A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A DOENÇA DA INCONSTÂNCIA

O transtorno bipolar ainda é uma doença cercada de preconceitos e o diagnóstico nem sempre é fácil; o tratamento deve tanto prevenir as crises quanto controlar os sintomas agudos

Antes do enigma, a ignorância. A pessoa com transtorno bipolar (TB) recebe o diagnóstico pela primeira vez, em média, só dez anos após as primeiras tentativas de tratamento. Antes disso, pode concluir ou ser informada de que sofre dos mais variados problemas, como dependência de drogas, obesidade, distúrbios de caráter e de personalidade, transtorno do pânico. O diagnóstico mais comum é, com certeza, o de depressão.

No caso, depressão unipolar. Infelizmente, ainda são poucos os profissionais da saúde que conhecem o quadro suficientemente bem e podem oferecer orientação adequada para diminuir a angústia tanto do paciente quanto de parentes e amigos.

O TB é traiçoeiro, os sinais e sintomas podem ter inúmeras manifestações num mesmo paciente e variar muito de uma pessoa para outra. Em geral, quem sofre do transtorno tem dificuldade em dedicar-se à carreira profissional, manter a produtividade e o equilíbrio na vida afetiva e cultivar relacionamentos duradouros. Os afetados pelo distúrbio não têm controle do que pensam ou falam durante os períodos de manifestação da doença.

O tratamento medicamentoso é fundamental e complexo, pois exige duas estratégias: a profilaxia (prevenção das crises) e o controle dos sintomas agudos; o acompanhamento psicológico é fundamental para uma boa evolução a longo prazo. A boa notícia é que a abordagem adequada pode garantir uma vida praticamente normal, principalmente se a doença for diagnosticada na fase inicial. Mas quanto mais cedo e mais profundamente o paciente e sua família entenderem o TB, maior a chance de conseguir controlar a doença e tornar suas consequências menos nocivas. E, nesse caso, a informação pode ser considerada parte fundamental do tratamento. É fundamental que as pessoas implicadas na situação sejam informadas de que o TB é uma doença crônica, com causas biológicas (genéticas e outras) associadas a fatores ambientais.

LOUCO, EU?

O diagnóstico de doença mental faz emergir uma série de preconceitos associados a essa condição: incurabilidade, desfiguramento da personalidade, incapacidade de gerir a própria vida, isolamento forçado da sociedade, perda da liberdade e do livre-arbítrio. Essa imagem é tão arraigada em nossa cultura que pode ser exemplificada pelo modo estereotipado como os meios de comunicação a apresentam, principalmente nas novelas. Personagens que sofrem de doença mental podem ser divididos, de forma geral, em dois tipos, os do primeiro grupo são os que nasceram ou sempre foram “loucos”; em geral são “bonzinhos” e, ocasionalmente, podem ter percepções inteligentes (ou até geniais); os do segundo tipo são vilões e podem ter três destinos padronizados: no final, admitem a culpa e se retratam, são presos, ou, quando a maldade é excessiva, ficam loucos e são trancados em manicômios “pelo resto da vida”. Fica claro, por esse padrão, que a pior pena é ter uma doença mental, a loucura é irreversível e a pessoa louca seria, em princípio, má. A imagem do doente mental como alguém desprezível faz com que muitos ainda hoje reajam de maneira exaltada, e até raivosa, quando se sugere que consultem um psiquiatra – ou um psicólogo. A resposta mais comum é: “Eu? Mas não sou louco!”.

É compreensível, portanto, que frequentemente seja questionado o status de doença mental do transtorno bipolar. Afinal, o paciente apresenta reações exacerbadas comuns, que uma pessoa saudável também poderia ter. Qualquer um é capaz, por exemplo, de reagir com raiva diante de frustrações ou injustiças. Porém, o paciente bipolar pode se deprimir ou ficar excessivamente agressivo. Muita gente também já gastou um pouco mais de dinheiro do que pretendia, ou ficou amuada por ter recebido uma notícia ruim. Mas a pessoa com TB vai além: gasta enormes quantias sem nenhum planejamento, a ponto de envolver-se em dívidas para adquirir produtos dos quais não necessita ou, ao receber uma notícia desagradável, fica de cama. Mas como reações exacerbadas podem distinguir uma pessoa com transtorno bipolar? Não seria apenas uma reação peculiar de cada indivíduo, puramente psicológica, sem resultar de alguma lesão ou falha no funcionamento cerebral? Atualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece o transtorno bipolar como doença. Para ser concebido assim, é preciso que o quadro tenha causas orgânicas bem estabelecidas; sua evolução no tempo e implicações físicas devem ser conhecidas, bem como as possibilidades de tratamento dos sintomas. A maior dificuldade, porém, é definir seus limites, que dependem de avaliações clínicas baseadas em sintomas e sinais, uma vez que não há ainda exames laboratoriais que possam dar o diagnóstico definitivo de transtorno bipolar.

A principal característica do TB é a instabilidade de várias funções cerebrais, que podem ser percebidas na alteração do humor, variando da tristeza profunda à alegria excessiva, transparecendo na ansiedade e irritabilidade que em pouco tempo podem se converter em apatia. Essas variações aparecem associadas à instabilidade do funcionamento do cérebro, tanto no armazenamento de informações (memória) como no controle da atenção (distração excessiva).

É possível haver variação do pessimismo exagerado ao otimismo incontrolável, e a velocidade do pensamento pode aumentar ou diminuir. Alterações no sono e no apetite, tanto para excesso como para falta, também são comuns. Nessas situações, sistemas hormonais costumam ficar desorganizados, refletindo um ritmo biológico caótico ou cíclico, e, não raro, o paciente troca o dia pela noite. Observa-se também diminuição ou aumento excessivo de fundamental para que o ser humano se adapte a situações ambientais que mudam com frequência e exigem acomodações como, eventualmente, dormir mais tarde para participar de um evento social ou terminar de redigir um artigo.

No organismo do paciente com transtorno bipolar esses sistemas de controle funcionam de forma inadequada, o que permite “escapes” e acarreta descontroles, acabando por desorganizar outras funções corporais. As pessoas consideradas saudáveis costumam apresentar pequenas variações nas funções corporais, que se adaptam às exigências do ambiente, enquanto os pacientes bipolares apresentam grandes alterações, que se tornam incompatíveis com os acontecimentos externos. Portanto, é completamente aceitável (e até um sinal de saúde mental) que se sintam, reconheçam e expressem alegria e tristeza, em graus variados, desde que esses sentimentos, deflagrados por fatores externos ou subjetivos, se apliquem ao contexto – e tenham intensidade compatível à situação. No caso dos pacientes com transtorno bipolar, quanto mais as funções que regulam os estados de humor estiverem desorganizadas, mais grave e mais complexo o quadro clínico se apresenta.

Existem duas denominações utilizadas para o distúrbio: transtorno afetivo bipolar e transtorno bipolar do humor, este último considerado atualmente o termo mais adequado. Essa diferença de nomenclatura se dá por causa dos conceitos de afeto e amor, que são tecnicamente diferentes. De maneira simples, o primeiro se refere às emoções que surgem rapidamente diante da alteração de uma situação específica – como o sentimento de alegria quando se ganha um presente, tristeza ao saber que foi mal numa prova, irritação no momento em que o time adversário faz um  gol numa final de campeonato ou medo quando alguma dor surge de repente e se pensa na possibilidade de ser vítima de uma doença grave. Já louvores se referem a estados emocionais mais prolongados, que duram horas, dias ou semanas, e podem influenciar a forma de pensar e agir do indivíduo. Um exemplo seria o humor depressivo. Entre outras manifestações, pudemos pensar nesse quadro da seguinte  forma: sem motivo aparente, a pessoa acorda vários dias seguidos desanimada, como se a tristeza fosse o pano de fundo de sua vida, as impressões a seu próprio respeito se tornam mais negativas e críticas, ou ela acredita que os colegas ou parentes a avaliam de modo negativo, depreciativo.

O conceito de “transtorno bipolar” é centrado nas alterações do humor – um de seus polos é o humor depressivo e outro, o eufórico. Entretanto, não é só o humor que fica alterado no transtorno bipolar. Muitas outras funções cerebrais e extra cerebrais sofrem mudanças, como as relacionadas aos ritmos biológicos, ao controle dos movimentos corporais (com predomínio de agitação ou lentidão do corpo), das funções de memória e de concentração mental, da impulsividade e dos desejos e das vontades, inclusive do prazer, tanto das pequenas coisas da vida (cuidar da casa, hobbie,) quanto do desejo sexual. O TB seria mais bem compreendido como a doença das instabilidades, sendo a do humor a mais perceptível.

Um aspecto muito bem descrito e sistematizado a respeito do transtorno é a definição das crises, fases ou “episódios” de humor, quando muitos sintomas surgem, definindo um quadro específico. Recentemente, vêm sendo estudadas e descritas com mais detalhes as características que aparecem entre as crises, como temperamentos do tipo irritável, hiperativo, depressivo, impulsivo e as consequências no cotidiano desse modo de ser instável, como dificuldades de relacionamento, de permanecer em um emprego ou manter amizades duradouras.

Embora o TB comporte quatro tipos de episódios patológicos – caracterizados como depressivo, hipomaníaco, maníaco e misto -, pode ser considerado, basicamente, uma doença depressiva, pois a maioria dos pacientes passa grande parte de sua vida nesse polo da doença. Existem, porém, formas mais leves de manifestação desses episódios, nas quais se misturam características da própria pessoa, parecendo compor uma estrutura de base, um temperamento que se manifesta na infância ou na adolescência e se confunde com o “jeito de ser” do indivíduo.

FACES DA DEPRESSÃO

Além da conotação patológica, a palavra “depressão”, em geral, traz à memória das pessoas as fases ruins da vida. Em alguns contextos, o termo é usado de modo abrangente em analogia com os períodos de crise econômica. Também se tornou comum usar a palavra como sinônimo de tristeza, desespero ou angústia. A depressão costuma ser deflagrada por uma perda significativa como a morte de um ente querido, a perda do emprego, uma desilusão amorosa, ou mesmo numa fase da vida altamente estressante por causa do trabalho ou de problemas familiares. Estimativas da OMS a apontam como a doença psiquiátrica mais diagnosticada anualmente, ocupando o quarto lugar entre os principais problemas de saúde do Ocidente. Só no Brasil se estima que aproximadamente 10 milhões de pessoas sofrem de depressão.

O fato é que, do ponto de vista clínico, a depressão afeta a forma de o indivíduo pensar, agir e ser e deve ser encarada como um problema de saúde que afeta não só o cérebro e o estado psicológico, mas também praticamente todo o organismo.

A tristeza, característica frequente da depressão, é uma experiência universal. É uma emoção experimentada de maneira negativa, desagradável, que, do ponto de vista evolutivo, parecesse vir como um “aprendizado”, para que, no intuito de não revivê-la, o indivíduo evite situações desagradáveis no futuro. Em termos gerais, podemos pensar que, se um aluno tira uma nota baixa na escola, a tristeza de passar por essa situação, associada ao fracasso, o levaria a reavaliar sua forma de estudo, para que não recebesse avaliação ruim novamente. Segundo talteoria, a tristeza deflagra o movimento introspectivo, as pessoas se isolam um pouco do mundo externo “recolhendo-se” para refletir sobre como a situação desagradável aconteceu e como seria possível proceder para que não voltasse a ocorrer. Dessa maneira, a tristeza ajudaria no processo de amadurecimento, nos preparando para enfrentar melhor uma vida que é, por natureza, repleta de perdas e frustrações inevitáveis.

Ela pode surgir no dia-a-dia, como resultado de algo ruim que ocorreu, ou quando lembranças de fatos passados a provocam. Em geral, nesses casos, tem pequena intensidade e curta duração. O estado mais insistente, chamado de humor depressivo, contamina a percepção do que se passa naquele período. Uma situação habitual do cotidiano, como ver uma criança pedindo esmola numa esquina, pode ser percebida de maneira mais angustiante se o indivíduo estiver com o humor depressivo, ao passo que, em outro momento, essa mesma situação causaria mal-estar passageiro, indiferença, ou até raiva.

O humor depressivo, geralmente associado a uma perda, costuma aparecer vinculado a um mal-estar físico, como um resfriado ou com a fase pré-menstrual. Muitas vezes pode vir com sensações físicas, como inquietação, ansiedade, vontade de chorar, sensação angustiante depressão ou de peso no peito.

Mas até que ponto esse sentimento pode ser considerado normal, e quando passa a ser psicológico, ou seja, ser sintoma de depressão? Embora não seja um critério muito preciso, é possível levar em conta seu tempo de duração. A tristeza torna-se preocupante, por exemplo, se ela predominar em grande parte do dia do paciente, ou se ocorrer na maioria dos dias. Sua intensidade é um critério bem pouco preciso, pois cada um tem a sua própria “medida” para avaliá-la,e o que é intenso para um seria quase imperceptível para outro. Além disso, ela pode variar de acordo com o momento do dia, podendo, assim, distorcer a percepção de intensidade. Uma pessoa que recebe uma notícia ruim pode sentir uma angústia profunda, que dura alguns minutos, e se lembrar de ter tido um dia muito triste. Já outra, que sente tristeza moderada todos os dias, quase o tempo todo, pode considerar essedia normal, igual ao anterior ou ao da semana passada, em que também estava triste.

Porém, quando acontece de a pessoa ficar chorando, frequentemente, por motivos que aparentemente não se justificam, ou quando sente angústia, numa imensidade difícil deser tolerada, algo que claramente afete seu cotidiano, essa tristeza pode ser considerada excessiva. Em geral, as pessoas têm mais dificuldade para diferenciar a tristeza chamada normal de sua manifestação patológica (típica da depressão) quando ela surgirapós um evento justificável, como a perda de um ente querido, o que poderia justificar plenamente uma tristeza mais intensa e duradoura. Embora esse tipo de situação acabe provocando grande tristeza na maioria das pessoas, passadas algumas semanas ou meses (dependendo do caso), a tendência é que o indivíduo retome suas atividades, apesar da dor da perda e da saudade. Quando essa tristeza se prolonga e, principalmente, se a tristeza interfere na vida do indivíduo, provavelmente se trata de um sintoma patológico.

Muitas vezes, a pessoa que sofre de tristeza patológica tem dificuldade de admitir que está doente e justifica sua condição com argumentos como desemprego, solidão, dificuldades financeiras ou a incompreensão de pessoas importantes em sua vida. O que essa pessoa raramente percebe é que outros passam por circunstâncias similares e podem reagir de outras maneiras – e que várias dessas situações podem ser consequência e não causa da melancolia.

RISCOS DA MANIA

O termo “mania” costuma ser entendido pelos leigos como um comportamento inusitado e repetitivo. Já “maníaco” descreve aquele indivíduo que tem comportamentos extremamente desviados da normalidade aceita, geralmente associados a perversões. Para profissionais da área da saúde, porém, o termo “mania” representa o polo eufórico do transtorno de humor. O curioso é que, apesar de a euforia excessiva ser muito característica e evidente nesses quadros, ela nem sempre está presente num episódio maníaco. Os sintomas mais comuns são irritabilidade (que pode derivar para agressividade ocasional) e hiperatividade. Outros sintomas da mania são a diminuição da necessidade de sono, autoestima repentinamente elevada, fala excessiva, dificuldade em focar a atenção e envolvimento com atividades prazerosas, porém perigosas – como compras e gastos excessivos, atos impulsivos, uso de drogas, indiscrições e aumento da atividade sexual.

O paciente em mania não percebe a própria alteração, tem a impressão de estar extremamente bem, como se vivesse a melhor fase de sua vida. Para ele, são os outros que têm problemas. Em alguns casos, a pessoa nesse estado, com agressividade e impulsividade exacerbadas, precisa ser protegida de si mesma, já que nessa fase do transtorno pode cometer atos dos quais se arrependerá no futuro, daí a necessidade de internação em determinadas situações. É comum que, a pós o término de uma crise de mania, o paciente se envergonhe de suas atitudes.

A euforia pode ser definida como uma alegria excessiva e exagerada, que se mantém independentemente dos acontecimentos externos. A pessoa nesse estado apresenta otimismo exacerbado e se relaciona com pessoas com muita facilidade, principalmente quando se trata de estranhos. Nas formas mais graves, chega a acreditar que pode ser famosa. É comum que ocorram mudanças súbitas de humor, quando se lembra, por exemplo, da morte da mãe, irrompe em prantos, para depois de alguns minutos continuar a rir.

A pessoa tenta fazer muitas coisasao mesmo tempo, tem dificuldade para ficar parada, não consegue se concentrar em uma única atividade e se distrai com facilidade. Alguns chegam a apresentar ilusões auditivas ou visuais e manifestar comportamentos paranoicos. Esses sintomas podem ser confundidos com os de esquizofrenia, principalmente se ocorrem no início da doença. Também há probabilidade de surgir crises deansiedade, de pânico (com mal-estar físico pronunciado: sudorese, taquicardia, falta de ar, vertigem etc.) ou sintomas obsessivos. Nem todas essas manifestações aparecem em uma crise de mania, mas podem dificultar o diagnóstico.

Tecnicamente, a hipomania é uma fase de mania mais leve, com os mesmos sintomas, porém menos intensos e evidentes. Na prática, pode ser considerada “invisível”, pois em geral passa despercebida e pode ser interpretada como umafase de maior produtividade no trabalho, criatividade e socialização. Mas há um fato relevante: a hipomania é um indicador de que a pessoa sofre de transtorno bipolar.

ESTADOS MISTOS

Os sintomas do transtorno bipolar nem sempre se apresentam em bloco, como típicos de depressão ou mania/hipomania. Comportamentos maníacos podem aparecer no meio de um episódio depressivo – e vice-versa. Quando existe essa “mistura”, o reconhecimento e o tratamento ficam confusos, com quadros depressivos em que a agitação é marcante, que podem piorar com o uso de antidepressivos, e manias com ideiasdepressivas que são confundidas com depressão. No começo do século XX, o psiquiatra alemão Emil Kraepdin, que definiu a base dos diagnósticos psiquiátricos atuais, já tinha descrito uma série de variações dos chamados “estados mistos”. Trata-se de um a forma potencialmente grave do transtorno, pois, quando há mistura de agitação e pensamentos de morte temperados com grande impulsividade, o risco de ocorrer suicídio é enorme.

OUTROS OLHARES

SARAMPO TEM PREVENÇÃO

A vacina livra as pessoas da doença. Então, por que mesmo em lugares como São Paulo, onde as autoridades da saúde atuam com eficiência, a maioria da população não procura se proteger e acaba proliferando a contaminação?

É caótico o quadro geral da saúde pública no Brasil, e deve-se isso, sobretudo, a ineficiência das autoridades que atuam nessa área no âmbito federal. Vem ocorrendo, no entanto, em estados e cidades cujos responsáveis agem com seriedade e rigor nesse campo, um fenômeno que nos leva à perplexidade, principalmente por ser fruto de um questionável comportamento de parte da população — aquela que se manifesta contrariamente ao método de imunização por meio de vacinas, sem que exista para tal atitude o menor embasamento científico. Vale observar, ainda, que tal repulsa à vacinação raramente se dá nos estamentos sociais mais carentes de recursos e informação, mas se manifesta, isso sim, nas classes sociais que possuem fácil acesso ao esclarecimento e melhores condições de vida. Nos últimos dias, na cidade de São Paulo vê-se um assustador aumento nos casos de sarampo, apesar de as autoridades que respondem pela saúde pública estarem cuidando corretamente do caso e disponibilizando à população fartos lotes de vacinas.

De meados de junho até a quarta-feira 24 a escalada da epidemia bateu na casa dos 1.034%. O público alvo da vacinação está na faixa etária entre os quinze e os vinte e nove anos, porque é composto de pessoas que já nasceram em uma época na qual essa grave doença estava erradicada no País — ou, pelo menos, sensivelmente enfraquecida. A meta de cobertura vacinal corresponde a três milhões de indivíduos, e há doses para se chegar a esse objetivo. Absurdamente, porém, não mais que cento e oitenta mil pessoas se vacinaram, frisando-se que até em estações do metrô instalaram-se postos e equipes. É como se fosse necessário implorar para que o chamado à prevenção seja atendido, quando está em jogo uma enfermidade que pode deixar graves sequelas, afetar o sistema neurológico e matar. “O público alvo é justamente o que menos está procurando os postos de vacinação”, diz a médica Marta Lopes, professora do Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da USP.

FALSA CIÊNCIA

A fábula de que vacina faz mal nasceu, por ironia do destino, em uma das mais conceituadas publicações científicas do planeta: a revista “Lancet”. Induzida a erro, ela publicou em 1998 um artigo do médico inglês Andrew Wakefield, associando vacinas ao autismo. Descobriu-se que Wakefiled agia em má fé, a revista desculpou-se, mas o fato é que movimentos contrários à imunização se alastraram na Europa, nos EUA e desembarcaram no Brasil. Na questão específica do sarampo, erradicado no País em 2016 e agora outra vez atuante (provavelmente a partir de navios infectados que ancoraram no porto de Santos, no litoral paulista, e do fluxo de aviões), só está imunizado naturalmente quem já o contraiu quando criança. Pressupõe-se que indivíduos com mais de sessenta anos estejam nessa situação, e os mais jovens não, porque quando nasceram o sarampo era “coisa do passado”. Na verdade, é uma moléstia do presente. E tem-se como se precaver. “A vacina é eficaz no mundo inteiro”, diz a professora Marta. No Brasil, no ano passado, foram notificados cerca de dez mil casos, e 2019 ameaça ser pior. Cabe às pessoas, que vivem em locais onde se fornecem vacinas, como São Paulo, cuidarem de si e de seus familiares — cuidados, aliás, que pais têm de exercer em ralação a filhos por força de lei.

GESTÃO E CARREIRA

PLANO ESTRATÉGICO DE VIDA

Para que possamos estabelecer esse projeto é fundamental conhecer nossas forças e fraquezas e quais oportunidades e ameaças elas nos proporcionam

A palavra estratégia vem do grego e significa plano, método, manobra para alcançar um objetivo ou resultado. Em sua origem, “estratégia estava intimamente ligada à arte de fazer a guerra”. Hoje, porém, o termo é aplicado em diversas áreas e, em linhas gerais, “preparação para a defesa contra determinada ameaça”. No contexto do Coaching, ter estratégia é ter um plano para lidar com possíveis ameaças internas e externas provocadas por nossas forças e fraquezas.

Não conhecer nossas forças é desperdiçar potencialidades e desconhecer nossas fraquezas nos leva a atitudes de autossabolagem. Estamos falando aqui do que no planejamento estratégico empresarial é conhecido como análise ambiental. Nesse passo do planejamento, as empresas identificam e analisam as ameaças e oportunidades presentes no mercado em função de seus pontos fortes e fracos. No início da década de 1970 surgiu nos Estados Unidos uma ferramenta chamada matriz SWOT que, de lá para cá, vem auxiliando bastante as empresas a mapearem e conhecerem o ambiente em que se encontram e suas reais possibilidades e expectativas de sucesso. A sigla deriva da junção das primeiras letras das palavras forças, fraquezas, oportunidades e ameaças em inglês. Essa ferramenta também se mostra igualmente eficaz na elaboração de nossos planos estratégicos de vida.

Para utilizar a matriz SWOT (ou FOFA, em português), precisamos, primeiramente, realizar um mergulho interior para que identifiquemos e listemos nossas forças ou pontos fortes ou potencialidades. Responder às questões que se seguem ajuda bastante nesse processo. Funciona, também, fazer essas perguntas a pessoas francas em quem confiamos.

(1) Quais são minhas maiores qualidades, dons e talentos?

(2) Quais são os valores éticos que orientam minha vida?

(3) Quais são os meus maiores diferenciais, aquilo que se destaca positivamente em mim?

Em segundo lugar, precisamos enumerar nossas fraquezas. Esse passo costuma ser difícil porque, em geral, tendemos a não ter plena consciência de nossas fragilidades. As perguntas que devem nos guiar nessa tarefa são as seguintes:

(1) Quais são as atitudes que prejudicam o meu crescimento?

(2) Como meus pensamentos e crenças sabotam o meu sucesso?

(3) O que faz com que eu me sinta desconfortável comigo mesmo?

Após relacionarmos nossas forças e fraquezas, precisamos listar quais oportunidades e ameaças podem decorrer delas. É necessário também observar que oportunidades não nascem apenas dos pontos fortes. Podemos enxergar oportunidades a partir de nossas fraquezas. A falta de fluência num idioma, listada como fraqueza, pode oportunizar conhecer pessoas interessantes nas aulas de conversação. Da mesma forma, ameaças podem surgir de nossos pontos considerados fortes. Uma personalidade firme e determinada que facilita a liderança pode dificultar a participação das pessoas no processo.

O importante num plano estratégico pessoal é traçarmos um “plano de ataque” com estratégias para potencializar as oportunidades e um “plano de defesa” com ações que possam minimizar as ameaças e as dificuldades que elas podem trazer. A falta desse planejamento nos deixa passivos diante das marés e das ondas e, principalmente, nos torna corpos flutuantes, facilmente levados pelas correntes da vida.

Um Plano Estratégico de Vida deve ser construído em três dimensões:

pessoal (família, amor, saúde, realizações pessoais etc.),

profissional (formação, promoções, mudança de área etc.) e

financeira (recursos para viabilizar os objetivos).

Em cada área, devemos construir um objetivo principal para os próximos três, cinco ou dez anos. Os “planos de ataque e de defesa” irão maximizar nossas possibilidades de sucesso e, por fim, os planos de ação específicos irão viabilizar nossa chegada.

É importante construirmos planos de ação para cada passo importante que leva à concretização do objetivo. Se pretendemos, por exemplo, mudar de área de atuação profissional, precisamos escalonar esse propósito em passos menores e complementares como por exemplo:

(1) fazer cursos de formação na área;

(2) interagir com grupos profissionais; e

(3) buscar realocação na área.

A falta de um escalonamento lógico faz com que nossos objetivos pareçam inatingíveis ou mais difíceis do que realmente são.

Outra questão fundamental na elaboração de nosso plano estratégico de vida é mantermos o equilíbrio na busca dos objetivos das três áreas (pessoal, profissional e financeira). A concentração de esforços numa única área da vida leva ao desequilíbrio. Precisamos dar igual atenção a nossa vida pessoal, profissional e financeira para que possamos contar com o equilíbrio que nos possibilitará envidar esforços para concretizar os objetivos mais importantes. O equilíbrio para lidarmos com as possíveis frustrações do caminho também é importante. Viver com metas e com estratégias para alcançá-las costuma ser o principal método das pessoas de sucesso.

JÚLIO FURTADO – é professor, palestrante e coach. É graduado em Psicopedagogia, especialista em Gestalt-terapia e dinâmica de grupo. É mestre e doutor em Educação. É facilitador de grupos de desenvolvimento humano e autor de diversos livros. www.juliofurtado.com.br

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

ASSASSINOS DE MINISTÉRIO QUE VOCÊ PRECISA VENCER: OS ESTRAGA-PRAZERES

CAPÍTULO 23 – LIDANDO COM PESSOAS DIFÍCEIS – PARTE III

8. AS PESSOAS MAIS PRÓXIMAS A VOCÊ TÊM O MAIOR POTENCIAL DE FERI-LO

Quando um líder espiritual se depara com um conflito com uma pessoa periférica na igreja, pode ser aborrecedor. Contudo, quando um líder espiritual tem um conflito com uma pessoa do núcleo da igreja, com alguém muito próximo a ele, ou com um membro da família que é altamente visível na igreja, isso pode ser devastador.

Jesus foi traído com um beijo, e Davi sabia da traição de seu próprio filho, Absalão.

Com efeito, não é inimigo que me afronta; se o fosse, eu o suportaria; nem é o que me odeia quem se exalta contra mim, pois dele eu me esconderia; mas és tu, homem meu igual, meu companheiro e meu íntimo amigo. Juntos andávamos, juntos nos entretínhamos e íamos com a multidão à Casa de Deus. A sua boca era mais macia que a manteiga, porém no coração havia guerra; as suas palavras eram mais brandas que o azeite; contudo, eram espadas desembainhadas.  — Salmos 55:12-14, 21

Você percebeu a falsidade da pessoa que causou essa dor intensa revelada no versículo 21? Palavras brandas? Ao longo dos anos, tenho observado que existem três tipos de pessoas acerca das quais líderes espirituais precisam ser cautelosos:

•   O superespiritual

•   O superdoce

•   O superescorregadio

Quando uma pessoa for exagerada em alguns aspectos do seu caráter, eu simplesmente o encorajo a ter cautela. Quando uma pessoa, por exemplo, é excessivamente doce, eu sempre me pergunto se isso é genuíno (e pode ser), ou se ela está compensando algo. Todos nós apreciamos uma pessoa verdadeiramente bondosa, mas eu tenho percebido que alguns que parecem “hiperdoces”, estão de fato tentando encobrir uma tendência à maldade no seu caráter.

Do mesmo modo, uma pessoa que vai além do normal para impressionar você com sua extrema espiritualidade pode ser um acidente de trem prestes a acontecer. Lembro-me de um jovem ministro me contando que quando ele era candidato para uma posição pastoral, uma senhora deu para ele uma profecia de que ele deveria ser o novo pastor. Ele ficou animado com essa confirmação, contudo, eu senti que deveria dar-lhe uma palavra de cautela. Eu expliquei para ele que se essa senhora pudesse profetizar para ele entrar na igreja, ela também poderia profetizar para ele sair da igreja.

Não sou contra pessoas que são doces ou espirituais. Graças a Deus por tais expressões, quando elas são genuínas. Contudo, quando essas pessoas usam esses traços em uma tentativa de conciliar e promover seus próprios interesses torna-se um grande problema.

Quando se trata de superescorregadios (“malandros”), observe que essas pessoas vêm com muita conversa. Quando uma pessoa sempre tem um projeto grandioso em andamento e está continuamente recrutando pessoas para a sua causa com promessas luxuosas, então provavelmente problemas estão a caminho.

Não seja paranoico, mas perceba que algumas pessoas tentarão chegar perto de você (como um líder espiritual) para ganhar influência pelo aparente relacionamento próximo a você.

9. NEM TODOS OS CONFLITOS SÃO ENTRE UMA PESSOA BOA (VOCÊ) E UMA PESSOA MÁ (A OUTRA PARTE)

Nós gostamos de classificar a boa e a má pessoa em todos os conflitos (e claro, nós entendemos que sempre somos a boa pessoa). Mas, nem todo conflito é tão facilmente claro como Caim matando Abel ou Judas traindo Jesus. Precisamos ser cuidadosos para vermos tudo através do filtro de autojustificação, especialmente quando estivermos experimentando um conflito com outra pessoa.

Quando eu dirigia uma associação ministerial, ocasionalmente recebia uma ligação de um pastor que estava entristecido quanto a um membro de sua equipe. O pastor focava as questões negativas concernentes ao trabalho daquele membro da equipe. Muitas vezes, ele apresentava a situação como se o ofensor membro da equipe fosse como o Absalão maligno que estava se rebelando contra o bom rei Davi.

Sem o conhecimento de qualquer das partes, recebi uma ligação um ou dois dias depois daquele membro da equipe, reclamando de dificuldades que ele estava experimentando com o pastor sênior (aquele que havia ligado reclamando do membro da equipe). O membro da equipe focou nas faltas do pastor, apresentando assim a si mesmo como o jovem e fiel Davi que estava tendo de servir ao mau rei Saul.

Normalmente, ambas as partes são boas pessoas que simplesmente enfrentam conflitos de personalidade, e normalmente esses indivíduos aprenderam a trabalhar com o outro. Efésios 4:2-3 diz: “Com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz”. Parte do versículo na versão A Mensagem diz: “… dedicando-se uns aos outros com amor, considerando as diferenças entre vocês, sempre resolvendo logo todo e qualquer desentendimento”.

Vocês se lembram da grande discussão que Paulo e Barnabé tiveram a respeito do que fazer com João Marcos (Atos 15:36-40)? Eles eram dois nobres e grandes homens. Acredito que ambos eram sinceros em suas convicções, mas tinham posições e visões diametralmente opostas. Paulo estava olhando para a situação de uma perspectiva orientada pela tarefa, enquanto Barnabé era mais pessoal em sua abordagem.

As diferenças entre eles, naquele momento, pareciam completamente irreconciliáveis. Contudo, muitos anos depois de Paulo se recusar a aceitar Marcos como parte do seu grupo, ele disse: “Toma contigo Marcos e traze-o, pois me é útil para o ministério” (2 Timóteo 4:11). Graças a Deus que aquela ponte não foi queimada completamente.

Quando você tiver um conflito, sonde destemidamente o seu coração e veja se existe qualquer ajuste que você precisa fazer. Não apenas presuma automaticamente (e de forma orgulhosa) que você está 100% correto, e a outra parte está 100% errada. Nunca será prejudicial nos certificarmos de que não estamos contribuindo para a natureza problemática da situação.

E mais, não faça de qualquer desacordo uma quebra de associação. Se você sente que deve se afastar dos caminhos de alguém toda vez que você tem uma perspectiva ou opinião diferente, então você irá terminar muito isolado e individualmente sozinho.

Dar uma folga à outra parte, especialmente em questões não tão críticas, é importante em todos os relacionamentos, especialmente no matrimônio. O Dr. James Dobson disse: “Um bom casamento não é um em que a perfeição reina; é um relacionamento em que uma perspectiva saudável sobrepõe uma multidão de problemas ‘irresolvidos’”.

O Dr. Dobson foi à origem das frustrações das mulheres, cujos maridos não foram sensíveis às suas necessidades: “Meu conselho é que você mude naquilo que pode ser alterado, explique o que pode ser entendido, ensine o que pode ser aprendido, revise o que pode ser melhorado, resolva o que puder ser definido, e negocie aquilo que está aberto a acordo. Crie o melhor matrimônio possível a partir da matéria-prima trazida de dois seres humanos imperfeitos com duas personalidades únicas. Mas para todas as arestas que precisam ser aparadas e as faltas que precisam ser erradicadas, procure desenvolver a melhor perspectiva e determine na sua mente aceitar a realidade exatamente como ela é. O primeiro princípio da saúde mental é aceitar o que não pode ser mudado”.

Quando você tiver de tolerar as imperfeições de outros e precisar aparar algumas arestas, lembre-se de que eles provavelmente estão fazendo a mesma coisa com você.

10.MANTENHA SEU SENSO DE VISÃO, FOCO E PROPÓSITO E NÃO FIQUE DISTRAÍDO POR CONFLITOS DE PERSONALIDADE

Quando Neemias estava reerguendo os muros de Jerusalém, ele foi apaixonadamente consumido por um senso de missão e propósito. Primeiro, seus inimigos (Sambalate, Tobias e Gesém) zombaram e o criticaram, mas quando o significante progresso se efetivou, eles o convidaram para vir e se encontrar com eles.

Contudo, Neemias viu além das intenções deles, recusou o seu convite enganador, e respondeu: “Eu estou engajado em uma grande obra, então não posso ir. Porque eu pararia de trabalhar para ir encontrar você?” (Neemias 6:3, NLT). Neemias entendeu o poder do foco. Ficar concentrado na sua missão era a principal prioridade para ele.

Marshall Shelley escreveu:

Talvez o maior dano feito por verdadeiros dragões não foi em sua oposição direta. É mais intangível. Eles destroem o entusiasmo, a moral tão necessária para a saúde e o crescimento da igreja. As pessoas não mais se sentem bem em convidar amigos para os cultos de adoração. O ar está tenso, a igreja abatida, e todos alertas a respeito de “nós” e “deles”.

O efeito sobre pastores é igualmente sério. Eles sugam a energia dos pastores, e tão prejudicial quanto isso, eles o levam a reagir em vez de agir.

“O problema real não é as suas francas ações”, observa um pastor veterano. “Mas eles desviam sua atenção e o mantém desprevenido mesmo que eles nunca se opuseram abertamente a você. Você se encontra sem planejamento, sem pensar no futuro, sem buscar uma visão para a igreja, você está apenas tentando sobreviver.”

Se os pastores ficam preocupados com os dragões, com medo de desafiá-los ou pelo menos muito preocupados com respeito a “lutar apenas batalhas que precisam ser guerreadas”, eles muitas vezes perdem sua espontaneidade e criatividade. A mudança é sufocada, o crescimento atrofiado, e a direção do ministério é definida pelo curso de menor resistência, o qual como todos sabem, é o curso que faz rios tortuosos.

Se as primeiras vítimas em uma guerra contra dragões são a visão e a iniciativa, a próxima vítima é o alcance.

Quando um pastor é forçado a se preocupar mais em apagar os incêndios do que acender a chama da igreja, os dragões venceram, e o ministério está perdido.

Jesus enfrentou incontáveis distrações, e ainda assim permaneceu focado em Sua missão. Isaías falou profeticamente do Senhor Jesus Cristo quando disse: “Porque o SENHOR Deus me ajudou, pelo que não me senti envergonhado; por isso, fiz o meu rosto como um seixo e sei que não serei envergonhado” (Isaías 50:7).

Paulo descansava tão confortavelmente no cuidado do Senhor concernente à sua vida que ele também se recusou a permitir que as opiniões e críticas de outros o transtornassem. Sua determinação é um grande exemplo para seguirmos.

Pouco importa o que vocês pensem ou digam a meu respeito. Eu não me avalio. Nesse caso, os rótulos são irrelevantes. Desconheço algo que me desqualifique na minha tarefa para com vocês, mas isso não quer dizer muita coisa. O Senhor é que faz este julgamento.  — 1 Coríntios 4:3-4 (A Mensagem)

11.ÀS VEZES, VOCÊ PRECISA ISOLAR O PROBLEMA

Billy Martin uma vez foi entrevistado e perguntaram o que o fez ser um bem-sucedido técnico de um time de beisebol profissional. Ele respondeu que em todos os times existem cinco jogadores que o amam, cinco que o odeiam, e quinze que simplesmente querem jogar. “Ser um técnico bem-sucedido”, ele continuou, “é manter os cinco que odeiam você longe dos outros vinte”.

Provérbios 22:10 diz: “Lança fora o escarnecedor, e com ele se irá a contenda; cessarão as demandas e a ignomínia”. Romanos 16:17 declara: “Rogo-vos, irmãos, que noteis bem aqueles que provocam divisões e escândalos, em desacordo com a doutrina que aprendestes; afastai-vos deles”. Tito 3:10 diz: “Evita o homem faccioso, depois de admoestá-lo primeira e segunda vez”.

Tenho testemunhado muitas situações ao longo dos anos nas quais havia algumas pessoas cronicamente descontentes na igreja. Não importa o que a igreja ou o pastor fizessem, não estava certo, havia uma contínua detecção de falhas, resmungos e críticas. Quando a pessoa finalmente deixou a igreja (ou foi convidada a sair), todos ficaram impressionados sobre o quão melhor a atmosfera da igreja se tornou e quanto a moral global da igreja melhorou.

É lamentável que esse tipo de coisa, às vezes, seja necessário, mas se as pessoas não podem estar contentes onde elas estão, deveria ser do melhor interesse de todos, se elas encontrassem outro lugar onde pudessem ir e ser positivas e solidárias. Infelizmente, esses tipos de pessoas carregam sua atitude com elas onde quer que vivam, portanto, normalmente acabam sendo descontentes em qualquer lugar.

Entretanto, líderes espirituais deveriam fazer tudo o que puderem fazer para que os relacionamentos funcionem. Pedir a alguém para sair deveria ser o último recurso, não a primeira opção.

Estive conduzindo uma reunião de ministros muitos anos atrás em outro país, e nós tivemos uma sessão de perguntas e respostas. Três dos pastores que perguntaram eram de certa cidade, e todas as questões deles tinham a ver com, “Está tudo bem expulsar alguém da igreja quando eles fazem isso”, e “Está tudo bem expulsar alguém da igreja quando eles fazem aquilo?” Depois de várias dessas perguntas, eu lembrei a eles de qual era o nosso propósito na liderança espiritual, de que não é ver quantas pessoas nós podemos expulsar das nossas igrejas, mas em vez disso, quantas pessoas nós podemos manter lá.

Ora, é necessário que o servo do Senhor não viva a contender, e sim deve ser brando para com todos, apto para instruir, paciente, disciplinando com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade, mas também o retorno à sensatez, livrando-se eles dos laços do diabo…  — 2 Timóteo 2:24-26

12.ESCOLHA AS SUAS BATALHAS

Quando Paulo escreveu a Timóteo acerca das qualificações dos líderes espirituais (os anciãos), ele disse, entre outras coisas que eles precisam ser: “… não violentos… porém cordatos, inimigos de contendas…” (1 Timóteo 3:3). Em acréscimo, Paulo falou a Tito que o bispo não pode ser “irascível” (Tito 1:7).

Se você já encontrou pessoas que eram contenciosas, argumentativas, que tinham um pavio curto ou estavam procurando por uma briga, então você entende por que tais pessoas enfraquecem os líderes espirituais. Eles repelem e dispersam outros; eles não atraem nem reúnem as pessoas. Paulo queria que Timóteo evitasse esse tipo de interação e o instruiu: “E repele as questões insensatas e absurdas, pois sabes que só engendram contendas” (2 Timóteo 2:23).

Existem algumas questões momentâneas, insignificantes e periféricas que nunca deveriam se tornar um ponto controverso. Como alguém disse, há certas montanhas que não vale a pena escalar. O papa João XXIII sabiamente disse: “Veja tudo, deixe passar uma grande parte e corrija um pouco”.

Provérbios 26:17 diz: “Quem se mete em questão alheia é como aquele que toma pelas orelhas um cão que passa”. Até mesmo Jesus recusou se envolver em certos conflitos. Quando alguém pediu a Jesus para orientar a divisão de uma herança, Jesus respondeu: “Homem, quem me constituiu juiz ou partidor entre vós?” (Lucas 12:14). Imediatamente, Jesus começou a abordar as questões da ganância e cobiça, que podem ser os fatores envolvidos em sua rejeição de tentar mediar aquelas disputas.

Até mesmo a sabedoria popular nos ensina a evitar o conflito infrutífero e desnecessário:

•  Nunca entre em uma batalha com pessoas perigosas porque elas não têm nada a perder.

•  Nunca lute contra um porco na lama. Vocês dois ficarão imundos, e o porco ama isso.

•  Nunca entre em uma batalha de cuspe com um gambá. Mesmo que você ganhe, sairá fedendo!

Como líderes espirituais, nós deveríamos ser sábios para não reagir a todo problema pequeno. Nós temos uma responsabilidade de lidar com questões quando o bem-estar de outros crentes e a saúde da igreja estão em jogo. Um mercenário pode fugir quando o lobo vem, mas não o pastor (João 10:11-13).