ALIMENTO DIÁRIO

A HISTÓRIA DO CASAMENTO

DIA 12 – A OFENSA

Perdoar é libertar um prisioneiro e descobrir que o prisioneiro era você. Lewis B. Smedes

A primeira coisa que precisa ser retirada do convés do seu casamento é a ofensa. Pelo fato de a ofensa ser tão tóxica, passaremos grande parte deste capítulo discutindo esse único tema.

A recusa em perdoar rouba nossa liberdade e impede a paixão. Ao agir assim você alimenta o desejo de vingança, em uma busca interminável na qual sua única companheira é a infelicidade. O ato de perdoar é um ato de libertação tanto para o ofensor quanto para o ofendido.

Muitos acreditam que o perdão deve ser retido até obtermos uma reparação adequada. Quantos de nós já dissemos: “Só vou perdoar quando vir alguma mudança”? Mas no Reino de Deus, o perdão não é opcional. Ele é o único modo de vida. Quanto mais perdoamos, mais nos tornamos como nosso Pai celestial. Se quisermos ser agentes da Sua grandeza, precisamos abraçar o poder do perdão.

Paulo nos ordenou:

Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou. Colossenses 3:13

Isso costuma ser difícil de engolir. É uma ordem, não uma sugestão. E não existem condições ou exceções. Deus nos diz para perdoar qualquer um que nos ofenda. Fim de papo.

Costumamos tolerar e criar justificativas para nossos próprios erros, e esperamos que os outros façam o mesmo. No entanto, achamos muito mais difícil perdoar os erros dos outros, principalmente os dos nossos cônjuges.

Mas qualquer pessoa que seja incapaz de perdoar se esqueceu do que lhe foi perdoado. Muitos de nós nos sentimos cheios de justiça própria e nos esquecemos de que todos nós merecíamos passar a eternidade no inferno. Nossa ofensa a Deus foi tão grave que Ele teve de sacrificar o Seu único Filho para reverter seus efeitos. Cristo declarou Seu perdão na Cruz, quando a amargura teria sido uma escolha muito mais fácil. Ele nos perdoou antes que o nosso comportamento fosse digno do Seu perdão, e nós devemos fazer o mesmo pelos outros.

Provavelmente não temos de convencer você de que seu cônjuge não é perfeito. Ninguém é! Mas os erros geram oportunidades para estendermos a graça de Deus a outros. Nossa disposição de perdoar é uma das maiores evidências de que Cristo habita em nós.

LIBERANDO AS MÁGOAS

Quando nos casamos, eu (Lisa) estava entre aqueles que costumam dizer: “Só vou perdoá-lo quando você mudar”. Até que John mudasse seu comportamento, minha lista de queixas contra ele continuaria a crescer. Eu pensava que reter o perdão o motivaria a se transformar, mas isso apenas fazia com que ele se sentisse condenado, desesperançado e impotente.

Tudo mudou quando Deus me mostrou a maneira como Ele perdoa. O perdão Dele não é uma recompensa pela nossa mudança de comportamento. É um voto de confiança. Quando Deus renovou minha compreensão do perdão, Ele substituiu as palavras da minha boca por outras que refletiam o coração Dele: “Eu creio que você deseja mudar, e eu o perdoo”.

Naquela época, eu não entendia o quanto era importante perdoar John. Mais tarde entendi que a amargura que eu guardava contra meu marido estava guerreando contra sua capacidade de mudar, pois Jesus disse:

Se perdoarem os pecados de alguém, estarão perdoados; se não os perdoarem, não estarão perdoados. João 20:23

Durante séculos esse versículo foi mal empregado e distorcido, tornando-se uma ferramenta para propagar o medo e a opressão. Essa não era a intenção de Jesus. Quando estudamos Seu ministério como um todo, podemos entender o propósito e o significado dessas palavras. Jesus, mais do que qualquer outro, entende o poder do perdão, pois Ele reconciliou o irreconciliável por meio dele.

Lembre-se de que, de acordo com 2 Coríntios 5:17-20, nós somos os ministros da reconciliação por intermédio de quem Deus faz Seu apelo ao mundo. Devemos afirmar e estender o perdão oferecido em Cristo. Quando escolhemos em vez disso guardar mágoa, deixamos de declarar a esperança de Deus e passamos a concordar com aquele chamado de “o acusador dos nossos irmãos”. Proferimos condenação contra aqueles a quem Deus quer oferecer um novo começo. Em seu comentário sobre as palavras de Jesus, G. L. Borchert afirma o seguinte: “É preciso haver um reconhecimento do papel significativo que as declarações de perdão podem ter na libertação das pessoas e em ajudá-las a colocar de lado seus pecados passados e sentimento de culpa, bem como chamar a atenção delas para a alegria de viver com o Cristo ressuscitado sob a direção do Espírito Santo”.

O perdão é um ato divino. Nenhuma outra virtude requer tão grande sacrifício do eu. Ele é uma escolha consciente pela vulnerabilidade em vez da vingança. Mas no sacrifício do eu encontramos o abraço de Deus. Escolhendo o perdão, nos recusamos a enaltecer nossos sentimentos e em vez disso nos submetemos à verdade de Deus. E perdoando nossos cônjuges, criamos a oportunidade para eles reconhecerem e receberem o convite de Deus para serem remodelados pela Sua graça.

Quando vamos a Deus em arrependimento, a resposta Dele não é: “Eu sou Deus, e sei que você vai fazer a mesma coisa de novo daqui a duas semanas”. Ele simplesmente diz: “Eu perdoo você”, e nos oferece a capacitação para mudar. Deus não declara fracasso sobre o nosso futuro; Ele declara esperança e promessa sobre cada dificuldade. Vamos fazer o mesmo uns pelos outros.

ABRINDO SEU ESPÍRITO

A ofensa faz com que fechemos o nosso espírito. Em nossos esforços para não sermos feridos novamente, construímos muros ao redor do nosso coração. Talvez achemos que esses muros nos protegem, mas na verdade eles nos impedem de receber e dar o amor de Cristo. Sem o amor Dele, nossas vidas estarão destituídas de propósito e poder. Nosso objetivo será a autopreservação e nossos atos serão cheios de egoísmo. Finalmente, nossos corações se tornarão como pedra e nossas vidas serão marcadas pela indiferença para com os outros. Isso é a antítese da mensagem do Evangelho.

Você já deve ter ouvido falar no Mar da Galileia e no Mar Morto. Eles são duas das maiores e mais conhecidas extensões de água de Israel. O Mar da Galileia recebe água do norte e a libera para o sul. Esse fluxo constante torna o Mar da Galileia um ambiente propício para a vida, e diversos habitantes aquáticos florescem nas suas profundezas. O Mar Morto, em contrapartida, só recebe água. Tudo que ele recebe, ele retém. Por não ter saída, nada além de pequenas bactérias ou fungos podem sobreviver no ecossistema salgado do Mar Morto – daí seu nome.

Quando retemos a ofensa, nos tornamos como o Mar Morto. Nosso espírito fechado faz com que nosso casamento se torne um ambiente onde nada bom pode florescer ou mesmo sobreviver. Por meio do perdão, reabrimos nossos corações para que o poder de Deus possa fluir em nós e através de nós.

A recusa em dar e receber perdão leva inevitavelmente ao envenenamento da alma. Não somos autossuficientes. Só o nosso Deus é. Nossa vitalidade requer uma troca harmoniosa com aqueles com quem vivemos; precisamos dar e receber liberalmente.

OS LIMITES DO PERDÃO

Você deve estar pensando: Sinto que meu cônjuge precisa constantemente ser perdoado. Meu perdão não é uma fonte inesgotável. Deve haver um limite! Os discípulos pensavam do mesmo modo:

Então Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes deverei perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?”

Jesus respondeu: “Eu lhe digo: Não até sete, mas até setenta vezes sete”. Mateus 18:21-22

Quando Pedro fez essa pergunta, ele estava tentando ser o mais magnânimo possível. Pedro cresceu sob a Lei, que dizia: “Não tenham piedade. Exijam vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé” (Deuteronômio 19:21). Assim, quando Pedro se ofereceu para perdoar até sete vezes, ele esperava que Jesus dissesse: “Sim, Pedro, você entendeu!”

Sabemos, por outra passagem do Novo Testamento, que a oferta de Pedro de sete perdões se referia ao número de vezes que ele achava que precisava perdoar alguém em um dia (ver Lucas 17:3-4). Assim, a resposta de Jesus – perdoar “setenta vezes sete” – não foi meramente uma ordem segundo a qual se deveria perdoar o suficiente para cobrir uma vida inteira de ofensas. Jesus estava comunicando a Pedro que o perdão deveria ser dado sem medida.

Para alguém pecar da maneira como Jesus descreveu, teria de cometer 490 ofensas em um dia! Para pecar tão intensamente, seu cônjuge teria de ofender você a cada três minutos – se nenhum dos dois fosse dormir. Isso é pecar muito, mais do que qualquer um provavelmente conseguirá. Mas ainda que seu cônjuge pudesse pecar contra você mais de 490 vezes em um dia, isso não significa que você pode parar de perdoá-lo depois da ofensa número 490.

Na Bíblia, o número sete simboliza a totalidade, especificamente entre a Terra e o Céu. Jesus usou o número 490, um múltiplo de sete, para transmitir a ideia de que devemos perdoar completamente, seguindo o padrão do nosso Pai celestial. Perdoar generosamente só é possível porque fomos restaurados para Deus por intermédio de Cristo. Nele, há harmonia entre o Pai e Seus filhos. Portanto, somos capacitados a perdoar porque somos novas criaturas com novos corações. Nossos corações receberam liberalmente o Seu perdão e, para permanecermos espiritualmente saudáveis, precisamos oferecer perdão liberalmente a outros.

Sabemos que Jesus quer que nossa capacidade de perdoar seja inesgotável porque depois da Sua conversa com Pedro, Ele contou uma parábola sobre um rei que perdoou e um servo que se recusou a perdoar, concluindo com esta explicação:

Irado, seu senhor entregou-o aos torturadores até que pagasse tudo o que devia. “Assim também lhes fará Meu Pai celestial se cada um de vocês não perdoar de coração a seu irmão.” Mateus 18:34-35Não receberemos perdão se nos recusarmos a perdoar. Não há exceções. Por que é tão importante para Deus perdoarmos? Porque no perdão descobrimos e imitamos a Sua natureza. Transcendemos os limites da indignidade humana que nos é inerente e nos conformamos à semelhança do nosso Pai. Por intermédio do perdão de Deus somos curados e somos convidados – e até encarregados – de estender Sua cura àqueles a quem perdoamos. Se seu cônjuge pede perdão frequentemente, então Deus abençoou você com a oportunidade de ser um agente do Seu poder, que cura

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.