A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ORIGENS BIOLÓGICAS DA HOMOSSEXUALIDADE

Memória imunológica materna pode ter papel na orientação sexual masculina

A homossexualidade teria origens sociais ou biológicas. A polêmica reacende de tempos em tempos. Desta vez, Anthony Bogaert, da Universidade Brock, em Ontário, demonstrou que a chance de um rapaz ser homossexual cresce quanto mais irmãos biológicos mais velhos ele tiver, independentemente de eles terem sido criados juntos. O efeito, chamado “ordem do nascimento fraterno”, e sua relação com a homossexualidade masculina já eram conhecidos dos cientistas. Não estava claro, porém, se a associação tinha origens pré-natais (não necessariamente genéticas) ou se dependia de fatores sociais relacionados ao ambiente em que os irmãos foram criados. Se a hipótese social estivesse correta, o número de irmãos não­ biológicos mais velhos influenciaria igualmente a preferência sexua do mais novo, desde que, obviamente, eles tivessem sido criados juntos por algum tempo. Além disso, o tempo de convivência com os irmãos maiores, biológicos ou não, se relacionaria com a orientação homossexual, o que confirma as raízes sociais do fenômeno.

Bogaert reuniu dados demográficos e familiares de 944 homens, metade dos quais recrutados em comunidades gay de Toronto e da região de Niágara. Os resultados mostraram que o tempo de convivência com irmãos mais velhos, bem como o número de irmãos não-biológicos não tiveram efeito algum sobre a sexualidade do indivíduo. Segundo o autor, a origem pré-natal do efeito da ordem do nascimento fraterno provavelmente é resultado da memória imunológica materna adquirida durante a gestação de meninos. De alguma forma, o sistema imune da mãe seria capaz de se lembrar das gestações anteriores de fetos do sexo masculino, o que afetaria progressivamente a resposta imunológica, que por sua vez teria algum papel na diferenciação sexual no cérebro dos meninos. O estudo foi publicado na revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

OUTROS OLHARES

SORRIA! VOCÊ ESTÁ SENDO ESCANEADO

Sistemas de reconhecimento facial entram na rotina de segurança de espaços públicos e privados no Brasil. São sujeitos a falhas e trazem novos limites à intimidade

Já não há muito o que fazer para impedir a apropriação digital de seu rosto. Imagens de faces estão sendo captadas com alta precisão e disputadas em todas as partes do mundo por empresas e governos. Devido a isso, o reconhecimento facial não é mais uma moda passageira ou uma tecnologia de ficção: está virando o padrão de vigilância em locais públicos e privados, físicos e virtuais, mesmo representando uma invasão de privacidade e com os atuais riscos de falha que apresenta. Em nome da segurança pública e privada, busca-se ampliar os bancos de dados de reconhecimento sem estabelecer limites legais e sem garantir a precisão da identificação.

A polícia do Rio de Janeiro começou a testar uma tecnologia do tipo no Carnaval de Copacabana, para identificar mais rápido e facilmente criminosos procurados. Conseguiu cumprir oito mandados de prisão em dez dias de utilização, mas cometeu um erro crasso: apontar falsamente uma mulher que carregava uma placa de compra de ouro e prata como sendo Maria Lêda Félix da Silva, uma fugitiva condenada por homicídio. Uma pessoa inocente acabou enfrentando os transtornos de ser levada para uma delegacia. Mesmo assim a população do Rio vai assistir, muito em breve, a uma proliferação de câmeras de rastreamento pela cidade.

A humilhação sofrida pela mulher é só um exemplo dos riscos atuais desses aparelhos: o chamado falso positivo, quando um inocente é confundido com um criminoso. Seus erros podem acabar com a vida de um cidadão. Eles aumentam o controle do Estado e do mercado sobre as pessoas e acabam globalmente com a privacidade. Começam com o objetivo de identificar bandidos, mas podem servir para monitorar ativistas políticos, por exemplo, ou consumidores desprevenidos. Sistemas de detecção usados na Inglaterra e nos Estados Unidos são criticados por oferecerem mais precisão na identificação de caucasianos do que de negros ou árabes. Regimes autoritários usam e abusam dessa tecnologia. Há mais de 170 milhões de câmeras instaladas na China, por exemplo. Em Hong Kong, manifestantes pró-democracia precisam usar capuzes para não serem identificados e presos.

O problema inicial dos rastreadores é sua função autoritária e de controle das massas, no qual a privacidade e a democracia ficam em segundo plano diante da política de segurança. Embora sejam úteis, anunciam uma espécie de distopia de vigilância permanente, um passo em direção à instalação de chips nas pessoas assim que elas nasçam. Para impedir desvios no uso e no compartilhamento dos bancos de dados de imagens, o CEO da FullFace, Danny Kabiljo, sugere que haja, urgentemente, alguma regulamentação nesse mercado. Não existem leis no Brasil para garantir os direitos dos cidadãos e proteger os dados capturados pelas câmeras. “Uma das premissas para se atuar nesse negócio é garantir o sigilo da base de dados”, afirma Kabiljo. A FullFace é responsável pela implantação de um check-in por identificação facial nos voos da Gol e adota diversos recursos para proteção do sigilo das imagens.

NA BASE DE DADOS

Centros comerciais, aeroportos e supermercados estão recebendo investimentos para o uso da tecnologia para reconhecer seus clientes e rastrear seus passos no estabelecimento. O Pão de Açúcar acaba de anunciar que terá novas lojas inteligentes, nas quais a identificação de rostos é um dos principais recursos. O metrô de São Paulo, um dos lugares por onde mais circulam pessoas no Brasil – 3,7 milhões diariamente – anunciou que vai implantar um dispositivo de reconhecimento, instalando mais de cinco mil câmeras avançadas nos seus trens e estações para monitorar o movimento e conhecer melhor os usuários. Além de identificar criminosos escondidos na multidão (desde que a polícia local e de outros estados compartilhem suas informações) a ferramenta permitirá o mapeamento mais preciso dos hábitos de transporte da população e acumulará uma imensa base de dados de rostos de paulistanos que, se cruzada com outras bases de dados, pode produzir informações não autorizada.

Na corrida global por retratos bem compostos e definidos, o aplicativo russo FaceApp, usado para simular o envelhecimento, conseguiu largar com boa distância e virou moda no Facebook no Brasil. As pessoas autorizam o uso de sua imagem para projetar sua aparência na velhice. O negócio do FaceApp é basicamente ficar com a foto do usuário em troca da brincadeira. Mas ela pode gerar sérios riscos. O problema desse tipo de sistema é que ele pode expor a vida das pessoas sem que elas necessariamente saibam ou queiram. É preciso tomar cuidado ao autorizar o uso da própria imagem.

IDENTIFICAÇÃO PELA FACE

1. O primeiro passo é a captura do rosto
2. A imagem é convertida em dados, com 1.024 pontos de identificação
3. Sistemas avançados buscam provas biológicas de que se trata de um rosto autêntico, com dilatação de pupila e textura da pele e dos músculos compatíveis a uma pessoa real

GESTÃO E CARREIRA

CAIXINHA DE SURPRESA

Na esteira da tecnologia e da mudança de comportamento do consumidor, clubes de assinatura deslancham no Brasil. Setor cresceu 167% nos últimos quatro anos.

Foi-se o tempo em que os clubes de assinatura eram sinônimo de vinho e cerveja. Nos últimos quatro anos, esse mercado deu um salto de 167% no Brasil. Hoje é possível assinar serviços que entregam de tudo: fralda, meia, café, queijo, brinquedo erótico, cosmético, doce importado, suplemento de algas e ração de cachorro. De acordo com um levantamento da Associação Brasileira do Comércio Eletrônico (ABComm), havia 300 deles ativos em 2014.

Em 2018 já eram 800. Neste ano, a expectativa é que o país registre 880 negócios desse tipo, os quais, juntos, devem movimentar 1 bilhão de reais. Segundo especialistas, dois fatores importantes contribuíram para que o setor deslanchasse. O primeiro foi a popularização de tecnologias de e­commerce. Hoje existem plataformas com valores mensais bastante acessíveis, nas quais o empreendedor consegue fazer do layout da marca à gestão de estoque. ”O modelo de clube de assinatura não é novo, existe há 50 anos. Quando eu era criança, meus pais pagavam a assinatura mensal do Clube do Livro. Na minha opinião, foi a tecnologia mais acessível que transformou essesegmento, permitindo que diferentes atores passassem a atuar nele”, diz Roberto Kanter, professor de marketing na Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O outro fator tem relação como comportamento do brasileiro, que vem comprando mais pela internet. Dados do relatório Webshoppers, produzido pela EbitlNielsen, grupo de pesquisa e análise de dados em comércio eletrônico, mostram que há um aumento do consumo online por aqui. Segundo levantamento de 2018 da consultoria, há 58 milhões de consumidores digitais, um crescimento de 6% em relação ao ano anterior. Ao todo, foram feitos 123 milhões de pedidos pela internet, com tíquete médio de 434 reais, uma alta de 1%. “Nosso grande entendimento é que há um aumento da busca na internet por bens não duráveis e de utilização recorrente. E, nesse sentido, os clubes de assinatura têm uma conveniência. A pessoa define a compra uma vez e tem um combinado, como a entrega recorrente e a confiança de que vão escolher o melhor item para ela, diz Ana Szasz, diretora da EbitlNielsen.

O brasileiro também está mais contestador, consciente e conectado. Ou seja, além de tornar decisões de consumo com mais embasamento, tem à mão o smartphone, a banda larga e o 4G. Sua jornada de consumo é complexa. Ele dá uma passadinha na loja para averiguar a mercadoria e coletar informações. Depois, compara preços no celular e conclui a compra no desktop.

Cientes de que, no mundo digital, um canal de venda retroalimenta o outro, Patrícia e Marcos Saura, donos do clube de assinatura Candy in Box, que entrega doces importados, estão ampliando as possibilidades.

A empresa nasceu em 2016, em plena crise, quando os dois decidiram empreender no setor. Casados há 11 anos, eles sempre experimentaram guloseimas nos países para os quais viajavam. Quando a agência de publicidade da qual eram sócios faliu, decidiram arriscar no segmento de assinaturas – transformando o hobby de garimpar doces em trabalho. Em menos de três anos, a dupla conquistou 3.000 assinantes e um faturamento anual de 3 milhões de reais. Em 2017, para abrir frentes e garantir a sustentabilidade do negócio, a marca passou a atuar também com e-commerce, com venda unitária de produtos, e no ano passado inaugurou sua primeira loja física, no Shopping Ibirapuera, sem São Paulo. “Trabalhamos com importadoras homologadas e recebemos itens de diversos lugares do mundo. Em todas as caixas sempre há doces vindos dos Estados Unidos, do Japão e da Coreia do Sul, que são os que os brasileiros mais gostam de receber”, diz Patrícia, citando as sul-coreanas batatas fritas com sabor de refrigerante como o tipo de coisa inusitada que enviam aos assinantes.

Neste ano, o casal dará mais um passo: entrar no segmento de franquias. Até o fim de 2019, a previsão é abrir dez pontos de venda em todo o país. ”A ideia é que os clientes usem a loja física também para retirada dos doces, barateando o custo da assinatura”, diz Patrícia.

MAIS QUE UM CLUBE

Embora seja uma ferramenta interessante para fidelizar o consumidor, gerar receita recorrente e planejar estoques, especialistas advertem que os clubes de assinatura não devem ser encerrados em si mesmos. “Sempre recomendo às empresas desse mercado que desenvolvam múltiplos canais e modelos de negócios”, afirma Roberto Kanter, da FGV.

Os empreendedores da Ocean Drop, empresa de cápsulas e tabletes nutricionais à base de algas marinhas, sabem disso. Fundada em 2016 na cidade de Balneário Camboriú (SC), a marca tinha só e-commerce. Em fevereiro de 2018, os sócios, todos oceanógrafos, tomaram a decisão de lançar, em paralelo, também um clube de assinatura. No modelo ofertado, o usuário paga a partir de 69 reais, valor cobrado a cada dois meses, e pode selecionar na loja virtual quais produtos deseja receber em casa. Para ajudar as pessoas nesse processo, a empresa criou um teste. Com base em perguntas sobre estilo de vida, saúde e hábitos alimentares, o sistema indica quais artigos vão suprir melhor as necessidades nutricionais. Quem assina tem ainda vantagens como descontos e frete grátis.

Em um ano, a Ocean Drop alcançou 350 assinaturas – a previsão é chegar a 1.000 até dezembro. O clube representa 5% do faturamento, mas a expectativa é que essa fatia seja de 95% em cinco anos. “Acreditamos que o modelo garantirá nossa sustentabilidade. A marca que não possuir uma experiência de fidelização correrá o risco de perder cliente para o concorrente”, diz Murilo Canova Zeschau, cofundador e CEO.

TRABALHAR NA ÁREA

De acordo com o estudo Lifestyle Survey, realizado em 2017 pela Euromonitor, 61% dos internautas brasileiros nunca usaram esses serviços, um indicativo de que há espaço para evoluir. “Não chegamos nem perto da estabilização nesse setor. O acesso aos smartphones ajuda a acelerar as compras online e, por consequência, favorece os clubes”, afirma Rodrigo Bandeira, vice-presidente da Associação Brasileira do Comércio Eletrônico (ABComm).

Não é à toa que boa parte dos estabelecimentos da área cresce – e contrata. O Clube do Malte, que nasceu como uma pequena loja de cervejas importadas em Curitiba (PR), é um dos que estão com vagas em aberto. Com uma estratégia que entrega, além de bebidas, informação sobre o mundo cervejeiro (uma revista mensal vem junto na caixa), o negócio saltou de 300 assinantes, em 2013, para 7.000, em 2018. O quadro de empregados também aumentou. De sete pessoas passou para 30. Atualmente, a companhia fatura 12,3 milhões de reais – 70% da receita vem dos assinantes – e busca profissionais para reforçar o atendimento. “Estamos estruturando um departamento de inteligência comercial. Se o cliente não receber seu pacote, por exemplo, essa área será responsável por se antecipar ao problema e explicar o que ocorreu”, diz Douglas Salvador, CEO do Clube do Malte.

Outro que está recrutando é o Leiturinha, dedicado a livros infantis, cujo time é composto de 350 profissionais. Com aporte da PlayKids, plataforma infantil do grupo Movile, dono do iFood, o clube possui neste momento dez postos em aberto para áreas como marketing, design, tecnologia da informação e UX (experiência do usuário). “Estamos em constante criação de novos produtos, o que demanda contratações recorrentes”, diz o CEO Rodolfo Reis.

A criação mais recente foi o Plano Mini, que custa 19,90 reais por mês, voltado para o segmento popular. Para selecionar os livros que vão chegar às 135.000 famílias cadastradas, o Leiturinha conta com uma equipe de curadoria formada por pedagogos, psicólogos, comunicadores e filósofos. A função desse pessoal é definir as obras de acordo coma fase de cada pequeno leitor. ”Um kit que uma criança de 2 anos recebe é diferente daquele de uma de 8. Fazemos dezenas de combinações”, explica o executivo do clube.

Olhar o assinante de maneira carinhosa e estratégica é essencial num mercado em que o desempenho está atrelado à satisfação do consumidor. Pontualidade e compromisso com a entrega são primordiais, é verdade, mas não bastam. Devem ser oferecidas informações exclusivas, novidades surpreendentes e uma embalagem que encante. “Engana-se quem pensa que só a conveniência de receber algo periodicamente é suficiente”, afirma Marcelo Nakagawa, professor de empreendedorismo no Insper.

É por isso que os funcionários da Omelete Box, clube de assinatura do portal de conteúdo sobre filmes e séries, vive antenado em relação aos principais lançamentos da área. Se existe um blockbuster no horizonte, há todo um planejamento prévio para que as caixas dos clientes contenham algum produto exclusivo da franquia. Ao abrir o pacote de março, por exemplo, os assinantes depararam com uma camiseta com estampa do super-herói Shazam, cujo filme nem sequer havia estreado nos cinemas do Brasil. “A sensação de descoberta com um produto novo é o que proporciona uma boa experiência ao cliente”, afirma Otávio Juliato, diretor de operações do Omelete Box. Otávio, aliás, é um caso típico de profissional que mudou o percurso da carreira para atuar nesse novo segmento.

Contratado em 2012, ele ocupava a função de gerente financeiro de uma empresa de agronegócio em Catanduva, no interior de São Paulo. “Aceitei e me mudei para São Paulo. Tive de começar do zero numa indústria totalmente desconhecida para mim. Mas, como sempre fui apaixonado pela cultura pop e, quando criança, queria ser diretor de cinema, essa foi a oportunidade que encontrei para realizar parte desse sonho”, revela. Junto com uma equipe de 25 pessoas, Otávio é responsável pelo relacionamento com marcas como Disney, Netflix e Warner. Garimpar e negociar com fornecedores é um dos segredos de sucesso de um clube.

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

CAPÍTULO 25 – LANÇANDO FORA AS NOTAS ALTAS E BAIXAS

“Há tantas opiniões quanto existem especialistas.”  — Franklin Delano Roosevelt

PENSAMENTO-CHAVE: Líderes espirituais sábios aprendem como rejeitar o veneno da crítica, mas aprendem com ela, caso haja algo a ser extraído disso.

Lembro-me, quando eu era jovem, de assistir a certas modalidades olímpicas, como patinação e ginástica, em que os juízes faziam a contagem de pontos dos atletas. Existia um painel de juízes de diferentes países, e eles sempre lançavam fora as notas mais altas e mais baixas para determinar a nota final. Pensei a respeito disso à luz do elogio e crítica (especialmente da crítica) que, às vezes, encontramos na vida. Não seria grandioso se nós pudéssemos nos tornar bem desenvolvidos em nossa habilidade de lançar fora a crítica injusta bem como a bajulação que inflama o ego?

Você tem tido alguém no seu pé ultimamente? Você sente que alguém tem sido apontado como o “Apóstolo da Correção” em sua vida? Você tem lidado com uma crítica injusta e desleal? Se a resposta for “sim”, para qualquer dessas questões, então creio que essa informação será útil para você. Se você aprender a lançar fora as notas mais baixas, então você será capaz de focar em quem você realmente é no que você foi chamado para fazer.

Abraham Lincoln certamente teve de lançar fora as notas mais baixas, para liderar de forma bem-sucedida a nação durante a sua presidência. No museu de Lincoln, em Springfield, Illinois, existe uma área chamada “A Galeria do Sussurro”, que é uma galeria escura e distorcida onde vozes cruéis podem ser ouvidas falando contra o presidente. Essas paredes são forradas com artigos de jornais e charges políticas que atacaram caluniosa e cruelmente o presidente e a Sra. Lincoln de formas muito pessoais.

A imprensa se referia a Lincoln como um “babuíno grotesco”, um “advogado do interior de terceira categoria” que uma vez dividiu os trilhos e agora divide a união, um “coringa grosseiro vulgar”, um “ditador”, um “macaco”, um “palhaço” e outros nomes depreciativos. Um dos jornais locais do seu estado até mesmo o chamou de “o político mais astuto e desonesto que já desgraçou uma secretaria nos Estados Unidos”.

Como Lincoln respondeu a essa torrente de ataques? Ele disse: “Se eu estivesse tentando ler, ou muito menos responder, todos os ataques feitos a mim, este escritório poderia ser fechado e trocado por qualquer negócio. Faço o melhor que sei, o melhor que posso; e pretendo continuar fazendo até o fim. Se o fim me mostra que estou errado, dez anjos jurando que fiz o certo não fariam diferença. Se o fim me prova que estou correto, então o que é dito contra mim agora não fará diferença alguma”.

Se Lincoln tivesse guardado essas críticas no coração, eu não acho que ele poderia ter realizado os seus deveres como presidente. Biblicamente falando, Jesus era o objeto e o alvo de tanto ódio que Ele tomou posse de uma passagem do Antigo Testamento que diz: “Odiaram-me sem motivo” (João 12:15). Graças a Deus que Jesus permaneceu focado em continuar a Sua missão a despeito de opiniões e críticas de outros!

JOSÉ

Pense no rancor direcionado a José durante o início de sua vida. Seus irmãos o venderam para a escravidão. A esposa de seu chefe falsamente o acusou e o lançou na prisão. Um homem que José ajudou na prisão (o mordomo de Faraó) rapidamente esqueceu-se de José a despeito das promessas de lembrar-se dele. Se José tivesse guardado essas coisas em seu coração, ele poderia ter sido um homem muito amargo e desmoralizado. Em vez disso, Jacó disse sobre José: “Os flecheiros lhe dão amargura, atiram contra ele e o aborrecem. O seu arco, porém, permanece firme, e os seus braços são feitos ativos pelas mãos do Poderoso de Jacó, sim, pelo Pastor e pela Pedra de Israel” (Gênesis 49:23-24).

Para ter sucesso, José teve de basear sua identidade e senso de destino em uma coisa, e somente em uma coisa: o desígnio de Deus para a sua vida. Ele não poderia alicerçar sua identidade ou senso de destino no modo como seus irmãos o tratavam, na maneira como a esposa de Potifar mentiu a respeito dele, em sua prisão ou no esquecimento do mordomo. A única maneira de vencer o medo da rejeição é valorizarmos a constante aprovação de Deus acima da aprovação condicional das pessoas. As opiniões de outros simplesmente não podem ter permissão para reger as nossas vidas!

DAVI

Em algum momento, o jovem Davi teve de encarar as lanças que Saul havia lançado contra ele. Uma opção era internalizar o trauma e dizer: “Realmente deve ter alguma coisa errada comigo”. A partir desse ponto, sua vida poderia ter culminado em vergonha, inferioridade, autodúvida e humilhação. Se Davi tivesse feito isso, ele teria continuado uma vítima dos caprichos, das inseguranças e da paranoia de Saul. A outra opção era dizer a si mesmo a verdade e entender que as lanças eram lançadas contra ele devido ao problema que Saul tinha com ele mesmo. Isso teria feito Davi perceber que a ira de Saul não era um reflexo da sua dignidade ou valor, mas em vez disso, era meramente uma expressão da disfunção interna não resolvida do próprio Saul.

PAULO

Outro personagem bíblico intensamente criticado foi o apóstolo Paulo. Até mesmo os crentes em Corinto registraram sua opinião inconstante sobre Paulo, relativo a outros ministros, fazendo de Paulo uma parte indesejada em uma briga de popularidade. Imagine o relógio correndo na borda da tela: “Se você considera Paulo melhor do que Apolo ou Pedro, disque 0800-SIM- PAULO”. Qual era a atitude de Paulo diante desses julgamentos? Ele não era movido pelas críticas ou bajulações.

Todavia, a mim mui pouco se me dá de ser julgado por vós ou por tribunal humano; nem eu tampouco julgo a mim mesmo. Porque de nada me argúi a consciência; contudo, nem por isso me dou por justificado, pois quem me julga é o Senhor.  — 1 Coríntios 4:3-4

Pouco importa o que vocês pensem ou digam a meu respeito. Eu não me avalio. Nesse caso, os rótulos são irrelevantes. Desconheço algo que me desqualifique na minha tarefa para com vocês, mas isso não quer dizer muita coisa. O Senhor é quem faz este julgamento.  — 1 Coríntios 4:3-4 (A Mensagem)

Kenneth E. Hagin disse: “Paulo cresceu na graça a tal medida que procurou recomendar-se somente a Deus. Ele não era influenciado ou afetado pelo que outros pensavam dele. Ele não se colocava em prisão por causa de alguém. Isso não era uma independência carnal, mas uma dignidade santa. A lei do amor o governava. Ele não ficava facilmente ensoberbecido, nem era melindroso ou ressentido. Seu espírito, onde o amor de Deus foi derramado, o dominava. Crentes imaturos se sentirão menosprezados ou ensoberbecidos. Se eles são criticados, ou imaginam que estão sendo, ficam inquietos, apreensivos e com pena de si mesmos. No entanto, se eles são observados e apreciados eles se sentem exaltados e cheios de importância própria. Cristãos infantis são autoconscientes. E até mesmo conscientes do que os outros acham deles. Portanto, eles são infantilmente ‘inconstantes’ popularmente falando. O crente maduro é consciente de Deus. E até mesmo consciente do que a Palavra de Deus diz sobre ele e para ele. Porque ele é capaz de testificar com Paulo: ‘É uma coisa muito pequena eu ser julgado por vós ou pelo julgamento do homem’, ele é livre para andar e dar voz as suas convicções”.

Em um nível prático, deveríamos sempre estar abertos a melhorias. Isso pode envolver aprender e tirar vantagem até mesmo da crítica. Contudo, na essência de quem somos, nunca devemos permitir que qualquer crítica diminua o nosso valor intrínseco e infinito como filhos de Deus. Nunca devemos dar a outros o direito de rebaixar o nosso valor ou invalidar o nosso destino. Deus é Aquele que nos chamou, e Ele é Aquele a quem teremos que responder por último.

O que pode nos fazer vulneráveis às críticas de outros? Com frequência, o medo do homem. Somos chamados para andar no temor reverente do Senhor, não para sermos intimidados e paralisados pelo medo do homem. Eu amo a atitude de Billy Sunday. Ele disse: “Se você acha que alguém vai me assustar, você não me conhece ainda”.

Quem teme ao homem arma ciladas, mas o que confia no SENHOR está seguro.  — Provérbios 29:15

Temer o homem vai além de temer o mal físico. Muitos temem rejeição, ridículo ou desaprovação. Alguns até mesmo tornam-se “viciados em aprovação”, perseguindo obsessivamente a aprovação humana a qualquer custo, e remoendo ansiosamente o que outros pensam sobre eles. De fato, a versão A Mensagem parafraseia Provérbios 29:25: “O medo da opinião dos homens pode paralisar; a confiança no Eterno o protegerá disso”.

Isso me faz pensar muito melhor o quanto o corpo de Cristo, crentes e líderes, têm sido paralisados e temos tido nosso potencial minimizado devido ao medo do homem. Um exemplo clássico de medo do homem é encontrado na maneira como certos indivíduos respondem a Jesus.

Contudo, muitos dentre as próprias autoridades creram nele, mas, por causa dos fariseus, não o confessavam, para não serem expulsos da sinagoga; porque amaram mais a glória dos homens do que a glória de Deus.  — João 12:42-43 (NLT)

Quando indivíduos são regidos pelo medo do homem, eles irão recolher suas próprias convicções e violar sua própria consciência. Podemos perceber a partir desse versículo (e talvez por meio das nossas próprias experiências e observações), que a pressão do grupo não afeta apenas adolescentes. Se somos vencidos pelo medo da opinião humana, é porque provavelmente temos magnificado o homem e minimizado Deus em nossos pensamentos.

Eu, eu sou aquele que vos consola; quem, pois, és tu, para que temas o homem, que é mortal, ou o filho do homem, que não passa de erva? Quem és tu que te esqueces do SENHOR, que te criou, que estendeu os céus e fundou a terra, e temes continuamente todo o dia o furor do tirano, que se prepara para destruir? Onde está o furor do tirano?  — Isaías 51:12-13

Quando reverenciamos a Deus de forma apropriada em nossas vidas e entendemos que a opinião Dele é aquela que importa finalmente, iremos evitar o laço, a deficiência e a paralisia que vêm do servilismo diante da desaprovação do homem.

Jesus demonstrou grande maturidade, até mesmo quando tinha 12 anos de idade. Quando Seus pais finalmente O acharam no templo, Maria falou com Jesus com muita emoção. Lucas 2:48 descreve sua fala: “Filho, por que fizeste assim conosco? Teu pai e eu, aflitos, estamos à tua procura”.

Nem todos respondem bem a tal declaração, mas a resposta de Jesus revela muito:

•   Ele não respondeu com arrogância. A arrogância teria dito: “Eu farei o que eu quiser, quando eu quiser, e como eu quiser e não quero mais nenhuma palavra sua”.

•   Ele não respondeu desculpando-se. Uma desculpa poderia ser: “Desculpe-me. Eu nunca farei algo para chateá-los”.

•   Ele não respondeu com assertividade. Jesus simplesmente disse (Lucas 2:49): “Por que me procuráveis? Não sabíeis que me cumpria estar na casa de meu Pai?” Jesus era tão seguro, calmo, confortável e confiante na aceitação e aprovação de Deus, que não precisou responder com arrogância ou se acovardar em intimidação.

Se estivermos inseguros sobre o amor e a aceitação do Pai, então tentaremos preencher esse vazio em nossas vidas com a aprovação das pessoas. O problema aparece quando reconhecemos que o amor e a aprovação do homem são tipicamente condicionais, inconstantes e temporais. Como resultado, nunca estamos verdadeiramente seguros porque o amor do homem é sujeito à mudança. Contudo, o amor de Deus é incondicional, imutável e eterno. Nele, achamos verdadeira segurança. Por isso é tão melhor para nós andarmos no temor reverente e admiração por Deus, do que ser uma “montanha-russa” emocional em busca da aprovação do homem.

Deus disse: “Eu nunca os deixarei e jamais os abandonarei”. Portanto, sejamos corajosos e afirmemos: “O Senhor é quem me ajuda, e eu não tenho medo. Que mal pode alguém me fazer?”  — Hebreus 13:5-6 (NTLH)

Esse é o tipo de confiança que todo filho e servo de Deus deveria ter. É importante entender que a liberdade do medo do homem não envolve ter uma atitude altiva que diz: “Bendito seja Deus, eu não ligo para o que qualquer pessoa pensa ou diz sobre mim”. É tão maravilhoso ter segurança na aceitação de Deus que você não se encolhe diante da rejeição ou desaprovação humana. Contudo, é outra coisa ter uma atitude rebelde, arrogante, carnal e independente que o leva a descuidar e desrespeitar outros.

Para entender apropriadamente qual deveria ser a nossa posição, não apenas precisamos observar a perspectiva de Paulo em 1 Coríntios 4:3 (… pouco me importa como eu posso ser avaliado por vós), mas também precisamos ouvir o sábio equilíbrio que ele expressou posteriormente no mesmo livro.

Portanto, quando vocês comem, ou bebem, ou fazem qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus. Vivam de tal maneira que não prejudiquem os judeus, nem os não-judeus, nem a Igreja de Deus. Façam como eu. Procuro agradar a todos em tudo o que faço, não pensando no meu próprio bem, mas no bem de todos, a fim de que eles possam ser salvos.  — 1 Coríntios 10:31-33

Paulo se contradisse? Sabemos que Paulo disse em outro lugar (Colossenses 3:22) para não sermos alguém que agrada às pessoas, mas agora ele descreve como ele sempre tenta agradar a todos. Isso pode parecer um tanto paradoxal, mas não é contraditório. Na verdade, Paulo está falando sobre duas questões diferentes.

Em 1 Coríntios 10, Paulo não está descrevendo uma insegurança ou um medo alicerçado na perseguição pela aprovação para o seu próprio benefício, mas em vez disso, um esforço, fundamentado no amor, para servir a outros para o benefício deles.

Observe os qualificadores de Paulo:

•   Primeiro, ele diz que deveríamos fazer as coisas para a glória de Deus.

•   Segundo, ele diz que deveríamos evitar ofender ou ser um obstáculo desnecessário que afasta as pessoas de Deus.

•   Terceiro, vemos Paulo buscando agradar a outros (não apenas a ele mesmo). Ele faz isso não pelo seu próprio benefício pessoal (para satisfazer uma necessidade em sua própria vida), mas para o benefício de outros a fim de que eles possam ser salvos.

Como você tem feito com as opiniões dos outros? Há algumas notas baixas, até mesmo vozes para diminuí-lo vindas do passado, que você precisa lançar fora? Tem existido alguma “conversa fiada” lançada no seu caminho que você precisa se levantar sobre ela? Há algum elogio, uma nota alta que você precisa ignorar?

Lembre-se de que você é simplesmente quem Deus disse que você é e quem Deus o criou para ser. Você não tem razão para se sentir inferior, e nenhuma razão para se ensoberbecer.

Você é uma pessoa de grande valor porque Deus diz que você é. Você tem um grande potencial porque Ele o tem presenteado e chamado. Ande nisso, e se mantenha livre da prisão do medo das pessoas.