A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

COMO A BARRIGA AFETA O CÉREBRO – II

ALIMENTAÇÃO PARA O EQUILÍBRIO MENTAL

Pesquisadores investigam a importância da dieta em quadros de fadiga crônica e depressão. Ainda não está claro se os seres invisíveis que habitam nosso organismo são tanto causa como consequência de problemas emocionais e mentais

O que comemos afeta a composição da população de microrganismos de nosso aparelho digestivo. O mais inusitado, porém, é que a flora intestinal tem influência sobre o desenvolvimento do cérebro e, portanto, sobre nosso comportamento. “Os seres que vivem em nosso intestino fazem a interface entre a alimentação e a genética”, afirma a neurocientista Jane Foster, da Universidade MacMaster de Hamilton, no Canadá. Ela e seus colegas descobriram que os ratos de laboratório privados de bactérias intestinais são mais curiosos e menos cuidadosos – expondo-se assim a mais situações de risco – que as espécies com colonização normal no intestino. Além disso, verificaram que o fator de crescimento BDNF (brain derived neurotropic factor) se acumula no hipocampo de ratos de laboratório e que, nesse meio-tempo, há variação da composição dos receptores na amígdala, área cerebral fortemente envolvida nas reações de medo.

O contrário também é verdadeiro: o estresse influencia a composição bacteriana do trato intestinal. Ao expor ratos de laboratório a uma situação estressante, a equipe dirigida pelo microbiólogo Michael Bailey, quando na Universidade do Estado de Ohio, constatou que se multiplicavam determinadas espécies de bactérias no intestino dos roedores. Os pesquisadores registraram também o aumento dos mensageiros do sistema imunológico, por exemplo, a interleucina 6A, que intervém nos processos inflamatórios – como se o organismo se preparasse para a situação de risco de possíveis ferimentos.

Que o estresse favorece a queda de resistência imunológica é um fato conhecido e há tempos se suspeita de uma relação entre os fatores inflamatórios e a depressão. Entretanto, outra descoberta de Michael Bailey lança uma nova luz sobre os mecanismos de ação. Quando os ratos estressados eram tratados com antibióticos, o nível dos mensageiros imunológicos não aumentava. Evidentemente, na primeira parte do experimento as bactérias eram responsáveis pelo excesso de mediadores da inflamação.

MICRÓBIO CONTRA ESTRESSE

Os microrganismos intestinais podem também ter efeitos exclusivamente positivos. É o caso das bifidobactérias – típicas de flora intestinal saudável, os recém-nascidos as ingerem já com o leite materno – que teriam potencialidades antidepressivas: pelo menos nos ratos, como demonstrou em 2010 a equipe dirigida pelo farmacologista irlandês John Cyran, da Universidade College de Cork.

Os cientistas separaram filhotes de rato das respectivas mães, provocando forte estresse nos animais; como consequência, o nível de interleucina 6 em seu sangue aumentou, enquanto caiu o nível do neurotransmissor noradrenalina no tronco cerebral, exatamente como ocorre em pessoas com depressão. Esses roedores tinham tendência à depressão, como revelou um teste comum: se eram colocados em uma banheira com água, permaneciam na superfície menos tempo que os animais de controle, não estressados.

Mas algo diferente ocorria com os filhotes de rato cujo alimento havia sido enriquecido com a bifidobactéria. Os roedores nadavam energicamente na banheira e, além disso, seu nível de IL-6 e de noradrenalina era normal. Um estudo posterior realizado pelos mesmos pesquisadores irlandeses demonstrou que o alimento probiótico favorecia o aumento do fator de crescimento neural BDNF no hipocampo, estrutura importante na aprendizagem, e em média menor nas pessoas com depressão.

John Cyran e seus colegas visaram também os Lactobacillus rhamnosus, bactéria que produz ácido lático. Nesse caso, os pesquisadores demonstraram pela primeira vez em 2011 que os microrganismos intestinais enviam sinais do abdômen ao cérebro através do nervo vago. Os ratos que recebiam alimento enriquecido com lactobacilos eram não apenas mais resistentes que os alimentados com comida sem o acréscimo de bactérias, como ficava evidente seu comportamento menos assustado. Foi constatado, porém, o aumento do nível de corticosterona, o hormônio do estresse.

Os pesquisadores descobriram no cérebro dos roedores quantidade maior de receptores de GABA, os pontos de ancoragem do neurotransmissor ácido gama-aminobutírico, em particular nas regiões onde os receptores de GABA são mais escassos nas pessoas com depressão. Também quando os estudiosos irlandeses cortaram o nervo vago dos ratos de laboratório, os efeitos positivos dos lactobacilos permaneciam. “Estes resultados ressaltam o papel das bactérias intestinais na comunicação entre intestino e cérebro, além disso, são um primeiro passo para desenvolver estratégias baseadas nos micróbios específicos para o tratamento dos distúrbios psicológicos”, confirma o pesquisador.

EM BUSCA DE EQUILÍBRIO

Porém, ratos obviamente não são pessoas. A possibilidade de transferir os resultados para o ser humano ainda deve ser comprovada, embora alguns resultados preliminares sejam encorajadores. Um grupo de pesquisa da Universidade de Swansea, no País de Gales, recrutou 132 voluntários saudáveis para um experimento interessante. Metade dos participantes consumiu, durante três semanas, um placebo, enquanto a outra parte ingeriu uma bebida à base de leite probiótico. Antes e depois desse período os psicólogos conduziram um teste para avaliar a saúde mental dos voluntários. O resultado revelou que o humor de quem havia bebido o leite probiótico tinha melhorado sensivelmente, em particular aqueles que antes apresentavam visão predominantemente pessimista. 

Efeito comparável foi observado por cientistas canadenses da Universidade de Toronto, em um estudo-piloto realizado com um pequeno grupo de pacientes que sofriam de síndrome de fadiga crônica. Os participantes, que por dois meses tinham ingerido uma bebida à base de leite enriquecido com lactobacilos, no final do estudo estavam menos deprimidos e temerosos que os integrantes do grupo que recebeu placebo. Porém, ainda faltam estudos que ampliem a compreensão de como microrganismos influenciam o cérebro humano.

Diante das últimas descobertas, já não é surpresa o fato de milhares de seres minúsculos que hospedamos dentro de nós terem lugar estável no delicado sistema capaz de contribuir para o equilíbrio mental. Embora a resolução de questões psíquicas não possa ficar restrita ao âmbito da alimentação, cientistas concordam que a estreita relação entre corpo e mente parece cada vez mais óbvia.

OUTROS OLHARES

ESCOLAS SEM PARTIDO II

Eliminação das ideologias no ensino ou hegemonia de uma? O que é e quem defende o Escola sem Partido

Um dos temas que tem causado maior quantidade de debates por todo o meio acadêmico, em todas as áreas, desde o ensino infantil até o das universidades é o projeto Escola Sem Partido. De um lado, pessoas acusando professores de diversas áreas da educação de praticarem a chamada doutrinação ideológica; de outro, estudantes e professores defendendo aquilo que chamam de liberdade de cátedra como um dos pilares da liberdade de expressão. Para se compreender o que está em discussão, devemos nos perguntar: o que é o Escola Sem Partido? Quem são os principais atores políticos que reivindicam a implementação do projeto? Que ideias defendem seus precursores?

De acordo com o próprio site:

é uma iniciativa conjunta de estudantes e pais preocupados com o grau de contaminação político-ideológica das escolas brasileiras, em todos os níveis: do ensino básico ao superior.

A pretexto de transmitir aos alunos uma “visão crítica” da realidade, um exército organizado de militantes travestidos de professores prevalece-se da liberdade de cátedra e da cortina de segredo das salas de aula para impingir-lhes a sua própria visão de mundo.

O Escola Sem Partido* é um movimento que teve a sua gênese no ano de 2003, quando o advogado Miguel Nagib resolveu fazer uma carta aberta a um professor de sua filha, com 300 cópias entregues aos pais no estacionamento do colégio. O professor, no caso, havia comparado o revolucionário Che Guevara a São Francisco de Assis, no contexto de que ambos largaram seus lares para seguir uma ideologia. O advogado, no entanto, entendia aquela analogia como uma santificação de Che Guevara. A direção do colégio o chamou para uma reunião e informou que não era nada daquilo que havia ocorrido. Os pais dos outros alunos ignoraram a indignação do advogado e pai, e os alunos fizeram passeata em apoio ao professor.

Diante de toda essa situação, Nagib resolveu criar uma associação que lutasse contra o que chama de abusos nos quais as crianças estavam sendo vítimas, inspirado num suposto site norte-americano, que Nagib diz estar fora do ar, mas que tinha a mesma finalidade. E foi assim que, no ano de 2004, surgiu o Escola Sem Partido.

Mas foi no ano de 2015 que o movimento passou a ganhar mais visibilidade, em consequência da avaliação do ENEM daquele mesmo ano. O tema de uma das questões era um trecho do livro escrito por Simone de Beauvoir, intitulado O segundo sexo, que dizia: “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino” (Beauvoir, 1960).

Colocando o trecho em seu devido contexto, a autora busca fazer uma clara diferenciação entre natureza e cultura, sendo a primeira como algo que vem do nascimento, da biologia, traços imutáveis que nascem e morrem com o ser humano. Mas o que Beauvoir queria chamar a atenção é para a questão da mulher no que tange à cultura, pois esta sim tem uma flexibilidade muito maior que a natureza, e ela não se constitui no nascimento, mas sim nas relações sociais.

Beauvoir atenta para o fato de que a sociedade impõe para a mulher padrões comportamentais que a impedem de decidir sobre si mesma; padrões esses não decididos entre outras do mesmo sexo, mas sim por pessoas do sexo masculino, estabelecendo assim uma relação de dominação sobre si e estabelecendo os papéis da mulher na sociedade. O livro e a autora em questão foram umas das maiores influências no movimento feminista da época, o que gerou na sociedade uma mudança brusca nos valores e nos costumes.

Mas o trecho em si foi o suficiente para os opositores do movimento tirarem o texto completamente de contexto e divulgar apenas a parte selecionada pelo MEC, sem sequer publicar também as alternativas que respondiam o que a autora quis dizer com tais afirmações.

Por meio do Twitter, o deputado e pastor Marco Feliciano, escreveu: “Essa frase da filósofa Simone de Beauvoir é apenas opinião pessoal da autora, e me parece que a inserção desse texto, uma escolha adrede, ardilosa e discrepante do que se tem decidido sobre o que se deve ensinar aos nossos jovens”.

O atual presidente eleito, na época deputado federal, Jair Bolsonaro, também se posicionou a respeito da questão, dizendo que “Mais ou tão grave quanto a corrupção é a doutrinação imposta pelo PT junto à nossa juventude”, chamando ironicamente o ENEM de Exame Nacional do Ensino Marxista.

E não apenas na época, mas uma das propostas mais citadas na campanha eleitoral de Bolsonaro foi justamente, nas palavras dele, a imposição do projeto no PNE (Plano Nacional de Educação).

IDEOLOGIA DE GÊNERO: ISSO DE FATO EXISTE?

O carro chefe da campanha do Escola Sem Partido, sem dúvidas, é o que políticos, associações, militantes e subcelebridades simpatizantes ao projeto chamam de “ideologia de gênero”. O termo vem sendo divulgado, reproduzido e repetido incansavelmente como um mantra para os simpatizantes ao projeto, e junto com ele, há uma forte conotação religiosa e tradicional.

De acordo com o site da Canção Nova, comunidade pertencente a ala conservadora da igreja católica, a renovação carismática; a ideologia de gênero é uma desconstrução da família e os vínculos existentes dentro dela. Os fiéis das muitas vertentes da igreja evangélica também aderiram ao termo e o reproduzem, entre os mais destacados estão os pastores Marco Feliciano e Silas Malafaia.

O próprio termo convida a interpretar que há uma ideologia que quer se impor no imaginário de todas as pessoas, de modo a contaminar a sociedade. Essa ideologia, de acordo com eles, se funda na eliminação da classificação de gênero entre os seres humanos para que assim se alcance uma igualdade entre todos.

O principal alvo das críticas dos simpatizantes do Escola Sem Partido é a filósofa Judith Butler, que revirou o meio acadêmico ao tratar o gênero como uma construção social inacabada e falha. E ao contrário de todos e todas que a antecederam, ela ousou a trazer a biologia também para o campo social, se perguntando se o sexo possui história ou é uma dada estrutura, sendo que este também deve estar no campo social, e não apenas no biológico.

Para Butler, as categorias “homem” e “mulher” trazem consigo uma série de papéis a serem desempenhados por ambas as partes, desenvolvidos ao longo dos séculos, principalmente nas sociedades ocidentais, onde o sexo masculino obtém sua dominância. Também essa teoria foca na crítica ao feminismo, que vê a mulher como uma categoria singular a ser interpretada. Para a autora, os gêneros devem ser pensados de forma mais livre, sem tanto pragmatismo, pois está suscetível a erros que acabam prejudicando outra parte da sociedade que acaba sendo esquecida, no caso os LGBT.

Para a autora, um dos grandes problemas das nomeações pragmáticas de homem, mulher, heterossexual e homossexual traz consigo uma regulação de normas estabelecidas e a exclusão social.

Críticas e polêmicas à parte, a autora traz uma discussão que pouquíssimo saiu da academia e que uma mudança cultural desse porte na sociedade levaria décadas para ter resultados significativos, e na educação, principalmente, esse debate sempre esteve longe de ser feito nas escolas.

O que se procura trazer à discussão em sala de aula nos últimos tempos nas escolas, pouco está relacionado às ideias da autora, já que as categorias criticadas por Butler não estão sendo colocadas em xeque.

O que se busca nos novos tempos é algo muito mais simples: a ideia da aceitação à diversidade e da igualdade na sociedade, e para que isso possa obter resultados, deve ser colocado em sala de aula o aprendizado ao respeito e à igualdade.

Quando se apelida um colega de bicha, por quais razões o professor não teria de questionar o que o aluno quer dizer com esse apelido? Por que não ter o direito de trazer reflexão ao fato de a homossexualidade ser motivo de chacota? Pois quando se reflete, não há explicação lógica para tratar a homossexualidade de forma pejorativa, pois é uma característica humana como qualquer outra. No final das contas, a única explicação que se consegue obter a esse tipo de “xingamento” é o tratamento dessa característica como uma anomalia, uma doença mental, ou seja, algo já superado pela ciência há muitas décadas, e sendo assim, o preconceito perde a sua cortina de fumaça. E por que não o desvelar?

Como garantir a democracia de um país, quando se opõe a direitos humanos básicos de diversidade e igualdade racial, regional, de gênero e orientação sexual?

No ano de 2017, o Brasil alcançou a marca de 445 assassinatos a homossexuais, e entre 2008 e 2016, 868 travestis e transexuais perderam as suas vidas de forma violenta, como é o caso da travesti Dandara dos Santos.

Num vídeo que circulou pela internet, cinco homens aparecem espancando a travesti com chutes e chineladas, ordenam-na a subir num carrinho de mão, e ao cair no chão novamente, dão mais pancadas em sua cabeça. Gritos e ofensas marcam a gravação, e um dos rapazes a atinge com um pedaço de madeira. Após a gravação, segundo a polícia, o grupo a espancou até a morte.

No ano de 2015, a atriz transexual Viviany Beleboni, de 26 anos, durante a Parada LGBT, encenou sua crucificação para demonstrar o sofrimento vivido por LGBT em todo o país devido ao preconceito, fazendo uma menção à cruz de Jesus. Isso causou impacto na sociedade de forma a sofrer repúdio por parte da igreja católica. Mas a vida imitou a arte, e Dandara dos Santos teve o seu destino selado por homens que, iguais a inúmeros outros espalhados por todo o país, não aceitam sua identidade.

Também no ano de 2017, o Brasil teve documentado mais de 600 casos por dia de violência doméstica, totalizando em 221.238 registros, um aumento de 6,1% comparado ao ano anterior. Desse número, 1.133 foram vítimas de feminicídio.

Por quais razões não se deve abrir um debate sobre esses assuntos em sala de aula? Não há registro algum de professores incitando alunos a mudarem seus padrões de vida, sua orientação sexual. Mas o que pode ser discutido é justamente os porquês de ser um fardo assumir sua orientação. É pela censura de propor esse diálogo que o país possui um número tão alarmante.

O que está sendo posto à mesa não é o fim de uma suposta ideologia que quer se impor a qualquer custo como uma lavagem cerebral a crianças e adolescentes, mas sim a eliminação de ideias que hoje são defendidas pela esquerda, contudo, não são necessariamente exclusivas da mesma. Pois quando se fala de igualdade de gênero, raça e orientação sexual, não está em xeque os valores universais do liberalismo econômico de igualdade de oportunidades, direito à propriedade, à cidadania, ao respeito, ao trabalho, etc.

Os valores do liberalismo estão diretamente conectados as reivindicações por igualdade entre seres humanos de diferentes categorias. Por exemplo: quando se estabelece cotas raciais nas universidades, é justamente para trazer mais justiça às formas de se ascender socialmente, já que parte da sociedade, para ser mais específico os negros, é historicamente prejudicada e, por isso, sempre começa a partir de um ponto inferior à raça branca, sendo empurrado para as atividades mais braçais e servis. O que se busca é um ponto de partida mais justo entre as pessoas para que possam competir de igual, e isso não traz a eliminação do mundo competitivo, embora o torne ainda mais acirrado.

Na questão do gênero, sob outras formas, está também diretamente ligada a essa racionalidade. Historicamente, embora as lutas das mulheres, dos negros e dos gays tenham trazido resultados significativos à sociedade, não tiraram da sociedade o seu caráter discriminatório e desigual, mesmo quando as constituições e os códigos civis garantam cidadania a todos sem nenhuma restrição.

Isso está mais ligado a ações concretas do que um embate de ideias. Não está sendo proposto um debate se gênero existe ou não, seja nas escolas ou na câmara dos deputados e no senado. O que está sendo proposto é o cumprimento das legislações que garantem cidadania a todos os seres humanos sem qualquer restrição.

O ESPECTRO DE PAULO FREIRE E A SUPOSTA DOUTRINAÇÃO

Um outro alvo do movimento Escola Sem Partido é o educador e Filósofo Paulo Freire, cujas obras dão base às críticas ao modelo educacional no Brasil, sendo ele, para os seus opositores um dos maiores responsáveis pelo atraso da educação no país. Quem é Paulo Freire? O que tem a dizer? Que influência ele exerce na educação brasileira?

Os opositores de Paulo Freire o acusam de ser o responsável por uma educação ideológica no Brasil, sendo ele um socialista que pretende ensinar os alunos a serem subversivos e não seguirem os valores aprendidos dentro de casa. Nos trabalhos acadêmicos das ciências humanas, sua obra “Pedagogia do Oprimido” é a terceira mais citada em trabalhos da área de humanas, segundo um levantamento feito no Google Scholar – ferramenta de pesquisa dedicada à literatura acadêmica.

No ano de 2012, por unanimidade na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do senado, foi sancionada a lei que o tornava patrono da educação brasileira, sendo demonstrado o seu reconhecimento tanto por organizações de esquerda como as de direita.

Paulo Freire defendia a ideia de que a educação não era uma mera transmissão de conhecimento, o que ele chama de educação bancária, aquela em que o professor deposita sobre seus alunos um conhecimento padronizado e nada reflexivo. Assim diz o autor:

O diálogo é uma exigência existencial. E, se ele é o encontro em que se solidarizam o refletir e o agir de seus sujeitos endereçados ao mundo a ser transformado e humanizado, não pode reduzir- se a um ato de depositar ideias de um sujeito no outro, nem tampouco tornar-se simples troca de ideias a serem consumidas pelos permutantes.

O autor nos diz nessa passagem que, a partir do momento em que se deposita ideias uns nos outros, trata-se de tornarmos uns aos outros como seres manipuláveis. Portanto, para Freire, isto faz parte de um processo de doutrinação.

Os opositores de Paulo Freire e simpatizantes do projeto dizem que, a partir dessa lógica de ensino, o professor se aproveitaria da fragilidade intelectual de seus alunos e traria reflexões que fossem apenas nos interesses de suas convicções ideológicas.

Quando se lê Paulo Freire com a única intenção de confrontá-lo sem dá-lo ao menos uma chance de expor suas ideias, erros podem facilmente ser cometidos, como os opositores o fazem. Pois Paulo Freire era também um crítico da autoridade do professor como uma figura que preenche mentes que até o momento estão vazias. O professor mantém uma certa autoridade no sentido de conduzir, mas não pode ser uma figura autoritária. Em suma, Freire acreditava numa relação dialógica entre professor e aluno em que ambos aprendessem. Em 1962, quando era diretor do Departamento de Extensões Culturais da Universidade do Recife, Freire criou um método que visava alfabetizar adultos, e na cidade de Angicos, no Rio Grande do Norte, e sem nenhuma cartilha, alfabetizou 300 cortadores de cana em 45 dias. Freire era crítico do sistema de educação feito à base de cartilhas, que ensinavam por meio da repetição palavras e frases de maneira forçada. Por isso criou o que se chama de Método Paulo Freire.

O método consiste em três etapas, sendo elas:

1) INVESTIGAÇÃO: professor e aluno buscam palavras e temas mais significativos de seu cotidiano e de onde vive;

2) TEMATIZAÇÃO: tomada de consciência do mundo por meio das palavras e temas procurados no item 1;

3) PROBLEMATIZAÇÃO: etapa em que o professor incentiva o aluno a olhar os temas de maneira mais crítica.

O método Paulo Freire trouxe avanços significativos na educação quando o então presidente João Goulart lançou a Campanha Nacional de Educação, criando a Comissão de Cultura Popular (a CCP), tendo o educador como presidente. Contudo, após o golpe militar de 1964, o autor foi preso e exilado, e a partir de então, passou o seu conhecimento em outras partes do mundo.

O que o criador do Escola Sem Partido diz de Freire, é que o autor promove, por meio de seus métodos uma doutrinação ideológica de cunho marxista nos alunos, e uma educação que tem por base os seus conhecimentos é uma educação ideológica. E quanto a Nagib: não propõe algo tão quanto ideológico? Afinal, como afirma o filósofo Slavoj Zizek em seu livro Um mapa da ideologia, quando se diz que determinado processo é ideológico, certamente o seu inverso também o será.

Zizek acertou na colocação, pois no ano de 2009, o procurador e criador do Escola Sem Partido escreveu, no site do Instituto Millenium, um artigo intitulado “Por uma educação que promova os valores do milênio”. E os valores que ele propõe são o da propriedade e da meritocracia. Isto é ou não ideológico?

Paulo Freire, ao contrário do que dizem seus críticos, foi opositor da doutrinação ideológica nas escolas, mas sob outra perspectiva. Ao criar uma educação acrítica, indiferente e padronizada, tira- se dos alunos a sua capacidade ser sujeito dono de sua própria história enquanto cidadão, como diz na seguinte passagem:

Creio que nunca precisou o professor progressista estar tão advertido quanto hoje em face da esperteza com que a ideologia dominante insinua a neutralidade da educação. Desse ponto de vista, que é reacionário, o espaço pedagógico, neutro por excelência, é aquele em que se treinam os alunos para práticas apolíticas, como se a maneira humana de estar no mundo fosse ou pudesse ser uma maneira neutra.

Para Freire, a neutralidade nada mais que a perpetuação de uma ideologia, pois para qualquer um que estude linguística, não há neutralidade na linguagem, no falar. O ato de falar em si já é o suficiente na transmissão de valores mundanos que passam do emissor ao receptor, e isso se reproduz em todas as relações sociais.

Ao buscar uma neutralidade na educação, se busca uma neutralidade diante de todos os problemas sociais, econômicos e ambientais no mundo em que vivemos, e dessa maneira, essa suposta neutralidade acaba por ser tão ou até mais ideológica. Pois o faro de silenciar diante de todos os problemas que a humanidade enfrenta é a legitimação e a perpetuação dos mesmos. Portanto, conclui-se que não há, de maneira nenhuma, uma educação que possa garantir isenção de conteúdo ideológico.

* Disponível em: http://escolasempartido.org/quem-somos

GESTÃO E CARREIRA

QUEM PRECISA DE DIPLOMA?

Empresas estão contratando sem exigir curso superior, mas a oportunidade só existe para os profissionais que levam na bagagem conhecimento técnico e uma boa dose de inteligência emocional

Quando jovens empreendedores criaram impérios de tecnologia, como Microsoft, Google e Facebook, largando a faculdade no meio do caminho, o mercado de trabalho teve um presságio de que, no futuro, o diploma universitário poderia não ser tão importante assim. Acontece que agora o futuro chegou – e não apenas no Vale do Silício. Várias empresas que atuam no mercado brasileiro já começaram a abrir mão da formação universitária na hora de escolher seus candidatos.

As de tecnologia são as líderes desse movimento. Isso acontece porque, na hora de recrutar, essas organizações enfrentam um problema: a diferença entre o que é ensinado nas universidades e o que é exigido no dia a dia de trabalho. Por ser um mercado de transformações rápidas, o diploma não é garantia total de conhecimento – se o profissional não aprender por conta própria, ficará defasado em pouco tempo. “As universidades não estão conseguindo acompanhar a velocidade de atualização de conhecimento necessária para essas empresas”, afirma Maria Luíza Nascimento, diretora de recursos humanos da consultoria Randstad.

Entre as profissões que começam a não exigir formação universitária estão programação, designer digital, gerente de produto, profissionais de vendas e de marketing. No Grupo Movile, que tem em seu portfólio marcas como PlayKids, iFood, Sympla e Maplink, 30% dos 2.300 funcionários não têm diploma. “Estamos à procura de talentos que saibam aprender rapidamente e por conta própria. É importante trabalhar com velocidade em um ambiente dinâmico”, diz Luciana Carvalho, diretora de gente do grupo Movile. O mesmo raciocínio é usado pela fintech Nubank, que não exige que gerentes de produtos, programadores e desenvolvedores tenham passado pelos bancos das faculdades. “Queremos um perfil que não seja óbvio, que faça algo diferente do que a maioria das pessoas faz, como trabalhar em alguma comunidade ou morar num país pouco usual”, afirma Thaís Bertoni, recrutadora do Nubank.

Várias carreiras, no entanto, devem ficar fora dessa tendência porque são regulamentadas por órgãos específicos – como advogados, contadores e profissionais da saúde. Nas corporações mais tradicionais, o processo de abrir mão do diploma ainda é tímido, mas existe uma mudança de comportamento dos recrutadores em relação às faculdades dos candidatos. “Mesmo quando o curso superior é exigido, ele já não é tão determinante quanto foi no passado”, explica Wilma Dal Col, diretora do Manpower­ Group. Em sua visão, as empresas mais conservadoras também terão de flexibilizar as exigências em relação à formação universitária para ampliar sua capacidade de atrair talentos no futuro.

CONHECIMENTO VALE OURO

Ao contrário do que pode parecer, a dispensa do diploma não facilita a conquista de uma oportunidade. O que o trabalhador sabe continua sendo muito importante – o que deixa de ser tão importante é a maneira como a competência foi adquirida. “As empresas que não exigem diploma não estão abrindo mão do estudo, muito pelo contrário. Elas contratam os profissionais que, mesmo sem a formação formal, têm conhecimento técnico aprimorado”, diz Roberto Picino, diretor executivo da Michael Page, consultoria especializada em recrutamento e seleção.

A trajetória do desenvolvedor Bruno Azisaka, de 31 anos, é um exemplo de que é preciso ter um alto padrão técnico para conseguir uma boa posição no mercado. Ele aprendeu a programar por conta própria, aos 15 anos de idade, usando como referência materiais da internet e livros importados. “Devo ter lido uns 40 livros técnicos sobre programação e teorias da computação entre os meus 15 e 18 anos”, diz o desenvolvedor, que gostava de passar as férias escolares estudando. Na adolescência, optou por um ensino técnico na área de processamento de dados. Como costumava desenvolver software livre, um de seus códigos foi descoberto por uma startup americana, que o contratou para trabalhar de forma remota em 2009. De lá para cá, ele passou por várias empresas do setor e chegou a cursar o primeiro ano da faculdade de ciências da computação. Bruno desistiu do curso quando foi contratado por uma empresa no Rio de Janeiro. “Decidi não voltar para a faculdade porque o mercado já estava me validando como um profissional sênior”, afirma. Atualmente, ele é diretor de tecnologia da Agendor, uma plataforma de gestão comercial com sede em São Paulo. Em sua entrevista de emprego para a vaga, em 2017, Bruno teve a chance de demonstrar seus conhecimentos na prática, quando o sistema caiu. “Eu me ofereci para ajudar, fiz um teste e deu certo”, diz. Entrou na empresa como líder técnico e em abril de 2019 foi promovido a diretor de tecnologia.

VONTADE DE APRENDER

Uma das características de quem não frequenta a universidade e se desenvolve por outros caminhos é a gana por conhecimento. Essa atitude é cada vez mais valorizada. Na Loca­ web, companhia de hospedagem de sites, esse comportamento é muito importante. Para Simony Fernanda, gerente de gente e gestão da Locaweb, a formação superior tradicional nem sempre garante as ferramentas necessárias para uma atuação plena no mercado de tecnologia, principalmente nas posições técnicas. “Hoje valorizamos muito os profissionais autodidatas, as formações informais, os cursos técnicos e a participação em eventos da área”, afirma.

A Locaweb tem 68 desenvolvedores e quatro líderes sem diploma universitário em seu quadro. Um deles é o coordenador de operações André Bili. Aos 46 anos, ele comanda uma equipe de 40 pessoas, das quais um terço também não possuí curso superior completo. “Nas empresas de tecnologia, a pessoa tem sucesso quando sabe resolver problemas, e a vida acadêmica não ajuda a resolver esses problemas”, afirma. André largou a faculdade de processamento de dados no último ano porque não se sentia desafiado pelo curso. Ele já atuava no mercado de trabalho quando a internet ainda era uma novidade. No ano 2000, decidiu abrir a própria empresa de tecnologia, que prestava suporte técnico. Em 2018, a companhia foi comprada pela Locaweb, e ele assumiu a posição de coordenador de operações.

O gosto pelos estudos é uma marca na trajetória de André, que teve seu primeiro computador aos 9 anos e dava aulas de computação quando frequentava o ensino médio. Influenciado pela mãe, pedagoga, ele sempre teve muito prazer em ler e estudar sozinho. Hoje avalia que a faculdade não fez falta – e que não faz falta para quem trabalha ao lado dele. “Não existe nenhum curso superior que ensine o que minha equipe precisa saber para atuar”, afirma. Para se norte­ ar nos processos seletivos, ele privilegia profissionais certificados em ferramentas de programação que são usadas no dia a dia de trabalho.

OLHARES DIVERSOS

Um efeito positivo da flexibilidade em relação ao diploma é a maior diversidade dentro da empresa, porque garante que pessoas com diferentes histórias de vida façam parte da equipe, o que beneficia a inovação. Esse é um dos motivos que levam a Stone, fintech que atua com meios de pagamento, a não exigir diploma para as áreas de vendas, tecnologia, logística, finanças, recursos humanos, marketing e operações. “Se eu seleciono apenas engenheiros da computação, vou ter um viés em tudo o que eu faço, falo e construo”, afirma o presidente da empresa, Augusto Lins.

A defasagem entre o que a faculdade ensina e o que o mercado procura é muito grande, e isso desestimula os jovens a continuar os estudos. “Vemos muitos profissionais entrar na faculdade e achar aquilo chatíssimo.” Quando necessário, a Stone oferece formações complementares para os profissionais, como treinamentos e palestras. A empresa também proporciona cursos de liderança, tema pouco explorado pelas universidades, segundo o presidente da startup.

NOVA GRADE

Para lidar com as demandas das empresas, algumas universidades começam a modificar seus programas para incluir, por exemplo, disciplinas de desenvolvimento comportamental. É o caso da BandTec Digital School, faculdade de tecnologia com sede em São Paulo, que soma 400 alunos. Há dois anos, a instituição tem uma disciplina de formação socioemocional, que vai do primeiro ao último dia de aula. Nessa matéria, ensina-se sobre autoconhecimento, disciplina, foco, resiliência e motivação. Além disso, a faculdade determinou que o estágio seja obrigatório a partir do segundo semestre, para que os estudantes sintam as dificuldades do dia a dia do trabalho e possam trazer suas dúvidas para a faculdade, onde contam com profissionais de recursos humanos para orientá-los em sessões individuais e em grupo. O objetivo é ensinar os jovens a gerir suas emoções, o que é determinante para o sucesso no mercado de trabalho. “A grande dificuldade das empresas é lidar com o comportamento desse profissional, pois ele tem pressa, desiste fácil, tem dificuldade de ouvir e se comunicar, além de baixa resistência à frustração”, afirma Alessandro Goulart, presidente da BandTec.

A iniciativa da instituição pode ser um indício de que as escolas estão ficando cientes da enorme distância entre a sala de aula e o dia a dia de trabalho. Segundo especialistas, existe uma chance de essa lacuna diminuir de tamanho conforme as faculdades forem se reinventando e trazendo mais flexibilidade para a grade curricular, permitindo um ensino mais ágil e com mais foco na inteligência emocional dos alunos. Caso isso não ocorra, é possível que a tendência da carreira sem diploma seja um caminho sem volta em um mercado em transformação.

O QUE IMPORTA

As competências que as empresas valorizam mais do que a passagem pela faculdade

***Domínio do conhecimento técnico em profundidade

***Capacidade de aprender sozinho e de forma rápida

***Iniciativa de buscar conhecimentos de diferentes fontes

***Realização e espírito empreendedor

***Inteligência emocional

***Saber se relacionar com pessoas diferentes

***Poder de adaptação a novas situações

***Trabalho colaborativo

***Experiências de vida enriquecedoras

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

CAPÍTULO 30 – O ANTÍDOTO PERFEITO — SER CRISTOCÊNTRICO

“Faça de Cristo o diamante cravado em cada sermão.”  — Charles Spurgeon

PENSAMENTO-CHAVE: Manter Cristo central e supremo em nossas vidas e ministérios é um dos melhores protetores que os líderes espirituais podem ter.

Cristocêntrico. Gosto desse termo. Simplesmente significa que o Senhor Jesus Cristo está no centro. Se a Bíblia ensina algo, é que Jesus é supremo, preeminente e central em todas as coisas.

Colossenses 1 na versão A Mensagem se refere a Jesus, dizendo que “… tudo começou nele e nele encontra propósito” (vs. 16, 19) Quando você olha para esses versículos em um contexto, você pode observar quão fortemente Paulo enfatiza a centralidade do Senhor Jesus Cristo.

Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito sobre toda a criação, pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, que é a igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a supremacia…  — Colossenses 1:15-18 (NVI)

Cada seção maior da Bíblia apresenta um aspecto diferente concernente ao caráter de Jesus, Sua pessoa e Sua obra.

•   O Antigo Testamento é uma preparação para Jesus.

•   Os Evangelhos são a manifestação de Jesus.

•   O livro de Atos é a propagação da mensagem de Jesus.

•   As epístolas são a explanação da obra de Jesus.

•   Apocalipse é a consumação do Reino de Jesus.

Parece haver uma tendência em alguns de fazer tudo ser o centro, menos o Senhor Jesus. As pessoas com frequência ficam animadas a respeito de um ensino, um movimento, uma doutrina, uma causa, e depois dão maior ênfase àquela questão do que dão ao próprio Jesus. O que quer que ensinemos, deve ser fundamentado e centrado na Pessoa do nosso Senhor Jesus Cristo, além disso, deve apontar para a Sua glória e honra.

“AS PESSOAS FICAM ENTEDIADAS COM JESUS”

Muitos dos meus amigos ministros lembram-se do pastor Sam Smith. Sam e sua esposa, Donna, estabeleceram o Centro de fé Cristã, em Seekonk, Massachusetts, e pastorearam lá por muitos anos, antes de Sam se aposentar e partir para o céu. Sam era o tipo de cara sincero e prático, que amava ver as pessoas sendo salvas. Ele sempre comentava que infelizmente os ministros pareciam buscar todo tipo de novo vento de doutrina e ficar obcecados com as novidades, pulando de um extremo para o outro. Ele comentou: “As pessoas ficam entediadas com Jesus”. Que comentário triste, mas verdadeiro.

Uma perspectiva cristocêntrica não quer dizer que não ensinemos outras verdades bíblicas; significa que mantemos Jesus no centro e sendo supremo em nosso ensino. Por exemplo:

•  É ótimo ensinar fé, mas precisamos lembrar que Jesus é o autor e consumador da nossa fé (Hebreus 12:2).

•  É importante ensinar graça, mas devemos lembrar que a graça que proclamamos não é nada menos que a graça do nosso Senhor Jesus Cristo (Atos 15:11 e treze referências similares).

•  É maravilhoso ensinar escatologia, mas é a vinda de Cristo que estamos contando.

•  Adorar é maravilhoso, mas não adoramos o ato de adorar, adoramos a Jesus.

•  Liderança é ótimo, mas somente se estivermos liderando pessoas para um relacionamento mais próximo de Jesus e a um serviço mais efetivo para Ele.

•  É tremendo ensinar santidade, mas devemos lembrar que Jesus é a base e o recurso para a nossa santidade.

•  Queremos proclamar e ver os dons do Espírito em operação, mas eles são para glorificar a Cristo.

A história da igreja, por exemplo, testemunhou alguns grupos focados no batismo nas águas (e algumas crenças específicas e práticas sobre batismo), até a quase exclusão de outras ênfases importantes do Novo Testamento. Em vez do batismo no seu próprio contexto, um “altar” foi construído ao redor do batismo nas águas, e mais ênfase pareceu ser colocada sobre isso do que sobre o próprio Senhor Jesus Cristo. Batismo é importante; eu não estou contestando isso. Contudo, o batismo, em si mesmo (sem fé e foco em Jesus) é um mero ritual. Seu significado não existe separado do Senhor Jesus e é parte da nossa identificação com a Sua morte, sofrimento e ressurreição. Ele é o que faz o batismo importante.

Da mesma forma, nós ouvimos ensinamentos a respeito de batalha espiritual e demonologia que magnificam os demônios e os poderes demoníacos mais do que o nosso Senhor Jesus Cristo. Qualquer ensino legítimo deveria nos tornar mais informados, conscientes e impressionados com Jesus, não com os inimigos que Ele destronou e derrotou.

APEGANDO-SE AO CABEÇA

Paulo deu uma indicação de como ele reconhecia falsos ensinos (Colossenses 2:19). Ele disse que tais indivíduos são “… desgarrados do Cabeça”, e é uma referência direta ao Senhor Jesus. Outra versão declara: “… e eles não estão conectados a Cristo, o cabeça da Igreja”. Antes de ensinar ou receber ensinamento, talvez devamos parar e fazer algumas perguntas:

•  Como isso está relacionado a Jesus, o Cabeça?

•  Como isso está conectado e como isso nos conecta a Ele?

•  Como isso glorifica, honra e exalta a Ele?

•  Esse ensino realmente reflete e representa as Suas palavras, a Sua obra e a Sua natureza?

Jesus certamente não era tímido ou acanhado acerca de declarar a Sua própria centralidade; contudo, não havia nenhuma arrogância ou orgulho Nele. Jesus simplesmente sabia quem Ele era, e o que Ele tinha vindo realizar. Considere o seguinte:

“Vocês estudam cuidadosamente as Escrituras, porque pensam que nelas vocês têm a vida eterna. E são as Escrituras que testemunham a meu respeito”. — João 5:39 (NVI)

“… eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”. — João 14:6

“E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras.” — Lucas 24:27

“Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim.” — Apocalipse 22:13

Se alguém mais fizesse tais afirmações, nós estaríamos horrorizados diante da sua grandeza delirante e seu narcisismo exagerado, mas Jesus estava meramente falando a verdade.

Ser cristocêntrico em uma teologia não exclui ou diminui a importância do Pai ou do Espírito Santo. Não somente o Espírito Santo deu poder para Jesus para o ministério (Atos 10:38), mas Jesus disse: “… quando o ajudador vier… o Espírito da verdade… Ele testificará de mim” (João 15:26). João 16:14 diz que o Espírito Santo trará glória para Jesus revelando para nós o que quer que Ele (o Espírito Santo) receber de Jesus.

O Pai também chamou atenção para Jesus quando disse: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi” (Mateus 17:5). Além disso, em Hebreus 1:6 e 9, nós lemos mais do testemunho de Deus Pai acerca de Jesus:

•  “E, novamente, ao introduzir o Primogênito no mundo, diz: E todos os anjos de Deus o adorem”.

•  “Amaste a justiça e odiaste a iniquidade; por isso, Deus, o teu Deus, te ungiu com o óleo de alegria como a nenhum dos teus companheiros.”

A descrição de Paulo da forma pela qual Deus Pai honrou Jesus é ilustre:

Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai. — Filipenses 2:9-11

Podemos descansar seguros de que não há tensão, atrito, inveja ou competição entre os membros da Trindade; Eles trabalham em absoluta e perfeita harmonia. Quando você exalta a Jesus, você também está honrando o Pai e o Espírito. A Bíblia revela quão infalível é o senso de trabalho em equipe Deles quando nós aprendemos que o dia está vindo: “E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder” (1 Coríntios 15:24).

Faríamos bem em seriamente considerar se o que nós ensinamos está realmente atraindo pessoas a Jesus e exaltando-o como Ele merece, ou se somos culpados por disseminar distrações e diversões doutrinárias. Estamos trazendo clareza ou confusão no que diz respeito à Sua glória, centralidade e preeminência? Jesus não é algo que usamos para conseguir qualquer coisa. Em outras palavras, não meramente um “fim para os meios”. Jesus é o nosso “meio” e o nosso “fim”. Ele é “o caminho!”, Ele é o nosso “Destino!”

Que você seja ricamente abençoado enquanto se apega a Cristo, o Cabeça, e enquanto você mantém o Senhor Jesus como centro de tudo que você faz e diz.