A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CRIANÇAS SOB FOGO CRUZADO

Sabemos de que é feita uma relação quando ela se desfaz; na separação os filhos podem ser as principais vítimas

Em agosto de 2010, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 12.318, que dispõe sobre a alienação parental, permitindo aos juízes interceder em casos de exageros praticados por um dos pais que ataca a imagem e a autoridade do outro. A síndrome da alienação parental faculta a imposição de penalidades ao cônjuge alienador (desde multa até a inversão da guarda). Descrita por Richard A. Gardner em 1985, a síndrome ocorre tipicamente no contexto de separação do casal, quando um dos pais começa uma campanha sistemática para desmoralizar o outro. Geralmente, aquele que detém a guarda da criança cria uma interpretação tão negativa do outro que o filho abandona sua habitual e esperada atitude (gerada pela separação) de divisão subjetiva, conflito e angústia, iniciando uma espécie de “alinhamento automático” (alienação). Passa a reproduzir discursos, crenças, práticas e sentimentos do alienador. Sem culpa ou ambivalência e com justificativas fracas ou absurdas para explicar a depreciação chega-se a situações nas quais o filho pode recusar visitar ou ver o pai ou a mãe, generalizando o ódio para outros parentes, o que pode ser lido como ato de desamor e “tomada de partido” por parte da criança, causando no genitor acusado decepção, indiferença e abandono, que acabam por “produzir” ou “confirmar“ o estado de coisas que inicialmente era uma ficção (mesmo que inspirada em fatos reais). Frases como “seu pai não se importa com você”, “ela não te (nos) ama”, “ele só quer saber da outra”, “ela nunca cuidou direito de você” tornaram-se, na expressão da lei, enunciados que nenhuma criança jamais deveria escutar de seus pais.

É comum que os filhos fiquem expostos ao processo de interpretação das razões, causas ou motivos da separação. São alvo de fogo cruzado, levando e trazendo recados, desaforos e ressentimentos de um para o outro.

Sabemos de que é feita uma relação quando ela se desfaz. E ela nem sempre se desfaz quando formalmente decretamos seu fim. Há finais que não terminam e há términos que não acabam. Por isso é raro que uma criança enfrente dificuldades realmente novas durante uma separação. Em geral, desvelam-se e ampliam-se as disposições e conflitos há muito tempo presentes. Isso é cruel no caso em que a criança é reduzida a instrumento de vingança, alienada ao desejo de um dos pais. Nesta circunstância ela é privada de uma das possibilidades mais importantes e criativas, fornecida involuntariamente pelo contexto: experimentar, reconhecer e confrontar sua própria capacidade de desejar separações.

O termo alienação possui dupla conotação: 1) estranhamento e impossibilidade de reconhecermo-nos em algo que nós mesmos produzimos, que nos aparece como algo separado de nós; 2) exteriorização, separação ou perda de nossa própria consciência. No século 18 os loucos eram chamados de alienados, pois supunha-se que não podiam se reconhecer nos próprios atos, que não tinham responsabilidade sobre eles e haviam perdido a própria consciência, estavam fora de si. Portanto, separar-se e alienar-se são literalmente sinônimos, mas ao mesmo tempo opostos. É isso que está em jogo na síndrome da alienação parental: privar a criança do mais simples, primário e esquecido direito à contradição. Imaginamos sempre que a coerência é um valor indiscutível na educação. Pais que praticam a alienação parental estão sendo racionalmente coerentes com seu desejo de vingança – e demasiadamente coerentes com sua interpretação extremada e rasa de quem está com a razão e quem é o melhor cuidador para a criança. É loucura ou alienação, mas não destituída de método. Ainda bem que nossa Justiça reconheceu, contra a supremacia da coerência, o direito da criança de experimentar sua própria contradição ao reconhecer-se na contradição do desejo do outro.

OUTROS OLHARES

A TODA VELOCIDADE

De modelos dobráveis a mountain bikes, multiplicam-se no Brasil as versões de bicicleta elétrica. Mas o preço é ainda de tirar o fôlego

Quando as baterias modernas passaram a ser acopladas ao quadro das bicicletas, elas viraram uma opção ainda mais interessante dentro da trilha ecologicamente correta para driblar os graves problemas de mobilidade nas grandes cidades, sobretudo nas metrópoles com topografia irregular, cheias de ladeiras que exigem fôlego de ciclista profissional para ser vencidas. Mas o negócio precisou de muita pedalada para engrenar. Surgidas na década de 90, as primeiras e-bikes, como esses veículos são chamados, tinham preços super proibitivos, eram pesadas demais, sem nenhum charme no design. Nos últimos anos, com o aumento da popularidade do produto, os preços começaram a cair e os fabricantes diversificaram as opções. Somente no Brasil apareceram mais de vinte novos modelos desde 2018, entre nacionais e importados. As alternativas vão de bicicletas dobráveis a mountain bikes. “Muita gente está revendo o estilo de vida após perceber a quantidade de tempo que se perde encalhado no trânsito”, diz João Magalhães, organizador do Shimano Fest, o maior evento especializado no mercado de ciclismo do país. “As e-bikes crescem na esteira dessa mudança de comportamento.”

Um passo fundamental para a evolução do negócio foi o surgimento de baterias e de motores menores. No caso dos propulsores elétricos, os antigos chegavam a pesar mais de 4 quilos. Os atuais têm quase metade do tamanho. Algumas marcas brasileiras se aproveitaram disso para lançar recentemente e-bikes compactas. Fabricante do Rio de Janeiro, a Lev colocou no mercado a D, que é dobrável e possui uma bateria com 30 quilômetros de autonomia. Pode ser recarregada em uma tomada simples. A operação leva de cinco a seis horas. Sua principal concorrente no país, a S, da Skape, outra bicicleta dobrável, tem um dispositivo especial que pode ser acionado em subidas mais íngremes, dando um impulso extra ao ciclista.

O desenvolvimento da tecnologia levou os mesmos avanços para outros modelos, além daqueles dedicados ao uso urbano. Uma das ondas do momento são as mountain bikes elétricas. Nesse caso, o motor é utilizado para acrescentar adrenalina à brincadeira off-road. Exemplo da tendência é a brasileira Scalator, que começou a ser vendida no início de 2019. É uma das e-bikes mais caras do Brasil (custa 12.890 reais) e chega a atingir 40 quilômetros por hora. “Elas estão fazendo com a mobilidade o que a guitarra elétrica fez com o rock: chegaram para amplificar as possibilidades”, compara Luciano “KDra” Lancellotti, instrutor e ciclista profissional. Em sua atividade, ele percorre trilhas e dá dicas a seus pupilos na Serra da Cantareira, em São Paulo. “Consigo hoje praticar e dar aulas por nove horas, coisa que seria impossível apenas usando a força das minhas pernas”, conta.

A multiplicação de e-bikes no Brasil também abriu novos mercados para esse produto. Alguns entregadores de aplicativos como Rappi e Uber Eats andam investindo nesses equipamentos para conseguir percorrer longas distâncias e, consequentemente, efetuar mais entregas. A Polícia Militar de São Paulo também começou a usar veículos desse tipo em rondas pela capital, depois de receber, em julho, uma doação de 75 veículos feita pelo Grupo Iguatemi. Outros 125 serão incorporados à frota até o fim do ano. No total, o presente custou cerca de 800.000 reais.

No exterior, o mercado de e-bikes está em um estágio ainda mais acelerado. Nos Estados Unidos, até a lendária fabricante de motos Harley­ Davidson colocou esse produto na sua rota. Em março, a companhia adquiriu a StaCyc Inc., especializada em e-bikes para crianças. Além de manter essa linha de montagem, a Harley anunciou que trabalha em protótipos para o público adulto. Na Europa, cerca de 40% da frota de bicicletas já é formada por e-bikes. No Brasil, a fatia é de 1%. Segundo o levantamento mais recente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), a produção atual dessa modalidade de bikes no país é de aproximadamente 500 unidades por mês. Ainda que os preços tenham caído desde a década de 90, não é possível encontrar hoje, por aqui, nenhum modelo bom por menos de 3.990 reais. Mesmo os nacionais levam componentes importados, como as baterias de lítio, que encarecem o produto final.

Mas a entrada de grandes empresas no jogo, com produção em larga escala, pode ajudar a baratear o negócio. Maior fabricante de bicicletas do país, a Caloi possui hoje três e-bikes. A mais recente da linha, lançada em julho, a E-Vibe EasyRider, custa 5.000 reais. “Estamos trabalhando para tentar lançar unidades com valores a partir de 2.900 reais nos próximos anos”, afirma Cyro Gazola, presidente da companhia. A startup Vela monta sob encomenda dois modelos, a Vela1 (5.890 reais) e a Vela S (5.790 reais). Agora, investe na construção de uma fábrica para multiplicar por dez o atual volume de produção, de modo a chegar à marca de 500 e-bikes por mês. Assim, de pedalada em pedalada, o mercado brasileiro de bicicletas vai ficando cada vez mais elétrico.

GESTÃO E CARREIRA

CUIDADO COM A HOSTILIDADE

Da grosseria do chefe à piada sem graça, as demonstrações de desrespeito no trabalho têm muitas faces e minam a autoestima, a performance e a saúde. Aprenda a detectar essa atitude e a se proteger.

Pense naquele chefe que segura todo mundo no escritório até tarde da noite. Ou naquele que só lembra seu nome quando é para chamá-lo aos gritos na sala dele. Pense no colega que coloca apelido em todo mundo ou no outro que se gaba de ser o favorito da alta gerência. As situações de hostilidade estão por toda parte no dia a dia profissional e é praticamente impossível passar ileso por elas – como vítima, testemunha ou sendo o próprio autor do desrespeito. Primeiro, porque onde houver relações humanas haverá conflitos. Além disso, o ambiente competitivo, a cobrança por resultados e a convivência de diferentes gerações no mesmo espaço de trabalho (coisa mais comum a cada dia) criam um cenário propício para atitudes ríspidas, agressivas e insensíveis.

A professora Christine Porath, da Escola de Negócios da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, estuda as causas e os efeitos da hostilidade no trabalho há duas décadas. O interesse pelo tema surgiu depois de ela mesma passar dois anos em um emprego em que era submetida diariamente a todo tipo de desrespeito. Ela é autora do livro Mastering Incivility – A Manifesto for the Workplace (“Dominando a hostilidade – um manifesto para o ambiente de trabalho”, numa tradução livre, sem edição no Brasil). “Minhas pesquisas com milhares de profissionais ao longo desse tempo revelaram que 98% já viveram situações hostis no dia a dia de trabalho e 99% testemunharam episódios desse tipo”, diz. E, segundo ela, todo mundo sai perdendo quando o ambiente se toma tóxico. “Sentir-se desrespeitado afeta a motivação, a criatividade, a colaboração, o engajamento e a produtividade.”

PREÇO A PAGAR

Para as empresas, os prejuízos vêm na forma de absentismo, de perda de profissionais, de baixa performance, de custos com a saúde dos empregados, de indenizações e de fuga de clientes, que cada vez mais se distanciam de marcas que não consideram éticas. Um estudo de 2013 publicado na revista Fortune revelou que os executivos das 1.000 companhias mais importantes dos Estados Unidos gastaram cerca de 13% do tempo de trabalho (o equivalente a sete semanas por ano) agindo para corrigir prejuízos causados por atitudes hostis e para restabelecer a relação de confiança com os funcionários. Estima-se que os danos provocados pela falta de civilidade nas organizações custem 6 bilhões de dólares por ano às empresas americanas.

A saúde dos trabalhadores, claro, também paga o pato. “A tensão gerada pela convivência diária em um ambiente hostil estimula a produção de substâncias inflamatórias que afetam a imunidade e prejudicam o sono”, explica a psiquiatra Lívia Beraldo de Lima Basseres. Estresse e ansiedade, aliás, estão entre as principais causas de afastamento por adoecimento relacionado ao emprego, de acordo com dados do Ministério do Trabalho, e favorecem quadros de burnout e depressão.

Em um momento em que a ética e a transparência nos processos e nos relacionamentos são cada vez mais valorizadas pelos consumidores, as empresas precisam estar atentas para não perder dinheiro. Uma pesquisa de coautoria de Christine Porath publicada no Journal  of Consumer Research mostrou que presenciar um garçom ou vendedor de loja sendo hostilizado pelo gerente  do estabelecimento, por exemplo, pode fazer com que o cliente desista da compra e até  de frequentar o lugar. Isso porque ele tende a fazer uma generalização negativa daquele comportamento (ou seja, achar que é a norma válida na empresa) e preferir não colocar ali o dinheiro dele. Com a facilidade para que a informação seja passada adiante – basta um clique para postá-la nas redes sociais -, o prejuízo para a reputação do negócio pode ser enorme. Tem mais. “O líder que não se relaciona bem com o time corre o risco de gerar ruídos na comunicação com o cliente e acabar perdendo-o,” observa Caroline Marcon, coach executiva e especialista em comportamento organizacional. Não dá para pensar que falta de respeito e atitudes rudes aconteçam apenas de cima para baixo na hierarquia. Afinal, se quase todo mundo sofre com elas é porque os agressores estão por toda parte. Também não está certo achar que comentários sarcásticos e críticas “construtivas” não façam mal a ninguém. Elas podem, sim, soar como hostilidade para um, mas não para outro – a compreensão e a tolerância variam de acordo com a geração, o gênero, o contexto em que a pessoa foi criada e até a cultura da empresa. Pior: o comportamento é contagioso. “Um gestor que não respeita e não pune nem adverte quem desrespeita acaba alimentando uma cultura de hostilidade, já que a equipe pode achar que aquele é o comportamento adequado para sobreviver no ambiente”, afirma Caroline.

Ser gentil é ficar para trás? Agendas sempre cheias e estresse são explicações comuns para o distanciamento de chefes e equipes, o que frequentemente acaba favorecendo relações frias e comportamentos hostis. Outra crença que justifica tratamentos rudes de gestores para com os subordinados é que perderão o respeito e a capacidade de liderança se forem amigáveis e colaborativos. As pesquisas de Christine Porath, no entanto, demonstram exatamente o contrário: o que faz um líder ser admirado pelo time tem mais a ver com o acolhimento, a gentileza, a confiança e o respeito que ele pratica no dia a dia. Ter um chefe agradável e respeitoso resulta em mais criatividade, desempenho e resiliência, estimula a proatividade e reduz o desgaste emocional mesmo em momentos puxados na rotina de trabalho.

Em um levantamento global com mais de 20.000 trabalhadores, a pesquisadora descobriu que aqueles que se sentiam respeitados pelo chefe eram 55% mais engajados, 56% mais saudáveis, 89% mais satisfeitos e felizes e 92% mais focados. “Ser tratado com civilidade mostrou ter mais efeito sobre a performance e os resultados do que receber reconhecimento, elogios ou feedback positivo”, conclui Christine. Ter interesse em construir relações sinceras com os subordinados, saber ouvir e estar aberto para a colaboração também são fundamentos básicos da liderança respeitosa. “É importante estar consciente das próprias ações e tentar entender como elas são recebidas e o que provocam em quem está em volta”, observa Patrícia Volpi, professora de RH dos MBAs Internacionais do Profuturo da FIA.

PROTEJA-SE DOS ATAQUES

Se nem sempre é possível controlar ou mudar o comportamento de alguém, agir para minimizar os prejuízos de uma convivência pouco amigável no trabalho está a seu alcance. Veja como:

COMPARTILHE O INCÔMODO

Conversar com o autor da agressão sobre seus sentimentos ou procurar um colega ou o RH para orientação sobre como agir ao se sentir agredido deve ser o primeiro passo para impedir que a atitude se perpetue. “Só não se deve evitar falar sobre o problema, por mais espinhoso que seja”, diz Carina Abud Alvarenga, advogada e cofundadora da Burithi, consultoria em gestão de conflitos das organizações. Isso pode funcionar como uma validação para que o comportamento seja replicado e contamine ainda mais o clima.

SEPARE VIDA PRIVADA E PROFISSIONAL

Ok, nem sempre é fácil. mas cultivar interesses, amizades e atividades fora do expediente é uma forma de fortalecer o lado emocional e não levar para o pessoal questões com o chefe, colegas ou clientes. Conversar sobre problemas do trabalho com alguém de fora ajuda a ver as coisas de outro ponto de vista e a encontrar saídas que você talvez não enxergasse sozinho.

BUSQUE SENTIDO NO TRABALHO

Ter clareza sobre os ganhos não materiais que o emprego atual proporciona é a chave para dispor de resiliência e gratidão e não se deixar abater facilmente pela hostilidade enfrentada no dia a dia – seja como vítima, seja como espectador.

CUIDE DE SEU BEM-ESTAR

Praticar atividade física, ter uma alimentação saudável, dormir bem e investir em hobbies, lazer e o que mais for prazeroso para você funciona como uma espécie de vacina contra os efeitos nocivos de ambientes de trabalho pesados -inclusive o surgimento de doenças físicas e mentais. Malhar e meditar, por exemplo, são comprovadamente eficientes para regular o humor, acalmar e desenvolver habilidades cognitivas importantes, como raciocínio, foco e memória, comprometidas em circunstâncias estressantes.

O PREÇO DA GROSSERIA

Sentir – se maltratado afeta diretamente os relacionamentos e a produtividade. Entre profissionais que viveram situações em que foram desrespeitados:

NÃO É SÓ GRITARIA

A hostilidade impera sob vários disfarces nos locais de trabalho. E você, mesmo sem se dar conta, pode estar agindo assim. Também é falta de respeito:

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 14 – O MINISTÉRIO E AS CRIANÇAS

Já foi demonstrado que os demônios podem ganhar entrada num feto e nas crianças; é óbvio, pois, que deve existir libertação para elas. Os demônios podem ser expulsos de crianças, da mesma maneira como dos adultos”. ‘Haverá manifestações dos espíritos saindo pela boca e nariz, tanto quanto em outras libertações.

Geralmente é fácil libertar as crianças. Desde que os espíritos não tenham passado muito tempo nelas, os demônios estão ainda na superfície. Há exceções com as crianças que foram expostas ao ataque demoníaco por circunstâncias severas. As manifestações dos demônios podem ser dramáticas, tanto nas crianças quanto nos adultos.

Um jovem casal cristão trouxe seu filho de 3 meses para nossa ministração. Era seu primeiro bebê e os pais não estavam concordando sobre a disciplina que lhe dariam, até que apareceu um forte argumento.

Durante a briga a criança começou a gritar e, desde então, parecia que a criança estava sofrendo de espíritos de tormento. Minha esposa segurou a criança nos braços e mandou os espíritos embora em nome de Jesus. Enquanto o primeiro demônio saía, a criança ficou rígida e deu um grito. Mais dois demônios saíram da mesma maneira. O bebê acalmou-se e logo estava dormindo tranquilamente.

Uma menina de quatro anos foi liberta enquanto estava sentada no meu colo, folheando um livro de histórias bíblicas. O Espírito Santo dirigiu meus comentários sobre as figuras, usando-os na identificação dos espíritos e nas ordens para saírem. Eles saíram tossindo.

Duas outras crianças da mesma família, de seis e sete anos, receberam nossa ministração, de modo informal. Estas duas crianças maiores tinham sido a causa de grande consternação para os pais. Elas eram teimosas demais. Depois de serem libertas, houve nelas uma transformação tal que chamou a atenção de pessoas de fora da família.

Para a maioria das crianças de 5 ou 6 anos, podemos dar uma simples orientação sobre aquilo que vai acontecer antes de começar a ministração. Elas têm de saber que você não está falando com elas, pois ficariam assustadas ou ofendidas pelas palavras de ordem dirigidas aos espíritos.

Em geral, as crianças cooperam muito bem. Como elas geralmente se sentem melhor com os país, é melhor que um dos pais segure a criança durante a ministração. O ministro de libertação tem de discernir as reações da criança que são atribuídas aos demônios que estão sendo agitados. Os espíritos podem fazer a criança não gostar de ficar com a mãe nem com o pai. Ela pode chorar, gritar ou mostrar sinais de grande medo.

Os demônios usam várias táticas para fazer a pessoa pensar que é a criança que está sendo prejudicada, de modo que o ministro, ou o pai, estará com tanta pena da criança que fará parar a libertação, e os demônios ficarão.

Especialmente na ministração às crianças, é necessário lembrar que não é a altura da voz que faz o demônio obedecer, mas a autoridade no nome e sangue do Senhor Jesus Cristo. As ordens podem ser dadas com muita calma, e a criança entenderá muito pouco o que está acontecendo.

Como é que as crianças e os bebês conservam sua libertação, uma vez libertados? Não é responsabilidade da criança, mas da pessoa responsável por ela. Sei que você encontrará nas Escrituras que, quando Jesus ministrou às crianças, um dos pais ou ambos estavam presentes. É responsabilidade dos pais serem os protetores espirituais de seus filhos.

O caso seguinte é apresentado por minha esposa e ilustrará a maioria dos fatores envolvidos na libertação de uma criança:

“A mais vivida libertação infantil que já vi foi a de uma menina de seis anos. Vamos chamá-la de Maria. O pai de Maria veio à procura de libertação. Durante a entrevista, falou da sua dificuldade em disciplinar a filha. Ele e sua esposa eram desquitados e ele estava criando a menina. Disse que ela dava muito trabalho, e era teimosa e rebelde. Ele ficava muito sentido com isso, pois a natureza da menina criara nele uma raiva excessiva, e ele acabava castigando-a severamente. Nós dissemos que Maria precisava de libertação tanto quanto ele, ou até mais, e insistimos para que ele a trouxesse.

“Uns dias mais tarde, Maria veio à igreja diretamente da escola. Devo mencionar aqui o fato de que, enquanto estava fazendo amizade com ela e explicando que queria orar por ela, Maria tomou meia garrafa térmica de laranjada. Ela era hiperativa, pulando no banco da igreja, absolutamente incapaz de ficar quieta durante nosso bate-papo.

“Eu disse: Maria, seu pai me disse que você sabe que espíritos maus existem. Os olhos dela abriram-se e ela contou que todas as noites tinha de verificar se todas as portas estavam trancadas, antes de dormir. Ao levantar-se uma noite, para tomar água, ela ficou com medo e teve de verificar, as portas novamente. Eu disse: ‘Sim, isso é medo, Maria. Você está perturbada por um espírito de medo. É ele que faz você ficar com medo, e quero orar por você e fazer com que ele deixe seu corpo. Ele entrou em você, e, quando eu orar, ele sairá pela boca.’ Ela aceitou minhas palavras com a fé simples e pura de uma criança.

“Convidei-a a sentar-se junto a mim, enquanto eu estava orando. Ela o fez, mas ficou tão inquieta que eu tive de colocá-la no meu colo para que ela ficasse perto de mim. Ela sentou-se encostada em mim. Comecei a orar com fé e confiança que Jesus ia libertada. O Espírito Santo claramente me disse para falar em voz baixa — mais baixa ainda do que a que usei para conversar. Disse-me também para considerar cada palavra que agora ia sair da sua boca como sendo inspirada por demônios.

“Comecei a confrontar os demônios. Eu disse: ‘Vocês, demônios que habitam no corpo de Maria, vocês têm de saber que Maria está coberta pelo sangue de Jesus, pela relação que seu pai tem com Jesus.

Tal como o pai que nos dias de Moisés colocou sangue no batente da porta para proteger a família, assim está Maria sob a cobertura do sangue. Demônios, também quero que vocês saibam que o pai de Maria ouviu e aceitou a verdade da Palavra de Deus a respeito de vocês. Ele sabe agora que tem sido vocês contra quem ele tem lutado e não contra Maria.’

“Percebi que Maria estava murmurando e inclinei a cabeça para ouvir melhor. Ela estava dizendo: ‘Não gosto daquilo que você está dizendo’. Repliquei: ‘Sei que vocês não gostam, pois estou expulsando vocês. Maria tem sido atormentada por vocês desde antes de seu nascimento; ainda no ventre da mãe, alguns de vocês entraram. Mas Deus disse que vocês não podem mais habitar nela.’ Novamente o demônio em Maria começou a murmurar.

Desta vez, em palavras forçadas e rebeldes, eles reagiram: ‘Não… gosto… do… que… você… está… dizendo!’ Com muito cuidado, respondi em voz baixa: ‘A situação não vai melhorar para você, demônio, mas vai piorar porque você será expulso dela hoje. Você está perdendo sua casa’. Com isso, o demônio gritou, dizendo: ‘Não gosto do que você está dizendo, cala a boca, viu!’ Respondi: ‘Não. Não vou calar-me, mas vou

continuar a falar até você deixar o corpo dela.’

“Continuei confrontando-os. ‘Agora, demônios, comecem a se manifestar, em nome de Jesus.’ Imediatamente Maria começou a sussurrar de novo: ‘Você não me ama; se me amasse, não iria me segurar.’ Respondi: ‘Certo, demônio de rejeição, você impedia o amor que era dado à Maria. Você a fez pensar que ninguém a ama — até mesmo Deus. Você vai sair dela agora, rejeição, em nome de Jesus.’ Um por um, os demônios começaram a manifestar sua natureza. Eles vinham tão rápido que eu mal tinha tempo para identificar um, e lá vinha outro.

“Os demônios estavam forçando Maria a sair do meu colo, apesar de eu poder segurá-la em meus braços, sem problema nenhum. No fim, tive de prender uma perna dela entre as minhas. O demônio de ódio pôs o rosto dela no meu e, com o nariz dela no meu, gritou: ‘Odeio você.’

Ainda falando com voz suave, mandei o demônio de ódio sair. Ela começou a gritar: ‘Quero uma faca, quero uma faca!’ O demônio apertou os dentes de Maria e disse: ‘Quero uma faca para matar você.’ ‘Você, demônio de homicídio, mando você sair em nome de Jesus.’

“Em seguida, Maria levantou-se, colocou as mãos nos quadris, dizendo: ‘Ninguém NUNCA me disse o que fazer!’. Eu disse: ‘Provocação, saia!’.

“Houve uma mudança distinta em sua voz quando o próximo demônio falou. Ele disse: ‘Eu faço só aquilo que quero.’ Eu disse: ‘Vontade-própria, saia!’ Houve outra mudança na voz ao dizer: ‘Você nunca me fará sair.’ ‘Teimosia, você tem de sair também’, insisti. Maria levantou as mãos como se fossem umas patas com unha afiadas e atacou meu rosto; seus olhos estavam salientes, e ela gritava. Eu disse: ‘Loucura, saia de Maria em nome de Jesus.’

Ela começou a arrancar os cabelos e mover a cabeça violentamente. Eu disse: ‘Enfermidade mental e loucura, saiam’. Em seguida era esquizofrenia, pena-de-si, rejeição, rebelião e amargura. ‘Nenhuma dessas personalidades é a verdadeira Maria. Eu desligo a verdadeira Maria para ser aquilo que Jesus deseja. ‘Com isso, ele arranhou meu braço, me mordeu e rasgou minha blusa.

Neste ponto, ela olhou para mim muito surpreendida porque não bati nela. Percebi que era a verdadeira Maria que ficou surpreendida. Confrontei os demônios, dizendo: Não, demônios, não vou castigar Maria por ter feito isto, porque posso separá-la de vocês. Por tempo demais ela tem sido castigada na carne pelas coisas que vocês têm feito por meio dela. Hoje é diferente. Vocês são os castigados e Maria está livre.’

Maria descansou por um segundo, e daí outros demônios começaram a agir.

“Finalmente, depois de 20 ou 30 minutos de ministração, Maria começou a gritar implorando para ser largada, dizendo: ‘Não segure minha perna!’ O Espírito Santo indicou-me que agora ela podia sentar-se no banco ao meu lado. Ela estava chorando quietinha. ‘Não gosto que você me segure assim.’ Eu culpei os espíritos malignos por aquilo, e ela gostou da ideia de que finalmente eles eram os culpados e não ela.

“Maria sentou-se bem quietinha, e o Espírito Santo indicou que eu poderia mandar o resto sair, e eu o fiz com: ‘Todo o resto de vocês, demônios, saiam em nome de Jesus!’ Imediatamente, Maria ficou com náusea, e, antes que eu pudesse pegar uma toalha, ela vomitou uma bola de muco, enchendo suas pequenas mãos e as minhas. Ela olhou para mim sorrindo e banhada em paz.

“Lembre-se de que no começo contei que Maria havia tomado laranjada ao chegar para nossa ministração. Não houve nada de laranjada no vômito, pois não procedeu do estômago.

“Ficamos conversando uns 15 minutos. Maria ficou quietinha, em contraste à natureza hiperativa demonstrada antes. O seu pai ficou pasmado. Ele observou tudo com sentimentos mistos, sem o discernimento e experiência que eu tinha. Ele pensava que Maria estava sendo maltratada, mas resistiu ao impulso de interferir na ministração.

“Embora eu não tenha tido contato pessoal com Maria, as notícias dela são maravilhosas, como: ‘Ela está tão diferente! Nem parece a mesma menina.’ ‘Ela responde ao amor’, etc.

“Meus olhos se enchem de lágrimas quando me recordo dessa libertação. Foi a primeira libertação que me fez chorar. A luta foi tão tumultuada, e a paz tão maravilhosa, que eu não pude deixar de chorar. A Deus seja a glória.”

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O AMOR NOS TEMPOS DO “SUGAR”

Nos “relacionamentos açucarados”, o dinheiro é o protagonista: um parceiro, em geral mais velho, banca as despesas do outro, jovem

Entre as várias tramas paralelas que sustentam o enredo de A Dona do Pedaço, novela de Walcyr Carrasco, exibida pela Rede Globo no horário nobre do gênero, às 21 horas, um casal tem chamado atenção. Otávio, um ricaço com ares de setentão, vivido na tela por José de Abreu, se diz apaixonado pela mulher, Beatriz (Natália do Vale), mas mantém um meloso relacionamento com a Lolita Sabrina (Carol Garcia), ex-garota de programa. A cada cena, é sugar daddy para lá (é ele), sugar baby para cá (é ela). Sócio de uma construtora, o empresário alugou um flat para a moça e paga todas as suas contas. São felizes assim, à sua maneira — até o próximo capítulo.

A história de Otávio e Sabrina está servindo para popularizar a nova moldura que contorna um antigo modelo de relacionamento, no qual alguém, normalmente com boa situação financeira, banca uma pessoa, quase sempre bem mais jovem, em troca de uma convivência que pode levar a um envolvimento íntimo, sexual. “Nos romances do século XIX era muito comum a figura do protetor, que agora simplesmente mudou de nome, com posturas contemporâneas”, disse Carrasco, o autor do folhetim global, a VEJA.

A moda de que se está falando desembarcou no Brasil em 2015, vinda dos Estados Unidos, onde brotou no início dos anos 2000 — daí o uso dos termos em inglês. Em um relacionamento sugar (açúçar, naquele idioma), há um daddy (papai) ou uma mommy (mamãe), homem ou mulher que têm condições de financiar um(a) baby (bebê), rapaz ou moça em busca justamente de quem lhe propicie conforto material.

“PAPAI” – O empresário Noor: em busca de “uma mulher interessante”

Como acontece com outras tendências comportamentais da atualidade, o “fenômeno sugar” se propaga pela internet — por meio de sites de relacionamento, entre eles o Meu Patrocínio, líder no Brasil em tal modalidade, com mais de 2 milhões de pessoas cadastradas. Nele e em outras plataformas, como a Universo Sugar, os interessados expõem sua disposição para entrar em uma relação que, sem eufemismos, será pautada pelo dinheiro. Não provocaria nenhuma estranheza se, diante desse quadro, a primeira ideia que viesse à mente fosse prostituição. No caso dos “relacionamentos açucarados”, porém, não é disso que se trata.

Tome-se o exemplo do empresário Arif Noor, de 56 anos, ugandense que vive em São Paulo. Cadastrado há dois meses no Meu Patrocínio, o sugar daddy conta que até agora não se relacionou intimamente com nenhuma moça do site. Contudo, por meio da plataforma conheceu a manauense Luciele Pimentel, de 28 anos, a sugar baby que se tornou sua parceira… de negócios! “Saímos para um encontro e acabamos fechando um trabalho. Ambos vimos uma oportunidade para empreender juntos no ramo da moda”, relata Noor. “Ainda estou em busca de uma mulher interessante para uma relação romântica”, diz ele. Luciele, por sua vez, afirma que atingiu seu objetivo. “Deixei o Meu Patrocínio porque encontrei o que buscava. Literalmente um patrocínio para ajudar a alavancar minha carreira como estilista”, comemora.

‘‘MAMÃE’’ – Marisa Araújo: “Se eu fosse homem, não me questionariam”

Inscrita na plataforma há três anos, a produtora paulistana Fernanda Rizzi, de 38, narra que, depois de várias frustrações amorosas — e de uma relação que chegou a prejudicá-­la financeiramente —, decidiu mergulhar no universo sugar, no qual o dinheiro já faria mesmo parte do jogo. “Nunca fiz sexo em troca de pagamento. Ganhei mimos, como viagens, sapatos, bolsas. Hoje meu daddy mora na França e me ajuda com um curso de francês”, explica ela.

Fora do modelo convencional, a empresária carioca Marisa Araújo, de 57 anos, se tornou uma rara sugar mommy. Casada por 24 anos, separada há cinco, com dois filhos, ela diz que não quer outra relação conjugal estável. “Sou livre. Se fosse um homem no meu lugar, nem me perguntariam sobre pagar contas para alguém mais jovem”, provoca.

Para Jennifer Lobo, empreendedora americana radicada no Rio, onde fundou o Meu Patrocínio, há quatro anos, a proposta do movimento no qual figura como uma das líderes é promover relacionamentos transparentes. “As pessoas não falam sobre dinheiro. O tema é tabu. Entretanto, a partir do momento em que um casal entra em acordo nesse tópico, tudo se torna mais honesto”, esclarece ela. “De um lado, dos daddies e das mommies, temos pessoas ricas que buscam jovens lindos. De outro, meninas e meninos que procuram conforto. Mas todos, no fim, precisam de afinidade para a relação se sustentar”, avalia Jennifer.

“BEBÊ” – A produtora Fernanda Rizzi: curso de francês pago pelo ‘daddy’

Embora não tenham a prostituição como base das relações que intermedeiam, os sites sugar recebem denúncias de propostas assim. A ordem, nessas situações, é banir os desrespeitosos. “Não queremos esse tipo de ambiente na plataforma”, garante Jennifer. Segundo a baby paulistana Eduarda Park, de 24 anos, cadastrada no Meu Patrocínio e no Universo Sugar, as ofertas de programa oscilam entre 400 e 2 000 reais. “Normalmente elas são feitas por homens casados”, destaca Eduarda. Para se prevenirem, as babies criaram grupos, no Facebook e no WhatsApp, nos quais trocam informações sobre os homens. Eles, os daddies, descobriu Eduarda, também têm seus grupos — para compartilhar nudes das babies. De todo modo, conforme explica Renato Opice Blum, advogado especialista em tecnologia, os sites não poderiam ser responsabilizados em caso de exploração sexual: “Os apps estimulam o encontro, não a prostituição”.

Na opinião da sexóloga Marina Simas, sócia-diretora do Instituto do Casal, de São Paulo, o acordo firmado nos relacionamentos sugar pode ser até bom a curto prazo, “no entanto, há dúvidas quanto à sua durabilidade”, pontua. “No primeiro momento, um é dependente do outro e há relação de poder. O que acontecerá quando a baby quiser autonomia ou quando envelhecer?” Para Marina, o relacionamento sugar tradicional, entre o homem mais velho e a mulher mais nova, seria ainda resquício da sociedade patriarcal. “A plataforma amplifica o modo como vivemos na cultura machista”, acredita a especialista.

Em dias de “modernidade líquida” — para usar a expressão consagrada pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman (1925-2017) —, com o mundo “propenso a mudar com rapidez e de forma imprevisível”, a fragilidade dos laços humanos salta à vista. O próprio amor é líquido — como se deduz do amor nos tempos do sugar.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

LIBERDADE, SEXUALIDADE, VISIBILIDADE

Teria o mundo se transformado numa grande vitrine na qual só quem se exibisse poderia fazer parte dele?

Mulheres comuns estão tirando as roupas e exibindo sua nudez. Algumas participam de ensaios de fotos sensuais feitas em estúdio para presentear maridos ou namorados; outras estampam calendários, vendidos para angariar fundos para alguma causa social. Sem motivos aparentes, mães de família de classe média americana, por exemplo, responderam ao apelo de um site para serem fotografadas nuas em alguma atividade banal, como jogar cartas. Suas fotos podem ser vistas por quem quiser visitar o tal endereço na internet. Teria o mundo se transformado em uma grande vitrine e somente quem conseguir certa visibilidade (seja lá qual for o preço) pode fazer parte dele? A liberdade sexual alcançada nas últimas décadas pelas mulheres as estaria incentivando a “assumir” sua sensualidade sem constrangimentos? Seria mais fácil hoje viver a fantasia feminina (antes inadmissível) de ser parte do imaginário erótico masculino? Por que, diante de tanta liberdade para escolhermos estilos de vida sexual e modos inusitados de gerenciar nosso corpo, a exibição deste nos parece tão sedutora?

Refletir sobre esta associação entre liberdade, sexualidade e visibilidade requer uma pequena – e não tão simples – revisão do percurso da cultura, este complexo patrimônio simbólico produzido por nós mesmos, sem deixar de lado o fato de as mudanças de alguns valores, que antes demoravam mais de uma geração para se constituir, hoje nos atropelarem com novas e inusitadas questões. Dentre elas, as desconstruções radicais de antigas crenças e modos de existência, que aparecem tanto na maneira de viver a sexualidade (independentemente do gênero), incluindo aí os contornos e limites do corpo erótico (principalmente para as mulheres), quanto a “midiatização” do cotidiano. Vale lembrar que a publicidade se apropriou de imagens eróticas femininas para agregar valor às mercadorias.

Freud foi um dos teóricos mais sensíveis ao papel que a sexualidade humana teria na produção de cultura e, percebendo seu caráter disruptivo, apontou a importância de sua regulação para um gerenciamento da convivência. Para cada época existem comportamentos que são incentivados e aprovados e outros que costumam ser desestimulados e condenados. O apetite sexual das mulheres já foi encarado como uma alquimia de feiticeiras e bruxas prontas a exercer as tentações que culminariam com a perdição da alma humana, mas estão longe de nós os dias em que a sexualidade humana – e o ato sexual, propriamente dito – era tabu. Hoje, esses assuntos fazem parte de uma ciência que se preocupa em nos informar sobre como bem viver.

Mas é justamente por falhar repetidas vezes em conformar as normas e restrições da cultura que a regulam que a sexualidade humana se manteve durante grande parte da história como um tema pouco veiculado. Isto foi particularmente mais verdadeiro em relação à sexualidade feminina, abafada sob diferentes justificativas, fosse pela ideologia judaico-cristã que nos guiou durante séculos exaltando um modelo de mulher assexuada, fosse porque coube aos homens, durante longo período, gerenciar a distribuição de prazer (e de poder) da cultura, tomando para si a parte majoritária. Com isso, as mulheres viveram muito tempo entre dois modelos: o da santa (todas as “mães puras”) e o da prostituta (as mulheres que exalassem sensualidade). Ambos gravitam em torno de uma lógica masculina de compreensão do feminino, fantasia que ainda prende pessoas de ambos os sexos, com aval da cisão promovida pela tradição cristã que tanto dividiu de um lado o amor sexual e de outro o sentimento casto, quanto tentou dar um destino à interdição do corpo materno, santificando-o.

O recato (cobrir as partes do corpo que pudessem lembrar qualquer sinal de êxtase) foi por muito tempo uma norma, um imperativo que visava acalmar as pulsões eróticas das mulheres, assim como os temores masculinos de uma sexualidade feminina ilimitada. Paradoxalmente este recato como regra abriu a possibilidade para que cada parte do corpo feminino pudesse se transformar em fetiche para os olhos desejosos dos homens (vide o longevo sucesso das revistas com poses sensuais ou com nudez parcial, voltadas para o consumo principalmente masculino). Hoje não só a mulher foi sensualizada e está eroticamente emancipada, como a corporeidade de ambos os sexos ganhou vulto nunca antes alcançado em termos de visibilidade e espaço na vida social. Mas se é verdade que certo “excesso do erótico” pode funcionar como forma de se opor ao longo período de censura e repressão à sexualidade feminina, também é verdade que a mídia contemporânea incentiva a cultura atual à exaltação do corpo. Esta passagem do recato à visibilidade não é gratuita.

Vivemos em sociedades cada vez mais complexas em que o excesso de imagens exige-nos a tarefa permanente de traduzir e discernir este “a mais”. Há uma articulação constante entre a prevalência de imagens, a circulação de informações e estímulos velozes e simultâneos e a produção e consumo de narrativas. Sabemos que a imagem nos constitui e dela nos apossamos em um constante movimento de subjetivação para nos apresentarmos, nos comunicarmos, nos seduzirmos e sermos seduzidos. Se hoje dependemos muito mais do olhar de reconhecimento dos outros sobre nós para afirmar e reafirmar nossa existência e nosso valor, a mídia se alimenta do interesse e acena o tempo todo com a possibilidade de alguns minutos de fama. Ficamos diante desta tênue fronteira que a lógica do consumo e do espetáculo impõe à ética e que descortina ao menos dois fatos da atualidade. Primeiro: cabe à cultura conciliar uma civilização mais erótica e ao mesmo tempo mais livre e mais justa sem que isso se confunda com fundamentos moralistas de comportamento sexual. Segundo: cabe a cada um o gerenciamento da exposição de sua imagem, incluída aí a difícil administração dos apelos sedutores aos minutos de fama, cada vez mais acessíveis, que muitas vezes alimentam nossa sede de amor. Difícil tarefa.

OUTROS OLHARES

O CAMPO QUER ANDAR SOZINHO

Máquinas autônomas ganham espaço na lavoura e elevam a produtividade, mas o custo alto e os entraves na legislação impedem sua adoção em larga escala

Se nos centros urbanos os veículos autônomos não ocupam sequer o papel de coadjuvantes – sua presença ainda se situa na esfera experimental -, no campo eles já aparecem como protagonistas de uma nova era, marcada pelo aumento da produtividade. Equipadas com câmeras, sensores e radares, as máquinas agrícolas autônomas podem ser controladas remotamente e têm capacidade de mapear o espaço à sua volta e traçar a melhor rota no desempenho de suas funções sem atingir obstáculos. Os modelos mais utilizados atualmente são aqueles em que o condutor, apesar de estar dentro da máquina, só interfere na operação quando se faz absolutamente necessário. As atividades são monitoradas por uma unidade de controle, que realiza a análise dos dados recolhidos durante o trabalho e toma decisões não só focadas na maior produtividade, como também visando ao menor consumo de combustível.

É só o começo. Em uma palavra: presente. Já há, no entanto, protótipos de máquinas agrícolas autônomas ainda mais avançadas sendo testados mundo afora para tentar abreviar o futuro. Na Case IH, por exemplo, fabricante de máquinas da CNH Industrial, os tratores do modelo Steiger, com autonomia integral, acumulam mais de 900 horas em provas, realizadas na Plot House Farms, sua base de experiências localizada na Califórnia (EUA). No Centro Europeu de Tecnologia e Inovação da John Deere, empresa americana que também fabrica equipamentos para uso no campo, foi desenvolvido o projeto GridCon, que criou o trator elétrico cuja fonte de energia não vem de baterias, e sim de um cabo, com cerca de 1 quilômetro de extensão, conectado diretamente à rede da fazenda. Com isso, o veículo ganha em autonomia, deixando para trás o transtorno das recargas frequentes – o fluxo de energia é constante.

Tanta tecnologia, porém, tem esbarrado em alguns problemas para que as máquinas agrícolas autônomas possam ser adotadas em grande escala. Um deles é o custo. “O preço desses engenhos deve atrasar seu uso em escala comercial em até dez anos”, alerta Silvio Campos, diretor de marketing de produto da Case 11, que no Brasil se alinha aos principais fabricantes de veículos para a lavoura. “A aquisição dessas máquinas não será para qualquer um”, acrescenta. Os tratores tradicionais já possuem custo elevado – entre 650.000 e 1 milhão de reais. Ninguém duvida que o preço dos que têm independência total vá superar muitas vezes esses valores.

Para além da necessidade de qualificação da mão de obra que vai ficar no comando desses sofisticados veículos, outro fator vem tornando mais difícil a expansão da frota, por assim dizer, de equipamentos rurais autônomos: a legislação. Do mesmo modo que ocorre em relação aos veículos similares que atuarão em massa brevemente nas ruas e avenidas das metrópoles, em todo o planeta se discute, por exemplo, de quem é a responsabilidade por eventuais acidentes causados pelas máquinas autônomas – do proprietário, do fabricante, do programador do sistema, do encarregado por seu controle indireto? A interrogação segue no ar.

Enquanto governos e juristas discorrem sobre essa questão em vários países, no Brasil há pelo menos um estorvo mais rudimentar para que os equipamentos autônomos encham os campos: a falta de conectividade no meio rural. Não adianta possuir tecnologia de ponta sem ter internet de alta velocidade para usá-la. O relatório “Índice de prontidão para o uso de veículos autônomos 2019”, feito pela KPMG, mostra que o país foi considerado o pior para receber esse tipo de máquina – amargou a última posição no ranking analisado (252º lugar), atrás de Rússia, Índia e México. No quesito cobertura 4G, o Brasil teve a pior nota: zero. Cientes dessa realidade, oito grandes companhias, entre elas Bayer, CNH Industrial e Nokia, puseram de pé o projeto ConectarAgro, cujo objetivo foi levar a conexão 4G na faixa 700 MHz, frequência que percorre maiores distâncias e, portanto, possibilita custos menores para a instalação de antenas. Com o mesmo propósito, a John Deere, em conjunto com a Trópico, de produtos de tecnologias de informação e comunicação, lançou a iniciativa Conectividade Rural. “Sistemas e máquinas que conversam entre si e aprendem com os dados coletados serão capazes de prever falhas. Essa previsibilidade permite manutenções preventivas e evita que o maquinário fique parado em tempos críticos do ano”, afirma Nick Block, diretor do grupo de soluções inteligentes da John Deere.

De olho na nova fase de desenvolvimento rural no país – que, apesar de entravada, será incontornável -, a Usina São Martinho, a maior processadora de cana-de-açúcar do globo, investiu pesado em inovação na sua principal unidade, situada em Pradópolis, no interior de São Paulo. Foram 60 milhões de reais para levar rede de internet privada aos canaviais e fazer a integração em tempo real entre a máquina e a central de comando. A partir dessa conexão, a inteligência artificial (IA) assume papéis essenciais no aumento de eficiência produtiva: os equipamentos estudam as informações recebidas e são capazes de identificar padrões que o cérebro humano tem dificuldade de apreender sem o auxílio de máquinas. É o caminho para evitar desperdício de sementes, saber o momento e o local exatos para o plantio e até mesmo identificar áreas infestadas por pragas por meio de georreferenciamento em tempo real. “Essas mudanças têm o objetivo de promover economia de 2 reais por tonelada de cana ao ano, o que significa poupar cerca de 50 milhões de reais anuais”, afirma Fabio Venturelli, presidente do grupo.

No futuro, o trabalho na lavoura, em especial o repetitivo, será feito por veículos autônomos e robôs. Sim, empregos e funções deixarão de existir; entretanto, a tecnologia deve melhorar a qualidade de vida do agricultor, com o desafio de requalificá-lo – para que seu protagonismo se dê, por assim dizer, em outros campos.

GESTÃO E CARREIRA

SÓ MAIS CINCO MINUTOS

Negligenciar o repouso para resolver questões profissionais não é uma boa ideia. Quem tem esse hábito fica menos produtivo e mais estressado. Aprenda a melhorar seu sono

Desde criança aprendemos que precisamos de uma boa noite de sono para nos sentir dispostos. Quando as preocupações se limitam a tirar boa nota na escola e se divertir com os amigos é fácil manter esse padrão. Mas o que fazer quando os compromissos aumentam? À medida que a vida adulta começa a tomar forma, obrigações como faculdade, trabalho e pagamento de boletos se tornam preocupações maiores e o descanso fica num plano secundário. No entanto, os minutinhos – ou horas – perdidos pode fazer mais falta do que se imagina.

A Pesquisa Global de Sono da Philips de 2019, realizada com 1.100 pessoas de 12 países, mostrou que para 44% dos que responderam às questões, a qualidade do sono piorou nos últimos cinco anos. Além disso, 62% dos entrevistados admitem que deitam e ficam revirando na cama. “Dormir é essencial para nossas funções cognitivas. Uma noite mal dormida leva a um dia com déficit cognitivo”, diz Maurício da Cunha Bagnato, pneumologista da Unidade de Medicina do Sono do Hospital Sírio-Libanês. A piora pode ser observada na concentração, nos reflexos motores, na memória, no humor e também no foco.

CONSEQUÊNCIAS GRAVES

Mas não é somente no curto prazo que o sono pode afetar a saúde das pessoas. Afinal, sua principal função é recuperar o corpo das tarefas diárias. Quando descansamos, nosso cérebro metaboliza todas as toxinas absorvidas durante as horas em que ficamos acordados. “Você precisa diminuir a frequência das ondas cerebrais para ativar o processo de regeneração do corpo”, diz Geraldo Lorenzi, pneumologista e diretor do Laboratório do Sono do Instituto do Coração. É no repouso que o organismo tem maior atividade imunológica, produz hormônios e organiza a memória. “O sono é tão fundamental quanto se alimentar ou ingerir água”, afirma o diretor.

Um estudo publicado na revista da Academia Nacional de Ciências do Estados Unidos por pesquisadores do Southwestern Medical Center, da Universidade do Texas, comprovou as graves consequências da falta de repouso. Os cientistas analisaram voluntários que, durante sete dia dormiram menos de 6 horas por noite. Uma semana de pouco descanso já foi capaz de alterar 700 genes – indicando que problemas como hipertensão, diabetes, obesidade, depressão, ataque cardíaco e derrame podem ser estimulados pelas noites insones. “A privação do sono influencia na modificação da expressão de genes, e isso ativa diferentes funções no corpo”, explica Maurício, do Sírio­ Libanês. Embora a duração ideal de sono varie de pessoa para pessoa, em média, os adultos deveriam passar de 7 a 8 horas diárias dormindo.

RELÓGIO BIOLÓGICO

O corpo humano funciona num ritmo cíclico de 24 horas, o chamado relógio biológico. O controle desse mecanismo é realizado por meio de dois fatores: os externos, que são a luminosidade e a escuridão, e os internos – compostos químicos que ajustam a rotina, como a melatonina (que aumenta a sonolência) e o cortisol (que nos faz acordar). “Quando esse ciclo é quebrado, há consequências para o organismo”, diz Maurício. Nos séculos passados, a quantidade de hormônio liberado no decorrer do dia seguia o ritmo do sol: pela manhã, muito cortisol e pouca melatonina; e à noite, pouco cortisol e muita melatonina. Hoje, esse equilíbrio natural não existe mais. Com telas por todos os lados, não conseguimos diminuir o ritmo à noite nem preparar o corpo para a quietude da sonolência. “O contato com a luz externa durante o dia diminui os níveis de melatonina no corpo, mas no período da noite ainda estão baixos por causa da exposição à luminosidade artificial”, explica Maurício.

O empresário Leandro Molina, de 28 anos, sofria com esse problema. Nos dois últimos anos da faculdade de direito, sua rotina era tão acelerada que os episódios de insônia ocorriam diariamente. Ele voltava da universidade tarde da noite, mas chegava em casa muito desperto. Só conseguia se deitar perto das 2 da madrugada, depois de ter jantado, fumado e assistido a um filme ou uma série. De manhã era difícil sair da cama. “Eu passava o dia sonolento e cansado, tinha episódios de irritação e a concentração perturbada”, diz. A rotina durou toda a vida universitária e ele só conseguiu mudar as coisas quando se formou. “Hoje eu durmo e acordo todos os dias no mesmo horário, me desligo das preocupações externas horas antes de deitar e gosto de ler para ficar sonolento”. Leandro também faz atividades físicas pelo menos três veze por semana e não leva mais trabalho para casa. Há dois anos não tem mais problemas para dormir. “No começo eu fazia exercícios de respiração e até contava carneirinhos, hoje eu só deito na cama e durmo”, afirma.

As dificuldades vividas por Leandro são compartilhadas por muito brasileiros. Na pesquisa da Philips 36% dos entrevistados afirmaram ter insônia recorrentemente e 35 disseram que distrações com entretenimento, como televisão, filme e redes sociais, afetam o sono. Talvez a cultura corporativa que glamouriza o excesso de trabalho e presenteísmo influenciem na falta de descanso e aumentem o estresse. “O sucesso está associado à inquietação. Temos de repensar esses modelos que causam desgaste”, diz Anderson de Souza Sant’Anna, professor na FGV – Eaesp.

DE OLHOS ABERTOS

São muitos os motivos que levam uma pessoa a ficar acordada durante a noite. Há fatores simples, como barulho, colchão ruim e luminosidade excessiva – que podem ser solucionados com medidas singelas, como a troca das cortinas do quarto. Outras razões, porém, são mais graves. Entram nesse pacote problemas como insônia, síndrome das pernas inquietas (uma vontade incontrolável de mexer as pernas) problemas nasais, dores crônicas e apneia do sono. Mas não é só o físico que atrapalha. “Questões psicológicas, como estresse, ansiedade, depressão, têm tido bastante relevância”, diz Maurício. Nesses casos, é preciso buscar ajuda profissional. Quem passou por isso foi Luan Santos, de 30 anos. Instrutor de direção em autoescola, uma das habilidades mais importantes para o trabalho é a atenção. Mas as noites mal dormidas estavam prejudicando sua concentração. Numa dessas madrugadas, a namorada de Luan o alertou: ele tinha parado de respirar por um instante. Ele, então, resolveu procurar ajuda profissional e submeteu-se a uma polissonografia, exame que avalia a atividade respiratória e muscular durante o sono. Foi aí que descobriu que acordava, em média, 81 vezes durante a noite com falta de ar. Com sobrepeso e apneia, os riscos de AVC e infarto eram enormes. A saída foi fazer dieta e atividades físicas. Depois de dois meses com alimentação regrada e prática de exercícios diariamente, Luan perdeu 12 quilos e seu sono melhorou. A meta é perder mais 10 até o fim do ano. “Os exercícios físicos foram o ponto crucial, mas também evito o celular e a televisão. Nos fins de semana mantenho a mesma rotina do sono, e isso também ajuda”, explica Luan.

Claro que mudar o estilo de vida é difícil. Ainda mais com as dificuldades do mundo atual, extremamente veloz e conectado, que nos deixa com a ansiedade à flor ela pele – e com a falsa sensação de precisar agir como robôs (que não dormem nunca) para nos manter relevantes. Mas isso é um mito. “Existe um peso social de que sono é fraqueza, falta de eficiência, preguiça. Temos de ressignificar esses valores, olhar para nós mesmos de uma forma diferente”, diz Anderson. E nada melhor do que uma boa noite de sono para colocar as ideias em ordem.

BONS HÁBITOS

A forma como nos preparamos para dormir é importante, pois precisamos sinalizar ao corpo que o dia está chegando ao fim. Veja algumas dicas para esse momento

SEM DESCULPAS

Conheça alguns dos mitos mais comuns sobre o sono

“NÃO PRECISO DE 8 HORAS DE SONO” – A quantidade de horas varia de pessoa para pessoa, mas muitos estudos já comprovaram que a média de 7 a 9 horas diárias é a ideal. Dormir menos do que isso tem o efeito de uma pancada na cabeça, como indica um estudo publicado pela empresa americana Sleepy People.

“RECUPERO NO FIM DE SEMANA” – Isso depende. Em até três dias depois da noite insone, é possível recuperar a FASE 3 do sono, aquela que tem menor frequência (momento em que os músculos relaxam completamente o processo de regeneração do corpo começa). Já o sono REM (o mais profundo e responsável pela memória e aprendizado), é recuperado em dois dias, no máximo, depois da noite ruim.

“A TV ME DÁ SONO” – Televisão, computador, celular e outros aparelhos eletrônicos emitem luz azul, identificada pelo cérebro como luminosidade diurna. Assim, nossa mente se confunde e deixa de produzir melatonina, o hormônio responsável pela sonolência. Além disso, ler notícias, responder a WhatsApp e ver séries aumentam a atividade do cérebro.

“UM DRINQUE AJUDA A RELAXAR” – O álcool induz ao sono, mas de má qualidade. Isso porque bebidas alcoólicas inibem a fase rem. As com cafeína, os energéticos e os derivados de cola também prejudicam o repouso se ingeridos perto da hora de deitar.

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 13 – A BATALHA DE ORAÇÃO INTERCESSÓRIA

Muito frequentemente as pessoas nos perguntam: “O que se pode fazer em favor de quem obviamente está amarrado por Satanás, mas não aceita, de modo algum, o ministério de libertação?”

Em primeiro lugar, respondemos com outras perguntas: “Como é o seu estado espiritual?” “O cativo já nasceu de novo?” “Ele está firme no Senhor?” Precisamos nos lembrar de que a salvação também é libertação. É a libertação do espírito humano. Antes de ser salva, a pessoa está morta em suas transgressões e seus pecados (Efésios 2:1).

“Como é que ela está morta?” É claro que não é morte física, porque continua respirando e se mexendo. Sabemos que sua alma (personalidade) não está morta, porque ela ainda pensa, sente e toma decisões, mas seu espírito está morto. Ela não compreende as coisas espirituais nem está interessada nelas. A ressurreição do espírito humano depende do poder vivificado!’ do Espírito Santo. Ele tem de nascer de novo (João 3:3). Isso acontece pela graça de Deus, mediante a fé (Efésios 2:8). A fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo (Romanos 10:17). Salvação é libertação.

A palavra grega para salvação, “soteria”, significa libertação. Desta forma, a salvação do espírito humano é a primeira etapa de sua libertação e é a base para qualquer ministério adicional.

Então, a prioridade, em libertação, é de levar o cativo a um relacionamento pessoal com Jesus Cristo. Se a pessoa não estiver disposta a aceitar Jesus Cristo como seu Salvador, então, os que se preocupam pela vida espiritual do cativo devem interceder por ele e se colocarem na brecha. Devem orar para que a venda dos olhos espirituais seja removida. O poder satânico cega o homem perdido.

“Mas, se o nosso evangelho ainda está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus.” (2 Coríntios 4:3, 4.)

Enquanto o evangelho está sendo apresentado a essa pessoa, ore para que o mesmo Deus que mandou a luz resplandecer das trevas ilumine seu coração, e Jesus lhe seja revelado como Salvador. O apóstolo Paulo confirma que foi assim que ele se converteu. E dá-se o mesmo com qualquer pessoa que se converte: é salva pela graça soberana de Deus.

“Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo.” (2 Coríntios 4:6.)

ORAÇÃO INTERCESSÓRIA

A pessoa já convertida precisa de intercessores tanto quanto o incrédulo. Quem não quer saber de, ou se recusa a receber do Senhor melhoria de sua condição através da libertação, é porque está preso pelo engano. Qualquer desculpa que seja dada para rejeitar a oração de libertação representa uma forma de engano (satânico). Satanás, o enganador, fica levando vantagem, e o cativo continua preso.

Jesus nos ensinou a interceder uns pelos outros para que sejamos libertos das armadilhas do demônio. Ele nos ensinou a orar: “E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal…”, literalmente: “livra-nos do maligno”. É importante notarmos o pronome “nos”. Devemos incluir os outros em nosso pedido de libertação do maligno.

Em sua poderosa exortação sobre a armadura espiritual do cristão, o apóstolo Paulo enfatiza a importância da oração intercessória de luta espiritual a favor de outros cristãos. A oração intercessória é, ao mesmo tempo, uma arma ofensiva e defensiva contra as estratégias do demônio.

“Com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito, e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos.” (Efésios 6:18.)

A LUTA ESPIRITUAL

Às vezes, o Espírito Santo nos leva a entrar em luta espiritual em favor das pessoas que não estão abertas para receber ministração. A vontade da pessoa pode estar tão dominada por forças demoníacas que ela é incapaz de reagir à ajuda que lhe é oferecida. Nada que se diga irá convencê-la a abrir-se à ministração. Sua vontade está sob o controle do inimigo.

É preciso nos lembrarmos de que “a nossa luta não é contra o sangue e a carne e, sim, contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Efésios 6:12).

Os espíritos que controlam o cativo habitam nas regiões celestes onde reina o príncipe da potestade do ar. Jesus deu à sua Igreja o poder de “amarrar Satanás”. Temos de levar a batalha até a porta do inferno e derrotar a estratégia que Satanás tem lançado contra Jesus.

“Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus: o que ligares na terra, terá sido ligado nos céus, e o que desligares na terra, terá sido desligado nos céus.” (Mateus 16:18, 19.)

Os verbos “amarrar” e “libertar” estão no tempo perfeito, particípios passivos. Traduzindo o que esses tempos expressam, vemos que querem dizer o seguinte: “O que quer que seja que amarremos ou libertemos na terra é o que está no estado de ter sido amarrado ou libertado no céu.” Consequentemente, para podermos amarrar ou libertar as coisas na terra, é necessário primeiro amarradas (ligadas) e libertadas (desligadas) no reino dos céus.

Certa vez, os pais de uma moça de 24 anos nos pediram para que intercedêssemos por ela. A moça tinha aceitado Jesus anos antes e havia estudado numa faculdade teológica, mas nessa época tinha-se desviado do bom caminho. Estava morando com um rapaz, sem ser casada com ele, e também estava envolvida em espiritismo. E recusava a toda oferta de ajuda de seus pais.

Juntos com seus pais, minha esposa e eu amarramos o demônio controlador e ordenamos aos espíritos imundos que estavam nela a desligarem-se dela para que ela pudesse receber a ministração direta. A moça estava longe de nós, mas estávamos operando no reino espiritual, onde distância não é barreira.

Em poucos dias, a filha fez uma volta de 180°. Ela telefonou para seus pais pedindo socorro, deixou seu lugar de pecado e aceitou nosso convite para ficar conosco e receber o ministério de libertação e aconselhamento. Dentro de poucas semanas ela estava restaurada e começou a tomar parte ativa em nosso ministério de libertar outros cativos de Satanás. Tudo isso foi o resultado de guerra espiritual nas regiões celestes.

Perguntamos à moça o que ela havia experimentado no exato momento em que nós estávamos amarrando os demônios que a controlavam. Ela nos contou que, naquele momento, a sua mente tinha- se tornado clara.

Quando a opressão mental foi destruída, ela instantaneamente se conscientizou de que seus pais a amavam e ficariam felizes em ajudá-la. Então, ela tomou a decisão de cooperar com a ajuda espiritual que estava a seu dispor.

Porém, cuidado! Temos de estar cientes de que não podemos controlar a vontade de outra pessoa. O objetivo da luta espiritual é libertar a vontade da pessoa para que ela possa responder diretamente ao Senhor Deus e receber o socorro que Deus lhe oferece. Nos casos em que a pessoa escolheu, por sua própria e livre vontade, submeter-se ao poder do pecado e de Satanás, amarrá-lo não adianta coisa alguma. Quando os poderes demoníacos são amarrados, por terceiros, à pessoa, então, ela tem a capacidade de escolher a Cristo e Seu Reino.

Porém, cuidado! Muitas coisas tolas e perigosas têm sido feitas em nome da oração intercessória de luta espiritual. Conhecemos casos em que o intercessor concordou em receber os demônios residentes em outra pessoa. A ideia é que os demônios que estão na pessoa rejeitando o ministério de libertação deixarão o cativo, entrarão no intercessor e, com mais facilidade, serão expulsos do intercessor.

Satanás está mais do que pronto para entrar nesse jogo. Não existe base nenhuma na Palavra de Deus para dizer que devamos receber demônios em nosso próprio corpo, seja qual for a hora ou a razão. Permitir que os demônios entrem é abrir-se ao influxo de espíritos malignos, sem garantia nenhuma, da parte de Satanás, de que os demônios automaticamente sairão de outra pessoa. Assim, o arqui – enganador vence novamente!

Em outra ocasião, passamos quase um dia inteiro na libertação de alguém com centenas de espíritos imundos que tinham entrado, e ali estavam por causa de seu envolvimento tolo de “aceitar os demônios dos outros”. A senhora havia concordado em ser a substituta a receber ministração até mesmo em lugar de pessoas que estavam dispostas a receber ajuda direta. De novo, enfatizo que não há base nas Escrituras para tal tipo de ministério.

A ARMA DO AMOR

Ao ajudar alguém que se recusa a receber ministração direta, não se esqueça do amor. No mais íntimo do seu ser, essa pessoa tem sede de ser amada. Podemos ter a certeza de que, no seu passado, ela foi ferida ou rejeitada.

O olho do amor é capaz de distinguir entre a verdadeira pessoa e os habitantes demoníacos que se manifestam em ódio, rebelião, suspeita ou o que quer que seja que a impede de ser libertada. Tal discernimento de amor nos capacita a amá-la e não a nos retrairmos por causa da fúria da tempestade gerada por sua personalidade instável. Ainda que o cativo não reconheça nem corresponda ao amor oferecido, podemos estar certos de que o amor incondicional é uma técnica de luta espiritual que põe uma pressão intolerável nos poderes das trevas.

Os espíritos malignos são comparados com o fôlego e o ar. A palavra grega para espírito (pneuma) significa fôlego ou ar. Da mesma forma que monóxido de carbono é fatal à nossa vida, assim é o amor para um espírito maligno. Ele não pode existir ou operar quando envolvido em amor.

Nosso amor ágape forja uma arma que derruba os poderes de anti amor na vida dos outros. É por isso que Jesus nos ensinou a amarmos nossos inimigos. Assim, amontoamos brasas de fogo sobre a cabeça deles, isto é, isso purifica a mente deles.

São justamente os que mais necessitam de libertação que, muitas vezes, são os mais difíceis de se amar. Pode ser que eles se rebelem e nos firam quando lhes oferecemos compaixão e amor. Mas recebemos a ordem de amar, mesmo àqueles que parecem ser menos dignos de amor. (Veja Mateus 5:43-48.)

Aliás, essa é exatamente a maneira como Deus nos libertou. Ele nos amou apesar de nossa vileza. (Veja Romanos 5:8.) Seu amor quebrou as barreiras: o amor tem o poder de remover todo impedimento. É uma poderosa arma nas mãos de um hábil combatente espiritual.

ORAR AS ESCRITURAS

Temos de ser guiados pelo Espírito Santo em nossa luta de oração intercessória. O Espírito Santo dará ao guerreiro espiritual as passagens específicas das Escrituras de que ele necessita. Use esses trechos vivos como guia em sua oração. Assim, você estará usando “a espada do Espírito, que é a palavra de Deus”.

Por exemplo, ao orar pelo marido que não está seguindo o Senhor, a esposa poderá orar o seguinte tipo de oração dada pelo apóstolo Paulo, personalizando-a assim:

Não cesso de orar por meu marido José e de pedir que José transborde de pleno conhecimento da Sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual; a fim de que José viva de modo digno do Senhor, para o Seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus; sendo fortalecido com todo o poder, segundo a força da Sua glória, em toda a perseverança e longanimidade, com alegria. (Colossenses 1:9-11.)

O LÍDER É O ESPÍRITO SANTO

Temos destacado vários princípios espirituais a serem seguidos na luta de oração intercessória, mas cada situação é única. O Espírito Santo conhece todos os fatores e circunstâncias em relação ao caso. Ele ajustará a direção certa em que o intercessor deve ir. A luta a favor dos outros é uma luta espiritual, não pode ser vencida na carne. A estratégia dessa luta não pode ser planejada por sabedoria humana. Permita que o Espírito Santo seja o líder.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PELO PRISMA DA ANSIEDADE

Esse sentimento nos faz priorizar as informações negativas e examiná-las de forma detalhada

Não é preciso ter depressão para acordarmos numa manhã qualquer e, sem motivo específico, nos sentirmos sem esperança no futuro e incapazes de lembrar eventos gratificantes. Uma simples falta de ânimo já é o suficiente para acionar uma espécie de filtro que faz nossa mente captar e recordar apenas informações negativas. É dessa forma que a ansiedade atua: direcionando a atenção para estímulos específicos (em geral negativos).
Para compreender se ela é um problema, é preciso observar como se manifesta. Há diferença entre ficar ansioso diante de uma situação que representa ameaça real e ter esse sentimento como um traço de personalidade. No primeiro caso, ela é normal e saudável, pois cumpre uma função adaptativa essencial para a existência. A ansiedade nos incita a focar toda atenção naquilo que nos preocupa em um momento específico, mantendo-nos alertas para que possamos nos prevenir de consequências que podem ser prejudiciais.

Pessoas com transtorno de ansiedade, no entanto, tendem a se fixar com frequência em informações irrelevantes. Chegam, por exemplo, a observar um mesmo ambiente repetidas vezes, à procura de estímulos ameaçadores que, uma vez localizados, são evitados e controlados com dificuldade. Elas interpretam informações de maneira desfavorável e são mais suscetíveis a pensamentos negativos. Esse comportamento interfere em praticamente todas as áreas de seu cotidiano.

EMOÇÕES E RESPOSTAS

A ansiedade determina o tipo de informações que priorizamos e a forma como as interpretamos. Quando nos sentimos pressionados por alguma situação, a maioria de nós não é capaz de considerar mais de uma opção nem de acreditar que existem alternativas viáveis. No entanto, nos dias em que estamos felizes e otimistas, confiamos mais em nossas capacidades e a mente fica mais aberta para enxergar diferentes pontos de vista sobre o que nos preocupa. O problema pode ser o mesmo e talvez as opções sempre estejam ao alcance, mas a forma de processar as informações recebidas é sensivelmente diferente.

Essas diferentes maneiras de perceber o mundo são determinadas pelas emoções. De fato, alguns estados afetivos parecem moldar o funcionamento da mente para responder de maneira eficaz às demandas de uma situação. A ansiedade restringe o campo de visão da realidade e nos faz ver o mundo em “modo de ameaça”.

O modo como diferentes emoções acionam maneiras opostas de se processar uma mesma tarefa foi o tema de um de nossos experimentos. Selecionamos três grupos de estudantes para assistir a um vídeo que mostra um homem armado assaltando um banco. Em seguida, cada grupo visualizou, em separado, imagens com conteúdos emocionais diferentes: positivo (esportistas recebendo troféus, paisagens, famílias), negativo (acidentes, pessoas doentes, guerras) ou neutro (móveis, utensílios de cozinha). Após serem expostos a esses estímulos, os estudantes foram convidados a tentar reconhecer, entre fotos de vários homens, o rosto criminoso do vídeo.

DESEMPENHOS DIFERENTES

Os resultados mostraram que o grupo que havia visualizado as imagens com conteúdo positivo realizou o teste de forma mais eficiente. Todos os participantes do estudo haviam assistido ao vídeo do assalto e nenhum fora previamente avisado do que teria de fazer, mas os estímulos recebidos por cada grupo favoreceram ou complicaram a forma como a tarefa foi realizada.

A explicação dos resultados obtidos é simples, se considerarmos que o reconhecimento de um rosto requer um estilo de processamento global: nossa atenção apreende desde aspectos gerais, como tamanho ou formato da cabeça, o tipo do cabelo ou a cor dos olhos até algum detalhe que pareça tornar aquele rosto inconfundível, mas que de forma isolada não seria determinante. Os estímulos positivos parecem favorecer esse estilo de processamento, que é o mais adequado para realizar tarefas que exigem a observação de aspectos gerais – dessa forma, esse grupo obteve “vantagem” sobre os que receberam estímulos neutros ou apreensivos.

Após esse experimento, os mesmos voluntários foram convidados a participar de mais um teste. Dessa vez, a tarefa exigia a atenção em detalhes. Orientamos os participantes a encontrar diferenças em jogos do tipo “sete erros”. Os três grupos tiveram a mesma quantidade de tempo para localizar diferenças entre pares de imagens aparentemente iguais. Como a ansiedade incita a observar detalhes e informações aparentemente irrelevantes (que podem converter-se em ameaça), as pessoas do grupo em estado de ansiedade foram mais eficazes nessa tarefa, achando um maior número de diferenças em menos tempo que os outros grupos.

Essa pesquisa mostra como a ansiedade age sobre nossa capacidade de atenção: ela pode nos ajudar a localizar até a mais insignificante ameaça, mas também pode contribuir para que vivamos continuamente apreensivos.

OUTROS OLHARES

VIVA O CARBOIDRATO

Novo estudo revela uma má notícia para os adeptos das dietas low-carb, as mais seguidas no mundo, inclusive no Brasil – elas promovem o envelhecimento

A chave para emagrecer com saúde, sabe-se quase de cor, é o casamento adequado entre reeducação alimentar e atividade física. Trata-se de uma guerra, nem tão metafórica assim — e não é raro que se apele às promessas milagrosas das dietas da hora, essas que vão e vêm. As estatísticas globais, o Brasil incluído, são conclusivas: seis em cada dez adultos que recorrem a algum tipo de regime para perder peso optam pela redução de carboidratos — adotam uma dieta low-carb, na alcunha em inglês. A escolha é lógica: a privação de carboidratos (macarrão, pizza, batata, pão etc.) faz os ponteiros da balança descer em um período mais rápido de tempo. Perdem-se, em média, até 10% do peso em apenas trinta dias. Uma pessoa com 70 quilos, por exemplo, chega ao fim do mês de boca fechada com espantosos 7 quilos a menos. É de fato muito tentador. Mas — sempre há um porém — um novo e completo estudo ilumina um aspecto escondido das low-carb. A má surpresa: elas aceleram o envelhecimento. “A descoberta é um alerta definitivo sobre o perigo de dietas baseadas em um único nutriente”, diz Viviane Alves, professora de microbiologia da Universidade Federal de Minas Gerais, coautora do trabalho, publicado na reputada revista científica americana Current Biology.

Desenvolvido numa parceria entre o Instituto Sahmri, na Austrália, e a Universidade de Bristol, na Inglaterra, o estudo revelou que as proteínas, seja de origem animal, seja de origem vegetal — que tendem a substituir o carboidrato —, podem ser perigosas quando consumidas em excesso. Há, como decorrência indesejada, um aumento do ritmo do metabolismo celular. Resultado: essa aceleração provoca um erro no mecanismo de produção de compostos que protegem o organismo. A consequência é a morte celular abrupta. Dessa forma, o corpo passa a perder mais células do que é capaz de repor, o que leva ao envelhecimento precoce e à redução da expectativa de vida. Os pesquisadores avaliaram células humanas em laboratório. O próximo passo será estudar o efeito no cotidiano das pessoas. Por excesso de proteínas, entende-se o seguinte: uma pessoa de 70 quilos não deveria consumir mais de três bifes de filé-mignon por dia, ao longo de pelo menos um mês — porção facilmente ingerida em apenas uma refeição nesse tipo de regime.

A proliferação das dietas low-carb causou uma reviravolta nos hábitos alimentares no mundo todo. No Brasil, o consumo de feijão caiu pela metade nas últimas quatro décadas. O consumo internacional de batata diminuiu 40%. A predileção por esse tipo de regime tem história — ele nasceu no século XIX, quando o francês Jean Anthelme Brillat-­Savarin, autor do tratado de gastronomia A Fisiologia do Gosto, obra pioneira sobre a relação do homem com a comida, defendeu a renúncia total a açúcares e farináceos. O princípio foi retomado com força avassaladora nos anos 1970 pelo cardiologista americano Robert Atkins. Um de seus livros virou best-­seller e vendeu mais de 15 milhões de cópias ao redor do mundo. Os adeptos de Atkins estão liberados para comer ovos, bacon e carnes e chegam a emagrecer 10% do peso corporal em apenas quinze dias. Depois da dieta Atkins, como ficou conhecido o regime, outras versões foram surgindo — a paleolítica, a Dukan, a cetogênica, todas orientando grandes cortes no consumo de carboidratos e uma engolindo a outra na preferência popular.

Quem segue ou já seguiu a low-carb sabe muito bem que o sucesso é passageiro. Dois terços dos adeptos recuperam o peso original em até cinco anos depois do fim do corte calórico. Oito em cada dez desistem do regime antes de ele completar três meses. O carboidrato é, naturalmente, a primeira opção de energia corpórea. Na falta dele, a gordura em si passa a ser utilizada como combustível essencial. “Em pouco tempo, a perda de gordura faz com que o organismo, para se defender, reduza o ritmo natural do seu gasto calórico, tornando o regime impraticável, e a dieta passa a não funcionar”, diz a nutricionista Rafaela Destri, do Hospital São Paulo e da clínica Cia. da Consulta, em São Paulo. Além disso, os carboidratos são o principal alimento associado à fabricação da serotonina, substância fundamental para multiplicar as sensações de bem-estar e prazer.

Tudo somado, como manda o bom-senso, qualquer exagero é ruim. A proteína tem de estar presente na metade das refeições, a gordura em uma e os carboidratos em todas elas. Logicamente, a escolha deve ser pelos alimentos preparados com farinha integral. O valor nutricional do trigo branco, sem a casca nem o germe da planta, é menor. A quantidade de fibras dos integrais, a título de comparação, é três vezes maior em relação aos brancos. Ainda assim o trigo refinado não é de todo ruim. Um pãozinho contém tanta fibra quanto uma banana.

Outra tese em defesa dos carboidratos, publicada na revista científica The Lancet: as fibras das farinhas são essenciais para a prevenção de algumas doenças. Reduzir a quase nada as fibras nas dietas — o que acontece quando os carboidratos são subtraídos — priva o organismo de nutrientes indispensáveis. O consumo regular de carboidratos e, portanto, de fibras diminui o risco de morte por doenças cardíacas (menos 32%), acidentes vasculares (menos 22%) e câncer de intestino (menos 16%). Pense duas vezes antes de eliminar o pãozinho do café da manhã. É assim, até que brote uma nova dieta mágica.

MEU BEM, MEU MAL

As conclusões do novo estudo

1 – Um dos efeitos indesejáveis da dieta com restrição de carboidratos (macarrão, pizza e pão, por exemplo) é a exagerada troca por proteínas (frango, carne de boi e ovos)

2 – O excesso de proteínas, equivalente a uma porção diária de mais de três bifes de filé-mignon, leva à morte celular abrupta, um dos mecanismos de envelhecimento do corpo

GESTÃO E CARREIRA

CUSTOMIZANDO O PRÓPRIO TRABALHO

Conheça o job crafting, conceito que ajuda a ressignificar suas atividades sem precisar apelar para uma eventual demissão

No novo mundo do trabalho, a satisfação está no centro das reflexões sobre a carreira. São fartos os estudos que mostram uma correlação direta entre satisfação e produtividade. A ciência não deixa dúvidas: a felicidade é um fator preponderante para conquistar a alta performance.

Em 2001, duas pesquisadoras americanas, Amy Wrzcsniewski e Jane Dutton, criaram o conceito de job crafting, cujo significado remete a ações que os trabalhadores realizam para ressignificar o próprio emprego.

Ou seja, trata-se de um “artesanato” para melhorar as condições no escritório, tornando as atividades do dia a dia mais interessantes, os relacionamentos mais prolíferos e os resultados mais evidentes.

No fundo, o job crafting nada mais é do que um esforço para dar um significado ampliado ao trabalho – sem delegar essa responsabilidade exclusivamente à empresa.

Em um estudo a respeito de job crafting, feito com um grupo de pessoas em funções operacionais num hospital dos Estados Unidos, Amy e Jane mostraram as diferentes percepções que os indivíduos têm sobre suas funções. Enquanto alguns viam o trabalho como mero cumprimento de rotina, outros compreendiam que as atividades ali realizadas ajudavam as pessoas e melhoravam a vida dos pacientes. Esse segundo grupo foi capaz ele ressignificar a atuação com o job crafting. O que as pesquisadoras concluíram a esse respeito? Que aqueles que conseguem dar um sentido à atuação são mais felizes e também mais produtivos.

Mais do que um artifício mental, o job crafting é a capacidade prática de reorganizar as atividades para entregar melhores resultados. Um dos dramas crescentes do universo corporativo é a necessidade de “fazer mais com menos”, o que gera sobrecarga de tarefas com escassez de recursos. E a customização do trabalho ajuda a construir alternativas para enfrentar esse tipo de adversidade. Quem busca significado no que faz pensa em diferentes maneiras de atuar, procura soluções para problemas e faz alianças para implementar suas ideias.

Quanto mais forte for essa habilidade, mais êxito o profissional terá em um futuro de volatilidade. Isso porque a carreira contemporânea não é entendida como uma sequência linear de cargos, e sim como um conjunto de experiências significativas que se acumulam ao longo da vida.

Nessa nova dinâmica, a construção da jornada profissional estará nas mãos das pessoas, e não a cargo das companhias. Na era do protagonismo, o exercício permanente de buscar alternativas para melhorar o trabalho, a rotina e a motivação na realização de projetos fará toda a diferença para profissionais de todas a áreas.

RAFAEL SOUTO – É fundador e CEO da Consultoria Produtive, de São Paulo. Atua com planejamento e gestão de carreira, programas de demissão responsável e de aposentadoria

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 12 – AUTOLIBERTAÇÃO

A pergunta surge com frequência: “Pode uma pessoa faze autolibertação?” Minha resposta é “sim”, e estou convicto de que uma pessoa não pode ficar livre dos demônios até ela estar andando nessa dimensão do ministério, isto é, a autolibertação.

Como é que alguém pode libertar-se? Como crente, ele tem mesma autoridade do crente que está sendo usado no ministério d libertação de outros. Ele tem a autoridade em nome de Jesus! E Jesus claramente prometeu àqueles que crerem: “em meu nome expelirão demônios” (Marcos 16:17).

Geralmente, a pessoa só precisa saber como agir para efetuar sua própria libertação. Depois que alguém tenha experimentado uma libertação inicial, nas mãos de um ministro experimentado, ele pode começar a prática de autolibertação.

Devemos lembrar que a libertação é um processo. Seria ótimo se pudéssemos ficar livres de todos os demônios habitando em nós e esquecê-los para o resto da vida. Mas quantos de nós podemos ficar libertos por completo? Se nunca pecássemos por pensamentos, palavras ou ações, nunca precisaríamos de libertação. O pecado abre a porta aos demônios. Isso não quer dizer que toda vez que a pessoa comete pecado, um demônio vai entrar. Mas de qualquer modo, pecado é uma maneira pela qual a porta é aberta aos demônios, mesmo que essa abertura não seja muito grande.

O maior problema que o autolibertador vai enfrentar é o do discernimento certo dos espíritos. Muitas pessoas têm a tendência de confundir a atividade demoníaca em sua vida com meras expressões de personalidade humana. É comum alguém reagir ao discernimento de certo espírito dizendo: “Oh! pensei que tosse eu!” Há aqueles que desejam seguir o caminho de “faça-o você mesmo”, de modo que seus pecados continuem ocultos. Este não é um motivo recomendável para iniciar sua própria libertação. A Palavra de Deus nos ensina que há lugar para confissão.

“Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo.” (Tiago 5:16.)

Há casos em que um forte espírito de engano controla a pessoa a ponto de ela não ver nada errado em si mesma. Lembro-me de uma senhora que veio a mim com o pretexto de desejar libertação. O verdadeiro motivo apareceu logo. Ela veio para propagar uma doutrina falsa em que estava envolvida. Disse-me que tinha “o dom de abrir sua Bíblia” para responder às suas próprias perguntas e às de outros.

Antes de sair de sua casa, naquele dia, ela tinha aberto a Bíblia, e apontado o dedo em um versículo e recebido esta mensagem: “Vai, tua fé te salvou”. Ela interpretou isso como significando que não necessitava de libertação. Durante nossa conversa ela revelou que quando era pequena morou com uma necromante. A influência dessa experiência abriu-a para receber um espírito de adivinhação que operava nessa prática de abrir a Bíblia ao acaso, em busca de respostas.

De vez em quando um cristão pode receber uma palavra de Deus desta maneira, mas quem depende unicamente disso como a maneira primária de ouvir Deus está pisando em terreno perigoso.

Não há necessidade de ficar preocupado com demônios. Devemos ficar atentos a Jesus e àquilo que é verdadeiro, honesto, puro e de boa fama. Mas quando as perturbações satânicas vierem, não deveremos hesitar em reconhecê-las e tratá-las com a autoridade que nos deu nosso Senhor Jesus Cristo. Nosso objetivo em lutar contra Satanás é tirar todo o impedimento à nossa comunhão espiritual e ao nosso ministério.

A autolibertação é experimentada da mesma maneira como a libertação ministrada por um terceiro. A única diferença entre as duas formas é que a pessoa liberta é, também, o ministro de libertação. O sujeito fará, orando, sua própria confissão a Deus: que ele não quer nada do diabo e deseja que o Senhor o liberte.

Os demônios deverão ser confrontados e chamados por nome, um por um. Depois de várias vezes que um certo demônio tenha sido mandado embora em nome de Jesus, a pessoa deve começar a respirar o mais profundamente possível ou provocar uma tosse das profundezas do corpo.

Uma vez que as manifestações variam de pessoa para pessoa, não é possível explicar, de antemão, o que vai acontecer. Do mesmo modo que as libertações, a manifestação que acompanha a saída dos espíritos imundos pode variar muito. Em minha própria experiência, logo que confrontei o demônio, senti uma pressão em minha garganta e em seguida tossi e vomitei muco. Houve, então, um sinal de que a coisa tinha saído. Algumas pessoas têm mais capacidade que outras para efetuar sua própria libertação.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

TRICOTILOMANIA: ENTENDA A COMPULSÃO POR ARRANCAR OS CABELOS

Pessoas com tricotilomania tiram não apenas os fios do couro cabeludo, mas também do púbis, das sobrancelhas e dos cílios; em muitos casos, a patologia aparece com sintomas de depressão e ansiedade

Todo mundo certamente já puxou os cabelos enquanto sonhava acordado ou os enrolou nos dedos enquanto refletia sobre alguma coisa. Principalmente as mulheres arrancam um ou outro por motivos estéticos. No entanto, parece impensável que uma pessoa arranque seus cabelos diariamente, às vezes durante horas, até a cabeça estar repleta de pontos calvos.

Porém, já em 1889 o médico francês François Henri Hallpeau (1842-1919) descreveu um paciente que puxava os cabelos aos tufos. Ele batizou o fenômeno de “tricotilomania” (do grego trico = cabelo, fio; tillo = arrancar). O reconhecimento de que se trata de um quadro patológico específico, no entanto, surgiu apenas no fim do século 20.

A característica básica do distúrbio é o impulso, no mínimo durante alguns períodos, de puxar cabelos ou pelos. Parte das pessoas afetadas por essa compulsão seleciona os fios objetivamente. Por exemplo, os cabelos brancos, os que ficam em pé ou que parecem desarrumados. Outros os puxam de forma inconsciente e automática, e só percebem o gesto mais tarde.

Vários nem sentem dor ao arrancá-los. Típico da tricotilomania é também o ato de “brincar” com os cabelos arrancados. Os pacientes os passam sobre os lábios, colocam na boca ou os enlaçam entre os dedos. Frequentemente, várias dessas características se manifestam na mesma pessoa: ela arranca os cabelos automaticamente diante da televisão ou ao ler, enquanto de manhã e de noite puxa especificamente alguns deles diante do espelho do banheiro.

Durante muito tempo, os médicos subestimaram a disseminação do problema – entre outros motivos, porque vários pacientes não o revelam por vergonha. Acreditava-se que pouco mais de meio milésimo da população era afetado. Hoje sabemos que a tricotilomania não é uma doença tão rara.

Um estudo realizado em 2009 pelos médicos americanos Danny Duke e seus colegas da Universidade Oregon Health & Science, em Portland, demonstrou que o arrancar de cabelos patológico ocorre em cerca de 1,2% dos americanos. Aproximadamente a metade dessas pessoas preenchia todos os critérios clínicos para o diagnóstico de tricotilomania: imediatamente antes de arrancar os cabelos, estão sob pressão interna e, depois, experimentam grande alívio. Ao mesmo tempo, elas se sentem claramente prejudicadas pelo distúrbio.

Segundo esse e vários outros estudos epidemiológicos, mulheres e homens são afetados com a mesma frequência. Quase sempre o arrancar de cabelos leva à rarefação e ao surgimento de pontos de calvície, que as pessoas tentam encobrir com penteados, perucas ou cosméticos. Mas os pelos existentes em outras partes do corpo também podem ser vítimas do transtorno.

PATOLOGIAS ASSOCIADAS

Como em geral elas se envergonham de seu comportamento e temem ser descobertas, muitas não frequentam piscinas ou praias, evitam ir ao cabeleireiro, não praticam esportes em companhia de outras pessoas e temem todo contato social mais próximo. E podem surgir outras psicopatologias associadas à tricotilomania. As mais comuns são depressão, transtornos de ansiedade e abuso do álcool, mas não raramente ocorrem também distúrbios de personalidade. Alguns pacientes engolem os próprios cabelos arrancados, o que pode causar a formação de um novelo de cabelos (tricobezoar) no estômago ou no intestino. Como consequência, podem surgir cólicas ou, mais raramente, obstrução intestinal.

COMBINAÇÃO DE ASPECTOS GENÉTICOS E SOCIAIS

Sob a coordenação da psicóloga clínica Lisa Cohen, do Centro Médico Beth Israel, em Nova York, uma equipe de profissionais examinou 123 adultos que sofriam de tricotilomania. Os pesquisadores concluíram que em pelo menos 6% dos casos os sintomas surgiram ainda na infância, antes dos 6 anos. Na maioria das situa­ções, porém, o arrancar de cabelos patológico se inicia na adolescência, entre os 11 e 15 anos. Mas, ocasionalmente, o distúrbio se manifesta só na idade adulta.

Não existe uma única causa para a tricotilomania. Tanto aspectos psicológicos e sociais quanto neurobiológicos e genéticos são considerados desencadeantes. Quase sempre há uma combinação desses vários fatores. Além disso, o transtorno não se apresenta de forma homogênea, mas pode ser subdividido em três grupos.

O transtorno se inicia, pelo menos em parte dos pacientes, devido a tensões dentro da família, problemas na escola ou dificuldades de relacionamento com outras crianças. Paralelamente, sentimentos depressivos, estresse e problemas para lidar com a raiva também estão em sua base. O arrancar de cabelos é sentido então como uma distração, um consolo capaz de minimizar a tensão, e é justamente esse caráter prazeroso que reforça o comportamento.

Nesse sentido, a tricotilomania serve para regular estados emocionais desagradáveis, dos quais os pacientes nem sempre se dão conta claramente. Muitas vezes, brincar com os fios entre os dedos e tocá-los com os lábios remete a uma sensação de aconchego experimentado quando a pessoa ainda era bebê e tocava os cabelos da mãe ao ser amamentada ou apenas aninhada no colo.

RITUAL DIÁRIO

A tensão interna causada por medos, inibições sociais, dificuldades de expressão de emoções e estados depressivos faz com que os sintomas sejam mantidos. E frequentemente acrescenta-se a ele a força do hábito: arrancar cabelos torna-se um ritual diário, por exemplo, ao dirigir, ler ou telefonar, que ocorre de forma inconsciente e automática, sem um desencadeador concreto. Além desses fatores psicossociais, causas biológicas, como o genótipo, por exemplo, parecem desempenhar papel importante: estudos mostram que o transtorno surge com frequência de 5% a 8% acima da média se outro membro da família já sofre do mesmo problema. O quadro, no entanto, não pode ser atribuído apenas à herança genética; também pode ser explicado como comportamento aprendido.

Atualmente, há alguns modelos animais que talvez possam ajudar a esclarecer as causas biológicas da tricotilomania. Camundongos nos quais o gene hoxb8, envolvido no desenvolvimento do sistema nervoso, sofreu mutação apresentam um comportamento de cuidados corporais muito alterados. Entre outras coisas, eles arrancam os próprios pelos. E o geneticista molecular Stephan Züchner, da Universidade de Miami, na Flórida, descobriu em 2009 que o desligamento da proteína da sinapse SAPAP3 em roedores causa sintomas que lembram tanto transtornos obsessivo-compulsivos quanto tricotilomania.

Porém, ainda não se sabe em que medida esses modelos podem ser transferidos para seres humanos. Pesquisadores constataram, por meio de procedimentos de imageamento cerebral, diversas alterações estruturais em pessoas afetadas pela compulsão. Um grupo de pesquisadores coordenado por Samuel Chamberlain, da Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha, descobriu em 2008 que os corpos celulares neurais (a chamada “substância cinzenta”) apresentam uma densidade muito grande em várias regiões cerebrais nessas pessoas. Isso se aplica, além de várias outras partes do córtex cerebral, também ao estriado (que participa do surgimento de hábitos), à amígdala e ao hipocampo do hemisfério cerebral esquerdo (responsáveis por aprendizados associados à emoção). Esses dois aspectos contribuem bastante para o surgimento e a continuidade da tricotilomania. Uma densidade aumentada das células cerebrais ocorre também em outros distúrbios marcados pelo descontrole, como a síndrome de Tourette e o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).



FALTA DE MENSAGEIROS

Nos últimos anos, neurobiólogos associaram a tricotilomania à escassez de diversos neurotransmissores, principalmente da substância mensageira serotonina, frequentemente vinculada a outros distúrbios comportamentais, como controle reduzido dos impulsos e movimentos repetitivos. Em vários estudos pacientes usaram os chamados inibidores seletivos da recaptação da serotonina (SSRI). Esse tipo de antidepressivo aumenta a concentração do transmissor nos pontos de contato sinápticos entre os neurônios, combatendo assim uma possível falta de serotonina.

Os SSRIs já se mostraram eficazes para o tratamento de transtornos obsessivo-compulsivos há muito tempo. Para a tricotilomania, por outro lado, os resultados de estudos obtidos até agora são contraditórios. Alguns estudos concluíram que houve uma melhora dos sintomas, outros, não. Além disso, o efeito do medicamento frequentemente retrocedia em um tratamento de maior duração, e após a sua suspensão muitas vezes ocorriam recidivas. A administração de antidepressivos, portanto, parece recomendável quando os pacientes sofrem concomitantemente de graves depressões.

TRÊS FORMAS DO TRANSTORNO

1. Os sintomas começam na infância, muitas vezes antes do oitavo ano de vida, e decorrem de forma pouco intensa, frequentemente desaparecendo sem tratamento.

2. O hábito de arrancar cabelos aparece quase sempre de maneira automática e é perceptível de forma consciente só após o início do tratamento.

3. Os cabelos são arrancados de forma focada e consciente; os pensamentos que acompanham o gesto estão voltados para esse ato.

Enquanto ainda não há nenhuma prova científica da efetividade de tratamentos alternativos, como dietas ou acupuntura, uma forma específica da psicoterapia tem se revelado eficaz. A terapia comportamental cognitiva é um exemplo disso. Ela deve ser adequada individualmente ao paciente: é importante que o terapeuta considere exatamente quais fatores desempenham um papel no quadro clínico. Se houver, por exemplo, uma associação entre inibições sociais e a tricotilomania, a prioridade é reforçar a autoconfiança e as competências do paciente. Caso o transtorno seja sintoma de experiências traumáticas, estas devem ser primariamente abordadas.

Em alguns casos, é suficiente a redução do ato de arrancar cabelos por meio de técnicas específicas. Para tanto, o chamado treinamento para reversão de hábitos (HRT, sigla em inglês de habit reversal training) é bastante adequado. Originalmente, Nathan H. Azrin e Robert G. Nunn, do Hospital Estadual de Anna, Illinois, desenvolveram esse método para o tratamento de tiques motores, mas obtiveram sucesso também no caso do roer compulsivo de unhas, chupar dedos e tricotilomania.


EM BUSCA DE AJUDA

O HRT combina diversos métodos para melhorar a autopercepção dos pacientes, eliminando comportamentos enraizados e estabelecendo novos hábitos. Um treinamento para relaxamento complementar busca eliminar a inquietude para que surjam cada vez menos impulsos de arrancar os cabelos. O “método de isolamento”, desenvolvido por Steffen Moritz, do Hospital Universitário de Hamburgo-Eppendorf, junto com Antônia Peters, fundadora do primeiro grupo de autoajuda para tricotilomania de Hamburgo e presidente da Sociedade Alemã de Doenças Obsessivo-Compulsivas, e eu, funciona de forma semelhante. Os pacientes aprendem a substituir o arrancar de cabelos por outro comportamento inofensivo. O truque: o novo movimento da mão a ser aprendido é inicialmente semelhante ao de retirar os fios. Isso facilita a substituição de uma ação por outra.

Testamos há pouco tempo o método de isolamento com 42 voluntários, uma intervenção de autoajuda em um estudo realizado pela internet. Os participantes utilizavam o método ou um treinamento para relaxamento. Nossa técnica mostrou-se, mesmo sem instrução dada por um terapeuta, facilmente realizável e levou pelo menos metade dos participantes ao retrocesso do arrancar de cabelos. Já no treinamento para o relaxamento houve êxito em apenas 22% dos casos.

As psicoterapias com base psicanalítica, por sua vez, não se voltam imediatamente para a psicopatologia, e sim para os sentidos e associações que os sintomas escondem, tratando não o diagnóstico específico, mas todo o sofrimento associado à patologia, o que costuma oferecer a possibilidade de uma transformação mais profunda e duradoura. Para alguns pacientes, a troca de experiências, o apoio mútuo e a motivação para mudanças graduais favorecidas pelos grupos terapêuticos costumam ser muito úteis. Seja qual for o caminho, o que importa para aqueles que sofrem com a compulsão é ela ser controlada. Embora esse objetivo, em geral, seja alcançado com terapia, raramente se chega a uma eliminação completa dos sintomas: é preciso manter-se empenhado para que os fios continuem presos ao próprio corpo.

TREINAMENTO PARA CONTROLAR O IMPULSO

Assim que a paciente leva a mão na direção dos cabelos (figuras A e B), ela deve desviar o movimento subitamente para a orelha, queixo, nariz ou para algum ponto da sala (C ou D). A proposta é que o antigo comportamento seja modificado com esse procedimento.

OUTROS OLHARES

O “GENE GAY” NÃO EXISTE

Estudo com quase 500.000 pessoas indica a homossexualidade como resultado de vários fatores, derruba teses preconceituosas e representa um chamado à tolerância

A ideia era simplista demais para ser levada a sério como constatação científica de algo complexo – o comportamento homossexual. Baseado na investigação genética de quarenta famílias, um estudo de 1993 alardeou que certo gene, o Xq28, determinaria, sozinho e de modo integral, a atração de uma pessoa por alguém do mesmo sexo. Embora frequentemente contestado, o trabalho costumava amparar posturas preconceituosas contra os gays, dando margem a propostas como a de terapias para a “cura” do que seria uma “falha genética”.

Se havia alguma dúvida sobre a fragilidade dessa tese que atravessou décadas, ela acaba de ser demolida. Uma nova pesquisa, recém-publicada pela prestigiosa revista americana Science, refuta de maneira assertiva a ideia da existência de um “gene gay”. Realizado por cientistas americanos e europeus, o estudo levou em consideração a análise genética de mais de 477.000 pessoas dos EUA e do Reino Unido, a partir de um questionário sobre seus hábitos sexuais. Entre os participantes, 26.000 afirmaram ter se relacionado com indivíduos do mesmo sexo. Os pesquisadores compararam os resultados da observação do DNA com a orientação sexual de cada um dos voluntários e assim concluíram que a genética está longe de contar a história inteira – uma enormidade de outros fatores entraria em jogo. Um exemplo que ilustra a multifatorialidade que dita muitas de nossas características é a altura: apesar de ela em parte depender da informação genética presente no DNA, a nutrição – relacionada ao meio em que se vive – e os níveis hormonais afetam profundamente o desenvolvimento físico.

Em suas análises, os pesquisadores conseguiram localizar cinco genes que exercem influência sobre a orientação sexual, mas a expectativa de que haja centenas ou milhares de regiões do DNA que pesem em tal comportamento. Elas seriam responsáveis por algo entre 8% e 15% da manifestação homossexual. De qualquer forma, a genética está sujeita a muitas variáveis. A epigenética, área que vem ganhando fôlego nos últimos anos, teoriza que o funcionamento dos genes pode ser alterado por diversos elementos externos ao DNA. Tome-se o caso do câncer: nos EUA, um censo de 2010 revelou que somente de 5% a 10% dos tumores têm origem genética. O resto é decorrente de atitudes individuais – como fumar, ingerir bebidas alcoólicas em excesso etc.

Naturalmente, o estudo levado a cabo com quase 500.000 pessoas deveria funcionar como um chamamento a maior tolerância diante da homossexualidade. Apesar disso, contudo, é difícil avaliar qual será o seu impacto na sociedade. “Acredito que a maior parte das pessoas mais conservadoras, que apoiam bobagens como terapias que visam a transformar gays em heterossexuais, não é muito racional e não liga muito para a ciência. Então, não acho que o nosso estudo os afetará”, disse Brendan Zietsch, psicólogo da Universidade de Queensland, na Austrália, e coautor do trabalho. “O importante agora é discutir o preconceito em si, e não as causas da homossexualidade. Pode ser que se passem 200 anos sem que saibamos o que resulta nessa orientação sexual. Por enquanto, devemos falar da homofobia e resolver esse problema logo”, acredita Jairo Bouer, psiquiatra especialista em sexualidade.

GESTÃO E CARREIRA

MISSÃO TRAINEE

Bons salários, benefícios atrativos e um programa dedicado a transformar jovens profissionais em líderes do futuro: entenda por que vagas de trainee são tão visadas por recém-formados (e o que você precisa saber para conseguir uma)

Em uma ponta, milhares de candidatos recém-formados (ou prestes a completar a graduação) em busca da oportunidade de trabalhar em uma grande empresa. Na outra, centenas de organizações à procura de profissionais com potencial para se tornarem os gerentes e líderes do futuro. No meio de campo, os programas de trainee: processos de seleção e treinamento calculados para garantir que as melhores pessoas ocupem as posições mais adequadas. Para as companhias que decidem estruturar programas de trainee, o principal benefício trazido pela iniciativa é justamente a identificação de profissionais talentosos que, além de serem capazes de “oxigenar” os processos com novas ideias e soluções, são escolhidos também por se identificar com a cultura e o segmento de atuação da organização. O objetivo é criar um ambiente de formação de novas lideranças. “Uma das questões enfrentadas no Brasil em diversos setores, mas também no empresarial, é ter gente com competência e capacidade para assumir grandes desafios”, afirma Anamaíra Spaggiari, diretora executiva da Fundação Estudar. Por sua vez, conquistar uma vaga em um programa do tipo é um objetivo almejado por muitos jovens em início de carreira. Além da possibilidade de começar a trabalhar dentro de uma companhia em uma posição privilegiada, oportunidades como salários atrativos, rotação entre diferentes áreas e conexão direta com executivos de alto grau de importância são grandes chamarizes.

“É uma das melhores formas de entrar em uma empresa”, comenta Paula Esteves, sócia-diretora do Grupo Cia de Talentos, consultoria de desenvolvimento de carreira que já trabalhou com mais de 2.000 organizações no país. “O trainee passa por um programa de desenvolvimento robusto que abrange questões de autoconhecimento, aperfeiçoamento de soft skills, evolução técnica e participação em projetos concretos, com resultados mensuráveis”, explica.

A fase de treinamentos, que pode demorar mais de um ano, inclui atividades destinadas a inserir o jovem profissional no ritmo da empresa: job rotation (quando o trainee é alocado por um determinado período de tempo em diferentes áreas da companhia), viagens ou até mudança para cidades onde a organização tem unidades de negócio, sessões de mentoria, coaching e, principalmente, colaboração em projetos estratégicos, que vão exigir propostas inteligentes, criativas – e que gerem resultados.

O VALOR DA PRÁTICA

O desenho do programa de desenvolvimento é a principal motivação citada por trainees para a escolha pelo projeto de uma empresa, segundo levantamento realizado pela consultoria Lee Hecht Harrison em 2017. “Um programa de trainee robusto deve ser capaz de desenvolver uma série de habilidades que são cruciais tanto para um profissional que está começando como para se navegar no mundo hoje”, diz Maiti Junqueira, gerente de desenvolvimento de talentos da Lee Hecht Harrison. “O jovem ganha maturidade e cria uma musculatura que favorece sua trilha na carreira, independentemente da organização onde começou”, explica Maiti.

Após a conclusão do período de treinamento, o próximo passo é evoluir da condição de trainee para ocupar um cargo gerencial na companhia. Porém, embora seja uma porta de entrada diferenciada, ter passado por todo o processo não é garantia de contratação automática. “Para se destacar, o jovem precisa transformar o potencial em aplicação”, comenta Anamaira. “Um a experiência vantajosa envolve ouvir bastante as lideranças e evitar propostas que já foram testadas. Quando o trainee consegue ir a fundo no histórico da organização, é capaz de trazer soluções novas. “Entender as expectativas em relação ao trabalho, criar relacionamentos positivos e solicitar feedbacks são outras ações que ajudam o trainee a provar porque ele deveria ser contratado. “É preciso fazer jus ao investimento da empresa, mostrar que valeu a pena trazê-lo”, afirma Paula Esteves.

A jornada até esse ponto, no entanto, começa antes mesmo do início das atividades de desenvolvimento. O primeiro passo é passar pelo processo de seleção de trainees da empresa – o que por si só representa um grande desafio. Compostas por várias etapas, as seletivas são longas e exigentes e atraem milhares de candidatos de todo o Brasil para preencher um número limitado de vagas. A pergunta é: como ser escolhido?

AS REGRAS DO JOGO

Cada fase do processo de seleção para um programa de trainee tem um propósito específico de avaliação, definido com base em critérios objetivos e subjetivos. “Nas etapas iniciais, os recrutadores observam os conhecimentos básicos requisitados, como inglês, raciocínio lógico e ‘fit’ com a empresa”, explica Regina Camargo, sócia-diretora da Across, consultoria de RH especializada em desenvolvimento de carreira. “Nas demais fases, as competências mais comportamentais serão o foco. Um ponto comum, em todos os perfis, é que o trainee é uma pessoa que deve exibir fortes características de liderança, relacionamento e realização”, completa.

À intenção é que, em conjunto, todos os passos sejam capazes de reconhecer os jovens que apresentam maior potencial e identificação com a companhia e o cargo almejado. Por isso, é essencial ter em mente que, da inscrição à entrevista final, todos os momentos são fundamentais para que o candidato consiga apresentar suas qualidades e se destacar. “A pessoa pode ter um currículo incrível, mas, se chegar na frente do gestor e não souber contar sua história e participar ativamente, não temos como avaliá-la”, explica Paula.

FUNIL DE SELEÇÃO

INSCRIÇÃO

Os programas, em geral, são destinados a jovens recém-formados. A inscrição traz os requisitos que servirão de base para o primeiro corte de candidatos. Não adianta, por exemplo, se inscrever em uma vaga que exige mobilidade se você não pode ou não deseja mudar de cidade. Nem sempre é preciso ter formação em um curso específico – as empresas estão cada vez mais buscando diversidade. Por outro lado, um segundo idioma é essencial para a maior parte das vagas.

PROVAS

A ideia é avaliar o conjunto de competências do candidato: inglês, raciocínio lógico, tomada de decisões e aderência à cult ura da empresa são alguns testes que você pode encontrar. As provas também são responsáveis pelo maior afunilamento do processo: um bom resultado é essencial. “A etapa conta normalmente com 20.000 candidatos e a próxima deve ter 500, 1.000 no máximo”, comenta Paula Esteves. “O processo precisa ter um critério de ranking muito bem calibrado.”

DINÂMICAS

Atividades em grupo que podem ser realizadas online ou presencialmente. É possível que este também seja o primeiro momento no qual o candidato interaja diretamente com

a empresa e seus gestores por meio da discussão de cases e apresentação de soluções para questões reais. São avaliadas habilidades relacionadas a comunicação, liderança, trabalho em equipe e criatividade na resolução de problemas.

Expor bem seu ponto de vista, ouvir o grupo, resolver conflitos, apresentar ideias interessantes são exemplos de comportamentos buscados pelos recrutadores.

ENCONTRO COM LÍDERES

Painel de negócios, entrevista com gestores, nova rodada de estudo de casos: nas etapas finais, o jovem vai ficar frente a frente com os líderes da empresa e conhecer um pouco mais sobre a organização em que ele deseja trabalhar.

A avaliação gira em torno de como o candidato se comporta nessa situação.

A PALAVRA DOS EXPERTS

Conversamos com especialistas para montar um checklist de atitudes que vão ajudar o candidato a enfrentar a maratona em busca de uma vaga de trainee.

GARANTA O BÁSICO

Fique atento aos pré-requisitos da vaga e às formas de contato utilizadas ao longo do processo – imagine perder um prazo por não ter checado seu e-mail. Para as etapas online, separe um tempo adequado para completá­las com calma. Escolha um lugar calmo e um computador com boa conexão de internet. Nas fases presenciais, seja pontual e procure se vestir de acordo com a cultura da empresa. Forneça todas as informações de forma clara e objetiva, preste atenção às instruções e não extrapole os limites de tempo propostos.

ESTUDE A EMPRESA

Investigue a história da organização, seus valores, objetivos e segmento de atuação. “Não dá para apresentar um exemplo de um concorrente ou falar algo que é contrário ao que a companhia acredita”, comenta Paula Esteves. Procure entender também por que você gostaria de ser contratado por essa empresa. “Muitos concorrentes avaliam apenas o cargo”, conta Anamaíra Spaggiari. “Demonstre sua vontade de trabalhar lá.”

PARTICIPE ATIVAMENTE

“Seja gentil e colaborativo, mas focado nos resultados”, afirma Regina (amargo. Demonstre iniciativa e conhecimento. Respeitar a participação dos outros candidatos é primordial: ”Incentive a colaboração de todos, analise as situações e proponha soluções”, sugere Paula.

SEJA VERDADEIRO

Mentir é sinal vermelho na hora. Não adianta apontar experiências que nunca teve ou habilidades que não possui se, no decorrer do processo, essas questões se tornarão evidentes: é melhor assumir seu nível real de inglês, por exemplo, do que se dizer fluente e não conseguir completar uma determinada atividade. A mentira conta mais pontos negativos do que a falta da habilidade.

TRABALHE SEU AUTOCONHECIMENTO

“Não dá para depender de o recrutador entender o que está por trás se o candidato não se dedicou ao desenvolvimento da sua própria história”, afirma Anamaíra. Entenda seus pontos fortes e fracos – não vale ter o “defeito do perfeccionismo” – e seja autêntico. “É muito valorizado quando você olha para um candidato e vê que ele confia no seu potencial e sabe quem é”, afirma Paula. Se você não passou em um processo seletivo, não desanime: procure refletir o que pode ser melhor no próximo. E, o mais importante, confie em si mesmo. “Se chegou até aquela etapa, você já apresentou um diferencial e a empresa quer conhecê-lo melhor”, diz Paula.

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 11 – A LIBERTAÇÃO: INDIVIDUAL E EM GRUPO, EM PÚBLICO E EM PARTICULAR

O ministério de libertação pertence à Igreja. Ele deveria acompanhar a pregação, o ensino e a cura. Na Grande Comissão, conforme está registrada em Mateus, lemos:

“Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as cousas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.” (Mateus 28:18-20.)

A expulsão dos demônios é uma parte vital daquilo que Jesus mandou os Seus discípulos fazerem. No Evangelho de Marcos, Jesus diz: “Estes sinais hão de acompanhar AQUELES que creem: em meu nome, expelirão demônios…”. Note os plurais — “eles”, “aqueles” – sugerindo ser esse um ministério da Igreja, em vez de ser de um indivíduo: Hoje, o Espírito Santo está levantando um ministério bem intensivo na Igreja, pois ele o fora negligenciado por muito tempo, e a Igreja de hoje deve tê-lo como preparação para a vinda do Senhor Jesus.

A MINISTRAÇÃO INDIVIDUAL

A libertação PODE acontecer como uma parte do culto na Igreja. Jesus não hesitou em expulsar demônios em público nem em lugares de ensino e louvor.

“Depois, entraram em Cafarnaum, e, logo no sábado, foi ele ensinar na sinagoga[…] Não tardou que aparecesse na sinagoga um homem possesso de espírito imundo, o qual bradou:[…] Mas Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te e sai desse homem.” (Marcos 1:21, 23, 25.)

Tenho estado presente em cultos semelhantes. A mera presença daqueles que se movem no poder de Deus sobre espíritos demoníacos pode fazer com que os espíritos reajam gritando ou falando. A maneira de agir será influenciada pelo ponto do culto em que a interrupção aconteça. Às vezes, aos espíritos é mandado que se calem até o fim da mensagem. Assim, os demônios ficam amarrados até a hora apropriada para expulsá-los.

Em outra situação, a libertação pode ser feita imediatamente. Isso aconteceu uma vez comigo durante o culto. Ao fim da mensagem, os espíritos demoníacos tomaram um casal. Eles eram cristãos, mas não conheciam nada sobre o batismo no Espírito Santo. Vieram ao culto para zombar e apontar o dedo aos “pentecostais”, mas durante o culto se tornaram convictos. A mensagem enfatizou o poder do sangue de Jesus.

A mulher começou a tremer violentamente. Quando seu marido foi para mais perto dela a fim de ajudá-la, os demônios começaram a gritar também através dele, o qual começou a tremer. A congregação continuou a cantar louvores, e alguns de nós ministramos ao casal na ala entre os bancos da igreja até eles ficarem libertados do ataque demoníaco. Logo em seguida, pela oração, eles “ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar cm outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem” (Atos 2:4). Os dois ficaram libertados dos demônios de álcool e nicotina e de vários outros. O casal tem progredido na sua vida espiritual com zelo e grande prazer.

Até este ponto no meu próprio ministério, a maioria dos casos de libertação tem sido na base de uma entrevista — particular.

Nossa equipe vai a uma igreja ou comunidade. Há reuniões de ensino e orientação sobre o assunto de demonologia e libertação. As pessoas são encorajadas a marcar uma hora para a ministração, como uma consulta médica. Reservamos duas horas para cada pessoa.

Encorajamos, com um pouco de insistência, que a família toda receba a ministração, juntamente com a participação dos pais e dos filhos de todas as idades. Mais ou menos de 30 a 45 minutos do tempo são usados em conferência, e o resto no processo de libertação.

Essa abordagem tem seus pontos fortes. Primeiro: a entrevista traz à luz quando e como os demônios entraram na vida da pessoa. Sabendo como vários dos demônios operam, tal conhecimento a ajuda a fechar as portas, de uma vez, aos demônios, depois de serem expulsos.

Naturalmente, os demônios estão ouvindo a conversa e sabem que a presença deles não é mais oculta e que suas obras más estão sendo expostas. Isso serve para provocar distúrbios nos demônios, e, quando a pessoa está pronta para a ministração, os demônios já estão desligados e saem com mais facilidade. A ministração do tipo entrevista tem a desvantagem de tomar muito tempo, mas tem a vantagem de ser mais completa do que a ministração em grupos ou em público.

O coração de Jesus clama por mais obreiros. No contexto de Mateus 10, Jesus é envolvido no Seu ministério de ensino, pregação, cura e EXPULSÃO DE DEMÔNIOS.

Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor.

E, então, se dirigiu a seus discípulos: A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.” (Mateus 9:36-38.)

A MINISTRAÇÃO EM GRUPOS

A ministração em grupos envolve a expulsão dos demônios em mais de uma pessoa de uma vez. O grupo pode variar em tamanho, de duas até uma multidão. Que isto pode acontecer tem sido provado muitas vezes pelos líderes deste ministério. O ministro de libertação mandará os demônios saírem em nome de Jesus, e eles começarão a sair.

Nos grupos grandes de cem ou mais pessoas, se não houver um número suficiente de pessoas treinadas para ajudar cada indivíduo, alguns não vão receber a ministração completa, de acordo com suas necessidades. Na ministração em grupos há quem recebe uma libertação bem adequada, uns recebem menos que o necessário e outros não recebem libertação nenhuma.

A ministração de libertação em grupos pode funcionar bem com crianças. Tive a experiência de ministrar a um grupo de crianças de 7 a 12 anos.

Nós começamos chamando os espíritos comuns em quase todo menino ou menina, isto é, medo, ego, ressentimento e raiva. Depois que uma lista dos espíritos comuns tinha sido completada e eles tinham sido expulsos, crianças com problemas particulares foram ajudadas mais especificamente. Os pais e os pastores das crianças estavam presentes e participaram nas libertações particulares. Duas crianças receberam o batismo no Espírito Santo e uma ganhou libertação em línguas estranhas. Há mais sobre o ministério com crianças em outro capítulo.

É inconcebível que Jesus tenha ministrado a cada pessoa individualmente. Ele era cercado pelas multidões de pessoas à procura de cura e de libertação em toda parte por onde Ele andava. Ele e os doze não podiam ter tomado conta de cada pessoa individualmente, e o registro dos fatos deixa bem claro que Ele ministrou a “todos” que vieram. No seu sermão em casa de Cornélio. Pedro nos conta:

“Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo c com poder, o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele.” (Atos 10:38.)

MINISTRAÇÃO PARTICULAR OU EM PÚBLICO?

Às vezes parece que temos de tomar uma decisão entre duas coisas. Temos, de fato, de escolher entre libertação em público ou em particular.

Está claro que o Espírito Santo tem operado nos dois casos. Deixe cada crente agir de acordo com a maneira como o Senhor o dirigir.

A ministração em particular é importante, se não essencial, em alguns casos. Estamos notando que a maioria dos cristãos tem páginas escuras em sua vida. Há coisas que nunca foram confessadas a ninguém. Os demônios prosperam nos pecados escondidos e ignorados pela pessoa. Eles trarão culpa e indignidade, para impedir o desenvolvimento espiritual e o testemunho do crente.

Em geral, as pessoas sentem-se à vontade ao confessar essas coisas ao conselheiro de libertação. Explicamos que mexemos no passado para revelar as portas pelas quais os demônios ganharam entrada, de modo que estas mesmas portas possam ser fechadas para. sempre.

Alguns indivíduos requerem mais instrução do que outros sobre como conservar sua libertação. Alguns compreendem logo a técnica da luta espiritual enquanto outros são lentos em aprender. Alguns são mais vulneráveis ao ataque em sua vida do que outros, especialmente no lar. O ministro pesa a importância de cada caso e deve fazer o quanto pode, diante de Deus, para que a pessoa que recebe libertação possa continuar vitoriosa.

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PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 10 – AS MANIFESTAÇÕES DEMONÍACAS

Quando os demônios são enfrentados e pressionados por meio de uma luta espiritual, às vezes eles demonstram sua própria natureza através da pessoa, de várias maneiras. Estes espíritos maus são criaturas das trevas. Eles não aguentam ficar na luz. Quando sua presença e suas táticas são expostas, eles são capazes de ficar agitados e frenéticos. As manifestações parecem não ter fim. Limitar-nos-emos a poucos exemplos.

Satanás e seus demônios são identificados com as serpentes. “Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões…” (Lucas 10:19). “E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo…” (Apocalipse 12:9).

Não é de surpreender que manifestações de serpentes tenham sido vistas, por exemplo, na língua. Elas motivam a pessoa a esticar a língua para fora ou fazem a língua mover-se rapidamente para fora e para dentro – exatamente como a da cobra. Os olhos podem tomar as características como os da cobra. Geralmente, durante a libertação, os olhos da pessoa ficam fechados. Parece que os demônios sabem que os olhos da pessoa revelam a presença deles de uma maneira mais nítida que qualquer outra.

Outra manifestação da serpente é pelo nariz. A pessoa é capaz de chiar pelas narinas. Várias vezes, tenho visto a pessoa jogada no chão pelo poder dos espíritos, e o corpo retorcer-se como o da serpente.

Uma manifestação mais ou menos comum ocorre nas mãos. As mãos podem ficar entorpecidas e dormentes. Às vezes, os dedos se esticam e tornam-se rígidos. Os demônios que se manifestam desta maneira pelas mãos são, em geral, os demônios da luxúria, do suicídio ou do homicídio. Outros tipos de espíritos maus, especialmente os associados ao uso errado das mãos, podem manifestar-se desta maneira. É preciso sacudir as mãos vigorosamente para deslocar os espíritos.

Os espíritos de artrite, muitas vezes, se manifestam nas mãos. As mãos se tornam rígidas, e os dedos, ásperos. Isto pode acontecer nas mãos de jovens que ainda não têm sinais nenhum de artrite, mas em quem o demônio da artrite já está trabalhando a longo tempo.

Ao confrontar o demônio de artrite, as mãos podem tomar a aparência de alguém que sofre disso há anos. O demônio pode manifestar-se através de dores e retorcimento do corpo. Muitas dessas enfermidades são abortadas pelo ministério da libertação, quando o discernimento de espíritos descobre as enfermidades e as doenças que não foram ainda manifestadas.

Uma manifestação que é muito pavorosa é a do espírito de morte. Tenho encontrado o espírito de morte presente em casos onde pessoas foram arrasadas até o ponto da morte por doenças graves, cirurgias sérias ou tentativa de suicídio.

Um homem com um espírito de morte tinha sido oficialmente declarado morto por afogamento, mas foi ressuscitado pela ação do médico. Ao se manifestar, o espírito de morte faz com que as pálpebras fiquem abertas e os olhos virem para trás. A pele da pessoa toma a cor da morte.

Uma jovem senhora de 25 anos veio a nós para o ministério. Ela era uma pessoa meiga e de natureza passiva. Vários demônios foram expulsos, e estávamos sentados, quietos, esperando a direção do Espírito Santo. De repente, o rosto da moça mudou-se dramaticamente e outro demônio apareceu.

Não há meios de descrever como a manifestação apareceu — especialmente pelos olhos. Sem virar a cabeça, seus olhos movimentaram-se para olhar a cada pessoa na sala com um olhar fixo.

Minha esposa e eu estávamos sentados bem na frente dela. Mais três membros de nossa equipe de libertação estavam presentes, juntamente com o pastor da moça e sua esposa. Eu havia observado muitas manifestações demoníacas, mas esta era diferente. Fez-nos sentir como se estivéssemos encarando um animal feroz, a ponto de devorar-nos. Num instante, esta manifestação cedeu-se à manifestação do espírito de morte. Felizmente, eu já tinha visto esta manifestação e sabia como agir. Os outros na sala não a conheciam e achavam que a moça tinha falecido mesmo. O demônio saiu, e a moça ficou boa.

Outra faceta das manifestações demoníacas é a dos cheiros: Lembro-me de uma vez em que estávamos ministrando numa casa pastoral. A casa ficou tomada por um mau cheiro parecido com o de repolho cozinhando que, para mim, é um mau cheiro. Era tão real, que alguém foi até a cozinha para verificar se havia algo no fogão.

Em outra ocasião, eu estava expulsando um demônio de câncer. Ele saiu acompanhado por um cheiro distinto, igual ao que encontramos num hospital de câncer. Com muitas experiências pastorais no Hospital do Câncer Ha cidade de Houston, Texas, reconheci logo o cheiro.

Os demônios podem gritar (Mateus 8:29; Lucas 4:41; Atos 8:7).

Estávamos em meio a uma libertação quando uma moça de 17 anos aproximou-se. Ela disse que tinha sido envolvida com feitiçaria. Mandei-a sentar-se no assento à minha frente. Abri minha Bíblia e comecei a leitura de Deuteronômio 18:9-15, que declara que feitiçaria é uma abominação ao Senhor. Enquanto estava lendo o versículo 15, que diz que Deus levantaria um Profeta (Jesus) e “a ele ouvirás”, um grito agudo saiu da boca da moça. Levantando os olhos da Bíblia, vi as mãos dela como garras estendidas à Bíblia.

Antes que eu pudesse reagir, as unhas compridas tinham rasgado aquela página de minha Bíblia, no versículo que eu acabara de ler! Começamos a expulsar, em nome de Jesus, os demônios de feitiçaria e os espíritos da mesma tribo, e logo ela foi liberta da sua opressão.

O espírito de orgulho pode manifestar-se de várias maneiras. Ele pode fazer a pessoa sentar-se ou ficar em pé muito ereta e cruzar os braços sobre o tórax ou arrebitar muito o nariz. Um jovem pastor disse-me que ele falava demais. Ele não podia resistir a interromper qualquer conversa, fosse ela qual fosse. Ele não podia disciplinar-se e deixar outros falarem. Sentia que tinha muito mais a dizer de maior importância que os outros. Ao espírito foi mandado identificar-se. e ele respondeu, dizendo: “Sou importância”.

O homem estava sentado numa cadeira dobrável. O espírito fez com que ele pusesse a cabeça para trás com seu nariz bem para cima, quase derrubando o homem. O espírito de orgulho ou de importância fará a pessoa “pensar de si mesma além do que convém”.

Os espíritos maus, às vezes, revelam sua presença e sua natureza por pantomima. Durante uma entrevista, antes de eu ministrar, um jovem pastor revelou que tinha uma obsessão por dança e que queria dançar mais do que comer. Quando o demônio da dança carnal foi mandado embora, o homem começou uma pantomima rítmica.

O corpo dele começou a balançar-se, suas mãos moveram-se como se fosse bater palmas e sua boca movia-se como se estivesse cantando, embora não se ouvisse som algum. O demônio disse que ele estava cantando “O Poder do Sangue”. O homem pegou um pano molhado que usava no rosto (os demônios expulsos primeiro tinham saído por vômito) e sacudiu o pano em cadência.

Finalmente, jogou o pano para o teto e, ao cair no chão, o demônio deu uma gargalhada feia.

Em outras ocasiões, temos visto espíritos de ritmos e de danças se manifestarem pelo movimento do corpo, especialmente no movimento dos quadris. Uma moça, cujo corpo vibrou com a manifestação do espírito de ritmo, revelou depois que ela tinha sido uma dançarina de boate, bicou provado que este era o espírito que a dominava. O diabo tem sua imitação e perversão para tudo o que é bom e certo.

Uma manifestação interessante apareceu quando estávamos ministrando a uma mãe que tinha um filho de 12 anos. O filho tinha um braço defeituoso, como resultado de lesão cerebral congênita. O pulso dele era virado e a mão ressequida e sem força. A mãe tinha um espírito de tormento, que a aborrecia continuamente, por causa da condição de seu filho. O espírito não a deixava em paz e fixara a mente dela no braço defeituoso. Quando este espírito de tormento saiu, ele fez o braço e a mão da mãe assumirem a aparência exata do braço e da mão do filho.

A dor é uma manifestação comum. Muitas e muitas vezes, quando pessoas marcam compromisso com antecedência para nossa ministração, depois dizem que sofreram uma grande dor de cabeça, ainda que, normalmente, nunca sofressem disso.

Durante a ministração, com frequência, os demônios provocam dor de cabeça ou dores agudas em várias partes do corpo. Espíritos de nervos e tensão podem causar dores na nuca ou nas costas. Geralmente, o ministro de libertação imporá as mãos na área dolorida e mandará o espírito se desligar; o demônio é expulso e, num instante, o corpo é aliviado da dor.

Outras manifestações que podem aparecer neste ministério de libertação incluem cãibras nas pernas e braços, náuseas, choros e gargalhadas. A gargalhada é geralmente um espírito de escárnio. O novato nesse ministério poderia pensar que quem está recebendo a libertação não a está levando a sério, mas as gargalhadas não têm nada a ver com os sentimentos da pessoa.

Calculo que os demônios falam, em média, em um de cada doze casos em que ministramos. A porcentagem seria maior se os deixássemos falar. Eles não variam muito naquilo que dizem.

Eles falam com firmeza que não pretendem sair. Podem dizer que a pessoa quis que eles ficassem ou que eles voltarão se forem expulsos.

Às vezes, eles suplicam para não serem expulsos, querendo provocar pena com relação àquilo que acontecerá com eles. É óbvio que os demônios ficam atormentados ao ouvirem do sangue de Jesus e do destino eterno que têm à frente. Os demônios demonstram medo de seus superiores no exército satânico. Sua conversa tem a finalidade de criar medo no ministro de libertação. Por exemplo, um demônio poderia dizer: “Sei algo sobre você. Você quer que eu conte tudo aqui na frente dos outros?” Mas isto são somente acusações e ameaças.

De modo geral, a conversa dos demônios é uma tática para impedir a libertação ou de adiá-la tanto quanto possível. Quando os demônios são expulsos, normalmente saem pela boca ou pelo nariz. Os espíritos estão associados à respiração. Os hebreus tanto como os gregos tinham somente uma palavra para “espírito” e “respiração”.

A palavra grega é pneuma. O Espírito Santo também está associado com a respiração. Após a ressurreição, Jesus apareceu aos discípulos e “soprou sobre eles, e disse-lhes: Recebei o Espírito (pneuma) Santo” (João 20:22). Muitos hinários evangélicos contêm hinos com este tema.

Quando os espíritos maus saem, normalmente, esperamos uma manifestação qualquer pela boca ou pelo nariz. Sem dúvida, a manifestação mais comum é tossir. A tosse pode ser seca, mas em geral é acompanhada de catarro. O catarro pode ser em grande quantidade.

Material semelhante pode aparecer na forma de vômito, baba, cuspe ou espuma. As pessoas que recebem esse ministério de libertação logo depois de uma refeição, ainda que grande, vomitam grande quantidade de muco, sem qualquer traço de comida. E raro termos visto comida vomitada do estômago. De vez em quando uma pequena quantidade de sangue aparece. Não é fora do comum que este material saia de uma pessoa durante uma hora ou mais.

Outras manifestações pela boca incluem: choro, grito, suspiro, arroto e bocejo. O ar talvez sairá pelo nariz ou a pessoa assoará o nariz continuamente, como se tivesse sinusite. Estas manifestações podem variar em sua intensidade – podem ser muito calmas ou até muito dramáticas. O grau de manifestação não indica a eficácia de uma libertação. As pessoas cujos demônios saem por bocejo ou suspiro são também libertas tanto quanto as que são libertas com manifestações violentas.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

QUANDO O CIÚME É DEMAIS

Comportamentos compulsivos, como verificar registro de ligações no celular, são sustentados pela ilusão de que é possível controlar o que o parceiro faz ou sente

Há mais de 400 anos, William Shakespeare tratou da “doença da suspeita” em uma de suas obras mais populares: Otelo, o mouro de Veneza. A desconfiança de que a mulher mantinha relacionamento com um rapaz mais jovem – despertada e alimentada por insinuações de um subordinado, Iago – levou-o a buscar e a acreditar ter encontrado provas da traição em fatos triviais. O escritor referia-se ao ciúme como “o monstro de olhos verdes”, uma metáfora sobre a cegueira induzida pelo sentimento que faz entrever como provável ou certo o que apenas é possível de acontecer. 

No relacionamento amoroso, no entanto, é natural sentir ansiedade ao perceber que algo ou alguém pode reduzir o espaço afetivo que ocupamos na vida do parceiro. “O ciúme normal é transitório e se baseia em ameaças e fatos reais. Ele não limita as atividades – nem interfere nelas – de quem sente ou é alvo de ciúme e tende a desaparecer diante das evidências”, define a psicóloga Andrea Lorena, pesquisadora de ciúme excessivo do Laboratório Integrado dos Transtornos do Impulso (PRO-AMITI) do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP). O ciúme extrapola as fronteiras do saudável quando se torna uma preocupação constante e geralmente infundada, associada a comportamentos inaceitáveis ou extravagantes, motivados pela ansiedade de tirar a limpo a infidelidade do parceiro. “No ciúme excessivo, o medo de perder a pessoa amada vem acompanhado de emoções específicas – raiva, medo, tristeza, ansiedade – e pensamentos irracionais. ‘Será que ele/ela está me traindo?’ é um pensamento frequente. Quase sempre há prejuízos para quem sente, para quem é alvo e para o relacionamento”, diz Andrea. 

Não raro os pensamentos irracionais se traduzem em comportamentos compulsivos, sustentados pela ilusão de que é possível controlar o que o parceiro faz ou sente, como verificar agendas, registro de ligações no celular, seguir o parceiro, conseguir senha de acesso ao e-mail, checar faturas de cartão de crédito e fazer visitas-surpresa para confirmar suspeitas. Muitas vezes as preocupações são acompanhadas por sintomas físicos, como sudorese, taquicardia, alterações no apetite e insônia. De acordo com Andrea, uma das características mais comuns da pessoa excessivamente ciumenta é a baixa autoestima. “Isto é, ela não acredita que tem valor e merece respeito. A priori, é alguém ‘traível’ e abandonável, pois na verdade acredita que a honestidade e a reciprocidade nas relações não valem a pena. É um sentimento com origem na infância e na relação com os pais, em que provavelmente a pessoa foi negligenciada e desrespeitada. Somam-se ainda fatores como insegurança, medo, instabilidade e a própria desorganização pessoal”, diz a psicóloga. 

No Brasil, o PRO-AMITI e a Santa Casa do Rio de Janeiro oferecem tratamento gratuito para ciúme excessivo. A abordagem combina atendimento psicológico, em grupo ou individual, e psiquiátrico. É comum a comorbidade com transtornos de depressão e ansiedade que, se diagnosticados, são tratados com medicamentos. “O processo psicoterápico trabalha a melhora da autoestima e a segurança com o próprio relacionamento. Com o tempo, o paciente percebe que comportamentos como investigar o que o parceiro faz na rede ou vasculhar seus pertences são desnecessários”, diz Andrea. 

O ciúme excessivo é um traço frequente de outro quadro: o amor patológico (AP), com características semelhantes à dependência química. Ele ocorre quando o comportamento saudável de atenção e cuidado para com o parceiro, característico do amor, começa a ocorrer de maneira repetitiva e frequente. A pessoa se ocupa do outro mais do que gostaria e abandona interesses e atividades que antes valorizava. Segundo a psicóloga Eglacy Sophia, também do PRO-AMITI, ciúme excessivo e amor patológico compreendem medo intenso da perda, baixa autoestima e insegurança emocional. “Muitas vezes os questionamentos sobre a fidelidade do parceiro são calcados em motivos plausíveis. Em geral, uma entrevista cuidadosa com o paciente revela dados sobre o comportamento do parceiro que poderiam causar ciúme em qualquer pessoa, como telefonemas secretos, distanciamento afetivo e físico frequente e confirmação de traições passadas”, diz a psicóloga.

Apesar de existirem poucos estudos relacionando o ciúme patológico com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), os pensamentos do ciumento costumam ser similares aos das pessoas que têm o distúrbio: são intrusivos, desagradáveis e incitam atitudes de verificação. “Pacientes que reconhecem seus comportamentos como inadequados ou injustificados apresentam mais sentimentos de culpa e depressão; os demais demonstram raiva e condutas impulsivas mais pronunciadas”, diz Eglacy

OUTROS OLHARES

A ESCOLA É POP

Depois do cinema, chegou a vez de as séries de TV entrarem nas salas de aula. É um magnífico atalho para ampliar a relevância do ensino em qualquer sociedade

Quando o enérgico professor John Keating se postou em cima de uma carteira na conservadora Academia Welton e instou uma classe desinteressada a responder à questão que não quer calar – “O que eu, mestre, estou fazendo aqui?” -, a dramaturgia abraçou de modo certeiro a educação. Em 1989, o tocante Sociedade dos Poetas Mortos, estrelado por Robin Williams, levou um punhado de prêmios, entre os quais o Oscar de melhor roteiro. Houve outros antes dele, como o delicado Ao Mestre com Carinho, que faturou a estatueta de melhor filme em 1967 com um brilhante Sidney Poitier chacoalhando uma turma sem rumo. Agora, é chegada a vez de as séries de TV mostrarem os labirintos escolares à sua maneira. E elas estão registrando elevada audiência mundo afora. Em outubro, o Brasil adentra esse universo com Segunda Chamada, da Globo, a estreia do país nessas produções que dão às complexidades do ensino o papel principal.

A nova série sorve inspiração das muito bem-sucedidas Rita, a trama dinamarquesa em torno de uma professora desbocada que escandaliza pais e conquista alunos, e Merlí, que em suas três temporadas mostrou como um mestre disposto a fazer tremer velhos pilares escolares sacode também a vida dos estudantes. Ambas se encontram na Netflix – Merlí, aliás, era originalmente exibida na catalã TV3, depois foi catapultada para a plataforma de alcance planetário e virou fenômeno. “Meu desafio era tratar de jovens e filosofia na escola, um coquetel explosivo que nem a TV nem as grandes plataformas haviam comprado”, conta o diretor Hector Lozano, criador de Merlí, que pode, sim, pecar por certos estereótipos, mas certamente tornou a sala de aula um local ao mesmo tempo divertido e dramático.

Em Segunda Chamada, o alvo é o ensino de jovens e adultos que vão sendo defenestrados dos estudos pela combinação de falta de incentivo com falta de oportunidades. No horário pós-novela das 9, estarão carteira com carteira uma ex- presidiária, o irmão de um chefe do tráfico, uma senhora de 70 anos – todos pilotados por um quadro de professores de colégio público que tem como destaque a personagem vivida por Debora Bloch. O interesse da Globo por uma série sobre educação na novela Malhação ela é apenas cenário – vem na esteira dos sucessos de fora. “Escolhemos mirar essas pessoas que são dadas como casos perdidos justamente porque elas quase nunca têm visibilidade”, diz a roteirista Carla Faour, que escreveu a primeira temporada de dez episódios (a segunda já está nos planos) com Julia Spadaccini, dobradinha reeditada da série Tapas e Beijos.

Em outros tempos, dificilmente se ousaria apostar em enredo tão árido (até mesmo para os círculos da educação), mas o mercado vem detectando uma crescente curiosidade pelas coisas da escola, sintoma deste século XXI, que demanda cada vez mais habilidades e aprendizado. Um motor decisivo para libertar o ensino dos escaninhos dos especialistas e trazê-lo a mesas mais amplas são as redes sociais, que conectam o tempo todo, pais, alunos e escolas. Isso tudo faz o tema circular livremente pela vida cotidiana e interessar ao universo pop. “Tirando a filmografia francesa, o ensino nunca foi tratado na indústria do entretenimento com o afinco de hoje”, ressalta Lozano, de Merlí. Uma contribuição vinda da França é o genial Entre os Muros da Escola, de 2008, que inclusive inspirou a dupla brasileira. “Mantemos uma constante conversa para entender o que as pessoas estão falando, ouvindo, buscando. E educação é uma delas”, diz Silvio de Abreu, diretor de dramaturgia da Globo. Que a maratona à frente da TV sirva também de estímulo para a corrida pelo saber sem o qual qualquer democracia corre sérios riscos.

GESTÃO E CARREIRA

QUANDO A BAGUNÇA VIRA PROBLEMA

Embora comum, pesquisas apontam que a desorganização prejudica a produtividade, aumenta o estresse e pode comprometer o desenvolvimento profissional

Responda rapidamente: sua mesa de trabalho é cheia de papéis espalhados, embalagens vazias e itens de escritório fora do lugar? Trabalhar em um local caótico pode parecer inofensivo, afinal, fácil encontrar outras pessoas com mesas mais caóticas do que a sua.  Porém, de acordo com especialistas, a desordem pode comprometer não apenas a saúde, mas também a produtividade e até a carreira. Um dos principais problemas de uma estação de trabalho desordenada é que, muitas vezes, ela dificulta a identificação de objetos. Consequentemente, o funcionário perde tempo e energia atrás de documentos físicos e digitais, além de outros itens de trabalho, afetando as entregas e o humor. E esse tempo, aparentemente irrelevante, no longo prazo pode se mostrar bem representativo. De acordo com um estudo realizado pelo aplicativo de localização Pixie, por exemplo, os americanos gastam, em média, 2,5 dias por ano apenas procurando objetos perdidos no trabalho. Não raramente, algumas histórias terminam mal, com documentos importantes perdidos para sempre e a reputação profissional arranhada. Foi o que aconteceu com o vice-presidente da fabricante de colchões Sono Quality, Luciano Brasil, de 37 anos. Em 2013, quando era supervisor da operação de telemarketing da companhia, ele perdeu um documento importante que estava em um pen-drive. “Minha mesa tinha muitas coisas espalhadas, era papel para todo lado e diversos pen drives”, conta Luciano. O arquivo desaparecido, que não possuía uma cópia de segurança, continha a primeira etapa de um plano da empresa para aumentar o número de visitas a clientes. Sem achar o original de jeito nenhum, Luciano teve de recomeçar o planejamento do zero, provocando um atraso de 30 dias na implantação do projeto. Além de perder a credibilidade, a liderança da iniciativa foi parar nas mãos de outro colega, e o executivo ficou na geladeira por alguns meses. “Naquele momento comecei a enxergar que o fator ‘organização’ estava me prejudicando muito”, afirma.

E aquela não era a primeira vez que a bagunça criava um problema para Luciano. Em 2009, por exemplo, ele assinou, sem ler, uma papelada da imobiliária a respeito do imóvel ocupado pela empresa. O documento em questão definia que o prédio teria de ser desocupado em um mês. “O papel estava no meio de outros documentos sobre reformas que estávamos fazendo na propriedade, e eu acabei assinando sem querer”, diz. A companhia precisou se mudar às pressas por causa do deslize. Para superar os problemas causados por esse comportamento, Luciano fez um curso de liderança que continha ensinamentos sobre organização. Além disso, passou a observar atentamente os colegas que eram mais disciplinados do que ele, como o atual presidente da Sono Quality. Com isso, aprendeu a colocar a agenda no Outlook, eliminou os papéis de sua mesa e começou a sistematizar os arquivos importantes no computador. “Anotações só faço no celular ou em um caderno que tenho específico para isso”. Hoje, ele afirma que não comete mais os erros primários de desorganização nem perde itens importantes. “Quando você deixa escapar uma oportunidade, acaba aprendendo”, conta.

O CUSTO DA DESORDEM

Histórias como a de Luciano são comuns. E, não bastasse o desperdício de tempo, a desorganização também pode prejudicar nossa saúde. Uma pesquisa da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, descobriu que, quando estamos em um espaço confuso, nossos índices de cortisol aumentam e, consequentemente, níveis de estresse também. A desordem sobrecarrega os sentidos levando à distração e à incapacidade de concentração. “A bagunça física pode se transformar em bagunça mental, pois gera confusão e dúvidas. Depois evolui para bagunça temporal, quando começamos a perder a noção de tempo e prazos. Por fim ela se torna bagunça emocional, que gera estresse, preocupação e afeta nossa saúde”, explica, José Luiz Cunha, fundador da OZ!, empresa especializada em organização. Segundo ele, algumas pessoas pensam que conseguem se dar bem em ambientes caóticos ou que a desordem é um sinal de criatividade. “Na realidade, é grande a possibilidade de que colegas, gerentes ou clientes não pensem da mesma maneira”, diz.

Além ele comprometer a produtividade, a desordem pode prejudicar desenvolvimento da carreira. Isso porque a falta de organização envia uma mensagem negativa a líderes e colegas. “O profissional passa a impressão de que não vai exercer o trabalho com qualidade, perder prazos, documentos e, principalmente, não dará o melhor de si mesmo” afirma Beth Mariano, sócia da Prosphera Educação Corporativa consultoria especializada em gestão de negócios. Na prática, trabalhadores associados ao desleixo podem não ser escolhidos para gerenciar um novo projeto ou perder uma promoção. Um estudo da consultoria Rober Half com mais de 300 profissionais de recursos humanos nos Estado Unidos mostrou que 32% deles questionam as habilidades de uma pessoa desorganizada no trabalho. “Que tem um espaço mal arrumado está comunicando que não possui capacidade de autogestão. E quem não sabe gerir a si mesmo também não sabe administrar outras coisas”, diz Maria Aparecida Araújo, presidente da consultoria Etiqueta Empresarial.

Se o dano à imagem é significativo para quem ocupa uma estação de trabalho fixa, os prejuízos podem ser ainda mais graves para os que trabalham em escritórios abertos ou sem mesas definidas. Por se trata de locais compartilhados, os indivíduos devem redobrar a atenção “O desrespeito aos espaços coletivos poderá tornar o profissional um persona non grata naquele ambiente”, afirma a gerente de operações da consultoria LHH, Patrícia Paniquar

ELIMINANDO O PROBLEMA

De acordo com especialistas, o ideal é ter uma mesa de trabalho minimalista, apenas com os itens essenciais usados no dia a dia. Para Beth, da Prosphera, os objetos de uso frequente devem ficar por perto enquanto os menos utilizados precisam ser arquivados. Outro segredo é colocar cada coisa em um lugar específico, como gavetas, prateleiras e porta-objetos. Uma solução para quem trabalha em espaços rotativos é montar um estojo com todo material necessário para facilitar o transporte. E, para os que recebem um volume grande de papéis diariamente, uma caixa de entrada onde são colocados os documentos relatórios e o material recebido é uma ferramenta útil. Ao longo dia, basta verificar cada item e decidir o que será arquivado, deixar para depois, os descartados ou a enviar a outras pessoas ou clientes.

Mas, para ter um espaço arrumado, não basta ajeitar os itens uma vez só. É preciso fazer a manutenção diária para tudo permanecer em ordem. “Os profissionais podem reservar os últimos 10 minutos expediente para essa conservação. Esse é o momento para colocar cada coisa em seu lugar, jogar o lixo fora e escrever a lista dos próximos compromissos. Desse modo, o escritório vai parecer um lugar mais produtivo e acolhedor todas as manhãs”, explica José Luiz, fundador da OZ!

Ter objetos de decoração ou valor sentimental sobre a mesa também é permitido, desde que com moderação. Colocar muitos bibelôs, brinquedos e outros itens na estação de trabalho pode pegar mal, segundo Maria Aparecida, da Etiqueta Empresarial. “É interessante ser discreto e evitar excessos”, orienta. Manter a foto dos filhos e usar notas adesivas para se organizar, no entanto, é bem-vindo, conforme mostrou um levantamento feito pela Lucidchart, plataforma de gerenciamento de projetos. De acordo com o estudo, que entrevistou mais de 1.000 funcionários nos Estados Unidos, 78% dos profissionais produtivos usam post-its e 33% possuem um retrato dos filhos na estação de trabalho. Enquanto isso, entre aqueles com menor produtividade, esses números caem para 67% e 24%, respectivamente. Independentemente do tamanho da pilha de papéis que esteja sobre sua mesa ou do que você optará por manter ou jogar fora, uma coisa é certa: quanto antes começar a faxina, melhor será para você – e para sua carreira.

TUDO EM SEU LUGAR

Cinco dicas de como manter seu espaço organizado

1. PROGRAME-SE PARA LIMPEZAS PESADAS

Além da manutenção diária, é recomendável reservar um tempo maior, pelo menos duas vezes ao ano, para percorrer arquivos e objetos antigos que não tenham mais serventia e possam ser jogados fora.

2. MENOS PAPEL

A utilização e, consequentemente, o arquivamento de itens físicos deve ser apenas em último caso. “hoje em dia, excesso de papel não é bem-vindo. Substitua a agenda por um bloco de notas eletrônico”, diz Patrícia Paniquar, da LHH. Quando for indispensável imprimir documentos, o ideal é sistematizá-los em pastas com etiquetas removíveis.

3.  O QUE OS OLHOS NÃO VEEM NÃO SE TORNA BAGUNÇA

Quem tiver a opção de usar armários dentro do escritório poderá aproveitar esses espaços para deixar a mesa de trabalho mais livre.

4. LIXO, NEM DIGITAL

Organizar os documentos on-line também é importante. deixe os arquivos do computador e a caixa de entrada de e-mails sistematizados em pastas separadas por assunto, projeto ou cliente. Também programe uma limpeza periódica e reveja o que pode ir para a lixeira do computador.

5. NÃO PARE NO MEIO DO CAMINHO

Ao receber ou analisar um documento, já decida o que fazer com ele. Deixa-lo descansando sobre a mesa para ser visto depois é quase sinônimo de acúmulo desnecessário.

VOCÊ É BAGUNCEIRO?

Seis sintomas de que sua desordem já passou dos limites

***Não há espaço em sua estação de trabalho para colocar mais nada

***As pessoas evitam deixar documentos em sua mesa com medo de que você não os veja

***Existem pastas ou papéis no mesmo lugar há semanas e suas gavetas estão cheias

***Você costuma se atrasar para reuniões pré-agendadas porque anotou o horário em papéis aleatórios

***Seus documentos se perdem com frequência

***Quando solicitam informações sobre algo, você tem dificuldade de localizá-las de forma ágil

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

AI QUE GAFE!

A maioria das pessoas já pensou alguma vez: “teria sido melhor eu ter ficado calado”, mas quando o autocontrole falha, o melhor é não se aborrecer, pois quanto maior a tensão e o empenho para se comportar “bem”, mais aumenta o risco de dizer algo que cause constrangimentos

É como se, de repente, as palavras saltassem à nossa frente e, quando nos damos conta, já dissemos aquilo de que, no segundo seguinte, nos arrependemos. É o lapso, o “fora”, a palavra que deveria ser evitada, mas parece escapar – uma situação em geral constrangedora, da qual ninguém está livre. No palco, a gafe, uma instância da comédia burguesa, faz a plateia rir. Contudo, na vida cotidiana esse tipo de erro costuma ser muito constrangedor. Segundo o psicólogo social Daniel Wegner, da Universidade Harvard, em Cambridge, que estuda esses casos há mais de 20 anos, aqueles que têm tendência a depressão, ansiedade ou timidez (e costumam ficar constrangidos e desconfortáveis quando em grupo) são os que levam mais a sério esses lapsos – e mais sofrem som eles.

Sigmund Freud já havia descrito este fenômeno, que ele nomeou genville (que se refere a uma ação executada contra a própria vontade) em 1895 em um de seus estudos sobre histeria. O criador da psicanálise percebeu que grande parte de suas pacientes que tinham medo de fazer observações sem propósito ficavam particularmente incomodadas quando isso, eventualmente, ocorria. Entre as recatadas mulheres do início do século 20, um deslize era visto, principalmente por elas mesmas, como algo grave, que assumia sérias proporções em seu psiquismo. E, curiosamente, quanto mais tinham medo de cometer uma gafe, mais isso acontecia.

Em uma experiência clássica em psicologia, Wegner pediu aos participantes de um estudo para não pensarem em um urso branco durante cinco minutos – e falar sobre aquilo que eles quisessem. Caso eles pensassem assim mesmo no animal, deviam tocar um sininho cada vez que isso acontecesse. Os resultados mostraram que os voluntários tinham disparado as campainhas em média 6 vezes e alguns chegaram a tocar 15 vezes! Após os experimentos, todos admitiram que ficaram então muito frustrados (e surpresos) por perderem o controle de seus pensamentos.

Para o psicólogo, mesmo que às vezes lamentáveis, essas situações representam um efeito secundário e quase que inevitável de nosso controle mental: é o que se chama de metacognição (do grego meta: mais longe, além, e do latim cognitivo: conhecer). Dois mecanismos que geralmente agem em sinergia às vezes entram em descompasso: em condições normais, uma espécie de censor interno sinaliza o aparecimento de pensamentos inapropriados (porque eles são inadequados ao contexto ou porque nós estamos ocupados com outra tarefa e naquele momento é melhor deixá-los de lado). Assim que o censor emite um alarme, um segundo processo é disparado – o suprimento do pensamento indesejável. Segundo essa teoria, o controle mental evita a revelação de pensamentos indesejáveis, monitorando a atenção e fazendo com que tentemos de forma consciente nos concentrar em outra coisa.


Esse mecanismo costuma funcionar muito bem, mas quando estamos estressados ou quando devemos realizar duas tarefas complexas ao mesmo tempo, ele pode falhar. Esses “erros irônicos” se produzem assim que os conteúdos reprimidos fogem do nosso controle. Mesmo que o recalque e a repressão sejam estratégias eficazes, frequentemente usadas, podem causar os lapsos, pois exigem muita atenção e investimento de recursos cognitivos.

MAIS DIFÍCIL

Segundo D. Wegner, os erros irônicos não se produzem somente durante a comunicação verbal, mas também no controle do movimento. Ele demonstrou esse processo em um trabalho desenvolvido em conjunto com seus colegas Matthew Ansfield e Daniel Pillof. Participantes do estudo foram divididos em duas equipes: os integrantes do primeiro grupo deviam impor determinada direção a um objeto. Os movimentos para outra direção eram estritamente proibidos. Simultaneamente, os voluntários que faziam parte do segundo grupo deviam fazer o mesmo, porém com o acréscimo da tarefa de contar de forma decrescente de três em três a partir do número 1000 (997, 994, 991 e assim por diante). Os cientistas perceberam que esses últimos levavam o objeto para a direção proibida muito mais frequentemente que as pessoas do primeiro grupo, cujas fontes cognitivas não estavam sendo utilizadas para uma segunda tarefa.

Os erros irônicos seriam cometidos também no esporte, pois a preocupação com o controle dos conteúdos cognitivos parece fazer diminuir a performance, segundo constatou a psicóloga Sian Beilock, da Universidade do Estado de Michigan. Pesquisadores de um grupo coordenado por ela observaram 126 iniciantes no golfe que tentavam lançar a bola em buraco muito próximo. Alguns participantes eram proibidos de pensar no lance antes de executá-lo, outros podiam fazê-lo. Os resultados mostram que a performance dos sujeitos impedidos de imaginar a ação foi em geral pior. O prejuízo no desempenho não pôde ser compensado com a experiência seguinte, quando os jogadores tiveram a autorização de imaginar o lance com antecedência.

Para entender melhor como a censura mental fracassa, tomando por base a cognição, D. Wegner e seus colegas solicitaram a voluntários que falassem durante três minutos, sem restrições, sobre qualquer tema que lhes viesse à cabeça. Em seguida, os participantes deveriam se concentrar em pensamentos ligados ao sexo e depois, novamente, reprimi-los. Enquanto isso, os psicólogos monitoravam as batidas cardíacas, sudorese e variações de temperatura por meio de eletrodos fixados na ponta dos dedos, para avaliar o estado emotivo dos participantes. A atividade fisiológica aumentava muito quando eles deviam evitar pensar em sexo.

As pessoas mais emotivas parecem ser as que pior suportam cometer gafe. Este temor explica em parte por que os fóbicos sociais se isolam. Para estas pessoas, possíveis erros tornam-se uma ameaça constante. Aquele que busca se liberar de problemas emocionais recalcando pensamentos negativos entra frequentemente em um círculo vicioso: tenta lutar contra os pensamentos negativos, mas por meio de um mecanismo parecido com aquele do urso branco acaba por se concentrar naquilo que gostaria de expulsar.

CONFLITOS INCONSCIENTES

Entre os precursores das pesquisas sobre lapsos de linguagem estão o filólogo Rudolf Meringer e o psiquiatra Karl Meyer. Eles publicaram juntos, em 1895, Erros na fala e na leitura: um estudo psicológico, no qual destacam cerca de 8.800 erros verbais de escrita e leitura. O principal objetivo era elaborar classificações, mas os autores também tentaram determinar mecanismos psíquicos associados ao fenômeno, particularmente aos sons, pois levaram em conta a conotação psicológica dos fonemas.

Quem inegavelmente abordou o lapso com mais profundidade, porém, foi Sigmund Freud, no texto Psicopatologia da vida cotidiana, de 1901. Ele não poupou críticas à abordagem de Meringer e Mayer e propôs que essa manifestação seria a confissão involuntária de um conflito interior, escondido da consciência. Para Freud, é a dimensão involuntária que dá valor particular ao lapso: “No procedimento psicoterapêutico que utilizo para resolver e eliminar os sintomas neuróticos apresenta-se com frequência a tarefa de encontrar um conteúdo mental nos discursos e nas ideias aparentemente casuais do paciente. Esse conteúdo tenta ocultar-se, mas não consegue evitar trair-se inadvertidamente de diversas maneiras. É para isso que, frequentemente, servem os lapsos. Por exemplo, falando da tia, um paciente insiste em chamá-la de ‘minha mãe’ sem perceber seu erro, ou, ainda, uma senhora que fala do marido como se fosse o ‘irmão’. Para esses pacientes, tia e mãe, marido e irmão são, portanto, ‘identificados’, ligados por uma associação pela qual se evocam mutuamente”. 

EVITAR A EVITAÇÃO

Como se proteger de tal fenômeno? O psicólogo Steven Hayes, da Universidade de Nevada no Reno, faz uma recomendação simples: aprender a aceitar os pensamentos desagradáveis. Ele sugere também evitar a evitação, a esquiva, ou seja, evitar o evitar. Wegner propõe – nos casos mais graves, nos quais a pessoa se sente atormentada por pensamentos intrusivos – a análise diária das próprias preocupações, incluindo tudo aquilo que causa inquietação e se gostaria de reprimir. Ele salienta, porém, que esta orientação vale somente para aqueles que se sentem capazes de lidar com suas angústias. Este método não convém aos pacientes gravemente afetados, que devem buscar ajuda de um médico ou psicoterapeuta.

O pesquisador James Pennebaker, da Universidade do Texas em Austin, analisou numerosos estudos e com base neles concluiu que uma confrontação ativa com os pensamentos reprimidos costuma ter efeitos positivos na vida cotidiana e na saúde tanto física quanto psíquica. Ele assinala as vantagens para algumas pessoas de registrar por escrito seus tabus pessoais, aquilo que teme ou lhe causa vergonha. Segundo o especialista, tal exercício teria outra consequência, que requer mais pesquisa: reforçar o sistema imunológico, já que assim haveria menos estresse, e parte da energia psíquica despendida na repressão de certos conteúdos poderia ser empregada de maneira mais saudável.

Antes de fazer anotações sobre os temas que nos constrangem, no entanto, é preciso, primeiro, tomar consciência deles para depois analisar esses temas intrusivos. Wegner propõe também encontrar distrações que não aumentem o estresse. Segundo ele, tudo que nos interessa e não cria uma sobrecarga emocional representa uma boa ocasião de se liberar do temor de cometer gafes. Para algumas pessoas, mais rígidas consigo mesmas, pode ser muito tranquilizador tomar consciência de que esse tipo de incidente é simplesmente normal. E se parece difícil conscientizar-se disso sozinho, talvez seja hora de buscar ajuda de um psicólogo. Afinal, se aquilo que seria apenas motivo de um leve mal-estar e uma boa gargalhada após algum tempo se torna razão para se atormentar, parece hora de empenhar-se para tornar a vida um pouco mais leve.

OUTROS OLHARES

PADRÃO INTERNACIONAL

Fabricantes brasileiros de gim fazem boas versões do destilado utilizando ingredientes como folha de cana-de-açúcar, mexerica e pimenta-rosa

O gim nasceu na Holanda em meados do século XIV como uma opção de tratamento renal. Acreditava-se que um de seus principais componentes, o zimbro, poderia trazer benefícios à saúde. Mas o efeito nos tratamentos não foi o                desejado e, tempos depois, o remédio virou bebida quando os ingleses aperfeiçoaram a fórmula, dando origem a um destilado de sucesso e alto teor alcoólico (entre 38% e 50%). Passadas várias décadas de um relativo ostracismo, o gim voltou à moda no mundo e no Brasil. Desde então, as vendas têm crescido de forma impressionante. Segundo o levantamento mais recente disponível, foi consumido por aqui 1,8 milhão de litros da bebida em 2017, 66% a mais que o total registrado em 2016.

A sede pelo produto incentivou o surgimento de ótimos rótulos feitos de forma artesanal no país. De 20I6 para cá, mais de vinte variações brasileiras de gim trouxeram à fórmula ingredientes como cana-de-açúcar e pimenta, com preços que variam de 75 a 157 reais. A tropicalização da receita britânica acrescentou novos sabores a drinques clássicos como o dry martini e inspirou uma série de coquetéis nas cartas de bares da moda de capitais como São Paulo e Rio de Janeiro. “Os nacionais não devem, hoje, nada em qualidade aos importados”, garante Wagner França, bartender do Holy Burger, uma das melhores lanchonetes da capital paulista.

Um dos pioneiros do mercado, o Virga, surgido em Pirassununga, no interior de São Paulo, destila o produto em alambiques de cobre e usa na receita itens como o pacová, uma planta muito comam na Mata Atlântica. “Queríamos dar esse toque de brasilidade como diferencial do nosso rótulo”, afirma Felipe Jannuzzi, que faz parte do quarteto de empresários responsáveis pelo Virga. A companhia fabrica hoje 30.000 litros, 200% a mais do que em 2016, quando iniciou a operação. Feito pela Weber Haus, localizada em Ivoti, no Rio Grande do Sul, o London Dry Gin WH48 acrescentou à fórmula erva-mate, folha da cana-de-açúcar e gengibre nativo da região.

Algumas dessas marcas começam a ganhar prestigio fora daqui, caso do Amázzoni, do Rio de Janeiro. Com uma composição que leva ingredientes como mexerica, limão e louro, faturou em 2018 o título de melhor produto artesanal do ano do World Gin Awards, em Londres, a mais conceituada premiação mundial da categoria. Apesar da crescente visibilidade, esse grupo de rótulos nacionais representa ainda uma fatia menor do mercado – no ano passado, rendeu cerca de 36 milhões de reais. Mas a evolução do negócio segue em um excepcional ritmo. A previsão é que o volume aumente cerca de 20% em 2019.

Outra curiosidade relacionada ao gim nacional é que parte considerável dos rótulos nasce dentro das destilarias de cachaça, a exemplo do Amázzoni, aproveitando a capacidade ociosa dos alambiques e os bons equipamentos já instalados. “Até os anos 90, a infraestrutura desses lugares dedicados à produção artesanal era bem precária”, lembra Paulo Leite, um dos maiores especialistas do país nesse mercado e consultor de marcas da companhia MuJtifoods. “Os empresários do setor investiram bastante para incrementar suas propriedades”, completa. Dessa forma, o moderno gim nacional nasceu com dois dedos da velha e boa cachaça brasileira.

GESTÃO E CARREIRA

DIVERSIDADE: COMECE POR VOCÊ

Refletir sobre seus privilégios e seu lugar de fala são passos importantes para compreender a diversidade

É comum a conversa sobre diversidade e inclusão nas organizações começar pelos números. Compreensível. De um lado, os dados sobre desigualdade e preconceito no Brasil são alarmantes; de outro, as pesquisas que associam diversidade a melhores resultados para os negócios são mesmo argumentos irresistíveis para avançar com essa agenda no meio empresarial. Números importam, sem dúvida. Mas eu prefiro começar esta discussão pelas pessoas.

Falar de diversidade é falar de gente, de todas e todos nós, e do conjunto de características que nos tornam únicos. Por isso, antes de tratar desse tema sob a perspectiva da gestão, é preciso compreender de que lugar falamos e entender quem somos nós nesse debate. Um bom começo é realizar o exercício de “reflexividade” e de “posicionalidade”.

O primeiro é uma prática de autoconsciência. Pensar em reflexividade envolve, necessariamente, discutir privilégios, aquele conjunto de coisas que a gente pode fazer apenas por ser quem somos – e que o outro, a outra, não pode fazer justamente por ser quem é. Exemplo: casais heterossexuais andam de mãos dadas na rua sem se preocupar em ser agredidos por isso; casais homossexuais, não.

Falar de privilégios não é tratar de culpas. Ninguém pediu para nascer homem, branco, heterossexual, rico ou sem nenhuma deficiência. Mas ocupar esse espaço no mundo traz vantagens e oportunidades que não são distribuídas da mesma maneira para todo mundo. Quando se diz que uma pessoa caucasiana tem privilégios, isso não quer dizer que a vida dela tenha sido fácil, e sim que a raça não a dificultou ainda mais. Privilégio é menos sobre culpa e mais sobre responsabilidades. Se eu cheguei até aqui, coroo posso apoiar aquelas e aqueles que ainda não chegaram?

O exercício de posicionalidade, por sua vez, nos convida a questionar de onde partimos. Ele é importante porque nosso lugar de fala pode nos levar a tomar decisões com base em vieses ou em generalizações indevidas. O lugar de fala é o espaço a partir do qual nos relacionamos com o mundo. O homem tem lugar na discussão sobre gênero nas empresas? Uma resposta possível é: sim, mas um lugar de saída limitado, pois não é ele o alvo principal do machismo. Desse modo, quando essa pauta surgir, o protagonismo é das mulheres, porque elas têm vivência com o tema. Homens aliados, no entanto, podem e devem sempre se manifestar a favor da equidade.

Diversidade não é um assunto de gestão como qualquer outro. É, sim, um tema de negócios, mas que não deve ser encaminhado apenas com planilhas e números. O melhor planejamento e a liderança mais comprometida podem dar poucos resultados se as pessoas envolvidas no processo de inclusão não forem capazes de refletir sobre seus privilégios e preconceitos. Quais são os seus? Pense nisso.

RICARDO SALES – É sócio da consultoria Mais Diversidade, professor na fundação Dom Cabral e pesquisador na universidade de São Paulo

ricardo@maisdiversidade.com.br

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 9 – A CASA VAZIA

O trecho abaixo declara, em linguagem simples, que a volta de um espírito expulso é possível e, além disso, que traz outros espíritos piores junto com ele.

“Quando o espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos procurando repouso, porém não encontra. Por isso, diz: Voltarei para minha casa donde saí. E, tendo voltado, a encontra vazia, varrida e ornamentada. Então, vai e leva consigo outros sete espíritos, piores do que ele, e, entrando, habitam ali; e o último estado daquele homem torna- se pior do que o primeiro. Assim também acontecerá a esta geração perversa.” (Mateus 12:43-45.)

O sentido está bem claro. Se a “casa” continua desocupada, varrida e ornamentada, é um convite aberto para problemas piores. A casa tem de ser ocupada por Deus.

A mesma estratégia de Satanás encontra-se também em Lucas 11:24-26. Vamos examinar os dois casos. Em Lucas, Jesus expulsou um espírito mudo de um homem, e o homem passou a falar. Alguns expressaram a crença que Jesus o fez pelo poder de Belzebu, o chefe dos diabos.

Jesus explicou que, se fosse verdade, o reino de Satanás estaria dividido contra si mesmo e, assim, cairia. E continuou dizendo: “Se, porém, eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós.”

Jesus estava falando com um grupo de judeus que tinham desenvolvido uma religião negativista. Eles tinham tirado muitas coisas da sua vida, mas o que as substituía? Eles estavam rejeitando a religião positiva que Jesus lhes oferecia. Para dar ênfase a esse ponto, Jesus usou uma ilustração que eles pudessem entender. Se eles não colocassem uma coisa positiva em sua vida depois de eliminar tantas negativas, seria como alguém liberto de demônios que não colocasse nada positivo no lugar do negativo. Eles acabariam ficando piores do que estavam antes.

O contexto de Mateus é mais claro ainda. Jesus acabou sendo condenado por ter colhido espigas de milho no sábado; curou o homem de mão ressequida, também no sábado. De novo, os fariseus O acusaram de expulsar os demônios por Belzebu. Jesus mostrou que as palavras deles procediam de um coração mau. Eles já tinham visto bastante para mudarem sua vida, mas eles não tinham mudado nada. Sem mudança, eles se tornariam piores — como um homem purificado de demônios que não encheu sua “casa” com Deus.

Jesus está dizendo que chega uma hora em que devemos colocar coisas positivas em nossa vida. Sempre tem de haver uma igualdade entre os fatores negativos e positivos. Depois que a carne está crucificada e os demônios são expulsos, devemos colocar Jesus em nossa vida, deixar Jesus reinar em nós.

De fato, a razão de se ficar livre dos demônios é para se possuir mais de Jesus!

Com que enchemos a casa? JESUS! Ser cheio de Jesus é ser cheio de PUREZA e PODER. Estas duas palavras caracterizam a pessoa de Jesus. Como veremos, nossa pureza vem através de nossa habitação em Cristo, e o resultado é o FRUTO DO ESPÍRITO: nosso poder vem por meio do batismo no Espírito Santo, e os resultados são os DONS DO ESPÍRITO.

Tem de ser entendido que para encher a casa leva mais do que uma oraçãozinha acrescida no fim do ministério de libertação. Tenho ficado apavorado, mais de uma vez, ao ouvir alguém dizer no fim de uma libertação: “Agora, Senhor, encha todos os lugares vazios. Amém!”. Tenho visto muitas pessoas perderem sua libertação por falta de saberem como encher as casas deles ou com que enchê-las.

Os dons e o fruto do Espírito Santo têm de tomar o lugar de cada demônio expulso? Isto é responsabilidade da pessoa liberta. O ministério de libertação deve enfatizar o fato de que cada pessoa é responsável por sua própria “casa”.

ENCHENDO A “CASA” COM O PODER DO ESPÍRITO SANTO

Uma das últimas coisas que Jesus disse antes de Sua ascensão foi: “… vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (Atos 1:5). Encontramos a promessa cumprida em Atos 2, que relata o Pentecostes:

“Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem.” (Atos 2:4.)

Qual foi o objetivo deste batismo no Espírito Santo? Jesus explicou que seria um revestimento com poder. (Veja Atos 1:8.) Depois que o batismo veio em Pentecostes, como foi manifestado o poder?

Isto é um assunto muito interessante, que não podemos pesquisar completamente aqui, mas pode ser observado que o poder do Espírito Santo operando por meio dos discípulos foi manifestado através dos nove dons sobrenaturais do Espírito. Estes dons são enumerados em 1 Coríntios 12:7-11:

(1) a palavra de sabedoria;

(2) a palavra de conhecimento;

(3) fé;

(4) dons de curar;

(5) operações de milagres;

(6) profecia;

(7) discernimento de espíritos;

(8) variedade de línguas;

(9) interpretação das línguas.

O livro de Atos inteiro demonstra como o poder do Espírito Santo operou por meio destes dons! Através de Pedro e João um dom de cura foi ministrado a um coxo (cap. 3); palavras de sabedoria e de conhecimento vieram a Ananias para ministrar a Saulo-(cap. 9); pelo discernimento do espírito Paulo expulsou o demônio de adivinhação numa jovem (cap. 16); Pedro falou a palavra de fé a Ananias e Safira, e eles caíram mortos (cap. 5); por meio de Pedro, um milagre de ressurreição trouxe Dorcas de volta à vida (cap. 9); enquanto Pedro pregava na casa de Cornélio, houve línguas e a interpretação delas (cap. 10); por meio de um discípulo chama Agabo, a igreja foi abençoada por profecia (cap. 11).

Os demônios detestam estes dons do Espírito Santo e fazem os homens também detestá-los. Por quê? Porque a operação destes dons de poder sobrenatural derruba a obra de Satanás. A presença dos demônios e seus truques são expostos pelo discernimento dos espíritos e pela palavra de conhecimento. O mal que os demônios fazem é desfeito pela palavra de sabedoria, pela fé, pelos dons de curar e pelos milagres. Seus planos para acabarem com a pessoa são desviados por uma palavra de profecia ou por línguas com interpretação. Por isso, os demônios opõem-se aos dons!

Estes nove dons também são dados à Igreja para sua edificação. Satanás é o inimigo da Igreja e faz tudo para acabar com o que foi estruturado para edificar o Corpo. Ele ataca os dons, especialmente o de línguas, que tem um objetivo especial na edificação do crente; (Veja 1 Coríntios 14:4.)

Se, por acaso, a pessoa liberta não foi batizada no Espírito Santo, ela deve ser encorajada a recebê-Lo e a desejar os dons espirituais. Temos visto muitas pessoas receberem o batismo no Espírito Santo como um clímax de sua libertação. O poder do Espírito Santo é de grande importância para conservar a libertação.

Os já batizados no Espírito Santo devem ser encorajados a “procurar, com zelo, os melhores dons” (1 Coríntios 12:31), e o dom melhor é aquele que ministrará às necessidades dos outros em determinadas situações. É bem comum as barreiras aos dons serem derrubadas por meio da libertação. Há demônios especializados que procuram impedir a operação dos dons espirituais. Depois da libertação, a “casa” deve ser cheia com o poder do Espírito Santo.

ENCHENDO A “CASA” COM O FRUTO DO ESPÍRITO

O fruto do Espírito está enumerado em Gálatas 5:22, 23:

(1) amor;

(2) alegria;

(3) paz;

(4) longanimidade;

(5) benignidade;

(6) bondade;

(7) fidelidade;

(8) mansidão;

(9) domínio próprio.

Os nove frutos representam a verdadeira natureza de Jesus. Quando o fruto do Espírito Santo é produzido na vida do cristão, ele se torna identificado com Jesus em seu caráter. Os demônios são exatamente o contrário do caráter de Jesus. Eles entram na pessoa para projetar no mundo seu próprio mau caráter através dessa pessoa.

Então, o que desejamos com a libertação é expulsar os demônios, juntamente com sua influência, para depois substituí-los por Jesus e o fruto do Espírito. Se alguém entende mal e não faz disso um alvo definitivo, quaisquer benefícios alcançados pela libertação, aos poucos, estarão perdidos.

Então, para alcançar os benefícios permanentes da libertação, a “casa” tem de ficar cheia do Espírito Santo e assim ser deixada para sempre. Senão, os espíritos imundos voltarão e talvez mais poderosos ainda.

Antes de continuar, temos de esclarecer bem como o fruto do Espírito é produzido. Encontramos a resposta na parábola da videira e dos ramos:

“Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim.” (João 15:4.)

NOTA: O fruto não é produzido por ação independente nem por esforço próprio. O fruto aparece tão-somente se permanecermos na videira! Então, a palavra-chave é “permanecer”. O permanecer na Videira significa ficar ligado a Jesus de modo que a vida de Cristo fluirá no ramo e resultará no fruto. Como é que alguém permanece? Veja a resposta como está no versículo 10: “Se guardardes meus mandamentos, permanecereis..”.

Permanecer é sinônimo de guardar os mandamentos do Senhor. E o que é que teremos por esta obediência em permanecer? Leia mais:

“Meu AMOR… meu GOZO” – o primeiro fruto do Espírito Santo.

Ao obedecer, temos comunhão com o Senhor e obtemos Seu amor, Seu gozo e Sua paz. Ao desobedecer, nossa comunhão com Deus é quebrada e Satanás consegue uma entrada. Aprendamos do exemplo de Jesus. O que era que Jesus estava falando no contexto bem antes da parábola da videira e dos ramos?

“… aí vem o príncipe do mundo; E ELE NADA TEM EM MIM… E QUE FAÇO COMO O PAI ME ORDENOU.” (João 14:30,31.)

Aqui Jesus explicou que o diabo não tinha nada com Ele, pois Ele foi completamente obediente ao Pai. Ele nunca pronunciou palavra nenhuma nem agiu senão por ordem do Pai. Por isso, Jesus pôde dizer:

“Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; assim como também eu tenho guardado os mandamentos do meu Pai e no seu amor permaneço.” (João 15:10.)

O FRUTO CHAMADO AMOR

O Sr. A. tinha sofrido um esgotamento nervoso uns doze anos atrás. Ele continuava com problemas emocionais ainda depois do tratamento intensivo, inclusive, havia sido hospitalizado durante algum tempo. Finalmente ele ouviu falar do ministério de libertação. Os demônios responsáveis por seus problemas emocionais foram expulsos.

Ele também recebeu uma cura no cérebro, de modo que as coisas apagadas de sua memória, por choques elétricos, começaram a voltar. Com a volta da memória, ele se lembrou do nome de um dos funcionários do Hospital Psiquiátrico que lhe fizera uma injustiça séria. O Sr. A. sentiu- se cheio de amargura e ódio contra aquele homem. Começou a pensar em matá-lo, se pudesse encontrar-se com ele.

Neste ponto, o Sr. A. veio à procura de mais libertação. Expliquei que ele tinha de arrepender-se do ódio, e perdoar a pessoa por um ato de sua própria vontade, e perdoar àquele homem. Ele não respondeu ao meu apelo. Pelo menos por cinco minutos ficou sentado, em silêncio, tentando resolver, optar pelo sim ou pelo não; a ficar com seu ódio ou cumprir os requisitos de Deus para ficar liberto. Foi preciso toda a sua força de vontade, mas no fim ele disse: “Com a ajuda de Jesus, eu perdoo aquele homem”. Por este ato de sua vontade, ele abriu o caminho para sua própria libertação.

“Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas.” (Mateus 6:14, 15.)

Conheci poucas pessoas que obtiveram uma libertação como ele. Quando os demônios de amargura, ódio, rancor, raiva, violência e homicídio foram expulsos, ele imediatamente os substituiu pelo amor de Jesus — o amor que perdoa um inimigo. Num instante, a vida espiritual deste homem começou a florescer. Os rios de água viva começaram a fluir dele, e começou a ministrar a verdade e a vida àqueles que estavam ao seu redor. A sua alma ficou inundada com a paz e o gozo do Senhor. Ele obedeceu à ordem de Deus, perdoando o inimigo, e recebeu o fruto daquela obediência. O ódio foi substituído pelo amor.

O FRUTO CHAMADO ALEGRIA

Joãozinho tinha muitos problemas, apesar de ser uma criança de apenas cinco anos. Seus pais tinham chegado a ponto de desquitarem- se. Havia muita tensão e tumulto no lar, desde que ele nascera. A mãe de J. nos contou que ele tinha medo de tudo e constantemente estava puxando-a para segurá-lo. O nervosismo dele era óbvio. O menino era muito infeliz em tudo, e sua mãe o trouxe para o ministério de libertação.

Enquanto estávamos com um irmão e uma irmã mais velhos, J. engatinhava, querendo saber quando ia ser a vez dele. Em sua própria maneira de ser, ele sentia a importância daquilo que ia acontecer. Ele estava sério e impaciente.

Quando os primeiros demônios foram enfrentados, os espíritos maus fecharam os lábios de J. em oposição – um gesto significando “não sairemos de jeito nenhum”. Mas em nome de Jesus eles foram forçados a sair. Eles saíram, e sua saída foi acompanhada de muita ânsia de vômito e cuspe. A luta não foi fácil e durou trinta minutos. J. venceu sorrindo e logo disse: “Quero um espelho. Sinto-me tão bem, devo estar diferente!”

E assim era. O seu rosto estava radiante. Com a ausência dos demônios, a alegria podia ser revelada.

Há muitas pessoas, jovens e velhas, como J., que são tristes. A vida delas é um fardo; não há vitória nem esperança. Para os sem alegria na vida, como são promissoras as palavras de Isaías que descrevem o ministério de Cristo e Sua Igreja:

“O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu, para pregar boas novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados; a apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os que choram e a pôr sobre os que em Sião estão de luto uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria, em vez de pranto, veste de louvor, em vez de espírito angustiado; a de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para a sua glória.” (Isaías 61:1-3.)

O FRUTO CHAMADO PAZ

A Sra. B. ficou liberta do espírito de tormento que tinha entrado nela através de um grande medo. A Palavra diz: “O medo produz tormento” (1 João 4:18). Ela contou que em certas horas uma agitação frenética tomava conta dela. Ela não podia agir nem pensar normalmente. Estando num destes estados agitados ela disse: “Por que estou deste jeito? Isto não sou eu”. Quando a pressão das circunstâncias diminuiu, a manifestação do tormento apareceu mais nitidamente, e ela percebeu que um espírito mau estava criando crises que, na realidade, não existiam.

Depois de cada uma dessas crises ela se sentia mal – agitada e queimando por dentro – e era tomada pelo espírito de condenação. A Palavra diz: “Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens” (Romanos 12:18). Este espírito de tormento desalojava a paz – não somente nela, mas em toda a família.

Depois de expulsar este espírito, juntamente com vários de seus companheiros, ela sentiu uma grande paz. No dia seguinte, ela continuou falando da paz em seu íntimo. Mas o espírito mau continuou tentando-a em sua mente, e conseguiu entrar mais duas vezes. Logo que a Sra. B. reconheceu os truques do demônio, fechou a porta de uma vez, com a fé e a confiança em Deus.

Agora, ela goza de liberdade total. Está livre para ser um canal pelo qual o fruto do Espírito da paz pode fluir aos outros.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

É HORA DE PROCURAR AJUDA?

Grande parte das pessoas enfrenta, em algum momento da vida, transtornos de saúde mental que podem ser tratados; é o caso da depressão e do estresse, mas a falta de informação e o preconceito ainda fazem com que adultos e crianças sofram sozinhos em vez de procurar um profissional qualificado

Vinte e três milhões. Este é o número de brasileiros que necessitam de acompanhamento na área da saúde mental. Desse total, pelo menos 5 milhões sofrem com transtornos graves e persistentes, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Nesse universo encontram-se crianças e adultos que sofrem de patologias como depressão, transtornos de ansiedade, distúrbios de atenção e hiperatividade e dependência de álcool e drogas. Aproximadamente 80% das pessoas que sofrem com esses transtornos não recebem nenhum tipo de tratamento. Mas a situação não é prerrogativa do Brasil. Ainda de acordo com a OMS, um em cada quatro americanos passa por um transtorno psiquiátrico diagnosticável em algum momento da vida. Exageros à parte, no decorrer de nossa existência muitas vezes nos perguntamos se somos mentalmente saudáveis e se não estaria na hora de buscar ajuda profissional. A preocupação faz sentido: de fato, quase metade da população do planeta apresenta algum tipo de transtorno durante a vida. Infelizmente, porém, em cerca de dois terços dos casos os problemas comportamentais e emocionais jamais são diagnosticados e acompanhados, embora muitos deles possam ser tratados de maneira eficaz. Mais de 80% das pessoas com depressão grave, por exemplo, são capazes de se beneficiar significativamente da combinação de medicação e terapia.

O preconceito, porém, ainda é um empecilho para a busca de auxílio especializado. Não raro, ouve-se até mesmo de pessoas razoavelmente bem informadas que “psicoterapia é coisa para louco”. A postura defensiva pode se mostrar de várias maneiras, como pela desqualificação dos profissionais ou de si próprio. Para muitos prevalece, por exemplo, a ameaça de que “o psicoterapeuta saberá mais sobre mim do que eu mesmo; descobrirá segredos dos quais nem suspeito”. Pode também surgir a fantasia onipotente de que “ninguém pode me ajudar”. Ou ainda o pensamento persecutório referenciado na opinião alheia: “O que os outros vão pensar se souberem que vou a um psicólogo?”. Qualquer que seja a forma como se apresente, a resistência não aparece por acaso: em geral, é inerente à própria patologia e tem a ver com o funcionamento psíquico da pessoa. E, infelizmente, às vezes persiste por muito tempo, até que o paciente decida buscar ajuda.

O QUE É NORMAL?

Quando trabalhei como editor-chefe da Psychology Today, com frequência os leitores me pediam que sugerisse testes de triagem para pessoas com problemas de saúde mental. Procurei por esse material no intuito de ajudar homens e mulheres a encontrar respostas às perguntas como “Será que este meu sentimento de desânimo é normal?”, “Por que eu grito com a minha mulher e meus filhos o tempo todo, mesmo não querendo fazer isso?”, “Será que perdi o controle da bebida?”. Encontrei milhares de testes “caseiros” na internet, mas nenhum havia sido validado cientificamente. Pior ainda, muitos serviam como veículos de marketing para vídeos, livros ou serviços, encaminhando o leitor que respondesse às questões direto para um setor de vendas. Não parecia existir nenhum teste amplo, confiável, favorável ao consumidor, que ajudasse alguém a refletir melhor sobre si mesmo.

Assim, desenvolvi o teste Triagem Epstein em Saúde Mental (Epstein Mental Health Inventory) (EMHI), baseado na quarta edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-IV), compêndio no qual médicos americanos se baseiam para fazer diagnósticos. O teste cobre 18 problemas psiquiátricos comuns nos Estados Unidos, como depressão maior, fobias, transtorno bipolar e abuso de substâncias, que selecionei usando dados preponderantes do Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH) dos Estados Unidos, entre outras fontes. Para cada distúrbio são considerados três critérios do DSM-IV, que reescrevi em linguagem para leigos.

A ferramenta, porém, não tem o papel de diagnosticar ninguém. Seu objetivo é alertar para possíveis riscos de um transtorno, estimulando a busca por ajuda psicológica. O mais importante é ajudar as pessoas a se sentir e viver melhor, pois minha experiência tem mostrado que qualquer meio legítimo de levá-las a consultar um psicoterapeuta é válido. No ano passado, Laura Muzzatti, aluna da Universidade da Califórnia em San Diego, e eu apresentamos uma avaliação da EMHI usando uma amostragem de 3.403 pessoas que fizeram o teste depois de ele ter sido colocado na internet, em 2007. Verificamos que os resultados previram sete fatores importantes relacionados à saúde mental. A avaliação incluía o grau de felicidade declarado; o quanto se sentiam ativamente responsáveis por seu sucesso pessoal e profissional; se estavam empregados; se fizeram terapia em alguma ocasião, se alguma vez já haviam sido hospitalizados por problemas comportamentais ou emocionais e se, na época do teste, estavam em terapia. A pontuação não diferia de acordo com etnia, mas variava segundo o gênero: a pontuação das mulheres foi 17% mais elevada que a dos homens, parecendo apresentar mais problemas de saúde mental, um resultado consistente com os de outros estudos. Ou, pelo menos, foram mais sinceras e analíticas ao responder o questionário.

EM BUSCA DE UM DIAGNÓSTICO

Muitas pessoas chegam aos consultórios de psicologia e psicanálise ansiosas para encontrar um nome que abarque aquilo que sentem, uma palavra que encerre a dor, a angústia e, às vezes, a culpa ou as dúvidas que as afligem. Isso, porém, nem sempre é fácil, e de pouco adianta se o paciente não puder compreender o que se passa com ele e se responsabilizar pelo próprio tratamento, atribuindo sentidos a sua patologia. A atração que os testes exercem sobre muitos leigos (haja vista quantos questionários são respondidos nas revistas e na internet) pode ser explicada pelo desejo de quantificar e medir características pessoais e comportamentos. E em alguns casos eles têm sua função. Mas ainda que tenham validação científica e possam ser usados para ajudar a entender o quadro clínico, os testes não são definitivos, seja para medir inteligência, seja para determinar a presença de um transtorno mental. Sem dúvida, em algumas abordagens (e em determinados casos) eles são úteis na tarefa de oferecer informações que favoreçam a compreensão da situação clínica de forma mais ampla. Mas não sempre – e raramente de maneira perene. Há ocasiões em que as palavras impressas em um prontuário ou ditas por um profissional acerca de determinado quadro psíquico podem soar como uma espécie de sentença, promovendo a desastrosa rotulação do paciente. No Brasil, muitos psicólogos evitam recorrer a essa ferramenta, pelo menos no primeiro momento. Em vez de apostar em um diagnóstico único, pleno e “definitivo”, acreditam que, em muitos casos, mais importante que reduzir a situação a um único termo é ouvir o paciente, entender sua lógica e seus sintomas. Afinal, é na possibilidade de elaboração, ampliação do espaço psíquico e transformação que se embasa o ofício do psicoterapeuta.

TESTE – SENTIR, PENSAR E AGIR

Para conhecer o teste completo basta acessar o site http://DoYouNeedTherapy.com. A seguir, a versão abreviada que abrange dez transtornos. Para fazê-lo, marque todas as afirmações que se aplicam a você:



1- TRANSTORNOS DO CONTROLE DE IMPULSOS
(a) Às vezes não sou capaz de controlar a minha raiva
(b) Frequentemente ajo por impulso, o que, às vezes, traz grandes problemas
(c) Estou preocupado com as apostas, parece que tenho dificuldades em controlar meu comportamento quanto ao jogo

2- ABUSO DE SUBSTÂNCIAS

(a) Durante o ano passado, tive de ingerir mais bebidas alcoólicas ou usar mais drogas para satisfazer minhas necessidades
(b) No ano passado tentei, mas não consegui, diminuir a quantidade de bebidas alcoólicas, de drogas ou de cigarros
(c) Durante o ano passado tive de ingerir quantidades cada vez maiores de bebidas alcoólicas ou drogas para me satisfazer ou lidar com meus problemas

3- DEPRESSÃO MAIOR
(a) Nas últimas duas semanas venho tendo dificuldade em sentir qualquer prazer nas atividades diárias de que costumava gostar
(b) Há cerca de 15 dias venho pensando com frequência que quero morrer
(c) Pelo menos durante as duas últimas semanas, venho me sentindo deprimido quase todos os dias

4- FOBIAS ESPECÍFICAS

(a) Tenho medo excessivo ou irracional de algum objeto ou situação
(b) Estou com muito medo de algo, e meu medo interfere em minha capacidade de desenvolver o meu trabalho ou em conduzir a minha vida de maneira normal
(c) Tenho muito medo de um objeto ou uma situação, e quando me exponho a esse estímulo entro em pânico

5- FOBIAS SOCIAIS
(a) Sinto medo de ficar perto de outras pessoas em determinadas situações e percebo que meus medos podem ser irracionais ou excessivos
(b) Em determinadas situações sociais, sinto extrema ansiedade
(c) Sinto grande temor em uma ou mais situações em que eu precise interagir com outras pessoas

6- TRANSTORNOS DA ALIMENTAÇÃO
(a) Costumo comer muito e, em seguida, vomitar ou usar laxantes, ou outros meios radicais, para evitar ganho de peso
(b) Estou preocupado com meu peso ou com a forma do meu corpo e, consequentemente, como ou me exercito de uma forma que algumas pessoas poderiam considerar incomum
(c) Não estou disposto ou não sou capaz de comer ou digerir o alimento em quantidade suficiente para manter o peso saudável

7- TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO
(a) Tenho lembranças perturbadoras relacionadas a um acontecimento traumático que experimentei no passado
(b) Costumo ter sonhos perturbadores sobre uma experiência terrível ocorrida no passado
(c) Às vezes me vejo revivendo o horror de um fato traumático que experimentei no passado

8- TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA
(a) Pelo menos durante os últimos seis meses, venho sentindo preocupação e nervosismo excessivos, difíceis de controlar
(b) No mínimo nos últimos seis meses, tenho ficado extremamente ansioso e preocupado com uma série de acontecimentos e atividades diferentes
(c) Pelo menos durante os últimos seis meses, venho me sentindo excepcionalmente agitado, cansado, irritado, tenso ou distraído

9- TRANSTORNO BIPOLAR
(a) Durante o ano passado tive variações súbitas de humor, sem qualquer razão aparente
(b) Meu humor muda rapidamente, de depressivo a esfuziante, sem qualquer motivo aparente
(c) Durante o ano passado o meu humor mudou mais de uma vez de deprimido para esfuziante

10- TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO
(a) Repito excessivamente certos comportamentos ou pensamentos, sem conseguir parar
(b) Pensamentos frequentes me causam grande ansiedade
(c) Acredito que esses pensamentos possam ser irracionais ou exagerados. Faço ou penso repetidamente

PONTUAÇÃO

Se você deixou todos os itens em branco, parabéns! É provável que a sua saúde mental esteja muito bem. Caso contrário, lembre-se de que esta não é a versão completa do teste e, ainda que fosse, sua aplicação não tem peso diagnóstico. Mas os resultados podem ajudá-lo a pensar como tem se sentido e lidado com os problemas. Se marcou um item em uma ou mais categorias, é possível que esteja passando por situação de angústia que poderia ser mais bem compreendida (ou contornada) com a ajuda de um profissional. Se assinalou dois ou três itens em uma ou mais categorias, talvez seja mesmo uma boa hora para consultar um psicólogo e evitar sofrer sem necessidade, já que a maioria dos problemas de saúde mental podem ser tratados. Mais importante que o resultado do teste, entretanto, é voltar-se para si e perguntar-se se não seria o momento de cuidar de si mesmo. Afinal, quando temos uma dor de dente, por exemplo, não hesitamos em buscar um dentista. Se a dor é na alma, o psicoterapeuta é o profissional mais indicado para cuidar desse desconforto.

INSTITUIÇÕES QUE OFERECEM PSICOTERAPIA A PREÇOS REDUZIDOS

SÃO PAULO
• ALPHAVILLE
Clínica Psicológica Objetivo
Universidade Paulista (Unip)
Alameda Amazonas, 492
Tel.: (11) 4191-1078
Site: www3.unip.br
Adultos: plantão psicológico às quartas
Crianças até 12 anos: ligar das 14h às 22h para agendar.
O atendimento é realizado por alunos do 4o e do 5o ano de psicologia
Obs.: A clínica inicia atividades em março.

• ALTO DA LAPA
Centro de Estudos e Orientação da Família Rua Japuanga, 235
Tel.: (11) 3022-9596
Apenas para famílias e casais.
O atendimento é realizado por psicoterapeutas graduados.
Obs.: Os atendimentos começam em fevereiro e há fila de espera.

• MOOCA
Clínica de Psicologia Aplicada Universidade São Judas Tadeu
Rua Marcial, 45
Tel.: (11) 2799-1831/ 2799-1943
Site: http://www.usjt.br
Interessados devem ligar de segunda a sexta, das 13h às 23h, ou aos sábados, das 7h às 17h, fazer a inscrição por telefone e aguardar contato para marcar triagem.
Atendimento realizado por alunos do 3o ao 5o ano de psicologia.
Obs.: A clínica está com inscrições abertas.

•PACAEMBU
Centro de Estudos Psicanalíticos (CEP)
Rua Almirante Pereira Guimarães, 378
Tel.: (11) 3865-0017/3864-2330
Site: http://www.centropsicanalise.com.br
Interessados devem ligar para agendar triagem. Após esse processo a pessoa será encaminhada para o consultório mais próximo de sua residência ou trabalho.
É cobrada uma taxa de custo, estipulada pelo psicanalista junto com o paciente.


•PERDIZES
Clínica Psicológica Sedes Sapientiae
Rua Ministro de Godói, 1484
Tel.: (11) 3866-2735
Site: http://www.sedes.org.br
Interessados devem ligar de terça a sexta-feira, das 9h às 20h, para inscrição. Em seguida devem comparecer na apresentação e em três encontros coletivos. Após essas etapas, o psicólogo marcará as consultas.
Atendimento realizado por psicólogos formados.
Obs.: Inscrições a partir de fevereiro.

SALVADOR
Clínica Psicológica da Universidade Federal da Bahia
Rua Aristides Novis (Estrada de São Lázaro), 197, Federação
Tel.: (71) 3283-6437
As matrículas começam em fevereiro. Após triagem, o atendimento é feito por alunos do 5o ano de psicologia aproximadamente um mês após as inscrições.

RECIFE
Universidade Católica de Pernambuco
Rua do Príncipe, 526, Boa Vista
Tel.: (81) 2119-4115
Site: http://www.unimcap.br
Atendimento realizado por alunos do 9o e do 10o semestre de psicologia. Inscrições abertas em fevereiro.
Obs.: As duas primeiras sessões são gratuitas, e para as demais é cobrado valor simbólico de R$ 20,00 por sessão.

FLORIANÓPOLIS
Comunidade Gestáltica Clínica
Escola de Psicoterapia
Rua Irmão Joaquim, 169, Centro
Tel.: (48) 3222-7777
Site: http://www.comunidadegestaltica.com.br
Interessados devem agendar triagem.
O atendimento é realizado por alunos de graduação de psicologia da UFSC e do curso de especialização em gestalterapia.
Obs.: Inscrições começam em fevereiro.

BELO HORIZONTE
Serviço de Psicologia Aplicada da Universidade Federal de Minas Gerais
Av. Antônio Carlos, 6627, Campus Pampulha
Tel.: (31) 3409-5070
Site: http://www.ufmg.br
Interessados devem agendar triagem e em seguida aguardar, pois há fila
de espera.
O atendimento é realizado por alunos do curso de psicologia da UFMG.
Obs.: Inscrições começam em março.
É cobrado valor simbólico.

RIO DE JANEIRO
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Av. Venceslau Brás, 250, Urca
Tels.: (21) 2295-8113/ 3873-5326
Site: http://www.psicologia.ufrj.br
Interessados devem comparecer no departamento de psicologia da universidade para triagem, feita por ordem de chegada.
Atendimento realizado por alunos do curso de graduação.
Obs.: as inscrições são abertas em fevereiro.
É cobrado valor simbólico.

BRASÍLIA
Centro de Atendimento e Estudos Psicológicos do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB)
Instituto de Psicologia, Campus Universitário Darcy Ribeiro
Asa Norte – Brasília – DF
Tel.: (61) 3307 2625 ramais 614 e 615
Os interessados devem ligar em fevereiro para maiores informações.
Atendimento realizado por estagiários.
Obs: Inscrições serão retomadas em março de 2011. É cobrado valor simbólico.

OUTROS OLHARES

CARAS PINTADAS

Se a lógica que imperava até outro dia no reino da maquiagem era a do quanto menos melhor, agora a ordem é exagerar, numa releitura dos anos 80. Aproveite enquanto a moda durar

Os mais antigos indícios de existência da maquiagem datam do Egito Antigo, quando se difundiu o hábito de enfeitar o rosto com pigmentos que sublinhavam olhos, cílios e sobrancelhas. Na Grécia Antiga, as mulheres faziam uso de gordura e tinta vermelha para corar a face. A queda do Império Romano e as trevas da Idade Média fariam a maquiagem cair em desuso, até renascer no século XV, tendo como berço Itália e França. Só nos anos 1920 ela verdadeiramente se popularizou. E assim caminhou a humanidade, no afã de embelezar-se e estar na crista da onda, de todas as ondas. Mas, como toda moda, esta também tem prazo de validade.

Até pouco tempo atrás, maquiar-se bem (e bem era sinônimo de discrição) consistia em aplicar camadas de não cor no rosto. No império do tom nude, pálpebras e contorno dos olhos ficavam esmaecidos por sombra e lápis cor da pele e até os lábios empalideciam sob o batom neutro. De repente, uma reviravolta aconteceu, e a maquiagem foi parar no outro extremo. Neste instante, cool mesmo são os tons que gritam: azul, verde, amarelo, rosa quase vermelho – um retorno aos abrilhantados anos 1980 (com pitadas de Cleópatra?), mas com mais capricho e atenção nos detalhes. Como não podia deixar de ser, a maré do exagero nasceu na internet. Sua plataforma de lançamento para o mundo é a série Euphoria, do canal pago HBO, que equilibra cenas pesadas de droga e sexo vividas por adolescentes com make-up sempre muito colorido.

As brasileiras são as campeãs globais em buscas pelo verbete “maquiagem Euphoria”, segundo o Google Trends, e compõem uma turma assídua nos tutoriais do YouTube que ensinam a copiá-la. Muito contribuiu para a corrida às sombras vermelhas e amarelas por estas bandas o fato de a atriz Bruna Marquezine ter se deixado fotografar há poucas semanas, em seu aniversário de 24 anos, com pálpebras pintadas de roxo e pedrinhas de strass à vontade. Fora daqui a cantora Katy Perry, seguidora e lançadora de modas, surgiu no Vídeo Music Awards, da MTV, com os olhos cor- de-rosa, delineador gatinho e brilhos em abundância. Como diria o poetinha Vinicius de Moraes, que seja eterno enquanto dure.

GESTÃO E CARREIRA

INTELIGÊNCIA NATURAL

Profissionais e empreendedores de várias áreas estão buscando inspiração na natureza para criar projetos; negócios e produtos inovadores

Ao longo de anos, o homem acostumou-se a olhar para a natureza como uma entidade a serviço da humanidade ou algo distante para ser contemplado. Essa mentalidade, no entanto, está cada vez mais desconectada dos dias atuais. Em um tempo em que escassez de recursos naturais, sustentabilidade e tecnologia são temas centrais e os modos de gerir pessoas e negócios já não dão conta de resolver os desafios impostos, uma área do conhecimento ganha espaço apostando na natureza como forma de inspiração: a biomimética. Ela olha para os elementos, processos, sistemas e organismos vivos com o objetivo de criar soluções inovadoras para problemas de todo tipo, dos mais triviais aos complexos; da invenção de um produto à solução que vai fazer uma empresa parar de ter prejuízo. “A biomimética é uma ponte entre a ciência e as demandas contemporâneas do mundo”, diz Alessandra Araújo, bióloga de formação, especialista em biomimética pela Universidade do Arizona e fundadora da consultoria Bio-Inspirations.

Apesar da abordagem inovadora, a biomimética não é exatamente uma disciplina nova. Há quase dez anos, atletas de elite da natação já deslizavam na piscina vestindo maiôs feitos com material que imitava a pele de um tipo específico de tubarão. Ao reduzir o atrito elo corpo com a água e dar um impulso extra para se deslocarem, o tecido permitia que os esportistas nadassem mais rápido com menos esforço. Outro exemplo surgiu décadas antes de a biomimética ser sistematizada como disciplina: um engenheiro suíço quis resolver um problema real que enfrentava no dia a dia e acabou inventando um material que até hoje facilita a vida de muita gente no mundo inteiro: o velcro. Leonardo da Vinci há mais de cinco séculos já produzia esboços de máquinas voadoras com base na observação da anatomia e do voo dos pássaros. A biomimética começou a ganhar popularidade há pouco mais de 20 anos por meio do trabalho ela bióloga americana Janine Benyus, cofundadora do Biomimicry 3.8 e do Biomimicry Institute, que oferecem serviços de consultoria e educação sobre o tema. Embora pouco conhecida no Brasil, a metodologia foi apontada em 2014 pela revista Forbes como uma das cinco principais tendências que vão orientar os negócios do futuro. Um estudo da Universidade Nazarena de Point Loma, na Califórnia, estimou que a disciplina deverá representar 300 bilhões de dólares no PIB dos Estados Unidos e gerar 1,6 milhão de empregos no país até 2025.

MODOS DE USAR

Pelo método desenhado por Janine Benyus, existem duas formas de criar usando a biomimética. A primeira é partir de um desafio ou necessidade real (como filtrar água, fixar objetos em uma superfície ou economizar energia) e investigar de quais estratégias a natureza dispõe para resolver tarefa semelhante. A outra é olhar para determinado fenômeno natural, forma ou função desempenhada por um organismo ou sistema e pensar de que maneira ele pode ser útil e reproduzido na prototipagem de produtos ou soluções. Por isso os treinamentos invariavelmente contam com períodos de imersão em áreas verdes (de praças urbanas a reservas florestais). A metodologia pode ser aplicada tanto em criações tangíveis – um novo produto, ferramenta ou projeto – quanto em coisas intangíveis, como estratégias de gestão em uma empresa. Medicina, arquitetura, transportes e geração de energia são algumas das áreas que vêm desenvolvendo inovações com a bioinspiração.

No Brasil, esse mercado ainda é insipiente, em parte porque a retração econômica dos últimos anos levou muitas organizações a cortar investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Mesmo assim, startups e empresas com viés de impacto social e inovação começam a olhar para a metodologia como forma alternativa de trabalhar valores humanos sem tirar o foco dos negócios. Seja qual for o caminho, as jornadas criativas usando a biomimética pressupõem trabalho em equipes multidisciplinares e diversas, em que a soma de conhecimentos favorece uma análise mais profunda dos contextos a serem trabalhados e, consequentemente, a inovação. É o chamado biomimicry thinking. “Um bom projeto geralmente envolve profissionais vindos de áreas como engenharia, biologia, design e negócios, que trazem saberes e visões de mundo complementares”, diz Ricardo Mastroti, biólogo, mestre na disciplina pela Universidade do Arizona e consultor.

No Brasil, há poucos especialistas habilitados para facilitar jornadas com a biomimética e não existem cursos de especialização nessa disciplina. Algumas faculdades oferecem na graduação de design, engenharia e arquitetura. Também é possível encontrar cursos livres (online e presenciais) e participar de vivências de imersão em reservas naturais para exercitar o olhar e o pensamento com a biomimética e praticar a prototipagem com ela. Compreendendo organizações como ecossistemas complexos, pode-se buscar na inteligência da natureza inspirações para trabalhar competências e resolver problemas do dia a dia corporativo. “Os valores que hoje norteiam modelos de negócios inovadores e uma nova economia são os mesmos que a natureza usa há milhões de anos em seus processos, como resiliência, descentralização, colaboração e eficiência”, diz o biólogo Ricardo. No meio ambiente há uma floresta de ideias esperando para ser semeada pelas organizações.

FLORESTA DE IDEIAS

Entenda como temas do dia a dia corporativo podem ser abordados com a biomimética

RESILIÊNCIA – Um exemplo da capacidade de se adaptar às variáveis e as adversidades do ambiente e criar condições para a sobrevivência é a caatinga, onde a interação entre vegetação, clima, fatores geomorfológicos e a atuação do homem estimulam o desenvolvimento de mecanismos de resiliência para a permanência do bioma.

COOPERAÇÃO – As florestas são sistemas colaborativos sofisticados. apesar da aparente desordem, nada está ali aleatoriamente e o tempo todo ocorrem trocas que constroem o valor coletivo. “Gerir uma organização não é estar sempre em alinhamento, mas ser capaz de manter a coerência e o propósito em meio à diversidade”, diz Marcelo Cardoso, fundador da CHIE, consultoria de gestão organizacional em São Paulo, que utiliza conceitos da biomimética em seu trabalho.

EFICIÊNCIA – Na natureza é importante utilizar a menor quantidade de recursos possível para resolver um problema. No mundo corporativo, essa lei também vale: A regra é fazer mais (e melhor) com menos.

LIDERANÇA COLETIVA – “Em comunidades como a das formigas, os indivíduos trabalham sem precisar de ordens, responsabilizando-se pelas próprias tarefas e sabendo da importância de sua participação para o funcionamento do todo”, exemplifica Giane Brocco, engenheira, especialista em biomimética pelo Biomimicry 3.8 e fundadora da Amazu Biomimicry.

DE ONDE VEM A INSPIRAÇÃO

A plataforma Ask Nature (asknature.org), mantida pelo Biomimicry lnstitute, funciona como uma espécie de catálogo online com soluções bioinspiradas desenvolvidas para diversas áreas e com consulta livre para inventores, cientistas e interessados em geral. Veja como plantas e animais, entre outros organismos, viram tecnologias nas mais diversas áreas

TINTA AUTOLIMPANTE – INSPIRAÇÃO: FLOR DE LÓTUS

Ela é símbolo de pureza mesmo crescendo na lama. isso porque as folhas têm uma superfície rugosa e revestida por uma espécie de cera que as torna pouco aderentes e altamente repelentes à água. Essa combinação de características faz com que o líquido que cai sobre as folhas forme gotículas que acabam envolvendo poeira e outras partículas sólidas que pousem ali. À medida que rolam para fora da planta, essas gotas vão deixando as folhas sempre limpas. Essa estratégia da natureza também foi aplicada no desenvolvimento de tecidos e revestimentos à prova de líquidos e de tintas que repelem pichação.

VELCRO – INSPIRAÇÃO: CARRAPICHO

Toda vez que o engenheiro suíço George de Mestral voltava de um passeio com seu cachorro, precisava retirar os carrapichos presos na roupa e no pelo de seu pet. Ao examinar a planta no microscópio, descobriu que ela é formada por inúmeros filamentos com ganchos minúsculos nas extremidades que agarram nos tecidos e no pelo e são difíceis de soltar. Nasceu daí, nos anos 40, o velcro: Produto composto de dois materiais, um com milhares de ganchos e outro com laços, que se entrelaçam de modo simples, reversível e altamente resistente. O nome é uma junção das palavras francesas velour (“veludo”) e crochet (“gancho”).

TREM-BALA SILENCIOSO – INSPIRAÇÃO: BICO DO PÁSSARO MARTIM-PESCADOR

Há 15 anos, o trem-bala japonês já era mais veloz, capaz de atingir 350 quilômetros por hora. mas, por causa da diferença na pressão do ar no interior e no exterior do túnel, era muito barulhento. Um dos engenheiros do projeto, que também era observador de pássaros, viu na estratégia do martim-pescador uma solução. Para capturar uma presa o pássaro atravessa o ar (que oferece pouca resistência) e mergulha na água (que tem alta resistência) com suavidade graças ao formato de seu bico, que virou inspiração para o design da frente do trem. Além de mais silencioso o veículo ficou 15% mais econômico.>

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 8 – COMO CONSERVAR A LIBERTAÇÃO

Apresentamos a seguir as condições a serem observadas para que a libertação seja mantida.

REVESTIR-SE DE TODA A ARMADURA DE DEUS

A armadura espiritual do cristão está descrita em Efésios 6:10-18. Há sete peças da armadura:

(1) “cingindo-vos com a verdade”;

(2) “vestindo-vos da couraça da justiça”;

(3) “calçai os pés com a preparação do evangelho da paz”;

(4) “embraçando sempre o escudo da fé”;

(5) “o capacete da salvação”;

(6) “a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus”;

(7) “orando em todo tempo no Espírito”.

Preste atenção especial ao “capacete da salvação” para a proteção de seus pensamentos. Muitas vezes os demônios atacam os pensamentos para ganharem uma entrada. Tome cuidado com qualquer pensamento negativo; ele vem do inimigo. Separe os pensamentos dele dos seus.

Recuse os pensamentos dele e substitua-os por pensamentos positivos, espirituais. (Veja Filipenses 4:8.)

Resista ao diabo desde o seu primeiro sinal de ataque.

A CONFISSÃO POSITIVA

Declarações negativas caracterizam a influência demoníaca. Confissão positiva é fé expressada. Confesse aquilo que a Palavra de Deus diz. Qualquer outra declaração abrirá a porta ao inimigo.

“Porque em verdade vos afirmo que, se alguém disser a este monte: Ergue-te e lança-te ao mar, e não duvidar no seu coração, mas crer que se fará o que diz, assim será com ele.” (Marcos 11:23.)

PERMANECER NAS ESCRITURAS

Jesus resistiu às tentações de Satanás pelo uso das Escrituras. A Palavra é um espelho para a alma (Tiago 1:22-25); é uma lâmpada para os pés para saber o caminho (Salmo 119:105); é um purificador (Efésios 5:25, 26); é como uma espada de dois gumes (Hebreus 4:12); é alimento para o espírito (1 Pedro 2:2; Mateus 4:4). Ninguém pode conservar sua libertação por muito tempo sem que a Palavra de Deus seja um fator primário em sua vida:

“Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite. Ele é como árvore plantada junto à corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido”. (Salmo 1:1-3.)

CRUCIFICAR A CARNE

Tome a sua cruz diariamente e siga a Jesus (Lucas 9:23). Quebre os hábitos ligados com os espíritos do mal. Se os vícios, desejos e concupiscências não estão entregues ao pé da Cruz, o caminho para a volta dos demônios está aberto (Gálatas 5:19-21, 24).

DESENVOLVER UMA VIDA DE LOUVOR E DE ORAÇÃO CONTÍNUA

O louvor cala o inimigo. O louvor não é uma atitude do coração, mas é a expressão de gratidão a Deus, adoração e alegria através do falar, cantar, dançar, tocar os instrumentos de cordas, bater palmas, etc.

Orar no Espírito (em línguas) e também no entendimento (1 Coríntios 14:14). “Orai sem cessar” (1 Tessalonicenses 5:17).

MANTER UMA VIDA DE COMUNHÃO E UM MINISTÉRIO ESPIRITUAL

É a ovelha que anda desgarrada que está em maior perigo. Procure cumprir sua função dentro do Corpo de Cristo. Deseje os dons espirituais e deixe-os operarem, através de você, dentro do Corpo de Cristo. (Veja 1 Coríntios 12:7-14.) Mantenha-se submisso à autoridade.

ENTREGAR-SE POR COMPLETO A CRISTO

Determine que cada pensamento, palavra e ação refletirá a natureza de Cristo. Permaneça em Cristo, de modo que o fruto do Espírito possa fluir em abundância. Os espíritos demoníacos são inimigos do fruto do Espírito. A fé e a confiança em Deus são as armas mais poderosas contra as mentiras do diabo.

“Embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno.” (Efésios 6:16.)

Nota: Cumprindo estes sete itens, sua “casa” (vida) ficará repleta da presença de Deus, depois da limpeza dela. Demônio nenhum poderá voltar, nem trazer outros com ele. Se, por acaso, um espírito, por um truque ou outro, consiga entrar, faça tudo para expulsá-lo o mais depressa possível. A ordem para sair pode ser dada por você mesmo ou por outro crente. Se outras áreas de atividade demoníaca são descobertas, procure o ministério de libertação. Jesus já nos tornou possível uma libertação total. Ande libertado diariamente. Não aceite menos do que isto!

“Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.” (Romanos 5:10.)

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O PODER DO FEMININO

O estrogênio não se limita a controlar a sexualidade feminina. Ele influencia também as mais diversas capacidades cognitivas – tanto no homem quanto na mulher

De forma quase imediata, a palavra estrogênio evoca sexo e provoca associações quase sempre direcionadas à mulher. Esse hormônio sexual deve sua grande notoriedade à participação decisiva na condução de todos os processos do corpo feminino necessários à reprodução. Controla o ciclo menstrual, exerce influência no amadurecimento do óvulo a ser fecundado, dispara a ovulação e prepara o útero para a implantação do embrião. Sem o estrogênio, produzido em grande parte nos ovários – e existente, aliás, em variações muito semelhantes, razão pela qual se fala também em “estrogênios”, no plural -, vida nenhuma se desenvolveria no ventre materno. Na puberdade, seus níveis crescentes arredondam as formas femininas, trazendo a maturidade sexual. Em suma: é ele que faz das mulheres, mulheres.

Não por acaso, o estrogênio é tido como o hormônio tipicamente feminino, e isso fez com que especialistas acreditassem durante muito tempo que sua atuação se restringia aos órgãos fundamentais para a reprodução. Mas posteriormente se verificou a existência de um complicado circuito regulatório por trás do controle dos níveis de estrogênio. Por um lado, mensageiros químicos do hipotálamo e da hipófise influem na produção hormonal dos ovários, por outro, o próprio estrogênio também atua sobre essas duas estruturas cerebrais. Assim sendo, ficou claro que nosso órgão do pensamento – ou ao menos partes dele – é sensível ao hormônio sexual.

Hoje, porém, os pesquisadores sabem que os estrogênios exercem sobre o cérebro influência muito maior que o mero controle da produção do hormônio sexual. Eles contribuem em diversas capacidades cognitivas, tais como o aprendizado e a construção da memória; controlam quais estratégias de comportamento ou de resolução de problemas vamos adotar; e também regulam nossa vida emocional. Vários estudos indicam que as células nervosas de algumas regiões cerebrais precisam dos estrogênios para entrar e permanecer em funcionamento. De resto, isso vale também para os homens, em cujo cérebro o mais importante hormônio sexual masculino – a testosterona- é transfomado em estrogênio.

As primeiras indicações de que o estrogênio auxilia o trabalho cerebral provêm do início da década de 70, quando pesquisadores descobriram em células nervosas do cérebro de ratos moléculas de proteína que só se ligam ao hormônio sexual feminino. Por intermédio desses receptores o mensageiro químico transmite informações para as células nervosas. Receptores de estrogênio, porém, possuem não apenas neurônios transmissores de sinais, mas também outras células cerebrais, como as microglias, importantes para a defesa imunológica, e as macroglias, que atuam como células de apoio e nutrição. É provável que o estrogênio cumpra tarefas distintas nos diferentes tipos de células, mas essas funções ainda não foram explicadas.

Experiências com animais comprovam que o hormônio reprime a reação natural de defesa das micróglias contra estímulos inflamatórios. Isso pode ser muito útil, por exemplo, nos casos de esclerose múltipla ou mal de Alzheimer, já que nessas duas enfermidades proteínas anômalas se depositam nos neurônios, provocando um estado inflamatório que danifica e, em última instância, destrói as células nervosas.

Nas macroglias, o hormônio sexual cumpre função claramente trófica. Isso significa que ele estimula o metabolismo dessas células. Sob influência do estrogênio, as macroglias multiplicam a produção dos hormônios do crescimento, que, por sua vez, põem à disposição dos neurônios todas as substâncias de que necessitam para um funcionamento otimizado.

Não apenas experiências com animais, mas também a observação de seres humanos indica que os estrogênios oferecem proteção contra algumas doenças neuro degenerativas, ou ao menos retardam seu avanço. Muito provavelmente, eles exercem esse efeito protetor não nos neurônios em si, mas sobretudo por intermédio dos receptores nas células gliais.

Segundo descoberta recente, o estrogênio é capaz também de amenizar as consequências de um derrame cerebral. Sob o comando de Phyllis White, pesquisadores da Universidade da Califórnia removeram os ovários de camundongos, limitando a produção natural de estrogênio. A seguir, dividiram os roedores em dois grupos, um dos quais recebeu estrogênios em baixa dosagem. Uma semana depois, bloquearam brevemente o fluxo de sangue em determinada artéria do cérebro, desencadeando um derrame. Então, passados poucos dias, compararam os vestígios do experimento deixados no cérebro.

Nos camundongos submetidos à “terapia de reposição hormonal”, os danos foram visivelmente menores. Segundo White, o estrogênio torna mais lento o avanço das lesões nas células induzidas pelo derrame. “Mais neurônios sobrevivem, sobretudo no córtex cerebral.” Em especial durante a fase final de um derrame, muitas células cerebrais sucumbem à chamada morte celular programada, mediante a qual o corpo se livra inclusive de células pouco danificadas. O estrogênio parece limitar esse processo, também conhecido como apoptose. E mais: exerce até um efeito positivo sobre o crescimento de novos neurônios.

O hormônio sexual transformou-se em tema discutidíssimo nas neurociências não só graças a essa atuação neuro protetora. Interesse científico semelhante também desperta a observação de que o estrogênio influencia diversas esferas cognitivas, como aprendizado, memória e comportamento. Afinal, independentemente de estereótipos e clichês, não há como ignorar a “pequena diferença” entre os sexos no tocante à prevalência de certos talentos específicos em homens e mulheres. Hormônios sexuais dão aí sua contribuição, e disso existe comprovação bastante convincente: nas mulheres, determinadas capacidades cognitivas se alteram de acordo com o nível do hormônio.

Não faz muito tempo, Onor Gunturcün, biopsicólogo do Instituto de Neurobiologia Cognitiva da Universidade do Ruhr, Alemanha, começou a investigar como voluntárias se saíam nos chamados testes de rotação mental em momentos diversos de seu ciclo menstrual. A tarefa a cumprir nesse teste é girar na mente uma figura geométrica. Ele avalia, portanto, nossa capacidade de visualização espacial. E, vejam só: durante a menstruação, quando os hormônios sexuais se encontram nos níveis mais baixos, as mulheres se saíram tão bem quanto os voluntários do grupo de controle. Ao final do ciclo, porém, quando os níveis de estrogênio sobem, o desempenho delas caiu sensivelmente. Mas melhorou em outro teste realizado paralelamente, no qual o objetivo era encontrar palavras apropriadas. Os resultados comprovam que as habilidades espaciovisuais das mulheres não são, em essência, inferiores às dos homens, o que ocorre com elas é, antes, uma oscilação mais forte do nível de estrogênio no cérebro, deslocando a ênfase de um talento para outro.

Também os ratos exibem certos comportamentos específicos de cada sexo. Como nos humanos, o nível de estrogênio parece desempenhar aí algum papel. Nos ratos, salta aos olhos sobretudo que machos e fêmeas não demonstrem o mesmo grau de interesse por um novo ambiente. Postos em território desconhecido, e em companhia de três objetos diferentes – uma garrafa, um tubo e uma bola, por exemplo -, as fêmeas põem-se no primeiro dia a examinar seu entorno de forma muito mais intensa que os machos.

Com o tempo, seu ímpeto investigativo decresce, mas torna a despertar de imediato se há um rearranjo dos objetos na gaiola. Isso, porém, acontece apenas com as fêmeas prontas para conceber, com baixos níveis de estrogênio. Somente elas inspecionam o ambiente modificado com curiosidade contínua. Os companheiros revelam de fato algum breve interesse, mas seu ímpeto investigativo torna a ceder com rapidez. Contudo, se as fêmeas não estão em fasede concepção, apresentando níveis altos de estrogênio, o novo arranjo do ambiente lhes é totalmente indiferente. Essa espécie de “balizamento hormonal do comportamento” faz todo sentido. Provavelmente, fêmeas prontas para conceber tendem, na época da ovulação, a proceder a uma extensa investigação de seu entorno porque assim aumentam suas chances de encontrar um macho disposto ao acasalamento. Mesmo depois do parto, os níveis de estrogênio permanecem baixos, mas o ímpeto investigativo da mãe prossegue, o que lhe facilita proteger o rebento de eventuais perigos e prover-lhe comida suficiente.

Estudos como esse não deixam dúvida quanto à conexão entre os níveis de estrogênio e de   desempenho de determinadas funções cognitivas, uma relação capaz de explicar certas diferenças entre os sexos. Pesquisas realizadas com o auxílio da ressonância magnética funcional mostram ainda que, já de antemão, homens e mulheres não utilizam as mesmas regiões cerebrais no cumprimento de algumas tarefas. Conforme se verificou em experiencias com voluntários de ambos os sexos, quando se trata, por exemplo, de encontrar a saída de um labirinto virtual, ativam-se nas mulheres regiões nos lobos parietal e frontal direitos do córtex, ao passo que, nos homens, são neurônios do hipocampo que se agitam. Apesar disso, tanto homens como mulheres muitas vezes encontram a solução com a mesma rapidez. Seus cérebros, portanto, têm igual desempenho, embora adotem caminhos diversos.

A fim de descobrir como os estrogênios influem nessa complexa interação, pesquisadores passaram a investigar que regiões cerebrais possuem, afinal, células nervosas com acoplamentos compatíveis. A concentração de receptores de estrogênio é particularmente alta no hipotálamo e na chamada área pré- óptica. Era de se esperar, uma vez que o hipotálamo integra o circuito regulador da síntese de estrogênio e, por meio de mensageiros químicos próprios, estimula a produção de hormônios sexuais. Quanto à área pré- óptica, ela parece participar no balizamento do comportamento reprodutor, ao menos nos animais. A hipótese é admissível, já que se trata de um hormônio sexual. Mas ocorre que também no hipocampo e no córtex pré-frontal se encontram receptores de estrogênio em abundância. E essas são regiões vinculadas a funções intelectuais mais elevadas, tais como o aprendizado, a memória e o pensamento abstrato.

Experiências com camundongos e ratos que tiveram os ovários removidos visando à diminuição do nível natural de estrogênio, demonstraram que, após a remoção, os animais passaram a se sair muito pior em diversas tarefas de aprendizado e testes de memória. Doses de hormônio, porém, anularam esse efeito negativo. Portanto, deve haver alguma ligação entre o estrogênio e a atividade no hipocampo, um centro deaprendizado.

Com o intuito de esclarecer essa conexão, a neurobióloga Catherine Woolley, da Universidade Rockefeller, em Nova York, passou a pesquisar as sinapses das células nervosas. É nesses pontos de contato que acontece a transmissão da informação entre os neurônios, e eles se sintam nos chamados espinhos dendríticos – pequenos apêndices dos dendritos. Quanto mais ligações sinápticas existirem numa rede neuronal, melhor a transmissão. E, na linguagem do cérebro, aprender alguma coisa nada mais é que estabelecer novas sinapses e intensificar as conexões existentes.

No hipocampo, os neurônios cultivam um gosto particular pelo contato: uma única célula nervosa pode estar em contato sináptico com até 20 mil outras. Quando estamos em processo de aprendizado, esse número comprovadamente aumenta.

Como descobriu há alguns anos o grupo comandado por Woolley, com o auxílio de seções do cérebro com coloração especial, o estrogênio estimula a formação de novos espinhos dendríticos em determinados neurônios do hipocampo. Em 2001, Woolley e seu colega Bruce McEwen demonstraram que os espinhos adicionais não apenas fortalecem as conexões já existentes, como também estabelecem novos contatos com outras células nervosas. Estudos equivalentes foram efetuados com fêmeas adultas de rato. O resultado ressalta acima de tudo como o cérebro permanece maleável mesmo na idade adulta. É à enorme plasticidade desse órgão que devemos o fato de uma antiga crença felizmente não corresponder à realidade: a de não ser possível aprender na velhice. É possível sim.

Os resultados da pesquisa também despertaram a esperança de, com o estrogênio, podermos desenvolver um novo medicamento contra o mal de Alzheimer, por exemplo, que causa a morte dos espinhos dendríticos no hipocampo. Em consequência disso, vai desaparecendo o poder da memória, que já não aceita novos dados. E outras capacidades cognitivas sofrem perdas crescentes, como a de orientação e visualização espacial. Considerando-se que o estrogênio dá suporte à formação de novas conexões sinápticas, esse hormônio talvez detenha a demência, ou desacelere seu avanço.

Mas as ambições de alguns cientistas vão mais longe, alimentadas pela observação de que, em todos nós, o número de espinhos dendríticos no hipocampo diminui com o tempo, assim como nosso desempenho intelectual decresce com a idade. Daí a ideia de empregar o estrogênio como o chamado cognitive embacer – ou seja, como remédio para a melhoria direcionada da memória e da capacidade de aprendizado.

Bruce McEwen, neuro endocrinologista da Universidade Rockefeller, pesquisa os mecanismos por meio dos quais o hormônio sexual feminino estimula, no plano molecular, o crescimento dos espinhos dendríticos nos neurônios do hipocampo. Para ele, está claro que esse mensageiro químico fortalece as funções de aprendizado e memória normais. “Mesmo sem a presença do estrogênio, há ainda um sem-número de ligações sinápticas no hipocampo. Nossos trabalhos mostram, porém, que, sem o hormônio, essas redes não operam com seu melhor rendimento no armazenamento e na evocação de determinados conteúdos de memória”.

O pesquisador defende uma espécie de terapia de reposição hormonal para o cérebro, da qual se beneficiariam sobretudo mulheres de mais idade. A razão para tanto é que, com a menopausa, os ovários praticamente param de sintetizar estrogênio. Sintomas como as ondas de calor e também os problemas psíquicos de que tantas mulheres sofrem durante essa fase parecem ter vínculo causal com a relativa escassez do hormônio – isso porque, em geral, as queixas diminuem com a aplicação de estrogênio.

Nesse meio tempo, também o desempenho cognitivo de mulheres na menopausa já foi objeto de diversos testes. Os resultados são contraditórios. Em muitos estudos, o estrogênio melhora a capacidade de aprendizado, mas somente em relação a tarefas que demandem a utilização da memória verbal.

É para esta situação seletiva que nos chama a atenção a psicóloga Donna Korol, da Universidade de Illinois. Ela se dispôs a investigar se em ratos jovens que tiveram os ovários removidos, doses de estrogênio exerciam influência sobre determinadas estratégias de resolução de problemas. Com esse objetivo, aplicou dois testes aparentemente semelhantes, cujas soluções, porém, demandam do cérebro a ativação de redes neuronais distintas. Em essência, os ratos tinham de aprender a encontrar comida num labirinto. No teste A, a comida fica sempre no mesmo lugar, mas altera-se o ponto a partir do qual os ratos dão início à busca. Os animais que receberam estrogênio apreenderam o princípio do teste com muito mais rapidez do que os companheiros privados do hormônio.

Mas esses últimos foram muito superiores no teste B, em que o ponto de partida também é alterado, mas o rato sempre encontra sua comida, bastando para tanto que ele vire à direita no primeiro corredor. De acordo com Korol, o fato de os animais com deficiência de estrogênio terem aprendido a cumprir a tarefa com mais rapidez contradiz a noção de que o hormônio prestaria ajuda generalizada ao órgão do pensamento. “Se o estrogênio melhora nossa capacidade geral de aprendizado, então os resultados dos dois testes teriam de ser iguais.” Na opinião da psicóloga, o nível do hormônio sexual determina, antes a estratégia cognitiva com o auxílio da qual o cérebro se lança à solução de um problema. “O estrogênio de fato favorece algumas formas de aprendizado, mas inibe outras”. E, mais importante: “Sem esse mensageiro químico, o cérebro trabalha de modo diferente, mas continua trabalhando bem”.

Os estudos de Donna Korol lançam nova luz sobre o declínio da capacidade cognitiva que muitas mulheres sentem após a chegada da menopausa. Em seu livro Animal research, and  human beaulty, Korol defende a tese de que o nível decrescente de estrogênio pura e simplesmente altera o modo como o cérebro trabalha – direcionando-o para pontos que são fortes sobretudo nos homens, como a capacidade de orientação espacial. “Depois da menopausa, as mulheres poderiam melhorar seu desempenho em muitas tarefas, se encarassem a coisa toda de maneira diferente”, explica. “Mas percebem as alterações provocadas pelo declínio hormonal como piora.”

Descobrir e fazer uso de novas forças de certo não é fácil, e Donna Korol ainda não ofereceu comprovação definitiva de sua teoria. Ainda assim, seus resultados parciais ensejam algumas dúvidas quanto à ideia de que, depois da menopausa, o cérebro feminino se beneficiaria como um todo de uma espécie de terapia de reposição do estrogênio.

Certo, porém, é que o estrogênio pode fazer muito mais que dar às mulheres aparência diferente da masculina. Por meio de receptores em regiões cerebrais como o hipocampo, o mais importante hormônio sexual feminino contribui para muitas “pequenas diferenças” no modo de pensar e nos talentos específicos de homens e mulheres. Mas enquanto os efeitos do estrogênio sobre o cérebro não forem conhecidos com exatidão, é necessário conter a euforia. Ou não servem de advertência as acaloradas discussões da atualidade a respeito da ampliação do risco de câncer em decorrência de terapias de reposição hormonal.

O ÓRGÃO SEXUAL CHAMADO CÉREBRO: RAÍZES DA HOMOSSEXUALIDADE

Os elefantes fazem, os pinguins fazem, os golfinhos fazem, as girafas fazem e muitos seres humanos fazem também – isto é, sexo com parceiros do mesmo sexo. Já se observaram comportamentos homossexuais em mais de 450 espécies até agora. As causas são motivo de veementes discussões. Teóricos da evolução procuram pelo “gene homossexual”, por enquanto sem sucesso. Freudianos responsabilizam problemas na infância, mas não oferecem comprovação inequívoca de sua tese. E, como nosso órgão sexual mais importante é sabidamente aquele que trazemos entre as orelhas, claro que também os neurocientistas partiram em busca das raízes da homossexualidade.

Localizaram-nas no hipotálamo, ou seja, a região cerebral que controla impulsos tão elementares como a fome e o sono. Em1978, Roger A. Golsky, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, descobriu que um grupo de células nervosas da porção anterior do hipotálamo é muito maior nos ratos machos do que nas fêmeas. Conforme mostraram experimentos posteriores, o crescimento desse núcleo, chamado INAH-3, varia de acordo com o nível de testosterona. Se, logo após o nascimento, ratos machos são privados por castração do hormônio sexual mais importante, seu INAH-3 permanecerá. na idade adulta, tão pequeno como o das fêmeas. E também seu comportamento reprodutivo se tornará feminino.

Normalmente, os roedores se acasalam da seguinte maneira: o macho sobe na fêmea e a agarra com as patas dianteiras; a fêmea curva o dorso e ergue o traseiro, a fim de facilitar a penetração. Machos castrados rompem com esse comportamento sexual. Quando um companheiro de mesmo sexo sobe neles, os castrados arqueiam o corpo e assumem a posição da fêmea. E mais: se é administrada testosterona em fêmeas logo após o nascimento, também elas, quando adultas, e depois de uma nova dose de hormônio, montarão outras fêmeas.

Decerto, a vida sexual dos humanos toma forma bem mais complexa que a dos roedores, mas também em nosso hipotálamo existe essa pequena diferença. Nos homens, o INAH-3 é de duas a três vezes maior que nas mulheres. Mas talvez isso só valha para os heterossexuais. Comparando os cérebros sem vida de homens com preferências sexuais variadas, o neurocientista Simon LeVay – então no Salk Intitute, em San Diego – constatou que o INAH-3 de alguns homossexuais apresentava “tamanho feminino”. Mas havia exceções, e elas alimentaram todo tipo de dúvida quanto ao valor do estudo. “A orientação sexual das pessoas pode ser investigada no plano biológico: é isso que nos mostram as diferenças de tamanho dos núcleos”, concluiu LeVay. A comprovação, no entanto, não veio até hoje. E mesmo que se confirmasse, permaneceria incerto se é a característica anatômica que baliza o comportamento ou se não seria, por acaso, o contrário.

OUTROS OLHARES

UM TRISTE PASSO ATRÁS

Só há uma resposta para o retorno do sarampo no Brasil e no mundo: a negligência na vacinação, que, por ignorância e desleixo, perdeu terreno na sociedade

O sarampo voltou, vergonhosamente, para assombrar o mundo — e, lamentavelmente, o Brasil. Nos últimos três meses, o país registrou 2.753 casos, número 117% maior em relação ao mesmo período do ano passado. Para piorar, o surto tem vitimado sobretudo crianças (bebês com menos de 1 ano são os mais vulneráveis à doen­ça). As secretarias estaduais de São Paulo e de Pernambuco confirmaram quatro mortes: três bebês, de 4, 7 e 9 meses, e um adulto, de 42 anos. O constrangimento pela volta de uma doença erradicada não é, desta vez pelo menos, uma exclusividade brasileira. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de casos quase triplicou entre 2018 e 2019 no planeta, em especial na Europa e nos Estados Unidos. “Estamos retrocedendo e no caminho errado”, disse Kate O’Brien, responsável pelo departamento de imunização da OMS.

Transmitido por secreções, como a saliva, o sarampo é doença de alto poder infeccioso. Seu vírus reduz a eficácia do sistema imunológico e deixa o organismo suscetível a outras infecções. Em cerca de 20% dos casos ocorrem problemas graves, como pneumonia e danos neurológicos. Os efeitos são piores em crianças com menos de 5 anos e em pessoas desnutridas e com o sistema imunológico fragilizado. Aproximadamente duas crianças em cada 1.000 que contraem sarampo desenvolverão encefalite, que pode levar a convulsões, surdez ou deficiência intelectual.

A taxa de mortalidade varia muito. Nos países desenvolvidos, calcula-se uma morte para cada 1.000 casos. Nas nações muito pobres, especialmente as da África Subsaariana, o número de óbitos pode chegar a preocupantes 100 para cada 1.000. Criada na década de 60, a vacina contra o sarampo está incluída na chamada tríplice viral, junto com rubéola e caxumba. A dose garante a imunidade, ou seja, a produção de anticorpos específicos contra a doença, em 95% das pessoas.

Em tese, ninguém deveria estar falando do assunto hoje, com a doença totalmente controlada. Qual a causa, então, do passo atrás? “Simplesmente as pessoas não estão se vacinando”, responde Rosana Richtmann, infectologista do Instituto Emílio Ribas, de São Paulo. Segundo dados de 2017, a cobertura vacinal no Brasil foi de 86%. Em 2015, era de 96%. O ideal para imunizar uma população é um índice de pelo menos 95%. No caso específico do sarampo, a atenção com a vacinação tem de ser redobrada. Se um doente espirra ou tosse, o vírus permanece vivo no ar por duas horas. Um doente chega a infectar cerca de doze pessoas, o que confere ao sarampo um alto poder contagioso.

A redução da vacinação no mundo todo tem múltiplas causas. A mais incompreensível difunde-se nos Estados Unidos e na Europa, e felizmente ainda não pegou no Brasil: o crescimento dos grupos antivacina. O tresloucado movimento recorre à tese do gastroenterologista inglês Andrew Wakefield. Em 1998, o médico publicou, na revista científica The Lancet, um artigo em que associou a vacina tríplice a um risco aumentado de autismo. No estudo, Wakefield dizia ter acompanhado doze crianças que desenvolveram a doença depois de tomar a tríplice. Sonegou duas informações: já existiam indícios de autismo nas crianças e o médico preparava um processo contra um fabricante de vacinas. Foi desmascarado. Embora Wakefield tenha sido banido da prática de medicina, seus argumentos ainda ecoam.

Há também um ponto pouco discutido, de cunho mais comportamental. O surgimento da imunização, há meio século, fez com que gerações futuras esquecessem as consequências do sarampo. Os mais jovens chegam a não temer o retorno da doença, e médicos formados recentemente só conheceram a doença pelos livros. É triste, e até assustador, mas a sociedade parece desdenhar da relevância histórica das vacinas. A discreta e quase indolor agulhada é a resposta mais rápida e a única ao atual drama.

GESTÃO E CARREIRA

PROFISSÃO: GESTOR AMBIENTAL

Com o meio ambiente em foco, profissionais graduados em gestão ambiental ganham relevância nas esferas pública e privada

A natureza está em pauta. Da ativista sueca Greta Thunberg, de 16 anos, que vem mobilizando estudantes contra as alterações climáticas, ao presidente Jair Bolsonaro, com as polêmicas envolvendo a crise na Amazônia. Do consumo consciente à defesa de um modelo econômico mais sustentável. Fato é que se tornou inviável fugir do assunto, inclusive no mundo corporativo. Segundo uma pesquisa da McKinsey, mais de 50% dos executivos já consideram a área de sustentabilidade essencial ao criar estratégias, desenvolver produtos e construir reputação. Não à toa, as perspectivas para quem atua nesse campo são animadoras. Para a Organização Internacional do Trabalho (OIT), ações para promover uma economia mais verde têm potencial de gerar 24 milhões de empregos no mundo até 2030. Por aqui, apesar dos reveses (o orçamento do Ministério do Meio Ambiente diminuiu 23% em 2019, um corte de 187,4 milhões de reais), especialistas em gestão ambiental ganham cada vez mais relevância nas esferas pública e privada. “Os consumidores querem produtos socialmente justos, economicamente viáveis e ambientalmente corretos. E isso se reflete em aumento da demanda por esses profissionais. A maioria de nossos alunos se forma já com uma proposta de emprego”, diz Denírio Itamar Lopes Marques, coordenador do curso superior de tecnologia em gestão ambiental do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS). Elaborando, implementando e mensurando projetos de impacto ambiental e social, esse pessoal virou peça-chave nas empresas.

Sarita Severein, de 33 anos, formou-se na área pela Universidade de São Paulo (USP) em 2010. De lá para cá, viu proliferar as oportunidades. No ano passado, foi contratada como consultora de sustentabilidade na Suzano, empresa brasileira de papel e celulose. “Desenvolvo ações que passam por mudanças climáticas, capital natural e inovação em sustentabilidade”, diz Sarita. Para ela, uma das maiores dificuldades da carreira é a concorrência com outras graduações. Como ainda não é regulamentada no Brasil, a profissão de gestor ambiental disputa espaço com engenheiros, biólogos, geólogos e até administradores. A expectativa é que esse cenário melhore se o Projeto de Lei n° 2.664/11, que tramita no Senado e visa regulamentar a atividade, for sancionado. “A aprovação da lei trará mais solidez a essa profissão e mais vagas vão surgir no mercado, principalmente nos setores hospitalares e de gestão de águas residuais”, diz Denírio, do IFRS.

ATIVIDADES – CHAVE

Mitigar os impactos negativos no meio ambiente que surgem de processos produtivos e atividades comerciais; entender de regulação e garantir o respeito à legislação; gerar a integração entre os diversos departamentos da empresa para cumprimento de metas e inserção de viés sustentável e nas tomadas de decisão dos times.

PONTOS POSITIVOS

*** Os resultados do trabalho desses profissionais ajudam na conservação do meio ambiente;

*** A rotina não é monótona e sempre aparecerão novos desafios;

*** Atuar em uma área que é tendência e ganha cada vez mais espaço no debate global, tanto no âmbito público quanto no privado.

PONTOS NEGATIVOS

*** Ainda existe por parte das empresas e da sociedade resistência em enxergar a necessidade de discutir as questões ambientais;

*** A profissão carece de regulamentação.

PRINCIPAIS COMPETÊNCIAS

Resiliência é essencial para os gestores ambientais que precisam reafirmar frequentemente a importância de seus projetos, muitos com retorno de longo prazo, estar antenado com as tendências mundiais é de extrema importância, assim como possuir conhecimento sobre o setor no qual se está trabalhando. É fundamental que haja domínio profundo de ecossistemas e jogo de cintura para lidar com questões sociais e políticas.

QUEM CONTRATA

O setor público, ongs e empresas de grande porte, como indústrias, aeroviárias, hospitais. Também buscam esses profissionais: consultorias, bancos, agências de investimento, instituições de ensino e de pesquisa, agencias setoriais e de fomento, para elaborar estratégias de sustentabilidade.

O QUE FAZER PARA ATUAR NA ÁREA

Embora a atividade não seja regularizada no país, a principal recomendação para atuar na área é fazer um bacharelado ou curso técnico em gestão ambiental. especialização em gestão de projetos ajuda o profissional a se diferenciar.

SALÁRIO:

3.584 Reais (Analista)

5.884 Reais (Coordenador)**

VAGAS:

1.534***

** De acordo com um levantamento da CATHO

***Segundo consulta feita com o termo “Gestão Ambiental” no LinkedIn em setembro/2019

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 7 – CONDIÇÕES NECESSÁRIAS PARA A LIBERTAÇÃO

Basicamente, são as seguintes as condições necessárias para alguém receber libertação.

HONESTIDADE

Quem espera receber de Deus a bênção da libertação tem de ser honesto consigo mesmo e com Deus. Por falta de honestidade, certas áreas da vida ficam encobertas pelas trevas. Os espíritos demoníacos prosperam nas trevas. A honestidade ajuda a trazê-los à luz. Qualquer pecado oculto, sem arrependimento, dá aos demônios todo o direito para ficarem onde estão. Peça a Deus que o ajude a ver sua própria pessoa como Ele mesmo a vê e traga à luz qualquer coisa que não seja d’Ele.

“Confessei-te o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei. Disse: confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniquidade do meu pecado.” (Salmo 32:5.)

“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno.” (Salmo 139:23, 24.)

HUMILDADE

Isto envolve o reconhecimento da sua dependência de Deus e das providências para a libertação.

“Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.” (Tiago 4:6b, 7.)

Uma franqueza completa devem ter, também, os servos de Deus que ministram a libertação.

“Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros…” (Tiago 5:16a.)

ARREPENDIMENTO

O arrependimento consiste em virar as costas ao pecado e a Satanás. Devemos odiar todo o mal e deixar de concordar com ele em nossa vida. “Andarão dois juntos se não houver entre eles acordo?” (Amos 3:3.)

Você tem de detestar seus pecados.

“Ali vos lembrareis dos vossos caminhos e de todos os vossos feitos com que vos contaminastes e tereis nojo de vós mesmos, por todas as vossas iniquidades que tendes cometido.” (Ezequiel 20:43.)

A libertação não é para ser usada meramente para alcançar um alívio dos problemas, mas para tornar-se mais semelhante a Jesus, através da obediência a tudo o que Deus requer. O arrependimento exige a confissão de todo pecado. Ela apaga todos os direitos legais dos espíritos maus.

RENÚNCIA

Renunciar é abandonar o mal. Renunciar é uma ação que nasce do arrependimento.

“Vendo ele, porém, que muitos fariseus e saduceus vinham ao batismo, disse-lhes: Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura?” (Mateus 3:7.)

O desenvolvimento dos frutos dignos de arrependimento envolve muito mais do que palavras. E a demonstração de arrependimento, a evidência de que alguém verdadeiramente deixou os seus pecados. Por exemplo, se alguém se arrepende da luxúria, talvez tenha de destruir material pornográfico; se for erro religioso, talvez tenha de destruir toda a literatura e coisas relacionadas com o erro.

“Muitos dos que creram vieram confessando e denunciando publicamente as suas próprias obras. Também muitos dos que haviam praticado artes mágicas, reunindo os seus livros, os queimaram diante de todos. Calculados os seus preços, achou-se que montavam a cinquenta mil denários.” (Atos 19:18, 19.)

Renúncia significa um desligamento por completo de Satanás e de todas as suas obras.

PERDÃO

Deus livremente perdoa a todos os que confessam seus pecados e pedem perdão por meio do Seu Filho (1 João 1:9). Ele espera que nós perdoemos a todos os que nos maltrataram, seja quem for.

“Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas.” (Mateus 6:14, 15.)

ORAÇÃO

Peça a Deus que o liberte em nome de Jesus.

“E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo…” (Joel 2:32.)

BATALHA

A oração e a luta são duas atividades separadas e distintas. A oração é dirigida a Deus, e a luta, contra o inimigo. Nossa luta contra os poderes demoníacos não é carnal, mas espiritual. (Veja Efésios 6:10-12; 2 Coríntios 10:3-5.)

Use as armas de submissão a Deus, o sangue de Jesus Cristo, a Palavra de Deus e seu próprio testemunho como crente. (Veja Tiago 4:7; Apocalipse 12:11; Efésios 6:17.)

Identifique os espíritos, enfrente-os diretamente pelo nome, com voz de autoridade, e com fé mande-os embora, em nome de Jesus Cristo. Entre na luta com determinação, confiante na vitória. Jesus Cristo não falha! Ele é o libertador!

“Estes sinais hão de acompanhar aqueles que creem: em meu nome, expelirão demônios…” (Marcos 16:17a.)

“Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões, e sobre todo o poder do inimigo, e nada absolutamente vos causará dano.” (Lucas 10:19.)

“O Senhor é a minha rocha, a minha cidadela, o meu libertador; o meu Deus, o meu refúgio…” (Salmo 18:2a.)

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

QUANDO O ESTRESSE PENETRA NA PELE

Sobrecarga psíquica constante pode gerar e agravar doenças e inflamações cutâneas

Às 5h45 do dia 17 de janeiro de 1995 a terra tremeu no sul do Japão. Em apenas 20 segundos, a catástrofe natural em Kobe eliminou ávida mais de 6 mil pessoas e aniquilou 300 mil casas. A violenta destruição não passou incólume pelo psiquismo dos afetados. Conforme comprovam inúmeros estudos, nas áreas destruídas repentinamente muito mais gente passou a sofrer de doenças vasculares associadas ao estresse, em comparação às estatísticas nas regiões não afetadas.

No entanto, a sobrecarga emocional não prejudica apenas o coração. O dermatologista Atsuko Kodama, do Centro Médico de Câncer e Doenças Cardiovasculares de Osaka, observou que a catástrofe provocou um efeito surpreendente: piorou sensivelmente também a situação da pele de muitas pessoas com neurodermite. Mais de um terço da população passou a sofrer de eczemas, coceiras e inflamações cutâneas com mais frequência.

Essa constatação não surpreende pessoas que sofrem com problemas de pele. Em geral, elas sabem que irritação, preocupações e tensão podem piorar os sintomas. Principalmente as doenças de pele inflamatórias como a neurodermite, a psoríase (uma manifestação autoimune que causa uma forte descamação da pele) ou o vitiligo pioram justamente quando estamos diante de uma situação na qual nos sentimos avaliados, enfrentamos uma grande frustração ou em casos de conflito.

Em várias ocasiões a origem do problema está na infância. É o que demonstraram em 2010 a psicóloga Edita Simoni e seus colegas do Departamento de Dermatologia do Hospital das Clínicas da Universidade de Rijeka, na Croácia. Os pesquisadores entrevistaram pacientes com psoríase e pessoas saudáveis do grupo de controle, perguntando sobre experiências traumáticas que tinham vivido na infância. De fato, aqueles que sofriam de psoríase relataram com muito mais frequência experiências dolorosas e estressantes. Vários, no entanto, começaram a sofrer com as escamações de pele somente na adolescência. Os pesquisadores supõem que, provavelmente, a instabilidade emocional tão presente nessa fase da vida reforça os efeitos negativos das vivências traumáticas.

Mas por qual caminho o estresse “penetra na pele”? Segundo médicos e psicólogos, a tensão e a sobrecarga emocional crônicas desequilibram as defesas do corpo – principalmente se faltam estratégias pessoais adequadas de superação (por exemplo, acompanhamento psicológico, hábito de praticar meditação e espaço entre os afazeres diários para simplesmente se dedicar a atividades prazerosas).



EM DESEQUILÍBRIO

Quando enfrentamos uma situação estressante, os sistemas nervoso, hormonal e imunológico reagem com um complicado mecanismo de adequação. O corpo libera mais os chamados receptores adrenérgicos: adrenalina e noradrenalina. Essas substâncias elevam a frequência cardíaca e a pressão sanguínea – o que nos prepara para uma eventual fuga ou luta. Além disso, deflagram processos que podem culminar em inflamações: células do sistema imunológico se deslocam do sangue até os tecidos para atacar potenciais agentes patogênicos, caso estes sejam identificados.

Pouco depois, entra no jogo o cortisol, conhecido como o hormônio do estresse. Sua tarefa consiste em reverter as inflamações causadas pela adrenalina e noradrenalina. Problemas crônicos, principalmente na infância, costumam atrapalhar o equilíbrio dessas duas reações. Assim, em algum momento o corpo pode não produzir mais cortisol suficiente. Se essas pessoas são submetidas a fortes sobrecargas psíquicas, as inflamações resultantes não são mais aliviadas – um passe livre para as neurodermites e outros problemas de saúde.

Em 2008, pesquisadores coordenados por Eva Peters, da Santa Casa de Berlim, descobriram a importância de outro sistema bioquímico do estresse para doenças psicossomáticas de pele – o chamado eixo de neuropeptídeos e neurotrofinas. Durante um dia inteiro, os cientistas submeteram camundongos que sofriam de uma espécie de neurodermite a um barulho que causava temor.

Ao analisarem a pele dos animais procurando diversos marcadores de inflamações, os pesquisadores alemães perceberam a presença de um tipo específico de célula nervosa que se multiplica de forma especialmente rápida em situações de estresse. Nessas ocasiões, os neurônios liberam diversas moléculas mensageiras, entre elas a proteína “substância P”. Esta, por sua vez, põe em cena os mastócitos – agentes do sistema imunológico que liberam histamina (substância que aparece em caso de alergias, causa coceiras insuportáveis e faz a pele inchar). Aparentemente ela também é responsável pelo surgimento de eczemas em fases de turbulências psíquicas.

Agora cientistas buscam possibilidades de tornar a substância P inócua. “Um medicamento que inibisse o efeito da substância poderia ser um importante elemento terapêutico para refrear as reações inflamatórias da pele”, acredita Eva Peters. O problema é que nem sempre apenas medicamentos são suficientes para reverter processos orgânicos complexos. Hoje, médicos e psicólogos utilizam cada vez mais técnicas de relaxamento e psicoterapia para complementar os procedimentos de tratamento dermatológico. “Parece inegável que doenças crônicas de pele estão, na maioria dos casos,  associadas a doenças psíquicas como ansiedade e depressão”, afirma Uwe Gieler, da Clínica de Psicossomática e Psicoterapia da Universidade de Giessen, na Alemanha.

Muitas vezes, os problemas físicos e psíquicos entram em um ciclo vicioso: o estresse estimula as reações inflamatórias da pele e a coceira aumenta. Os pacientes se coçam, o que piora ainda mais a inflamação. Assim, principalmente as noites se tornam uma tortura. Instaura-se então um círculo vicioso: as pessoas dormem mal, sua disposição e desempenho durante o dia diminuem e elas tendem a sentir o estresse “normal” de fora especialmente pronunciada, o que prejudica ainda mais os sintomas. Além disso, devido às alterações visíveis da pele, frequentemente se sentem estigmatizadas e emocionalmente fragilizadas.

Alguns programas de acompanhamento têm ajudado crianças, jovens e seus pais a lidar com a patologia. Na Alemanha foi desenvolvido o Consórcio para Treinamento para Conviver com Neurodermite (Agnes, na sigla alemã), com base na psicologia comportamental.  Durante as reuniões, médicos e psicólogos oferecem informações sobre a doença; ensinam, por exemplo, como agem os desencadeadores típicos das crises e como evitá-los. Os pacientes aprendem como cuidar corretamente da pele e o que podem fazer contra a coceira. Administração do estresse e técnicas de relaxamento estão também entre os temas abordados. Além disso, os participantes têm a oportunidade de trocar experiências e buscar os possíveis sentidos que os sintomas ocupam em sua história de vida.

Outro programa, Estudo Alemão sobre Intervenções em Dermatite Atópica (Gadis, na sigla em inglês), realizado com mais de 800 crianças e adolescentes que sofriam de neurodermite, mostrou que um treinamento de seis semanas pode favorecer sensivelmente o estado da pele. Tanto as crianças quanto adultos que cuidavam delas passaram a lidar melhor com a doença e sua qualidade de vida melhorou muito. Um ano após o treinamento, os efeitos ainda permaneciam. Atualmente, especialistas concordam que aprender como superar o estresse psíquico, todos os dias, é essencial para nos sentirmos bem na própria pele.

OUTROS OLHARES

A VELHA PRIVACIDADE

Punição ao Google e à Apple no Brasil por descuido com dados dos usuários de um programa que envelhece feições reacende debate sobre segurança e oferta de aplicativo

Bastava tirar urna selfie e enviá­la ao aplicativo FaceApp, devidamente baixado antes no próprio celular, para receber, em seguida, a imagem de si mesmo com o rosto envelhecido, as rugas virtuais vincando o tempo, saltando os anos em questão de segundos. Também era possível usar a foto para fazer o caminho inverso – e se ver de novo com ares de bebê. Era julho, e brincar com a idade logo se tornou viral. Centenas de milhares de pessoas incluindo celebridades, passaram a compartilhar as suas “versões alternativas” nas redes sociais.

Não demorou e começaram a brotar galerias de imagens do gênero “Veja estes jogadores de futebol envelhecidos” ou “Como serão estas estrelas de Hollywood quando ficarem velhinhas”. Tudo parecia – e era, de fato – muito divertido. Mas havia um lado obscuro, que não demorou a se revelar: a origem do programa que virava a idade de ponta-cabeça era a Rússia. E, bem: a mistura de russos com informações pessoais costuma dar problema. Rapidamente, veio o temor: o aplicativo poderia se transformar no novo perigo mundial da internet?

Ainda em julho, o senador democrata americano Chuck Schumer solicitou ao FBI que fosse investigado qual era o uso dado às imagens quando elas chegavam aos servidores da empresa responsável. Naquele mesmo mês, no Brasil, o Procon pediu aos russos explicações sobre o que era feito com os dados de quem baixava o programa. Recebeu como resposta os termos que deveriam ser aceitos por quem queria instalar o app: “Os usuários disponibilizam o uso perpétuo, irrevogável, irrestrito e livre de royalties de todos os dados que podem ser reproduzidos, modificados, impressos sem necessidade de permissão. Foi com esse documento em mãos que, em 30 de agosto, o PROCON – SP decidiu emitir duas multas no valor total de 13.7 milhões de reais, destinadas não à desenvolvedora do app, a Wireless Lab, e sim ao Google e à Apple, responsáveis por oferecer, em suas lojas, o download do FaceApp. O motivo é que o programa em questão está em desacordo com a legislação brasileira, pois não apresenta seus termos de uso e privacidade em português – só em inglês – e coleta dados sem dar explicações claras sobre o modo como pretende utilizá-los. Isso fere o Código de Defesa do Consumidor e o Marco Civil da Internet.

Segundo especialistas na área, optar por multar os dois gigantes da web, o órgão brasileiro deu margem a um espinhoso debate no universo virtual. Pode-se compreender o porquê. É impossível que se cobre a adequação a normas locais, para cada país, dos mais de 400.000 aplicativos que são criados globalmente todos os anos. Para o advogado Adriano Mendes, especialista em direito digital, as multas direcionadas aos provedores de aplicativos são impróprias e desmedidas para o mundo virtual, que não segue as mesmas regras do mundo real. “O FaceApp coletava mais informações do que o necessário para cumprir sua função e não dizia qual a finalidade disso. No entanto, se formos aderir à multa, Facebook, Instagram e LinkedIn deveriam ter o mesmo tipo de vigilância do Procon”, afirma Mendes.

Tudo somado, pode-se dizer que, no episódio do FaceApp, o Google e a Apple pagaram o pato numa daquelas situações em que o comportamento da sociedade andou mais rápido que a legislação. A norma vigente, no Brasil e no exterior, é clara: às empresas que trabalham com programas e conteúdos de terceiros não precisam revisar o contrato do usuário a fim de verificar sua conformidade com as leis do país em questão, porque isso equivaleria a um tipo de “censura prévia”. O caminho indicado seria uma ação judicial, movida por um órgão de defesa do consumidor – como o Procon -, para a remoção do aplicativo cujos termos de uso e privacidade eventualmente desrespeitem a regra. Criar versões locais para lojas globais de aplicativos representaria um trabalho praticamente impossível se levados em conta os 5,7 milhões de apps disponibilizados por Google e Apple. Exigir um controle rígido impediria o acesso dos usuários a boa parte dos serviços oferecidos por meio dos dois gigantes do Vale do Silício. Apesar de o Brasil estar entre os cinco maiores mercados consumidores de aplicativos do planeta – 20 bilhões de downloads por ano -, sua situação é de dependente dos desenvolvedores, porque cria apenas 2,8% dos apps. Somente na China autoritária tais programas passam pelo crivo do governo – e o Google e a Apple não oferecem aplicativos por lá. Sobre o imbróglio brasileiro, a Apple nada quis comentar. O Google informou que recorrerá da multa.

GESTÃO E CARREIRA

ANSIEDADE E AGONIA

Esses sentimentos são dominantes hoje, mas você não pode deixar que eles afetem sua vida. Mantenha o foco no que é importante para você̆

Assisti a uma palestra de Cristina Panella e Daniel Motta que me impressionou muito. Eles falaram sobre dois sentimentos dominantes atualmente: a ansiedade e a agonia. Concordei imediatamente com a colocação da dupla, porque são essas as duas sensações mais recorrentes que vejo nos executivos que atendo e também em meus queridos alunos.

A ansiedade do “tudo é para já” costuma ser seguida do sentimento de frustração, quando você percebe que responde tão rápido, que não age tão rápido, que não pensa tão rápido… Por causa disso, muitos de nós estão perdendo a noção de tempo e espaço: o amanhã é hoje, e ontem aconteceu faz tanto tempo que nem lembramos o que ocorreu. A predominância dessa ansiedade tem consequências sérias: a superficialidade e a destruição das emoções. Isso porque passamos a agir sem pensar e a falar sem refletir apenas para cumprir a exigência do aqui e agora.

A agonia é o outro problema. E ela aparece numa expressão que os dois palestrantes compartilharam: “Manter-se à tona”. Essa sensação surge de nossa necessidade de estar 100% atualizados em relação à tecnologia e às inovações e do medo de nos tornarmos obsoletos, irrelevantes e dispensáveis. É uma paranoia coletiva. Afinal, é impossível estar atualizado em todos os campos. Escolha uma área, procure ser muito bom nela e se atualize frequentemente.

Mas tenha foco. Não se deixe levar pelos modismos nem por jargões. Por exemplo, hoje todos querem se identificar com a palavra “ágil”. Calma! Essa agilidade não pode fazer com que você perca seu equilíbrio e caia em ciladas e esparrelas comuns aos que fazem as coisas sem pensar.

O ato de pensar antes de agir ainda é o melhor caminho para uma boa decisão. E, mais ainda, procure escolher seu modelo mental de diagnóstico. Isso vai auxiliá-lo muito a fazer as análises mais depressa. Dou uma dica: em primeiro lugar, promova uma avaliação do contexto, ou seja, de tudo o que se encontra à sua volta. Depois avalie exatamente o que você quer e precisa fazer. No momento de solucionar o problema, separe bem os fatos das opiniões. Isso já vai ajudar bastante. Dividir os temas orientando-se por um modelo mental evita que você desperdice seu tempo ou misture os assuntos e se perca no diagnóstico.

Reaja contra a ansiedade, administre bem a agenda e cuide de si mesmo. Lembre-se: a vida é prioritariamente estar com os amigos, com a família e com as pessoas amadas. A evolução do mundo não pode destruir sua felicidade.

LUIZ CARLOS CABRERA – É presidente da L Cabrera consultores e professor da FGV -EAESP

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 6 – COMO DETERMINAR A NECESSIDADE DE LIBERTAÇÃO

A presença e a natureza dos espíritos imundos podem ser reconhecidas por dois métodos principais:

(1) DISCERNIMENTO. 1 Coríntios 12:10 cita “discernimento de espíritos” como um dos nove dons sobrenaturais do Espírito Santo.

Um exemplo da operação do dom de discernimento de espíritos aconteceu comigo dois dias depois do meu batismo no Espírito Santo. Fui convidado a dar meu testemunho numa reunião da organização “Full Gospel Businessmen” e fiquei sentado no palco. Bem no último banco daquele enorme salão estavam vários “hippies”. Um deles levantou-se para chegar à frente. Mais dois de seus colegas o seguiram.

Enquanto eu estava olhando o primeiro rapaz, senti uma dor aguda no estômago, como se tivesse recebido um soco. Virando-me para o desconhecido ao meu lado, perguntei-lhe em voz baixa: “Aquele rapaz está no Espírito do Senhor?” Ele respondeu: “Não sei, mas não parece coisa boa, não!” Eu disse: “Mas ele está endemoninhado”. O irmão continuou dizendo: “Talvez você tenha o dom de discernimento”. Com uma confiança como nunca tinha sentido antes, eu disse: “Eu não sei o que eu tenho, mas sei o que ele tem. Ele tem um demônio”.

Naquela época, eu não sabia quase nada sobre os dons do Espírito Santo e também não tinha estudado nada sobre os espíritos demoníacos. Por coincidência, o “hippie” subiu ao palco, pegou o microfone e levantou as mãos dizendo: “Eu sou o caminho, pois sou Jesus”. Assim, todo mundo reconheceu que ele tinha um demônio.

Enquanto ele voltava para o lado de seus amigos, já na beira do palco, várias pessoas no auditório se levantaram e repreenderam os demônios nos três rapazes. Ninguém os estava tocando, mas eles caíram no chão, derrubados por um poder invisível, o Espírito Santo. Eles foram levados para fora do salão. O resultado daquele incidente foi a conversão de vários membros do grupo “hippie”, pois os três rapazes eram os líderes do grupo.

(2) REVELAÇÃO é o segundo método para reconhecer a presença e a natureza dos espíritos maus.

Por revelação, se entende simplesmente a observação do que os espíritos estão fazendo à pessoa. Quando Jesus andou aqui na terra, Ele reconheceu que o povo estava bem a par da existência dos demônios. Jesus não tinha de os ensinar sobre a existência de espíritos malignos, nem explicar como eles podem habitar no corpo humano; isto já era conhecido por todos.

Um exemplo disso é encontrado no Evangelho de Marcos 7:24-30. Uma mulher siro-fenícia veio a Jesus com um apelo para que Ele expulsasse um espírito imundo da sua filha. No Evangelho de Mateus, num registro paralelo, a mãe diz: “… minha filha está horrivelmente endemoninhada”. Como é que ela sabia disso? Ela sabia pelos sintomas.

Podemos aprender hoje como descobrir ou discernir os espíritos maus pelo que eles estão fazendo à pessoa. Alguns dos sintomas comuns de que há demônios habitando em alguém são:

1. PROBLEMAS EMOCIONAIS

Distúrbios emocionais que persistem e que ocorrem periodicamente. Os distúrbios mais comuns são: ressentimento, ódio, raiva, rejeição (sentindo-se não desejado, não amado), pena de si mesmo, ciúme, depressão, ansiedade, inferioridade e insegurança.

2. PROBLEMAS MENTAIS

Distúrbios na mente ou nos pensamentos, tais como: tormento mental, protelação, acomodação, confusão, dúvida, racionalização e perda da memória.

3. PROBLEMAS VOCAIS

Língua descontrolada. Inclui mentiras, maldição, blasfêmia, críticas, zombaria, maledicência e mexerico.

4. PROBLEMAS SEXUAIS

Decorrentes de pensamentos e atos impuros de sexo. Estes incluem experiências sexuais fantasiosas, masturbação, cobiça, perversões, homossexualidade, incesto, adultério, caráter provocante e prostituição.

5. VÍCIOS

Os mais comuns são: drogas, álcool, nicotina, remédios, cafeína e comida.

6. ENFERMIDADES FÍSICAS

Muitas enfermidades e aflições físicas têm sua origem com os espíritos de enfermidade. (Veja Lucas 13:11.) Quando um demônio de enfermidade é expulso, há necessidade de orar pela cura de qualquer dano feito por ele. Assim, há uma relação entre a libertação e a cura.

7. ERRO RELIGIOSO

QUALQUER envolvimento em erros religiosos pode abrir a porta para os demônios. Os objetos e a literatura de religião errada têm sido como um ímã trazendo os demônios para dentro das casas.

1. RELIGIÕES FALSAS — religiões orientais, religiões pagãs, filosofias e ciências mentais. NOTA: ISSO inclui interesse por ioga e caratê que não podem ser divorciados da adoração pagã.

2. SEITAS “CRISTÃS” – Mormonismo, Testemunhas de Jeová, Unidade e outras. Tais seitas negam ou confundem a necessidade do sangue de Cristo como meio de redenção e salvação.

As seitas incluem também certos clubes, sociedades e agências sociais que usam religião (as Escrituras Sagradas e até Deus) como fundamento, mas omitem o sangue e a redenção. Todos os cultos deste tipo são chamados “religiões sem o sangue”—”tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes” (2 Timóteo 3:5).

3. OCULTISMO E ESPIRITISMO – sessão espírita, feitiçaria, magia, levitação, necromancia, escrita automática, percepção extra-sensorial, hipnose, horóscopo, astrologia, adivinhação, etc. NOTA: É proibido QUALQUER método para procurar conhecimento, sabedoria, liderança e poder sobrenatural senão por Deus (Deuteronômio 18:9-15).

4. DOUTRINA FALSA – 1 Timóteo 4:1 fala de um grande aumento de erros de doutrinas promovido pelos demônios de engano e sedução, nos últimos dias.

Essas doutrinas são designadas para atacar a humanidade e a divindade de Jesus Cristo; negar a inspiração das Escrituras; distrair os cristãos daquilo que o Espírito Santo está fazendo hoje em dia; criar desarmonia no Corpo de Cristo; criar confusão na Igreja, através da obsessão pelas doutrinas, junto com a compulsão de propagá-las; inchar com orgulho e senso de superioridade, por causa da revelação, fazendo a pessoa resistente ao ensino; encaminhar alguém às coisas espirituais por meio de atividades enfaticamente carnais, por exemplo, asceticismo, religião de vegetarianismo (macrobióticos Zen), etc.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

OS CINCO SEXOS DO CÉREBRO

Um psicólogo inglês propõe a provocativa explicação para as diferenças entre o cérebro do homem e da mulher. O autismo seria um comportamento masculino extremo, e os sexos não seriam dois, mas cinco

É comum considerar que homens e mulheres sejam diferentes. Mas quão diferentes e, principalmente, por que tal distinção? A incompatibilidade entre os dois sexos é algo corriqueiro, mas sua causa sempre foi tema de debate entre filósofos, sociólogos e psicólogos. Os manuais de auto- ajuda chegam a descrever homens e mulheres como habitantes de mundos diversos. A ideia de mundos inconciliáveis hoje faz parte do imaginário coletivo, superando as antigas ironias sobre as limitações do cérebro feminino. Esse pensamento talvez tenha alguma utilidade no convívio diário, mas não serve para compreendermos em que consiste a diferença. Daí a atenção despertada na comunidade científica, e não só nesta, pelos estudos do psicólogo inglês Simon Baron-Cohen, reunidos no livro Diferença essencial.

Professor na Universidade de Cambridge, onde dirige o Centro de Pesquisa do Autismo, Baron-Cohen considera haver contribuído para o esclarecimento do antigo dilema ao estudar a  peculiaridade do comportamento autista: “Comecei a me interessar pelas diferenças entre o cérebro masculino e o feminino em 1995, quando me dei conta de que os processos psicológicos que estudava nas crianças autistas eram distribuídos de forma diferente conforme o sexo”. Baron-Cohen interessou-se especialmente pelas formas mais leves de autismo, como a síndrome de Asperger, não associadas a um déficit cognitivo. Os que sofrem desse problema – a maioria, estranhamente, é do sexo masculino – são atentos aos detalhes e em muitos casos têm extraordinária capacidade de abstração e de cálculo, mas sentem dificuldade para interagir com seus semelhantes e para compreender emoções e sentimentos.

Segundo Baron-Cohen, algumas formas de autismo não seriam mais do que um comportamento masculino extremo. Haveria dois modelos “de base” do cérebro. Um deles seria o sistemático, próprio à maioria dos indivíduos do sexo masculino, inclinado a compreender e construir sistemas e a descobrir as regras que desvendam como as coisas “funcionam”. Meninos desse tipo escolhem brinquedos mecânicos ou de armar, interagindo com amigos que são, sobretudo, companheiros de brincadeiras e de aventuras, quando adultos, preferem trabalhos que lhes permitem “construir” alguma coisa e se divertem com atividades manuais ou praticando esportes com os amigos. Mas haverá também entre eles, salienta Baron-Cohen, estupradores e um percentual de assassinos maior do que o encontrado entre as mulheres: estupro e homicídio são dois comportamentos caracterizados por baixo nível de empatia.

O outro modelo seria o do cérebro empático, preferencialmente feminino, inclinado a compreender os sentimentos e as emoções do outro, e atento a como reagir a eles de forma adequada. Meninas assim gostam das complicadas dinâmicas sociais; quando moças, passam o tempo conversando com as amigas, analisando nos mínimos detalhes suas relações, sentimentais ou não, e na idade adulta tendem a se interessar por profissões que permitam contato com o público. O cérebro empático hesita diante de raciocínios matemáticos complexos e tem dificuldade para se orientar com um mapa. Escolhe sinais da paisagem em vez de analisar o espaço como um sistema geométrico.

Mas estes são apenas dados estatísticos. “Há mulheres sistemáticas e homens empáticos” – sustenta Baron-Cohen – “e muitos indivíduos têm um cérebro ‘equilibrado ‘, no qual as duas características estão presentes em grau similar, mas os cérebros empáticos são maioria entre as mulheres e os sistemáticos entre os homens.” O psicólogo inglês sabe que tocou em um tema polêmico. “Passei cinco anos escrevendo este livro, porque se tratava de um argumento demasiado ‘politicamente incorreto’ para ser apresentado nos anos 90”, ele admite. Suas conclusões parecem deliberadamente elaboradas para suscitar consenso entre as leitoras – “já sabíamos” é o comentário feminino mais frequente – e reações indignadas por parte dos leitores. E isto apesar de o psicólogo advertir que seria preciso identificar o análogo feminino do autismo, um comportamento “cego aos sistemas”, mas dotado de alto grau de empatia, que – por motivos ainda a serem esclarecidos – não é catalogado como patológico. Seria simplista reduzir a pesquisa de Baron-Cohen a mais uma versão dos estereótipos de gênero: “Meu trabalho nada tem a ver com manuais como Homens são de Marte, mulheres são de Vênus. Todas as minhas afirmações se baseiam em dados empíricos comprovados”.

Para saber quanto de nosso comportamento é inato e quanto se deve aos modelos transmitidos desde a infância, Baron-Cohen e seus colaboradores realizaram um experimento em que imagens de rostos humanos e bonecos mecânicos foram mostrados a recém-nascidos. Descobriram então que, com apenas um dia de vida, as meninas têm mais interesse nas faces, enquanto os meninos dão mais atenção aos autômatos. Com o passar do tempo, os meninos tendem a ser mais egocêntricos, menos atentos às dinâmicas sociais e mais inclinados à agressão direta, ao passo que as meninas manifestam agressividade relacional, excluindo a pessoa indesejada ou falando mal dela.

O psicólogo reconhece que “é difícil registrar uma informação neutra quando as crianças, logo que nascem, são vestidas de rosa ou azul. Sabemos que os adultos se comportam de modo diverso conforme o sexo do recém-nascido”. Mas as provas parecem sólidas, e Baron-Cohen não teme as críticas dos que, como o neurobiólogo Steven Rose, acusam­ no de dar excessiva importância aos aspectos biológicos e ignorar os estudos que contradizem sua teoria, “É Rose quem radicaliza quando sustenta que todas as diferenças nascem das influências do meio. Não nego a importância destas, que são fundamentais, mas elas não bastam para explicar diferenças que se manifestam no momento do nascimento, ou até mesmo antes”.

Sabe-se que crianças do sexo masculino nascidas de mães que durante a gravidez foram tratadas com dietilestilbestrol – hormônio feminino sintético usado antigamente para prevenir abortos espontâneos – tendem a apresentar comportamento empático. Mas a confirmação mais interessante é fornecida por um estudo realizado por Baron-Cohen e colaboradores sobre o líquido amniótico, retirado para diagnosticar eventuais problemas de formação e conservado após o nascimento da criança. Medindo-se, durante o terceiro mês de gravidez, o nível de testosterona no líquido e observando-se o comportamento das crianças entre os 2 e 4 anos de vida, notou-se que tanto os meninos quanto as meninas com nível hormonal mais baixo mostravam melhor capacidade verbal e tendiam a manter contato visual mais prolongado. O pesquisador comenta: “Admito que senti um calafrio ao perceber como uma pequena quantidade de hormônio pode influenciar nosso comportamento. Estamos percebendo o quanto os hormônios influem em nosso modo de ser, e isto vale para os dois sexos. É interessante notar como a testosterona fetal, que pesquisei, exerce efeitos análogos sobre meninos e meninas”.

Suas pesquisas propõem uma divisão em sexos mais articulada do que a tradicional. Ele explica, “Podemos considerar nosso sexo em pelo menos cinco níveis diferentes, cada um dos quais pode ser independente dos outros. Há o sexo genético ou cromossômico – XY corresponde ao sexo masculino, XX ao feminino – e o sexo gonádico, somos do sexo masculino se temos testículos que produzem hormônios masculinos, e do sexo feminino se temos ovários que produzem hormônio feminino. Há o sexo genital, masculino se há um pênis normal e feminino se há uma vagina normal, além da identidade de gênero e de orientação sexual. Não é complicada a vida”.

Ironias à parte, Baron-Cohen não pretende traduzir suas pesquisas em juízos de valor. “Não digo que os homens sejam mais inteligentes do que as mulheres, mas que, na média, têm habilidades diferentes”. Isto pode ser afirmado apesar dos testes de inteligência que, com todas as suas perguntas de matemática, parecem feitos para exaltar as qualidades masculinas. “Na realidade, contesta o psicólogo, os testes contêm diversos tipos de pergunta, as verbais são mais adaptadas a um cérebro empático, as outras ao sistemático. Mas isto não quer dizer que um dos sexos seja melhor. “É curioso, porém, que a empatia seja uma qualidade tão apreciada em uma sociedade historicamente dominada por homens “sistemáticos”. Baron-Cohen explica que “carecer de empatia não significa ser cruel ou insensível, mesmo parecendo que a pessoa ignora os sentimentos alheios. A maioria das pessoas com síndrome de Asperger, que conheci tinha elevado senso moral, mas se baseava mais na racionalidade do que na empatia”.

É possível que a seleção dos cérebros empáticos e sistemáticos tenha sido condicionada pelas tarefas historicamente atribuídas aos dois sexos. “Se pressupusermos que a criação dos pequenos é uma tarefa feminina, é razoável pensar que um comportamento empático, envolvendo a capacidade de entender as exigências da criança tenha melhor adaptação, contribuindo para garantir a sobrevivência da prole. O comportamento sistemático teria sido mais útil para construir instrumentos de caça ou para estudar o território na perseguição à presa”. Se isto for verdade – mas Baron-Cohen adverte que “as teorias evolutivas são de difícil verificação” – homens sistemáticos e mulheres empáticas teriam maiores possibilidades de transmitir seus genes do que indivíduos mais “equilibrados”.

Resta o fato de que, atualmente, não parece mais ser possível sustentar que exista um único modelo de cérebro, de aprendizado e de relação com os outros. Invocando as pesquisas que podem estabelecer as bases de uma nova política de diferenciação, Baron-Cohen lança um apelo em favor do respeito e da aceitação das diferenças: “Hoje temos um modelo educativo único. Mas é cada vez mais evidente que as crianças chegam à escola com estilos de aprendizado muito diferentes. Se tratamos todas do mesmo modo, algumas serão prejudicadas”.

OUTROS OLHARES

A REVOLUÇÃO DO PALADAR

De refrigerantes com frutas a iogurtes orgânicos e sucos com fabricação sustentável – como a indústria da alimentação está se adaptando ao novo (e exigente) consumidor

Antes da Queda da Bastilha houve outra revolução francesa, à mesa, no século XVII – os pratos inundados de especiarias, muitas vezes intragáveis, à base de carnes de caça, deram lugar a uma sinfonia de cremes gordurosos, manteiga, ovos, geleias ­ compotas e musses, para “comer sem que fosse necessário o espetáculo áspero e prosaico da mastigação” como se dizia na época. Era um festival para o palato, um sonoro non à teoria dos quatro humores de Hipócrates que vigorava até então, e para quem a saúde era resultado de rigoroso e insosso equilíbrio entre fleuma, sangue, bílis amarela, e bílis negra, regidos pela alimentação. Naqueles tempos centrífugos um renomado chef britânico Robert May, cobrou de Luís XIV (1638-1715) em um minucioso livreto; a exagerada preferência gaulesa “pelos molhos e não pelas dietas”. May lamentava o suposto desequilíbrio imposto por uma culinária que, a partir daí, rezaria pela cartilha do gosto, e o corpo que se virasse.

Passados quatro séculos, a escória virou povo. Maria Antonieta perdeu a cabeça, e May finalmente começa a ser ouvido. Vive-se, hoje, uma revolução do paladar, na definição da endocrinologista Claudia Cozer Kalil, do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo – revolução comandada, e não há aí exagero algum, muito mais pela dieta do que pelos molhos. Ou, em termos mais precisos: o império hoje é o dos cuidados com a saúde, locomotiva de fenomenais – e aparentemente definitivas – transformações na indústria de alimentos. A sociedade exige uma cozinha mais equilibrada, mais zelosa, menos adocicada, como se milhões, bilhões de mestres-cucas ingleses estivessem erguendo a voz contra uma antiga escola de forno e fogão (embora, ressalve-se, nem mesmo o mais empedernido dos jacobinos da atualidade ouse abandonar um bom tempero). Há um modo econômico de medir esse movimento, incontestável, puxado pela geração dos millennials, nascida entre 1980 e 1995, e que influencia hábitos de pais e avós.

Pesquisa mundial conduzida pela Deloitte, empresa especializada em consultorias e auditorias, mostra que nove em cada dez companhias de alimentação introduziram em 2017 ao menos um produto formulado ou reformulado para atender o consumidor em busca de um cotidiano mais são. Outro levantamento, do instituto Euromonitor, identificou globalmente uma expansão anual de 1,8% do mercado de comida industrializada saudável, ante 1,5% do lote tradicional, banhado de conservantes e similares. No Brasil o naco sadio não para de crescer – chegou, em 2018, a 10,7% do total de vendas do setor.

Em rápida transformação, os novos rumos da alimentação atraíram mega­investidores de outras áreas como o apresentador de televisão e empresário Luciano Huck, Oskar Metsavafut, dono da grife Osklen; e o empresário Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira. Os três são sócios da marca de sucos e snacks Greenpeople, criada em 2014. Os produtos são 100% naturais (uma embalagem de 350 mililitros corresponde a cerca de 1,5 quilo de frutas e vegetais prensados), e preparados de forma sustentável (prioriza-se o uso de ingredientes provenientes da agricultura familiar. Seis meses após a abertura da fábrica, o faturamento dobrou. Em 2018m a receita bruta foi de 21 milhões de reais. A estimativa é que chegue a 40 milhões de reais neste ano e salte para 70 milhões de reais em 2020. “A busca por alimentos saudáveis é irreversível, disse Luciano Hulk. “Eu mesmo mudei meus hábitos ao longo dos anos. A Angélica, que é a guardiã da despensa e da geladeira lá em casa, quer diminuir a quantidade de açúcar refinado na alimentação da família e trazer produtos naturais e orgânicos para a mesa.”

O desafio, ressalta Hulk, é oferecer opções por um preço mais acessível, ao alcance de todos. O controle na elaboração de um produto orgânico, que vai do cuidado com o adubo utilizado nas plantas ao pasto que alimenta os animais; faz uma iguaria dessa categoria custar pelo menos 20% a mais em relação às regulares. Mas é justamente o zelo com toda a cadeia ele produção um dos grandes motivos de atração para o consumidor. Diz Oskar Metsavabt: “O alimento saudável dá dinheiro porque deflagra novas experiências, mexe com a vida e a cultura das pessoas”. Somos, enfim, o que comemos – e nunca, como hoje, a sociedade impôs tanta reconstrução do que levamos à boca. Foi. sempre assim, na história da alimentação, mas a roda gira mais veloz. Comida, enfim, é moeda para entender a história econômica e social da civilização. As primeiras conservas de longa duração foram criadas para alimentar soldados franceses nos tempos de Napoleão. O imperador ofereceu um prêmio a quem inventasse um processo de preservação de mantimentos por longos períodos. O vencedor demonstrou que alimentos fervidos em potes de vidro hermeticamente fechados mantinham- se ao longo de meses. As conservas pioneiras foram. feitas em garrafas de champanhe. No início do século XX, a chegada das geladeiras às casas ampliou as opções alimentares. Nos anos 1950, as várias formas de empacotamento e apresentação dos alimentos permitiram o planejamento de um cardápio inteiro à base de produtos industrializados – enlatados, desidratados, congelados. Até que as preocupações com a saúde, marco de nosso tempo, fizeram tudo mudar.

Não é simples, como em toda grande guinada comportamental. E há um vilão: o açúcar. Nos anos 1960, a Associação da Indústria de Açúcar dos Estados Unidos chegou a lançar campanhas exibindo o produto como um item saudável e até regulador de apetite. Já eram mais do que conhecidos os efeitos nocivos para o organismo – os primeiros estudos relacionando o consumo do ingrediente a problemas cardíacos datam da década de 20. Já não há espaço para desinformação e, no Brasil, o afastamento de antigos hábitos será ainda mais difícil. O açúcar definiu a identidade nacional. Nosso paladar é um dos mais avessos aos sabores amargos. No Brasil, uma barra de chocolate, para ser considerada chocolate deve ter ao menos 25% de cacau em sua composição. É pouco. O porcentual mínimo em outros países gira em torno de 33%. Quanto menos cacau, mais doce é o Chocolate. A Organização Mundial da Saúde libera o consumo diário individual de 25 gramas de açúcar, o, equivalente a seis colheres de chá. Amédia brasileira: 80 gramas, três vezes mais. Há nove meses, o Ministério da Saúde fez um acordo com a indústria para a redução de açúcar na produção de alimentos. O objetivo é retirar do mercado de forma gradual; até 2022, 144.000 toneladas de açúcar em algumas categorias, como bebidas; biscoitos, bolos e lácteos. Um pacto semelhante, ocorrido em 2011 em relação ao sal conseguiu retirar 17.000 toneladas do composto de produtos industrializados. O acordo foi renovado em 2017, agora com a meta de eliminar mais 28.500 toneladas até 2020.

São decisões que, há algumas décadas soariam como anátemas, mas que, em plena revolução do paladar fazem sentido. Quem haveria de imaginar, até muito recentemente, que hambúrgueres desenvolvidos a partir de vegetais, os chamados plant-based, na expressão em inglês, seriam recebidos com felicidade até pelos mais apaixonados amantes de fast- food?

Assim é, e só chegamos a esse ponto porque a tecnologia de alimentos, pressionada pela procura do saudável, soube desenvolver mecanismos científicos que concedem gosto bom ao que se pretende do bem, e que antes, outro dia mesmo, não tinha graça alguma para a gustação. Não há exemplo mais fascinante do que a americana Impossible Foods, a dos hambúgueres veganos, que desenvolveu uma substância similar à hemoglobina presente no sangue dos animais para dar sabor à carne que não é carne. Bem-vindo aos humores do século XXI – em que não basta ser gostoso, mas também não basta só fazer bem.

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 5 – COMO OS DEMÔNIOS ENTRAM

Os demônios são personalidades más. Eles são seres espirituais. São inimigos de Deus e do homem. Os objetivos deles, nos seres humanos, são: tentar, enganar, acusar, condenar, pressionar, corromper, resistir, opor-se, controlar, roubar, afligir, matar e destruir.

Os demônios entram pelas “portas abertas”. Eles precisam de uma oportunidade. Tem de haver uma abertura, uma brecha. Em outras palavras, não se pega um demônio por andar na rua e, por acidente, encontrar-se com um deles procurando uma “casa”. Pela organização do seu reino, Satanás torna-se capaz de atacar a cada um de nós pessoalmente.

Não há uma pessoa na face da terra que escape à sua atenção. Ele tem um plano para destruir cada criatura humana. E espantoso reconhecer que você e eu somos os alvos de Satanás. Mas como é que ele consegue entrar?

O PECADO

A porta para a entrada dos demônios pode ser aberta pela própria pessoa por meio de pecados, tanto de omissão quanto de comissão. No livro de Atos, capítulo 5, lemos sobre um casal chamado Ananias e Safira. Eles venderam certos imóveis e a renda total seria destinada à igreja. Mas, sendo tomados por cobiça, resolveram ficar com uma parte do dinheiro. Para esconder esse ato, eles inventaram uma mentira. Mas, de modo sobrenatural, Pedro recebeu a palavra de conhecimento a respeito da mentira. Pedro perguntou a Ananias por que ele tinha se aberto ao diabo.

“Então, disse Pedro: Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo?” (Atos 5:3.)

Por causa do seu pecado, Ananias e Safira abriram-se para receber os espíritos de cobiça, mentira e engano. A mesma coisa pode acontecer com qualquer pessoa que peque premeditadamente.

Em Gálatas 5 encontramos uma lista das “obras da carne”, em número de 17, inclusive os pecados de adultério, impureza, lascívia, feitiçaria, ódio, ira, dissensões, inveja, homicídio, bebedeiras, etc.

Por minhas experiências em libertação, tenho encontrado demônios que correspondem a cada uma dessas classificações. Então, qual é a relação entre as obras da carne e as obras demoníacas? Quando a pessoa se rende à tentação, ela peca na carne. Por meio de tal pecado, a porta está aberta para a invasão do inimigo. Assim, ela tem um problema sério: a carne e o diabo. A solução tem duas partes: a crucificação da carne e a expulsão dos demônios.

Um exemplo clássico de uma porta aberta pelo pecado de omissão é a falta de perdão. No caso do servo (Mateus 18), ele foi entregue aos “verdugos” — os atormentadores – por não ter perdoado seu colega, depois que ele mesmo fora perdoado por seu rei.

Deus nos adverte que todos os que experimentaram seu perdão e recusam perdoar a outros serão entregues aos atormentadores. Que designação poderia ser mais clara que “atormentadores”? A falta de perdão abre a porta ao tormento, ressentimento e ódio, tanto quanto outros espíritos da mesma parentela

AS CIRCUNSTÂNCIAS DA VIDA

Os espíritos maus não têm nenhum senso de justiça. Eles nunca hesitam em aproveitar os momentos mais fracos de nossa vida. Uma criança é completamente dependente dos outros para sua proteção. Sem dúvida nenhuma, a maioria dos demônios encontrados em meu ministério de libertação tem conseguido entrada nas pessoas durante a infância. Os pais cristãos devem entender sua responsabilidade de proteger seus filhos tanto quanto a de libertá-los da opressão demoníaca.

Uma das primeiras perguntas feitas no período de aconselhamento pré libertação é: “Como eram suas relações com seus pais quando você era criança?” Na maioria dos casos, isso abre a porta para recordar as queixas contra os pais. Muitas vezes tenho ouvido respostas assim: “Meu pai era um alcoólatra”. Eles continuam relatando vários medos associados com essa situação no lar. Houve insegurança, acompanhada pela pobreza, resultado do vício do pai.

Uma criança criada num ambiente desses fica envergonhada com a situação. O jeito mais rápido para entender quais foram as portas deixadas abertas para a entrada dos demônios é ouvir a história da infância da pessoa.

O ARTIFÍCIO DA HERANÇA

Múltiplos casos têm sido encontrados nos quais espíritos maus vieram habitar nas pessoas pelo artifício da herança. Se uma criança é informada de que ela é igual aos seus pais e que vai herdar suas fraquezas, ela se torna vulnerável. Minha mãe era uma pessoa bem nervosa. Quando eu era menino, ela sofreu um esgotamento nervoso.

Fiquei com medo que sua fraqueza fosse minha herança. O medo de ficar nervoso, de fato, abriu-me a essa realidade. Meus nervos começaram a enfraquecer-se. Era como se fosse algo estranho que estivesse dentro do meu corpo, movendo-se lentamente. Fiquei muito fraco e sem capacidade para cumprir meus deveres pastorais. O médico me receitou barbitúricos, que me fizeram sentir tanto sono, que eu tinha de ir para a cama.

Meus deveres acumulavam-se e eu ficava mais nervoso ainda. Eu estava numa escada rolante, sem meio de escapar. Várias vezes, eu quase desisti do pastorado. Cinco anos atrás fui liberto do demônio dos nervos e dos espíritos relacionados com ele. Acabaram-se os nervos que engatinhavam dentro de mim e também as drogas. Os demônios que me diziam que eu tinha de ser como minha mãe eram mentirosos!

Se deixarmos, Satanás nos dará nossa herança. Mas o salmista disse de Deus: “Escolheu-nos a nossa herança” (Salmo 47:4a).

Eu conheço outros como eu, que aceitaram as mentiras e os medos proferidos pelo diabo. Muitas pessoas são derrubadas pelo medo da fraqueza mental. Porque um dos pais sofreu esse problema, o diabo diz: “Isto é sua herança”. Você sabia que alguém pode ficar tão obcecado pelo medo da doença mental que acaba ficando hospitalizado? Tenho visto muitas pessoas libertas desse tipo de medo atormentador.

Meu próprio pai faleceu de um ataque cardíaco. Minha mãe estava morrendo do coração. Tias e tios tinham falecido com a mesma doença. O diabo falou comigo que essa era minha herança. Fui ao médico para fazer um “check-up”. Ele me perguntou sobre minha família e da saúde deles. Ao ouvir que tinha doença do coração na família, ele disse que provavelmente eu sofreria da mesma maneira.

Ao fazer 46 anos, fiquei hospitalizado por dores no tórax. Quando sofri o ataque, alguém me deu um remédio e a dor passou num instante. O médico não achou nada errado com meu coração, mas tinha certeza de que eu tinha sofrido um leve ataque do coração. Dois meses mais tarde eu tive um segundo ataque. Isso aconteceu num domingo de manhã ao levantar-me.

Nessa época eu já tinha aprendido sobre a operação de espíritos demoníacos. Avisei a congregação que tinha marcado para aquela tarde uma reunião de oração, toda especial, e que eles iriam ministrar a libertação, expulsando de mim o demônio de ataque cardíaco. Isto foi há cinco anos, e nunca mais senti dor nenhuma no meu peito, e nunca mais vou sofrê-la. Não aceito a herança de que o diabo fala, mas aceito a cura e a saúde do Senhor Jesus.

“O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.” (João 10:10.)

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

MOVIDOS PELO PENSAMENTO

Pessoas com paralisia já podem se expressar através de sistemas de decifração de pensamento, tecnologia que futuramente permitirá o controle da própria cadeira de rodas, próteses – e até músculos

Vejam só o infortúnio de Hans-Peter Salzmann. O ex- advogado de 49anos, está confinado a uma cadeira de rodas e não pode comer nem respirar por conta própria. Nos últimos 20 anos ele tem sofrido de esclerose amiotrófica lateral, também conhecida por EAL ou doença de Lou C. Chrig, moléstia degenerativa incurável que afeta as células nervosas e compromete todo o sistema motor voluntário. Para ditar palavras, Salzmann pisca seu olho esquerdo para selecionar letras de uma lista impressa numa prancha, processo entediante que exige um intérprete bastante experiente. Às vezes suas pálpebras estão muito fracas para conseguir selecionar as letras. Em alguns casos, pessoas com EAL, derrames cerebrais e outros problemas podem perder completamente a capacidade de se mexer – tornando-se uma mente em pleno funcionamento “presa” a um corpo imobilizado.

Hoje em dia, tecnologias chamadas de interface cérebro-computador, que leem aspectos da atividade cerebral e reagem a eles, começam a oferecer a pacientes como Salzmann meios de continuarem a se expressar, a despeito de suas limitações. Os sistemas permitem à pessoa usar sua mente para guiar cursores numa tela e se comunicar. Algum dia, eles talvez possibilitem o comando mental de equipamentos de controle do ambiente em uma casa, de cadeiras de rodas e de próteses “inteligentes”. Desde 1929, quando Hans Berger fez a primeira descrição do eletroencefalograma (EEC), um instrumento capaz de ler impulsos elétricos produzidos por células nervosas, especula-se que ele talvez pudesse ser usado para comunicação e controle. Eletrodos ligados à cabeça medem a diferença de voltagem, ou o potencial, entre dois pontos do cérebro. Alguns laboratórios criaram protótipos de interfaces cérebro-computador na década de 80, e os vêm aprimorando desde então.

Um desses sistemas, criados por um de nós (Birbaumer) e seus colegas do Instituto de Psicologia Médica e Neurobiologia Comportamental de Tübingen, Alemanha, é o Aparelho de Tradução de Pensamentos, que funciona segundo o princípio da bio retroalimentação.  Desde 1996 Salzmann e outros dez pacientes paralisados de diferentes partes do mundo estão testando o tradutor. Usando o aparelho para informar o status de ondas cerebrais chamadas potencial cortical lento (PCL),o paciente aprende a controlar um aspecto da fisiologia normalmente imperceptível. Ao contrário dos pulsos com duração de milésimos de segundo medidos pelo EEG, as PCLs duram vários segundos. Essa velocidade relativamente lenta faz das PCLs as ondas cerebrais mais fáceis de detectar por meios externos e de ser controladas pelo paciente. Essas ondas cerebrais não estão necessariamente relacionadas a ações ou sensações concretas, na verdade, elas correspondem ao estado geral da atividade cerebral.

Eletrodos presos à cabeça registram as ondas cerebrais, que são então ampliadas, transmitidas a um processador de controle dotado de um transformador analógico-digital e daí enviadas a um computador portátil. No monitor, é possível ao paciente observar a progressão de suas PCLs num cursor móvel. Quando a máquina lê um potencial elétrico negativo, o cursor responde subindo, um potencial positivo faz o cursor descer. O desafio é aprender conto mover deliberadamente o cursor em direção a um dos objetivos, para cima ou para baixo. Quando o paciente consegue, ele ganha um ponto e um rosto sorridente aparece – essa simples recompensa aumenta significativamente o índice de acertos. O paciente repete a atividade centenas de vezes em cada sessão. Após algumas semanas, muitos deles são capazes de guiar o cursor corretamente em 70% a 80% das vezes.

Quando perguntados como controlam suas PCLs, os pacientes dão várias respostas. Salzmann diz que, quando quer fazer o cursor subir, tenta não pensar em nada. Para abaixar o cursor, ele imagina uma situação que envolva antecipação e reação – como um semáforo mudando de vermelho para verde ou um corredor de provas de velocidade dando a largada. Outros podem pensar em palavras específicas ou tarefas anteriormente realizadas que exigiram concentração. Alguns não pensam em nada específico, mexendo o cursor da mesma forma como fariam para mover algum membro do corpo, sem fazer nenhuma associação.

Uma vez que o paciente tenha dominado como controlar o cursor, ele pode usar essa habilidade para selecionar letras na parte inferior da tela. Se a letra que ele deseja não está lá, o paciente aponta a falta dirigindo o cursor para longe do campo das letras. A cada vez que ele recusa um conjunto de letras, um novo conjunto aparece, o qual ele ou aceita ou rejeita. Cada grupo selecionado é dividido em dois, até que só reste a letra desejada. O sistema também tem uma lista de palavras de uso frequente para serem selecionadas.

Mesmo com o auxílio dessa ferramenta, pode levar quase uma hora para escolher 100 letras ou vários dias para escrever uma carta. Ainda assim, a capacidade de se comunicar sem o auxílio de um intérprete tem permitido a pacientes retomar uma parte muito importante de suas vidas.

Seria preferível tornar possíveis conversas espontâneas, mas isso exigiria grande desenvolvimento da tecnologia disponível. Com esse objetivo, nosso grupo de pesquisa em Tübingen começou a trabalhar, no início de 2000, com Jonathan Wolpaw e seus colegas do Centro Wadsworth do Departamento de Saúde do Estado de Nova York, entre outros. Juntos, criamos o BCl2000, uma plataforma flexível e universal na qual podemos testar novas tecnologias de ondas cerebrais.

Os cientistas da equipe de Wolpaw não trabalham com PCLs, mas com ondas mu, que têm frequências entre 8 e 12 hertz, e ritmos beta, com aproximadamente o dobro dessa frequência. O sistema permite a uma pessoa fazer subir ou descer o cursor pelo aumento ou a diminuição da amplitude das ondas mu ou do ritmo beta. Essas oscilações ocorrem quando o indivíduo utiliza sua capacidade de coordenação motora ou simplesmente quando ele imagina esses movimentos, uma estratégia muito usada é imaginar que se está levantando ou abaixando a mão ou outra parte do corpo.

Com a interface cérebro-computador operando por duas ondas, os pacientes paralisados podem escolher o sinal que controlam com mais precisão. Também há novos programas de interpretação que permitem a diferenciação entre mais de dois estados do cursor – por exemplo, ele também pode ser movido para a esquerda e para a direita, além de para cima e para baixo.

Outro tipo de sensor de ondas cerebrais integrado ao equipamento BCl2000 é o detector do potencial cortical P300, um breve aumento da voltagem que atinge seu máximo aproximadamente 300 milésimos de segundo após o cérebro registrar o início de um acontecimento surpreendente. Emanuel Donchin, psicólogo emérito da Universidade de Illinois, atualmente na Universidade do Sul da Flórida, tem se dedicado a estudar “potenciais corticais conectados a eventos”, particularmente o P300.

O sistema de Donchin baseia-se no fato de que o cérebro humano reage a estímulos novos de modos muito diferentes de como reagiria a estímulos já conhecidos – nesse caso, a reação à letra desejada em vez de outra qualquer.  O indivíduo foca sua atenção em um caractere específico numa matriz de letras: enquanto as linhas e colunas da matriz acendem uma após a outra separadamente, a pessoa deve contar quantas vezes a letra desejada aparece. Quando o cérebro nota que “Lá está ela!”, gera um potencial cortical 300. Um programa de computador verifica quais linhas e quais colunas produziram ondas P300, identificando desse modo a letra desejada. Estudantes sem debilidades neurológicas que participaram de testes foram capazes de selecionar até oito letras por minuto, com alto grau de precisão. Atualmente, os pesquisadores estão testando o funcionamento da interface cérebro-computador e Donchin com pacientes paralisados.

Uma vantagem desse método é que ele pode reconhecer pensamentos entre categorias predeterminadas – neste caso, letras do alfabeto – sem passar pela árdua tarefa de aprender a regular a atividade cerebral, como nos detectores de PCL, A desvantagem é que o aparelho não compreende nada do que se passa pelo cérebro que esteja fora daquelas categorias predeterminadas.

Levando a ideia de controle mental um passo além do cursor, José dei R. Millán e seus colegas do Instituto Dalle Molle de Inteligência Artificial da Percepção em Martigny, Suíça, desenvolveram uma interface que analisa padrões gerais de sinais de EEG em oito pontos da cabeça. Ele capta as diferenças de padrões produzidos ao se pensar em coisas bastante distintas. Utilizando um algoritmo da rede neural, um computador aprende a distinguir três tipos de pensamento. Assim, é capaz de acionar um comando programado com base nos padrões mentais detectados. Nas experiências, indivíduos saudáveis aprendem a dirigir um pequeno robô com rodas (um sucedâneo de uma cadeira de rodas inteligente).

Os sistemas aqui descritos dependem da mensuração de EEG das atividades de milhões de células nervosas – fazendo com que essas abordagens sejam relativamente imprecisas. O procedimento pode ser comparado à tentativa de ouvir a conversa de duas pessoas sentadas em um estádio lotado, com o uso de um microfone direcional posicionado no estacionamento. Não seria muito mais prático escutar as conversas entre células nervosas estando mais perto?

Miguel A. L. Nicolelis e seus colegas da Universidade Duke, EUA, estão tentando criar exatamente esse tipo de situação. Em 2001 eles implantaram conjuntos de multimicroeletrodos em várias regiões do córtex motor de macacos. Os macacos usavam um joystick para guiar o cursor numa tela de computador até um ponto determinado, enquanto Nicolelis media os sinais relacionados a esse movimento em até 92 neurônios motores por meio dos conjuntos de eletrodos implantados. Os macacos precisavam repetir o movimento das mãos várias vezes para que a equipe de Nicolelis pudesse calcular um algoritmo matemático que descrevesse corretamente a atividade das células nervosas individuais. Depois disso, o joystick era desligado, e o controle do cursor era deixado exclusivamente à atividade das células nervosas. Os macacos guiavam o cursor apenas com o pensamento – provavelmente por meio da visualização do caminho que ele deveria realizar.

Um avanço significativo, já que foi a primeira vez que os cientistas conseguiram traduzir um sinal neural baseado inteiramente numa visualização em movimento real em duas dimensões. Com um equipamento como esse, a leitura do pensamento pode se tornar realidade. Se a atividade cerebral for medida no momento exato em que alguém tem um pensamento, esse mesmo pensamento poderia ser reconhecido posteriormente, por meio de comparação com o registro de uma atividade idêntica.

Mas quantas das ideias que diariamente passam por nossa cabeça poderiam ser relacionadas a padrões de ativação correspondentes? Na verdade, um pensamento não é imaginado pelo disparo de apenas uma célula nervosa, mas pela atividade de estruturas celulares inteiras. Essa rede neural combina aspectos individuais de partes da informação numa impressão completa.

Por exemplo, ao entrar em um café, uma mulher imediatamente sente o desejo de tomar uma deliciosa e fumegante xícara de cappuccino, como a que ela vê no balcão. Esse desejo é representado por atividades simultâneas de várias células nervosas, alguns neurônios reagem ao cheiro do café, outros à cor e ao formato da xícara, e outros trazem à memória a lembrança de sua última xícara de cappuccino.

Para “mensurar” esses pensamentos, não basta registrar quais células nervosas estão sendo ativadas ao mesmo tempo e quais processos eletroquímicos que acompanham o evento. É necessário saber também o que essas células representam para aqueles indivíduos – por exemplo, se os impulsos neurais do hipocampo, o centro de armazenamento de memórias do cérebro, representam experiências anteriores agradáveis ou desagradáveis com cappuccino. Esse processo de reconhecimento da relação entre sinal e memória exigiria registrar a atividade de milhões de células nervosas individuais, e a obtenção de tal imagens ainda não é possível nem mesmo com as mais avançadas tecnologias de visualização e os procedimentos mais invasivos de mensuração da atividade cerebral.

Testes desses aparelhos de leitura da mente em seres humanos ainda estão muito distantes. Apesar disso, o trabalho de Nicolelis e outros criam a esperança de que interfaces cérebro­ computador permitirão algum dia a pessoas paralisadas controlar o ambiente à sua volta, e talvez até seus próprios corpos. A partir dessa ideia, Patrick D. Wolf também da Universidade Duke, construiu um protótipo de neurochip e “mochila-computador” que talvez possibilite às pessoas mover membros paralisados por lesões da coluna vertebral. Pequenos conjuntos de sensores no cérebro conectados a um chip na cabeça converteriam atividade elétrica em sinais de radiofrequência, que seriam transmitidos, sem o uso de fios, à “mochila”.  O processador transmitiria os sinais a chips nos braços e nas pernas, que estimulariam os nervos diretamente, ativando os músculos.

Ainda que estejamos muito longe de desenvolver tais capacidades, as interfaces cérebro-computador oferecem a esperança de uma vida melhor àqueles que sofrem de graves deficiências.

OUTROS OLHARES

A ERA DOS FILÓSOFOS POP

Os pensadores Mário Sérgio Cortella, Leandro Karnal e Luiz Felipe Pondé conquistam fãs ao traduzir raciocínios complexos para o cotidiano brasileiro

Eles tratam de Epicuro, Schopen­hauer e Hegel como quem lida com as ideias de Anitta, Whindersson Nunes e Bruna Marquezine. Nas redes sociais somam mais de 4,5 milhões de seguidores no Instagram, 3,3 milhões no Facebook, para lá de 300.000 no Twitter e 1,5 milhão no YouTube. São 150 palestras anuais, parte delas em teatros, com contrato médio por empreitada estimado em 25.000 reais. Juntos, já venderam 3,5 milhões de livros — 1,2 milhão de exemplares em apenas uma editora, a Planeta, que acaba de lançar Cortella & Karnal­ & Pondé — Felicidade — Modos de Usar (160 páginas, 42,90 reais), fruto de um debate recente. Bem-vindo ao mundo da filosofia pop, na expressão criada por Gilles Deleuze (1925-1995) nos anos 1970, quando o mundo ocidental começou a misturar epistemologia com história em quadrinhos. Mario Sergio Cortella (65 anos), Leandro Karnal (56) e Luiz Felipe Pondé (60) são, hoje, os três mosqueteiros do pensamento no Brasil — ladeados por um quarto personagem, o D’Artagnan da turma, Clóvis de Barros Filho, que prefacia o mais recente volume da trinca.

Não é comum que intelectuais, todos eles atuantes em universidades de ponta (USP, PUC e Unicamp), com sólida formação acadêmica, virem ídolos populares. Já houve fenômenos semelhantes, como o sucesso global de Umberto Eco (1932-2016), autor de O Nome da Rosa, o mais notório exemplo de quem fez a viagem das arcádias para o asfalto. Explosões de interesse pelos valores éticos e morais da existência humana, como aquela que Eco alimentou e os brasileiros ecoam, merecem sempre celebração por ser invulgares. Diz Luciano Marques de Jesus, professor de filosofia da PUC-­­RS: “É notável o fato de eles tirarem a filosofia da academia e a levarem para a casa, para a vida das pessoas, de forma que elas entendam conteúdos complexos”. Para Emrys Westacott, professor de filosofia da Universidade Alfred, de Nova York, “é vital que os cidadãos continuem a pensar criticamente em um mundo banhado de falsidades, e a filosofia é um antídoto contra as mentiras”.

Como não têm vergonha de ser pop, Cortella, Karnal e Pondé costumam citar personagens badalados, figuras coladas ao imaginário universal, porque essa é a regra do jogo. É um recurso de aproximação que tem funcionado, atrai leitores e faz as plateias abrir a boca de surpresa e satisfação, como diante de mágicos que tiram coelhos da cartola. Cortella dá as mãos a Guimarães Rosa, e do escritor mineiro pinça uma tirada — “Não convém fazer escândalo de começo, só aos poucos é que o escuro é claro” — para então concluir: “Isso é um sinal de inteligência imensa de alguém que conseguiu observar a vida e olhar um pouco o que significa existir. Não convém fazer escândalo de começo, só aos poucos o escuro é claro”. Karnal vai de Hamlet, de Shakespeare: “Em 2010, eu adquiri a experiência-­chave de Hamlet: fiquei órfão (…). Entendi que a perda do pai, que significa em primeiro lugar a perda de uma referência da geração anterior, faz com que você envelheça brutalmente”. Pondé bebe da frase inicial de Anna Kariênina, de Tolstói — “Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira” — para refletir: “Quem conhece o livro sabe que é a história de uma mulher adúltera que trai o seu marido porque se apaixona perdidamente por um conde e acaba pulando para debaixo de um trem. Dei um spoiler, mas Anna Kariênina não é um livro que você lê para saber o final. Você lê Anna Kariênina para saber quem você é, do que você é capaz — como qualquer clássico”.

Só aos poucos a trinca conquistou espaço no Brasil — e a fama coincidiu com os humores do país, que em 2013 foi às ruas sabe-se lá por quê, em 2015 e 2016 bateu panelas para tirar Dilma Rousseff e em 2018 elegeu a direita radical de Jair Bolsonaro. Nesse processo, tudo se esgarçou, famílias romperam e, num país rachado ao meio, tempo de homens partidos, muita gente procurou o único remédio à mão: pensar. À direita, à esquerda, não importa o matiz ideológico — basta simplesmente pensar. Parte da academia faz cara feia por não gostar de ver eméritos professores transformados em ídolos de rock, e os acusa de vender autoajuda (Jean-Paul Sartre foi rotundamente criticado por ter subido em banquinhos e empunhado megafones na Paris de maio de 1968, ovacionado pelos estudantes, mesmo que depois tenha reconhecido não ter compreendido nada: “Não pude entender o que aqueles jovens queriam, então acompanhei como deu, fui conversar com eles na Sorbonne, mas isso não queria dizer nada”). Há também, na outra ponta, quem, à procura de roqueiros cabeludos, na busca de doses palatáveis de conhecimento, alegue se decepcionar com apresentações e páginas que soam herméticas. A verdade, como sempre, está no meio. Cortella, Karnal e Pondé se alimentam dos becos sem saída brasileiros para oferecer conforto cerebral.

Embora vivam todos em São Paulo, é raríssimo que se encontrem – o que ocorre em um ou outro evento muito especial. Nunca saíram para tomar cerveja e jogar conversa fora, apesar de se conhecerem há décadas. Levam vidas apartadas, ainda que andem na mesma estrada. Foram reunidos para uma sessão de fotos e um bate-papo informal. “Um milagre”, diz Pondé. O troco irônico vem de Cortella, que brinca com a condição de ateu do colega: “E você acredita em milagres?”. É assim uma reunião de filósofos, feita de rápidas tiradas, muitos sorrisos, mas sem espaço para gracejos tolos – rir da antiga careca de Karnal e da nova barba de Pondé vale. Gostam de comentar as críticas que recebem, por considerá-las injustas, para dizer o mínimo. “É engraçado que, embora estejamos juntos em várias situações, parte das pessoas do mundo digital ache que somos “inimigos. Há uns quatro anos gravamos um programa de TV, e ele já foi editado milhares de vezes com títulos como “Pondé humilha Karnal e Cortella’ ou “Cortella arrasa Pondé”, e assim por diante”, diverte-se Cortella.

Riem, porque rir, além de pensar, ressalve-se, talvez seja mesmo a única terapia grátis que nos resta. De certo modo, ao tratar da felicidade e seus modos de usar, filosofando em português, a tríade responde a uma frase do recente romance de Michel Houellebecq, Serotonina: “Hoje em dia devemos considerar à felicidade como um sonho antigo; pura e simplesmente não há condições históricas”. Há, sim, como demonstram Cortella, Karnal e Pondé.d

OUTROS OLHARES

AFINAL, DE ONDE VIEMOS?

Estudo determina o ponto exato do nascimento do Homo sapiens e inaugura uma outra narrativa da travessia dos humanos pelos continentes a partir da África

Poucas perguntas são mais fascinantes, na antropologia, do que a indagação primordial: em que canto do planeta surgiram os primeiros humanos anatomicamente modernos, nossos parentes mais distantes, os Homo sapiens? Estudos deflagrados na década de 80 apontavam a origem para algo em torno de 200.000 anos atrás numa região próxima ao Quênia, no leste da África. Um extenso trabalho publicado na prestigiada revista Nature, divulgado recentemente, mudou o curso dessa história ao determinar, pela primeira vez, um ponto preciso no mapa-múndi da pátria ancestral. Ele fica em Botsuana, à margem do Rio Zambeze, mais ao sul, portanto, do continente africano. O lugar, nas cercanias do que um dia foi o Lago Makgadikgadi, um paraíso na terra, verdejante, de vasta diversidade de fauna e flora, hoje virou uma imensa planície deserta e salgada, avessa à vida – resultado de dramáticas mudanças climáticas. “Já sabíamos, com alguma certeza, que os humanos modernos vieram da África, mas não de onde exatamente”, diz Vanessa Hayes, geneticista do Instituto de Investigação Médica Garvan de Sydney, uma das coordenadoras da pesquisa.

A cápsula do tempo que levou à descoberta foi montada a partir da investigação do DNA mitocondrial, passado de mãe para filho, até hoje, em grupos que compõem a chamada linhagem LO. Essa família de DNA é a mais antiga encontrada entre humanos. “O DNA mitocondrial revela as mutações acumuladas ao longo das gerações. Ao sequenciá-lo, chega-se ao parentesco entre diferentes povos”, disse a geneticista Eva Ghan, coautora do trabalho.

Mas, afinal de contas, de que vale saber que nascemos em uma porção da África e não em outra, para além do espanto científico? A revelação inaugura uma outra narrativa em torno da dispersão dos humanos pelos continentes a partir do marco zero. Em laboratório, os pesquisadores foram capazes de reproduzir o clima daquela região. Intuíram vigorosas alterações no padrão de chuvas. Durante pelo menos 70.000 anos após o nascimento do Homo sapiens houve estabilidade. Deu-se a seca. Depois, 130.000 anos atrás e, posteriormente, 110.000 anos atrás, as mudanças climáticas provocadas por alterações no regime de chuvas, depois de pequenos desvios do eixo terrestre, abriram corredores verdes por onde passaram os humanos a caminho de novas plagas. “Esse projeto é sobre as pessoas que andam por aí nos dias de hoje”, resumiu Vanessa Hayes. Temos, agora, o CEP 00000 -000, de onde saímos.

GESTÃO E CARREIRA

A NOVA LIDERANÇA

Em seu novo livro, Márcio Fernandes mostra qual é a mentalidade de profissionais que, independentemente do cargo que ocupam, conseguem formar equipes engajadas, felizes e com alto desempenho. Aprenda a desenvolver esse MINDSET e torne-se um líder da nova liderança

Os millennials já são 50% do público interno de uma organização e, segundo uma pesquisa global liderada pela ferramenta de colaboração online Join.Me, nos próximos dez anos vão representar 75% da força de trabalho no mundo. Urna geração que preza pela preservação de seus direitos, escolhas e, especialmente, valores e propósito. Essa maneira mais holística de enxergar a vida (“sou o mesmo dentro e fora do trabalho”) tem transformado os ambientes organizacionais. Chefes autoritários e a máxima “manda quem pode, obedece quem tem juízo” não fazem mais sentido – e não só para a geração mais jovem, mas também para a organização como um todo. “A era mais globalizada, a revolução tecnológica e esta geração estão exigindo mudanças de comportamento. No modelo anterior, mais industrial e hierarquizado, não havia espaço para um novo líder emergir”, diz João Marcio Souza, CEO da Talenses Executive, especializada em recrutamento C-Level.

Escolas que estudavam o conceito de “liderança carismática” já descreviam líderes de sucesso com algumas características modernas. Na década de 60, por exemplo, o sociólogo Tom Burns dizia que os chefes precisavam ressignificar a experiência das equipes, trazendo sentido ao trabalho. No entanto, foi apenas nos últimos anos que essa mentalidade começou a ser praticada por líderes de diferentes organizações. “Algo mudou no contexto e na estrutura do trabalho. As relações estão mais fluidas e é dada mais importância às habilidades de relacionamento”, diz João Lins, professor na FGV- Eaesp e diretor do MBA in company, da Fundação Getúlio Vargas.

De olho nas transformações de mercado, e já tendo testado um novo modelo de liderança na prática, o executivo Márcio Fernandes, um dos presidentes mais admirados do país, lançará, em novembro, seu terceiro livro: Filosofia de Gestão Cultura e Estratégia COM Pessoas ( Portfolio-Penguin, preço a definir), que é divulgado aqui com exclusividade. Nele, Márcio apresenta o conceito de líder da nova liderança, um gestor que, por meio do equilíbrio entre a afetividade e a efetividade, consegue formar equipes que são, ao mesmo tempo, produtivas e engajadas. A boa notícia é que se tornar esse líder está ao alcance de todos – independentemente do setor em que atuem ou do cargo que ocupem.

CORAGEM PARA SER DIFERENTE

Ninguém nasce líder. Por mais que ainda exista quem acredite que essa habilidade seja inata, a prática prova que todos podem se desenvolver para ficar à frente de uma equipe. “imagem de super-herói deve ser desmitificada. Acredito que qualquer um possa liderar – um projeto, os colegas, uma área ou outros líderes” diz Márcio Fernandes. Um aspecto interessante é ser possível lidera desse jeito em qualquer caminho de carreira escolhido, não importa se a trilha tenha levado a uma atuação técnica ou gerencial. “Os líderes técnicos dominam todos os perímetros de uma área; os gerenciais, mais generalistas, precisam ter a humildade de entender que em alguns momentos, vão chefiar pessoas que sabem muito mais do que eles”, afirma o autor.

Outra boa notícia é que dá par ter a mentalidade da nova liderança até em companhias com cultura organizacional mais fechada. O importante é ter coragem para nadar na direção contrária. “Quando você é diferente em um lugar onde todo mundo é igual, é mais fácil se destacar fazendo coisas simples, como abrir o diálogo com pares e convidar outras áreas para que construa uma solução junto com você”, diz Felipe Zanola, diretor executivo da Thutor, consultoria fundada por Márcio Fernandes. “Isso faz com que as pessoas percebam em você humildade e vontade de buscar respostas assertivas. Assim, você ganha mais parceiros e mostra que dá par fazer diferente.” Mas não se engane pensando que a tarefa seja simples. Em culturas organizacionais mais impermeáveis, os desafios são maiores. É preciso enfrentar fatores como lentidão para mudança de mentalidade e falta de alinhamento cultural. No limite, a saída para pessoas que têm esse novo jeito de pensar é apenas a demissão. “Pior é quando as empresas transformam esse profissional num zumbi corporativo e o isolam”, diz Márcio.

MAIS PERTO

E quem é exatamente esse novo gestor? Uma das características principais desses chefes é não ver muito sentido nos símbolos de poder (sala grande envidraçada, elevador privativo e carrão, por exemplo). Segundo Márcio, a atual geração se preocupa mais com o ser do que com o ter. “Os novos líderes não são o chefão com a cadeira mais alta e o ‘kit frescura’ “, diz o autor. “Eles conseguem construir um ambiente de prosperidade plena e coletiva e todo mundo alcança um protagonismo tão intenso que não fica claro para quem olha de fora quem ali é o gestor.”

Isso acontece em razão de outro traço desses profissionais: o forte laço com as equipes. Para Márcio, esse comportamento é essencial na liderança, pois é por meio da proximidade que nasce a credibilidade e, consequentemente, a confiança. Claro que essa tríade só ocorrerá se houver interesse genuíno em conhecer bem os membros do time. “É importante ter a habilidade de olhar para a equipe, conhecer as preferências e valores de cada um e pensar como pode ser útil para o desenvolvimento do time”, afirma Felipe, da Thutor.

Nessa mentalidade, o chefe deixa de estar no centro para se colocar ao lado de seus liderados, identificando o que há de melhor em cada um deles e de que maneira esse potencial pode ser usado para contribuir para os resultados da companhia. “Quanto mais esse líder sobe na hierarquia, mais ele desce de andar para entender exatamente quais são as necessidades de seus liderados”, diz Marcio Souza, da Talenses.

Foi o que aconteceu com o próprio Márcio, que, em uma passagem do livro, conta como fez para lutar contra o isolamento da liderança. “Desde que havia me tornado gerente, passava o dia inteiro empilhando papel. Não tinha mais tempo disponível para participar de algum projeto desafiador. Lidar com pessoas e me envolver com estratégia, então, sem chance! Não sobrava tempo. (…) Mas, em vez de reclamar ou me conformar, abaixar a cabeça e seguir suportando, procurei alternativas. (…) Em vez de me isolar, me tornei acessível e, mais do que isso, fui pro­ativamente em busca de diálogo, de comunicação fluente, transparente e frequente. E o que encontrei foi colaboração, credibilidade e confiança em cada pessoa. O time até tolerava almoçar comigo para conversar sobre novas possibilidades e projetos para a área. Foi assim que construímos juntos a gestão do ‘nós’ e, conforme nossa produtividade e nossa eficiência aumentavam, eu ia reduzindo os controles burocráticos.”

PODER COMPARTILHADO

Além da humildade e da proximidade, outra particularidade é essencial para os representantes da nova liderança: a construção de equipes diversas. E aqui não estamos falando apenas de trabalhar com profissionais de várias etnias, gêneros e origens sociais, mas também de compartilhar ideias com quem pensa diferente – e cujas competências complementam as do gestor. “Tenho de saber para quem passo a bola quando não sou o melhor para chutar naquela posição”, diz Felipe, da Thutor.

Para reconhecer que não tem resposta para todas as perguntas, é preciso boa dose de autoconhecimento. “É necessário saber onde você tem mais dificuldade e de quem precisa a seu lado”, diz Felipe. Com um time de alta performance formado por pessoas que confiam umas nas outras e que tenham habilidades complementares, fica mais fácil para a chefia dividir o poder decisório. “Quando você compartilha a decisão, também compartilha o risco, e isso é bom”, diz Felipe.

PROTAGONISMO E BRILHO NOS OLHOS

Para encontrar equilíbrio entre a efetividade e a afetividade, os líderes da nova liderança têm muito mais “brilho nos olhos” do que “sangue nos olhos”, para usar dois clichês do mundo corporativo. Isso acontece porque, para esses gestores, a motivação parte do entendimento de que os resultados positivos são fruto do trabalho em equipe e da colaboração, e não da busca pelo destaque individual. “Estou certo de que pessoas assim sempre vão ganhar muito mais, seja satisfação, seja dinheiro”, diz Márcio.

Mas isso não significa que esses chefes sejam só paz e amor. Essa nova postura precisa se basear na justiça para o funcionário. O primeiro passo é construir um ambiente em que todos conheçam as regras e, sobretudo, sejam convidados a formulá-las. Quando os profissionais são incluídos na criação de diretrizes e valores gerais, eles compreendem por que as coisas devem ser feitas de determinada maneira. Isso gera um valor cada vez mais importante no mundo do trabalho: o protagonismo. Não é necessário cobrar resultados sem parar, pois, quando entende qual é seu papel na empresa, cada profissional faz o melhor para auxiliar no crescimento do negócio. “As metas existem e são exigentes, porém os critérios são muito claros e objetivos. Por isso, todos sabem o que fazer e são automotivados para entregar”, afirma Felipe.

Além das boas consequências para as companhias, esse modo de agir ajuda na carreira dos próprios líderes. Afinal, o mercado tem valorizado quem apresenta esse comportamento. “É um profissional que se encaixa em diversos setores por ser mais propositivo e ter habilidades de se comunicar bem e, acima de tudo, saber ouvir. As pessoas se sentem bem ao redor dele”, afirma Guy Cliquet do Amaral, do Insper. João, da Talenses, complementa: “Gestores que adquirirem um repertório compatível com essa evolução e não ficarem presos às crenças do passado terão mais chance de empregabilidade”. Quanto antes você começar a agir como um líder da nova liderança, mais oportunidades terá de fazer o bem – para si mesmo, para seus colegas e, claro, para seus liderados.

FILOSOFIA DE GESTÃO

Conheça os pilares da teoria que influencia o novo estilo de Liderança

Márcio Fernandes desenvolveu a teoria da filosofia de gestão, um estilo que propõe a transição do modelo tradicional de chefia (comando e controle) para uma liderança mais participativa. A seguir, mostramos quais são os pilares desse jeito de pensar e agir

DESPERTAR DO LÍDER

As etapas para desenvolver o estilo de liderança proposto por Márcio Fernandes

Parte do perfil de liderança vem das características individuais e outra parte vem das habilidades e competências desenvolvidas ao longo da trajetória. Assim como a personalidade de cada pessoa evolui conforme seu amadurecimento, é possível atualizar e transformar o jeito de liderar. “Vou adquirindo novas habilidades e descartando outras a vida inteira, utilizando as lições aprendidas para moldar meu caráter, evoluindo, melhorando”, diz João Lins, da FGV- Eaesp. Use o passo a passo a seguir para modelar seu jeito de chefiar.

ACREDITE

Esse é o primeiro passo da filosofia de gestãodesenvolvida por Márcio Fernandes em seu novo livro. Para ele, cada um é o líder da própria vida e é capaz de mudar para melhor, encontrando um propósito e aumentando a autoestima. em primeiro lugar, resgate a si mesmo, valorize o que você faz e o que entrega. Depois, encontre um propósito que faça sentido para você, para seu entorno e que seja bom para a sociedade. Acredite que já tem todo o potencial necessário para ser protagonista e comece a praticar com mais efetividade: Estude e refine metas e objetivos. “É assim que você conquista e até supera seus sonhos”, diz Márcio.

CONHEÇA A SI MESMO

Para trilhar um caminho de liderança é importantíssimo conhecer a si mesmo. Faça um autodiagnóstico: olhe para dentro e pense sobre suas fortalezas e fraquezas. “Todas as pessoas, até mesmo os líderes mais inspiradores, têm limitações. Por isso, é importante conhecê-las e saber como lidar com elas”, diz Guy Clique do Amaral, do INSPER. Isso será fundamental para seu desenvolvimento pessoal e, também, no momento de compor uma equipe. Lembre-se: Times de alta performance têm habilidades complementares às do gestor.

PROTAGONIZE

Desenvolva um espírito empreendedor dentro da empresa e, mesmo que não tenha ainda o cargo de gestor, chame para si responsabilidades de liderança. Uma boa maneira de fazer isso é liderar um projeto ou uma equipe multidisciplinar. E não tenha medo de sugerir essa atuação a seus superiores, pois quem age de maneira diferente costuma se destacar. “Mas sempre controle o ego”, diz Márcio.

CRIE OPÇÕES

Busque constantemente seu desenvolvimento e novas maneiras de atuar, seja para crescer na companhia, seja para trabalhar em outro local no futuro. “Muita gente boa repete os padrões existentes, seguindo pelos mesmos trilhos, por falta de opção. Não seja essa pessoa”, diz Márcio. Ter outros trilhos de carreira guardados na manga é importante para superar os desafios, como a busca por um novo emprego ou a demora de mudança de mentalidade de uma empresa mais conservadora.

PROCURE UM TUTOR

Os pré-requisitos são: Alguém que tenha interesse genuíno em você, pense diferente e o estimule a refletir. Esse tutor não precisa ser um super-herói, apenas alguém aberto ao diálogo. E saiba que você mesmo pode ser seu tutor. “A única pessoa do mundo que sempre estará disponível para te fazer pensar e que tem o interesse mais genuíno por você é você. Pergunte-se por que ainda não teve coragem de implementar alternativas que considera viáveis. Eu mesmo fiz esse exercício. A partir daí comecei a anotar coisas e vislumbrar alternativas”, diz Márcio.

CONSTRUA A PRÓPRIA ILHA

Mesmo que sua empresa adote um modelo mais tradicional de gestão e os outros líderes sejam mais hierárquicos, comece a mudança por você. Busque proximidade e encontre a convergência entre os propósitos de seus liderados e os da empresa. “Se você não tem o apoio de toda a companhia, crie uma ilha de prosperidade e felicidade em sua área. isso acabará chamando a atenção da companhia e inspirando novas ilhas (outras áreas), novos arquipélagos (diretorias) e, até um novo continente”, afirma Márcio.

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 4 – O VALOR DA LIBERTAÇÃO

Libertação é o nome que se dá ao processo de expulsar demônios. A libertação não é uma panaceia, um cura-tudo, mas mesmo assim ela é uma parte importante daquilo que Deus está fazendo em relação ao reavivamento atual na Igreja. Alguns esperam demais da libertação e outros esperam muito pouco. Com toda a honestidade temos de procurar saber o papel que a libertação pode ter em nossa própria vida e receber qualquer benefício que ela ofereça.

Aqueles que Deus colocou no ministério de libertação não têm de sair à procura de serviço. É claro que Deus está colocando no coração do Seu povo o desejo de purificar sua vida. É espantoso o número de pessoas que procuram a libertação. Muitas vezes, elas se apresentam para libertação sem saber exatamente o que estão procurando. Elas se apresentam porque estão procurando a Deus. São crentes que desejam crescer espiritualmente e sabem que todas as barreiras têm de ser derrubadas. A Igreja é a noiva de Cristo, e Cristo vem para buscar Sua noiva. As Escrituras dizem que Sua noiva tem de ser purificada.

“Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem cousa semelhante, porém santa e sem defeito.” (Efésios 5:25-27.)

A libertação é uma parte essencial na preparação da noiva de Cristo – purificando-a de máculas e de rugas. Uma vez que a Igreja que Cristo vem buscar é “santa e sem defeito”, temos de concordar que os espíritos imundos têm de ser expulsos de nossa vida. Será que essa purificação é um ato soberano do Senhor ou será que é a responsabilidade do crente?

“Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou.”  (Apocalipse 19:7.)

Este versículo enfatiza a responsabilidade humana. E nossa responsabilidade nos prepararmos para a vinda de Jesus Cristo. Parece que alguns estão esperando a vinda do Senhor em urna hora em que acontecerá neles, automaticamente, uma grande transformação, quando todas as suas deficiências serão corrigidas milagrosamente, num instante. A Bíblia diz: “… transformados seremos todos, num momento, em um abrir e fechar d’olhos, ao ressoar da última trombeta” (1 Coríntios 15:51, 52). Mas isto se refere somente ao nosso corpo mortal tornando-se imortal. Devemos evitar a interpretação demasiada desta passagem.

O trecho da carta aos Efésios, já citado, fala que a noiva é purificada por meio da “lavagem da água PELA PALAVRA”. Num sentido, isso quer dizer que fazemos nossa própria lavagem, mas noutro sentido significa que é o noivo que a faz, de modo que é Ele quem providencia a água – a PALAVRA.

Todo mundo sabe que uma noiva gasta muito tempo diante do espelho ao aprontar-se para seu noivo. A Palavra de Deus é aquele espelho diante do qual ficamos a nos preparar para a vinda de Cristo.

“Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não praticante, assemelha-se ao homem que contempla num espelho o seu rosto natural; pois a si mesmo se contempla, e se retira, e para logo se esquece de como era a sua aparência. Mas aquele que considera, atentamente, na lei perfeita, lei da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte negligente, mas operoso praticante, esse será bem-aventurado no que realizar.” (Tiago 1:23-25.)

Quando Ester foi preparada como noiva para seu rei, ela passou por um período de preparação. Pela Bíblia sabemos que ela passou um ano na purificação do corpo. Seis meses foram usados na aplicação de óleo de mirra, e seis meses com especiarias e com os perfumes e unguentos em uso entre as mulheres (Ester 2:12). O rei providenciou tudo o que ela precisava.

Essas coisas falam simbolicamente. Nosso Rei providenciou para nós a maneira pela qual purificamos nosso corpo. O óleo representa a unção do Espírito Santo. Seremos ungidos com o poder do Espírito Santo. Hoje há uma ênfase nova e refrescante nos dons e nos frutos do Espírito Santo. A noiva está-se preparando para o seu noivo.

“E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.” (2 Coríntios 3:18.)

Os demônios são inimigos dos dons e do fruto do Espírito Santo. Os demônios podem impedir o desenvolvimento deles na vida do cristão e, assim, podem impedir o crente em sua preparação para a volta do Senhor.

Por isso, a libertação que está acontecendo hoje é uma parte essencial da preparação da noiva. Por exemplo, um dos dons do Espírito é a profecia. As Escrituras dizem: “… se profecia, seja segundo a proporção da fé” (Romanos 12:6).

O demônio da dúvida ou descrença pode impedir o fluxo da fé e assim impede o fluxo da profecia. O dom de profecia pode manifestar-se em algumas pessoas somente depois que os espíritos que impedem nelas a fé, sejam expulsos. E a mesma coisa com os outros dons. Verificamos que algumas pessoas que estão pedindo o batismo no Espírito Santo não conseguem falar em línguas e outras são limitadas a poucas palavras.

Muitas vezes isso acontece por causa da influência demoníaca. Em muitos casos, a pessoa esteve envolvida em práticas ocultas, sejam elas quais forem. Tal envolvimento com o oculto, seja por inocência ou ignorância, abrirá uma brecha para a opressão demoníaca e o impedimento dos dons do Espírito Santo.

É de máxima importância renunciar e ficar liberto de tudo o que conseguiu entrada por meio do oculto. Peça ao Espírito Santo revelar e fazer-lhe lembrar cada porta que tem sido aberta por você ou por outros, durante sua vida, à opressão demoníaca.

Atingir o fruto do Espírito é um dos alvos especiais do inimigo. O primeiro, e o fruto principal, é o amor. O amor é algo para ser recebido tanto quanto manifestado. O “demônio de ressentimento” pode vencer o amor na nossa vida. Muitas pessoas não sabem por que não são capazes de amar os outros como deviam amá-los. Tal problema é uma forte indicação da presença de um demônio de ressentimento ou de falta de perdão. Geralmente, ressentimento convida outros demônios, tais como: amargura, ódio e raiva.

O amor também pode ser impedido pelo espírito de rejeição. Este espírito é muito comum, e muitas vezes é o “espírito-chefe” dentro de um indivíduo. O espírito de rejeição tem a oportunidade de entrar quando a pessoa não é amada na infância. Os pais, com muita facilidade, abrem a porta para a entrada do espírito de rejeição em seu filho quando não lhe mostram amor adequado. Quando a rejeição é forte, ela não deixa a pessoa receber o amor dos outros. Ao mesmo tempo, não deixa a pessoa amar os outros. O demônio de rejeição tem de ser expulso antes que a pessoa possa se amadurecer no amor cristão.

Se Satanás pode conseguir fazer o cristão sentir-se envergonhado por estar endemoninhado, ele também pode impedir que o cristão procure a libertação. Se, por um lado, não podemos pôr a culpa toda em Satanás e seus demônios por todos os nossos problemas, por outro, sabemos que podemos culpá-los por muito mais coisas do que imaginávamos. De fato, alguns cristãos não percebem que os demônios são os responsáveis por seus problemas. Ao sabermos que eles, realmente, entram em nossa vida, deveríamos fazer tudo para ficarmos livres deles.

Inumeráveis são os cristãos que encontram uma verdadeira ajuda por meio do ministério de libertação. Certos problemas que passaram longo tempo sem solução, quando meios tradicionais estavam sendo utilizados para solucioná-los, agora estão sendo resolvidos através do ministério de libertação. Isso nos faz pensar na razão por que temos levado tanto tempo para reconhecer essas verdades na Palavra de Deus.

OUTROS OLHARES

ADEUS, DESODORANTE

Exaltado pela propriedade de tirar rugas sem bisturi, o Botox vem sendo usado cada vez mais com outra finalidade: acabar com o suor e as manchas embaixo do braço

Tratamentos para melhorar a estética pressupõem uma intervenção em pontos da geografia corporal que chamam atenção: rosto, colo, busto, nádegas. Um implante de silicone aqui, sessões de laser ali, agulhadas acolá, tudo é feito para aprimorar o que vai ser visto (ainda que com roupa por cima) e apreciado. E onde as axilas, recantos tão escondidos do corpo, entram nessa equação? Soa esquisito, mas, sim, elas estão cada vez mais no foco das clínicas de estética desde que se disseminou o uso da toxina botulínica, o Botox, para reduzir drasticamente o suor e acabar com o problema do odor e das manchas embaixo do braço. Os profissionais da área calculam que o uso da técnica vem crescendo 30% ao ano, impulsionado por artistas que precisam suportar longas horas de gravação sob luz forte e por não tão famosos que só querem mesmo sé livrar da chateação. “É a maneira mais simples de diminuir e até zerar a transpiração”, explica a dermatologista de celebridades Denise Barcelos.

Na novela das 9, pelo menos três atores – Juliana Paes, Malvino Salvador e Agatha Moreira -se submeteram à técnica. “Sem suar, você fica com a sensação de estar mais limpo”, elogia Malvino, botocado há quatro meses. A rigor, a aplicação de Botox é indicada para quem sofre de hiperidrose, ou suor excessivo, uma condição sem causa bem definida que parece estar ligada a fatores genéticos e emocionais, além de obesidade e menopausa. Uma vez aplicada, a toxina botulínica inibe a ação da acetilcolina, um neurotransmissor que regula as glândulas produtoras do suor. O paciente se deita na maca, recebe um creme anestésico nas axilas e vinte minutos depois – e vinte a trinta picadas de cada lado – vai para casa.

A transpiração começa a diminuir em 48 horas e o efeito dura de seis a nove meses, prazo que pode aumentar com o passar do tempo. “A redução da ansiedade durante o procedimento ajuda. Chega um momento em que é preciso aplicar apenas uma vez ao ano”, diz Denise. O tratamento custa, em média, 2.000 reais por axila.

Quando não havia Botox, só quem tinha hiperidrose grave pensava em apelar para o único tratamento disponível: a cirurgia de retirada de glândulas. A toxina ganhou, com isso, ares de substância libertadora. “Eu não conseguia usar blusas com mangas devido às marcas de suor”, diz, com entusiasmo de fã, a professora de ioga Joyce Berndt. Temida durante séculos por ser o agente causador do botulismo, doença paralisante muitas vezesfatal, a toxina botulínica foi reabilitada a partir da virada do século, quando se dominou a técnica de usá-la para fins nobres – sendo o mais conhecido e admirado deles acabar com as rugas da testa e os pés de galinha. ”A hiperidrose acomete quase 3% da população”, afirma Sérgio Palma, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Além dás áxilas, a palma das mãos, a sola dos pés, o couro cabeludo e a virilha podem receber aplicações de Botox para reduzir a transpiração. Se o tratamento contempla apenas um ou outro ponto crítico, não há contraindicação. “A sudorese é uma condição fisiológica necessária para regular a temperatura corporal quando ela sobe. Mas o excesso pode e deve ser combatido, por trazer grande desconforto e impactar até a vida profissional das pessoas”, explica a dermatologista Denise. Que ninguém se engane: dói. A atriz Fernanda Souza, que já teve de interromper muitas – gravações para secar o suor nas axilas, apelou para o método, mas não nega ter penado com as agulhadas. “Chegou uma hora em que disse: “Ah, moça. Deixa suar. Deixa suar que eu sou um ser humano”, contou. Como quase tudo na vida, é uma questão de pesar o custo-benefício e decidir.

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 3 – COMBATA O BOM COMBATE

É uma revelação despertadora à Igreja de hoje a descoberta de como Satanás está bem organizado, e como ele está operando sistematicamente contra nós.

Assim como a maioria de nós foi instruída de que é o dever de todo o crente testemunhar de Jesus, e foi até treinada e levada a testemunhar, assim também nós fomos instruídos que é também o dever de todo crente ser um soldado cristão, ativo na luta espiritual. Quantos cristãos têm sido treinados na “destruição de fortalezas” (2 Coríntios 10:4); ou como “resistir ao diabo” (Tiago 4:7); ou como “lutar contra principados… dominadores deste mundo tenebroso… e forças espirituais do mal nas regiões celestes”? (Efésios 6:12.)

Como soldados cristãos, devemos adquirir conhecimento prático. Durante a Segunda Guerra Mundial fui instruído nas armas e nas operações táticas que iria usar contra o inimigo. Hoje o exército de Deus está na primeira fase de seu treinamento. Estamos aprendendo como ser soldados cristãos e “combater o bom combate” (1 Timóteo 1:18).

Efésios 6:10 nos exorta a tomarmos toda a armadura de Deus e a resistir “às ciladas do diabo”. A palavra “ciladas” no grego é “methodeia” que significa “seguir de perto, por método e plano acertado, usando fraude, astúcia e malandragem” (Thayer).

Satanás tem um método – um plano já pronto para vencer cada um de nós, junto com nossa família, igreja, comunidade e país. Deus tem providenciado armas para nossa proteção e para nossa luta ofensiva. Assim, podemos resistir a todo assalto contra nós e lançar um ataque que derrubará o inimigo!

A BATALHA EM SI

A ênfase deste livro é a libertação pessoal. Esse é o ponto de partida nessa guerra espiritual total. Ao enfrentar o inimigo no nível da libertação pessoal, estamos lutando na linha de frente contra as tropas de Satanás. Os oficiais superiores ele Satanás ficam atrás dele e devemos enfrentá-los antes de a batalha chegar ao fim. O primeiro objetivo nessa luta é a libertação de si mesmo.

Será que todos necessitam de libertação? Pessoalmente, não estou a par de que haja alguma exceção. Enquanto temos andado na ignorância e nas trevas, o inimigo tem contaminado cada um de nós. Devemos aprender como tirá-lo e como continuarmos livres dele.

Falar em voz alta aos demônios?! Isso pode parecer tolo e sem graça até você estar acostumado com isso, mas é uma tática eficaz e necessária na luta espiritual. É óbvio que alguém tem de falar, a fim de expulsar os demônios. Devemos também falar aos demônios que estão assaltando de fora. Por exemplo, vamos supor que um demônio fale à sua mente: “Fulana acha que você é muito estúpida”. É assim que os demônios falam à nossa mente. É a maneira de eles plantarem as sementes de rancor e suspeita.

Você pode aprender logo a distinguir entre aquilo que é de você, de Deus ou de Satanás. Ao demônio, você pode falar nestes termos: “Você é mentiroso, espírito maligno. Rejeito esse pensamento sobre meu amigo. Minha mente está sob a proteção do sangue de Jesus. Desligo você de meus pensamentos. Ordeno que você me deixe agora, em nome de Jesus”.

Este é um exemplo de como resistir ao diabo. Sabemos que a Bíblia nos diz “resisti ao diabo”, mas talvez não tenhamos a menor ideia de como pôr em prática o princípio. Quaisquer que sejam suas palavras, vocalize sua posição em Jesus Cristo e resista aos demônios pelo uso do nome de Jesus e de Seu sangue. Os demônios são transgressores e têm de “fugir” quando são resistidos desta maneira. Não deixe de mandá-los embora mais de uma vez. Eles são teimosos. Resista-lhes até que sua mente esteja em paz.

Estude com cuidado o Capítulo 6, “Como Determinar a Necessidade de Libertação”. Seja honesto consigo mesmo. Peça a Deus que o ajude a reconhecer onde e como os demônios ganharam acesso ao seu corpo. Não quero dizer que você tem de ruminar seus pecados do passado nem os momentos infelizes por que já passou. E simplesmente para reconhecer que os demônios se aproveitaram dos pecados e das circunstâncias em sua vida, de modo que esses transgressores possam ser expulsos e as portas possam ser fechadas a eles.

Procure a ajuda de alguém que tenha conhecimento no ministério de libertação no local onde você mora. Tal tipo de ajuda é muito mais predominante nos dias de hoje do que há alguns anos, e Deus está levantando muitos outros para ensinar e para ministrar neste setor. Se por acaso não há esta ajuda ao seu alcance, ore para Deus providenciá-la.

Reúna-se com outros membros do Corpo de Cristo. Talvez o Senhor dirija vocês a aprenderem como ministrar uns aos outros. De qualquer modo, o ministério de libertação tem de ser restaurado à Igreja. É um ministério da Igreja tanto quanto o da pregação, oração e cura. Jesus realizou todos esses ministérios e mandou a Igreja continuá-los.

Comece com a prática de autolibertação. Escolha uma área de sua vida em que você sabe que existe perturbação demoníaca e mande os demônios embora em nome de Jesus Cristo. Ao ver que você os está renunciando absolutamente, e falando com fé, os demônios responderão. Não os deixe ficarem sem oposição mais um dia! “O reino de Deus é… justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.” (Romanos 14:17.)

Esta é a herança de Deus para você AGORA! É sua para você tomá-la à vontade!

A LUTA NO LAR

Em muitos dos lares de hoje, ainda que o marido, a esposa e os filhos professem Cristo, há contenda, divisão, confusão e caos. Já é a hora de o diabo ter sua parte de culpa e está na hora de as famílias aprenderem como expulsar o diabo de seus lares.

O ponto de partida ideal para ganhar a vitória é o seguinte: Cada membro da família comprometer-se novamente com Jesus Cristo e, em seguida, a ministração de libertação de cada um.

Uma coisa formidável aconteceu numa igreja em que nossa equipe teve a oportunidade de ajudar. O próprio pastor tinha instruído muito bem o povo sobre o princípio da liderança do homem no lar. Um por um dos homens chegaram à frente para marcar a hora da libertação deles e de sua família. Este ministério era de tamanha importância para eles que os chefes das famílias tiraram licença do serviço, e os filhos faltaram às aulas no colégio para não perderem a hora marcada com a equipe.

É assim que deveria ser. As famílias serem encorajadas a conhecer a libertação através da experiência em conjunto. Quando a família inteira está cooperando e levando em consideração o outro, o diabo é vencido logo.

Mas alguns lares têm obstáculos maiores. Nem todos os membros da família confessam Jesus. Alguns não têm interesse nenhum nas coisas espirituais. Se por acaso há somente um membro da família preocupado pelo bem-estar do lar, o que pode ser feito?

Os problemas da Sra. J. foram típicos de muitos que eu tinha tido a oportunidade de aconselhar. Ela estava se esforçando para viver para Cristo, mas seu marido resistia por completo. Ele brigava com ela se ela assistia ao culto na igreja. Ele bebia e jogava. A Sra. J. disse que ele era grosseiro e violento e ela estava com medo do que ele poderia fazer contra ela e seus filhos. Os três filhos já estavam demonstrando os efeitos do tumulto em casa. Eles estavam com medo, inseguros e nervosos. A Sra. J. orou muito pelo seu marido, mas ele só piorou em vez de melhorar. Ela estava planejando divorciar-se.

A Sra. J. aceitou a libertação para si mesma. Sabíamos que seria difícil para ela conservar sua libertação completa enquanto a atmosfera ao seu redor continuasse agitada, mas sabíamos também que ela poderia ficar livre do medo e das pressões.

Ficou resolvido que entraríamos numa luta espiritual contra os demônios que estavam controlando a vida de seu marido e que o estavam separando da verdade espiritual

“Mas, se o nosso evangelho ainda está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus.” 2 Coríntios 4:3, 4.)

COMBATE NÃO É ORAÇÃO! É um acréscimo à oração. Não há razão nenhuma em se pedir a Deus alguma coisa que Ele já concedeu. Deus nos deu poder e autoridade sobre o diabo. Não devemos esperar que Deus tire o diabo de nossas costas. Ele já derrubou Satanás e nos deu a capacidade e a responsabilidade necessárias para tomarmos conta de nós mesmos. Esta verdade é uma revelação a muitos crentes — e chega como boas novas! Não é de surpreender que muitas orações fiquem sem respostas. Devemos pôr fim aos pedidos que já têm respostas e começarmos a usar aquilo que Deus já nos deu.

Iniciamos, então, o combate espiritual a favor do marido da Sra. J. Ela aprendeu como lutar no combate espiritual através da experiência e como continuá-lo por si mesma. “Vocês, espíritos imundos que estão atrapalhando o Sr. J., tomamos posse da autoridade de vocês no nome poderoso de Jesus Cristo. Vocês querem destruir este lar, mas não permitiremos. Estamos juntos com Cristo em autoridade espiritual. Conhecemos nossa posição e nossos direitos. Amarramos vocês em nome de Jesus Cristo. Tirem suas mãos da vida dele. Desliguem-se de sua vontade, e que ele possa ficar livre para aceitar Jesus Cristo como Salvador.”

Dentro de pouco tempo, o Sr. J. tinha-se modificado completamente — uma nova criatura em Jesus Cristo. Ele experimentou o novo nascimento e o batismo no Espírito Santo. A família frequentava a igreja junta e o Sr. J. tomou seu lugar como líder espiritual de sua família.

Não quero dar a impressão de que todas as lutas espirituais terminam tão cedo e tão vitoriosas como a do casal Sr. e Sra. J., mas tenho visto muitas vitórias através de lutas espirituais que passam a ser espantosamente eficazes. Outras batalhas levaram mais tempo, e algumas ainda estão em pé, meses depois de iniciadas.

A luta espiritual a favor de outra pessoa NÃO significa um controle da vontade daquela pessoa. A luta amarra o poder demoníaco, libertando a vontade da pessoa, capacitando-a para tomar decisões por si mesma, sem interferência demoníaca. Os demônios não são expulsos da pessoa, mas o poder deles está amarrado por um tempo. Este tipo de luta está de pleno acordo com o princípio da luta espiritual mostrado em 2 Coríntios 10:3 e Efésios 6:12.

Estas passagens ensinam que nossa luta é contra inimigos espirituais e devem ser combatidos com armas espirituais. E inútil e errado ficarmos envolvidos em encontros de carne contra carne.

É melhor falar em voz alta aos poderes demoníacos ao enfrentá-los, mas não na presença da pessoa endemoninhada, ou abertamente na presença de outros que talvez não gostem nem entendam aquilo. Não é absolutamente necessário falar em voz alta. Pode ser feito no seu espírito, e isso pode ser feito na presença de quem está sob o poder do inimigo.

Deveria ser o alvo de todos os lares manter o modelo da autoridade divina dado por Deus — esposa em submissão ao marido, marido amando a esposa como Cristo amou a igreja e os filhos obedecendo aos pais no Senhor. Isso reduzirá ao mínimo as oportunidades do diabo em qualquer lar.

A BATALHA NA IGREJA

Satanás tem um interesse todo especial na Igreja. Podemos crer, sem sombra de dúvida, que ele fará tudo o que estiver em seu poder para desviar, atrapalhar, enfraquecer e destruir o ministério da Igreja. A organização do diabo tem um demônio-príncipe escalado para cada igreja local. Muitas igrejas têm uma história de certos tipos de problemas. O espírito-príncipe sobre aquela igreja pode ser identificado com facilidade pelo tipo de problema sempre sofrido naquela igreja.

Em algumas igrejas você encontrará o espírito de contenda — membro contra membro. Isto é uma das armas principais de Satanás. Ele provoca ciúmes e competições. Os cristãos se encherão de orgulho, pensando que são melhores que os outros. Enquanto os cristãos estão lutando entre si, eles não estão lutando contra o diabo. Este é o alvo dele. Então, ele venceu.

Outras igrejas são controladas pelos demônios de doutrina.

“Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios.” (1 Timóteo 4:1.)

Em outros casos, a doutrina não é falsa, mas o diabo cria uma obsessão por doutrina. Ele consegue fazer o grupo concentrar-se numa faceta da verdade (salvação, segunda vinda, etc.) que negligencie a ministração do conselho completo de Deus. A igreja acaba sendo desviada.

Alguns dos demônios são especialistas em fazer a igreja operar com os talentos e as habilidades naturais — ou humanas — em vez de depender do poder do Espírito Santo. “Tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder.” (2 Timóteo 3:5.) Algumas igrejas estão, ainda hoje, com sua vista vendada ao derramamento do Espírito de Deus e continuam operando com o poder da carne.

Há espíritos-príncipes de denominacionalismo e sectarismo. O alvo deles é dividir o Corpo de Cristo — criar divisão. Quando eu vi o nome da igreja “Independente Fundamental” senti que ela estava anunciando o demônio reinando sobre aquela congregação. Algumas igrejas são famosas por seu orgulho espiritual e por seu isolacionismo.

Os demônios de mundanismo e materialismo reinam sobre algumas igrejas locais. Seu ministério espiritual é apagado. A ênfase está em festas de todo tipo, bazares, venda de doces, etc.

A lista continua sem fim — formalismo, ritualismo, controle pelo pastor ou grupo, complacência, indiferença, pessimismo, obsessão por problemas sem soluções, etc.

“Tocai a trombeta em Sião e dai voz de rebate no meu santo monte…” (Joel 2:1). O capítulo 2 de Joel chama o povo de Deus a levantar-se em luta contra a escuridão e as densas trevas. Mas em primeiro lugar é uma chamada ao arrependimento e volta a Deus.

‘Ainda assim, agora mesmo, diz o Senhor: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, com choro e com pranto. Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao Senhor, vosso Deus…” (Joel 2:12, 13a.)

Isto é uma chamada para a Igreja de hoje. Que cada congregação local rejeite os seus pecados e se humilhe diante de Deus. Que se levante, então, no poder de Deus, contra o adversário espiritual aliado contra a igreja. A Igreja tem de aprender como enfrentar “as forças espirituais do mal, nas regiões celestes”. (Veja Efésios 1:20, 21; 2:6; 3:10; 6:12.)

Estes espíritos-príncipes sobre as igrejas podem ser amarrados e suas vozes apagadas. Deus deu poder ao povo dEle. E é responsabilidade da Igreja usá-lo.

A BATALHA NA COMUNIDADE E NO PAÍS

O anjo que visitou Daniel disse que tinha lutado com o “príncipe da Pérsia”, quer dizer, a potestade demoníaca sobre aquela nação. Vejamos isso como evidência de que Satanás designou um demônio poderoso para reinar sobre cada nação do mundo, cidade e comunidade.

O espírito-príncipe sobre a comunidade onde eu era pastor foi revelado por uma visão que veio de Deus, mostrando uma criatura grande semelhante a um polvo suspenso por cima da comunidade. Na cabeça do bicho estava escrito “ciúme”. Os tentáculos estendiam-se entrelaçando e esmagando cada faceta da vida daquela comunidade — igrejas, escolas, comércio, vida social, governo, recreação e relações pessoais. Os tentáculos representavam briga, crítica, ciúme, calúnia, ganância, mexerico, egoísmo e cobiça.

Quanto mais refletíamos sobre a visão, mais entendíamos a veracidade e a certeza de sua realidade. O ciúme e todos os seus auxiliares estavam segurando a comunidade. Quando cheguei a esse local para pastoreá-lo, dois pastores fizeram uma visita para me avisar que minha presença não era necessária nem desejada. Eles me convidaram a sair, baseados no fato de que suas igrejas já eram suficientes naquele lugar. O espírito de ciúme estava se manifestando nas igrejas. Deus mostrou-me, através da visão, que eu não estava lutando contra meus colegas, os pastores, mas contra “os principados e as potestades” do diabo.

A esperança para nossa comunidade e nação não está nos programas do governo, nem nos programas sociais, nem na educação, nem na ciência. Nossos problemas são principalmente espirituais. Deus nos deu armadura espiritual e recursos para ganharmos a vitória. A Igreja tem a resposta. Ela deve tomar a ofensiva contra os poderes demoníacos enquanto ainda há tempo.

Como pode ser realizado? Através do combate contra esses poderes, numa luta espiritual. Verbalize sua posição em Cristo e sua autoridade sobre essas forças demoníacas exatamente como você faria na luta pessoal. Aleluia! Os cristãos em toda parte estão aprendendo as técnicas da luta espiritual. Um reavivamento está sendo iniciado.

OUTROS OLHARES

A VOLTA DO RADICALISMO

Grupos neonazistas propagandeiam ódio pela internet, angariando adeptos sem parar Brasil afora. Simpatizantes cresceram 200% em menos de 15 anos.

Eles estão por aí, pregando ódio, violência e preconceito nas redes sociais. No mundo real, agridem vítimas de ocasião com covardia e crueldade. No campo das ideias, interpretam fatos históricos de cabeça para baixo, se dizendo alvos de quem atacam. Aos poucos, mas de modo constante, grupos neonazistas brasileiros ganham cada vez mais adeptos e, principalmente, simpatizantes. Se em 2007 eram estimados em 150 mil, já chegam em 500 mil, de acordo com estimativas da pesquisadora Adriana Dias, antropóloga e programadora de computador que há 16 anos acompanha esses grupos pelos subterrâneos da internet. Mas já é possível vê-los em ambientes menos resguardados, como grupos de WhatsApp. Foi o que revelou o jornal Folha de São Paulo, que durante duas semanas acompanhou o grupo Fascismo Vive.

O que faz com que brasileiros, vivendo em um país miscigenado, entrem nessa? Para Dias, vale a definição do filósofo Umberto Eco (1932-2016), que viu na frustração e na falta de horizontes um campo fértil para pessoas que se sentem “desvalorizadas por alguma crise econômica ou humilhação política, assustadas pela pressão dos grupos sociais subalternos”. Mas não seria tudo. O neofascismo tupiniquim, assim como os de Portugal, Espanha e países eslavos, é diverso. “O conceito inicial é baseado nas ideias de raça e sangue surgidas no século XIX. Mas há quem pregue nazismo enquanto cultura”, afirma Dias.

Se há 20 anos um neofascista brasileiro seria menosprezado por seu congênere alemão ou austríaco, hoje a internet permite um constante intercâmbio. Isso permite que supremacistas brancos americanos que não falam uma palavra de alemão — e possuam vocabulário limitado em inglês — se sintam herdeiros do legado do hitlerismo e de suas ideias de violência extrema contra semitas e toda e qualquer esquerda política. “Se a suástica fala à sua alma, você vai entender”, pregam em chats e chans — os grupos de conversa na deep web visitadas por ISTOÉ. “Mais de 250 mil pessoas baixam conteúdo neonazista em português e cerca até 20% deles frequentam células ou eventos, como shows de bandas white power”, afirma Adriana Dias. Os grupos neonazis brasileiros têm origem entre descendentes de europeus ocidentais e, estranhamente, entre eslavos ucranianos e russos, mas avançam, criando até neonazimoreninhos. Só em Goiânia estima-se que existam 30 mil. Em Tocantins, os alvos preferenciais não são judeus — que são poucos —, mas negros, nordestinos e, novidade, caboclos e indígenas. “A situação é bem grave”.

RACISMO REVERSO

Ainda que não haja conexão direta, a eleição de um presidente de direita deixou essa turma mais afoita. Sem especificar, alguns afirmam que Bolsonaro não faz o suficiente, mesmo sem ele ter prometido nada para essa turma. Termos como “racismo reverso”, adotado pelos racistas da Klu Klux Khan, ganham espaço no vocabulário para quem critica políticas identitárias de qualquer espécie. A Polícia Federal criou um grupo de monitoramento em 2008, mas faltam recursos e pessoal. Mesmo assim volta em meia alguém é detido e processado ao cometer alguma violência. No início de agosto, em Curitiba, sete pessoas foram condenadas por racismo, associação criminosa e lesão corporal grave, com penas de 1 ano a 8 anos de prisão. Os crimes ocorreram lá em 2005. Um detalhe é perceptível. Nunca os líderes vão para a cadeia, pois fazem proselitismo virtual sem sujar as mãos

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PENSAR POR IMAGENS

Impossibilitados de se comunicar verbalmente, crianças autistas vivem num mundo próprio onde a linguagem é visual

Quando Alice entrou na sala, a cena se repetia. Seu filho de 24 anos se arrastava de joelhos, soprando um lápis pelo chão. Ela tentou a todo custo interrompê-lo, puxando-o pelos braços. Como resposta, Alexandre teve um súbito ataque de raiva e, como boxeador enfurecido, golpeou repetidamente a mãe. Os grandes olhos negros, que nos momentos tranquilos talvez indicassem alguma reflexão e fogo interior, tornaram-se, naquele instante, animados pela mais feroz expressão de ódio. Alice instintivamente colocou os braços diante do rosto, como um escudo precário. O filho recuou e deu início a uma sequência de golpes de auto- agressão, atingindo a própria cabeça com toda a força de que era capaz. A violência só terminou com a interferência de familiares.

Logo depois do nascimento de Alexandre, Alice surpreendeu-se com o fato de que ele não sugava o bico do seio. O pediatra tranquilizou-a dizendo não haver nada de errado com o bebê. Ao completar 6meses, ele ainda não acompanhava o deslocamento das pessoas com o olhar, não se fixava nos objetos e tampouco interagia com o mundo exterior. Na verdade, nem mesmo chorava como fazem as crianças quando têm fome ou estão com a fralda molhada.

Convencida de que o filho não era normal, Alice procurava uma explicação para o comportamento dele. Movimentar normalmente os membros, firmar a cabeça e segurar objetos com as mãos são sinais convencionais de bom desenvolvimento que a mãe reconhece quase instintivamente. Na idade em que a maioria das crianças balbucia “papá” e “mamã”, Alexandre não esboçava nenhuma vocalização. O diagnóstico definitivo só foi feito quando o garoto fez 6 anos: autismo.

VENDO NUMEROS

Alexandre mostrou, precocemente, enorme facilidade para cálculos matemáticos. Enquanto os colegas se esforçavam para realizar as primeiras operações numéricas, ele as executava automaticamente, multiplicando ou dividindo de forma espantosamente rápida. Apresentava o resultado não da direita para a esquerda, como é natural, mas colocava os números uns sob os outros sempre da esquerda para a direita. Fazia isso como se a operação tivesse sido primariamente resolvida na mente e só depois redigida e alinhada, com os números na ordem inversa.

Embora fosse um campeão indiscutível em matemática, era incapaz de escrever uma simples redação. Suas frases sempre brotavam a custo e sem nexo, lembrando apenas vagamente o tema proposto. Com frequência espalhava pequenos pedaços de papel onde estavam grafadas sentenças soltas, sem sentido. Anotei uma delas: “a saia amarela da Marlene”. Marlene era sua professora de piano. Perguntei a Alexandre se sabia que Marlene tinha uma saia amarela. Ele não soube responder.

Quando o filho ainda eragaroto, Alice percebeu seu profundo interesse por animais e decidiu presenteá-lo com um filhote de cachorro. Ao ver seu pequeno presente vivo, Alexandre aproximou-se dele, prendeu-o delicadamente com as mãos, envolvendo-o como nunca fizera com um ursinho de pelúcia ou qualquer outro brinquedo. A partir daí, incapaz de aceitar um abraço do pai ou da mãe, o menino procurava o cão para acariciá-lo, pegá-lo no colo, ocasião em que aparentava grande felicidade. Podia passar horas alisando o bicho, compensando a completa incapacidade de interagir com humanos com a afinidade por animais.

Esse tipo de comportamento pode ser encontrado nas confissões de Temple Grandin, uma notória autista. A despeito da doença, ela é Ph.D. em ciência animal e dá aulas na Universidade Estadual do Colorado, Estados Unidos. Temple desenvolveu grande interesse por animais e dedicou a maior parte de sua vida a cuidar deles e a desenvolver meios de amenizar o sofrimento de porcos e gado destinados a abatedouros. Numa entrevista, surpreendentemente revelou que “o gato fica perturbado com os mesmos tipos de sons que os autistas- sons agudos, assobios ou barulhos altos e repentinos”.

A propósito dessa inequívoca afinidade dos autistas por animais, Temple deu uma curiosa explicação, “Se você é um pensador visual, é fácil se identificar com animais. Se todos os seus processos de pensamento estão na linguagem, como pode imaginar que o gato pensa? Mas se você pensa em imagens…”

As poucas habilidades de Alexandre eram aquelas que, para ser executadas, exigem regras bem definidas. Sua excepcional capacidade para fazer cálculos complexos é o melhor exemplo. Comecei a testá-lo com cálculos relativamente simples. Propus, “41 x 3″ e ele prontamente respondeu “123″. Então, considerei um exercício mais complexo, “123 x 41”. “5,043”, foi a resposta escrita, imediata. Continuei insistindo: “5.043 x 321” e ele devolveu com precisos”1.618.803”.

A tarefa era executada com profunda compenetração, como se toda sua energia mental estivesse concentrada naquele ponto. Não há dispersão, não há desvio do pensamento e da atenção enquanto as regras previamente aprendidas são executadas. Essa impressionante capacidade de concentração e seletividade de alguns autistas, capaz de mergulhá-los num mundo à parte, estranho e indevassável, é relatada por Temple: “As pessoas à minha volta eram transparentes. (…) Nem mesmo um estrondo súbito me tirava do meu mundo”.

Colocar o produto de cada multiplicação na ordem inversa permanece um desafio à minha compreensão. Numa pessoa normal tal tarefa exigiria muito mais esforço mental. Temple pode ter a resposta quando diz que é capaz de pensar por imagens. Talvez seja esta a explicação para Alexandre enfileirar o resultado de seus cálculos na ordem inversa. Provavelmente ele tem a imagem dos números na mente e os coloca no papel tal qual os “vê” em pensamento.

Essa conclusão é plausível, embora não possa ser testada, pois Alexandre é um autista não verbal. E, ao contrário de Temple, jamais vai nos dizer que pode pensar por imagens.

LINGUAGEM VISUAL

Alexander Luria, o famoso neurocientista russo, estudou durante mais de 30 anos um homem cuja prodigiosa memória só é comparável ao personagem inventado pelo escritor argentino Jorge Luís Borges, Fumes, o memorioso. O paciente de Luria, embora não fosse autista, tinha a rara capacidade de pensar por imagens. Qualquer número era memorizado como sendo imagem: o número 1, a de um homem esbelto e orgulhoso; o 2, uma mulher sorrindo; o 3, um homem triste, o 6, um homem com uma perna inchada; o 7, um homem de bigodes. O personagem de Borges, em lugar de 7.013 dizia Máximo Pérez, em lugar de 7.014, A Ferrovia, (…). Em lugar de 500, dia 9.

Quem quer que tenha trabalhado com autistas, conserva a impressão muito significativa de que algo, de alguma maneira, se apoderou da mente deles. É como se uma nuvem densa tivesse envolvido seu cérebro, isolando-os e deixando-os incapazes de se comunicar com o mundo exterior. Uma muralha invisível. A barreira interposta os impossibilita de interagir com o meio e as pessoas.  A questão, se não está reduzida à falta de aquisição da linguagem, certamente tem na linguagem sua falha mais grave. É possível que os constantes ataques de fúria em autistas originem-se da completa incapacidade de se comunicar através da linguagem.

Isso sem desconsiderar que existem diferentes graus de autismo. Em alguns casos, ao final de longo treino, os pacientes acessam rudimentos de comunicação verbal. Outros, bem mais raros, se apossam de um razoável conjunto de vocábulos, palavras e frases e, se   persistentemente treinados, são capazes de desenvolver uma linguagem aceitável, a ponto de se habilitar a exercer algumas atividades, desde que monitorados e auxiliados.

Não há dois autistas idênticos. É possível que mesmo médicos ou psicólogos experientes encontrem alguma dificuldade para fazer o diagnóstico numa primeira abordagem, dependendo da forma da doença. A história colhida minuciosamente dos familiares é sempre a melhor pista. Desenhos, anotações, comportamentos são fontes para se chegar a um diagnóstico, que em geral é feito a partir do segundo ou terceiro anos de vida. Os exames complementares, mesmo os mais sofisticados, como tomografia de crânio ou ressonância magnética, pouco ou quase nada ajudam para a conclusão final.

As causas do autismo ainda hoje permanecem desconhecidas. As primeiras descrições, na década de 40, tendiam a ver a doença como uma deficiência biológica no contato afetivo. Hans Asperger propunha ser essa deficiência um erro inato, congênito, semelhante a um defeito físico ou mental, enquanto Leo Kanner defendia a ideia de que os autistas eram o resultado de maus pais. A famosa “mãe geladeira”, distante e fria. A doença só passou a ser vista como orgânica pela maioria dos médicos a partir dos anos 60. Até essa época, pelo menos algumas gerações de pais – particularmente as mães – sofreram sentindo­ se culpadas pela doença do filho.

Não restam dúvidas de que o autismo é uma doença orgânica que afeta a mente. Há fortes indícios de que seja genético, mas sua herança ainda não está completamente elucidada. Há casos em que a herança parece ser recessiva, em outros, dominante. “A semelhança da esquizofrenia, ainda não foi localizado um gene responsável pelo distúrbio, embora haja loci gênicos “candidatos”. A ideia predominante é que deve haver uma interação genética e ambiental para ambas as enfermidades. Alterações anatômicas no cerebelo, hipocampo, córtex, amígdala, septo e corpos mamilares têm sido descritas em autistas.

No que se refere ao tratamento, embora essa questão permaneça aberta, o passo mais importante é levar em conta as individualidades.  Há autistas cujas crises de fúria são tão intensas e frequentes que inibem qualquer tentativa de aproximação de um terapeuta, enquanto outros são mais acessíveis. Há outros que não emitem nem mesmo o mais rudimentar som, e também os que conseguem desenvolver uma linguagem satisfatória, alcançar algumas habilidades sociais e mesmo conquistas intelectuais altamente desenvolvidas. Alguns estudos demonstraram que a estimulação precoce está relacionada a prognóstico melhor.

AUTISMO E GENIALIDADE

Autistas com talentos singulares são raridade. Um aspecto curioso entre autistas que os desenvolveram (os chamados savantis) é que, conforme aprimoram a linguagem e a capacidade de se comunicar se expande, eles perdem gradativamente a habilidade especial que possuíam.

George e Charles, os gêmeos idênticos com síndrome de savant foram estudados por William A. Hortwitz e seus colegas em 1965, eram duas perfeitas máquinas de calcular o calendário. Podiam dizer, por exemplo, como estava o tempo no dia em que você fez 21 anos. Ou qual dia da semana seria 6 de junho no ano 91.360. Ainda mais surpreendente é o fato de que nenhum deles conseguia fazer uma simples soma, subtração, multiplicar ou dividir números com apenas 3 dígitos. Mas quando perguntados em que anos o dia 21 de abril caiu num domingo, respondiam corretamente 1968, 1963, 1957, 1946, etc. Os irmãos diziam “ver” os números na cabeça, mas insistiam não ser capazes de ver o calendário inteiro.

Mark Haddon em seu romance O estranho caso do cachorro morto, descreve seu personagem com propriedades surpreendentemente próximas do que talvez se passe na mente de um autista savant. “(…) quando as pessoas me pedem para lembrar alguma coisa, posso simplesmente pressionar Rewind, FF ou Pause como num videocassete… Se alguém diz para mim: “Christopher, como era sua mãe?” (…) posso dar um Rewind e pararem diferentes cenas e dizer como ela era em diferentes cenas.”

A distância que separa autistas e gênios parece, à primeira vista, intransponível. Mas talvez o abismo não seja tão profundo. Autistas de alto desempenho são gênios à sua maneira, ou pelo menos têm uma faceta de genialidade. Eles se veem com indisfarçável satisfação quando comparados a gênios. Temple Grandin considera que o mundo seria mais monótono e menos criativo sem eles e propõe uma desejável dose mais baixa dos efeitos desses genes para melhorar a espécie. Ela ainda chama a atenção para o fato de que Albert Einstein, Ludwig Wittgenstein e Vicent Van Gogh apresentaram alterações do desenvolvimento na infância que sugerem autismo.

Segundo Temple, Einstein só aprendeu a falar aos 3 anos e não manifestou nenhum sinal de genialidade na infância. Como muitas crianças autistas, era hábil em decifrar charadas e quebra­ cabeças. Ele próprio admitiu, “Algumas vezes pergunto a mim mesmo como pude ter sido o único a desenvolver a teoria da relatividade? A razão, segundo creio, é que um adulto normal jamais pararia para pensar a respeito de problemas de espaço e tempo”.

Quanto ao filósofo alemão Ludwig Wittgenstein, é impossível dizer de maneira categórica se ele era um autista de alto desempenho. Mas ele falou somente quando tinha 4 anos. Wittgenstein era considerado deficiente mental por muitas pessoas da própria família e não tinha nenhum talento especial. Não há dúvida de que era excêntrico. Usava uma linguagem pedante e a forma polida Sir em alemão, que significa senhor, para se dirigir a seus colegas na escola, que o evitavam e com frequência caçoavam dele. A formalidade excessiva na fala é comum em autistas com alto desempenho.

Van Gogh, quando criança e na adolescência tinha traços autistas e não apresentava o menor vestígio de habilidade especial. Gostava de jogar dados e de se isolar no campo. Um de seus biógrafos descreve as características da sua voz e maneirismos que lembram muito um adulto com tendência autista. “Ele falava com tensão e uma entonação especial na voz. Sua fala era completamente autocentrada, interiorizada e estava muito pouco preocupado com o conforto e o interesse dos seus ouvintes.”

Bill Gates é outro exemplo de pessoa com a mente altamente direcionada. A revista Time foi a primeira a fazer a conexão de que há inegáveis traços de autismo em Bill Gates. O articulista comparou os artigos de Oliver Sacks e John Seabrook publicados na revista New Yorker. O primeiro tratava de Temple e o segundo, de Gates.

Entre os traços apontados encontra-se o balançar repetitivo e a pouca habilidade social. Gates se balança durante encontro de negócios e viagens de avião, assim como crianças e adultos autistas o fazem quando estão nervosos. Ele ainda mostra grande dificuldade ou uma ausência quase completa de contato visual e tem pouquíssima habilidade nos contatos sociais. Quando criança, tinha notórias habilidades savants.  Era capaz de recitar longas passagens da Bíblia sem cometer um único erro. Sua voz tem uma tonalidade desagradável e sua aparência destoa da idade.

RAIN MAN, O FILME

Raymond Babbitt, o personagem principal de Rain Man, tornou-se o mais conhecido savant do mundo graças ao papel de Dustin Hoffmann representando­ o com uma sensibilidade extraordinária. O ator esmerou-se no papel. Para isso, incorporou maneirismos, rituais e o comportamento geral de um autista adulto estudando cientificamente o tema. Além disso, conviveu intensamente com dois autistas savants antes de interpretar o personagem. Um deles, Joseph Sullivan, 29 anos, era fascinado por números e tinha extrema facilidade com eles. Ele podia calcular o resultado de equações rápida e corretamente sem usar papel ou lápis.

Sua poderosa memória era capaz de recordar uma tabela de 36 números que lhe foi dada para estudar durante 2 minutos. Em 43 segundos, Joseph reproduziu a tabela com os números exatamente nas mesmas posições.

A cena em que Babbitt memoriza os números de telefones enquanto passa os olhos pelas páginas da lista na letra G, e depois surpreende a garçonete ao ler o nome dela no crachá e dizer em seguida o endereço e o número de telefone da sua casa (o nome dela começa com G), é similar às leituras de Joseph e sua capacidade de memorizar enciclopédias.

Rain Man retrata duas condições: autismo e síndrome de savant. Fazer esta distinção é importante porque nem todo autista é savant. A característica savant é, portanto, uma condição separada, que só aparece em alguns autistas. O repertório particular de habilidades savants exibido por Raymond Babbitt representa um compósito savant com habilidades inspiradas a partir de diferentes pessoas, entre autistas e deficientes mentais. O ponto inicial é que, embora compósito, as habilidades savants incorporadas em Raymond Babbitt existem de fato. A cena em que ele esbarra e deixa cair no chão uma caixa de palitos e, num relance, conta os 246 palitos espalhados é semelhante à habilidade dos gêmeos George e Charles com matemática.

O diretor teve o cuidado de não se afastar muito da realidade e representou ambas as condições, savant e autismo. Deixa claro, por exemplo, que o local onde Babbitt vive é um centro para tratamento de distúrbios do desenvolvimento e não um hospital para doentes psiquiátricos. Este aspecto é muito importante, pois o autismo é uma doença do desenvolvimento e não uma doença mental. Quando o médico explica ao irmão de Babbitt (Tom Cruise), que possivelmente tenha ocorrido um “dano no lobo frontal durante a vida fetal” de Babbitt ele está dizendo que autismo não é distúrbio psicológico, mas transtorno biológico.

O filme também enfatiza o aspecto, ainda não amplamente difundido, de que o comportamento dos pais durante a infância de uma criança autista pouco ou nada tem a ver com a origem dessa condição. Finalmente, Rain Man é altamente eficiente ao nos trazer a mensagem de que, ao lidarmos com deficientes, nós devemos nos acomodar às necessidades deles, em vez de exigir que façam mudanças para tornar-se exatamente como nós.

Apenas 10% dos autistas têm habilidades ou “talentos” savant. Entre eles, o número dos que tem habilidades prodigiosas como Raymond Babbitt é muito pequeno. Há nítidas diferenças entre talentos savants e prodigiosos savants. Raymond Babbitt era certamente do tipo prodigioso. Já Alexandre, nosso paciente autista, tem talentos savant, embora não seja um savant prodigioso.

A incidência da síndrome de savant é muito baixa entre pessoas com deficiência mental, condição muito mais frequente que o autismo. Embora as duas condições sejam distúrbios do desenvolvimento, deficiência mental e autismo são independentes. Pode haver coincidência entre elas, ou seja, algumas pessoas com deficiência mental podem exibir qualidades autistas, mas em geral essas duas condições têm etiologias diferentes, requerem tratamento especializado e abordagem educacional específica. As espetaculares habilidades savants são incorporadas quer seja num autista ou num deficiente mental, e a síndrome de savant existe como uma condição especial em qualquer um desses distúrbios.

O CASO NADIA

Até a publicação do caso Nádia, por Loma Selfe, em 1977, a neurologia se empenhava em conhecer o funcionamento da mente a partir das deficiências adquiridas após lesões cerebrais. O estudo de talentos prodigiosos foi um impulso para a pesquisa dos fenômenos mentais, na contramão dos estudos clássicos.

Nádia era uma garota com apenas 3 anos quando começou a desenhar. Seus primeiros desenhos representavam cavalos. Transmitiam noção de espaço, nitidez absoluta de formas, expressões, sombras e perspectiva que mesmo uma pessoa normal e muito talentosa não poderia expressar antes dos 15 anos. Enquanto uma criança começa a desenhar com rabiscos e formas primitivas, até suas representações passarem a adquirir algum sentido visual, Nádia ia direto para desenhos figurativos altamente expressivos. Oliver Sacks, a propósito do caso Nádia, chama a atenção para o fato de que nem Picasso era capaz de desenhar cavalos aos 3 anos como Nádia, ou catedrais aos 7, sugerindo razões cognitivas e de neurodesenvolvimento para explicar o fenômeno.

Nádia era uma legítima representante de um autista prodígio. Os sinais e sintomas de autismo se manifestaram muito precocemente em sua vida. Ela tinha necessidades obsessivas por coisas triviais, comportamento ritualístico, sociabilidade prejudicada, ecolalia e pobreza de linguagem. Aos 6 anos, mal conseguia combinar duas palavras para formar uma frase simples. Com frequência empregava jargões ininteligíveis e tinha episódios incontroláveis de gritos, além de ser destrutiva. Seu comportamento agitado alternava-se com extremo mutismo, lentidão e retraimento. Ela era incapaz de interagir por meio do olhar e não suportava qualquer espécie de contato físico.

PERGUNTAS SEM RESPOSTAS

O dom de Nádia era o desenho, sua deficiência era a linguagem ou a fala dela. Foi exatamente o déficit de linguagem emNádia que forneceu a base para a hipótese de Loma Selfe a respeito da sua espantosa capacidade para o desenho. Selfe postulou que a imagem visual é usada como ‘linguagem inicial’ por todos nós quando crianças. Ao amadurecermos, a linguagem visual decai pela falta de uso e é suplantada pela linguagem falada. Selfe propôs que, uma vez que houve uma falha no desenvolvimento da linguagem falada em Nádia, o mesmo não aconteceu com a linguagem visual que, ao contrário, desenvolveu-se completamente na capacidade de desenhar, compensando sua deficiência.

Aos 7 anos, Nádia entrou para uma escola especializada em autistas e sua linguagem melhorou. A habilidade para desenhar regrediu progressivamente e desapareceu. A partir daí ela raramente desenhou espontaneamente. De tempos em tempos seus cavalos apareceram, porém sem a chama ou o brilho iniciais. Embora as explicações para este fenômeno permaneçam misteriosas, este é um ponto crucial que nos adverte para a forma de abordar um savant.

Num dos meus últimos contatos com Alexandre, já com este texto em andamento, fui surpreendido no final da consulta. Ao medespedir da mãe, ela me deu um beijo na face. Logo em seguida, ele se inclinou sobre mim, imitando o gesto e resvalou os lábios sobre o meu rosto, rápida e fugazmente. Em 15 anos de entrevistas periódicas, essa foi a primeira manifestação de convívio social que ele se permitiu na minha presença. Durante mais de uma década, mal consegui meaproximar dele, restringindo-me apenas a observá-lo – enquanto ele permanecia sentado com a cabeça abaixada, muitas vezes fazendo um gesto repetitivo de rodar o polegar da mão direita envolvido pelos dedos da outra mão – e a ouvir atentamente o que a mãe tinha a dizer. Raras vezes consegui examinar seus reflexos, e quando o fiz foi de maneira bastante superficial e apenas nas pernas, pois não era preciso segura ­ las. Ele jamais aceitou que eu tocasse seus braços para examiná-los utilizando o martelo de borracha.

E agora ele me surpreendia com essa despedida, que fiquei tentado a classificar de “calorosa”, e na qual insisti em ver um sinal de afeto. No entanto, ainda me resta uma ponta de dúvida: afeto ou apenas um gesto automático, para imitar o que fizera a mãe alguns segundos antes? Talvez, e infelizmente, eu nunca venha saber a resposta.

ISOLADO EM SI MESMO

O autismo foi descrito pela primeira vez em 1943, por Leo Kanner, em Baltimore, Estados Unidos. Na mesma época, em Viena, Áustria, Hans Asperger descreveu uma forma mais branda da doença que ficou conhecida como síndrome de Asperger. Ambos, Independentemente, a denominaram autismo. Eles enfatizaram o “Isolamento mental” em que vivem as crianças autistas, e esse é o traço fundamental para reconhece-las. O significado da palavra pode ser Interpretado como “Isolado em si mesmo”. Eles ainda apresentam “uma Insistência obsessiva na repetitividade”, que se manifesta sob a forma de movimentos ou na de rituais e rotinas. O surgimento de fascinações e fixações altamente direcionadas também é mencionado. Asperger enfatizou a questão do olhar, salientando que “eles não olham diretamente para as pessoas (…) parecem absorver as coisas com olhadelas breves e periféricas”. Ninguém pode saber com certeza o que acontece na mente das pessoas. Todavia, podemos inferir o que elas pensam com base no que dizem ou fazem, no que lemos nas entrelinhas, no que nos mostram através das expressões faciais, na expressão do olhar e no seu comportamento geral. Com autistas isto não acontece. Eles não podem imaginar o que uma outra pessoa pensa.

Em 1985, Baron-Cohen, Alan Leslie e Uta Frith relataram o resultado de uma experiência simples feita com várias crianças autistas, usando crianças com síndrome de Down e crianças normais como controle. O objetivo era saber o desempenho de autistas quanto ao quesito de “saber se o autista imagina uma mente no outro”. Eles chegaram a uma conclusão surpreendente, a de que autistas, mesmo com idade mental mais elevada que os controles, falham em atribuir uma mente ou um pensamento ao outro. Os autores postularam que essa deficiência é característica de autistas, e independe do retardo mental. É o mesmo que dizer que crianças autistas têm uma espécie de cegueira para a mente. Agem como se a circuitaria neuronal, capaz de atribuir mente aos outros, estivesse danificada. Elas quase nunca fingem, são incapazes de explicar a diferença entre uma laranja e a lembrança de uma laranja, não conseguem distinguir entre alguém olhar para um objeto e tocar este objeto, podem saber o rumo do olhar no rosto de uma figura de desenho animado, mas não advinham que ele quer aquilo que está vendo.

A VOZ DA AUTISTA

Como a maioria dos autistas, Temple Grandin apresentou os primeiros sinais da doença muito cedo. Em sua autobiografia, Uma menina estranha, a descrição que faz de seu mundo é o de vivências por vezes altamente intensificadas e outras pratica mente anuladas. Ainda menina, tinha hipersensibilidade dos sentidos, e era praticamente incapaz de suportar frustrações. Quando acontecia, reagia com impulsividade incontrolável – as famosas crises de fúria dos autistas. Sua total incapacidade de se relacionar e de cumprir alguma regra social para sua idade, tornou-a, muito cedo, completamente isolada.

Quando menina, desejava multo ser abraçada, mas, ao mesmo tempo ficava aterrorizada com qualquer contato físico, como muitos autistas. Isso a fez idealizar a inusitada máquina do abraço, ou máquina de apertar, um dispositivo mecânico, em forma de V invertido. São duas lâminas retangulares, medindo cada uma, cerca de 1 metro, unidas na porção superior, formando o vértice do V. Ambas são forradas por confortável almofada de couro e acionadas por um compressor previamente regulado. O autista entra na máquina e ela o envolve suavemente, apertando-o lateralmente, como num amplo abraço.

GESTÃO E CARREIRA

MINIMALISMO PARA MUDAR DE CARREIRA E DE VIDA

Como a prática do minimalismo pode te ajudar a trocar de carreira e mudar de vida

Desde a escola até a vida adulta aprendemos de forma receptiva e não ativa. Ouvimos uma pessoa que sabe mais do que nós, professores, e fazemos provas ao fim dos semestres para atestarmos que captamos o conteúdo passado. Não somos treinados a aprendermos de forma ativa, sendo proativos, buscando o conhecimento. Isso é refletido na nossa vida profissional. Optamos por profissões em que a linha de ganhos, em reais ou em outra moeda, seja rápida e sempre ascendente.

Além da forma de aprendizado nas escolas também somos imersos a uma quantidade robusta de informações, redes sociais, e padrões de consumo e de quem devemos ser ou perseguirmos ser. Aqui entra a propaganda em massa que não é apenas direcionada a adultos mais também a crianças e adolescentes. Nessa lógica social e vigente, buscando o que não queremos, mas não se dando conta disso, entramos em um ciclo de acumularmos coisas, relacionamentos rasos, e pouca procura de nós mesmos.

Para se ter ideia em números: no ano de 1983, as companhias gastaram 100 Milhões de Dólares em publicidade para crianças. Já em 2006 essa cifra subiu para 17 Bilhões. Nesse contexto, muitos pais trabalham mais, encurtam o tempo de convivência com as crianças e muitas vezes têm profissões que não os fazem felizes.

Nesse ciclo, trocar de carreira quando se tem filhos pode ser algo impossível. Para aqueles que não são casados e não tem crianças pode parecer mais fácil, porém, mudar de profissão exige um planejamento principalmente mental e isso independe se você mora com outras pessoas, se tem família ou se é responsável por outro indivíduo.

O minimalismo consiste na ideia de menos é mais, porém, algo que muitos confundem é que a prática não é a oposição ao capitalismo e/ou ao consumo. E sim, uma mudança de hábitos no consumo compulsivo. Quantos de nós temos roupas e outros itens em casa que não tem finalidade? Ou como o próprio estudioso Joshuan Fields afirma quanto de nós temos “coisas” que não nos fazem felizes?

Aplicar o minimalismo além do seu lar pode ser algo difícil, porém, trará uma vida mais simples e pode lhe ajudar a mudar de carreira e\ou escolher uma profissão que o fará mais feliz.

Seguem 5 ações do especialista em carreira da Minds Idiomas, Fabiano Castro:

1) AVALIE CADA ITEM/COISA QUE TEM EM CASA E NO AMBIENTE DE TRABALHO
Veja se realmente você usa esse objeto, a quanto tempo não o usa, e se ele tem um propósito. Uma finalidade e/ou se lhe faz feliz. É um processo. Você não vai conseguir se desfazer de tudo o que não lhe é útil rapidamente, porém, persista. Cheque o que pode ser doado e o que tem que ir para o lixo. Aos poucos essa “faxina” no externo irá intervir no seu interno e nas suas decisões no dia a dia.

2) OBSERVE OS SEUS COMPORTAMENTOS AUTOMÁTICOS
Nós, seres humanos, somos programados para ficarmos insatisfeitos. Isso porque somos formados pelos nossos hábitos e muitas vezes não paramos para observá-los. Olhe como você utiliza o seu tempo, o que come, o que realmente veste, com quem conversa, quantas vezes olha para o celular, enfim. Somos formados por esses hábitos e ao percebermos que podemos mudá-los reprogramamos a forma como pensamos e concomitantemente podemos alterar as nossas ações. Isso fará você trabalhar melhor, planejar a sua mudança de carreira, se assim desejar, e construir relacionamentos mais sólidos.

3) CONSCIÊNCIA NO USO DA TECNOLOGIA
Um estudo da Nokia revelou que na média um indivíduo checa o seu celular 150 vezes por dia. Isso acontece, entre outras razões, porque buscamos a sensação da Dopamina que consiste no sentimento de recompensa quando retuitamos algo, recebemos cliques em uma foto, e checamos quem visualiza os nossos Stories no Instagram.

Acontece que sem o uso consciente, do tempo que destinamos por dia aos nossos smartphones, não colocamos em prática experiências realmente importantes para nós. Como um trabalho satisfatório, uma conversa realmente centrada ao que está sendo dito e ouvido, uma viagem, ou a degustação de um bom prato. Viva o presente e real, a tecnologia pode e deve ser usada, mas com consciência.

4) LEMBRE-SE QUE AS SUAS ESCOLHAS PRECISAM SER JUSTIFICADAS APENAS PARA SI MESMO, E NÃO AO OUTRO
Não é afirmação da falta de empatia, e sim ampliando o debate de que o minimalismo tem a ver intrinsecamente com o que é importante para o indivíduo. Na forma mais singular possível. Ou seja, os itens físicos e escolhas emocionais têm a ver com o propósito que isso tem para esse ser humano.

Mantenha coisas e pessoas que lhe fazem felizes e tenham uma finalidade. Isso envolve carreiras, relacionamentos, e até escolhas “banais” do dia a dia.

5) SE DÊ LIBERDADE
O minimalismo concede mais tempo, ou seja, mais liberdade. Mesmo que você more com outras pessoas e tenha que compartilhar das suas escolhas/decisões e claro entrar em acordo com os que divide o próprio teto e assim crescer como grupo faça isso por você. O minimalismo não é uma competição de quem tem menos e consegue viver com menos. É uma nova forma de viver mais. Ter mais saúde, trabalhar com o que se gosta, ter mais tempo para os filhos, amigos, e vivenciar experiências reais.

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 2 – NOSSOS INIMIGOS ESPIRITUAIS

Os demônios são inimigos espirituais, e a responsabilidade de todo cristão é enfrentá-los, diretamente, numa luta espiritual.

“Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e, sim, contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes.” (Efésios 6:10-12.)

“Porque, embora andando na carne, não militamos segunda a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e, sim, poderosas em Deus, para destruir fortalezas; anulando nós, sofismas…” (2 Coríntios 10:3, 4.)

A Bíblia usa a analogia de luta ao referir-se ao nosso combate contra Satanás e suas tropas. “Luta” é a palavra certa, pois ela indica combate corpo-a-corpo com os poderes das trevas. A maioria de nós preferiria usar um canhão para atingi-los de longe, mas isso não é possível. A luta é bem pessoal e de perto. O inimigo é espiritual, e as armas contra ele são espirituais.

A luta também sugere métodos táticos de pressão. Isto nos diz que o método usado por Satanás é o de impor pressão. Ide impõe pressão nas áreas de nossos pensamentos, emoções, decisões e em nossos corpos. Muitas vezes os crentes sentem as pressões do inimigo de uma maneira ou de outra. Quando alguém não conhece os métodos satânicos, ele se volta para os tranquilizantes, comprimidos para dormir ou ao sofá do psiquiatra. Mas o remédio divino indicado para obter a vitória sobre as pressões demoníacas é a luta espiritual.

A Bíblia nos mostra como o cristão pode impor pressão contra os demônios e vencê-los, Ele deve dispensar as armas carnais e tomar as fortes armas espirituais. O crente deve conhecer suas armas e saber como usá-las tanto quanto deve conhecer os métodos do inimigo e como vencê-lo.

A carta aos Efésios, no capítulo 6, versículo 12, nos fala de quatro coisas de suma importância a respeito de nosso inimigo espiritual.

PRIMEIRO: a carta de Paulo nos diz que nossa luta é contra PRINCIPADOS. A palavra grega para principados é “archás”. Esta palavra é usada para descrever uma série de coisas, tais como líderes, reis, majestades. Assim: uma “série” de líderes ou governadores descreveria sua posição e organização. A palavra “principados” nos diz que o reino satânico está bem organizado. Satanás é o chefe do seu reino e sob seu domínio há uma fila de espíritos de altas posições.

A palavra “principado” significa o território ou jurisdição de um príncipe ou o país que dá o título a um príncipe. Assim, vemos que esses espíritos reinantes estão designados para tomar conta de regiões como nações e cidades. Isto é esclarecido no livro de Daniel, capítulo 10. Daniel estava querendo ouvir a palavra de Deus através de oração e jejum.

Depois de três semanas, apareceu um anjo, explicando que a chegada dele com a mensagem de Deus tinha sido atrasada por causa de um encontro com o “príncipe do reino da Pérsia”. Ele não se refere a um príncipe humano, pois não há mero homem que poderia resistir a um mensageiro celeste. Ele está falando de um príncipe demoníaco.

Assim, está claro que há espíritos demoníacos, reinando, sob a direção de Satanás, sobre nações e cidades, para realizar seus fins imundos. Quando há problemas que persistem, infestando igrejas e lares, pode bem ser a indicação de que agentes maus foram ali colocados para criar problemas, Assim, descobrimos que nossa luta espiritual abrange muito mais do que nossas vidas individuais. Estamos lutando pelo bem de nossos lares, comunidades e nação. O inimigo está muito bem organizado. Seus movimentos têm um só alvo — fazer o mal.

SEGUNDO: estamos informados de que nossa luta é contra Potestades. A palavra grega é “exousías” que, traduzida, quer dizer “autoridades”. Esta palavra nos diz que os demônios, colocados sobre várias áreas ou territórios, têm autoridade para cumprir qualquer das ordens que venham a receber. O soldado cristão não precisa se desanimar ao saber que quem ele enfrenta tem autoridade, pois ao crente foi dada autoridade ainda maior. Ele está revestido com a autoridade do nome de Jesus.

“Estes sinais hão de acompanhar aqueles que creem: em meu nome expelirão demônios…” (Marcos 16:17.)

Este versículo nos diz que os que creem têm autoridade maior que a autoridade dos demônios. Os demônios são obrigados a se render à autoridade do nome de Jesus.

As Escrituras revelam que os demônios não somente têm autoridade, mas também poder. No Evangelho de Lucas, capítulo 10, versículo 19, lemos sobre o “poder” do inimigo. A palavra para “poder” no grego é ”dunamis”. Nossa palavra “dínamo” vem dessa palavra. Mas este fato não desanimará o cristão, pois ele tem a promessa da Palavra de Deus de que. ele pode ter poder ainda maior do que o do inimigo.

“…recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.” (Atos 1:8.)

O crente recebe poder com o batismo no Espírito Santo. Jesus reconhece que Seus seguidores precisam de autoridade e poder para combater o inimigo. Quando Ele enviou os doze, eles foram todos equipados.

“Tendo Jesus convocado os doze, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios, e para efetuarem curas.” (Lucas 9:1)

Um pouco mais tarde no Seu ministério, Jesus enviou 70 discípulos, dois a dois, e, quando eles voltaram, contaram do sucesso que tinham experimentado em lidar com poderes demoníacos em nome de Jesus.

“Então, regressaram os setenta, possuídos de alegria, dizendo: Senhor, os próprios demônios se nos submetem pelo teu nome! Mas ele lhes disse: Eu via a Satanás caindo do céu como um relâmpago. Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo, e nada absolutamente vos causará dano.” (Lucas 10:17-19.)

A Grande Comissão que Jesus deu à Sua Igreja proporciona a mesma autoridade e poder. Em Marcos 16:17 está dito que é para os crentes expulsarem os demônios em nome de Jesus. Esta promessa não foi limitada apenas aos apóstolos ou aos discípulos d6 primeiro século, mas é para todos os crentes de todos os tempos. A Comissão, registrada em Mateus 28:18-20, abre-se com a declaração: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto…”

Possuímos hoje a mesma autoridade e o mesmo poder para ministrar o que foi dado à Igreja no princípio. Seria pura tolice combater os espíritos demoníacos sem esse poder e autoridade. A autoridade vem através da salvação; o poder vem através do batismo no Espírito Santo.

O poder que o crente recebe por meio do poderoso batismo no Espírito Santo é visto na operação dos dons do Espírito. (Veja 1 Coríntios 12:7-11.) Tais dons do Espírito, como palavras sobrenaturais de conhecimento e o discernimento de espíritos, são indispensáveis na luta espiritual. Esse poder e autoridade em nome de Jesus são dados a fim de que o crente possa vencer os poderes demoníacos.

Um policial militar é um exemplo de autoridade e de poder. Ele se levanta de manhã e veste sua farda e os emblemas policiais. Todo mundo reconhece sua autoridade pelo uniforme e emblemas. Mas há pessoas que não respeitam a autoridade, seja ela qual for. Por isso, o guarda usa o cassetete dum lado e o revólver do outro. Agora ele tem o “poder” necessário para reforçar a sua autoridade. Da mesma maneira, o cristão será um tolo se tentar combater as forças demoníacas sem autoridade e poder.

Não devemos ficar esperando que Deus venha em nosso socorro. Não é hora de orar para que Deus providencie o poder e a autoridade. Ele já providenciou nossa salvação e nosso batismo no Espírito Santo. Deus está esperando que reconheçamos que Ele JÁ providenciou tudo o que é necessário e que é para entrarmos na luta, tornando-nos a Igreja militante da profecia:

“Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” (Mateus 16:18.)

TERCEIRO: Aprendemos que lutamos contra “os dominadores deste mundo tenebroso”. A palavra grega para “dominadores deste mundo” é “kosmokrátoras” que pode ser traduzida como “príncipes deste século”. Tal designação do inimigo enfatiza sua intenção de controlar. Nas Escrituras, Satanás é conhecido como “o deus deste século” (2 Coríntios 4:4).

Quando Adão caiu por seu próprio pecado, Satanás ganhou domínio sobre o mundo. Jesus não negou quais as pretensões de Satanás feitas durante o período de tentação no deserto.

“E lhe disse: Tudo isso te darei se, prostrado, me adorares.” (Mateus 4:9.)

É de máxima importância que reconheçamos Satanás como um inimigo vencido. Ele não tem poder nem reino. Temos todo o direito de tratá-lo como um transgressor.

Vamos supor que você é o proprietário de um terreno todo arborizado. Como dono, você coloca uma placa dizendo “ENTRADA PROIBIDA”. Isso significa que você é dono e tem o direito legal de proibir a entrada de estranhos. Aparece um caçador. Ele não liga para a placa e a transgride. Quando você o descobre, manda-o embora. Ele não tem o direito de ficar.

É importante que entendamos que os espíritos demoníacos não têm o direito legítimo de ficar no cristão. Eles transgridem, mas, quando tomamos a iniciativa e os mandamos embora, eles devem sair.

Jesus explicou Sua habilidade em expulsar os demônios nestas palavras:

“… E se eu expulso os demônios por Belzebu, por quem os expulsam vossos filhos? Por isso eles mesmos serão os vossos juízes. Se, porém, eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente é chegado o remo de Deus sobre vós. Quando o valente, bem armado, guarda a sua própria casa, ficam em segurança todos os seus bens.

Sobrevindo, porém, um mais valente do que ele, vence-o, tira-lhe a arma- dura em que confiava e lhe divide os despojos.” (Lucas 11:20-22.)

Jesus declarou que a armadura do “valente” foi tirada. Isto significa que Satanás está completamente sem defesa. A expressão “toda sua armadura” é a palavra grega “panoplía”. Panoplía é usada mais uma vez no Novo Testamento. Em Efésios 6:11 o cristão é exortado a revestir- se de TODA A ARMADURA de Deus. Assim, o cristão não tem ponto vulnerável, enquanto o diabo é vulnerável em tudo!

Satanás ainda está tentando dominar o mundo, e temos de afirmar que ele tem progredido bastante na realização de seu alvo. Por quê? Porque a Igreja não tem se levantado na autoridade e poder, que é a sua herança. Mas, nestes dias, uma grande parte do corpo de Cristo está começando a entender o inimigo; está tomando a sua própria armadura espiritual; e está tomando a ofensiva contra Satanás e suas hostes. Quanto mais os cristãos entram na luta, tanto mais Satanás perderá.

QUARTO: As Escrituras dizem que lutamos contra as “forças espirituais do mal nas regiões celestes”. A frase-chave aqui é de caráter injurioso ou destrutivo. Estes poderes têm só um objetivo -_o mal. Eles podem aparecer como anjos de luz e, por ilusão, atraírem muitas pessoas para as redes da destruição. Jesus expôs seus maus objetivos nestas palavras:

“O ladrão vem somente para roubar, matar é destruir…” (João 10:10a.)

Estas quatro expressões de Efésios 6:12 têm-nos dado um quadro vivo do reino satânico. Está bem organizado para alcançar os seus objetivos. Os poderes demoníacos estão colocados em ordem e autorizados por Satanás a controlar o mundo inteiro, enchendo-o com maldade perniciosa. Não há vantagem nenhuma para nós ignorarmos as forças e os métodos de Satanás. Isto deixa Satanás operar como sempre — oculto e sem oposição. O fato de não nos envolvermos na luta espiritual contra ele sugere que não nos importamos com aquilo que acontece conosco, com nossos queridos, com nossa comunidade, com nosso país OU com o mundo.

A maioria dos cristãos não se envolve na luta espiritual por falta de orientação ou de reconhecimento da importância da luta e de como entrar nela. Hoje Satanás está ostentando seu poder por meio do espiritismo de todo tipo, horóscopos, seitas, etc. a Igreja está sendo forçada a examinar novamente seus próprios recursos.

OUTROS OLHARES

A AMEAÇA DOS CIGARROS ELETRÔNICOS

Forma moderna de consumir nicotina atrai cada vez mais pessoas e pode ressuscitar a indústria do tabaco. Apesar de menos nocivos que os cigarros de papel, a extensão completa de seus malefícios ainda é desconhecida

Está ficando cada vez mais comum encontrar pessoas nas ruas fumando cigarros eletrônicos. Eles também são conhecidos como E-cigar ou vape. Podem ser de diferentes tipos, alguns até se assemelham a pen-drives: emitem um belo vapor branco que não cheira mal como o cigarro de papel convencional e se dissipa muito mais fácil. No Brasil, eles são oficialmente proibidos, mas podem ser facilmente comprados pela internet em sites de importados. O funcionamento desses dispositivos não usa fogo. São à base de bateria, que deve ser recarregada após algum tempo de uso. Basta que o usuário puxe o ar pelo cartucho para que ele ative um atomizador, aquecendo o líquido eletrônico e o vaporize, permitindo que a substância seja aspirada. Esse composto pode ter sabores mentolados, gelados e até com cannabis, mas em quase todos está presente a nicotina, substância característica dos cigarros e responsável pela dependência química dos usuários.

Um dos grandes trunfos do cigarro eletrônico é oferecer a nicotina sem outros compostos mais abrasivos que existem nos cigarros comuns, como substâncias cancerígenas e alcatrão. O estudante de engenharia ambiental Lucas Magno foi um que migrou do papel para o eletrônico pela ausência de cheiro e por não deixar mau hálito. Ele argumenta: “se a humanidade consome nicotina há tanto tempo, por que não usar a tecnologia para fazer disso o menos nocivo possível?” Leonardo, também engenheiro, pesquisou bastante antes de comprar seu gadget de nicotina e o fez como um substituto para o uso contínuo de cigarro convencional. “Coloquei na balança a composição do cigarro eletrônico contra os montes de substâncias que fazem mal do de papel e fiquei com o primeiro”, explica.

Ambos entendem o impacto da nicotina no organismo, e contam que os dispositivos eletrônicos chamam bastante atenção no ciclo de amigos. Lucas, inclusive, evita iniciar curiosos na substância através do E-cigar. “Geralmente quem pede é fumante, quem não é, eu não deixo”. A consciência dos problemas do consumo dessas substâncias que há entre eles não é observada em muitos jovens. Nos Estados Unidos, o cigarro eletrônico já foi declarado como epidemia. No Brasil, um estudo do Programa Nacional de Tabagismo do SUS apurou que 30% dos usuários menores de 30 anos já experimentaram um vape. Muito do apelo ao uso vem de questões estéticas, além dos diferentes sabores, e há também a crença de que o cigarro eletrônico “é mais saudável”, o que não é necessariamente verdade. O presidente da comissão de tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, Luiz Fernando Pereira, é categórico quanto aos novos dispositivos: “não há dúvidas que há menos substâncias que fazem mal à saúde do que nos cigarros normais”. Segundo ele, o problema está nos efeitos ainda desconhecidos a médio e longo prazo do uso desses gadgets de nicotina. Ele cita casos de convulsões, de baterias que podem explodir e até de mortes. Na sexta-feira 23, o Centro de Controle de Doenças dos EUA reportou o primeiro óbito decorrente de doenças respiratórias adquiridas pelo uso de cigarros eletrônicos, e há outros 193 casos sob as mesmas suspeitas.

INTERESSES FINANCEIROS

A preocupação de Pereira com o uso prolongado dos E-cigars vem no momento em que há o interesse de legalizá-los no Brasil. “Sigo com a opinião da Organização Mundial de Saúde: não devemos legalizar, pois não sabemos todos os seus efeitos, mas se isso acontecer, que seja sob as mesmas regras do tabaco”, afirma. Dessa forma, existiriam restrições de uso em ambientes fechados e na publicidade. O Brasil diminui anualmente o número de fumantes, hoje em 9,4% da população – chegou a ser 35% nos anos 1980. A taxa pode voltar a crescer com a expansão dos dispositivos eletrônicos. Essa é a grande aposta das gigantes do tabaco. A Phillip Morris, líder mundial do segmento, informou que pode se unir a Altria Group, que resultaria numa gigante de mais de US$ 200 bilhões. A estratégia faz parte de um projeto de migrar os usuários de cigarro convencional para os gadgets de nicotina. Para os agentes do lucro, pouco importa se faz mal: basta que a população ignore os efeitos nocivos. Décadas foram necessárias para convencer dos problemas que o cigarro traz a saúde, mas, com os avanços da medicina, talvez provar cientificamente o problema dos cigarros eletrônicos não demore tanto..

GESTÃO E CARREIRA

UM NOVO SIGNIFICADO DE COMPETÊNCIA

Por Roberto Madruga, professor de liderança e de esquipes de alto desempenho da HSM, diretor da ConQuist Consultoria e professor de MBAs da FGV e da UFRJ

Competência é o termo mais comentado na atualidade pelas organizações e instituições que almejam desenvolver pessoas rumo à criação de diferenciais competitivos.

Designada comumente como a soma de Conhecimentos, Habilidades e Atitudes de um indivíduo (CHA), a competência é a base de tudo, é a busca pela perfeição que, embora saibamos ser impossível para nós seres humanos caminhar na direção dela, já garante resultados substanciais e satisfação geral. 

A aquisição de competências por qualquer pessoa é algo nobre, contudo terá mais valor se acrescentarmos a palavra Resultados no tradicional CHA, transformando-o no CHAR.

Uma pessoa experiente na empresa que é expert em infraestrutura, por exemplo, conhece tudo sobre materiais e tem grande capacidade tecnológica. Ela pode ser considerada competente na sua função? Talvez sim, porém, não é garantido.

“Talvez”, porque o fato de “saber tudo” não garante mais, isoladamente, o sucesso das organizações, tão pouco dessa pessoa. “Talvez”, porque o fato de adquirir uma competência pode ainda não ser suficiente se não houver um esforço para a obtenção de resultados. 

Adianta alguém competente que precisa entregar um balanço em janeiro, relativo ao exercício do ano anterior, apresentá-lo somente em julho?

É por isso que está na hora de acrescentarmos mais uma letra ao famoso e tradicional CHA (Conhecimento, Habilidade e Atitude). É necessário incluirmos o “R” de Resultados para garantir que todo CHAR seja orientado para o êxito pessoal de quem se desenvolve, da organização e da sociedade. Isso mesmo, o CHAR pode e deve, no mínimo, possuir três stakeholders interessados.  

Sendo para fins lucrativos ou não, toda organização busca maximizar seus frutos e, para isso, precisará contar com o seu ativo mais valioso: pessoas competentes e orientadas ao resultado. O diagrama do CHAR exemplifica bem a questão.

Para considerarmos que alguém adquiriu uma competência será preciso o que essa pessoa domine o saber, o fazer e se movimente com atitude para implantar o que está definido, mas sempre orientada para o resultado de forma a trazer mais benefícios para si e para os outros.

Um exemplo bem prático que observamos no dia a dia. Um garçom, com 10 anos de experiência, que domina completamente o processo de servir e atender seus clientes e que é elogiado por eles, pode ser ainda mais efetivo se durante o seu trabalho pensar e praticar ações simples para melhorar o resultado do restaurante. Ele poderá sugerir ao proprietário do estabelecimento dicas de pratos que podem gerar mais negócios, pois está continuamente ouvindo sugestões dos clientes.

Esse é um exemplo do CHA acoplado ao R, daí temos o CHAR.Concluindo. Não basta capacitar as pessoas nas competências necessárias. É preciso dirigir as ações educacionais com foco em resultados, de forma que as stakeholders interessados sejam beneficiados: organização, colaborador, clientes e sociedade.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PESSOAL E INTRANSFERÍVEL

Pesquisadores confirmam a existência de um elo entre genes específicos e traços de personalidade. Conhecer de que forma se dá essa interação pode permitir diagnóstico precoce e tratamento de transtornos mentais

Pense um instante em como você é. Uma pessoa tranquila e afável ou tensa e nervosa? Sociável ou tímida? Desorganizada ou metódica? É bem provável que, instintivamente, você saiba quanto possui de cada uma dessas características e de dezenas de outras semelhantes. Afinal, muito mais que sua aparência física, são elas que o definem.

Mas o que faz com que você seja assim? As bases da personalidade humana e porque ela varia tanto são questões que têm fascinado filósofos, artistas e cientistas há séculos. Como é possível uma única natureza abranger variedade tão infindável e duradoura? Não se trata de mera tese acadêmica. “A personalidade não apenas influencia o sucesso que se vai ter na vida: ela determina esse sucesso”, afirma Paul Costa, um dos principais estudiosos do assunto dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês), em Bethesda, Estados Unidos. Uma sina e tanto a nossa, portanto: sermos conduzidos por algo que compreendemos tão pouco. Nossa carreira, nossa felicidade, nossos relacionamentos, nossa saúde – tudo isso depende dessa coisa chamada personalidade. Como defini-la, então?

Psicólogos vêm tentando chegar a uma conclusão ao longo dos últimos cem anos e desenvolveram, com esse objetivo, numerosos sistemas capazes de descrever e mensurar a personalidade em seus mínimos detalhes. Idealizaram extensos questionários no intuito de revelar como as pessoas geralmente pensam, agem e sentem. Contudo, nesse campo as ideias nunca chegaram a ir muito além das de Galeno, médico do século II que defendeu a hipótese de a personalidade ser produto da relação entre os quatro humores corporais, bile negra (melas khole), bile amarela (khole), sangue (sanguis) e fleuma. Vêm daí os termos melancólico, colérico, sanguíneo e fleumático.

Agora, porém, esse ramo investigativo de tão parcos resultados pode estar prestes a encontrar seu próprio caminho. Embora enfrentando os obstáculos habituais para a pesquisa de traços biológicos complexos – campo em que uma infinidade de genes interage com inúmeros fatores ambientais, gerando incontáveis possibilidades de resultado -, muitos biólogos moleculares e neurocientistas acreditam estar começando a identificar diferenças biológicas reais que responderiam pela diversidade nos traços de personalidade.

“O estudo da personalidade, de modo geral, está se afastando da psicologia, mais vaga, e caminhando em direção à biologia real”, diz Sam Gosling, da Universidade do Texas. Ainda que os biólogos estejam muito distantes de uma compreensão mais abrangente da personalidade, hoje eles ousam, pela primeira vez, nutrir esperanças de que poderão enfim responder àquela pergunta tão antiga: o que leva uma pessoa a ser o que ela é. Uma das razões para esse otimismo é o fato de que, nos últimos cinco anos, os psicólogos pararam de discutir que modelo de avaliação da personalidade (baseada em questionário) melhor refletiria a realidade das coisas. A maioria concorda que todas as diferentes escalas medem, no fundo, as mesmas coisas. “Tem havido grande convergência de opiniões”, informa Costa. O resultado disso é que os biólogos puderam dar início ao estudo da eventual correlação entre traços de personalidade e variáveis biológicas reais.

Para os biólogos, o modelo psicológico de maior utilidade é o chamado big five, que fatia a personalidade humana em cinco dimensões: neuroticismo, extroversão, abertura a novas experiências, agradabilidade e conscienciosidade. Esses fatores independem um do outro. É notável também o fato de que as pontuações obtidas permanecem estáveis por toda a vida, e verifica-se um bom grau de convergência entre as alcançadas na auto- avaliação e na análise feita por alguém que conheça bem a pessoa escolhida. Boas razões, portanto, para se acreditar que as cinco dimensões do big five medem algo de real e duradouro. Além disso, os questionários produzem resultados semelhantes em todas as línguas e culturas, o que indica que perscrutem algo essencialmente humano.

E se os questionários de avaliação da personalidade mensuram algo real, então aquilo que medem há de ter fundamento físico – algum equivalente moderno dos humores de Galeno. Tentativas sérias de encontrar essas bases físicas tiveram início na década de 80, quando os pesquisadores da personalidade começaram a estudar irmãos gêmeos. Suas descobertas surpreenderam: os traços são, de fato, herdados. “Nos adultos, metade da variância observada na pontuação das escalas de personalidade parece ser hereditária”, afirma Robert McCrae, colega de Costa nos NIH. “Alguns estudos indicam que até 80% da variância pode ser hereditária: “Em outras palavras, grande parte de nossa personalidade é determinada por genes, e não pelo ambiente ou pela educação que tivemos.

CULPA DOS PAIS

A maior parte das pesquisas até a década de 80 enfatizava a influência do meio proporcionada pela convivência com irmãos, pais e colegas ou por acontecimentos dramáticos. É evidente que o entorno interfere de alguma forma – ao que parece, especialmente antes dos 30 anos, ainda que ninguém saiba dizer por quê. E a maioria das pessoas torna-se ligeiramente mais agradável à medida que amadurece. Mas, embora existam muitas ideias acerca do que molda as porções não herdadas de nossa personalidade, nenhuma delas foi corroborada por pesquisas até o momento. Está claro, porém, que a contribuição mais decisiva dos pais na moldagem da personalidade dos filhos parece provir dos genes.

Em 1996, houve duas importantes descobertas. Primeiro, a equipe liderada por Klaus Peter Lesch da Universidade de Würzburg, Alemanha, relatou ter encontrado um tipo de gene que seria vinculado ao neuroticismo. Depois, uma equipe israelense anunciou outro gene no qual se observara vinculação semelhante, mas à extroversão.

O gene de Lesch, como ficou conhecido o primeiro deles, codifica uma proteína chamada 5- HTT, cuja função é bombear moléculas de serotonina – substância que regula o estado de espírito – para fora das sinapses cerebrais (isto, é das junções que transmitem sinais entre terminações nervosas) e de volta para as células nervosas. A tarefa de “reabsorção” refina a neurotransmissão ao regular força e duração dos sinais de serotonina na sinapse. A equipe de Lesch descobriu que esse gene existe em duas versões (os alelos), uma delas portando uma seção extra, com 44 pares de bases. Esses alelos foram chamados de “longo” e “curto”.  Depois de classificarem 505 pessoas de acordo com suas pontuações numa escala de personalidade de cinco fatores, o grupo de Lesch descobriu um elo tênue, mas consistente, entre os afetos e os pontos obtidos. Qualquer pessoa com pelo menos uma versão curta do gene – cerca de 68% de todos nós – alcança pontuação significativamente maior na escala de neuroticismo. Esses pesquisadores concluíram que a versão herdada do gene transportador de serotonina produz um efeito pequeno, mas significativo, na personalidade.

No segundo estudo, o grupo liderado por Richard Ebstein, do Herzog Memorial Hospital de Jerusalém, encontrou ligação entre extroversão e um gene participante da neurotransmissão. Esse gene codifica o receptor de dopamina DRD4, presente na membrana dos neurônios e transmissor dos sinais de dopamina do interior para o exterior da célula. Também esse gene possui dois alelos, “longo” e “curto”. Ebstein verificou que portadores da versão “longa” apresentaram pontuações altas e consistentes com relação ao traço de personalidade definido como o da “busca de novidades”, equivalente à extroversão no modelo big five. O resultado obteve rápida confirmação de uma equipe dos NIH.

Tanto o resultado dessa pesquisa como a do gene de Lesch fazem sentido. Serotonina e dopamina são poderosos moduladores do humor. Estudos com culturas de neurônios chegam a indicar a existência de um mecanismo para o efeito provocado pelo gene de Lesch. Células com dois alelos longos bombeiam serotonina duas vezes melhor que outras com um ou dois alelos curtos – o que significa maior tendência à neurose.

Os resultados indicam também que a busca valeu a pena. Cada gene contribui modestamente com as diferenças relativas a uma única dimensão da personalidade, mas de modo significativo o bastante para sugerir que o número de genes envolvido em cada traço da personalidade – de 20 a 30, talvez – é suficiente para permitir a pesquisa. Os cientistas ainda têm um longo caminho a percorrer, mas diversos outros genes já foram descobertos.

A equipe de Ebstein encontrou ainda uma variação do gene receptor de serotonina 2C, associado à agradabilidade. Pesquisadores no Japão e na Hungria vincularam outra variante do gene receptor de dopamina D4 à extroversão. Três outros genes associados à dopamina – os dos receptores D2 e D3 e o do transportador DAT – foram vinculados também à extroversão. Uma equipe observou que a variação no gene da monoamino-oxidase A – enzima cerebral que desativa os neurotransmissores serotonina, dopamina e noradrenalina – acarretou aumento de agressividade e impulsividade. Outro grupo identificou uma variante do gene do fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), variante essa que desempenha papel pequeno, mas significativo, no neuroticismo. Todos esses genes podem afetar a maneira como os neurônios se comunicam através de grandes porções do cérebro.

GENÉTICA MOLECULAR

Não surpreende que esses elos bem definidos entre genes e traços de personalidade tenham sido recebidos com alguma descrença. “Eu gosto da ideia em si (de procurar os genes da personalidade), mas sou um pouco cético quanto aos resultados”, diz Robert Plomin, geneticista comportamental do Instituto de Psiquiatria, em Londres. Costa, por sua vez, considera a vinculação ainda menos convincente. “Toda essa história da genética molecular é mais moda que resultado efetivo. Há uma série de problemas relativos à confirmação desses resultados e é prematuro acreditar que vamos encontrar os genes correspondentes.”

No começo de 2003, os céticos pareciam estar em vantagem. Dois minuciosos estudos haviam concluído que a conexão entre genes e traços de personalidade descobertos até aquele momento eram menos definitivos que se supunha.

Os estudos constituíam-se de meras análises, nas quais dados de muitas pesquisas diferentes eram reunidos num enorme conjunto, bem maior que seria possível coletar num único trabalho. A técnica pode ser útil quando se deseja investigar efeitos genéticos sutis, mas guarda seus perigos. Conclusões de estudos mal planejados podem, por exemplo, encobrir as de outros bem conduzidos.

Na primeira dessas meta-análises, Ebstein e Avraham Kluger, da Universidade Hebraica de Jerusalém, compilaram e reexaminaram dados de 20 trabalhos sobre o gene DRD4, não encontrando nenhum vínculo de relevância estatística entre a forma longa do gene e traços de personalidade. Depois, em junho de 2003, uma segunda meta-análise, feita pela equipe do geneticista Jonathan Flint, do Wellcome Trust Center for Human Genetics da Universidade de Oxford, Inglaterra, chegou a conclusões ainda mais adversas. Eles reuniram 79 pesquisas sobre variantes genéticas e personalidade, datando de 1996 a 2002. Cinquenta delas relatavam a presença de elos significativos. Quando, porém, os dados foram combinados e reexaminados, essas vinculações simplesmente desapareceram.

Reveses, contudo, não significam que a busca esteja encerrada. Flint, em especial, afirma que as meta-análises não dizem que genes como o DRD4 ou o gene de Lesch nada tenham a ver com a personalidade, mas apenas que os estudos realizados não foram suficientemente bem planejados. Assim, sua equipe tem se esforçado para aperfeiçoar a metodologia. Também em 2003, Flint publicou o mais completo estudo já realizado a indicar que a personalidade humana guarda relação, sim, com fatores biológicos. A equipe solicitou ao inacreditável número de 34.580 pares de irmãos que fizesse um teste de personalidade, depois, reduziu a amostragem aos estudos nas extremidades da escala de neuroticismo. Do minucioso exercício de seleção restaram 561 pares de irmãos, 174 deles com pontuações muito altas e 205 com pontuações bastante baixas para ambos os irmãos, além de 182 pares “discordantes”, em que um obteve pontuação muito alta e o outro, muito baixa. Feito isso, a equipe passou a procurar variações genéticas associadas às pontuações obtidas no teste. A técnica de amostragem, segundo Flint, é a que oferece melhor chance de localizar as porções de DNA que realmente importam.

O grupo identificou no genoma cinco regiões (ou loci) fortemente associadas ao neuroticismo, e cinco outras de vinculação mais débil. Atualmente, Flint e seus colegas examinam tais regiões em detalhe, a fim de identificar que genes contêm. Uma dessas regiões de forte vinculação é o equivalente humano de um locus em ratos e camundongos que já foi apontado como um marcador de “emocionalidade”. E dois dos loci de vinculação mais tênue correspondem a genes que outra equipe identificou com um traço de personalidade a que chamou “tendência à ansiedade”- uma das muitas formas que o neuroticismo assume.

Estudo mais recente – realizado por Avshalom Caspi, do King’s College de Londres, e Terrie Moffitt, da Universidade de Wisconsin, Estados Unidos – mostrou que portadores da versão curta do gene de Lesch teriam probabilidade muito maior de se deprimir em consequência de acontecimentos estressantes, tais como a morte de um ente querido ou a perda do emprego. O estudo foi saudado como um sopro de ar fresco porque mostrou de que forma a combinação de predisposição genética com acontecimentos específicos poderia produzir distúrbio mental. O que pouca gente percebeu, no entanto, foram suas implicações no tocante à genética da personalidade. A depressão é fortemente associada ao neuroticismo, precisamente o traço de personalidade que repetidas vezes tem sido vinculado à versão curta do gene de Lesch.

O otimismo reencontrado despertou o interesse de biólogos da evolução pela origem dos genes. Em 2002, uma equipe sob o comando de Robert Moyzis, da Universidade da Califórnia, em Irvine, relatou que a forma longa do gene DRD4, associada à busca de novidades, provavelmente surgiu cerca de 40 mil anos atrás, disseminando-se com rapidez  pela população humana – talvez, especularam os pesquisadores, devido à maior probabilidade de os buscadores de novidades terem diversos parceiros sexuais. A equipe de Moyzis notou também que, há 40 mil anos, havia avanços tecnológicos radicais, incluindo a introdução da agricultura. Teria sido o gene buscador de novidades o responsável por isso?

Os pesquisadores começaram a se perguntar também de que maneira um conjunto de genes que afeta a química cerebral produz algo tão complexo quanto a personalidade. Uma pista provém de imageamentos cerebrais contidos no trabalho de Ahmad Hariri, do Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH, na sigla em inglês). Em 2002, sua equipe realizou um experimento com 28 voluntários, metade deles portadora da versão curta do gene codificador da 5-HTT, e a outra metade, da versão longa. A esses voluntários exibiram fotos com expressões faciais assustadoras, ao mesmo tempo que os pesquisadores monitoravam sua atividade cerebral por meio da tomografia por ressonância magnética funcional (fMRI).

PERSONALIDADE NO CÉREBRO

Hariri já havia examinado os dois grupos com a aplicação de um questionário de avaliação da personalidade, e não constatara diferença nas pontuações. Nos estudos com fMRI, porém, a coisa mudou de figura. Nos portadores da versão curta do gene, as fotos provocaram resposta bem mais pronunciada da amígdala, estrutura cerebral que, sabemos, participa do processamento de estímulos amedrontadores. Hariri concluiu que ser portador da versão curta do gene torna a amigdala mais sensível, e é provável que isso explique por que a variante tem sido vinculada de forma tão consistente a tendências neuróticas.

Imagens cerebrais obtidas por fMRI têm dado outras contribuições à biologia da personalidade. Na Universidade do Estado de Nova York, em Stony Brook, o psicólogo Turhan Canli tem feito o imageamento cerebral de pessoas situadas nos extremos das cinco dimensões do big five, para verificar como elas respondem a expressões faciais de felicidade e medo. Canli já descobriu que o cérebro dos extrovertidos reage com maior vigor a expressões felizes, ao passo que introvertidos respondem mais intensamente a expressões faciais negativas comunicando raiva, medo ou tristeza.

Enquanto isso, o grupo de Jürgen Hennig, da Universidade de Giessen, na Alemanha, relatou em 2003 que pessoas com alta pontuação num equivalente do neuroticismo – a inibição comportamental – revelam atividade mais intensa no hipocampo quando expostas a imagens desagradáveis ou assustadoras.

Tomados em conjunto, esses resultados não chegam a constituir uma grandiosa teoria unificada da personalidade. Para isso, será necessário mais que um punhado de genes e uns poucos pontos luminosos numa tomografia. Mas os resultados de fato indicam que se está no caminho certo. Além disso, pesquisas com animais são consideradas, cada vez mais, um modo de incrementar as estatísticas e desvendar os genes que contribuem para a constituição da personalidade, embora os pesquisadores ainda estejam longe de um consenso quanto ao modo de chegar a uma possível equivalência entre traços da personalidade humana e comportamentos animais.

Mas o que fazer com os dados obtidos? Flint, por exemplo, faz alguma ideia de como converter a informação recebida num modelo biológico abrangente da personalidade. Segundo ele, é provável que o componente genético da personalidade compreenda centenas de genes que interagem. Os genes já localizados são provavelmente entroncamentos – pontos críticos e centrais dotados de muitas interconexões capazes de perturbar toda a rede de genes, se removidos ou alterados. A saída, Flint acredita, é parar de pensar em catálogos de genes e seus efeitos e, em vez disso, começara mapear todos esses entroncamentos e seus elos.

Encontrar as bases biológicas dos traços de personalidade provavelmente trará benefícios práticos e permitirá o diagnóstico de graves transtornos da personalidade, como a psicopatia e o transtorno de personalidade anti – social, sem que se tenha de confiar em questionários de caráter um tanto arbitrário. A melhor compreensão da personalidade propiciaria também avanços médicos. Considerar que o neuroticismo está vinculado à depressão, ou que os extrovertidos têm maior probabilidade de se viciar em drogas e conhecer as bases desses traços de personalidade ajudariam no diagnóstico preventivo e até no tratamento.

Em última instância, porém, é pouco provável que somente a genética e o diagnóstico por imagens venham explicar totalmente algo tão complexo e humano quanto a personalidade. Trabalho muito mais longo e árduo, nos moldes do estudo recente de Caspi, será necessário para chegarmos perto de entender como o ambiente interage com os genes na moldagem dessa característica. E o objetivo remoto de uma provável alteração da personalidade nem sequer está nos nossos planos. Por enquanto, se você quer se livrar de suas características mais irritantes, não há nenhuma solução simples e direta. ‘Você pode mudar sua personalidade’, diz Costa, “mas vai ter de dar um duro danado para isso, muito mais do que já dá para mudar seu físico”.

OS FAMOSOS CINCO FATORES

Existem vários modelos big five de avaliação da personalidade, embora os psicólogos hoje concordem que eles medem, em essência, os mesmos traços. Uma das versões predominantes, a “NEO Personality lnventory”, foi desenvolvida em 1991 por Paul Costa e Robert McCrae, dos Institutos Nacionais de Saúde, de Bethesda, em Maryland, Estados Unidos. Ela contém 181 perguntas, pensadas e formuladas com o intuito de avaliar como uma pessoa normalmente pensa, age e sente. Ascinco dimensões independem uma da outra – a pontuação que se obtém numa delas não guarda nenhuma relação com a das demais -, e as pontuações para cada dimensão apresentam distribuição normal entre o conjunto da população: a maioria das pessoas agrupa-se em torno da pontuação mediana e algumas poucas se posicionam nos extremos. Nos limites exteriores situam-se os transtornos da personalidade. Os cinco fatores são:

NEUROTICISMO.

Mede a instabilidade emocional. Pessoas com pontuações altas nessa escala são ansiosas, inibidas, melancólicas e possuem baixa auto- estima. Aquelas com baixa pontuação são o oposto: de fácil trato, otimistas e contentes consigo mesmas.

EXTROVERSÃO.

É a mais ampla das cinco dimensões. Mede a felicidade, o nível de energia e a habilidade nas relações interpessoais. Pontuações elevadas significam afabilidade, sociabilidade e capacidade de se impor. Pontuação baixa indica introversão, reserva e submissão.

ABERTURA A NOVAS EXPERIÊNCIAS.

Pessoas com pontuações elevadas gostam da novidade pela novidade em si e tendem a ser criativas. Na outra ponta da escala situam-se os convencionais e ordeiros, que gostam da rotina e têm um senso aguçado do certo e do errado.

AGRADABILIDADE.

Refere-se ao modo como nos relacionamos com os outros. Muitos pontos indicam uma pessoa compassiva, amistosa e calorosa. Na outra extremidade estão os tímidos, críticos e egocêntricos.

CONSCIENCIOSIDADE. 

Mede o grau de organização. Pessoas com altas pontuações apresentam grande motivação, são disciplinadas e confiáveis. Aquelas com baixa pontuação são indisciplinadas e se distraem facilmente.

OUTROS OLHARES

FILHOS SUPEREXPOSTOS NAS REDES SOCIAIS

A exposição de “álbuns de família” na internet acende o debate sobre a invasão de privacidade das crianças pelos próprios pais. Pré-adolescentes querem que nada seja postado sem o seu consentimento

A primeira risada, o jeito engraçado que o bebê cospe as colheradas da papinha, os primeiros passos que se tornam uma cômica caminhada, o jeito descontraído que ele dança ao ouvir uma música infantil. Para os pais, todos os gestos dos filhos pequenos são “fofos” e é natural que eles queiram dividir cada momento com todo o mundo pelas redes sociais. Esse fenômeno ganhou um termo, o sharenting, ou seja, a junção das palavras share, que significa compartilhar, com parenting, que significa criação. Infelizmente essa atitude não é apenas uma brincadeira de criança e pode trazer consequências ruins para elas no futuro. Estudos mostram que aos 12 anos os jovens possuem, em média, duas mil fotos compartilhadas.

“Elas já têm um rastro digital que pode ser utilizado para diferentes fins”, diz Pedro Hartung, advogado e coordenador do programa Prioridade Absoluta, do Instituto Alana. Isso ocorre porque as redes sociais guardam os dados dos usuários: o rosto, o ambiente em que está, onde estuda, o que gosta, quem são os amigos, quem são os pais e suas preferências pessoais. Recrutadores de empresas vão às redes sociais para saber mais sobre seus candidatos, bem como seletores de vagas para universidades e até empresas de convênio médico. Há ainda o risco de fraudes, do uso dos dados para análise de crédito, para marketing, para reconhecimento facial, para hackear o indivíduo, ou ainda para pedofilia. Pesquisas mostram que, em 2030, dois terços das fraudes de identidade nas novas gerações vão decorrer do sharenting.

DEVER DOS ADULTOS

Para combater essa tendência, as crianças brasileiras vão ganhar uma proteção legal: no final do ano entra em vigor a Lei Geral de Proteção de Dados, que no Artigo 14 estabelece que os dados das crianças e adolescentes devem ser coletados e tratados “em seu melhor interesse”. Ou seja, um dos pais ou o responsável legal deve consentir a coleta e o uso dos dados da criança em games e redes sociais e, ao completar 18 anos, ela poderá decidir se quer apagar os dados da plataforma.

Dentro dessa discussão, há ainda outro problema: a invasão da privacidade da criança pelos próprios pais. “O direito de imagem é de personalidade, pertence ao indivíduo. A criança é a titular e o adulto, o guardião, mas sempre no melhor interesse dos filhos”, diz Hartung. É comum casos de crianças que não concordam com o uso das fotos que seus pais tiraram delas e compartilharam nas redes. É o caso de Fabiana Santoro, fotografada aos 10 anos com uma taça de champanhe nas mãos em uma viagem para a Disney. Ela viu, contrariada, sua imagem virar um meme. Foi também o que aconteceu com a atriz americana Gwyneth Paltrow, que compartilhou no Instagram uma imagem com a filha Apple Martin, de 14 anos, usando capacete e óculos em uma estação de esqui. “Mamãe, já falamos sobre isso. Não poste nada sem o meu consentimento”, escreveu a jovem. É fato que, com as redes sociais, ter privacidade passou a ser algo raro para os filhos e para os pais, que muitas vezes acabam expostos pelas crianças. É dever dos adultos, no entanto, proteger a prole e criar uma consciência dos riscos de superexposição. É melhor parar e pensar antes de postar.

ALIMENTO DIÁRIO

PORCOS NA SALA

CAPÍTULO 1 – PORCOS NA SALA

Os espíritos demoníacos podem invadir e habitar corpos humanos. Esse é seu objetivo. Habitando numa pessoa eles ganham uma vantagem maior no controle dessa pessoa do que se tivessem de operar do lado de fora. Quando os demônios habitam no corpo humano, diz-se que a pessoa “tem” espíritos imundos, que “está” com espíritos imundos ou que está “possuída” por demônios. A palavra traduzida “possuído”, na versão bíblica feita pelo rei James da Inglaterra (KJV), é a palavra grega “daimonízomai”.

Muitas autoridades em língua grega dizem que esta tradução está errada. Ela deveria ser traduzida por “endemoninhado” ou “ter demônios”. A falta de entendimento tem sido o resultado da aplicação da palavra “possuído”, que significa dominação por completo. Neste sentido, um cristão nunca poderia ser possuído. Ele não poderia ser possuído por outro além de Deus. O cristão não poderia ser possuído pelos demônios porque ele é possuído por Cristo.

“Não foi mediante cousas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo.” (1 Pedro 1:18, 19.)

“Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo.” (1 Coríntios 6:19, 20.)

O cristão deve sempre considerar os demônios como habitantes TRANSGRESSORES dispensáveis e indesejáveis. O transgressor é aquele que ilegalmente e sorrateiramente toma o território de outrem. Os transgressores podem continuar as Suas obras ilegais até que sejam enfrentados na base de direitos legais.

Jesus comprou o crente com Seu próprio sangue e fez de Seu sangue o guarda de sua própria vida. Satanás não tem direito ao cristão. É responsabilidade do cristão defender-se. Demônio nenhum pode ficar quando o cristão o expulsa em nome de Jesus! “Resisti ao diabo, e ele fugirá de vos.” (Tiago 4:7b.)

Os demônios consideram como sua “casa” o corpo da pessoa em que residem.

“Quando o espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos procurando repouso, porém não encontra. Por isso, diz: Voltarei para minha casa donde saí.” (Mateus 12:43, 44a.)

Não é incomum os demônios falarem através da pessoa que está sendo liberta. (Veja Marcos 1:23, 24.) Tenho ouvido os espíritos imundos declararem: “Esta é minha casa”, com referência ao corpo da pessoa, e eles tentam enganar tanto a pessoa que está sendo liberta, como o ministro de libertação, para pensarem que eles têm direito àquele corpo. Nenhum demônio pode afirmar isso. Todos os demônios são mentirosos e enganadores. Os demônios não têm direito nenhum aos corpos redimidos pelo sangue do Senhor Jesus Cristo.

Quando os demônios estão sendo expulsos, às vezes eles argumentam: “Faz tempo que estou aqui”, como se o período de tempo desse o direito de posse ao corpo da pessoa. O cristão tem de reconhecer que demônio nenhum tem o direito de habitar no seu corpo.

Por 25 vezes no Novo Testamento os demônios são chamados “espíritos imundos”. A palavra “imundo” é a mesma usada para designar certos animais que os israelitas não podiam comer. (Veja Atos 10:11-14.) O porco era uma dessas criaturas “imundas”. Segundo a lei do Antigo Testamento os porcos não podiam constar da dieta e nem serem tocados pelos judeus. O Novo Testamento eliminou essa proibição ao mostrar que essas criaturas eram tipos espirituais.

“… e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz. Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das cousas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo.” (Colossenses 2:15-17.)

Como um tipo espiritual, o porco é, no reino natural, o que o espírito demoníaco é no reino espiritual. Da mesma forma que o judeu devia proteger-se zelosamente do contato com os porcos, o cristão deve evitar contato com os espíritos imundos.

O que você faria se uma manada de porcos sujos entrasse na sala de visita de sua casa, tomando conta do lugar? Você ficaria com os braços cruzados, sem ligar para eles, esperando que saíssem por sua própria vontade? Você faria uma limpeza logo que eles sujassem o chão? Nada disso. Você os mandaria embora o mais rápido possível,

sem qualquer cerimônia! E é esta que deve ser nossa atitude para com os espíritos imundos. Logo que a presença deles seja percebida, devem ser expulsos.

Todos os quatro Evangelhos recordam o evento de Jesus purificando o templo. Este foi um gesto de nosso Senhor Jesus bem fora do comum. Ele demonstrou Sua indignação, justificada, por aquilo que encontrou no templo. Não era a hora de meras palavras, era a hora de ação.

Ele começou, pessoalmente e com determinação, a purificar o templo de tudo o que era poluição. Este ato é uma ilustração da purificação de nossos corpos, os templos do Espírito Santo, de tudo que os esteja poluindo. Os espíritos demoníacos não providenciam nada de bom. Eles somente poluem. Eles não têm mais direito de ficar em nós do que tinham o gado, os passarinhos e os cambistas de ficar no templo em Jerusalém. Nós podemos agir com a mesma autoridade com que Jesus purificou o templo e livrar-nos dos espíritos imundos. Jesus não fez um sermão bonito nem entrou em debate com aqueles que difamavam o templo — Ele os expulsou!

Parece muito irracional, mas alguns cristãos não estão dispostos a ficar livres dos demônios que neles habitam. Alguns ficam envergonhados em admitir a sua própria necessidade de libertação. O embaraço nunca deveria ter suas raízes no fato de que a gente esteja habitada por demônios, mas na falta de reação pronta contra eles. Outros têm-se conformado com certos demônios por tanto tempo que não desejam mudar.

Nem todos os cristãos desejam viver uma vida pura. Eles são aqueles que fizeram amizade com os porcos. Mas mesmo o filho pródigo caiu em si enquanto estava entre os porcos e resolveu separar-se deles e voltar a seu pai. Vamos orar para que todos os filhos de Deus que estão coabitando com porcos espirituais percebam que há uma vida melhor.

Um pesquisador em bioquímica contou-me de um projeto cujo alvo era isolar e identificar os fatores responsáveis pelos cheiros dos chiqueiros. Ao determinar a razão por que o cheiro dos porcos é como é, seria possível determinar um antídoto. Assim, os suínos seriam mais compatíveis com a sociedade humana. Não é nosso objetivo fazer os espíritos malignos compatíveis conosco. Não estamos procurando meios para que os demônios sejam mais compatíveis, mas como ficarmos livres deles. Não desejamos receber os porcos em nossa sala!

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

QUANDO MORRER É PARTE DA CONSCIÊNCIA DO DEVER

Não é pobreza ou baixa escolaridade que provocam atentados suicidas, mas sobretudo a humilhação e a obediência

Hoje, Nabil Arir está quase esquecido. Na manhã de 26 de outubro de 2000, aos 24 anos, inspetor de unia escola para crianças deficientes na Faixa de Gaza, ele foi de bicicleta a um posto do exército israelense e, lá chegando, detonou a bomba que o mandou pelos ares. Não conseguiu o que pretendia, porque acabou sendo a única vítima de seu feito.

O que restou de Arir foi um retrato em escala maior que a natural num muro da cidade de Gaza. Na representação, Arir, em uniforme de camuflagem, ativa o detonador de uma bomba e, a seu redor, torres de vigia do exército israelense consomem-se em bolas de fogo. Não se pode dizer que seu ato tenha sido irrelevante. Na verdade, marcou o início dos atentados suicidas da segunda intifada palestina, que durou até fevereiro de 2005. Um ser humano destrói a si mesmo com o intuito de matar outros. Ele quer matar para espalhar medo e terror, seja por motivo político ou religioso. O que o leva a fazê-lo é algo que ainda permanece em grande medida obscuro. Depois dos atentados nos Estados Unidos em setembro de 2001, políticos do mundo todo declararam que o solo fértil para os ataques suicidas estaria na pobreza e na deficiência educacional, e a melhor maneira de combate ­los seria, portanto, acabar com a situação de miséria. Nesse sentido, o presidente americano George W. Bush declarou no começo de 2002: “Combatemos a pobreza porque a esperança é a resposta ao terrorismo”. Nabil Arir teria sido, então, uma exceção: teve uma formação razoável, desfrutava de segurança financeira, estava socialmente integrado- e, de resto, não era nenhum psicopata.

O psicólogo Scott Atran, pesquisador do Instituto Jean Nicod do Centro Nacional de Pesquisa Científica, em Paris, e da Universidade de Michigan, traça um psicograma bem diferente dos praticantes de atentados suicidas. No início de 2003, ele avaliou diversos estudos a respeito dessa questão em artigo para a revista Science. De acordo com sua avaliação, a imagem predominante que temos dessas pessoas dispostas a extremos está totalmente equivocada. Arir é quem representa o verdadeiro protótipo do moderno perpetrador de atentados suicidas. “Não sei de nenhum atentado suicida em tempos mais recentes que tenha sido praticado por uma pessoa solitária, psíquicamente instável e pobre”, afirma Atran.

Tampouco a opinião pública árabe dá crédito àquela imagem. Um líder da Irmandade Muçulmana escreveu num semanário egípcio que um atentado suicida não teria nenhum sentido se cometido por alguém cansado da vida. A motivação é outra, bem diversa, “Quem se dispõe ao martírio, sacrifica-se por sua religião e por sua terra”.

Baseados nas trajetórias de vida de 129 combatentes do Hizbollah mortos no Líbano, Alan Krueger, da Universidade Princeton, e Jida Maleckova, da Universidade de Praga, descobriram em 2002 que a disposição para o martírio aumenta – em vez de diminuir – quanto maior o nível de educação e a condição econômica. Isso explica também aquele entusiasmo popular no Oriente Médio que nos é estranho, jovens colecionam retratos dos suicidas da mesma forma como, em outros países, garotos da mesma idade colecionam figurinhas de jogadores de futebol. A morte transforma os terroristas em heróis da sua geração.

Psiquiatras costumam suspeitar de enfermidades psíquicas quando se trata de apontar o que leva alguém ao suicídio. Aqueles que praticam atentados suicidas, porém, gozam claramente de saúde mental perfeita. São relativamente jovens, quase todos solteiros e do sexo masculino. “Isso aponta para uma acentuada suscetibilidade a líderes carismáticos e a mensagens salvadoras”, acredita Thomas Bronisch, estudioso do suicídio no Instituto Max Planck de Psiquiatria, em Munique. Os praticantes de atentados suicidas passam, assim, por uma espécie de lavagem cerebral que – contando com o apoio da opinião pública – começa cedo. Aí as instituições desempenham papel central, escolas, organizações juvenis e mesquitas.

Em torno delas, grupos terroristas, como o palestino Hamas, põem-se à espreita de candidatos apropriados, de 12 anos, ou menos, até 17. Uma vez escolhidos, “treinadores” os preparam em grupos pequenos, de quatro a seis jovens de mesma idade que, ao longo de anos, desenvolvem-se juntos, como uma família. Então, mediante a leitura continuada do Alcorão, da manipulação psíquica e da disciplina, transformam­ se em ferramentas de destruição.

No máximo, somente em um ou outro caso isolado os jovens não sabem qual o propósito de seu treinamento. De modo geral, ficam sabendo logo cedo do que se trata. Além disso, aprendem que seu sacrifício não significa a morte, mas, ao contrário, o ingresso à vida no Paraíso, onde seus pecados serão perdoados e aonde poderão até mesmo levar consigo parentes e amigos, para junto do trono de Alá. Não admira que não faltem voluntários aos grupos terroristas.

Mas o que leva povos a sancionar e patrocinar atos de tamanho desvario? A prática parece a Atran um “mecanismo de sobrevivência”, que conduz à “ação sob condições em geral paralisantes”. Em situações sem nenhuma perspectiva, acrescenta o psicólogo, uma pessoa é capaz de se valer de meios desesperados, na esperança de que o adversário, mais forte, possa vir a pensar duas vezes, a despeito de sua superioridade. Desse modo, religião, ideologia e lealdade absoluta à parte, também a postura em relação à própria sobrevivência se altera, observa.

Em sua opinião, métodos semelhantes de doutrinação são igualmente empregados em países do Ocidente. “Os produtos da indústria do fast food e da pornografia também vão diretamente ao encontro das necessidades humanas inatas – de gordura, açúcar ou sexo. Mas o que fazem, então, é manipular nosso desejo natural até torná-lo nocivo, chegando mesmo, por vezes, a nos destruir.”

O mais importante, porém, nos atentados suicidas crê Atran, é o senso de dever de seus perpetradores – dever para com seu povo e sua fé. O psicólogo lembra que, já na década de 60, experimentos mostraram que as pessoas são capazes de muito do que é tido normalmente como condenável pelos padrões éticos, Stanley Milgram, psicólogo da Universidade de Yale, descobriu que, sob determinadas circunstâncias, estudantes obedeciam mesmo a ordens destrutivas – quando, por exemplo, um “professor” os incumbia de administrar eletrochoques cada vez mais fortes em colegas, a fim de melhorar a capacidade deles de reter pares de palavras na memória. A maioria seguiu essa instrução inusitada, bastando para tanto que o instrutor em questão lhes garantisse que assumiria a responsabilidade por tal ato. Pouco importou, assim, que gritos ecoassem atrás da porta trancada de uma sala de experiências fictícia. Também aí a motivação dos participantes decerto não se constitui num desejo selvagem de matar, mas do sentimento de dever frente a uma autoridade. No Oriente Médio, um senso semelhante de dever estimula o ambiente social entre os suicidas em formação, onde impera a sensação da injustiça histórica, da sujeição política e da humilhação social por outros poderes, aí o atentado suicida se torna o recurso preferido no embate político.

Os palestinos enfrentam diariamente essa desesperança que tudo impregna. Em seu estudo com jovens muçulmanos durante a primeira intifada (1987-1993), o psicólogo Brian Barber, pesquisador da Universidade do Tennessee, constatou que quase todos eles possuíam experiência pessoal com a violência. A maior parte havia atirado pedras na Faixa de Gaza, a maioria tinha sido vítima de violência armada por parte do exército israelense. Isso traz consequências, quase todos os entrevistados apoiavam a atuação dos ativistas militantes. Ser ferido na luta contra soldados israelenses é considerado por esses jovens uma distinção. E a morte como mártir lhes promete a investidura como cavaleiro para todo o sempre.

Corno, então, prevenir esse mecanismo fatal? ”As medidas de retaliação maciças só conseguiram o contrário até agora”, crê Atran. Elas apenas acentuaram ainda mais o sentimento de repressão entre as pessoas. Na opinião dos especialistas, é provável que tampouco ajude o isolamento de grupos étnicos e religiosos e as investidas militares preventivas contra países que apoiam organizações terroristas. Importante seria deter a crescente demonização feita de propaganda política e religiões. Se houvesse um Estado palestino, os demagogos teriam uma razão a menos para exigir dos jovens a morte como mártires.

OUTROS OLHARES

MENINO OU MENINA?

Utilizando ratos, cientistas japoneses criam técnica que permite escolher o sexo dos filhotes. A experiência levanta um debate ético sobre sua eventual aplicação em humanos

“Qual será o sexo do bebê?”

Durante as primeiras semanas de gravidez, essa é uma das dúvidas que mais mobilizam as emoções dos pais. Talvez não por muito tempo. Um estudo recém-divulgado por cientistas da Universidade Hiroshima, no Japão, revela que a ciência estaria apta a pôr fim à indagação. Os pesquisadores anunciaram o desenvolvimento de uma técnica pela qual é possível escolher o gênero do futuro feto. Apesar do enorme avanço representado pelo método, é inegável que ele traga à tona questões éticas sobre os limites da ciência. Afinal, seria correto se valer da novidade no caso de seres humanos?

Antes de prosseguir, é bom recordar um pouco das aulas de biologia do colégio. O esperma do macho é que define o sexo da cria. A fêmea fornece sempre óvulos com cromossomo X, enquanto há espermatozoides com o X ou com o Y. Quando a combinação final é XX, nasce um filhote do sexo feminino; se for XY, virá um macho. O que a equipe da universidade japonesa conseguiu foi elaborar uma técnica de separação de espermatozoides de acordo com o cromossomo que eles carregam consigo. Para colocá-la à prova, o experimento de Hiroshima utilizou roedores.

Após uma série de testes, os cientistas chegaram a uma substância, o resiquimod, que desacelera espermatozoides que carregam o cromossomo X, mas não afeta em nada os que têm o Y (leia o quadro abaixo). Diante disso, foi possível separar os espermatozoides que dariam origem a fêmeas daqueles que gerariam machos. Na sequência, os pesquisadores partiram para a inseminação em laboratório.

Em teoria, o mesmo método pode funcionar em outros mamíferos – humanos, inclusive. A ideia, entretanto, garantem os pesquisadores, é aplicar a técnica em setores como a pecuária (permitindo a opção, por exemplo, por mais vacas leiteiras ou bois para o abate). “É preciso debater muitas questões biológicas e principalmente éticas antes de cogitar realizar qualquer coisa similar com humanos”, disse o biólogo japonês Masayuki Sbimada, coautor do trabalho de Hiroshima.

Por “questões biológicas” entenda­se o seguinte: não é certo que o mesmíssimo método usado em ratos seria bem-sucedido com pessoas. Pode ser que os espermatozoides de um homem não reajam de igual forma à química do resiquimod – mas a solução poderia ser simples. Muito mais complicados, é claro, são os dilemas morais.

A probabilidade de os mamíferos gerarem machos ou fêmeas costuma ser de 50%. Essa divisão “meio a meio”, observada também na espécie humana, confere equilíbrio às populações. “Se a opção de escolher o sexo estivesse amplamente disponível, a distribuição estatística regular da sociedade entraria em risco, sobretudo em países onde impera a ideia arcaica de que o masculino seria superior”, explicou o sociólogo americano Joseph Coughlin, especialista em estudos demográficos do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos. Tome-se o exemplo da China. Lá, a política do filho único (até 2016, permitia-se a cada casal ter apenas uma criança) levou ao aumento do infanticídio de meninas, já que a sociedade chinesa oferece maiores privilégios ao sexo masculino. A proporção chegou à casa de 1,2 menino para cada menina, numa clara ruptura do padrão esperado.”Postulados éticos são encontrados e testados, assim como os científicos”, acreditava o gênio alemão Albert Einstein (1879-1955). No caso em questão, o melhor é não pagar para ver. A solução deve ser a mesma que acabou aplicada ao tema dos clones humanos – a ONU proibiu, em âmbito global, que eles sejam feitos.

GESTÃO E CARREIRA

HUMAN TO HUMAN: UM NOVO MODELO DE TRABALHO

Human to human: a tecnologia trouxe formas de humanizar/facilitar o atendimento ao cliente e esse é um modelo que tem se tornado cada vez mais comum nas empresas

Você provavelmente já ouviu falar da expressão B2B ou B2C. As relações entre empresas e seus consumidores foram por muito tempo definidas como Business to Business (B2B) – entre executivos e influenciadores de empresas – ou Business-to-consumer (B2C) – em que se busca alcançar clientes finais que procuram um serviço ou produto.

Porém, cada dia mais esse conceito fica para trás. Hoje, com o avanço da tecnologia e as novas gerações vindo com ideias disruptivas, é cada vez mais importante aproximar a “persona profissional/digital” de marcas, instituições e relações – o que chamam de human to human

De acordo com a especialista em desenvolvimento humano Susanne Anjos Andrade, autora do best-seller O Poder da Simplicidade no Mundo Ágil, explica que esse cenário proporciona relações que tornam- se cada vez mais humanizadas. Seja no ambiente corporativo ou mesmo no ramo de consumo e vendas, essa é a nova tendência entre pessoas, empresas e consumidores. “Hoje, os grandes líderes de organizações, celebridades e políticos estão mais “próximos” da população, os meios de comunicação e o relacionamento que antes estavam restritos a telefone fixo, e-mail e SAC, hoje são imediatos, com o uso intenso das redes sociais”, complementa. 

O Human to Human (H2H) prova que é necessário investir nas relações de pessoa para pessoa e surge como alternativa para um atendimento de qualidade aos clientes, em que os funcionários são os protagonistas e a empresa é feita pensando nas pessoas, que usam a tecnologia para melhorar a entrega de resultados, bem como o desempenho da equipe.

“Um exemplo é que grandes organizações já disponibilizam assistentes virtuais para ajudar na interação e assistência aos consumidores. Entre uma das mais famosas está a Luiza, do Magazine Luiza, que busca gerar empatia com o cliente, por tornar o contato mais personalizado e menos “automático”. A assistente virtual, embora não seja humana, cria uma relação personalizada com os compradores, já que ajuda na escolha da compra, proporcionando qualidade e praticidade no atendimento”, completa a especialista.

Susanne ainda explica que grandes marcas como a Microsoft, Google, Vivo, Bradesco e Shell também oferecem soluções tecnológicas “humanizadas”. “Essas corporações perceberam o surgimento de indivíduos conectados, que possuem acesso a tudo e a todos, e que prezam pelas relações humanas. São capazes de mobilizar pessoas, trabalhar, produzir conhecimento, e não se encaixam mais em Instituições hierarquizadas, com um modelo de gestão conservador”, diz.

Antes, o colaborador era considerado apenas uma peça da ‘engrenagem’ da empresa. Essa situação é retratada no clássico filme de Charles Chaplin “Tempos Modernos” (1936), uma crítica às relações de trabalho da época e ao tratamento desumano que era dado aos operários. Em uma das cenas mais marcantes, Carlitos, interpretado por Chaplin, trabalha em uma fábrica na repetitiva tarefa de apertar parafusos, e é quase engolido pela máquina ao tentar acompanhar o ritmo frenético e incessante da esteira da linha de montagem.

Hoje, mais de 80 anos depois, com a evolução dos meios de comunicação e das inovações, tudo tornou-se mais ágil, com as relações mais vivas, e os colaboradores são cada vez mais exigidos para realizarem tarefas que não sejam mecânicas e automáticas, usando habilidades não-técnicas (soft  skills), relacionamento interpessoal, análise e outras.

“A colaboração e a interdependência são fundamentais para todas as empresas. É necessário fazer com que cada colaborador sinta- se valorizado dentro da equipe, tenha consciência de que faz parte de um todo, e esteja alinhado com a instituição em que trabalha. Essa tendência, se continuar a ganhar espaço rapidamente nas empresas, dominará o mercado corporativo já nos próximos cinco ou dez anos”, finaliza.

ALIMENTO DIÁRIO

A HISTÓRIA DO CASAMENTO

DIA 30 – EXTRAINDO O MELHOR

O amor de Cristo torna a Igreja íntegra. Suas palavras evocam a beleza dela. Tudo que Ele faz e diz tem o propósito de extrair o melhor dela… Efésios 5:26-27, A Mensagem

“A mulher sábia”, Salomão escreveu “edifica a sua casa” (Provérbios 14:1). Pelo fato de que a mulher sábia edifica a sua casa, o homem sábio edifica a sua mulher! Edificando um ao outro, demonstramos a semelhança de Cristo ao nosso cônjuge. Descobrir o melhor de Deus para o nosso casamento significa extrair o melhor um do outro.

Nosso amor pelo nosso cônjuge é um ato de parceria com o Céu, uma concordância com o afeto de Deus. Deus não define seu cônjuge pelas fraquezas dele, mas pela Sua graça e amor. Deus fala ao potencial do seu cônjuge e convida você a fazer o mesmo.

Como mencionamos, quando Lisa era jovem, ela perdeu o olho como consequência de um câncer. Por causa disso, ela tinha um medo profundo de ficar diante das pessoas. Eu (John) sabia sobre o medo de Lisa, mas também sabia que Deus lhe dera o dom de uma sabedoria extraordinária.

Quando eu era um pastor de jovens, às vezes dizia a Lisa que queria que ela ministrasse às meninas do grupo jovem. “Absolutamente não!” ela protestava. “Não faço parte de um pacote! A igreja contratou você como pastor, e não eu!” Eu ouvia as objeções dela, sabendo que estavam enraizadas no medo e não no desejo de se rebelar contra o dom de Deus que havia sobre sua vida. Ela tinha muito medo de falar, mas ainda assim, sempre que o fazia, as pessoas me procuravam depois do culto para dizer o quanto a mensagem dela as havia impactado profundamente. Então, quando ela protestava, eu respondia:

“Simplesmente esteja pronta para quando eu chamá-la esta noite”.

Eu (Lisa) achava que John estava tentando me transformar em algo que eu não era. Ele sabia que as meninas do grupo jovem precisavam de uma voz feminina em suas vidas, mas eu me sentia profundamente desqualificada. Não percebia que além de procurar um exemplo para elas, ele estava tentando criar um ambiente no qual meus dons pudessem florescer. Ele via algo em mim que eu mesma não conseguia ver. E embora ficasse, às vezes, acordada a noite inteira implorando a John para não me fazer falar, ele nunca deixou de me colocar em uma posição na qual Deus pudesse trazer à tona o melhor Dele que havia em mim. Eu detestava isso na época. Mas agora, olhando para trás, fica muito evidente que ele estava me impulsionando amorosamente para além dos meus medos e limitações.

Assim como John me ajudava, eu emprestava minha força a ele de diferentes maneiras. No início de nosso casamento, eu era muito ativa na edição dos seus livros, verificando que eles transmitissem com exatidão o que havia em seu coração. Muito do que tivemos a oportunidade de fazer juntos no ministério aconteceu porque estimulamos o crescimento um do outro através do nosso amor.

Talvez você e seu cônjuge não tenham aprendido a trazer à tona o que há de melhor um no outro. Talvez vocês tenham até adotado o comportamento oposto, usando sua intimidade e influência para derrubar um ao outro. Hoje pode ser o dia dos novos começos. Vocês podem estabelecer um novo padrão.

Nunca é tarde demais para recomeçar. Se você quer aprender a trazer à tona o que há de melhor no seu cônjuge, encontre um tempo e um lugar particular para orar com seu parceiro. Digam o seguinte a Deus:

Pai celestial, nós nos arrependemos por tratarmos mal a união que Tu estabeleceste entre nós. Nosso casamento é a Tua obra-prima, e não temos sido bons mordomos dele, nem o temos tratado com a honra que ele merece. Nós Te agradecemos pelas Tuas misericórdias que se renovam sobre nossas vidas e que nos capacitam a começar de novo.

Espírito Santo, pedimos que nos dês a graça que precisamos para ver um ao outro através do Teu amor. Dá-nos uma percepção maior de como podemos celebrar e servir um ao outro. Dá-nos olhos para ver os dons e os pontos fortes que Tu queres fazer florescer em cada um de nós, e mostra-nos como podemos promover a Tua obra. Acreditamos que somos melhores juntos do que éramos sozinhos. Queremos crescer até a plenitude do que Tu pretendes para as nossas vidas e união, para a Tua glória. Em nome de Jesus, amém.

Em seguida, incluímos declarações para você fazer diretamente ao seu cônjuge. Olhe nos olhos dele e diga estas palavras:

MARIDO:

Perdoe-me por usar meus pontos fortes para oprimir e diminuir você. Perdoe-me por não falar sobre suas virtudes, beleza, sabedoria e bondade. Perdoe-me por não criar um ambiente no qual você possa florescer. Perdoe-me pelo meu egoísmo nas nossas conversas, no tempo que passamos juntos e na nossa cama. Creio que Deus pode curar, restaurar e glorificar nossa união. Creio que você e eu podemos fazer qualquer coisa por meio Daquele que nos fortalece. Vamos assumir o domínio, multiplicar e ser muito frutíferos em nome de Jesus.

ESPOSA:

Perdoe-me por usar meus pontos fortes para apontar suas fraquezas. Perdoe-me por desonrar você e por ser egoísta quando nos comunicamos. De agora em diante, vou usar minhas palavras para edificar sua vida. Perdoe-me pelas vezes em que não fui uma guardiã, protegendo seu coração. Acredito em você, e acredito em nós. Creio que Deus pode fazer tudo novo. Escolho amar e perdoar você. Este é um novo dia cheio de misericórdia e verdade. Vamos amar e sonhar outra vez.

Queridos amigos, acreditamos que o melhor ainda está por vir. Com a graça de Deus, o legado, a intimidade e a influência de vocês como casal podem exceder todas as suas esperanças e expectativas. Unidos um ao outro e pelo poder e inspiração do Espírito de Deus, vocês escreverão uma história que expressa o amor de Cristo na Terra – e agrada Àquele que está entronizado nas alturas.

O comprometimento em recomeçar é um tremendo voto de confiança. Essa não é uma oportunidade que temos uma vez na vida; ela é uma oportunidade perpétua enquanto houver vida. Recomeçar significa viver no presente deixando para trás o nosso passado enquanto colocamos nosso coração no que está adiante de nós.

Todas as coisas que apresentamos aqui serão apenas algumas boas ideias se não entregarmos nossa união Àquele que pode todas as coisas. Judas 1:24-25 nos posiciona para uma revelação de tudo o que pode vir a ser:

Àquele que é poderoso para impedi-los de cair e para apresentá-los diante da Sua glória sem mácula e com grande alegria, ao único Deus, nosso Salvador, sejam glória, majestade, poder e autoridade, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor, antes de todos os tempos, agora e para todo o sempre! Amém.

Deus é aquele que nos guarda. Só Ele pode tirar nosso casamento de cada dimensão de sombras. Ele nos confia a alegria e a glória do casamento para podermos glorificá-Lo. Nossa vida é uma mensagem viva e palpitante para aqueles que nos observam enquanto crescemos e amamos com excelência.

Cada primavera é um novo começo. Veja! O inverno passou;

acabaram-se as chuvas e já se foram. Aparecem flores na terra,

e chegou o tempo de cantar… Cântico dos Cânticos 2:11-12

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O DEUS INTERDISCIPLINAR

Neurobiólogos procuram no cérebro pelo todo-poderoso. Mas apenas a estreita colaboração com as ciências da mente poderá tornar mais compreensíveis a religião e a experiência religiosa

“O Senhor é meu pastor; nada me faltará.

Deitar-me faz em pastos verdejantes; guia-me mansamente a águas tranquilas. Refrigera a minha alma; guia-me nas veredas da justiça por amor do seu nome. Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte…” O jovem estudante de química segue repetindo os versos do Salmo 23, embora se defina como uma pessoa não religiosa. Não está sentado num banco de igreja, mas repousa imóvel numa maca, a cabeça enfiada num tubo de metal onde, nesse exato momento, ímãs gigantescos circundam seu cérebro. Não, Christian S. não foi sequestrado por extraterrestres, ele se encontra no laboratório da Universidade Heinrich Heine, em Düsseldorf, Alemanha.

Ali, em 2000, a neurocientista Nina Azari realizou um experimento com seis ateus declarados e seis crentes – cristãos praticantes e membros de uma comunidade evangélica independente. Todos apresentaram-se voluntariamente. A questão crucial era, o cérebro do crente trabalha de modo diferente daquele do não crente?

Investigar se a “religiosidade” possui ou não um correlato cerebral constitui o centro de um ramo recente da pesquisa que, com certa infelicidade, é chamado de neuroteologia. A designação decerto remonta a James B. Ashbrook, Seminário Teológico do Garret -Evangelical, de Evanston, no estado americano de Illinois. Em 1984, esse estudioso da religião publicou um artigo na revista científica Zygon, intitulando-o “Neurotheology, the working brain and the work of theology”. Desde então, o conceito de neuroteologia circula pelos meios especializados. Contudo, tendo se transformado em palavra da moda em plena ascensão, ela confunde mais que explica, trata-se de uma designação problemática. O prefixo neuro parece, de fato, indicar uma subdivisão bem definida do conhecimento, da mesma forma que, por exemplo, astrofísica designa um ramo da física. Mas, ao contrário do que o nome sugere, a neuroteologia não trata de teologia, no sentido clássico do termo (ver glossário abaixo), e sim da investigação, por meio de técnicas neurobiológicas modernas, de determinados processos cerebrais presentes em experiências “religiosas”.

Como, aliás, no laboratório de Nina Azari. A fim de seguir a pista das bases neuronais das experiências religiosas, a pesquisadora solicitou a seus voluntários que lessem e relessem não apenas o Salmo 23, mas também uma quadrinha infantil e insossas instruções para a utilização de um cartão telefônico. Ao mesmo tempo, a atividade cerebral dos voluntários a cada leitura foi registrada com o auxílio da tomografia por emissão de pósitrons (PIT). Nesse procedimento de diagnóstico por imagens, a atividade de regiões isoladas do cérebro pode ser visualizada graças a marcadores radioativos.

Um teste psicológico prévio já havia atestado valores semelhantes para todos os voluntários no que se refere a seu grau de satisfação geral com a própria vida. Contrariamente aos céticos, no entanto, os seis crentes informaram possuir em seu passado uma experiência decisiva de conversão, algo que mudara sua vida.

O resultado da experiência mostrou que os ateus reagiram de forma emocional à tão familiar quadrinha infantil, o que se revelou pela elevação de atividade em seu sistema límbico – ou seja, na região cerebral responsável por nosso universo emocional. Aos cristãos, por sua vez, recitar a quadrinha proporcionou prazer menor, segundo declararam. Em compensação, e à diferença dos descrentes, a repetição continuada do salmo bíblico alçou-os a um “estado religioso”, como o denominaram. Nesse caso, áreas bem diferentes do cérebro foram ativadas – mais especificamente, o circuito frontoparietal do córtex cerebral, necessário aos processos do pensamento. Conclusão, a experiência religiosa é evidentemente, e antes de mais nada, um processo mental.

Mas, porque, então, ela é sentida de forma tão imediata? Cristãos praticantes e adeptos de outras religiões têm uma base de saber alimentada por sua crença. Ao se verem numa situação a princípio desconhecida, em que não está claro o que se deseja deles ou o que devem fazer, buscam apoio – como, de resto, todas as outras pessoas. O que ocorre é que, nos crentes, intensifica-se a disposição de enxergar a situação momentânea num contexto religioso, seja ele de que natureza for.

No experimento mencionado, o impulso para tanto foi fornecido pelo Salmo 23 da Bíblia, que, argumenta Azari, desempenha papel importante para cristãos. Em retrospecto, os crentes aplicam o carimbo de “religioso” à situação indistinta da experiência de laboratório. Em razão de sua receptividade básica para experiências religiosas, eles assentem de forma imediata. Com os ateus é diferente, quem não possui abrigo em tal sistema religioso tampouco poderá recorrer a ele para interpretar a situação. A essas pessoas, portanto, o Salmo não diz nada em especial e, assim sendo, não desencadeia um estado religioso. Por trás das experiências religiosas estaria, portanto, nada mais que um processo cognitivo? Penso, logo creio?

O neurobiólogo Jeffrey Saver, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, vê no sistema límbico o deflagrador das experiências religiosas. Essa região do cérebro vincula experiências vividas a nosso universo emocional. Vemos, por exemplo, um filho marcar gol numa partida de futebol e compartilhamos com ele da alegria por seu sucesso. Nas experiências religiosas intensas, o sistema límbico mostra-se particularmente ativo, conferindo grande peso ao vivido. Talvez por isso essas experiências sejam tão difíceis de descrever, são vividas com intensidade tão extraordinária que fogem a qualquer descrição. Apenas o conteúdo do vivido e a sensação de ter passado por uma experiência importante admitem expressão verbal.

Uma outra tentativa de decifrar os fundamentos neurobiológicos da religiosidade resultou da leitura de textos antigos pelos neuroteólogos. Já Hipócrates, no século V a.C., caracterizava a epilepsia como doença sagrada. Quem, senão Deus, poderia jogar no chão seres humanos, contorcê-los e até cegá-los temporariamente, como costuma ocorrer nos ataques epiléticos?

Também hoje médicos aventam a possibilidade de distúrbios epiléticos terem sido os deflagradores de certas experiências de conversão transmitidas até nós. Como no caso de Maomé, por exemplo, a quem Alá falou por intermédio de um anjo, ou no da heroína francesa Joana d’Arc, a quem uma voz divina ordenou que libertasse a França dos ingleses. Também sobre o apóstolo Paulo pesa a suspeita da epilepsia. “Mas, seguindo ele viagem e, aproximando-se de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu, e, caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, porque me persegues? Ele perguntou,

Quem és tu, Senhor? Respondeu o Senhor, Eu sou Jesus, a quem tu persegues, mas levanta-te e entra na cidade, e lá te será dito o que te cumpre fazer” (Atos 9. 3-6).

Aos olhos de muitos intérpretes modernos, o que se descreve aí, de modo muito vívido e preciso, é a conhecida epilepsia. Terá sido Saulo, portanto, um paciente neurológico que, a caminho de Damasco, sofreu um ataque de particular intensidade, tomando-se assim um precursor do cristianismo para além das fronteiras de Israel?

Observações realizadas hoje em epiléticos parecem sugerir que uma pequena região de seu cérebro responde por um papel excepcional no tocante a experiências religiosas, o lobo temporal. Para ali convergem todas as informações sensoriais, motoras e espaciais do corpo. Em regiões mais profundas do lobo cerebral encontra-se o hipocampo, componente do sistema límbico que constitui uma espécie de posto de censura na cabeça, é ele que decide se uma informação será armazenada ou esquecida.

Em meio à torrente contínua de sinais que nos chegam do mundo à nossa volta, esse é o filtro que nos possibilita manter o olhar voltado para o essencial. Se, pelo contrário, a autocensura é desativada – por exemplo, pelo jejum, pela privação do sono ou por ‘estados de êxtase’ -, o cérebro pode estabelecer relações inusitadas. No caso dos portadores de epilepsia temporal, o censor cerebral poderá ter sofrido lesões decorrentes dos ataques, razão pela qual os pacientes são regularmente atormentados por “iluminações”.

O neurologista Vilayanur Ramachandran, diretor do Centro do Cérebro e Cognição da Universidade da Califórnia, em San Diego, é especialista de renome nessa área de pesquisa. Certo dia, apareceu em seu laboratório um epilético chamado Paul. Na conversa com o médico, Paul descreveu de forma extasiada seu primeiro acesso, ocorrido aos 8 anos de idade: “Clareza, pura visão do divino – sem categorias, sem limites, apenas a unidade com o divino.

O ímpeto investigativo do neurologista despertou de imediato. Ramachandran perguntou-se porque justamente os portadores de epilepsia temporal eram tão sensíveis a estímulos religiosos. “Porque suas visões sempre dizem respeito a experiências supra sensoriais, e não a, digamos, porcos ou burros?”

Com o intuito de esclarecer se as sensações avassaladoras eram produto exclusivo de ataques epilépticos nos lobos temporais ou, antes, de um estado geral de excitação cerebral, o  neurologista confrontou portadores de epilepsia temporal com imagens diversas –  instantâneos neutros de paisagens, fotografias eróticas, cenas de violência, entre outras – , bem como com palavras e símbolos religiosos. Mediu, então, o grau de excitação de seus voluntários com base no correspondente aumento da condutibilidade elétrica da pele.

Se nas pessoas saudáveis a reação mais intensa foi às imagens que atuam sobre as emoções, tais como os nus e as cenas de violência brutal, no caso dos epiléticos, ao contrário, foram as representações religiosas que proporcionaram as reações mais vigorosas.  Ramachandran confirmou, assim, a suposta relação entre a hiperatividade do lobo temporal e uma elevada predisposição para o pensamento religioso de forma geral. De modo algo chamativo, talvez, mas em compensação muitíssimo eficaz no que diz respeito aos meios de comunicação, o neurologista acabou por dar a essa área do cérebro o nome de “módulo divino”, designação que decerto não soa de todo científica. De suas observações dos epiléticos, Ramachandran tira uma conclusão inequívoca. “Evidentemente, o cérebro humano possui circuitos que participam das experiências religiosas e que, em alguns epiléticos, se tornam hiperativos”.

Muito mais que isso, porém, não se pode deduzir das experiências do neurologista. Afinal, o fato de se vivenciarem experiências divinas no lobo temporal esquerdo não diz rigorosamente nada acerca, por exemplo, da existência ou não existência de um ser supremo. “A nós, pessoas ‘normais, ‘Deus concede apenas de vez em quando a visão de uma verdade mais profunda. Esses pacientes, pelo contrário, gozam do privilégio único de, a cada ataque epilético, olhar diretamente no rosto de Deus”, constata Ramachandran, e acrescenta a sua constatação a pergunta: “Quem desejaria decidir se essas experiências são ‘genuínas’ ou ‘psicológicas” Você trataria de fato um tal paciente, privando o Todo- poderoso de seu direito de visita?

O neurologista não é o único a atribuir ao lobo temporal significado especial no tocante às experiências supra sensoriais. O fisiologista e psicólogo Michael Persinger, da Laurentian University, em Sudbury, Canadá, procura Deus também no cérebro humano. Embora os resultados de sua pesquisa tenham sido publicados já há mais de 20 anos, ela só atraiu a atenção de um público mais amplo na esteira do redobrado interesse neuroteológico. Valendo-se de um capacete especialmente adaptado, Persinger fez estimulação magnética dos lobos temporais de seus voluntários. O cientista chegou a experimentar o “capacete divino” em si próprio e, desse modo, vivenciou pela primeira vez na vida a “presença de Deus”, conforme declarou mais tarde. Típico dessa espécie de experimento é que os voluntários posteriormente registram o que viveram em linguagem religiosa tradicional.

Persinger conclui daí que a experiência divina relaciona-se à uma instabilidade elétrica passageira na região do lobo temporal. Também isso, contudo, apenas confirma a existência de uma relação entre o cérebro e as experiências religiosas, e nada mais.

Hoje, a pesquisa em neuroteologia apresenta-se associada em especial aos nomes de dois cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade da Pensilvânia: Andrew Newberg, professor de radiologia, e Eugene d’Aquili, psiquiatra falecido em 1998. Dois de seus livros de divulgação científica contribuíram em grande medida para deflagrar o atual florescimento da neuroteologia.

Nesses livros é descrita, por exemplo, a experiência com Robert, budista praticante de meditação tibetana. Ao meditar, o jovem acende um incenso com odor de jasmim, acomoda-se no chão e cruza as pernas na chamada posição de lótus. Em seguida, lança-se a uma viagem interior. Robert, relata que, ao fazê-lo, sua consciência entra em repouso, ao passo que uma parte mais profunda e singela de seu eu vai pouco a pouco se manifestando. Essa porção, ele a vê como seu eu interior, o cerne verdadeiro do seu ser. Nesse estado, imperam a temporalidade e infinitude totais. Robert já não é apenas ele mesmo, e sim parte de tudo que existe.

Relatos subjetivos como esse são de pouca valia para as ciências naturais. A fim de dar à experiência religiosa de Robert uma forma que lhes fosse útil, Newberg e d’Aquili tiveram a ideia de fixar num instantâneo o momento dessa transcendência mística. Para tanto, o zen-budista deveria puxar uma corda quando atingisse o ápice espiritual de sua meditação. A outra ponta da corda estaria presa a Newberg, que, ao sinal recebido e com o auxílio de uma comprida mangueira, injetaria uma substância levemente radioativa na veia do braço esquerdo de Robert. A substância, um marcador, movimenta-se pela corrente sanguínea e, em pouquíssimo tempo, deposita-se nas células cerebrais, onde permanece por horas. A irrigação sanguínea acentuada de determinada região do cérebro conduz, então, a um sinal radioativo mais intenso ali, o que sinaliza aos cientistas o aumento da atividade naquela área específica.

No caso de Robert, o que se verificou no início da meditação foi uma atividade intensa, mas   normal, na porção superior do lobo parietal.A tarefa dessa região consiste na “orientação do indivíduo no espaço físico”, nas palavras de Newberg.  “Esse ‘campo de orientação’ nos permite diferenciar com clareza o indivíduo de tudo o mais. Sua tarefa é apartar o eu do não-eu infinito que compõe o restante do Universo. Para tanto, depende do fluxo continuo de informações provenientes de todos os sentidos do corpo.

No ápice da jornada meditativa de Robert, porém, a atividade desse campo de orientação sofreu redução drástica. Newberg e d’Aquili supõem, portanto, que essa região cerebral se fez temporariamente “cega” para os dados provenientes dos sentidos – uma possível explicação para a sensação de Robert de, no auge de sua meditação, não mais constituir uma “unidade isolada”, mas “estar ligado de forma indissolúvel à totalidade da Criação”.

A experiência foi repetida com outros budistas em meditação e com freiras clarissas durante suas orações. E, de fato, o efeito não revelou restrito a uma única crença: em momentos da mais profunda meditação religiosa, o campo de orientação se faz cego. Mais uma vez, no entanto, o resultado da experiência nada diz acerca do conteúdo de verdade da crença ou de certos dogmas de diferentes religiões.

Por isso mesmo, “antes de nos aventurarmos a introduzir procedimentos de diagnóstico por imagens com fins localiza dores nos domínios da experiência religiosa e da neuroteologia, haveria ainda numerosas questões a esclarecer’, adverte Detlef Linke, diretor do Departamento de Neuropsicologia Clínica e Reabilitação Neurocirúrgica da Universidade de Bonn. É preciso saber, por exemplo, se, nas regiões cerebrais ativas, predominam células inibidoras ou ativadoras. Além disso, que relação o consumo de energia medido guarda com o processamento da informação? Não é possível que tenham aí papel decisivo mecanismos processadores de informações que demandam muito pouca energia? Em se tratando do ser humano, pode-se, afinal, falar em estado cerebral inicial ou de repouso ao qual comparar um estado ativo?

E, a tudo isso, junte-se ainda o fato de que resultados obtidos de procedimentos mensuradores baseados em imagens devem, antes de mais nada, ser interpretados pelos pesquisadores. Nisso sempre interferirá o ponto de vista da linha de pesquisa em questão ou mesmo do próprio pesquisador – ele pode influenciar a conclusão.

A pesquisa neuroteológica em particular precisa atentar para não ultrapassar as fronteiras que separam os resultados das experiências da interpretação dada a eles. Do contrário, sempre correrá o risco de inflar descobertas empíricas à condição de hipóteses sistemáticas. De resto, afirmações acerca de Deus não se deixam extrair com base numa condutibilidade maior da pele ou na alteração da atividade verificada em determinada região do cérebro. O Todo-poderoso decerto não estará alojado no lobo temporal. Formulações sensacionais desse tipo antes prejudicam do que beneficiam a imagem de um ramo nascente de pesquisa.

Outra deficiência das pesquisas de Newberg e d’Aquili constitui-se na redução da religião a meditação e orações. “Com certeza, religião é mais do que apenas um estado emocional vivido em sua plenitude”, sentencia Linke. Como a pesquisa neurocientífica tem por objeto indivíduos e sua atividade cerebral, ela não poderá tratar de religião, e sim da “religiosidade” do ser humano. Assim sendo, uma designação mais acertada para esse ramo de pesquisa seria “neurobiologia” ou “neuropsicologia da religiosidade”. Mas o que significa de fato o adjetivo “religioso”? Quando se auto classificam como “religiosos” ou “não religiosos”, todos os voluntários das experiências neuroteológicas querem dizer a mesma coisa? No uso cotidiano da língua, “religioso” é por vezes empregado como sinônimo de “pio” ou “cristão”.  Contudo, embora não esteja de todo errado, esse não é o significado preciso do adjetivo.

Para o futuro, portanto, cumpre desenvolver um conceito único de religiosidade para todas as linhas de pesquisa que se ocupam das questões neuroteológicas. Somente então estaremos, tanto quanto possível, a salvo de mal-entendidos.

Da mesma forma que “sentir” foi pouco a pouco se juntando ao “pensar”, como objeto da atenção das ciências naturais, também o “crer” poderá fazê-lo agora. Esse seria o grande mérito de uma nova neuroteologia, que abordasse os fundamentos da experiência religiosa com base em um conceito integrado de religiosidade e de forma interdisciplinar.

GLOSSÁRIO

OUTROS OLHARES

A CARTEIRA DE TRABALHO

Em tempo de uberização do emprego e da economia do quebra-galho, a MP da Liberdade Econômica sepulta o “passaporte do cidadão de bem”

Não será uma despedida fácil. Símbolo de uma série de conquistas sociais, a carteira de trabalho está com seus dias contados, pelo menos como a conhecemos hoje. Será uma lenta agonia até a extinção. Aos 87 anos, o documento de papel azul timbrado, guardião das anotações de emprego e que materializa as garantias trabalhistas dos brasileiros, começará a ser substituído gradativamente. Suas características originais, que fazem parte do imaginário coletivo de amparo social e acesso à cidadania, não serão preservadas pela versão contemporânea digital e verde e amarela instituída pela Medida Provisória (MP) da Liberdade Econômica.

Filha biológica e uma das principais fontes de prestígio e carisma do presidente Getúlio Dornelles Vargas, a caderneta ajudou a forjar a imagem de pai dos pobres de seu criador e representava o papel forte do Estado na intermediação da relação entre empresas e trabalhadores. Vargas, numa ação de marketing bem-sucedida, fez da carteira de trabalho a fiel depositária dos direitos do trabalhador. Não por acaso, sorrindo, o presidente estampava a foto do primeiro documento, na imagem mítica da carteira profissional como trabalhador número 1 do Brasil.

A infância da carteira de trabalho ocorreu em um país extremamente rural, a vislumbrar uma indústria nascente, que ganhava importância em reação às dificuldades de importação de produtos da Europa, a partir da Primeira Guerra Mundial. A abolição formal da escravidão – apenas 43 anos antes da criação do documento – lançara um grande contingente de mão de obra barata e despreparada ao mercado. O país buscou mão de obra qualificada estimulando a atração de imigrantes, operação facilitada pelo ambiente belicoso na Europa. Assim, com forte presença de ex-escravos e de imigrantes, nasce a categoria brasileira dos trabalhadores urbanos e profissionais liberais. A partir deles, formam­ se os primeiros movimentos sindicais.

A Carteira Profissional nasceu em 21 de março de 1932. A assinatura do Decreto 21.175 tornou o documento obrigatório a todas as pessoas maiores de 16 anos que desejassem trabalhar. Com a popularidade em ascensão, ajudou a reorganizar o processo de urbanização e industrialização tardia, além de inaugurar uma série de novos costumes para grande parte da população.

A obrigatoriedade do documento produziu uma corrida de trabalhadores a estúdios de imagem, em busca do retrato 3×4 que os identificaria no documento. Frequentemente, dias após o 3X4, os retratados voltavam ao estúdio para obter um registro de sua família. A carteira de trabalho guarda também uma função diferente da caderneta profissional a que sucedeu, porque representava a cidadania. “Tornou-se a identidade do trabalhador nacional. Ela foi a base do conceito de cidadania social associando o salário ao conjunto de direitos protetivos. E, claro, muito ligada à indústria e ao processo de industrialização tardia”, explicou o professor Ruy Braga, da Universidade de São Paulo (USP), especialista em sociologia do trabalho.

“A década de 30 completa um ciclo que começou com as greves de 1917, especialmente em São Paulo, e o movimento tenentista dos anos 20, com um impulso de modernização do Estado, que envolvia o trabalhador urbano. Não é uma relação puramente monetária, mas organiza uma série de direitos, inclusive previdenciários”, avaliou Braga.

Onze anos depois do nascimento da carteira de trabalho, Vargas entrou para a história com uma das medidas mais emblemáticas de sua administração: a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Era manhã de 1° de maio de 1943, em pleno período autoritário do Estado Novo, quando Vargas sancionou a Lei 5.452, no Estádio de São Januário (do Club de Regatas Vasco da Gama), incentivando a tradição de celebração do Dia do Trabalho no Brasil.

Em 1969, a Carteira Profissional foi substituída pela Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS), que garante acesso a direitos trabalhistas como seguro-desemprego, aposentadoria e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Seu caráter obrigatório foi estendido aos trabalhadores dos setores agrícola, pecuário e doméstico.

A realidade contemporânea impõe a discussão sobre a necessidade de um novo arcabouço jurídico para dar conta de uma tendência inexorável de relações de trabalho – mais flexíveis e sem contratos fixos. A reforma trabalhista de 2017, que alterou mais de 100 pontos da CLT, e a MP da Liberdade Econômica abrem uma era menos afeita aos direitos dos trabalhadores.

Paralelamente a mudanças pautadas pelo avanço tecnológico, a crise econômica aguda e prolongada preparou o terreno para as discussões em torno da necessidade de modernização do arcabouço jurídico de amparo e proteção ao trabalhador. A flexibilização, proporcionada pelas novas relações virtuais, avançou sobre a legislação trabalhista. No terreno empresarial arenoso, ganharam espaço a terceirização, a pejotização (contratação do trabalhador como pessoa jurídica) e remuneração e jornadas flexíveis.

A imposição de uma nova economia do mercado de trabalho autônomo e informal e da “uberização” do emprego desorganizou as relações entre patrão e empregados. Não por acaso, o IBGE captou mais um indicador de deterioração do emprego formal. O registrou de trabalho com carteira, no setor privado, está no menor patamar da série histórica: 74,3%. No segundo trimestre do ano passado, eram 75%.

“É um problema que não afeta só o Brasil. O surgimento da ‘gig economy’ (economia do quebra-galho) é um fenômeno mundial. É um momento novo, que traz muitas perguntas e poucas respostas. As pessoas também estão preferindo certa flexibilidade. O mercado quer contratar para tarefas específicas e parcelar o trabalho. Sem dúvida, há fatores conjunturais que podem estar incentivando as pessoas a procurar empregos em modalidades distintas das que havia no passado”, observou Bruno Ottoni, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV) e do IDados.

As tentativas de modernização dos mecanismos de proteção do trabalho podem caminhar, segundo alguns analistas, no sentido de manter uma atualização constante e necessária da legislação trabalhista, como reflexo de uma sociedade em movimento. O problema, dizem, é a heterogeneidade da realidade social brasileira. “No Brasil, ou o cara é empregado ou ele não é nada. O que temos hoje é uma relação de trabalho 4.0, ou seja, a pactuação entre patrão e empregado se diferencia da relação mais estável, com a interferência da tecnologia da informação, da robótica. É preciso refletir como protegê-lo sem exigir uma relação que existia na década de 30”, avaliou a advogada trabalhista Maria Lúcia Benhame, do escritório Benhame Sociedade de Advogados.

Na esteira dessas mudanças, nem o FGTS escapou. A poupança compulsória dos trabalhadores foi reconfigurada e pode deixar de funcionar como um “colchão” para emergências. A nova condição de saque, chamada saque-aniversário, permite retiradas anuais de um percentual do dinheiro retido, mas impede o acesso em caso de demissão sem justa causa, hoje a maior motivação de recolhimento do fundo pelos trabalhadores. O governo Bolsonaro já avançou no Congresso com a reforma da Previdência e sinaliza com a possibilidade de terceirizar a concessão de auxílio-doença, licença-maternidade e outros benefícios brasileiro – retirando a função do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Eles seriam colocados sob a administração de seguradoras. Outra ideia em discussão em Brasília é a revisão do cálculo da multa de 40% sobre o FGTS na demissão.

A simbologia do tripé formado pela carteira de trabalho, pela CLT e pelo extinto Ministério do Trabalho compunha o imaginário do trabalhador brasileiro como símbolo de status. A carteira anotada, e devidamente preenchida, sempre foi motivo de orgulho. Na realidade violenta das cidades brasileiras, a caderneta foi por muitos anos passaporte social, expressão de honestidade e certificado de que seu portador era cidadão de bem.

GESTÃO E CARREIRA

“PARA SEMPRE” SEMPRE ACABA

Ancorada no modelo de venda de peças de baixo custo e qualidade inferior, a Forever 21 sucumbe diante dos novos gostos e exigências de suas clientes

A rede de lojas americana Forever 21 construiu sua fama em cima do estardalhaço. No início desta década, ainda pouco conhecida, assombrou os nova-iorquinos ao inaugurar uma filial em um ponto icônico da Times Square, no miolo de Manhattan. Ao desembarcar no Brasil, há cinco anos, levou 2.000 jovens a se postar em uma fila onde aguardavam até três horas para entrar na loja, em um shopping de São Paulo. Uma semana depois, o mesmo fenômeno se deu na abertura no Rio de Janeiro — lá, além da fila à porta, as consumidoras encararam duas horas para passar o cartão no caixa. O motivo de tamanho frenesi se fundamentava na oferta de peças inspiradas nas coleções de grandes grifes a uma fração do preço da concorrência.

Com tal formato, a marca atraiu hordas de adolescentes e jovens adultos e formou um pequeno império, com receita anual de 4,4 bilhões de dólares e 800 unidades em mais de cinquenta países. No domingo 29 o colosso da fast-fashion, fundado na Califórnia, em 1984, por um casal de imigrantes sul-­coreanos, confirmou o desmoronamento de seu modelo de negócio ao protocolar o pedido de concordata na Justiça americana. Protegido contra os pedidos de falência — pelo menos por enquanto —, o grupo tentará pôr as contas em ordem encerrando as operações em quarenta países e baixando as portas de 350 lojas, 178 delas em solo americano. Da ambiciosa operação internacional, restarão só os pontos de venda na América Latina — e, segundo especialistas no setor de varejo, por tempo suficiente para liquidar os estoques recolhidos nas filiais da Europa e da Ásia.

A derrocada da Forever 21 está intrinsecamente ligada à estratégia que escorou sua expansão. A ideia era oferecer a suas clientes a oportunidade para abarrotar os armários de peças baratas, permitindo-lhes variar o visual a custo irrisório. Para isso, a empresa abastecia semanalmente suas unidades com novos modelos, sempre em quantidade e variedade superlativas. Ao mesmo tempo, valia-se de uma agressividade rara, ao abrir filiais em ritmo acelerado, disputando espaço em shoppings de luxo e ruas de comércio badaladas. Entretanto, nessa escalada, o alto custo das instalações físicas reduziu a competitividade, ao mesmo tempo que a baixa qualidade das peças inviabilizava um aumento das margens para bancar tais operações. Outra falha grave foi negligenciar o comércio digital. “Enquanto presumia que a briga com rivais como a espanhola Zara e a sueca H&M estava na disputa por pontos estratégicos e lojas convencionais, a Forever 21 ignorou que a verdadeira concorrência estava no e-commerce”, explica Gustavo Cavalheiro, professor de pós-graduação na área de varejo de moda e negócios da Universidade Anhembi Morumbi.

A rede americana também não acompanhou as mudanças culturais trazidas pelas novas gerações, pouco afeitas ao gosto pelo efêmero e ao conceito de roupas descartáveis do passado. São clientes que buscam produtos mais sustentáveis e marcas alinhadas a questões sociais. Comprar peças em brechós ou até mesmo alugar o vestuário são outras tendências que vieram para ficar. “O consumismo está fora de moda. Hoje as pessoas querem comprar roupas que vão durar, que não impliquem exploração de mão de obra de países pobres e poluam menos o meio ambiente”, explica Juedir Viana, professor de varejo da FGV-Rio. “As empresas têm de ir além da venda e possuir propósitos compatíveis com os dos consumidores”, acrescenta.

O declínio da Forever 21 contrasta com a pujança de rivais como a Zara, que praticamente instituiu o conceito de fast-fashion. O contraste é ainda maior ao se levar em conta a crise de imagem pela qual a empresa espanhola passou em 2011, acusada de usar trabalho análogo à escravidão em sua cadeia de fornecedores. Ela se alinhou rapidamente ao zeit­geist ao pedir desculpas publicamente e reviu a sua rede de parceiros. Paralelamente, concentrou seus esforços no terreno digital. “A expansão internacional descontrolada criou uma série de dificuldades para a Forever 21. Essa irracionalidade é evidente diante do crescimento cuidadoso e extremamente bem gerenciado da Zara”, afirma Mark A. Cohen, diretor de estudos de varejo da Universidade Columbia. Faltou, enfim, maturidade à Forever 21 para entender as sutilezas da moda.

ALIMENTO DIÁRIO

A HISTÓRIA DO CASAMENTO

DIA 29 – PRIORIDADES

É melhor ter companhia do que estar sozinho, porque maior é a recompensa do trabalho de duas pessoas. Eclesiastes 4:9

Missões e prioridades não são a mesma coisa, mas andam de mãos dadas. Concordar com as mesmas prioridades e apoiá-las é essencial para se preservar a unidade.

Nossas prioridades são ditadas pelo nosso objetivo maior: conhecer e revelar o amor de Deus. Por ser essa uma missão compartilhada por todo crente, podemos todos ter as mesmas prioridades, embora as estratégias para fazer isso sejam diferentes de um casal para outro e de uma estação para outra. Propomos que vocês vejam suas prioridades do seguinte modo:

1. DEUS. Deus não é apenas o “primeiro”. Ele está acima de tudo o mais, e o relacionamento com Ele é essencial para o sucesso e a fidelidade em todas as outras áreas da vida. Ele deveria englobar e habitar em cada uma das nossas prioridades. Mas em nome da clareza, vamos designá-Lo como o primeiro dessa lista. Portanto, por assim dizer, Deus vem em primeiro lugar.

Mas nosso relacionamento com Deus e o trabalho que fazemos para Ele não são a mesma coisa. É tentador, principalmente para os ministros ou outros que servem na igreja, priorizar a obra do ministério acima das nossas famílias. Por favor, não permita que sua família seja vítima dessa distorção.

2. CÔNJUGE. Mais uma vez, pode haver espaço aqui para uma distorção que, apesar de sutil, pode ter um alto preço. Seus filhos são importantes, mas você não deve negligenciar seu cônjuge em função do seu cuidado em relação a eles. Seus filhos um dia amadurecerão e deixarão seus cuidados, mas você tem um relacionamento de aliança com seu cônjuge por toda a vida. 

Certifique-se de que construam sua vida juntos de tal maneira que quando seus filhos saírem de casa, vocês dois ainda sejam os melhores amigos um do outro.

3. FILHOS. Os detalhes exatos do envolvimento e do papel de cada cônjuge na criação dos   seus filhos variarão de uma estação para outra, principalmente dependendo da próxima prioridade – o chamado de vocês. Se um de vocês – ou ambos – trabalha fora de casa, vocês terão responsabilidades em outras áreas como vida profissional e ministério. Se atualmente cumprir seu chamado significa ficar em casa com seus filhos, nossa distinção entre essa prioridade e a próxima não se aplica. Mas, como disse C.S. Lewis: “A dona de casa tem a carreira suprema”.

4. CHAMADO. Na verdade, seu chamado inclui tudo nesta lista – e tudo em sua vida. Porém, uma vez mais, limitaremos a amplitude desse termo em nome da clareza. O que nos  referimos como “chamado” é o que Deus chamou você e seu cônjuge para fazer  individualmente na esfera do governo, dos negócios, da saúde, da educação, do ministério, das artes, da mídia, ou de qualquer outra área.

Em nosso casamento, por acaso essa é uma área que compartilhamos, porém, muitos cônjuges não trabalham ou ministram na mesma área da sociedade de seu cônjuge. Se esse for o caso no seu casamento, vocês ainda podem se interessar pelo trabalho um do outro e apoiar um ao outro de maneira vital. Como disse Salomão, quando dois trabalham juntos, eles podem ajudar um ao outro a ter êxito.

5. DESCANSO. O sábado foi ordenado por Deus, e não pelos homens. Quando descansamos, todas as outras prioridades florescem. Deus quer que nossas vidas envolvam descanso e lazer regulares – o que não é o mesmo que inatividade. Descansamos dedicando tempo para as coisas que nos restauram espiritual, física e emocionalmente. O importante no casamento é encontrarmos maneiras de compartilharmos o descanso, e não apenas descansarmos   sozinhos. Para nós, isso tem significado encontrar um tema em comum e interesses comuns para desfrutarmos juntos, como passar tempo ao ar livre conversando sobre nossos sonhos para nossa família e ministério. Aprender a descansar e desfrutar de momentos de lazer juntos faz parte da fusão de duas vidas em uma.

6. COMUNIDADE. Em muitos casamentos, maridos e esposas mantêm vidas sociais completamente separadas. Embora seja importante ter um tempo só para as garotas e só para os rapazes e construir amizades com outras pessoas além do seu cônjuge, em um casamento saudável, a vida social dos cônjuges convergirá. Nossos amigos desempenham   um papel importante nos encorajando, nos apoiando e nos fortalecendo. Por sermos uma só carne, devemos ter muitos amigos que conhecem e amam a ambos.

Não podemos deixar de enfatizar o quanto é crucial ter amigos que abençoem intencionalmente sua união. Ambos temos amigos que desempenham papéis muito diferentes em nossas vidas. Eu (John) tenho colegas de golfe com quem posso abrir o coração e a alma. Os homens com quem compartilho meus desafios e fraquezas amam tanto a Lisa quanto a mim.

Por minha vida ser tão cheia, e eu (Lisa) não jogar golfe, só tenho na verdade amigas de coração que me desafiam a crescer mais em todas as áreas do amor. Elas são mulheres que entendem os desafios singulares que tenho em minha vida e em meu casamento. Algumas são ótimas amigas com quem posso contar durante os desafios que surgem no ministério, e outras são ótimas para serem consultadas no que se refere a conflitos nos relacionamentos. Todas elas são mais valiosas do que o ouro para nós.

Havia algumas pessoas que eram nossas amigas no passado, mas de quem tivemos de nos afastar com o passar do tempo. Elas tomavam partido de um de nós dois e não promoviam a união no nosso casamento. Se um amigo não torce pelos dois, não se associe a ele. Essa pessoa inevitavelmente irá gerar divisão em sua união.

ESCOLHENDO AMAR

Vocês são o povo de Deus. Ele os amou e os escolheu para serem Dele. Portanto, vistam-se de misericórdia, de bondade, de humildade, de delicadeza e de paciência. Não fiquem irritados uns com os outros e perdoem uns aos outros, caso alguém tenha alguma queixa contra outra pessoa. Assim como o Senhor perdoou vocês, perdoem uns aos outros. E, acima de tudo, tenham amor, pois o amor une perfeitamente todas as coisas. Colossenses 3:12-14, NTLH, grifo do autor

É o amor que nos une perfeitamente. Ele é a base da unidade, a verdadeira chave para ver o impossível.

Em Efésios 5:28, Paulo diz que “os maridos devem amar cada um a sua mulher”. A palavra “devem” enfatiza a importância dessa obrigação. O maior princípio transmitido nesse versículo – um princípio que se aplica tanto ao marido quanto à esposa – é o de que devemos amar um ao outro independentemente de como nos sentimos.

Nossa cultura retrata o amor como um sentimento, um sentimento que não pode ser controlado, apenas respondido. Se sentimos amor, agimos como os que estão apaixonados. Não demora muito para descobrirmos que o sentimento do amor nem sempre está presente, mas o amor é sempre uma escolha. Deus escolheu nos amar. Se escolhermos amar, os sentimentos por fim passarão a estar de acordo com nossas ações. Atos de fé – como demonstrar amor quando não existem sentimentos evidentes – podem mover montanhas. Deus anseia por abençoar nossos atos. Dietrich Bonhoeffer disse:

Não é o seu amor que sustenta o casamento, mas é o casamento que sustenta o seu amor.

A única maneira de o seu casamento poder sustentar o seu amor é sua realização emocional e espiritual vir da comunhão com o Espírito de Deus. Quando dependemos da fonte errada – da nossa própria força – nosso amor falha ao ser testado pela ausência de sentimento. Mas quando estamos firmados no amor de Deus, nossos atos de amor podem nos manter em unidade quando nossos sentimentos vacilam.

Não se engane. O casamento não foi criado para ser algo destituído de sentimentos. Contudo, como C.S. Lewis afirmou:

A regra para todos nós é perfeitamente simples. Não perca tempo pensando se você “ama” o seu próximo; aja como se o amasse. Assim que colocamos isso em prática, descobrimos um dos maiores segredos: quando você se comporta como se amasse alguém, logo passa a amá-lo.

Você pode continuar demonstrando que ama seu cônjuge mesmo quando não se sente dessa forma. Você pode escolher servir, celebrar e apoiar. Quando sua vida estiver alinhada com o amor, suas emoções por fim passarão a afirmar o que seus atos demonstram.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

EM SINTONIA COM O COLETIVO

Em meio à multidão, pessoas comuns podem tornar-se extremamente boas ou más. A decisão de como se comportar dependerá do que pensam que se espera delas

A cela é pequena e suja. Três homens vestindo trajes desbotados estão encolhidos no chão. Quietos, estremecem a cada ruído no corredor. De repente, dois guardas usando uniforme e óculos escuros aparecem na porta, batendo os cassetetes nas mãos. A violência está para começar.

Seis dias antes, tanto prisioneiros como guardas eram jovens universitários comuns. O ano é 1971, e eles estavam prestes a iniciar uma experiência de duas semanas planejada por Philip C. Zimbardo. O psicólogo da Universidade Stanford dividiu aleatoriamente um grupo de estudantes mentalmente sãos entre “guardas” e “prisioneiros”, que deveriam conviver em uma prisão simulada no campus. Zimbardo teve de interromper o estudo prematuramente depois de apenas seis dias, porque os guardas haviam se tornado sádicos, abusando física e psicologicamente dos prisioneiros.

Mas como jovens pacatos puderam se transformar de forma tão assustadora em tão pouco tempo? Naquela época, Zimbardo ofereceu uma resposta simplista: protegidas pelo anonimato da multidão, as pessoas perdem todos os limites e desprezam normas éticas. Na turba, tornam-se animais de um rebanho desenfreado, sem controle ou compaixão.

Atualmente, o estudo clássico, e polêmico, de Zimbardo é frequentemente citado em apoio à ideia do “coletivo maligno”. Mas essa visão se justifica realmente? Pesquisas recentes indicam que, muito embora grupos levem seus integrantes a se comportar de uma forma que eles não fariam no dia-a-dia, essas ações podem ser tanto positivas quanto negativas. No final de 2001, quando os psicólogos britânicos Stephen D. Reicher e S. Alexander Haslam reproduziram a experiência do prisioneiro para o que viria a ser um reality show exibido pela rede BBC, os guardas agiram de forma um tanto cautelosa.

Em razão dos resultados contraditórios, Haslam e Reicher concluíram que o comportamento do grupo depende das expectativas de seus membros sobre os papéis sociais que eles deveriam desempenhar. Se acreditam que se espera deles uma conduta autoritária, é bem provável que ocorram abusos. Zimbardo, por exemplo, encorajava os guardas a portarem-se de modo ameaçador. A chave para entender como os indivíduos de um grupo irão proceder são suas crenças pré-condicionadas sobre o que devem fazer.

Embora os psicólogos possam discordar se indivíduos em uma multidão tornam- se bons ou maus, eles concordam num ponto fundamental: imerso no coletivo, o indivíduo extrapola a si mesmo, para o bem e para o mal.

A dinâmica dos grupos e movimentos de massa é fascinante por causa dos extremos a que podem levar as pessoas. Um indivíduo em um grupo de voluntários arrisca a vida para salvar uma criança, evitando que ela caia nas águas de uma enchente, enquanto outro, em nome de uma causa coletiva “maior”, de bom grado se sacrifica como homem­ bomba. Demonstrações desse tipo ocorreram diversas vezes na história, desde a turba clamando pela crucificação de Jesus até a boa vontade dos povos na recente Olimpíada de Atenas.

REGRAS FANÁTICAS

Em geral, o temor das pessoas em relação à mentalidade das massas cria nelas a expectativa de que grupos apresentem aspectos sinistros, apesar de a história mostrar, por exemplo, que mudanças sociais positivas são impossíveis sem movimentos de massa. O surgimento dos direitos humanos, a queda do Muro de Berlim, o ambientalismo – muitos avanços recentes resultaram do engajamento massivo de pessoas que lutaram por um bem comum, colocando seus interesses pessoais em segundo plano para atingi-lo. O experimento da BBC destrói também a visão negativa, muito disseminada, de que em uma multidão, a identidade do indivíduo se dissolve, e ele é levado a cometer atos imorais e irracionais.

Psicólogos sociais desmistificaram o comportamento coletivo, demonstrando que se trata de atitudes psicológicas normais e explicáveis cientificamente. A psicologia do coletivo não é patológica. Mas com certeza a identidade do indivíduo é, em algum grau, despersonalizada quando ele entra em um grupo social, seja comitê de ação política, seja clube ou orquestra sinfônica.

Mas será que isso basta para alguém perder todo o senso de moralidade e cometer maus atos? A complexa interação entre o “eu” e o “nós” vem confundindo os cientistas há séculos. Em seu livro Psichologye des Joules (Psicologia das massas), de 1895, o médico e sociólogo francês Gustav Le Bon argumentava que, em grupo, os indivíduos perdem a identidade e, consequentemente, o autocontrole. Guiados apenas por emoções e instintos, agem segundo uma força primitiva, que ele chamou de “inconsciente racial’.

Outros pesquisadores afirmaram que coletivos teriam uma consciência mental independente. O psicólogo britânico William McDougall, que formulou, no início do século XX, a chamada hipótese da mentalidade de grupo, considerava que todos aqueles que se juntam a uma multidão abrem mão de sua identidade em favor de uma “alma coletiva”.

As teorias de Le Bon e McDougall foram posteriormente alvo de ceticismo: em especial, a ideia da massa com sua própria percepção mental foi considerada por demais metafísica. Mas a noção de perda de identidade do indivíduo sobrevive. Na década de 70, após o trabalho de Zimbardo, a ideia foi desenvolvida e aprimorada pelos estudos dos chamados grupos mínimos. Nessas experiências, os participantes eram aleatoriamente agrupados de acordo com critérios triviais, como preferências no modo de vestir. Apesar de a divisão ser arbitrária, na maioria dos casos isso criou forte sentimento de ligação ao grupo, assim como comportamentos condizentes com esse sentimento.

Baseados nessas investigações, Henri Tajfel, da Universidade de Bristol, Inglaterra, e John C. Turner, atualmente na Universidade Nacional da Austrália, em Carbena, formularam, no início dos anos 80, a “teoria da identidade social”. Segundo a tese dos psicólogos, o pertencer a um grupo criava um “sentimento de nós” no indivíduo, a percepção de uma “personalidade coletiva”. Quanto mais a pessoa se envolve com o coletivo, maior a sua identificação com ele e mais completa a sua aceitação de valores e normas do grupo. Estas podem variar desde a autodestruição voluntária, como a demonstrada por seitas como o Ramo Davidiano em Waco, Texas, até o socialismo utópico coletivista, caso dos kbutzim em Israel. Ao contrário dos modelos de Le Bon e McDougall, a teoria da identidade social afirma que os indivíduos não são arrastados pela mentalidade de grupo, mas escolhem modos em comum de sentir, perceber, pensar e agir.

A CAUSA DO GRUPO

Apesar disso, objetivos coletivos podem surgir e se fundir aos objetivos pessoais de alguém -por vezes de modo tão completo que a causa do grupo se coloca acima de todo o resto. Em razão disso, o indivíduo pode fazer grandes sacrifícios pessoais por aquilo que supõe ser o bem comum. Ataques terroristas de homens-bomba suicidas dão testemunho eloquente do quão longe podem ir essas ações. Comportamentos agressivos têm mais probabilidade de irromper se a personalidade coletiva assume o controle sobre a percepção e as ações do   indivíduo. Desse modo, a pessoa não mais distingue entre o eue o “ele”, mas apenas entre o “nós” e “os “outros”.

Essa dinâmica pode surgir de forma esporádica também entre pessoas que levam vidas normais, como o vizinho gentil que todos os sábados se transforma no barulhento torcedor de futebol, xingando em alto e bom som os torcedores do outro time. Para ele, essa atitude é o resultado lógico de sua profunda lealdade ao “nós” de seu amado clube. No melhor dos casos, esse torcedor irá ignorar o grupo “estrangeiro”- os outros – mas ele pode, com a mesma facilidade, se tornar desdenhoso e hostil em relação a eles. Essa transformação não é tanto manifestação de uma misteriosa psique de massas, mas uma ação racional coletiva que se ajusta a certas regras estabelecidas. O torcedor de futebol dá seus gritos de guerra no estádio para ajudar seu time a vencer.

Caso o jogo termine em derrota e a frustração dos torcedores se transforme em violência, esta não é indiscriminada, ela se dirige ao grupo oponente reconhecível por suas insígnias e camisas. Mesmo assim, algumas vezes as fronteiras entre o “nós” e o “eles” mudam de modo surpreendente. Torcedores em confronto de uma hora para outra juntam-se contra a tropa de choque. Em bairros socialmente tumultuosos, membros de grupos étnicos antagonistas tendem a se unir na luta contra o que eles reputam serem ações policiais violentas e injustas. Grupos sociais pouco dados à cooperação podem se aliar em âmbito nacional, como aconteceu nos Estados Unidos depois dos ataques de 11 de setembro de 2001. No entanto, essas situações não explicam como uma passeata pacífica de repente se transforma em uma turba atirando pedras. O fator crucial parece ser que ações isoladas de indivíduos podem ter efeito catalisador sobre o grupo. Se o primeiro a arremessar uma pedra é reconhecível, de forma inequívoca, como um membro do coletivo – por exemplo, por suas roupas ou palavras de ordem – sua ação acaba com qualquer dúvida que os demais tivessem sobreo papel que devem desempenhar. Eles rapidamente imitam o comportamento do “personagem exemplar”.

Essas ações, que se espalham rapidamente, às vezes surgem com bastante facilidade em um grupo que não tem um líder forte ou um código de comportamento firmemente estabelecido. Sem orientação clara, os participantes reproduzem, por vontade própria, qualquer suposto “exemplo a ser seguido”. Tumultos e quebra-quebras seguem suas próprias regras espontâneas.

SOB ANONIMATO

Mas porque o indivíduo na multidão anônima deveria seguir alguma regra? Escondido sob o anonimato, ele poderia facilmente escapar às regras da coletividade sem temer qualquer sanção. Mas diversos estudos mostram que, na realidade, o anonimato aumenta a disposição da pessoa a se envolver em comportamentos excepcionais. Infelizmente, a aquiescência esporádica com frequência leva as pessoas a desprezar as regras de comportamento aprendidas durante a socialização normal, do tipo “Seja educado”. Em sociedades civilizadas, a maioria das pessoas não quer fazer mal aos outros. No entanto, como mostrou a experiência de Zimbardo, normas próprias de situações específicas podem surgir, e a adesão a elas ser reforçada pelo anonimato. Em certo sentido, as pessoas do grupo se veem encorajadas porque pensam que as outras pessoas na multidão provavelmente irão apoiar seu comportamento. Se os voluntários da experiência assumem o papel de guardas de prisão, a agressão pode muito bem se tornar a norma naquela situação, todos “sabem”, por meio de filmes, e de ouvir falar, que guardas de prisão devem disciplinar os prisioneiros, geralmente por meio do uso da força.

Mas o que faz as pessoas na vida real sentir e se engajar em clubes, organizações e manifestações? No passado, sociólogos consideravam os indivíduos que participam de movimentos de massa, no fundo, egoístas dissimulados. Se, e com que intensidade se dava seu engajamento em um grupo dependia da sua “análise de custo-benefício” pessoal – o que ele tinha a perder e a ganhar. Hoje em dia, sabemos que a maioria dos membros é motivada por sua auto- imagem coletiva. Alguém que saiba como influenciar essa auto- compreensão coletiva é capaz de liderar as massas a grandes feitos, como Martin Luther King Jr., mas também de desencaminhá-las. Essa habilidade é o que sustenta o carisma de líderes de seitas e revolucionários. Se um herói de guerra ou um terrorista dá sua vida pelo coletivo, ele não está necessariamente fazendo uma análise de custo-benefício equivocada. Na verdade, ele deixou de calcular seu bem-estar pessoal levando em conta a dor ou a morte. Sua consciência foi completamente tragada pelo coletivo. A morte sacrificial passa a ser a forma mais elevada de auto- realização.

Nosso recém-adquirido conhecimento sobre a psicologia das massas talvez nos ajude a, no futuro, resistir à sedução dos demagogos. No momento, ele nos permite entender as forças criativas das coletividades, que continuam a tornar possíveis muitos avanços.

OUTROS OLHARES

NO LIMITE DA LEGALIDADE

Com a bandeira de entidades beneficentes, bingos voltam a proliferar em São Paulo e no Rio e atraem um público crescente. A legalização do negócio no Congresso pode ser o próximo passo

Desde que os bingos foram proibidos oficialmente no início dos anos 2000, as grandes casas de jogos aguardam o momento em que serão liberadas a operar de novo, assim como os muitos fãs da modalidade. Essa hora pode estar chegando. Em São Paulo, eles podem ser vistos funcionando em vários pontos da cidade. Num belo espaço de eventos no Itaim, na Zona Sul, por exemplo, chamado de Espaço Real da Sorte, já é possível jogar livremente. Dezenas de mesa se espalham pelo salão, com bar e grande estrutura de som e telões com os marcadores. A atividade pode ser oferecida legalmente por se amparar na lei 13.019 de 2014, como “bingo beneficente”, que permite às entidades utilizarem sorteios para arrecadar recursos. Os organizadores afirmam se tratar de uma atividade “temporária”, mas o bingo já funciona há quase dois anos, beneficiando uma ONG de São Miguel Paulista.

Enquanto a jogatina rola solta, os donos de bingo dizem que se trata de um meio para sustentar as instituições de auxílio, que passam por um período difícil após a estagnação econômica. Dessa forma, é possível visualizar nas paredes a estranha combinação de monitores lado a lado que mostram os números que já foram chamados e vídeos da equipe fornecendo ajuda e entregando mantimentos para famílias que dependem da receita gerada pelo jogo. Na porta de entrada, antes de se notar o balcão do bar ou entrar no salão, uma caixa abarrotada com mantimentos não perecíveis é a primeira coisa a ser vista.

MALA DE DINHEIRO

No local, é possível adquirir uma cartela simples por R$ 2. São pagos prêmios de R$ 1 mil pelo bingo nas rodadas convencionais. Em outras casas de jogos há recompensas ainda maiores e sorteios de eletrodomésticos — doados para o bingo arrecadar mantimentos. R. diz jogar desde os 16 anos, e vai dia sim dia também ao Espaço Real da Sorte. Ela conta já ter saído com uma mala de dinheiro de uma jogatina no passado, mas que também já perdeu o equivalente a um prédio contabilizando todos os anos. “Entrou no jogo já sabe, tem de se preparar para perder e para ganhar”, conta. Não é tão difícil encontrar outras casas como essa em São Paulo, funcionando sob a bandeira de entidade beneficente ou de forma clandestina. No Rio de Janeiro, elas também estão se proliferando.

Não só os bingos podem entrar na legalidade em pouco tempo, mas como qualquer tipo de jogo de azar. Hoje, dois projetos estão em tramitação: o PL 442/91, que tenta legalizar o jogo do bicho, e o PLS 186/14, que dispõe de permissões para explorar o jogo legalizado e regulamentado. De acordo com Magno José, presidente do Instituto Brasileiro Jogo Legal, é possível que os projetos sejam colocados para votação em plenário no final de setembro, em comemoração ao “Dia do Turismo”, em 27/09. Para ele, a possibilidade de lavagem de dinheiro envolvendo o jogo é um “mito urbano”, e que existem outras opções melhores para os criminosos. “Isso é caro e arriscado”, diz, projetando tributação de ao menos 26% para os jogos físicos numa eventual regulamentação e limites de ganho que devem identificar os vencedores.

Além desse perigo, o jogo também carrega os vícios. De acordo com dados do Programa Ambulatorial do Jogo Patológico, do Hospital das Clínicas, 2,3% da população brasileira tem algum nível de compulsão por jogos de azar, algo que corresponde a quase cinco milhões de pessoas. Se com o jogo marginalizado há tanta gente com problemas, com a liberação a tendência é que esse número aumente — mesmo que se abra a porta para tratamentos específicos nesse tipo de dependência. Afinal, alguns têm mais sorte do que outros, e a suscetibilidade aos apelos do jogo pode afetar uma pessoa de uma hora para outra. É uma diversão que pode facilmente evoluir para o vício.

GESTÃO E CARREIRA

MUITO ALÉM DO HAMBURGUER VEGETAL

Fazenda Futuro planeja lançar, ainda neste ano, carne moída, almôndega e até salsicha feitas de planta, e Marfrig busca entrar nesse mercado

Depois dos hambúrgueres que imitam carne bovina mas são feitos de plantas, grande novidade do setor de alimentos neste ano, a Fazenda Futuro vai ampliar o cardápio de itens que emulam os produtos de proteína animal mais consumidos do país. Em outubro, a startup de comida lançará carne moída e almôndega vegetais. Até o fim deste ano, será a vez da salsicha.

“O volume de produção desses produtos deve se aproximar ao do hambúrguer”, diz Marcos Leta, fundador da Fazenda Futuro. Em seis meses de operação, a Fazenda Futuro vendeu mais de 2 milhões de hambúrgueres à base de plantas em cerca de 4 mil pontos comerciais, de restaurantes a supermercados.

Ainda em 2019, a foodtech expandirá a comercialização por meio de aplicativos de entrega em domicílio, como iFood e Rappi. Também vai ampliar as vendas para a América Latina.

Não é só a carne bovina que pode ganhar concorrentes vegetais. A Marfrig, maior produtora de hambúrguer bovino do mundo, tem mais de 70 produtos em desenvolvimento e estudos avançados para criar alimentos similares em textura e sabor às carnes de frango e de porco. Sua parceira na empreitada, desde um acordo assinado em agosto, é a fabricante de alimentos americana Archer Daniels Midland, que tem 70 pesquisadores no Brasil e nos Estados Unidos estudando alternativas para a proteína animal.

O primeiro objetivo é produzir um hambúrguer 100% vegetal semelhante à carne bovina. Depois devem vir os substitutos para outras carnes.

ALIMENTO DIÁRIO

A HISTÓRIA DO CASAMENTO

DIA 28 – AS LINGUAGENS DO AMOR

Até agora, falamos sobre a linguagem em um sentido mais ou menos tradicional, focando nas palavras que dizemos e em como as dizemos. Agora queremos fazer um pequeno ajuste em nosso foco e discutir um aspecto diferente da linguagem compartilhada. No capítulo quatro, dissemos que nossos casamentos serão mais fortes se entendermos que nossos cônjuges talvez não nos sirvam da mesma maneira que nós servimos a eles. Do mesmo modo, as pessoas dão e recebem amor de formas diferentes. Um livro excelente para ajudar você a interpretar os vários dialetos do amor – um livro que beneficiou grandemente nosso relacionamento – é As Cinco Linguagens do Amor: Como Expressar Um Compromisso de Amor a Seu Cônjuge, de Gary Chapman.

Para ajudá-lo a entender por que essa é uma questão tão importante, vamos usar nosso casamento como exemplo. As minhas (Lisa) principais formas de demonstrar amor são tempo de qualidade e atos de serviço. Isso significa que no início do nosso casamento, eu ficava ocupada fazendo coisas (lavando roupas, reformando o piso da casa, cozinhando, limpando, cuidando das crianças, pintando e cuidando do quintal) para mostrar a John o meu grande amor por ele. Eu tentava ter conversas profundas e significativas como formas de passar tempo de qualidade com John enquanto fazia as coisas que eu achava demonstrarem amor.

Eu (John) não estava sintonizado no mesmo canal que Lisa. Eu demonstro amor de forma diferente, através do toque físico e das palavras de afirmação. Lisa estava fazendo refeições maravilhosas, tirando o carpete velho da casa e instalando novos pisos, mas eu não a ouvia dizer “Eu te amo”. E embora eu estivesse sinceramente dizendo palavras de encorajamento e dando afeto físico a ela, ela também não estava ouvindo “Eu te amo”. Era como se ambos estivéssemos falando um idioma estrangeiro.

Para um casamento ser saudável, ambas as pessoas devem se sentir felizes e amadas, e todos merecem ser amados de uma maneira que possam entender. Diante dessa afirmação, não há nada de errado em fazer com que o outro saiba qual é a linguagem de amor que fala mais claramente ao seu coração. Nós encorajamos você e seu cônjuge a aprenderem como demonstrar amor lendo o livro do Dr. Chapman. Conversem sobre seus resultados. O que significaria dentro do relacionamento de vocês falar a língua um do outro? Esta conversa transcorre melhor se ocorrer de maneira gentil, sem acusações. Diga coisas do tipo “Eu me sinto amado quando você…” e depois desenvolva o diálogo.

O uso intencional de palavras ou atos feitos sob medida para a maneira como seu cônjuge demonstra afeto expandirá o vocabulário do amor na sua união. Isso fortalecerá o fundamento que vocês estabelecerem usando a língua do Céu e dizendo a verdade em amor. Juntos, esses fatores criam uma linguagem que é compartilhada por vocês dentro da sua união.

Em seguida, veremos como você pode construir o segundo aspecto que torna possível o impossível: a unidade.

EM MISSÃO

Uma das coisas que Jesus enfatizou com frequência durante Seu ministério foi a importância de estar em unidade. Veja, por exemplo, uma história relatada no evangelho de João. Na noite em que foi traído, Jesus orou para que vivêssemos em unidade: Oro não é apenas por eles [meus discípulos].

Mas também por todos os que crerão em Mim.

Por causa deles e do testemunho deles a Meu respeito.

O alvo para todos eles é tornar-se um só coração e uma única mente conosco –

Assim como Tu, ó Pai, és em Mim e Eu em Ti,

Para que possam ser um coração e uma única mente conosco. Então, o mundo poderá crer que Tu, de fato, Me enviaste.

A mesma glória que Me deste, Eu dei a eles,

Para que eles estejam unidos como Nós estamos – Eu neles e eles em Mim.

Assim, eles amadurecerão nessa unidade E darão evidência ao mundo mau

De que Tu Me enviaste

E os amaste do mesmo modo que amaste a Mim. João 17:20-23 9 (A Mensagem), grifo do autor

A unidade revela a glória de Deus. Ela atesta o poder da obra de reconciliação do Seu Filho. Embora muitos tenham procurado provar o Evangelho usando argumentos racionais ou contundentes, a primeira e melhor evidência do amor de Deus pelo mundo é a maneira como o Seu amor é demonstrado entre Seu povo.

A unidade fala não apenas aos que estão fora do Reino de Deus; ela também nos beneficia. É no lugar da unidade que Deus ordena a bênção (ver Salmos 133, ACF). Esta é a razão pela qual a unidade representa uma ameaça dupla

ao reino das trevas: ela gera favor para o povo de Deus e ao mesmo tempo leva os perdidos a observarem o amor de Deus por eles.

Não é de surpreender, então, que o inimigo faça tudo ao alcance dele para gerar desunião em seu casamento – e qualquer resquício de egoísmo ou medo que você guarde para si só ajudará a causa dele. Como permanecer unidos exige que lutemos tanto contra nosso inimigo quanto contra nossa natureza humana, esse é um trabalho árduo. É algo que requer a graça do Espírito de Deus e uma consciência de um propósito claro que transcende as dificuldades do momento. É com isso em mente que vamos olhar mais uma vez Efésios 5:21: Sujeitem-se uns aos outros, por temor a Cristo.

Em um capítulo anterior, falamos sobre os papéis que ambos os cônjuges desempenham ao se submeterem um ao outro como servos altruístas. Agora queremos expandir sua compreensão acerca da submissão e sobre como ela nos ajuda a sermos um.

Pense nisto: o prefixo sub significa “debaixo”. Junte-o à palavra missão e podemos concluir que submissão significa estar “sob a mesma missão”.5 Você já passou bastante tempo listando seus objetivos conjugais e enumerando os passos necessários para alcançá-los. Que esse chamado à submissão sirva, portanto, como um lembrete de que todo objetivo pessoal para o seu casamento tem como alvo fundamental demonstrar o amor e a glória de Deus. Ambos os cônjuges estão sujeitos à autoridade dessa missão dada por Deus, e é isso que nos compele a sermos um.

Essa perspectiva é o que capacita ambos os cônjuges a serem fortes em seu casamento. A submissão não requer que um cônjuge seja forte e o outro fraco. Por caber ao casamento cumprir uma missão tão grande, tão maior do que qualquer um de nós, é preciso duas pessoas fortes para construir uma união forte. Por favor, entenda que ao usar a palavra forte não estamos nos referindo à personalidade ou à força física. Estamos falando de contribuição. Como afirmamos anteriormente, o casamento nada tem a ver com dominação; ele tem a ver com domínio. Ele tem a ver com ganhar terreno, e não com ser territorialista.

Existem áreas no nosso casamento, na nossa família e na nossa zona de influência nas quais eu (John) sou mais capacitado que Lisa. Ela alegremente cede lugar a mim nessas áreas. Do mesmo modo, existem áreas nas quais Lisa é muito mais capacitada do que eu. Nessas questões, eu cedo lugar alegremente à habilidade e à percepção dela. Estamos unidos sob a mesma missão, e nossa missão exige o melhor que nós dois temos a oferecer.

John sempre foi excelente cuidando das nossas finanças. Ele nunca teve qualquer dificuldade em acreditar que Deus suprirá nossas necessidades e abençoará nossas vidas. Todas as casas que já tivemos, foi ele quem encontrou. Quando ele assumiu o pagamento das contas, foi como se um peso enorme fosse tirado das minhas (Lisa) costas. Eu estava cuidando das contas por causa da agenda pesada de viagens de John e dos seus horários de trabalho. Vendo minha frustração com a tarefa, ele se ofereceu para assumir meu lugar. O que era um fardo para mim era fácil para ele. Ele fazia um excelente trabalho em se tratando de grandes aquisições, como casa, carro e outras coisas do gênero. Ele também se relacionava bem com nossos meninos através de competições, jogos e atividades similares.

Eu, por outro lado, cuidava da nossa casa. Sempre quis que ela fosse um espaço onde as refeições em família acontecessem ao redor da mesa. Amo alimentar minha família, e queria que meus meninos convidassem seus amigos para vir comer conosco. Eu também queria que nossa casa fosse um lugar onde John pudesse relaxar quando voltasse de viagem.

Descubra em que áreas você e seu cônjuge estão mais bem equipados para assumir a liderança. Aprenda a ceder lugar um ao outro nas respectivas áreas onde vocês são melhor dotados.

Ceder lugar voluntariamente à liderança um do outro nas áreas mais fortes de cada um capacitará vocês a realizar a missão que compartilham.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SEXUALIDADE: PARÂMETROS PARA MEDIR A SATISFAÇÃO

A psiquiatra e psicoterapeuta Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade (ProSex) da Faculdade de Medicina da USP, criou um índice para medir a qualidade da vida sexual, o quociente sexual. “O QS é um instrumento simples e efetivo que leva em consideração os aspectos emocionais e físicos, como a função erétil, para avaliação da vida sexual”, afirma Carmita, cujo estudo se baseou numa extensa pesquisa (com 27 mil homens e mulheres de 26 países) patrocinada pela Pfizer, fabricante de um medicamento que facilita a ereção. ” Há muito interesse e especulação sobre o que é ter boa qualidade de vida sexual. O QS proporciona objetividade a esse debate, permitindo que os casais avaliem a própria vivência da sexualidade e a melhorem se for o caso”. O foco de atenção, no entanto, são os homens. Confira abaixo qual é o seu nível de satisfação sexual ou o de seu parceiro.

QUESTIONÁRIO DE AUTO AVALIAÇÃO DE QUOCIENTE SEXUAL

1. Seu interesse por sexo é suficiente para que vocêtome a iniciativa de começar a relação?

2. Você tem confiança em seu poder de sedução para se lançar numa conquista amorosa?

3. Você e sua parceira estão satisfeitos com as preliminares?

4.Seu desempenho sexual depende do interesse e da excitação sexual de sua parceira?

5. Você consegue manter o pênis ereto o tempo suficiente para levar uma relação sexual satisfatória até o fim?

6. Depois do estímulo sexual, suo ereção é suficientemente rígida para assegurar uma relação satisfatória?

7. Você é capaz de obter e manter a mesma qualidade de ereção nas várias relações sexuais que realiza em diferentes dias?

8. Você consegue controlar a ejaculação para que o ato se prolongue pelo tempo que desejar?

9. Com que frequência você chega ao orgasmo?

10. Seu desempenho sexual o estimula a fazer sexo outras vezes, em outras oportunidades?

ESCALA DE PONTUAÇÃO DO QS

As respostas oferecidas no site (www.desempenhosexual.com.br/login.asp) recebem valores de O a 5 e,de acordo com a pontuação alcançada, resultam nas seguintes avaliações:

MAIS DE 61 PONTOS: Você tem uma vida sexual bastante quente. Usufrui de todas as benesses proporcionadas pelo prazer do sexo.

De 60 a 41 pontos: Sua vida sexual é pouco morna. Ânimo! Procure descobrir quais são os problemas. Só assim poderá superá-los.

OUTROS OLHARES

MENINA OU MENINO?

Com a recém-lançada linha do brinquedo, a criança escolhe se vai brincar com boneca, boneco ou nenhum dos dois

Primeira boneca para crianças com cara e corpo de mulher adulta, a Barbie está completando 60 anos em pleno processo de reflexão sobre a própria identidade. Nascida alta, com longos cabelos loiros, olhos azuis, maquiagem e unhas pintadas, a boneca mais vendida no planeta adaptou-se pela primeira vez ao mundo que a rodeia nos anos 1980: embalada pelo movimento americano pelos direitos civis, a fabricante Mattel lançou a versão negra no cabelo e na pele (o corpinho proporcionalmente impossível permaneceu intocado). A partir dali, ela ganhou profissões, aderiu ao terninho, ao traje de astronauta, ao uniforme de policial, e foi se modernizando. Há três anos, estrearam a Barbie baixinha e a gordinha, em sete tons de pele. Agora, a linha chamada Mundo Criativo radicalizou: a(o) boneca(o) não tem gênero definido. A criança, de qualquer sexo, pode personalizar o brinquedo a seu gosto, como menina, menino ou nenhum dos dois.

PRODUTOS UNISSEX — termo cunhado pelo The New York Times em 1968, aplicado a calçados que podiam ser usados por homens e mulheres — são encontrados atualmente em diversos setores voltados para o chamado consumidor não binário, aquele que foge dos padrões de gênero vigentes. Marcas de maquiagem como Chanel e Maybelline usam homens nas suas campanhas. Gucci e Louis Vuitton puseram modelos masculinos nos desfiles femininos. A espanhola Zara e a holandesa C&A apostaram em coleções sem gênero definido — a maioria composta de jeans e moletom. Simulador eletrônico da vida real, o jogo The Sims, que já vendeu mais de 5 milhões de cópias, retirou a obrigatoriedade de o usuário definir seu avatar como homem ou mulher. “Existem dois fenômenos no lançamento da boneca de gênero neutro. Um é a customização, que agrada às crianças. O outro é a tentativa cada vez mais frequente de anular a classificação dos brinquedos como sendo de menino ou de menina”, explica Eduardo França, coordenador de MBA da Escola Superior de Propaganda e Marketing.

A Mattel garante que se baseou em pesquisas que comprovam que as crianças (ou, mais provavelmente, os pais delas) rejeitam cada vez mais os estereótipos definidos pelo gênero. “Tirar o rótulo faz com que o brinquedo seja para todos. Não há menino que não se divirta brincando com boneca”, diz a americana Monica Dreger, vice-­presidente de tendências globais da marca. A Barbie sem gênero se assemelha a um pré-adolescente: não tem maquiagem, pelos faciais, seios ou ombros largos. Vem acompanhada de um kit que inclui perucas de cabelo comprido e curtinho e opções de roupa que vão de saias e vestidos a calças, bermudas e jaquetas. Lançada nos Estados Unidos, ainda não tem data para chegar ao Brasil.

A boneca sem gênero espelha um mundo em transformação, onde os velhos escaninhos da sexualidade estão cedendo lugar a classificações que tomam boa parte do alfabeto — e germinam sob o olhar mais ou menos tolerante da sociedade. Foi festejada em círculos de ativistas e por pais que apoiam a ideia — muito politicamente correta — de que a criança deve tomar contato desde cedo com a diversidade sexual, de forma a vê-la com naturalidade mais tarde. Mas também rendeu críticas ferozes. Em Brasília, o pastor e deputado federal Otoni de Paula (PSC-­RJ) — o mesmo que advertiu que a cantora Anitta não é bom exemplo para as crianças — manifestou-se em prol dos pequenos indefesos. “Querem influenciar a primeira infância. É uma pilantragem”, vociferou na tribuna, no dia seguinte ao do lançamento.

Segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), as bonecas e os bonecos representam quase 20% do mercado nacional, seguidos pelos carrinhos, com 17%. Presente exclusivamente das meninas até os anos 1970, a boneca ingressou no universo dos meninos na forma de um boneco macho até não poder mais: o Falcon, brutamontes de barba, músculos ressaltados, faca na mão e até uma cicatriz no rosto. Nos tempos atuais, ao contrário, manifestações explícitas de masculinidade (e feminilidade) são evitadas. Desde 2014 a gaúcha Xalingo não faz distinção de gênero na embalagem de seus produtos. “Não alteramos o brinquedo, mas as cores, a apresentação e a forma de divulgá-lo”, disse sua gerente de marketing, Tamara Campos. No site da marca, geladeiras, fogões e o jogo Brincando de Engenheiro trazem fotos de meninos e meninas na caixa. Árvores de Natal, preparem-se para mudanças.

GESTÃO E CARREIRA

A LIDERANÇA PELO EXEMPLO

”É por meio do exemplo e das pequenas atitudes e comportamentos que emitimos no dia a Dia que passamos a visão e os valores de nossa empresa aos funcionários”

Não se iluda. Em uma empresa, nada ocorre de baixo para cima. Ou os dirigentes dão o exemplo, ou nada ou pouco ocorrerá. Não adianta falar. Não adianta fazer discursos. Não adianta colocar faixas. Não adianta pregar quadrinhos nas paredes com frases de efeito e exortações para a qualidade, para o atendimento ao cliente, para a cortesia, para a prestação de serviços. Se os dirigentes não tiverem um genuíno comportamento e atitudes exemplares, tudo ficará no discurso, na intenção, e pouco ocorrerá de concreto, de efetivo dentro da empresa. Essa é a verdade, nua e crua.

Temos feito várias pesquisas de antropologia corporativa e os resultados são surpreendentes. Se você chega a um hotel e é friamente ou rispidamente atendido na recepção, pode ter certeza, o gerente do hotel trata as pessoas e seus funcionários fria e rispidamente. Se você é tratado com descortesia no estacionamento de um supermercado, o gerente desse supermercado trata as pessoas com descortesia. Se você em uma empresa tem dificuldades em ser atendido com uma reclamação ou pedido, pode ter certeza, a diretoria e as gerências têm uma atitude negativa em relação a pedidos de clientes. E assim por diante. Os funcionários de uma empresa repetem as atitudes e os comportamentos de suas chefias. Acredite!

É por meio do exemplo e das pequenas atitudes e comportamentos que emitimos no dia a dia que passamos a visão e os valores de nossa empresa aos funcionários. Não adiantam campanhas, faixas, cartazes. panfletos se não houver o exemplo da liderança, principalmente nas pequenas coisas.

Tenho visto empresas que gastam tempo e recursos em campanhas institucionais de qualidade, por exemplo. São dezenas de peças – folhetos, faixas, livretos, pôsteres e até palestras falando e disseminando o conceito e a importância da qualidade. Na prática, essas campanhas têm pouca eficácia. Por quê? Porque a liderança da empresa não está de fato comprometida com a qualidade. E isso é demonstrado a cada momento, a cada comportamento, a cada decisão da diretoria. Na hora de escolher os fornecedores de matéria-prima, escolhe-se não pela qualidade, mas pelo preço. Na hora de comprar equipamentos. escolhe-se não pela qualidade, mas pelo preço. Na hora de escolher a embalagem, escolhe-se a mais barata, e não a que melhor protegerá o produto. Na hora de escolher os operadores de logística, escolhe-se os mais precários porque são mais baratos. E a qualidade? A qualidade fica no discurso.

Da mesma forma, vejo os famosos programas de “Encantamento do Cliente”. Na maioria das empresas são verdadeiras peças de ficção. Novamente uma campanha é lançada com pompa e circunstância, discursos e coquetéis. Mas, na prática, os comportamentos emitidos pelos dirigentes vão em direção totalmente oposta ao tal encantamento dos clientes.

Na prática, os clientes são considerados impertinentes quando solicitam alguma atenção especial. Na prática, são mal atendidos pela diretoria. Na prática, os dirigentes são inacessíveis aos clientes. Na prática, tudo o que puder ser tirado do cliente é não dado a ele é a regra do dia a dia. E o encantamento do cliente fica, novamente, no discurso.

Enquanto os dirigentes e líderes não tiverem consciência de que, se não derem o exemplo de atendimento, qualidade, comprometimento, atenção aos detalhes, follow-Up, educação, cortesia, limpeza, respeito etc., nada disso ocorrerá na empresa, estaremos vivendo a melhoria continua do autoengano, a mentira dos quadrinhos e das faixas de exortação. Continuaremos ouvindo a telefonista repetir, com aquela voz mecânica, que nossa ligação é a coisa mais importante para a empresa e continuaremos a receber o tratamento frio descortês, descomprometido e sem os resultados que esperamos como clientes.

ALIMENTO DIÁRIO

A HISTÓRIA DO CASAMENTO

DIA 27 – A LÍNGUA DO CÉU

… porque a sua boca fala do que está cheio o coração. Lucas 6:45

Ao longo deste livro, enfatizamos repetidamente a importância de deixar Deus trabalhar no seu coração primeiro. A mudança vem quando nos rendemos ao Seu Espírito e nos submetemos à Sua Palavra. Como afirmamos, a mudança de comportamento não substitui a transformação interior. Mas à medida que você começar a ser transformado interiormente, seu mundo exterior será refeito. A primeira evidência da obra que Deus faz no seu coração poderá ser percebida nas palavras da sua boca.

Em todas as situações que enfrentamos, temos uma escolha: vamos usar a língua do Céu ou a língua da Terra? A Terra articula a realidade aparente. O Céu fala de acordo com uma Fonte de verdade superior.

“Pois os Meus pensamentos não são os pensamentos de vocês, nem os seus caminhos são os Meus caminhos”, declara o SENHOR. “Assim como os céus são mais altos do que a terra, também os Meus caminhos são mais altos do que os seus caminhos, e os Meus pensamentos, mais altos do que os seus pensamentos. Assim como a chuva e a neve descem dos céus e não voltam para eles sem regarem a terra e fazerem-na brotar e florescer, para ela produzir semente para o semeador e pão para o que come, assim também ocorre com a palavra que sai da Minha boca: ela não voltará para Mim vazia, mas fará o que desejo e atingirá o propósito para o qual a enviei”. Isaías 55:8-11

Para falar a língua de Deus, precisamos conhecer Sua Palavra. Ela transformará nossa visão, fazendo com que vejamos o invisível e declaremos o que ainda pode ser. Ela transformará o que a nossa boca declara no dialeto da fé, algo que vai além de ser positivo ou emocionalmente otimista. Tem a ver com a firme convicção no que foi prometido.

Eis alguns exemplos de como as línguas do Céu e da Terra diferem: Nossa Terra diz: “Divórcio”. O Céu diz: “União”

Nossa Terra diz: “Não há esperança”. O Céu diz “Tudo é possível”. Nossa Terra diz: “Rejeição”. O Céu diz: “Aceitação”

Nossa Terra diz: “Você me deve!” O Céu diz: “Eu dou livremente”. Nossa Terra diz: “Vingança”. O Céu diz: “Perdão”.

Nossa Terra diz: “Não serei seu escravo”. O Céu diz: “Serei seu servo”.

Nossa Terra diz: “Desprezo sua fraqueza”. O Céu diz: “Vejo seu potencial e meu amor cobre sua fraqueza”.

Nossa Terra diz: “Você não atende às minhas necessidades”. O Céu diz: “Quero suprir as suas necessidades”.

Essas palavras podem ser inspiradoras por si só, mas quando estão enraizadas na verdade mais profunda da Palavra de Deus elas se tornam permanentes e nos enchem de poder. Nós o encorajamos a adotar a língua do Céu aprendendo a associar a Bíblia com cada atitude e declaração que você trouxer para o seu casamento. Como povo de Deus, nós sabemos que “os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles. Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno” (2 Coríntios 4:17-18).

A língua tem poder sobre a vida e a morte, e pela fé podemos chamar até mesmo coisas que ainda não estão aparentes como se fossem (ver Provérbios 18:21 e Romanos 4:17). Deixe que a Palavra de Deus molde o seu mundo.

DIZENDO A VERDADE

…falando a verdade com espírito de amor, cresçamos em tudo até alcançarmos a altura espiritual de Cristo… Efésios 4:15, NTLH

Falar a língua do Céu significa sempre dizer a verdade. Mas nem todas as formas de dizer a verdade estão certas. Falar a língua de Deus significa falar a verdade em amor.

Muitos casais erram adotando uma destas duas abordagens extremas: alguns cônjuges usam a Palavra de Deus para atacar ou diminuir seus cônjuges. Eles dizem a verdade, mas a dizem por se sentirem frustrados, com raiva, querendo se vingar ou ofender. Outros não querem causar dor ou criar conflitos, então suprimem a verdade que precisa ser dita e agem com um amor superficial e falsificado. Com o tempo, isso inevitavelmente gera sentimentos profundos de decepção e ofensa, o que eventualmente leva a algum tipo de explosão. Nenhuma dessas abordagens alcança o fim desejado por Deus – que nos tornemos cada vez mais semelhantes a Cristo.

Como marido ou esposa, você está ciente das fraquezas do seu cônjuge de uma forma que ninguém mais está. Você poderia facilmente se aproveitar desse conhecimento único para ferir, envergonhar ou condenar seu cônjuge. Mas abraçamos um chamado superior, não é mesmo? Nós nos comprometemos em servir nossos cônjuges mais do que qualquer outra pessoa, em buscar o que será melhor para eles. Nossas palavras sinceras podem ajudar nossos cônjuges a crescerem mais à semelhança de Cristo – mas nunca diremos palavras de valor eterno se usarmos nossas línguas como armas que ferem.

Se quisermos que nossos casamentos sejam saudáveis, teremos de tratar dos comportamentos destrutivos ou errados, mas há uma hora e um lugar certos para fazer isso. Você já percebeu que apontar as imperfeiçoes do seu cônjuge no meio de uma discussão nunca leva a uma mudança positiva? Ao contrário, isso costuma incitar um comportamento pior e interações nocivas. Quando achar que algo precisa ser discutido, espere até que você e seu cônjuge tenham se acalmado. Se a questão for séria, talvez seja uma boa ideia planejar um encontro para que você possa se expressar em um ambiente mais íntimo. Isso ajuda a estabelecer um ambiente no qual seu cônjuge esteja mais propenso a ouvir você.

Eu (Lisa) lembro-me claramente de Deus ter me dito certa vez: “Lisa, se você quer ser ouvida, diga as coisas da maneira que gostaria de ouvir”. Poderíamos facilmente acrescentar a isso: “Fale-as quando você gostaria de ouvir”. No meio de uma discussão geralmente não é a hora certa para fazer uma crítica construtiva. É melhor compartilhar uma crítica construtiva quando seu cônjuge estiver à vontade e receptivo. Quando vocês estão exaustos, é hora de deixar o problema de lado. Perdoem-se, abracem-se e decidam continuar a discussão pela manhã.

É indispensável expressarmos verdades sensíveis banhadas em amor. Ninguém gosta de ouvir suas falhas e erros, mas aqueles que são ensináveis se beneficiam quando passam a conhecer as áreas nas quais podem melhorar.

Antes de dar um conselho, verifique sua motivação. Pergunte a si mesmo: Estou dizendo isto baseado em amor, ou estou buscando meu benefício próprio ou tentando me proteger? Estou realmente preocupado com o bem-estar do meu cônjuge, ou estou tentando me vingar pela maneira como fui ferido? Se você está fazendo recomendações quanto ao comportamento do seu cônjuge no meio de uma discussão, é provável que essas sugestões tenham suas raízes no egoísmo. Na verdade, você está reagindo à maneira como seu cônjuge está fazendo você se sentir.

É muito difícil dizer a verdade em amor quando você está emocionalmente envolvido. Mas se você segurar sua língua, uma destas duas coisas vai acontecer: ou você perceberá que estava errado e ficará grato por não ter dito nada, ou poderá articular calmamente e com precisão alguma coisa que seu cônjuge precisa ouvir.

Aprendemos que é sempre melhor desconsiderar as ofensas menores entregando-as a Deus. Mas entendemos que algumas mágoas são difíceis de esquecer. No caso de um comportamento habitual destrutivo, é realmente pouco saudável segurar a língua. Mas a necessidade de confrontar não nos dá permissão para ferir o outro. Você pode dizer a verdade em amor:

• Examinando seus motivos à luz da Palavra de Deus.

• Resolvendo conflito atacando o problema e não o seu cônjuge.

• Controlando sua língua e não falando de forma destrutiva.

• Sendo misericordioso.

• Sendo sincero.

• Respondendo com gentileza.

• Oferecendo esperança constantemente.

• Falando da maneira que gostaria que ele/ela falasse com você.

•   Escolhendo as palavras, a hora e o lugar para confrontar com sabedoria.

Salomão disse: “Assim como o ferro afia o ferro, o homem afia o seu companheiro” (Provérbios 27:17). Há espaço para atritos e até mesmo para a discordância nos nossos relacionamentos sem que isso desagrade a Deus. Se lidarmos com eles corretamente, esses momentos de atrito forjarão a santidade em nossas vidas.

É importante abordar os problemas que poderiam comprometer a unidade do seu casamento. Pequenas mágoas podem se tornar feridas profundas quando não são tratadas adequadamente, e muitas vezes nossos cônjuges não estão cientes da dor que estão nos causando. Discutir as preocupações por amor a Deus e ao outro nos ajuda a crescer em unidade e a nos tornarmos cônjuges melhores.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O VALOR DO RITUAL RELIGIOSO

Os rituais promovem a coesão do grupo ao exigir que seus membros gastem energia e recursos em atividades difíceis de ser simuladas

Eu tinha 15 anos quando estive pela primeira vez na Cidade Velha de Jerusalém, e visitei as ruínas de 2 mil anos do Segundo Templo, conhecidas como o Muro das Lamentações. Talvez fosse um prenúncio de meu futuro como antropólogo. Nesse primeiro contato com a edificação sagrada, o que mais me impressionou foram as pessoas diante dela. Mulheres, com a cabeça coberta, vestindo blusas de mangas longas e saias que roçavam no chão, suportavam o sol intenso e contemplavam a parede em solene adoração. Homens, com barbas espessas e casacos negros, também pareciam esquecer o calor enquanto reverenciavam e louvavam a Deus olhando para o muro. Perguntei a um amigo: “Porque alguém, em sã consciência, vestiria roupas de inverno e passaria a tarde rezando neste calor?”. Na época, pensei não haver resposta racional e concluí que essas pessoas poderiam bem ser loucas.

É óbvio que o comportamento “estranho” não é exclusivo dos judeus ultra ortodoxos. Várias atitudes religiosas parecem esquisitas a quem é de fora. Muitos devotos em todo o mundo diferenciam-se fisicamente enquanto moonistas raspam a cabeça, os jainas a cobrem e varrem o chão antes de pisar para não matar insetos, e clérigos em geral usam roupas que os distinguem do resto da sociedade. Muitos povos também recorrem a alguma forma de intervenção cirúrgica que altera características físicas. Entre os aborígines australianos, uma pedra ou osso é inserido no pênis dos adolescentes, mediante incisão na uretra. Os judeus e muçulmanos submetem seus filhos à circuncisão e, em algumas sociedades islâmicas, as meninas são também circuncidadas ou sofrem outras formas de mutilação genital. Grupos tão diversos quanto os nuer, do Sudão, e os iatmul, da Nova Guiné, obrigam os jovens a escarificações rituais. Ascerimônias de iniciação, conhecidas como ritos de passagem, costumam ser bonitas. Entre os nativos americanos, os meninos apaches eram forçados a se banhar em águas glaciais, os luisenos que se iniciavam pressionados a permanecer deitados e imóveis enquanto eram picados por formigas, enquanto as garotas tukunas tinham os cabelos arrancados.

Como entender tais comportamentos? Se os seres humanos são racionais, por que dedicam tanto tempo, energia e recursos a atividades dolorosas ou, no mínimo, desconfortáveis? Segundo os arqueólogos, nossa espécie adotou rituais há pelo menos 100 mil anos e todas as culturas conhecidas cultuam alguma forma de religião. Há até mesmo práticas espirituais que sobreviveram a governos que tentaram eliminá-las. E apesar do triunfo do racionalismo científico no século XX, a religião continuou a florescer. Nos Estados Unidos, 40% da população frequentou regularmente a igreja ao longo do século. As crenças em Deus (cerca de 96%), na vida após a morte (cerca de 72%), no Céu (cerca de 72%) e no Inferno (cerca de 58%) permaneceram, de forma notável, constantes. Mas por que afinal crenças, práticas e instituições religiosas continuam a ser um componente essencial da vida social humana?

Durante anos, essas questões me intrigaram. Minha formação em antropologia não forneceu, inicialmente, resposta. De fato, meus estudos apenas acentuaram o espanto da adolescência. Especializei-me em um campo conhecido como ecologia humana comportamental, que investiga o plano adaptativo do comportamento, levando em conta sua situação ambiental. Os ecólogos comportamentais supõem que a seleção natural moldou o sistema nervoso de forma a que este responda com êxito às várias circunstâncias do meio. Todos os organismos têm de equilibrar alternativas, o tempo dedicado a uma atividade impede a realização de outras que talvez auxiliassem na sobrevivência e no êxito reprodutivo. Os animais que maximizam a taxa de aquisição de recursos, tais como alimento e parceiros sexuais, podem aumentar o número de descendentes, objetivo essencial do jogo da seleção natural.

OS SIGNIFICADOS DOS SINAIS DISPENDIOSOS

Os ecólogos comportamentais supõem que a seleção natural formou nossos mecanismos de tomada de decisão de modo a otimizar o modo com que obtemos recursos sob diversas condições do ambiente – uma previsão da teoria do forrageamento ótimo. Os modelos dessa teoria oferecem previsões da resposta comportamental “perfeitamente adaptada”, dado um conjunto de limitações do meio. A perfeita adaptação ao ambiente quase nunca é alcançada, já que este está sempre mudando e dificilmente os organismos têm informação completa. Ainda assim, essa suposição proporciona um poderoso quadro conceitual para analisar várias decisões: a maioria das pesquisas (realizadas, em grande parte, em populações forrageadoras) mostrou que nossa espécie conforma-se a tais expectativas.

Mas se nossa espécie está constituída de forma a otimizar o modo como extrai energia do meio, porque nos dedicamos a práticas religiosas que parecem tão contraproducentes? De fato, algumas delas, como por exemplo os sacrifícios rituais, são notáveis exibições de recursos desperdiçados. Os antropólogos explicam porque os forrageadores dividem comida com o grupo, mas porque partilhá-la com ancestrais mortos, queimando-a no altar? Muitos responderiam que as pessoas acreditam na eficácia dos rituais e nos artigos de fé que dão significado a tais cerimônias. Essa afirmativa, porém, pressupõe solucionada a questão fundamental. O que realmente devemos saber e porque a seleção natural favoreceu o surgimento de uma psicologia que acredita no sobrenatural e se dedica a dispendiosas manifestações dessa crença?

O SACRIFÍCIO RITUAL

Apenas recentemente a ecologia comportamental passou a considerar as peculiaridades das atividades religiosas. Assim, tive de recorrer inicialmente a outras disciplinas para entender essas práticas. A literatura especializada indicava que eu não era o único a suspeitar que o comportamento religioso intenso era sinal de loucura. Grandes pensadores dos últimos 200 anos, entre eles Karl Marx e Sigmund Freud, apoiavam minha tese. Os primeiros teóricos da antropologia também sustentaram que crenças em espíritos eram próprias de mentes primitivas e simples. No século XIX, Edward B. Tylor, um dos fundadores da antropologia, defendeu que a religião surgiu do equívoco, cometido pelos “primitivos”, de tomar os sonhos como realidade. Sonhos com ancestrais mortos os teriam feito a acreditar na sobrevivência dos espíritos à morte.

Desde então, a antropologia amadureceu e seus praticantes abandonaram a ideia de que o primitivo é equivalente ao irracional. Surgiram, no início do século XX, as explicações funcionalistas da religião. Um dos teóricos mais importantes dessa tendência foi o polonês Bronislaw Malinowski. Ele argumentou que a religião surge “das tragédias reais da vida humana, do conflito entre os anseios humanos e a realidade”. Embora a religião atenue nosso medo da morte e proporcione alguma satisfação à incessante busca por respostas, a tese de Malinowski não explicava a origem dos rituais. Permanecer no deserto, sob o sol do meio-dia, com pesadas roupas pretas parece mais uma receita para aumentar a ansiedade do que para mitigá-la. Os antropólogos clássicos não tinham as respostas corretas às minhas questões. Foi preciso procurá-las em outra parte.

Felizmente, um a nova geração de antropólogos começou a fornecer algumas explicações. Segundo eles, a estranheza das práticas religiosas e seus custos inerentes são de fato as características que contribuem para o êxito da religião como estratégia cultural universal. Isso explicaria porque a seleção natural favoreceu tal comportamento na espécie humana. Para entender esse benefício inesperado, é preciso reconhecer o problema adaptativo que o comportamento ritual soluciona. William Irons, ecólogo comportamental da Universidade de Northwestern, Estados Unidos, sugeriu que o dilema universal é a promoção da cooperação na comunidade. Para ele, o principal benefício adaptativo da religião é sua capacidade de facilitar a colaboração no interior do grupo em relação a atividades fundamentais em nossa história evolutiva, como caça, divisão do alimento, defesa contra ataques e organização para a guerra. Mas, embora todos ganhem com a cooperação, este ideal é difícil de ser coordenado e alcançado. O problema é que o indivíduo ganhará ainda mais se todos colaborarem e ele ficar em casa descansando. A cooperação exige mecanismos sociais que impeçam as pessoas de tirar proveito sem participar (free-riding) dos esforços dos outros. Irons argumenta que a religião é um desses mecanismos.

Para compreender como isso se dá, devemos considerar que os rituais religiosos são uma forma de comunicação, algo que os antropólogos sustentam há muito tempo. Essa ideia foi emprestada dos etólogos, que salientaram o fato de muitas espécies apresentarem um comportamento padronizado, chamando-o de “ritual”.  Os etólogos apontaram que os comportamentos ritualizados serviriam como forma de comunicação entre membros da mesma espécie e, muitas vezes, de outras. Machos de várias espécies de aves, por exemplo, empenham-se em certos rituais – como mesuras, meneios de cabeça, acenos de asas, saltos e outros gestos – para sinalizar suas intenções amorosas a uma fêmea. Além disso, a vibração da cauda, imitando cobra, constitui poderosa demonstração de ameaça às outras espécies que entram em seu espaço pessoal.

A ideia de Irons é que as atividades religiosas sinalizam, aos outros membros, a adesão ao conjunto. Ao se empenhar no ritual, o indivíduo está dizendo, “Identifico-me com o grupo e acredito naquilo que lhe é caro”. O comportamento religioso, mediante essa capacidade de sinalizar adesão, supera o problema dos aproveitadores e promove a cooperação. Isso porque a confiança está no centro desse problema, um membro deve assegurar a todos que participará das atividades de aquisição de alimento ou de defesa do grupo. Caçadores e guerreiros podem fazer promessas – “dou minha palavra, mostrarei a você amanhã – mas, a menos que a confiança esteja estabelecida, tais declarações não são críveis.

Há uma forma especialmente vigorosa de assegurar a confiança. O biólogo israelense Amotz Zahavi observou que muitas vezes é do interesse do animal enviar sinais desonestos, como falsear seu tamanho, força, agilidade, saúde ou beleza. O único sinal crível seria aquele dispendioso demais para ser simulado, algo que chamou de handicap. Segundo Zahavi, a seleção natural favoreceu a evolução de handicaps. Quando o antílope localiza o predador, começa muitas vezes a pular.

Esse comportamento intrigou os biólogos durante anos. Por que o antílope desperdiçaria a preciosa energia que poderia ser usada para escapar? E porque o animal se faz assim mais visível ao predador? A razão é que o antílope está revelando suas habilidades para fugir, como se estivesse dizendo ao predador: “Não vale a pena me perseguir. Veja como minhas pernas são fortes, você não conseguiria me alcançar”. E por que o predador acredita no antílope? Porque o sinal que este emite é dispendioso demais para ser fingido. O antílope que não é rápido o suficiente para fugir não pode imitar o sinal, já que não é forte o bastante para saltar repetidamente a certa altura. Assim, a exibição pode proporcionar informação honesta quando os sinais são tão dispendiosos que organismos de qualidade inferior não se beneficiariam ao imitá-los.

Da mesma forma, o comportamento religioso é um sinal dispendioso. Ao vestir pesadas roupas sob o sol intenso, os ultra ortodoxos estão sinalizando aos outros: “Sou judeu baredi. Se você também é parte desse grupo pode confiar em mim. Afinal, por que outra razão eu estaria vestido assim? Ninguém faz isso, a menos que acredite nos ensinamentos do judaísmo ultra ortodoxo e esteja comprometido com seus ideais e objetivos. O que esses homens estão indicando é o nível de adesão a um grupo religioso específico.

Esse comprometimento envolve várias crenças e rituais. Embora benefícios físicos ou psicológicos possam estar associados a certas práticas rituais, o tempo, a energia e os custos financeiros envolvidos constituem uma barreira para os que não acreditam nos ensinamentos da religião. Nada estimula os que não creem a se juntar ou permanecer no grupo religioso, já que os custos envolvidos são elevados (pensemos no dever de orar três vezes por dia, comer apenas os alimentos preparados de acordo com a lei judaica ou doar parte dos rendimentos a obras de caridade).

Os que cumprem as exigências rituais impostas por uma religião acreditam sinceramente nas doutrinas da comunidade religiosa, e os outros podem confiar nisso. Ao aumentar os níveis de confiança e adesão entre seus membros, os grupos religiosos minimizam os custosos mecanismos de controle, necessários quando é preciso enfrentar o problema dos aproveitadores que prejudicam a obtenção dos objetivos comuns. Assim, a vantagem adaptativa do comportamento ritual é sua capacidade de promover e manter a cooperação, desafio que, provavelmente, nossos ancestrais enfrentaram ao longo da evolução.

DEDICAÇÃO AO GRUPO

AS VANTAGENS DA ADESÃO

Conforme essa teoria do ritual como “sinais dispendiosos”, os grupos que impõem as maiores exigências obterão altos níveis de devoção e adesão. Apenas os membros comprometidos estarão dispostos a se vestir e se comportar de forma distinta. Os grupos cujos membros sejam mais comprometidos podem também oferecer mais, já que atingem com menor dificuldade os objetivos coletivos. Isso ajuda a explicar um paradoxo no mercado religioso, as igrejas que mais exigem de seus adeptos exibem os índices mais altos de crescimento. Por exemplo, os mórmons, os adventistas do sétimo dia e os testemunhas- de-jeová, que proíbem, respectivamente, cafeína, carne e transfusão de sangue (entre outras coisas), estão crescendo a ritmos excepcionais. Em contraste, as seitas liberais protestantes, como as metodistas, presbiterianas e episcopalianas, estão perdendo adeptos.

O economista Lawrence Iannaccone, da Universidade George Mason, observou que a maioria dos grupos exigentes têm o maior número de membros fervorosos. Ele descobriu ainda que quanto mais distinto o grupo religioso – quanto mais seu estilo de vida diferia do estilo da sociedade americana – maiores os níveis de frequência aos serviços religiosos. Os sociólogos Roger Finke e Rodney Starn, das universidades Penn State e de Washington, respectivamente, argumentaram que, quando o Concílio Vaticano lI revogou, em 1962, várias proibições da Igreja Católica e reduziu o nível de rigor das práticas, caíram o número de candidatos aos seminários assim como a frequência dos católicos americanos à igreja. De fato, no final dos anos 50, quase 75% destes assistiam à missa semanalmente, mas, desde as ações do Vaticano lI, essa taxa despencou para 45%.

A teoria dos sinais dispendiosos prevê que também a maior adesão será traduzida em cooperação mais forte no grupo. Eric Bressler, da Universidade McMaster e eu tratamos dessa questão, examinando dados de comunas do século XIX, Todas elas enfrentavam o problema de promover e sustentar a cooperação, já que os indivíduos tendem a se aproveitar sem participar dos esforços dos outros. Sendo a cooperação fundamental para a sobrevivência da comunidade, empregamos a longevidade desta como medida da cooperação. Comparadas às comunas seculares, as religiosas exigiam mais de seus membros – celibato, renúncia a bens materiais e vegetarianismo. Foram justamente elas que sobreviveram tempo maior, superando os desafios fundamentais da cooperação. Ao exigir mais, provavelmente obtinham maior grau de crença e adesão à ideologia e às metas comuns.

Para testar a hipótese dos sinais dispendiosos em grupos modernos, escolhi os kibutzim que visitei em Israel quando adolescente. Durante grande parte de sua história de cem anos, essas comunidades se orientaram pela máxima “De cada um de acordo com suas capacidades, para cada um de acordo com suas necessidades”.

A maioria dos mais de 2720 kibutzim é secular e, muitas vezes, ideologicamente anti -religiosa; pouco mais de 20 se orientam pela religião. Nos últimos anos, em decorrência de uma crise econômica, essas comunidades começaram a ser privatizadas. Quando, no final dos anos 80, veio à tona a dívida coletiva de mais de US$4 bilhões, passou despercebido o fato de que as comunidades religiosas eram financeiramente estáveis. Nas palavras da Federação dos Kibutzim Religiosos, “sua situação econômica é sólida e eles não foram atingidos pela crise.”

O êxito desses kibutzim é ainda mais notável quando se leva em conta que vários de seus rituais inibem a produtividade econômica. A lei judaica proíbe, por exemplo, que as vacas sejam ordenhadas no sabá. Embora as regras rabínicas não mais endossem essa proibição, para evitar assim o sofrimento dos animais, inicialmente esse leite não era usado comercialmente. Havia ainda limites impostos pela lei judaica à produtividade na agricultura. Os frutos gerados nos primeiros anos não podiam ser consumidos, a terra deveria permanecer inculta a cada sete anos e a colheita não podia ser feita nas extremidades do campo, região reservada aos mais pobres. Embora essas restrições pareçam prejudicar a produtividade, a teoria do ritual como sinais dispendiosos indica que elas foram cruciais ao êxito econômico dos kibutzim religiosos.

Decidi assim estudar a questão com o economista Bradley Rufle, da Universidade Ben Gurion, em Israel. Desenvolvemos um jogo, na forma de cooperação, para decidir se havia diferenças entre as comunidades seculares e as religiosas. O jogo envolve dois membros da mesma comunidade, que permanecem anônimos entre si. Ambos são informados de que há 100 moedas em um envelope e devem decidir quantas retirar e quantas deixar. Se a soma das retiradas dos dois ultrapassar 100 moedas, nenhum recebe dinheiro e o jogo é encerrado. Mas se for inferior ou igual a 100 moedas, o remanescente é acrescido em 50% e dividido igualmente entre os participantes. Nesse caso, cada membro mantém também a quantidade original retirada. O jogo é um exemplo do dilema dos recursos comuns, em que bens publicamente acessíveis deixam de estar disponíveis quando são consumidos. Dado que os bens estão disponíveis a mais de uma pessoa, a manutenção dos recursos exige que os próprios indivíduos se limitem, isto é, exige cooperação.

Após controlarmos algumas variáveis, como idade, tamanho e dimensão da privatização dessas comunidades, descobrimos não só que os kibutzim religiosos cooperavam mais entre si que os seculares, mas que os homens das comunidades religiosas cooperavam mais que as mulheres, ao contrário das seculares, onde não havia diferença entre os sexos. Esse resultado é compreensível à luz dos tipos de rituais e exigências impostas aos judeus religiosos. Embora várias exigências refiram-se igualmente a homens e mulheres, como as alimentares e a abstenção do trabalho aos sábados, os rituais masculinos são em geral realizados em público, enquanto os femininos são privados. Nenhuma das três principais exigências impostas apenas às mulheres – ritual do banho, separar parte da farinha ao preparar o pão e acender as velas do sabá – é efetuada publicamente. Não são rituais que sinalizam a adesão ao grupo mais amplo, mas à família. Os homens, porém, dedicam-se à rituais bem visíveis, como a prece pública, realizada três vezes ao dia. Nas comunidades religiosas, a frequência à sinagoga está relacionada positivamente ao comportamento cooperativo. Não há correlação similar entre as mulheres, algo que não surpreende, já que não se espera delas o comparecimento aos rituais: sua presença não sinaliza adesão ao grupo. A teoria do ritual como sinais dispendiosos explica essas descobertas. Esperamos que novas pesquisas iluminem ainda mais o modo como os rituais promovem a confiança, a adesão e a cooperação.

Sabemos que muitas outras espécies exibem comportamentos rituais que parecem fomentar a confiança e a cooperação. John Watanabe, da Universidade de Dartmouth, e Barbara Smuts, da Universidade de Michigan, mostraram, por exemplo, que, para antigos rivais babuínos, as saudações trocadas sinalizam confiança. Assim, por que os rituais humanos muitas vezes se dissimulam sob o misterioso e o sobrenatural?

Os antropólogos cognitivos Scott Atran, da Universidade de Michigan, e Pascal Boyer, da Universidade de Washington, apontaram que a natureza contra intuitiva dos conceitos sobrenaturais torna-os mais fáceis de ser recordados que as ideias mundanas, algo que facilita também sua transmissão cultural. A crença em agentes sobrenaturais como deuses e espíritos parece ser crucial à capacidade da religião de promover cooperação a longo prazo. Ao estudarmos sociedades do século XIX, Bressler e eu percebemos que a forte correlação entre o número de exigências dispendiosas impostas aos membros e a longevidade da comunidade só valia para os grupos religiosos, não para os seculares. Ficamos surpresos com esse resultado, pois grupos seculares como exércitos e fraternidades empregam, com êxito, dispendiosos rituais para manter a cooperação.

Mas o ecólogo cultural Roy Rappaport explicou que, embora tanto rituais religiosos como seculares possam fomentar a cooperação, os religiosos geram, ironicamente, crenças mais firmes e maior adesão, já que santificam proposições que não são falseáveis e estão além da possibilidade de investigação crítica. Dado que proposições contendo elementos sobrenaturais, como “Jesus é filho de Deus”, não podem ser confirmadas ou refutadas, os crentes verificam-nas emocionalmente”. Ao contrário das proposições religiosas, máxima dos kibutzim citada acima, inspirada em Marx, não está além do exame crítico, ela pode ser avaliada vivendo-se de acordo com suas diretivas de distribuição do trabalho e dos recursos. De fato, como a situação econômica dos kibutzim piorou, essa proposição foi desafiada e é agora desconsiderada por muitas comunidades, que tendem a adotar outros critérios de distribuição. A capacidade dos rituais religiosos de evocar experiências emocionais que podem ser associadas a conceitos sobrenaturais diferencia-os dos rituais animais e seculares e está na base de sua eficácia para promover e manter a cooperação de longo prazo.

A pesquisa evolutiva sobre o comportamento religioso está apenas começando, e muitos problemas ainda têm de ser abordados. A teoria do ritual como sinal dispendioso parece fornecer algumas respostas e compreender melhor as questões que me preocupavam durante a adolescência. O valor real dessa teoria será estabelecido pela sua capacidade de explicar fenômenos religiosos em diferentes sociedades. A maioria de nós, inclusive os judeus ultra ortodoxos, não vive em agrupamentos. Apesar disso, as congregações religiosas contemporâneas que exigem muito de seus membros conseguem alcançar uma intensa comunidade social, fato notável no mundo individualista de hoje.A religião, provavelmente, sempre serviu para fomentar a união entre seus praticantes. Infelizmente, há também o lado sombrio dessa comunhão. Se a solidariedade intragrupo, proporcionada pela religião, é uma de suas mais importantes vantagens adaptativas, então, desde o início, a religião provavelmente desempenhou um papel nos conflitos intergrupais. Em outras palavras, uma das vantagens, para os indivíduos, da solidariedade intragrupo é a capacidade dos grupos unificados de se defender e competir com outros. Isso parece tão verdadeiro hoje quanto antes, e é evidente na região que visitei quando adolescente e na qual realizei minha pesquisa. Enquanto estive no centro dessa zona de guerra, esperava que, ao avaliar a intensa necessidade religiosa da psique humana e ao compreender sua poderosa adaptação, poderíamos aprender a promover a cooperação e não o conflito.

OUTROS OLHARES

15 SEGUNDOS DE FAMA

Uma das redes sociais mais populares entre os adolescentes é a chinesa TikTok, na qual eles publicam vídeos de até 15 segundos. O fenômeno desafia o destino de redes para esse público que, após uma febre, entraram em declínio

Brasileiros de 5 a 15 anos gastam, em média, 6 horas diárias diante da tela do celular. Uma das razões mais recentes para que esse tempo passe num piscar de olhos é uma rede social criada cinco anos atrás: a chinesa TikTok. O enredo é tão fulminante quanto o de outras unicórnios mundo afora. Tudo começou quando Alex Zhu e Luyu Yang, dois empreendedores chineses frustrados com o fracasso de um aplicativo de educação com vídeos de até 5 minutos, decidiram optar pelos vídeos curtos para entretenimento sob o nome Musical.ly. Três anos depois a dupla vendeu sua plataforma à startup chinesa Bytedance por 1 bilhão de dólares. Em 2018, houve a fusão do Musical.ly com o TikTok, uma rede similar mantida com menos sucesso desde 2016. Hoje, a rede de criação e compartilhamento de vídeos de até 15 segundos acumula 500 milhões de usuários ativos em 150 países. Já foram feitos 1,2 bilhão de downloads do aplicativo, sendo 668 milhões só em 2018. Estima-se que o número seja muito superior, pois, no levantamento realizado pelo site de análise Sensor Tower, não são contabilizados os downloads feitos na China em sistema operacional Android.

Segundo analistas de mercado, 60% do público tem até 24 anos. Não é raro encontrar, no entanto, inscritos na faixa dos 13 anos, idade mínima oficialmente estipulada para o ingresso na rede. Esses jovens se divertem ao ver e criar infindáveis versões de vídeos, reproduzindo performances de outros usuários ou mesmo de famosos, numa espécie de show de calouros democrático. Pode ser a dublagem de uma música, a reprodução de uma coreografia ou apenas uma imitação. As marcas começam a tentar se aproveitar desse efeito multiplicador. A Disney, por exemplo, aproveitou o lançamento do filme Aladdin e, em maio, promoveu um desafio no mundo, no qual os usuários publicavam vídeos dinâmicos, criativos e com edições rápidas. No Brasil, o desafio foi dublar a música-tema do filme original e usar a hashtag #UmMundoideal. As publicações foram incentivadas por uma ação que pagou quatro influenciadores brasileiros. “Nessa rede, as marcas têm menos controle do formato que o influenciador usa, e isso tende a mostrar resultados genuínos”, diz Rafaela Lotto, diretora de planejamento e sócia da Youpix, aceleradora e especialista em conteúdos digitais.

A busca por influenciadores na rede também entrou na mira de empresas tradicionais, como a fabricante de alimentos Nissin. A companhia conseguiu gerar, em um mês, 2.600 vídeos espontaneamente publicados com a música criada em parceria com o cantor baiano Jerry Smith para o relançamento de um macarrão instantâneo cremoso. Versões do vídeo foram produzidas por brasileiros como Talita Akemi, que tem 1,7 milhão de seguidores, e Bruno Carvente, com 2,4 milhões de fãs no perfil com o nome iBugou – um dos mais populares da plataforma. Numa postagem patrocinada pela rede de lanchonetes Burger King, em dezembro, Bruno mostra brinquedos licenciados do desenho animado Ben10. “O público do TikTok é muito engajado, o que é bom para o criador de conteúdo e para a marca”, diz.

O poder e a influência de compra dos jovens têm sido um atrativo importante para as marcas. Nos Estados Unidos, a geração Z, formada pelos nascidos de 1995 em diante, influencia cerca de 90% dos gastos domésticos e movimenta até 127 bilhões de dólares por ano, segundo a consultoria de marketing Barkley. Por outro lado, as marcas sofrem com alguns obstáculos. No caso do TikTok, uma questão polêmica é a possibilidade de assédio a menores e a divulgação de vídeos impróprios. Em fevereiro, a empresa foi condenada a pagar uma multa de 5,7 milhões de dólares por coletar dados de menores de 13 anos nos Estados Unidos. Outra questão é o perfil volúvel inerente a essa faixa etária que constrói e destrói ícones na mesma rapidez. O Twitter pagou 30 milhões de dólares pelo Vine em 2012, mas a moda de gravar vídeos com até 6 segundos acabou em 2016. O Snapchat, com proposta semelhante, perdeu seguidores em 2018. Recuperou as perdas mais recentemente após a inclusão de recursos como a realidade aumentada. Hoje atingiu a marca histórica de 200 milhões de usuários diários. Por enquanto, o TikTok só teve uma trajetória ascendente – resta ver quanto tempo isso ainda vai durar.

NA TELA DOS JOVENS

Criada em 2016, a rede social TikTok não para de crescer

GESTÃO E CARREIRA

CREME VS. CREME

Como a compra da Avon pela Natura por R$ 2 bilhões vai mexer com o mercado da beleza no Brasil

A fonte da juventude jorra dinheiro e movimenta milhões de pessoas em busca da beleza mais perene possível. São 4,1 milhões de trabalhadores em toda a América Latina que formam um exército quixotesco contra o tempo. É um mercado que, só no Brasil, atinge R$ 45,2 bilhões, o equivalente a um quarto do superávit comercial brasileiro com o exterior previsto para 2019, e vende anualmente 2 bilhões de itens – quase cinco cremes, batons ou perfumes por brasileiro, colocando o país como o 6° maior negócio de beleza do mundo.

No movimento mais recente, a empresa brasileira de beleza Natura comprou a concorrente Avon, um ícone da cultura americana. A criação da Natura Holding envolverá trocas de ações e um desembolso de US$ 530 milhões (mais de R$ 2 bilhões) em favor dos acionistas da empresa americana e elevará a importância do Brasil no cenário mundial da venda direta. As duas empresas tinham situações financeiras muito diferentes, com a concorrente americana sendo o patinho feio da negociação.

A Avon passava por dificuldades, perdia seu apelo em produtos para o público jovem e enfrentava problemas logísticos de distribuição e no relacionamento com as consultoras. Com a aquisição, a Natura, que ficava abaixo da 10ª posição em cosméticos, passa a integrar o top 5 mundial e entra em um patamar de competição global com as gigantes L’Oréal e Estée Lauder.

“Em uma visão geral, a operação é positiva. Os desafios são de posicionamento das marcas e dos produtos. A Natura tem muito enraizadas questões de ética ambiental e de sustentabilidade. A Avon, não. Será preciso um trabalho de transmissão desse DNA. Por outro lado, a Avon está muito identificada com o empoderamento feminino”, explicou o analista do Brasil Plural Andrés Estevez.

O temor inicial do negócio – cuja linha de frente é a venda direta de porta em porta por milhões de consultores associados – era o volume de vendedores comuns às duas marcas.

Constatou-se que 500 mil pessoas acumulam hoje os catálogos de Natura e Avon. De acordo com um relatório do BB Investimentos, publicado após a transação, considerando apenas a América Latina e excluindo as consultoras que também faziam parte da base da Natura, a Natura estaria adquirindo mais 2,5 milhões de vendedores na América Latina – o que reforçaria sua presença nos principais mercados da região. A aquisição das consultoras, aliada ao aumento da proposta de valor para elas por meio da implementação de serviços – tais como aplicativos e carteira digital – que as atrairiam a atender ambas as marcas, deverá ampliar as receitas do grupo.

“Existe uma diferenciação sutil entre os negócios das duas marcas que supera os pontos em comum e faz o território a ser ganho maior. Para as consultoras, também. Com a compra da Avon pela Natura, elas ganham a possibilidade de trabalhar com mais produtos. A maioria das trabalhadoras resolvia focar em apenas uma marca, para não participar de programas diferentes, com regras diferentes. Perdiam mercado com isso. Agora, haverá a possibilidade de aumentar seus públicos, trabalhando para a mesma empresa. Acredito na unificação em questão de capacitação das consultoras e relacionamento com elas e outras políticas. Tudo deve convergir lá na frente”, afumou Estevez.

Há 35 anos, quando Carla Beatriz Floriano, de 49 anos, entrou para a venda direta, seus catálogos de Natura passavam de mão em mão, e as marcas de uso eram sinais do sucesso. Atualmente, os clientes não precisam mais encomendar nas revistas e aguardar. Devido ao sucesso construído no decorrer dos anos, com a mãe, Maria da Graça Floriano, de 70, o marido, Eduardo Moura, de 58, e a filha, Thais, de 25, Carla Floriano abriu no estado do Rio de Janeiro duas lojas, que têm 90% das prateleiras ocupadas por itens da primeira empresa à qual se associou e da Avon para pronta-entrega.

Com a absorção da Avon pela Natura, Carla Floriano vê a possibilidade de expansão. “Vendo mais maquiagens na Avon e mais produtos de cuidados com a pele na Natura. E percebo que, se não tivesse uma marca, os clientes não seriam transferidos para a outra. São complementares”, afirmou.

Ela começou a vender produtos de porta em porta aos 15 anos. “Houve uma época em que eu tinha de colocar produtos em uma mala e ir de carro fazer as entregas. Fui criando um estoque de produtos comprados quando estavam em promoção e então montei um escritório para atender clientes em minha casa. Em determinado momento, quis crescer e vi que era possível abrir uma loja, alugada, em Niterói.” Doze anos trás, fez as contas e verificou que os custos gerados por uma estrutura física já seriam compensados. Há oito, deu outro passo, abrindo uma unidade própria em Botafogo, na Zona Sul do Rio. Com a expansão do negócio, juntaram-se a ela a mãe, o marido e a filha. Além da Natura, a família inteira vende outras duas marcas – Mary Kay e O Boticário -, apenas de cosméticos, segmento responsável por mais da metade (54,7%) da participação nas comercializações de venda direta no país, segundo a Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD). Os especialistas creditam a primeira posição, à frente das categorias “acessórios e vestuário” (15,9%) e “cuidados da casa” (6,5%), à vaidade brasileira.

Carlos Cova, doutor em engenharia de produção, afirma que cosmético é um clássico da venda direta, em razão das embalagens de fácil transporte e estocagem e dos preços acessíveis de produtos que tendem a aumentar a autoestima e o bem-estar. “Eles não têm perecibilidade imediata, o que facilita guardá-los durante o ciclo de vendas. Não requerem uma logística de entrada e saída muito complexa, o que facilita o enraizamento do negócio”, afirmou Cova.

O Brasil tem destaque no cenário mundial do setor de venda direta, com a 6ª posição em movimentação financeira, na lista da Federação Mundial de Associações de Vendas Diretas. Há muitas teorias para explicar o sucesso nacional. “Primeiramente, confiança é algo que importa muito para o brasileiro na experiência de compra. E a venda direta parte disso: comprar com quem você conhece e tem um relacionamento. Mas há ainda toda uma questão logística, pelo fato de chegar aonde o varejo não chega. Em algumas cidades do interior, por exemplo, pode não haver loja ou supermercado, mas o catálogo da venda direta está disponível”, exemplificou a presidente executiva da ABEVD, Adriana Colloca.

Haroldo Monteiro, professor de finanças corporativas da pós-graduação e do MBA do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais do Rio (Ibmec-RJ), atribuiu à instabilidade econômica o grande número de trabalhadores associados à atividade. “Com diversos períodos de desemprego em alta, a venda direta é uma forma alternativa de obter renda. Culturalmente, há uma vocação para esse trabalho por conta própria, com alguns aspectos que são identificados com o empreendedorismo, ainda que a pessoa esteja ligada a uma empresa”, comentou.

O perfil dominante na venda direta é de mulheres que buscam o complemento de renda – elas são seis de cada dez consultores. São mulheres como Carla Floriano, que tira dos catálogos 40% dos ganhos mensais. O faturamento já foi maior, segundo ela, mas caiu devido ao crescimento no número de vendedores, seus concorrentes, e à crise recessiva na qual o Brasil patina.

Os 4,1 milhões de trabalhadores de venda direta no Brasil, dos quais 2,2 milhões são ligados à Natura e à Avon, formam um bloco impressionante, na avaliação da historiadora Cíntia Fiorotti Lima, que pesquisa o tema. “Há um grande fetiche relacionado à venda direta, que é o imaginário de ter horários alternativos, sem a contagem de faltas nos dias em que se deixa de trabalhar, por exemplo.” A realidade é que, embora não haja a figura do patrão, essas pessoas precisam organizar jornadas e rotinas para vender, como estipular dias para divulgar os catálogos, dias para fazer entregas, dias para cobranças, dias para encontrar novos clientes, inclusive para evitar a perda de vínculo com a marca.

A historiadora afirmou que muitos aderem às consultorias acreditando piamente nas mensagens veiculadas pelas empresas. Toda empresa tem critérios para a entrada ou permanência de vendedores em suas linhas, como uma cota mínima de produtos a vender. Então, as trabalhadoras precisam desenvolver estratégias pessoais para construir suas bases de clientes. “Nas entrevistas que realizei, ouvi coisas curiosas, como que elas iam observar estratégias de vendedoras em lojas para aprender ou compravam produtos com desconto para estocar e repassar no próximo ciclo com maior margem de lucro. Outra tática muito comum é a sublocação de venda: deixam o catálogo com outras pessoas e repassam parte da comissão quando efetuam as vendas.”

O comércio por meio da internet trouxe novos desafios, com a exigência dos clientes lá em cima. “Se o cliente pode entrar na internet e fazer a compra ele mesmo, o que fará ele recorrer a uma vendedora? Nesse sentido, ganha cada vez mais importância a figura da consultora de vendas, aquela que tem um conhecimento mais específico, testa os produtos, sabe as qualidades, é uma contadora de história”, afirmou o professor do Ibmec Haroldo Monteiro.

Solange Monteiro, de 48 anos, veio da Bahia para o Rio de Janeiro em 1998