétrico cuja fonte de energia não vem de baterias, e sim de um cabo, com cerca de 1 quilômetro de extensão, conectado diretamente à rede da fazenda. Com isso, o veículo ganha em autonomia, deixando para trás o transtorno das recargas frequentes – o fluxo de energia é constante.

Tanta tecnologia, porém, tem esbarrado em alguns problemas para que as máquinas agrícolas autônomas possam ser adotadas em grande escala. Um deles é o custo. “O preço desses engenhos deve atrasar seu uso em escala comercial em até dez anos”, alerta Silvio Campos, diretor de marketing de produto da Case 11, que no Brasil se alinha aos principais fabricantes de veículos para a lavoura. “A aquisição dessas máquinas não será para qualquer um”, acrescenta. Os tratores tradicionais já possuem custo elevado – entre 650.000 e 1 milhão de reais. Ninguém duvida que o preço dos que têm independência total vá superar muitas vezes esses valores.

Para além da necessidade de qualificação da mão de obra que vai ficar no comando desses sofisticados veículos, outro fator vem tornando mais difícil a expansão da frota, por assim dizer, de equipamentos rurais autônomos: a legislação. Do mesmo modo que ocorre em relação aos veículos similares que atuarão em massa brevemente nas ruas e avenidas das metrópoles, em todo o planeta se discute, por exemplo, de quem é a responsabilidade por eventuais acidentes causados pelas máquinas autônomas – do proprietário, do fabricante, do programador do sistema, do encarregado por seu controle indireto? A interrogação segue no ar.

Enquanto governos e juristas discorrem sobre essa questão em vários países, no Brasil há pelo menos um estorvo mais rudimentar para que os equipamentos autônomos encham os campos: a falta de conectividade no meio rural. Não adianta possuir tecnologia de ponta sem ter internet de alta velocidade para usá-la. O relatório “Índice de prontidão para o uso de veículos autônomos 2019”, feito pela KPMG, mostra que o país foi considerado o pior para receber esse tipo de máquina – amargou a última posição no ranking analisado (252º lugar), atrás de Rússia, Índia e México. No quesito cobertura 4G, o Brasil teve a pior nota: zero. Cientes dessa realidade, oito grandes companhias, entre elas Bayer, CNH Industrial e Nokia, puseram de pé o projeto ConectarAgro, cujo objetivo foi levar a conexão 4G na faixa 700 MHz, frequência que percorre maiores distâncias e, portanto, possibilita custos menores para a instalação de antenas. Com o mesmo propósito, a John Deere, em conjunto com a Trópico, de produtos de tecnologias de informação e comunicação, lançou a iniciativa Conectividade Rural. “Sistemas e máquinas que conversam entre si e aprendem com os dados coletados serão capazes de prever falhas. Essa previsibilidade permite manutenções preventivas e evita que o maquinário fique parado em tempos críticos do ano”, afirma Nick Block, diretor do grupo de soluções inteligentes da John Deere.

De olho na nova fase de desenvolvimento rural no país – que, apesar de entravada, será incontornável -, a Usina São Martinho, a maior processadora de cana-de-açúcar do globo, investiu pesado em inovação na sua principal unidade, situada em Pradópolis, no interior de São Paulo. Foram 60 milhões de reais para levar rede de internet privada aos canaviais e fazer a integração em tempo real entre a máquina e a central de comando. A partir dessa conexão, a inteligência artificial (IA) assume papéis essenciais no aumento de eficiência produtiva: os equipamentos estudam as informações recebidas e são capazes de identificar padrões que o cérebro humano tem dificuldade de apreender sem o auxílio de máquinas. É o caminho para evitar desperdício de sementes, saber o momento e o local exatos para o plantio e até mesmo identificar áreas infestadas por pragas por meio de georreferenciamento em tempo real. “Essas mudanças têm o objetivo de promover economia de 2 reais por tonelada de cana ao ano, o que significa poupar cerca de 50 milhões de reais anuais”, afirma Fabio Venturelli, presidente do grupo.

No futuro, o trabalho na lavoura, em especial o repetitivo, será feito por veículos autônomos e robôs. Sim, empregos e funções deixarão de existir; entretanto, a tecnologia deve melhorar a qualidade de vida do agricultor, com o desafio de requalificá-lo – para que seu protagonismo se dê, por assim dizer, em outros campos.

GESTÃO E CARREIRA

SÓ MAIS CINCO MINUTOS

Negligenciar o repouso para resolver questões profissionais não é uma boa ideia. Quem tem esse hábito fica menos produtivo e mais estressado. Aprenda a melhorar seu sono

Desde criança aprendemos que precisamos de uma boa noite de sono para nos sentir dispostos. Quando as preocupações se limitam a tirar boa nota na escola e se divertir com os amigos é fácil manter esse padrão. Mas o que fazer quando os compromissos aumentam? À medida que a vida adulta começa a tomar forma, obrigações como faculdade, trabalho e pagamento de boletos se tornam preocupações maiores e o descanso fica num plano secundário. No entanto, os minutinhos – ou horas – perdidos pode fazer mais falta do que se imagina.

A Pesquisa Global de Sono da Philips de 2019, realizada com 1.100 pessoas de 12 países, mostrou que para 44% dos que responderam às questões, a qualidade do sono piorou nos últimos cinco anos. Além disso, 62% dos entrevistados admitem que deitam e ficam revirando na cama. “Dormir é essencial para nossas funções cognitivas. Uma noite mal dormida leva a um dia com déficit cognitivo”, diz Maurício da Cunha Bagnato, pneumologista da Unidade de Medicina do Sono do Hospital Sírio-Libanês. A piora pode ser observada na concentração, nos reflexos motores, na memória, no humor e também no foco.

CONSEQUÊNCIAS GRAVES

Mas não é somente no curto prazo que o sono pode afetar a saúde das pessoas. Afinal, sua principal função é recuperar o corpo das tarefas diárias. Quando descansamos, nosso cérebro metaboliza todas as toxinas absorvidas durante as horas em que ficamos acordados. “Você precisa diminuir a frequência das ondas cerebrais para ativar o processo de regeneração do corpo”, diz Geraldo Lorenzi, pneumologista e diretor do Laboratório do Sono do Instituto do Coração. É no repouso que o organismo tem maior atividade imunológica, produz hormônios e organiza a memória. “O sono é tão fundamental quanto se alimentar ou ingerir água”, afirma o diretor.

Um estudo publicado na revista da Academia Nacional de Ciências do Estados Unidos por pesquisadores do Southwestern Medical Center, da Universidade do Texas, comprovou as graves consequências da falta de repouso. Os cientistas analisaram voluntários que, durante sete dia dormiram menos de 6 horas por noite. Uma semana de pouco descanso já foi capaz de alterar 700 genes – indicando que problemas como hipertensão, diabetes, obesidade, depressão, ataque cardíaco e derrame podem ser estimulados pelas noites insones. “A privação do sono influencia na modificação da expressão de genes, e isso ativa diferentes funções no corpo”, explica Maurício, do Sírio­ Libanês. Embora a duração ideal de sono varie de pessoa para pessoa, em média, os adultos deveriam passar de 7 a 8 horas diárias dormindo.

RELÓGIO BIOLÓGICO

O corpo humano funciona num ritmo cíclico de 24 horas, o chamado relógio biológico. O controle desse mecanismo é realizado por meio de dois fatores: os externos, que são a luminosidade e a escuridão, e os internos – compostos químicos que ajustam a rotina, como a melatonina (que aumenta a sonolência) e o cortisol (que nos faz acordar). “Quando esse ciclo é quebrado, há consequências para o organismo”, diz Maurício. Nos séculos passados, a quantidade de hormônio liberado no decorrer do dia seguia o ritmo do sol: pela manhã, muito cortisol e pouca melatonina; e à noite, pouco cortisol e muita melatonina. Hoje, esse equilíbrio natural não existe mais. Com telas por todos os lados, não conseguimos diminuir o ritmo à noite nem preparar o corpo para a quietude da sonolência. “O contato com a luz externa durante o dia diminui os níveis de melatonina no corpo, mas no período da noite ainda estão baixos por causa da exposição à luminosidade artificial”, explica Maurício.

O empresário Leandro Molina, de 28 anos, sofria com esse problema. Nos dois últimos anos da faculdade de direito, sua rotina era tão acelerada que os episódios de insônia ocorriam diariamente. Ele voltava da universidade tarde da noite, mas chegava em casa muito desperto. Só conseguia se deitar perto das 2 da madrugada, depois de ter jantado, fumado e assistido a um filme ou uma série. De manhã era difícil sair da cama. “Eu passava o dia sonolento e cansado, tinha episódios de irritação e a concentração perturbada”, diz. A rotina durou toda a vida universitária e ele só conseguiu mudar as coisas quando se formou. “Hoje eu durmo e acordo todos os dias no mesmo horário, me desligo das preocupações externas horas antes de deitar e gosto de ler para ficar sonolento”. Leandro também faz atividades físicas pelo menos três veze por semana e não leva mais trabalho para casa. Há dois anos não tem mais problemas para dormir. “No começo eu fazia exercícios de respiração e até contava carneirinhos, hoje eu só deito na cama e durmo”, afirma.

As dificuldades vividas por Leandro são compartilhadas por muito brasileiros. Na pesquisa da Philips 36% dos entrevistados afirmaram ter insônia recorrentemente e 35 disseram que distrações com entretenimento, como televisão, filme e redes sociais, afetam o sono. Talvez a cultura corporativa que glamouriza o excesso de trabalho e presenteísmo influenciem na falta de descanso e aumentem o estresse. “O sucesso está associado à inquietação. Temos de repensar esses modelos que causam desgaste”, diz Anderson de Souza Sant’Anna, professor na FGV – Eaesp.

DE OLHOS ABERTOS

São muitos os motivos que levam uma pessoa a ficar acordada durante a noite. Há fatores simples, como barulho, colchão ruim e luminosidade excessiva – que podem ser solucionados com medidas singelas, como a troca das cortinas do quarto. Outras razões, porém, são mais graves. Entram nesse pacote problemas como insônia, síndrome das pernas inquietas (uma vontade incontrolável de mexer as pernas) problemas nasais, dores crônicas e apneia do sono. Mas não é só o físico que atrapalha. “Questões psicológicas, como estresse, ansiedade, depressão, têm tido bastante relevância”, diz Maurício. Nesses casos, é preciso buscar ajuda profissional. Quem passou por isso foi Luan Santos, de 30 anos. Instrutor de direção em autoescola, uma das habilidades mais importantes para o trabalho é a atenção. Mas as noites mal dormidas estavam prejudicando sua concentração. Numa dessas madrugadas, a namorada de Luan o alertou: ele tinha parado de respirar por um instante. Ele, então, resolveu procurar ajuda profissional e submeteu-se a uma polissonografia, exame que avalia a atividade respiratória e muscular durante o sono. Foi aí que descobriu que acordava, em média, 81 vezes durante a noite com falta de ar. Com sobrepeso e apneia, os riscos de AVC e infarto eram enormes. A saída foi fazer dieta e atividades físicas. Depois de dois meses com alimentação regrada e prática de exercícios diariamente, Luan perdeu 12 quilos e seu sono melhorou. A meta é perder mais 10 até o fim do ano. “Os exercícios físicos foram o ponto crucial, mas também evito o celular e a televisão. Nos fins de semana mantenho a mesma rotina do sono, e isso também ajuda”, explica Luan.

Claro que mudar o estilo de vida é difícil. Ainda mais com as dificuldades do mundo atual, extremamente veloz e conectado, que nos deixa com a ansiedade à flor ela pele – e com a falsa sensação de precisar agir como robôs (que não dormem nunca) para nos manter relevantes. Mas isso é um mito. “Existe um peso social de que sono é fraqueza, falta de eficiência, preguiça. Temos de ressignificar esses valores, olhar para nós mesmos de uma forma diferente”, diz Anderson. E nada melhor do que uma boa noite de sono para colocar as ideias em ordem.

BONS HÁBITOS

A forma como nos preparamos para dormir é importante, pois precisamos sinalizar ao corpo que o dia está chegando ao fim. Veja algumas dicas para esse momento

SEM DESCULPAS

Conheça alguns dos mitos mais comuns sobre o sono

“NÃO PRECISO DE 8 HORAS DE SONO” – A quantidade de horas varia de pessoa para pessoa, mas muitos estudos já comprovaram que a média de 7 a 9 horas diárias é a ideal. Dormir menos do que isso tem o efeito de uma pancada na cabeça, como indica um estudo publicado pela empresa americana Sleepy People.

“RECUPERO NO FIM DE SEMANA” – Isso depende. Em até três dias depois da noite insone, é possível recuperar a FASE 3 do sono, aquela que tem menor frequência (momento em que os músculos relaxam completamente o processo de regeneração do corpo começa). Já o sono REM (o mais profundo e responsável pela memória e aprendizado), é recuperado em dois dias, no máximo, depois da noite ruim.

“A TV ME DÁ SONO” – Televisão, computador, celular e outros aparelhos eletrônicos emitem luz azul, identificada pelo cérebro como luminosidade diurna. Assim, nossa mente se confunde e deixa de produzir melatonina, o hormônio responsável pela sonolência. Além disso, ler notícias, responder a WhatsApp e ver séries aumentam a atividade do cérebro.

“UM DRINQUE AJUDA A RELAXAR” – O álcool induz ao sono, mas de má qualidade. Isso porque bebidas alcoólicas inibem a fase rem. As com cafeína, os energéticos e os derivados de cola também prejudicam o repouso se ingeridos perto da hora de deitar.

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 13 – A BATALHA DE ORAÇÃO INTERCESSÓRIA

Muito frequentemente as pessoas nos perguntam: “O que se pode fazer em favor de quem obviamente está amarrado por Satanás, mas não aceita, de modo algum, o ministério de libertação?”

Em primeiro lugar, respondemos com outras perguntas: “Como é o seu estado espiritual?” “O cativo já nasceu de novo?” “Ele está firme no Senhor?” Precisamos nos lembrar de que a salvação também é libertação. É a libertação do espírito humano. Antes de ser salva, a pessoa está morta em suas transgressões e seus pecados (Efésios 2:1).

“Como é que ela está morta?” É claro que não é morte física, porque continua respirando e se mexendo. Sabemos que sua alma (personalidade) não está morta, porque ela ainda pensa, sente e toma decisões, mas seu espírito está morto. Ela não compreende as coisas espirituais nem está interessada nelas. A ressurreição do espírito humano depende do poder vivificado!’ do Espírito Santo. Ele tem de nascer de novo (João 3:3). Isso acontece pela graça de Deus, mediante a fé (Efésios 2:8). A fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo (Romanos 10:17). Salvação é libertação.

A palavra grega para salvação, “soteria”, significa libertação. Desta forma, a salvação do espírito humano é a primeira etapa de sua libertação e é a base para qualquer ministério adicional.

Então, a prioridade, em libertação, é de levar o cativo a um relacionamento pessoal com Jesus Cristo. Se a pessoa não estiver disposta a aceitar Jesus Cristo como seu Salvador, então, os que se preocupam pela vida espiritual do cativo devem interceder por ele e se colocarem na brecha. Devem orar para que a venda dos olhos espirituais seja removida. O poder satânico cega o homem perdido.

“Mas, se o nosso evangelho ainda está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus.” (2 Coríntios 4:3, 4.)

Enquanto o evangelho está sendo apresentado a essa pessoa, ore para que o mesmo Deus que mandou a luz resplandecer das trevas ilumine seu coração, e Jesus lhe seja revelado como Salvador. O apóstolo Paulo confirma que foi assim que ele se converteu. E dá-se o mesmo com qualquer pessoa que se converte: é salva pela graça soberana de Deus.

“Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo.” (2 Coríntios 4:6.)

ORAÇÃO INTERCESSÓRIA

A pessoa já convertida precisa de intercessores tanto quanto o incrédulo. Quem não quer saber de, ou se recusa a receber do Senhor melhoria de sua condição através da libertação, é porque está preso pelo engano. Qualquer desculpa que seja dada para rejeitar a oração de libertação representa uma forma de engano (satânico). Satanás, o enganador, fica levando vantagem, e o cativo continua preso.

Jesus nos ensinou a interceder uns pelos outros para que sejamos libertos das armadilhas do demônio. Ele nos ensinou a orar: “E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal…”, literalmente: “livra-nos do maligno”. É importante notarmos o pronome “nos”. Devemos incluir os outros em nosso pedido de libertação do maligno.

Em sua poderosa exortação sobre a armadura espiritual do cristão, o apóstolo Paulo enfatiza a importância da oração intercessória de luta espiritual a favor de outros cristãos. A oração intercessória é, ao mesmo tempo, uma arma ofensiva e defensiva contra as estratégias do demônio.

“Com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito, e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos.” (Efésios 6:18.)

A LUTA ESPIRITUAL

Às vezes, o Espírito Santo nos leva a entrar em luta espiritual em favor das pessoas que não estão abertas para receber ministração. A vontade da pessoa pode estar tão dominada por forças demoníacas que ela é incapaz de reagir à ajuda que lhe é oferecida. Nada que se diga irá convencê-la a abrir-se à ministração. Sua vontade está sob o controle do inimigo.

É preciso nos lembrarmos de que “a nossa luta não é contra o sangue e a carne e, sim, contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Efésios 6:12).

Os espíritos que controlam o cativo habitam nas regiões celestes onde reina o príncipe da potestade do ar. Jesus deu à sua Igreja o poder de “amarrar Satanás”. Temos de levar a batalha até a porta do inferno e derrotar a estratégia que Satanás tem lançado contra Jesus.

“Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus: o que ligares na terra, terá sido ligado nos céus, e o que desligares na terra, terá sido desligado nos céus.” (Mateus 16:18, 19.)

Os verbos “amarrar” e “libertar” estão no tempo perfeito, particípios passivos. Traduzindo o que esses tempos expressam, vemos que querem dizer o seguinte: “O que quer que seja que amarremos ou libertemos na terra é o que está no estado de ter sido amarrado ou libertado no céu.” Consequentemente, para podermos amarrar ou libertar as coisas na terra, é necessário primeiro amarradas (ligadas) e libertadas (desligadas) no reino dos céus.

Certa vez, os pais de uma moça de 24 anos nos pediram para que intercedêssemos por ela. A moça tinha aceitado Jesus anos antes e havia estudado numa faculdade teológica, mas nessa época tinha-se desviado do bom caminho. Estava morando com um rapaz, sem ser casada com ele, e também estava envolvida em espiritismo. E recusava a toda oferta de ajuda de seus pais.

Juntos com seus pais, minha esposa e eu amarramos o demônio controlador e ordenamos aos espíritos imundos que estavam nela a desligarem-se dela para que ela pudesse receber a ministração direta. A moça estava longe de nós, mas estávamos operando no reino espiritual, onde distância não é barreira.

Em poucos dias, a filha fez uma volta de 180°. Ela telefonou para seus pais pedindo socorro, deixou seu lugar de pecado e aceitou nosso convite para ficar conosco e receber o ministério de libertação e aconselhamento. Dentro de poucas semanas ela estava restaurada e começou a tomar parte ativa em nosso ministério de libertar outros cativos de Satanás. Tudo isso foi o resultado de guerra espiritual nas regiões celestes.

Perguntamos à moça o que ela havia experimentado no exato momento em que nós estávamos amarrando os demônios que a controlavam. Ela nos contou que, naquele momento, a sua mente tinha- se tornado clara.

Quando a opressão mental foi destruída, ela instantaneamente se conscientizou de que seus pais a amavam e ficariam felizes em ajudá-la. Então, ela tomou a decisão de cooperar com a ajuda espiritual que estava a seu dispor.

Porém, cuidado! Temos de estar cientes de que não podemos controlar a vontade de outra pessoa. O objetivo da luta espiritual é libertar a vontade da pessoa para que ela possa responder diretamente ao Senhor Deus e receber o socorro que Deus lhe oferece. Nos casos em que a pessoa escolheu, por sua própria e livre vontade, submeter-se ao poder do pecado e de Satanás, amarrá-lo não adianta coisa alguma. Quando os poderes demoníacos são amarrados, por terceiros, à pessoa, então, ela tem a capacidade de escolher a Cristo e Seu Reino.

Porém, cuidado! Muitas coisas tolas e perigosas têm sido feitas em nome da oração intercessória de luta espiritual. Conhecemos casos em que o intercessor concordou em receber os demônios residentes em outra pessoa. A ideia é que os demônios que estão na pessoa rejeitando o ministério de libertação deixarão o cativo, entrarão no intercessor e, com mais facilidade, serão expulsos do intercessor.

Satanás está mais do que pronto para entrar nesse jogo. Não existe base nenhuma na Palavra de Deus para dizer que devamos receber demônios em nosso próprio corpo, seja qual for a hora ou a razão. Permitir que os demônios entrem é abrir-se ao influxo de espíritos malignos, sem garantia nenhuma, da parte de Satanás, de que os demônios automaticamente sairão de outra pessoa. Assim, o arqui – enganador vence novamente!

Em outra ocasião, passamos quase um dia inteiro na libertação de alguém com centenas de espíritos imundos que tinham entrado, e ali estavam por causa de seu envolvimento tolo de “aceitar os demônios dos outros”. A senhora havia concordado em ser a substituta a receber ministração até mesmo em lugar de pessoas que estavam dispostas a receber ajuda direta. De novo, enfatizo que não há base nas Escrituras para tal tipo de ministério.

A ARMA DO AMOR

Ao ajudar alguém que se recusa a receber ministração direta, não se esqueça do amor. No mais íntimo do seu ser, essa pessoa tem sede de ser amada. Podemos ter a certeza de que, no seu passado, ela foi ferida ou rejeitada.

O olho do amor é capaz de distinguir entre a verdadeira pessoa e os habitantes demoníacos que se manifestam em ódio, rebelião, suspeita ou o que quer que seja que a impede de ser libertada. Tal discernimento de amor nos capacita a amá-la e não a nos retrairmos por causa da fúria da tempestade gerada por sua personalidade instável. Ainda que o cativo não reconheça nem corresponda ao amor oferecido, podemos estar certos de que o amor incondicional é uma técnica de luta espiritual que põe uma pressão intolerável nos poderes das trevas.

Os espíritos malignos são comparados com o fôlego e o ar. A palavra grega para espírito (pneuma) significa fôlego ou ar. Da mesma forma que monóxido de carbono é fatal à nossa vida, assim é o amor para um espírito maligno. Ele não pode existir ou operar quando envolvido em amor.

Nosso amor ágape forja uma arma que derruba os poderes de anti amor na vida dos outros. É por isso que Jesus nos ensinou a amarmos nossos inimigos. Assim, amontoamos brasas de fogo sobre a cabeça deles, isto é, isso purifica a mente deles.

São justamente os que mais necessitam de libertação que, muitas vezes, são os mais difíceis de se amar. Pode ser que eles se rebelem e nos firam quando lhes oferecemos compaixão e amor. Mas recebemos a ordem de amar, mesmo àqueles que parecem ser menos dignos de amor. (Veja Mateus 5:43-48.)

Aliás, essa é exatamente a maneira como Deus nos libertou. Ele nos amou apesar de nossa vileza. (Veja Romanos 5:8.) Seu amor quebrou as barreiras: o amor tem o poder de remover todo impedimento. É uma poderosa arma nas mãos de um hábil combatente espiritual.

ORAR AS ESCRITURAS

Temos de ser guiados pelo Espírito Santo em nossa luta de oração intercessória. O Espírito Santo dará ao guerreiro espiritual as passagens específicas das Escrituras de que ele necessita. Use esses trechos vivos como guia em sua oração. Assim, você estará usando “a espada do Espírito, que é a palavra de Deus”.

Por exemplo, ao orar pelo marido que não está seguindo o Senhor, a esposa poderá orar o seguinte tipo de oração dada pelo apóstolo Paulo, personalizando-a assim:

Não cesso de orar por meu marido José e de pedir que José transborde de pleno conhecimento da Sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual; a fim de que José viva de modo digno do Senhor, para o Seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus; sendo fortalecido com todo o poder, segundo a força da Sua glória, em toda a perseverança e longanimidade, com alegria. (Colossenses 1:9-11.)

O LÍDER É O ESPÍRITO SANTO

Temos destacado vários princípios espirituais a serem seguidos na luta de oração intercessória, mas cada situação é única. O Espírito Santo conhece todos os fatores e circunstâncias em relação ao caso. Ele ajustará a direção certa em que o intercessor deve ir. A luta a favor dos outros é uma luta espiritual, não pode ser vencida na carne. A estratégia dessa luta não pode ser planejada por sabedoria humana. Permita que o Espírito Santo seja o líder.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PELO PRISMA DA ANSIEDADE

Esse sentimento nos faz priorizar as informações negativas e examiná-las de forma detalhada

Não é preciso ter depressão para acordarmos numa manhã qualquer e, sem motivo específico, nos sentirmos sem esperança no futuro e incapazes de lembrar eventos gratificantes. Uma simples falta de ânimo já é o suficiente para acionar uma espécie de filtro que faz nossa mente captar e recordar apenas informações negativas. É dessa forma que a ansiedade atua: direcionando a atenção para estímulos específicos (em geral negativos).
Para compreender se ela é um problema, é preciso observar como se manifesta. Há diferença entre ficar ansioso diante de uma situação que representa ameaça real e ter esse sentimento como um traço de personalidade. No primeiro caso, ela é normal e saudável, pois cumpre uma função adaptativa essencial para a existência. A ansiedade nos incita a focar toda atenção naquilo que nos preocupa em um momento específico, mantendo-nos alertas para que possamos nos prevenir de consequências que podem ser prejudiciais.

Pessoas com transtorno de ansiedade, no entanto, tendem a se fixar com frequência em informações irrelevantes. Chegam, por exemplo, a observar um mesmo ambiente repetidas vezes, à procura de estímulos ameaçadores que, uma vez localizados, são evitados e controlados com dificuldade. Elas interpretam informações de maneira desfavorável e são mais suscetíveis a pensamentos negativos. Esse comportamento interfere em praticamente todas as áreas de seu cotidiano.

EMOÇÕES E RESPOSTAS

A ansiedade determina o tipo de informações que priorizamos e a forma como as interpretamos. Quando nos sentimos pressionados por alguma situação, a maioria de nós não é capaz de considerar mais de uma opção nem de acreditar que existem alternativas viáveis. No entanto, nos dias em que estamos felizes e otimistas, confiamos mais em nossas capacidades e a mente fica mais aberta para enxergar diferentes pontos de vista sobre o que nos preocupa. O problema pode ser o mesmo e talvez as opções sempre estejam ao alcance, mas a forma de processar as informações recebidas é sensivelmente diferente.

Essas diferentes maneiras de perceber o mundo são determinadas pelas emoções. De fato, alguns estados afetivos parecem moldar o funcionamento da mente para responder de maneira eficaz às demandas de uma situação. A ansiedade restringe o campo de visão da realidade e nos faz ver o mundo em “modo de ameaça”.

O modo como diferentes emoções acionam maneiras opostas de se processar uma mesma tarefa foi o tema de um de nossos experimentos. Selecionamos três grupos de estudantes para assistir a um vídeo que mostra um homem armado assaltando um banco. Em seguida, cada grupo visualizou, em separado, imagens com conteúdos emocionais diferentes: positivo (esportistas recebendo troféus, paisagens, famílias), negativo (acidentes, pessoas doentes, guerras) ou neutro (móveis, utensílios de cozinha). Após serem expostos a esses estímulos, os estudantes foram convidados a tentar reconhecer, entre fotos de vários homens, o rosto criminoso do vídeo.

DESEMPENHOS DIFERENTES

Os resultados mostraram que o grupo que havia visualizado as imagens com conteúdo positivo realizou o teste de forma mais eficiente. Todos os participantes do estudo haviam assistido ao vídeo do assalto e nenhum fora previamente avisado do que teria de fazer, mas os estímulos recebidos por cada grupo favoreceram ou complicaram a forma como a tarefa foi realizada.

A explicação dos resultados obtidos é simples, se considerarmos que o reconhecimento de um rosto requer um estilo de processamento global: nossa atenção apreende desde aspectos gerais, como tamanho ou formato da cabeça, o tipo do cabelo ou a cor dos olhos até algum detalhe que pareça tornar aquele rosto inconfundível, mas que de forma isolada não seria determinante. Os estímulos positivos parecem favorecer esse estilo de processamento, que é o mais adequado para realizar tarefas que exigem a observação de aspectos gerais – dessa forma, esse grupo obteve “vantagem” sobre os que receberam estímulos neutros ou apreensivos.

Após esse experimento, os mesmos voluntários foram convidados a participar de mais um teste. Dessa vez, a tarefa exigia a atenção em detalhes. Orientamos os participantes a encontrar diferenças em jogos do tipo “sete erros”. Os três grupos tiveram a mesma quantidade de tempo para localizar diferenças entre pares de imagens aparentemente iguais. Como a ansiedade incita a observar detalhes e informações aparentemente irrelevantes (que podem converter-se em ameaça), as pessoas do grupo em estado de ansiedade foram mais eficazes nessa tarefa, achando um maior número de diferenças em menos tempo que os outros grupos.

Essa pesquisa mostra como a ansiedade age sobre nossa capacidade de atenção: ela pode nos ajudar a localizar até a mais insignificante ameaça, mas também pode contribuir para que vivamos continuamente apreensivos.

OUTROS OLHARES

VIVA O CARBOIDRATO

Novo estudo revela uma má notícia para os adeptos das dietas low-carb, as mais seguidas no mundo, inclusive no Brasil – elas promovem o envelhecimento

A chave para emagrecer com saúde, sabe-se quase de cor, é o casamento adequado entre reeducação alimentar e atividade física. Trata-se de uma guerra, nem tão metafórica assim — e não é raro que se apele às promessas milagrosas das dietas da hora, essas que vão e vêm. As estatísticas globais, o Brasil incluído, são conclusivas: seis em cada dez adultos que recorrem a algum tipo de regime para perder peso optam pela redução de carboidratos — adotam uma dieta low-carb, na alcunha em inglês. A escolha é lógica: a privação de carboidratos (macarrão, pizza, batata, pão etc.) faz os ponteiros da balança descer em um período mais rápido de tempo. Perdem-se, em média, até 10% do peso em apenas trinta dias. Uma pessoa com 70 quilos, por exemplo, chega ao fim do mês de boca fechada com espantosos 7 quilos a menos. É de fato muito tentador. Mas — sempre há um porém — um novo e completo estudo ilumina um aspecto escondido das low-carb. A má surpresa: elas aceleram o envelhecimento. “A descoberta é um alerta definitivo sobre o perigo de dietas baseadas em um único nutriente”, diz Viviane Alves, professora de microbiologia da Universidade Federal de Minas Gerais, coautora do trabalho, publicado na reputada revista científica americana Current Biology.

Desenvolvido numa parceria entre o Instituto Sahmri, na Austrália, e a Universidade de Bristol, na Inglaterra, o estudo revelou que as proteínas, seja de origem animal, seja de origem vegetal — que tendem a substituir o carboidrato —, podem ser perigosas quando consumidas em excesso. Há, como decorrência indesejada, um aumento do ritmo do metabolismo celular. Resultado: essa aceleração provoca um erro no mecanismo de produção de compostos que protegem o organismo. A consequência é a morte celular abrupta. Dessa forma, o corpo passa a perder mais células do que é capaz de repor, o que leva ao envelhecimento precoce e à redução da expectativa de vida. Os pesquisadores avaliaram células humanas em laboratório. O próximo passo será estudar o efeito no cotidiano das pessoas. Por excesso de proteínas, entende-se o seguinte: uma pessoa de 70 quilos não deveria consumir mais de três bifes de filé-mignon por dia, ao longo de pelo menos um mês — porção facilmente ingerida em apenas uma refeição nesse tipo de regime.

A proliferação das dietas low-carb causou uma reviravolta nos hábitos alimentares no mundo todo. No Brasil, o consumo de feijão caiu pela metade nas últimas quatro décadas. O consumo internacional de batata diminuiu 40%. A predileção por esse tipo de regime tem história — ele nasceu no século XIX, quando o francês Jean Anthelme Brillat-­Savarin, autor do tratado de gastronomia A Fisiologia do Gosto, obra pioneira sobre a relação do homem com a comida, defendeu a renúncia total a açúcares e farináceos. O princípio foi retomado com força avassaladora nos anos 1970 pelo cardiologista americano Robert Atkins. Um de seus livros virou best-­seller e vendeu mais de 15 milhões de cópias ao redor do mundo. Os adeptos de Atkins estão liberados para comer ovos, bacon e carnes e chegam a emagrecer 10% do peso corporal em apenas quinze dias. Depois da dieta Atkins, como ficou conhecido o regime, outras versões foram surgindo — a paleolítica, a Dukan, a cetogênica, todas orientando grandes cortes no consumo de carboidratos e uma engolindo a outra na preferência popular.

Quem segue ou já seguiu a low-carb sabe muito bem que o sucesso é passageiro. Dois terços dos adeptos recuperam o peso original em até cinco anos depois do fim do corte calórico. Oito em cada dez desistem do regime antes de ele completar três meses. O carboidrato é, naturalmente, a primeira opção de energia corpórea. Na falta dele, a gordura em si passa a ser utilizada como combustível essencial. “Em pouco tempo, a perda de gordura faz com que o organismo, para se defender, reduza o ritmo natural do seu gasto calórico, tornando o regime impraticável, e a dieta passa a não funcionar”, diz a nutricionista Rafaela Destri, do Hospital São Paulo e da clínica Cia. da Consulta, em São Paulo. Além disso, os carboidratos são o principal alimento associado à fabricação da serotonina, substância fundamental para multiplicar as sensações de bem-estar e prazer.

Tudo somado, como manda o bom-senso, qualquer exagero é ruim. A proteína tem de estar presente na metade das refeições, a gordura em uma e os carboidratos em todas elas. Logicamente, a escolha deve ser pelos alimentos preparados com farinha integral. O valor nutricional do trigo branco, sem a casca nem o germe da planta, é menor. A quantidade de fibras dos integrais, a título de comparação, é três vezes maior em relação aos brancos. Ainda assim o trigo refinado não é de todo ruim. Um pãozinho contém tanta fibra quanto uma banana.

Outra tese em defesa dos carboidratos, publicada na revista científica The Lancet: as fibras das farinhas são essenciais para a prevenção de algumas doenças. Reduzir a quase nada as fibras nas dietas — o que acontece quando os carboidratos são subtraídos — priva o organismo de nutrientes indispensáveis. O consumo regular de carboidratos e, portanto, de fibras diminui o risco de morte por doenças cardíacas (menos 32%), acidentes vasculares (menos 22%) e câncer de intestino (menos 16%). Pense duas vezes antes de eliminar o pãozinho do café da manhã. É assim, até que brote uma nova dieta mágica.

MEU BEM, MEU MAL

As conclusões do novo estudo

1 – Um dos efeitos indesejáveis da dieta com restrição de carboidratos (macarrão, pizza e pão, por exemplo) é a exagerada troca por proteínas (frango, carne de boi e ovos)

2 – O excesso de proteínas, equivalente a uma porção diária de mais de três bifes de filé-mignon, leva à morte celular abrupta, um dos mecanismos de envelhecimento do corpo

GESTÃO E CARREIRA

CUSTOMIZANDO O PRÓPRIO TRABALHO

Conheça o job crafting, conceito que ajuda a ressignificar suas atividades sem precisar apelar para uma eventual demissão

No novo mundo do trabalho, a satisfação está no centro das reflexões sobre a carreira. São fartos os estudos que mostram uma correlação direta entre satisfação e produtividade. A ciência não deixa dúvidas: a felicidade é um fator preponderante para conquistar a alta performance.

Em 2001, duas pesquisadoras americanas, Amy Wrzcsniewski e Jane Dutton, criaram o conceito de job crafting, cujo significado remete a ações que os trabalhadores realizam para ressignificar o próprio emprego.

Ou seja, trata-se de um “artesanato” para melhorar as condições no escritório, tornando as atividades do dia a dia mais interessantes, os relacionamentos mais prolíferos e os resultados mais evidentes.

No fundo, o job crafting nada mais é do que um esforço para dar um significado ampliado ao trabalho – sem delegar essa responsabilidade exclusivamente à empresa.

Em um estudo a respeito de job crafting, feito com um grupo de pessoas em funções operacionais num hospital dos Estados Unidos, Amy e Jane mostraram as diferentes percepções que os indivíduos têm sobre suas funções. Enquanto alguns viam o trabalho como mero cumprimento de rotina, outros compreendiam que as atividades ali realizadas ajudavam as pessoas e melhoravam a vida dos pacientes. Esse segundo grupo foi capaz ele ressignificar a atuação com o job crafting. O que as pesquisadoras concluíram a esse respeito? Que aqueles que conseguem dar um sentido à atuação são mais felizes e também mais produtivos.

Mais do que um artifício mental, o job crafting é a capacidade prática de reorganizar as atividades para entregar melhores resultados. Um dos dramas crescentes do universo corporativo é a necessidade de “fazer mais com menos”, o que gera sobrecarga de tarefas com escassez de recursos. E a customização do trabalho ajuda a construir alternativas para enfrentar esse tipo de adversidade. Quem busca significado no que faz pensa em diferentes maneiras de atuar, procura soluções para problemas e faz alianças para implementar suas ideias.

Quanto mais forte for essa habilidade, mais êxito o profissional terá em um futuro de volatilidade. Isso porque a carreira contemporânea não é entendida como uma sequência linear de cargos, e sim como um conjunto de experiências significativas que se acumulam ao longo da vida.

Nessa nova dinâmica, a construção da jornada profissional estará nas mãos das pessoas, e não a cargo das companhias. Na era do protagonismo, o exercício permanente de buscar alternativas para melhorar o trabalho, a rotina e a motivação na realização de projetos fará toda a diferença para profissionais de todas a áreas.

RAFAEL SOUTO – É fundador e CEO da Consultoria Produtive, de São Paulo. Atua com planejamento e gestão de carreira, programas de demissão responsável e de aposentadoria

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 12 – AUTOLIBERTAÇÃO

A pergunta surge com frequência: “Pode uma pessoa faze autolibertação?” Minha resposta é “sim”, e estou convicto de que uma pessoa não pode ficar livre dos demônios até ela estar andando nessa dimensão do ministério, isto é, a autolibertação.

Como é que alguém pode libertar-se? Como crente, ele tem mesma autoridade do crente que está sendo usado no ministério d libertação de outros. Ele tem a autoridade em nome de Jesus! E Jesus claramente prometeu àqueles que crerem: “em meu nome expelirão demônios” (Marcos 16:17).

Geralmente, a pessoa só precisa saber como agir para efetuar sua própria libertação. Depois que alguém tenha experimentado uma libertação inicial, nas mãos de um ministro experimentado, ele pode começar a prática de autolibertação.

Devemos lembrar que a libertação é um processo. Seria ótimo se pudéssemos ficar livres de todos os demônios habitando em nós e esquecê-los para o resto da vida. Mas quantos de nós podemos ficar libertos por completo? Se nunca pecássemos por pensamentos, palavras ou ações, nunca precisaríamos de libertação. O pecado abre a porta aos demônios. Isso não quer dizer que toda vez que a pessoa comete pecado, um demônio vai entrar. Mas de qualquer modo, pecado é uma maneira pela qual a porta é aberta aos demônios, mesmo que essa abertura não seja muito grande.

O maior problema que o autolibertador vai enfrentar é o do discernimento certo dos espíritos. Muitas pessoas têm a tendência de confundir a atividade demoníaca em sua vida com meras expressões de personalidade humana. É comum alguém reagir ao discernimento de certo espírito dizendo: “Oh! pensei que tosse eu!” Há aqueles que desejam seguir o caminho de “faça-o você mesmo”, de modo que seus pecados continuem ocultos. Este não é um motivo recomendável para iniciar sua própria libertação. A Palavra de Deus nos ensina que há lugar para confissão.

“Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo.” (Tiago 5:16.)

Há casos em que um forte espírito de engano controla a pessoa a ponto de ela não ver nada errado em si mesma. Lembro-me de uma senhora que veio a mim com o pretexto de desejar libertação. O verdadeiro motivo apareceu logo. Ela veio para propagar uma doutrina falsa em que estava envolvida. Disse-me que tinha “o dom de abrir sua Bíblia” para responder às suas próprias perguntas e às de outros.

Antes de sair de sua casa, naquele dia, ela tinha aberto a Bíblia, e apontado o dedo em um versículo e recebido esta mensagem: “Vai, tua fé te salvou”. Ela interpretou isso como significando que não necessitava de libertação. Durante nossa conversa ela revelou que quando era pequena morou com uma necromante. A influência dessa experiência abriu-a para receber um espírito de adivinhação que operava nessa prática de abrir a Bíblia ao acaso, em busca de respostas.

De vez em quando um cristão pode receber uma palavra de Deus desta maneira, mas quem depende unicamente disso como a maneira primária de ouvir Deus está pisando em terreno perigoso.

Não há necessidade de ficar preocupado com demônios. Devemos ficar atentos a Jesus e àquilo que é verdadeiro, honesto, puro e de boa fama. Mas quando as perturbações satânicas vierem, não deveremos hesitar em reconhecê-las e tratá-las com a autoridade que nos deu nosso Senhor Jesus Cristo. Nosso objetivo em lutar contra Satanás é tirar todo o impedimento à nossa comunhão espiritual e ao nosso ministério.

A autolibertação é experimentada da mesma maneira como a libertação ministrada por um terceiro. A única diferença entre as duas formas é que a pessoa liberta é, também, o ministro de libertação. O sujeito fará, orando, sua própria confissão a Deus: que ele não quer nada do diabo e deseja que o Senhor o liberte.

Os demônios deverão ser confrontados e chamados por nome, um por um. Depois de várias vezes que um certo demônio tenha sido mandado embora em nome de Jesus, a pessoa deve começar a respirar o mais profundamente possível ou provocar uma tosse das profundezas do corpo.

Uma vez que as manifestações variam de pessoa para pessoa, não é possível explicar, de antemão, o que vai acontecer. Do mesmo modo que as libertações, a manifestação que acompanha a saída dos espíritos imundos pode variar muito. Em minha própria experiência, logo que confrontei o demônio, senti uma pressão em minha garganta e em seguida tossi e vomitei muco. Houve, então, um sinal de que a coisa tinha saído. Algumas pessoas têm mais capacidade que outras para efetuar sua própria libertação.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

TRICOTILOMANIA: ENTENDA A COMPULSÃO POR ARRANCAR OS CABELOS

Pessoas com tricotilomania tiram não apenas os fios do couro cabeludo, mas também do púbis, das sobrancelhas e dos cílios; em muitos casos, a patologia aparece com sintomas de depressão e ansiedade

Todo mundo certamente já puxou os cabelos enquanto sonhava acordado ou os enrolou nos dedos enquanto refletia sobre alguma coisa. Principalmente as mulheres arrancam um ou outro por motivos estéticos. No entanto, parece impensável que uma pessoa arranque seus cabelos diariamente, às vezes durante horas, até a cabeça estar repleta de pontos calvos.

Porém, já em 1889 o médico francês François Henri Hallpeau (1842-1919) descreveu um paciente que puxava os cabelos aos tufos. Ele batizou o fenômeno de “tricotilomania” (do grego trico = cabelo, fio; tillo = arrancar). O reconhecimento de que se trata de um quadro patológico específico, no entanto, surgiu apenas no fim do século 20.

A característica básica do distúrbio é o impulso, no mínimo durante alguns períodos, de puxar cabelos ou pelos. Parte das pessoas afetadas por essa compulsão seleciona os fios objetivamente. Por exemplo, os cabelos brancos, os que ficam em pé ou que parecem desarrumados. Outros os puxam de forma inconsciente e automática, e só percebem o gesto mais tarde.

Vários nem sentem dor ao arrancá-los. Típico da tricotilomania é também o ato de “brincar” com os cabelos arrancados. Os pacientes os passam sobre os lábios, colocam na boca ou os enlaçam entre os dedos. Frequentemente, várias dessas características se manifestam na mesma pessoa: ela arranca os cabelos automaticamente diante da televisão ou ao ler, enquanto de manhã e de noite puxa especificamente alguns deles diante do espelho do banheiro.

Durante muito tempo, os médicos subestimaram a disseminação do problema – entre outros motivos, porque vários pacientes não o revelam por vergonha. Acreditava-se que pouco mais de meio milésimo da população era afetado. Hoje sabemos que a tricotilomania não é uma doença tão rara.

Um estudo realizado em 2009 pelos médicos americanos Danny Duke e seus colegas da Universidade Oregon Health & Science, em Portland, demonstrou que o arrancar de cabelos patológico ocorre em cerca de 1,2% dos americanos. Aproximadamente a metade dessas pessoas preenchia todos os critérios clínicos para o diagnóstico de tricotilomania: imediatamente antes de arrancar os cabelos, estão sob pressão interna e, depois, experimentam grande alívio. Ao mesmo tempo, elas se sentem claramente prejudicadas pelo distúrbio.

Segundo esse e vários outros estudos epidemiológicos, mulheres e homens são afetados com a mesma frequência. Quase sempre o arrancar de cabelos leva à rarefação e ao surgimento de pontos de calvície, que as pessoas tentam encobrir com penteados, perucas ou cosméticos. Mas os pelos existentes em outras partes do corpo também podem ser vítimas do transtorno.

PATOLOGIAS ASSOCIADAS

Como em geral elas se envergonham de seu comportamento e temem ser descobertas, muitas não frequentam piscinas ou praias, evitam ir ao cabeleireiro, não praticam esportes em companhia de outras pessoas e temem todo contato social mais próximo. E podem surgir outras psicopatologias associadas à tricotilomania. As mais comuns são depressão, transtornos de ansiedade e abuso do álcool, mas não raramente ocorrem também distúrbios de personalidade. Alguns pacientes engolem os próprios cabelos arrancados, o que pode causar a formação de um novelo de cabelos (tricobezoar) no estômago ou no intestino. Como consequência, podem surgir cólicas ou, mais raramente, obstrução intestinal.

COMBINAÇÃO DE ASPECTOS GENÉTICOS E SOCIAIS

Sob a coordenação da psicóloga clínica Lisa Cohen, do Centro Médico Beth Israel, em Nova York, uma equipe de profissionais examinou 123 adultos que sofriam de tricotilomania. Os pesquisadores concluíram que em pelo menos 6% dos casos os sintomas surgiram ainda na infância, antes dos 6 anos. Na maioria das situa­ções, porém, o arrancar de cabelos patológico se inicia na adolescência, entre os 11 e 15 anos. Mas, ocasionalmente, o distúrbio se manifesta só na idade adulta.

Não existe uma única causa para a tricotilomania. Tanto aspectos psicológicos e sociais quanto neurobiológicos e genéticos são considerados desencadeantes. Quase sempre há uma combinação desses vários fatores. Além disso, o transtorno não se apresenta de forma homogênea, mas pode ser subdividido em três grupos.

O transtorno se inicia, pelo menos em parte dos pacientes, devido a tensões dentro da família, problemas na escola ou dificuldades de relacionamento com outras crianças. Paralelamente, sentimentos depressivos, estresse e problemas para lidar com a raiva também estão em sua base. O arrancar de cabelos é sentido então como uma distração, um consolo capaz de minimizar a tensão, e é justamente esse caráter prazeroso que reforça o comportamento.

Nesse sentido, a tricotilomania serve para regular estados emocionais desagradáveis, dos quais os pacientes nem sempre se dão conta claramente. Muitas vezes, brincar com os fios entre os dedos e tocá-los com os lábios remete a uma sensação de aconchego experimentado quando a pessoa ainda era bebê e tocava os cabelos da mãe ao ser amamentada ou apenas aninhada no colo.

RITUAL DIÁRIO

A tensão interna causada por medos, inibições sociais, dificuldades de expressão de emoções e estados depressivos faz com que os sintomas sejam mantidos. E frequentemente acrescenta-se a ele a força do hábito: arrancar cabelos torna-se um ritual diário, por exemplo, ao dirigir, ler ou telefonar, que ocorre de forma inconsciente e automática, sem um desencadeador concreto. Além desses fatores psicossociais, causas biológicas, como o genótipo, por exemplo, parecem desempenhar papel importante: estudos mostram que o transtorno surge com frequência de 5% a 8% acima da média se outro membro da família já sofre do mesmo problema. O quadro, no entanto, não pode ser atribuído apenas à herança genética; também pode ser explicado como comportamento aprendido.

Atualmente, há alguns modelos animais que talvez possam ajudar a esclarecer as causas biológicas da tricotilomania. Camundongos nos quais o gene hoxb8, envolvido no desenvolvimento do sistema nervoso, sofreu mutação apresentam um comportamento de cuidados corporais muito alterados. Entre outras coisas, eles arrancam os próprios pelos. E o geneticista molecular Stephan Züchner, da Universidade de Miami, na Flórida, descobriu em 2009 que o desligamento da proteína da sinapse SAPAP3 em roedores causa sintomas que lembram tanto transtornos obsessivo-compulsivos quanto tricotilomania.

Porém, ainda não se sabe em que medida esses modelos podem ser transferidos para seres humanos. Pesquisadores constataram, por meio de procedimentos de imageamento cerebral, diversas alterações estruturais em pessoas afetadas pela compulsão. Um grupo de pesquisadores coordenado por Samuel Chamberlain, da Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha, descobriu em 2008 que os corpos celulares neurais (a chamada “substância cinzenta”) apresentam uma densidade muito grande em várias regiões cerebrais nessas pessoas. Isso se aplica, além de várias outras partes do córtex cerebral, também ao estriado (que participa do surgimento de hábitos), à amígdala e ao hipocampo do hemisfério cerebral esquerdo (responsáveis por aprendizados associados à emoção). Esses dois aspectos contribuem bastante para o surgimento e a continuidade da tricotilomania. Uma densidade aumentada das células cerebrais ocorre também em outros distúrbios marcados pelo descontrole, como a síndrome de Tourette e o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).



FALTA DE MENSAGEIROS

Nos últimos anos, neurobiólogos associaram a tricotilomania à escassez de diversos neurotransmissores, principalmente da substância mensageira serotonina, frequentemente vinculada a outros distúrbios comportamentais, como controle reduzido dos impulsos e movimentos repetitivos. Em vários estudos pacientes usaram os chamados inibidores seletivos da recaptação da serotonina (SSRI). Esse tipo de antidepressivo aumenta a concentração do transmissor nos pontos de contato sinápticos entre os neurônios, combatendo assim uma possível falta de serotonina.

Os SSRIs já se mostraram eficazes para o tratamento de transtornos obsessivo-compulsivos há muito tempo. Para a tricotilomania, por outro lado, os resultados de estudos obtidos até agora são contraditórios. Alguns estudos concluíram que houve uma melhora dos sintomas, outros, não. Além disso, o efeito do medicamento frequentemente retrocedia em um tratamento de maior duração, e após a sua suspensão muitas vezes ocorriam recidivas. A administração de antidepressivos, portanto, parece recomendável quando os pacientes sofrem concomitantemente de graves depressões.

TRÊS FORMAS DO TRANSTORNO

1. Os sintomas começam na infância, muitas vezes antes do oitavo ano de vida, e decorrem de forma pouco intensa, frequentemente desaparecendo sem tratamento.

2. O hábito de arrancar cabelos aparece quase sempre de maneira automática e é perceptível de forma consciente só após o início do tratamento.

3. Os cabelos são arrancados de forma focada e consciente; os pensamentos que acompanham o gesto estão voltados para esse ato.

Enquanto ainda não há nenhuma prova científica da efetividade de tratamentos alternativos, como dietas ou acupuntura, uma forma específica da psicoterapia tem se revelado eficaz. A terapia comportamental cognitiva é um exemplo disso. Ela deve ser adequada individualmente ao paciente: é importante que o terapeuta considere exatamente quais fatores desempenham um papel no quadro clínico. Se houver, por exemplo, uma associação entre inibições sociais e a tricotilomania, a prioridade é reforçar a autoconfiança e as competências do paciente. Caso o transtorno seja sintoma de experiências traumáticas, estas devem ser primariamente abordadas.

Em alguns casos, é suficiente a redução do ato de arrancar cabelos por meio de técnicas específicas. Para tanto, o chamado treinamento para reversão de hábitos (HRT, sigla em inglês de habit reversal training) é bastante adequado. Originalmente, Nathan H. Azrin e Robert G. Nunn, do Hospital Estadual de Anna, Illinois, desenvolveram esse método para o tratamento de tiques motores, mas obtiveram sucesso também no caso do roer compulsivo de unhas, chupar dedos e tricotilomania.


EM BUSCA DE AJUDA

O HRT combina diversos métodos para melhorar a autopercepção dos pacientes, eliminando comportamentos enraizados e estabelecendo novos hábitos. Um treinamento para relaxamento complementar busca eliminar a inquietude para que surjam cada vez menos impulsos de arrancar os cabelos. O “método de isolamento”, desenvolvido por Steffen Moritz, do Hospital Universitário de Hamburgo-Eppendorf, junto com Antônia Peters, fundadora do primeiro grupo de autoajuda para tricotilomania de Hamburgo e presidente da Sociedade Alemã de Doenças Obsessivo-Compulsivas, e eu, funciona de forma semelhante. Os pacientes aprendem a substituir o arrancar de cabelos por outro comportamento inofensivo. O truque: o novo movimento da mão a ser aprendido é inicialmente semelhante ao de retirar os fios. Isso facilita a substituição de uma ação por outra.

Testamos há pouco tempo o método de isolamento com 42 voluntários, uma intervenção de autoajuda em um estudo realizado pela internet. Os participantes utilizavam o método ou um treinamento para relaxamento. Nossa técnica mostrou-se, mesmo sem instrução dada por um terapeuta, facilmente realizável e levou pelo menos metade dos participantes ao retrocesso do arrancar de cabelos. Já no treinamento para o relaxamento houve êxito em apenas 22% dos casos.

As psicoterapias com base psicanalítica, por sua vez, não se voltam imediatamente para a psicopatologia, e sim para os sentidos e associações que os sintomas escondem, tratando não o diagnóstico específico, mas todo o sofrimento associado à patologia, o que costuma oferecer a possibilidade de uma transformação mais profunda e duradoura. Para alguns pacientes, a troca de experiências, o apoio mútuo e a motivação para mudanças graduais favorecidas pelos grupos terapêuticos costumam ser muito úteis. Seja qual for o caminho, o que importa para aqueles que sofrem com a compulsão é ela ser controlada. Embora esse objetivo, em geral, seja alcançado com terapia, raramente se chega a uma eliminação completa dos sintomas: é preciso manter-se empenhado para que os fios continuem presos ao próprio corpo.

TREINAMENTO PARA CONTROLAR O IMPULSO

Assim que a paciente leva a mão na direção dos cabelos (figuras A e B), ela deve desviar o movimento subitamente para a orelha, queixo, nariz ou para algum ponto da sala (C ou D). A proposta é que o antigo comportamento seja modificado com esse procedimento.

OUTROS OLHARES

O “GENE GAY” NÃO EXISTE

Estudo com quase 500.000 pessoas indica a homossexualidade como resultado de vários fatores, derruba teses preconceituosas e representa um chamado à tolerância

A ideia era simplista demais para ser levada a sério como constatação científica de algo complexo – o comportamento homossexual. Baseado na investigação genética de quarenta famílias, um estudo de 1993 alardeou que certo gene, o Xq28, determinaria, sozinho e de modo integral, a atração de uma pessoa por alguém do mesmo sexo. Embora frequentemente contestado, o trabalho costumava amparar posturas preconceituosas contra os gays, dando margem a propostas como a de terapias para a “cura” do que seria uma “falha genética”.

Se havia alguma dúvida sobre a fragilidade dessa tese que atravessou décadas, ela acaba de ser demolida. Uma nova pesquisa, recém-publicada pela prestigiosa revista americana Science, refuta de maneira assertiva a ideia da existência de um “gene gay”. Realizado por cientistas americanos e europeus, o estudo levou em consideração a análise genética de mais de 477.000 pessoas dos EUA e do Reino Unido, a partir de um questionário sobre seus hábitos sexuais. Entre os participantes, 26.000 afirmaram ter se relacionado com indivíduos do mesmo sexo. Os pesquisadores compararam os resultados da observação do DNA com a orientação sexual de cada um dos voluntários e assim concluíram que a genética está longe de contar a história inteira – uma enormidade de outros fatores entraria em jogo. Um exemplo que ilustra a multifatorialidade que dita muitas de nossas características é a altura: apesar de ela em parte depender da informação genética presente no DNA, a nutrição – relacionada ao meio em que se vive – e os níveis hormonais afetam profundamente o desenvolvimento físico.

Em suas análises, os pesquisadores conseguiram localizar cinco genes que exercem influência sobre a orientação sexual, mas a expectativa de que haja centenas ou milhares de regiões do DNA que pesem em tal comportamento. Elas seriam responsáveis por algo entre 8% e 15% da manifestação homossexual. De qualquer forma, a genética está sujeita a muitas variáveis. A epigenética, área que vem ganhando fôlego nos últimos anos, teoriza que o funcionamento dos genes pode ser alterado por diversos elementos externos ao DNA. Tome-se o caso do câncer: nos EUA, um censo de 2010 revelou que somente de 5% a 10% dos tumores têm origem genética. O resto é decorrente de atitudes individuais – como fumar, ingerir bebidas alcoólicas em excesso etc.

Naturalmente, o estudo levado a cabo com quase 500.000 pessoas deveria funcionar como um chamamento a maior tolerância diante da homossexualidade. Apesar disso, contudo, é difícil avaliar qual será o seu impacto na sociedade. “Acredito que a maior parte das pessoas mais conservadoras, que apoiam bobagens como terapias que visam a transformar gays em heterossexuais, não é muito racional e não liga muito para a ciência. Então, não acho que o nosso estudo os afetará”, disse Brendan Zietsch, psicólogo da Universidade de Queensland, na Austrália, e coautor do trabalho. “O importante agora é discutir o preconceito em si, e não as causas da homossexualidade. Pode ser que se passem 200 anos sem que saibamos o que resulta nessa orientação sexual. Por enquanto, devemos falar da homofobia e resolver esse problema logo”, acredita Jairo Bouer, psiquiatra especialista em sexualidade.

GESTÃO E CARREIRA

MISSÃO TRAINEE

Bons salários, benefícios atrativos e um programa dedicado a transformar jovens profissionais em líderes do futuro: entenda por que vagas de trainee são tão visadas por recém-formados (e o que você precisa saber para conseguir uma)

Em uma ponta, milhares de candidatos recém-formados (ou prestes a completar a graduação) em busca da oportunidade de trabalhar em uma grande empresa. Na outra, centenas de organizações à procura de profissionais com potencial para se tornarem os gerentes e líderes do futuro. No meio de campo, os programas de trainee: processos de seleção e treinamento calculados para garantir que as melhores pessoas ocupem as posições mais adequadas. Para as companhias que decidem estruturar programas de trainee, o principal benefício trazido pela iniciativa é justamente a identificação de profissionais talentosos que, além de serem capazes de “oxigenar” os processos com novas ideias e soluções, são escolhidos também por se identificar com a cultura e o segmento de atuação da organização. O objetivo é criar um ambiente de formação de novas lideranças. “Uma das questões enfrentadas no Brasil em diversos setores, mas também no empresarial, é ter gente com competência e capacidade para assumir grandes desafios”, afirma Anamaíra Spaggiari, diretora executiva da Fundação Estudar. Por sua vez, conquistar uma vaga em um programa do tipo é um objetivo almejado por muitos jovens em início de carreira. Além da possibilidade de começar a trabalhar dentro de uma companhia em uma posição privilegiada, oportunidades como salários atrativos, rotação entre diferentes áreas e conexão direta com executivos de alto grau de importância são grandes chamarizes.

“É uma das melhores formas de entrar em uma empresa”, comenta Paula Esteves, sócia-diretora do Grupo Cia de Talentos, consultoria de desenvolvimento de carreira que já trabalhou com mais de 2.000 organizações no país. “O trainee passa por um programa de desenvolvimento robusto que abrange questões de autoconhecimento, aperfeiçoamento de soft skills, evolução técnica e participação em projetos concretos, com resultados mensuráveis”, explica.

A fase de treinamentos, que pode demorar mais de um ano, inclui atividades destinadas a inserir o jovem profissional no ritmo da empresa: job rotation (quando o trainee é alocado por um determinado período de tempo em diferentes áreas da companhia), viagens ou até mudança para cidades onde a organização tem unidades de negócio, sessões de mentoria, coaching e, principalmente, colaboração em projetos estratégicos, que vão exigir propostas inteligentes, criativas – e que gerem resultados.

O VALOR DA PRÁTICA

O desenho do programa de desenvolvimento é a principal motivação citada por trainees para a escolha pelo projeto de uma empresa, segundo levantamento realizado pela consultoria Lee Hecht Harrison em 2017. “Um programa de trainee robusto deve ser capaz de desenvolver uma série de habilidades que são cruciais tanto para um profissional que está começando como para se navegar no mundo hoje”, diz Maiti Junqueira, gerente de desenvolvimento de talentos da Lee Hecht Harrison. “O jovem ganha maturidade e cria uma musculatura que favorece sua trilha na carreira, independentemente da organização onde começou”, explica Maiti.

Após a conclusão do período de treinamento, o próximo passo é evoluir da condição de trainee para ocupar um cargo gerencial na companhia. Porém, embora seja uma porta de entrada diferenciada, ter passado por todo o processo não é garantia de contratação automática. “Para se destacar, o jovem precisa transformar o potencial em aplicação”, comenta Anamaira. “Um a experiência vantajosa envolve ouvir bastante as lideranças e evitar propostas que já foram testadas. Quando o trainee consegue ir a fundo no histórico da organização, é capaz de trazer soluções novas. “Entender as expectativas em relação ao trabalho, criar relacionamentos positivos e solicitar feedbacks são outras ações que ajudam o trainee a provar porque ele deveria ser contratado. “É preciso fazer jus ao investimento da empresa, mostrar que valeu a pena trazê-lo”, afirma Paula Esteves.

A jornada até esse ponto, no entanto, começa antes mesmo do início das atividades de desenvolvimento. O primeiro passo é passar pelo processo de seleção de trainees da empresa – o que por si só representa um grande desafio. Compostas por várias etapas, as seletivas são longas e exigentes e atraem milhares de candidatos de todo o Brasil para preencher um número limitado de vagas. A pergunta é: como ser escolhido?

AS REGRAS DO JOGO

Cada fase do processo de seleção para um programa de trainee tem um propósito específico de avaliação, definido com base em critérios objetivos e subjetivos. “Nas etapas iniciais, os recrutadores observam os conhecimentos básicos requisitados, como inglês, raciocínio lógico e ‘fit’ com a empresa”, explica Regina Camargo, sócia-diretora da Across, consultoria de RH especializada em desenvolvimento de carreira. “Nas demais fases, as competências mais comportamentais serão o foco. Um ponto comum, em todos os perfis, é que o trainee é uma pessoa que deve exibir fortes características de liderança, relacionamento e realização”, completa.

À intenção é que, em conjunto, todos os passos sejam capazes de reconhecer os jovens que apresentam maior potencial e identificação com a companhia e o cargo almejado. Por isso, é essencial ter em mente que, da inscrição à entrevista final, todos os momentos são fundamentais para que o candidato consiga apresentar suas qualidades e se destacar. “A pessoa pode ter um currículo incrível, mas, se chegar na frente do gestor e não souber contar sua história e participar ativamente, não temos como avaliá-la”, explica Paula.

FUNIL DE SELEÇÃO

INSCRIÇÃO

Os programas, em geral, são destinados a jovens recém-formados. A inscrição traz os requisitos que servirão de base para o primeiro corte de candidatos. Não adianta, por exemplo, se inscrever em uma vaga que exige mobilidade se você não pode ou não deseja mudar de cidade. Nem sempre é preciso ter formação em um curso específico – as empresas estão cada vez mais buscando diversidade. Por outro lado, um segundo idioma é essencial para a maior parte das vagas.

PROVAS

A ideia é avaliar o conjunto de competências do candidato: inglês, raciocínio lógico, tomada de decisões e aderência à cult ura da empresa são alguns testes que você pode encontrar. As provas também são responsáveis pelo maior afunilamento do processo: um bom resultado é essencial. “A etapa conta normalmente com 20.000 candidatos e a próxima deve ter 500, 1.000 no máximo”, comenta Paula Esteves. “O processo precisa ter um critério de ranking muito bem calibrado.”

DINÂMICAS

Atividades em grupo que podem ser realizadas online ou presencialmente. É possível que este também seja o primeiro momento no qual o candidato interaja diretamente com

a empresa e seus gestores por meio da discussão de cases e apresentação de soluções para questões reais. São avaliadas habilidades relacionadas a comunicação, liderança, trabalho em equipe e criatividade na resolução de problemas.

Expor bem seu ponto de vista, ouvir o grupo, resolver conflitos, apresentar ideias interessantes são exemplos de comportamentos buscados pelos recrutadores.

ENCONTRO COM LÍDERES

Painel de negócios, entrevista com gestores, nova rodada de estudo de casos: nas etapas finais, o jovem vai ficar frente a frente com os líderes da empresa e conhecer um pouco mais sobre a organização em que ele deseja trabalhar.

A avaliação gira em torno de como o candidato se comporta nessa situação.

A PALAVRA DOS EXPERTS

Conversamos com especialistas para montar um checklist de atitudes que vão ajudar o candidato a enfrentar a maratona em busca de uma vaga de trainee.

GARANTA O BÁSICO

Fique atento aos pré-requisitos da vaga e às formas de contato utilizadas ao longo do processo – imagine perder um prazo por não ter checado seu e-mail. Para as etapas online, separe um tempo adequado para completá­las com calma. Escolha um lugar calmo e um computador com boa conexão de internet. Nas fases presenciais, seja pontual e procure se vestir de acordo com a cultura da empresa. Forneça todas as informações de forma clara e objetiva, preste atenção às instruções e não extrapole os limites de tempo propostos.

ESTUDE A EMPRESA

Investigue a história da organização, seus valores, objetivos e segmento de atuação. “Não dá para apresentar um exemplo de um concorrente ou falar algo que é contrário ao que a companhia acredita”, comenta Paula Esteves. Procure entender também por que você gostaria de ser contratado por essa empresa. “Muitos concorrentes avaliam apenas o cargo”, conta Anamaíra Spaggiari. “Demonstre sua vontade de trabalhar lá.”

PARTICIPE ATIVAMENTE

“Seja gentil e colaborativo, mas focado nos resultados”, afirma Regina (amargo. Demonstre iniciativa e conhecimento. Respeitar a participação dos outros candidatos é primordial: ”Incentive a colaboração de todos, analise as situações e proponha soluções”, sugere Paula.

SEJA VERDADEIRO

Mentir é sinal vermelho na hora. Não adianta apontar experiências que nunca teve ou habilidades que não possui se, no decorrer do processo, essas questões se tornarão evidentes: é melhor assumir seu nível real de inglês, por exemplo, do que se dizer fluente e não conseguir completar uma determinada atividade. A mentira conta mais pontos negativos do que a falta da habilidade.

TRABALHE SEU AUTOCONHECIMENTO

“Não dá para depender de o recrutador entender o que está por trás se o candidato não se dedicou ao desenvolvimento da sua própria história”, afirma Anamaíra. Entenda seus pontos fortes e fracos – não vale ter o “defeito do perfeccionismo” – e seja autêntico. “É muito valorizado quando você olha para um candidato e vê que ele confia no seu potencial e sabe quem é”, afirma Paula. Se você não passou em um processo seletivo, não desanime: procure refletir o que pode ser melhor no próximo. E, o mais importante, confie em si mesmo. “Se chegou até aquela etapa, você já apresentou um diferencial e a empresa quer conhecê-lo melhor”, diz Paula.

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 11 – A LIBERTAÇÃO: INDIVIDUAL E EM GRUPO, EM PÚBLICO E EM PARTICULAR

O ministério de libertação pertence à Igreja. Ele deveria acompanhar a pregação, o ensino e a cura. Na Grande Comissão, conforme está registrada em Mateus, lemos:

“Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as cousas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.” (Mateus 28:18-20.)

A expulsão dos demônios é uma parte vital daquilo que Jesus mandou os Seus discípulos fazerem. No Evangelho de Marcos, Jesus diz: “Estes sinais hão de acompanhar AQUELES que creem: em meu nome, expelirão demônios…”. Note os plurais — “eles”, “aqueles” – sugerindo ser esse um ministério da Igreja, em vez de ser de um indivíduo: Hoje, o Espírito Santo está levantando um ministério bem intensivo na Igreja, pois ele o fora negligenciado por muito tempo, e a Igreja de hoje deve tê-lo como preparação para a vinda do Senhor Jesus.

A MINISTRAÇÃO INDIVIDUAL

A libertação PODE acontecer como uma parte do culto na Igreja. Jesus não hesitou em expulsar demônios em público nem em lugares de ensino e louvor.

“Depois, entraram em Cafarnaum, e, logo no sábado, foi ele ensinar na sinagoga[…] Não tardou que aparecesse na sinagoga um homem possesso de espírito imundo, o qual bradou:[…] Mas Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te e sai desse homem.” (Marcos 1:21, 23, 25.)

Tenho estado presente em cultos semelhantes. A mera presença daqueles que se movem no poder de Deus sobre espíritos demoníacos pode fazer com que os espíritos reajam gritando ou falando. A maneira de agir será influenciada pelo ponto do culto em que a interrupção aconteça. Às vezes, aos espíritos é mandado que se calem até o fim da mensagem. Assim, os demônios ficam amarrados até a hora apropriada para expulsá-los.

Em outra situação, a libertação pode ser feita imediatamente. Isso aconteceu uma vez comigo durante o culto. Ao fim da mensagem, os espíritos demoníacos tomaram um casal. Eles eram cristãos, mas não conheciam nada sobre o batismo no Espírito Santo. Vieram ao culto para zombar e apontar o dedo aos “pentecostais”, mas durante o culto se tornaram convictos. A mensagem enfatizou o poder do sangue de Jesus.

A mulher começou a tremer violentamente. Quando seu marido foi para mais perto dela a fim de ajudá-la, os demônios começaram a gritar também através dele, o qual começou a tremer. A congregação continuou a cantar louvores, e alguns de nós ministramos ao casal na ala entre os bancos da igreja até eles ficarem libertados do ataque demoníaco. Logo em seguida, pela oração, eles “ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar cm outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem” (Atos 2:4). Os dois ficaram libertados dos demônios de álcool e nicotina e de vários outros. O casal tem progredido na sua vida espiritual com zelo e grande prazer.

Até este ponto no meu próprio ministério, a maioria dos casos de libertação tem sido na base de uma entrevista — particular.

Nossa equipe vai a uma igreja ou comunidade. Há reuniões de ensino e orientação sobre o assunto de demonologia e libertação. As pessoas são encorajadas a marcar uma hora para a ministração, como uma consulta médica. Reservamos duas horas para cada pessoa.

Encorajamos, com um pouco de insistência, que a família toda receba a ministração, juntamente com a participação dos pais e dos filhos de todas as idades. Mais ou menos de 30 a 45 minutos do tempo são usados em conferência, e o resto no processo de libertação.

Essa abordagem tem seus pontos fortes. Primeiro: a entrevista traz à luz quando e como os demônios entraram na vida da pessoa. Sabendo como vários dos demônios operam, tal conhecimento a ajuda a fechar as portas, de uma vez, aos demônios, depois de serem expulsos.

Naturalmente, os demônios estão ouvindo a conversa e sabem que a presença deles não é mais oculta e que suas obras más estão sendo expostas. Isso serve para provocar distúrbios nos demônios, e, quando a pessoa está pronta para a ministração, os demônios já estão desligados e saem com mais facilidade. A ministração do tipo entrevista tem a desvantagem de tomar muito tempo, mas tem a vantagem de ser mais completa do que a ministração em grupos ou em público.

O coração de Jesus clama por mais obreiros. No contexto de Mateus 10, Jesus é envolvido no Seu ministério de ensino, pregação, cura e EXPULSÃO DE DEMÔNIOS.

Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor.

E, então, se dirigiu a seus discípulos: A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.” (Mateus 9:36-38.)

A MINISTRAÇÃO EM GRUPOS

A ministração em grupos envolve a expulsão dos demônios em mais de uma pessoa de uma vez. O grupo pode variar em tamanho, de duas até uma multidão. Que isto pode acontecer tem sido provado muitas vezes pelos líderes deste ministério. O ministro de libertação mandará os demônios saírem em nome de Jesus, e eles começarão a sair.

Nos grupos grandes de cem ou mais pessoas, se não houver um número suficiente de pessoas treinadas para ajudar cada indivíduo, alguns não vão receber a ministração completa, de acordo com suas necessidades. Na ministração em grupos há quem recebe uma libertação bem adequada, uns recebem menos que o necessário e outros não recebem libertação nenhuma.

A ministração de libertação em grupos pode funcionar bem com crianças. Tive a experiência de ministrar a um grupo de crianças de 7 a 12 anos.

Nós começamos chamando os espíritos comuns em quase todo menino ou menina, isto é, medo, ego, ressentimento e raiva. Depois que uma lista dos espíritos comuns tinha sido completada e eles tinham sido expulsos, crianças com problemas particulares foram ajudadas mais especificamente. Os pais e os pastores das crianças estavam presentes e participaram nas libertações particulares. Duas crianças receberam o batismo no Espírito Santo e uma ganhou libertação em línguas estranhas. Há mais sobre o ministério com crianças em outro capítulo.

É inconcebível que Jesus tenha ministrado a cada pessoa individualmente. Ele era cercado pelas multidões de pessoas à procura de cura e de libertação em toda parte por onde Ele andava. Ele e os doze não podiam ter tomado conta de cada pessoa individualmente, e o registro dos fatos deixa bem claro que Ele ministrou a “todos” que vieram. No seu sermão em casa de Cornélio. Pedro nos conta:

“Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo c com poder, o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele.” (Atos 10:38.)

MINISTRAÇÃO PARTICULAR OU EM PÚBLICO?

Às vezes parece que temos de tomar uma decisão entre duas coisas. Temos, de fato, de escolher entre libertação em público ou em particular.

Está claro que o Espírito Santo tem operado nos dois casos. Deixe cada crente agir de acordo com a maneira como o Senhor o dirigir.

A ministração em particular é importante, se não essencial, em alguns casos. Estamos notando que a maioria dos cristãos tem páginas escuras em sua vida. Há coisas que nunca foram confessadas a ninguém. Os demônios prosperam nos pecados escondidos e ignorados pela pessoa. Eles trarão culpa e indignidade, para impedir o desenvolvimento espiritual e o testemunho do crente.

Em geral, as pessoas sentem-se à vontade ao confessar essas coisas ao conselheiro de libertação. Explicamos que mexemos no passado para revelar as portas pelas quais os demônios ganharam entrada, de modo que estas mesmas portas possam ser fechadas para. sempre.

Alguns indivíduos requerem mais instrução do que outros sobre como conservar sua libertação. Alguns compreendem logo a técnica da luta espiritual enquanto outros são lentos em aprender. Alguns são mais vulneráveis ao ataque em sua vida do que outros, especialmente no lar. O ministro pesa a importância de cada caso e deve fazer o quanto pode, diante de Deus, para que a pessoa que recebe libertação possa continuar vitoriosa.

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 10 – AS MANIFESTAÇÕES DEMONÍACAS

Quando os demônios são enfrentados e pressionados por meio de uma luta espiritual, às vezes eles demonstram sua própria natureza através da pessoa, de várias maneiras. Estes espíritos maus são criaturas das trevas. Eles não aguentam ficar na luz. Quando sua presença e suas táticas são expostas, eles são capazes de ficar agitados e frenéticos. As manifestações parecem não ter fim. Limitar-nos-emos a poucos exemplos.

Satanás e seus demônios são identificados com as serpentes. “Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões…” (Lucas 10:19). “E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo…” (Apocalipse 12:9).

Não é de surpreender que manifestações de serpentes tenham sido vistas, por exemplo, na língua. Elas motivam a pessoa a esticar a língua para fora ou fazem a língua mover-se rapidamente para fora e para dentro – exatamente como a da cobra. Os olhos podem tomar as características como os da cobra. Geralmente, durante a libertação, os olhos da pessoa ficam fechados. Parece que os demônios sabem que os olhos da pessoa revelam a presença deles de uma maneira mais nítida que qualquer outra.

Outra manifestação da serpente é pelo nariz. A pessoa é capaz de chiar pelas narinas. Várias vezes, tenho visto a pessoa jogada no chão pelo poder dos espíritos, e o corpo retorcer-se como o da serpente.

Uma manifestação mais ou menos comum ocorre nas mãos. As mãos podem ficar entorpecidas e dormentes. Às vezes, os dedos se esticam e tornam-se rígidos. Os demônios que se manifestam desta maneira pelas mãos são, em geral, os demônios da luxúria, do suicídio ou do homicídio. Outros tipos de espíritos maus, especialmente os associados ao uso errado das mãos, podem manifestar-se desta maneira. É preciso sacudir as mãos vigorosamente para deslocar os espíritos.

Os espíritos de artrite, muitas vezes, se manifestam nas mãos. As mãos se tornam rígidas, e os dedos, ásperos. Isto pode acontecer nas mãos de jovens que ainda não têm sinais nenhum de artrite, mas em quem o demônio da artrite já está trabalhando a longo tempo.

Ao confrontar o demônio de artrite, as mãos podem tomar a aparência de alguém que sofre disso há anos. O demônio pode manifestar-se através de dores e retorcimento do corpo. Muitas dessas enfermidades são abortadas pelo ministério da libertação, quando o discernimento de espíritos descobre as enfermidades e as doenças que não foram ainda manifestadas.

Uma manifestação que é muito pavorosa é a do espírito de morte. Tenho encontrado o espírito de morte presente em casos onde pessoas foram arrasadas até o ponto da morte por doenças graves, cirurgias sérias ou tentativa de suicídio.

Um homem com um espírito de morte tinha sido oficialmente declarado morto por afogamento, mas foi ressuscitado pela ação do médico. Ao se manifestar, o espírito de morte faz com que as pálpebras fiquem abertas e os olhos virem para trás. A pele da pessoa toma a cor da morte.

Uma jovem senhora de 25 anos veio a nós para o ministério. Ela era uma pessoa meiga e de natureza passiva. Vários demônios foram expulsos, e estávamos sentados, quietos, esperando a direção do Espírito Santo. De repente, o rosto da moça mudou-se dramaticamente e outro demônio apareceu.

Não há meios de descrever como a manifestação apareceu — especialmente pelos olhos. Sem virar a cabeça, seus olhos movimentaram-se para olhar a cada pessoa na sala com um olhar fixo.

Minha esposa e eu estávamos sentados bem na frente dela. Mais três membros de nossa equipe de libertação estavam presentes, juntamente com o pastor da moça e sua esposa. Eu havia observado muitas manifestações demoníacas, mas esta era diferente. Fez-nos sentir como se estivéssemos encarando um animal feroz, a ponto de devorar-nos. Num instante, esta manifestação cedeu-se à manifestação do espírito de morte. Felizmente, eu já tinha visto esta manifestação e sabia como agir. Os outros na sala não a conheciam e achavam que a moça tinha falecido mesmo. O demônio saiu, e a moça ficou boa.

Outra faceta das manifestações demoníacas é a dos cheiros: Lembro-me de uma vez em que estávamos ministrando numa casa pastoral. A casa ficou tomada por um mau cheiro parecido com o de repolho cozinhando que, para mim, é um mau cheiro. Era tão real, que alguém foi até a cozinha para verificar se havia algo no fogão.

Em outra ocasião, eu estava expulsando um demônio de câncer. Ele saiu acompanhado por um cheiro distinto, igual ao que encontramos num hospital de câncer. Com muitas experiências pastorais no Hospital do Câncer Ha cidade de Houston, Texas, reconheci logo o cheiro.

Os demônios podem gritar (Mateus 8:29; Lucas 4:41; Atos 8:7).

Estávamos em meio a uma libertação quando uma moça de 17 anos aproximou-se. Ela disse que tinha sido envolvida com feitiçaria. Mandei-a sentar-se no assento à minha frente. Abri minha Bíblia e comecei a leitura de Deuteronômio 18:9-15, que declara que feitiçaria é uma abominação ao Senhor. Enquanto estava lendo o versículo 15, que diz que Deus levantaria um Profeta (Jesus) e “a ele ouvirás”, um grito agudo saiu da boca da moça. Levantando os olhos da Bíblia, vi as mãos dela como garras estendidas à Bíblia.

Antes que eu pudesse reagir, as unhas compridas tinham rasgado aquela página de minha Bíblia, no versículo que eu acabara de ler! Começamos a expulsar, em nome de Jesus, os demônios de feitiçaria e os espíritos da mesma tribo, e logo ela foi liberta da sua opressão.

O espírito de orgulho pode manifestar-se de várias maneiras. Ele pode fazer a pessoa sentar-se ou ficar em pé muito ereta e cruzar os braços sobre o tórax ou arrebitar muito o nariz. Um jovem pastor disse-me que ele falava demais. Ele não podia resistir a interromper qualquer conversa, fosse ela qual fosse. Ele não podia disciplinar-se e deixar outros falarem. Sentia que tinha muito mais a dizer de maior importância que os outros. Ao espírito foi mandado identificar-se. e ele respondeu, dizendo: “Sou importância”.

O homem estava sentado numa cadeira dobrável. O espírito fez com que ele pusesse a cabeça para trás com seu nariz bem para cima, quase derrubando o homem. O espírito de orgulho ou de importância fará a pessoa “pensar de si mesma além do que convém”.

Os espíritos maus, às vezes, revelam sua presença e sua natureza por pantomima. Durante uma entrevista, antes de eu ministrar, um jovem pastor revelou que tinha uma obsessão por dança e que queria dançar mais do que comer. Quando o demônio da dança carnal foi mandado embora, o homem começou uma pantomima rítmica.

O corpo dele começou a balançar-se, suas mãos moveram-se como se fosse bater palmas e sua boca movia-se como se estivesse cantando, embora não se ouvisse som algum. O demônio disse que ele estava cantando “O Poder do Sangue”. O homem pegou um pano molhado que usava no rosto (os demônios expulsos primeiro tinham saído por vômito) e sacudiu o pano em cadência.

Finalmente, jogou o pano para o teto e, ao cair no chão, o demônio deu uma gargalhada feia.

Em outras ocasiões, temos visto espíritos de ritmos e de danças se manifestarem pelo movimento do corpo, especialmente no movimento dos quadris. Uma moça, cujo corpo vibrou com a manifestação do espírito de ritmo, revelou depois que ela tinha sido uma dançarina de boate, bicou provado que este era o espírito que a dominava. O diabo tem sua imitação e perversão para tudo o que é bom e certo.

Uma manifestação interessante apareceu quando estávamos ministrando a uma mãe que tinha um filho de 12 anos. O filho tinha um braço defeituoso, como resultado de lesão cerebral congênita. O pulso dele era virado e a mão ressequida e sem força. A mãe tinha um espírito de tormento, que a aborrecia continuamente, por causa da condição de seu filho. O espírito não a deixava em paz e fixara a mente dela no braço defeituoso. Quando este espírito de tormento saiu, ele fez o braço e a mão da mãe assumirem a aparência exata do braço e da mão do filho.

A dor é uma manifestação comum. Muitas e muitas vezes, quando pessoas marcam compromisso com antecedência para nossa ministração, depois dizem que sofreram uma grande dor de cabeça, ainda que, normalmente, nunca sofressem disso.

Durante a ministração, com frequência, os demônios provocam dor de cabeça ou dores agudas em várias partes do corpo. Espíritos de nervos e tensão podem causar dores na nuca ou nas costas. Geralmente, o ministro de libertação imporá as mãos na área dolorida e mandará o espírito se desligar; o demônio é expulso e, num instante, o corpo é aliviado da dor.

Outras manifestações que podem aparecer neste ministério de libertação incluem cãibras nas pernas e braços, náuseas, choros e gargalhadas. A gargalhada é geralmente um espírito de escárnio. O novato nesse ministério poderia pensar que quem está recebendo a libertação não a está levando a sério, mas as gargalhadas não têm nada a ver com os sentimentos da pessoa.

Calculo que os demônios falam, em média, em um de cada doze casos em que ministramos. A porcentagem seria maior se os deixássemos falar. Eles não variam muito naquilo que dizem.

Eles falam com firmeza que não pretendem sair. Podem dizer que a pessoa quis que eles ficassem ou que eles voltarão se forem expulsos.

Às vezes, eles suplicam para não serem expulsos, querendo provocar pena com relação àquilo que acontecerá com eles. É óbvio que os demônios ficam atormentados ao ouvirem do sangue de Jesus e do destino eterno que têm à frente. Os demônios demonstram medo de seus superiores no exército satânico. Sua conversa tem a finalidade de criar medo no ministro de libertação. Por exemplo, um demônio poderia dizer: “Sei algo sobre você. Você quer que eu conte tudo aqui na frente dos outros?” Mas isto são somente acusações e ameaças.

De modo geral, a conversa dos demônios é uma tática para impedir a libertação ou de adiá-la tanto quanto possível. Quando os demônios são expulsos, normalmente saem pela boca ou pelo nariz. Os espíritos estão associados à respiração. Os hebreus tanto como os gregos tinham somente uma palavra para “espírito” e “respiração”.

A palavra grega é pneuma. O Espírito Santo também está associado com a respiração. Após a ressurreição, Jesus apareceu aos discípulos e “soprou sobre eles, e disse-lhes: Recebei o Espírito (pneuma) Santo” (João 20:22). Muitos hinários evangélicos contêm hinos com este tema.

Quando os espíritos maus saem, normalmente, esperamos uma manifestação qualquer pela boca ou pelo nariz. Sem dúvida, a manifestação mais comum é tossir. A tosse pode ser seca, mas em geral é acompanhada de catarro. O catarro pode ser em grande quantidade.

Material semelhante pode aparecer na forma de vômito, baba, cuspe ou espuma. As pessoas que recebem esse ministério de libertação logo depois de uma refeição, ainda que grande, vomitam grande quantidade de muco, sem qualquer traço de comida. E raro termos visto comida vomitada do estômago. De vez em quando uma pequena quantidade de sangue aparece. Não é fora do comum que este material saia de uma pessoa durante uma hora ou mais.

Outras manifestações pela boca incluem: choro, grito, suspiro, arroto e bocejo. O ar talvez sairá pelo nariz ou a pessoa assoará o nariz continuamente, como se tivesse sinusite. Estas manifestações podem variar em sua intensidade – podem ser muito calmas ou até muito dramáticas. O grau de manifestação não indica a eficácia de uma libertação. As pessoas cujos demônios saem por bocejo ou suspiro são também libertas tanto quanto as que são libertas com manifestações violentas.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

QUANDO O CIÚME É DEMAIS

Comportamentos compulsivos, como verificar registro de ligações no celular, são sustentados pela ilusão de que é possível controlar o que o parceiro faz ou sente

Há mais de 400 anos, William Shakespeare tratou da “doença da suspeita” em uma de suas obras mais populares: Otelo, o mouro de Veneza. A desconfiança de que a mulher mantinha relacionamento com um rapaz mais jovem – despertada e alimentada por insinuações de um subordinado, Iago – levou-o a buscar e a acreditar ter encontrado provas da traição em fatos triviais. O escritor referia-se ao ciúme como “o monstro de olhos verdes”, uma metáfora sobre a cegueira induzida pelo sentimento que faz entrever como provável ou certo o que apenas é possível de acontecer. 

No relacionamento amoroso, no entanto, é natural sentir ansiedade ao perceber que algo ou alguém pode reduzir o espaço afetivo que ocupamos na vida do parceiro. “O ciúme normal é transitório e se baseia em ameaças e fatos reais. Ele não limita as atividades – nem interfere nelas – de quem sente ou é alvo de ciúme e tende a desaparecer diante das evidências”, define a psicóloga Andrea Lorena, pesquisadora de ciúme excessivo do Laboratório Integrado dos Transtornos do Impulso (PRO-AMITI) do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP). O ciúme extrapola as fronteiras do saudável quando se torna uma preocupação constante e geralmente infundada, associada a comportamentos inaceitáveis ou extravagantes, motivados pela ansiedade de tirar a limpo a infidelidade do parceiro. “No ciúme excessivo, o medo de perder a pessoa amada vem acompanhado de emoções específicas – raiva, medo, tristeza, ansiedade – e pensamentos irracionais. ‘Será que ele/ela está me traindo?’ é um pensamento frequente. Quase sempre há prejuízos para quem sente, para quem é alvo e para o relacionamento”, diz Andrea. 

Não raro os pensamentos irracionais se traduzem em comportamentos compulsivos, sustentados pela ilusão de que é possível controlar o que o parceiro faz ou sente, como verificar agendas, registro de ligações no celular, seguir o parceiro, conseguir senha de acesso ao e-mail, checar faturas de cartão de crédito e fazer visitas-surpresa para confirmar suspeitas. Muitas vezes as preocupações são acompanhadas por sintomas físicos, como sudorese, taquicardia, alterações no apetite e insônia. De acordo com Andrea, uma das características mais comuns da pessoa excessivamente ciumenta é a baixa autoestima. “Isto é, ela não acredita que tem valor e merece respeito. A priori, é alguém ‘traível’ e abandonável, pois na verdade acredita que a honestidade e a reciprocidade nas relações não valem a pena. É um sentimento com origem na infância e na relação com os pais, em que provavelmente a pessoa foi negligenciada e desrespeitada. Somam-se ainda fatores como insegurança, medo, instabilidade e a própria desorganização pessoal”, diz a psicóloga. 

No Brasil, o PRO-AMITI e a Santa Casa do Rio de Janeiro oferecem tratamento gratuito para ciúme excessivo. A abordagem combina atendimento psicológico, em grupo ou individual, e psiquiátrico. É comum a comorbidade com transtornos de depressão e ansiedade que, se diagnosticados, são tratados com medicamentos. “O processo psicoterápico trabalha a melhora da autoestima e a segurança com o próprio relacionamento. Com o tempo, o paciente percebe que comportamentos como investigar o que o parceiro faz na rede ou vasculhar seus pertences são desnecessários”, diz Andrea. 

O ciúme excessivo é um traço frequente de outro quadro: o amor patológico (AP), com características semelhantes à dependência química. Ele ocorre quando o comportamento saudável de atenção e cuidado para com o parceiro, característico do amor, começa a ocorrer de maneira repetitiva e frequente. A pessoa se ocupa do outro mais do que gostaria e abandona interesses e atividades que antes valorizava. Segundo a psicóloga Eglacy Sophia, também do PRO-AMITI, ciúme excessivo e amor patológico compreendem medo intenso da perda, baixa autoestima e insegurança emocional. “Muitas vezes os questionamentos sobre a fidelidade do parceiro são calcados em motivos plausíveis. Em geral, uma entrevista cuidadosa com o paciente revela dados sobre o comportamento do parceiro que poderiam causar ciúme em qualquer pessoa, como telefonemas secretos, distanciamento afetivo e físico frequente e confirmação de traições passadas”, diz a psicóloga.

Apesar de existirem poucos estudos relacionando o ciúme patológico com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), os pensamentos do ciumento costumam ser similares aos das pessoas que têm o distúrbio: são intrusivos, desagradáveis e incitam atitudes de verificação. “Pacientes que reconhecem seus comportamentos como inadequados ou injustificados apresentam mais sentimentos de culpa e depressão; os demais demonstram raiva e condutas impulsivas mais pronunciadas”, diz Eglacy

OUTROS OLHARES

A ESCOLA É POP

Depois do cinema, chegou a vez de as séries de TV entrarem nas salas de aula. É um magnífico atalho para ampliar a relevância do ensino em qualquer sociedade

Quando o enérgico professor John Keating se postou em cima de uma carteira na conservadora Academia Welton e instou uma classe desinteressada a responder à questão que não quer calar – “O que eu, mestre, estou fazendo aqui?” -, a dramaturgia abraçou de modo certeiro a educação. Em 1989, o tocante Sociedade dos Poetas Mortos, estrelado por Robin Williams, levou um punhado de prêmios, entre os quais o Oscar de melhor roteiro. Houve outros antes dele, como o delicado Ao Mestre com Carinho, que faturou a estatueta de melhor filme em 1967 com um brilhante Sidney Poitier chacoalhando uma turma sem rumo. Agora, é chegada a vez de as séries de TV mostrarem os labirintos escolares à sua maneira. E elas estão registrando elevada audiência mundo afora. Em outubro, o Brasil adentra esse universo com Segunda Chamada, da Globo, a estreia do país nessas produções que dão às complexidades do ensino o papel principal.

A nova série sorve inspiração das muito bem-sucedidas Rita, a trama dinamarquesa em torno de uma professora desbocada que escandaliza pais e conquista alunos, e Merlí, que em suas três temporadas mostrou como um mestre disposto a fazer tremer velhos pilares escolares sacode também a vida dos estudantes. Ambas se encontram na Netflix – Merlí, aliás, era originalmente exibida na catalã TV3, depois foi catapultada para a plataforma de alcance planetário e virou fenômeno. “Meu desafio era tratar de jovens e filosofia na escola, um coquetel explosivo que nem a TV nem as grandes plataformas haviam comprado”, conta o diretor Hector Lozano, criador de Merlí, que pode, sim, pecar por certos estereótipos, mas certamente tornou a sala de aula um local ao mesmo tempo divertido e dramático.

Em Segunda Chamada, o alvo é o ensino de jovens e adultos que vão sendo defenestrados dos estudos pela combinação de falta de incentivo com falta de oportunidades. No horário pós-novela das 9, estarão carteira com carteira uma ex- presidiária, o irmão de um chefe do tráfico, uma senhora de 70 anos – todos pilotados por um quadro de professores de colégio público que tem como destaque a personagem vivida por Debora Bloch. O interesse da Globo por uma série sobre educação na novela Malhação ela é apenas cenário – vem na esteira dos sucessos de fora. “Escolhemos mirar essas pessoas que são dadas como casos perdidos justamente porque elas quase nunca têm visibilidade”, diz a roteirista Carla Faour, que escreveu a primeira temporada de dez episódios (a segunda já está nos planos) com Julia Spadaccini, dobradinha reeditada da série Tapas e Beijos.

Em outros tempos, dificilmente se ousaria apostar em enredo tão árido (até mesmo para os círculos da educação), mas o mercado vem detectando uma crescente curiosidade pelas coisas da escola, sintoma deste século XXI, que demanda cada vez mais habilidades e aprendizado. Um motor decisivo para libertar o ensino dos escaninhos dos especialistas e trazê-lo a mesas mais amplas são as redes sociais, que conectam o tempo todo, pais, alunos e escolas. Isso tudo faz o tema circular livremente pela vida cotidiana e interessar ao universo pop. “Tirando a filmografia francesa, o ensino nunca foi tratado na indústria do entretenimento com o afinco de hoje”, ressalta Lozano, de Merlí. Uma contribuição vinda da França é o genial Entre os Muros da Escola, de 2008, que inclusive inspirou a dupla brasileira. “Mantemos uma constante conversa para entender o que as pessoas estão falando, ouvindo, buscando. E educação é uma delas”, diz Silvio de Abreu, diretor de dramaturgia da Globo. Que a maratona à frente da TV sirva também de estímulo para a corrida pelo saber sem o qual qualquer democracia corre sérios riscos.

GESTÃO E CARREIRA

QUANDO A BAGUNÇA VIRA PROBLEMA

Embora comum, pesquisas apontam que a desorganização prejudica a produtividade, aumenta o estresse e pode comprometer o desenvolvimento profissional

Responda rapidamente: sua mesa de trabalho é cheia de papéis espalhados, embalagens vazias e itens de escritório fora do lugar? Trabalhar em um local caótico pode parecer inofensivo, afinal, fácil encontrar outras pessoas com mesas mais caóticas do que a sua.  Porém, de acordo com especialistas, a desordem pode comprometer não apenas a saúde, mas também a produtividade e até a carreira. Um dos principais problemas de uma estação de trabalho desordenada é que, muitas vezes, ela dificulta a identificação de objetos. Consequentemente, o funcionário perde tempo e energia atrás de documentos físicos e digitais, além de outros itens de trabalho, afetando as entregas e o humor. E esse tempo, aparentemente irrelevante, no longo prazo pode se mostrar bem representativo. De acordo com um estudo realizado pelo aplicativo de localização Pixie, por exemplo, os americanos gastam, em média, 2,5 dias por ano apenas procurando objetos perdidos no trabalho. Não raramente, algumas histórias terminam mal, com documentos importantes perdidos para sempre e a reputação profissional arranhada. Foi o que aconteceu com o vice-presidente da fabricante de colchões Sono Quality, Luciano Brasil, de 37 anos. Em 2013, quando era supervisor da operação de telemarketing da companhia, ele perdeu um documento importante que estava em um pen-drive. “Minha mesa tinha muitas coisas espalhadas, era papel para todo lado e diversos pen drives”, conta Luciano. O arquivo desaparecido, que não possuía uma cópia de segurança, continha a primeira etapa de um plano da empresa para aumentar o número de visitas a clientes. Sem achar o original de jeito nenhum, Luciano teve de recomeçar o planejamento do zero, provocando um atraso de 30 dias na implantação do projeto. Além de perder a credibilidade, a liderança da iniciativa foi parar nas mãos de outro colega, e o executivo ficou na geladeira por alguns meses. “Naquele momento comecei a enxergar que o fator ‘organização’ estava me prejudicando muito”, afirma.

E aquela não era a primeira vez que a bagunça criava um problema para Luciano. Em 2009, por exemplo, ele assinou, sem ler, uma papelada da imobiliária a respeito do imóvel ocupado pela empresa. O documento em questão definia que o prédio teria de ser desocupado em um mês. “O papel estava no meio de outros documentos sobre reformas que estávamos fazendo na propriedade, e eu acabei assinando sem querer”, diz. A companhia precisou se mudar às pressas por causa do deslize. Para superar os problemas causados por esse comportamento, Luciano fez um curso de liderança que continha ensinamentos sobre organização. Além disso, passou a observar atentamente os colegas que eram mais disciplinados do que ele, como o atual presidente da Sono Quality. Com isso, aprendeu a colocar a agenda no Outlook, eliminou os papéis de sua mesa e começou a sistematizar os arquivos importantes no computador. “Anotações só faço no celular ou em um caderno que tenho específico para isso”. Hoje, ele afirma que não comete mais os erros primários de desorganização nem perde itens importantes. “Quando você deixa escapar uma oportunidade, acaba aprendendo”, conta.

O CUSTO DA DESORDEM

Histórias como a de Luciano são comuns. E, não bastasse o desperdício de tempo, a desorganização também pode prejudicar nossa saúde. Uma pesquisa da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, descobriu que, quando estamos em um espaço confuso, nossos índices de cortisol aumentam e, consequentemente, níveis de estresse também. A desordem sobrecarrega os sentidos levando à distração e à incapacidade de concentração. “A bagunça física pode se transformar em bagunça mental, pois gera confusão e dúvidas. Depois evolui para bagunça temporal, quando começamos a perder a noção de tempo e prazos. Por fim ela se torna bagunça emocional, que gera estresse, preocupação e afeta nossa saúde”, explica, José Luiz Cunha, fundador da OZ!, empresa especializada em organização. Segundo ele, algumas pessoas pensam que conseguem se dar bem em ambientes caóticos ou que a desordem é um sinal de criatividade. “Na realidade, é grande a possibilidade de que colegas, gerentes ou clientes não pensem da mesma maneira”, diz.

Além ele comprometer a produtividade, a desordem pode prejudicar desenvolvimento da carreira. Isso porque a falta de organização envia uma mensagem negativa a líderes e colegas. “O profissional passa a impressão de que não vai exercer o trabalho com qualidade, perder prazos, documentos e, principalmente, não dará o melhor de si mesmo” afirma Beth Mariano, sócia da Prosphera Educação Corporativa consultoria especializada em gestão de negócios. Na prática, trabalhadores associados ao desleixo podem não ser escolhidos para gerenciar um novo projeto ou perder uma promoção. Um estudo da consultoria Rober Half com mais de 300 profissionais de recursos humanos nos Estado Unidos mostrou que 32% deles questionam as habilidades de uma pessoa desorganizada no trabalho. “Que tem um espaço mal arrumado está comunicando que não possui capacidade de autogestão. E quem não sabe gerir a si mesmo também não sabe administrar outras coisas”, diz Maria Aparecida Araújo, presidente da consultoria Etiqueta Empresarial.

Se o dano à imagem é significativo para quem ocupa uma estação de trabalho fixa, os prejuízos podem ser ainda mais graves para os que trabalham em escritórios abertos ou sem mesas definidas. Por se trata de locais compartilhados, os indivíduos devem redobrar a atenção “O desrespeito aos espaços coletivos poderá tornar o profissional um persona non grata naquele ambiente”, afirma a gerente de operações da consultoria LHH, Patrícia Paniquar

ELIMINANDO O PROBLEMA

De acordo com especialistas, o ideal é ter uma mesa de trabalho minimalista, apenas com os itens essenciais usados no dia a dia. Para Beth, da Prosphera, os objetos de uso frequente devem ficar por perto enquanto os menos utilizados precisam ser arquivados. Outro segredo é colocar cada coisa em um lugar específico, como gavetas, prateleiras e porta-objetos. Uma solução para quem trabalha em espaços rotativos é montar um estojo com todo material necessário para facilitar o transporte. E, para os que recebem um volume grande de papéis diariamente, uma caixa de entrada onde são colocados os documentos relatórios e o material recebido é uma ferramenta útil. Ao longo dia, basta verificar cada item e decidir o que será arquivado, deixar para depois, os descartados ou a enviar a outras pessoas ou clientes.

Mas, para ter um espaço arrumado, não basta ajeitar os itens uma vez só. É preciso fazer a manutenção diária para tudo permanecer em ordem. “Os profissionais podem reservar os últimos 10 minutos expediente para essa conservação. Esse é o momento para colocar cada coisa em seu lugar, jogar o lixo fora e escrever a lista dos próximos compromissos. Desse modo, o escritório vai parecer um lugar mais produtivo e acolhedor todas as manhãs”, explica José Luiz, fundador da OZ!

Ter objetos de decoração ou valor sentimental sobre a mesa também é permitido, desde que com moderação. Colocar muitos bibelôs, brinquedos e outros itens na estação de trabalho pode pegar mal, segundo Maria Aparecida, da Etiqueta Empresarial. “É interessante ser discreto e evitar excessos”, orienta. Manter a foto dos filhos e usar notas adesivas para se organizar, no entanto, é bem-vindo, conforme mostrou um levantamento feito pela Lucidchart, plataforma de gerenciamento de projetos. De acordo com o estudo, que entrevistou mais de 1.000 funcionários nos Estados Unidos, 78% dos profissionais produtivos usam post-its e 33% possuem um retrato dos filhos na estação de trabalho. Enquanto isso, entre aqueles com menor produtividade, esses números caem para 67% e 24%, respectivamente. Independentemente do tamanho da pilha de papéis que esteja sobre sua mesa ou do que você optará por manter ou jogar fora, uma coisa é certa: quanto antes começar a faxina, melhor será para você – e para sua carreira.

TUDO EM SEU LUGAR

Cinco dicas de como manter seu espaço organizado

1. PROGRAME-SE PARA LIMPEZAS PESADAS

Além da manutenção diária, é recomendável reservar um tempo maior, pelo menos duas vezes ao ano, para percorrer arquivos e objetos antigos que não tenham mais serventia e possam ser jogados fora.

2. MENOS PAPEL

A utilização e, consequentemente, o arquivamento de itens físicos deve ser apenas em último caso. “hoje em dia, excesso de papel não é bem-vindo. Substitua a agenda por um bloco de notas eletrônico”, diz Patrícia Paniquar, da LHH. Quando for indispensável imprimir documentos, o ideal é sistematizá-los em pastas com etiquetas removíveis.

3.  O QUE OS OLHOS NÃO VEEM NÃO SE TORNA BAGUNÇA

Quem tiver a opção de usar armários dentro do escritório poderá aproveitar esses espaços para deixar a mesa de trabalho mais livre.

4. LIXO, NEM DIGITAL

Organizar os documentos on-line também é importante. deixe os arquivos do computador e a caixa de entrada de e-mails sistematizados em pastas separadas por assunto, projeto ou cliente. Também programe uma limpeza periódica e reveja o que pode ir para a lixeira do computador.

5. NÃO PARE NO MEIO DO CAMINHO

Ao receber ou analisar um documento, já decida o que fazer com ele. Deixa-lo descansando sobre a mesa para ser visto depois é quase sinônimo de acúmulo desnecessário.

VOCÊ É BAGUNCEIRO?

Seis sintomas de que sua desordem já passou dos limites

***Não há espaço em sua estação de trabalho para colocar mais nada

***As pessoas evitam deixar documentos em sua mesa com medo de que você não os veja

***Existem pastas ou papéis no mesmo lugar há semanas e suas gavetas estão cheias

***Você costuma se atrasar para reuniões pré-agendadas porque anotou o horário em papéis aleatórios

***Seus documentos se perdem com frequência

***Quando solicitam informações sobre algo, você tem dificuldade de localizá-las de forma ágil

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

AI QUE GAFE!

A maioria das pessoas já pensou alguma vez: “teria sido melhor eu ter ficado calado”, mas quando o autocontrole falha, o melhor é não se aborrecer, pois quanto maior a tensão e o empenho para se comportar “bem”, mais aumenta o risco de dizer algo que cause constrangimentos

É como se, de repente, as palavras saltassem à nossa frente e, quando nos damos conta, já dissemos aquilo de que, no segundo seguinte, nos arrependemos. É o lapso, o “fora”, a palavra que deveria ser evitada, mas parece escapar – uma situação em geral constrangedora, da qual ninguém está livre. No palco, a gafe, uma instância da comédia burguesa, faz a plateia rir. Contudo, na vida cotidiana esse tipo de erro costuma ser muito constrangedor. Segundo o psicólogo social Daniel Wegner, da Universidade Harvard, em Cambridge, que estuda esses casos há mais de 20 anos, aqueles que têm tendência a depressão, ansiedade ou timidez (e costumam ficar constrangidos e desconfortáveis quando em grupo) são os que levam mais a sério esses lapsos – e mais sofrem som eles.

Sigmund Freud já havia descrito este fenômeno, que ele nomeou genville (que se refere a uma ação executada contra a própria vontade) em 1895 em um de seus estudos sobre histeria. O criador da psicanálise percebeu que grande parte de suas pacientes que tinham medo de fazer observações sem propósito ficavam particularmente incomodadas quando isso, eventualmente, ocorria. Entre as recatadas mulheres do início do século 20, um deslize era visto, principalmente por elas mesmas, como algo grave, que assumia sérias proporções em seu psiquismo. E, curiosamente, quanto mais tinham medo de cometer uma gafe, mais isso acontecia.

Em uma experiência clássica em psicologia, Wegner pediu aos participantes de um estudo para não pensarem em um urso branco durante cinco minutos – e falar sobre aquilo que eles quisessem. Caso eles pensassem assim mesmo no animal, deviam tocar um sininho cada vez que isso acontecesse. Os resultados mostraram que os voluntários tinham disparado as campainhas em média 6 vezes e alguns chegaram a tocar 15 vezes! Após os experimentos, todos admitiram que ficaram então muito frustrados (e surpresos) por perderem o controle de seus pensamentos.

Para o psicólogo, mesmo que às vezes lamentáveis, essas situações representam um efeito secundário e quase que inevitável de nosso controle mental: é o que se chama de metacognição (do grego meta: mais longe, além, e do latim cognitivo: conhecer). Dois mecanismos que geralmente agem em sinergia às vezes entram em descompasso: em condições normais, uma espécie de censor interno sinaliza o aparecimento de pensamentos inapropriados (porque eles são inadequados ao contexto ou porque nós estamos ocupados com outra tarefa e naquele momento é melhor deixá-los de lado). Assim que o censor emite um alarme, um segundo processo é disparado – o suprimento do pensamento indesejável. Segundo essa teoria, o controle mental evita a revelação de pensamentos indesejáveis, monitorando a atenção e fazendo com que tentemos de forma consciente nos concentrar em outra coisa.


Esse mecanismo costuma funcionar muito bem, mas quando estamos estressados ou quando devemos realizar duas tarefas complexas ao mesmo tempo, ele pode falhar. Esses “erros irônicos” se produzem assim que os conteúdos reprimidos fogem do nosso controle. Mesmo que o recalque e a repressão sejam estratégias eficazes, frequentemente usadas, podem causar os lapsos, pois exigem muita atenção e investimento de recursos cognitivos.

MAIS DIFÍCIL

Segundo D. Wegner, os erros irônicos não se produzem somente durante a comunicação verbal, mas também no controle do movimento. Ele demonstrou esse processo em um trabalho desenvolvido em conjunto com seus colegas Matthew Ansfield e Daniel Pillof. Participantes do estudo foram divididos em duas equipes: os integrantes do primeiro grupo deviam impor determinada direção a um objeto. Os movimentos para outra direção eram estritamente proibidos. Simultaneamente, os voluntários que faziam parte do segundo grupo deviam fazer o mesmo, porém com o acréscimo da tarefa de contar de forma decrescente de três em três a partir do número 1000 (997, 994, 991 e assim por diante). Os cientistas perceberam que esses últimos levavam o objeto para a direção proibida muito mais frequentemente que as pessoas do primeiro grupo, cujas fontes cognitivas não estavam sendo utilizadas para uma segunda tarefa.

Os erros irônicos seriam cometidos também no esporte, pois a preocupação com o controle dos conteúdos cognitivos parece fazer diminuir a performance, segundo constatou a psicóloga Sian Beilock, da Universidade do Estado de Michigan. Pesquisadores de um grupo coordenado por ela observaram 126 iniciantes no golfe que tentavam lançar a bola em buraco muito próximo. Alguns participantes eram proibidos de pensar no lance antes de executá-lo, outros podiam fazê-lo. Os resultados mostram que a performance dos sujeitos impedidos de imaginar a ação foi em geral pior. O prejuízo no desempenho não pôde ser compensado com a experiência seguinte, quando os jogadores tiveram a autorização de imaginar o lance com antecedência.

Para entender melhor como a censura mental fracassa, tomando por base a cognição, D. Wegner e seus colegas solicitaram a voluntários que falassem durante três minutos, sem restrições, sobre qualquer tema que lhes viesse à cabeça. Em seguida, os participantes deveriam se concentrar em pensamentos ligados ao sexo e depois, novamente, reprimi-los. Enquanto isso, os psicólogos monitoravam as batidas cardíacas, sudorese e variações de temperatura por meio de eletrodos fixados na ponta dos dedos, para avaliar o estado emotivo dos participantes. A atividade fisiológica aumentava muito quando eles deviam evitar pensar em sexo.

As pessoas mais emotivas parecem ser as que pior suportam cometer gafe. Este temor explica em parte por que os fóbicos sociais se isolam. Para estas pessoas, possíveis erros tornam-se uma ameaça constante. Aquele que busca se liberar de problemas emocionais recalcando pensamentos negativos entra frequentemente em um círculo vicioso: tenta lutar contra os pensamentos negativos, mas por meio de um mecanismo parecido com aquele do urso branco acaba por se concentrar naquilo que gostaria de expulsar.

CONFLITOS INCONSCIENTES

Entre os precursores das pesquisas sobre lapsos de linguagem estão o filólogo Rudolf Meringer e o psiquiatra Karl Meyer. Eles publicaram juntos, em 1895, Erros na fala e na leitura: um estudo psicológico, no qual destacam cerca de 8.800 erros verbais de escrita e leitura. O principal objetivo era elaborar classificações, mas os autores também tentaram determinar mecanismos psíquicos associados ao fenômeno, particularmente aos sons, pois levaram em conta a conotação psicológica dos fonemas.

Quem inegavelmente abordou o lapso com mais profundidade, porém, foi Sigmund Freud, no texto Psicopatologia da vida cotidiana, de 1901. Ele não poupou críticas à abordagem de Meringer e Mayer e propôs que essa manifestação seria a confissão involuntária de um conflito interior, escondido da consciência. Para Freud, é a dimensão involuntária que dá valor particular ao lapso: “No procedimento psicoterapêutico que utilizo para resolver e eliminar os sintomas neuróticos apresenta-se com frequência a tarefa de encontrar um conteúdo mental nos discursos e nas ideias aparentemente casuais do paciente. Esse conteúdo tenta ocultar-se, mas não consegue evitar trair-se inadvertidamente de diversas maneiras. É para isso que, frequentemente, servem os lapsos. Por exemplo, falando da tia, um paciente insiste em chamá-la de ‘minha mãe’ sem perceber seu erro, ou, ainda, uma senhora que fala do marido como se fosse o ‘irmão’. Para esses pacientes, tia e mãe, marido e irmão são, portanto, ‘identificados’, ligados por uma associação pela qual se evocam mutuamente”. 

EVITAR A EVITAÇÃO

Como se proteger de tal fenômeno? O psicólogo Steven Hayes, da Universidade de Nevada no Reno, faz uma recomendação simples: aprender a aceitar os pensamentos desagradáveis. Ele sugere também evitar a evitação, a esquiva, ou seja, evitar o evitar. Wegner propõe – nos casos mais graves, nos quais a pessoa se sente atormentada por pensamentos intrusivos – a análise diária das próprias preocupações, incluindo tudo aquilo que causa inquietação e se gostaria de reprimir. Ele salienta, porém, que esta orientação vale somente para aqueles que se sentem capazes de lidar com suas angústias. Este método não convém aos pacientes gravemente afetados, que devem buscar ajuda de um médico ou psicoterapeuta.

O pesquisador James Pennebaker, da Universidade do Texas em Austin, analisou numerosos estudos e com base neles concluiu que uma confrontação ativa com os pensamentos reprimidos costuma ter efeitos positivos na vida cotidiana e na saúde tanto física quanto psíquica. Ele assinala as vantagens para algumas pessoas de registrar por escrito seus tabus pessoais, aquilo que teme ou lhe causa vergonha. Segundo o especialista, tal exercício teria outra consequência, que requer mais pesquisa: reforçar o sistema imunológico, já que assim haveria menos estresse, e parte da energia psíquica despendida na repressão de certos conteúdos poderia ser empregada de maneira mais saudável.

Antes de fazer anotações sobre os temas que nos constrangem, no entanto, é preciso, primeiro, tomar consciência deles para depois analisar esses temas intrusivos. Wegner propõe também encontrar distrações que não aumentem o estresse. Segundo ele, tudo que nos interessa e não cria uma sobrecarga emocional representa uma boa ocasião de se liberar do temor de cometer gafes. Para algumas pessoas, mais rígidas consigo mesmas, pode ser muito tranquilizador tomar consciência de que esse tipo de incidente é simplesmente normal. E se parece difícil conscientizar-se disso sozinho, talvez seja hora de buscar ajuda de um psicólogo. Afinal, se aquilo que seria apenas motivo de um leve mal-estar e uma boa gargalhada após algum tempo se torna razão para se atormentar, parece hora de empenhar-se para tornar a vida um pouco mais leve.

OUTROS OLHARES

PADRÃO INTERNACIONAL

Fabricantes brasileiros de gim fazem boas versões do destilado utilizando ingredientes como folha de cana-de-açúcar, mexerica e pimenta-rosa

O gim nasceu na Holanda em meados do século XIV como uma opção de tratamento renal. Acreditava-se que um de seus principais componentes, o zimbro, poderia trazer benefícios à saúde. Mas o efeito nos tratamentos não foi o                desejado e, tempos depois, o remédio virou bebida quando os ingleses aperfeiçoaram a fórmula, dando origem a um destilado de sucesso e alto teor alcoólico (entre 38% e 50%). Passadas várias décadas de um relativo ostracismo, o gim voltou à moda no mundo e no Brasil. Desde então, as vendas têm crescido de forma impressionante. Segundo o levantamento mais recente disponível, foi consumido por aqui 1,8 milhão de litros da bebida em 2017, 66% a mais que o total registrado em 2016.

A sede pelo produto incentivou o surgimento de ótimos rótulos feitos de forma artesanal no país. De 20I6 para cá, mais de vinte variações brasileiras de gim trouxeram à fórmula ingredientes como cana-de-açúcar e pimenta, com preços que variam de 75 a 157 reais. A tropicalização da receita britânica acrescentou novos sabores a drinques clássicos como o dry martini e inspirou uma série de coquetéis nas cartas de bares da moda de capitais como São Paulo e Rio de Janeiro. “Os nacionais não devem, hoje, nada em qualidade aos importados”, garante Wagner França, bartender do Holy Burger, uma das melhores lanchonetes da capital paulista.

Um dos pioneiros do mercado, o Virga, surgido em Pirassununga, no interior de São Paulo, destila o produto em alambiques de cobre e usa na receita itens como o pacová, uma planta muito comam na Mata Atlântica. “Queríamos dar esse toque de brasilidade como diferencial do nosso rótulo”, afirma Felipe Jannuzzi, que faz parte do quarteto de empresários responsáveis pelo Virga. A companhia fabrica hoje 30.000 litros, 200% a mais do que em 2016, quando iniciou a operação. Feito pela Weber Haus, localizada em Ivoti, no Rio Grande do Sul, o London Dry Gin WH48 acrescentou à fórmula erva-mate, folha da cana-de-açúcar e gengibre nativo da região.

Algumas dessas marcas começam a ganhar prestigio fora daqui, caso do Amázzoni, do Rio de Janeiro. Com uma composição que leva ingredientes como mexerica, limão e louro, faturou em 2018 o título de melhor produto artesanal do ano do World Gin Awards, em Londres, a mais conceituada premiação mundial da categoria. Apesar da crescente visibilidade, esse grupo de rótulos nacionais representa ainda uma fatia menor do mercado – no ano passado, rendeu cerca de 36 milhões de reais. Mas a evolução do negócio segue em um excepcional ritmo. A previsão é que o volume aumente cerca de 20% em 2019.

Outra curiosidade relacionada ao gim nacional é que parte considerável dos rótulos nasce dentro das destilarias de cachaça, a exemplo do Amázzoni, aproveitando a capacidade ociosa dos alambiques e os bons equipamentos já instalados. “Até os anos 90, a infraestrutura desses lugares dedicados à produção artesanal era bem precária”, lembra Paulo Leite, um dos maiores especialistas do país nesse mercado e consultor de marcas da companhia MuJtifoods. “Os empresários do setor investiram bastante para incrementar suas propriedades”, completa. Dessa forma, o moderno gim nacional nasceu com dois dedos da velha e boa cachaça brasileira.

GESTÃO E CARREIRA

DIVERSIDADE: COMECE POR VOCÊ

Refletir sobre seus privilégios e seu lugar de fala são passos importantes para compreender a diversidade

É comum a conversa sobre diversidade e inclusão nas organizações começar pelos números. Compreensível. De um lado, os dados sobre desigualdade e preconceito no Brasil são alarmantes; de outro, as pesquisas que associam diversidade a melhores resultados para os negócios são mesmo argumentos irresistíveis para avançar com essa agenda no meio empresarial. Números importam, sem dúvida. Mas eu prefiro começar esta discussão pelas pessoas.

Falar de diversidade é falar de gente, de todas e todos nós, e do conjunto de características que nos tornam únicos. Por isso, antes de tratar desse tema sob a perspectiva da gestão, é preciso compreender de que lugar falamos e entender quem somos nós nesse debate. Um bom começo é realizar o exercício de “reflexividade” e de “posicionalidade”.

O primeiro é uma prática de autoconsciência. Pensar em reflexividade envolve, necessariamente, discutir privilégios, aquele conjunto de coisas que a gente pode fazer apenas por ser quem somos – e que o outro, a outra, não pode fazer justamente por ser quem é. Exemplo: casais heterossexuais andam de mãos dadas na rua sem se preocupar em ser agredidos por isso; casais homossexuais, não.

Falar de privilégios não é tratar de culpas. Ninguém pediu para nascer homem, branco, heterossexual, rico ou sem nenhuma deficiência. Mas ocupar esse espaço no mundo traz vantagens e oportunidades que não são distribuídas da mesma maneira para todo mundo. Quando se diz que uma pessoa caucasiana tem privilégios, isso não quer dizer que a vida dela tenha sido fácil, e sim que a raça não a dificultou ainda mais. Privilégio é menos sobre culpa e mais sobre responsabilidades. Se eu cheguei até aqui, coroo posso apoiar aquelas e aqueles que ainda não chegaram?

O exercício de posicionalidade, por sua vez, nos convida a questionar de onde partimos. Ele é importante porque nosso lugar de fala pode nos levar a tomar decisões com base em vieses ou em generalizações indevidas. O lugar de fala é o espaço a partir do qual nos relacionamos com o mundo. O homem tem lugar na discussão sobre gênero nas empresas? Uma resposta possível é: sim, mas um lugar de saída limitado, pois não é ele o alvo principal do machismo. Desse modo, quando essa pauta surgir, o protagonismo é das mulheres, porque elas têm vivência com o tema. Homens aliados, no entanto, podem e devem sempre se manifestar a favor da equidade.

Diversidade não é um assunto de gestão como qualquer outro. É, sim, um tema de negócios, mas que não deve ser encaminhado apenas com planilhas e números. O melhor planejamento e a liderança mais comprometida podem dar poucos resultados se as pessoas envolvidas no processo de inclusão não forem capazes de refletir sobre seus privilégios e preconceitos. Quais são os seus? Pense nisso.

RICARDO SALES – É sócio da consultoria Mais Diversidade, professor na fundação Dom Cabral e pesquisador na universidade de São Paulo

ricardo@maisdiversidade.com.br

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 9 – A CASA VAZIA

O trecho abaixo declara, em linguagem simples, que a volta de um espírito expulso é possível e, além disso, que traz outros espíritos piores junto com ele.

“Quando o espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos procurando repouso, porém não encontra. Por isso, diz: Voltarei para minha casa donde saí. E, tendo voltado, a encontra vazia, varrida e ornamentada. Então, vai e leva consigo outros sete espíritos, piores do que ele, e, entrando, habitam ali; e o último estado daquele homem torna- se pior do que o primeiro. Assim também acontecerá a esta geração perversa.” (Mateus 12:43-45.)

O sentido está bem claro. Se a “casa” continua desocupada, varrida e ornamentada, é um convite aberto para problemas piores. A casa tem de ser ocupada por Deus.

A mesma estratégia de Satanás encontra-se também em Lucas 11:24-26. Vamos examinar os dois casos. Em Lucas, Jesus expulsou um espírito mudo de um homem, e o homem passou a falar. Alguns expressaram a crença que Jesus o fez pelo poder de Belzebu, o chefe dos diabos.

Jesus explicou que, se fosse verdade, o reino de Satanás estaria dividido contra si mesmo e, assim, cairia. E continuou dizendo: “Se, porém, eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós.”

Jesus estava falando com um grupo de judeus que tinham desenvolvido uma religião negativista. Eles tinham tirado muitas coisas da sua vida, mas o que as substituía? Eles estavam rejeitando a religião positiva que Jesus lhes oferecia. Para dar ênfase a esse ponto, Jesus usou uma ilustração que eles pudessem entender. Se eles não colocassem uma coisa positiva em sua vida depois de eliminar tantas negativas, seria como alguém liberto de demônios que não colocasse nada positivo no lugar do negativo. Eles acabariam ficando piores do que estavam antes.

O contexto de Mateus é mais claro ainda. Jesus acabou sendo condenado por ter colhido espigas de milho no sábado; curou o homem de mão ressequida, também no sábado. De novo, os fariseus O acusaram de expulsar os demônios por Belzebu. Jesus mostrou que as palavras deles procediam de um coração mau. Eles já tinham visto bastante para mudarem sua vida, mas eles não tinham mudado nada. Sem mudança, eles se tornariam piores — como um homem purificado de demônios que não encheu sua “casa” com Deus.

Jesus está dizendo que chega uma hora em que devemos colocar coisas positivas em nossa vida. Sempre tem de haver uma igualdade entre os fatores negativos e positivos. Depois que a carne está crucificada e os demônios são expulsos, devemos colocar Jesus em nossa vida, deixar Jesus reinar em nós.

De fato, a razão de se ficar livre dos demônios é para se possuir mais de Jesus!

Com que enchemos a casa? JESUS! Ser cheio de Jesus é ser cheio de PUREZA e PODER. Estas duas palavras caracterizam a pessoa de Jesus. Como veremos, nossa pureza vem através de nossa habitação em Cristo, e o resultado é o FRUTO DO ESPÍRITO: nosso poder vem por meio do batismo no Espírito Santo, e os resultados são os DONS DO ESPÍRITO.

Tem de ser entendido que para encher a casa leva mais do que uma oraçãozinha acrescida no fim do ministério de libertação. Tenho ficado apavorado, mais de uma vez, ao ouvir alguém dizer no fim de uma libertação: “Agora, Senhor, encha todos os lugares vazios. Amém!”. Tenho visto muitas pessoas perderem sua libertação por falta de saberem como encher as casas deles ou com que enchê-las.

Os dons e o fruto do Espírito Santo têm de tomar o lugar de cada demônio expulso? Isto é responsabilidade da pessoa liberta. O ministério de libertação deve enfatizar o fato de que cada pessoa é responsável por sua própria “casa”.

ENCHENDO A “CASA” COM O PODER DO ESPÍRITO SANTO

Uma das últimas coisas que Jesus disse antes de Sua ascensão foi: “… vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (Atos 1:5). Encontramos a promessa cumprida em Atos 2, que relata o Pentecostes:

“Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem.” (Atos 2:4.)

Qual foi o objetivo deste batismo no Espírito Santo? Jesus explicou que seria um revestimento com poder. (Veja Atos 1:8.) Depois que o batismo veio em Pentecostes, como foi manifestado o poder?

Isto é um assunto muito interessante, que não podemos pesquisar completamente aqui, mas pode ser observado que o poder do Espírito Santo operando por meio dos discípulos foi manifestado através dos nove dons sobrenaturais do Espírito. Estes dons são enumerados em 1 Coríntios 12:7-11:

(1) a palavra de sabedoria;

(2) a palavra de conhecimento;

(3) fé;

(4) dons de curar;

(5) operações de milagres;

(6) profecia;

(7) discernimento de espíritos;

(8) variedade de línguas;

(9) interpretação das línguas.

O livro de Atos inteiro demonstra como o poder do Espírito Santo operou por meio destes dons! Através de Pedro e João um dom de cura foi ministrado a um coxo (cap. 3); palavras de sabedoria e de conhecimento vieram a Ananias para ministrar a Saulo-(cap. 9); pelo discernimento do espírito Paulo expulsou o demônio de adivinhação numa jovem (cap. 16); Pedro falou a palavra de fé a Ananias e Safira, e eles caíram mortos (cap. 5); por meio de Pedro, um milagre de ressurreição trouxe Dorcas de volta à vida (cap. 9); enquanto Pedro pregava na casa de Cornélio, houve línguas e a interpretação delas (cap. 10); por meio de um discípulo chama Agabo, a igreja foi abençoada por profecia (cap. 11).

Os demônios detestam estes dons do Espírito Santo e fazem os homens também detestá-los. Por quê? Porque a operação destes dons de poder sobrenatural derruba a obra de Satanás. A presença dos demônios e seus truques são expostos pelo discernimento dos espíritos e pela palavra de conhecimento. O mal que os demônios fazem é desfeito pela palavra de sabedoria, pela fé, pelos dons de curar e pelos milagres. Seus planos para acabarem com a pessoa são desviados por uma palavra de profecia ou por línguas com interpretação. Por isso, os demônios opõem-se aos dons!

Estes nove dons também são dados à Igreja para sua edificação. Satanás é o inimigo da Igreja e faz tudo para acabar com o que foi estruturado para edificar o Corpo. Ele ataca os dons, especialmente o de línguas, que tem um objetivo especial na edificação do crente; (Veja 1 Coríntios 14:4.)

Se, por acaso, a pessoa liberta não foi batizada no Espírito Santo, ela deve ser encorajada a recebê-Lo e a desejar os dons espirituais. Temos visto muitas pessoas receberem o batismo no Espírito Santo como um clímax de sua libertação. O poder do Espírito Santo é de grande importância para conservar a libertação.

Os já batizados no Espírito Santo devem ser encorajados a “procurar, com zelo, os melhores dons” (1 Coríntios 12:31), e o dom melhor é aquele que ministrará às necessidades dos outros em determinadas situações. É bem comum as barreiras aos dons serem derrubadas por meio da libertação. Há demônios especializados que procuram impedir a operação dos dons espirituais. Depois da libertação, a “casa” deve ser cheia com o poder do Espírito Santo.

ENCHENDO A “CASA” COM O FRUTO DO ESPÍRITO

O fruto do Espírito está enumerado em Gálatas 5:22, 23:

(1) amor;

(2) alegria;

(3) paz;

(4) longanimidade;

(5) benignidade;

(6) bondade;

(7) fidelidade;

(8) mansidão;

(9) domínio próprio.

Os nove frutos representam a verdadeira natureza de Jesus. Quando o fruto do Espírito Santo é produzido na vida do cristão, ele se torna identificado com Jesus em seu caráter. Os demônios são exatamente o contrário do caráter de Jesus. Eles entram na pessoa para projetar no mundo seu próprio mau caráter através dessa pessoa.

Então, o que desejamos com a libertação é expulsar os demônios, juntamente com sua influência, para depois substituí-los por Jesus e o fruto do Espírito. Se alguém entende mal e não faz disso um alvo definitivo, quaisquer benefícios alcançados pela libertação, aos poucos, estarão perdidos.

Então, para alcançar os benefícios permanentes da libertação, a “casa” tem de ficar cheia do Espírito Santo e assim ser deixada para sempre. Senão, os espíritos imundos voltarão e talvez mais poderosos ainda.

Antes de continuar, temos de esclarecer bem como o fruto do Espírito é produzido. Encontramos a resposta na parábola da videira e dos ramos:

“Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim.” (João 15:4.)

NOTA: O fruto não é produzido por ação independente nem por esforço próprio. O fruto aparece tão-somente se permanecermos na videira! Então, a palavra-chave é “permanecer”. O permanecer na Videira significa ficar ligado a Jesus de modo que a vida de Cristo fluirá no ramo e resultará no fruto. Como é que alguém permanece? Veja a resposta como está no versículo 10: “Se guardardes meus mandamentos, permanecereis..”.

Permanecer é sinônimo de guardar os mandamentos do Senhor. E o que é que teremos por esta obediência em permanecer? Leia mais:

“Meu AMOR… meu GOZO” – o primeiro fruto do Espírito Santo.

Ao obedecer, temos comunhão com o Senhor e obtemos Seu amor, Seu gozo e Sua paz. Ao desobedecer, nossa comunhão com Deus é quebrada e Satanás consegue uma entrada. Aprendamos do exemplo de Jesus. O que era que Jesus estava falando no contexto bem antes da parábola da videira e dos ramos?

“… aí vem o príncipe do mundo; E ELE NADA TEM EM MIM… E QUE FAÇO COMO O PAI ME ORDENOU.” (João 14:30,31.)

Aqui Jesus explicou que o diabo não tinha nada com Ele, pois Ele foi completamente obediente ao Pai. Ele nunca pronunciou palavra nenhuma nem agiu senão por ordem do Pai. Por isso, Jesus pôde dizer:

“Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; assim como também eu tenho guardado os mandamentos do meu Pai e no seu amor permaneço.” (João 15:10.)

O FRUTO CHAMADO AMOR

O Sr. A. tinha sofrido um esgotamento nervoso uns doze anos atrás. Ele continuava com problemas emocionais ainda depois do tratamento intensivo, inclusive, havia sido hospitalizado durante algum tempo. Finalmente ele ouviu falar do ministério de libertação. Os demônios responsáveis por seus problemas emocionais foram expulsos.

Ele também recebeu uma cura no cérebro, de modo que as coisas apagadas de sua memória, por choques elétricos, começaram a voltar. Com a volta da memória, ele se lembrou do nome de um dos funcionários do Hospital Psiquiátrico que lhe fizera uma injustiça séria. O Sr. A. sentiu- se cheio de amargura e ódio contra aquele homem. Começou a pensar em matá-lo, se pudesse encontrar-se com ele.

Neste ponto, o Sr. A. veio à procura de mais libertação. Expliquei que ele tinha de arrepender-se do ódio, e perdoar a pessoa por um ato de sua própria vontade, e perdoar àquele homem. Ele não respondeu ao meu apelo. Pelo menos por cinco minutos ficou sentado, em silêncio, tentando resolver, optar pelo sim ou pelo não; a ficar com seu ódio ou cumprir os requisitos de Deus para ficar liberto. Foi preciso toda a sua força de vontade, mas no fim ele disse: “Com a ajuda de Jesus, eu perdoo aquele homem”. Por este ato de sua vontade, ele abriu o caminho para sua própria libertação.

“Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas.” (Mateus 6:14, 15.)

Conheci poucas pessoas que obtiveram uma libertação como ele. Quando os demônios de amargura, ódio, rancor, raiva, violência e homicídio foram expulsos, ele imediatamente os substituiu pelo amor de Jesus — o amor que perdoa um inimigo. Num instante, a vida espiritual deste homem começou a florescer. Os rios de água viva começaram a fluir dele, e começou a ministrar a verdade e a vida àqueles que estavam ao seu redor. A sua alma ficou inundada com a paz e o gozo do Senhor. Ele obedeceu à ordem de Deus, perdoando o inimigo, e recebeu o fruto daquela obediência. O ódio foi substituído pelo amor.

O FRUTO CHAMADO ALEGRIA

Joãozinho tinha muitos problemas, apesar de ser uma criança de apenas cinco anos. Seus pais tinham chegado a ponto de desquitarem- se. Havia muita tensão e tumulto no lar, desde que ele nascera. A mãe de J. nos contou que ele tinha medo de tudo e constantemente estava puxando-a para segurá-lo. O nervosismo dele era óbvio. O menino era muito infeliz em tudo, e sua mãe o trouxe para o ministério de libertação.

Enquanto estávamos com um irmão e uma irmã mais velhos, J. engatinhava, querendo saber quando ia ser a vez dele. Em sua própria maneira de ser, ele sentia a importância daquilo que ia acontecer. Ele estava sério e impaciente.

Quando os primeiros demônios foram enfrentados, os espíritos maus fecharam os lábios de J. em oposição – um gesto significando “não sairemos de jeito nenhum”. Mas em nome de Jesus eles foram forçados a sair. Eles saíram, e sua saída foi acompanhada de muita ânsia de vômito e cuspe. A luta não foi fácil e durou trinta minutos. J. venceu sorrindo e logo disse: “Quero um espelho. Sinto-me tão bem, devo estar diferente!”

E assim era. O seu rosto estava radiante. Com a ausência dos demônios, a alegria podia ser revelada.

Há muitas pessoas, jovens e velhas, como J., que são tristes. A vida delas é um fardo; não há vitória nem esperança. Para os sem alegria na vida, como são promissoras as palavras de Isaías que descrevem o ministério de Cristo e Sua Igreja:

“O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu, para pregar boas novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados; a apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os que choram e a pôr sobre os que em Sião estão de luto uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria, em vez de pranto, veste de louvor, em vez de espírito angustiado; a de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para a sua glória.” (Isaías 61:1-3.)

O FRUTO CHAMADO PAZ

A Sra. B. ficou liberta do espírito de tormento que tinha entrado nela através de um grande medo. A Palavra diz: “O medo produz tormento” (1 João 4:18). Ela contou que em certas horas uma agitação frenética tomava conta dela. Ela não podia agir nem pensar normalmente. Estando num destes estados agitados ela disse: “Por que estou deste jeito? Isto não sou eu”. Quando a pressão das circunstâncias diminuiu, a manifestação do tormento apareceu mais nitidamente, e ela percebeu que um espírito mau estava criando crises que, na realidade, não existiam.

Depois de cada uma dessas crises ela se sentia mal – agitada e queimando por dentro – e era tomada pelo espírito de condenação. A Palavra diz: “Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens” (Romanos 12:18). Este espírito de tormento desalojava a paz – não somente nela, mas em toda a família.

Depois de expulsar este espírito, juntamente com vários de seus companheiros, ela sentiu uma grande paz. No dia seguinte, ela continuou falando da paz em seu íntimo. Mas o espírito mau continuou tentando-a em sua mente, e conseguiu entrar mais duas vezes. Logo que a Sra. B. reconheceu os truques do demônio, fechou a porta de uma vez, com a fé e a confiança em Deus.

Agora, ela goza de liberdade total. Está livre para ser um canal pelo qual o fruto do Espírito da paz pode fluir aos outros.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

É HORA DE PROCURAR AJUDA?

Grande parte das pessoas enfrenta, em algum momento da vida, transtornos de saúde mental que podem ser tratados; é o caso da depressão e do estresse, mas a falta de informação e o preconceito ainda fazem com que adultos e crianças sofram sozinhos em vez de procurar um profissional qualificado

Vinte e três milhões. Este é o número de brasileiros que necessitam de acompanhamento na área da saúde mental. Desse total, pelo menos 5 milhões sofrem com transtornos graves e persistentes, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Nesse universo encontram-se crianças e adultos que sofrem de patologias como depressão, transtornos de ansiedade, distúrbios de atenção e hiperatividade e dependência de álcool e drogas. Aproximadamente 80% das pessoas que sofrem com esses transtornos não recebem nenhum tipo de tratamento. Mas a situação não é prerrogativa do Brasil. Ainda de acordo com a OMS, um em cada quatro americanos passa por um transtorno psiquiátrico diagnosticável em algum momento da vida. Exageros à parte, no decorrer de nossa existência muitas vezes nos perguntamos se somos mentalmente saudáveis e se não estaria na hora de buscar ajuda profissional. A preocupação faz sentido: de fato, quase metade da população do planeta apresenta algum tipo de transtorno durante a vida. Infelizmente, porém, em cerca de dois terços dos casos os problemas comportamentais e emocionais jamais são diagnosticados e acompanhados, embora muitos deles possam ser tratados de maneira eficaz. Mais de 80% das pessoas com depressão grave, por exemplo, são capazes de se beneficiar significativamente da combinação de medicação e terapia.

O preconceito, porém, ainda é um empecilho para a busca de auxílio especializado. Não raro, ouve-se até mesmo de pessoas razoavelmente bem informadas que “psicoterapia é coisa para louco”. A postura defensiva pode se mostrar de várias maneiras, como pela desqualificação dos profissionais ou de si próprio. Para muitos prevalece, por exemplo, a ameaça de que “o psicoterapeuta saberá mais sobre mim do que eu mesmo; descobrirá segredos dos quais nem suspeito”. Pode também surgir a fantasia onipotente de que “ninguém pode me ajudar”. Ou ainda o pensamento persecutório referenciado na opinião alheia: “O que os outros vão pensar se souberem que vou a um psicólogo?”. Qualquer que seja a forma como se apresente, a resistência não aparece por acaso: em geral, é inerente à própria patologia e tem a ver com o funcionamento psíquico da pessoa. E, infelizmente, às vezes persiste por muito tempo, até que o paciente decida buscar ajuda.

O QUE É NORMAL?

Quando trabalhei como editor-chefe da Psychology Today, com frequência os leitores me pediam que sugerisse testes de triagem para pessoas com problemas de saúde mental. Procurei por esse material no intuito de ajudar homens e mulheres a encontrar respostas às perguntas como “Será que este meu sentimento de desânimo é normal?”, “Por que eu grito com a minha mulher e meus filhos o tempo todo, mesmo não querendo fazer isso?”, “Será que perdi o controle da bebida?”. Encontrei milhares de testes “caseiros” na internet, mas nenhum havia sido validado cientificamente. Pior ainda, muitos serviam como veículos de marketing para vídeos, livros ou serviços, encaminhando o leitor que respondesse às questões direto para um setor de vendas. Não parecia existir nenhum teste amplo, confiável, favorável ao consumidor, que ajudasse alguém a refletir melhor sobre si mesmo.

Assim, desenvolvi o teste Triagem Epstein em Saúde Mental (Epstein Mental Health Inventory) (EMHI), baseado na quarta edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-IV), compêndio no qual médicos americanos se baseiam para fazer diagnósticos. O teste cobre 18 problemas psiquiátricos comuns nos Estados Unidos, como depressão maior, fobias, transtorno bipolar e abuso de substâncias, que selecionei usando dados preponderantes do Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH) dos Estados Unidos, entre outras fontes. Para cada distúrbio são considerados três critérios do DSM-IV, que reescrevi em linguagem para leigos.

A ferramenta, porém, não tem o papel de diagnosticar ninguém. Seu objetivo é alertar para possíveis riscos de um transtorno, estimulando a busca por ajuda psicológica. O mais importante é ajudar as pessoas a se sentir e viver melhor, pois minha experiência tem mostrado que qualquer meio legítimo de levá-las a consultar um psicoterapeuta é válido. No ano passado, Laura Muzzatti, aluna da Universidade da Califórnia em San Diego, e eu apresentamos uma avaliação da EMHI usando uma amostragem de 3.403 pessoas que fizeram o teste depois de ele ter sido colocado na internet, em 2007. Verificamos que os resultados previram sete fatores importantes relacionados à saúde mental. A avaliação incluía o grau de felicidade declarado; o quanto se sentiam ativamente responsáveis por seu sucesso pessoal e profissional; se estavam empregados; se fizeram terapia em alguma ocasião, se alguma vez já haviam sido hospitalizados por problemas comportamentais ou emocionais e se, na época do teste, estavam em terapia. A pontuação não diferia de acordo com etnia, mas variava segundo o gênero: a pontuação das mulheres foi 17% mais elevada que a dos homens, parecendo apresentar mais problemas de saúde mental, um resultado consistente com os de outros estudos. Ou, pelo menos, foram mais sinceras e analíticas ao responder o questionário.

EM BUSCA DE UM DIAGNÓSTICO

Muitas pessoas chegam aos consultórios de psicologia e psicanálise ansiosas para encontrar um nome que abarque aquilo que sentem, uma palavra que encerre a dor, a angústia e, às vezes, a culpa ou as dúvidas que as afligem. Isso, porém, nem sempre é fácil, e de pouco adianta se o paciente não puder compreender o que se passa com ele e se responsabilizar pelo próprio tratamento, atribuindo sentidos a sua patologia. A atração que os testes exercem sobre muitos leigos (haja vista quantos questionários são respondidos nas revistas e na internet) pode ser explicada pelo desejo de quantificar e medir características pessoais e comportamentos. E em alguns casos eles têm sua função. Mas ainda que tenham validação científica e possam ser usados para ajudar a entender o quadro clínico, os testes não são definitivos, seja para medir inteligência, seja para determinar a presença de um transtorno mental. Sem dúvida, em algumas abordagens (e em determinados casos) eles são úteis na tarefa de oferecer informações que favoreçam a compreensão da situação clínica de forma mais ampla. Mas não sempre – e raramente de maneira perene. Há ocasiões em que as palavras impressas em um prontuário ou ditas por um profissional acerca de determinado quadro psíquico podem soar como uma espécie de sentença, promovendo a desastrosa rotulação do paciente. No Brasil, muitos psicólogos evitam recorrer a essa ferramenta, pelo menos no primeiro momento. Em vez de apostar em um diagnóstico único, pleno e “definitivo”, acreditam que, em muitos casos, mais importante que reduzir a situação a um único termo é ouvir o paciente, entender sua lógica e seus sintomas. Afinal, é na possibilidade de elaboração, ampliação do espaço psíquico e transformação que se embasa o ofício do psicoterapeuta.

TESTE – SENTIR, PENSAR E AGIR

Para conhecer o teste completo basta acessar o site http://DoYouNeedTherapy.com. A seguir, a versão abreviada que abrange dez transtornos. Para fazê-lo, marque todas as afirmações que se aplicam a você:



1- TRANSTORNOS DO CONTROLE DE IMPULSOS
(a) Às vezes não sou capaz de controlar a minha raiva
(b) Frequentemente ajo por impulso, o que, às vezes, traz grandes problemas
(c) Estou preocupado com as apostas, parece que tenho dificuldades em controlar meu comportamento quanto ao jogo

2- ABUSO DE SUBSTÂNCIAS

(a) Durante o ano passado, tive de ingerir mais bebidas alcoólicas ou usar mais drogas para satisfazer minhas necessidades
(b) No ano passado tentei, mas não consegui, diminuir a quantidade de bebidas alcoólicas, de drogas ou de cigarros
(c) Durante o ano passado tive de ingerir quantidades cada vez maiores de bebidas alcoólicas ou drogas para me satisfazer ou lidar com meus problemas

3- DEPRESSÃO MAIOR
(a) Nas últimas duas semanas venho tendo dificuldade em sentir qualquer prazer nas atividades diárias de que costumava gostar
(b) Há cerca de 15 dias venho pensando com frequência que quero morrer
(c) Pelo menos durante as duas últimas semanas, venho me sentindo deprimido quase todos os dias

4- FOBIAS ESPECÍFICAS

(a) Tenho medo excessivo ou irracional de algum objeto ou situação
(b) Estou com muito medo de algo, e meu medo interfere em minha capacidade de desenvolver o meu trabalho ou em conduzir a minha vida de maneira normal
(c) Tenho muito medo de um objeto ou uma situação, e quando me exponho a esse estímulo entro em pânico

5- FOBIAS SOCIAIS
(a) Sinto medo de ficar perto de outras pessoas em determinadas situações e percebo que meus medos podem ser irracionais ou excessivos
(b) Em determinadas situações sociais, sinto extrema ansiedade
(c) Sinto grande temor em uma ou mais situações em que eu precise interagir com outras pessoas

6- TRANSTORNOS DA ALIMENTAÇÃO
(a) Costumo comer muito e, em seguida, vomitar ou usar laxantes, ou outros meios radicais, para evitar ganho de peso
(b) Estou preocupado com meu peso ou com a forma do meu corpo e, consequentemente, como ou me exercito de uma forma que algumas pessoas poderiam considerar incomum
(c) Não estou disposto ou não sou capaz de comer ou digerir o alimento em quantidade suficiente para manter o peso saudável

7- TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO
(a) Tenho lembranças perturbadoras relacionadas a um acontecimento traumático que experimentei no passado
(b) Costumo ter sonhos perturbadores sobre uma experiência terrível ocorrida no passado
(c) Às vezes me vejo revivendo o horror de um fato traumático que experimentei no passado

8- TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA
(a) Pelo menos durante os últimos seis meses, venho sentindo preocupação e nervosismo excessivos, difíceis de controlar
(b) No mínimo nos últimos seis meses, tenho ficado extremamente ansioso e preocupado com uma série de acontecimentos e atividades diferentes
(c) Pelo menos durante os últimos seis meses, venho me sentindo excepcionalmente agitado, cansado, irritado, tenso ou distraído

9- TRANSTORNO BIPOLAR
(a) Durante o ano passado tive variações súbitas de humor, sem qualquer razão aparente
(b) Meu humor muda rapidamente, de depressivo a esfuziante, sem qualquer motivo aparente
(c) Durante o ano passado o meu humor mudou mais de uma vez de deprimido para esfuziante

10- TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO
(a) Repito excessivamente certos comportamentos ou pensamentos, sem conseguir parar
(b) Pensamentos frequentes me causam grande ansiedade
(c) Acredito que esses pensamentos possam ser irracionais ou exagerados. Faço ou penso repetidamente

PONTUAÇÃO

Se você deixou todos os itens em branco, parabéns! É provável que a sua saúde mental esteja muito bem. Caso contrário, lembre-se de que esta não é a versão completa do teste e, ainda que fosse, sua aplicação não tem peso diagnóstico. Mas os resultados podem ajudá-lo a pensar como tem se sentido e lidado com os problemas. Se marcou um item em uma ou mais categorias, é possível que esteja passando por situação de angústia que poderia ser mais bem compreendida (ou contornada) com a ajuda de um profissional. Se assinalou dois ou três itens em uma ou mais categorias, talvez seja mesmo uma boa hora para consultar um psicólogo e evitar sofrer sem necessidade, já que a maioria dos problemas de saúde mental podem ser tratados. Mais importante que o resultado do teste, entretanto, é voltar-se para si e perguntar-se se não seria o momento de cuidar de si mesmo. Afinal, quando temos uma dor de dente, por exemplo, não hesitamos em buscar um dentista. Se a dor é na alma, o psicoterapeuta é o profissional mais indicado para cuidar desse desconforto.

INSTITUIÇÕES QUE OFERECEM PSICOTERAPIA A PREÇOS REDUZIDOS

SÃO PAULO
• ALPHAVILLE
Clínica Psicológica Objetivo
Universidade Paulista (Unip)
Alameda Amazonas, 492
Tel.: (11) 4191-1078
Site: www3.unip.br
Adultos: plantão psicológico às quartas
Crianças até 12 anos: ligar das 14h às 22h para agendar.
O atendimento é realizado por alunos do 4o e do 5o ano de psicologia
Obs.: A clínica inicia atividades em março.

• ALTO DA LAPA
Centro de Estudos e Orientação da Família Rua Japuanga, 235
Tel.: (11) 3022-9596
Apenas para famílias e casais.
O atendimento é realizado por psicoterapeutas graduados.
Obs.: Os atendimentos começam em fevereiro e há fila de espera.

• MOOCA
Clínica de Psicologia Aplicada Universidade São Judas Tadeu
Rua Marcial, 45
Tel.: (11) 2799-1831/ 2799-1943
Site: http://www.usjt.br
Interessados devem ligar de segunda a sexta, das 13h às 23h, ou aos sábados, das 7h às 17h, fazer a inscrição por telefone e aguardar contato para marcar triagem.
Atendimento realizado por alunos do 3o ao 5o ano de psicologia.
Obs.: A clínica está com inscrições abertas.

•PACAEMBU
Centro de Estudos Psicanalíticos (CEP)
Rua Almirante Pereira Guimarães, 378
Tel.: (11) 3865-0017/3864-2330
Site: http://www.centropsicanalise.com.br
Interessados devem ligar para agendar triagem. Após esse processo a pessoa será encaminhada para o consultório mais próximo de sua residência ou trabalho.
É cobrada uma taxa de custo, estipulada pelo psicanalista junto com o paciente.


•PERDIZES
Clínica Psicológica Sedes Sapientiae
Rua Ministro de Godói, 1484
Tel.: (11) 3866-2735
Site: http://www.sedes.org.br
Interessados devem ligar de terça a sexta-feira, das 9h às 20h, para inscrição. Em seguida devem comparecer na apresentação e em três encontros coletivos. Após essas etapas, o psicólogo marcará as consultas.
Atendimento realizado por psicólogos formados.
Obs.: Inscrições a partir de fevereiro.

SALVADOR
Clínica Psicológica da Universidade Federal da Bahia
Rua Aristides Novis (Estrada de São Lázaro), 197, Federação
Tel.: (71) 3283-6437
As matrículas começam em fevereiro. Após triagem, o atendimento é feito por alunos do 5o ano de psicologia aproximadamente um mês após as inscrições.

RECIFE
Universidade Católica de Pernambuco
Rua do Príncipe, 526, Boa Vista
Tel.: (81) 2119-4115
Site: http://www.unimcap.br
Atendimento realizado por alunos do 9o e do 10o semestre de psicologia. Inscrições abertas em fevereiro.
Obs.: As duas primeiras sessões são gratuitas, e para as demais é cobrado valor simbólico de R$ 20,00 por sessão.

FLORIANÓPOLIS
Comunidade Gestáltica Clínica
Escola de Psicoterapia
Rua Irmão Joaquim, 169, Centro
Tel.: (48) 3222-7777
Site: http://www.comunidadegestaltica.com.br
Interessados devem agendar triagem.
O atendimento é realizado por alunos de graduação de psicologia da UFSC e do curso de especialização em gestalterapia.
Obs.: Inscrições começam em fevereiro.

BELO HORIZONTE
Serviço de Psicologia Aplicada da Universidade Federal de Minas Gerais
Av. Antônio Carlos, 6627, Campus Pampulha
Tel.: (31) 3409-5070
Site: http://www.ufmg.br
Interessados devem agendar triagem e em seguida aguardar, pois há fila
de espera.
O atendimento é realizado por alunos do curso de psicologia da UFMG.
Obs.: Inscrições começam em março.
É cobrado valor simbólico.

RIO DE JANEIRO
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Av. Venceslau Brás, 250, Urca
Tels.: (21) 2295-8113/ 3873-5326
Site: http://www.psicologia.ufrj.br
Interessados devem comparecer no departamento de psicologia da universidade para triagem, feita por ordem de chegada.
Atendimento realizado por alunos do curso de graduação.
Obs.: as inscrições são abertas em fevereiro.
É cobrado valor simbólico.

BRASÍLIA
Centro de Atendimento e Estudos Psicológicos do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB)
Instituto de Psicologia, Campus Universitário Darcy Ribeiro
Asa Norte – Brasília – DF
Tel.: (61) 3307 2625 ramais 614 e 615
Os interessados devem ligar em fevereiro para maiores informações.
Atendimento realizado por estagiários.
Obs: Inscrições serão retomadas em março de 2011. É cobrado valor simbólico.

OUTROS OLHARES

CARAS PINTADAS

Se a lógica que imperava até outro dia no reino da maquiagem era a do quanto menos melhor, agora a ordem é exagerar, numa releitura dos anos 80. Aproveite enquanto a moda durar

Os mais antigos indícios de existência da maquiagem datam do Egito Antigo, quando se difundiu o hábito de enfeitar o rosto com pigmentos que sublinhavam olhos, cílios e sobrancelhas. Na Grécia Antiga, as mulheres faziam uso de gordura e tinta vermelha para corar a face. A queda do Império Romano e as trevas da Idade Média fariam a maquiagem cair em desuso, até renascer no século XV, tendo como berço Itália e França. Só nos anos 1920 ela verdadeiramente se popularizou. E assim caminhou a humanidade, no afã de embelezar-se e estar na crista da onda, de todas as ondas. Mas, como toda moda, esta também tem prazo de validade.

Até pouco tempo atrás, maquiar-se bem (e bem era sinônimo de discrição) consistia em aplicar camadas de não cor no rosto. No império do tom nude, pálpebras e contorno dos olhos ficavam esmaecidos por sombra e lápis cor da pele e até os lábios empalideciam sob o batom neutro. De repente, uma reviravolta aconteceu, e a maquiagem foi parar no outro extremo. Neste instante, cool mesmo são os tons que gritam: azul, verde, amarelo, rosa quase vermelho – um retorno aos abrilhantados anos 1980 (com pitadas de Cleópatra?), mas com mais capricho e atenção nos detalhes. Como não podia deixar de ser, a maré do exagero nasceu na internet. Sua plataforma de lançamento para o mundo é a série Euphoria, do canal pago HBO, que equilibra cenas pesadas de droga e sexo vividas por adolescentes com make-up sempre muito colorido.

As brasileiras são as campeãs globais em buscas pelo verbete “maquiagem Euphoria”, segundo o Google Trends, e compõem uma turma assídua nos tutoriais do YouTube que ensinam a copiá-la. Muito contribuiu para a corrida às sombras vermelhas e amarelas por estas bandas o fato de a atriz Bruna Marquezine ter se deixado fotografar há poucas semanas, em seu aniversário de 24 anos, com pálpebras pintadas de roxo e pedrinhas de strass à vontade. Fora daqui a cantora Katy Perry, seguidora e lançadora de modas, surgiu no Vídeo Music Awards, da MTV, com os olhos cor- de-rosa, delineador gatinho e brilhos em abundância. Como diria o poetinha Vinicius de Moraes, que seja eterno enquanto dure.

GESTÃO E CARREIRA

INTELIGÊNCIA NATURAL

Profissionais e empreendedores de várias áreas estão buscando inspiração na natureza para criar projetos; negócios e produtos inovadores

Ao longo de anos, o homem acostumou-se a olhar para a natureza como uma entidade a serviço da humanidade ou algo distante para ser contemplado. Essa mentalidade, no entanto, está cada vez mais desconectada dos dias atuais. Em um tempo em que escassez de recursos naturais, sustentabilidade e tecnologia são temas centrais e os modos de gerir pessoas e negócios já não dão conta de resolver os desafios impostos, uma área do conhecimento ganha espaço apostando na natureza como forma de inspiração: a biomimética. Ela olha para os elementos, processos, sistemas e organismos vivos com o objetivo de criar soluções inovadoras para problemas de todo tipo, dos mais triviais aos complexos; da invenção de um produto à solução que vai fazer uma empresa parar de ter prejuízo. “A biomimética é uma ponte entre a ciência e as demandas contemporâneas do mundo”, diz Alessandra Araújo, bióloga de formação, especialista em biomimética pela Universidade do Arizona e fundadora da consultoria Bio-Inspirations.

Apesar da abordagem inovadora, a biomimética não é exatamente uma disciplina nova. Há quase dez anos, atletas de elite da natação já deslizavam na piscina vestindo maiôs feitos com material que imitava a pele de um tipo específico de tubarão. Ao reduzir o atrito elo corpo com a água e dar um impulso extra para se deslocarem, o tecido permitia que os esportistas nadassem mais rápido com menos esforço. Outro exemplo surgiu décadas antes de a biomimética ser sistematizada como disciplina: um engenheiro suíço quis resolver um problema real que enfrentava no dia a dia e acabou inventando um material que até hoje facilita a vida de muita gente no mundo inteiro: o velcro. Leonardo da Vinci há mais de cinco séculos já produzia esboços de máquinas voadoras com base na observação da anatomia e do voo dos pássaros. A biomimética começou a ganhar popularidade há pouco mais de 20 anos por meio do trabalho ela bióloga americana Janine Benyus, cofundadora do Biomimicry 3.8 e do Biomimicry Institute, que oferecem serviços de consultoria e educação sobre o tema. Embora pouco conhecida no Brasil, a metodologia foi apontada em 2014 pela revista Forbes como uma das cinco principais tendências que vão orientar os negócios do futuro. Um estudo da Universidade Nazarena de Point Loma, na Califórnia, estimou que a disciplina deverá representar 300 bilhões de dólares no PIB dos Estados Unidos e gerar 1,6 milhão de empregos no país até 2025.

MODOS DE USAR

Pelo método desenhado por Janine Benyus, existem duas formas de criar usando a biomimética. A primeira é partir de um desafio ou necessidade real (como filtrar água, fixar objetos em uma superfície ou economizar energia) e investigar de quais estratégias a natureza dispõe para resolver tarefa semelhante. A outra é olhar para determinado fenômeno natural, forma ou função desempenhada por um organismo ou sistema e pensar de que maneira ele pode ser útil e reproduzido na prototipagem de produtos ou soluções. Por isso os treinamentos invariavelmente contam com períodos de imersão em áreas verdes (de praças urbanas a reservas florestais). A metodologia pode ser aplicada tanto em criações tangíveis – um novo produto, ferramenta ou projeto – quanto em coisas intangíveis, como estratégias de gestão em uma empresa. Medicina, arquitetura, transportes e geração de energia são algumas das áreas que vêm desenvolvendo inovações com a bioinspiração.

No Brasil, esse mercado ainda é insipiente, em parte porque a retração econômica dos últimos anos levou muitas organizações a cortar investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Mesmo assim, startups e empresas com viés de impacto social e inovação começam a olhar para a metodologia como forma alternativa de trabalhar valores humanos sem tirar o foco dos negócios. Seja qual for o caminho, as jornadas criativas usando a biomimética pressupõem trabalho em equipes multidisciplinares e diversas, em que a soma de conhecimentos favorece uma análise mais profunda dos contextos a serem trabalhados e, consequentemente, a inovação. É o chamado biomimicry thinking. “Um bom projeto geralmente envolve profissionais vindos de áreas como engenharia, biologia, design e negócios, que trazem saberes e visões de mundo complementares”, diz Ricardo Mastroti, biólogo, mestre na disciplina pela Universidade do Arizona e consultor.

No Brasil, há poucos especialistas habilitados para facilitar jornadas com a biomimética e não existem cursos de especialização nessa disciplina. Algumas faculdades oferecem na graduação de design, engenharia e arquitetura. Também é possível encontrar cursos livres (online e presenciais) e participar de vivências de imersão em reservas naturais para exercitar o olhar e o pensamento com a biomimética e praticar a prototipagem com ela. Compreendendo organizações como ecossistemas complexos, pode-se buscar na inteligência da natureza inspirações para trabalhar competências e resolver problemas do dia a dia corporativo. “Os valores que hoje norteiam modelos de negócios inovadores e uma nova economia são os mesmos que a natureza usa há milhões de anos em seus processos, como resiliência, descentralização, colaboração e eficiência”, diz o biólogo Ricardo. No meio ambiente há uma floresta de ideias esperando para ser semeada pelas organizações.

FLORESTA DE IDEIAS

Entenda como temas do dia a dia corporativo podem ser abordados com a biomimética

RESILIÊNCIA – Um exemplo da capacidade de se adaptar às variáveis e as adversidades do ambiente e criar condições para a sobrevivência é a caatinga, onde a interação entre vegetação, clima, fatores geomorfológicos e a atuação do homem estimulam o desenvolvimento de mecanismos de resiliência para a permanência do bioma.

COOPERAÇÃO – As florestas são sistemas colaborativos sofisticados. apesar da aparente desordem, nada está ali aleatoriamente e o tempo todo ocorrem trocas que constroem o valor coletivo. “Gerir uma organização não é estar sempre em alinhamento, mas ser capaz de manter a coerência e o propósito em meio à diversidade”, diz Marcelo Cardoso, fundador da CHIE, consultoria de gestão organizacional em São Paulo, que utiliza conceitos da biomimética em seu trabalho.

EFICIÊNCIA – Na natureza é importante utilizar a menor quantidade de recursos possível para resolver um problema. No mundo corporativo, essa lei também vale: A regra é fazer mais (e melhor) com menos.

LIDERANÇA COLETIVA – “Em comunidades como a das formigas, os indivíduos trabalham sem precisar de ordens, responsabilizando-se pelas próprias tarefas e sabendo da importância de sua participação para o funcionamento do todo”, exemplifica Giane Brocco, engenheira, especialista em biomimética pelo Biomimicry 3.8 e fundadora da Amazu Biomimicry.

DE ONDE VEM A INSPIRAÇÃO

A plataforma Ask Nature (asknature.org), mantida pelo Biomimicry lnstitute, funciona como uma espécie de catálogo online com soluções bioinspiradas desenvolvidas para diversas áreas e com consulta livre para inventores, cientistas e interessados em geral. Veja como plantas e animais, entre outros organismos, viram tecnologias nas mais diversas áreas

TINTA AUTOLIMPANTE – INSPIRAÇÃO: FLOR DE LÓTUS

Ela é símbolo de pureza mesmo crescendo na lama. isso porque as folhas têm uma superfície rugosa e revestida por uma espécie de cera que as torna pouco aderentes e altamente repelentes à água. Essa combinação de características faz com que o líquido que cai sobre as folhas forme gotículas que acabam envolvendo poeira e outras partículas sólidas que pousem ali. À medida que rolam para fora da planta, essas gotas vão deixando as folhas sempre limpas. Essa estratégia da natureza também foi aplicada no desenvolvimento de tecidos e revestimentos à prova de líquidos e de tintas que repelem pichação.

VELCRO – INSPIRAÇÃO: CARRAPICHO

Toda vez que o engenheiro suíço George de Mestral voltava de um passeio com seu cachorro, precisava retirar os carrapichos presos na roupa e no pelo de seu pet. Ao examinar a planta no microscópio, descobriu que ela é formada por inúmeros filamentos com ganchos minúsculos nas extremidades que agarram nos tecidos e no pelo e são difíceis de soltar. Nasceu daí, nos anos 40, o velcro: Produto composto de dois materiais, um com milhares de ganchos e outro com laços, que se entrelaçam de modo simples, reversível e altamente resistente. O nome é uma junção das palavras francesas velour (“veludo”) e crochet (“gancho”).

TREM-BALA SILENCIOSO – INSPIRAÇÃO: BICO DO PÁSSARO MARTIM-PESCADOR

Há 15 anos, o trem-bala japonês já era mais veloz, capaz de atingir 350 quilômetros por hora. mas, por causa da diferença na pressão do ar no interior e no exterior do túnel, era muito barulhento. Um dos engenheiros do projeto, que também era observador de pássaros, viu na estratégia do martim-pescador uma solução. Para capturar uma presa o pássaro atravessa o ar (que oferece pouca resistência) e mergulha na água (que tem alta resistência) com suavidade graças ao formato de seu bico, que virou inspiração para o design da frente do trem. Além de mais silencioso o veículo ficou 15% mais econômico.>

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 8 – COMO CONSERVAR A LIBERTAÇÃO

Apresentamos a seguir as condições a serem observadas para que a libertação seja mantida.

REVESTIR-SE DE TODA A ARMADURA DE DEUS

A armadura espiritual do cristão está descrita em Efésios 6:10-18. Há sete peças da armadura:

(1) “cingindo-vos com a verdade”;

(2) “vestindo-vos da couraça da justiça”;

(3) “calçai os pés com a preparação do evangelho da paz”;

(4) “embraçando sempre o escudo da fé”;

(5) “o capacete da salvação”;

(6) “a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus”;

(7) “orando em todo tempo no Espírito”.

Preste atenção especial ao “capacete da salvação” para a proteção de seus pensamentos. Muitas vezes os demônios atacam os pensamentos para ganharem uma entrada. Tome cuidado com qualquer pensamento negativo; ele vem do inimigo. Separe os pensamentos dele dos seus.

Recuse os pensamentos dele e substitua-os por pensamentos positivos, espirituais. (Veja Filipenses 4:8.)

Resista ao diabo desde o seu primeiro sinal de ataque.

A CONFISSÃO POSITIVA

Declarações negativas caracterizam a influência demoníaca. Confissão positiva é fé expressada. Confesse aquilo que a Palavra de Deus diz. Qualquer outra declaração abrirá a porta ao inimigo.

“Porque em verdade vos afirmo que, se alguém disser a este monte: Ergue-te e lança-te ao mar, e não duvidar no seu coração, mas crer que se fará o que diz, assim será com ele.” (Marcos 11:23.)

PERMANECER NAS ESCRITURAS

Jesus resistiu às tentações de Satanás pelo uso das Escrituras. A Palavra é um espelho para a alma (Tiago 1:22-25); é uma lâmpada para os pés para saber o caminho (Salmo 119:105); é um purificador (Efésios 5:25, 26); é como uma espada de dois gumes (Hebreus 4:12); é alimento para o espírito (1 Pedro 2:2; Mateus 4:4). Ninguém pode conservar sua libertação por muito tempo sem que a Palavra de Deus seja um fator primário em sua vida:

“Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite. Ele é como árvore plantada junto à corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido”. (Salmo 1:1-3.)

CRUCIFICAR A CARNE

Tome a sua cruz diariamente e siga a Jesus (Lucas 9:23). Quebre os hábitos ligados com os espíritos do mal. Se os vícios, desejos e concupiscências não estão entregues ao pé da Cruz, o caminho para a volta dos demônios está aberto (Gálatas 5:19-21, 24).

DESENVOLVER UMA VIDA DE LOUVOR E DE ORAÇÃO CONTÍNUA

O louvor cala o inimigo. O louvor não é uma atitude do coração, mas é a expressão de gratidão a Deus, adoração e alegria através do falar, cantar, dançar, tocar os instrumentos de cordas, bater palmas, etc.

Orar no Espírito (em línguas) e também no entendimento (1 Coríntios 14:14). “Orai sem cessar” (1 Tessalonicenses 5:17).

MANTER UMA VIDA DE COMUNHÃO E UM MINISTÉRIO ESPIRITUAL

É a ovelha que anda desgarrada que está em maior perigo. Procure cumprir sua função dentro do Corpo de Cristo. Deseje os dons espirituais e deixe-os operarem, através de você, dentro do Corpo de Cristo. (Veja 1 Coríntios 12:7-14.) Mantenha-se submisso à autoridade.

ENTREGAR-SE POR COMPLETO A CRISTO

Determine que cada pensamento, palavra e ação refletirá a natureza de Cristo. Permaneça em Cristo, de modo que o fruto do Espírito possa fluir em abundância. Os espíritos demoníacos são inimigos do fruto do Espírito. A fé e a confiança em Deus são as armas mais poderosas contra as mentiras do diabo.

“Embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno.” (Efésios 6:16.)

Nota: Cumprindo estes sete itens, sua “casa” (vida) ficará repleta da presença de Deus, depois da limpeza dela. Demônio nenhum poderá voltar, nem trazer outros com ele. Se, por acaso, um espírito, por um truque ou outro, consiga entrar, faça tudo para expulsá-lo o mais depressa possível. A ordem para sair pode ser dada por você mesmo ou por outro crente. Se outras áreas de atividade demoníaca são descobertas, procure o ministério de libertação. Jesus já nos tornou possível uma libertação total. Ande libertado diariamente. Não aceite menos do que isto!

“Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.” (Romanos 5:10.)

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O PODER DO FEMININO

O estrogênio não se limita a controlar a sexualidade feminina. Ele influencia também as mais diversas capacidades cognitivas – tanto no homem quanto na mulher

De forma quase imediata, a palavra estrogênio evoca sexo e provoca associações quase sempre direcionadas à mulher. Esse hormônio sexual deve sua grande notoriedade à participação decisiva na condução de todos os processos do corpo feminino necessários à reprodução. Controla o ciclo menstrual, exerce influência no amadurecimento do óvulo a ser fecundado, dispara a ovulação e prepara o útero para a implantação do embrião. Sem o estrogênio, produzido em grande parte nos ovários – e existente, aliás, em variações muito semelhantes, razão pela qual se fala também em “estrogênios”, no plural -, vida nenhuma se desenvolveria no ventre materno. Na puberdade, seus níveis crescentes arredondam as formas femininas, trazendo a maturidade sexual. Em suma: é ele que faz das mulheres, mulheres.

Não por acaso, o estrogênio é tido como o hormônio tipicamente feminino, e isso fez com que especialistas acreditassem durante muito tempo que sua atuação se restringia aos órgãos fundamentais para a reprodução. Mas posteriormente se verificou a existência de um complicado circuito regulatório por trás do controle dos níveis de estrogênio. Por um lado, mensageiros químicos do hipotálamo e da hipófise influem na produção hormonal dos ovários, por outro, o próprio estrogênio também atua sobre essas duas estruturas cerebrais. Assim sendo, ficou claro que nosso órgão do pensamento – ou ao menos partes dele – é sensível ao hormônio sexual.

Hoje, porém, os pesquisadores sabem que os estrogênios exercem sobre o cérebro influência muito maior que o mero controle da produção do hormônio sexual. Eles contribuem em diversas capacidades cognitivas, tais como o aprendizado e a construção da memória; controlam quais estratégias de comportamento ou de resolução de problemas vamos adotar; e também regulam nossa vida emocional. Vários estudos indicam que as células nervosas de algumas regiões cerebrais precisam dos estrogênios para entrar e permanecer em funcionamento. De resto, isso vale também para os homens, em cujo cérebro o mais importante hormônio sexual masculino – a testosterona- é transfomado em estrogênio.

As primeiras indicações de que o estrogênio auxilia o trabalho cerebral provêm do início da década de 70, quando pesquisadores descobriram em células nervosas do cérebro de ratos moléculas de proteína que só se ligam ao hormônio sexual feminino. Por intermédio desses receptores o mensageiro químico transmite informações para as células nervosas. Receptores de estrogênio, porém, possuem não apenas neurônios transmissores de sinais, mas também outras células cerebrais, como as microglias, importantes para a defesa imunológica, e as macroglias, que atuam como células de apoio e nutrição. É provável que o estrogênio cumpra tarefas distintas nos diferentes tipos de células, mas essas funções ainda não foram explicadas.

Experiências com animais comprovam que o hormônio reprime a reação natural de defesa das micróglias contra estímulos inflamatórios. Isso pode ser muito útil, por exemplo, nos casos de esclerose múltipla ou mal de Alzheimer, já que nessas duas enfermidades proteínas anômalas se depositam nos neurônios, provocando um estado inflamatório que danifica e, em última instância, destrói as células nervosas.

Nas macroglias, o hormônio sexual cumpre função claramente trófica. Isso significa que ele estimula o metabolismo dessas células. Sob influência do estrogênio, as macroglias multiplicam a produção dos hormônios do crescimento, que, por sua vez, põem à disposição dos neurônios todas as substâncias de que necessitam para um funcionamento otimizado.

Não apenas experiências com animais, mas também a observação de seres humanos indica que os estrogênios oferecem proteção contra algumas doenças neuro degenerativas, ou ao menos retardam seu avanço. Muito provavelmente, eles exercem esse efeito protetor não nos neurônios em si, mas sobretudo por intermédio dos receptores nas células gliais.

Segundo descoberta recente, o estrogênio é capaz também de amenizar as consequências de um derrame cerebral. Sob o comando de Phyllis White, pesquisadores da Universidade da Califórnia removeram os ovários de camundongos, limitando a produção natural de estrogênio. A seguir, dividiram os roedores em dois grupos, um dos quais recebeu estrogênios em baixa dosagem. Uma semana depois, bloquearam brevemente o fluxo de sangue em determinada artéria do cérebro, desencadeando um derrame. Então, passados poucos dias, compararam os vestígios do experimento deixados no cérebro.

Nos camundongos submetidos à “terapia de reposição hormonal”, os danos foram visivelmente menores. Segundo White, o estrogênio torna mais lento o avanço das lesões nas células induzidas pelo derrame. “Mais neurônios sobrevivem, sobretudo no córtex cerebral.” Em especial durante a fase final de um derrame, muitas células cerebrais sucumbem à chamada morte celular programada, mediante a qual o corpo se livra inclusive de células pouco danificadas. O estrogênio parece limitar esse processo, também conhecido como apoptose. E mais: exerce até um efeito positivo sobre o crescimento de novos neurônios.

O hormônio sexual transformou-se em tema discutidíssimo nas neurociências não só graças a essa atuação neuro protetora. Interesse científico semelhante também desperta a observação de que o estrogênio influencia diversas esferas cognitivas, como aprendizado, memória e comportamento. Afinal, independentemente de estereótipos e clichês, não há como ignorar a “pequena diferença” entre os sexos no tocante à prevalência de certos talentos específicos em homens e mulheres. Hormônios sexuais dão aí sua contribuição, e disso existe comprovação bastante convincente: nas mulheres, determinadas capacidades cognitivas se alteram de acordo com o nível do hormônio.

Não faz muito tempo, Onor Gunturcün, biopsicólogo do Instituto de Neurobiologia Cognitiva da Universidade do Ruhr, Alemanha, começou a investigar como voluntárias se saíam nos chamados testes de rotação mental em momentos diversos de seu ciclo menstrual. A tarefa a cumprir nesse teste é girar na mente uma figura geométrica. Ele avalia, portanto, nossa capacidade de visualização espacial. E, vejam só: durante a menstruação, quando os hormônios sexuais se encontram nos níveis mais baixos, as mulheres se saíram tão bem quanto os voluntários do grupo de controle. Ao final do ciclo, porém, quando os níveis de estrogênio sobem, o desempenho delas caiu sensivelmente. Mas melhorou em outro teste realizado paralelamente, no qual o objetivo era encontrar palavras apropriadas. Os resultados comprovam que as habilidades espaciovisuais das mulheres não são, em essência, inferiores às dos homens, o que ocorre com elas é, antes, uma oscilação mais forte do nível de estrogênio no cérebro, deslocando a ênfase de um talento para outro.

Também os ratos exibem certos comportamentos específicos de cada sexo. Como nos humanos, o nível de estrogênio parece desempenhar aí algum papel. Nos ratos, salta aos olhos sobretudo que machos e fêmeas não demonstrem o mesmo grau de interesse por um novo ambiente. Postos em território desconhecido, e em companhia de três objetos diferentes – uma garrafa, um tubo e uma bola, por exemplo -, as fêmeas põem-se no primeiro dia a examinar seu entorno de forma muito mais intensa que os machos.

Com o tempo, seu ímpeto investigativo decresce, mas torna a despertar de imediato se há um rearranjo dos objetos na gaiola. Isso, porém, acontece apenas com as fêmeas prontas para conceber, com baixos níveis de estrogênio. Somente elas inspecionam o ambiente modificado com curiosidade contínua. Os companheiros revelam de fato algum breve interesse, mas seu ímpeto investigativo torna a ceder com rapidez. Contudo, se as fêmeas não estão em fasede concepção, apresentando níveis altos de estrogênio, o novo arranjo do ambiente lhes é totalmente indiferente. Essa espécie de “balizamento hormonal do comportamento” faz todo sentido. Provavelmente, fêmeas prontas para conceber tendem, na época da ovulação, a proceder a uma extensa investigação de seu entorno porque assim aumentam suas chances de encontrar um macho disposto ao acasalamento. Mesmo depois do parto, os níveis de estrogênio permanecem baixos, mas o ímpeto investigativo da mãe prossegue, o que lhe facilita proteger o rebento de eventuais perigos e prover-lhe comida suficiente.

Estudos como esse não deixam dúvida quanto à conexão entre os níveis de estrogênio e de   desempenho de determinadas funções cognitivas, uma relação capaz de explicar certas diferenças entre os sexos. Pesquisas realizadas com o auxílio da ressonância magnética funcional mostram ainda que, já de antemão, homens e mulheres não utilizam as mesmas regiões cerebrais no cumprimento de algumas tarefas. Conforme se verificou em experiencias com voluntários de ambos os sexos, quando se trata, por exemplo, de encontrar a saída de um labirinto virtual, ativam-se nas mulheres regiões nos lobos parietal e frontal direitos do córtex, ao passo que, nos homens, são neurônios do hipocampo que se agitam. Apesar disso, tanto homens como mulheres muitas vezes encontram a solução com a mesma rapidez. Seus cérebros, portanto, têm igual desempenho, embora adotem caminhos diversos.

A fim de descobrir como os estrogênios influem nessa complexa interação, pesquisadores passaram a investigar que regiões cerebrais possuem, afinal, células nervosas com acoplamentos compatíveis. A concentração de receptores de estrogênio é particularmente alta no hipotálamo e na chamada área pré- óptica. Era de se esperar, uma vez que o hipotálamo integra o circuito regulador da síntese de estrogênio e, por meio de mensageiros químicos próprios, estimula a produção de hormônios sexuais. Quanto à área pré- óptica, ela parece participar no balizamento do comportamento reprodutor, ao menos nos animais. A hipótese é admissível, já que se trata de um hormônio sexual. Mas ocorre que também no hipocampo e no córtex pré-frontal se encontram receptores de estrogênio em abundância. E essas são regiões vinculadas a funções intelectuais mais elevadas, tais como o aprendizado, a memória e o pensamento abstrato.

Experiências com camundongos e ratos que tiveram os ovários removidos visando à diminuição do nível natural de estrogênio, demonstraram que, após a remoção, os animais passaram a se sair muito pior em diversas tarefas de aprendizado e testes de memória. Doses de hormônio, porém, anularam esse efeito negativo. Portanto, deve haver alguma ligação entre o estrogênio e a atividade no hipocampo, um centro deaprendizado.

Com o intuito de esclarecer essa conexão, a neurobióloga Catherine Woolley, da Universidade Rockefeller, em Nova York, passou a pesquisar as sinapses das células nervosas. É nesses pontos de contato que acontece a transmissão da informação entre os neurônios, e eles se sintam nos chamados espinhos dendríticos – pequenos apêndices dos dendritos. Quanto mais ligações sinápticas existirem numa rede neuronal, melhor a transmissão. E, na linguagem do cérebro, aprender alguma coisa nada mais é que estabelecer novas sinapses e intensificar as conexões existentes.

No hipocampo, os neurônios cultivam um gosto particular pelo contato: uma única célula nervosa pode estar em contato sináptico com até 20 mil outras. Quando estamos em processo de aprendizado, esse número comprovadamente aumenta.

Como descobriu há alguns anos o grupo comandado por Woolley, com o auxílio de seções do cérebro com coloração especial, o estrogênio estimula a formação de novos espinhos dendríticos em determinados neurônios do hipocampo. Em 2001, Woolley e seu colega Bruce McEwen demonstraram que os espinhos adicionais não apenas fortalecem as conexões já existentes, como também estabelecem novos contatos com outras células nervosas. Estudos equivalentes foram efetuados com fêmeas adultas de rato. O resultado ressalta acima de tudo como o cérebro permanece maleável mesmo na idade adulta. É à enorme plasticidade desse órgão que devemos o fato de uma antiga crença felizmente não corresponder à realidade: a de não ser possível aprender na velhice. É possível sim.

Os resultados da pesquisa também despertaram a esperança de, com o estrogênio, podermos desenvolver um novo medicamento contra o mal de Alzheimer, por exemplo, que causa a morte dos espinhos dendríticos no hipocampo. Em consequência disso, vai desaparecendo o poder da memória, que já não aceita novos dados. E outras capacidades cognitivas sofrem perdas crescentes, como a de orientação e visualização espacial. Considerando-se que o estrogênio dá suporte à formação de novas conexões sinápticas, esse hormônio talvez detenha a demência, ou desacelere seu avanço.

Mas as ambições de alguns cientistas vão mais longe, alimentadas pela observação de que, em todos nós, o número de espinhos dendríticos no hipocampo diminui com o tempo, assim como nosso desempenho intelectual decresce com a idade. Daí a ideia de empregar o estrogênio como o chamado cognitive embacer – ou seja, como remédio para a melhoria direcionada da memória e da capacidade de aprendizado.

Bruce McEwen, neuro endocrinologista da Universidade Rockefeller, pesquisa os mecanismos por meio dos quais o hormônio sexual feminino estimula, no plano molecular, o crescimento dos espinhos dendríticos nos neurônios do hipocampo. Para ele, está claro que esse mensageiro químico fortalece as funções de aprendizado e memória normais. “Mesmo sem a presença do estrogênio, há ainda um sem-número de ligações sinápticas no hipocampo. Nossos trabalhos mostram, porém, que, sem o hormônio, essas redes não operam com seu melhor rendimento no armazenamento e na evocação de determinados conteúdos de memória”.

O pesquisador defende uma espécie de terapia de reposição hormonal para o cérebro, da qual se beneficiariam sobretudo mulheres de mais idade. A razão para tanto é que, com a menopausa, os ovários praticamente param de sintetizar estrogênio. Sintomas como as ondas de calor e também os problemas psíquicos de que tantas mulheres sofrem durante essa fase parecem ter vínculo causal com a relativa escassez do hormônio – isso porque, em geral, as queixas diminuem com a aplicação de estrogênio.

Nesse meio tempo, também o desempenho cognitivo de mulheres na menopausa já foi objeto de diversos testes. Os resultados são contraditórios. Em muitos estudos, o estrogênio melhora a capacidade de aprendizado, mas somente em relação a tarefas que demandem a utilização da memória verbal.

É para esta situação seletiva que nos chama a atenção a psicóloga Donna Korol, da Universidade de Illinois. Ela se dispôs a investigar se em ratos jovens que tiveram os ovários removidos, doses de estrogênio exerciam influência sobre determinadas estratégias de resolução de problemas. Com esse objetivo, aplicou dois testes aparentemente semelhantes, cujas soluções, porém, demandam do cérebro a ativação de redes neuronais distintas. Em essência, os ratos tinham de aprender a encontrar comida num labirinto. No teste A, a comida fica sempre no mesmo lugar, mas altera-se o ponto a partir do qual os ratos dão início à busca. Os animais que receberam estrogênio apreenderam o princípio do teste com muito mais rapidez do que os companheiros privados do hormônio.

Mas esses últimos foram muito superiores no teste B, em que o ponto de partida também é alterado, mas o rato sempre encontra sua comida, bastando para tanto que ele vire à direita no primeiro corredor. De acordo com Korol, o fato de os animais com deficiência de estrogênio terem aprendido a cumprir a tarefa com mais rapidez contradiz a noção de que o hormônio prestaria ajuda generalizada ao órgão do pensamento. “Se o estrogênio melhora nossa capacidade geral de aprendizado, então os resultados dos dois testes teriam de ser iguais.” Na opinião da psicóloga, o nível do hormônio sexual determina, antes a estratégia cognitiva com o auxílio da qual o cérebro se lança à solução de um problema. “O estrogênio de fato favorece algumas formas de aprendizado, mas inibe outras”. E, mais importante: “Sem esse mensageiro químico, o cérebro trabalha de modo diferente, mas continua trabalhando bem”.

Os estudos de Donna Korol lançam nova luz sobre o declínio da capacidade cognitiva que muitas mulheres sentem após a chegada da menopausa. Em seu livro Animal research, and  human beaulty, Korol defende a tese de que o nível decrescente de estrogênio pura e simplesmente altera o modo como o cérebro trabalha – direcionando-o para pontos que são fortes sobretudo nos homens, como a capacidade de orientação espacial. “Depois da menopausa, as mulheres poderiam melhorar seu desempenho em muitas tarefas, se encarassem a coisa toda de maneira diferente”, explica. “Mas percebem as alterações provocadas pelo declínio hormonal como piora.”

Descobrir e fazer uso de novas forças de certo não é fácil, e Donna Korol ainda não ofereceu comprovação definitiva de sua teoria. Ainda assim, seus resultados parciais ensejam algumas dúvidas quanto à ideia de que, depois da menopausa, o cérebro feminino se beneficiaria como um todo de uma espécie de terapia de reposição do estrogênio.

Certo, porém, é que o estrogênio pode fazer muito mais que dar às mulheres aparência diferente da masculina. Por meio de receptores em regiões cerebrais como o hipocampo, o mais importante hormônio sexual feminino contribui para muitas “pequenas diferenças” no modo de pensar e nos talentos específicos de homens e mulheres. Mas enquanto os efeitos do estrogênio sobre o cérebro não forem conhecidos com exatidão, é necessário conter a euforia. Ou não servem de advertência as acaloradas discussões da atualidade a respeito da ampliação do risco de câncer em decorrência de terapias de reposição hormonal.

O ÓRGÃO SEXUAL CHAMADO CÉREBRO: RAÍZES DA HOMOSSEXUALIDADE

Os elefantes fazem, os pinguins fazem, os golfinhos fazem, as girafas fazem e muitos seres humanos fazem também – isto é, sexo com parceiros do mesmo sexo. Já se observaram comportamentos homossexuais em mais de 450 espécies até agora. As causas são motivo de veementes discussões. Teóricos da evolução procuram pelo “gene homossexual”, por enquanto sem sucesso. Freudianos responsabilizam problemas na infância, mas não oferecem comprovação inequívoca de sua tese. E, como nosso órgão sexual mais importante é sabidamente aquele que trazemos entre as orelhas, claro que também os neurocientistas partiram em busca das raízes da homossexualidade.

Localizaram-nas no hipotálamo, ou seja, a região cerebral que controla impulsos tão elementares como a fome e o sono. Em1978, Roger A. Golsky, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, descobriu que um grupo de células nervosas da porção anterior do hipotálamo é muito maior nos ratos machos do que nas fêmeas. Conforme mostraram experimentos posteriores, o crescimento desse núcleo, chamado INAH-3, varia de acordo com o nível de testosterona. Se, logo após o nascimento, ratos machos são privados por castração do hormônio sexual mais importante, seu INAH-3 permanecerá. na idade adulta, tão pequeno como o das fêmeas. E também seu comportamento reprodutivo se tornará feminino.

Normalmente, os roedores se acasalam da seguinte maneira: o macho sobe na fêmea e a agarra com as patas dianteiras; a fêmea curva o dorso e ergue o traseiro, a fim de facilitar a penetração. Machos castrados rompem com esse comportamento sexual. Quando um companheiro de mesmo sexo sobe neles, os castrados arqueiam o corpo e assumem a posição da fêmea. E mais: se é administrada testosterona em fêmeas logo após o nascimento, também elas, quando adultas, e depois de uma nova dose de hormônio, montarão outras fêmeas.

Decerto, a vida sexual dos humanos toma forma bem mais complexa que a dos roedores, mas também em nosso hipotálamo existe essa pequena diferença. Nos homens, o INAH-3 é de duas a três vezes maior que nas mulheres. Mas talvez isso só valha para os heterossexuais. Comparando os cérebros sem vida de homens com preferências sexuais variadas, o neurocientista Simon LeVay – então no Salk Intitute, em San Diego – constatou que o INAH-3 de alguns homossexuais apresentava “tamanho feminino”. Mas havia exceções, e elas alimentaram todo tipo de dúvida quanto ao valor do estudo. “A orientação sexual das pessoas pode ser investigada no plano biológico: é isso que nos mostram as diferenças de tamanho dos núcleos”, concluiu LeVay. A comprovação, no entanto, não veio até hoje. E mesmo que se confirmasse, permaneceria incerto se é a característica anatômica que baliza o comportamento ou se não seria, por acaso, o contrário.