ALIMENTO DIÁRIO

A HISTÓRIA DO CASAMENTO

DIA 2 – QUANDO SUA HISTÓRIA É DESAFIADA

O número de anos de uma jornada não conta toda a sua história. Um casamento de cinquenta anos pode significar cinquenta anos de dificuldades, ou cinquenta anos de felicidade constante. Mas, com muito mais frequência, o casamento é um mosaico de estações variáveis e diversas.

Quando olhamos a imagem da árvore na capa deste livro, fica evidente que cada anel aumenta o diâmetro da árvore. Não importa se o ano foi de dificuldade ou abundância, ele acrescentou volume à história e significado à jornada. Será que O Peregrino, de John Bunyan – um livro que continua sendo publicado mesmo depois de três séculos – seria uma obra prima duradoura se Cristão (o personagem principal da história) tivesse chegado à Cidade Celestial (seu destino) sem ter passado pelo Pântano da Desconfiança ou sem ter triunfado sobre o gigante Desespero? Sem o enredo complexo entremeado por alegrias e desafios, sua história seria monótona e vazia de acontecimentos especiais. Os perigos que Cristão suporta e vence são o que fazem com que sua história valha a pena ser lida. Os desafios pelos quais passamos em nossos casamentos têm o potencial de acrescentar às nossas histórias empolgação e significado semelhantes.

Não despreze os momentos de desânimo. Use-os para se aproximar da graça de Deus e encontrar Sua força divina que desafiará os limites da sua capacidade emocional e espiritual. Ao longo de mais de três décadas de casamento, descobrimos que foram exatamente os momentos que pareceram ser mais sombrios que se tornaram mais tarde faróis para iluminar nosso caminho. Eles nos compeliram a nos levantarmos e nos posicionarmos. Seus problemas atuais podem se tornar alguns dos mais importantes momentos da sua história.

O ESPÍRITO DO CASAMENTO

Antes de mergulharmos na história do casamento, vamos parar por um instante e explorar seu propósito. Não há dúvidas de que o casamento é maravilhoso, mas às vezes ele é um processo doloroso. A maioria de nós tende a ter muito mais paciência com a dor envolvida em um processo quando entendemos seu propósito. Por exemplo, você pode suportar duas horas na cadeira de um dentista se souber que o procedimento cumprirá o propósito de erradicar uma dor de dente incessante. No seu casamento, você provavelmente já passou por dias que pareciam mais uma visita ao dentista do que um passeio na praia (e se ainda não passou por isso, você passará). É nesses momentos dolorosos que ter consciência do seu propósito torna-se ainda mais crucial.

Hoje em dia, o propósito do casamento está sendo questionado. Por não entenderem o propósito de suas uniões, muitas pessoas estão prontas para pular fora quando as águas turbulentas fazem seus barcos balançarem. Outros argumentam que a instituição do casamento como um todo está falida, e precisa ser revista ou eliminada. Alguns até sugerem que os contratos de casamento deveriam ser limitados a um período predeterminado – aparentemente, para sempre é muito tempo para se esperar de qualquer um de nós. Essas pessoas argumentam que é irrealista tomar decisões sobre como vamos nos sentir daqui a vinte anos, quando mal podemos controlar a maneira como vamos nos sentir amanhã.

Na conhecida canção “Mrs. Jackson”, o grupo de hip-hop OutKast expressou um sentimento popular: Eu e sua filha

Temos algo especial

Você diz que é coisa de criança Nós dizemos que é um amor maduro Espero que nos sintamos assim, que nos sintamos assim para sempre Você pode planejar um bonito piquenique Mas não pode prever se vai haver sol

A música “Mrs. Jackson” é o pedido de desculpas de um homem à mãe de uma jovem que ele engravidou, mas por quem não sente mais amor. Infelizmente, essa canção reflete perfeitamente uma visão predominante do amor e do casamento: eles devem fazer com que eu me sinta bem. Essa perspectiva se fundamenta na convicção de que nossas emoções nos dizem o que é certo e errado, e que somos incapazes de controlá-las. Se não me sinto feliz, então obviamente tenho de fazer alguma coisa para mudar isso. Afinal, não posso controlar como me sinto, assim como não posso controlar a mudança das estações. Ou, como o grupo OutKast diz, você pode planejar um bonito piquenique, mas não pode prever se vai haver sol.

Há outros que querem que a definição de casamento se adapte às diferentes épocas. Eles perguntam: “Por que não podemos ser mais flexíveis? Se esta instituição vai sobreviver, ela precisa se ampliar para incluir uniões entre dois homens e entre duas mulheres”. Certas celebridades estão até mesmo se recusando a se casarem até que os parâmetros do casamento tenham sido revistos. (Para ser claro, todo casamento deve sempre crescer e se adaptar, mas a definição e os participantes do casamento não mudam.) Então, a quem devemos ouvir? Quem tem o direito de definir – ou redefinir – o casamento? Quem tem as credenciais para nos dizer como o casamento deve impactar nossas vidas?

Acreditamos que Deus é o Único que tem esse direito. Sua Palavra declara: Foi o Eterno que fez o casamento, não você. Seu Espírito permeia até os menores detalhes dessa união… Portanto, guarde o espírito do casamento dentro de você. Malaquias 2:15, A Mensagem

Esse versículo não deixa espaço para dúvida: “Foi o Eterno que fez o casamento, não você”. Ele não apenas criou o casamento, como também Se envolveu pessoalmente no processo pelo qual duas pessoas se tornarem uma.

Todo casamento é composto de muitos elementos diferentes, alguns simples e alguns tremendamente complexos, mas, pelo Seu Espírito, Deus revigora (ou traz vida a) os detalhes mais íntimos do casamento.

Observe que Malaquias 2:15 diz: “Seu Espírito [de Deus] permeia até os menores detalhes dessa união”. Em outras palavras, Deus nos permite ter expressão criativa no casamento, mas Ele retém todos os direitos de Criador sobre o que é o casamento e a quem ele inclui. O casamento não pode ser recriado sem o consentimento e a participação de Deus, e Ele é claro quanto às questões fundamentais: “Eu sou o Senhor e não mudo” (Malaquias 3:6, NTLH).

DE VOLTA AO ÉDEN

Vamos voltar ao jardim. Você se lembra das duas árvores? Uma delas, a árvore do conhecimento do bem e do mal, era a única árvore cujo fruto era proibido a Adão e Eva. Deus os advertiu que se eles comessem de seu fruto, eles morreriam. Mas algo naquela árvore fez com que eles se recusassem a ouvir a advertência de Deus e partilhassem o fruto proibido.

E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento… Gênesis 3:6 (ACF), grifo do autor.

Certamente muitas árvores nesse jardim eram boas para se comer e agradáveis aos olhos. Mas uma árvore cujo fruto tinha o poder de elevar uma pessoa à condição de Deus era outra coisa completamente diferente! Eva pensou que houvesse algo além daquilo que já lhe havia sido dado. Achamos impressionante o fato de a mulher ter agarrado algo que não devia ter (igualdade em relação a Deus) perdendo nesse processo algo que ela já tinha o potencial para possuir (sabedoria).

Adão e Eva desejaram ser como Deus, separados de Sua influência e autoridade. Eles se agarraram a um papel que não lhes era lícito assumir. Essa decisão contrasta claramente com a escolha feita por um de seus descendentes:

[Jesus], embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se… Filipenses 2:6

Adão e Eva foram feitos à imagem de Deus, mas não iguais a Ele. A imagem de algo fala de um reflexo, e não de uma representação em sua totalidade. A falsa promessa de igualdade com Deus fez com que o homem e a mulher pensassem que estavam recebendo alguma coisa, quando na verdade ambos estavam perdendo. Eles não receberam sabedoria; eles aceitaram um engano.

O casal enganado e desobediente foi banido do jardim. Eles nunca mais teriam acesso ao fruto encontrado na árvore da vida. Sem esse fruto vivo, Adão e Eva estavam condenados à mortalidade. Eles morreram, e o jardim deles desapareceu há muito tempo. Mas, de certa maneira, eles vivem, porque somos sua descendência. Homens e mulheres não têm mais imortalidade individual nesta Terra, mas o casamento é uma maneira de dar continuidade à vida através da reprodução.

A boa notícia é que a Cruz de Cristo agora é nossa árvore da vida definitiva. Ela restaura tudo o que foi perdido no jardim. E um casamento segundo o coração de Deus pode funcionar como uma árvore que perpetua a vida. Ele tem em si a base necessária tanto para o legado quanto para a intimidade. Por isso é tão importante para Deus honrarmos o casamento, guardarmos o seu espírito e amarmos um ao outro.

Não é preciso ser um especialista em relacionamentos para perceber que algo significativo se perdeu na transição do jardim para o agora. Muitos casamentos são o oposto de uma árvore que perpetua a vida. Divórcio, adultério, decepção, infelicidade e ofensa destroem nossos casamentos e lares. Por causa desses momentos em que o amor falha, muitos não entendem o propósito do casamento – ou sequer por que eles deveriam querer se casar. Outros, que são casados, estão simplesmente tentando sobreviver ao fogo cruzado. Para eles, o casamento não é um porto seguro. É uma zona de guerra.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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