OUTROS OLHARES

UM BASTA AO FACEBOOK

Após ter sido obrigada a pagar bilhões de dólares pelo uso indevido de dados de usuários, a rede social terá de passar a se preocupar mais em como lucrar com seu negócio

“Se filmasse hoje, trataria mais do Facebook e de todo o seu poder.” A autocrítica é da cineasta americana Jehane Noujaim e foi extravasada em uma entrevista concedida por ocasião do lançamento de seu documentário Privacidade Hackeada, que estreou no último dia 24 na Netflix. O filme relata o maior escândalo a atingira rede social que une 2,6 bilhões de pessoas mundo afora. No início do ano passado, ex-funcionários da consultoria política inglesa Cambridge Analytica revelaram que a empresa havia colhido, de forma ilegal, dados privados de cadastrados no site a fim de traçar estratégias para duas campanhas controversas (e vitoriosas): a que elegeu Donald Trump presidente dos Estados Unidos, em 2016; e a que sustentou o Brexit, na Inglaterra, naquele mesmo ano. O documentário, no entanto, foca mais a vileza da consultoria, e não “o Facebook e todo o seu poder”, como definiu Jehane. “Ao longo da história há exemplos de experimentos extremamente imorais. Brincamos com a psicologia de um país inteiro sem a autorização das pessoas, e no contexto de um regime democrático”, confessou o analista de dados canadense Christopher Wylie, que trabalhou na Cambridge Analytica, em depoimento exibido no filme.

Ninguém duvida que a consultoria tenha culpa no cartório. Entretanto, ela não estava só. A celeuma pôs em xeque a imagem do Facebook, levando Mark Zuckerberg, fundador e CEO, a depor no Congresso americano e no Parlamento inglês. Abriram-se investigações ao redor do planeta, principalmente na Europa e também no território americano. No mesmo dia em que o documentário Privacidade Hackeada foi ao ar no universo digital, no mundo real ocorria o que deve ser um dos capítulos finais do famigerado caso da Cambridge. Naquela data, o gigante do Vale do Silício firmou um acordo de 5 bilhões de dólares com a Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC, na sigla em inglês) para encerrar os processos aos quais respondia no país em consequência do escândalo. Mais do que isso, estabeleceram­ se ali as exigências que, em tese, devem evitar que se repita uma invasão de privacidade de igual patamar.

A multa da FTC foi a maior que o órgão já determinou – e segue uma tendência, iniciada na Europa, de punir o Facebook quando há exploração indevida das informações de usuários (leia o quadro). O acordo pode ainda abrir portas para que multas sejam aplicadas também em outros países nos quais a Cambridge Analytica garimpou dados – entre eles, o Brasil.

Uma das providências exigidas do Facebook pelo governo americano para tentar evitar que o problema volte a ocorrer é a criação de um “programa de privacidade”, que incluirá o monitoramento regular feito por um comitê independente, composto de políticos, cientistas e ativistas. A rede social ainda terá de, na prática, parar de repassar dados brutos a outras empresas – entre as quais, consultorias como a Cambridge Analytica e também anunciantes. A partir de agora, as informações dos usuários serão mais bem filtradas antes de ter autorizado o seu uso em propagandas.

Apesar da imagem arranhada em decorrência do episódio da consultoria inglesa, o Facebook nem de longe viu sua saúde financeira ser ameaçada por causa das multas que lhe foram aplicadas. No ano passado, a empresa registrou lucro líquido de 56 bilhões de dólares – mais de onze vezes o valor com que teve de arcar para encerrar o assunto da Cambridge Analytica nos EUA. “Desde que começou a operar, o Facebook sabe que, ao mexer com um negócio novo, acabaria por violar leis. E que teria de lidar com isso sem deixar afetar os lucros”, disse o cientista social americano Binoy Kampmark , do Instituto Real de Tecnologia de Melbourne, conhecido por ter cunhado o termo “economia de irregularidades”, com o qual descreve o método da rede social. O que se espera agora é que o caso da Cambridge Analytica sirva para que o Facebook passe a se preocupar mais com aquilo que é a base “de todo o seu poder”: os dados confiados a ele por mais de um terço da população da Terra.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O QUE OS OLHOS VÊEM…

O único fator que impede alguém de ter problemas com a alimentação pode ser uma dose generosa e saudável de auto- ilusão. Psicólogos tentaram identificar se pessoas com problemas relacionados à comida têm percepções ou sentimentos distorcidos a respeito de seu corpo, mas as descobertas nesse campo não se revelaram convincentes. Pesquisadores da Universidade de Maastricht, Holanda, recentemente tentaram uma abordagem diferente. Primeiro, pediram a indivíduos de dois grupos que avaliassem seu próprio poder de atração. Um dos grupos apresentava sintomas de problemas com alimentação. Aspessoas do outro – o de controle – tinham sido escolhidas por terem o corpo semelhante aos do grupo acometido de perturbações. Os pesquisadores apresentaram fotos do corpo de todos, com os cabelos bem cortados e aparados, a dois painéis de avaliadores. De alguma forma, a despeito da semelhança entre os corpos, ambos os painéis consideraram menos atraentes os que apresentavam distúrbios em relação à comida – em conformidade com as avaliações de si mesmos feitas pelos próprios indivíduos afetados por essas perturbações.

Em contraste, no grupo de controle os voluntários superestimaram seu próprio poder de atração, o que revela, da parte deles, uma imagem preconcebida e protetora do corpo. Para tratar pessoas com problemas relativos à alimentação, os médicos talvez tenham de ensiná-las a se concentrar em seus traços atraentes – é o que propõem os realizadores do experimento.

GESTÃO E CARREIRA

A PSICOLOGIA DA PROCRASTINAÇÃO

Para combater esse problema, não basta gerenciar melhor o tempo — é preciso descobrir quais são os gatilhos emocionais que levam a adiar tarefas, decisões e projetos

Todo mundo já deixou uma tarefa chata ou complexa para o dia seguinte — e não há nada de errado nisso. Muitas vezes até precisamos de um tempo extra para tomar uma decisão importante, refletir sobre um ponto de vista ou avaliar um projeto da empresa. A procrastinação só vira de fato um problema quando acontece com frequência e impacta negativamente a saúde física e mental. “É o atraso de um ato voluntário, que ocorre apesar de sabermos que ele vai nos prejudicar”, define Timothy A. Pychyl, professor de psicologia na Carleton University, no Canadá, em seu livro Solving the Procrastination Puzzle (“Solucionando o quebra-cabeça da procrastinação”, em tradução livre, sem edição no Brasil). De acordo com Timothy, que estuda o assunto há mais de 20 anos, o hábito de “empurrar com a barriga” não está ligado à lassidão ou à má administração da agenda, como a maioria de nós acredita. “A procrastinação constante é uma inabilidade para gerenciar emoções e impulsos”, afirma. Por isso, segundo ele, é fundamental descobrir quais gatilhos psicológicos dão origem a seu “depois eu faço” antes de combater esse inimigo da produtividade.

ANSIEDADE, DEPRESSÃO E ESTRESSE

Pesquisas indicam que cerca de 20% dos adultos são procrastinadores crônicos, ou seja, vivem postergando o início ou o término de uma atividade, mesmo sabendo que esse comportamento provoca algum desconforto (estresse, arrependimento, frustração, ansiedade, culpa) e geralmente causa danos aos estudos, à carreira e aos relacionamentos. Ora, se a procrastinação prejudica nosso bem-estar, por que promovemos essa autossabotagem? “Ao protelar algo que nos parece desagradável, usufruímos uma súbita sensação de prazer”, diz Christian Dunker, psicanalista e professor titular do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Só que esse alívio é temporário, pois em algum momento teremos de resolver as pendências. Como é uma necessidade humana buscar a satisfação e fugir do sofrimento, quem cultiva o hábito de “transferir para outro dia” entra num círculo vicioso, do qual é difícil se libertar. Portanto, a procrastinação constante não está ligada à má gestão do tempo — ela nada mais é do que uma estratégia do cérebro para lidar com as emoções negativas. “Sendo assim, é preciso aceitar o problema e entender o que está por trás dele para começar a superá-lo”, afirma Tânia Campanharo, psicóloga clínica de São Paulo.

Quando se transforma num estilo de vida, a procrastinação pode ser um sintoma de ansiedade — estado emocional que aparece ao encararmos algo que provoca medo, expectativa ou dúvida. “As pessoas ansiosas não pensam nem agem”, diz Christian. Como geralmente estão com a cabeça voltada para o futuro, elas têm dificuldade de realizar algumas atividades e acabam jogando-as para a frente. A ansiedade também é um dos fatores que desencadeiam a depressão, outra mola propulsora do adiamento ou do atraso frequentes. Quem apresenta essa condição sofre com pensamentos negativos, sensação de inutilidade e sentimento de culpa. Qualquer tarefa se torna incômoda e complicada. “O depressivo não tem vontade nem energia para agir”, diz Tânia. Vale dizer que a procrastinação e a depressão se retroalimentam — e nem sempre é fácil apontar qual delas surgiu primeiro.

Outro elemento é o estresse, que também está relacionado a quadros de depressão e ansiedade. Nesse estado de ânimo, a pessoa vive nervosa e frustrada, se distrai com facilidade e, como se cobra demasiadamente, às vezes tem bloqueios mentais. Ela costuma deixar de lado uma tarefa relevante, priorizando as secundárias como forma de alívio. Aliás, essa é uma característica do procrastinador de carteirinha: avaliar a realização de uma atividade pela satisfação que ela proporciona, e não pelo nível de importância que ela tem para si mesmo ou para os outros. “A procrastinação também pode estar associada a transtornos de personalidade e ao déficit de atenção”, diz Rita Martins, psicanalista e professora na Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro.

O FANTASMA DO MEDO

Há mais fatores emocionais que podem sustentar o comportamento. Um deles é o medo — do fracasso ou do sucesso, por exemplo. Pessoas com esse perfil postergam decisões e tarefas sobretudo por três motivos: primeiro, porque desejam evitar a crítica alheia; segundo, porque as coisas podem não sair do jeito que gostariam; e terceiro, porque acham que não vão “dar conta do recado”. “O medo é uma das maiores travas que enfrentamos na vida”, afirma José Roberto Marques, presidente do Instituto Brasileiro de Coaching. Um exemplo disso foi o que aconteceu com o designer gráfico David Arty, de 31 anos. Na última empresa em que atuou, ele fazia home office e tinha dificuldade de organizar a rotina — acabava deixando tudo para a última hora. “Dormia mal, vivia estressado e não me sentia produtivo”, diz. Nessa época, David já sonhava em trabalhar por conta própria, mas o receio de fracassar fez com que adiasse esse projeto. Depois que tomou coragem e virou freelancer, aprendeu a estabelecer prioridades e a administrar a agenda. “Também passei a lidar melhor com o perfeccionismo, outra razão pela qual eu procrastinava”, afirma. A mania de perfeição, aliás, pode andar de mãos dadas com o atraso frequente. Além do medo de ser julgado, quem sofre desse mal presta tanta atenção nos detalhes que conclui os trabalhos só no último segundo. Isso faz com que o perfeccionista cometa erros, mantendo-se preso à ciranda da procrastinação.

A desmotivação também costuma estar por trás do adiamento constante — quando a pessoa não vê sentido naquilo que faz, fica propensa a “empurrar com a barriga”. Segundo Timothy A. Pychyl, esse comportamento pode indicar problemas maiores, como falta de direção na vida ou de identidade. Esse era o caso de Sousete Silva, de 50 anos, coordenadora de compras do Minas Tênis Clube. Embora atuasse nessa mesma área, ela se sentia frustrada no emprego anterior e vivia cheia de pendências. “Procrastinava no escritório e na vida pessoal”, diz. Ao se desligar da empresa, Sousete buscou o autoconhecimento frequentando cursos de filosofia. “Descobri que o antigo trabalho não estava alinhado com meus valores, daí o motivo da insatisfação”, afirma. Hoje ela fez as pazes com a rotina e mantém a procrastinação sob controle focando três princípios: organização, disciplina e eficiência.

MUDANÇA DE HÁBITO

Independentemente dos motivos que nos levam a atrasar decisões e tarefas, algumas dicas podem ajudar todo mundo a combater (ou talvez superar) a procrastinação. Aqui vão elas:

INVISTA NO AUTOCONHECIMENTO

Não ignore suas emoções. Se você vive procrastinando, pergunte-se: “O que me afasta dessa atividade? Por que não quero realizá-la? Ela está alinhada às minhas ambições?” Olhar para dentro é o primeiro passo para diminuir os atrasos constantes. Se preciso, busque ajuda profissional.

FOQUE AQUILO QUE É IMPORTANTE

“Priorize de acordo com o impacto que determinada atividade vai causar em sua vida e na dos outros”, diz Bia Nóbrega, psicóloga e coach de São Paulo. Se possível, elimine da rotina aquilo que não faz diferença, não traz satisfação e gera desperdício de tempo.

FAÇA UM BOM PLANEJAMENTO

Reservar um tempinho para analisar e organizar todas as etapas de uma tarefa ajuda a executá-la no prazo. Pense nos recursos de que vai precisar, onde vai encontrá-los, em quantos dias eles chegarão a suas mãos, quem pode ajudá-lo na empreitada, e daí por diante.

DIVIDA A ATIVIDADE EM PEQUENAS PARTES

Quando temos de encarar uma tarefa chata ou desafiadora, o melhor a fazer é estabelecer metas diárias e avançar passo a passo rumo à sua conclusão.

USE A TECNOLOGIA A SEU FAVOR

“Alguns aplicativos permitem organizar tarefas e registrar quantas horas você dedica a suas atividades”, diz Jeane Lucena, psicóloga e professora no IAG — escola de negócios da PUC-RIO.

COMEMORE CADA CONQUISTA

Quando não procrastinar, dê a si mesmo uma recompensa, nem que seja só uma pausa de 10 minutos.

SEJA CRIATIVO

Pense em maneiras mais agradáveis de realizar a atividade — pode ser trabalhar de um lugar diferente, usar aquela ferramenta de que você gosta…

MEDITE

“Experimente o Mindfulness ou outras técnicas que desenvolvam a atenção plena e nos mantenham no presente”, diz Bia Nóbrega.

QUE TIPO DE PROCRASTINADOR VOCÊ É?

Faça o teste, criado pela psicóloga Tânia Campanharo, e saiba com qual perfil selecionado você mais se identifica. Depois veja dicas para mudar de atitude

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

ASSASSINOS DE MINISTÉRIO QUE VOCÊ PRECISA VENCER: A ESTUPIDEZ

CAPÍTULO 28 – EVITANDO ENGANOS, EXTREMOS E DESEQUILÍBRIOS

“O engano nunca se mostra na sua realidade nua, a fim de não ser descoberto. Ao contrário, ele se veste elegantemente, para que o incauto seja levado a crer que ele é mais verdadeiro do que a própria verdade.” — Irineu de Lyon

PENSAMENTO-CHAVE: A sã doutrina e as práticas saudáveis devem ser a marca registrada de um líder espiritual que teme a Deus.

Quando reuni o material dos “assassinos de ministério”, percorri as duas epístolas escritas por Paulo a Timóteo para verificar se Paulo havia dirigido algo nessas áreas ao seu protegido, e ele o fez.

Observe alguns versículos que representam cada uma dessas áreas:

•  O Ouro – “Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentara com muitas dores” (1 Timóteo 6:10).

•  As Mulheres – “Foge, outrossim, das paixões da mocidade. Segue justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam Senhor” (2 Timóteo 2:22).

•  A Glória – “… não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça incorra na mesma condenação do diabo” (1 Timóteo 3:6).

•  A Rotina – “Tu, pois, filho meu, fortifica-te na graça que está em Cristo Jesus. E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros. Participa dos meus sofrimentos como bom soldado de Cristo Jesus” (2 Timóteo 2:1,3).

•  Os Estraga-prazeres – “Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe dará a paga segundo as suas obras” (2 Timóteo 4:14).

Quando Walt Disney precisou dar nome a um personagem de desenho que seria doido, desajeitado e um pouco menos inteligente, ele escolheu o nome “Pateta”. Pateta é um sinônimo de ser tolo, excêntrico, bobo, ridículo ou grotesco. Então, usaremos esse termo para descrever crenças e práticas que são extremas, errôneas e desequilibradas.

Comecei a fazer um levantamento das cartas de Paulo a Timóteo, a fim de localizar versículos acerca da tolice, e fiquei chocado ao descobrir que ele disse mais acerca da necessidade de uma doutrina sólida do que ele fez sobre outros “Assassinos de Ministério” juntos. Considere o seguinte:

Peço que você continue na cidade de Éfeso, como já pedi quando estava indo para a província da Macedônia. Existem aí nessa cidade alguns que estão ensinando doutrinas falsas, e você precisa fazer com que eles parem com isso. Diga a essa gente que deixe de lado as lendas e as longas listas de nomes de antepassados, pois essas coisas só produzem discussões. Elas não têm nada a ver com o plano de Deus, que é conhecido somente por meio da fé. Essa ordem está sendo dada a fim de que amemos uns aos outros com um amor que vem de um coração puro, de uma consciência limpa e de uma fé verdadeira. Alguns abandonaram essas coisas e se perderam em discussões inúteis. Eles querem ser mestres da Lei de Deus, mas não entendem nem o que eles mesmos dizem, nem aquilo que falam com tanta certeza.  — 1 Timóteo 1:3-7 (NTLH)

… um bispo (superintendente, supervisor) precisa… ser um mestre capaz e qualificado.  — 1 Timóteo 3:2 (AMP)

Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência…  1 Timóteo 4:1-2

Expondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Cristo Jesus, alimentado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido. Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas caducas… 1 Timóteo 4:6-7

Enquanto você espera a minha chegada, dedique-se à leitura em público das Escrituras Sagradas, à pregação do evangelho e ao ensino cristão.  — 1 Timóteo 4:13 (NTLH)

Cuide de você mesmo e tenha cuidado com o que ensina. Continue fazendo isso, pois assim você salvará tanto você mesmo como os que o escutam. — 1 Timóteo 4:16 (NTLH)

Ensine e recomende estas coisas: se alguém ensina alguma doutrina diferente e não concorda com as verdadeiras palavras do nosso Senhor Jesus Cristo e com os ensinamentos da nossa religião, essa pessoa está cheia de orgulho e não sabe nada. Discutir e brigar a respeito de palavras é como uma doença nessas pessoas. E daí vêm invejas, brigas, insultos, desconfianças maldosas.  — 1 Timóteo 6:2-4 (NTLH)

Timóteo, guarde bem aquilo que foi entregue aos seus cuidados. Evite os falatórios que ofendem a Deus e as discussões tolas a respeito daquilo que alguns, de modo errado, chamam de “conhecimento”. Algumas pessoas, afirmando que tinham esse “conhecimento”, se desviaram do caminho da fé. Que a graça de Deus esteja com vocês! – 1 Timóteo 6:20-21 (NTLH)

Tome como modelo os ensinamentos verdadeiros que eu lhe dei… guarde esse precioso tesouro que foi entregue a você.  – 2 Timóteo 1:13-14 (NTLH)

Recomende essas coisas aos que você dirige e ordene severamente, na presença de Deus, que não briguem por causa de palavras. Brigar não é bom, pois somente prejudica os que estão presentes. Faça todo o possível para conseguir a completa aprovação de Deus, como um trabalhador que não se envergonha do seu trabalho, mas ensina corretamente a verdade do evangelho. Evite os falatórios contrários aos ensinamentos cristãos, pois eles fazem com que as pessoas se afastem de Deus. As coisas que os falsos mestres ensinam se espalham como a gangrena. Dois desses mestres são Himeneu e Fileto, os quais abandonaram o caminho da verdade…  — 2 Timóteo 2:14-18 (NTLH)

Assim como Janes e Jambres foram contra Moisés, assim também esses homens são contra a verdade. Eles perderam o juízo e fracassaram na fé. Mas não irão longe, pois todos verão como eles são tolos. Foi isso que aconteceu com Janes e Jambres.  — 2 Timóteo 3:8-9 (NTLH)

Quanto a você, continue firme nas verdades que aprendeu e em que creu de todo o coração. Você sabe quem foram os seus mestres na fé cristã.  — 2 Timóteo 3:14 (NTLH)

Pois toda a Escritura Sagrada é inspirada por Deus e é útil para ensinar a verdade, condenar o erro, corrigir as faltas e ensinar a maneira certa de viver.  — 2 Timóteo 3:16 (NTLH)

Portanto, intensifique o trabalho de divulgação da mensagem e seja vigilante. Desafie, advirta e insista com seus ouvintes. Não desista. Use linguagem compreensível. Você descobrirá que daqui a um tempo o povo não vai mais ter estômago para ensino sólido, no entanto se encherão de alimento espiritual estragado, mensagens cativantes que combinam com suas fantasias. Eles vão virar as costas para a verdade, vão trocá-la por ilusão.  — 2 Timóteo 4:2-4 (A Mensagem)

Paulo ensina a Timóteo clara e repetidamente que se levantar a favor da verdade da Palavra de Deus era uma das suas responsabilidades mais importantes. Quanto mais isso é necessário para os líderes hoje? Vivemos na era da informação, e os cristãos têm acesso a mais ensino e influência hoje do que em qualquer tempo da História. Ideias religiosas de todas as formas estão sendo divulgadas por meio de livros, televisão, rádio, revistas, CDs, downloads e podcasts. Perspectivas doutrinárias são apresentadas aos crentes até mesmo por intermédio dos meios de comunicação social, como o Facebook e Twitter.

Os crentes estão sendo influenciados por inumeráveis vozes exteriores, e algumas dessas vozes não são sadias ou benéficas. É preocupante para pastores quando os membros das igrejas abraçam e começam a promover entusiasticamente desequilíbrios e visões erradas para outros dentro da congregação. Como líderes espirituais, queremos que o nosso foco primário seja a promoção proativa da verdade, não reativa, corrigindo o erro. Não queremos estar sempre apagando incêndios e ter reações instintivas para todas as ideias variantes que possam vir durante o caminho, ainda que essas questões precisem ser abordadas.

Alguns procuram minimizar a importância da doutrina (ensino), contudo, a doutrina é importante porque o que as pessoas acreditam eventualmente afetará o que elas fazem.

Doutrina e prática estão interligadas. Quando Jesus dirigiu-se às igrejas primitivas na Ásia Menor, Ele disse que odiava a doutrina e as práticas dos nicolaítas (Apocalipse 2:6-15).

O ensino libertino não é errado simplesmente porque ignora e viola os textos bíblicos concernentes à santidade e à piedade, mas também porque facilita e encoraja o comportamento pecaminoso e suas associações.

O universalismo não é errado apenas porque contradiz uma grande parte dos ensinos bíblicos acerca de julgamento e a necessidade do novo nascimento. Isto também é errado porque remove a motivação para o evangelismo. Se nosso ensino afinal não estiver apontando para a obra consumada de Cristo e promovendo obediência à Palavra de Deus, então algo está errado.

Paulo desejou para todos os crentes o que ele expressou para os efésios: “Para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro” (Efésios 4:14). Quão seriamente Paulo considerou o tratamento e o dano em potencial de uma falsa doutrina? Considerando a sua admoestação aos líderes da igreja de Éfeso:

Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue. Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles. Portanto, vigiai, lembrando-vos de que, por três anos, noite e dia, não cessei de admoestar, com lágrimas, a cada um.  — Atos 20:28-31

Alguns anos atrás, fiz uma lista de algumas observações relacionadas aos ventos de doutrina. Aqui estão alguns pontos dessa lista:

•  O erro não está completamente errado. Às vezes, o maior engano está enrolado em um bom pedaço de verdade.

•  O erro capitaliza-se sobre as áreas que têm sido ignoradas ou negligenciadas pela igreja.

•  Os dois objetivos do diabo são que a igreja: (a) aceite o engano, ou (b) rejeite o verdadeiro sem aversão aos excessos e abusos envolvendo o engano.

•  O erro resulta no estabelecimento de uma consciência imprópria nas pessoas (por exemplo: mais foco nos demônios do que em Jesus, mais foco nas obras do que na graça, etc.).

•  O erro resulta no estabelecimento de uma dependência imprópria nas pessoas.

•  O erro ocorre quando existe uma ênfase maior sobre uma questão de menor importância, ou uma ênfase menor em uma questão de grande importância.

•  Com o erro, há com frequência um forte apelo feito para elementos privados e subjetivos para fundamentar a doutrina e métodos (exemplo: “O Senhor me disse…”). Isso muitas vezes envolve uma revelação “exclusiva” e “superior”, a qual produz isolamento e alienação de outros.

•  Com o erro, princípios básicos da interpretação bíblica são com frequência ignorados e negligenciados.

•  Aqueles que promovem o erro com frequência recusam ter sua doutrina ou métodos   julgados, ou se mostram ofendidos se questões são levantadas. Eles não demonstram o espírito aberto de Paulo (Atos 17:11).

•  Aqueles que promovem o erro com frequência precisam difamar e depreciar os seus oponentes. Além disso, aqueles que ousarem questionar a doutrina deles são rotulados de “perseguidores”. Eles são rápidos ao usar o título de mártires se os seus ensinos são desafiados.

Que passos um ministro pode dar para permanecer equilibrado em seu ensino?

•   Estude! Teologia não é uma má palavra! O que é ruim é a má Teologia. Doutrina não é uma má palavra! O que é ruim é a má doutrina.

•  Precisamos estar enraizados e firmados nas grandes doutrinas da Bíblia. Se não estivermos estabelecidos nas grandes verdades da Palavra de Deus, então estaremos mais favoráveis à queda para a mais nova doutrina da “moda” que aparecer no caminho.

•  Adicionando à teologia, precisamos estar estabelecidos nos princípios de hermenêutica, a interpretação apropriada da Bíblia. Estar fundamentados na hermenêutica irá nos encorajar a:

—Ler as passagens bíblicas com o contexto histórico, cultural e teológico próprio (fique alerta sobre os ensinos que são apresentados sem um suporte neotestamentário sólido e significante).

—Evitar falsas combinações (colocar passagens bíblicas juntas que não foram designadas para estar juntas).

—Evitar colocar ênfase excessiva em um aspecto do texto bíblico, enquanto negligencia o aspecto complementar ou de equilíbrio da Bíblia. Mais importância nos importantes e menos nos assuntos menores!

—Preste conta! Tenha bons amigos ministros com os quais você pode discutir questões.  Encoraje-os a desafiá-lo, especialmente se você estiver considerando ensinar algo delicado ou controverso.

—Não caia no orgulho e sinta que você está acima da prestação de contas ou correção, ou que as pessoas deveriam receber o seu ensino, por causa de quem você é. Lucas (ver Atos 17:11) elogiou os crentes em Bereia que examinavam “… as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim”. Eu tenho ouvido que alguns ministros menosprezam e diminuem pessoas por não aceitarem imediatamente o que elas estão dizendo, em vez de elogiá-las por estar conferindo se as coisas são de fato assim.

• Precisamos considerar o fruto ou a aplicação da nossa doutrina. Expressando uma profunda apreensão no que diz respeito à ingenuidade da igreja dos coríntios, Paulo disse (2 Coríntios 11:4): “Se, na verdade, vindo alguém, prega outro Jesus que não temos pregado, ou se aceitais espírito diferente que não tendes recebido, ou Evangelho diferente que não  tendes abraçado, a esse, de boa mente, o tolerais”. Observe que Paulo não estava meramente preocupado quanto ao falso evangelho, ou uma percepção distorcida de Jesus; ele estava preocupado sobre um espírito “diferente”. O Espírito Santo foi enviado para nos guiar a toda verdade. Espíritos religiosos e atitudes erradas precisam ser evitados tanto quanto a falsa doutrina.

•  Aprenda pela História! A história da Igreja é cheia de revelações sobre vários indivíduos e grupos que têm se mantido fora da pista. Nem todos que caíram no erro ou se tornaram desequilibrados eram pessoas malignas; muitos eram bons, pessoas sinceras que podem até mesmo terem começado bem antes de sair do curso.

Em seu livro, John Alexander Dowie, Gordon Lindsay aborda os fatores que precederam a ruína de Dowie. Lindsay falou de hábitos de trabalho excessivos de Dowie que o deixaram exausto e o levaram a ter um julgamento prejudicado. Ele também disse que Dowie absteve-se de tomar conselhos com outros. Ao longo do tempo, Dowie desenvolveu o que Lindsay chamou de uma “fixação”, e disse que “praticamente toda falsa doutrina envolve uma fixação na mente da vítima que a abraça”. Lindsay disse: “O apóstolo Paulo com frequência advertia os crentes a aderir à ‘sã doutrina’. A alternativa é montar algum ‘cavalo de pau’ ou descer na tangente que viola o espírito da verdade evangélica, dividindo assim o Corpo de Cristo”. Ele posteriormente disse: “Quão triste é ver um homem cujas habilidades, sem dúvida, poderiam ser grandemente usadas por Deus, que perdeu o interesse nas grandes verdades do Evangelho, a salvação de vidas, e se tornou obcecado com um ‘cavalo de pau’ que imobilizou seu talento para Deus, e reduziu o seu valor para Deus e para a humanidade…”

O grande pioneiro pentecostal, Donald Gee, escreveu em “A voz da Cura”, em 1953: “Tantos de nós estamos [firmemente estabelecidos] em extremos. Se nós virmos algum raio da verdade nós o empurramos a tal extremo que nossa pressão constante contra ele torna-se ofensiva, vã e, por último, errônea. Se descobrimos alguma linha bem-sucedida de pregação nós a perseguimos a tal extensão que a tornamos nauseante e esgotada. Estamos sempre perdendo a genuína utilidade pela nossa falha constante em nos mantermos bem balanceados. Por fim, os homens perdem a confiança em nós, a nossa intemperança entristece o Espírito Santo, e somos lançados no ferro-velho dos servos rejeitados e inúteis”.

Mantenha um Bom Coração

Gosto das palavras de Richard Baxter:

Em essencial, unidade.

Não essencialmente, liberdade.

Em todas as coisas, caridade.

Motivados pela questão de manter a pureza doutrinária, alguns têm se tornado francamente mesquinhos. Eles se autonomeiam “caçadores de heresias” que são rápidos em julgar e condenar todos que discordam deles, até mesmo no que concerne a áreas não essenciais. Eles têm uma atitude de “eles estão certos e todos os outros estão errados”. Eles fizeram muito pouco para edificar outros para fazerem um trabalho construtivo no Reino de Deus, enquanto prosperam em demolir outros.

O Dr. Bob Cook sabiamente disse: “Deus reserva o direito de usar pessoas que discordam de mim”.

Lembro-me de ter ouvido uma história de um pregador ignorante, que no meio da mensagem, mencionou como o apóstolo Paulo e sua mulher, Silas, estavam na prisão em Filipos, e seu pobre filho Timóteo estava andando para cima e para baixo na rua chorando porque sua mãe e seu pai estavam na cadeia. No final de sua mensagem, ele fez um convite ao altar e seis pessoas vieram à frente e entregaram suas vidas a Jesus.

Embora esse ministro tenha compreendido completamente errado quem era Silas e desconhecido o fato de que Timóteo era apenas filho espiritual de Paulo, ainda assim havia sobrado verdades suficientes em suas mensagens a respeito de Jesus, que o Espírito Santo foi capaz de alcançar os corações desses indivíduos.

Deus é o “Deus da Verdade”, mas, às vezes, Deus trabalha a despeito de algumas doutrinas erradas que são misturadas. Se Deus tivesse de aguardar até toda a nossa doutrina estar 100% perfeita antes de Ele poder nos usar, então nunca seríamos usados. É um erro sério pensar que porque alguém foi abençoado, isso automaticamente legitima 100% do que está sendo ensinando ou dá total validação ao ministério que está promovendo o ensino.

Precisamos ser cuidadosos para que não desenvolvamos uma atitude de “combate”, e por causa disso falhemos em ver o bem na simplicidade das pessoas porque discordamos com uma parte do que elas estão dizendo. Um grande exemplo de um coração certo em ajudar outros pode ser encontrado na maneira que Priscila e Áquila responderam a Apolo.

Nesse meio tempo, chegou a Éfeso um judeu, natural de Alexandria, chamado Apolo, homem eloquente e poderoso nas Escrituras. Era ele instruído no caminho do Senhor; e, sendo fervoroso de espírito, falava e ensinava com precisão a respeito de Jesus, conhecendo apenas o batismo de João. Ele, pois, começou a falar ousadamente na sinagoga. Ouvindo-o, porém, Priscila e Áquila, tomaram-no consigo e, com mais exatidão, lhe expuseram o caminho de Deus.  — Atos 18:24-26

Apolo era correto, tanto quanto ele conhecia, mas seu conhecimento era incompleto. Em vez de rotulá-lo como um falso mestre ou atacá-lo publicamente, Priscila e Áquila passaram tempo pessoalmente com Apolo e o ajudaram a entender algumas coisas com as quais ele não estava familiarizado ainda.

Aparentemente, existiam algumas questões que Paulo acreditava que não deveriam ter sido o foco de argumentos minuciosos. Porque ele valorizava altamente a verdade, ele disse para uma igreja: “Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento; e, se, porventura, pensais doutro modo, também isto Deus vos esclarecerá” (Filipenses 3:15). Paulo parecia satisfeito em apenas deixar Deus mostrar às pessoas algumas coisas ao longo do tempo, e não sentiu a necessidade de querer corrigir a todos sobre todo assunto pequeno.

Contudo, em questões maiores, Paulo estava completamente pronto para lutar pela verdade do Evangelho, especialmente se era uma área que minava a significância da obra consumada de Cristo. Quando Paulo viu a fé dos crentes da Galácia sendo subvertida pelo legalismo, ele não se poupou, dizendo:

Estou muito admirado com vocês, pois estão abandonando tão depressa aquele que os chamou por meio da graça de Cristo e estão aceitando outro evangelho. Na verdade, não existe outro evangelho, porém eu falo assim porque há algumas pessoas que estão perturbando vocês, querendo mudar o evangelho de Cristo. Mas, se alguém, mesmo que sejamos nós ou um anjo do céu, anunciar a vocês um evangelho diferente daquele que temos anunciado, que seja amaldiçoado! Pois já dissemos antes e repetimos: se alguém anunciar um evangelho diferente daquele que vocês aceitaram, que essa pessoa seja amaldiçoada! — Gálatas 1:6-9 (NTLH)

Um sábio cirurgião sabe quando irá ao fundo do problema até extirpar uma malignidade mortal, mas ele também sabe quando deixar uma pequena condição permanecer, uma que irá se resolver sem uma intervenção drástica. Podemos receber sabedoria e maturidade de Deus a fim de lidar com questões doutrinárias com o mesmo tipo de sabedoria.