OUTROS OLHARES

A TERCEIRA GUERRA, VIRTUAL

A imagologia se sofisticou e se transformou em fake news. Na terceira guerra haverá uma tempestade de fake news, ainda maior do que a que temos agora. Tudo pode ser fotografado, filmado e distorcido indefinidamente

E se um dia as superpotências mundiais resolverem iniciar uma terceira guerra mundial? Algumas pessoas afirmam que ela já está ocorrendo, com focos de violência crônica, guerras civis intermitentes, escassez de alimentos em algumas regiões e hordas migratórias. São múltiplas guerras em bora com um objetivo comum: o genocídio. É uma grande guerra que envolve todas as outras, uma guerra que ninguém declarou, mas que todos os governos praticam. É preciso diminuir a população. Sem mencionar nunca a palavra “superpopulação” que é um tabu para as religiões e para aqueles que acreditam tanto no poder da justiça distributiva que a confundem com o milagre da multiplicação dos peixes. Se um a terceira guerra mundial fosse declarada, não saberíamos quem a começou e porque, quem a ganhou ou quem a perdeu. Seria uma guerra travada na infosfera, uma guerra de fake news. Sucumbiríamos confinados em um casulo de informações desencontradas e falsas. Tudo se passaria como a invasão de marcianos transmitida por Orson Welles que em 1938 conseguiu, com uma simples transmissão radiofônica, fazer com que a população dos Estados Unidos acreditasse estar sendo invadida por alienígenas. A transmissão durou menos de uma hora, mas o pânico se espalhou.

O quarteirão no qual moramos seria arrasado por uma bomba. Mas a mídia continuaria declarando que estamos ganhando em outras frentes de batalha. Conhece a história do cidadão assaltado perto de casa, mas que, ao ligar a TV ouve que o crime no seu bairro diminuiu? Milan Kundera chamava isso de imagologia.

A imagologia se sofisticou e se transformou em fake news. Na terceira guerra haverá uma tempestade de fake news, ainda maior do que a que temos agora. Tudo pode ser fotografado, filmado e distorcido indefinidamente. O real pode se transformar em fake. Consequentemente, o fake pode se transformar na única realidade de que dispomos. Todos poderão enganar a todos, seja para tranquilizar, seja para desassossegar. A era da informação acabou.

Nunca vivemos um período no qual a troca de mensagens fosse tão rápida, eficiente e barata como nos últimos anos. Mas, paradoxalmente, as redes sociais estão nos arrastando para o grau zero da informação e a sociedade da informação se transformou na sociedade do ruído. Quando todos falam, ninguém consegue escutar. Poluímos a infosfera com informações incorretas ou inúteis. Criamos a poluição mental e, agora, não sabemos como nos livrar dela.

As fake news são um dos mais sérios problemas ecológicos da nossa era. Fábricas de fake news são um problema ecológico tão sério quanto a crescente emissão de C02 na atmosfera. Ele não será resolvido com meia dúzia de técnicas e com o desejo de ser um bom samaritano como apregoa Mark Zuckerberg, presidente do Facebook.

Transformamos o mundo em um cenário cinematográfico, o real em imaginário e o imaginário em real. É a época do apocalipse, palavra que originalmente significa “revelação”, mas que, por conta de mistificações, passou a significar “o fim do mundo”. Poderemos ver tudo, ver todas as versões do mundo, tudo estará escancarado diante dos nossos olhos, mas não saberemos o que é real ou o que é fake. Um sonho dentro do qual sonhamos e sabemos que estamos sonhando, mas do qual é impossível acordar. É o que os neurocientistas chamam de sonho lúcido, a forma mais sutil da alucinação.

Ao longo da história, as sociedades humanas sempre definiram suas políticas da experiência, ou seja, determinaram o que pode ser percebido, sonhado ou dito na composição do que se convenciona serem estados normais de consciência. As políticas da experiência têm o papel de uma espécie de tribunal que decide o que existe. Na Idade Média o mundo era habitado por milhares de bruxas e espíritos que eram considerados tão reais como nós. Hoje em dia, a política da experiência é decidida pelas tecnologias da consciência, que passaram a regular a percepção e a introspecção a partir de critérios determinados pela mídia, pela internet e pela psicofarmacologia.

As fake news afetam radicalmente a cognição. No longo prazo, perderemos a capacidade de distinguir entre o real e o imaginário. Um animal que não sabe distinguir entre o real e o imaginário não sabe distinguir entre comida e veneno, entre o certo e o errado, na política, na ciência e na ética. É um animal em extinção. Um animal apocalíptico que morrerá pela fome que ele produziu, pela radiação que ele produziu ou pelas doenças que ele produziu.

Mas é possível que a internet encolha muito antes de algo como uma guerra virtual acontecer. Há um grande gargalo que precisa ser enfrentado: a geração de energia. Atualmente, a quantidade de energia para rodar os servidores internacionais que mantêm a internet funcionando lançam na atmosfera, anualmente, mais C02 do que o produzido pela aviação mundial. E, sem a energia limpa, o aquecimento global será acelerado. As consequências, todos já sabemos.

Hoje em dia há no mundo 4 bilhões de pessoas sem acesso à internet. Quase 10% desse número são jovens e crianças. Será que teremos de migrar para as áreas pré-tecnológicas do planeta para sobrevivermos? Seremos os futuros migrantes que fugirão para essas paragens que, atualmente, correspondem às áreas pobres e semi­povoadas na Terra?

JOÃO DE FERNANDES TEIXEIRA – épaulistano, formado em filosofia na USP. Viveu e estudou na França, na Inglaterra e nos Estados Unidos. Escreveu mais de uma dezena de livros sobre Filosofia da Mente e Tecnologia. Lecionou na UNESP, na UFSCAR e na PUC-SP.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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